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Zulu
No sistema de justi�a criminal, crimes sexuais
s�o considerados especialmente hediondos.
Na cidade de Nova Iorque, os dedicados detetives
que investigam esses delitos b�rbaros
s�o membros do esquadr�o de elite
chamado Unidade de V�timas Especiais.
Estas s�o suas hist�rias.
"Sua m�o manchada se arremessou para frente,
pousando pesadamente sobre minha cabe�a."
"Tentar fugir ou resistir, agora � in�til."
"Lembrei a mim mesma de respirar."
"Para dentro, para fora, para dentro, para fora."
"A fuma�a do caminh�o que passava
galgou pela janela aberta do seu Toyota,
esgueirou-se pelas minhas narinas,
e deslizou at� meu es�fago como uma minhoca,
golpeando suas paredes em contra��es ritmadas."
"Empurrando, empurrando,
puxando, empurrando."
"Agora os calos nos dedos do William
arranharam minhas coxas em 20 lugares ao mesmo tempo."
"Agora h�lito ran�oso de cigarro engolfou minha l�ngua."
"Agora, seu dentes incisivos amarelados
beliscaram minhas orelhas e pesco�o."
"O kraken encurralou a barracuda,
e est� brincando com ela antes de devor�-la."
"A poeira se levantou e ascendeu,
formando uma aur�ola acima do estacionamento deserto."
"E por um curto e ilus�rio momento...
eu era Bobbi novamente."
"12 anos de idade...
e sozinho."
-Eu j� li, tipo, umas 3 vezes. -Obrigada.
Eu n�o sei como conseguiu, mas est� cada vez melhor.
Bem, continuem lendo.
A quarta vez sempre � a melhor.
Teve uma vida t�o dif�cil, Bobbi.
Bem, � a �nica vida que conheci.
Ler o livro � uma coisa.
Mas ouvir voc� lendo �... � algo emp�rico.
Como voc� a encontrou, Walter?
Acredite se quiser, ela que me encontrou.
Nossa, que inveja.
Bobbi, acha que seu trabalho vai virar tend�ncia?
Gosto de ser peixinho pequeno.
Avan�os liter�rios sempre v�m de editoras menores,
como a Pitch Dark Press.
Somos alternativos e com orgulho.
J� come�ou seu pr�ximo livro?
Ela sempre tem novos projetos. Nem pergunte.
-Nem para mim ela conta. -Vou buscar outra bebida.
-Ela � extraordin�ria. -Sim, com certeza.
Este � bem ruim, Sonny.
-N�o s�o todos? -O que temos?
Uma leitura de livro na loja,
seguida por um coquetel para aut�grafos.
A autora, Bobbi O'Rourke, veio aqui para fora
com uma ta�a de vinho para fumar um cigarro.
E a� bum! Uma tijolada na cabe�a.
Mais de uma vez.
Liv!
-Ela foi estuprada? -Parece que n�o.
Mas ent�o por que estamos aqui, T�?
Ela n�o � "ela", n�o fisicamente, pelo menos.
Podemos estar lidando com um crime de �dio.
Law and Order: SVU 20x10 Alta Kockers
Equipe Queens Of The Lab -Diabolicamente Majestosas-
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King: Salom�o
King: TatuW
Queen: Carrolpatty
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Bom em ingl�s? Quer legendar conosco?
Inscreva-se no site www.queensofthelab.ga
Pegamos as digitais do tijolo,
mas elas n�o est�o no sistema.
O documento de Bobbi � da Carolina do Norte.
Ele tem 16 anos.
-Procurou sua fam�lia? -Tentei, mas o endere�o � falso.
Certo, ent�o se o livro fala a verdade,
ele fugiu com 13 anos,
e se prostituiu em paradas de caminh�es
at� chegar em Nova Iorque.
E ser transg�nero j� n�o � dif�cil?
Mas Bobbi n�o � transg�nero. O Robbie percebeu
que ele rendia mais como uma adolescente.
