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- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - Frederic -
PROMESSA AO AMANHECER
Obrigada.
- Boa noite. - Boa noite.
Romain?
Com licen�a.
- Romain, o que houve? - Estou morrendo...
H� algum m�dico no hotel? Me ajude a levant�-lo.
Me soltem. Me leve para o M�xico.
Para o M�xico, n�o quero morrer aqui!
N�o pode estar falando s�rio. S�o pelo menos 5 horas de carro.
N�o importa. Chame um t�xi.
Quero morrer no M�xico, n�o aqui.
� como deve ser. Arrume tudo, Lesley.
Voc� � minha esposa, afinal.
PROMESSA AO AMANHECER
Cuidado com a cabe�a, querido.
- O que est� escrevendo? - Um testamento, Lesley.
Testamento de qu�?
Um livro. Um livro sobre a minha m�e.
Desligue a m�sica, por favor.
Eu tinha 44 anos e amava a Fran�a com todo meu cora��o,
pois a Fran�a era a �nica mem�ria de minha m�e.
N�o devia ser permitido amar tanto a um outro ser.
Nem mesmo a uma m�e.
Te assustei? Sabia que viria por aqui.
- Tudo bem na escola? - Mais ou menos.
O qu�? Eles n�o o compreendem.
Aqui...
Um dia voc� ter� seu carro,
e ser� embaixador da Fran�a.
Me d� um abra�o.
Corra para a casa. Aniela est� esperando por voc�.
Minha m�e e eu viv�amos em Vilnius, na Pol�nia.
Ela vivia da confec��o de chap�us.
A cidade era de um frio cortante,
e a neve cobria como manto as paredes cinzas.
Romain, me d� um beijo. A escola estava boa?
Venha, fiz chocolate para voc�. Um chocolate delicioso.
Este casaco n�o vai sair?
Assopre, est� quente.
� a pol�cia!
- A sra. Kacew n�o est�... - A que horas ela volta?
Ela vem e vai. Vende de porta em porta.
O que � tudo isso? O que querem aqui?
- Nina Kacew? - Ela mesma.
- Documentos. - Eu pego.
- � da R�ssia? - De Moscou.
- Quando chegaram? - H� tr�s meses.
- O que � isso? - Chap�us femininos. Eu os vendo.
Revistem a casa.
Seus vizinhos dizem que possui material ilegal.
O que est� fazendo? Isso n�o! Tenha cuidado!
O que est�o procurando?
N�o podem simplesmente entrar sem permiss�o ou mandado.
Uma den�ncia foi registrada.
Uma den�ncia? De quem?
- As m�quinas s�o suas? - Temos os recibos delas.
Esc�ria! Acham que podem me expulsar daqui?
Experimentem! Vamos l�!
Saibam que temos muita coisa! Por todo o lugar!
Onde ela est�? A cobra que chamou a pol�cia pelas minhas costas!
Apare�a! Apare�a!
Venha me encarar!
N�o sabem com quem est�o lidando, com quem t�m a honra de falar!
Olhem para ele. � meu filho.
Ele ser� embaixador da Fran�a!
Escritor! Cavaleiro da Legi�o de Honra!
General! Ter� suas roupas costuradas em Londres!
Nunca algo me afetou tanto quanto o som das risadas.
Foi um dos momentos mais embara�osos da minha vida.
Mas as risadas me fizeram ser que eu sou.
Minha m�e me ensinou que n�o se pode ridicularizar um ser humano.
Eles n�o sabem com quem est�o lidando.
N�o seremos tratados daquele jeito.
Podem esperar.
Minha m�e era vingativa e queria humilhar seus inimigos.
Seu plano era ousado para uma cidade pequena como Vilnius.
Podia facilmente nos jogar na rua com nossas coisas outra vez.
Venham, depressa!
Nina Kacew?
Minha m�e conhecia um talentoso ator franc�s, do tempo do teatro.
Chamava-se Alex Gubernatis, e vivia em dificuldades,
em Vars�via.
� um prazer rev�-la, Nina...
D� o fora daqui!
- Est� bom. - Muito bom.
- Deu branco. - Como assim?
N�o vamos come�ar outra vez. "Sil�ncio, senhoras, sil�ncio."
- Sil�ncio, senhoras, sil�ncio. - Gesticule.
- Sil�ncio, senhoras, sil�ncio. - Precisa ser mais solene.
Assim... "Sil�ncio, senhoras, sil�ncio!"
Sil�ncio, senhoras, sil�ncio! Por que tenho que dizer isso?
Porque o sal�o estar� cheio. As damas mais ricas de Vilnius,
que acorrer�o para conhecer Paul Poiret, em pessoa.
Ela publicou nos jornais que o pr�prio Paul Poiret
viria de Paris para inaugurar o sal�o Maison Nouvelle,
na Ter�a-feira, 6 de Fevereiro, �s 16h.
Bem-vindos.
Est� lotado. Todos vieram.
N�o posso sair sem tomar uma dose.
Paul Poiret sairia cheirando a vodka?
Preciso de for�as, Nina. Passo um perfume, n�o v�o notar.
- Aqui est�. - Obrigado.
Minhas senhoras, agrade�o pela massiva presen�a
para prestigiar a maior sensa��o da moda de Paris:
Sr. Paul Poiret.
Sil�ncio, senhoras, sil�ncio.
Estou feliz por estar aqui hoje,
para inaugurar este sal�o para algu�m que gra�as a seu talento,
gosto e intelig�ncia,
foi dado o direito exclusivo para representar
a casa de moda Paul Poiret, em Vilnius.
Um caloroso aplauso para minha embaixadora, e amiga,
Nina Kacew.
Hoje eu sei o que ela queria.
Que o pr�prio Paul Poiret reverenciasse sua musa art�stica.
Nina tem um gosto refinado.
Contou sobre as mulheres polonesas.
Como vestem peles com gra�a e sofistica��o.
Mais ao sul as mulheres n�o entendem nada disso.
Fale de Paris.
Conhece Man Ray, Mistinguett e Maurice Chevalier...
Clotilde, do Moulin Rouge, adora meus chap�us.
Disse que caem t�o bem, que a dama pode andar nua.
A moda atual quer esconder as formas, mas vejam...
Isto n�o deve ser escondido.
Sil�ncio, senhoras, sil�ncio!
No dique do coito Encontrei uma dama
Que dormia de bunda nua No dique, no dique
Que dormia de bunda nua No dique do coito
No dique do coito Voltando de Nantes...
Vamos agradecer Paul por sua presen�a,
com a performance de uma can��o que ele certamente conhece.
Romain.
E assim foi inaugurado o distinto sal�o Maison Nouvelle.
Naquele mesmo dia, Gubernatis voltou para Vars�via.
Ent�o os abastados da cidade passaram a comprar nossas roupas,
e ganhamos muito dinheiro.
Minha m�e esperava que me tornasse um virtuoso violinista.
Eu estava determinado a cumprir suas expectativas.
N�o compreendia que seus sonhos eram ing�nuos e invi�veis.
Agora vamos ver o que pode fazer.
N�o quero que desista.
Disse a ele que eu era bom. Que comeria o chap�u ao me ouvir!
