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SEM DATA, SEM ASSINATURA
Legenda Subpack por: REALITYKINGS
Voc� � cego, cara?
O carro bateu no meu retrovisor. Eu fui desviar.
Por que dirige se n�o controla o carro?
Ele bateu em mim! A crian�a est� bem?
Ela est� bem? Veja se n�o bateu a cabe�a.
N�o foi nada, filha.
Deixe-me ver seu bra�o.
- N�o foi nada. Est� doendo? - Minha cabe�a.
- Onde? Deixe-me ver. - Chame a pol�cia.
Eu sou m�dico. Est� com n�usea?
- N�usea? - Est� com vontade de vomitar?
- N�o, s� est� doendo aqui. - Onde?
- Quantos dedos tem aqui? - Um.
- Chame a pol�cia. N�o tenho celular. - Vou examin�-lo primeiro.
Voc� dirige muito mal, cara.
Pegue-a no colo, ela est� chorando.
O que est� esperando? Me d� o seu celular.
- Est� sem bateria. - N�o precisa chamar a pol�cia.
Eu pago o conserto e levo voc�s ao hospital.
Nada de hospital! Ligue para a pol�cia!
Quer que eu chame um guincho?
Est� destru�da. E nem � minha.
Ligue a luz do seu carro.
- Tem conserto? - Como vou saber?
Senhora, sente-se no carro at� consert�-lo.
Estou bem aqui.
Sente-se no carro, menino.
- Tudo bem? - Entre no carro, filho.
- Fale para sua esposa entrar tamb�m. - N�o precisa.
Al�?
Azar?
V� at� a janela. Est� me ouvindo?
O marido sabe que ela est� l�? Al�?
Ela pode deixar as fotos,
mas n�o vou fazer.
Estou ocupado agora, Azar.
Nos falamos mais tarde. Tchau.
- Voc� est� bem? - Estou.
- Qual � seu nome? - Amir Ali.
Amir Ali.
Arregace a manga.
E seu sobrenome?
Khanroodi.
- Est� com frio? - Um pouco.
Dobre o bra�o assim.
- Est� em qual s�rie? - Vou para a terceira.
Ent�o j� � gente grande.
Agora fa�a assim.
- Arde um pouco. - Sua cabe�a tamb�m est� doendo?
Um pouco aqui.
- Quer tirar um cochilo? - N�o. O que � isso?
Ar-condicionado,
aquecedor e desemba�ador.
Cinco marchas?
Isso. Coloque a m�o aqui.
Primeira, para tr�s. Voc� � forte, cara.
Para frente.
Terceira, para tr�s.
Est� doendo?
Quinta.
E marcha � r�.
- Aqui � a buzina? - N�o, � aqui.
Aqui � para jogar �gua no vidro.
J� volto.
Consertou?
Quebrou o para-brisa e o farol.
- Quanto vai custar? - N�o sei.
- Pode me falar. - Eu n�o sei ainda.
Entre no carro. Levo voc�s ao hospital e pago o conserto.
Eu posso lev�-los.
- Posso dar carona. - N�o precisa.
Saia da�!
Est� bem. Pegue quanto quiser.
- N�o quero indeniza��o. - Aceite.
V� com sua m�e.
Pegue.
Obrigado.
- Tudo bem para voc�? - Claro, sem problemas.
Tem um t�nel aqui perto. O hospital � ao lado.
Eu sei onde fica.
Vamos.
- Tchau. - Tchau. Um aperto de m�o?
Tchau.
Vamos. Tchau.
- Mude a posi��o a cada duas horas. - Certo.
- Mesmo se n�o mostrar reflexo. - Certo.
O t�xi est� l� embaixo. Posso ir?
Espere.
- Quando trocou o cateter? - H� uma ou duas horas.
- Teve secre��o hoje? - N�o.
N�o precisa. Tenho dinheiro.
Obrigada.
- A Sayeh trouxe as caixas. - Sim, s�o roupas.
Ela disse que ia arrumar.
O que digo para a minha irm�? Ela deixou as fotos.
N�o � complicado.
Ela deve ir ao especialista determinar a indeniza��o.
Ela queria que o senhor visse, porque j� faz um tempo.
N�o disse para n�o falar do meu trabalho?
Ela n�o � uma desconhecida.
Tudo bem.
Pe�a para ela ir ao IML.
Quando?
Amanh� de manh�, mais ou menos oito horas.
Obrigada. Posso ir?
- Feche a porta com cuidado. - Claro. Tchau.
Pronto!
Voc� adora me deixar esperando.
Faz um m�s que eles sabem que n�o sou mais s�ndica.
Mas sempre reclamam quando me encontram.
"O elevador est� quebrado! N�o pagam o aluguel!"
- N�o tem outro s�ndico? - Tem, mas o cara � um tapado.
Tapado?
Voc� usaria outro termo?
J� fomos mais educados. Eu diria que ele � ignorante.
Sem educa��o.
- S� tem p�o nisso. - Coloque o cinto.
Bom dia, doutor! S� um momento.
Sayeh? Querida? Chegamos.
- Bom dia, doutor. - Bom dia.
Uma mulher quer falar com o senhor.
Diga para vir aqui.
Tudo bem.
- Ol�, doutor. - Ol�.
- N�o quero incomodar. - Tire os �culos.
- Quando aconteceu? - H� uns dez dias.
E por que n�o veio aqui antes?