E quando chegou aqui?
Era como se sustentava at� o livro sair, acho.
Liv, achei uma coisa.
O v�deo da festa na livraria.
Parece que o Bobbi era o queridinho das elites.
Aqui est�.
� o 3� dele, se est� contando.
Fica olhando esse cara.
Bobbi est� indo l� para tr�s.
E ele tamb�m.
Pode ser nosso cara.
Verifiquem com a livraria se algu�m tem o nome dele.
� uma trag�dia.
Bobbie se tornaria um dos grandes.
Hunter S. Thompson. William S. Burroughs.
O mundo como ele �, n�o como deveria ser.
Eu... Desculpem-me.
Responde-me, como isso de leitura funciona?
Pessoas compram ingressos?
Era uma lista pequena.
E a� por ordem de chegada.
Precisaremos dessa lista.
Fale com o editor de Bobbi para isso.
Pitch Dark Press.
Pitch Dark Press, certo.
Obrigado.
PITCH DARK PRESS SEGUNDA-FEIRA, 19 DE NOVEMBRO
Foi a primeira vez que algu�m o viu.
-Isso vende mais livros? -Com certeza.
Mas os leitores eram fascinados pela hist�ria dele.
Estavam ansiosos para v�-lo.
Fascinados por uma prostituta infantil?
Por um ser capaz de viver duas vidas.
Ele n�o me deixava nem por sua foto na capa do livro.
Por que era t�mido?
Quem entende esses caras?
Thomas Pynchon. J.D. Salinger.
Separar a arte do artista.
Isso foi enviado anonimamente.
Li a primeira p�gina,
e n�o parei at� alcan�ar a 287.
Era perfeito.
O autor deixou de fora seu nome,
endere�o e telefone.
-Foi por engano? -N�o, n�o.
Intencionalmente.
Recebi uma liga��o alguns dias depois,
e essa t�mida e hesitante voz
mudou minha vida para sempre.
As coisas que ele sobreviveu,
mesmo o livro o tirando das ruas,
eu ainda passava pela 12� avenida a caminho de casa
para ter certeza de que ele n�o estava em alguma esquina.
Esse � o animal que o matou?
Pode ser. Conhece-o?
Nunca o vi antes.
Precisaremos da lista de convidados dessa leitura.
Tudo bem.
E o endere�o de Bobbi.
Nisso n�o posso ajudar.
Para onde enviava os pagamentos?
N�o envi�vamos.
Eram dep�sitos diretos em sua conta no Metro.
O garoto � um fantasma.
At� ontem, ningu�m o conhecia, s� seu editor.
Seu endere�o de casa era de um banco na rua 92 Y.
E ningu�m l� reconheceu Bobbi ou o cara do v�deo.
Vamos voltar ao b�sico.
Por que algu�m ia querer o Bobbi morto?
Poderia ser dinheiro. Ele tinha meio milh�o em sua conta.
Isso � livro para caramba.
Ele vendeu os direitos para Hollywood.
Ci�mes. Outro escritor fica bravo com seu sucesso.
-Para matar? -Normal Mailer
mataria Gore Vidal por princ�pios.
Com todo respeito, professor,
eu vou com g�nero.
A fama e fortuna do garoto veio toda por isso.
Talvez eu tenha algo.
Algu�m postou a leitura do Bobbi na livraria.
� de partir o cora��o.
Vejam.
Minha l�ngua.
Agora, seus incisivos amarelos...
Esse � o nosso cara, certo?
E vejam.
Vejam o que tem no ch�o, perto da cadeira.
Ele comprou o livro "Absalom, Absalom!".
Usou cart�o de cr�dito.
Seu nome � William Glover, e vive em Forest Hills.
CASA DE WILLIAM GLOVER SEGUNDA-FEIRA, 19 DE DEZEMBRO
William Glover.
Um momento.
Temos que fazer isso aqui?
Podemos ir para a delegacia, entender tudo.