Mas voc� � bom, Romain.
- Voc� voltar� amanh�. - Nunca na minha vida!
Foi uma grande decep��o, mas n�o voltamos a mencionar o epis�dio.
N�o, pintura n�o. N�o deve se tornar pintor.
- Mas eu posso ser bom nisso. - N�o importa, pintor n�o.
Ele tem talento, Nina.
E da�? O que Van Gogh e Gauguin conseguiram com seu talento?
- N�o quero que pinte. - Mas eu sou bom!
Van Gogh se suicidou. Voc� pode ser um g�nio,
mas isso o matar�. Voc� deve ser famoso em vida.
M�sica e pintura estavam fora de quest�o,
ent�o partimos para a literatura. Mam�e n�o podia se opor.
Goethe era muito decorado, Tolst�i se tornou nobre
e Victor Hugo congressista. Havia algo em sua defesa.
Me mostre o que escreveu.
"Um manto escoc�s e bum, uma explos�o."
"Adeus, pequeno drag�o, que voa..."
E ent�o?
"que voa pelo ar. Achou que era t�o forte, camale�o."
Voc� ser� um Tolst�i, meu filho.
Ser� um Victor Hugo.
Mam�e fez de tudo para me tornar um homem do mundo.
Mais seco nos calcanhares. Fique ereto. Ent�o incline-se.
N�o encoste o l�bio.
Meu nome � Sverdlovskij.
Est�o aqui para aprender, ent�o olhem e escutem com aten��o.
Apontar!
Fogo!
Voc� est� lindo.
- N�o quero usar isto. - Como assim, n�o quer?
Todos v�o zombar de mim.
� a pele mais bonita da cidade. Se rirem, ser� por inveja.
S�o rid�culas essas coisas penduradas.
Essas coisas penduradas s�o caudas de esquilo.
Por favor, mam�e...
Querido, eu sei o que fica bem em voc�.
Quero que use isso, por mim.
Sempre �amos ao cinema assistir aos filmes com Ivan Mosjoukine.
Ivan Mosjoukine, o grande ator do cinema russo.
Ele representava her�is rom�nticos e nobres aventureiros.
Salvava a todos os imp�rios, com espadas e pistolas.
Resgatava donzelas e suportava torturas a servi�o do czar.
As mulheres ca�am a seus p�s.
E eu era feliz pensando em tudo o que mam�e esperava de mim.
Quando era atriz, na R�ssia, me apresentei em teatros.
Atuei ao lado de Mosjoukine. Ele j� era famoso.
Sabe o que ele me disse, quando voc� nasceu?
Ele disse:
"Seu filho � a �nica pessoa que realmente importa para voc�."
Por isso eu parei.
Larguei o teatro por voc�.
Vista isto.
Olhe para mim. Com mais vigor.
Com mais vigor. Como homem.
Com esse olhar, far� as mulheres sofrerem, como ele.
Tinha nove anos quando me apaixonei pela primeira vez.
Foi uma paix�o fulminante, que consumiu minha exist�ncia.
Ela tinha oito anos, e se chamava Valentine.
Determinado a seduzi-la, eu fiz como mam�e me ensinou.
Mandei meu olhar vigoroso a ela.
O que est� fazendo? Voc� � esquisito.
Tem algo errado na sua cabe�a?
Quer ir ao cemit�rio?
- Filhinho da mam�e. - Vamos l�.
- Onde est�o os outros? - Eu os mandei embora.
- Por qu�? - Para ficarmos sozinhos.
- O que vamos fazer? - N�o sei.
Jan come tudo por mim. Ele j� comeu terra.
- Eu posso fazer isso. - Aqui tem um pouco.
Coma com a folha.
Assim come�ou meu mart�rio.
Peguei voc�s! O que est�o fazendo?
- N�o � da sua conta. - Ele comeu terra por voc�.
- Deixa ele. - N�o toquei nele.
- Quem voc� pensa que �? - Ningu�m...
- Parem com isso! - Voc� � embaixador?
Cala a boca. Vou voltar para a festa.
Veja o que voc� fez.
Me devolva!
Devolva!
Sabe que horas s�o? E que estado � esse?
O que aconteceu? Voc� andou apanhando?
H� tr�s raz�es pelas quais vale a pena apanhar.
Mulheres, honra e a Fran�a.
Foi por alguma delas? Que bom.
Eu entendi que o amor que me rodeava em casa,
n�o era o que esperava por mim l� fora.
Ol�! Valentine, voc� est� a�?
Sabem por que est�o aqui.
Aquele que comer mais, ganha um beijo meu.
A casa do caracol tamb�m?
Claro! Com a casa do caracol. Jan, voc� come�a.
Que nojo...
Vai ser pior pra voc�! Olha o que vai ganhar!
Espere e ver�!
Eu sabia que n�o era o bastante. Precisava ir al�m.
Comerei isto por voc�.
Na �poca, as crian�as n�o sabiam sobre os mist�rios do sexo.
Eu estava convencido que era assim que se amava.
Obrigada, doutor.
At� logo, senhoras.
- � verdade? - �.
Romain! Diga que n�o � verdade!
Diga que n�o � verdade! Comeu uma bota por uma mulher?
- Eu a amo. - Como assim, a ama?
A menina Bronsky? Voc� ama aquela cortes�?
Ela te deu algum presente?
Quando for embaixador, ter� as mulheres mais bonitas do mundo.
Elas se jogar�o a seus p�s.
Elas morrer�o por voc�, e voc� as far� sofrer.
Ent�o, esque�a a pequena Bronsky.
- Por que esse interesse todo? - Posso falar com o embaixador?
Espere a�.
- O que voc� quer? - Valentine pediu para busc�-lo.
Tem certeza de que ela est� aqui?
A� est� ele.
Soube o que aconteceu com minha irm�.
- Quem � sua irm�? - Valentine.
- Por que eu n�o conhe�o voc�? - Eu fa�o as perguntas.
Se n�o deix�-la em paz, vou arrancar seu nariz e orelhas.
- Voc� entendeu? - Sim.
- Ent�o diga! - Eu entendi.
Voc� � filho daquela prostituta que anda por a� se gabando
de que ela e o filho genial v�o para a Fran�a vender chap�us.
- Por que continuam aqui? - N�o posso ir no meio do ano.
N�o ser� porque n�o querem judeus na Fran�a?
Corra, judeuzinho! Corra!
Escute bem, Romain. Na pr�xima vez que insultarem sua m�e,
venha para casa de maca. Voc� entendeu?
Mesmo que quebrem cada osso seu.
Ou ser� in�til voltar para a Fran�a.
Grave minhas palavras! Grave minhas palavras!
A partir deste momento, voc� deve me defender.
Mesmo que o acertem. � tudo o que ir�o ferir.
Se for preciso, deve morrer por mim.
Sente-se e termine.
Sra. Podowska est� aqui. Quer comprar a cr�dito outra vez.
Cr�dito? Com tudo o que ela deve?
A� est� voc�. Achei que tinha sa�do.
Voc� sabe, estou sempre por perto.
Nina, pode ajustar meu vestido at� sexta-feira?
Sra. Podowska, Aniela pergunta se mandamos a conta ao seu marido?
