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Chamo-me Danny Dyer e este � o The Real Football Factories.
Fui Tommy Johnson no filme LSD - Luta, Sexo, Droga,
sobre a viol�ncia no futebol.
Tommy Johnson! H� s� um Tommy Johnson!
S�o todos doidos! Doidos!
Mas a� era representa��o.
Agora, ando pelo pa�s em busca das claques
que se envolvem em lutas reais nos jogos de futebol.
N�o h� sangue falso. N�o h� duplos. N�o h� caracteriza��o.
Desta vez, sou s� eu e os piores hooligans do pa�s.
Odiamos a escumalha do Leeds!
Conhe�o os l�deres que realmente mandam.
Inglaterra. J� demos muitas coisas boas ao mundo.
Mas uma das mais famosas
n�o � algo de que nos orgulhemos.
O hooliganismo no futebol.
Durante 30 anos, foi um problema em Inglaterra.
Ningu�m gosta de Inglaterra, somos o pa�s mais temido.
Estamo-nos nas tintas.
Export�mos essa viol�ncia.
Invadiu toda a Europa. Foi como os Vikings.
J� fomos a na��o mais poderosa do mundo.
Ainda achamos isso.
Desta vez, em The Real Football Factories,
procuro a viol�ncia que seguiu a sele��o nacional inglesa.
Vou tentar saber como e porqu� nos torn�mos
o principal exportador de viol�ncia no futebol.
S�o uma vergonha para Inglaterra.
Julgo que todo o pa�s se uniria para conden�-los.
Vamos descobrir como � que essa reputa��o
nos prejudicou, apesar de termos muitas vezes prejudicado.
E vou � Alemanha, o pa�s anfitri�o do Mundial,
para descobrir o que pode acontecer este ver�o.
Inglaterra deu o futebol ao mundo e tamb�m a viol�ncia � sua volta.
Recuando at� 1314, o rei Eduardo II baniu o jogo
por ach�-lo muito duro.
Quinhentos anos depois, em 1881, ocorreu o primeiro problema com um grupo.
E, nos 100 anos que se seguiram, o hooliganismo foi uma coisa dos clubes.
A viol�ncia na sele��o nacional veio muito depois.
Nos anos 70, seguir a sele��o de Inglaterra
n�o era t�o popular como � hoje.
E quando a Esc�cia vinha a Wembley,
para o jogo anual entre os dois lados,
os primos caled�nios de Inglaterra � que dominavam.
Imaginem o cen�rio. Junho de 1977, ano do Jubileu da Rainha.
Inglaterra enfrenta Esc�cia em Wembley.
Depois de vencerem por 2-1, milhares de escoceses alegres
invadiram o campo, partindo os postes,
arrasando tudo e deixando um rasto de destrui��o.
Um dos escoceses era o Rod Stewart.
Mas em ano do Jubileu da Rainha,
os elementos das claques inglesas n�o acharam piada.
Passariam a estar presentes nos jogos de Inglaterra.
Gra�as ao nosso mais antigo inimigo
os problemas com Inglaterra iam agora come�ar.
Atualmente, as viagens para o estrangeiro s�o comuns,
mas nos anos 70, sair do pa�s era algo novo e emocionante
e os jovens come�aram a seguir a sele��o
sempre que esta viajava pela Europa.
Eram embaixadores de Inglaterra
numa digress�o de viol�ncia e destrui��o por todo o continente.
Conheci um desses jovens.
Grant Fleming foi testemunha
de alguns eventos importantes da Hist�ria recente.
Enquanto fot�grafo freelancer, tirou fotografias
do funeral de Yasser Arafat, esteve no rescaldo dos bombardeamentos
no Afeganist�o e, quando era jovem, fez parte do grupo
que seguiu Inglaterra nos primeiros tempos.
Como compara seguir a sele��o a estar numa guerra?
Sinceramente, �s vezes n�o havia diferen�a.
EX-HOOLIGAN INGL�S
Pelo menos, numa dada altura, em meados dos anos 80,
quando foi pior em alguns s�tios.
Acho que me deu algumas bases
para aquelas situa��es em que achamos que as pessoas
andam atr�s de n�s, mas n�o � nada como no futebol.
Como era seguir Inglaterra, nos primeiros tempos?
Era uma aventura. Mais do que tudo.
E a verdade � que s� a ideia de sair do pa�s era mais...
... mais interessante do que o futebol.
Fomos os primeiros a sair,
grupos de jovens insatisfeitos que s� queriam confus�o, no fundo.
Os jovens insatisfeitos dos anos 70 ligaram-se ao hooliganismo
e � sele��o inglesa.
A primeira paragem foi o Luxemburgo, em outubro de 1977.
LUXEMBURGO
O pequeno pa�s com...
LUXEMBURGO
... menos de 500 mil habitantes
foi arrasado quando se viu invadido pelos 5000 adeptos ingleses.
O Luxemburgo n�o estava preparado?
Entende? Nada preparado.
- Claro. - � um pa�s min�sculo.
Min�sculo.
Deviam ser tantos ingleses como os luxemburgueses.
� mesmo pequenino.
A Pol�cia nunca teria visto algo assim.
� um principado bastante tranquilo.
E o que aconteceu, ent�o?
O est�dio n�o era grande coisa.
As pessoas facilmente arrancaram as cadeiras.
As veda��es foram abaixo. Havia grande agita��o.
Quando sa�mos, lembro-me que havia uma parte mais velha da veda��o
que acabou por cair e aquela que devia ser
a pol�cia antimotim, estava escondida.