- Fiquei com d� quando ele chorou. - Ele estava de anel?
N�o lembro, acho que sim.
- Foi s� no rosto? - N�o, nas costas tamb�m.
Tenho as fotos no celular.
- Sabe onde fica o laborat�rio forense? - Posso procurar.
Fale com o Sr. Garoosi.
Vou ligar para ele.
N�o pode ser o senhor?
N�o. Os exames s�o feitos l�.
Leve essas fotos impressas.
V�o aceitar as fotos de dez dias atr�s?
�, acho que sim.
De acordo com seu estado de dez dias atr�s.
- Trago o resultado para o senhor? - N�o, eles cuidam disso.
- Obrigada. - Claro.
Pode assinar, doutor? � de ontem.
- O que �? - O jovem do acidente.
Est� escrito "acidente de carro" de novo.
O Dr. Moshiri disse que os cortes s�o do para-brisa e do parapeito.
O corte atr�s da orelha � fundo.
- O que est� fazendo? - Desculpe, doutor.
Recolha os cacos.
- Machucou a m�o? - N�o.
N�o vou assinar.
Mande � comiss�o ou d� para o Dr. Salehi assinar.
- Talvez o Dr. Salehi n�o venha hoje. - O Farrokh, ent�o. N�o assinarei.
Coma um pouco.
N�o estou com fome.
Obrigado.
Vai se arrepender. � org�nico.
N�o pode comer ovo todo dia. Ele tem f�gado gorduroso.
Pode cuidar dele em casa.
N�o tenho casa por enquanto.
- N�o vai pegar suas coisas? - Vou.
Por que tanta gente?
Devem ser do �ltimo semestre.
Eles se arrependem dois dias depois.
O que fa�o com isso?
Qual � o problema?
A fam�lia n�o quer prestar queixa nem fazer aut�psia.
- O Dr. Salehi chegou? - Ainda n�o.
- O que o juiz ordenou? - A��o judicial.
Ent�o por que est� perguntando?
Explique a situa��o para a fam�lia.
Sim?
O que ele quer ver?
Onde ele est�?
Fale para fazer um exame de DNA.
Se ele for o pai, eu mesmo vou informar.
N�o tem problema.
Tchau.
- N�o pode pegar? - Minhas m�os est�o sujas.
- D� para o Farrokh. - Voc� misturou?
Pode mandar ver.
Homem, 30 anos, queimadura grave.
Imola��o?
A fam�lia n�o disse nada, mas provavelmente �.
Homem, 67 anos...
- Ol�. - Ol�.
- Est� melhor? - Estou, professor.
Os pontos doem e ele vomitou ontem novamente.
Continue.
67 anos, fibrose pulmonar.
Homem, 23 anos, AVC.
Farrokh, entregou o documento para o doutor?
Ele mandou para a comiss�o.
Assine antes que d� problema.
Problema?
Ele disse que voc� manda todas as aut�psias dele para a comiss�o.
Ele precisa fazer o trabalho dele direito.
- Voc� � imposs�vel. - Continue.
Homem, 31 anos, intoxica��o.
- Carbono? - N�o, fosfeto de alum�nio.
Homem, 49 anos, hist�rico de problemas card�acos.
O hospital confirmou parada card�aca,
mas a fam�lia diz que foi uma briga de rua.
- O DIC j� investigou? - Ainda n�o.
Amir Khanroodi, oito anos, causa da morte: desconhecida.
Morreu antes de ser internado.
- Homem, 52 anos, morreu em casa. - Quem?
- O �ltimo? - N�o, antes dele.
Espere a�.
Amir Ali Khanroodi, oito anos, causa da morte: desconhecida.
Morreu antes de ser internado.
Quando chegou?
Hoje de manh�.
- Est� na sala? - Sim.
O senhor o conhece?
Maziyar? Viu o Dr. Nariman?
Estava no p�tio.
- Atr�s do necrot�rio? - Sim.
- Quer que eu v� com voc�? - N�o.
O Farrokh disse que ficou muito chateado.
N�o � nada. Vai passar.
Conhecia o garoto?
� filho de quem?
Filho de um colega.
Colega pr�ximo?
N�o muito. Eu conhecia o pai dele.
O que diz na ficha?
Causa da morte: desconhecida.
Teve n�useas fortes e morreu a caminho do hospital.
Ele tinha hist�rico?
N�o sei.
- Quer visitar a fam�lia? - N�o.
- Eles sabem que trabalha aqui? - N�o sei.
N�o.
- Eu fa�o a aut�psia. - Por qu�?
O que h� com voc�?
Nada.
O Farrokh est� com a ficha?
Leve o menino para a sala de aut�psia.
Preciso falar com voc�.
- Depois. - Precisa ser agora!
Por que fala assim? N�o sou seu empregado.
Por que manda minhas aut�psias para a comiss�o?
S� quando acho necess�rio.
Somos burros? S� voc� sabe tudo?
Aprenda a falar direito!
- J� disse para sempre verificar tudo! - Como sabe que n�o verifiquei?
A fam�lia est� esperando o seu relat�rio l� fora!
Eu fiz uma aut�psia completa!
- Ele tem marcas de faca na orelha! - J� chega.
E voc� escreveu que foi um acidente de carro.
- Vou falar com ele. - Como se ele ouvisse!
- Traga a ficha do menino. - Vou trazer.
O que est� acontecendo?
- Ele me irrita. - Eu sei.
