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O HOMEM OLHOU O CONDENADO E PERGUNTOU AO OFICIAL:
"O PRESO SABE A SENTEN�A DELE?"
"N�O" - DISSE O OFICIAL - "ELE SENTIR� NA PR�PRIA CARNE".
FRANZ KAFKA, NA COL�NIA PENAL.
O URUGUAI EST� SOB A DITADURA MILITAR
AP�S V�RIAS D�CADAS DE DEMOCRACIA.
O MOVIMENTO REVOLUCION�RIO TUPAMAROS FOI DERROTADO.
OS SOBREVIVENTES EST�O NA PRIS�O.
NO DIA 7 DE SETEMBRO, 9 PRESOS TUPAMAROS
S�O RETIRADOS DA PRIS�O EM SEGREDO
E CONVERTIDOS EM REF�NS DO GOVERNO MILITAR.
ESTA � A HIST�RIA DE TR�S DELES.
De dois membros...
Essa viagem � o que...
Se acaba quando decidimos, mas tamb�m...
...temas que surgem quando...
Boa noite, continuamos recebendo pedidos...
-Meu nome � Maria. -Ol� Maria, tudo bem?
-Que m�sica voc� quer escutar?
-Eu gostaria de pedir "Siga al baile"...
E continua o mist�rio...
Afirma o nosso rep�rter a nossos ouvintes...
Tudo indica riscos de tormentas...
-Tropas! -Abram!
Mexam-se! Vamos! R�pido!
Prossigam.
Vamos! Vamos.
Querem caminhar.
Vamos, r�pido! Vamos!
R�pido!
Vamos. Subam!
Preciso ir ao banheiro.
Sil�ncio, sujo!
Pepe?
�ato?
Sil�ncio. Aqui n�o se pode falar!
-Ruso, � voc�? -Sil�ncio!
Cale a boca, sujo!
Ent�o vou ter que cagar aqui.
Desculpem, companheiros.
Sil�ncio!
Vamos, subam no caminh�o!
Est� todo cagado. Est� fedendo.
Vamos para o caminh�o.
Vamos, vamos!
R�pido!
Vamos, vamos.
Vamos, andem.
Para frente, vamos.
Com licen�a.
Trago os prisioneiros Jos� Mujica, Eleuterio Fern�ndez Huidobro
e Mauricio Rosencof.
Levem-nos.
Vamos, sigam em frente!
Vamos, sigam. Vamos, vamos!
Para dentro!
Segure-o.
Jogue gasolina nele.
Mais, mais.
-At� ele se afogar. -N�o!
N�o consigo respirar.
Voc� vai pegar fogo. Fique quietinho.
Vai se afogar.
Fique quieto ou vamos p�r fogo em voc�.
N�o!
-Filho da puta! -Cale a boca.
Fique quieto! Quietinho a�.
Voc� n�o tem nada!
Voc� n�o tem nada!
Em p�!
Contra a parede!
N�o se mexa.
Firme e sem tocar a parede.
-N�o se mexa, idiota. -Fique quieto.
O que foi? Est� nervoso.
Fique quieto e n�o olhe para mim. Vire para o outro lado.
DEIXAI TODA ESPERAN�A, V�S QUE ENTRAIS
Pegue, sujo.
MINIST�RIO DA DEFESA RESOLU��O
A PARTIR DE AGORA, N�O PODEM FALAR.
NEM ENTRE VOC�S NEM COM NINGU�M.
OS SOLDADOS EST�O PROIBIDOS DE FALAR COM VOC�S.
1, 2, 3, 4.
1, 2, 3, 4.
1, 2, 3, 4.
1, 2, 3, 4.
Em p�. Em p�.
Isso.
O que este pensa que �, um ginasta?
Est� merecendo um chute bem nos rins.
O sujo � ginasta!
� para ficar quieto o dia todo. Entendeu?
12 MESES DEPOIS
Pelot�o, sentido!
Esses caras n�o podem falar com ningu�m.
E ningu�m pode falar com eles.
S�o rebeldes e subversivos. Traidores da p�tria.
S�o muito perigosos e t�m grande poder de persuas�o.
O contato com eles deve ser m�nimo.
Somos o Ex�rcito Nacional.
Levamos anos para ganhar essa guerra. E vamos lembrar, sim?
Vamos lembrar que a humanidade sempre foi salva no �ltimo minuto
por um pelot�o de fuzilamento.
Ruso, meu querido,
vim aqui porque sua fam�lia est� incomodando.
Vou deixar que os veja, mas n�o complique as coisas
ou vai complicar para voc� e para eles tamb�m.
E voc� ama a sua fam�lia, certo?
Sabe o que � isto?
Uma resolu��o do Comando Geral do Ex�rcito.
Se houver qualquer atentado, teremos que te apagar.
E sabe que isso � f�cil.
Voc�s n�o s�o mais prisioneiros.
S�o ref�ns.
T�nhamos que ter matado voc�s antes.
Agora vamos deixar voc�s loucos.
Perderam a guerra, Pepe.
Est�o condenados.
E queriam mudar o mundo?
Olhe para voc�s.