- Porque j� se sabe... - Eram s� uns 20 agentes.
Depois, foi It�lia, em 1980...
IT�LIA - TURIM
... para o Campeonato Europeu.
A meio do jogo contra a B�lgica, em Turim,
arruaceiros ingleses j� lutavam
com a Pol�cia nas bancadas.
ADEPTOS ARRUACEIROS APANHAM COM G�S
Alguns skinheads correram para ali, deram uns murros e voltaram.
De repente, come�aram a atirar-nos sabe-se l� o qu�.
Por todo o lado. Era g�s lacrimog�neo.
- Perdi o meu filho. - Ter� sido detido?
Um mi�do de nove anos?
A Primeira-Ministra Margaret Thatcher
descreveu o comportamento dos adeptos como vergonhoso.
Perante tudo o que Thatcher e o Governo estavam a dizer,
aquilo de que se envergonhavam, isto parecia quase uma rea��o.
Do g�nero: "Vamos mostrar-vos como podem ficar envergonhados."
Entende? "Acham que somos escumalha? N�o nos querem?
N�o temos futuro? Observem-nos."
A claque inglesa estava viva e de boa sa�de.
Todos gostavam de viajar pela sele��o.
Mas a verdade � que, longe de casa, n�o se portavam muito bem.
Come�ou a surgir um padr�o no in�cio dos anos 80.
Onde a sele��o inglesa ia, os problemas seguiam-na.
Uns italianos vieram perguntar se �ramos ingleses.
"Sim." E deram-lhe um murro.
Assaltam as joalharias,
as lojas de roupa s�o pilhadas.
G�s lacrimog�neo ao intervalo, canh�es de �gua nas ruas,
batalhas com a Pol�cia.
Um jornal dinamarqu�s escreveu:
"Mand�mos os Vikings e agora est�o a vingar-se.
Nenhum pa�s tem adeptos t�o descontrolados
a seguir a sele��o."
As cidades europeias eram destru�das e Oslo, capital da Noruega...
OSLO - NORUEGA
... e Basileia, na Su��a, foram mais atingidas.
BASILEIA
Para mim, foi a� que tudo mudou.
Havia muita agressividade.
UMA FACADA NAS COSTAS
Foi ent�o que se tornou perturbador.
Tornou-se bastante grave.
No final dos anos 70, in�cio dos anos 80,
os hooligans tinham aterrorizado a Europa,
nas suas viagens atr�s da sele��o.
Mas a Europa estava a aprender
e no Mundial de 1982, em Espanha,
a Pol�cia espanhola estava preparada para os ingleses.
No jogo em Bilbao...
... contra Fran�a, uma simples briga
resultou numa carga � bastonada que quase teve maus resultados.
Quando os adeptos fugiam dos bast�es antimotim,
uma parte da veda��o cedeu, subitamente.
Incrivelmente, s� um adepto ficou ferido e quatro foram detidos.
E quando Inglaterra jogou em Madrid,
a Pol�cia mostrou como era dura a alguns adeptos num bar.
Desta vez, a culpa n�o era dos adeptos, mas da reputa��o que tinham.
No final da agress�o, os agentes estavam a ser incitados
pelos espanh�is que cantavam: "Argentina."
Nos seis anos desde que Inglaterra come�ou a viol�ncia,
foram expulsos de Copenhaga,
de Turim, de Basileia e de Oslo, s� para dar alguns exemplos.
Mas em 1983, no Luxemburgo,
Inglaterra voltaria ao local do crime original de 1977.
Desta vez, o Luxemburgo achou
que estava preparado para a invas�o dos 2000 ingleses.
Com 500 agentes da Pol�cia ao servi�o e 150 soldados,
sabiam bem o que esperar.
Era dif�cil de acreditar que era um jogo de futebol.
Centenas de soldados chegaram para apoiar a Pol�cia
e, a certa altura, pareciam ser mais do que os adeptos.
Lutaram com a Pol�cia antes e depois do jogo.
Uma testemunha disse que foi uma loucura.
Quando os adeptos ingleses apareciam, destru�am tudo no seu caminho.
Tanto a Pol�cia como as lojas foram atacadas.
Partiram as montras e as joalharias
e as lojas de roupa de marca eram os seus alvos.
Foram detidos mais de 50 adeptos ingleses.
Treze foram condenados a quatro meses de pris�o
e o Luxemburgo jurou que n�o voltaria a receber a Inglaterra.
A ESCUMALHA DA EUROPA
O aumento dos problemas com Inglaterra
trouxe o aumento do destaque nos jornais.
LOJAS SAQUEADAS 500 INGLESES EXPULSOS
REPUTA��O MERECIDA P�RIAS DA EUROPA
A NOSSA NOITE DA VERGONHA NO FUTEBOL
VERGONHA DE SER BRIT�NICO
Os hooligans no exterior
sempre deram bom material � imprensa brit�nica.
Muitas vezes, era a nossa imprensa que criava
aquele monstro que era exportado.
V�ndalos ingleses: escumalha.
O jornalista n�o diz s� a verdade.
INGLATERRA PROCESSADA
PSIC�LOGO DE MULTID�ES
Tem de vender jornais com o sensacionalismo.
V�NDALOS - VERGONHA
E quando n�o surgiam problemas,
os tabloides criavam not�cias com hooligans.
HOOLIGANS ITALIANOS BANIDOS
Os jornalistas procuravam problemas.
