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Chamo-me Danny Dyer e este � o The Real Football Factories.
Fui Tommy Johnson no filme LSD - Luta, Sexo, Droga,
sobre a viol�ncia no futebol.
Tommy Johnson! H� s� um Tommy Johnson!
S�o todos doidos! Doidos!
Mas a� era representa��o.
Agora, ando pelo pa�s em busca das claques
que se envolvem em lutas reais nos jogos de futebol.
N�o h� sangue falso. N�o h� duplos. N�o h� caracteriza��o.
Desta vez, sou s� eu e os piores hooligans do pa�s.
Odiamos a escumalha do Leeds!
Conhe�o os l�deres que realmente mandam.
Bem-vindos a um novo epis�dio.
V�o ficar a saber a hist�ria das maiores claques do pa�s.
Vou levar-vos numa viagem
ao mundo brutal da cultura dos est�dios.
Neste epis�dio, estamos na minha terra, em Londres.
Para mim, � a mais emocionante, mais cheia de vida
e a melhor cidade do mundo. Querem saber porqu�?
Porque aqui fazemos as coisas com estilo,
com alguma ousadia, entendem?
Os homens adoram brigar.
Acho que n�o conseguem criar uma droga assim.
Acreditem, se desse para engarrafar e guardar, f�-lo-ia.
� a melhor sensa��o do mundo, entendes?
Vamos analisar a moda e a cultura das claques.
Ser� apenas pela viol�ncia? Claro que �.
� o estilo de vida, a moda e a cultura. � uma coisa de Londres.
Adeptos do Arsenal e do Tottenham
estavam prontos para gritar,
mas n�o precisavam de ter tanta pressa...
Em Londres, h� uma dezena de equipas e adeptos por toda a cidade.
H� adeptos rivais na mesma rua, no mesmo emprego, na mesma fam�lia.
JOGUEM HAMMERS
Os adeptos hooligans constituem as claques.
No que diz respeito � liga,
os candidatos ao topo s�o �bvios.
Refiro-me � claque do Chelsea,
do Millwall,
do West Ham e do Tottenham.
Vamos falar da hist�ria dos bandos de hooligans,
desde os anos 70 at� hoje.
A imprensa tem fasc�nio pelos hooligans.
Vamos conhecer os homens que se tornaram c�lebres
no submundo das claques do futebol.
Acho �til...
ESPECIALISTA EM HOOLIGANISMO
... ver os adeptos de um grupo como se fossem uma tribo,
aquilo que caracterizou a nossa hist�ria desde a Idade da Pedra.
Pequenos grupos, com normalmente at� 150 elementos,
todos com um padr�o espec�fico de alian�as sociais,
de liga��es sociais ou posi��es que os definem,
enquanto pessoas, relativamente � sua tribo.
Desde os Teddy Boys nos anos 50, as tribos adolescentes lutam na capital
por territ�rio e respeito.
Nos anos 60, em Londres, os Mods e os Rockers levaram a luta
para as praias de Brighton e Margate.
Mas o fim dos anos 60 viu surgir uma nova tribo
que levaria a agressividade aos est�dios.
No final dos anos 60, a viol�ncia no futebol assolava a capital
e um novo movimento trabalhador ganhava identidade.
Os adolescentes aderiam � agressividade e � moda da cultura skinhead.
As botas e suspens�rios eram a nova farda dos doidos da bola.
ESPECIAL FUTEBOL
Quantos skinheads h� no comboio?
- Talvez uns 50 ou 60. - S�o 50 ou 60 skinheads?
Chegam para causar estragos, mas n�o v�o faz�-lo.
Os skinheads evolu�ram dos Mods.
Os Mods tinham um lado violento. As brigas faziam parte
do que a cultura skinhead se tornou.
COMENTADOR CULTURAL
Em 1968, todas as regi�es brit�nicas tinham um grupo skinhead.
A principal ocupa��o era ouvir reggae,
embebedar-se e brigar. Sa�am no s�bado � noite
na expetativa de brigarem, ansiosos por brigarem.
Os primeiros skins n�o eram racistas.
Ali�s, nos bandos skinheads londrinos havia sempre rapazes africanos,
havia sempre skinheads negros.
Como � skinhead, quero fazer-lhe uma pergunta.
Como pode ser um skinhead negro?
� �bvio que n�o percebo muito disso.
Pensei que os skinheads andavam por a� com su�sticas
e eram racistas, mas � �bvio que n�o.
SKINHEAD DE CHELSEA
Isso era assim nos anos 70.
Nos anos 60, eu ia ao futebol com uns 12 anos.
Os meus pais n�o sabiam, pensava que estava com amigos.
Para mim, a m�sica e o futebol s�o muito importantes.
Est�o combinados.
Surgiram as m�sicas do estilo rudeboy e as duas coisas andavam juntas.
O pr�prio visual foi criado para parecer agressivo,
pois h� um certo tribalismo no est�dio de futebol.
Isto � um casaco Harrington cl�ssico.
Deveria ser mais justo ou � o tamanho certo?
- Isso depende... - Gosto de roupa justa.
Para mim, seria mais largo,
mas o estilo da �poca seria parecido.
Para os rapazes que gostavam de andar aos murros,
seria um pouco mais largo.
Sim? � um modelito jeitoso.
Vou comprar este modelito.
Acho que vou compr�-lo. Posso lev�-lo?
Isso surgiu no futebol.
Foi a alavanca. Sen�o, como veriam a moda?