Minha amiga, conto com sua discri��o.
Acertarei tudo na semana que vem.
Se � assim, podemos aprontar o vestido e o chap�u
para a semana que vem.
O que isso quer dizer?
Seu d�bito � significativo, e n�o recebemos nada h� dois meses.
Est� sugerindo que n�o quero pagar?
Responda, ent�o poderei formar minha opini�o sobre voc�.
N�o, claro que n�o. Eu confio em voc�.
Aniela!
Pegue o chap�u da madame
e pe�a para as meninas ajustarem o vestido.
Ponha na conta dela.
�ramos a melhor casa de moda da cidade,
mas esse prest�gio n�o se refletia nas finan�as.
As meninas n�o querem mais trabalhar de gra�a.
- O oficial esteve aqui... - N�o me importo com ele!
Romain. Venha, meu menino.
As dificuldades vieram e Aniela decidiu se mudar.
Nossa separa��o foi terr�vel.
Sab�amos que nos abra��vamos pela �ltima vez.
Fique aqui, Romain. Tenho algo importante a fazer.
Volto logo.
Bom dia. Gostaria de falar com a Sra. Podowska.
Pode dizer que � Nina, amiga dela.
O que voc� quer?
Desculpe o inc�modo, mas n�o a vejo no sal�o h� um bom tempo.
E gostaria de saber quando pagar� sua d�vida.
Deve entender que s�o tempos dif�ceis e tenho contas a pagar.
Voc� e sua mania de falar em dinheiro.
Devia ter imaginado desde o in�cio.
Minhas amigas me avisaram, mas eu a defendi,
mesmo voc� sendo uma judia. Foi um grande erro.
Adeus.
N�o vai escapar assim. Ladra!
Tenha vergonha na cara!
Voc� n�o � melhor que os ratos que eles prendem!
Muito bem. Caia fora!
Toda a Vilnius ficar� sabendo que Podowska � uma ladra!
Espero que voc� apodre�a no inferno! Sua vaca!
Vou chamar a pol�cia!
Romain...
Voc� aqui?
Vamos deixar esta cidade. Voc� vai estudar na Fran�a.
Eu prometo.
Mesmo lutando muito para reviver a empresa, a batalha foi perdida.
N�s declaramos fal�ncia.
A senhora me daria a honra?
- N�o, querido. - Vamos, mam�e.
- N�o estou bem, querido. - Seja boazinha.
Naquele dia eu jurei mudar o mundo
e coloc�-lo aos p�s dela.
Daria sentido a seu sacrif�cio e mostraria a ela seu valor.
Eu iria dedicar minha vida a essa tarefa.
Lesley, voc� est� lendo?
� horr�vel ficar bisbilhotando!
� maravilhoso, Romain.
Maravilhoso? A ironia inglesa � perversa!
N�o � ironia, � a verdade.
Me deixe ler at� o fim.
Senhor? Venha nos ajudar.
Cuidado.
Venha, me d� a m�o.
- Cuidado, � muito fr�gil. - Sim, terei cuidado.
Minha primeira mem�ria da Fran�a
� do carregador da gare de Nice.
Ele carregou o ba� com o resto da prataria russa,
que seria nossa garantia no futuro.
- Para a Avenida Shakespeare. - N�o levo. Fale com Rinaldi.
- Voc� � Rinaldi? - Sim.
- Para a Avenida Shakespeare. - N�o posso levar isso.
J� olhou para o seu carro? Minha bagagem n�o far� mal.
Sente-se atr�s.
H� dias em que se deve ficar na cama.
J� estamos chegando.
Venha ver.
O mar mediterr�neo. A vista me deixou sem f�lego.
Toda vez que olho,
sinto que minhas dores desaparecem.
Herdei este samovar de minha m�e,
pertencia � corte do Czar Nicolau II.
Ela conseguiu salvar este inestim�vel objeto...
Entenda...
N�o consigo falar sem me emocionar.
Voc� mostrou os objetos pelo melhor lado e os tornou vivos.
- Mas voc� tem um problema. - Qual?
Posso ser honesto?
- N�o h� nada de especial nisso. - Pertenceu ao Czar Nicolau II.
� a quinta vez que ou�o isso esta semana. Pedem uma fortuna.
Ningu�m pagar� por isso nesta �rea.
Uma fortuna?
Por um objeto aut�ntico? Eles falam em c�pias.
Eu trouxe o original, que testemunhou eventos sangrentos.
Posso propor uma sociedade.
Voc� continua representando a condessa russa falida...
- O que eu sou. - O que voc� �.
para vender pe�as da minha loja pelos hot�is da costa.
Que pe�as?
An�is, rel�gios, caixas para p�.
E o que eu e meu filho ganhamos?
10% do pre�o de venda.
E para mostrar que a proposta � s�ria,
lhe darei um adiantamento para suas despesas.
Fomos salvos. Por um franc�s.
Venha.
Os anos se passaram.
Logo minha m�e montou vitrines com itens luxuosos nos hot�is.
Ela intermediou vendas de edif�cios
e investiu em um novo t�xi para Rinaldi.
Era uma �poca de paz e tranquilidade.
N�o queria bisbilhotar,
mas sua m�e disse que era um escritor genial.
Me deixou curiosa. Me chamo Mariette.
- Prazer. - Prazer...
Sua m�e pediu para tomar conta de voc�. Vou cuidar de tudo.
Lavar, passar, limpar...
Polir os sapatos e arrumar a cama...
Tudo!
N�o precisar� levantar um dedo.
N�o est� aqui para ouvir m�sica!
Sim, madame.
N�o fique chateada. Fui eu quem ligou.
Ent�o ligue de novo.
Romain, esqueci de dizer. Vi sua m�e no mercado.
Ela falava como se voc� fosse um pr�ncipe num cavalo branco.
Meu Romain isso, meu Romain aquilo...
Tudo bem que � porque � filho dela, mas...
depois de um tempo come�ou a me afetar.
Mariette preenchia meu mundo, no momento que abria meus olhos.
Uma vez, n�o fui a escola e fiquei deitado at� ela chegar.
Bom dia, Romain.
O desejo da mulher � o desejo de Deus.
E finalmente, o milagre aconteceu.
Romain, o que est� acontecendo?
- Como ousa tocar no meu menino? - Mas voc� disse...
O que eu disse?
Desapare�a, antes que a jogue pela janela! Fora!
Nunca mais quero v�-la na minha frente!
Romain. Romain, venha aqui. Aonde voc� vai?
Venha c�, Romain!
Abra! Se o �nibus n�o estragasse, eu nunca saberia.
Voc� nunca teria dito!
Aos olhos de uma m�e. Como ousa fazer isso?
Me deixe em paz e cuide da sua vida.
Voc� se preocupa com tudo. Voc� decide tudo.
Estava sufocado! Tive um dia maravilhoso!
Puxe, Romain.
Mam�e vendeu uma propriedade,
e o dono a transformou num hotel, deixando-a como gerente.
Ela n�o sabia como gerenciar um hotel, mas aprendeu r�pido.
Ela saia �s seis e ia ao mercado, onde era uma rainha.
Vou levar.
