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Elsa? Elsa?
Elsa... Bom dia, querida.
São 9h30, meu anjo.
9h30.
9h30?
Puta merda!
Pai!
Estou atrasada pra trabalhar!
Mas por que o celular não tocou?
- Ah, é... - Deixou a porta da frente aberta.
- A noite foi boa, então? - Não, horrível.
Que horas vem o primeiro paciente?
- Cinco minutos atrás. - Quê?
CRIATIVIDADE
Perdão, é a minha filha. Está morando comigo.
Bom dia.
Não...
- Elsa! - Sim?
Aqui, tome.
Merda! Que saco!
Cansei de viver de caixas!
Licença, desculpa!
Não!
Oi, Victor! Oi.
- Oi, Chantal. - Seis anos?
Sim, entendo. Sim.
Alojamento social requere uma papelada,
mas você tem a opção...
Alô?
Oi, você. Oi.
E essa cara?
- Me conte tudo. - Não posso.
- Apaguei tudo. - É?
Foi uma noite daquelas, então.
Preciso chamar meu celular.
Hora do cuzão da RP?
- E? Sente-se melhor? - Quê?
23h05. "Oi Max, onde você está? Já saiu da festa?"
- Te mandei mensagem? - 23h10. "Foi embora com a puta da Gaia."
23h12.
"Desculpa, não puta, ela deve ser legal."
23h13. "Tirando que é uma vaca"
que roubou meu homem. Tchau."
Tem certeza de que fui eu?
23h18.
"Vá se chupar amanhã."
Não!
Não, autocorretor idiota!
TE CHUPO AMANHÃ
- Confiscado! - Eu estava digitando!
- Estava mandando mensagem pro Max? - Sim, mas era sobre trabalho.
Tem que parar com isso.
- Mas por que não está aqui? - Pra evitar isso.
- Foi embora antes de você chegar. - Quê?
- Vem, vamos dançar! - Ele esteve aqui?
Vamos dançar! E pare de beber.
Ali. Olhando para você.
Não...
- Ele está te olhando! - Besteira!
Estou grávida, então exceto tarados e ginecologistas...
Está vindo. Sorria.
Não, não sorria.
Oi.
Oi.
- Como vai? - Bem.
Tarado!
- Para! - Gineco...
- Tarado! - Não, não é isso!
- Tarado! Saia daqui! - Pare! Não!
Vá embora!
Uma vez na vida...
- O que ele queria? - Hã? Nada.
Matthieu! Rei do choux!
- Como vai? - Bem!
- Estão se divertindo? - Sim!
Viva choux francês em Paris!
Viva a França!
Viva a nós!
Vamos dançar?
Está aproveitando o open bar.
Não consegue superar o Max.
Quando descobrir que ele vai se casar e que você será o padrinho...
Então, Milou, vamos?
- Preciso estar no hospital em cinco horas. - Chamarei um táxi.
Você tem cada turno de merda...
Não posso. Não posso ir embora agora.
Estou de babá.
- Ok, não volte muito tarde. - Ok.
Bebidas!
Teve mais algo? Preciso ligar para a Charlotte.
Digo, para o celular que roubou de mim.
Digo, não roubou, que seja.
Elsa...
é uma garota incrível.
É inteligente,
é bonita.
Mas dá muito trabalho.
Sério, tem que parar. Tenho sido compreensivo.
- Gaia também. - Não!
Elsa!
Elsa, nos amamos o suficiente para não estragarmos tudo, não foi?
Tenha um bom dia.
"Vá se chupar amanhã"?
Deve se amar tanto que deve ter tentado.
Não quero beber nunca mais.
Porra, estou fora de controle.
- Quer um pouco de ar fresco? - Estou bem.
Desculpa, meninas.
- Estraguei a noite toda. - Está brincando?
- Só queremos que seja feliz. - É...
Quando foi que você transou?
- Não sei direito o tempo... - 25 meses atrás.
Vai saber, já deve ter se fechado. Eca!
- Quê? - É, é como quando fura as orelhas.