Qual � seu problema? Falei que vou fazer a aut�psia.
- Tudo bem. Traga a ficha. - N�o precisa.
Vou passar o caso para o Dr. Salehi.
Preciso trabalhar.
Consegue trabalhar assim? Me escute pelo menos uma vez.
- Sayeh, n�o insista. - V� embora.
Vai dar tudo certo.
Eu te ligo quando terminar a aut�psia.
V� embora.
Kaveh.
Olhe para mim.
N�o fique a�. V� embora.
- O que �? - N�o sei, eles s� sabem gritar.
Estamos trabalhando.
O guarda n�o pode fazer nada.
Pedimos para fechar essa porta, mas n�o fecham.
S� gritam e xingam o tempo todo!
O que est� acontecendo?
N�o os deixe entrar.
Chame a Dra. Behbahani.
- Ela saiu. - Por qu�?
Para falar com a fam�lia do menino.
- Para qu�? - N�o sei.
- Fizeram a aut�psia? - Faz um tempo.
E mandou ao laborat�rio.
- Por que mandou para l�? - Com licen�a, preciso entrar.
- S� est�o xingando. - Tudo bem. Entre, por favor.
Por que todas essas perguntas?
Por que devemos responder?
Ent�o qual � seu trabalho?
O que fez com meu filho a manh� toda?
Por que n�o fala de um jeito mais claro?
Acalme-se. Estou fazendo meu trabalho.
Sei que � triste.
O resultado do exame saiu. Venha pegar.
Est� bem.
Fiquem aqui, por favor.
Por que veio? Eu disse que ia ligar.
- Quero saber o que aconteceu. - Eu fiz a aut�psia.
Prepare-o para a identifica��o.
- Quando o viu pela �ltima vez? - N�o me lembro.
- Semana passada? - Acho que sim.
- N�o tinha ptose? - N�o me lembro bem.
A respira��o estava normal? Sem fraqueza?
Ele era fraquinho.
- Ele...? - Fale direito, Sayeh!
Chega de perguntas.
Estou falando!
Eu s� vi o menino por cinco minutos, como vou saber essas respostas?
Est� bem.
Ele estava vomitando h� uma semana.
J� estava fraco ao chegar no hospital.
Ele tomou soro e foi liberado.
O que isso quer dizer?
Provavelmente, intoxica��o aguda.
Tem certeza?
N�o. Por isso mesmo, fiz um exame.
- Por que aquele homem estava gritando? - Que homem?
Seu amigo?
Falei que era s� um conhecido.
Precisa me contar mais alguma coisa?
N�o.
Como assim?
Nada.
� um caso especial?
N�o. O Dr. Nariman conhece a fam�lia. Eles est�o aqui.
Precisam fazer exames.
Podem ter a mesma coisa.
S� se for botulismo.
O menino tinha botulismo com certeza.
Devem ter comido a mesma coisa. S� teve efeito diferente.
S� intoxica��o alimentar?
Pode ter intoxicado o sangue tamb�m.
� raro, mas acontece.
- Ele podia ter sobrevivido? - N�o posso afirmar.
Se n�o � diagnosticado, pode matar em dez dias.
H� quantos dias ele estava assim?
Uns seis ou sete dias.
N�o est� ouvindo?
Al�?
Oi, minha irm�.
Perdi o meu filho.
Ele se foi.
Estou de luto.
N�o sei.
Ele estava com diarreia...
e v�mito.
Ele tremia, n�o conseguia comer.
N�o conseguia nem falar
ontem � noite.
Acordei o Moosa para lev�-lo ao hospital.
Ele estava todo gelado.
Preciso desligar.
Normalmente, n�o informamos a causa da morte para a fam�lia.
Mandamos para as autoridades legais.
Mas esse � um caso especial.
- Tem outra filha? - Tenho.
- Comeram a mesma coisa? - Como assim?
Ela comeu o mesmo que voc�s?
N�o, ela � amamentada.
Ningu�m mais mora com voc�s?
N�o. Por qu�?
Ele teve intoxica��o alimentar, de uma bact�ria
chamada C. botulinum.
- Com licen�a. - Fique l� fora.
N�o, pode entrar.
Eu estava explicando.
Seu filho teve botulismo. � uma doen�a rara.
Um tipo de intoxica��o alimentar.
Comeram atum enlatado?
N�o.
E seu filho?
Ele n�o gostava de peixe.
Algum outro alimento enlatado?
Algo vencido ou carne estragada?
N�o.
Voc�s precisam fazer exames.
N�o sentiram fraqueza nessa �ltima semana?
Dificuldade para engolir?
Os mesmos sintomas do seu filho.
Como assim "carne estragada"?
A carne produz bact�rias
se ficar em lugar fechado.
Se entra no organismo, pode matar em dez dias.
- Moosa... - Calma.
- O que mais? - � isso.
N�o se lembram de nada?
Estou perguntando pelo bem de voc�s.
N�o.
Nada.
Precisam fazer os exames.
Se tiverem sintomas, procurem um m�dico imediatamente.
Ele est� pronto para ser identificado.
A permiss�o de sa�da j� foi emitida.
Meus sentimentos.
Quero ficar aqui um pouco.
Tudo bem.
Mas n�o se atrase, porque a ambul�ncia j� vai sair.
O que ela disse, Moosa?
N�o diga nada agora.
- Ela disse "carne estragada". - Espere s� um minuto.
- Moosa... - Fique calada.
