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Original subtitles

Tradu��o e Legendas: Mawricio58

Um �timo jantar, Sybil. Diga ao cozinheiro por mim.

De primeir�ssima classe!

Arthur, n�o deve dizer essas coisas.

Considero Gerald um membro da fam�lia.

- Sei que ele n�o vai contestar. - Vamos, Gerald, conteste.

Nem pensar.

Insisto em ser mais um da fam�lia.

Faz tempo que tento ser, n�o?

- N�o tentei? Sabem disso. - � claro que sim.

Sim, exceto ano passado, que n�o veio me ver...

e eu imaginava o que teria acontecido.

- Estive muito ocupado. - Sim, voc� disse.

Sheila, pare de importunar.

Quando se casar, ver� que homens com trabalhos importantes...

�s vezes tem que dedicar todo seu tempo e energia aos neg�cios.

Vai se acostumar, assim como eu.

- Acredito que n�o vou. Tenha cuidado. - Eu terei.

N�o deixarei os neg�cios interferirem no prazer.

Qual � a piada, Eric?

Eu n�o sei.

Me deu vontade de rir.

- Acho que est� de pileque. - N�o estou.

Que palavras as garotas usam hoje em dia.

Se puder fazer melhor, m�e...

- N�o seja bobo, Eric. - Parem com isso.

- Arthur, que tal um brinde? - Sim, � claro.

Que tenham o melhor que a vida possa Ihes dar.

Sim, Gerald. Sim, querida Sheila.

Nosso amor e nossos melhores desejos.

- Eric! - Ah, sim.

Tudo de bom.

Tem um g�nio insuport�vel, mas n�o � ruim como irm�.

N�o vamos brindar a isso, vamos?

- A qu�, ent�o? - Brinde a mim.

Tudo bem.

- Brindo a voc�, Gerald. - Obrigado.

E eu brindo a voc�.

Que tenhamos o melhor que a vida possa nos dar.

Cuidado ou eu vou chorar.

Talvez isso a impe�a.

Voc� comprou!

- Justo o que eu queria. - Eu sei.

Que n�o Ihe suba � cabe�a.

� maravilhoso.

Olhe, mam�e, n�o � lindo?

- Agora me sinto comprometida! - Deveria. � um anel muito bonito.

- Cuide dele. - N�o vou perd�-lo de vista.

E n�o perderei voc� de vista tamb�m, trabalhando ou n�o.

Estou muito satisfeito com este noivado.

Quando se casarem...

v�o faz�-lo em uma �poca muito boa.

Uma �poca de crescente prosperidade e progresso.

Tem raz�o.

- E sobre a guerra? - Guerra?

Besteira. Os alem�es n�o querem a guerra. Ningu�m quer a guerra!

H� muitas coisas em jogo, hoje em dia

Muito a perder e nada a ganhar.

- Eu sei, mas... - Digo que n�o haver� guerra.

Quando se vive em 1912, tem que pensar como em 1912.

O mundo est� evoluindo t�o r�pido, que a guerra � imposs�vel.

Claro, querido.

N�o retenha mais o Gerald aqui.

Eric, quero falar com voc�.

Sheila, querida, v� para a sala.

- Quero falar � s�s com o Eric. - Certo, m�e.

J� era hora de algu�m falar com ele.

Pobre Gerald. Se ele soubesse...

Eric, n�o se importe com o que vou dizer.

Se fosse voc�, n�o beberia mais esta noite.

Eu estou bem, m�e.

� claro que est�. N�o estou dizendo que n�o.

Mas, em uma celebra��o como essa, pode ficar agitado.

�s vezes n�o percebe o quanto est� bebendo.

S� tomei dois copos, m�e.

� o bastante para um garoto como voc�, n�o est� acostumado.

Olhe seu palet�, derramou algo nele.

- Suba e v� troc�-lo, est� manchado. - Sim, m�e.

- E tome cuidado. - N�o se preocupe, m�e.

- Quer um charuto? - N�o, obrigado.

- Sirva-se. - Obrigado.

Quero dizer uma coisa.

Tenho a impress�o que sua m�e, a Sra. Croft...

n�o que ela n�o goste de minha filha...

acha que voc� poderia ter escolhido algu�m de sua classe.

- N�o, senhor, tenho certeza... - N�o, Gerald, isso � normal.

Ela vem de uma antiga fam�lia e isso � natural.

Mas o que quero dizer � que...

h� uma grande chance que eu entre para a aristocracia

Parab�ns!

Ainda � um pouco cedo, ent�o n�o diga nada.

Mas tenho algumas suspeitas.

H� muitas possibilidades que me nomeiem um cavalheiro.

Desde que nos comportemos...

e n�o acabemos nos tribunais.

- O que tem os tribunais? - Nada, s� uma piadinha.

N�o vejo gra�a.

Estava dizendo a Gerald, que agora que ele e Sheila est�o noivos...

devemos nos comportar.

Sem esc�ndalos ou besteiras.

- Para mim, s�o bem comportados. - Acho que somos.

Sr. Birling.

Sim?

- Meu nome � Poole. Inspetor Poole. - O que significa isso?

H� uma porta da frente, sabia?

Queria falar com voc�, Sr. Birling. Achei que estaria aqui.

Brilhante dedu��o.

As pessoas sempre est�o na sala de jantar a esta hora.

J� que est� aqui, onde est� o mandado?

N�o h� mandado, Sr. Birling.

O que �, ent�o?

Queria algumas informa��es, se n�o se importa.

Sente-se.

Obrigado.

Bem?

H� duas horas, uma jovem morreu no hospital.

Foi levada para l� esta tarde, ap�s tomar veneno.

Achamos que foi um forte desinfetante

- Que horror! - N�o era uma vis�o agrad�vel.

- Suic�dio? - N�o sabemos ao certo.

No hospital fizeram tudo que puderam, mas ela morreu.

N�o entendo por que veio aqui, Inspetor.

Em seu quarto, achamos uma carta e uma esp�cie de di�rio.

Como tantas mulheres que se metem em problemas...

ela usava mais de um nome.

Mas seu nome original, se nome real...

- era Eva Smith. - Eva Smith?

Sim.

- Lembra-se dela, Sr. Birling? - N�o.

Mas me lembro de ter ouvido esse nome em algum lugar.

Eva Smith.

Mas n�o me diz nada.

N�o entendo o que isso tem a ver comigo, Inspetor.

Mas ela foi sua empregada na f�brica, Sr. Birling.

Ah, foi isso! Claro!

Temos centenas de trabalhadores. Est�o sempre mudando.

Mas esta jovem, Eva Smith, n�o era qualquer uma.

Encontrei uma foto dela em seu quarto.

Talvez ajude-o a lembrar.

H� algum motivo por que n�o possamos ver...

a foto dessa jovem, Inspetor?

Talvez.

Reconhece agora, Sr. Birling?

Sim!

Eu me lembro. Era uma das minhas funcion�rias.

- Quando foi isso? - Uns dois anos atr�s.

Acho que no outono de 1910.

Logo ap�s abrir a nova oficina.

Sim, ela era diferente. Uma garota inteligente e bonita.

Na verdade, o gerente me disse que ia...

promov�-la ao que eles chamam...

de Primeira Oper�ria.

L�der de um grupo de garotas. Entende? Isso � entusiasmo.

Eu n�o sabia at� ent�o, que era uma agitadora.

Existem apenas mulheres nesse trabalho, n�o?

- N�o se misturam? - S� mulheres, senhor.

Quantas est�o a�?

Um grupo de 5, senhor.

- Est� bem, que entrem. - Sim, senhor.

Parece que n�o est�o satisfeitas com o que recebem aqui.

- N�o � isso? - Sim, senhor.

Quanto est�o ganhando?