Se perde o brinco, o furo fecha!
Está presa na marca do pinto do Maxime! Tem que se libertar!
Está presa na frequência dele, é ciência!
OK, óptima análise. Obrigada, Dra. Vagina.
Estamos em 2018. Não precisa de homem para se controlar.
Não precisa ser homem. Só um pinto regularmente na vagina.
- Besteira! - É verdade!
- Tem outras coisas que trazem felicidade. - É?
- Viagem, amigos, trabalho... - Sexo.
Não, mas...
Não quero um macho só para ter por perto.
Quero algo real.
Algo extraordinário...
como era com Maxime.
- Não. - Sim!
- Não. - Sim!
Eu amo vocês.
Também te amamos.
Tenho que acordar em três horas...
Boa noite!
Coitada. É tão insegura que não acredita em nada.
Deve ter um jeito de ajudarmos.
Até pagaria por isso!
Vamos, Charlotte, atenda. É, Charlotte, atenda.
Ora, ora, Moules-Frites. Gosta de kebabs!
Gosta, sim, que nem a mamãe!
Vem, hora de ir pra casa.
Vamos! Ei, acorde. Não tem trabalho hoje, Sr. Choux?
- Hã? Quê? - Não tem trabalho?
- Sim... - Então?
Que horas são?
O que é que está vibrando desse jeito?
Elsa. Não para de ligar.
Por que não atende?
Transar 2 vezes não quer dizer que vou te ouvir.
Ah, é? E que tal três vezes? Não haverá uma terceira vez.
Mora em Londres, e é melhor amigo do meu irmão.
Oi!
Porra. Falando no diabo. Sair daqui não será fácil.
Espere até que ele durma, ou vá pelo telhado.
- Pelo telhado? - É!
Como entrou ontem?
Vamos.
De volta ao modo oculto.
- Como foi ontem à noite? - Ótimo!
Vou à ioga para conseguir lugar.
Licença-maternidade é óptima.
- Darei duro pelos dois. - Sim. E pelos dois também, não?
Te imprimi uma nova lista. Durma bem. Beijos!
Beijos!
Arrumar a cozinha, tirar o pó...
desinfetar a escova de banheiro?
Ela está aninhando, que ótimo.
Ela é incrível, está tudo bem, teremos um bebê. Em dois meses, tudo voltará ao normal.
Vamos cara, seja forte!
Oi, pessoal, cheguei!
Oi, chefe!
Tudo certo, venha.
Venha, rápido!
Depressa! Alô?
Alô?
Posso falar com Charlotte, por favor?
- Charlotte? - Sim.
A garota com que passou a noite, pelo jeito.
Não sei de quem está falando. Estava sozinho.
Se não foi para casa com ela, como está com meu celular?
- Você o roubou? Cuzão! - Ei!
Não roubei, achei.
Sim, achou. Na bolsa da Charlotte.
Não, no bar da festa.
Porra. Filho da puta.
Bom, hã...
Desculpa.
Onde você está? Posso ir pegar?
Posso te entregar também.
Ficaria feliz em vê-la de novo.
- Já nos vimos antes? - Eu te vi.
Fui atrás de você, mas...
entrou em um Uber com suas amigas. E como sabe qual delas eu sou?
As outras tiravam fotos suas enquanto vomitava pela janela.
Não. Não estava vomitando. Estava tomando ar fresco.
Estava linda. Onde trabalha? Posso te entregar o celular.
- Sim! - Prefeitura.
- Prefeitura. 18h? - 18h. Ok.
Carrossel.
- Perto do carrossel? - Perfeito.
- Até mais. - Até mais.
Puta merda!
Talvez seja ele.
Até parece!
Caras que flertam no telefone como ele são feios.
Senão, não precisariam de telefone.
Eu me conheço. Oi.
Oi.
Aqui. Intacto.
Obrigada.
- E desculpa por mais cedo, no telefone. - Não se preocupe.
Me chamo Jules. Jules Dupont.
É um pseudônimo?