Eu me mataria. Por que voc�s n�o se matam?
Quieto!
J� disse, fique quieto!
Ou�a, isso � uma barb�rie.
Seria mais humano se os fuzilassem.
Rosencof, prepare-se.
Papai!
Oi!
Como est�, meu amor?
Seus olhos s�o lindos.
E a escola?
Como v�o as coisas no col�gio?
-Trouxemos comida. -Obrigado, m�e.
-E cadernos, livros... -Obrigado, m�e.
-Como est�, meu amor? -Bem.
Como est� grande!
Que bela surpresa.
O que fazem aqui todos os dias?
Passeamos.
T�m recreio?
Sim, claro.
Trouxemos os �culos novos da Alejandrita para voc� ver.
Coloque-os.
Espere. Fale para ele fechar os olhos.
Feche os olhos.
Fecho.
Fecho.
-Posso abrir? -Pode.
Ficaram lindos.
Papai, esses �culos me fazem chorar.
N�o, meu amor. Se te fazem chorar, n�o os use.
Como te fazem chorar?
As lentes a fazem chorar.
Por que est� chorando?
Isaac...
Pai, o senhor est� bem?
O que foi?
-Quem � esse? -� o Mauricio.
Vim ver meu filho.
-Isaac, por favor. -Pai, sou eu.
-Onde est� meu filho? -Fique tranquilo.
-Sente-se, Isaac. -Onde est� meu filho?
-Pai, sou eu. -Porque vim v�-lo.
-Sente-se. N�o, n�o, n�o. -Pai, sou eu.
-N�o, n�o, por favor. -O que foi?
Sente-se. N�o!
Isaac!
Pai, o senhor est� bem?
-Pai! -N�o!
Pai! O que foi?
-N�o! -O que foi?
-Fique quieto! -Pai, sou eu!
-Pai, soltem-no! -Pare!
Sou eu, pai!
Sou eu, pai!
Ande!
Vamos, sujo.
Vamos!
1975 803 DIAS
Cuidado!
Sil�ncio, sujo.
Saiam da�! Saiam!
Feliz Natal!
-Feliz Natal! -Feliz Natal!
A, B, C...
A, B, C, D, E, F, G, H, I...
G, H, E...
D, E, F, G...
Feliz Natal, Ruso.
Feliz Natal para voc� tamb�m, �ato.
1976 1.074 DIAS
ESTAMOS EM SOL�S?
N�O SEI
NA 5� CAVALARIA
COMO SABE?
PELAS BOTAS
CAD� O PEPE?
N�O FA�O IDEIA
XEQUE-MATE
COMO ASSIM?
COM A RAINHA EM D4
Est� de brincadeira.
RAINHA EM D4 GANHEI
DISCUTIR COM VOC�...
� COMO FALAR COM A PAREDE
Depressa. Acabe com isso.
Desse jeito, n�o consigo.
N�o consigo agachar. N�o consigo cagar.
O que quer que eu fa�a?
Afrouxe um pouco para mim.
N�o tenho autoriza��o para isso.
Se fizer aqui, vou emporcalhar o banheiro todo.
Cabo, temos um problema.
Ele n�o alcan�a o vaso. N�o consegue defecar.
Me mostre.
N�o consigo agachar.
-Gutierrez, datilografe. -Com licen�a, Sargento.
Ele est� amarrado.
Mais r�pido!
-L� no bairro -L� no bairro
-Sargento. -Diga.
-Sargento! -Aten��o!
-Tenente. -O que est� havendo?
Uma situa��o complicada.
Veja, Tenente. Esta � a situa��o.
Me chamou para isso? N�o sabe resolver sozinho?
Capit�o, temos um problema no banheiro.
O que foi? Entupiu?
Est� com muita vontade?
Com licen�a, Comandante.
Aten��o!
Voc�s s�o todos retardados?
Algu�m pode vir aqui?
Guarda!
TELEVISORES 1.200
QUE ROUBO!
POMPIDOU MORREU
O ABBA GANHOU O EUROVISION
QUE ABBA?
O GRUPO SU��O
Precisa perder a consci�ncia...
Que conseguir ser preciso...
Pare um pouco!
Pare de pensar! � imposs�vel parar de pensar!
Voc� n�o imagina!
Pare de pensar. Pare. Tem que parar.
Cale-se. Cale a boca de uma vez!
Filho.
Filho.
M�e.
VENCER OU MORRER
-Boa tarde. -Boa tarde.
Vim ver meu filho.
-Quem? -Jos� Mujica.
No tribunal, disseram que ele poderia estar aqui.
Documento.
Assine aqui e aguarde.
Trouxe mate e doce de leite. A camisa que voc� gosta.
Como est� o bairro?
Est� tudo igual. Tudo bem.
E o vov�?
Est� com saudades de voc�.
Senhora!
Est�o verificando a documenta��o. N�o quer esperar l� dentro?
N�o. Estou bem aqui.
M�e,
n�o venha mais aqui.
Enquanto estiver viva, eu virei.
Mesmo que seja me arrastando.
Senhora!
Sinto muito, mas seu filho n�o est� dispon�vel.
N�o est� aqui?