JORNALISTA
Ali�s, quase eram culpados por os incitar.
Sem problemas, n�o teriam not�cias.
VERGONHA INGLESA
Havia dinheiro, bebidas gr�tis...
Eram encorajados e sempre foi assim.
Ao certo, quem s�o os hooligans ingleses?
Para a imprensa, a claque inglesa era organizada
como as dos clubes.
ADEPTOS T�M PLANO
Paul Scarrott, autoproclamado l�der hooligan,
deportado de It�lia ap�s ter sido detido
na esta��o de Roma, onde foi encontrado a vaguear,
com uma garrafa de vinho a meio.
A verdade era que, ao contr�rio das claques dos clubes,
que s�o compostas pelas mesmas caras,
a identidade da claque nacional era dif�cil de descobrir.
N�o havia organiza��o. Cada um fazia o que queria.
Encontr�vamo-nos e improvis�vamos o que faz�amos...
EX-HOOLIGAN INGL�S
... dia a dia. Faz�amos o que nos apetecia.
Jason Mariner, um hooligan do Chelsea
que cumpriu quatro anos de pena, seguiu a sele��o inglesa a partir de 1987.
Podemos ouvir dizer que o Chelsea tem l� 60
ou que o Manchester United tem l� 40,
e o Stokes tem 30 ou o Leeds tem 30.
Entende? Cada um tem os seus.
Encontramo-nos e acabamos por nos conhecer.
Como temos interesses em comum, damo-nos bem.
A claque inglesa tem sido variada
e muitos elementos v�m de clubes menores
que nunca t�m a sorte de ir jogar fora.
Sempre houve clubes pequenos.
Como os Stokes, os Burnleys,
os Rochdales e os Stockports,
porque n�o tinham n�vel para jogar na Europa.
Era uma maneira de irem para fora
com o que vinha logo depois do clube, a sele��o nacional.
Em 1985, seguir Inglaterra tornou-se o �nico objetivo.
Ap�s a trag�dia no Heysel Stadium,
a UEFA imp�s cinco anos de san��o
�s equipas inglesas na Europa.
Apesar do desvario dos adeptos...
ENTRADA PROIBIDA
... nos �ltimos oito anos,
a san��o n�o se aplicava � sele��o.
Apesar de os clubes n�o poderem jogar no estrangeiro,
a sele��o nacional podia.
A sele��o permitia aos adeptos verem futebol no estrangeiro.
Gary "Boatsy" Clarke � um antigo hooligan ingl�s...
... que tem uma san��o de dez anos.
Come�ou por arranjar problemas com a claque do clube,
os Forest Executive Crew, mas em 1987,
os Forest foram banidos da Europa e ele come�ou a seguir a sele��o.
Veterano de v�rias incurs�es fora, Boatsy tem mais carimbos no passaporte
do que Michael Palin. Ele foi, viu e participou.
Fui � Jugosl�via na qualifica��o do Euro.
Acabei no hospital. Fui a Madrid,
e n�o havia pol�cias no hotel. Era incr�vel.
Fomos a Burgos e esfaquearam algu�m no bra�o.
Houve problemas em Paris.
Lembro-me que fui ao hospital em Dubrovnik.
Fui � Turquia e pass�mos uns dias em Bodrum.
Estavam l� uns cem turcos a fazer isto.
Era um s�tio muito manhoso.
Hoje, Boatsy voltou a Dusseldorf, na Alemanha,
local de um dos piores crimes ingleses.
Em 1988, o Europeu realizou-se na Alemanha.
Ap�s tr�s anos quase sem hooliganismo no estrangeiro,
desde a trag�dia em Heysel,
Inglaterra foi em peso ao campeonato.
Dusseldorf, 1988. Pode falar-me um pouco do ambiente
e da mentalidade?
Sim, toda a gente...
Lembro-me que passei meses a planear vir � Alemanha.
Os alem�es eram os �nicos
que nos faziam frente na altura.
Ter o Europeu na Alemanha
era o sonho dos hooligans. - Sim, claro.
E tamb�m nos calhou vir c� a Holanda.
N�o pod�amos pedir melhor, certo?
� verdade. E qual foi a influ�ncia do facto
de os clubes n�o poderem ir ao estrangeiro
e toda a gente se dedicar � sele��o?
Muita gente come�ou a seguir a sele��o.
Quando comecei, n�o havia muita gente.
S� iam uns 400 ou 500 adeptos,
mas o Euro 88 foi o arranque, quando todos come�aram a ir.
Para ser sincero, 1988 teve o maior grupo
que j� vi seguir Inglaterra. Todas as claques estavam l�.
Todas. Era uma claque gigantesca.
O problema foi um grupo de ingleses
que esperou os holandeses na esta��o de Dusseldorf.
Inicialmente, a Pol�cia controlou a situa��o.
Mas centenas de alem�es atacaram os ingleses
com garrafas, tijolos e g�s lacrimog�neo.
Os ingleses ripostaram e houve batalhas
nas ruas em redor da esta��o.
Dois grupos de adeptos atacaram-se repetidamente.
Com a Pol�cia em inferioridade,
a melhor solu��o foi deix�-los continuar.
Neste momento,
a Pol�cia est� a deixar a batalha continuar.
At� ver, foram detidos adeptos alem�es, holandeses e brit�nicos.
O centro de Dusseldorf esteve cercado 24 horas,
quando 2500 pol�cias alem�es vieram lidar com os adeptos.
Ap�s horas de batalhas, a Pol�cia rep�s a ordem
e controlou a situa��o.