22 xelins e 6 pence por semana, senhor.

- � o sal�rio normal da ind�stria, n�o? - Sim, senhor.

V�em?

Quanto acham que deveriam ganhar?

- 25 xelins, senhor. - Desculpe, mas n�o � poss�vel.

Por que n�o � poss�vel?

Voc� disse por que n�o � poss�vel?

- Sim - N�o tenho que te dar explica��es.

- Ent�o por que nos recebeu? - Vou Ihes dizer.

Se eu concordar com isso, os custos aumentar�o em 10%.

Se os custos subirem 10 %, os pre�os subir�o 10%.

E n�o venderemos nossos produtos, frente � concorr�ncia.

Se isso acontecesse, a f�brica fecharia e...

voc�s estariam desempregadas. Satisfeita?

N�o.

Ent�o vai continuar insatisfeita.

J� disse, estamos pagando os sal�rios normais.

N�o conseguimos viver com ele.

Ter� que arrumar outro emprego. � um pa�s livre.

N�o liga se n�o conseguirmos trabalho em outro lugar?

Desculpe, isso n�o � problema meu.

- Temo que haja problemas, senhor. - Quer dizer que far�o greve?

- Tenho certeza, senhor. - Est�o de volta das f�rias, n�o?

Sim, senhor.

Isso logo acabar� e estar�o arruinadas.

Quando sentirem o aperto v�o querer voltar.

- Vai aceit�-las de volta, senhor? - Sim, com os antigos sal�rios.

N�o aceitarei agitadoras. Essa garota, por exemplo.

Ela fala demais. Livre-se dela.

Assim Eva Smith, junto com outras 4 ou 5, foi demitida.

- Por isso se suicidou? - N�o seja rid�culo, Eric.

Tudo isso aconteceu antes de voc� come�ar a trabalhar.

H� quase dois anos.

Obviamente n�o tem nada a ver com a infeliz suicida.

Eu n�o disse que foi suic�dio.

O que est� sugerindo?

N�o estou sugerindo nada, Sr. Birling.

S� tento reconstruir os fatos...

que levaram � morte desta garota.

N�o aceito nenhuma responsabilidade!

Se f�ssemos todos respons�veis por tudo...

o que acontece com as pessoas que temos algo a ver...

seria muito embara�oso, n�o acha?

Sim, muito embara�oso.

N�o vejo como, naquelas circunst�ncias...

ter feito outra coisa, senhor.

Poderia. Poderia t�-las mantido em vez de despedi-las.

- Chamo isso de m� sorte. - Bobagem!

Se n�o as par�ssemos, logo iriam querer tudo!

Por que n�o pediriam sal�rios mais altos?

Sempre tentamos vender a pre�os mais altos.

N�o vejo porque teve que despedi-la...

s� por ter um pouco mais de entusiasmo que as outras.

Voc� disse que era uma boa oper�ria. Tinha que ser mantida.

At� que esclare�a essas id�ias...

n�o estar� em posi��o de decidir quem fica e quem sai.

Inspetor, n�o h� nada mais a Ihe dizer.

Eu falei para a garota sair e ela se foi. N�o sei de mais nada.

Tem id�ia do que aconteceu a ela depois disso?

Se meteu em problemas?

- Estava nas ruas? - N�o, Sr. Birling,

N�o estava exatamente nas ruas.

Perd�o. Eu n�o sabia que tinha mais algu�m.

Tudo bem, estamos quase terminando.

N�o sei de mais nada, como disse.

- O que est� havendo? - Nada a ver com voc� Sheila, deixe-nos.

- Um momento, Srta Birling. - Inspetor...

n�o h� nenhuma raz�o para que minha filha...

se envolva neste problema desagrad�vel.

Que problema?

Eu sou Inspetor de pol�cia, Srta. Birling.

Esta tarde, uma jovem tomou veneno e morreu no hospital.

Depois de muito sofrimento, sinto dizer.

- Que horror! Foi um acidente? - � o que queremos descobrir.

N�o me diga que a menina se suicidou s� porque...

foi despedida h� dois anos.

- Voc� a despediu? - Sim. Estava causando problemas.

- Parece justificado. - Tamb�m acho.

- Queria que n�o dissesse. Como ela era? - Sim, como ela era?

Muito jovem. Vinte e quatro anos.

- Bonita? - N�o quando a vi hoje, mas era. Muito.

N�o sei aonde quer chegar com este interrogat�rio, Inspetor.

O que importa � o que houve depois...

- de trabalhar com o Sr. Birling. - Claro.

E n�o podemos ajud�-lo, porque n�o sabemos.

Tem certeza que n�o sabe?

Est� sugerindo que...

um de n�s teve algo a ver com essa garota?

- Sim. - Ent�o, n�o veio aqui s� para me ver?

N�o.

Ainda tenho que fazer mais algumas perguntas.

J� disse tudo o que sei.

Gostaria que fizesse suas perguntas e fosse embora.

Esta noite tivemos uma bela festa de fam�lia.

E voc�, com sua rudeza, a estragou.

Garanto que n�o era minha inten��o, Sr. Birling.

N�o entendo, Inspetor.

Fala como se fossemos respons�veis pela morte da garota.

Esquece que somos cidad�os respeit�veis, e n�o criminosos.

�s vezes, n�o h� tanta diferen�a quanto voc� pensa.

Na verdade, n�o seria capaz de estabelecer qual � o limite.

Felizmente n�o � voc� que tem que faz�-lo, n�o?

De fato. Eu s� fa�o perguntas.

O que aconteceu quando ela deixou de trabalhar para meu pai?

Ficou desempregada por uns dois meses.

Como pode imaginar, foi um momento muito angustiante.

Chegou a passar fome.

Que horror!

Mas ent�o, teve um grande golpe de sorte.

Ela foi contratada por uma loja, a renomada Millwood.

Millwood? Eu compro l�. Estive l� esta tarde.

Ela gostava de trabalhar l�, com tantas roupas elegantes.

Parecia estar come�ando uma nova vida.

Mas ap�s dois meses, foi demitida.

N�o trabalhava bem?

N�o, n�o. Admitiram que ela fazia bem seu trabalho.

Mas devia haver algo errado.

N�o. O que ela sabia era que uma cliente queixou-se dela...

ent�o ela teve que sair.

- Quando foi isso? - Em de janeiro do ano passado.

Como era essa garota?

Venha aqui Srta. Birling, eu Ihe mostro.

Qual o problema, Sheila?

Voc� sabia que fui eu, n�o sabia?

Bem, havia essa possibilidade.

Isso fez muita diferen�a para ela?

Acho que sim. Foi o �ltimo trabalho est�vel que teve.

Ent�o, eu sou respons�vel?

Eu n�o diria isso. N�o mais que seu pai.

O que voc� fez, Sheila? O que aconteceu?

Estava de mau humor naquela tarde.

Fui fazer compras com mam�e. Ela ficou o tempo todo...

me dizendo o que comprar, como se eu fosse uma crian�a.

Eu queria um chap�u novo, por isso fomos a Millwood.

Estava decidida a escolh�-lo.

No fundo, sabia que mam�e tinha raz�o, o que me deixou...

com mais raiva ainda.

- � desse que eu gostei. - Querida, n�o Ihe fica bem.

Sempre diz isso, quando escolho algo.

Tenho idade suficiente para saber o que quero.

� muito feio. O rosa � muito mais bonito.

Ficar� �timo quando a assistente colocar em voc�.

Por que garotas gostam de coisas que as tornam mais velhas?

Precisa de um chap�u que combine com seu rosto de menina.

Mas se � o que quer, fique com ele.

Mas decida logo. Estarei no sal�o de ch�.

Sra. Francis, sei que n�o ficou bem...

porque n�o sei coloc�-lo. Pode me ajudar?

