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(1946)
Que fazem aqui?
Saiam da casa se n�o quiserem que lhes matem!
Vamos! E voc� tamb�m!
DEPOIS DO ROUBO NO BANCO NACIONAL SABEREMOS FINALMENTE QUEM � SAGET?
SEGUINDO SUA PISTA, O C�LEBRE BANDIDO FOI SITIADO NO SEU ESCONDERIJO
� muito bonito!
Chatenay-la-Rivi�re!
Vou a Chatenay-la-Rivi�re!
Ei, velho, algo vai mal?
Diga-me algo, que bebedeira que est�!
Est� ainda mais b�bado que eu. N�o � poss�vel!
Mas gosto da sua cara!
Tome, beba um gole!
Vamos, eu disse que beba!
Beba!
N�o vai ficar aqui no estado que est�!
Vamos, suba neste calhambeque!
Eu lhe levo.
Voc� est� b�bado, eu estou b�bado, somos irm�os!
Venha, eu n�o sou um ogro!
Mas por que n�o sobe?
Vamos, sou um colega! E foi uma d�diva de Deus!
Eu n�o gosto de trivialidades!
Vamos, carro�a!
Comprei pondo os d�lares sobre a mesa!
Esse � meu estilo, de campe�o americano!
No Oeste voc� aprende a lidar com dinheiro!
E eu tinha um bom pacote!
Os bolsos cheios!
Eu cuidava de vacas.
Olhe!
Uma lembran�a!
Mas n�o pode tocar, amigo, porque � de ouro!
As vacas ficaram l�. Com um carro voc� � o dono!
Eu me chamo Ludovic.
Ludovic Mercier.
E voc�?
Conhece Chatenay?
Chatenay-la-Rivi�re!
Vamos l�. Eu nasci l�.
Que chato!
Mas d� gosto voltar quando se tem dinheiro!
E mostrar a eles o que voc� vale.
Isso vale a pena!
A cara que v�o ficar os caipiras de Chatenay!
Um milion�rio!
Hortense Qui�sat�re!
Foi ela quem me ensinou.
Ainda a escuto dizer,
o pobre Ludovic � t�o burro!
Um garoto atrasado!
E os demais que repetiam: "burro como Ludovic".
Ah, ah! N�o se mexa!
� o que tem o dinheiro! Entende-me?
O idiota saiu na frente!
Alguma recomenda��o especial, doutor?
Sim, sim.
Eu...
Eu cuidarei pessoalmente dele. S� eu.
N�o quer que...
N�o, est� bem assim...
Mas doutor, isso n�o � s�rio. Vai se matar com sua idade!
Bem, queria dizer...
A minha idade?
Quando trabalho � como se tivesse vinte anos.
Deixe-me ter vinte anos a meu gosto, senhorita.
Perdoe que insista, mas n�o compreendo.
A opera��o foi um sucesso, concluiu sua parte!
Olhe-me bem, Srta. Pasqueau.
O que eu fiz at� agora com minha vida? Nada.
- Nada, o senhor? - Nada e � por isso que fico velho.
Ser velho � ter perdido seu tempo.
Adeus, senhorita.
Sim?
Tinha dito que n�o me incomodasse, Srta. Pasqueau!
Imposs�vel, inclusive com a melhor boa vontade do mundo!
� a Srta. Hortense e o senhor j� a conhece...
Diga a ela que a receberei amanh�, agora n�o posso ver ningu�m!
Pois agora estou aqui, doutor! Onde est�? Quero v�-lo!
Como �?
Doutor...
� imperdo�vel!
Sou a tia dele e estou em um estado...
Bem, sente-se, senhorita!
Sentar-me? Quando meu sobrinho volta da Am�rica
depois de 25 anos sem receber not�cias dele!
Doutor, tem t�o pouco cora��o como ele!
- Quero v�-lo! - N�o, senhorita!
N�o?
N�o?
Compreendo.
Est�... � verdade que est�...
Est� vivo.
Eu sabia... Meu pobre Ludovic! O pobre idiota do Ludovic!
Eu disse que est� vivo e a salvo. N�o h� motivo para chorar!
Vivo?
Ludovic, vivo?
Perd�o, doutor, pensava que...
� t�o idiota...
� um anjo, doutor!
Quero v�-lo imediatamente!
Repito que n�o vai v�-lo!
Compreendo sua emo��o, mas aqui os pacientes mandam.
Seu sobrinho acaba de passar por uma opera��o delicada,
que se saiu bem, mas n�o vou p�-la em perigo para lhe dar um gosto.
Espero que compreenda!
Mas, quando, doutor? Amanh�?
Eu telefonarei.
Doutor, o senhor � um monstro!
Diga-me, pelo menos, como �.
Grande? Pequeno?
Gordo? Magro?
25 anos de aus�ncia!
Recorde-se, doutor, ainda era uma crian�a. Lembra-se?
Perfeitamente. Bem, ele �...
comum!
Eu n�o estou surpresa com ele.
Comum e milion�rio.
Perd�o?
Milion�rio!
Isso � imposs�vel, doutor.
Aos 13 anos apenas sabia ler.
Mas pode ser que soubesse contar!
De qualquer forma, n�o h� d�vidas que seu sobrinho � milion�rio.
Inclusive v�rias vezes milion�rio.
- Que pena... - Que pena? Por qu�?
N�o sei...
N�o era muito inteligente.
E � t�o dif�cil saber ser rico...
N�o?
N�o sou quem pode lhe responder isso. Eu telefonarei.
Isso, doutor, avise-me logo!
Diga que lhe mando um beijo e que espero!
Espero que n�o tenha esquecido o caminho de casa.
V� tranquila.
Doutor!
Ele lhe falou de mim?
Um ferimento profundo no ombro esquerdo, hemorragia, 1 hora na mesa de opera��o!
Nunca ouvi ningu�m falar de fam�lia nessas condi��es!
� um incr�dulo, doutor. N�o ir� para o c�u.
Que faria no c�u! L� todos se comportam bem!
Adeus!
Se quiser contar...
acho que est� certo.
D� no mesmo, doutor, eu o conto com a vista...
Eu lhe felicito. V�-se que tem costume de lidar com dinheiro.
Aprendi a fazer isso r�pido.
E isto tamb�m...
Eu aconselho voc� a n�o abusar.
Obrigado.
E isto com a mesma recomenda��o.
Diga-me, doutor, o que eu tinha no ombro?
No ombro?
Sim, houve um momento em que senti que algo me atravessava o bra�o.
Nada especial. Um ferimento profundo... Um vidro ou da carroceria...
O osso estava exposto.
Isso � tudo?
� tudo? Quando o tempo estiver �mido, ser� demais.
Tome, pegue isto.
N�o gosto de levar por a� esta pasta. Pode guardar para mim no cofre?
Sim, mas n�o gosto de ter isto em minha casa.
Eu levarei amanh�.
Sem falta, porque eu me conhe�o e n�o pego no sono a noite toda.
O carro n�o chegou e eu disse que estivesse aqui �s seis horas.
N�o se preocupe, doutor.
Posso ir at� l� a p�.
Nem pense nisso!
Todo Chatenay lhe espera, meu querido Ludovic.
� o sucesso do dia!
Uma celebridade for�ada!
Um pouco emocionado, n�o?
Eu compreendo. Reencontrar-se com sua cidade depois de 25 anos de aventura!
De aventura?
Ludovic, n�o me tire minhas �ltimas ilus�es.
Para mim, que nunca sa� daqui, a Am�rica � a aventura.
E � t�o bonita a aventura!
Sim, sim.
A cidade tamb�m tem seu lado bom.
Que �?
� a Srta. Hortense, doutor.
A Srta. Hortense, sua tia.
- Mande-a entrar! - Est� bem.
J� sei que n�o gosta muito dela, mas lhe asseguro que uma boa mulher!
Est� um pouco louca, mas tem seus motivos.
H� meio s�culo que vende varas de pescar.
Nenhum c�rebro pode resistir.
Ludovic!
