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"JOANA D'ARC", DE BERNARD SHAW
Michel!
Pierre!
Michel!
Pierre!
Michel!
Michel!
Pierre!
Michel!
Venham até mim! Venham até mim!
Os ingleses estão vindo! Os ingleses estão vindo!
Calma, Carlos. Por que tanto barulho?
Você está dormindo. Ninguém vai te ouvir.
Joana!
- Você é um fantasma? - Não, apenas um sonho.
- Parece mais velho. - Sim, estou.
- Está mesmo morta? - Tanto quanto se pode estar.
Dói muito ser queimada?
No início...
mas depois fiquei inconsciente até me libertar do corpo.
Não vá mexer com fogo pensando que não dói.
Não, não.
Sua mãe e seus irmãos reabriram seu processo e a corte...
julgou seus juízes corruptos, fraudulentos e maliciosos.
Sua sentença foi totalmente anulada. Não tem valor ou efeito.
Mas fui queimada mesmo assim.
Podem eles me desqueimar?
Mas uma linda cruz foi posta no local para...
perpetuar a sua memória.
Eu viverei mais que essa cruz.
Serei mais lembrada que a cidade de Rouen.
Você e suas presunções.
Você sempre teve uma impertinência infernal.
Está me chamando de bruxa?
Não ousaria agora que a Igreja a reabilitou.
Sabe que eu não dormia, perguntando-me:
"Como ela fez isso ou aquilo?"
Foi sempre do seu modo, não?
Comigo, com o arcebispo...
e até com o Baudricourt, que a enviou...
para mim, o Delfim da França.
Foi um milagre!
- Foi tudo uma questão de ovos. - Ovos?
- Nenhum ovo. - Como "nenhum ovo"?
- O que posso fazer, não boto ovos! - Escute-me bem...
- Quem sou eu? - Quem é o senhor?
Sou Robert, senhor de Baudricourt e capitão...
deste castelo ou um camponês?
O senhor é maior que o rei!
E você me diz que não há ovos?
- Senhor... - Nada de senhor!
Tenho as melhores galinhas de Champagne e...
me diz que não há ovos? Quem os roubou?
- E ontem faltou leite também. - Sei disso, senhor.
Não há leite nem ovos.
Amanhã não haverá nada.
Estamos enfeitiçados pela moça!
Bem...
- Santo Deus! - Ela não quis sair!
Você tem 50 homens armados. Eles têm medo dela?
- Ela é perseverante, senhor! - Escute bem...
- Vou jogá-lo no poço! - Senhor, por favor...
É fácil ser perseverante, qualquer garota pode!
Senhor, não pode livrar-se de mim!
Ela parece não temer nada. Talvez o senhor a assuste.
Talvez.
Venha aqui.
- Eu? - Sim, você.
- O senhor é capitão? - Sim, sou o capitão.
Bom dia, senhor capitão.
Dar-me-á um cavalo, armadura, soldados e me enviará ao Delfim.
São ordens do meu Senhor.
E quem é o seu Senhor? Eu só recebo ordens do rei!
Sim, está certo. Meu Senhor é o Rei dos Céus.
A moça é louca! Por que não me disse, seu imbecil?
Não a zangue, senhor, dê o que ela quer!
Eu a mandarei de volta para seu pai, com ordens para trancá-la.
O senhor acha que fará isso, mas as coisas acontecerão de outro modo.
- Não queria me ver, mas aqui estou. - Agora, me escute...
O cavalo custa 16 francos, é muito dinheiro...
mas posso economizar na armadura.
Não precisa ser uma bonita, feita sob medida como a sua.
Não preciso de muitos soldados.
O Delfim me dará o que preciso para levantar o cerco de Orléans.
- Levantar o cerco de Orléans? - Sim, é o que Deus me pediu.
Eu serei amaldiçoado!
Não, capitão! Deus é muito misericordioso...
e as Santas Catarina e Margarete que falam comigo todos os dias...
intercederão pelo senhor.
Irá ao Paraíso e seu nome será lembrado como meu 1 º. Benfeitor.
- Quantos anos você tem? - Dezessete, é o que me dizem.
Como assim, Santa Catarina fala diariamente com você?
- E Santa Margarete também. - Como são elas?
Não falarei nada sobre isso. Elas não me deram permissão.
Você realmente as vê?
- Conversam como nós dois agora? - Não, é bem diferente.
Mas não deve falar comigo sobre minhas vozes.
Como assim, vozes?
Eu ouço vozes que me dizem o que fazer.
- Elas vêm de Deus. - Da sua imaginação!
É claro, é assim que a mensagem de Deus chega a nós.
E Deus disse que você levantará o cerco de Orléans!
E coroarei o Delfim na catedral de Reims.
E farei os ingleses sair da França.
Mais alguma coisa?
Não, neste momento. Obrigada, capitão.
Acha que isso é fácil como caçar uma vaca?
Nada é difícil se Deus estiver do seu lado.
Já viu os desgraçados ingleses lutando?
Já os viu queimando, saqueando e devastando os vilarejos?
Não tenha medo, Robert.
Não tenho medo! Quem a autorizou a me chamar de Robert?
Você não entende, Robert.
Nossos soldados sempre perdem por que lutam só para se salvar.
É o jeito mais fácil de se salvar é fugir.
Nossos cavaleiros só pensam no dinheiro dos resgates.
Para eles, não é matar ou morrer...
mas pagar ou receber.
Mas vou ensiná-los todos a lutar...
para que a vontade de Deus seja cumprida na França.
E você viverá para ver o dia em que não haverá mais ingleses na França.
E haverá só um rei aqui, não o inglês, mas o francês de Deus.
Viva!
Pode ser besteira...
mas se os soldados acreditarem nisso, até o Delfim pode crer.
- E se conseguir fazê-lo guerrear. - É claro que posso fazer isso.
Não me interrompa antes de eu ter tempo para pensar!
Você, você e você.
Eu a ordeno ir a Chinon, escoltada por estes três homens.
Sua cabeça tem auréola como os santos!
- Posso vestir-me como soldado? - Está bem, lavo minhas mãos!
E a carta ao Delfim?
Pouly, escreva a carta. Eu colocarei meu sinete.
- Seu nome é Pouly? - O certo é Poulengy, mas falam Pouly.
Usa o meu tamanho, Pouly. Busque a minha armadura.
- Senhor! Senhor! - O que foi agora?
As galinhas estão botando ovos!
Santo Deus! Ela veio mesmo de Deus!
Quem é você?
Não pode entrar aqui, sem um salvo-conduto.
Trago uma carta de Vaucouleurs para o Delfim.
Qual é a palavra-chave?
Sei apenas uma palavra-chave: Nossa Senhora e seu filho.
Essa é boa! Agora nos mandam freiras a cavalo!
Qual é o seu convento? O bordel da mãe Philippa?
- Ela mandou novas garotas! - Desça do cavalo, bonitinha.
Nossa Senhora, gostei de suas pernas.
- Vamos ao celeiro! - Depressa, pequena...
O que está acontecendo?
Quem são eles?
Ela diz ter uma carta de Vaucouleurs ao Delfim.
Ela?
- O que faz aqui de armadura? - Ele já te disse.
Veio de Vaucouleurs? Há cinco mil ingleses no caminho.
Eles não me pararam, como ninguém irá!
