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UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
Anita.
TR�S ANOS ANTES
Isabel. Toma algo?
- �gua com lim�o. - Para mim um caf�.
Obrigado.
Porqu� tanta urg�ncia?
Pela Rosario, claro.
Quero que lhe mostre os v�deos que tem sobre o seu agente.
Os que tem em seu poder.
Explique-se, porque n�o percebo. N�o podemos usar esse material assim.
Se o mostramos, � evidente quem o tem.
� isso que quero, Bernal, n�o sou est�pida.
O senhor � que parece n�o se dar conta do que est� em jogo.
Quero que o seu agente saiba quem manda.
Vou mostrar a cara dele em todos os notici�rios,
de todos os canais, de todo o pa�s.
Vou fazer uma transmiss�o nacional com a cara dele,
para que ningu�m se esque�a da apar�ncia desse delinquente.
Parece-me que se est� a precipitar. N�o podemos atuar assim.
Temos de atuar com calma, serenos.
Al�m disso, ele ainda pode ser �til.
H� muito sumo para espremer dessa laranja.
A senhora sabe como �.
Assim que se queima uma carta, n�o d� para voltar atr�s.
Se a Rosario confia mais no seu agente do que em si,
o que parece estar a acontecer,
estamos com problemas.
N�o v� ele, um dia destes,
tornar-se meu genro.
A� sim, ir� derrubar tudo o que estamos a construir.
N�o se preocupe comigo e com a sua filha, sei o que tenho a fazer.
Mas vamos continuar calmos e serenos. N�o quero pisar em falso.
Obrigado.
N�o gosto de pessoas que n�o agradecem aos empregados.
� educado.
A Rosario tem de se tornar no nosso �libi.
Tem de estar no subconsciente de todos os deputados.
Para que saibam que, por tr�s da assinatura da lei do tr�fico,
por tr�s da sua aprova��o,
h� uma rede mafiosa que os tem como c�mplices.
Quero que se sintam como baratas.
Quero que sintam que, se n�o fizerem bem as coisas,
podemos mover o p� e esmag�-los.
N�o. N�o, a Rosario n�o est� bem.
Precisa que lhe recorde o acontecimento traum�tico que acaba de sofrer?
N�o. N�o podemos contar com isso.
Precisamos que se estabilize, ou pelo menos que volte a ser o que era.
Qualquer um pode ter um ataque de histeria.
Depois de falar com a rapariga, a Larissa, come�ou a ficar estranha
e a ter ideias na cabe�a que n�o necessitamos que tenha.
E isso n�o estava nos nossos planos.
Tal como n�o estava nos planos apaixonar-se pelo seu agente.
N�o est� apaixonada pelo agente. Est� agradecida.
N�o se esque�a que foi ele que a resgatou.
A Larissa desapareceu. N�o sabemos onde est�.
Ent�o encontre-a, Bernal. Fa�a o seu trabalho.
Essa rapariga � um tsunami de paix�o e eu quero-a silenciada.
Vou encontr�-la. A senhora fa�a a sua parte.
De cada vez que par�vamos,
deix�vamos de ser quem �ramos.
Tratavam-nos como coisas.
Como se n�o tiv�ssemos valor.
Recordo-me dos gritos.
Dos odores dos locais.
Resistimos sempre.
Todas.
Mas eles sabem como nos enfraquecer.
Resistir s� nos deixava mais pr�ximas da morte.
Eles tapavam-nos os olhos.
Mas consegui ver algo uma vez, por uma fenda num cami�o.
Era um sinal na estrada.
E as palavras "Bar de Whisky".
Esse sinal aparece nos meus pesadelos.
BAR DE WHISKY
Da primeira vez que me levaram, tentei escapar.
E depois percebi.
Percebi porque nenhuma das sobreviventes volta a tentar.
Ol�, querido.
S�o 500 pesos adiantados, o resto depende do que quiseres.
Que se passa? Est�s um pouco tenso.
Queres que te leve l� para dentro e te tire a roupa?
Venho da parte do Roque Carbone.
O que queres, Isabel?
Alfredo, que tom!
N�o resta um pouco de carinho pela tua mulher?
O que queres?
Que contactes a Larissa.
N�o sei onde est�. Como queres que a encontre?
Estou certa de que essa rapariga sabe mais do que diz.
Ent�o trata tu de a encontrar.
Eu n�o... Pede � Rosario, pede � Andrea.
Elas que te ajudem a encontr�-la. Pede ao Papa.
Eu n�o quero mais problemas. Est� claro? N�o quero mais problemas.
