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Trezentos e cinquenta euros e uma multa por dirigir na cal�ada

e outra porque o farol estava quebrado.

Minha sobrinha dan�a melhor.

-Qual sobrinha? -A do Tony.

-Tony? -Meu primo de primeiro grau.

Olha aquele rapaz. Conheci a m�e dele.

Vend�amos produtos da Avon juntas.

Como vai? Deixaram voc� sair?

Sou eu, a Sandi. N�o se lembra de mim?

Sim, lembro.

Essas crian�as s�o umas pestes.

Viu aquele que estava ali?

Eu puxava daqui e ele puxava de l�.

Vai, querida. Vai ver onde est� a mam�e.

-Oi. -Como est�, filho?

Voc� � como um terceiro filho para mim, Daniel.

Eu juro. Eu te amo muito.

Eu tamb�m.

Obrigado.

Que olhos lindos.

Se voc� visse o cora��o dele...

Mas ele n�o quer d�-lo. Ent�o, cai fora!

Obrigado mesmo assim.

-O qu�? -Sei l�.

-Voc� est� fedendo. -� o cheiro da festa.

Seu cheiro vai nos expulsar da festa.

Nekki, tire ele daqui.

-Ele est� p�ssimo. -Vamos dan�ar.

Ei, tem um pouco de...

N�o vou me lavar hoje.

Hoje vou dan�ar!

Daniel!

-Vem c�! -N�o.

Daniel, sobe aqui.

-N�o, para qu�? -D� para mais um.

�ltima partida do terminal �s 00:30.

�ltima partida do terminal �s 00:30.

�REA MONITORADA

Sua aten��o, por favor. Por sua seguran�a, fiquem atentos.

Qualquer comportamento suspeito, avise a um funcion�rio.

Lembramos que � proibido fumar dentro do metr�.

Obrigada pela sua aten��o.

Se pudesse voltar no tempo...

Se pudesse apagar tudo...

Come�ando por mim...

Come�ando pela lembran�a do Costel...

Vamos, Costel.

Temos que ir.

Bom dia. Bom dia.

Ag�ncia de �guas.

Bom dia. Ag�ncia de �guas.

Vim checar o encanamento.

Ol�, Ag�ncia de �guas.

Vim checar o encanamento.

A essa hora?

� por causa do chumbo.

Por aqui.

-� ali. -Obrigado.

As crian�as nunca vivem no passado.

No mundo delas,

os desejos moldam o futuro

com realidade e sonho em perfeita harmonia.

Daniel!

Veja se ele roubou alguma coisa.

A que ponto chegamos.

�.

N�o, ele n�o pegou nada.

Est� tudo aqui.

Est�o com fome?

Dev�amos ter ficado para o jantar.

Devia ter ficado calado, seu sotaque � horr�vel.

Eu n�o disse nada.

Voc� disse: "�".

J� se v� que n�o � um policial, mas um maldito cigano.

Toma.

Michel. A chave.

Est� devendo duas semanas.

Amanh�.

Meu trabalho � dirigir este hotel para o sr. Ali.

Entende?

Quer uma cerveja?

Se consertar a privada, eu retiro uma semana.

Se n�o pagar at� a semana que vem, voc� ser� expulso!

Ali me arrumou um trabalho de constru��o.

Eu n�o pude pagar o hotel.

Se falar com ele, ele te arranja alguma coisa.

-� o seu casamento? -N�o.

Mesmo casado, em um casal, � cada um por si.

Como estou?

Vou tentar pintar, agora que moro aqui.

Enquanto isso, como as tintas s�o caras, eu comprei isso.

O vendedor disse que pertenceu a um pintor japon�s.

N�o sei se � verdade.

Tchau.

Filho da m�e!

� um trabalho para os ciganos.

O que est� fazendo?

-� detergente. -Est� sujo.

Pare, isso est� imundo!

Toma.

-Para o seu casamento. -Para mim?

N�o, obrigado.

"H� esperan�as para os mortos?"

"N�o precisa de senha para chegar a Deus".

Assim � muito f�cil.

Eu sei a senha.

-Quer saber? -Claro.

Quanto?

Costel.

Quase, quase.

Eu estou farto de desenhar cora��es em carros.

N�o posso trabalhar com voc�?

Para fazer o qu�?

Para pagar pela senha.

Estou falando s�rio. Pode falar com o Pepe?

Tem certeza?

Eu preciso de dinheiro para me casar.

Tudo bem, vou falar com o Pepe.

-Cuidou do an�ncio? -Cuidei.

Ele est� saindo.