Pois sim.
� Ludovic.
Meu sobrinho!
Meu querido!
Eu lhe reconheci imediatamente!
D�-me um beijo!
Perdoe-me, eu lhe machuquei?
Voc� n�o mudou!
N�o � verdade, doutor?
25 anos, Ludovic! 25 anos sem uma carta sua!
Exceto pela morte de seu pai.
No entanto, ele amava voc�. � sua maneira, claro...
N�o era o melhor sempre.
Lembra-se, doutor?
Tudo isso � passado. O importante � que voltou!
D�-me um beijo, Ludovic!
Ei, ei! Cuidado...
Como sou desajeitada!
Mas por que est� t�o s�rio?
Por Deus...
N�o est� contente em me ver?
Ent�o diga, n�o seja t�mido!
Senhorita, sabe que Ludovic sempre foi t�mido.
Sobretudo ante voc�!
Com sua idade e ainda n�o passou?
Oh! Olhe, voc� � idiota, Ludovic.
N�o tem nada, d�-me um beijo!
E da�?
Vamos, reaja!
Diga algo!
� terr�vel ter um sobrinho assim!
Pelo menos ainda gosta do bolo de cereja?
Bolo de cereja?
- Sim, o bolo de cereja! - Sim.
Sim, qu�?
Sim, tia.
Pois fiz um para esta noite!
Claro que est� convidado, doutor!
Bem, vou embora.
Espere um pouco, espero um carro!
Imposs�vel. A loja, o bolo est� no forno!
N�o, at� logo. N�o se atrasem!
Conto com voc�s.
E seja prudente, Ludovic.
Todos os pregui�osos da regi�o est�o esperando por voc� na porta.
Sabem que � rico e um pouco bobo.
J� sabe, a carteira no bolso e o bolso costurado!
Tudo se lhe perdoa porque cozinha muito bem.
Mas tenha certeza de que o pior passou. J� lhe beijou por dez anos.
Tem certeza de que � tudo o que resta da minha fam�lia
Pode ficar tranquilo,
certeza absoluta.
Dolorosas, estas novas tomadas de contato.
Tem que se reeducar outra vez.
Uma esp�cie de "mecanoterapia" do pensamento,
Ver� que s� � quest�o de paci�ncia...
N�o sou paciente.
Eu era menos que voc� ainda, meu amigo!
E me converti � for�a.
N�o se pode fazer nada contra o poder dos acontecimentos.
Sonhava com viagens, queria aproveitar a vida...
em todas as suas formas, em todas suas latitudes...
e olhe para mim!
Anos de paci�ncia e de imobilismo.
Que � isto?
� toda minha vida.
Um estudo sobre a profilaxia da tuberculose infantil na regi�o.
Nenhuma rela��o com a volta ao mundo.
Gosta disso?
Eu n�o sei.
Gosta de escutar o batimento do seu cora��o?
E isso n�o o impede de bater, n�o obstante.
Ao entender que isto era o que tinha que fazer, soube que nunca faria outra coisa.
E que tinha que ser paciente.
L� est� o carro.
Vamos, meu querido Ludovic, v� se reencontrar com sua cidade.
Receio que terei esquecido de muitas coisas.
N�o se preocupe. O raro seria o contr�rio.
Ah! Esse � meu cavalo!
Olhe!
Essa � a Rua Principal.
E � esquerda, a escola.
L� aprendeu a ler. Agora � a sala de festas.
L� est�o os correios.
Parece-me que ent�o n�o tive muitos amigos...
Diziam "idiota como Ludovic", verdade?
Sim, era assim.
Mas acredite, � muito rico para ser idiota.
Arre, Escul�pio, arre!
Bom dia, doutor!
Bom dia, senhoras!
L� est� papai Delmas!
Um dos que ficar�o encantados em lhe ver!
A igreja de Sainte M�re de Dieu.
Reconhe�o o portal!
Acha que reconhece, foi constru�do h� quinze anos.
Enterram papai Jacquenot. Jacquenot, o guia, como os guardas o chamavam...
Certamente ele o teria reconhecido. O patife ainda tinha uma boa vis�o.
De qualquer modo est� morto sem ter-lhe visto.
Era paciente seu?
Sim.
Isabelle!
Que faz aqui? Olhando o enterro passar?
Sim, gosto dos enterros. Preparo-me para isso.
N�o � s�ria, pequena, d�-me pena. Voc� tem que vir me ver.
Quase tinha prometido na semana passada.
Quem �?
- � Ludovic Mercier. - Ah, o rico!
Essa n�o � a quest�o, trata-se de voc�.
J� est� velha para que minta. Sabe que est� doente e tem que se cuidar.
- Sabe que eu n�o cobrarei de voc�. - Voc� me incomoda, doutor!
Guarde sua pena e sua medicina gratuita para os que quiserem, n�o para mim!
N�o se meta com meus pulm�es e eu n�o me meterei com os seus.
Seja razo�vel, menina!
Estou convencido de que poderia lhe curar em uns meses.
- � importante viver - Sim? Para qu�?
Vamos,
leve o cavalheiro � loja de pesca de sua tia e deixe-me em paz.
Boa noite, doutor.
Vamos, arre!
Tem uma clientela estranha, doutor!
E al�m disso, zomba de mim!
N�o, n�o, temos pressa. Al�m disso, n�o tem que brigar com Isabelle, vamos!
Tem medo dessa garotinha?
E por que n�o?
As pessoas da regi�o lhe dir�o que � uma bruxa, uma filha do diabo.
- Acredita do diabo? - N�o, no mal sim. � o diabo dos m�dicos.
Isabelle leva o mal dentro e s� pensa em fazer sofrer os demais.
Est� doente?
Tuberculose.
Com as condi��es para que piore depressa: sem fam�lia, sem higiene, sem dinheiro...
Pobre garota!
N�o sabia que houvesse uma medicina sentimental.
Bom dia, Chauvin!
E, entretanto, o pai dela era rico, era o tabeli�o da regi�o.
Mas um dia a fofoca come�ou...
Estafa, desvio de fundos...
E o tabeli�o fugiu...
N�o, o tabeli�o se enforcou.
Uau, ainda n�o havia trens?
Cada um tem sua maneira de fugir...
Depois da perda do pai, a morte de sua m�e.
Essa � a heran�a de Isabelle. Todos lhe deram as costas.
Cresceu sozinha, como uma pequena selvagem e...
como ningu�m a amava...
...come�ou a detestar todos. - Sim.
Se acontece algo anormal, suspeito,
todas as pessoas culpam Isabelle.
E �s vezes o povo tem raz�o.
Come�o a achar essa garotinha simp�tica.
� toda uma personagem.
E esse rapaz que estava com ela?
Ah!
O filho de um antigo empregado, cavalari�o do pai dela.
O �nico que se atreve a lhe dirigir a palavra, al�m de mim.
Uma cidadezinha encantadora.
Ah!
Chegamos.
� ele!
Senhor Mercier!
Desculpe.
Primeiro lhe dizer que estamos contentes em t�-lo de novo na regi�o,
de parte do corpo de pol�cia
E depois...
Tamb�m por isto...
Ah, sim!
Achamos no lugar do acidente. Entre os restos do carro, junto ao rio.
Pensamos que gostaria de t�-lo de volta.
� uma lembran�a de l�!
Obrigado, senhores.
Bom dia, Mercier!
Isto � uma loucura!
Que faz aqui toda esta gente!
Vamos, vamos! Todo mundo fora!
Como se nunca tivessem visto nada!
Vamos fora daqui!
Vamos, vamos! Posso comer tranquila ou n�o?
Vamos, vamos! Todo mundo fora!
At� amanh�!
Tem muita vitalidade!
Ela sozinha � uma fam�lia toda!
Ah! Que confus�o!
Vamos, feche as cortinas!
Bem, rapaz,
felizmente n�o volta da Am�rica todos os dias!
A prop�sito...
Tomou seu tempo para vir comer.
N�s nos atrasamos porque Ludovic tinha que dar uma volta na cidade.