Hora de tomar banho para o jantar.
Oi, m�e.
Tem uma perna toda de cordeiro se seus amigos quiserem ficar.
Talvez deva comer sem mim.
-Vamos. -Eu te amo.
O que acontece agora?
Voc� nega que matou Bobbi O'Rourke,
e eu fico brava, talvez grite um pouco.
Eu o amea�o, mas a� Tenente Benson
convence voc� de que confessar ser�
o melhor para todo mundo.
Eu o matei.
Por que o matou, William?
Prefiro Will.
Por que n�o nos diz o que aconteceu?
Eu levei um tijolo e o acertei...
Eu sei disso.
Queremos saber por qu�?
Acham que sou gay.
N�o me importo.
N�o sou, sabe. Tenho uma esposa.
-Duas lindas crian�as. -Certo.
Eu vi a foto dela em um folheto,
-no metr�. -Bobbi O'Rourke?
N�o sei quem � Bobbi O'Rourke.
A garota do folheto.
-Ela disse que se chamava Tammy. -Quando disse isso?
Quando a conheci h� 3 semanas.
Peguei-a perto de um estacionamento
h� um bloco do meu escrit�rio.
Ent�o, Will,
porque n�o nos conta o que aconteceu?
Ela teve problemas para abrir meu z�per.
O cabelo dela era t�o macio,
sedoso, como as asas de uma borboleta,
a boca dela, quente e �mida.
Ela queria s� US$50.
Disse que US$25 eram do chefe dela.
E voc� n�o sabia que ele tinha escrito um livro?
N�o at� ver o panfleto no trem C.
Ela mentiu para mim.
Foi por isso que o matou?
Eu n�o sou gay, Tenente!
Escolhe um.
Para qu�?
N�o sei. Porque est� com fome, talvez.
-Glover conseguiu advogado? -Ele est� com o Stone.
Acho que v�o negociar um acordo,
homic�dio doloso, sem crime de �dio.
Tenente, Bobbi ganhou muito com esse livro.
Por que ele voltaria para as ruas?
Ele faz isso h� muito tempo.
� tudo o que ele sabe. N�o sabe como parar.
Ou algu�m o estava for�ando a continuar.
Tenente, aquele editor...
disse que passou na 12� Avenida procurando pelo Bobbi,
para n�o voltar � antiga vida.
N�o o viu, mas de alguma forma, Glover o achou l�?
V�rias vezes nas �ltimas 3 semanas?
Est� dizendo que o editor est� mentindo?
Bobbi era uma crian�a.
Ele poderia estar cafetinando.
THE HONEY WELL TER�A, 20 DE NOVEMBRO
Detetive Carisi, acharam quem matou Bobbi?
-Sim, encontramos. -Isso � �timo.
Quer que eu testemunhe?
N�o vamos nos adiantar.
Eu s� gostaria de esclarecer algo.
Voc� me disse
que passava pela 12� Avenida procurando o Bobbi.
Eu me importava com o garoto.
-Queria mant�-lo a salvo. -Claro que sim.
O problema � que quem o matou
saiu com Bobbi v�rias vezes nas �ltimas semanas.
Sabe onde o encontrou?
Na 12� Avenida.
Tudo bem, eu menti.
Eu nunca conheci o Bobbi.
-Quem estava na leitura? -Taffy, Teddy, Tammy...
ou seja l� qual fosse o nome.
Tudo isso era golpe?
N�o, n�o, n�o. Bobbi O'Rourke � real.
Todo o mist�rio foi ideia dele.
Funcionou at� vendermos os direitos para Hollywood.
E esses produtores insistirem que ele mostrasse o rosto,
s� que eu n�o tinha um rosto.
Ent�o voc� criou.
Encontrei a Tammy nas ruas.
Comprei um documento falso.
Tudo o que ele tinha que fazer era ler umas p�ginas.
Paga a ele US$500 e ele gastou em Oxi.
N�o sabia que algu�m iria se machucar.