Claro, Srta. Birling. Ficar� melhor assim.

Permita-me... N�o! Pode desmanchar seu penteado.

Eva, experimente-o, sim?

Sim, assim est� melhor. Me d� isso.

Depressa!

Agora n�o quero este ou nenhum outro!

N�o vou ficar aqui sentada, enquanto riem de mim.

- Asseguro que n�o... - Ela n�o parava de rir.

- N�o Ihes ensinam boas maneiras? - Eva, voc� n�o...

- Eu n�o fiz nada. - Vou fazer uma reclama��o.

Isso n�o � justo.

Sabe muito bem que foi atrevida.

Desculpe se causei esta impress�o, mas garanto...

Srta. Birling, algum problema?

Sim. Esta garota foi grosseira.

Se ela continuar aqui, n�o volto mais.

Claro que foi um erro...

E vou pedir a minha m�e para fechar sua conta.

N�o me pareceu t�o horr�vel, naquele momento.

Claro que n�o foi, naquele momento.

Como podia saber que acabaria assim?

Se soubesse que ela era t�o sens�vel, n�o teria feito.

Mas era muito bonita, e sabia cuidar de si mesma.

Ent�o, de alguma forma, estava com ci�mes dela.

Sim, acho que sim.

Mas se pudesse fazer algo por ela, eu faria.

N�o tenho nenhuma d�vida. Mas n�o pode.

� uma pena, mas est� morta.

Voc� se portou de forma repugnante.

Eu sei. Nunca tinha feito isso antes.

E nunca mais vou fazer!

Por que isso aconteceu?

� o que estou tentando descobrir, Sra. Birling.

At� agora, descobrimos que Eva Smith perdeu o...

emprego porque foi demitida por seu pai.

Em seguida perdeu outro, pelo que nos contou.

Ent�o teve que recome�ar.

Queria esquecer o passado, ent�o mudou seu nome para Daisy Renton.

Como?

Eu disse que mudou seu nome para Daisy Renton.

Ent�o, Gerald?

Ent�o o que, Sheila?

Como conheceu essa garota?

- Eva Smith. - N�o conheci.

- Ou Daisy Renton, que � a mesma coisa. - Por que eu deveria conhecer?

Voc� se traiu quando ele disse seu nome.

Est� bem, eu a conheci. Vamos deix�-la l�.

- Gostaria de poder deix�-la l�. - Mas...

N�o adianta. Sei que a conhecia muito bem.

Sen�o, n�o se sentiria t�o culpado.

Quando voc�s se conheceram?

Depois que ela deixou Millwood?

Voc� estava com ela no ver�o passado, quando disse...

que n�o podia me ver, porque estava ocupado?

Responda-me.

Sinto muito, Sheila.

Mas tudo acabou no ver�o passado.

Eu n�o a vejo h� seis meses.

� melhor esquecer o assunto.

At� um momento atr�s, pensei assim.

Eu sei, � dif�cil para todos.

Mas por Deus, n�o diga nada ao Inspetor.

Sobre voc� e essa garota?

Sim. Ele n�o precisa saber.

Mas ele sabe. Claro que sabe.

Acho at� que ele sabe muito mais que n�s.

Eu concordo. � uma hist�ria muito perturbadora.

� uma grande coincid�ncia que tanto meu marido quanto minha...

filha Sheila, conhecessem essa garota.

� verdade, a Sra. Birling. Uma coincid�ncia not�vel.

Agora que sabemos por que est� aqui, ficaremos...

felizes em responder a todas as suas perguntas.

Obrigado.

Mas os outros n�o conheciam a garota, ent�o duvido...

que possamos ser �teis.

- N�o, m�e. - O que disse, Sheila?

Embora pare�a est�pido, acho que est� errada.

N�o fa�a ou diga coisas de que se arrependa.

N�o sei o que quer dizer.

Todos n�s come�amos assim.

T�o confiantes, t�o seguros de n�s mesmos.

At� que ele come�ou a nos fazer perguntas.

N�o estou entendendo.

N�o conhe�o nenhum inspetor, mas achava que n�o eram assim.

Causou uma grande impress�o nela, Inspetor.

Isso acontece com os jovens. S�o mais impression�veis.

Parece cansada, querida. Devia ir dormir.

Ficarei aqui at� saber porque aquela garota se matou.

Curiosidade m�rbida.

N�o compreendemos porque ela cometeu suic�dio.

As meninas dessa classe...

N�o, m�e. N�o deve falar assim.

- Quem n�o deveria? - Sheila!

N�o deve construir um muro entre aquela garota e n�s.

Se fizer, o inspetor vai derrub�-lo. E vai ser ainda pior.

N�o te entendo. E voc�?

Sim, e acho que ela tenha raz�o..

Considero isso uma impertin�ncia, Inspetor.

Sei que � seu dever fazer esta investiga��o, mas...

est� fazendo de modo peculiar e at� ofensivo.

Voc� sabe que meu marido era...

e ainda �, um juiz?

O Inspetor sabe de tudo isso.

Como juiz, seu marido tem grande interesse nesta investiga��o.

Agrade�o muito sua ajuda. Ele volta logo?

Est� falando com meu filho Eric.

Hoje ele tem sido bastante est�pido.

- O que h� com ele? - Eric?

Acho que bebeu muito esta noite.

Ele costuma beber tanto?

Claro que n�o! � apenas um garoto.

Somos todos garotos para nossas m�es, Sra. Birling.

Eu diria que um homem jovem.

E alguns jovens bebem muito.

Est� dizendo que Eric � um deles?

M�e, sabe que nunca falo mal do Eric.

Mas n�o podemos fechar os olhos para os fatos.

- Mas voc�, sua pr�pria irm�... - Eric bebe muito.

N�o vai ajud�-lo, se ignorar o problema.

Isso n�o � verdade. Gerald, voc� sabe que n�o � verdade.

Bem, Sr. Croft?

Ultimamente ele tem bebido muito.

E s� agora me diz isso?

Eu disse a Eric para ir dormir, mas ele n�o quer.

Disse que voc� pediu para esperar, � verdade?

- Sim. - Por qu�?

Quero falar com ele.

Sugiro que o fa�a agora, e acabe com isso.

Agora n�o, desculpe. Deve esperar sua vez.

N�o gosto de seu tom de voz, nem da forma desta investiga��o.

N�o vou Ihe dar mais corda.

Eu n�o preciso, Sr. Birling.

Por favor, papai, tenha cuidado.

O que h� com essa garota?

Est� muito nervosa. S� diz besteiras.

Vamos inspetor, o que quer saber?

Como dizia, Eva Smith teve que deixar Millwood porque...

sua filha causou sua demiss�o.

Depois disso, deixou de se chamar Eva Smith e se tornou Daisy Renton.

Foi quando a conheceu, Sr. Croft.

Por que acha que a conhecia?

� in�til, Gerald.

Eu a conheci em mar�o do ano passado no teatro.

Sheila, tem certeza que quer ouvir isso?

- Por que n�o nos deixa? - Porque quero entender.

N�o v� que � muito importante para ambos, que eu entenda?

Algo errado, Sr. Croft?

Desculpe, acabo de perceber...

que n�o estou dando import�ncia � sua morte.

Provavelmente todos n�s a matamos.

N�o diga bobagens!

Continue, Sr. Croft. Voc� a conheceu no teatro.

Tinha visto apenas um ato e como n�o gostei, desci...

para o bar para beber.

Esse bar n�o tem, acho, uma reputa��o muito boa.

Sim, � o lugar favorito de certo tipo de mulheres.

Certo tipo de mulheres? Aqui em Bromley?

Sim, Sra. Birling. Receio que nem sequer Bromley esteja livre...

desse tipo de coisa.

Seria melhor se Sheila n�o ouvisse estas coisas.