Como iria o norte ver a moda em Londres? Ningu�m viajava.
Depois, veio o estilo casual que ainda se v�.
Surgiu a Stone Island e a Aquascutum.
Eles copiaram o que viam nos est�dios.
Levanto o colarinho. Gosto assim.
Quero assim, sabes?
- O forro � bom. - � mais suave.
Acredita, o Billy Bright, do Frank Harper,
tem um igual em LSD - Luta, Sexo, Droga.
N�o o tirou uma �nica vez, mas � um bom visual.
Adeus.
Quando os est�dios foram definidos
como cen�rio para as lutas tribais,
as claques, as verdadeiras f�bricas de futebol,
ganharam destaque.
Sou adepto do West Ham, sem d�vidas,
mas em LSD - Luta, Sexo, Droga fui Tommy Johnson, hooligan do Chelsea.
LSD - LUTA, SEXO, DROGA - 2004
O cl�max do filme foi a rixa com a claque do Millwall,
filmada nos becos em redor do est�dio deles, The Den.
Na verdade,
o clube tem uma reputa��o tem�vel h� mais de 30 anos.
Vou falar com um dos principais representantes.
� a primeira vez que aqui volto desde o filme.
Sendo do West Ham, estou a entrar em territ�rio inimigo.
Bob...
- Muito prazer, Danny. - Igualmente.
- Obrigado por falares comigo. - De nada.
Foi aqui que film�mos LSD - Luta, Sexo, Droga.
Sim.
Levei uma tareia de dez do teu grupo.
Sim.
Lembro-me que isto estava vazio.
And�vamos todos a rebolar como loucos.
Entendes?
Bob, o que achaste de LSD - Luta, Sexo, Droga?
- S� sincero. - Foi bom.
A �nica diferen�a entre hoje e os velhos tempos
� que seriam precisos muitos figurantes.
Eram uns 30 ou 50 a brigar.
Antigamente, eram centenas ou milhares.
Aos 18 anos, parti a cabe�a, dois ossos na cara,
perdi 12 dentes, parti o nariz, parti o maxilar,
parti quatro costelas, a clav�cula, tive hemorragias internas...
... mas levantei-me na mesma.
Temos alguns amigos nossos que praticavam boxe ou artes marciais,
ou eram das for�as especiais. Temos gente muito bera.
VISITANTES
A viagem pelas claques de Londres come�a no Millwall.
Historicamente, s�o alguns dos hooligans mais temidos
de todo o pa�s, n�o s� da capital.
No arquivo dos jornais...
FUTEBOL NO SEU PIOR
... surge a hist�ria do hooliganismo em Millwall.
FALTAS, LES�ES E F�RIA
The Den foi o est�dio mais vezes fechado pela FA.
Cinco vezes entre 1920 e 1978.
Nos anos 70, estes hooligans foram documentados
na primeira tentativa de explicar o aumento da viol�ncia no futebol.
Na guerra dos est�dios,
s�o os F-Troop que exageram, s�o os verdadeiros loucos.
N�o vou sair daqui para um porco nortenho me cuspir em cima.
Se me cuspir em cima, parto-lhe um copo de cerveja na cabe�a.
Loucos autoproclamados como Harry the Dog,
v�o em busca de brigas e nunca saem desapontados.
Queremos dar cabo de alguns.
Somos os F-Troop. Adoramos brigar. Vamos ao futebol.
� mesmo isso.
E os F-Troop, Bob?
Obviamente, � uma claque a s�rio. Foste um dos dirigentes.
Os F-Troop eram homens implac�veis.
Muitos eram psicopatas. N�o tinham medo de nada.
Estamos a falar de uma claque que n�o tinha muitos elementos.
�amos em bandos de dez, 20 ou 30 e enfrent�vamos toda a gente.
Os jornais chamaram-lhe caos no est�dio.
Foi provocado por uma dezena de fan�ticos do Millwall
que atacaram dois mil adeptos do Tottenham.
Tr�s acabaram no tribunal e um deles no hospital.
Para os adeptos, s�o os Millwall Bootboys,
temidos e respeitados onde quer que v�o.
Uma fama que t�m por maus motivos.
Era um document�rio social.
EST� TUDO DITO
Quer�amos mostrar ao pa�s e ao mundo
aquilo que �ramos, trabalhadores.
Deu a entender que �ramos violentos e psicopatas.
Sim, �ramos, mas a hist�ria tem outros aspetos.
� uma classe social trabalhadora,
com gente comum do sudeste de Londres.
Aconteceu que a gente de Londres
mudou-se mais para os arredores.
Exceto em Bermondsey e Rotherhithe.
Na zona de Bermondsey e Rotherhithe ainda h� brancos pobres
sem dinheiro para mudarem.
Somos como uma fam�lia.
Conhe�o alguns h� 30 ou 35 anos.
Para mim, s�o como irm�os.
S�o fam�lia, irm�os de sangue.
Este bairro onde estou agora � mau.
N�o podemos baixar os bra�os aqui. Tens sorte por seres adepto do Millwall?
Gostavas de vir c� como claque visitante?
Acho que n�o h� pior do que isto.
- N�o � bom, n�o � arranjado. - N�o � bonito, pois n�o?
No fundo, � muito mau.
Depois da derrota com Birmingham nas semifinais de 2002,
cerca de 900 adeptos do Millwall sa�ram em debandada.
Mais de 100 pol�cias ficaram feridos.