N�o tenho essa informa��o.
Onde ele est�?
N�o tenho essa informa��o.
E que informa��o tem?
A que te dei.
Que informa��o voc� me deu?
N�o tenho essa informa��o.
M�e, venha aqui!
Volte, m�e!
M�e...
�ato.
PROIBIDO PASSAR
1977 1.529 DIAS
Eu j� a conhecia porque era namorada do �ango.
Sempre gostei dela.
Me aproximei e ela tinha um cheirinho de sab�o,
mais cheirosa do que...
Fazia tempo que n�o estava com uma mo�a assim.
-Morena? -Sim.
Dan�amos duas ou tr�s m�sicas e ela me disse:
"V� me buscar amanh�".
Ent�o me perfumei, vesti uma bela camisa
e, quando cheguei, ela n�o estava.
N�o sei se me deu um bolo. Tinha que ter me respondido.
-Deixei flores e bombons para ela. -Que flores?
Eram daquelas que s�o amarelas no meio.
-Margaridas. -Isso, margaridas.
Conhe�o as mulheres. Elas sempre fazem a mesma coisa.
Uma vez aconteceu comigo.
-Me deram o bolo. -O que voc� fez?
Nada. Nunca mais a vi.
Achei que estava tirando uma comigo.
Mas existia algo.
Sabe quando voc� sente? Ela me olhou, eu olhei para ela...
E, na terceira m�sica, est�vamos cada vez mais juntinhos.
Ao se despedir, ela me deu um beijo aqui.
E eu disse: "N�o..."
Chega, Barriola.
Sil�ncio!
Chega, Barriola, por favor.
-Barriola? -Chega.
Como sabe meu sobrenome, sujo?
Porque voc� n�o para de falar.
A garota, o namorado, o baile, o beijo...
Ela est� a fim, mas tem que tomar a iniciativa.
Cale a boca!
Deixe-me pensar. Escute.
Talvez o namorado esteja na cidade e, por isso, ela n�o te d� bola.
O que sabe do �ango? Cale a boca ou te arrebento.
Fa�a o seguinte.
Me d� papel e caneta e eu o ajudo.
-Quero te ajudar. S�rio. -Cale a boca!
Tem que surpreender a mo�a, Barriola.
-Me d� papel e caneta... -Vou meter uma caneta no seu rabo!
Por favor, Barriola, vamos resolver isso.
-N�o aguento mais te ouvir. -N�o me chame pelo sobrenome!
Ei, sujo.
Por que queria papel e caneta?
Para que voc� escreva uma carta a ela.
Por qu�?
Porque disse que ela � linda e pensei que voc� gostasse dela.
Voc� dita e eu escrevo. Mas j� aviso:
se perceber que est� me embromando, acabo com a sua ra�a.
"Aqui, na solid�o infinita do trabalho,
preso por sua aus�ncia..."
Espere. Mais devagar!
"Preso por sua aus�ncia,
posso sentir as l�grimas
encherem meus olhos."
E? O que fa�o agora?
-Como assim, o que faz? -Sim, o que fa�o?
Mande pelo correio, soldado.
De p�. Vamos. Levante.
Tupamaro nojento.
Quando o Sargento chegar, voc� vai ver.
Tire o capuz dele.
Os demais, para fora!
Saiam todos!
Mexam-se!
Ent�o voc� � o escritor.
Veja, estou com um problema.
Gosto de uma garota.
Me disseram que voc� pode me ajudar.
Quem � ela?
Como ela �?
�...
morena, muito linda.
A conheci na semana passada. Pintou um clima.
Eu a chamei para sair, mas ela n�o quis.
Como ela se chama?
Nelly.
-Voc� disse morena? -Sim.
Trabalha com a m�e na padaria.
E faz p�es quentinhos de manh�?
Faz p�es com gordura.
Agora,
assine para ficar melhor.
Obrigado.
Posso ficar com o caderno?
Por favor.
Obrigado.
Soldados!
Levem-no!
Trouxe p�o quentinho.
Obrigado.
Sa�mos ontem.
Mas a garota est� muito confusa, tem muitas d�vidas.
Se me permite, que tipo de d�vidas?
Eu...
me casei muito jovem.
Ainda trabalhava na mil�cia quando conheci outra garota.
Quando voltei para casa, era outro homem.
Mudei muito.
Tenho uma filha desse casamento.
A menina j� � grande.
N�o fala comigo.
E isso d�i.
Agora, quero refazer minha vida.
� como uma pedra no sapato, sabe?
Sargento,
todos cometemos erros.
Gol!
Gol!
-Gol! -Gol!
-Gol! -Gol!
Me ajude.
O que respondo?
O que quer com ela?
N�o sei. Estou mais velho agora.
N�o quero terminar sozinho. Quero envelhecer com ela.
Quer que eu escreva isso?
Voc� � o escritor.
O que faria?
Eu ainda n�o diria isso.
Ela tem que se apaixonar primeiro.
Isso!
Por voc�.
Por mim.
Pelo ar.
Pela sombra do antes, do depois.
De, quem sabe, amor.
Que me devolva a palavra.
Continue pedalando. Vou soltar.