Estou decidida a ouvir tudo, j� disse porque.

Continue, Gerald.

Voc� desceu para o bar...

Parece que voc� n�o � amiga de Gerald Maggoteth.

- Gerald Maggoteth? - N�o, claro que n�o.

Era esse senhor t�o carinhoso com o qual estava falando.

N�o parecia t�o horr�vel � princ�pio. Ele foi e sentou-se.

Posso saber o que faz num lugar como esse?

Vim pedir emprego ao gerente. Ele me disse para esperar.

E o gerente n�o voltou?

- N�o, voc� o conhece? - Um pouco.

Quer que eu tente ach�-lo?

- Sim, por favor. - Ent�o, quer o emprego?

Sim, mas n�o l� dentro. Vender programas ou algo assim.

Entendi. Espere aqui enquanto tento ach�-lo.

O que foi?

- Nada, estou bem. - Venha sentar-se.

Voc� est� doente?

N�o, eu estou bem. Apenas...

Acho que estou um pouco tonta.

- Quantas refei��es fez hoje? - Muitas.

O que comeu no almo�o?

E no jantar? O que comeu no jantar?

- Eu jantei bem. - O qu�?

O qu�?

- Bem, eu... - Voc� n�o jantou.

Seja honesta. N�o tem comido nada, n�o �?

- N�o, na verdade n�o. - E o caf� da manh�?

- Sim, eu tomei caf� da manh�. - O qu�?

- Uma x�cara de ch�. - Uma x�cara de ch�?

Venha, segure meu bra�o.

Obrigada.

- Onde est� me levando? - Vamos.

- Foi maravilhoso - Mais alguma coisa?

Nada, obrigada.

- Um sorvete? - N�o, obrigada.

- Caf�? - N�o, s�rio, n�o poderia.

Gar�om, a conta!

Deve ter sido muito m� pessoa por...

ter sido demitida de ambos os empregos t�o r�pido.

Talvez fosse.

Eu n�o acho que fui.

Tenho certeza que n�o foi. Foi apenas m� sorte.

- Talvez tenha sido. - O que vai fazer agora?

N�o muito, na verdade. S� sei lidar com poucas coisas.

- Nasceu em Bromley? - N�o, eu nasci no campo.

Meu pai trabalhava em uma fazenda.

Vivi l� at� aos quinze anos. Eu adoro o campo.

- Por que foi embora? - Queria progredir na vida.

Oh, eu sinto muito.

N�o sei por que estou t�o sonolenta.

� muito feio de minha parte, j� que foi t�o bom para mim.

Nem um pouco. Foi a comida e o vinho.

- Vou lev�-la para casa. - N�o, n�o precisa.

Sim, � preciso. N�o queremos outros Maggoteths.

Vamos.

Eu nunca tinha andado de carruagem.

Quando for av�, poder� contar para seus netos.

18 de mar�o de 1911.

E dir�: esse foi o dia em que andei de carruagem

Com o famoso Gerald Croft.

O velho Croft de Bromley, ent�o.

Esta � a rua Osmand, senhor. Qual � o n�mero?

- O n�mero, Daisy? - Oh, aqui est� �timo.

Boa noite Gerald, e obrigada.

Quando disse que te levaria at� a porta, falei s�rio.

- Qual � a casa? - N�o se incomode, estou bem.

Insisto em me incomodar. N�o deixaria uma dama...

no meio da rua � meia-noite.

Bem, qual � o n�mero?

Eu n�o moro na Osmand Street...

mas virando naquela esquina. Boa noite.

Disse que ia lev�-la at� a porta de casa.

- Quer esperar aqui, cocheiro? - Claro, senhor.

- � nesta esquina? - N�o, na outra.

- Gerald, n�o venha comigo. - Por que n�o?

- Bem... - Daisy, me diga a verdade.

Bem, a verdade � que n�o tenho lugar para morar.

Esperava poder ficar na casa de uma amiga.

Fui despejada do meu quarto, porque n�o paguei o aluguel.

Ficaria na casa de uma mo�a que conhe�o.

Mas est� muito tarde e n�o posso acordar todo mundo.

Mas estarei bem. Logo vai amanhecer e...

vou andar um pouco.

Obrigada, Gerald. Adeus.

- Pode esperar um pouco, cocheiro? - Muito bem, senhor.

Vou te dizer o que vai acontecer.

Vivemos, minha fam�lia e eu, no campo, cerca de 15 km daqui,

ent�o tenho um apartamento aqui em Bromley.

� seu, at� encontrar outro lugar para ficar.

Quando eu digo seu, quero dizer seu.

N�o vou entrar l�, a menos que me convide.

- S�rio? - Sim.

O que diz?

Cocheiro, nos leve a Arcride Terrace 7, por favor.

Isso � tudo o que tenho a dizer sobre esta...

ador�vel resid�ncia.

� claro que tem �gua corrente e outros inconvenientes modernos.

Aqui est�o as chaves. " A" � para essa porta...

e "B" para a porta de baixo.

Tome duas libras para a manuten��o da casa.

Mas n�o poderia!

O apartamento deve ficar limpo como de costume, Srta. Renton.

Bem, agora v� e durma por 12 horas.

Vamos considerar a possibilidade de tr�s refei��es por dia...

sem esquecer o ch�.

Como fa�o para encontr�-lo?

- Vir� amanh�? - Sim, jantaremos juntos.

Estarei aqui �s 7.

Obrigada.

Boa noite.

Boa noite.

- Srta. Daisy Renton, suponho. - Certo. N�o � o Sr. Gerald Croft?

N�o, se pudesse ser outra pessoa.

N�o posso falar at� me livrar disso.

- O que � isso? - Voc� vai ver.

Frango, presunto, frutas, tudo.

E uma garrafa de vinho.

Agora, pratos.

Ei, o que � isso?

Pensei que jantar�amos aqui.

Maravilhoso. Teremos dois pratos, um banquete!

Sabe o que voc� esqueceu? O saca-rolhas.

Olhe s� a hora! Tenho que ir.

S� vou conseguir pegar o �ltimo trem!

Tenho que ir correndo. Boa noite, Daisy.

Boa noite.

Ent�o, ela tornou-se sua amante?

Acho que era inevit�vel.

Estava apaixonado por ela?

N�o vou permitir que minha filha, uma jovem solteira...

tenha que presenciar isso.

Sua filha n�o mora na lua, m�e. Mora em Bromley.

Estava apaixonado por ela?

� dif�cil dizer.

Acho que n�o sentia por ela o que ela sentia por mim.

Claro que n�o. Voc� era o pr�ncipe encantado. Deve ter adorado.

Sim, eu admito. Mas por pouco tempo. Qualquer homem faria.

Essa foi a melhor coisa dita aqui, esta noite.

Pelo menos � honesto.

Obrigado, Gerald.

Mais alguma coisa que eu deveria saber, Inspetor?

Acho que n�o precisamos saber mais, desse assunto desagrad�vel.

Temo que sim, Sra. Birling. Quero saber o resto da hist�ria, Sr. Croft.

- Tudo seguiu de modo convencional. - Convencional?

N�o houve incidentes. Eu a sustentava...

embora ela nunca tenha aceitado grandes somas.

Nunca fomos vistos juntos. Ela insistiu nisso.

Mas a vi muitas vezes no apartamento...

- Foi a algum lugar? - Sim.

Ao teatro.

- Foi bom? - Foi bom.

O que fez hoje?

Daisy, n�o sei como dizer isso, mas...

tenho que falar com voc�.

N�o, n�o diga nada.

� dif�cil para voc�. Deixe que eu fale.

Apenas me diga se estou errada.

- Daisy, isso n�o � justo. - N�o, deixe para mim.

Isso tem que parar. � ruim para n�s dois.