- Bom dia, Dominique. - Bom dia, Nina.
Veja. Veja que maravilha.
- Me d� dez fatias. - Algo mais, Sra. Nina?
� tudo.
Mam�e! Mam�e?
Mam�e! Chamem um m�dico!
Com licen�a.
O que foi, mam�e?
- Mam�e, est� me ouvindo? - Nina...
O que houve?
� da sua m�e? Tem diabetes h� muito tempo?
- N�o entendi. - Veja.
- Por que n�o disse nada? - N�o � assunto seu.
Podemos chegar aos 100 anos, apesar disso.
Como posso confiar em voc�? Est� doente h� dois anos.
Algo mais que queira contar? Pode dizer tudo agora.
Devo gritar sempre que tomar uma inje��o?
Voc� mesma aplica as inje��es?
Guarde isso com voc�. N�o � da conta de ningu�m
Sabe quanto custa esse vinho?
Sou um taxista, n�o um comerciante.
Romain! Romain!
V� ajudar Rinaldi e seus bracinhos.
Pode deixar, eu carrego.
- Senhor... - Bom dia, madame.
- Sra. Kacew, eu presumo? - Sim.
Encantado, me chamo Zaremba. Reservei um quarto.
Sim, Sr. Zaremba.
- � polon�s? - Como voc� madame, imagino.
Este � meu filho, Romain. Ele � escritor.
Bom dia, senhor. Bem-vindo.
Voc� escreve? T�o jovem... Impressionante.
Tamb�m sou artista. Sou pintor.
Por favor, assine o registro. Pe�o uma semana adiantado.
Muito bem, n�o � problema.
O Sr. Zaremba estava longe de como mam�e imaginava um pintor.
S� podia haver uma explica��o. Ele n�o tinha nenhum talento.
O caf� da manh� � servido das sete �s nove.
Se precisar de alguma coisa, pode contatar a recep��o.
- Aqui est�, meu jovem. - Obrigado. Muito obrigado.
Ele acabou ficando por um ano.
Sr. Romain, por favor fique parado.
Estenda a perna direita para tr�s.
Descanse na cadeira. E os bra�os... Olhe para mim.
Isso, como se voasse.
Olhe para mim.
- Estou com c�ibra. - Coragem, Romain.
Devo confessar uma coisa. Estou interessado na sua m�e.
Sei que voc� preenche o cora��o dela,
mas gostaria de poder ser o n�mero dois.
- Espero que n�o o tenha chocado. - De modo algum.
Se sua m�e aceitasse
me dar algo dessa ternura, ela superaria isso,
e voc� seria mais independente. N�o � bom ser filho �nico.
Obrigado. Agora pode ir.
Aqui tem um pequeno agradecimento.
Uma de minhas humildes obras.
Obrigado.
V� ao Le Royal esta noite. Estarei l�, com a mam�e.
Boa noite. Pedi uma garrafa de champanhe.
Seria uma honra compartilh�-la com voc�s.
Sim, senhor. Com prazer.
Gosta de champanhe?
Sim.
Um anjo passou.
Realmente acredito que os anjos est�o presentes.
Romain, n�o convida sua m�e para dan�ar?
Madame, posso ter a honra?
Com Zaremba como padrastro, poderia respirar livremente.
Poderia at� me matar sem sentir culpa pela minha m�e.
Mam�e.
Minha nossa!
Venha, quero conversar com voc�.
O que houve?
Ele � um bom homem.
- Quem? - Zaremba.
- Vai come�ar a falar dele? - Tem propriedades na Fl�rida.
Mam�e... Mam�e!
Fora daqui!
N�o posso ajud�-la, mam�e. Ele pode.
- N�o preciso de ajuda! - N�o? Voc� est� doente.
E eu preciso terminar o estudos e prestar servi�o militar.
Sou mais forte do que pensa.
- Zaremba pode ajud�-la agora. - Chega dessa conversa.
Ele a respeita muito. Quer trat�-la como uma dama distinta.
Sei que estou velha. Mas escute, Romain...
Apenas uma vez na minha vida eu amei um homem.
E ele n�o me respeitava. Nunca agiu como cavalheiro.
Ele era um homem, n�o um menino.
Aquele pintor pode ir para o inferno!
Ap�s o casamento ir por �gua abaixo,
me desesperei por corresponder �s expectativas dela sobre mim.
Eu tinha que me tornar um g�nio da literatura francesa
e escrever uma obra-prima. Mergulhei fundo no trabalho.
Terminei meu quarto romance sob o pseud�nimo Fran�ois Mermont
que, como o anterior, foi recusado pelo editor.
Terminei minha gradua��o, e mam�e decidiu
que eu estudaria em Paris, para ampliar meus contatos.
Romain, depressa. N�o tenho muito tempo.
Logo antes da minha viagem, mam�e teve uma crise religiosa.
- Aonde est� indo? - Para a igreja russa.
- Achei que �ramos judeus. - Bem, eu conhe�o o padre.
Prometa que ter� cuidado. N�o se contaminar� com nada.
Eu prometo.
Jure que nunca aceitar� dinheiro de uma mulher.
Eu juro.
- N�o, mam�e, eu me viro. - S� pegue... Pegue.
� a �ltima vez.
Coragem, meu menino. Seja valente.
Voltar� vitorioso para casa. Eu posso ver isso.
Evite est�pidos e preconceituosos.
Eles o perseguir�o.
E nunca ande com meias furadas.
Quando tirar os sapatos diante de uma mulher,
seja sempre elegante.
- Posso ajud�-la? - Sim, por favor.
� meu filho. Vai estudar na capital.
Ser� um diplomata, escritor e oficial da for�a a�rea.
Impressionante.
Adeus, mam�e.
- Posso? - Obrigada.
- Quer que coloque em cima? - Sim, obrigada.
- Mam�e? - Para a viagem.
Espere, espere... Espere um pouco!
Ela n�o pode ir no trem!
- Ela n�o pode ir. Pare o trem! - � imposs�vel.
- Precisa parar. - Eu posso descer.
Se eu cair, ser� culpa deles.
Ol�, senhor! Ajude a tirar minha m�e do trem!
- Gostaria de um pepino? - N�o, obrigada.
Sua m�e deve am�-lo muito. Me chamo Brigitte.
- Voc� tem um belo sotaque. - Obrigada. Sou sueca.
Brigitte era a verdadeira encarna��o
da menina sueca dos sonhos.
Me chamo Romain.
- � um prazer. - Igualmente.
Meu amor! Isso! Isso, vou gozar! Vou gozar!
Cheguei em Paris em Setembro de 1934
e me inscrevi no curso de direito.
Al�?
Kacew! Sua m�e ao telefone!
"Te amo!"
"Isso, isso! Vou gozar!"
"Vou gozar!"
Al�?
Sim.
N�o, mam�e, n�o preciso de dinheiro.
N�o, n�o consegui nenhum trabalho.
Brigitte era bela e inteligente,
e nosso curto relacionamento era muito intenso.
- Espere, eu vou junto. - Nos vemos depois.
Te amo.
Sim.
Espere, Brigitte!
Brigitte! Brigitte!