Vamos lá, meu docinho! Não vai dormir no cavalo.
- Mensageiro! - Desça logo desse cavalo!
Entregue isto a Sua Alteza, o Delfim.
Só fala com oficiais? Desça! Estou mandando!
- Estou falando contigo, putinha! - Não a toque.
- Deixe o coitado, está perto do fim. - Eu, perto do meu fim?
Desça deste cavalo, sua pequena...
Vá, vá.
Sua Alteza?
- O que foi? Não vê que estou ocupado! - Uma carta de Vaucouleurs.
Esta carta é para mim!
É meu dever saber o que há entre Sua Alteza e Vaucouleurs.
- Fanfarrão! - Contenha-se!
Não grite. O castelo inteiro pode ouvir.
Por que não grita com os ingleses e os derrota para mim?
Não erga a mão para mim, é um crime de lesa-majestade!
Lorde Chamberlain, por favor!
Devemos manter algum tipo de ordem.
Já que não consegue reinar, pelo menos tente se comportar.
Obrigado, tem sempre um sermão pronto.
Acham que podem me tratar assim por que lhes devo dinheiro!
E por que não sou bom de luta!
- Mas tenho sangue real! - Isso não é questionado.
Você nem parece neto de Carlos V, o sábio.
Não me fale dele.
Ele usou toda a sabedoria da família por cinco gerações...
e me deixou ser um tolo...
perseguido e insultado por todos vocês!
Contenha-se, sua petulância não é apropriada!
Outro sermão! Obrigado.
Leia a carta para mim. Ele me deixou nervoso.
Se quiser, eu leio. Eu sei ler, sabe.
Esperava bom senso de Baudricourt. Enviou-nos uma camponesa.
É uma santa! Um anjo!
Acabei de ver Frank morrer por blasfemar.
Ela disse que era seu fim e ele morreu.
Não mais blasfemarei, ou serei amaldiçoado.
- Que devoção, capitão! - É uma santa e veio...
a mim, o Rei!
E não a você, arcebispo, com sua santidade.
Ela reconhece o sangue real!
Essa morte foi uma coincidência.
Não sei o que é uma coincidência.
Só sei que ele morreu, e ela disse que ele morreria.
Todos morreremos, capitão.
- Não poderá ver essa bruxa insana. - Sou o Rei. Eu a verei!
- Então ela não o verá! - Eu vou e pronto!
O que seu sábio avô diria?
Isso mostra sua ignorância, Barba Azul!
Meu avô tinha uma santa que flutuava no ar ao rezar...
e dizia tudo o que ele queria saber.
Meu pobre pai tinha duas santas.
Isso está na família!
Não importa o que diga, terei a minha também!
Saberemos se ela é santa ou não.
Passarei por Delfim e veremos se ela me desmascará.
Sim, concordo.
Se ela não reconhecer o sangue real, eu a ignorarei.
É a Igreja que nomeia santos.
Diz-me que o que ela fez não é milagre?
Se ela inspirar nossos homens, derrotaremos os ingleses.
Qual é o mal de tentar?
A Igreja precisa examinar a garota antes.
Traga-a aqui.
Parem a música! Ouçam, preparem-se!
Vamos, preparem-se!
Barba Azul, vá para o trono e finja ser eu.
Fingir ser essa coisa!
- Será que o reconhecerá? - Claro que sim.
- Como ela saberá? - Todos sabem que...
o Delfim é o mais mal vestido da Corte...
e que o homem de barba azul é Gilles de Rais.
Eu não tinha pensado nisso!
Não está acostumado a milagres como eu, é da minha profissão.
- Então não será milagre! - Por que não?
O milagre cria a fé. Esse é seu propósito e a sua natureza.
São incríveis para as testemunhas e simples para quem os faz.
Se criam ou confirmam a fé, são milagres.
Mesmo se forem fraudes?
Fraudes enganam e eventos dessa natureza não. São milagres.
Sua Alteza! Joana, de Domrémy.
Que ela se aproxime do trono!
Minha nossa, que cabelo!
Ele é assim, pois sou um soldado.
Eu poderia lutar com todas estas fitas suas?
Está na presença do Delfim.
Ora, Barba Azul! Não me engana.
Onde está o Delfim?
Gentil Delfim...
fui enviada a ti para tirar os ingleses de Orléans...
e da França e coroá-lo na catedral de Reims.
Onde os verdadeiros reis franceses são coroados.
Estão vendo? Ela reconheceu o sangue real.
Quem ousa dizer agora que não sou filho de meu pai?
Mas se você quer me coroar, deve falar com o arcebispo.
Monsenhor...
sou apenas uma pobre camponesa e...
o senhor está investido pela glória de Deus!
- Ele ficou envergonhado! - Outro milagre!
Minha criança, você venera a religião.
Venero? Nunca pensei nisso.
- É errado? - Não está errado, mas há perigos.
Sempre há perigos, exceto no Céu.
Oh, monsenhor! Deu-me tanta coragem e força!
Deve ser maravilhoso ser um arcebispo.
Pode dispensar todos para que eu possa falar com o Delfim?
Vamos, a moça têm a bênção de Deus. Obedeçam!
- Por favor, posso passar? - Claro, madame!
- É a rainha? - Não, mas ela acha que é.
Respeite minha esposa!
- Quem é o velho grosseiro? - O Duque de Trémouille.
- O que ele faz aqui? - Finge comandar o exército...
e sempre que encontro um amigo, ele o mata!
- Por que deixa? - Como vou detê-lo?
Ele me tiraniza!
Todos me tiranizam!
O senhor tem medo?
Sim, tenho.
Não adianta me dar um sermão.
São homens fortes, com armaduras muito pesadas para mim.
Há espadas que mal levanto!
Eles gostam de lutar.
E são ridículos quando não lutam.
Sou calmo e sensível, não gosto de matar pessoas.
Só quero ficar em paz.
Divertir-me a meu modo.
Nunca quis ser rei, fui forçado.
Então, se você vai dizer:
"Filho de São Luís, conduza-nos à vitória!"
Vai perder seu tempo. Não consigo fazer isso.
Não nasci para isso.
Todos somos assim no início. Eu te darei coragem.
Não quero que me dêem coragem. Quero dormir bem...
e não viver com medo de morrer ou ser ferido!
Encha os outros de coragem, mas me deixe em paz!
Não adianta, Carlos.
Deve realizar o que Deus incumbiu-lhe!
Deixe-me vê-lo sentado no trono. Tenho essa vontade.
Para quê se os outros é que dão as ordens!
No entanto...
- Aqui está o rei para você! - Ainda não é o rei, Carlos.
É somente o Delfim.
Conheço o povo. O povo de verdade que faz o seu pão...
nenhum rei é reconhecido por eles enquanto não for abençoado...
consagrado e coroado na catedral de Reims.
Precisa de roupas novas. Por que a rainha não cuida de você?
Estamos pobres. Ela usa todo o dinheiro.
Além disso, gosto de vê-la bem vestida!
Não ligo para roupas, eu sou feio mesmo!
Você tem bondade, Carlos.
Mas ainda não é a bondade de um rei.
Veremos. Não sou tão tolo quanto pareço. Estou atento.
Eu posso dizer...
que um bom tratado é melhor que dez lutas.
Eles perdem nos tratados, mas ganham nas batalhas.