- N�o fiz nada. - Est� cheio de sangue.
Tudo recome�ou no dia seguinte,
quando vieram mais adeptos ingleses, holandeses e alem�es.
Mal a ressaca passou e os vidros partidos foram limpos,
os adeptos ingleses voltaram � carga.
Cheg�mos aqui, pass�mos a esta��o e havia gente em todo o lado.
Malta inglesa de v�rias claques.
Deviam estar uns 400 ou 500 ao longo desta rua.
Mas a Pol�cia antimotim...
As carrinhas estavam aqui
e controlavam-nos. Quando fomos para o centro,
bloquearam a rua e vimos os holandeses
no fim da rua. Os ingleses tentaram apanh�-los,
mas a Pol�cia afastou-nos � bastonada. Isso durou uma hora.
And�mos a batalhar com a Pol�cia durante uma hora.
Os confrontos continuaram antes e depois do jogo.
Os ingleses lutaram de novo com a Pol�cia
Foram as 24 horas mais violentas
em que Inglaterra esteve envolvida.
Mais jovens ingleses passam a noite detidos
e termina um dos dias mais lament�veis
na hist�ria do futebol ingl�s.
Os danos em redor da esta��o s�o vastos.
Os danos ao futebol ingl�s s�o incalcul�veis.
Certamente ser� pedido que a sele��o inglesa
seja retirada das competi��es.
De novo, a culpa parecia ser dos hooligans ingleses,
mas foi outra hist�ria que foi dada a conhecer.
Os adeptos alem�es foram os piores ontem
e anteontem, e foram eles que come�aram os problemas.
Acho que houve muita viol�ncia, mas pelo que vi,
foram os alem�es que atacaram os adeptos ingleses.
Tinham g�s lacrimog�neo e paus. O que pod�amos fazer?
B�BEDOS - VERGONHA
Apesar das opini�es da Pol�cia alem� e dos adeptos ingleses,
a imprensa e o Governo voltaram a conden�-los.
BRUTOS EGO�STAS
N�o h� palavras. Chamam-lhes animais.
MINISTRO DO DESPORTO
Diria que at� s�o gentis demais.
N�o conhe�o animais que se comportem assim.
T�nhamos de ser bodes expiat�rios, n�o �?
O que podemos dizer?
Se o Governo nos odeia, todos nos odeiam.
N�o me agrada a maneira como todos os adeptos ingleses
s�o rotulados como arruaceiros.
N�o gosto da maneira como a imprensa, invariavelmente,
toma o lado da oposi��o.
Diria que h� quase uma tentativa concertada
para demonizar os adeptos ingleses e chamar-nos maus da fita,
quando h� pequenas claques de turcos,
de gregos e italianos que s�o t�o maus como os nossos.
�s vezes, piores.
Parecia que o problema do hooliganismo ingl�s
era mais denso do que pensava.
N�o se tratava apenas de a culpa ser sempre dos ingleses.
A situa��o era mais complexa.
A imprensa, a Pol�cia estrangeira e as claques de outros pa�ses
tamb�m faziam parte do problema.
A chamada "doen�a inglesa" j� n�o era exclusivamente inglesa.
Podemos ter come�ado, mas outros pa�ses apanharam o bichinho,
desenvolveram problemas de hooliganismo e come�aram a enfrentar os ingleses.
A reputa��o de Inglaterra tornou-a um alvo.
Quando os adeptos ingleses v�o ao estrangeiro, habitualmente,
s�o considerados violentos e isso habitualmente origina duas coisas:
primeiro � uma resposta policial agressiva e generalizada,
pois todos os adeptos ingleses s�o considerados violentos,
e em segundo lugar a imprensa d� muito destaque � presen�a inglesa
e surgem not�cias assustadoras nos jornais locais
com tend�ncia para atrair os hooligans locais ou jovens
que procuram defender o seu territ�rio
ou testar o seu estofo contra os ingleses.
Em 1990, viajar com a sele��o inglesa ao estrangeiro
devia ser uma ideia muito interessante.
Em 1990, quando Inglaterra foi ao Mundial em It�lia,
todos temiam o pior.
ITALIANOS PREPARADOS PARA HOOLIGANS
A imprensa previa uma chacina.
DUAS TRIBOS EM GUERRA
O receio dos organizadores
f�-los banir os ingleses para Sardenha...
SARDENHA - IT�LIA
... onde seriam vigiados por sete mil Carabinieri,
a implac�vel for�a policial italiana.
Na altura, eu tinha apenas 13 anos
e interessava-me mais ter o autocolante do Gazza
do que ir aos jogos,
mas falei com algu�m que esteve l�.
Ele viveu em primeira m�o o circo dos hooligans ingleses.
Havia uma grande expectativa
por parte da popula��o
de que os adeptos ingleses eram violentos e, quando cheg�mos,
come�aram a tratar-nos como se f�ssemos violentos.
Come��mos a ser maltratados pelos Carabinieri,
fomos atacados pelos italianos e a Pol�cia n�o nos protegeu.
Quando Inglaterra enfrentou a Holanda, a situa��o era explosiva.
E quando os ingleses iam a caminho do jogo,
o rastilho foi acendido
quando a Pol�cia atirou g�s lacrimog�neo
e, mais uma vez, tudo come�ou.
Estar l� fez-me perceber como a expectativa
da hip�tese de haver dist�rbios levou a uma s�rie de pr�ticas
que garantiram que eles acontecessem.