E depois nos encontramos com Isabelle.
Essa in�til.
Carne de cadeia!
Vamos comer.
Que olha?
Tento reconhecer.
A loja apenas mudou.
Tinha esquecido?
Vinte e cinco de aus�ncia s�o uma boa desculpa, n�o?
N�o quando se ama as pessoas e as coisas, querido.
Eu hesitei em lhe reconhecer?
Ent�o...
Vamos comer.
Agora que penso...
temos que ter pressa, Monsenhor Rignault n�o tardar�
Monsenhor Rignault?
O diretor do banco!
Tem que pensar como guardar seu dinheiro, Ludovic.
Em um banco, nunca. N�o gosto de bancos.
Que ideia t�o estranha! Por qu�?
Assuntos pessoais.
H� muitos banqueiros entre os ladr�es e tantos ladr�es entre os banqueiros.
Na Am�rica � poss�vel,
mas n�o aqui!
Aqui temos uma pol�cia, querido!
Ah!
Voc� na missa!
Que h� com voc�?
Preciso mudar de ares.
Ludovic n�o vem?
H� vinte minutos que o espero.
Para ser seu primeiro domingo, poderia ter feito um esfor�o.
Vir�?
N�o.
Outra vez a garota do castelo.
Tudo � para ela.
Viu o vestido dela?
� bonito seu vestido!
- Delinquente sujo! - Feche a boca, escravo!
Foi voc� quem organizou tudo!
N�o � verdade, pequena raposa?
Pierre!
Pe�a perd�o � senhorita agora mesmo!
Patife!
Pe�a perd�o agora mesmo!
Deixe-a, Pierre.
N�o tem import�ncia.
A senhorita � muito boa!
O bastardo!
Por que fez isso?
Porque a detesto!
- Lixo! - Pierre!
Pe�o-lhe perd�o! Quer que...
Deixe-me!
Vamos, Pierre, voltemos.
- Machucou-se? - Por pouco fiquei corcunda...
Um cocheiro corcunda, imagine!
- E voc�, machucou-se? - N�o � ele, � ela!
Que quer esse agora?
- Parab�ns, uma artilharia de primeira! - Ningu�m lhe chamou, milion�rio!
Acalme-se, assassino. Aqui, limpe o nariz...
Pelo que vejo n�o gosta de gente rica.
- N�o e tampouco de voc�. - Bom come�o, gosto daqueles que n�o me amam.
V�? Temos algo em comum. At� logo, senhorita.
Aqui est� finalmente.
Est� nos procurando.
Doutor, acha que est� em uma esta��o?
Que est� acontecendo?
O senhor Mercier chegou.
Oremos irm�os!
Chega quando a missa terminou.
� que h� muito tempo n�o dormia em uma boa cama.
Baixe a cabe�a!
Dormiu bem, sem febre? Como vai o ombro?
Nem o sinto. Faz milagres.
N�o fale em milagres aqui, estou na casa da compet�ncia.
Volto � loja, Ludovic, n�o se atrase.
Doutor, espero que continue vindo � missa...
Deus tem seus clientes, senhorita, e eu os meus.
Sim, mas Deus � gr�tis.
Espere, antes do aperitivo...
tenho que lhe apresentar...
ao padre da par�quia.
- N�o gosto de padres. - Vamos, sim.
Tenho certeza que ele gostar� de voc�.
- Estranharia isso! - Vamos, vamos.
Vamos, gostar� disso.
Domingo sangrento.
Bom dia, "charlat�o".
Bom dia, padre.
O Sr. Mercier, n�o �?
Sim, um prazer lhe conhecer.
N�o se atrevia a vir.
Tive que insistir
O senhor n�o parece ser da esp�cie dos t�midos.
Seja bem-vindo.
E obrigado por sua visita.
Emociona-me profundamente.
- Mas sentem-se, por favor. - N�o podemos ficar.
Um franc�s que se preze tem dois deveres no domingo.
J� sei...
A missa e o aperitivo.
Exatamente!
S� quer�amos lhe dizer que o sino...
� coisa feita. O Sr. Mercier quer presentear.
O sino?
Como disse?
Seria poss�vel?
- Mas eu nunca... - Est� incomodado porque eu disse,
Queria que fosse uma surpresa.
Foi uma surpresa!
E bem grande!
Nossa igreja � pobre, querido.
E h� 15 anos eu persigo esse sonho...
imposs�vel: um sino novo!
Que Deus lhe aben�oe por me dar essa alegria!
� o m�nimo que podia fazer.
O doutor lhe explicou muito bem o assunto.
Eu agrade�o.
O sino vai se chamar Ludovic, claro.
� um bonito nome para um sino.
Vamos, embora!
Est� na hora de mudar o est�bulo.
Leva dez anos tentando blasfemar.
N�o tem import�ncia.
- Houve santos muito indelicados. - Ah...
Obrigado, meu filho.
Obrigado e que Deus lhe proteja.
Entre Deus e o doutor sobra-me esperan�a.
Obrigado, padre.
Bom rapaz.
Fez uma boa a��o.
- Confesse que n�o fiz mal. - Admiravelmente.
Gosto muito de piadas especialmente daquelas que soam como um sino.
Meu querido Ludovic, era indispens�vel que
seu primeiro gesto de homem rico fosse em favor da igreja da sua cidade.
� a melhor forma de se fazer perdoar seus milh�es.
A partir de agora cada murm�rio carregar� o peso de um sino n�o � magn�fico?
� magn�fico mas um pouco caro.
Vamos, vamos!
Ver� que � um bom investimento.
O chap�u.
- O Sr. Mercier, eu acho. - Muito prazer!
O Sr. Biran, o dono do caf�.
Sinto-me muito contente e honrado.
Quer passar para dentro? L� estaremos melhor.
Como quiser.
N�o est� mal!
Sua ascend�ncia � talentosa.
N�o me fale que vou mat�-lo!
Pe�o-lhes desculpas, senhores.
Venham.
Esta � a minha melhor mesa.
Espero ter o gosto de lhe ver sempre, Sr. Mercier.
Bom dia, Mercier!
Georges!
Pregui�oso, venha servir a mesa antes que adoe�a!
Um filho que toca m�sica quando seu pai tem um milion�rio na mesa!
A vida n�o � sempre divertida.
Vem ou n�o?
Pegue o pedido do Sr. Mercier e do doutor!
Ser� o melhor, idiota.
Nada mal, Georges, seu fragmento de Paganini.
Que v�o beber?
Dois especiais, como de costume.
Ent�o, Ludovic, como vai esta tomada de contato?
Nada mal, gra�as a voc�!
Ter� que me mandar a conta, devo-lhe muito dinheiro!
- N�o me deve nada. - Um presente? Surpreende-me...
- O dinheiro n�o me interessa.
Estou muito contente em t�-lo da volta para n�o comemorar a meu modo.
Voc� gosta de ser pobre?
� meu modo de ir � missa.
N�o, n�o tenho grandes necessidades.
S� ante os infelizes, lamento n�o ser rico.
Obrigado, Georges.
� sua sa�de.
Se lhe dissesse...
que o �nico luxo que sonhei...
foi ver em minha cl�nica um aparelho de radioterapia...
Inaugurado pela jovem Isabelle, verdade?
Por ela e pelos demais...
A regi�o �...
insalubre, pantanosa, muitas crian�as est�o doentes...
� um territ�rio infelizmente prop�cio.
Eu tentei tudo.
E os poderes p�blicos, que fazem?
Levaram em considera��o minha peti��o,
com a promessa de ativar ao m�ximo as gest�es.
Isso faz 18 anos.
Ent�o...
s� me resta confiar na...
caridade dos meus amigos.
J� lhe disse que era jovem, doutor.
Ainda tem ilus�es.
N�o vejo a rela��o!
A rela��o � n�o estou disposto a presentear...
sinos e aparelhos de radioterapia ao primeiro que encontre.
- � um modo de ver as coisas. - � o meu.