Alfredo, parece-me que n�o est�s a entender o risco que corremos.
H� tr�s pessoas que podem arruinar os nossos planos.
A Rosario, o Agente H e a Larissa.
Eu vou encarregar-me da Rosario, que est� fora de controlo.
O Bernal vai tratar do Agente H.
E tu tens de tratar da rapariga, querido.
Cada um tem de tratar dos seus pr�prios erros.
Liga-me quando souberes de algo.
- Como est�? - Bem.
Liguei-lhe v�rias vezes.
Desculpe. Com licen�a.
Sim. Diga-me quanto lhe devo.
Sim, anotei tudo.
A fatura da farm�cia,
um pouco de comida, mas s� isso.
Isto chega.
Ol�, m�e.
Estamos muito ocupados.
N�o os encontr�mos.
- Encontraste-os? - Ainda n�o.
Volta quando os encontrares.
Sabes quantos s�o?
N�o, n�o sei.
Nunca sabes nada.
In�til.
Parvalh�o in�til.
T�o arrogante.
Achas que como te vestes assim como um tipo s�rio,
n�o sabem que �s filho de uma marcada?
Eles sabem.
Filho da dor. � isso que �s.
E sempre ser�s. Sempre.
In�til.
In�til.
N�o se preocupe. Hoje est� assim, mas depois passa-lhe.
No outro dia falou-me de um c�digo de barras, ou da sexta vers�o...
Est� bem. Depois pago-lhe o que devo.
- Franco. - Ol�.
Ol�. Desculpe n�o ter respondido antes.
- Est� a sentir-se bem? - N�o. Na verdade, n�o.
- Aqui estou. - Entre, ent�o.
Venha.
Venha.
Andrea, onde est�s?
Ouve, preciso do n�mero desse tipo,
do namorado da Larissa.
Sim, envia-mo.
E que a Rosario n�o saiba que te pedi esta informa��o, sim?
R�pido, por favor.
Sente-se melhor?
Sim, obrigada.
N�o quer um ch�? Qualquer coisa? Pe�a, estou aqui.
N�o, estou bem. Diga-me o que se passa.
Vim trazer-lhe algo,
mas vendo o estado em que est�, creio n�o ser conveniente.
J� que est� aqui, diga-me.
Gostaria que isto n�o tivesse terminado assim.
Eu e o Gonzalo somos duas pessoas
que vemos e interpretamos o mundo de maneiras distintas.
N�o estamos unidos por sangue, mas h� uma pessoa que nos une.
Que nos une desde muito pequenos.
Est� a falar da Ana?
- O Gonzalo contou-me tudo. - Contou?
Quando pensamos na fam�lia,
pensamos que � outra coisa, acreditamos que � outra coisa.
Ensinam-nos sempre que a fam�lia � outra coisa, n�o �?
A verdade � que a fam�lia
� a coisa mais imperfeita que conhe�o.
Muitas vezes, os la�os mais profundos
n�o s�o uni�es de sangue.
S�o uni�es da alma, por mais �dio que haja.
Est�o unidas por fios de cristal,
fios muito finos,
delicados, que parecem que a cada momento se podem romper.
Mas n�o.
S�o inquebr�veis.
S�o feitos de um material que ainda n�o conhecemos.
Ainda n�o senti isso at� agora.
- Desculpe por ontem. - N�o h� problema.
Fique comigo.
Preciso de saber onde est� a Larissa.
N�o sei nada. Nada de nada.
Tentei encontr�-la quando voltou, tentei ligar-lhe,
mas nada. Pensei que talvez me pudesse ajudar,
mas vejo que estamos na mesma situa��o.
A m�e tamb�m n�o sabe onde est�.
N�o, n�o sabe. � verdade, n�o est� a mentir.
N�o sabe de nada.
Imaginei que me iriam chamar da TV.
Considerando todas as entrevistas que fiz, as coisas que fiz por voc�s.
Inclusive quando entrevistaram a Larissa. Tentei ir.
Na porta, proibiram-me a entrada.
N�o � assim que se tratam as pessoas, correto?
Se � assim, pe�o desculpa.
A verdade � que n�o sei o que se est� a passar no canal.
H� gente que toma decis�es sem que eu saiba. Perd�o.
Estou aqui porque sei que � a �nica pessoa que pode saber realmente
onde est� a Larissa.
N�o acredito.
Eu nunca fui o namorado da Larissa, Alfredo.
- Como assim? - N�o fui.
Se fosse o namorado da Larissa, o homem de sonho que toda a gente imagina,
estaria a rebentar-lhe a cara pelo que lhe fez.