Muito bem, meu amor.
Continue!
Muito bem. Est� fazendo sozinha!
Olhe, papai!
Levante meu capuz.
S� por um minuto, por favor.
1978 2.024 DIAS
Mexam-se. Vamos, r�pido!
Vamos. Mexam-se. Andem!
Onde diabos estamos?
Por favor, onde estamos?
Onde estamos?
Abram!
Tirem-nos daqui!
N�o se fa�a de idiota, Mujica. Vamos conversar.
Conte-me sobre seus contatos. Tem que ter algum.
N�o vou pensar. N�o vou pensar.
N�o sabe nada do que est� acontecendo.
N�o vou pensar! N�o vou pensar!
N�o vou pensar!
N�o arrancar�o merda nenhuma de mim!
N�o vou pensar!
-Quais s�o seus pr�ximos movimentos? -O que disse?
Seja claro! O que est� dizendo?
Onde quer apanhar? Esquerda ou direita?
O que est� dizendo? Fale comigo!
Fale! Vamos!
N�o vou pensar em nada!
N�o arrancar�o merda nenhuma.
N�o vou pensar! N�o vou pensar!
Fala!
Tirem-nos daqui!
Tirem!
Pepe!
Tirem-nos daqui!
Venha c�! Venha c�!
Isso, devagar!
Venha c�! Venha c�!
Oi, �ato.
�ato.
Quero que conhe�a uma pessoa.
Ela nasceu no quartel e quer te conhecer, �ato.
Gabrielita!
Ela quer ir, mas n�o � f�cil.
Ficam trocando voc� de lugar toda hora.
Voc� est� em Melo e eu em Punta Rieles.
N�o quero que ela me veja assim.
Vai achar que o pai est� morto em vida.
�ato,
ela vai achar que n�o tem pai.
�ato,
isso vai acabar logo.
O que fazemos?
Diga, Mujica, que contatos tem aqui?
O que sabe do Ortega?
Qual � o objetivo de voc�s?
Fale da revolu��o sangrenta.
Os comunistas s�o todos iguais. N�o sabem de nada quando lhes conv�m.
Fazem o que querem...
Concorda que sim ou concorda que n�o?
Quieto!
Outra rodada?
Como conseguiremos as ferramentas?
Temos que test�-las.
-Vamos come�ar. -Temos que test�-las.
-E o barulho. -Eu insisto.
Ela disse que est� tudo bem.
E o por�o?
-O por�o � perfeito. -D� para escutar de fora?
N�o, n�o d� para escutar nada. � enorme.
Obrigado.
Temos que p�r duas pessoas na coluna do meio.
-Reunir pessoas. -Temos que test�-las.
E como vamos fazer?
O cassino funciona das 20h �s 5h.
S� no Carnaval.
-Quantos v�o participar da a��o? -15.
-15? -No m�ximo.
-Muitos. -Os Tupamaros realizaram uma a��o
que est� sendo chamada de "roubo do s�culo"
contra a empresa de tabacos multimilion�ria Mailhos.
Gra�as � documenta��o revelada pelos Tupamaros,
o juiz ordenou a pris�o de Luis Eduardo Mailhos
por fraude fiscal e contrabando.
Voc� est� bem?
Estou.
Outra rodada?
Sabem que est�o sendo gravados?
Sabe?
Algo mais?
Pepe.
Pepe.
Est�o gravando.
Tem uma antena.
E o por�o?
O por�o � perfeito.
D� para escutar de fora?
N�o, n�o d� para escutar nada. � enorme.
-Al�m disso, fica perto. -A duas quadras.
Outra rodada?
Ontem eu caminhava
Perd�o.
Errei a letra.
M�e?
Documentos.
Sente-se, desgra�ado. Sente-se.
Pare!
Pare, Pepe!
A eficiente opera��o da pol�cia de Montevid�u
deixou gravemente ferido um dos rebeldes
de um conhecido bando de conspiradores.
O desconhecido, que portava documentos falsos,
era Jos� Alberto Mujica,
procurado h� muito tempo como membro da organiza��o.
Mujica est� internado no hospital militar
em estado grave.
Garoto,
quantos anos voc� tem?
Voc� n�o tinha nascido quando nos jogaram aqui.
Esqueceram de n�s.
Esqueceram de n�s.
1979 2.391 DIAS
E ESTE FOI
MEU �LTIMO POEMA
REBELDE E TRISTE,
DESTRU�DO MAS INTEIRO,
S� ESCREVERIA UMA PALAVRA:
COMPANHEIRO.
VISITA AMANH�. VER A GABRIELITA PELA 1� VEZ
ESTOU COM MEDO, RUSO.
VOC� TEM FILHA. O QUE FA�O?
CONTE UMA HIST�RIA A ELA
N�O CONHE�O NENHUMA
CONTE ESSA:
"E ent�o, a garota recebe um presente,
uma m�quina que torna seus sonhos realidade.
Um dia, a filha estava com a m�e, que lhe disse:
'V� alimentar os pintinhos azuis'.
'Mas n�o existem pintinhos azuis, mam�e'.
'V� mesmo assim'.