Lembra-me dessas mulheres que nunca aceitam dinheiro,
mas que nos custam mais que se o aceitassem.
Prefiro pagar minha conta.
N�o, nunca aceito a devolu��o dos presentes que dei.
N�o se fala mais nisso.
Isto n�o impedir� que sejamos bons amigos.
Ao contr�rio.
Tia Hortense n�o gosta de comer tarde.
Georges!
Sim?
Venha cobrar.
N�o, n�o, � minha vez!
S�o 18 Francos.
Espere.
Que � isso?
Uma bala de pistola, eu acho...
Calibre 7,65.
Segundo diz o cabo.
O cabo?
Sim.
Ele se trata da ci�tica e viu esta bala em meu consult�rio.
N�o vai acreditar em mim...
mas n�o fui capaz de dizer a ele de onde procedia.
Curioso, n�o?
Tenho uma mem�ria muito ruim, querido Ludovic.
Uma mem�ria cheia de buracos.
Pode voltar.
O cabo afirma que o 7,65
� o calibre que a pol�cia usa.
Mas eu n�o entendo disso.
Vamos, que eles v�o brigar!
Quanto custa uma instala��o de radioterapia?
Por que, estaria disposto?
� muito inteligente, doutor.
Inclusive � o mais inteligente que conheci.
E voc� � um tesouro.
Essa � a impress�o que tenho.
Pegue o melhor, naturalmente.
Eu deixo.
Esta noite ter� o dinheiro.
N�o h� pressa.
Passarei por sua casa �s 5:30 h.
Georges!
Outro especial.
Ouviu, Georges?
Um pouco mais!
Est� me chamando?
- N�o, o gato. - Que quer?
- � da parte de Isabelle, quer lhe ver. - Me ver?
� verdade?
Surpreende-se, n�o?
Eu tamb�m.
A mesma coleciona idiotas.
Mas n�o � assunto meu.
Esta noite �s nove horas, chame na porta do est�bulo.
L� estarei. Obrigado. N�o tenho um centavo.
Tome.
Tenho uma bonita bola de gude.
Gosta de jogar? Voc� quer?
Isso � nada!
N�o trabalho por uma gorjeta!
Taberneiro!
- N�o comeu nada esta noite! - N�o estou com fome.
Nunca tem fome.
Pelo menos tome o rem�dio!
N�o.
Cuidado, come�a a se parecer com sua m�e!
- Voc� o viu? - Sim.
- Ele vem? - Sim.
N�o resta nada.
Terei que passar pelo armaz�m.
Sempre o mesmo? No final vai perceber.
N�o se preocupes, est� completamente m�ope.
Que h� com voc�?
Que quer que eu tenha?
Nada, como sempre.
Ainda me ama?
Nunca me pergunte isso, nunca!
Por qu�?
Porque me incomoda.
Incomoda-se?
N�o posso lhe dizer mais nada.
� pelos outros?
Sabe por que lhes disse que venham?
Acha que eles valer�o a pena?
N�o valer�o, s�o todos uns covardes!
N�o h� nenhum que se atreva a sair da saia da m�e!
� verdade, t�m m�es...
Mas voc� � meu amigo, diga-me, Jacques.
Jacques...
� a �nica da regi�o que se lembra que me chamo Jacques.
- Aposto que � Georges. - Por qu�?
Sabe muito bem.
- Chego atrasado? - Nem tente!
- Ol�, Isabelle. - Ol�, Georges.
� um vinho reconstituinte.
Uma receita de meu pai.
Pensei que seria bom para voc�.
- N�o tem de que rir! - Cale-se!
Obrigada, Georges.
Queria falar comigo?
Agora mesmo, quando os outros chegarem.
Os outros?
Eu pensava que...
O senhor esperava que estaria s�!
Ainda acredita nos Reis Magos!
Segunda chegada!
- Boa noite, Jean. -Boa noite, Isabelle.
- Boa noite, Ludon. - Boa noite, Isabelle.
- Boa noite, Cl�ment.
- Quem disse que o menino viesse? - Fui eu quem disse para vir!
- Como vai Isabelle? - Bem, girino.
Seu tio lhe deixou vir?
N�o perguntei a ele. � domingo, est� b�bado.
Tome, para voc�.
Obrigado, Isabelle.
S�o muito am�veis por terem vindo.
Sei que deve resultar dif�cil...
mas queria falar com voc�s, e isso tamb�m � dif�cil.
Esta manh� eu fui esbofeteada.
Sim!
O cocheiro do castelo na presen�a de sua senhora. Quero me vingar!
Sozinha n�o posso, mas com voc�s sim!
J� sei...
que em todas as partes, a escola, a fam�lia, pro�bem-lhes falar comigo.
Inclusive olhar para mim!
Mas tamb�m sei que nenhum de voc�s � feliz.
Por isso lhes chamei...
Voc�, Georges,
seu pai n�o o ama e n�o gosta do que voc� faz.
Voc�, Saint-Jean, � um rapaz desprezado que � depreciado tanto quanto eu!
Voc�, Dimier, � da benefic�ncia e seu patr�o, o not�rio, n�o � gentil com voc�.
E voc�, Cl�ment, trabalha como uma besta numa fazenda e dorme com os animais.
E agora, escutem-me.
Esta noite, no castelo,
h� uma festa para comemorar a chegada do noivo da Srta. Pertus.
Iremos ao estacionamento
e furaremos as rodas dos carros dos convidados.
Quebraremos os vidros!
Cortaremos os arreios dos cavalos!
N�o se canse...
Isabelle,
eu lhe prometo que n�o direi nada a ningu�m.
E voc�, Saint-Jean?
N�o posso, Isabelle.
Quando estive no orfanato, havia uma garota que me trazia doces aos domingos.
Depois eu soube que era a Srta. Pertus.
N�o � poss�vel.
N�o posso.
Compreende?
V� embora.
N�o sou um menino, Isabelle.
Os doces e as ma��s n�o me interessam.
Sabe minhas condi��es...
Sabe o que quero dizer...
Sim.
Ent�o?
V� embora.
S� me resta voc�, Georges!
Tinha raz�o, Isabelle...
Meu pai n�o me ama.
Nunca me amou.
Mas eu o amo.
Vai se apresentar nas pr�ximas elei��es municipais.
Sim!
N�o posso fazer isso.
- Tem medo! - N�o...
Pe�a-me outra coisa qualquer...
Brigar com algu�m, se quiser.
Mas n�o isso.
Acredita em mim, Isabelle?
Acredita em mim?
Responda!
Esqueceu-se de sua porcaria!
Que amigos recrutamos!
Todos foram embora!
Menos eu, Isabelle!
Estou aqui.
Farei tudo o que quiser!
Por que chora?
- Eu fico sim! - Deixe-a, mosquito.
Isto � um assunto de homens.
De qualquer modo...
eles teriam falhado conosco.
Podemos ir ao castelo. N�s nos bastamos sozinhos.
Olhe...
Vai ver.
Eu preparei uma surpresa.
melhor desejo de felicidade
Esta...
tenho reservada para as janelas do grande sal�o.
E o girino vigiar�.
Se vir o guarda, assovie!
- Sabe assoviar? - Sim, claro!
Muito bem!
Vamos, Isabelle.
Tem raz�o.
Girino, voc� vigiar�.
Se o guarda lhe vir, fa�a-se de bobo.
� um menino pobre,
e os meninos pobres t�m direito de olhar os ricos sem que digam nada.
Sim, Isabelle.
V�o pagar pela bofetada. Apague a luz.
Vamos.
Esconda-se atr�s da �rvore.
- E se vir algo, assovie. - Sim, Isabelle.
J� est�.
Ei!
- N�o viu nada? - N�o, e voc�, como vai?
J� furei tr�s!
Ent�o!
- Que �, senhor? - Que faz aqui, pirralho?
- Olhar.
Um menino pobre tem direito de olhar os ricos sem que lhe digam nada!
Sabe que est� em uma propriedade particular?
Vamos, fora!
V� depressa ou sua m�e vai esquentar suas orelhas.
