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UMA S�RIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX
N�o h� frangos selvagens.
Estas aves n�o se alimentam sozinhas.
N�o v�o para pasto fresco nem limpam o galinheiro.
O agricultor � quem o faz.
No in�cio do s�c. XX, este animal n�o existia.
Hoje, no mundo inteiro, cada um de n�s come 12 kg de frango por ano.
Tem de se criar muito mais carne.
Temos de duplicar a nossa produ��o at� ao ano 2050.
O crescimento espantoso do frango foi impulsionado e satisfeito
por um neg�cio que cria vidas e as toma
a uma velocidade e volume surpreendentes.
Criaram mesmo algum poder financeiro.
Mas a escala maci�a de produ��o exp�s quem est� no neg�cio do frango
a pequenos e grandes perigos.
H� muita corrup��o no Brasil.
O Brasil pode destabilizar a rela��o entre oferta e procura a um n�vel global.
O volume da ind�stria do frango tornou-o vulner�vel a cat�strofes.
E as v�timas incluem os criadores...
Abri o avi�rio e era um desastre.
... multinacionais...
N�o se pode ser contra a identifica��o de um crime.
... e at� na��es.
Durante muito tempo, o frango foi gerido pelo lobo.
E j� chega.
A ESCALA DAS AVES
Chamo-me Sonny.
Sou origin�rio do Vietname.
Vim para os EUA
em outubro de 1994.
Planeei ficar c� uns anos
para explorar a quinta, criar frangos
e voltar a estudar.
Mas h� cada vez mais trabalho na quinta
e ningu�m me pode substituir.
Se j� comeu frango, ele ter� vivido a maioria da vida
num edif�cio como este.
Todas estas aves, daqui at� � porta da frente,
s�o 76 metros...
� apenas metade de um avi�rio.
H� outra metade ali atr�s.
E tenho de tomar conta de 16 avi�rios como este.
Sonny Nguyen cria quase 20 mil aves de cada vez em cada avi�rio.
� dif�cil criar frangos.
� como ser ama dos frangos.
Cuido mais dos frangos do que dos meus filhos.
Quanto mais se sabe, mais se adora.
Tem-se paix�o por isto.
O meu beb�!
Mas estritamente falando, Sonny n�o � agricultor.
� criador.
Desde o dia em que nascem
at� serem abatidos, embalados e enviados,
os frangos s�o da companhia avicultora.
Vou largar-te, sim?
Desculpa ter pegado em ti.
Fornecemos a casa, a m�o de obra,
a eletricidade...
QUINTAS WL COKER
... e eles fornecem a ra��o, as aves e a medica��o.
Temos os avi�rios a 33 graus.
Vemos se est�o confort�veis para ajustar o aquecimento.
S� t�m sete semanas.
Estar�o aqui mais duas semanas.
As aves criadas para carne s�o conhecidas por frangos
e s�o criadas h� um s�culo para engordar, e depressa.
No dia depois de eclodirem,
a empresa deixa-os com o criador.
Estas aves podem chegar ao peso de abate em 42 dias,
apenas seis semanas.
Bill e Sonny criam os bandos durante 57 dias.
Os primeiros e os �ltimos dez dias ser�o os cruciais.
Durante 21 dias, est�o por sua conta.
� ligar as ventoinhas,
manter a ventila��o adequada
e eles crescem.
Em m�dia, espera-se que os frangos ganhem 57 gramas por dia.
Esse � o trabalho do criador:
manter as condi��es ideais para as aves ganharem peso.
Se estiver muito quente, abrimos a porta para entrar ar fresco.
Ou ligamos a ventoinha
para as aves estarem mais frescas
e para terem menos tens�o, pois pode mat�-las.
Estas aves s�o muito sens�veis.
ADVOGADO
Est�o num ambiente muito fechado enquanto l� est�o.
E a temperatura, a �gua e o ar
importam para a sobreviv�ncia.
Se o criador fizer bem o trabalho,
cada peda�o da ave d� dinheiro � empresa de frangos.
S� quero apanhar um frango e mostrar como � importante
ter o ch�o seco por causa das patas...
A empresa quer as patas secas.
Veem?
As patas, antes consideradas produto sem valor,
s�o exportadas para a �sia, onde s�o um petisco popular.