Voc� estava errado sobre isso.
Estou preso?
Eu informo voc� sobre isso.
Se n�o fosse esse golpe, esse garoto estaria vivo.
Tente convencer o Stone
de que essa foi a causa.
Tudo bem. Ent�o acusamos de fraude.
Por enganar algumas pessoas em uma leitura de livro?
Carisi. Eu tamb�m n�o gosto disso,
mas at� que mudemos as leis em Albany,
n�o h� nada para se fazer.
O livro est� cheio de sexo
entre Bobbi e diversos homens adultos,
e todos podem ser acusados de estupro.
Fin, tenho certeza que Bobbi n�o usou nome reais.
E se pud�ssemos encontr�-lo?
Sem chances dele mostrar a cara agora.
Bobbi fez algumas transa��es online,
pedi para a TARU rastrear o IP.
RUA 150, N� 413 TER�A, 20 DE NOVEMBRO
Isso n�o � o que eu esperava.
Ele deve alugar um quarto.
DPNI.
O que eles fizeram?
-Conhece quem mora aqui? -Na verdade n�o.
Tentei convid�-los para uma reuni�o
h� 6 meses.
Toquei a campainha. A m�sica parou.
Voc� j� os viu?
As luzes acendem a noite, apagam pela manh�.
Vejo entregas o tempo todo na porta,
mas nunca vi ningu�m levando-as para dentro.
Conhe�o quase todos do quarteir�o.
Tipo, � Nova Iorque, as pessoas podem ser estranhas.
Com certeza podem. Obrigado.
Aqui � o Sargento Tutuola, UVE.
Preciso de uma equipe e um mandado.
Bobbi O'Rourke, pol�cia!
-Prendemos o garoto? -N�o, Montero. Ele � a v�tima.
Ele pode ser prisioneiro aqui.
Fred e Rose Edelman.
Certo, voc�s olhem por aqui.
Eddie, aqui embaixo.
Bobbi O'Rourke! DPNI!
Fin!
Carisi.
Voc� est� bem?
Sim, temos sangue seco aqui no canto.
-M�os na cabe�a! -O que � isso?
Coloque as m�os na cabe�a!
-As m�os! -Sejam quem forem,
esta � minha casa, e eu n�o gosto disso.
Onde ele est�?
-Quem? -Bobbi O'Rourke.
Bobbi O'Rourke?
O gar�om que trabalha no Molly Malone?
Ele morreu h� uns 50 anos.
Eu fui � droga do funeral.
Voc�!
Parado a� mesmo!
Coloque as m�os na cabe�a.
O que foi que voc� fez agora?
-Venha aqui. -Foi ele.
Voc�s podem prend�-lo.
-Sabemos que ele est� aqui. -Quem?
Bobbi O'Rourke.
Bobbi morreu em 1975.
1972!
Ignore meu irm�o, policial. Ele � um idiota.
Os dois ir�o para a delegacia.
Eu n�o entro no carro com ele,
n�o nesta vida.
Espere. Esse � seu irm�o?
Pergunte. Pergunte em quem ele votou!
N�o estou interessado.
Ele votou em Gerald Ford!
Eu n�o vou com ele!
V� voc� com ele! Eu n�o vou.
-Feh! -Perd�o?
Por que eu deveria?
Porque sou uma policial.
-E isso deveria me assustar? -N�o, n�o.
N�o � isso, sr. Edelman.
Sim. Bom, porque n�o podem.
Voc�s n�o s�o nada perto dos nazistas de Nixon.
Certo, que tal s� responder a pergunta
e pode ir para casa... sem problema algum.
E qual � a pergunta?
S� queremos saber o que houve com Bobbi O'Rourke.
Diabetes.
-N�o Bobbi, o gar�om... -Eu sei, eu sei.
-Bobbi, o escritor? -Sim.
Eu nem o conhe�o.
Nunca tinha ouvido falar dele.