Mas relaxe.
Eu fui apenas um �libi.
Fizemos a m�e acreditar que namor�vamos. Era colega de escola dela.
A �nica coisa que ela queria era partir, ganhar dinheiro, e assim foi.
O meu trabalho terminou.
Agora estou a rejeitar entrevistas.
Estou a dizer que quero come�ar de novo.
Uma nova vida.
N�o percebo como acreditou em tudo isto. O senhor?
Eu e todo o pa�s.
Gra�as ao bom trabalho da sua filha. N�o?
Ela foi muito m� comigo.
Expondo-me, acreditando que eu era
o namorado destro�ado.
Quanto quer?
Posso dar-lhe bom dinheiro.
Para a procurar e me dizer onde est�.
Sou caro.
Al�m disso, a Larissa est� mudada.
N�o � a mesma. Se n�o quiser ser encontrada,
vai ser muito dif�cil encontr�-la.
Vamos fazer um acordo.
Est� bem, d�-me um n�mero de contacto.
Assim que tenha informa��o, contacte-me.
Est� bem.
Vamos, Leon.
- Tens os cadernos, sim? - Sim, nos nossos sacos.
Muito bem.
- Ol�. - Ol�.
- Como est�s? - Bem.
Digam ol� � professora. Muito bem.
Deem-me as m�os, vamos para dentro.
- Portem-se bem. - Adeus, pai.
- Betina, posso chegar... - Adeus.
Adeus, querida. Devo chegar 10 ou 15 minutos atrasado.
Tenho uma confer�ncia. Pode cuidar deles
se me atrasar um pouco? - Sim, claro.
- N�o h� problema. - Est� bem.
- Obrigado. - Vamos para dentro.
Portem-se bem, meninos.
- Adeus, pai. - Adeus.
Filho da puta.
J� te apanhei.
Sim?
A dormir, imagino. � assim que faz justi�a.
Ligue a TV e veja qualquer notici�rio.
Est� bem, espere um segundo.
Tinha tudo debaixo de controlo, n�o era?
As imagens que estamos a ver acabam de chegar.
Onze corpos foram encontrados a 2 km da cidade de Ataliva Roca.
N�o h� testemunhas que nos possam dizer o que aconteceu.
A den�ncia foi feita anonimamente por um indiv�duo.
N�o acredito. Ficou louco.
Cale-se e ou�a-me!
Isto n�o devia ter acontecido.
O seu agente n�o devia ter ficado louco.
Temos de o parar, pois est� a passar informa��o que n�o nos conv�m.
As pessoas t�m de ter medo de n�s,
e n�o de ser mortas por um louco assassino.
A justi�a somos n�s, n�o ele.
- Vamos ver, por... - Cale-se, Bernal.
Basta. N�o quero mais erros.
N�o h� testemunhas que nos possam dizer...
O Gonzalo ficou louco. Ningu�m o vai parar agora.
Eu tra�-o, Franco.
Ele pensa que est� sozinho em tudo isto.
N�o, n�o fizeste nada. Ningu�m tem culpa.
Ele fez isto por um motivo.
Tens de descansar. Eu trato disto.
Mas primeiro tenho de o encontrar.
Foi um tiroteio a curta dist�ncia
em que morreram oito pessoas, quatro mulheres
e sete homens.
Ap�s v�rias semanas, o Agente H,
que estava relacionado com o caso de Larissa Torres
e da nossa colega, Rosario Santa Cruz, volta a mostrar a sua presen�a,
e deixa atr�s de si, uma vez mais, um massacre.
O que est�s a fazer aqui? J� fal�mos.
O Alfredo Santa Crus est� � tua procura.
Est� bem. Agora, vai. N�o quero que te vejam.
Ningu�m me viu. Ningu�m me seguiu.
Est�s bem? Precisas de alguma coisa?
- N�o tenho o teu dinheiro. - N�o vim pelo dinheiro.
Tem cuidado, est� bem?
Esse tipo � o que me assusta mais.
� assustador, a s�rio.
Se precisares de algo, fazemos como sempre, est� bem?
- Garrido? - Encontrei-o.
� melhor vires, Franco,
porque juro que vou entrar e disparar sobre ele.
N�o fa�as nada.
O Franco saiu h� algum tempo.
Ele passou a noite aqui?
�timo.
Acho que ningu�m sabe sobre a gravidez.
Mas � uma situa��o grave, Rosario.
Est�s gr�vida desse tipo.
Achas que ele pode vir atr�s de mim?
N�o sei.
N�o vou negar a identidade do meu filho.