� melhor.

Voc� nunca foi apaixonado por mim...

s� tinha pena de mim, e n�o � a mesma coisa

E talvez...

nunca estive apaixonada por voc�.

Apenas muito grata.

Sempre soube que isso acabaria, portanto, n�o foi um choque.

Mesmo quando �ramos mais felizes...

eu ficava um pouco triste, porque sabia que ia terminar.

O que eu n�o sabia era quando.

Conheceu outra pessoa?

- Sim. - Ent�o eu devo sair amanh�.

- N�o tem que ir t�o r�pido.. - N�o, amanh�. Ela pode descobrir.

- Pegarei minha coisas e irei. - Por favor pare, Daisy.

Sei que quer tornar isso mais f�cil para mim, mas � horr�vel.

- Vou deixar algum dinheiro. - N�o preciso de dinheiro.

Por favor, pegue, Daisy. N�o suportaria se voc� n�o o pegar.

� s� para mant�-la, at� encontrar um emprego decente.

Oh, n�o se preocupe comigo. Arrumarei um trabalho.

- Tem certeza? - Sim, tenho.

Adeus, Gerald. Por favor, v� depressa.

N�o, n�o. Por favor.

Receio que � tudo o que tenho a dizer.

Obrigado, Sr. Croft. � tudo o que queria de voc�.

Se me der licen�a, queria ir embora.

- Para onde? Para casa? - N�o, s� quero andar um pouco.

- Claro, Sr. Croft. - Gerald.

� melhor ficar com isso.

- Entendo. - N�o me entenda mal.

Eu ainda gosto de voc�.

Na verdade, agora te respeito mais que nunca.

Mas isso torna tudo diferente.

J� n�o somos os mesmos que nos sentamos para jantar.

Temos que nos conhecer novamente.

Ou�a, Sheila, n�o estou o defendendo...

mas tem que entender que muitos jovens...

N�o, por favor, pai.

- Gerald sabe o que quero dizer. - Sim, sei o que quer dizer.

- Mas eu vou voltar, se puder. - Voc� pode.

Espero que isso descarte a pobre mo�a.

Receio que n�o, Sra. Birling.

Nunca mostrou essa foto a Gerald, Inspetor.

N�o foi necess�rio.

- � a foto da mo�a? - Sim.

Acho que � melhor dar uma olhada.

- Voc� a reconhece? - N�o, por que deveria?

Quer dizer que resolveu que n�o?

Quero dizer o que disse.

- N�o disse a verdade, Sra. Birling. - Como?

Veja, Inspetor...

n�o vou tolerar isso! Sou uma figura p�blica!

Sr. Birling, as figuras p�blicas...

tem responsabilidades al�m de privil�gios.

Sim, mas voc� n�o veio aqui...

para falar de minhas responsabilidades.

Espero que n�o, mas estou come�ando a me perguntar.

O que significa isso, Sheila?

Isso significa que n�s n�o temos nenhuma desculpa.

Papai demitiu essa mo�a s� porque ela pediu um sal�rio decente.

N�o foi assim. Demiti porque s� traria problemas.

De qualquer forma, foi demitida.

Eu forcei ainda mais porque estava de mau humor e ela era bonita.

Gerald prometeu o c�u e a terra, e logo a abandonou.

E agora voc� finge n�o reconhec�-la na foto.

- Sheila, como se atreve! - Admito n�o saber porque...

mas sei que a conhecia pela forma como olhou.

N�o percebem que est�o apenas fazendo rodeios?

- � a porta de novo. - Gerald deve ter retornado.

- A menos que seu filho tenha sa�do. - Bem, vou ver.

Sra. Birling, a senhora � um importante membro...

da Organiza��o de Caridade Para Mulheres de Bromley, n�o �?

- Sim, eu sou. - � uma organiza��o que...

mulheres com problemas recorrem para pedir ajuda.

Sim, fazemos um grande trabalho ajudando essas mulheres.

E houve uma reuni�o do comit�, duas semanas atr�s?

Acredito que sim.

Sabe muito bem que houve, Sra. Birling. Estava no comando.

E se estivesse, era problema seu?

- Era Eric? - Devia ser.

- Foi at� seu quarto? - Sim, chamei mas n�o respondeu.

- Deve ter sa�do. - Aquele tolo, onde ele foi?

N�o fa�o id�ia. De qualquer modo, n�o precisamos dele aqui.

Oh, precisamos dele aqui.

- Acho que foi tomar ar fresco. - Vai voltar logo.

- Tem certeza? - Quase certeza.

- Ele vai voltar. - Eu espero que sim.

Por que "espera que sim"?

Explicarei quando responder minhas perguntas, Sra. Birling.

Lembre-se que o Sr. Croft disse,

que h� seis meses n�o via nem falava com Eva Smith.

Mas a Sra. Birling viu e falou com ela h� duas semanas.

- Voc� falou, m�e? - Isso � verdade?

- Sim, � verdade. - Pediu ajuda a sua organiza��o.

- Sim. - E voc� deu?

- N�o. - Por qu�?

Por que, Sra. Birling?

Me contou uma hist�ria rid�cula e inacredit�vel.

Uma mentira �bvia. Ela tamb�m foi muito impertinente.

- Impertinente? - Sim.

Foi uma das raz�es que me colocou contra seu caso.

Voc� est� admitindo ter agido contra ela?

- Sim - M�e, ela morreu horrivelmente.

Eu sinto muito.

Acho que a culpa foi toda dela.

Foi devido � sua influencia...

como um membro destacado da comiss�o...

- que Ihe negaram ajuda? - Possivelmente.

Vamos, Sra. Birling. Foi ou n�o por sua influ�ncia?

Sim, foi.

- Eu n�o gostava do seu jeito. - Por que ela pediu ajuda?

- Voc� sabe muito bem porque. - N�o, eu n�o sei.

Sei que precisava de ajuda, mas eu n�o estava l�...

ent�o n�o sei porqu� ela pediu ajuda ao comit�.

N�o precisamos falar disso.

N�o h� a menor chance que n�o o fa�amos, Sra. Birling.

Se acha que pode me pressionar assim, inspetor...

est� muito enganado.

Ao contr�rio dos outros tr�s, n�o tenho de que me envergonhar...

ou ter rela��o com o caso.

Esta mo�a pediu ajuda.

Temos que ser cuidadosos com os pedidos que nos fazem.

N�o fiquei satisfeita com a hist�ria dessa garota.

N�o achei que fosse uma hist�ria clara.

Ent�o, usei minha influ�ncia para rejeit�-lo.

Apesar do que aconteceu, ainda acho que fiz meu dever.

Assim, se eu decidir n�o discutir este assunto...

n�o tem poder para me fazer mudar de id�ia.

Eu tenho esse poder, Sra. Birling.

N�o, n�o tem!

Simplesmente porque n�o fiz nada de errado e voc� sabe disso.

Se n�o fez nada de errado, por que tem medo de discutir o assunto?

Como se atreve a dizer que tenho medo?

Dadas as circunst�ncias, eu estou perfeitamente justificada.

A mo�a disse um monte de mentiras. Isso me fez perder a paci�ncia.

Mostrou um comportamento muito estudado...

e escr�pulos absurdos para uma garota naquela situa��o.

Parecia presun�osa.

N�o estava assim quando a vi pela ultima vez...

na hospital.

Vamos, Sra. Birling. Eu quero fatos, fatos, por favor!

Estava no comando de uma reuni�o da comiss�o...

e a garota pedia ajuda, n�o foi assim?

- Sim - Sob qual nome?

- N�o como Eva Smith? - N�o.

- Nem como Daisy Renton. - Como quem, ent�o?

Sra. Birling.

- O que disse? - Perd�o?

Disse que se chama Sra. Birling.