Esperamos at� ele ir embora

e depois entramos.

Senhora, est� sozinha?

Sim? Sim?

Bom dia. Bom dia.

Vamos voltar para Paris, ent�o tudo est� � venda.

A televis�o, a geladeira,

o fog�o, o espelho.

At� algumas roupas da minha mulher.

-E a�? -Nada mal.

Eu me casei ontem.

D� para acreditar nisso?

E voc�? � casada?

-Bom dia. -Bom dia.

N�s vimos o seu an�ncio.

Nem uma palavra ao Lucho.

Est� congelando!

-Deixou seu carro aqui, Daniel? -�, a Ferrari.

Deixei ela aqui para n�o ser roubada.

N�o foi muito esperto.

Isso funciona?

-Estou aleijado! -Que cheiro bom.

N�o sinto minhas pernas!

Mais r�pido, anda!

-Est� mentindo! -N�o, � verdade.

Levante-me.

Vamos l�.

Est� quase pronto.

Que cheiro bom, n�o?

�.

-Mam�e? -Sim?

Onde eu e Maria vamos morar?

Aqui. Onde mais? N�o vai achar lugar melhor.

Por que n�o na nossa pr�pria casa?

Se trabalhar com o Daniel, vou poder comprar uma.

Acha que comigo vai ficar rico?

Filho, me escute.

Arrume uma casa. Voc� est� certo.

Est�? E vai pagar por ela com o qu�?

Alugue e n�o pague.

-Boa noite. -Oi, Lucho.

-Oi. -Sente-se.

O que est� fazendo, Costel?

-Seu filho � um idiota. -Est� muito quente.

� para ser quente.

Sair com um idiota o tornou um idiota.

Cala a boca, Lucho. Pelo menos, nos divertimos.

Escutou, mam�e? Eles se divertem.

Ganhou alguma coisa hoje?

Quanto?

Cinquenta centavos?

E voc� com isso, Lucho?

-Seus esquemas fedem a sangue. -O que disse?

Que seus esquemas fedem a sangue.

Repete isso! Espertinho.

Meus esquemas fedem a sangue? Cala a boca, imbecil!

Cala a sua boca!

O que est� fazendo?

Voc� sabe que n�o vai usar isso.

Lucho, voc� est� maluco.

Cuidado, Costel.

Posso subir sem os p�s!

Seus sapatos n�o s�o bons para isso.

Voc� me ouviu?

Daniel!

O qu�?

Acho que consigo ver a senha daqui!

Boa noite. Boa noite.

Ag�ncia de �guas.

Vim checar o encanamento.

Vim checar o encanamento.

Nekki!

Eu te vi! Aonde est� indo?

Aonde est� indo? Vou te pegar.

Me d� as bombinhas!

Sai! Saia da minha frente!

Cai fora!

Pare com isso, pai, est� b�bado. Vamos.

Vou furar todos os pneus!

Pare, papai. Venha.

Vagabunda.

Sai! V�, antes que eu te mate!

Escutou?

Sua vagabunda! E n�o volte mais.

Eu estou gr�vida.

� normal.

Acontece.

Voc� e Costel se divertiram...

E acontece.

Costel j� sabe?

-Ainda n�o contei a ele. -Deveria.

Ele vai ficar louco de alegria.

D� � Maria.

Fa�a como de costume.

Ligue o carro.

Me deixe em paz.

Est� me machucando!

-Quer uma cerveja? -Isso d�i!

Toma uma cerveja!

Quem est� a�?

Sou eu.

Est� a� h� muito tempo?

Vingan�a, vingan�a, vingan�a.

Voc� gosta de fazer xixi?

Pare de fazer xixi, seu c�o imundo!

-Pare! -Piedade, Michel.

Piedade.

A partir de agora, Michel n�o existe mais.

Meu nome � Umberto.

Tem um cigarro?

Hoje cedo,

Michel leu para mim uma hist�ria sobre Umberto,

um chefe da m�fia.

Est� morando onde agora?

-Em um hotel. -Em um hotel?

Sim. Cinco estrelas.

Nada mal.

Voc� vai voltar?

Acho que sim.

Tem que pagar muito?

Sim, tenho.

Est� com a cara boa, sr. Ali.

Normal, fiquei em quarto lugar.

Peguei um peixe de 30kg. Acredita nisso? 30kg!

Muito bem.

"Muito bem"? � maravilhoso!

Da pr�xima vez, terceiro lugar.

�, tem raz�o.

Quando ele escorregou...

Se pegar aquele, vou coloc�-lo na minha parede.