Rastreamos o endere�o de IP dele at� seu pr�dio.
-IP? -Isso.
O que � um IP?
Esses computadores...
podem dizer onde a pessoa est�?
Sim, eu tamb�m n�o entendo. Mas, � bem legal.
E esse garoto, o Bobbi...
Ele se vestia de mulher.
Uma bicha.
Sim, mas n�o � bom usar essa palavra mais.
Por que n�o?
Porque machuca as pessoas.
� s� uma palavra.
Mas pode machucar mais do que uma arma.
Quem?
As pessoas a quem incomodam.
Bom, ent�o todos deveriam dizer, a� ningu�m se machucaria.
Certo. Falando em se machucar, e o Bobbi?
Suas garotas j� perguntaram.
N�o sei nada sobre esse tal de sr. O'Rourke.
E o seu irm�o Joe?
Ele � um filho da m�e.
� poss�vel que Joe tenha escondido Bobbi na casa?
Ele � um imbecil, n�o uma bicha.
Claro, o Ben. Por que n�o?
Eu n�o descartaria aquele vagabundo.
Acha que Ben machucaria o Bobbi?
Machucar?
O que acha que ele fez com a Cherise?
Quem � Cherise?
A negra.
Isso... isso � inaceit�vel, certo?
Negros s�o inaceit�veis?
Com licen�a.
Seus pais est�o registrados como sendo os donos da casa.
Papai faleceu em 1969,
mam�e em 1973.
Sinto em saber disso.
Eles eram bons pais, que descansem em paz.
Joe n�o saiu da casa desde ent�o.
E voc�?
Eu deveria deixar que ele ficasse com tudo?
Sim, ela vem todas as quintas e sextas.
-Cherise. -Para fazer limpeza?
Ela faz sopa tamb�m, sabe. Sopa horr�vel.
Eu nunca acreditei nisso, mas o imbecil do meu irm�o...
sempre achou que ela estava roubando.
-Roubando o qu�? -O maluco do meu irm�o
deixa moedas pela casa toda.
De repente, uma some.
"Ela � uma ladra!"
E ele a demite.
Isso. Foi em 1975.
Se aconteceu algo �quele garoto,
foi o Joe, tem que ter sido.
Homem ca�do. Montero!
Montero!
Mailey! Rodriguez!
Voc� est� bem?
Vamos. Tire isto de cima de mim.
Ajude-me! R�pido.
-Chamo os param�dicos? -N�o precisa.
Isso era uma armadilha, certo? Tem algo l� atr�s.
-Vamos. -Fique alerta, detetive.
Esse � o livro do garoto, n�o �?
Este parece o pr�ximo.
Ent�o sabemos que Bobbi esteve a�.
Qual a �ltima vez que abriram o documento?
H� dois dias. O hemograma est� pronto?
Ainda n�o. Continue procurando, certo?
-Bobbi deve estar escondido l� -Se tiver sorte.
-Continue procurando. -Tudo bem.
Certo, entendido.
Obrigado. Fique com o 4� andar. Eu fico com o por�o.
Sabe o que eu queria?
Um sandu�che de carne do Carnigie Deli.
O lugar fechou h� dois anos.
E ningu�m me contou do shiv�.
Levante-se. Voc� vem comigo.
-Vai me levar para casa? -Ainda n�o.
Vamos.
-Tatellah. -Sim.
Bobbi O'Rourke esteve em sua casa h� dois dias.
E pelo que sabemos, ningu�m o viu desde.
-Sim, incluindo eu. -Mentiroso.
Sou mentiroso? Conte sobre Izzie Berkowitz.
-Quem � Izzie Berkowitz? -Ela roubou dele no baralho.
O ver�o inteiro em Kutsher. Tirou US$ 30 desse garoto.
Foi em 1948 e ele ainda fala a respeito.
A quest�o era car�ter e voc� n�o tem nenhum.
-N�o ficarei ouvindo ele! -Sim, voc� vai.