Com um tratado, os ingleses sairão perdendo...
pois combatem melhor do que pensam.
Se os ingleses ganharem, serão eles que farão o tratado...
e Deus terá que socorrer a pobre França.
Precisa lutar, Carlos, querendo ou não!
Devemos pegar nossa coragem com as duas mãos...
- e rezar também com as duas! - Para de falar em Deus e reza...
Detesto pessoas beatas!
Já não é ruim ter que rezar nos horários certos?
Pobre criança, nunca rezou!
Devo ensiná-lo desde o início.
Sou adulto e pai. Ninguém me ensinará mais.
- Não lutaria por seu filho? - Não! É um garoto terrível.
Ele me odeia!
Odeia a todos, criaturinha egoísta!
Não quero ser comparado a crianças!
E não quero ser pai! Nem filho de São Luís!
Não quero ser nenhum desses heróis.
Não quero ser nada além do que sou!
Por que não cuida da sua vida e me deixa cuidar da minha?
Cuidar da vida é como cuidar do corpo.
É o meio mais fácil de adoecer!
Estamos aqui para cuidar dos desígnios de Deus, não dos nossos.
Tenho uma mensagem de Deus para você. E precisa escutá-la!
Não quero mensagens!
Mas pode me dizer segredos?
Sabe fazer chumbo virar ouro?
Não. Posso fazê-lo virar rei...
e isso será um milagre bem difícil!
Se formos a Reims, Ann vai querer vestidos novos...
e não podemos pagar!
- Estou bem assim. - Como você está?
E o que é isso?
Menos que o pastor mais miserável do meu pai!
Não nem é o dono legítimo da França para ser consagrado!
E nem serei dono legítimo da minha própria terra.
A consagração pagará minhas hipotecas?
Eu vim da terra, e tiro minha força dela.
E eu digo que a terra é sua...
para reinar com justiça...
e manter a paz de Deus nela.
Vim enviada por Ele dizer-te para oferecer...
seu reino a Deus para todo o sempre...
e se tornar o maior rei do mundo como seguidor...
soldado e servo Dele.
Os ingleses se ajoelharão para te implorar por paz!
Você será um pobre Judas e me trairá...
e a quem me enviou?
Se eu ousasse...
- Se eu ousasse... - Eu ousarei o quanto...
precisar, em nome de Deus! Está a meu favor ou contra?
Arriscarei. Não poderei manter, mas arriscarei!
Você verá.
Fique comigo e não deixe me tiranizarem.
Ouçam-me todos!
Ouçam-me!
Peça silêncio, animalzinho!
Silêncio para o Delfim!
Façam silêncio!
Dei o comando do exército à Joana, a Donzela!
Como? Eu comando o exército!
Eis a sua resposta, seu velho grosseiro.
Quem irá para Orléans comigo?
Por Deus e sua Donzela, para Orléans!
Quem é o próximo?
Vento do oeste, vento do oeste, ele soprará novamente?
É impossível, os barcos não chegarão à Orléans sem vento.
Eu espero todos os dias.
- Nada ainda. - General, os homens querem ação.
- Iremos nadando atacá-los? - Atacaremos pela ponte.
- O que acham? - Não poderemos defender a ponte.
- Precisamos de reforço. - E o Delfim?
Recebi uma mensagem dele.
- Ele nos manda ajuda. - Quantos homens?
- Uma moça. - Está brincando!
- Diz que é uma santa. - Ele está louco?
- O que é uma santa? - Não sei, nunca vi.
- E quando essa visão virá? - Talvez em uma semana.
Moças são lerdas...
mas já ouvi falar dela ontem.
Ainda prefiro a ponte.
Não tão lerda!
- Você é o Bastardo? - E você, a Donzela?
Chegou antes do que eu imaginava.
Não jogamos na estrada e não trouxemos mulheres.
Sem mulheres?
Não estão preparados para atacar?
Precisamos de reforços. Venha beber um vinho.
Só beberei contigo em Orléans.
Só o Loire nos separa deles.
O Loire é um rio largo, garota.
Há uma ponte. Em nome de Deus, vamos atravessá-la!
Parece simples, mas não pode ser feito.
- Quem disse? - Eu disse...
- E meus velhos conselheiros. - Eles são estúpidos!
Sabe que eu te trouxe a melhor ajuda que um general pode ter?
- A sua? - Não.
Não, a do Rei dos Céus.
Leve-me até a ponte. Serei a primeira a atravessá-la.
Eu o desafio a me seguir.
Não desafie um oficial. Só oficiais são corajosos.
Venha, mostrarei o caminho.
- Lá está a ponte. - E por que hesitar?
- É impaciente! - A hora é de paciência?
O inimigo está entre nós e Orléans e não fazemos nada!
Vou libertá-los do medo.
Se me libertar do medo, serei um bom cavaleiro de livros...
e um mau comandante! Vou lhe ensinar uma coisa.
- Vê o forte no fim da ponte? - É nosso ou deles?
Ouça. Nele, dez homens deteriam um exército.
Os ingleses têm dez vezes mais homens do que nós.
Não podem deter a Deus. Ele não os deu a terra e o forte.
Ele deu para nós.
- E eu vou tomar o forte. - Sozinha?
- Guiarei nossos homens. - Nenhum homem a seguirá.
Não olharei para ver se me seguem.
Age como um soldado!
- Venera a guerra! - Para o arcebispo, venero a religião.
Religião é coisa de mulher! Não pode ser mulher e soldado.
Sou um soldado. Não quero ser tida como mulher.
Não me visto como mulher. Não sou como elas.
Elas sonham com homens e dinheiro e eu, com...
canhões e armas.
Não nos menospreze, Donzela! Pode aprender conosco.
Não podemos tomar o forte pela ponte.
Temos que atravessar o rio e pegá-los por trás.
- O que está esperando? - Deus.
Como? Deus é que te espera.
Que nos mande vento para os meus barcos atravessarem.
- Rezou pelo vento? - O capelão o faz por mim.
Leve-me à igreja.
Falarei com Santa Catarina, que pedirá a Deus para me dar o vento.
A igreja mais próxima fica em Orléans.
Talvez os ingleses também rezem.
Olhe, senhor!
O vento mudou!
Então Deus fala mesmo!
O exército real está à sua disposição. Sou seu soldado.
Dunois, querido companheiro de batalha...
ponha-me na escada e diga: "Para cima, Joana!"
O povo a aguarda, Joana.
Deixe a glória para o Rei.
Ele estraga o espetáculo, pobre coitado!
Enfim agora é o Rei.
Não faria isso de novo nem para ser imperador do sol e da lua!
Pelo amor de Deus, alguém me ajude com essas coisas!
Ajude Vossa Majestade, rapaz.
Como essas vestes pesam!
Acho que...
Acho que quase caí quando ele me colocou essa coroa.
Devia estar morto, com isso que usa!
O célebre óleo sagrado é rançoso!
Esse óleo tem quase mil anos.
Um anjo o trouxe ao Rei Clóvis!
Na época, devia ser mais fresco.
Senhor, eu o fiz Rei.
Meu serviço está feito. Devo voltar à fazenda do meu pai.
Deve? Será muito bom para você.
- Uma vida saudável. - Mas medíocre.
Suas anáguas não servirão após tanto tempo.
Posso até blasfemar, mas sentirei sua falta às vezes.
Eu também.