- Eu estranharia porque sou �rf�o! - Vamos, fora!
O guarda!
V�, eu lhe alcan�o j�!
Vagabundo!
Vou lhe pegar!
Fumar faz mal.
Que voc� quer?
Falar com voc�.
E quem lhe deu permiss�o?
Sua empregada. Disse-me que n�o tardaria em voltar.
N�o tenha medo, venho como amigo.
V� embora!
- Digo que venho como amigo! - Eu n�o tenho amigos. V� embora!
Muitas visitas esta noite!
Abra!
Abra!
Eu disse que lhe pegaria, besta m�!
Desta vez lhe peguei por todas as outras!
Que est� havendo?
Desculpe, senhor Mercier!
N�o queria lhe incomodar!
Procura algo?
Sim, est� que me escapou!
Mas eu a segui!
Flagrante delito. Vai lhe custar caro!
Se n�o tivesse tossido, n�o teria reconhecido.
Mas tossiu.
De que se trata?
� simples, senhor Mercier,
h� dez minutos esta sem vergonha
estava furando os pneus dos convidados do bar�o!
N�o pode ser!
H� uma hora que estou aqui com a senhorita!
Mas senhor Mercier, isso n�o � justo!
Eu digo que a reconheci!
Ela tossiu...
E eu repito que a senhorita n�o me deixou um s� instante!
Bem... bem.
N�o quero lhe desmentir, senhor Mercier.
Se o senhor diz isso...
Voltaremos a encontrar.
Boa noite.
Por que fez isso?
Diga-me, por qu�?
- Por que furou esses pneus? - N�o gosto de pessoas felizes.
Pois eu n�o gosto de guardas.
Acho que o favor n�o me sair� de gra�a!
Talvez...
Ah!
Vieram outros ao cair da noite,
escondendo-se de suas esposas e de sua fam�lia para me fazer um servi�o.
J� sei o que custa isso. V� embora!
Digamos que vim por curiosidade.
Claro, a curiosidade!
Esta � uma cidade vulgar!
Sem monumentos, nem velhas ruas.
Est�o se conta a hist�ria de Isabelle aos visitantes.
Uma tuberculosa cujo pai se enforcou!
Eu j� sei.
Claro, todos sabem!
Quando os rapazes me olham na rua, suas m�es lhes d�o uma bofetada!
E o bom padre se benze quando eu passo!
N�o tem medo do diabo?
N�o, nos entendemos muito bem.
Porque eu sou o diabo!
N�o lhe disseram?
� proibido me amar, olhar-me falar comigo, rir para mim!
Trago a infelicidade!
A corda com que meu pai se enforcou
foi passada pelo meu pesco�o e todos a puxam!
Eu os detesto!
Todos?
Todos.
Tampouco gostam de mim.
Por qu�? N�o fez nada a eles!
Ainda n�o, mas,
tudo chegar�.
A garota do castelo tampouco lhe tinha feito nada.
Sempre foi feliz e sempre ser�. N�o � justo!
E se diverte fazendo-a pagar.
- Alivia-me. - Eu lhe compreendo.
N�o pode me compreender, tem muito dinheiro!
� t�o perigoso como ser muito pobre, outra forma de pertencer a todo mundo.
Eu, por exemplo, perten�o ao doutor.
E ele tamb�m gosta de faz�-lo pagar.
- Quer isso? - N�o precisamente.
� principalmente o doutor que eu n�o gosto
Tantas virtudes sempre escondem algo.
Qu�?
Isso lhe pergunto, qu�?
Voc� � o diabo, sabe tudo!
Eu tenho que saber.
- � por isso que veio? - Sim.
Depois de 25 anos de aus�ncia, n�o conhe�o ningu�m, tudo me parece...
estranho... um pouco inquietante.
Eu me disse: Ludovic, s� pode fazer uma coisa, ver Isabelle.
Que rela��o tem com o doutor?
O doutor � um pouco o centro da regi�o.
Ter informa��o sobre ele � ter a chave de muitas coisas.
N�o me conta nada?
N�o est� envolvido em alguma hist�ria?
Algo embara�oso?
S�o coisas que acontecem...
Acha que vou dizer?
J� que n�o gosta de ningu�m, n�o acho que goste do doutor.
� verdade, n�o gosto do doutor com sua risada bonachona,
mas de um rec�m-chegado como voc� tampouco gosto!
N�o tenho nada a dizer sobre o doutor!
- V� embora! - E voc� � o diabo?
Podre diabo!
O doutor lhe curou,
pode ser que tenha salvado sua vida!
Quer me curar tamb�m. Ele cuidou de minha m�e!
Vale mais que voc�!
Estamos de acordo, mas a ele n�o importa sua fam�lia.
Que quer, o nobre, o simp�tico, o excelente doutor?
Chegar a ser membro da Academia de Medicina!
Ter uma est�tua e uma rua em Chatenay!
E o agradecimento de idiotas como voc� as que nunca curou!
E que fez para isso? Um relat�rio de 50 p�ginas sobre a tuberculose!
Sua m�e lhe proporcionou a primeira parte,
voc� proporcionar� a segunda!
Parab�ns!
Que diz, que se aproveitou de minha m�e?
Senhoras, a ci�ncia primeiro!
Este relat�rio pode valer a Legi�o de Honra!
Mente!
Ele quer me curar!
Vamos, para ele voc� s� � mais um caso!
Deixe-se utilizar, n�o lhe tire seu �ltimo cap�tulo
desse pobre homem!
Voc� viu esse relat�rio?
Inclusive eu li. Atentamente.
Sei tudo de sua doen�a heredit�ria. Foi uma leitura muito interessante!
E ao alcance de todo mundo.
O relat�rio est� na mesa do charlat�o!
Um dossi� com capas verdes.
Claro...
a cor da esperan�a.
As esperan�as do nobre doutor!
At� logo, pobre diabo!
E n�o fume demais!
CL�NICA MUNICIPAL FUNDA��O LUDOVIC MERCIER
Pela compra de um terreno para o est�dio de Chatenay
devemos gratid�o eterna,
que nos une para sempre
a nosso amigo, Ludovic Mercier.
E isso n�o � tudo.
As maiores generosidades chegam at� o limite de suas for�as.
Posso anunciar que nosso amigo Ludovic Mercier
pretende levar a cabo a reconstru��o do poli desportivo de Chatenay.
Todos sabemos o que sup�e
e assim dizemos,
como eficaz rem�dio, a pr�tica racional do esporte
e o que pode trazer ao desenvolvimento de nossa juventude.
Disse muito bem!
Doutor, j� lhe devo demais...
Ensinou-me que a felicidade que sup�e � se arruinar pelos outros.
Fique tranquilo, n�o esquecerei isso nunca.
- N�o sou um ingrato. - Muito bem!
Senhores,
depois destas belas palavras,
a sess�o est� encerrada.
Venha, querido Ludovic!
A cidade inteira quer lhe reconhecer como seu filho predileto!
Chauvin!
- Que vale um est�dio? - Um milh�o, uma bagatela.
Ia lhe dizer,
que na outra noite tive um pequeno incidente, fui roubado.
- Voc�, doutor? - Sim, sim.
� curioso, n�o?
Encontrei meu consult�rio revirado. Parece que procuravam meu relat�rio.
J� sabe do relat�rio m�dico que tinha lhe falado...
N�o me lembro de nada!
Mas n�o o encontraram porque n�o sou t�o idiota.
S� que, infelizmente...
vingaram-se com meu aparelho de radioterapia.
Fique tranquilo, s�o s� danos parciais.
Isso lhe custar� apenas...
50.000 Francos.
- Doutor. -Sim?
- Compreende o franc�s? - Eu acho.
Pois v� � merda!
Venha, amigo, somos esperados.
Em nome da prefeitura,
a popula��o de Chatenay-la-Rivi�re,
declaro solenemente
que esta pra�a,
at� agora Pra�a da Igreja,
daqui em diante se chamar�
de Ludovic Mercier.