No est�dio do Millwall...
BEM-VINDOS AO DEN
... os destro�os do hooliganismo.
A Pol�cia diz que foi a pior viol�ncia que j� viu.
Isto � um s�tio onde � preciso garantir
que t�m escolta policial ou entram no autocarro,
porque se algu�m se perde e anda pelas ruas,
tudo pode acontecer.
� prov�vel que as pessoas saiam de casa.
Se pensarem que s�o um adepto rival, � poss�vel que ataquem.
N�o � um s�tio bom para estarem, se n�o souberem onde est�o.
� um s�tio muito inseguro.
Quando era mi�do, olhava para os dirigentes do Millwall,
para os chefes, e pensava: "Quero ser como eles.
Olhem para o poder deles. T�m um grande grupo.
Entram num bar e nem t�m de pagar as bebidas.
Quando depois sa�amos socialmente,
com alguns dos rapazes, vinham as raparigas da zona
e engat�vamo-las por sermos famosos.
� esse tipo de coisa. T�nhamos um certo encanto.
Mas era ligado ao futebol.
Bob, tens arrependimentos?
Arrependes-te da vida que tiveste?
Se voltasse atr�s, n�o seguiria o mesmo caminho.
Mas sendo um rapaz da classe trabalhadora de uma zona desfavorecida,
os mais velhos levavam-me aos jogos e eu seguia a equipa.
Era como uma religi�o e continua a s�-lo.
- Sem d�vida. - Briguei na claque desde os 11.
Estou a chegar aos 48.
Foram 37 anos, mas j� me retirei.
T�nhamos de provar aos l�deres da �poca
que pod�amos chegar ao topo. Era uma hierarquia.
T�nhamos de estar � altura para chegar ao topo.
O Millwall faz parte de uma das rivalidades mais intensas
dos �ltimos 30 anos em Londres e o seu inimigo � o West Ham.
Houve uma briga na linha quatro,
quando bandos de adeptos do Millwall e do West Ham
tentaram roubar os len�os uns dos outros como trof�us.
A claque do West Ham ganhou destaque nos anos 80.
O seu nome tornou-se sin�nimo da viol�ncia organizada.
Ei-los no seu per�odo �ureo.
Eram conhecidos como Inter City Firm ou ICF.
Um dos l�deres era Cass Pennant.
� s� garganta como sempre. Putos!
� uma claque de putos!
Upton Park � uma fortaleza.
O Millwall veio em 1978, no dia do ju�zo final.
Era �dio puro.
Foi o derby mais violento de sempre.
Havia um helic�ptero no ar e a maior presen�a policial.
Aprende sobre West Ham e Millwall.
QUEREM BRIGA?
Hoje, o rival � o Tottenham
e as pessoas esquecem-se, mas sempre foram eles.
- Sim. - S�o apenas eles.
No mundo das claques de futebol,
a ICF impunha respeito em todo o lado.
ICF � a sigla de Inner City Firm.
Era um nome sinistro.
Era um sinal para os adeptos violentos do West Ham.
Originalmente, mas acabou por se tornar t�o famoso
que todos os adeptos do West Ham o adotaram
porque todos os conheciam por esse nome.
Surgiu quando os jovens hooligans evitavam o transporte normal
para os jogos fora e apanhavam o comboio intercidades,
com passes de estudante e bilhetes com desconto.
Umas centenas de tipos do West Ham...
GRAVADO EM 1983
... usavam o intercidades e eram a nata.
Metiam-se nas brigas todas.
Mas o West Ham ficou conhecido
quando a Persil come�ou a oferecer...
... bilhetes gratuitos ou baratos para o comboio intercidades
para quem tivesse tal�es da Persil.
Nem todos tinham dinheiro
para o intercidades ou para o passe de estudante.
Isso foi uma d�diva. Dava para toda a temporada.
Foi interessante como, no in�cio dos anos 80,
a cultura do futebol e dos hooligans come�ou a mudar.
Quase num paralelo que refletia
a nova mentalidade do thatcherismo,
onde tudo se tornava mais organizado e empresarial.
Antes, ir ao futebol, andar � briga,
beber uma cerveja e comer uma empada era apenas isso,
mas passou a haver uma precis�o quase militar na organiza��o de tudo.
Virem � direita, o bar � � direita.
O facto de este grupo se apelidar claque,
e n�o bando,
trupe ou equipa, que seria a nomenclatura habitual,
demonstra de certa forma que eles incorporaram
um novo modelo corporativo,
das empresas, do sucesso e do sonho de Thatcher.
CLAQUE DESANCA LIGA
Eles apresentaram essa imagem de novos rufias do futebol,
os rufias que viajavam em primeira classe
no comboio para irem aos jogos fora, em Leeds.
Depois vieram pormenores...
PARAB�NS - CONHECESTE A ICF
... como os cart�es-de-visita, por exemplo.
Depois de pisarem a cabe�a de um rival...
PARAB�NS - CONHECESTE A ELITE
... podiam deixar-lhe um cart�o a explicar
quem tinha prestado esse servi�o.
� uma coisa ousada dos cockneys.
Podes ler para ver.
PARAB�NS
Temos de dar a m�o � palmat�ria
- � atrevido. - Dan, tens de ver.
Nos est�dios, n�o conheciam a ICF.
Na �poca seguinte, todos conheciam a ICF.
Eles davam-nos e a ICF ficou famosa.