Claro que n�o.
Sabes que podes contar sempre comigo.
Ele n�o me est� a ajudar.
Para onde est�s a olhar, gordo?
- Maricas. Gostas de mim? - Que foi?
- Qual � o problema? - Queres que te ensine?
Queres que te toque?
Vais fugir se olhar para ti? Que se passa?
Que se passa? Qual � o problema?
Qual � o problema, campe�o? Calma.
Qual � o teu problema?
Que se passa, idiota, est�s a perder a cabe�a?
- Que se passa? - Para com isso.
Acalma-te, ou enfio-ta pelo cu acima.
Enfio-ta pelo cu acima.
P�e-te a andar. Adeus.
Sai.
Para onde est�s a olhar?
Atinjo-te com a minha pila, careca. Maricas.
De cada vez que par�vamos,
deix�vamos de ser quem �ramos.
Tratavam-nos como coisas.
Como se n�o tiv�ssemos valor.
Esse louco assassino vem atr�s dela, Alfredo.
O que vamos fazer?
Ambos sab�amos que isto aconteceria a algum momento.
Algum dia ter�amos de o enfrentar.
Tu sabes, melhor do que ningu�m,
que nada se pode esconder para sempre. Sabias na altura,
e sabes agora.
N�o me importa se sabia ou n�o.
Se a Rosario descobrir,
n�o a vais poder ver, nunca mais.
Alfredo, nunca mais a v�s na vida.
Isabel,
ela ligou quando a Rosario estava sequestrada.
Queria ajudar. Queria saber o que podia fazer.
E porque n�o me disseste?
Ela est� a manipular-te, ela est� a manipular-nos.
Tal como fez antes, est� a faz�-lo agora.
Este problema � entre ela, a Rosario e eu.
Tu n�o tens nada que ver com isso
e eu vou encontrar uma solu��o.
Meu Deus.
Alfredo, se isto continua assim, vais terminar
preso ou morto.
Por favor, pe�o-te, faz algo.
Carma.
O que disseste?
Tudo volta.
E desta vez, voltou por n�s.
Agora sou eu quem pede.
Traz a minha filha de volta, Alfredo.
Temos de falar, Rosario.
� sobre o Gonzalo.
H� um bosque.
Uma estrada que o atravessa.
Depois, h� uma guarita.
Com um port�o de madeira.
Esse caminho leva � casa.
Quero esquecer, mas n�o consigo.
Recordo-me demasiado bem desse lugar.
H� uma casa de pedra gigante.
Da primeira vez que me levaram para l�, tentei escapar.
E depois percebi.
Percebi porque nenhuma das sobreviventes volta a tentar.
Segundo eles, nem todas l� chegam.
Apenas as de primeiro n�vel.
Bem, aqui estou. O que querem de mim agora?
O Agente H est� atr�s de Garmendia, mas n�o a pode encontrar.
Ele n�o tem de a matar,
como com toda a gente com quem se cruza.
O chefe do Carbone � uma mulher.
Precisamente, e tem de ter cuidado. N�o se deixe enganar.
Porque seguramente, se se cruzar com ela, vai dizer-lhe que teve uma vida dif�cil,
que a prostitu�ram.
Mas conseguiu comprar a sua liberdade e tem poder,
muito poder, aqui e no estrangeiro.
Tem um har�m a trabalhar para ela. N�o se deixe enganar. Sim?
Tem de impedir que o Agente H a encontre e a mate.
Tem de a procurar, encontr�-la e prend�-la.
Antes, ela tem de falar com a Rosario.
Foi uma das suas condi��es para se render.
Mas porque o faria?
Porque vai trocar uma cela confort�vel por informa��o.
E o que tem a Rosario que ver com tudo isto?
Promotor, trate do que tem a fazer e ser� muito bem recompensado.
Muito bem.
TR�S ANOS DEPOIS
Estou orgulhosa de ti.
Fizeste o que tinhas de fazer.
�s o homem da fam�lia.
Porque partiste?
Deixaste-me s�. Deixaste-nos a todos cercados pela escurid�o.
Tenho saudades tuas. Muitas saudades tuas.
Estou nos teus sonhos.
Onde todos querem estar.
Como o pap�. Todos.
Vamos voltar a estar juntos.
A s�rio?
Isso � verdade?
� verdade que vamos encontrar os nossos entres queridos?
Alguns sim, outros n�o.
Mas eu estou � tua espera.
Vamos estar juntos novamente.
Somos uma fam�lia. Estamos unidos para sempre.
Tradu��o: Lu�s Perat
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