Com o cora��o partido, escrevi obsessivamente
e negligenciei meus estudos.
A TEMPESTADE
Bom dia. Gringoire, por favor.
Estava muito deprimido quando abri o seman�rio Gringoire
e vi meu conto "A Tempestade" e meu nome em letras grandes.
Ei, senhor!
Aqui est�.
O que est� havendo? Quem fechou as venezianas?
Sra. Jacobi! Lucien! O que os h�spedes v�o pensar?
Voc� se tornou famoso! Eu sabia!
- Isto � para voc�. - Voc� � demais!
Obrigada. Obrigada, meu filho.
Jamais havia ganhado tanto dinheiro.
Achei que estava livre das dificuldades pelo resto da vida.
- Por favor... - Boa noite, senhor.
Arranje uma boa mesa e uma garrafa do seu melhor champanhe.
Voltei para Paris e escrevi tr�s novos contos.
Kacew, sua m�e!
Querido, comprei os jornais, mas n�o h� nada. Nada!
- Isso � normal. - Como assim, "normal"?
As pessoas perguntam. Todos querem ler o que escreveu.
- � normal, j� disse. - Pare de dizer que � normal.
Digo ao Pantaloni, que organizou uma festa
para comemorar seu primeiro romance, que isso � normal?
Pode dizer ao Pantaloni que eu recusei o compromisso.
O jornal quer que escreva baboseiras med�ocres.
O qu�? Quer dizer que perdeu seu emprego?
Estou ganhando bem, mam�e. N�o se preocupe.
- Como? - Estou escrevendo...
- Escrevendo com outro nome. - Outro nome?
- Sim, um pseud�nimo. - Qual?
- Qual o qu�? - Com que nome escreve?
Escrevi dois contos neste m�s...
com o nome... Corthis.
Andr� Corthis.
- Corthis? - Sim.
Isso � errado. O for�am a escrever coisas que n�o quer?
- Vou escrever ao redator. - N�o, mam�e, n�o fa�a isso.
Mas preciso explicar o que est� acontecendo no mercado.
Tudo bem. Tome conta do mercado e eu cuido do resto.
Amo voc�.
Por seis meses, n�o consegui publicar nenhum conto.
Eles acharam muito liter�rios e mandaram tudo de volta.
NICE, AGOSTO DE 1938
Meu querido! Como est� bonito!
Tem que ser feito. Precisa partir, meu querido.
Amanh� compraremos as passagens. J� comprei as balas.
N�o entendi nada. Para onde tenho que ir?
Para Berlim.
Berlim?
Esse Adolf Hitler tem que morrer.
Acredite, � o �nico jeito.
Pensei muito sobre isso.
Voc� � um excelente atirador. Acertar� o alvo de primeira.
N�o posso simplesmente sair e matar Hitler.
Se voc� for preso,
garanto que a Fran�a exigir� sua liberta��o.
N�o estava muito informado
e achava dif�cil acreditar que a guerra estava � nossa porta.
Havia uma onda de calor e preferi ficar no mediterr�neo.
A morte de Hitler devia esperar at� outubro. Perdi o entusiasmo.
Mas o dever chamou.
Bom dia. Uma passagem para Berlim, para depois de amanh�.
Sorte sua. Os alem�es d�o 30% de desconto aos turistas.
Ida e volta?
S� de ida.
Romain! Romain, Romain!
Eu imploro, n�o fa�a isso.
Desista de sua empresa her�ica.
N�o se pode pedir isso a uma crian�a.
Eu tenho lutado para fazer de voc� um homem.
E agora... Meu Deus!
E ent�o eu n�o fui matar Hitler.
Fui chamado a 4 de Novembro de 1938. Mam�e estava radiante.
Limpe a capota e a h�lice antes do caf� da manh�.
Sim, Capit�o.
Kacew, esteve bem, l� em cima.
Meu amado Romain. Quando obtiver sua ins�gnia de Tenente,
lembre de que ser� seu primeiro passo rumo � fama.
Com amor, mam�e.
Kacew, veja.
� seu pai. Bons sonhos.
AMEA�A JUDIA
Ap�s meses, chegou o t�o esperado dia,
em que eu receberia minha ins�gnia de Segundo Tenente.
Aspirante Laroux, Jacques.
N� 1, promovido a Segundo Tenente, com posto em Marraquexe.
Aspirante Duval, L�on. N� 2, promovido a Segundo Tenente.
Aspirante, Gu�rin. N� 27, promovido a Sargento.
Aspirante Galy, Jean. N� 63, promovido a Segundo Tenente.
Oficiais e suboficiais, dispensados!
Entre 300 aspirantes, fui o �nico que n�o foi promovido.
Aspirante Kacew, permanecer� aqui para forma��o complementar.
Contra todo o costume,
n�o fui sequer promovido a cabo. Eu queria morrer.
Minha m�e jamais sobreviveria a tal decep��o.
Quer saber por que n�o foi promovido?
Por ser judeu e ter cidadania h� pouco tempo.
� preciso ter cidadania h� 10 anos s� para o servi�o.
Se tornar oficial � mais dif�cil.
- Eu sou franc�s. - Uma comiss�o foi instaurada.
Estavam decidindo entre mant�-lo ou mand�-lo para a infantaria.
O Minist�rio queria que ficasse, mas os chefes votaram contra.
Fique feliz por n�o acontecer o mesmo que a Dreyfus.
A� est� ele, Nina!
Ele est� aqui! Meu filho!
O que houve? Onde est� sua ins�gnia?
Deixe eu explicar.
Vou conversar com minha m�e.
Sabia que mam�e estava acostumada com as adversidades,
mas eu queria poup�-la.
- N�o me tornei Segundo Tenente. - Por que n�o?
O �nico de 300.
� um tipo de puni��o disciplinar tempor�ria.
N�o entendo.
Seduzi a esposa do comandante. N�o pude me conter.
N�o consegui. Fomos descobertos e ele exigiu uma puni��o.
- Ela era bonita? - Como?
- Ela era bonita? - Mais do que possa imaginar.
Don Juan! Casanova!
� como eu sempre disse.
O homem poderia t�-lo matado.
300. O �nico de 300. Voc� � excepcional.
Caros amigos...
N�o posso explicar o porqu�, devido �s circunst�ncias...
Eu n�o posso. Mas gostaria de fazer um brinde
� Romain, que n�o � Segundo Tenente.
Isso � de especial import�ncia para n�s dois.
� Romain, o �nico entre 300.
Sei que alguns de voc�s t�m esperado por este momento,
e outros t�m temido.
Mas hoje � na Fran�a,
em seu pa�s, acima de tudo, que devem pensar.
Porque gra�as a voc�s...
A guerra veio em meu encal�o. Os militares foram mobilizados.
Que a Fran�a pudesse perder a guerra, n�o se cogitava.
Minha m�e jamais suportaria tal derrota.
Romain!
Romain, h� um pacote para voc�!
Mam�e veio beijar seu ratinho?
Meu filho!
Nenhum filho jamais odiou a m�e como eu, naquele momento.
Kacew! N�o vai nos apresentar?
- Entre no carro. - Tem vergonha de sua m�e?
- Que bonitinho! - J� chega.