Perdão.
Elsa.
Elsa Elsa. Elsa Elsa?
Ok.
- Então, trabalha na prefeitura? - É, por isso que...
- Legal. - É, legal.
Bom, obrigada, eu...
- Eu já vou. - Não teria um minuto para...
dar uma volta no carrossel?
Quer que eu vomite de novo?
Prazer em conhecê-lo, Jules Dupont.
Até, jacaré. Assim espero.
"Até, jacaré"?
- É. - Quem fala assim? -Bom, ninguém. - Acha que é comediante?
Não...
- Nem tem uma resposta. - Não...
Como vai?
Desculpa, meninas, fui parada.
- Quase perdi a carta. - Como foi que escapou?
- Não quero saber. - Relaxa!
Só porque transo, não quer dizer que sou uma puta.
Agradeceu ao Matthieu pelo trabalho na festa?
Sim. Sabe, às vezes, entre melhores amigos...
- Que cara é essa? - Elsa...
Um cara gato devolveu o celular dela e ofereceu uma volta de carrossel.
E a anta recusou.
E perdeu a língua também?
Podemos achá-lo no Google? Facebook?
- Não... - Twitter!
Não, o nome dele é Jules Dupont.
- Existem milhares deles! - Merda.
Vamos achá-lo. Sei disso.
- Ele estava na festa, certo? - E?
Ele não foi sozinho. Olhe suas fotos.
Pode ter ido com um conhecido.
- É... - Vamos!
Nunca vamos achá-lo.
- É ele! - Quê?
Quê?
"Jantar sexta à noite. Roger la Grenouille, 20h?"
E seu número de telefone!
É como em Amélie Poulain. Que sorte!
Sim, mas não. Não.
- Não... - Como assim?
Não vou porque...
- Desculpa? - O que foi?
Porque ele parece...
um modelo da GQ.
Que faz bronzeamento, branqueia os dentes.
É tudo muito estranho.
- Eu curto. - Não...
- Aposto que usa cueca branca. - Deixa eu explicar.
- Você vai. - Sim.
Você vai, e estou avisando,
se mencionar o nome do seu ex uma única vez, eu te mato. Entendeu?
Sabe, Maxime era um tarado narcisista.
Sabe o que são tarados narcisistas?
Não tem nada a ver com tarados sexuais.
Apesar de o sexo ser bem...
era bem único.
Mas Maxime não era um tarado o tempo todo.
Não, não era.
O problema é que, hoje,
o termo está gasto, sabe?
Sim, totalmente.
- Olhe para mim. - Sim?
Agora, sim. Queria ver seus olhos.
- Não vejo nada sem os óculos. - É?
Vamos pedir?
- Vamos... - Estou morrendo de fome!
A conta, amigo?
Não, vamos...
fazer uma boquinha.
Os especiais da casa são as travessas de andouillete e foies gras.
Bosta. É vegana?
Não. Não, mesmo.
Meu amigos me chamam de Madame Porca.
Não no sentido sexual, só igual ao animal, mesmo.
É. Nada a ver com...
- Porção mista? - Porção mista.
Uma porção mista a caminho para os pombinhos!
E você?
Conte mais sobre você.
Ok.
Você quem manda. O que quer saber?
Bom, o que você faz?
Sou professor. É?
- Não tem cara nenhuma de professor. - É só pré-escola.
Acima dos sete, estou perdido, intelectualmente.
Foi uma piada.
- Porra, pensei... - Pensou o quê?
Que tinha problema de verdade.
Não, que ótimo.
Que ótimo.
Ela parou de responder.
Acha que ele a matou? Acontece.
- Confie nela! Pare de encher o saco. - Está me estressando.
- Não quero que sofra. - Sem chance.
- Como vão? - Oi.
- Falando de mim? - Claro, de quem mais?
Quando Elsa não está, mudamos de assunto.
O que posso contar sobre mim?
Amo meu trabalho, tenho um ótimo apartamento e amigos maravilhosos.
E no momento, solteira por escolha.