Caranguejos? Existem muitos caranguejos.
Mas como? Antes n�o haviam!
Bem, agora a Baixada Grande est� cheia!
Vamos, apressem-se, malandros.
Ent�o voc� tamb�m quer, Sr. Berteau,
Eu peguei seis pares.
Seis pares, � uma loucura. Nunca houve caranguejos na regi�o!
At� l�, � verdade, mas v� � Baixada Grande e ver�!
N�o tem mais que se abaixar para peg�-los!
- N�o! - � perto da ponte pequena.
Bem no lugar em que seu sobrinho sofreu o acidente, sabe?
At� logo, senhorita.
At� logo, Sr. Berteau.
Boa pescaria!
O Sr. Mercier!
Eu estou indo pelos caranguejos.
Boa noite, doutor.
S�o 100 Francos em n�meros redondos.
Obrigada.
Boa noite, Sr. Mercier.
J� est�?
J� tem sua pra�a?
Pra�a Ludovic Mercier, doutor.
Um rapaz que sempre era o �ltimo da turma.
Est� contente?
Estou encantado, tia.
Alegro-me!
Embora com o seu jeito de jogar dinheiro pela janela,
acabar�o por dar seu nome � prov�ncia!
O que lhes custa?
Olhe, o cabo!
Boa noite, senhorita. Boa noite a todos!
Suponho que tamb�m quer armadilhas para caranguejos...
Vou parar de falar de caranguejos...
N�o, quero anz�is com iscas para pesca com cani�o.
O caranguejo � muito f�cil.
Sobretudo na Baixada Grande, poderia peg�-los com o quepe.
Como explica isso?
Alguma carni�a que ter� ca�do no rio.
N�o h� nada melhor que a carne podre para atrair esses bichos.
Quando eles comerem, ir�o embora.
Estou pensando, Ludovic...
que poder�amos organizar uma jornada de pesca na Baixada Grande.
Deve ser divertido ver todos esses caranguejos se movendo...
E vamos realiz�-la.
Uma forma de estar juntos, porque para mim os caranguejos...
Por uma vez.
Amanh� de manh�, por exemplo!
Est� certo?
Imposs�vel, doutor.
Amanh� quero tratar do assunto do conserto do seu aparelho.
Levarei o dinheiro.
E depois poder�amos falar da instala��o do est�dio.
Ent�o,
deixemos.
- Desculpa-nos, cabo? - Como quiser.
Tem anz�is com iscas?
Obrigado, ponha na minha conta.
- Adeus, doutor. - Adeus, cabo.
Adeus, Sr. Mercier.
Acredite-me, pegar caranguejo n�o � pescar.
Adeus, Srta. Hortense!
J� � tarde. boa noite, Srta. Hortense.
Boa noite, doutor.
At� amanh�, amigo.
Da pr�xima vez n�s vamos resolver com o chap�u.
N�o se incomode, fique com seus caranguejos.
Doutor, n�o acreditar� que estarei vendendo armadilhas a noite toda!
Boa noite.
Que est� havendo, Ludovic?
Algo vai mal?
Deixe-me em paz!
Mas que h� com voc�?
Nada, s� quero que me deixe em paz.
Em paz! Entende?
Em paz!
O mesmo car�ter do seu pai.
Desisto de lhe entender, Ludovic.
N�o vale a pena dar seu nome a uma pra�a se vai ficar assim!
Vamos, � mesa.
Estamos esperando, Nathalie.
Seu pai tinha os mesmos acessos de raiva que voc�.
Mas n�o era t�o idiota para t�-los na hora do almo�o.
Senhorita!
O doutor mandou trazer isto.
Que �?
Oh! Caranguejos!
� muito am�vel!
- Gosta de caranguejos, Ludovic? - Afaste isso!
Como?
Que os afaste, eu digo!
Ficou louco!
Porque voc� n�o goste de caranguejos...
Basta, basta! Vai se calar de uma vez?
N�o � culpa sua.
Voc� n�o tem nada a ver.
Desculpe e pegue seus bichos, tia.
Tampouco � culpa deles.
Merece outro sobrinho.
Boa noite, doutor.
N�o precisa que me apresente, n�o �?
Completamente in�til.
Boa noite, Saget.
Sente-se.
As m�os sobre a mesa!
Nenhum truque, doutor, seja prudente. Est� doente, muito doente.
Sem d�vida alguma.
Est� com medo?
Sim.
Deus sabe que...
essa visita me esperava.
Havia ensaiado
um comportamento que n�o fosse muito rid�culo.
Pois falhou.
� curioso, todos os homens se parecem quando t�m medo.
N�o � o primeiro que treme ante meu rev�lver.
Todos os outros fizeram o mesmo que voc�, charlat�o.
E voc� faz o mesmo que os outros.
Este � um momento que compensa muitos outros.
Ver tremer o sujo homem que �. � simples.
Tamb�m foi simples quando lhe trouxeram aqui.
Soube imediatamente que n�o era Ludovic Mercier.
Doze horas mais tarde j� sabia quem era. Um simples trabalho de informa��o.
Sei que � um canalha, doutor. Ainda pior que eu.
Eu ponho em jogo o pesco�o quando roubo.
Voc� rouba sem se arriscar!
Eu n�o roubo!
Eu devolvo!
Que deveria ter feito? Como m�dico, cuidar de voc� e foi isso que fiz.
E como cidad�o, depois lhe entregar!
Ent�o eu refleti.
Mal, doutor, muito mal.
Mas � poss�vel.
Por um lado estava a moral, a justi�a, a sociedade,
e outras palavras mai�sculas...
Em uma palavra, a lei dos homens.
Do outro lado estava minha lei.
Eu escolhi.
Mas eu n�o aceito sua lei.
Prefere a pol�cia?
Eles o prenderiam, perfeito.
A justi�a teria lhe executado, muito bem.
E teriam devolvido o dinheiro aos bancos, muito bem!
E enquanto isso, nesta cidade,
as crian�as continuariam morrendo de mis�ria e de doen�as!
Ent�o decidi lhe deixar na pele do outro!
E lhe vender muito caro esse direito!
� um patife!
Isso � o que �, doutor. Eu os conhe�o!
Em tr�s dias v�o lhe prender e condenar � morte!
N�o importa, j� tenho quatro condena��es!
- Al�m disso, n�o me pegar�o! - Sabe que sim!
N�o, e vou lhe dizer por qu�!
Porque sou Ludovic Mercier!
Eu o mato
e volto a ser Ludovic Mercier!
Sempre soube que um dia me mataria, mas tenho cartas, provas que encontrar�o!
Nunca poder� ser Ludovic Mercier!
N�o importa, ent�o serei Saget!
J� n�o pode ser!
Isso voc� acha!
Faltam-lhe reflexos...
m�sculos...
� um m�dico que lhe fala!
Acabaram as aventuras, Saget.
Nem sequer � capaz de matar um homem sem duvidar.
Espere e ver�.
Sim, mas de qualquer modo ter� duvidado.
Atire se quiser, mas n�o vai me matar.
Matar� Ludovic.
A �ltima chance que tem de continuar vivo.
Se acha que vale a pena...
Lixo!
Volta a ter raz�o.
Acha gra�a...
Pois sim...
tenho senso de humor,
querido Ludovic.
Suas brincadeiras s�o um pouco pedadas,
mas encantadoras.
Acredite em mim,
n�o h� nada melhor que a vida.
N�o?
Ah...
N�o v� embora agora.
Vamos tomar um drinque.
Tenho o prefeito e alguns conselheiros em casa. Venha.
Sr. Mercier!
Que surpresa!
Este bom amigo veio me visitar.
Foi chato.
J� que o Sr. Mercier est� aqui,
poder�amos expor o assunto que nos ocupa...
Com certeza voc� disse algo a ele.
N�o, falamos...
de outra coisa.
N�o percamos tempo, digam de quanto dinheiro se trata.
Por uma vez n�o se trata de dinheiro.
Trata-se...
de Isabelle e desse malandro que n�o tem um centavo.