- Desculpe. - N�o � o nome de seu marido, �?

- N�o. - Mas sabe que � o meu nome?

- N�o! - Se veio aqui s� para importunar...

N�o, foi o primeiro nome que pensei.

J� trabalhei para os Birlings.

Qual � o nome de seu marido?

N�o posso dizer.

Voc� n�o pode dizer!

Na verdade n�o � casada, �?

N�o.

Ent�o essa hist�ria que um marido a deixou, � completamente falsa, n�o �?

Sim.

Um monte de mentiras.

Tentou conseguir emprego?

- N�o posso trabalhar. - Por que n�o?

N�o posso dizer.

Se n�o confia em n�s, n�o podemos ajud�-la.

Por que n�o pode trabalhar?

Vou ter um beb�.

Venha aqui, querida.

Deve se sentar. Tem muitas cadeiras.

- Sente-se, por favor. - Obrigada.

Em certas horas...

� prudente ficar sentada o maior tempo poss�vel.

- Podemos prosseguir, Sra. Livson? - Oh, sim.

Agora, este homem. Por que mentiu sobre ele?

N�o queria exp�-lo.

Por que n�o?

Nunca me fez mal, Era s� um pouco tolo e bruto.

�s vezes, bebia muito.

Por que n�o fez ele se casar?

Na minha opini�o, devia t�-lo obrigado a se casar com voc�.

N�o � que eu n�o queria, eu n�o podia.

N�o somos da mesma classe.

Isso � rid�culo.

Uma garota em sua situa��o n�o pode ser t�o escrupulosa.

N�o se importou em vir aqui para pedir caridade.

Por que ent�o n�o pediu a esse b�bado?

Fa�a-o sustent�-la.

Ele o fez. Me deu dinheiro.

E n�o vai dar mais?

Ele queria, mas n�o podia aceitar.

O que este homem quer...

pelo que est� dizendo...

� fugir de suas responsabilidades...

e transferi-las para esta organiza��o de caridade.

Acho que os membros desta comiss�o concordar�o comigo...

que seria um absurdo recomendar...

o uso de nossos fundos neste caso.

Em minha opini�o, ele devia ser denunciado publicamente.

Se voc� quiser ajuda, jovem...

pe�a a ele.

Acho que ficou perfeitamente justificada, minha recusa de ajuda.

Ainda acha isso?

Me desculpe se isso acabou de modo t�o terr�vel...

mas n�o foi por minha culpa.

Diga-me quem, quem seria o culpado, ent�o?

Primeiro, a pr�pria garota.

Por permitir que eu e meu pai a fizesse perder seus empregos?

Em segundo lugar, culpo o jovem.

Devia ser punido severamente.

Se algu�m foi culpado pela morte da garota, foi ele.

- Ent�o, ele � o principal culpado? - Claro!

Nesse caso, ele � respons�vel por tudo. A morte da menina, tudo.

Deveria ser severamente punido.

- M�e, por favor, pare. - Est� agindo como uma hist�rica.

E se voc� tivesse pistas para encontrar este homem...

faz�-lo assumir suas responsabilidades...

em vez de ficar aqui fazendo essas perguntas...

ent�o, estaria cumprindo seu dever.

N�o se preocupe Sra. Birling, vou cumprir meu dever.

- Agora voc� pode se despedir. - Ainda n�o, estou esperando.

- Esperando? Para qu�? - Para cumprir meu dever.

Oh, m�e, n�o v�?

Est� sugerindo... meu filho...

Se for, Sra. Birling, sabemos o que fazer. Acaba de nos dizer.

Sim, mas... Olhe, Inspetor!

M�e, eu imploro que pare.

N�o acredito.

Jamais vou acreditar.

- Entre, Sr. Birling. - O qu�?

Acho que ouvi seu filho entrar.

Eu n�o ouvi nada.

Oh, sim. A� est� ele.

Eric.

J� sabe de tudo, n�o?

Eu n�o sei de nada.

Absolutamente nada.

Mam�e culpou o jovem por colocar a garota em problemas,

dizendo que n�o deveria escapar e servir de exemplo.

Basta, Sheila.

N�o facilitou nada para mim, m�e.

Voc� n�o � assim!

M�e, o que pretende fazer?

Se tiver algum senso de lealdade, voc�...

Pai, n�o fale assim com Sheila.

Segure sua l�ngua!

- J� tive o bastante. - Um momento, por favor.

Ter�o muito tempo para discutirem, quando eu for embora.

No momento, Sr. Birling, queria saber de seu filho...

sobre sua rela��o com Eva Smith.

Sheila, leve sua m�e para a sala de jantar.

- Papai, eu quero ouvir... - Ouviu o que eu disse.

Vamos, Sheila.

Poderia beber primeiro?

- N�o, n�o pode. - Sim.

Sei que est� em sua casa e que ele � seu filho, mas veja...

- ele est� precisando de uma bebida. - Tudo bem, v� em frente.

Quando a viu pela primeira vez?

Uma noite, no inverno passado.

Eu estava com uns amigos e um pouco b�bado.

Era tarde, mas n�o queria ir para casa.

Ent�o, por algum motivo, eu peguei o bonde.

Esque�a os bondes! Continue!

Bilhetes, por favor.

Bilhetes, por favor.

- Quanto? - Bem, depende para onde vai.

N�o muito longe. N�o vamos exagerar.

Voc� � o �nico que est� exagerando aqui.

Me d� dois pence.

Sim, � muito razo�vel.

Aqui est�, e quero meu troco de volta.

N�o tenho troco para tudo isso. E pare de me fazer de bobo.

Tive um dia dif�cil. Pague ou saia do bonde.

Estou tentando pagar mas voc� n�o deixa.

Certo, vai descer no pr�ximo ponto.

Bilhetes, por favor.

Dois bilhetes, por favor. Pagarei seu bilhete.

� muito gentil da sua parte. Vou te dar este...

N�o, eu n�o tenho troco. N�o importa.

Claro que importa. S�o essas pequenas coisas que importam.

- Onde estamos? - Passando por Elmerbridge Road.

� onde eu des�o.

Eu tamb�m. Sempre des�o em Elmerbridge Road.

Isso � uma bobagem.

Eu insisto. � o �nico lugar onde posso trocar meu dinheiro...

e pagar a minha d�vida. N�o tenho d�vida..

E n�o tenho d�vida que vamos achar algo delicioso para comer.

Voc� est� com fome, eu estou com fome...

- Voc� est� com fome? - Sim.

Est� vendo? Todo mundo est� com fome! Menos ele.

Ol�, meu amigo!

S� um minuto, quero ver se fiz certo.

Diga novamente.

Um quarto e meio de carne, dois quartos de bacon...

e quatro pacotes de batata.

Aqui est� seu dinheiro.

O que desejam?

Boa noite, princesa.

Quero oito pence de comida.

Isso me garante o troco.

"Sr. Birling, o comerciante", � como me chamam.

- Oh, voc� � o Sr. Birling? - Eric est� bom.

Trabalhei l� uma vez.

� mesmo?

Trabalho l�, agora.

- O que aconteceu? - Fui demitida.

N�o me demitiram quando eu dormi.

Estou t�o entediado que tenho que sair com os amigos � noite...

ou vou ficar doido.

Sim, � claro que sou doido. S� eu que n�o sei.

Aqui est�.

Dois pence. Obrigado, muito obrigado.

E agora, com os cumprimentos do Sr. Birling, um delicioso " fish and chips".

Agora, vou lev�-la em casa.

Vou lev�-la em casa.

Boa noite, senhor restauranteur!

Voc� � mesmo doido.

Bem, � aqui.

Se n�o se importar que eu diga, n�o me impressionou muito.

Nem a mim.

V� para casa como um bom garoto. Boa noite.