Ficar� aqui at� voc� e seu irm�o
contar-nos o que aconteceu com Bobbi O'Rourke.
Entendeu isso?
Bobbi?
Jesus.
Os resultados dos exames chegaram.
O DNA no manuscrito
combina com o laptop e o sangue no ch�o.
Bem, a� est�.
Vamos vasculhar sua casa
de cima a baixo e vamos encontr�-lo.
-Encontrar o qu�? Quem? -Chega.
Os dois est�o presos. Coloque-os na cela.
Espero. Fui eu.
-Voc� matou Bobbi? -N�o existe um Bobbi.
Chame o advogado deles, se quiserem, eu cansei.
Espere! O livro...
Eu o escrevi.
-O qu�? Escreveu um livro? -Tive que fazer algo.
Quem voc� acha que pagava o mercado?
O IPTU?
-Ele � maluco. Ele � maluco. -E voc� n�o.
-O dinheiro da m�e pagava... -O dinheiro acabar� em 6 meses.
Voc� n�o pensa no futuro.
Eu penso. Eu penso em tudo.
Espere um minuto.
Se voc� n�o saiu de casa desde 1973,
como conseguiu um computador para escrever?
O qu�? Voc� tem um computador?
N�o, desenhei hier�glifos na merda da parede.
Ben. Foco.
Dei ao Carlos,
o garoto que entrega comida da Deli,
US$ 100 para comprar e arrumar a coisa toda.
Ben, conte-me sobre o sangue no ch�o.
Eu me cortei
ao levar a m�quina de costura da m�e para o por�o.
Como se voc� fosse ajudar.
Pisei em um peda�o de vidro.
Pode testar meu sangue se quiser.
Por que acha que Bobbi nunca apareceu?
O barman do Molly Malone.
Disso voc� se lembra.
Foi da� que tirei o nome do meu her�i.
A verdade �,
que n�o matamos Bobbi O'Rourke.
Voc�s mataram.
O legista, finalmente, descongelou Rosa Edelman.
Ela tinha tumores malignos nos dois pulm�es.
� uma maneira dolorosa de morrer.
N�o foi o c�ncer que a matou. Foi asfixia.
Eles estrangularam a m�e?
N�o havia les�o no pesco�o. Acham que um travesseiro
foi colocado na boca e no nariz. Ela mal podia respirar.
N�o precisaria de muito esfor�o.
Voc� leu isto, certo?
O suficiente para pegar a ideia geral.
"Imediatamente,
eu me senti miser�vel e pequeno,
impressionado e chocado que este homem,
20 anos mais velho que eu, poderia ter prazer
no meu corpo de 12 anos
para entregar US$ 50 do sal�rio suado dele.
O que ele estava sentindo? O que ele estava pensando?
Ele me amava ou me odiava?
Eu o amava ou o odiava?"
Amanda, n�o posso dizer quantas vezes na minha carreira
eu escutei exatamente a mesma coisa
de sobreviventes de abuso sexual infantil.
S� que vindo de um acumulador de 73 anos...
Que � completamente rejeitado e alienado da sociedade.
Acha que abusaram dele?
Se abusaram,
acho que ele merece encerramento.
-Vou com voc�. -Amanda?
Sim? Qual �, havia duas crian�as na casa.
A maldita mesa est� me enlouquecendo, Liv.
ILHA RIKERS SEGUNDA-FEIRA, 26 DE NOVEMBRO
Uma vez, em Atlantic Beach,
Joe e eu,
eu deveria ter uns 10 anos, ele deveria ter uns 12 anos.
Est�vamos pegando ondas
o que pareceu por horas.
Mam�e estava na praia, lendo um livro.
Ela amava livros.
Bem, talvez tenha sido dela que conseguiu seu talento.
Nadamos at� onde as ondas quebravam
e peg�vamos elas
para ver quem chegava mais perto da costa,
sem parar,
at� n�o ter mais ondas.
Tentamos nadar, mas a correnteza...