Voc� os conhece bem?
Quem?
Os pais do menino.
Por que n�o esquece isso? Eu te pe�o para explicar tudo?
N�o.
O pai est� escondendo algo.
Como assim?
A m�e queria falar, mas ele a impediu.
- Tem certeza? - Eu senti.
Coloque no relat�rio se acha que � importante.
- O que � isso? - O qu�?
"Incha�o superficial atr�s da cabe�a".
N�o � nada importante.
- N�o havia sangramento? - N�o.
- Alguma fratura? - N�o.
Perguntou para a fam�lia sobre o incha�o?
N�o, por qu�?
N�o foi necess�rio.
Obrigado.
Voc� n�o vem?
N�o, tenho que terminar umas fichas de ontem.
Tudo bem. Tchau.
Khanroodi, Amir Ali!
Por aqui.
Por aqui.
� ele?
- � ele? - Sim.
Que descanse em paz.
N�o pode ficar a�.
Que Deus te conforte.
Pode pegar os documentos l� embaixo.
Ol�, Sra. Sahragard. � o Nariman.
Tenho uma pergunta.
Foi a senhora a respons�vel pela aut�psia
do menino hoje?
Isso, oito anos.
A Dra. Behbahani mencionou um incha�o, certo?
N�o havia fratura?
Nem sangramento?
Verificou as v�rtebras? Nenhuma fratura?
Chegou a abrir?
Isso n�o pode ser um motivo.
Eu soube da intoxica��o.
Muito obrigado.
Muito obrigado. Tchau.
Entre. Est�o perguntando por voc�.
Vou entrar.
J� s�o 22h. Acho que n�o v�o embora.
Por que ficaram?
Para visitarem o t�mulo amanh�.
Para qu�?
Para fazer o que todos fazem.
Onde estavam quando ele estava vivo?
E voc�?
- Se preocupava conosco? - Veja bem como fala...
Quando vinham, voc� ia embora.
Leila, onde fica o lixo?
Atr�s da cortina.
Busque algo para o jantar. Est�o com fome.
S� me faltava essa.
- Vieram para nos ajudar. - N�o tenho dinheiro.
- Por que est� sendo grosso? - N�o estou, s� n�o tenho dinheiro.
Tem aquela gororoba que voc� trouxe.
Ofere�o aquilo?
- Agora est� sendo sarc�stica? - N�o posso?
- Meu Deus, eu n�o... - Por que trouxe aquilo?
- Quieta. Eles v�o te ouvir. - Devo me calar?
- Voc� deveria ter vergonha. - O cara disse que estava boa.
- Ent�o por que ele vendeu t�o barato? - Juro por Deus que eu n�o sabia!
Odeio quando voc� jura por Deus.
Leila?
Leila?
Por que est� sentada a�?
Voc� o viu?
Quem?
O Amir Ali.
Vi.
Por que n�o deixou abrirem o caix�o?
Vamos entrar.
- Venha, vamos entrar. - N�o quero.
Voc� pode entrar.
Vou embora depois do s�timo dia.
- Para onde vai? - N�o sei.
Acho que vou voltar para Garmsar.
Vou levar a Raheleh comigo.
O qu�? Essa decis�o n�o � sua.
�, sim.
N�o quero ficar aqui.
Eu n�o disse nada, e voc� est� muito atrevida.
Quer me bater? V� em frente.
N�o ouviu? Eu disse que n�o sabia.
N�o sabia do qu�?
Eu juro por Deus.
Achou que estavam com pena de voc�?
Eles v�o escutar.
N�o achou estranho ser t�o barato?
Ele s� disse que n�o foram abatidos.
Por que n�o? Por qu�, se estavam bons?
V�o escutar.
Achou que venderiam carne boa a esse pre�o?
- J� chega! - O que foi? Acha que sou burra?
- Voc� tirou meu filho de mim. - Quieta.
V�o escutar.
Que escutem!
Acha que ningu�m entende?
Me escute...
Acha que � homem de verdade?
Voc� ao menos se importa?
Olhe para mim.
Olhe para mim agora.
N�o quero.
N�o consigo olhar para voc�.
Voc� matou meu filho.
Meu Amir Ali.
Meu Deus.
Meu Deus.
Meu Amir Ali.
Deus � testemunha. Eu...
Meu Deus.
- Ol�. - Ol�.
Pode ir.
J� vou.
Algum problema?
Quando fez a aut�psia ontem,
n�o notou nenhum deslocamento das v�rtebras cervicais?
J� perguntou � Sahragard. Por que perguntar a mim?
- Me desculpe. - Esque�a.
N�o vou perguntar nada, porque me pediu.
N�o vou perguntar quem ele � nem o que aconteceu.
N�o vou perguntar, e voc� n�o vai falar nada.
Mas n�o pense que sou idiota.
Eu...
Me envolvi em um acidente com eles anteontem.
Onde?
Podemos subir?
- Por que n�o chamou a ambul�ncia? - Meu seguro estava vencido.
Se chamasse a pol�cia, ia dar problema.
Mas na ficha dizia que eles o levaram ao hospital.
Eles o levaram de madrugada, e ele morreu no caminho.
O que acha que foi?
Verifiquei o cr�nio.
N�o havia fratura nem sangramento.
A Sahragard disse que voc� n�o verificou o pesco�o.
Verifiquei.
- Mas n�o abriu. - N�o precisou.
Eu li seu relat�rio durante a madrugada.