E, no fim, equipas de captura v�m busc�-los.
A empresa dos frangos envia as equipas para c�.
Apanham os frangos todos
e levam-nos para a f�brica.
A "empresa dos frangos" � a Pilgrim's Pride.
Quase todos os criadores em Clarendon trabalham para a Pilgrim's.
A Pilgrim's Pride e os seus tr�s maiores concorrentes
dominam o neg�cio do frango nos EUA.
% DE MERCADO
S�o conhecidos como integradores
porque s�o donos e controlam todos os aspetos da produ��o,
da eclos�o � alimenta��o e ao abate.
Os integradores refinaram todos os aspetos da produ��o moderna de aves
para maximizar o lucro.
Deixam o neg�cio caro de criar os frangos para os criadores.
A parte mais mal paga na integra��o vertical
� o processo de cria��o.
CRIADOR DE FRANGOS
Por isso, as empresas n�o o querem fazer.
Preferem subcontratar.
Porque n�o?
Se conseguirem que algu�m pe�a um empr�stimo...
... de um milh�o e 250 mil d�lares para uma quinta de quatro avi�rios,
onde criar� os frangos,
e lhe puderem dizer o que fazer,
dar-lhe ordens...
� como terem uma quinta, mas paga por outro.
H� muitas despesas que n�o esper�vamos antes de entrar no neg�cio.
Quando come��mos,
as pessoas falaram-nos das receitas anuais.
Mas ningu�m falou do dinheiro que se gasta.
Oito avi�rios chegam para ganhar a vida,
mas, enquanto sou jovem, porque n�o trabalhar mais
para ter um futuro melhor?
Estas pessoas v�o trabalhar noite e dia,
t�o duro quanto puderem, para tudo dar certo.
Enquanto um empregado trabalha oito horas e vai para casa,
um criador n�o o pode fazer
quando tem tudo empenhado no que faz, no seu ganha-p�o.
O frango � o nosso banco,
temos de cuidar bem deles.
O contrato � implac�vel a favorecer a empresa avicultora.
N�o h� nada l�
para o agricultor, o criador.
Dizem o que querem, como o querem feito
e � isto que oferecem.
"Se querem criar frangos para n�s, assinam.
Se n�o querem, n�o assinam."
Os criadores s�o pagos com base no peso das aves.
No talho do supermercado,
as partes de um s� frango custam mais de sete d�lares.
Para criar essa ave, o criador recebeu cerca de 36 c�ntimos.
Se pudessem pagar ao criador apenas mais um c�ntimo por meio quilo,
s� mais um c�ntimo por cada meio quilo,
a diferen�a seria tremenda para esse criador.
O frango � diferente da vaca e do porco.
A maioria dos agricultores mant�m o controlo do processo nesses animais.
Em troca, aceitam o risco de um pre�o de venda que varia com o mercado.
Bill Coker costumava estar nesse setor.
Criar porcos era de altos e baixos,
como um mercado de ativos.
Mas sabemos o que temos com os frangos. N�o � como agricultura.
Gosto de criar frangos.
Acho que d� mais estabilidade.
Com o dinheiro que recebemos,
temos de pagar ao banco,
pagar o g�s, a eletricidade,
os trabalhadores.
No fim, n�o resta muito.
N�o resta muito.
Mas estou feliz com o que fa�o aqui.
Adoro o meu trabalho.
O frango �, de longe, a carne mais comida na Am�rica
e os EUA exportam mais de tr�s milh�es de toneladas por ano.
S� o M�xico importa mais de 450 mil toneladas de frango americano por ano.
Espera-se que o frango seja a carne mais comida no mundo
em finais de 2020.
Para alimentar a procura,
as empresas fizeram da cria��o de aves uma virtual linha de montagem.
A cada dez semanas, chega uma nova fornada de pintainhos
e o crescimento come�a novamente.
Cinco a seis culturas por ano
com quase 20 mil aves por avi�rio.
Mais de cem mil galinheiros.
Quase nove mil milh�es de frangos por ano nos EUA.
58 mil milh�es mundialmente.
Em 2015, as extraordin�rias propor��es da produ��o de frango
tornaram-se as condi��es perfeitas para um crime extraordin�rio.
Um que s� podia acontecer num mundo das aves integrado.