Quando a garota vai aliment�-los,
come�a a escutar pintinhos piando por toda parte."
-Piu-piu. -Assim.
-Piu-piu. -Assim mesmo.
"Naquela noite, quando foi para a cama e se deitou para dormir,
a garota come�ou a sonhar com elefantes.
No dia seguinte, ao acordar,
viu elefantes caminhando at� a casa dela.
E a garota diz: 'Mam�e, elefantes!'"
Trinta segundos.
Gabi, na pr�xima vez que vier, termino a hist�ria, est� bem?
Papai, por que o senhor n�o tem m�os?
Eu tenho m�os, sim.
� que as m�os tamb�m se transformam.
Se transformam em animais. Veja.
Veja.
Uma borboleta.
O que a borboleta faz?
Isso.
Um macaco.
E um cachorro.
A visita acabou.
Tchau, Gabi. Te amo muito.
E n�o interfira minimamente na complicada gest�o p�blica...
Em Madri, parou de bater o cora��o de Francisco Franco Bahamonde,
caudilho espanhol.
...uma das etapas mais dif�ceis de sua hist�ria.
A interven��o das for�as armadas...
CUIDADO CABO ENTERRADO
"Um Estranho no Ninho" ganhou o Oscar de melhor filme,
e Jack Nicholson e Louise Fletcher
ganharam os de melhor ator e atriz.
Para assinar o acordo de Camp David,
sob prote��o do ex-presidente americano, Jimmy Carter...
Nos pr�ximos dias, em algumas regi�es do Uruguai,
pode haver granizo.
Eles t�m o b�sico: uma cama,
cortina, luz. Estamos sempre atentos
a seus pedidos de higiene em geral,
de alimenta��o ou qualquer outra coisa que precisem,
ou para serem atendidos...
Se der uma de espertinho, te arrancamos a cabe�a.
Entendeu?
Como se chama?
Diga seu nome.
Eleuterio Fern�ndez Huidobro.
-Voc� est� bem? -O prisioneiro est� bem.
Gostaria de ouvir dele.
COMIT� INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA
Apenas temos o que comer.
Somos proibidos de falar uns com os outros.
N�o temos nada, nunca estivemos diante de um juiz.
N�o temos nada!
N�o nos alimentam!
Tamb�m n�o nos deixam ir ao banheiro!
A Cruz Vermelha diz que todo prisioneiro
deve ter condi��es m�nimas.
-Quer ir ao banheiro? -Claro que sim.
Levem-no ao banheiro imediatamente!
-Como se chama? -Diga seu nome.
Eleuterio Fern�ndez Huidobro.
Retire-se.
Eu disse para se retirar.
Diga seu nome.
Mauricio Rosencof.
Retire-se.
Como se chama?
Jos� Alberto Mujica.
Retire-se.
Aten��o! Sentido!
Tire o capuz dele e se retire.
Que merda � essa?
Me fizeram vir at� aqui por isso, ent�o seja r�pido.
Querem retomar a luta armada?
Que droga � essa? Contato com o exterior?
Para que e para quem?
Qual � a origem e destino de tudo isso? Diga.
N�o me esqueci de como te fazer falar.
Estou sendo bonzinho, ent�o n�o me trate como idiota.
Voc� fez isso?
Me d� o c�digo.
A mensagem, puta merda! Me fale a mensagem!
N�o � uma mensagem, � uma artimanha.
� um c�lculo de probabilidades para jogar a roleta.
Est� tirando com a minha cara?
Posso?
A � a aposta inicial.
B, a possibilidade de perder.
N � o n�mero de tentativas entre a aposta m�xima e a m�nima.
Suponhamos que sua aposta m�xima seja de 1.000,
e a m�nima, de 10.
Joga-se sempre de duas em duas fichas
no vermelho ou preto.
Assim, as possibilidades de ganhar s�o maiores. Cerca de 50,5%.
Ent�o A � igual a 7, B � igual a 5
e N � igual a 0,53.
Isso te d� a possibilidade de ganhar em 20, 40,
60, 80, 120, 360,
460...
Voc�s n�o mudam nunca.
Acham mesmo que v�o derrotar todo um sistema?
� uma pena eu n�o ter matado voc� quando tive a chance.
Voc� e eu nunca vamos esquecer desse dia.
-Oi. Tudo bem? -Tudo.
Tchau, querida.
M�e, esqueci o estojo.
Ai, querida.
N�o se preocupe. Entre
e, daqui a pouquinho, trago para voc�.
-Tenha um bom dia. Tchau. -Tchau.
Hoje, 14 de abril de 1972, termina a jornada
mais sangrenta da hist�ria do Uruguai no s�culo 20.
Comandos do MLN Tupamaros realizaram uma a��o
contra homens identificados como membros do Esquadr�o da Morte.
Em poucas horas, mataram
o Subsecret�rio do Minist�rio do Interior,
o senhor Armando Acosta Irada,
o Subcomiss�rio Delega, o agente Leites,
-o Capit�o da Marinha... -� uma declara��o de guerra.
...o Subcomiss�rio Reyes. �s 10h, quando a cidade ainda...