Devem atacar imediatamente e marchar direto para Berlim.
- Diga isso aos superiores. - Sr. Capit�o.
� seu comandante?
Romain, responda.
Sim, Capit�o de Gache, l�der do meu esquadr�o.
Disse que voc� � muito sens�vel. Todos voam com a cabine aberta.
- Aqui. - Disse isso mesmo?
Que bom. Pegar um resfriado l� � uma das grandes preocupa��es.
N�o acontecer� nada.
Nem um d�cimo de n�s sobreviver� a isso.
N�o acontecer� nada a voc�.
Pare de agir como se soubesse de tudo.
Prometa.
N�o me acontecer� nada.
A guerra n�o durar� para sempre.
N�o durar� para sempre, e a Fran�a vencer�.
A Fran�a vencer�, porque � a Fran�a.
Infelizmente, devo informar a voc�s que deporemos as armas.
Esta noite conversei com o inimigo para buscarmos...
Kacew.
- Sr. Capit�o. - Os alem�es tomaram Paris.
Quem viajar para a �frica ou Inglaterra,
ser� considerado desertor.
O que vai fazer?
Encontrar de Gaulle, na Inglaterra.
O avi�o sai esta noite. Quer vir junto?
Por favor, Sr. Capit�o.
Esque�a as formalidades, Kacew. Partiremos quando o sol se p�r.
A costa est� limpa.
Abaixem-se.
Por aqui.
Kacew, Kacew!
- O que foi? - A inspe��o est� atr�s de voc�.
Dizem que � importante.
V� ver o que �.
Faremos um voo teste e voltamos para busc�-lo.
- Depressa. - Obrigado.
- Al�? - Romain, � voc�?
Em meio ao caos nas comunica��es,
era quase surreal ouvir a voz da mam�e.
A liga��o foi cortada.
- Pode ligar daqui. - Obrigado.
Sra. Jacobi, � Romain. Gostaria de falar com minha m�e.
N�o est�? Acabo de falar com ela.
Que hospital?
Pro diabo que ela n�o quer que me perturbem.
Vi o avi�o em chamas. De Gache caiu durante o teste.
Minha m�e me salvou outra vez.
Romain...
Aqui.
Obrigada. Que lindo.
Tenho que confessar uma coisa. N�o falei toda a verdade.
Verdade sobre o qu�?
Eu n�o fui... N�o fui nenhuma...
Poderia pegar o cinzeiro?
N�o fui uma grande atriz, n�o tr�gica.
N�o fui totalmente honesta.
Eu estive no teatro, mas nunca fui muito longe.
A Fran�a � tudo o que h� de belo.
Por isso eu quis que se tornasse um homem franc�s.
Foi bem sucedida.
O Marechal � s� um velho fraco. Disse a eles, no mercado.
Eu disse que meu filho ia mostrar a todos os covardes.
N�o precisa se preocupar. Eu vou lutar.
Acha que ela ficar� aqui por muito tempo?
Logo terei tempo para voc�s.
- N�o pode dizer nada agora? - Vai depender. N�o sei ainda.
- Ir� mant�-la aqui ou n�o? - Isso depende.
N�o pode dizer mais nada? Posso falar com um especialista?
- Sou eu, e n�o use esse tom. - Eu uso o tem que quiser.
Pe�o que proteja minha m�e, enquanto protejo o pa�s.
Nos proteger? E o armist�cio � o qu�? Bobagem.
A pobre doida falava da perda dos neg�cios...
Nunca mais chame minha m�e de pobre doida. Entendeu?
- Voc� tem m�e? - N�o mais.
Agora tem. Aquela mulher que insultou � sua m�e.
Diga. Diga! "Ela � minha m�e", diga!
Ela � minha m�e.
Muito bem. Daqui para frente ter� que trat�-la com respeito.
Deve cuid�-la e proteg�-la, como se fosse sua. Entendeu?
Minha licen�a expirou.
Ent�o... adeus.
Palavras n�o podem descrever nossa separa��o.
Ap�s 26 anos sem marido,
ela devia me ver como homem, n�o como filho.
N�o esque�a de trabalhar. Deve continuar escrevendo.
Farei isso, mas precisa me dar tempo.
Lembre de ir ao m�dico regularmente. Mandarei insulina.
N�o deve se preocupar. Sou um velho cavalo de guerra.
J� que sobrevivi tanto tempo, posso me manter mais um pouco.
Tenho que ir. Vamos...
Soube que alguns franceses
que continuam lutando na Inglaterra.
Devia se juntar a eles.
Eu sei.
Ela sabia como ningu�m o quanto custava para mim sorrir,
pois sorriu tamb�m.
Parte de sua coragem passou definitivamente para mim.
- O que faz aqui, Kacew? - Vou mijar.
- N�o se mexa. - Aperte, judeuzinho.
Aperte! Ent�o atirar�o em voc� como num rato.
Depressa!
- O tanque n�o est� cheio. - O qu�?
- N�o tem mais que meio tanque. - Ent�o nunca conseguiremos.
Vire a h�lice.
- O que est� fazendo? - Vou ficar. N�o sei nadar.
Finalmente eu era um rebelde, um cara dur�o.
Estava de volta � guerra.
Eu sentia o olhar de admira��o da mam�e sobre mim.
Agora a aventura come�ava.
Cheguei ao Olympia Hall, onde se reuniam os volunt�rios franceses.
Recebi cartas da mam�e.
Amado Romain. Saiba que sua partida n�o me magoou.
- Seja forte e indom�vel. - E assim eu fui.
Mas est�vamos desesperados e querendo entrar em combate.
Deixem contar o que aconteceu na outra noite.
Estava com uma poetisa inglesa, num bar de pilotos.
O terno?
Minha m�e queria que minhas roupas fossem feitas em Londres.
Sabe o que a pol�cia disse quando perguntaram sobre Joyce?
Um irland�s que escreveu pornografia com o nome "Ulysses".
Por isso Ezra Pound � uma grande inspira��o para mim.
Est� ouvindo, querido? N�o est� me ouvindo.
Eu falo de Ezra Pound porque, quando l� o que eu escrevo,
� como uma onda...
Ela n�o parava de falar e me olhar com seus olhos azuis,
que exalavam idiotismo. Eu n�o pude aguentar.
Ontem eu escrevi:
"O fogo da vida se agita em mim. Preciso abra��-lo."
Estou sempre pronta para a inspira��o,
pois a inspira��o pode vir a qualquer momento.
- Gostaria de dan�ar? - Adoraria dan�ar com voc�.
� um belo uniforme...
Eu tenho um talento natural para representar.
Eu realmente estou tentando encontrar uma linguagem pr�pria...
� claro, vamos dan�ar.
Era extremamente absurdo ter que lutar por uma garota
de quem sonhava me livrar.
Querido, meu Deus!
Continue andando, n�o volte!
Achei que havia me livrado da poetisa. Me enganei.
A menina viveu uma aventura e queria mais.
Espere! Ele quer um duelo.
Duelo? Temos um blackout. Ningu�m se importa. N�o v� isso?
N�o podia deix�-lo ofender a Fran�a,
ou o c�digo de honra polon�s.