Eu nunca tinha visto um processo daqueles.
Posso esquecer o meu anivers�rio, mas n�o o dia 17 de fevereiro de 2015.
Foi tr�s ou quatro dias antes de os virem buscar.
Era um dos melhores bandos que tivemos
porque estava fresco e...
... a taxa de sobreviv�ncia era boa.
Verifiquei as aves por volta das 23h30.
Estava a correr tudo bem.
E disse: "Vai ficar tudo bem."
Mas nunca se sabe.
Deixei a quinta por volta da meia-noite.
De manh�, por volta das 8h de 17 de fevereiro,
o meu empregado telefonou-me e aos gritos:
"Sonny, os frangos morreram!"
E...
Fiquei... O meu cora��o quase parou.
Corri para o carro e fui at� l� rapidamente.
Parecia...
... uma grande nuvem branca de fumo.
Um pouco como uma casa em chamas, mas o fumo era branco.
Abri a porta da sala do computador
e o fumo, com o vapor,
era...
Levei com ele na cara.
E ca� no ch�o.
Quase desmaiei e chorei como um beb�.
Eu sabia que...
... tinha perdido tudo naquele ano.
Abri-a novamente
e vi os frangos, todos os frangos ca�dos no ch�o.
Foi devastador.
Abrir o avi�rio e ver aquelas aves todas.
Pareciam um len�ol branco no ch�o.
� o nosso ganha-p�o.
Tomamos conta das aves. S�o sete dias por semana.
Quando se passa tanto tempo com algu�m, ama-se essa pessoa.
Adoro criar frangos
e...
... n�o quero que morram.
N�o quero que nem um deles morra.
Quando morrem, d�i.
Os bandos de Bill e Sonny n�o morreram por acidente.
Quem fez aquilo, ligou os aquecedores e desligou as ventoinhas.
Fiquei sem ventila��o.
A temperatura era de 50 graus.
E foi por volta das duas da manh�
que a temperatura subiu.
Um destes bot�es para cada um dos avi�rios.
E este bot�o controla quatro avi�rios.
Ele desligou isto e a corrente do alarme.
Ligando-o,
est� sempre a funcionar
e faz a temperatura do avi�rio subir.
O que ele fez foi sufocar as aves.
Os frangos n�o tinham ar para respirar.
E ficou demasiado quente para sobreviverem.
Por isso, morreram todos.
Sonny Nguyen perdeu cerca de 40 mil aves.
Bill Coker perdeu mais de 140 mil.
Algu�m vir aqui e fazer isto
foi...
� inacredit�vel.
Essa pessoa devia conhecer muito bem a minha quinta
para fazer aquilo.
Ningu�m do meu pessoal, no Departamento do Xerife...
ANTIGO XERIFE
... tinha visto algo assim.
O cheiro das aves mortas...
Percebia-se que...
N�o foi uma...
... coisa agrad�vel para as aves.
A quinta de Bill fica 15 km da de Sonny.
E os ataques ocorreram com uma semana de intervalo.
N�o foram as �nicas v�timas.
Tivemos sete criadores
afetados em Clarendon County.
E um criador atacado aqui, em Sumter County.
Foi uma perda total de 320 mil aves.
Foi grave, no nosso entender.
Ao longo de cinco semanas, 16 avi�rios foram atingidos.
Em todos os casos, o term�stato foi usado como arma.
Algumas aves assaram at� morrer, outras congelaram.
O calor n�o afeta uma ave pequena tanto como uma grande.
As aves grandes
sufocam com o calor
e morrem.
As aves pequenas
t�m de ser arrefecidas para causar a mortalidade.
Foi o que aconteceu.
O assassino percebia de avicultura.
BEM-VINDOS A MANNING CAROLINA DO SUL
Eu n�o conseguia dormir.
Todas as noites, ficava na quinta com a arma no carro.
Ele podia continuar a faz�-lo sem ser apanhado.
Se eu tivesse uma quinta, ficaria assustado.
Era claro que estas quintas eram as mais isoladas
e mais vulner�veis.
N�o sei com quem posso partilhar isto.
Por isso, guardo-o c� dentro,
aguento e lido eu com isso.
VANDALISMO MATA 300 MIL FRANGOS 1,7 MILH�ES DE D�LARES DE PREJU�ZO
N�o havia pegadas
nem impress�es digitais ou videovigil�ncia.