N�o sou um bom garoto. Eu sou um garoto mau.

Eric, o pequeno vil�o.

Me d� um beijo e irei embora.

Certo, s� um.

Agora v� embora ou ficar� encharcado.

Sabe? Voc� me decepcionou.

Estou muito, muito triste.

Voc� deve ir para casa.

Vou Ihe contar um segredo.

N�o vou para casa.

Ainda n�o.

Tenho que ficar s�brio, primeiro.

Eu deveria ter comido.

Porque estou com fome, com frio, cansado...

e encharcado.

E uma boa senhora n�o deixaria ningu�m na rua numa noite como essa.

Est� bem, ent�o...

mas comporte-se.

Seja sensato.

Nem vou respirar.

- E ficou uma ou duas horas. - Sim.

- E encontrou-a novamente. - Sim.

- Na verdade, muitas vezes. - Sim.

At� uma noite em que ela contou que alguma coisa tinha acontecido.

Sim.

O que ela disse que aconteceu?

Me deixem em paz, todos voc�s.

Eric, o que houve?

Voc� tamb�m, n�o!

- Eric! - Parem! Parem todos.

O que ela disse?

Vamos, garoto! Solte isso!

O que foi, Eric?

N�o, eu n�o estou enganada.

Desculpe Eric, mas tenho certeza.

Fico feliz por ter dito isso, esperava que dissesse.

Mas n�o posso casar com voc�, Eric, N�o seria certo.

Voc� n�o me ama.

Quer ficar sozinho.

� s� o que importa.

N�o, eu n�o sei o que vou fazer.

Mas voc� n�o tem dinheiro.

Como?

Prometa que n�o vai fazer nenhuma bobagem.

Sei que n�o quer me abandonar mas...

n�o fa�a nada est�pido.

Ol�, garoto. N�o tem trabalho a fazer?

- Sim, eu tenho, pai. - Bem, � melhor ir fazer, n�o?

Eu gostaria de falar com o senhor

Estou muito ocupado, n�o pode esperar?

- Lamento, mas � urgente. - O que �?

Quero um aumento, pai.

Um aumento? Santo Deus! Est� ganhando 30 xelins por semana!

- O que mais voc� quer na sua idade? - Tenho 25 anos.

Outros colegas ganham muito mais que isso. Gerald, por exemplo.

Gerald � mais velho e mais respons�vel.

Eu n�o gosto de ver jovens com muito dinheiro para gastar.

- Eu n�o posso viver com isso. - N�o pode viver com isso?

Voc� n�o tem com o que gastar.

- Vive em casa e tem tudo. - Eu tenho d�vidas, pai.

D�vidas?

Vou dizer uma coisa. Eu n�o vou pagar suas d�vidas nem de ningu�m.

Voc� pode economizar e pagar suas pr�prias d�vidas...

ou dizer para o dono do dinheiro que espere.

- � uma quest�o de honra, pai. - Oh! � isso?

Uma d�vida de honra? Apostas? Cavalos?

Vou te dizer outra coisa.

Eu n�o vou dar dinheiro da empresa...

a um monte de "bookmakers", esteja certo!

Voc� se meteu nesta confus�o, e tem que sair dela.

Isso te servir� de li��o!

Falaremos desse aumento quando tiver um pouco de bom senso!

RECEBIDO BIRLING & SON

Bem? Vamos l�! Fale!

Eu era o pai da crian�a, ent�o...

cabia a mim sustent�-la o melhor que pudesse.

O que voc� fez?

Dei algum dinheiro, como disse que faria.

Quanto?

- Umas 50 libras no total. - 50 libras?

- De onde voc� tirou 50 libras? - Do escrit�rio, pai.

- Do meu escrit�rio? - Sim

Voc� roubou!

N�o, eu fui ver alguns dos nossos devedores...

cobrei suas contas e...

dei os recibos, sem anotar nos livros.

- E p�s no bolso! Voc� roubou! - Na verdade, n�o.

- Tinha a inten��o de devolver. - E vai devolver.

Vai devolver se trabalhar sem ganhar pelo resto da sua vida.

50 libras. Tive uma grande id�ia ao Ihe dar um emprego.

N�o sei se percebeu, Sr. Birling,

mas seu filho pode ter cometido um crime.

Um crime...

Isso significa...

Tribunal? Jornais?

N�o, Inspetor! N�o!

Essa era a sua posi��o a alguns minutos, Sra. Birling.

Por que n�o veio a mim quando se envolveu nessa confus�o?

Porque voc� � a �ltima pessoa para ir, quando se tem problemas.

Seu problema � que foi mal criado!

Podem dividir a responsabilidade quando eu tiver ido.

A garota sabia que o dinheiro que deu a ela...

- era roubado. - Sim.

Sim, essa foi a pior parte.

Ela n�o aceitou e n�o quis me ver mais.

Como sabe disso, ela te disse?

N�o, nunca falei com ela.

- Ela disse a mam�e. - Sheila!

Ele tem que saber.

Ela te disse? Quando veio aqui?

N�o fique a� parada. Diga o que aconteceu!

Eu vou dizer.

Ela pediu ajuda a sua m�e, e sua m�e recusou.

Ent�o voc� a matou!

Ela te procurou para me proteger e voc� a expulsou.

Voc� a matou! E a crian�a! Meu filho!

Matou os dois!

Eric, por favor! Eu n�o sabia.

Nunca soube de nada. Nunca!

Eric, n�o!

Por favor.

Inspetor, voc� � obrigado a abrir um inqu�rito?

Ou podemos esquecer isso?

As pessoas t�m mem�ria curta, Sr. Birling.

- N�o � prov�vel que se esque�am. - N�o, n�o acho que v�o se esquecer.

N�o precisa olhar para mim, sei que n�o farei.

Eu comecei isso.

N�o acho que podemos dizer...

que voc� que come�ou, Srta. Birling.

Podemos, Sra. Birling?

Inspetor, eu darei milhares de libras. Sim, milhares.

Est� oferecendo dinheiro na hora errada, pai.

N�o � apenas Eva Smith, pai. S�o todas as outras Eva Smiths.

As coisas que fazemos sem perceber.

Apenas uma vez � que vimos as conseq��ncias.

Esperava que algu�m dissesse algo assim.

Se soub�ssemos de antem�o as conseq��ncias...

ser�amos mais cuidadosos, n�o � Sra. Birling?

� uma pena que sempre tenham que acontecer coisas terr�veis...

para que nos d�ssemos conta.

Sabem que nenhum de voc�s � a mesma pessoa que era...

quando cheguei aqui esta noite?

Onde ser� que deixei meu chap�u?

Acho que est� na sala de jantar, Arthur.

Sim, � verdade.

Obrigado, Sra. Birling.

Obrigado.

Eric!

Sheila, por favor! Eu n�o posso aguentar mais esta noite.

S� quero dizer que lamento por voc� e pela garota

Obrigado.

Nunca nos vimos antes como irm�o e irm�, n�o �?

As coisas mudam, suponho.

Eu posso mudar.

Parar de beber, ser punido pelo roubo do dinheiro.

Tentar devolv�-lo de algum modo.

Na verdade, ningu�m liga mais para o dinheiro...

� em voc� que estou pensando.

N�o deve guardar rancor de papai e mam�e. N�o deve.

Muito bem. Mas n�o guarde rancor do Gerald, tamb�m.

N�o guardarei, n�o mesmo.

Porque ele est� apaixonado por voc�.

E voc� tamb�m, n�o est�?

Estava muito, mas...

depois de ouvir sobre ele e a garota...

Isso n�o importa.

Gerald � �tima pessoa. �s vezes ele se v� como...

o grande Croft, mas � boa gente, apesar disso.

- Sabe disso, n�o? - Sim.