Era um c�rculo vicioso.
Adeptos ingleses, pol�cia agressiva, viol�ncia.
Parte da raz�o � que o homem anglo-sax�nico comum
n�o � uma boneca de porcelana.
Os adeptos ingleses t�m algo peculiar.
Ou seja, os adeptos ingleses
s�o um grupo que n�o recua quando � confrontado.
Se falarmos dos adeptos ingleses
enquanto grupo, em termos dessa mentalidade,
o n�mero de adeptos ingleses que vai opor-se e ripostar
ser� praticamente a globalidade.
Sempre foi assim e continua a ser.
E quando n�o era a Pol�cia, eram os adeptos rivais
dispostos a enfrent�-los.
Quando Inglaterra foi a Turim nas semifinais,
foram os italianos que quiseram atacar os ingleses.
Desta vez, ningu�m pode acusar os ingleses de iniciarem os confrontos.
Os bandos que vaguearam pelo centro de Turim na noite passada e esta manh�
eram de jovens italianos em busca dos ingleses e de problemas.
Os adeptos ingleses foram colocados sob prote��o.
Foi-lhes dito que seriam retirados das zonas sob tens�o.
O alvo acabou por ser um acampamento ingl�s
nos arredores de Turim.
No campo, os adeptos ingleses acenderam fogos
e levantaram barreiras para bloquear os italianos.
De manh�, entre os destro�os ouviam-se queixas
de que as v�timas eram os ingleses.
Ap�s 15 anos, os problemas com Inglaterra estavam a piorar.
Neste c�rculo vicioso, onde Inglaterra ia, os problemas iam atr�s.
Na d�cada de 1990, os hooligans ingleses
eram os mais famosos do mundo.
Isso levou � oposi��o da Pol�cia local
e dos jovens que, segundo alguns, instigavam os problemas.
Pensam que s�o os ingleses, mas s�o mais os estrangeiros.
Querem atacar os ingleses. Se n�o forem os estrangeiros...
EX-HOOLIGAN INGL�S
... � a Pol�cia. Os ingleses limitam-se a reagir.
Depois, culpam os ingleses.
Gilly Shaw � um ex-hooligan proibido de acompanhar a sele��o.
No seu tempo, viu as claques de outros pa�ses
a enfrentarem a inglesa e n�o se impressionou.
Os holandeses s�o uma merda, n�o valem nada.
S� sabem atirar pedras e fugir.
Tamb�m n�o valoriza os italianos.
Ouve-se falar dos ultras, n�o �?
� uma merda. S�o um bando de tansos.
E quanto aos alem�es...
Para mim, s�o sobrevalorizados. S�o uma merda.
Mas tem uma admira��o secreta pelos polacos.
S�o doidos. Os polacos s�o estouvados.
Em outubro de 1993, Gilly foi a Roterd�o
com uma das maiores claques de hooligans ingleses de sempre
ao jogo de qualifica��o para o Mundial contra a Holanda.
Foi na pra�a de Roterd�o. Nunca me esquecerei.
Foi a maior multid�o que j� vi.
Eram uns cinco mil, a s�rio.
Lembro-me de um tipo de Portsmouth que estava ali
e aquilo come�ou, os holandeses correram contra n�s,
com correntes e tudo, e ele abriu o blus�o.
E disse: "Venham da�, merdosos."
Puxou de uma faca
e pensei: "Diabos! O que � isto?"
Mais uma vez, o c�rculo vicioso repetiu-se
quando os arruaceiros ingleses se encontraram com a Pol�cia.
Todos os adeptos ingleses sem bilhete
eram detidos numa cerca e enviados para um quartel militar
de onde eram deportados do pa�s.
Quando cheg�mos ao est�dio, havia uma cerca
e estavam todos a atacar a cerca.
A Pol�cia estava �s bastonadas � cerca.
Est�vamos a brigar com os holandeses fora do est�dio, com a Pol�cia.
At� houve pessoas esfaqueadas. Foi grave.
Ningu�m contesta o facto
de que foi o esp�rito combativo ingl�s
que derrotou o fascismo.
SABOTAGEM
Mas tamb�m � um facto que parte dos arruaceiros ingleses
t�m inclina��es de extrema-direita e s�o racistas.
Houve um per�odo em meados dos anos 80 em que passou a haver...
EXTREMA-DIREITA LIGADA A MOTIM DE DUBLIN
... uma atitude nacionalista e de extrema-direita
que prevalecia entre os apoiantes.
E isso acabou de forma muito deprimente.
FASCISTAS CULPADOS DO MOTIM
Chegou ao ponto de n�o querermos viajar
e estar perto disso. Porqu�, certo?
Por culpa dos adeptos ingleses
ouviram-se c�nticos racistas e provocadores.
FLAGELO DA EUROPA
Um dos favoritos era "N�o se rendam ao IRA",
que ressoou de forma particular em 1995.
Inglaterra foi a Dublin num jogo amig�vel
contra a Rep�blica da Irlanda,
mas o ambiente n�o era nada amig�vel.
N�o se rendam ao IRA!
Todos os ingleses cantavam
coisas como "N�o se rendam ao IRA".
Os irlandeses come�aram a entoar c�nticos republicanos
e os ingleses n�o gostaram.
Os ingleses perderam 1-0 e foi tudo pelos ares.
Come�ou porque havia ingleses
sentados ao lado dos irlandeses e esses come�aram a brigar,
e os ingleses em cima come�aram a atirar coisas.