Mas nenhum deles ficará triste com a minha partida.
Não a forçaremos a ficar, se prefere voltar para casa.
Uma mulher deve ficar com os pais, ou o marido.
Esperamos vê-la na corte às vezes.
E claro, quando precisar de alguma coisa, me avise.
É isso!
É claro que ela teve utilidade.
Um bom coração e uma escada atravessam...
qualquer muro!
Caro Dunois...
como eu gostaria de estar na ponte de Orléans novamente.
- Vivemos sobre aquela ponte! - Sim...
e alguns de nós também morreram!
Não é estranho, Jean?
Sou tão covarde.
Fiquei tão assustada antes das batalhas...
é tão tedioso agora que tudo acabou para mim.
Tão tedioso!
Precisa aprender a ter moderação na guerra...
assim como tem com bebida e comida, minha santinha.
- Acho que gosta de mim. - Você precisa disso.
Não tem muitos amigos na corte.
Por quê?
Por que esses cavaleiros, nobres e clérigos me odeiam?
O que lhes fiz? Não pedi nada para mim...
Só pedi que não nos cobrassem taxas de guerra!
Eu lhes trouxe a vitória...
consertei suas idiotices...
coroei Carlos e fiz dele um rei de verdade.
E suas glórias são atribuídas a eles!
Por que eles não me amam?
Espera que te amem por isso?
Os arcebispos gostam de ser levados ao altar...
mesmo por santos?
Vou dizer-te algo, Jean.
É nos sinos que ouço as minhas vozes.
Não quando tocam como hoje...
quando têm apenas um soar estridente.
Mas aqui, com os ecos...
ou nos campos, quando parecem distantes...
no silêncio do campo...
minhas vozes estão neles!
Você me perturba ao falar de suas vozes!
Pensaria que é louca...
se não me desse razões sensatas por seus atos.
Apesar de dizer aos outros que obedece a Santa Catarina.
Preciso te dar razões, pois não acredita em minhas vozes.
Mas as vozes vêm primeiro e eu encontro as razões primeiro.
Seja qual for sua crença.
- Está zangada? - Sim.
Não, não com você!
Gostaria que fosse um dos bebês do vilarejo.
- Por quê? - Para eu cuidar de você.
- Afinal, é um pouco feminina. - Não. Sou um soldado e nada mais.
Soldados cuidam de bebês quando podem.
Jean, vai continuar e tomar Paris?
Quem sabe?
Talvez eles não deixem.
E talvez estejam certos.
O que suas vozes dizem agora?
Nada.
Elas não estão sempre comigo!
Seus quadrados estão muito grandes!
Olhe!
A perna direita real é fraca!
Eu disse que estavam grandes demais!
É você...
pensei que já tivesse partido!
E eu pensei que já estivessem indo à Paris!
Não, perderíamos tudo o que ganhamos!
Podemos fazer um bom tratado agora.
- Tratado? - Por que não?
Agora que estou coroado.
Não esqueço o óleo! Dê-me o giz, vou mostrar.
Sabe, Joana, chega uma hora em que o soldado...
deve dar lugar ao estadista.
Dê-me outro giz.
As guerras não são combatidas só com homens e canhões...
mas também com astúcia e folhas de papel.
Assim é mais econômico.
Paris será muito cara para nós!
As finanças estão ruins após todas as suas batalhas.
Mas não será Rei da França enquanto não conquistar Paris!
Arcebispo, fale com ela. Quer começar a lutar de novo!
Ela só pensa em guerra, guerra, guerra.
Vamos nos satisfazer com o que já fizemos.
Arcebispo, concorda comigo, não? É hora de um tratado...
Nossa sorte pode acabar!
Deus lutou por nós e chama isso de sorte?
O Rei se dirigiu a mim, não a você!
Ponha-se no seu lugar.
E dirá que ele não deve atender a Deus?
Não uso tanto o nome Dele como você...
pois interpreto Sua vontade em nome da Igreja!
Quando chegou, não falava com tanta petulância!
Macula-se com o pecado do orgulho.
Ela sabe mais que todos.
Sei mais mesmo! E não sou orgulhosa.
Só falo quando estou certa.
- E como sabe que está? - Minhas vozes dizem.
Suas vozes! Suas vozes!
Por que não falam comigo? Eu sou o rei, não você.
Elas falam com você, mas não as ouve.
Não sentou no campo à noite para ouvi-las.
Quando tocam Ângelus, você apenas se benze.
Mas se orasse com o seu coração...
e ouvisse os sinos após pararem de dobrar.
Ouviria as vozes assim como eu.
Quer ouvir o que um ferreiro diria, para...
bater enquanto o ferro está quente.
Devemos tomar Compiègne e libertá-la.
Como tomamos Orléans!
Então Paris abrirá seus portões!
Dunois, fale com ele! Diga que estou certa!
A impetuosidade ajuda na guerra...
mas é um mau mestre.
Estaria ainda fora de Orléans, se eu não o tivesse feito atacar!
Não basta ser papa, você quer ser Alexandre e César!
O orgulho acaba, Joana.
O que importa o orgulho? É verdade?
- É uma questão de bom senso. - Não tenho dinheiro.
Esta coroação, que é sua culpa, custou-me muito caro!
A Igreja é rica. Tenho confiança nela.
Iria a qualquer lugar com sua bênção a me proteger.
Não lhe abençôo enquanto for orgulhosa e desobediente.
Como desobediente se obedeço as vozes que vêm de Deus?
A voz de Deus na Terra é a voz da Igreja.
E suas vozes são os ecos de sua obstinação!
Isso não é verdade!
Ousa dizer que o arcebispo mente?
Não, foi o senhor que disse que minhas vozes mentem!
Quando elas mentiram?
Mesmo que sejam ecos do meu bom senso, não estavam certas?
Sempre a mesma coisa. Ela está certa, os outros errados.
Este é o meu último aviso...
Se colocar sua opinião pessoal...
acima das de seus superiores espirituais...
a Igreja te abandonará ao seu destino!
Vá para casa, Joana.
Foi muito útil no começo e não sou mal agradecido...
isentei sua vila dos impostos, e olha que não tenho dinheiro.
Agora, seja boazinha e não nos perturbe mais!
Jean, o que você acha?
Acho que Deus estava ao seu lado...
mas não se esqueça que o vento muda e nossos corações também.
Mas como soldado digo que Deus não está à disposição dos homens...
nem das donzelas!
Seu tempo de milagres acabou.
E agora o melhor vencerá a guerra se estiver com sorte.
Você também acha que é sorte?
Sei que muitas vidas dependem de meus atos.
Mas você não pensa nisso. Só pensa em Deus.
Até agora, os números a favoreceram e você venceu.
Mas um dia terá dez homens contra cem...
e verá que Deus está do lado dos grandes exércitos.
O Rei me falou de dinheiro e você de prudência.
O povo não ganha nada e não conhece estratégia.
Em Orléans, eles me seguiram maltrapilhos...
sobre uma escada, muro acima.
Você também me seguiu naquele dia.
Os tempos mudaram, Joana.
Deus sabe que...
se caísse no Loire, eu pularia para salvá-la.
Mas se for pega em Paris, não poderei salvá-la!
Se eles te capturarem, será queimada como bruxa.
Está sozinha, absolutamente sozinha.
É a verdade, Joana.
Reflita!