Juro por Deus.

Claro, amigo, � claro...

Descanse, a gente se v�.

Saia, Umberto.

Ele � um idiota, mas � leal como um c�o.

E eu gosto que ele seja franc�s.

Eu quero trabalhar.

Preciso de dinheiro.

Aqui, se n�o pagar, vai embora. � a regra.

Eu tenho contas para pagar.

A porta est� sempre aberta.

� um perdedor que trabalha no mercado de peixes.

Ele me deve 2.000. Pegue a grana, e te dou 25%.

Quatrocentos euros.

Sente-se.

Para o sr. Ali,

um bom cliente � um cliente que paga, sem confus�o.

Nada de restauradores.

Ele diz que s�o ladr�es pregui�osos.

Se eu fosse o chefe,

eu contrataria todos.

Menos os �rabes.

E o sr. Ali?

Quando se tem dinheiro, deixa-se de ser �rabe.

Quando sa� da pris�o, h� seis anos,

eu peguei o metr� e fui para casa.

Minha mulher estava no quarto

com um maldito �rabe.

Com barba e tudo.

Sabe o que ela me disse?

"Ele viaja comigo e me trata bem".

Ela devia ter me contado.

Eu a levaria a Roubaix

para conhecer meus pais.

Mas Roubaix n�o era ex�tica o bastante para ela.

Ex�tica...

Me pergunto se ela poderia ser estuprada sem risco...

O que acha?

Acha que sou louco?

Acho.

Isso n�o resolve nada.

Nada mesmo.

Nada de nada.

Nada!

Quantos anos tem?

Eu? 70 anos.

O que voc� fazia antes?

Antes de qu�?

Na Hungria, eu era cabeleireiro.

Vivia bem?

Como um cigano.

Mas eu tinha uma casa, uma esposa...

Tinha at� um carro.

Mas a queda do Comunismo me tirou tudo.

Voc� acredita em Deus?

Claro. No nosso Senhor.

Ent�o, voc� vai para o Para�so?

Espero que sim.

E vai fazer xixi l� em cima tamb�m?

Acho que n�o vou poder me segurar.

Voc� vai fazer xixi na gente.

Muito bem. O sr. Ali vai ficar contente.

� como xarope de framboesa.

Quer ser meu assistente?

Teria at� a chave da geladeira.

N�o.

Como eu disse, voc� � diferente.

Amigos.

Amigos.

Eu sou como sou.

N�o espero nada da vida.

Pela primeira vez na vida, eu perten�o a algum lugar.

Eu fa�o o que o sr. Ali pede,

para n�o estragar tudo de novo.

O que eu fa�o aqui fica entre voc� e eu.

Entendeu?

M�fia?

M�fia.

N�o vai beber sua cerveja, M�fia?

Meu Deus.

Perdoe-me.

N�o me abandone.

Este � seu quarto.

Voc� vai ficar bem aqui.

N�o a perca.

Ent�o, M�fia,

gostou da nova aquisi��o?

M�fia?

M�fia?

Tudo da M�fia.

Como voc� se chama?

Francine.

Ganhei 40 euros.

Devia aplicar na bolsa de valores.

-Me d� um dinheiro. -Por qu�?

-Um empr�stimo. -N�o, eu paguei.

Estou sem grana, Michel.

Ainda n�o entendeu?

Michel morreu! Est� bem?

Eu me chamo Umberto! Repete! Repete!

Umberto.

Maldito abutre.

-Caf� da manh�. -Imbecil de uma figa!

N�o quero.

-N�o tem mais cereal? -N�o estamos nos EUA.

N�o existe cereal s� nos EUA.

Compre uns cigarros e uma pizza sem nada em cima.

Ei, compre voc� suas pizzas.

Que ideia...

� preciso colh�es grandes

para governar este pa�s.

E eu tenho o que � preciso nas minhas cal�as.

J� faz muito tempo que baixou as cal�as.

Pare com isso, seu pervertido.

Quer jogar?

Por que me olha assim?

Voc� se parece com ele.

Quem?

Meu filho.

Antes, eu gostava de olhar para ele,

ouvi-lo.

Mas agora, � diferente.

Eu n�o ligo se n�o o vir.

Obrigada, meu anjo.

Continue, meu anjo.

Na mosca.

Voc� � bom com os dardos, Louis.

Sua vez, camarada.

Sem medo, para a m�o n�o tremer.

Boa!

Muito bem!

Bom trabalho.

Viu? Se for forte, n�o tem como errar.

Eu sempre acerto o alvo.

Voc� quer...