Uma mulher não precisa de homem para sentir-se bem ou ser feliz.
Concordo.
E você?
Também. Não preciso de um homem para me sentir bem.
A sua Katie, sua bela Katie
Deu-lhe um pé Sua Katie deu-lhe um pé
E ele não sabe o que fazer
Esse grande velho duque cheio de truques E suas travessuras brancas russas
Minha tática foi furada Disse Igor em uma roncada
Cego e bêbado no bar
Um russo branco sombrio
Que bela peça do destino! Riem os ribaldeiros
Igor, de novo, solta um ronco Mas em seu ouvido
Que beleza de relógio colorido Que o aconselha, comedido
Em seu profundo sono
Tic tac, tic tac Katie deu-lhe um pé
Tic tac, tic tac Sua Katie deu-lhe um pé
Tic tac, tic tac...
Não acredito que conhece a letra!
É?
Amo Boby Lapointe.
Não sabia.
Rápido, estou congelando. Chega desse cigarro.
Está bem!
Ele conhece Boby Lapointe.
- É o irmão perdido dela? - Hã?
- Quê? - Não sabia.
- E como saberia? - É, não.
Transaria no sofá do pai dela? Na sala de espera.
- Não sei. - Sim ou não?
- Sim. Depois das consultas. - É?
Ok, perfeito.
Elsa não vai transar no primeiro encontro. Falei pra não transar.
Não transar no primeiro encontro é meio putaria.
É mesmo.
Estou com frio. Vamos esquecê-los?
- Estou acabada. - Vamos.
Desculpa.
Não foi nada. Quer que acompanhe?
Não, tudo bem, eu...
- Posso ir pra casa sozinha, sou mocinha. - Tem certeza?
Foi tão ruim assim? Sobrevivi.
Não, mas...
nos falamos em breve?
Se me der seu número.
Vai ocupar muita memória.
- Tenho o seu, te ligo. - Ok.
Boa noite, Jules Dupont.
Boa noite, Madame Porca.
Não vá por aí!
É burro, Amine? Por que está indo por ali?
Olhe! Está literalmente andando em círculos.
Olhe!
Acender um cigarro pode fazê-lo vir.
- Loucura essa do Nokia, não? - É.
Sempre foi contra iPhones e bum!
Ele a deixou ir, então pelo menos não é um psicopata.
Muito bem, Amine!
Isso, venha.
Não pode ser. Que idiota.
Você é Emilie?
Já era hora, estou sem chaves.
É, tive três testes só hoje, não é...
É bem intenso, mas esse é o trabalho.
É. Estou ensinando teatro na prisão.
Sou uma esponja, então emocionalmente, é duro.
Eles dão medo, mas têm bom coração.
Ok, contarei tudo sobre isso. Beijos!
É tão boba. Era sua mãe.
- Não queria falar comigo? - Ela gosta mais de mim.
- Não tinha trabalho hoje? - Sim.
- Chegou cedo. - É.
- Acredita? - Quê?
Bom, nada por dois anos,
e o primeiro cara que aparece em dois minutos preenche os requisitos.
Evite a estação. Waze não é Deus.
É bom demais para ser verdade.
Não é?
Quem sabe onde a flecha do Cupido vai parar?
Charlotte, olhe para mim.
- Esse trânsito é uma merda. - Charlotte, vire-se.
Quê? Desembuche.
- O quê? - Sei que está mentindo.
Está escondendo algo.
Está sendo furtiva.
Me deu uma ideia genial!
Você teve uma ideia genial? Ok, estou com medo.
Lembra quando disse que pagaria pra ver Elsa feliz?
O que foi que fez?
Um michê.
- De quem estamos falando? - Jules! O cara.
Ele é um michê.
- Não entendi. - Ele veio para salvá-la. Comê-la.
Me diga que é piada. Agora. Está brincando, certo?
Está brincando?
Não, por quê?
Espere, não é um prostituto de verdade.
É um puto de luxo.
Talvez até um puto de superluxo.
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