- Ah, ah! - Sim.
Esses senhores acreditam que eles foram longe demais
e seria o momento de intervir.
Que querem de mim exatamente?
Poderia ir ver essa garota e tentar faz�-la entrar na raz�o.
V� voc�.
Claro, mas...
isso n�o pode ser.
Por qu�?
� que, Sr. Mercier,
quando estourou o esc�ndalo do pai de Isabelle...
tive que tomar partido contra ele.
Eu o fiz em consci�ncia, mas...
me causou uma grande dor no cora��o, Mercier...
j� que �ramos amigos de inf�ncia.
E a pequena Isabelle tem mem�ria.
Ent�o...
um destes senhores.
Estes senhores est�o no mesmo caso que eu.
Fizeram o que deviam fazer.
Sim...
mas n�o est�o orgulhosos disso.
E voc�, doutor, a cl�nica da regi�o, a mesma bondade,
tamb�m fez o que tinha que fazer?
N�o, n�o.
Teria devido saber perdoar...
mas n�o fui capaz.
O pai de Isabel guardava uns fundos
que eu tinha reunido com esfor�o para a constru��o de um dispens�rio.
Dez anos de trabalho jogados no lixo.
N�o sou um santo, Ludovic.
S� sou um homem.
Um patife.
N�o farei isso!
- Com certeza � ela outra vez! - Venham, senhores!
Eu acho que est� ao lado do celeiro!
� inacredit�vel que continuemos com isso!
E da�, doutor!
Creio que acordou os fantasmas!
Que fantasmas?
O do pai de Isabelle pendurado em sua corda, por exemplo...
v�tima dos que tinham de cumprir com seu dever...
E isso lhe faz rir?
Muito.
Sim?
Qu�?
Ah, sim!
Sim, sim, obrigado.
Uma �tima not�cia para voc�, querido amigo.
N�o resta um vidro na loja de sua tia.
Como disse?
Isabelle e o malandro acabam de lhe deixar uma lembran�a.
Lembra-se do barulho que escutamos?
A raposa!
Mas espere,
meu querido Ludovic...
Mercier.
Desta vez ter� que agir.
Minha loja, minha pobre loja!
Que eu fiz a ela?
Fique tranquila, desta vez a coisa n�o ficar� assim!
- Ludovic! - Ah, Sr. Mercier!
N�o chore, tia, consertaremos tudo isso.
- Entrem. - Isso, entremos.
Tomei uma decis�o.
Desta vez darei parte ao chefe de pol�cia!
Se a pol�cia vier ser� um esc�ndalo!
N�o importa, se n�o tomar uma decis�o, demito e explico os motivos!
Calma, pense que ser� a pol�cia judicial que intervenha.
A pol�cia comum � muito desconfort�vel.
Mete o nariz em todo o lugar!
Que voc� acha, Ludovic?
Tem raz�o, doutor, eu me encarrego.
Ludovic! Aonde vai, Ludovic?
Onde est� o girino?
No final v�o peg�-lo.
Bem que lhe disse que fugiria.
� t�o pequeno, v�o peg�-lo!
Quer que v� procur�-lo?
- Sim, vou com voc�! - Est� louca? Quase n�o pode respirar!
N�o me deixe sozinha, Jacques, tenho medo.
- Medo voc�? Est� brincando! - Sim, tenho medo.
Chegaram!
O mesmo que o girino!
Sou eu, Cl�ment.
� o lavrador.
Eu n�o gosto muito da cara dele, sabe?
Vamos, abra.
Eu vim lhe avisar, Isabelle.
H� outro que vem.
- Eu corri. - Quem?
Mercier.
O prefeito queria que a pol�cia viesse.
Ent�o ele disse que cuidava e saiu!
Eu vi tudo.
E sobre a loja, quando jogou paralelep�pedos nos vidros de Hortense.
- Ent�o eu vim... - Sempre atr�s de mim, n�o?
Eu tinha proibido de me seguir.
Bem...
a rua � de todos.
Delator!
Tome cuidado para eu n�o ficar com raiva...
Eu gostaria disso!
Socorro!
Encontrei isto na rua.
Ajude-me, Isabelle!
� seu, n�o?
Ele bateu em voc�?
S� me deu uma palmada na bunda!
� tudo?
Duas palavras mais.
Destruiu a loja de uma boa mulher que n�o lhe fez nada!
Vale por esta vez, mas lhe aconselho n�o continuar com este jogo.
Nem comigo nem com os outros! Est� claro?
Boa noite.
Apache!
Alguma obje��o?
O incidente est� encerrado!
Patife!
N�o!
Covarde!
Eu vou lhe ensinar, pirralho!
Cl�ment!
Mate-o!
Eu peguei!
Morda-o!
Assassino!
N�o acabei.
Em minhas costas, pequeno.
Um segundo.
Eu vou lhe dar um balan�o.
Mais um pouco, rapaz?
Ent�o a porta est� l� na frente, direto!
Ei, sem rancor?
Quanto medo!
V� embora! J� lhe vimos demais.
G�ngster!
Voltaremos a nos ver!
A� est�!
Sabia que nos entender�amos.
� f�cil com garotinhos!
Ao contr�rio, � muito dif�cil!
N�o se briga com garotinhos, briga-se com homens!
E felizmente voc� os transformou em homens.
Homens, bem...
em pequenos patifes.
Com as caras e os modos dessa ocupa��o.
Permito-me lhe falar de todo o cora��o.
Acredite em mim, fa�a outra coisa.
N�o importa o que seja.
Ver o doutor, por exemplo!
O doutor e seus aparelhos!
Sempre ser� melhor.
N�o!
Pap�is confidenciais? Arquivos?
V� embora,
eu lhe ordeno que v� embora!
- Desculpe. - Isto n�o � coisa sua!
Claro que sim!
"Saget o solit�rio, Saget o inating�vel roubou as joias de Madame Z?"
� estranho.
"Saget continua"
Cole��o estranha, esse cara lhe interessa?
Em que sonham as jovens...
Sim, por que n�o?
Voc� n�o pode compreender isso.
N�o � um homem para o padre, nem para o doutor, nem para voc�,
mas para mim...
Oh...
N�o vende artigos de pesca.
H� dez anos que toda a pol�cia europeia o procura e ele ri dela!
Nada o det�m!
� inalcan��vel!
� Saget!
Que idade tem?
18, 20 anos?
Voc� o ama?
Est� apaixonada por Saget.
- Idiota - Por qu�?
Porque � mais forte que voc�, que todos? Porque tem medo dele?
N�o o conhece, ningu�m o conhece!
Eu o conhe�o!
N�o seu rosto, mas que importa um rosto?
Eu sei de tudo dele! � forte e valente!
- Valente, acredita? - Sim, valente!
H� cinco anos, em uma noite de Natal,
fui o primeiro a assaltar o banco mais vigiado de Paris!
Ningu�m soube como entrou!
Atrav�s dos esgotos, como um rato.
Bastava tapar o nariz!
Continue.
Estava s�, como sempre, mas tinha tudo previsto,
foi direto � sala dos cofres,
e ent�o o alarme,
outro teria ido embora, mas ele n�o!
Ele tentou, acredite em mim!
Mas o fechamento das portas tinha bloqueado automaticamente.
S� restava correr e se p�s a correr.
Vamos, continue!
Em um corredor se bateu com tr�s guardas armados.
S� dois, o terceiro, Martin, estava no golpe.
Ele os atacou.
Pelas costas.
N�o tinha medo.
Claro que tinha medo!
Por isso os matou, porque tinha medo!
Conseguiu fugir e foi perseguido!
Pegou um carro e fugiu!
Puseram controles por todas as partes!
Foge, atira...
No dia seguinte encontraram o carro abandonado no campo.
Com sangue nos bancos...
- Tinha sido ferido. - No pulso esquerdo, exatamente.
Saget!
Saget morreu, Isabelle.
Um triste final para um her�i de aventuras.
Voc� � Saget!
Eu me chamo Ludovic Mercier.