Est�o com fome?

-Sim. -Sim.

Voc�s s�o daqui?

Sim.

S�o casados?

Sim.

Venham, vou preparar alguma coisa.

Sou Joe, mas todos me chamam de Fil� Mignon.

Melhor do que "Carne Mo�da".

Eu vim para c�

h� 30 anos de barco.

Eu j� fiz de tudo.

Todo tipo de coisa. J� fui carpinteiro,

estofador, legion�rio, gar�om,

taxista, at� padeiro.

Eu gostava da padaria, e da padeira...

-Aqui. Fiquem � vontade. -Obrigado.

Fil� Mignon.

Voc� era feliz antes, meu anjo?

Era.

Eu tamb�m.

Toma.

Para ajudar a Maria.

Eu vou embora, Pepe.

Vou me salvar.

Voc� est� horr�vel.

N�o diga isso.

Vou pensar que � parte da conspira��o

para arruinar minha vida.

Conspira��o?

A conspira��o...

Sei.

A conspira��o de vadias e bichas.

Aonde quer que v�, eles estar�o l�.

Voc� me ama, meu filho?

Claro.

Obrigado, meu filho.

Obrigado.

O que ele disse?

"Eu vou embora".

De jeito nenhum, � imposs�vel.

Aquela garota est� doente. O Estado me deu ela.

Sabe quanto me pagam por m�s para ficar com ela?

750 euros.

Eu sou respons�vel por ela.

Voc� n�o fala muito.

� muito tarde para eu recome�ar.

Mas voc� pode.

Olhe para voc�.

Vamos embora daqui.

E vamos levar meu filhinho?

Sim.

Daniel!

Anda. Por aqui.

-Por qu�? -Anda!

Maria n�o tem nada, o beb� n�o tem pai.

E voc� quer ir embora.

-Eu dei o dinheiro ao Pepe. -N�o foi o bastante.

� culpa sua, eu disse para deixar meu irm�o em paz.

-Tira o casaco. -De jeito nenhum.

Mandei tirar o casaco!

Tira o casaco!

Voc� n�o vai a lugar nenhum!

Voc� vai pagar at� morrer.

Voc� j� est� morto!

Pare, chega.

Parece que est� bem de dinheiro.

Que bom.

Eu quero o dobro em tr�s dias.

E talvez, depois, possa voltar ao acampamento.

Lucho tinha raz�o.

Eu j� estava morto.

E o meu t�mulo era o hotel do Ali.

O ref�gio para aqueles com a vida arruinada.

Quase todos loucos.

E tamb�m os velhos.

Os problem�ticos.

Os perdidos.

Pessoas de olhares vazios, a quem eu pertencia agora.

-� ele? -�.

Levante.

N�o, n�o, n�o.

A garota acabou de sair do hospital.

-Ela est� sob meus cuidados. -M�os no carro.

O que � isso?

Fala franc�s?

Sim.

Ent�o, qual � a hist�ria?

Voc� fugiu com a garota?

Sim. Francine.

Conhece este homem?

Sim.

Ele diz que foi sequestro.

� mentira.

N�s nos amamos.

Voc�s se amam?

Sim.

N�o � ainda um grande amor,

mas � alguma coisa.

� o come�o de alguma coisa.

Ela acabou de sair do hospital. Est� tomando rem�dios.

E voc� bebe, usa drogas?

�s vezes, para dormir.

Tem ins�nia? Alucina��es?

Antes, sim.

-N�o tem mais? -N�o.

Desde quando?

Desde a Francine.

-M�fia? -Sim.

J� vai embora?

Calma, M�fia.

N�o fique bravo pela garota.

Eles vieram busc�-la.

Ela destruiu o quarto.

-M�fia... -O que fez com ela?

Cad� a Francine?

M�fia, eu n�o fiz nada.

Eu juro.

Uma ambul�ncia veio peg�-la.

Voc� me deve dinheiro.

-Cad�? -N�o tenho.

-Eu disse tr�s dias. -Amanh�.

O qu�? Olhe para voc�.

Voc� � um perdedor.

Se o deixar ir, sei nunca mais vou v�-lo de novo.

Seu filho da m�e!

Eu vou atr�s de voc� e vou desenterrar seus ossos.

Aonde vai? Voc� deve uma vida.

Voc� me deve uma vida.

Aonde voc� est� indo?

Eu curti.

Estava assim.

Eu curti bastante...

Daniel?

O que voc� quer?

O que foi?

-Escutou um barulho? -N�o.

Subpack by DanDee

SE VOC� SOUBESSE

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