N�o t�nhamos essas coisas.
Quem o fez, tinha de saber como a opera��o funcionava.
N�o era um amador.
Ach�mos que podia ser um prestador de servi�os
que percebia de quintas de frangos.
Podia ter sido algu�m que trabalhou com os agricultores,
foi despedido
e que fazia aquilo por vingan�a.
Nunca fiz mal a ningu�m.
Tenho um bom cora��o
e tento ajudar os outros.
Sobretudo outros criadores.
Nunca pensaria
que algu�m se poderia vingar de mim.
� medida que mais criadores foram atacados,
percebemos que n�o podia ser apenas um empregado.
N�o parecia um empregado a vingar-se do patr�o.
Algu�m tinha um motivo maior.
N�o era algu�m ressentido comigo.
Estava ressentido com a firma.
Houve uma auditoria � ind�stria nesses condados
para determinarem se algu�m podia estar incomodado,
se algu�m podia ter uma raz�o
para matar estas aves.
E havia ainda os cad�veres.
Os criadores tinham dezenas de milhar de aves a apodrecer.
Foi devastador.
Limp�-las era o problema.
Desfazermo-nos das aves foi...
... complicado.
O problema era como lidar com os frangos mortos.
S� pens�vamos nisso, em como lidar com eles.
Carreg�mo-los em cami�es e us�mos retroescavadoras,
fizemos uma vala comum.
Mas, no terreno de Sonny, as �guas subterr�neas estavam muito altas.
Os inspetores temiam que os cad�veres entrassem no abastecimento de �gua.
N�o nos foi permitido
tirar os frangos mortos do avi�rio.
Tivemos de enterrar os frangos dentro dos dois avi�rios.
Coloc�mos uma camada, duas camadas,
duas linhas de frangos mortos.
Deit�vamos �gua por cima do monte
para ativarmos as bact�rias.
Para se decomporem mais depressa.
Mas demora muito tempo.
Numa regi�o onde criar frangos � um trabalho comum,
estas mortes em massa foram um crime econ�mico grave
com duas v�timas.
Estas aves n�o chegaram ao mercado. As empresas n�o as puderam vender
e os criadores n�o foram pagos por criar frangos que n�o foram vendidos.
Afetou agricultores. Foram quem perdeu muito.
Mais de um milh�o de d�lares de preju�zo para os criadores.
Eu detestaria estar na pele deles
a enfrentar aquilo financeiramente.
� enorme.
Perdemos as receitas dos dois avi�rios.
Talvez cerca de dez mil d�lares por avi�rio.
Com a limpeza e o resto, acho que foram cerca de 120 mil d�lares.
De preju�zo.
Ainda pior: as perdas para os criadores continuaram
com as aves que sobreviveram.
ESQUEMA DE PAGAMENTO PRODU��O DE FRANGO
O pagamento de Sonny pelo resto do bando foi determinado, como sempre,
pelo "sistema de torneio",
uma estrutura de pagamento que coloca os agricultores uns contra os outros.
Competimos entre n�s.
Vemos quem cria os maiores frangos com menos ra��o.
A empresa de avicultura regista n�o s� o peso das aves no abate,
mas tamb�m a dose exata de ra��o que receberam durante a vida.
Chama-se "convers�o da ra��o"
e o criador que usar menos ra��o, quilo por quilo, recebe um b�nus.
Pode haver algu�m
que crie uma galinha meio quilo mais leve do que a nossa,
mas com uma menor convers�o de ra��o.
Sendo um contrato de convers�o de ra��o, � partida,
ele levar� uma parte maior do dinheiro dispon�vel
porque estar� no topo do crescimento da semana.
O problema � este: quase todas as vari�veis que afetam o peso da ave,
como a ra��o, a qualidade gen�tica dos pintos e a medica��o,
s�o fornecidas pela empresa avicultora.
A pessoa, no fundo, pode ter azar,
tendo recebido frangos que n�o se deram bem.
Sem ter qualquer culpa.
A parte mais feia de tudo
� os b�nus serem subtra�dos aos agricultores
cuja convers�o de ra��o est� abaixo da m�dia.