Boa noite, Sr. Croft.

Oh, � voc�, Sargento. Boa noite.

- Tudo bem, senhor? - Sim.

Sim, est� tudo bem. Passeando antes de dormir.

Parece que vai mudar o tempo, senhor.

Sim. Bem, � melhor eu ir.

Sargento, que tipo de pessoa � esse Inspetor Poole?

Poole?

- Que divis�o, senhor? - Aqui, em Bromley.

N�o h� nenhum Inspetor Poole em Bromley, senhor.

- Voc� tem certeza? - Positivo, senhor.

N�o estaria equivocado, estaria?

Quero dizer, voc� pode ter sido transferido � pouco...

e ainda n�o o conheceu?

Imposs�vel, senhor. Falariam dele na delegacia.

N�o, n�o h� nenhum Inspetor Poole em Bromley.

- Obrigado, Sargento. Boa noite. - Boa noite, senhor.

O Inspetor ainda est� aqui?

- Inspetor? Que Inspetor? - Oh, voc� n�o sabe.

Est�o todos na sala, senhor.

Adeus, Sra. Birling.

Adeus, Srta. Birling.

Boa noite, Sr. Croft.

Um momento inspetor.

Algo aconteceu e tenho que falar com o Sr. e a Sra. Birling.

Importaria em esperar?

Claro que n�o, Sr. Croft, mas isso n�o far� diferen�a.

Bem, Sr. Birling, Onde quer que eu espere?

Esperar? Bem...

Se importa em esperar no meu est�dio?

Claro que n�o.

Obrigado, Sr. Birling.

Quer se sentar?

Acho que n�o vamos demorar muito.

Querem saber? Este homem n�o � um policial!

Como?

- Voc� tem certeza? - Absoluta!

Mas como descobriu?

Falei com um policial na rua e perguntei pelo inspetor.

Ele jurou que n�o existe nenhum Inspetor Poole na pol�cia.

- Por Deus, um impostor! - Sim!

Eu sabia que nenhum inspetor falaria assim comigo.

Sim, e como falou comigo tamb�m, dando ordens na minha pr�pria casa!

Devia saber que j� fui prefeito e magistrado.

Inspetores de verdade, n�o falam assim.

Voc� estava certo, era falso. N�o existe tal Inspetor.

Fomos enganados!

- Eu n�o posso acreditar! - N�o h� d�vidas sobre isso.

Isso muda as coisas.

Suponho que agora somos todos boas pessoas.

Se n�o tem nada mais a dizer, Sheila...

fique calada.

- Ela est� certa. - Sim, e fique calado, tamb�m.

� melhor que saiba, Gerald, eu roubei dinheiro.

E vai devolv�-lo.

O dinheiro n�o � o que importa!

O que importa � o que aconteceu � garota e tudo o que fizemos!

Eric tem toda a raz�o. Lembrem-se do que disse o Inspetor.

N�o � um inspetor!

Ele nos inspecionou muito bem.

O que vai fazer agora?

Acho que existem pessoas nesta cidade que n�o gostam de mim...

e organizaram este tipo de fraude.

Que diabos est� fazendo?

- Vou ligar para a pol�cia. - Idiota!

Me d� isso!

Se � um impostor, � melhor que o prendam antes que escape.

Fique longe disso. E da pol�cia tamb�m.

Ele n�o pode fugir sem sair por aqui.

E as janelas?

- Imposs�vel, tem grades. - Espere um pouco.

Desculpe, inspetor, n�o demoraremos muito mais.

Agora n�s o temos.

Tudo o que temos a fazer � decidir com calma entre n�s...

o que vamos fazer e o modo de lidar com ele.

Provamos que � um impostor.

� a mesma hist�ria podre que contamos a um...

Inspetor de pol�cia ou a qualquer outro. Que diferen�a faz?

A diferen�a est� entre uma s�rie de coisas ditas em particular...

e um grande esc�ndalo p�blico.

Esc�ndalo? O que importa um esc�ndalo?

A morte de uma garota que ajudamos a mat�-la, isso importa.

Mas n�s fizemos isso? Quem disse?

N�o h� nenhuma evid�ncia real de que fizemos isso.

- Claro que h�! - N�o, n�o h�!

Pense nisso! Um homem vem aqui fingindo ser um policial.

E o que ele faz?

Muito habilmente, recolhe informa��es aqui e ali...

nos faz confessar de uma forma ou de outra...

que tivemos algo a ver com a vida desta mo�a.

E tivemos.

Mas como sabemos que � a mesma garota?

Admitimos tudo, de qualquer maneira.

N�o! Admitimos ter tido algo com uma garota...

mas como sabemos que � a mesma garota?

Pela foto.

Mas como sabemos que � a mesma foto?

Ele teve o cuidado para que Eric e eu...

n�o v�ssemos a que ele mostrou ao seu pai

Pensem!

Algum de n�s, viu a mesma fotografia juntos?

N�o.

Exatamente!.

N�o h� prova de que era a mesma fotografia.

Portanto, n�o h� prova que era a mesma garota.

E n�o existe evid�ncia de que...

Daisy Renton era realmente Eva Smith.

S� temos sua palavra, e podia estar mentindo o tempo todo.

Claro! Provavelmente havia 4 ou 5 garotas diferentes.

Isso n�o me importa. A que conheci est� morta.

Em breve vamos resolver isso.

Como?

Ligando no hospital.

Pode me ligar com o hospital? � urgente. N�o, n�o sei o n�mero.

Ou existe uma garota morta ou n�o.

E se n�o houver?

Al�? � do hospital?

Aqui � o Sr. Gerald Croft, da Croft's Limited.

Estamos preocupados com um de nossos empregados.

Alguma garota foi levada para a� esta tarde...

que se suicidou tomando desinfetante?

Ou qualquer suic�dio?

Sim, eu espero.

Sim?

Voc� tem certeza?

Entendo. Muito obrigado. Adeus.

Nenhuma garota morreu l� hoje.

H� meses que n�o ocorrem suic�dios.

Que al�vio! Gerald, garoto, coloque umas bebidas.

E pensar que tudo acabou!

- � mesmo? - Bem, n�o �?

Fomos enganados, foi isso.

Ent�o, nada aconteceu realmente?

S� porque n�o terminou tragicamente, n�o h� o que se lamentar?

Nada a aprender?

Vamos continuar nos comportando como temos feito?

Bem, por que n�o?

Tinha come�ado a aprender alguma coisa...

mas agora est� disposto a seguir o mesmo caminho?

Voc� n�o, n�o �?

N�o.

Porque me lembro do que ele disse, e como me fez sentir.

Me assusta o modo como fala.

Me assusta tamb�m.

Olhe para eles! A famosa gera��o que sabe tudo!

Nem aceitam uma piada.

Seja quem for este inspetor, enquanto viver, jamais o esquecerei.

Minha nossa! Eu me esqueci dele!

Oh, meu Deus! Arthur, o que acha que seria melhor?

N�o queremos qualquer problema ou esc�ndalo.

Deixe isso comigo, querida.

Vamos assust�-lo e deix�-lo com a pulga atr�s da orelha.

Afinal, ele nos deve isso.

Agora, vamos ver...

Quero dizer umas palavras a voc�.

Algumas coisas me v�m � mente, Sr. "Suposto" Inspetor.

Agora � minha vez de fazer perguntas...

e acho que n�o vai gostar.

Pai, telefone para o senhor.

S� um minuto.

Sr. Birling falando.

Sim, Fletcher?

Como?

Aqui?

Era a pol�cia.

Uma garota morreu � caminho do hospital.

Depois de tomar desinfetante.

O Inspetor da Pol�cia est� vindo aqui...

para fazer algumas perguntas.

Tradu��o e Legendas: Mawricio58

F I M

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