Onde estariam agora se eu aceitasse esse tipo de verdade?
Não tenho ajuda de ninguém!
Achei que a França teria amigos na corte do Rei...
mas só encontrei lobos...
lutando por pedaços do corpo dela!
Pensei que vocês não me deserdariam...
que seriam torres fortes que me protegeriam...
Mas agora sou mais sábia, e ninguém é pior por isso!
Não me assustam dizendo que estou só.
A França está só.
E Deus está só.
O que é minha solidão diante a do meu país e a de Deus?
Agora eu compreendo que...
a solidão de Deus é Sua força.
O que seria Dele se lhes desse ouvidos?
Minha solidão será minha força também.
É melhor estar sozinha com Deus.
Sua amizade não me faltará.
Nem Seu conselho, nem Seu amor.
Com Sua força, ousarei até morrer!
Agora vou ao encontro das pessoas comuns...
e deixarei o amor delas compensar o seu ódio.
Todos vocês gostarão de me ver queimada.
Mas se eu for à fogueira, estarei no coração deles...
para todo o sempre.
E Deus estará comigo!
Viu? Nós a avisamos.
Poderia estar viva hoje.
- E isso seria vida? - Melhor do que a fogueira!
Essa dor dura minutos...
mas a dor da vida, Carlos...
dura anos.
Sim, talvez tenha razão.
Espero não incomodar.
- Quem é você? - O Conde de Warwick...
Pode não se lembrar, mas paguei 16 mil libras por você...
- ao ser derrubada. - Há tanto dinheiro no mundo?
Havia, madame, na Inglaterra.
Nunca o vi no meu julgamento.
Foi julgada pela Igreja, madame! Eu a vi somente na cela.
Esta é a chance de conversarmos.
Sabe como é: Céu e Inferno...
Oxford e Cambridge, eles nunca se misturam.
Vim me desculpar.
Sua morte foi puramente política. Nada pessoal.
Não se preocupe, Milorde. Foi a vontade de Deus.
Deus? Sim, é claro. Mas prefiro chamar de necessidade histórica.
Mas você teve muita classe.
Não entendo as palavras que diz!
Não falam inglês de onde vem? Insisto em me desculpar.
Ao senhor também.
Embora o tenha ajudado a ser rei, ajudando-a se tornar santa.
- Chamam-me de criador de Reis. - Foi Deus quem me fez Rei.
Não podemos culpar só a Ele.
Estranho! Os erros que um homem inteligente comete!
Queimá-la me pareceu uma necessidade política.
Queria acabar com a sua lenda...
mas aqui estamos ainda falando de você.
Seria melhor se eu tivesse sido misericordioso.
Deixá-la morrer de velhice em sua cela.
Misericordioso?
Deixe-me olhar, senhor!
- Por favor! - Certo, seja breve.
- Erga-me, senhor. - Erguê-lo?
Pegue a caixa para subir.
- Come demais! - Preciso crescer.
- Em altura, não em largura. - Senhor, lá está o Inquisidor!
Joana...
quando estivemos aqui há 2 dias, foi desrespeitosa em suas respostas.
Espero que responda como uma filha honesta da Igreja.
Filha, está pálida hoje. Você não se sente bem?
Obrigada pela gentileza. Estou bem o bastante.
O Bispo de Beauvais me enviou carpas que me deixaram doente.
Está dizendo que os peixes do bispo estavam estragados?
Ele quis ser gentil comigo, mas o peixe me fez mal.
Os ingleses pensarão que tentaram me envenenar.
Está acusando o bispo de usar veneno?
Os ingleses querem que eu seja queimada como bruxa.
Por que me deixam nas mãos dos ingleses?
Por que estou acorrentada? Temem que eu voe?
Já não tentou pular de uma torre de 18 metros de altura?
Se não pode voar como uma bruxa, como está viva?
Suponho que a torre não era tão alta.
- Ela cresce a cada interrogatório. - É verdade, Irmão Courcelles.
- É o advogado dela? - É bom que ela tenha um defensor.
Por que saiu da torre?
Por que não sair de uma prisão se for possível?
- Então tentou fugir? - Claro!
Se você está nas mãos da Igreja...
e tenta fugir de sua autoridade, comete uma heresia.
Isso é uma grande bobagem.
Tente não ser atrevida. Não é bom para você.
Tenho fé na Igreja, sempre a obedeci...
- e sempre obedecerei! - Obedecerá?
Se não for impossível.
Acusa a Igreja do crime de pedir o impossível?
Deixe-a falar, Irmão Courcelles. Ela não conhece Teologia.
Não a condenarei por suas frases.
Se a Igreja pedir algo contra as ordens que recebo de Deus...
eu não farei.
Não importa o que seja. Isso é o que chamo de "impossível".
A Igreja contra Deus! Isso queimaria 10 hereges!
Ela não sabe o que diz.
Joana, retrate-se.
Se está muito confusa, apenas abane a cabeça!
- Deve torturá-la. - Ainda não!
Mandei o carrasco ficar pronto.
- Mandou? - Eu já previa isso.
Vossa Eminência, dê-lhe tempo.
Irmão Courcelles, traga o carrasco.
O tempo não é importante, Irmão Ladvenu.
Quero salvar a alma dela para a eternidade...
onde não há tempo.
Mostre-lhe os instrumentos, mas não a toque ainda.
Não se desespere.
Para os ignorantes, as palavras não têm sentido.
Eles precisam ver o perigo.
- Mostre as pernas, garota. - Vamos esticá-las!
Cale a boca! Prepare os parafusos e os ferros.
Se posso incomodá-la...
A tortura é uma arte que não aprecio.
- Por favor, deixe-me ver! - Garoto abominável!
- Vá dizer ao Monsenhor Cauchon... - Só uma olhada.
Deite-se.
Não tenha medo.
- Puxaremos 2 polegadas. - Vai despi-la, não?
Não somos bárbaros! Só a despiremos até a cintura.
Já chega! Isso não é para crianças!
Ainda não fizeram nada!
- Vá dizer ao Bispo... - Mas não vi nada!
Vai apanhar, se não me ouvir.
Sou todo ouvidos.
Diga ao Bispo de Beauvais que o aguardo...
com muita impaciência.
Como o chamarei?
De tudo, menos devoto. Comporte-se.
Alguma novidade, Milorde?
- Nenhuma, Irmão Stogumber. - Está muito calmo, Milorde.
Agora estão tentando assustá-la para que ela se arrependa.
Estão nos trapaceando, Milorde!
Os ingleses não podem ser trapaceados por esses estrangeiros!
Usa expressões estranhas. Considera-se inglês?
Considero-me um cavalheiro!
Nós dois nascemos na Inglaterra, já o Bispo de Beauvais é um francês.
Um francês? Onde descobriu a palavra?
Esses borgonheses e bretões começarão a se chamar de franceses?
E quem será inglês?
O que será de nós se isso virar moda?
- Por quê? Isso nos atinge? - Claro!
Se o nacionalismo, a idéia de servir a pátria, virar moda...
adeus a autoridade dos nobres e da Igreja!
- Adeus a nós dois! - Sou um servo fiel da Igreja.
Mas por que devo deixar franceses tirarem nossos direitos?
Pagamos muito pela bruxa, em libras, não em francos!
Se isso continuar, jogo a batina ao diabo e a estrangulo!