O b�nus do vencedor vem do criador no fundo do pelot�o,
que receber� menos do que os contratados 5,75 c�ntimos por meio quilo.
Podem ser milhares de d�lares.
Se um criador se sai muito bem, castiga os outros.
� competitivo.
Quem me dera que houvesse outra maneira de o fazer,
mas o neg�cio do frango � assim.
Quando recebi a nota de transa��o...
... a empresa colocou dois avi�rios mortos no meu desempenho.
A aplica��o das regras r�gidas aos criadores
que tinham perdido milhares de aves
significou que receberam menos pelos frangos sobreviventes.
Fiquei... em �ltimo nessa semana.
Tive o pior desempenho
por causa da perda.
N�o ganhei nada com isso.
Perdi mais de 50 mil d�lares.
Depois de o banco ficar com o dinheiro
fiquei com 12 961,61 d�lares.
Mas n�o cobre sequer uma parte da conta do g�s.
N�o � justo, mas...
A Pilgrim's acabou por compensar a perda dos criadores
com menos de metade dos pagamentos normais.
Recebemos algumas compensa��es
da empresa,
mas...
... n�o foi muito.
A Pilgrim's � uma empresa grande, suportaria a perda.
Mas n�s n�o.
Trabalhamos com uma margem muito pequena
e o preju�zo...
... � dif�cil de recuperar.
Ainda estamos a tentar sair do buraco.
PINTOS COLOCADOS
O sistema de torneio � uma obra-prima da impiedosa efici�ncia industrial.
Um modelo de incentivo que mant�m frangos baratos e gordos � venda
enquanto os pequenos criadores lutam por um rendimento vi�vel.
Nas semanas ap�s a morte dos frangos,
o xerife Garrett encontrou-se com as v�timas � procura de pistas.
Foi quando Bill Coker se lembrou de uma cara n�o familiar
na loja da esquina no dia do ataque.
Ele estava a almo�ar e a recolher informa��es.
Como Bill, este homem era criador da Pilgrim's Pride.
O seu nome era James Lowery.
Era criador de frangos.
Imagino que, a dada altura, tive de competir com ele.
Ele fez perguntas sobre os avi�rios, as idades e coisas assim.
Corria o rumor de que Lowery n�o estava mais no ativo.
Na altura, ele n�o criava frangos.
Tinha perdido o contrato
com a Pilgrim's.
Disseram que n�o cuidava das aves.
N�o sei o que a Pilgrim's tinha contra ele.
Ele n�o geria a quinta como devia.
Eles t�m procedimentos e regras a seguir
e ele n�o as cumpria.
Se n�o trabalhamos bem, eles dispensam-nos.
Houve inspe��es
e comunica��o por escrito com o suspeito
nas semanas antes de as aves come�arem a morrer.
As aves n�o eram cuidadas segundo as regras.
E ele conhecia as regras.
A Pilgrim's terminou o contrato com Lowery e o seu rendimento.
Havia o motivo para se vingar da Pilgrim's.
Sem o rendimento est�vel de crescimentos regulares,
qualquer agricultor teria uma d�vida maci�a.
H� agricultores em vias de ceder
e n�o custaria derrub�-los.
Mesmo com o poss�vel motivo,
a Pol�cia precisava de provas concretas.
Quer�amos juntar provas que o colocassem no local.
Seguiram os passos de Lowery, incluindo registos telef�nicos.
Descobriu-se que o telem�vel esteve naquelas quintas
nas noites em que as aves foram mortas.
Em cada noite de uma matan�a num avi�rio,
havia um padr�o de telem�vel que lhe correspondia.
Em cada noite que tivemos um ataque
numa quinta de frangos,
ele estava na �rea.
E tinha todos os motivos do mundo para cometer aquele crime.
Para a Pol�cia, n�o h� melhor do que isso.
CENTRO DE DETEN��O DE CLARENDON COUNTY
Acus�mos Jimmy Lowery de oito crimes de invas�o de propriedade.
E, depois, de oito crimes de destrui��o de animais.
Se a alega��o fosse real,
Lowery tinha cometido um crime singular:
matan�a em massa de frangos
explorando a escala �nica do neg�cio dos frangos.
Desde o in�cio que o tamanho importa.
Em 1923, uma criadora empreendedora de Delaware, chamada Cecile Steele,
recebeu, por acaso, 500 galinhas poedeiras.