Desligue.
-O qu�? -Desligue o r�dio.
N�o se escuta nada.
Por isso mesmo.
Algo est� errado.
Entrem!
Atendam!
Tamb�m ca�ram.
Retirem-se.
Diga-me seu nome.
Como se chama?
Luis Martinera.
Luis Martinera?
Que bom que est� vivo.
�s 14h, na Rua Amazonas...
O que fazemos?
...houve tiroteio entre as autoridades
e membros do movimento guerrilheiro Tupamaros.
O resultado foi a morte de dois membros guerrilheiros,
o local est� sendo inspecionado...
Ouviram?
Eram quatro.
Apenas dois morreram?
...diferentes embates levaram a cidade de Montevid�u
a um caos total.
Est�o vivos.
Chamem o Marcos e o Cabrera.
Temos que preparar uma opera��o de resgate.
Grite que somos dois.
Grita o cacete.
S� saio daqui morto.
O que est� acontecendo?
O que est� fazendo? Abaixe a arma.
Somos dois!
Nos rendemos!
Nos rendemos!
O mundo est� cheio de idealistas.
O inferno est� cheio de boas inten��es.
Este � o seu inferno.
Me responsabilizo pelos meus erros e pelas consequ�ncias.
N�o, voc� n�o se responsabilizou por nada.
N�s que o obrigamos a isso.
A sua derrota que o obriga a se responsabilizar.
Fiz o que fiz que acreditava no que fazia.
Sou respons�vel e aceito meu castigo.
Nem voc� nem ningu�m
pode me dar como derrotado.
Voc� diz que n�o est� derrotado.
N�o importam os anos que passaram,
o que importa s�o os anos pela frente.
E voc� nunca sair� daqui.
Posso at� morrer aqui,
mas, quando isso acontecer,
saberei o peso da cruz que carrego.
Mas voc�?
Sabe o peso da sua?
Eu pertencia a esse mundo.
Agora tudo me � estranho...
O amanhecer,
o barulho dos p�ssaros...
Voc� me � estranho.
-Oi, filho. Como est�? -Bem, m�e.
Seu av� mandou um beijo.
Me lembrando toda hora para n�o esquecer de trazer nada.
Ele falou: "N�o esque�a o doce de leite..."
"E dois quilos de erva."
Sei que v�o tirar essas coisas de voc�,
mas algo pode ficar.
-Est� bem assim? -M�e, melhor...
Tem que parar de vir.
O qu�?
Por qu�?
� muita coisa para explicar, m�e,
mas est�o nos perseguindo, � como um ataque
com som, ultrassom...
N�o sei, minha orelha est� quente. Mas escute.
Colocaram em mim uma voz ou uma antena ou algo...
N�o consigo parar de pensar.
Quando paro de pensar,
eles me atacam para que eu pense de novo.
Faz um tempo que eles n�o entram nos meus pensamentos.
Pare.
O mais importante � que est� tudo sob controle.
-Mas n�o deve vir por um tempo. -Filho...
Quem a senhora pensa que eles s�o?
-Freiras de caridade? -Cale a boca!
Cale a boca!
Me ou�a.
� a mim que tem que ouvir.
Sou sua m�e.
Eles querem que enlouque�a.
E, se continuarem assim, conseguir�o.
Me entende?
M�e...
M�e, uma merda!
M�e, uma merda! Escute aqui.
Escute o que tenho a dizer.
Voc� tem que resistir.
Resistir de qualquer maneira.
N�o importa pelo que passe, vai resistir.
N�o deixe que te matem.
N�o sei como.
Sim, voc� sabe.
Os �nicos derrotados s�o os que desistem.
Vai sair daqui e vai seguir em frente.
E ningu�m...
Ningu�m vai tirar o que tem dentro de voc�.
Ao menos esquente a �gua.
Hoje, faz 168 anos
que a m�o do nosso l�der,
do nosso magn�fico caudilho, �nico na Terra,
quando as pessoas se reuniam para buscar liberdade...
Quero minha erva e meu penico!
Estou me cagando!
Quero minha erva e meu penico!
Seus filhos de uma puta!
Roubaram meu penico, ladr�es!
Nos lembrando do processo hist�rico...
Sanguessugas, devolvam meu penico!
E a erva-mate!
V�o sentir o cheiro do que vai sair da minha bunda!
Suas roupas de domingo v�o ficar fedendo.
Quero minha erva e meu penico!
Estou me cagando!
Cretino imundo.
Quero minha erva e meu penico!
Seus filhos de uma puta!
Sil�ncio! Que merda � essa?
Vem, Sapito!
Vamos!
Vem, Sapito!
Me d� uma baioneta! Vamos, mano a mano!
Vamos, voc� e eu.
Como sabe que sou o Sapito?
Quer que eu conte como traiu sua esposa com aquela puta?
-O Sapito traiu a esposa! -Cale a boca, merda!
O Sapito tem uma amante!
Calado, filho da puta!
Eles sabem como pegou s�filis?
-Como assim? -Porque transava com ela...
-De onde tirou isso? -O Sapito...
-Cala a boca! -tem s�filis!
O que voc� quer?