Gritavam pelas redes cheios de �dio nortenho:
"Onde est� a famosa ICF?"
E os cockneys vinham com o cart�o-de-visita.
"Toma l�, amigo. Estamos aqui."
� estilo cockney.
Em 1985, a ICF ficou imortalizada
num document�rio sobre hooligans.
O realizador, Ian Stuttard, passou seis meses com a claque do West Ham,
e ganhou a sua confian�a e respeito.
Aqui, continuam a trocar insultos com a multid�o do Chelsea.
Parecem ignorar o efeito nos outros passageiros.
Creio que a ideia geral transmitida pela imprensa...
REALIZADOR DE HOOLIGAN
... e pelos pol�ticos
foi que os hooligans eram animais selvagens em debandada
que atacavam homens inocentes, mulheres e crian�as, na rua, ao calhas,
a caminho dos jogos.
E que era uma desordem completa.
� claro que vim a descobrir que isso n�o era de todo assim.
S�o todos pecadores. Estamos fartos.
ARREPENDAM-SE TODOS
Vamos!
Vamos l�!
Vamos!
S� lia coisas sobre a viol�ncia.
Sempre soube que n�o havia apenas viol�ncia por tr�s daquilo.
H� viol�ncia nos 90 segundos finais, o jogo tem 90 minutos.
Passa-se muito mais al�m disso.
Quando ouvi o Butch, vi que era o homem certo
para contar uma hist�ria social antes que se perdesse.
H� muito racismo na minha zona, sobretudo em Custom House.
Como foi ser negro numa zona de brancos?
Fant�stico. O East End acolheu-me como se fosse um filho adotado.
Tens de ver que tenho recorda��es antigas,
ainda antes de teres nascido, em que estava no Shed.
O Clive Best marcou dois
contra o Chelsea e est�vamos no Shed.
O Clive Best marcou os golos
e eu estava no Shed com os rapazes.
N�o paguei copos a semana inteira.
Mas digo-te como � ser negro.
Notava a diferen�a quando sa�a de Upton Park.
Quando sa�a de Upton Park com o pessoal do West Ham,
era negro, era "preto" e "escarumba".
Era tudo o que te possas lembrar.
Mas quando estava em Upton Park era carmim e azul.
- Percebes? - Sim.
Um grupo de voc�s vai de comboio
ou de carro para um s�tio que nem sequer conhecem,
onde sabem que v�o ser recebidos com hostilidade,
o que muito provavelmente vai transformar-se em viol�ncia.
- Era gente de Manchester? - Sim, de Manchester.
A expectativa disso, a adrenalina
que abunda nessas situa��es � fant�stica.
Se procurarmos motivos sociol�gicos para isto, acho que n�o existem.
Acho que os jovens gostam de lutar.
A ICF at� tinha uma banda, os Cockney Rejects,
que n�o tinham medo de brigar.
Tiveram dois temas no Top 40 em 1980 e os seus concertos eram um im�
para os hooligans do futebol de todo o pa�s.
Em ess�ncia, os Cockney Rejects
eram a banda do futebol.
Se virmos bem,
as bandas de "terrace punk", ou l� como se chamava,
eram as que levavam aquilo a s�rio, as mais pr�ximas do p�blico.
Todas tinham os mesmos gostos e interesses, a mesma paix�o.
REJECTS APOIAM HAMMERS
A paix�o pelo West Ham motivava-os,
e inspirou quatro temas em dois �lbuns.
Eis a minha vers�o de "West Side Boys".
� a mais famosa sobre o West Ham.
Encontramo-nos no Boleyn todos os s�bados
Falamos sobre a equipa Que vamos enfrentar hoje
Botas de biqueira de a�o E barras de ferro
Desfazemos os autocarros Ou dentro dos carros
N�o somos da margem norte Nem da margem sul
Somos de West Side Upton Park
N�o somos da margem norte Nem da margem sul
Somos de West Side Upton Park
Botas de biqueira de a�o E barras de ferro
Desfazemos os autocarros Ou dentro dos carros
Era o hino dos psicopatas, n�o era?
Nem acredito que a EMI o lan�ou.
Os Rejects s�o lend�rios na minha zona, East London.
Quando iam em digress�o, a ICF ia atr�s.
Isso levou a um motim num concerto em Birmingham.
A ICF estava atr�s de n�s.
Dev�amos ter uns 22 ou 23 anos.
Estavam 500 pessoas no concerto, estava lotado.
Mas nem todos queriam brigar, s� uns 200.
- Eram uns 200. - Est�vamos � frente e...
Lembro-me que vi um velhote com uma tatuagem do Villa.
Era um skinhead e s� dizia: "Malditos cabr�es, cabr�es."
Ach�mos que era estranho ter o Villa
e o Birmingham City sob o mesmo teto,
logo para come�ar.
Par�mos ao fim de uns temas
at� que algu�m atirou um copo de cerveja ou algo assim.
Foi mau, e perguntei quem tinha atirado.
"Paramos o concerto e vamos l� fora, um contra um."
Isso n�o ia acontecer, mas foi o que disse.
Continu�mos a tocar e a situa��o estava mesmo a piorar.
Termin�mos um tema e, quando �amos come�ar outro,
n�o ouvi a guitarra. "Onde est� a guitarra?"
Virei-me: "Mick? Onde est�s?"
Virei-me e o Mick estava na plateia.
Murros para aqui e para ali, a briga come�ou.
Acabou-se, fomos tamb�m.