O que escreveu indica deslocamento das v�rtebras cervicais.
Ele tinha n�usea, fraqueza e ptose h� uma semana.
O laborat�rio confirmou o botulismo.
Mas n�o quer dizer que foi a causa da morte.
E se ele fraturou o pesco�o no acidente?
Como foi a batida?
N�o me lembro muito bem. Ele estava zonzo quando sentou.
- O exame mostraria. - N�o.
Se for nas primeiras v�rtebras, s� h� dificuldade para movimentar.
Por que n�o me contou ontem?
Eu teria verificado melhor.
N�o quero culpar voc�.
Todo mundo que causa acidente procura o corpo para falar o que fez?
Eu fiz o que sempre fa�o.
N�o verificamos essas coisas em uma aut�psia geral.
- Era o caso de um acidente. - E como eu ia saber?
Voc� nunca fala quando precisa.
Nunca teve dificuldade para contar algo?
Sim?
Al�.
Sou eu.
Para qu�?
Srta. Azar, j� falei com a sua irm�.
Fiz o que pude para ajudar.
N�o, estou ocupado. N�o tenho tempo.
Por nada.
Tchau.
Ele ficou sentado no carro.
Passou a m�o na cabe�a, mas eu nem liguei.
Voc� n�o tem certeza.
Ficar se culpando n�o vai mudar nada.
Ele pode ter morrido por causa do acidente.
Eu sei.
Mas o que pode fazer agora?
Ele n�o ia passar dos dez dias.
Viveria s� mais tr�s dias.
- Queria ter falado com eles ontem. - Sobre o qu�?
� s� uma possibilidade.
E ele n�o te deixaria ir embora.
N�o quero justificar nada, mas agora j� passou.
Levante-se. Vamos nos atrasar.
N�o posso ir. V� voc�.
A chave est� ali.
Quer comer alguma coisa?
N�o, pode ir.
- Pois n�o? - Quero falar com o Habib.
- Pois n�o? - Cad� o Habib?
- No p�tio. - Eu olhei, ele n�o estava l�.
Olhe no vesti�rio.
Pois n�o?
O que � isso?
O que voc� est� fazendo?
Larga!
- Eu vou te matar! - O que � isso?
Me larga! Eu vou te matar, desgra�ado.
Qual o seu problema, seu animal?
Cad� aquele lixo que voc� vende?
- Filho da m�e! - Veja como fala!
Quantas pessoas j� matou?
Cad� aquele lixo que voc� vende?
Pare!
Larga! Eu vou matar esse filho da m�e!
Para com isso, desgra�ado!
N�o fa�a isso, pare!
Desgra�ado, filho da m�e.
Calado!
Pare com isso, agora!
Voc� se considera gente?
Sabe o que � honra?
- Do que est� falando? - Voc� n�o entende!
Ningu�m entende!
Meu filho morreu!
Filho da m�e! Meu filho morreu.
Do que ele est� falando?
Pe�a para o chefe vir aqui!
Mentira!
� mentira?
Me larga.
Seu filho da m�e!
Cad� aquela droga?
Responda ou vou te matar!
- Responda! - Eu n�o o conhe�o.
N�o conhece?
N�o me conhece?
O que est� acontecendo?
O que ele est� falando?
Ele est� me xingando sem motivo.
Chame a pol�cia.
O que � isso?
O que � isso?
O que � isso?
V�o trabalhar. Saiam!
Vamos, circulando todos!
E isso?
Voc�s n�o s�o humanos!
- S�o animais! - Do que est� falando?
S�o mu�ulmanos?
S�o gente?
N�o est�o nem a� para os outros!
Do que ele est� falando?
Dos frangos mortos.
Por que est�o aqui?
N�s jogamos fora ou damos aos cachorros.
Para os cachorros?
Um cachorro � melhor que voc�!
Meu filho foi um cachorro?
Eu sou um cachorro
porque levei isso para a minha fam�lia!
Eu sou um cachorro porque estou vivo!
Calado! Chame a pol�cia.
Por que est�o me segurando?
Enterrei minha vida ontem.
Tome.
Leve isso para sua fam�lia.
� baratinho. Estou te fazendo um favor.
Do que ele est� falando? O que vendeu para ele?
� mentira. Eu n�o o conhe�o.
N�o me conhece?
Voc� disse que todo mundo comprava.
N�o me conhece?
N�o fiquem a� parados.
Vamos!
N�o saio daqui sem v�-lo morto.
Pode parar. Pode fazer uma den�ncia.
Tirem-no daqui.
N�o fiquem a� parados!
Vou te matar!
N�o fiquem a�. J� disse para voltarem ao trabalho.
Vamos!
N�o bata nele!
Para fora!
O que voc� fez?
- Ele est� mentindo. - Est� mentindo?
- Vendeu a carca�a do frango? - N�o � verdade.
Cale a boca!
Saia daqui.
Caia fora.
Pelo amor de Deus...
Cale a boca. Voc� deve agradecer por eu n�o chamar a pol�cia.
Como se eu tivesse vendido a carca�a e comprado um carr�o...
Saia! Cai fora!
Eu amaldi�oo voc� e a sua fam�lia.
Tome.
Voc� deve processar.
Para qu�? Ele diz que n�o me conhece.
Onde ele vendeu?
Na porta.
Quando isso aconteceu com seu filho?
Que Deus o condene.
Processe parar tirar uma boa grana...