Vendo cani�os e anz�is.
Sou rico, tenho bom cora��o
e presenteio sinos aos padres rurais, mas...
conheci bem Saget.
N�o era um her�i, acredite.
S� tinha a aud�cia idiota
dos que podem arriscar tudo porque n�o t�m nada a perder.
N�o � um bom partido para uma menina de 18 anos
Chora...
Ele lhe machucou?
Isabelle.
Eu amo voc�!
Sei que � mais forte que eu, mas...
se voc� quisesse...
ningu�m seria mais forte que eu.
Compreende?
A trava, idiota.
Esqueceu-se de tirar a trava.
Posso ver?
Pode tentar outra vez, mas lhe aviso que � perigoso.
ou me mata ou lhe explode na cara!
� o risco que tem que correr...
Que espera?
Amador!
Vamos, sente-se!
Ela lhe enviou, n�o �?
Acredite, voc� n�o est� � altura desse trabalho.
N�o basta ter uma cara feia.
Voc� gosta tanto da luta?
Inclusive se n�o h� uma garota bonita presa?
Ent�o nos entendemos.
Olhe para mim!
Disseram-me que joga bem futebol. � assim?
Bem.
� forte,
se tiv�ssemos como goleiro um cara assim contra o Chatillon estar�amos tranquilos.
Vou pensar...
Agora v� embora!
Por l� n�o, a loja est� fechada!
Al�m disso, conhece o caminho!
Inaugura��o do est�dio Ludovic Mercier - Grande jogo. U. S. Chatillon X Olympic Chatenay
Outra coisa que lhe devemos, querido Ludovic.
O doutor teve algo a ver.
Todos podem ter ideias, � gr�tis. Mas o dinheiro � outra coisa!
Vamos nos ver na tribuna de honra.
Est� bem.
- Quer comprar algo? - Sim.
� domingo, a loja est� fechada.
- Amanh�. - N�o, hoje, agora mesmo.
- Bem.
Que deseja, senhorita?
� aqui onde quer viver.
Sim.
Asseguro-lhe que � muito f�cil.
- N�o � verdade. - O qu�?
Isto, toda esta merda a seu redor! N�o � verdade!
� verdade...
...e � definitivo. - N�o tem direito!
- De vender varas de pescar? - Voc� n�o!
Diga-me que � de fachada, um esconderijo, uma parada em sua vida.
Diga-me que precisa ganhar tempo!
Meter-se em uma toca como os animais. N�o importa onde, n�o importa como!
Mas n�o me diga que � para sempre!
Para sempre.
A menos que encontre outro Cl�ment, outro rev�lver, outra ocasi�o!
Por um minuto desejei que lhe matasse!
No minuto seguinte teria matado para lhe salvar!
N�o tive for�as para dar um passo e depois...
eu me disse que voc� seria o mais forte.
Sempre � o mais forte!
Olhe para mim!
Por que tem medo de olhar para mim?
Sou da sua ra�a. N�o tenho nada e quero tudo!
J� sei que estou doente.
A vida de todo mundo me afoga. N�o a quero!
Mas me curaria para viver a sua. Para viv�-la com voc�!
Tenho 20 anos.
E tudo por aprender.
Eu tenho 40 e tudo por esquecer.
A aventura lhe atrai e a mim n�o interessa.
Inclusive comigo?
Faz-me esta pergunta com vinte anos de atraso.
Suplico-lhe que n�o me rejeite. N�o me deixe ir embora assim!
N�o v� que j� n�o suporto mais!
Sou capaz de tudo se lhe perder!
Isabelle, eu n�o sou Saget.
N�o sou Saget, entende?
� esse que voc� ama, o solit�rio, o inalcan��vel,
afogou-se na sopa de sua tia Hortense.
Afogado na gratid�o universal.
Eles o usaram como um boneco!
Saget est� no cimento do est�dio!
No sino do padre. Nos bolsos do doutor.
Est� morto.
N�o!
Sei como lhe obrigar a voltar!
Durante anos s� sonhei com o momento que lhe encontraria!
Eu lhe encontro
e isto � o que me oferece!
Isto!
Isto...
Isto sim.
Tudo isto.
E nada mais.
Bambu africano, nada caro, 97,95 Francos.
Um bom artigo, s�lido e leve. Os clientes ficam muito satisfeitos!
O bambu japon�s.
A �ltima moda. Garantia total de origem. A vara do pescador elegante!
342 Francos, sem impostos!
E o grande luxo, a vara americana!
Atraente e forte!
723 Francos.
Com caixa � prova d'�gua.
EST�DIO LUDOVIC MERCIER
Vamos que a partida come�ou!
Fez bem em vir, Isabelle.
- Vai ver bom jogo. - De fato.
Creio que haver� jogo.
Bom dia, doutor!
Bonito dia, verdade?
Isabelle, que faz aqui?
Por que veio? Eu tinha lhe proibido! V� embora!
- Georges me disse que estaria aqui. - V� embora!
Est� aborrecida?
Esta noite nos vemos no est�bulo.
Usa um vestido bonito!
Perd�o.
Vou lhe ver esta noite, Isabelle.
J� est� aqui, doutor!
Chega atrasado!
N�o est� com boa cara, doutor. Deveria ir ver um bom m�dico!
Mas que houve?
A pol�cia.
Ah!
Eles lhe denunciaram.
Cercaram o est�dio.
Muitos?
Uns 30.
S�o muitos...
Extraordin�rio!
Que vai fazer?
Estou pensando.
Isso se tornou um curral
cheio de policiais.
E l� em baixo a cadela,
esperando os fogos de artif�cio.
� ela a que...
Quem quer que seja?
� quase melhor assim.
Ganhamos, Ludovic, ganhamos!
� verdade, ganhamos.
Conhece os detalhes da cerim�nia?
Sim, o inspetor veio me ver. Tentar�o evitar o esc�ndalo.
Um pouco antes do fim do primeiro tempo, descemos e os seguimos
at� um carro que lhe espera.
Viu Cl�ment?
Formid�vel, pega tudo!
Ele tamb�m?
� a gl�ria de Chatenay!
Falta muito para o intervalo?
Dois minutos.
O tempo de dedicar um sorriso a Isabelle.
Olhe para ela, espera o milagre.
N�o sei o que vamos dar.
Saget, o inalcan��vel, vai se deixar pegar como uma flor. Acabou-se a lenda.
Tome.
Pegue-a, doutor.
Ainda pode ter uma chance.
- Poderia tentar... - Ent�o tente.
N�o estou louco.
Os policiais ganham a primeira bateria, haver� outras. Esperarei minha chance.
Vamos...
Pegue isto, charlat�o.
Uma pequena lembran�a. Pode botar sobre a lareira.
Vamos discretamente.
Vai embora, Sr. Mercier?
Volto j�, h� alguns amigos que me chamam.
Volte logo, vamos lhe esperar para felicitar a equipe.
Muito bem, comecem as felicita��es que eu terminarei.
Com calma!
N�o se cansem muito!
Todos s�o �timos!
Magn�ficos!
Sem esc�ndalo.
O m�dico est� com minha pistola.
Est� bem, caminhe na frente at� a entrada.
Suba no Citro�n preto.
Um passo em falso e eu atiro.
Entendido.
Vem, charlat�o?
Eles o prendem?
De quem � a culpa?
Por que se deixa prender?
Para lhe dar uma li��o porque voc� o denunciou.
Voc� n�o entende, doutor. Fiz isso para o salvar!
Para que volte a ser ele mesmo!
Deixe-me!
N�o me toque!
- Voc� � um monstro! - E voc� um assassino!
Matou Saget, o inalcan��vel!
Matou com suas boas obras, com seus cani�os, seus discursos hip�critas.
Eu lhe odeio!
N�o fa�a essa cara. N�o � a primeira vez que perde um cara.
Um cara, n�o.
Um amigo, sim.
Obrigado, charlat�o.
Tradu��o das legendas: PARENTE - SERGIPE - BRASIL - 3
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