No meio dele, afast�mo-los,
mas afast�mo-los para o bar, que para eles...
De repente, tinham copos e cinzeiros.
Arranjaram armas.
O Mick estava ao meu lado.
Lembro-me que parecia um ovni, era um grande cinzeiro em vidro,
como este, e vinha na minha dire��o.
Era eu e o Mick. Pensei: "E agora?"
De repente, atingiu o Mick mesmo aqui.
S� se via sangue. Foi como se ati�assem o fogo.
Foi o pior caso de viol�ncia num concerto na Gr�-Bretanha.
Eram os Rejects e a claque, uns 30.
Acabaram a brigar com uma multid�o hostil com dez vezes o n�mero deles.
Parecia uma batalha campal do rock 'n' roll.
Foi brutal, sangrento e estavam em grande inferioridade.
Mas ganharam.
A rede do metro de Londres � famosa em todo o mundo.
Sem ela, a cidade iria parar.
Mas nos anos 80, era um campo de batalha nas tardes de s�bado
quando as claques londrinas se enfrentavam a caminho dos jogos.
N�o sei se viram o filme Os Selvagens da Noite.
Era sobre um bando que corria Nova Iorque,
pelo metro, e encontrava bandos rivais pelo caminho.
Um filme a s�rio.
Aqui era assim, nos anos 80.
Claques rivais lutavam nas esta��es,
como Kings Cross e Euston.
ICF!
Todos os s�bados eram assim,
em Londres, no in�cio dos anos 80, porque as v�rias claques
iam a v�rios jogos,
usavam a rede ferrovi�ria e o metro,
e encontravam outras claques.
SA�DA
Os anos 80 foram de ouro para os hooligans.
A rela��o de amor-�dio com a imprensa
dava a conhecer o nome das claques,
mas onde � que isso iria acabar?
Em 1985, o Millwall enfrentou o Luton nos quartos-de-final da ta�a.
A �ltima vez que o Millwall chegou
a essa fase da competi��o, houve um motim no Den.
O que aconteceu em Kenilworth Road foi t�o violento
e t�o dram�tico que o futebol nunca mais seria o mesmo.
Ontem, as piores cenas...
Arrancaram as cadeiras e est�o a sair do outro lado...
A visita do Millwall a Luton originou as cenas mais violentas
jamais transmitidas num jogo.
Setecentas cadeiras foram arrancadas
e atiradas para o campo,
e um pol�cia foi reanimado no c�rculo central.
Hoje, em Luton, � dia de limpar
e contabilizar o custo do jogo de futebol contra o Millwall.
Vivo aqui h� 50 anos. Foi a primeira vez.
Ouvi-os dizer: "Perdemos. Embora, vamos partir tudo."
- Partiram tudo o que viram. - � verdade.
No dia seguinte, os danos no est�dio
estavam � vista.
A claque do Luton, os MIG,
tentou fazer frente a esta invas�o da cidade.
Com 17 anos, Tommy Robinson estava entre eles.
Este foi o lado dos adeptos do Millwall.
Normalmente, levava cinco ou seis mil.
Naquela noite, havia mais de oito ou nove mil pessoas aqui,
a tentarem entrar no est�dio.
Havia viol�ncia potencial em todo o lado.
Foram os adeptos do Millwall que se portaram mal, acho eu.
Foi o Luton que n�o soube organizar o jogo.
Foi o pessoal do controlo de entradas, foi a Pol�cia
que n�o conseguiu controlar a situa��o e organiz�-la.
Estava ali um contentor que lhes despej�mos em cima
para os aguentarmos aqui o m�ximo poss�vel.
At� que tamb�m apareceram por aquela estrada.
Estava c� gente de Crystal Palace.
Sab�amos que pessoal do Chelsea tamb�m vinha.
Vimos o Arsenal ao fundo da rua.
Conhecia gente de Kent que tinha vindo.
Recu�mos para aquela esquina, um grupo deles saltou
e ouvimos: "J� chega, Gooners. Querem?"
Pens�mos: "Raios! Ainda n�o chega por hoje?"
O Millwall tem adeptos adormecidos
que s� v�o aos jogos importantes e a maioria � hooligan.
Esperam pelos jogos grandes e aparecem em for�a.
N�o dizemos que o Millwall nos desancou,
dizemos que Londres e o Southeast nos desancaram.
Eles dizem que foram as outras equipas, mas n�o,
foram os nossos adeptos adormecidos.
Ningu�m gosta de n�s! N�o faz mal!
Somos o Millwall! O grande Millwall!
Ouvem-se hist�rias de orelhas arrancadas � dentada,
havia sirenes a tocar, ambul�ncias,
a Pol�cia n�o se fez notar muito.
N�o controlaram nada. N�o estiveram bem, digamos assim.
Foi horr�vel.
Se sabiam que ia haver uma cat�strofe,
o jogo devia ter sido cancelado e remarcado.
Deviam t�-lo cancelado.
SEM MISERIC�RDIA...
O pano de fundo destes eventos
foi o aumento da viol�ncia no Reino Unido, com a greve dos mineiros em 84
e a morte do agente Blakelock nos motins de Tottenham em 85.
As autoridades quiseram travar a viol�ncia no futebol e fizeram-no com for�a.
Numa s�rie de opera��es policiais com alto destaque...
THATCHER ATACA HOOLIGANS
... as claques foram o alvo,
incluindo West Ham, Millwall e Chelsea.