O problema foi que toda a gente estava disposta a brigar.
O ambiente tenso dentro de Lansdowne Road
espalhou-se pelas ruas.
Se algum ingl�s tiver escapado � Pol�cia e andar pelas ruas,
quem sabe o caos que a noite pode trazer?
A cena que se viu em Dublin
foi dos piores momentos do futebol ingl�s,
um ano antes de receber o Campeonato Europeu de 1966.
LEPROSOS DO MUNDO
N�O PODEMOS RECEBER A FINAL DE 96
Mas costuma dizer-se
que a bonan�a vem depois da tempestade.
O que resultou do Euro 96...
O FIM DA INGLATERRA NA EUROPA
... foi uma nova ideia de Inglaterra e do que � ser ingl�s.
Quando o inevit�vel aconteceu e Inglaterra perdeu com a Alemanha nos penalties,
alguns adeptos que tinham afogado as m�goas com cerveja e cantigas
provaram que nem s� o futebol tinha voltado para casa.
Os problemas tamb�m.
Um casal que conduzia em Trafalgar Square
foi detido pela multid�o apenas porque o seu carro era alem�o.
Apesar dos problemas, o bem-estar gerado pelo futebol
que surgiu ap�s o campeonato
tornou mais f�cil acompanhar a sele��o.
O Euro 96 tornou o futebol mais popular,
tornou Inglaterra mais popular e penso que Fran�a 98
foi a primeira grande competi��o
onde vimos o crescimento e a mudan�a nos adeptos ingleses.
O Mundial de Fran�a 98
viu o maior n�mero de adeptos a acompanhar Inglaterra fora.
Mas os hooligans foram s� para causar problemas.
No dia antes do primeiro grande jogo de Inglaterra, foram not�cia
ao atacarem adeptos da Tun�sia e iniciarem um verdadeiro motim.
Os residentes ripostaram e os confrontos foram pela noite dentro.
Na costa francesa, a 80 km, o adepto do Portsmouth e Inglaterra, Martin Kerr,
estava de f�rias a acampar com a companheira e o filho dela.
Na manh� do jogo inicial de Inglaterra, ele foi a Marselha para ver a partida,
sem saber dos problemas do dia anterior.
Fui l� no dia do jogo
e ia animado, era fant�stico.
ADEPTO PORTSMOUTH E INGLATERRA
Todos queriam ver o jogo.
Os adeptos ingleses cantavam nos bares e nas ruas
e viam-se as bandeiras.
Os tunisinos estavam a cantar num dos extremos da rua.
N�o parecia haver problemas nessa altura.
Mas ele estava prestes a descobrir
que devido � reputa��o dos adeptos ingleses
at� pessoas inocentes seriam apanhadas na confus�o.
Quase no pontap� de sa�da, a situa��o come�ou a azedar.
Mais uma vez, surgiram problemas entre os dois grupos de adeptos
nas ruas de Marselha.
Era um ambiente de festa,
mas tornou-se muito mau e era poss�vel ver
que a situa��o ia descambar a s�rio.
A Pol�cia francesa come�ou a apanhar e a deter
aqueles que pensava serem os cabecilhas,
e tomou Martin por um deles.
Fugi para me p�r a seguran�a, mas fui agarrado por tr�s.
Senti a joelhada nas costas e houve algu�m
que me p�s um p� na nuca, levei pontap�s de lado
e, de repente, senti puxarem-me as m�os.
Estava de cabe�a para baixo,
puseram-me as m�os atr�s e algemaram-me.
S� a� percebi que era a Pol�cia.
Antes, pensava que eram os tunisinos
que estavam a pontapear-me.
Martin, um homem sem qualquer condena��o
por viol�ncia no futebol, foi condenado a tr�s meses de pris�o
na conhecida pris�o francesa de Ch�teau d'If.
As condi��es eram p�ssimas.
Havia baratas na cela.
�ramos tr�s em cada cela. Quando entr�mos, deram-nos uma manta,
sumo de laranja, acho eu, uma ma�� e um preservativo.
Um dos tipos perguntou para que era o preservativo
e o guarda, que falava Ingl�s, disse:
"Est�s numa pris�o �rabe. Vais precisar disso."
Ap�s sete semanas, foi libertado por bom comportamento,
mas voltou a casa rotulado como hooligan e foi despedido.
Foi um dos mais de 250 detidos em Fran�a,
mas no Campeonato Europeu de 2000,
houve 900 detidos na B�lgica...
B�LGICA
... que organizou a competi��o com a Holanda.
Pode ter sido o primeiro
campeonato de futebol do s�culo XXI, mas a Pol�cia belga
recorreu a t�ticas da Idade M�dia.
Quem passou por aquilo ir� falar do mesmo,
do policiamento altamente indiscriminado e agressivo.
A Pol�cia com m�o mais pesada que j� vi foi na B�lgica.
Eles prendiam toda a gente.
Um grupo de adeptos ingleses foi levado em rebanho pelo centro da cidade
e enfiado num bar.
Puseram-nos num bar e apareceu um velhote
com um capacete e um funil enorme.
Chegou � porta e pensei: "Que merda � aquela"?
Depois, a Pol�cia lan�ou g�s lacrimog�neo para dentro de um bar lotado,
com pessoas que j� estavam a beber no bar,
antes de entrarem pessoas envolvidas na viol�ncia.
Fomos todos gaseados e algemados sem termos feito nada de mal.
Est�vamos ali a beber.
Estavam a prender toda a gente.