Minha erva e meu penico.
Que minha m�e me trouxe.
E tragam �gua quente para o mate!
N�o gosto de mate morno.
-Ele deve ter um perisc�pio. -Com certeza, tem um perisc�pio.
Voc�s sabem o que � um perisc�pio?
Do que est� falando, idiota?
Temos que ficar de olho nesse cretino imundo.
Teremos que avisar os superiores.
Conte-me um pouco.
Voc� tem uma antena, um aparelho...
Quem colocou isso?
N�o fa�o ideia, doutora.
Imagino que o ex�rcito, a CIA, n�o sei.
Quem lhe disse isso?
Uma voz aqui.
Me xinga.
Quer controlar meus pensamentos, tirar informa��es,
me manda um pulso el�trico,
um calor
aqui na orelha...
� um fogo aqui que me queima.
Voc� tem algum tipo de epis�dio de ansiedade, ang�stia, medo?
Passou por alguma situa��o de estresse?
Dorme bem? Descansa?
Ele descansa, sim.
Se alimenta bem? Come?
Mais ou menos.
Come tudo que � dado a ele.
Soldado, preciso trabalhar tranquila.
Ent�o, voc� pode pegar �gua, por favor?
V� buscar �gua.
Mujica.
Todos os sintomas que voc� apresenta parecem...
uma psicose delirante.
Mas n�o sabemos se � algo cr�nico ou agudo.
Precisaremos avaliar com mais tempo.
Mas � isso que faz voc� sentir...
Que se confunda e que perda a raz�o.
Parte do seu transtorno tem a ver com a impossibilidade de descansar.
Neste momento, o que mais pode ajudar � dormir � noite.
Tomar um comprimido e dormir.
� o que vou receitar.
N�o preciso dormir, doutora.
N�o precisa? Do que precisa?
Parar de pensar.
O que acha que pode ajud�-lo
a parar de pensar?
Usar as m�os
para p�r minha cabe�a em ordem.
Escrever,
ler...
Ler e escrever, vou...
Vou mandar que lhe deem algo para ler
e papel e caneta para escrever.
Faz sete anos que n�o leio.
Tem que se agarrar no que pode neste momento, Mujica.
Tem que se agarrar no que tem em m�os.
Voc� � religioso? Acredita em Deus?
Que Deus faria isso?
O �nico que temos, infelizmente.
Me diga.
Se o Deus em que voc� acredita est� em sil�ncio,
e voc� diz que estou louco,
no que me agarro?
Voc� sabe que � a primeira mulher que vejo em muitos anos?
Faz anos que n�o vejo as estrelas.
Faz anos que n�o vejo a luz.
Ent�o voc� me fala em raz�o... Que raz�o?
Vou lhe contar uma hist�ria.
Quando eu tinha quinze anos,
vi minha m�e morrer de c�ncer.
Ent�o decidi ser m�dica.
Estudei, me formei.
Vi centenas, milhares de pacientes,
nesses vinte anos.
Mas, um dia, acordei e n�o queria vir trabalhar.
N�o conseguia sair de casa, nem sair da cama.
N�o queria falar com ningu�m.
E pensei, pensei, pensei...
Como voc�.
At� que me dei conta
de que, n�o importava o que eu fizesse,
minha m�e
continuaria morta.
Ent�o me levantei e voltei a trabalhar.
E estou aqui, fazendo o que posso.
Pedindo a voc� para que fa�a o que puder,
que se agarre no que puder.
Com licen�a.
Tudo pronto? Posso lev�-lo?
Sim.
Soldado, preciso que ele assine o diagn�stico.
Est� bem.
Vou achar algo para voc� ler e escrever.
Avante!
Sobreviva.
Falta pouco.
Vamos, Mujica.
Sim, pelo meu pa�s
Sim, pelo Uruguai
Sim, pelo progresso
E, sim, pela paz
1980 2.757 DIAS
Vamos votar
Sim, pela grandeza
Sim, pelo meu Uruguai
Acabadas as vota��es, com 20% dos votos contados,
o resultado � o seguinte:
39% para o "N�o",
61% para o "Sim".
Em Maldonado...
SOMOS O "SIM" OU O "N�O"?
N�O SEI
Seu cretino de merda!
Toma! Toma!
Filho da puta!
� vergonhoso, � uma derrota vergonhosa.
-E o que vai acontecer? -Qualquer coisa. � o fim.
Contra todas as previs�es,
com 80% dos votos contados,
se confirma a avassaladora derrota do "Sim".
O povo uruguaio disse um "n�o" em alto e bom som
ao projeto de lei proposto pelo governo,
que agora entrar� em per�odo de negocia��o
para uma poss�vel democracia.