L�DERES DE CLAQUE PRESOS
Um dos detidos foi Cass Pennant, da ICF,
mas a falsifica��o de provas p�s fim aos processos.
PENNANT: "GABAROLAS"
As caras dos anos 80 desistiram, como Cass, e a chegada dos anos 90
trouxe um mundo diferente para as claques.
Vigil�ncia oculta, c�maras e ordens de restri��o eram pr�tica comum.
As claques tiveram de se adaptar,
mas o hooliganismo n�o desapareceu.
Vale a pena lembrar a hist�ria
do filme LSD - Luta, Sexo, Droga.
O jogo entre Chelsea e Millwall na ta�a resultou numa batalha.
Em 1995, isso aconteceu mesmo.
Em Stamford Bridge, os adeptos do Chelsea arrastaram o nome
do futebol londrino ainda mais pela lama.
A pol�cia montada entrou em campo ap�s o rival Millwall
derrotar dramaticamente o Chelsea por 5-4 nos penalties,
na segunda m�o.
BRIGA PELOS VELHOS TEMPOS?
Esperava termos posto fim a isto...
ADEPTOS LEVAM COM G�S
... h� dez ou 15 anos.
A viol�ncia do p�blico n�o era novidade em Stamford Bridge.
Nos anos 70 e 80, acontecia dentro e fora do est�dio
e os hooligans Chelsea Headhunters...
FOSTE TRATADO PELOS HEADHUNTERS
... ganharam uma reputa��o feroz.
Em meados dos anos 90, o Chelsea melhorou no campo
e voltou a jogar na Europa,
mas a reputa��o dos adeptos precedeu-os.
Em Bruges, a pol�cia belga antimotim deixou claro
que n�o iria tolerar disparates.
Durante esse per�odo, um dos l�deres do Chelsea
era Jason Marriner.
No in�cio dos anos 80, toda a gente tinha um nome.
Todos escolhiam um nome.
Certo.
- N�s �ramos os Headhunters. - De onde surgiu isso?
N�o sei, para ser sincero. N�o sei quem o criou.
Se dissesse quem foi, iria mentir.
Mas fosse quem fosse, acertou em cheio.
Para uma parte dos adeptos atuais do Chelsea,
Jason tornou-se uma celebridade.
Pedem-lhe para autografar o DVD sobre a sua carreira de hooligan.
Isto vai trazer de volta os dias do Shed.
Exatamente. Fica bem. At� � vista. Tem um bom dia.
Eras um dos l�deres?
N�o diria que era l�der. Era respeitado no Chelsea.
Entendes? Mas...
No Chelsea, somos uma fam�lia.
Ningu�m diz: "Sou o maioral." Entendes?
Ningu�m se define como manda-chuva.
N�o, respeitamo-nos uns aos outros.
"O que achas de nos encontrarmos ali? O que achas disto?"
Como foi para ti tornares-te hooligan?
O PESADELO REGRESSA
- Eras violento? S� querias brigar? - Sim...
Acho que isso come�a de tenra idade.
Sempre vivi com brigas entre escolas
e bairros a brigarem uns com os outros.
Os aldeamentos brigavam entre si.
E por a� adiante.
Os clubes de rapazes brigavam uns com os outros e...
Eu apoio o Chelsea e tu o West Ham. Somos fervorosos.
Defendemos o s�tio de onde vimos, o nosso clube.
- � o nosso lar, o nosso territ�rio? - � o lar e o territ�rio.
N�o queremos que abusem.
Ningu�m diz: "Escuta, sou hooligan.
Sou um Chelsea Headhunter." Vamos ao jogo e divertimo-nos,
bebemos umas cervejas ou n�o bebemos.
Se n�o brigarmos, n�o � o fim do mundo.
Est� melhor agora porque o Chelsea tem jogado bem,
est� no topo da liga, entendes?
Mas para ser sincero, eu adorava a Segunda Divis�o.
Sabes?
Os s�tios onde �amos eram maus, mas eram incr�veis.
Era muito mau antes das c�maras.
Sim, era. Por isso � que a imprensa dava tanto destaque.
Acho que � por isso que se d� tanto destaque � viol�ncia no futebol.
Nos anos 90, o aumento da seguran�a
nos est�dios fez as claques brigarem
nas ruas e bairros das redondezas.
Nesta era das c�maras de vigil�ncia,
a reputa��o de uma claque continuou a crescer.
Era hora de conhecer o Yid Army do Tottenham.
Nos anos 90, tornaste-te um dos l�deres.
Como � que isso aconteceu?
Para ser franco, isso vem com o respeito
e vem pela maneira como agi ao longo dos anos.
N�o houve um momento em que visses:
"Bom, isto � um peda�o de mim"?
Posso dizer-te que, h� uns dez anos...
... tivemos um confronto com o Man City na rua.
Lembro-me que algu�m disse:
"Pronto, conseguiste."
E pensei: "Sim, isto � a minha cara." Entendes?
� isto que sou.
Para ser sincero, era o meu objetivo.
Queria unir a claque e consegui.
O Tottenham, um clube com fortes liga��es
� comunidade judaica londrina,
tem uma hist�ria de hooliganismo com mais de 30 anos.
Em 1974, os adeptos do Tottenham foram os primeiros a levar
a doen�a inglesa para o estrangeiro com motins na final da ta�a UEFA
contra o Feyenoord, na Holanda.
Yid Army!
E os Yids? De onde surgiu isso?
Os Yids... Digo-te uma coisa.