Ela criou-as pela carne.
Tr�s anos depois, ela criava dez mil frangos de uma vez.
John Tyson aperfei�oou a integra��o do neg�cio
e os concorrentes imitaram-no.
Desde os anos 50, o n�mero de aves criadas nos EUA
tinha subido 1400 %,
enquanto o n�mero de criadores afundou 98 %.
O frango �, agora, controlado por alguns gigantes empresariais.
A Pilgrim's Pride come�ou como uma loja de ra��o do Texas
que vendia pintos aos clientes.
A empresa cresceu e consolidou-se nos anos 80 e 90,
at� pressionar Tyson pelo primeiro lugar de avicultor.
O que � o jantar?
Frango.
Como outros na ind�stria,
o fundador, Bo Pilgrim, mascarou a sua colossal ambi��o
com uma personagem p�blica amig�vel.
Dedico-me a um frango melhor.
No fim do s�c. XX,
A Pilgrim's ganhava dois mil milh�es de d�lares por ano.
DIVIS�O DE AVICULTURA DA CAROLINA DO SUL
Mas a constante demanda de crescimento colocou-a em risco.
O Bo Pilgrim sempre quis ser o maior.
Queria ser maior do que a Tyson
e foi durante um curto per�odo.
FUS�O GOLD KIST E PILGRIM'S PRIDE
Em dezembro de 2006, Bo Pilgrim gastou mil milh�es com a Gold Kist,
acrescentando 2300 criadores contratados
aos milhares que j� criavam os seus frangos.
E o Bo Pilgrim p�de encher o peito e dizer: "Sou o maior."
Mas a Pilgrim's Pride cresceu demasiado e com demasiada rapidez.
RECESS�O BAIXA A PROCURA
Quando houve a recess�o de 2007, a Pilgrim's Pride caiu.
PILGRIM'S PRIDE ABRE FAL�NCIA
Faliu-os.
PROBLEMAS DE D�VIDAS E RA��O AFETAM PILGRIM
A Pilgrim's Pride come�ou a fechar f�bricas e a vender ativos.
E, depois, vieram not�cias que chocaram a ind�stria:
a Pilgrim's Pride ia ser comprada pela JBS,
uma empresa que a maioria dos americanos desconhecia.
Quase 20 % dos frangos americanos seriam agora
de uma empresa do Brasil.
JORNALISTA
O Brasil � o talhante do mundo.
Tr�s dos maiores dez embaladores de carne do planeta t�m sede l�.
E o maior de todos
� a JBS.
A empresa est� prestes a dominar o mundo.
Falamos de 50 mil milh�es de d�lares de rendimentos.
CHEFE DE ESTRAT�GIA ELEVEN FINANCIAL
Com presen�a em cinco continentes.
"JBS" vem de Jos� Batista Sobrinho, o fundador da empresa.
Batista criou a empresa nos anos 50
como um simples talho
e expandiu-se at� uma enorme empresa.
No novo mil�nio, os filhos, Wesley e Joesley, tornaram a JBS gigante.
Eram muito competentes, acho.
VICE-PRESIDENTE
Obtiveram financiamento para fus�es,
para compras...
... e come�aram a comprar outros matadouros
que se tornaram JBS.
Com a expans�o da empresa,
os irm�os Batista tornaram-se tit�s da ind�stria da carne
e proeminentes "brasilion�rios".
Mas os Batista fizeram fortuna a abater gado.
Assumir a Pilgrim's Pride foi o primeiro passo para o dom�nio global
num neg�cio em expans�o: o do frango.
N�o sabiam o que era um frango, mas compraram
a que, na altura, era a maior empresa de produ��o avicultora
neste pa�s.
A JBS pagou o equivalente a 2,8 mil milh�es
pelo controlo da Pilgrim's Pride.
E conseguiram-no com empr�stimos do Brasil.
JORNALISTA
A fus�o �, na verdade, como a globaliza��o.
Mas os governos deviam...
... trabalhar contra isso.
Aqui, o governo brasileiro agiu ao contr�rio.
Financiaram a fus�o.
Com empr�stimos do governo,
Wesley e Joesley Batista seguiram o mesmo modelo de neg�cio de Bo Pilgrim,
o de crescimento explosivo e implac�vel.