Ol�, escurid�o
Ol�, escurid�o
Minha velha amiga
Ol�, escurid�o
Minha velha amiga
Vim falar com voc� De novo
Porque uma vis�o Suavemente rastejando
Deixou sua semente Enquanto eu dormia
E a vis�o que foi plantada
Na minha mente
Ainda est� aqui
Dentro do som do sil�ncio
E na luz nua eu vi
Dez mil pessoas Talvez mais
Pessoas falando sem dizer
Pessoas ouvindo sem escutar
Pessoas escrevendo m�sicas
Que as vozes n�o compartilhar�o
E ningu�m se atreveu
A perturbar o som
1981 3.053 DIAS
Do sil�ncio
1982 3.518 DIAS
"Loucos, loucos"
Falei eu:
"Voc�s n�o sabem
Que o sil�ncio cresce Como um c�ncer
Ou�am minhas palavras Porque a voc�s posso ensinar
Peguem meus bra�os Porque de voc�s posso me aproximar
1983 3.883 DIAS
Mas minhas palavras
Como chuva silenciosa caem
E ecoam no vazio do sil�ncio"
Doutor, quero um relat�rio detalhado da situa��o em que recebemos esse a�.
Todos para fora!
Rosencof.
De novo por aqui.
Sargento.
E sua namorada?
Parab�ns.
Obrigado.
Mas ela me cobra.
Me diz: "Quando �ramos namorados, voc� me escrevia. Agora, n�o."
Diga o que posso fazer por voc�.
E as pessoas se curvaram E rezaram
Ao Deus brilhante que criaram
E o sinal deu seu alerta
Nas palavras que se formavam
E o sinal disse: "As palavras dos profetas
Est�o escritas nas paredes Do metr�
E nos corredores das casas
E sussurradas Nos sons do sil�ncio"
Pepe!
Ruso, Ruso!
Estamos sozinhos!
Estamos sozinhos!
V� alguma coisa, �ato?
-Estamos indo para o sul. -O que est� vendo? Luzes?
E sussurradas
Nos sons do sil�ncio
E sussurradas Nos sons do sil�ncio
E sussurradas
1984 3.989 DIAS
Nos sons do sil�ncio
� o �ato!
�ato!
Ei, �ato!
Vamos, �ato!
�ato!
Grande �ato!
�ato!
Vamos, �ato!
Gol!
-Quem est� aqui, Tato? -Para que quer saber?
O Berreta est�?
Sim, est� no 4� andar.
E o Arriosa?
N�o, �ato. O Arriosa n�o est�.
E o Sanzo? O Sanzo est�?
N�o, �ato. O Sanzo tamb�m caiu.
N�o soubemos de mais nada.
E o Varela?
N�o sei. Est� desaparecido.
Eles o levaram. N�o fa�o ideia.
E o Medina? O Medina est�?
E o Lucho?
O Lucho est�?
1985 4.323 DIAS
Mujica, prepare-se.
Assine aqui.
A� diz que voc� recebeu um tratamento correto.
Isso n�o termina aqui.
N�o se iluda.
L� fora, vamos ach�-lo e ningu�m vai salvar voc�.
Ouviu? L� fora n�o h� responsabilidades pol�ticas.
Desejo tudo de bom a voc�.
�ato!
Vamos sair!
N�s vamos sair, �ato!
O que est� fazendo?
Por que continua lavando?
Para os pr�ximos.
Se eu fosse voc�, iria correndo.
BEM-VINDO, PAI
Vamos!
Pai!
Familiares de Jorge Ben�tez.
-Pai! -V�!
N�O NOS ESQUECEMOS DE VOC�S
Carlos Gonz�lez. Familiares de Carlos Gonz�lez.
Familiares de Roberto Hip�lito.
Familiares de Washington Gonz�lez.
Familiares de Marcelo Jim�nez.
-� meu pai? -N�o sei. J� vamos saber.
-Familiares de Gustavo Rodriguez. -� o papai. Me solte.
Papai!
Graciela!
Graciela!
�ato!
Jos� Mujica Cordano.
Familiares de Jos� Mujica Cordano.
AP�S 12 ANOS DE CONFINAMENTO SOLIT�RIO,
COM A VOLTA DA DEMOCRACIA,
OS PRESOS FORAM LIBERTADOS.
O povo unido jamais ser� vencido!
ELEUTERIO FERN�NDEZ HUIDOBRO FOI SENADOR E MINISTRO DA DEFESA.
MORREU TRABALHANDO, EM 5 DE AGOSTO DE 2016.
MAURICIO ROSENCOF MORA EM MONTEVID�U.
� ROMANCISTA, POETA E DRAMATURGO.
FOI DIRETOR DE CULTURA MUNICIPAL DE MONTEVID�U.
JOS� MUJICA FOI DEPUTADO E SENADOR.
AOS 75 ANOS, EM 2010,
FOI ELEITO PRESIDENTE DO URUGUAI.
Onde est� seu p�ssaro?
Diga, onde ele est�?
Meu p�ssaro � um sonho
E voou
Meu p�ssaro � um sonho
E voou
Pergunte se ele vai voltar
Voltar� Voltar�
Voltar�
E nunca ir� embora
Ele voa e permanece
Ele voa e permanece
� tudo um sonho
Um sonho
� tudo um sonho
BASEADO NO LIVRO "MEMORIAS DEL CALABOZO"
NOSSO AGRADECIMENTO ESPECIAL A JOS� MUJICA,
MAURICIO ROSENCOF E ELEUTERIO FERN�NDEZ HUIDOBRO
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