Meu caro bispo, que bom que veio!
- Conhece o meu capelão? - Reconheci a voz.
Por favor, sente-se.
Não estamos felizes com a lentidão da justiça da Igreja.
Fazem 9 meses que a donzela foi capturada...
e quatro que a comprei para o senhor.
- O julgamento não acabará nunca? - Ele nem começou.
- Está vendo, Milorde? - Como assim?
Nós interrogamos a donzela quinze vezes...
mas só ontem e hoje com a participação de um inquisidor.
- É óbvio que ela é uma bruxa! - O bispo está falando!
Também devemos considerar as opiniões de...
- um tribunal francês. - Católico, Vossa Eminência.
A derrota do exército inglês não os convencerá...
de que houve bruxaria.
Nenhum inglês já foi derrotado justamente!
Em Orléans, ela foi ferida mortalmente e mesmo assim lutou!
E quando repelimos o ataque, ela caminhou...
para o forte com uma bandeira branca e...
nos paralisou! Isso não foi bruxaria?
É perda de tempo acusá-la de bruxaria!
Ela se porta como tal repetidamente.
A história dos ovos!
- Ela não é bruxa, é só uma herege. - Que diferença faz?
Você, sendo padre, ainda me pergunta?
Tudo isso tem uma explicação natural.
Vocês, ingleses, são complicados.
E vocês, franceses, são sempre minuciosos.
As neblinas de seu país não criam teólogos.
Não temos neblina! Vi mais neblina na França!
- Não posso falar, Milorde? - A menos que se contenha.
- Perdôo por sua ignorância. - Chama-me de ignorante?
- Peço sua proteção. - Concedida.
Por favor, continue, monsenhor.
Mandei não tocá-la! Se houve contusão...
Não toquei nela, foi só uma demonstração.
Está ferida, Joana?
Não, ele disse a verdade.
Não vai se retratar diante de Sua Reverência.
Eu já me decidi.
A Igreja não está sujeita a necessidades políticas.
Eu sirvo ao Rei e não vou...
- Mesmo por sua alma? - A Inglaterra é um país frio.
Não tememos as chamas do inferno!
- Senhores. - Não fique ansioso...
possuem um aliado invisível mais convencido de que vocês...
que ela deve ser queimada.
- E quem seria? - A própria donzela.
Cada vez que abre a boca, ela se condena mais.
Faça o melhor, desde que não tenha utilidade.
Não quero agir sem a bênção da Igreja.
Vamos começar o julgamento, Milorde.
Bom dia, Irmão Ladvenu, já rezando?
Rezo para a donzela se arrepender. O senhor não?
Não seria coerente.
- Ponha guardas no mosteiro. - O bispo objetará.
- Ele será sensato. - E no tribunal?
Não. Deixe que tenham poder.
- Quantos homens tem? - 800.
- É o bastante. - Ela morrerá hoje?
Ao tribunal, Irmão Stogumber...
faça o que puder, o que não puder eu farei.
A audiência está aberta.
- Tenho um protesto. - Era de se esperar.
Tenho um apoio. O Irmão Courcelles está comigo.
Qual é o problema?
Fale, Irmão Courcelles, já que não gozo de confiança dele.
Esforçamo-nos para reunir 64 acusações...
e esse número foi reduzido sem nosso consentimento.
Eu admiro o zelo por trás de seu trabalho...
mas ele não vale no caso de uma herege. Já basta.
Portanto, reduzi seus 64 artigos a 12.
Doze?
Creia, doze serão suficientes para o seu propósito.
Mas alguns artigos importantes praticamente sumiram!
Por exemplo, ela declarou que as santas Margarete...
e Catarina e o Arcanjo Miguel falaram com ela em francês.
Ele que deviam falar em latim?
Não, acha que deviam falar em inglês.
Obviamente!
Não é bom nem a você nem ao Rei da Inglaterra...
declarar o inglês como a língua natal do diabo.
E nosso trabalho de nada serviu?
É mais um exemplo da influência diabólica dela neste tribunal.
- Então estou sob influência demoníaca? - Não sugiro nada.
Mas parece que querem ocultar que...
a donzela roubou o cavalo do Bispo de Senlis.
Isso foi excluído da acusação.
Chega de besteira! Não somos um tribunal criminal.
Besteira?
Chama o cavalo do bispo de besteira?
Ela alega ter pagado pelo cavalo...
mas se ele não recebeu o dinheiro, não é culpa dela.
E acreditam na palavra dela?
Ela poderá ser absolvida por isso.
Se fosse um cavalo comum, mas é o do bispo.
Como ela pode ser absolvida?
Não há uma só camponesa...
contra qual não pode ser provado esse tipo de acusação.
Algumas roubariam o cavalo do Papa se pudessem.
Temos que julgá-la por heresia.
Meu trabalho é detectar e reprimir a heresia.
Estou aqui como Inquisidor, não como um juiz comum.
Atenham-se à heresia, esqueçam as outras questões.
- Este é o ponto! - Posso falar, Eminência?
É mesmo um caso de heresia ou só a simplicidade de uma jovem?
Muitos santos falaram tanto quanto Joana.
Se tivesse visto o que já vi de heresia...
nem pensaria nesta hipótese.
A heresia começa com pessoas...
que parecem melhor que seus vizinhos.
Uma moça devota...
ou um jovem que deu suas riquezas aos pobres...
pode fundar uma heresia...
que irá arruinar a Igreja e o Estado se não for detida a tempo.
Uma mulher que luta com roupas de homem...
será seguida, assim como a noite ao dia...
por homens e mulheres que se recusam a usar roupas!
Verão diante dos senhores...
uma jovem, devota e pura.
Mas digo que as acusações dos ingleses não possuem evidência.
Portanto, devem conter seus impulsos naturais.
Se odeiam a crueldade, e se alguém não odeia...
ordeno que deixe este tribunal sagrado.
Se odeiam a crueldade...
lembrem que nada é mais cruel...
em suas conseqüências do que a tolerância da heresia.
E que nenhum tribunal é tão cruel quanto o povo.
Antes da Inquisição...
os suspeitos de heresia eram apedrejados, afogados...
e queimados sem julgamento.
A ira é um mau conselheiro.
Expulsem a ira. A pena às vezes é pior.
Expulsem a pena.
Mas não expulsem a compaixão.
Lembrem-se apenas que a justiça vem primeiro!
Eminência, tem algo a dizer?
Falou por mim e melhor do que eu poderia.
Sente-se, Joana.
Joana, demos-lhe muitas horas para refletir.
Jura sobre o Evangelho dizer toda a verdade?
Já disse várias vezes que falarei o que quiserem...
mas Deus não permite que se diga toda a verdade.
Como sabe disso?
Não entendem quando digo.
Desafia este tribunal de homens santos e esclarecidos?
Podem ser...
mas há um velho ditado:
"Quem fala muita verdade, enforcado será."
Joana, tente confiar em nós.
Se quiséssemos condená-la, por que a interrogaríamos tanto?
Já jurei o que podia, não jurarei mais!
Eminência, ela deve ser torturada.
Entende, Joana? Você viu os instrumentos.
Pense antes de responder.
Mesmo que me esquartejem membro a membro...
até separarem a minha alma do meu corpo...
nada conseguirão de mim, além do que já disse.
A tortura a fará mudar de idéia.