Eu detestava esse nome.
H� muito tempo, chateava-me mesmo.
� daquelas coisas que os de West Ham e Chelsea diziam:
"Yids, s�o uns porcos."
Eu achava o nome muito ofensivo.
Era o que eu pensava.
E era mesmo.
Enquanto as outras claques tinham um nome,
como os Headhunters e a ICF,
n�s adot�mos o nome Yids.
Era o que nos chamavam no est�dio: "Yids."
A claque evoluiu nestes �ltimos dez anos,
tornou-se mais forte e unida e temos...
Sem ser parcial, temos sido a claque mais brutal
em todo o pa�s, nos �ltimos dez anos, e o nome foi adotado.
E o vosso arquirrival?
REGI�O DOS GOONERS
N�o � o Arsenal, certo?
- A claque, n�o. - Quem �?
O Chelsea, sem qualquer d�vida.
- Muito bem. - At� respeito a claque deles.
H� dez anos que temos guerra com eles. Odeio o Chelsea.
Todos sabem isso.
Mas respeito-os porque h� dez anos que temos guerras com eles.
S�o os �nicos que nos fazem frente.
Estamos sempre a ganhar-lhes,
mas s�o os �nicos que nos fazem frente.
A rivalidade entre Spurs e Chelsea...
DEZ MINUTOS DE LOUCURA
... foi not�cia quando se debateram junto ao Ifield Tavern,
perto de Stamford Bridge. 200 da claque do Tottenham juntaram-se nos bares,
sa�ram a certa hora e caminharam at� Ifield Road.
O Chelsea vinha no fim da rua.
Parecia um sonho, entendes?
Era um sonho para mim, n�o para toda a gente.
Atac�mo-los e eles ripostaram.
Mas o bebedouro foi arrasado. Havia muita bebida envolvida.
- Foi feio. - Pois.
Tem sido mais complicado para as claques
com as c�maras de vigil�ncia e a Pol�cia.
J� te habituaste a isso?
� um pesadelo, sabes?
IMAGENS DA POL�CIA
Habituei-me porque estive preso tr�s anos.
Fui detido no Tottenham-Chelsea. Estava tudo filmado.
A opera��o para me apanharem
parecia coisa dos filmes. Pensamos que n�o acontece na vida real.
Havia pol�cias vestidos de trabalhadores,
de carpinteiros, na esta��o de West Kensington.
- Vigil�ncia a s�rio? - Por cima do bar onde nos junt�mos,
havia uma equipa a filmar tudo.
Duas semanas depois, foram a minha casa
e apanhei tr�s anos, entendes?
Sim.
A Pol�cia agora age de outra maneira,
porque h� bufos em todo o lado.
Contam-lhes tudo e � assim que eles fazem.
Acabou em apenas dois minutos.
Mas ap�s horas a rever este v�deo,
a Pol�cia obteve provas suficientes para deter sete hooligans.
Um arsenal de armas, desde bast�es a g�s lacrimog�neo
ou bolas de bilhar, foi encontrado perto do bar e apresentado em tribunal.
Deixa-me dizer que n�o � apenas brigar por brigar.
Aquela gente sabe o que faz.
Brigamos com gente como n�s.
N�o nos metemos em brigas
por algu�m ter uma camisola diferente.
- Odeio essa gente. - Sim, claro.
N�o foi s� a Pol�cia que se infiltrou nas claques londrinas.
Nos anos 90, a imprensa tamb�m se tornou um inimigo interno.
Os Chelsea Headhunters foram alvo de um document�rio
do jornalista infiltrado, Donald MacIntyre.
BANDIDOS EXPOSTOS
Marriner foi um dos dois detidos ap�s a apresenta��o do filme.
CADEIA PARA RUFIAS FILMADOS
Foi condenado a seis anos ap�s ser considerado culpado
por conspira��o para causar desordem violenta e tumultos.
Foi acusado de arranjar briga com adeptos do Leicester
e por perturbar uma manifesta��o londrina
pelo Domingo Sangrento na Irlanda do Norte.
Foi libertado em 2004.
DETIDO RUFIA EXPOSTO NA TV
A hist�ria de Marriner reflete o novo mundo dos hooligans.
Nos anos 70 e 80, os documentaristas eram convidados
para irem �s claques compreender a cultura hooligan.
Mas isso mudou nos anos 90 tecnol�gicos,
a era das c�maras ocultas e das not�cias infiltradas.
Vamos falar sobre a imprensa e o Chelsea.
Qual � a rela��o?
Comigo, pessoalmente? � �tima.
Podem ir ao copo-d'�gua.
A Pol�cia nem tem de estar l�. Tem informadores.
T�m o servi�o de informa��es.
J� sabem onde vai acontecer. Digamos o seguinte:
se algo acontecer e for filmado, est�s preso.
Nas claques, h� muita paranoia.
Entendes? Aquela c�mara est� a filmar-me,
aquele � da Pol�cia e aquele tamb�m. Usar uma c�mara oculta...
Eu podia ter uma agora e n�o saberias.
Podia estar a filmar-te, � f�cil.
Se algu�m acha que fui parvo e acreditei no MacIntyre,
est� completamente enganado.
Mas tamb�m temos de lidar com isso.
Sabes... s� tens de passar por mim a andar
ou estar ao meu lado num bar.
Qualquer pessoa pode gravar a minha conversa.
Mas n�o fico rancoroso, � a vida. C'est la vie.