- Oi. - O chefe quer falar com voc�.
Levante-se.
Que Deus o conforte. Eles v�o pagar por isso.
Essa porta est� fechada. Use a outra.
N�o sei como responder�o perante Deus.
Vai chamar algu�m?
Quem?
A pol�cia.
Est�o jogando fora as carca�as.
Finja que n�o te falei nada.
Senhor!
Sr. Oladi!
Voc� perguntou?
Ele diz que s� o nome da doen�a � mencionado.
Eu te disse.
O laborat�rio forense s� diz a causa da morte.
- E � bom se mencionarem? - Depende do juiz.
O crime precisa ser provado.
Como? Ele vendeu para o meu marido.
N�o adianta, precisa de provas.
O que posso fazer?
Tem testemunha? Algu�m o viu vendendo?
N�o sei.
Se provar, a senten�a do seu marido pode mudar.
Vivo com ele h� quinze anos. Ele n�o faria mal a uma mosca.
Eu sei, mas � um processo criminal agora.
O que faria se fosse com seu filho?
O que voc� est� dizendo?
- Ol�. - Espere. Preciso falar com voc�!
O que est� falando?
N�o pode fazer o que quiser porque foi injusti�ada.
E o que posso fazer? Venho aqui toda hora,
tenho uma crian�a pequena.
Fale com um advogado.
Veja se encontra uma sa�da.
- Quanto isso vai custar? - � de gra�a.
V� ao escrit�rio de consultoria.
- Onde fica? - No t�rreo.
Tem algu�m l� agora?
Como vou saber?
INSTITUTO M�DICO LEGAL
- Ol�. - Ol�.
- O que ela queria? - Voc� a viu no port�o?
�.
Queria que alter�ssemos o relat�rio.
Por qu�?
S� um minuto. Sim?
N�o, estou na minha sala.
Vou at� l�. Tudo bem.
Como assim?
Queria que escrev�ssemos a causa da morte claramente.
Al�?
Fale para a Sahragard trazer.
N�o entendi muito bem.
Me fale o que ela disse exatamente.
Estou falando.
Ela quer que mencionemos que a carne estragada era de frango.
Carne de frango?
Parece que o pai comprou carne de frango estragada.
Estavam vendendo muito barato, e ele comprou.
- Ele comprou carca�a de frango? - Acho que sim.
Coloque ali.
Por que ela quer isso no relat�rio?
O juiz aconselhou.
V�o trazer mais fichas hoje.
- Esses arquivos s�o tempor�rios. - Sim, colocarei de cabe�a para baixo.
E ent�o?
Ela estava muito chateada. N�o entendi bem.
N�o h� espa�o suficiente. Colocarei na estante.
Me d� as fichas.
Pode ir, por favor.
- O Dr. Salehi disse... - Por favor, saia.
Pode voltar quando acabarmos.
- N�o precisa ser grosso assim! - Me diga o que ela falou.
- Est� deixando isso ir longe demais. - Responda. O que ela disse?
Que o marido foi atr�s do vendedor de frango.
E?
Bateu nele e agora est� em coma.
Quem est� em coma?
O vendedor.
E o pai est� onde?
Est� preso.
Kaveh! Kaveh!
Kaveh!
Kaveh Nariman.
De onde?
IML.
O juiz Ahmadi autorizou a visita.
S� um minuto.
Seu celular ou arma.
Al�.
Voc� estava no IML aquele dia?
Estava.
Por que n�o me contou?
Eu ainda n�o sabia.
Ainda n�o sei. Tenho d�vidas.
Se tivesse d�vidas, n�o estaria aqui.
N�o � verdade.
Ele...
Ele tinha botulismo.
Mas os sintomas parecem de fratura no pesco�o.
Ele quebrou o pesco�o e saiu andando normalmente?
N�o, � um termo m�dico.
Quando o trauma � grave,
um leve deslocamento da v�rtebra
pode causar morte.
N�o entendo.
Voc� escreve o que quiser.
O exame de sangue confirmou o botulismo.
Ent�o por que est� aqui?
Porque a causa da morte pode ser outra.
E s� diz agora?
Escreveu que meu filho morreu
por causa da carne que comprei.
Voc� acabou com a minha vida.
Minha esposa n�o consegue olhar para mim.
Sabe o que � isso?
� s� uma possibilidade.
Ent�o por que n�o disse antes?
Eu n�o fiz a aut�psia. Foi uma colega.
Por que n�o fez nada quando descobriu?
Por qu�?
N�o sei.
Eu pensei muito.
Escrevi um pedido de exuma��o, mas n�o entreguei.
Estava com medo?
- N�o tinha certeza. - Achou que fossem demiti-lo?
� tarde demais.
� tarde demais, doutor.
Por que n�o o levou ao hospital naquela noite?
Eu buzinei, sinalizei, mas voc� passou reto.
Quer seu dinheiro de volta?
N�o � pelo dinheiro.
Se tivesse levado o menino, ele podia ter...
Por que n�o parou?
Ele...
Ele estava bem.
Sa�mos para jantar, depois de anos.
Se eu tivesse levado meu filho ao hospital,
ele teria sobrevivido?
N�o sei.
N�o sei mesmo.
Doutor, quer que eu continue depois?
N�o, fique � vontade.
N�o precisa mais de mim?
N�o, obrigado.
Corte as unhas dele amanh�.
Pode deixar.
Tchau.
Cuide-se.