Muito bem. Prepare as armas. Duas pistolas, dez metros.
Voc� vai mat�-lo. Posso sentir.
Se eu vencer, voc� reconhece. N�o quero matar os tr�s.
Diga que o matarei e enfiarei a bandeira polonesa na bunda dele.
� ele quem vai atirar em voc�. � entre voc�s dois, apenas.
Em posi��o!
Apontar!
Fogo!
Meu Deus! Minha nossa!
Voc�s s�o um bando de imbecis. Fran�a e Pol�nia s�o aliados.
S� um idiota iria querer que nos mat�ssemos.
A poetisa chamou uma ambul�ncia,
e eu fui preso pela pol�cia do ex�rcito.
O polon�s ferido disse que foi um acidente.
Est�vamos partindo. Destru�ram Londres. Quer�amos lutar.
Essa � sua explica��o para o que aconteceu?
Precisamos de pilotos na �frica. Se quer evitar a corte marcial,
voc� embarca amanh�.
P�chkin foi morto num duelo. N�o teve sua sorte.
- Que sorte? - Os momentos com Sverdlovskij.
Os poloneses
n�o sabem que aprendeu a atirar com Sverdlovskij.
N�o. N�o, eles n�o sabem.
N�o escreve nada h� meses. Sabe o que quer dizer?
N�o quer dizer nada. Nada!
H� uma guerra. Eu fa�o tudo o que voc� pede.
Voc� precisa escrever. Como se tornar� um grande artista?
Sim...
Voc� tem raz�o. Vou me tornar um grande escritor.
Vou vencer a guerra e ser um diplomata.
Um embaixador franc�s. Diplomata e embaixador.
� assim que vai ser.
� assim que vai ser. Eu prometo.
Recebeu a insulina que eu mandei?
Na �frica eu assumi o posto em Bangui.
A guerra estava longe. S� nos defend�amos dos mosquitos.
Foi l� que comecei a escrever meu romance "Educa��o Europeia".
Por que n�o dan�a? Precisa fazer o dever de casa?
Deixe isso e venha dan�ar conosco.
Quer se divertir?
O que foi?
N�o posso mais. N�o posso.
N�o posso mais. Levante-se.
Quem � voc�? O que acha de bater?
N�o � o bangal� 17?
O mandaram para c� sem me dizer nada?
Essas coisas s�o minhas. Levante-se.
- Me d� meu dinheiro. - O qu�?
N�o � culpa minha voc� broxar. Me d� o dinheiro.
- N�o broxei... - Broxou. Me d� o dinheiro.
Veja o que voc� fez. Aqui est�.
Boa noite, parceiro.
Deixe-me ver isso.
�gua?
Geleia? Est� com fome?
Tem gosto bom.
O olhar daquela mulher
era o olhar velho e fatigado de minha m�e.
Agora precisa me dizer onde mora.
Ela estava perdida ou abandonada.
Eu a encontrei. Ela machucou a perna.
Onde a encontrou?
A uma hora daqui. Ela machucou a perna.
N�s a procuramos por dois dias. Obrigada por salv�-la.
Muito obrigada.
Peguei o filho da m�e!
Meu amado menino. Precisa escrever um bom livro.
Trar� conforto a voc� nos tempos que vir�o.
Me d� tempo! Me d� tempo, mam�e!
N�o pense ou se sinta angustiado por mim.
Precisa ter coragem.
Voc� sempre foi um artista. Com amor, mam�e.
Vamos l�.
Finalmente fomos enviados � L�bia,
para participar da campanha contra Rommel.
N�o beba essa merda.
Kacew! O que houve?
Como voc� est�? Devemos contatar sua m�e?
Ela n�o pode saber. N�o quero morrer aqui, Capit�o.
Vamos fazer nosso melhor, mas devia avisar sua fam�lia.
Estava com tifo. Os m�dicos disseram que n�o havia esperan�a.
N�o deixem minha m�e morrer aqui comigo,
neste hospital infectado de merda!
Sua m�e n�o est� aqui, Romain.
Ela est� aqui. Ela est� aqui!
Voc�s n�o sentem? N�o sentem?
Ela est� aqui.
Devia escrever para ela.
Eu disse a eles para n�o incomod�-la.
Estou aqui porque me fez parecer uma idiota.
Prometi a Deus e todo o mundo que voc� salvaria a Fran�a.
Que voltaria para Nice com um romance.
E voc� est� aqui, como um drogado qualquer.
Comecei a escrever um livro. Educa��o Europeia.
� como se chama. � sobre a luta da resist�ncia.
- E sobre amor? - Sim.
Ent�o deve terminar esse livro.
- Ser� lido no mundo inteiro. - Mas estou doente.
E da�? Maupassant parou quando teve s�filis?
Napole�o deixou de conquistar porque pegou mal�ria? N�o!
Voc� acredita em tudo que os m�dicos dizem.
- N�o h� nada errado com voc�. - Estou sem for�as.
� poss�vel.
Mas voc� lutar� at� vencer.
- E o pro�bo de morrer. - N�o vamos para a guerra.
Voc� ir� para o combate.
E quando voltar a Nice, iremos ao Promenade des Anglais,
enquanto todos gritar�o:
"Salvem essa mulher!"
"Seu filho retornou da guerra e se cobriu de gl�ria."
Os homens tirar�o o chap�u para mim e cantar�o A Marselhesa.
O que est� fazendo? Volte, Romain!
- Romain, deite-se. - Deite-se voc�.
Segundo Tenente Kacew, Sr. General!
Vi que me tiraram da lista dos vivos!
Os suboficiais n�o bateram contin�ncia. At� me ignoraram.
Sou o Segundo Tenente Kacew, filho de Nina Kacew e da Fran�a,
e eu protesto aos olhos de toda a Europa!
Tirou vantagem de sua posi��o.
E por qu�? Por que se chama de Gaulle?
Deixe-me esclarecer a multid�o. Exijo ser reintegrado
ao ex�rcito dos vivos!
Romain, acorde.
Doutor! Doutor!
- Meu mari... - Eu falo franc�s. O que houve?
- Um tumor no c�rebro. - Voc� foi examinado?
Estou morrendo, Lesley. Deixo a casa para voc�.
� a cabe�a e os ouvidos.
- Como se chama? - Romain Gary.
Romain Gary, o escritor franc�s?
Sr. Gary, precisa descrever exatamente os sintomas.
Como come�ou?
Estava trabalhando, quando senti dores na cabe�a e nos ouvidos.
- O que colocou no ouvido? - Havia um ru�do terr�vel.
O que colocou l� dentro?
- P�o. P�o integral. - Voc� enfiou p�o no ouvido?
N�o se mexa. O que diabos � isto?
Guacamole. O p�o estava muito seco.
Voc� desenvolveu uma infec��o por causa da obstru��o.
- Vou receitar um antibi�tico... - Precisa examinar meu c�rebro.
Seu c�rebro est� funcionando bem. Pode continuar escrevendo.
N�o, quero falar com um especialista.
Vamos mant�-lo em observa��o. Vou providenciar um leito.
Guacamole...
Em Agosto de 1943, meu esquadr�o foi para uma base na Inglaterra.