N�o importava o quanto tent�ssemos,
acab�vamos terminando cada vez mais longe da costa.
Achamos que ir�amos morrer, Joe e eu.
Ele colocou os bra�os ao meu redor.
E de repente, o salva-vidas nos viu,
assoprou o apito, levantou da cadeira
e nadou em nossa dire��o.
E quando eu percebi,
estava de cara para a areia na praia,
regurgitando �gua salgada, em cada tossida.
Voc� certamente deve para aquele salva-vidas.
N�o, n�o. Eu devo � minha mam�e.
Ela ganhou do salva-vidas at� n�s
e nos manteve boiando at� ele chegar.
Ela parece uma mulher maravilhosa.
Os pintos sempre se acham mais espertos que a galinha.
N�o vou confessar algo que n�o fiz, tenente.
E que tal algo que seu irm�o fez?
Eu realmente n�o sei. Ter� que perguntar a ele.
Voc� tem um marido?
De certa maneira.
Que resposta � essa? � sim ou n�o.
N�o, mas...
Mas tem algu�m especial.
�, at� ele se casar com voc�, n�o quero saber.
Certo, Joe, te mantenho informado, que tal?
E voc�, Joe?
-Nunca quis uma esposa? -N�o... eu? N�o.
Sou muito ocupado.
�? Muito ocupado, certo.
Porque voc� � muito bonito.
Teria sido um bom partido para alguma garota de sorte.
Voc� se juntou com algu�m como aqueles hipongas?
Sim, eu me juntei...
Hipon... acho que � hippies.
Eles se foram h� muito tempo.
Ele j� confessou?
Seu irm�o.
Quem mais?
Ele fraco, esse garoto.
Precisa que o proteja?
Com certeza.
E �s vezes...
O qu�, Joe?
�s vezes � dif�cil ser o irm�o mais velho.
Na verdade, Ben, eu...
n�o vim aqui para falar da sua m�e.
Quer falar sobre o qu�?
Quero falar sobre seu livro.
Foi...
Foi poderoso.
-Voc� leu? -Li.
E foi...
t�o real.
E na verdade, eu...
n�o entendo como poderia ter escrito isso
sem...
Eu...
n�o quero falar sobre isso.
Sei que dever ter sido dif�cil.
N�o sabe de nada.
N�o, Ben.
Sei que qualquer um
que poderia ter escrito um livro como "Barracuda Azul"
certamente sobreviveu a alguma coisa.
Voc� escreveu aquele livro
para dizer ao mundo
o qu�o devastador, qu�o horr�vel foi.
Escrevi o livro porque precis�vamos do dinheiro.
E estava envergonhado.
Por isso n�o usou seu verdadeiro nome no livro.
Imagino o que deve ter sentido...
�dio, raiva, nojo.
Mas vergonha...
a vergonha n�o est� em voc�, Ben.
N�o foi culpa sua.
Quem fez isso com voc�? Quem te machucou?
Depois da escola, �amos a esse centro de jogos.
Havia um conselheiro l�, Vincent.
Ele tinha uns 20 anos.
Ensinou-me a pegar bolas rasteiras.
Ele fez algo ao Ben?
N�o, eu n�o deixava.
Que tipo de irm�o eu seria?
-Ele te machucou? -Eu s� tinha 12 anos, caramba.
Que tipo de pessoa...
Havia um cara chamado Vincent.
Ele estava sempre por perto.
E...
na primeira vez
foi no vesti�rio quando ningu�m estava l�.
Ele disse...
"Isso � o que os meninos grandes fazem."
N�o conte a ele. N�o conte ao meu irm�o.
Alguma vez contou a algu�m, Ben?
A quem contaria?
Seu irm�o.
Ele teria rido de mim.
Eu era o irm�o mais velho.
Deveria proteg�-lo. Como poderia contar sobre...
Seu pai?
Ele ficava bravo comigo se n�o tirasse 10 na prova.