- Do que o Dr. Salehi est� falando? - O qu�?
- Saia do carro. - Fale.
Saia.
O que foi?
- Ele disse que voc� pediu exuma��o. - �, pedi.
O que est� fazendo?
Em casos assim, deve-se refazer a aut�psia.
O que isso vai mudar?
Suponha que ele tenha morrido por causa do acidente.
- N�o � verdade. - Como tem certeza?
Voc� n�o verificou o pesco�o.
Foi culpa sua, n�o minha.
Todo mundo confessa quando causa um acidente?
Voc� s� sabe repetir isso.
Ele n�o tinha ferimentos de acidente. E os sinais de intoxica��o eram claros.
Voc� devia ter falado, mas n�o disse nada!
- Errei, caramba! - N�o precisa se exaltar.
Eu errei e estou pagando por isso.
Ele teria morrido de qualquer forma.
O pai est� ficando louco!
Acha que matou o pr�prio filho.
Suponha-se que ele n�o tivesse botulismo...
Por que ele n�o o levou ao m�dico?
N�o � motivo para um relat�rio falso.
Fiz um relat�rio falso?
Tem certeza de que morreu de botulismo?
- Ele tinha botulismo. - Essa foi a causa da morte?
- Muita gente... - Tem certeza?
Eu acabei com a vida dele!
O filho morreu, ele est� preso, e o outro est� em coma!
Se eu tivesse falando antes, ele n�o teria batido no cara!
- E eu sou a culpada de tudo? - Por que n�o entende?
Eu entenderia se fizesse diferen�a.
Ele � ignorante.
Mas escrevemos em um papel que ele matou o pr�prio filho.
Se n�o trabalhasse aqui, voc� iria atr�s dele?
Causei um acidente, e ele apareceu aqui no dia seguinte.
O que isso significa? Nada.
Voc� � m�dico. N�o faz sentido.
Esse � o �nico centro. Todos os corpos v�m para c�.
- Me escute. - N�o, escute voc�.
Tudo bem, fa�a a exuma��o.
Mas, se o resultado for o mesmo, s� ter� causado mais sofrimento.
Sou do IML.
Estacione aqui.
Ele veio dali. Eu estava aqui e o chamei.
Foi falar com o Habib?
Ele fugiu, e eu fui atr�s dele.
Mostre.
Venha aqui, soldado!
Pode ir. Pare ali na frente.
Eu o peguei por aqui e soquei a testa dele.
Testa ou t�mpora?
Bati bem aqui, assim.
- Cad� o guarda? - Estou aqui.
- Onde voc� estava? - No quiosque.
Eu ouvi e vi os dois brigando.
Ele gritou para eu chamar a pol�cia.
O que aconteceu depois?
A camisa dele estava rasgada.
E a�, ele me bateu com a cabe�a.
Mostre.
Ele me empurrou
para a parede
e pegou meu pesco�o.
Voc� estava vendo?
Sim, eu vi tudo enquanto ligava para a pol�cia.
E depois?
Ele agarrou minha garganta. Agarre!
Com as duas m�os, me estrangulando.
Ele estava me estrangulando,
eu tinha uma m�o aqui.
Deixa eu levant�-las.
Eu queria tirar a m�o dele,
Eu o virei,
e ele caiu aqui.
Foi assim.
Voc� empurrou, ou ele caiu?
Eu s� queria me soltar.
- O que voc� viu? - Eu estava saindo, n�o vi direito.
Quem era a outra testemunha?
- Sr. Hesari. - Sou eu.
O que voc� viu?
Eu estava indo para o dep�sito e vi os dois brigando.
Onde fica?
Naquele port�o grande ali.
E, ent�o?
Eles estavam brigando, e ele o jogou a� dentro.
Ele jogou, ou o outro caiu?
Eu o vi jogando.
Por que est� mentindo? Como viu de t�o longe?
- Sil�ncio, senhora. - N�o � justo!
- Senhora... - Ele est� mentindo!
- Acalme-se. - S� pode falar quando eu pedir.
Como ele conseguiu ver?
Leve ela daqui.
Ou�a. Eles s�o amigos.
- N�o devia estar aqui. - Por que n�o?
A lei n�o permite. Eu disse para n�o falar nada.
- Tudo bem. Vou ficar quieta. - N�o, saia!
Me escute s� um minuto!
N�o diga nada. Apenas saia.
Voc� ser� punido por isso!
Quieta! Saia!
Voc� vai pagar por isso.
Vai pagar por tudo isso.
Saia.
- Chegue mais perto. - Sim, senhor.
Ele caiu ou foi jogado?
Eu juro que foi jogado. Acho que jogou!
O Habib n�o � meu amigo.
� isso que ele disse?
Isso, o que?
Ele diz que voc� o jogou.
Eu j� disse e vou repetir: ele estava me enforcando.
Eu o empurrei, e ele caiu.
- O que mais quer ouvir? - Devagar.
- Essa porta sempre fica aberta? - Quase sempre.
Deixamos aberta para sair o cheiro de diesel.
Onde ele caiu exatamente?
Eu n�o vi.
- Fale mais alto. - Eu n�o vi.
- Como n�o viu? - O que quer que eu diga?
Eu o segurei at� a pol�cia chegar.
- Responda o que eu perguntei. - N�o vou responder.
N�o complique as coisas.
- Por que foi grosso com minha esposa? - N�o fui grosso, ela n�o podia estar aqui.