O que podemos fazer? Falo bem Franc�s, n�o �?
A Pol�cia dos Transportes observa os adeptos
na rede do metro de Londres nas tardes de s�bado.
Vigiam potenciais pontos quentes e, hoje,
os Spurs v�o a Chelsea. � um derby londrino intenso.
E Millwall vai jogar em Ipswich. Isso pode causar problemas,
quando voltarem para a capital.
Em termos de dist�rbios nos clubes e nas imedia��es dos est�dios...
POL�CIA DOS TRANSPORTES
... com algumas exce��es,
� em grande medida uma coisa do passado.
H� ordem na maioria dos est�dios, na maior parte do tempo.
Se jogarem, tentam lutar longe do est�dio.
Fazem-no porque, se afastarem isso dos incidentes ligados ao futebol,
�-nos mais dif�cil impor-lhes uma ordem de restri��o.
Mas est� a tornar-se cada vez mais dif�cil.
Os adeptos usam a internet para se manterem em contacto,
usam telem�veis para manter contacto,
para combinarem as lutas e os dist�rbios.
Os spotters da Pol�cia vigiam os adeptos depois do jogo
e foram localizados Spurs radicais no centro de Londres.
Vimos pessoas de Tottenham que conhecemos...
OFICIAL DE LIGA��O
... nos comboios, and�mos pelos bares
e encontr�mos um grupo.
Esse grupo desapareceu e andamos de novo � procura dele.
Talvez tenham ido para casa
e talvez n�o haja problemas, mas temos de ter a certeza.
Chegam ent�o not�cias
de problemas com adeptos do Millwall a voltar de Ipswich.
Vamos mandar alguns agentes para a plataforma
para os recebermos.
Se os agentes locais quiserem det�-los,
estamos l� para dar apoio e para garantir
que tudo se mant�m num n�vel adequado.
Foram detidas tr�s pessoas por desordem p�blica racial.
V�o ser colocados sob cust�dia e, se forem considerados culpados,
ser�o proibidos de participar em...
... de irem a jogos de futebol durante bastante tempo.
Na pr�tica, estragaram o Mundial para si mesmos.
Uma semana depois, a ida do Chelsea a Fulham
trouxe invas�es de campo e not�cias que n�o se viam h� anos.
FULHAM INVESTIGADO POR INVAS�O
MAR�O 2006
Adeptos furiosos invadiram o campo,
ap�s a terceira derrota do Chelsea nesta �poca,
perdendo por 1-0, em Fulham.
A amea�a da viol�ncia no futebol parece ainda pairar sobre a capital.
O fasc�nio pelo tema originou livros, filmes e at� programas de televis�o
para revelar a hist�ria interna das claques londrinas.
Vou ao Audience With, sabes?
Vamos divertir-nos e falar sobre os velhos tempos
para as pessoas que querem saber mais.
As pessoas gostam de ler estes livros,
porque nunca fizeram nada assim na vida.
As pessoas leem sobre gangsters e assaltos a comboios.
LIVRO DISPON�VEL AQUI
N�o v�o fazer essas coisas,
v�o para casa, com a fam�lia.
Se recuarmos cem anos,
as pessoas t�m fasc�nio pelo submundo.
Pelo lado sombrio das coisas.
Agora, as claques procuram jovens para continuarem a sua hist�ria.
No caso do Yid Army do Tottenham, o manto passa de Trevor Tanner
para a nova gera��o,
e aceitaram falar connosco se protegermos a sua identidade.
Obviamente, crescemos a apoiar o Tottenham,
e v�amos as batalhas quando �ramos mi�dos.
JOVEM DO YID ARMY
Sempre quisemos participar nisso. Acreditamos que os jovens do Tottenham
s�o uma das melhores claques do pa�s.
Nas claques de muitas outras equipas,
podemos ser maltratados pelos mais velhos,
mas aqui fomos bem recebidos.
Toda a gente nos trata bem e ningu�m nos disse
que n�o somos bem-vindos e essas coisas.
Respeitam-nos bastante. O Trevor respeita-nos muito.
Eles abriram-nos o caminho.
Agora, � claro que queremos continuar
da mesma maneira que eles fizeram nos �ltimos anos.
Manter viva a claque do Tottenham, e ser a melhor de Londres.
A viol�ncia no futebol foi valiosa
para LSD - Luta, Sexo, Droga.
Foi aqui que fui massacrado.
Aqui mesmo.
Mas a realidade para as claques atuais,
s�o penas graves ou ir parar � esquadra no dia do jogo.
O hooliganismo ainda existe e pode existir sempre.
Mas parece que o Big Brother est� em vantagem.
H� uma coisa que aprendi acima de tudo,
sobre as claques dos anos 70 e 80.
Presenci�mos a hist�ria social
da cultura da classe oper�ria. O estilo de vida, a moda.
Quer gostemos ou n�o, tem o seu lugar
na hist�ria da capital.
Se pensarmos, aqueles antigos hooligans n�o precisam
que a imprensa conte a sua hist�ria.
Est�o a tornar-se autores e editores com sucesso.
� como se os doidos estivessem a tomar conta do manic�mio.
Ou�am... vemo-nos no pr�ximo epis�dio.
E... aten��o. Vejam por onde andam.
EDITOR E AUTOR
AUTOR
LSD - Luta, Sexo, Droga foi a maior merda
que j� vi na vida.
Mas o Danny � bom rapaz.
Legendas: Paulo Montes
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