Não suporto ser ferida.
Se me ferirem, direi o que quiserem para parar a dor.
Mas retirarei tudo depois.
Nenhuma confissão sob tortura é válida se não confirmada depois.
A tortura é comum!
- Mas não é necessária. - Isto é irregular.
- Fará isso só por prazer? - Não é um prazer.
- É a lei, deve ser feito. - Não é assim, irmão.
Exceto quando as perguntas são feitas por quem não sabe fazê-las.
- É sempre feito assim com hereges! - Não será feito hoje.
Não obteremos confissões forçadas.
É misericordioso, mas não se pode fugir às regras.
O senhor é um palerma!
Sua regra é fazer o que já foi feito.
O quê? Ousa me chamar de palerma?
Paciência, irmão. Logo estará bem vingado.
- Palerma... - Estamos perdendo tempo.
Ela não nega dois crimes:
Que falou com espíritos do mal...
e que usa roupa de homem, o que é indecente e anormal.
Santa Catarina, Santa Margarete e o Arcanjo Miguel são do mal?
Como sabe que o espírito que vê é um arcanjo?
Ele apareceu despido?
Acha que Deus não pode lhe dar roupas?
Bem respondido, Joana!
A Igreja a instrui que tais visões são do diabo.
Aceita a instrução da Igreja?
Elas me trazem mensagens de Deus.
- Não posso negar a Deus. - Sabe o que está dizendo?
Luta em vão com o diabo para salvar a alma dela.
Pela última vez, tirará essas roupas indecentes...
e se vestirá como seu sexo?
- Não. - Um sinal de desobediência.
Minhas vozes pediram para eu me vestir assim!
Por que um anjo de Deus a daria um conselho desses?
Sim. É uma questão de bom senso.
Fui um soldado entre soldados.
E agora sou uma prisioneira vigiada por soldados.
Se me vestisse como mulher, pensariam em mim assim...
- então o que seria de mim? - Agora preste atenção.
Se a Igreja lhe diz que suas visões e revelações...
são enviadas pelo diabo para levá-la à perdição...
acreditaria que a Igreja é mais sábia que você?
Responda, Joana!
Estamos querendo ajudá-la, Joana!
Tudo o que chamam de crimes, fiz por ordem de Deus.
Não posso dizer mais nada.
Se a Igreja diz o contrário, não a ouço. Só ouço a Deus!
Não sabe o que diz. Quer morrer?
Acredita que está submetida à Igreja de Deus na Terra?
- Sim. Nunca neguei isso. - Bom.
Então também está submetida ao Papa, aos cardeais...
arcebispos e bispos que esse tribunal hoje representa?
Minhas vozes não dizem para desobedecer a Igreja.
- Mas Deus vem em primeiro lugar. - E você é o juiz?
Quem mais posso julgar senão a mim mesma?
Está querendo dizer que está em estado de graça?
Se não estou, que Deus me ponha nele...
e se estou, que me mantenha nele.
É uma boa resposta, Eminência.
- E quando levou o cavalo? - O diabo levou o cavalo!
Que entre o carrasco.
Disse que eu não seria torturada.
Não será torturada.
Confessou o necessário para sua condenação.
Carrasco, que ela ouça suas respostas.
Está pronto para queimar uma herege?
- Sim, Eminência. - A fogueira está pronta?
Sim, no mercado.
Está muito alta para que eu possa facilitar a morte.
Será uma morte cruel.
- Não vão me queimar agora? - Enfim entendeu.
Há 800 ingleses esperando para levá-la quando...
sua sentença for lida.
Oh, Deus!
Não se desespere, Joana.
A Igreja é misericordiosa e você ainda pode se salvar.
Sim, minhas vozes prometeram que eu não seria queimada.
Santa Catarina me disse para ser corajosa.
Está louca, criança? Não vê que suas vozes a enganaram?
Elas mantiveram alguma promessa desde sua captura?
O diabo a traiu. A Igreja lhe estende as mãos!
É verdade!
É verdade!
Minhas vozes me enganaram!
Sempre ousei...
mas só uma tola caminharia para o fogo.
Deus...
Deus me deu bom senso e não permitirá!
Que Deus seja louvado!
Ele a salvou no último instante.
Eminência, então permitirá que ela escape da punição?
A lei deve ser seguida. E você sabe disso.
Só sei que não se confia nos franceses!
Sei o que o Conde de Warwick fará quando souber disso.
Silêncio, irmão! Pense no seu santo ofício...
e onde você está.
- Ordeno que sente-se! - Não vou me sentar.
- Ele já me chamou de traidor. - Você é um traidor!
Todos vocês são traidores!
E você o tempo todo...
suplicou a esta bruxa para se salvar!
Se não vai se sentar, fique parado.
Não ficarei parado!
- Aqui está a fórmula de abjuração. - Leia.
"Eu, Joana, conhecida como a Donzela...
confesso que pequei nos seguintes artigos:
Fingi ter tido visões de Deus, anjos e santos...
e confesso ter cometido os pecados de sedição, idolatria...
desobediência, orgulho e heresia.
Renuncio a todos eles...
nunca voltarei a cometê-los, estando em comunhão com a Igreja.
Juro por Deus e pela Bíblia Sagrada e assino meu nome."
Entendeu, Joana?
Está bem claro.
E é verdade?
Se não fosse, a fogueira não estaria me esperando.
- Filha, pegue a caneta. - Não sei escrever.
- Mas já assinou várias cartas. - Mas alguém segurou minha mão.
Faça uma marca.
Glória a Deus, meus irmãos! A ovelha voltou ao rebanho.
Milorde, eles nos traíram. A bruxa foi retratada!
Eu já esperava isso.
Está muito calmo, Milorde!
O que faremos?
Os anjos podem estar com a Igreja, mas eu tenho 800 soldados.
Não culpe a Igreja, são estes padres franceses!
E se o Papa a declarasse inocente?
Ele também é estrangeiro! Na Inglaterra...
- Ele não é infalível? - Claro, em fé e moral.
- Mas... - Mas isso é política.
Não se preocupe.
Ela será queimada antes de o Papa saber.
Capitão!
Esta é a sentença do tribunal do Bispo e da Santa Inquisição.
Por ter pecado contra Deus e a Sagrada Igreja...
e por ter se arrependido, nós, pelo bem de sua alma...
e pela penitência que a limpará dos pecados e...
a deixará em graça, a condenamos a comer o pão...
da dor e a beber a água da aflição...
na prisão perpétua.
Prisão perpétua?
Não serei libertada?
Libertada após seus mal feitos. Como sonhava com isso?
Acendam sua fogueira!
Acham que viverei como um rato?
Minhas vozes estavam certas!
Disseram-me que vocês eram tolos...
e que eu não deveria acreditar na sua caridade!
Prometeram-me a vida, mas mentiram!
Acham que viver é não estar morto?
Não temo viver a pão e água.
O pão já me basta. O que mais preciso?
O pão não causa dor, nem a água aflição...
mas me privar da luz do céu...
e do cheiro dos campos e das flores...
e me acorrentar para que eu não cavalgue mais...
e me fazer respirar a escuridão infectada...
e me tirar tudo que me faz lembrar do amor de Deus...
é maldade e tolice de vocês me forçar a odiá-lo!
Posso viver sem meu cavalo de guerra.
Posso andar num jumento.