Finalmente eu ia para o combate.
Bauden, atirador. Voc� � o novo navegador?
- Sim, Romain Kacew. - Achei que estava morto.
- Voc� o conhece? - Claro que conhe�o esse maluco.
Querida mam�e,
as condi��es s�o duras aqui na base Hartford Bridge.
Aqui � frio. Tenho que escrever vestindo casaco e botas.
Meu livro est� na metade, h� dias em que � dif�cil trabalhar.
Semana passada perdemos 7 avi�es em Charleroi.
Voc� est� em meus pensamentos. Te amo, Romain.
Meu filho, nada acontecer� a voc� e conseguir� terminar seu livro.
Tudo correr� bem. Eu o treinei para isso.
Como consegue escrever � noite?
Temos que levantar em 4 horas e voc� s� escreve.
� como se toda essa loucura n�o existisse.
Trabalho todas as noites, at� ao amanhecer.
Logo acabarei Educa��o Europeia. Estou progredindo.
Meu glorioso filho. Lemos com admira��o sobre suas realiza��es.
Contei a todos os seus professores.
Nunca esque�a de trabalhar em seu livro.
Logo estar� pronto e o mundo conhecer� seu talento.
Estou orgulhosa de voc�.
Viva � rep�blica! Viva � Fran�a!
- L� est� ele. - Kacew!
Kacew, olhe para c�! � para o General de Gaulle!
- O que est� havendo? - Publicaram seu romance.
Kacew, sorria para a imprensa!
Corri para telegrafar as novidades para minha m�e.
Meu livro foi publicado na Inglaterra como Forest of Anger.
Finalmente havia feito algo por ela. Eu nasci.
Kacew, carta para voc�.
Lembre-se de que n�o precisa mais de mim. � um homem agora.
Procure casar, pois sempre precisar� de uma mulher.
� mais um defeito que eu o fiz desenvolver.
N�o pense muito em mim. Estou bem de sa�de.
Dr. Rosanoff est� muito satisfeito. Devo me despedir.
Li a carta esperando um coment�rio sobre o livro. Nada.
Ela o ignorou completamente.
Querida mam�e...
Sei que prefere o hero�smo � frente da literatura,
mas achei que a publica��o do meu livro a agradaria.
Voo todos os dias e o avi�o � perfurado por balas.
Voc� espera hero�smo de mim. Estou tentando mostrar.
Vamos ser abatidos, Kacew. Vou descer.
Langer, est� me ouvindo?
Estou cego!
Suba!
Suba!
Langer! Langer!
- Bauden? - Temos que saltar!
Droga!
N�o consigo... N�o consigo abrir a cabine.
Precisam saltar. N�o posso mais voar.
N�o, estamos perto do alvo. Largamos as bombas e voltamos.
- Mas eu estou cego! - Vamos jog�-las e voltar!
Estamos nos aproximando do alvo.
Abrir compartimento.
3, 2, 1... Soltar bombas.
Temos que subir, Langer! Suba, suba!
Escute minha voz, eu o guiarei.
Boston-C para torre de controle.
Temos um voo com um piloto cego.
Des�a devagar.
Estamos fora do curso. Para a esquerda. Libere o combust�vel!
Aten��o. Vamos aterrissar.
Foi a primeira vez na hist�ria da for�a a�rea,
que um piloto cego aterrissou seu avi�o.
Pela a��o, o Gen. de Gaulle me concedeu a Cruz da Liberta��o.
Finalmente, pude voltar para casa de cabe�a erguida.
Meu livro havia dado a minha m�e alguma honra art�stica,
e agora eu obtia a mais alta distin��o militar.
O dia D havia chegado. Logo a guerra acabaria.
Paris foi torturada, mas foi libertada.
Meu filho querido. Nos separamos h� muitos anos.
Espero que me perdoe, quando voltar para casa.
Tudo o que eu fiz, fiz porque precisava de mim.
Me sinto bem. Estou esperando por voc�.
Me perguntava sobre o que ela teria feito. Teria casado?
Corri para Nice.
Fui transportado de jipe em jipe, de Toulon a Nice.
Todo meu ser ansiava pela cidade, pela casa
e os bra�os abertos que me esperavam.
- Quem � voc�? - Boa noite.
Sou eu, Romain, filho da Nina.
- N�o tem nenhuma Nina aqui. - Espere. Kacew, Nina Kacew.
Quem � voc�? O que voc� quer?
Sou Romain, filho de Nina Kacew, ela est�?
Aqui n�o mora nenhuma Nina Kacew.
Este � o hotel dela.
Voc� deve estar enganado.
Senhorita! Por favor...
Minha m�e, Nina Kacew, est� neste hospital?
- Quando ela deu entrada? - N�o sei.
- O Dr. Rosanoff cuidou dela. - Dr. Rosanoff est� na ronda.
Espere!
- Dr. Rosanoff? - Por ali.
Sabe onde est� minha m�e?
Prossiga sem mim. Venha comigo.
O que est� havendo? Onde ela est�?
Sua m�e faleceu.
N�o... Por que diz isso?
Ela faleceu h� tr�s anos.
Bobagem... ela me escreveu. Recebi uma carta h� dias.
Ela escreveu para mim.
N�o.
N�o.
Em seus �ltimos dias, ela escreveu 250 cartas.
Escreveu noite e dia.
Ela pediu para mand�-las a um amigo,
que enviaria a voc� regularmente para a Inglaterra ap�s sua morte.
Uma ou duas por semana.
Ela achava que n�o sobreviveria se soubesse de sua morte.
Sim, o mais importante...
Eu fiz tudo o que ela pediu, Lesley.
Tudo.
E nada...
Escritor premiado, c�nsul, embaixador franc�s... Nada.
Reis, atrizes, dinheiro... Nem mesmo isto.
Ela sabia o qu�o dif�cil era...
ter roupas feitas em Londres? N�o.
N�o, ela se foi.
Ela morreu sem saber nada sobre isso.
N�o.
Ela nunca soube que eu cumpri minha promessa.
Esse livro � a �nica coisa que poderia fazer por ela.
Amor de m�e � uma promessa que a vida faz, mas nunca cumpre.
No fim voc� � condenado a sofrer por perder seus �ltimos dias.
Toda vez que uma mulher o toma em seus bra�os e o abra�a,
� apenas um mero reflexo.
Aqueles ador�veis bra�os envoltos em seu pesco�o.
Doces l�bios sussurrando a voc� sobre amor.
Mas voc� sabe melhor.
Porque voc� esteve na fonte, e voc� a secou.
ROMAIN KACEW ASSUMIU O NOME ROMAIN GARY.
ELE ESCREVEU 34 ROMANCES E DIRIGIU DOIS FILMES.
RECEBEU O PR�MIO GONCOURT 2 VEZES, UM COMO �MILE AJAR,
O QUE N�O TEM PRECEDNTES.
AP�S LESLEY BLANCH, ELE CASOU COM JEAN SEBERG, E TIVERAM UM FILHO.
ROMAIN COMETEU SUIC�DIO, AOS 66 ANOS.
SEU DESEJO FOI QUE SUAS CINZAS FOSSEM JOGADAS NO MEDITERR�NEO.
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