Eu estava sentado ao lado de um americano e, � frente dele,
estava um velhote russo que estava no bar a beber um copo.
Esse tipo de rea��o policial indiscriminada
� um fator que contribui para o aumento dos dist�rbios
e para a continua��o da viol�ncia nos jogos de Inglaterra.
Isso ficou demonstrado quando um misto
de adeptos ingleses e alem�es agressivos e pol�cias de m�o pesada
resultou na conhecida batalha de Charleroi.
Essa briga n�o envolveu mais de 20 pessoas.
No espa�o de minutos, a Pol�cia belga levou um canh�o de �gua
para a pra�a e disparou-o para todo o lado.
Quando isso aconteceu, deu-se uma mudan�a
na mentalidade dos adeptos comuns que os leva a come�ar a dizer:
"Esperem l�.
Porque est�o a atacar-me? N�o fiz nada."
E eles come�am a sentir-se do mesmo lado que a pessoa
que queria causar conflitos com a Pol�cia.
Isso cria uma oportunidade para aquele grupo se unir
em oposi��o � Pol�cia, que antes n�o existia.
Por seu lado, a Holanda, coorganizadora, s� deteve seis adeptos ingleses
no jogo realizado em Eindhoven.
Os adeptos ingleses tiveram uma rea��o muito positiva
por parte da Pol�cia holandesa que aproveitou a oportunidade do Euro 2000
para promover um ambiente festivo.
E conseguiu-o com uma nova forma de policiamento
que n�o recorria ao confronto.
A t�tica era misturar-se com os adeptos
e resolver quaisquer problemas na origem com uma abordagem amig�vel.
Como j� tinham interagido com as pessoas,
n�o hesitavam em abord�-las para dizer:
"Ou�am, esperem l�. Est�o a come�ar a ficar descontrolados.
Se n�o pararem, teremos de vos prender."
Foi atrav�s da comunica��o e da intera��o
que os limites foram definidos e mantidos
e, sobretudo, respeitados pelos adeptos ingleses.
Ap�s o Euro 2000, foi apresentada a maior medida do Governo
para reduzir os problemas com Inglaterra:
as ordens de restri��o no futebol.
As ordens de restri��o tiveram impacto
nos hooligans que queriam acompanhar a sele��o.
Os referenciados eram proibidos de viajar.
Tinham de entregar o passaporte � Pol�cia
antes dos jogos para n�o sa�rem do pa�s.
Se fossem apanhados a infringir as ordens,
arriscavam seis meses na pris�o,
uma restri��o maior e uma multa at� cinco mil libras.
Com quase 3500 ordens de restri��o em vigor para impedir
hooligans conhecidos de irem ao Mundial,
tudo deve correr sem problemas.
Mas a Alemanha tamb�m tem hooligans.
E o que poder�o eles fazer?
Fui tentar descobrir. Combinei encontrar-me
com uma claque alem� na cidade de Col�nia.
Pare�o nervoso? N�o estou.
� hora de conhecer a claque alem�.
N�o sei nada a respeito deles.
Esta claque nem sequer tem nome.
Seguem a sele��o nacional e s�o uma organiza��o.
Uma coisa � andar em Inglaterra,
ir �s terrinhas do norte e tudo isso j� � complicado,
mas � no meu pa�s. Agora, estou na Alemanha.
Fui ao bebedouro deles.
N�o tenho medo, estou receoso, preocupado.
Disse a esta claque que veio comigo
que � cada um por si. Se houver problema, piro-me.
JOVENS DE COL�NIA
S� preciso do meu passaporte.
Disse � mi�da que veio connosco para cal�ar os t�nis
e n�o sapatos de salto alto,
porque digo-vos j� que a� vou eu.
Vamos a isso.
Vamos entrar em territ�rio desconhecido.
Sinto a barriga �s voltas, n�o sei porqu�.
Inglaterra! Inglaterra!
Deus salve a Rainha.
Este � o Martin que, como muitos hooligans ingleses,
est� proibido de ir aos jogos.
Quero come�ar por... N�o sei nada sobre os hooligans alem�es.
N�o sei como as coisas funcionam.
Podes falar-me um pouco da tua claque, do teu grupo?
Quantos s�o?
CLAQUE DE COL�NIA
Nos bons tempos, tivemos 100 ou 150 homens.
Isso diminuiu nos anos 80.
T�nhamos uma claque muito forte em Col�nia.
As claques de toda a Alemanha
tinham muita gente, uns 500 ou 600 homens.
Tal como atualmente em Inglaterra.
Mas agora os homens est�o mais velhos e t�m fam�lia.
Na Alemanha, � comum haver problemas com hooligans?
� todas as semanas ou � uma coisa muito residual?
� muito residual. Diminuiu.
Acontece duas ou tr�s vezes na �poca inteira,
mas isso depende da divis�o em que jogam.
Certo.
Na segunda, terceira e quarta divis�o
h� cada vez mais viol�ncia.
Mas na primeira divis�o a viol�ncia j� quase desapareceu.
Muito bem. Juntam-se todos pela sele��o nacional
ou h� rixas internas?
N�o, na Alemanha toda a gente est� unida.
Divertem-se todos juntos, mesmo que haja rivalidade nos jogos.
Temos visto nos �ltimos anos
que as pessoas se unem e se divertem juntas.
Muito bem. Achas que vai haver problemas neste Mundial?
Pode haver, mas isso depende das cidades.
- E... - Sim?
Por causa das restri��es.
N�o creio que haja muitos problemas...