Posso largar os estandartes e deixar os soldados me passarem...
e me deixarem para trás como qualquer outra mulher...
mas se eu pudesse ouvir o vento nas árvores...
as cotovias ao sol...
as ovelhas chorando de frio...
os sinos da igreja que me enviam as vozes pelo vento.
Sem essas coisas...
não posso viver!
Se querem tirá-las de mim ou de qualquer pessoa...
sei que sua inspiração vem do diabo...
e a minha vem de Deus!
É uma incorrigível!
Incorrigível! Peço sua excomunhão!
Se sua inspiração viesse de Deus, Ele não a libertaria?
Os meios Dele são outros.
Ele quer que eu passe pelo fogo para encontrá-lo...
pois sou sua filha.
E eu não devo viver entre vocês.
Esta é minha última palavra!
Nós a declaramos herege e incorrigível.
- É expulsa da Igreja. - E separada do corpo.
- Infectada pela lepra da heresia. - Criatura de Satanás.
Declaramos que deve ser excomungada.
Para a fogueira!
- Não, isso é irregular. - Tenho ordens.
Os ingleses são impossíveis. Devemos detê-los.
Mas não tão rápido.
Se os ingleses querem ir pelo lado errado, não impediremos.
Uma falha pode nos ser útil no futuro.
Nunca se sabe.
Quanto antes terminar, melhor para a pobre garota.
É terrível ver uma criatura inocente...
- ser prensada entre a Igreja e a Lei! - Ela é inocente?
Muito. Não entendeu nada do que dissemos.
São os ignorantes que sofrem.
Meus amados irmãos.
Meu texto foi extraído de Coríntios I...
capítulo 12, versículo 27.
A bruxa quer uma cruz. Não terá uma no inferno!
Seja justo. Queime-a, se quiser...
mas não seja indelicado!
"Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.
E a uns pôs Deus na igreja..."
"...variedades de línguas.
Porventura são todos apóstolos? São todos profetas?"
Oh, meu Deus! Tire essa visão de mim!
- O que foi? - Reze por mim!
Claro, mas tenha calma!
Não queria fazer mal!
Não sabia que seria assim!
Então você viu.
Não sabia o que estava fazendo!
Sou um grande idiota...
e serei amaldiçoado para sempre!
Eu a matei... eu a matei...
Bobagem! Não foi você quem fez!
Mas os deixei fazer!
Não!
Controle-se!
Se não gosta disso, por que não faz como eu e fica longe?
Ela pediu uma cruz!
Um soldado a deu duas varas amarradas.
Graças a Deus era um inglês!
Idiota! Também o queimarão, se os padres o pegarem.
Alguns riram dela!
Teriam rido de Cristo!
Eram franceses! Sei que eram.
Irmão Stogumber, controle-se!
Está acabado!
- Não se preocupe. - Apenas começou.
Irmão Stogumber, está dando um espetáculo!
- O que quer, amigo? - Não sou amigo de ninguém...
- sou o mestre carrasco de Rouen. - Desculpe-me, mestre carrasco.
Suas ordens foram obedecidas, Milorde.
Você não perderá nada por não ter relíquias para vender.
Tenho sua palavra, não?
Não sobrará nada: Nem um osso, nem uma unha, nem um cabelo?
O coração dela não queimava.
Mas joguei todos os restos no fundo do rio.
- É o fim dela. - O fim? Será?
Era fácil combater os ingleses e ao mesmo tempo amá-los...
a blasfêmia é uma espécie de prece.
Mas você nunca blasfemou ou orou.
Deus me perdoe, mas não posso amar gente como você.
Sua Igreja é tão culpada como eu.
Culpe o Monsenhor Cauchon e o Bispo de Beauvais.
Não fale de Cauchon.
A justiça foi feita a ele!
Mentiroso!
Obrigado.
É Pierre Cauchon!
- Está vivo ou morto? - Morto...
e desonrado! Eles me perseguiram além do túmulo...
excomungaram meu cadáver! Jogaram-me na vala dos indigentes!
Deus é minha testemunha, eu fui justo.
Não poderia ter feito mais do que fiz.
É sempre vocês, os bons homens, que cometem os grandes erros.
Olhe para mim.
Não sou Carlos, o Bom, ou Carlos, o Sábio...
nem Carlos, o Corajoso.
Os discípulos de Joana me chamam de Carlos, o Covarde...
pois não a tirei do fogo. Mas qual rei francês agiu melhor?
É realmente o Rei da França? Os ingleses se foram?
Mantive minha palavra. Os ingleses se foram.
Santo Deus!
Fale-me da guerra, Jean.
Você os liderou ou foi Capitão de Deus até a morte?
Não estou morto, meu corpo dorme em minha cama.
- Mas meu espírito foi chamado pelo seu. - Combateu do meu modo, não?
Arriscando a vida, com o coração e humildade, sem malícia.
Para ganhar, todos os modos são bons.
E o modo que ganhou sempre foi o dela.
Escrevi uma carta para inocentá-la em seu novo julgamento.
Não deveria ter deixado a queimarem, mas estava lutando na época.
E era assunto da Igreja, não meu.
E não seria bom se ambos fôssemos queimados!
Sou seu servo, senhoras e senhores.
- É um santo? - Sim, direto do inferno.
Um santo do inferno?
Tenho um dia por ano por ter feito uma boa ação.
- Só fez uma boa ação? - Foi espontânea...
mas eles a registraram!
O que foi?
Uma besteira!
Ele amarrou duas varas e deu a uma moça que ia ser queimada.
Quem a disse isso?
- A reconheceria se a visse de novo? - Não. Há tantas mulheres.
Elas sempre esperam ser lembradas. Esta deve ter sido importante.
- Até amanhecer, sou santo. - E depois?
De volta ao meu lugar.
- Parece que a elite está no inferno! - Em seu século, Milorde...
Como "meu século"?
Estou fora do tempo.
A cada guerra, pegamos a ralé.
Às vezes, o bastante para se desesperar.
Em sua época, eram franceses e ingleses...
depois vieram os suecos, os poloneses, os russos...
e depois, os alemães! O que fizeram a Paris!
O inferno foi normal para eles.
- Alemães no meu reino da França? - República, quer dizer.
República!
Não se preocupe, os americanos os expulsaram.
Que língua os americanos falam?
Bem, eles falam que é inglês.
Estamos no mesmo barco, e sem um pingo de água!
Que confusão!
Sempre soube as respostas. Não pode fazer algo?
- Quer que eu faça? - Nada violento desta vez.
Mas poderia me coroar de novo? Só para mostrar para eles.
Uma república!
Sou santa e santos podem fazer milagres.
E só me pedir de coração.
Devo levantar dos mortos e voltar a viver entre vocês?
Roma a fez santa.
Não é mais de nossa alçada. Que Roma decida.
Fique onde está mulher.
Uma santa morta é sempre menos perigosa para a Igreja...
do que uma viva.
Perdoe-nos, Joana. Ainda não somos bons o bastante para você.
Preciso voltar para a minha cama.
Você sempre foi um incômodo.
Já sonhei muito com você!
E você, meu amigo fiel?
É dia, com licença.
Tenho um compromisso urgente lá embaixo.
Ó Deus, que fez esta linda Terra...
quando ela estará pronta para receber Seus santos?
Quando, Senhor? Quando?
FIM
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