Tudo que eu disse n�o faz sentido?
Responda minha pergunta!
N�o vou responder.
Trouxe tanta gente aqui para qu�?
O que quer fazer?
- Me enforcar? - Chega!
Se eu sair, me mato.
Se eu fosse homem,
n�o enterraria meu filho daquele jeito.
Levem-no!
Para discutir com tantas pessoas, responder voc�.
O que voc� est� procurando? Eu j� disse v�rias vezes...
Chega!
Ele ia me matar.
Mais r�pido, soldado!
Voc� n�o me escutou? Ele estava me estrangulando.
Eu quis tirar as m�os dele.
Eu j� disse in�meras vezes o que aconteceu.
Algu�m vem at� aqui e diz...
Eu juro que ele estava me estrangulando.
Venha comigo.
Onde ele estava exatamente?
Perto do tanque.
Acho que a cabe�a dele bateu na ponta.
Ele estava sangrando.
- Amiri. - Sim?
Escreva o depoimento deles.
Voc�s dois, venham aqui.
- Voc� � o senhor... - Parvi Hesari.
POL�CIA
De volta ao trabalho.
Feche o port�o.
Vamos, andando, todos de volta.
Estou indo. Estou no caminho.
J� vou e conversamos.
N�o posso falar agora.
Tudo bem.
Tchau.
Ela disse que ele s� viveria
mais alguns dias.
Ela disse a verdade?
N�o.
N�o podemos ter certeza.
Quando v�o fazer?
A exuma��o ser� na ter�a-feira.
Seu marido sabe?
Sabe.
Eu queria te dizer uma coisa.
Eu n�o faria isso se houvesse outra maneira.
S� pe�o que conte ao seu marido quando...
N�o vou mais visit�-lo.
Fui algumas vezes, mas ele n�o apareceu.
O colega dele disse que ele estava envergonhado.
Era a m�e?
- Sim. - O que ela disse?
Queria saber o resultado.
Passou seu n�mero para ela?
Sim.
Falou com o inspetor na cena do crime?
Sim, por qu�?
O que ele disse?
Provavelmente, homic�dio culposo. Por qu�?
Eu queria te contar antes. Mas como voc� n�o estava bem essa manh�,
n�o falei nada.
A m�e do menino me ligou ontem � noite.
A v�tima morreu.
O vendedor de frango?
Eu n�o devia ter te contado agora.
Voc� vem?
J� vou.
Al�?
� o Nariman.
Quem est� de plant�o hoje?
Quem?
Passe a liga��o.
Al�?
- Ol�. - Ol�.
O Dr. Rafe'i j� foi?
Est� se trocando. Disse que o senhor o substituiria.
Est�o trazendo um corpo. Exumado.
- Pe�a para terem cuidado. - Claro.
- Deixe-o no necrot�rio. - Certo.
Com licen�a.
Chegaram.
J� vou.
No relat�rio consta que ele pediu v�rias vezes para voc� chamar a pol�cia.
Sim.
Por que n�o chamou?
Eu queria, mas meu seguro estava vencido.
Teriam levado meu carro.
Quando seu seguro venceu?
H� alguns meses.
Por que n�o o levou ao hospital?
N�o havia nenhum ferimento aparente, e eles se recusaram.
N�o viu a fam�lia do falecido no IML?
Vi.
Eles tamb�m viram o senhor?
- N�o. - N�o sab�amos que ele trabalhava l�.
J� deu seu depoimento.
N�o falou com a fam�lia?
N�o, senhor.
Quem fez a segunda aut�psia?
Eu fiz.
N�o tenho nada aqui.
O Dr. Salehi entregou a c�pia
para o juiz h� vinte dias...
Devagar. Ele est� escrevendo.
- Conseguiu acompanhar? - Sim.
Ele n�o estava doente?
O laborat�rio confirmou que estava.
Mas a causa principal da morte...
Foi o trauma causado pelo acidente.
Isso n�o podia ser determinado no primeiro dia?
N�o aparece na aut�psia geral,
mas eu tinha d�vidas porque sabia sobre o acidente.
Quando come�ou a suspeitar?
Depois que entregaram o corpo � fam�lia.
E quando pediu a exuma��o?
Dez ou doze dias depois.
Treze dias depois, certo?
Percebeu naquele dia, mas s� pediu a exuma��o treze dias depois?
Isso.
Por qu�?
N�o sei.
O senhor � membro do sistema judici�rio.
Seu depoimento � considerado confiss�o.
Sim.
Algo mais a declarar?
Creio que n�o.
Certo. Ficar� livre at� que seja julgado.
Assine seu depoimento.
O senhor tamb�m.
Aqui.
Pegue.
Aqui.
Pode me dar a chave?
Est� com meu celular?
Sim.
Por que n�o disse que deu dinheiro a eles?
O qu�?
O dinheiro que deu naquela noite.
N�o foi necess�rio.
N�o foi necess�rio ou n�o quis falar?
Nem lembrei.
Tamb�m n�o lembrou que eles passaram reto do hospital.
O juiz n�o perguntou nada.
O que foi?
Pare o carro.
Por que voltou naquela noite e fez a aut�psia?
J� me perguntou mil vezes.
Eu estava preocupado e queria saber o resultado.
Por qu�? Fa�o isso h� onze anos.
N�o entendo.
Pare o carro.
Pare o carro!
Olhe para mim.
Ele realmente morreu por causa do acidente?
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