- Muito bem. Vamos... - Por parte dos alem�es.
Oxal� tenhamos um bom campeonato.
Inglaterra-Alemanha na final. A Inglaterra ganha por 2-0.
Martin, �s uma joia. Obrigado por teres falado comigo.
� uma boa estrutura, parece bem organizada.
S� lhes falta um nome, n�o acham?
Alemanha!
Continuo a rebentar bolhas
Somos n�s Vamos foder Inglaterra
Inglaterra, vamos-te foder
N�o tolero isto. N�o tolero.
N�o posso mostrar o que lhes fiz,
porque a coisa ficou negra, sabem?
Enviaram-me um DVD de algo que tem acontecido
por toda a Alemanha e Europa de Leste.
� conhecido como Briga na Floresta e envolve dois bandos
com igual n�mero que se encontram na floresta para uma luta.
Nunca tinha visto nada assim.
� o caos, puro caos.
Neste, perto de Col�nia, vi imagens de uma batalha
entre um bando local e outro de Berlim.
Estou na floresta no meio do nada, � sa�da da autoestrada.
Eram 50 daquele lado, com camisolas laranja,
e 50 dos outros ali, com camisolas brancas.
E estavam a aquecer.
� uma loucura, faziam alongamentos e tudo.
Faziam o velho movimento do bra�o.
Nunca vi nada assim.
Esperava um grupo de velhotes a beber cerveja,
a fumar erva, b�bedos que nem um cacho,
mas s�o pessoas que treinam
para brigarem na floresta.
Quando embatem, � o caos.
Segundo as regras, quando algu�m cai
s�o proibidos pontap�s e murros.
Mas o que eu vi era uma loucura.
Se algu�m cai, est� em apuros.
Havia pessoas a espezinhar cabe�as.
Foi bastante assustador.
J� vi coisas maradas, mas aquilo foi muito marado.
A maior loucura foi que, depois de se pontapearem,
passavam uns pelos outros:
"At� logo, meu", e iam � sua vida.
Isto � um s�tio assustador, certo?
Vou-me pirar porque veio-me uma imagem de um alem�o
a aparecer de tr�s de uma �rvore para me estrangular.
No �ltimo dia da minha visita � Alemanha,
fui a um jogo em Col�nia.
COL�NIA - CENTRO
� uma das cidades anfitri�s do Mundial.
� neste est�dio que Inglaterra vai jogar
o �ltimo jogo do grupo contra a Su�cia.
Muito bem, acabo de vir do jogo.
Por fora, parece uma central el�trica,
mas acreditem que, por dentro,
� um est�dio a s�rio, muito compacto.
Os alem�es t�m uma boa voz.
Aquilo que mais me entusiasma
e que me deu �nimo para o Mundial
� que, quando estiver cheio de ingleses,
o est�dio vai ficar ao rubro. Veem aqueles postes ali?
V�o pegar fogo e sair a voar.
Isto deixou-me mais empolgado com o Mundial que tudo o mais.
A caminho do hotel ap�s o jogo, ouvi um som
que � t�o conhecido no futebol aqui como em Inglaterra.
As sirenes da Pol�cia soaram e pensei que ia come�ar.
Gente de Col�nia atacou adeptos de Frankfurt
� sa�da do est�dio.
Tal como em Inglaterra, a Pol�cia agiu.
N�o de uma forma agressiva e brutal, foi discreta.
Agiu com calma e os problemas foram evitados.
� assim que os alem�es v�o policiar o Mundial.
V�o encorajar adeptos de todo o mundo
a virem divertir-se e esperam que seja
uma grande festa e n�o uma grande batalha.
� aqui que v�o montar os ecr�s gigantes.
Se n�o tiverem bilhete, podem ver os jogos aqui.
Quando Inglaterra jogar, isto vai encher de ingleses,
vai encher de alem�es e suecos.
H� montes de bares por aqui, toda a gente vai beber o dia inteiro.
Todos v�o estar alegres.
Resta saber se vai haver problemas.
Sim? Ir�o provocar Inglaterra? Eles ir�o retaliar?
Espero que n�o. Acho realmente
que temos hip�teses neste Mundial
e ser� um pesadelo se formos eliminados.
Vamos divertir-nos e vamos l�, Inglaterra!
Nos dois �ltimos campeonatos,
Inglaterra n�o teve problemas devido �s ordens de restri��o,
a uma mudan�a de atitude e ao autopoliciamento dos adeptos.
No Jap�o e em Portugal, os ingleses foram elogiados
pelo seu comportamento, em contraste com os velhos maus tempos.
Os ingleses que v�o ao estrangeiro
envolvem-se mais com as pessoas em vez de destru�rem tudo.
Tamb�m temos malucos que fazem as coisas
que vemos no Brasil e isso � excelente.
O que vimos em Portugal foi diferente,
uma ideia positiva do que � ser ingl�s
que se tornou mais dominante e uma ideia mais deprimente
do que � ser um adepto que � rebaixado
e posto no seu lugar, que � no fundo do po�o.
Inglaterra � um s�tio muito diferente do que era antigamente.
J� n�o h� desculpa para aquele comportamento.
Somos superiores a isso. Somos um s�tio fixe, merda!
ORGULHO EM SER GRANDE
Espero sinceramente que j� tenham acabado
os grandes problemas de Inglaterra.
E no Mundial na Alemanha,
iremos falar sobre futebol e n�o sobre lutas.
Est�o a perceber, rapazes?
Legendas: Paulo Montes
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