Sempre dizia "A culpa � sua".
Sua m�e?
Claro que n�o.
Por qu�?
Ela pensaria que eu era sujo.
N�o me amaria mais.
Os dois foram abusados quando crian�as, Peter.
E claro, n�o falaram nada at� serem acusados
-de matar a m�e. -Acredito neles.
Tentarei excluir do julgamento.
N�o ser� preciso. Eles n�o admitir�o.
N�o admitem um ao outro.
-Ent�o � isso. -O relat�rio do legista
disse que o c�ncer da Rose lhe causava uma dor intoler�vel.
N�s dois sabemos que isso n�o importa.
Fa�a um acordo.
Fiz um com o advogados deles.
1 ano na cadeia. 10 anos de liberdade condicional.
Isso � generoso.
Eles recusaram.
Eles s�o r�us simp�ticos.
At� o j�ri ouvir que mantiveram o corpo da m�e no gelo
no por�o.
SUPREMA CORTE QUINTA-FEIRA, 29 DE NOVEMBRO
No final das contas, este � um julgamento sobre amor,
o amor de dois garotos por sua m�e.
Sabe, sempre me pareceu estranho.
A lei diz
que uma m�e deve cuidar dos filhos quando pequenos.
Voc� pensaria que haveria uma lei que diz
que eles devem cuidar dela quando envelhece...
ou fica doente.
Rose Edelman ficou doente, muito doente.
O m�dico disse que ela tinha 6 meses de vida.
E ent�o ela morreu.
Agora, o sr. Stone vir� aqui e dir� a voc�s
que os filhos dela a mataram...
seus dois amados filhos.
Os garotos que cozinharam para ela, que a banharam,
deram a ela os rem�dios.
Os garotos que a amavam tanto que quando ela morreu,
n�o podiam suportar v�-la enterrada h� 6 palmos
no Queens, uma via para a entrada dos vermes
ou ainda pior,
torrada em um forno flamejante.
E o que sobrasse dela mantido numa jarra ou urna
na sala de estar.
Joe e Ben a amavam muito a m�e deles
que a mantiveram com estava
e onde a queriam,
na sua casa.
Se algu�m me perguntasse, isso � amor.
Chame sua primeira testemunha, sr. Stone.
N�o.
N�o, j� basta.
-Sr. Edelman... -N�o, ju�za.
Sr. Edelman, sente-se.
N�o.
N�o, ju�za.
Fui eu.
Eu matei minha m�e.
Fui eu.
Ben n�o teve nada a ver com isso.
Fui eu
e eu sinto muito.
Sinto muito, mam�e.
Muito...
Preciso de uma ambul�ncia na Parte 29 da Suprema Corte.
Aqui.
Segure-o. Segure-o em p�.
Seu idiota filho da puta!
Sempre o m�rtir.
Olha o que voc� fez.
Seu imbecil!
-Coron�ria maci�a. -Um imbecil.
T�o imbecil.
Voc� � t�o imbecil,
sempre roubando a cena.
Est�pido! Est�pido!
Ben, seu irm�o ainda est� te protegendo.
Mas quem sobrou para eu proteger?
Ningu�m!
O qu�?
-Doutor? -Saiam.
Vamos. Deixe-os trabalhar.
N�o, o que est� acontecendo? O qu�?
Conte-me! Quero saber o que �.
-Deixe-os trabalhar. -O que est� havendo?
Vamos dar espa�o a eles.
Sinto muito.
-Posso... -Claro.
Vou retirar as acusa��es do Ben.
Tudo bem.
Obrigada.
O nome dele era Vincent
do Centro.
Sei que devia ter contado.
Mas eu simplesmente n�o tinha for�as.
Mas me lembro como se fosse hoje
como sua m�o manchada se arremessou para frente,
pousando pesadamente sobre minha cabe�a."
Sair ou...
resistir era in�til.
S� me lembrei
de respirar.
Para dentro, para fora,
para dentro, para fora.
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