Come�aram a comprar no Brasil e globalmente.
A JBS tinha, de repente, uma grande presen�a no neg�cio do frango,
criando e abatendo dois mil milh�es de aves por ano.
E n�o pararam aqui.
Ap�s a Pilgrim's Pride, a JBS adquiriu empresas avicultoras
no Brasil e em todo o mundo.
Agora, s�o os maiores produtores do mundo.
Comercializamos cerca de 12 milh�es de aves por dia.
Ao entrar no neg�cio de avicultura,
a JBS entusiasticamente aceitou as pr�ticas de implac�vel efici�ncia
aperfei�oadas pelos gigantes americanos do frango.
BRASIL
Os criadores de frango da JBS, no Brasil, como os da Carolina do Sul,
n�o controlam o processo.
CRIADOR CONTRATADO
CRIADOR CONTRATADO
Em 2013, um grupo de criadores locais decidiu fazer algo.
Formaram uma coliga��o para negociar melhores contratos com a JBS.
Tamb�m levaram o caso ao patrono da JBS:
o Banco Nacional do Desenvolvimento.
A JBS e o banco nunca responderam.
Usando a procura por carne barata,
o tit� da carne atingiu uma dimens�o na qual podia ignorar as queixas.
A JBS tinha, agora, poder aos mais altos n�veis do governo.
Essa rela��o tornou-se explosiva.
Ao longo da �ltima d�cada, os brasileiros foram para as ruas
para protestar contra a corrup��o.
Entre os esc�ndalos pol�ticos a motivar os protestos
havia a investiga��o de empresas a assegurar empr�stimos com luvas.
Uma das investigadas foi a JBS.
H� muito em jogo.
N�o s� para a JBS, mas para todo o fornecimento alimentar do mundo.
Se os maiores pa�ses recusarem
a importa��o de carne do Brasil,
podem imaginar o impacto nos mercados globais de prote�na?
O Brasil pode destabilizar a rela��o entre oferta e procura a um n�vel global.
Em maio de 2017,
as chamas pol�ticas em torno da JBS iniciaram um inc�ndio.
Sob press�o de investiga��es de corrup��o,
Joesley Batista gravou secretamente uma conversa
com Michel Temer, presidente do Brasil.
Ol�. Como est�, Presidente?
E levantou a quest�o dos subornos.
Dou-me bem com o Eduardo.
Tem de manter isso.
Todos os meses.
Temer pareceu encorajar Batista
a continuar a subornar Eduardo Cunha, antigo presidente do Congresso.
Para conseguir um acordo,
os irm�os Batista deram a grava��o �udio aos investigadores
e confessaram anos de subornos maci�os a agentes do governo.
Os Batista admitiram que, desde 2007,
tinham pago dezenas de milh�es de d�lares americanos em subornos
a pol�ticos brasileiros.
Os empr�stimos recebidos em troca permitiram comprar a Pilgrim's Pride
e outras empresas mundiais.
E, depois, causaram a sua queda.
PRESIDENTE DA JBS DEMITE-SE AP�S SUBORNO
Em maio de 2017, Joesley Batista demitiu-se da JBS.
Ele e o irm�o, Wesley, foram presos em setembro por manipula��o comercial.
A empresa come�ou a vender ativos em todo o globo.
A hist�ria de ascens�o e queda da JBS tem uma moral.
A persegui��o de uma grande escala definiu a ind�stria avicultora
e tem sido respons�vel pelos seus grandes fracassos.
At� nos avi�rios, a �ltima posi��o da cadeia alimentar,
a escala de crescimento traz controv�rsia.
A qualidade da curta vida das aves costuma ser m�.
Crescem t�o depressa que a maioria n�o consegue andar.
Quase nunca veem a luz do dia porque a luz encoraja a atividade
e uma ave ativa � mais rija.
E o amon�aco das suas fezes torna o ar irrespir�vel.
N�o � surpreendente que se explorem outros modelos
que minimizem a crueldade e ainda gerem lucros.
P�e as tuas na fila da frente.
N�o devia haver esta press�o
para criar mais, mais e mais.
J� � dif�cil ter o fardo de gerir uma quinta e uma fam�lia com sucesso
sem saber que sou respons�vel por alimentar dez mil pessoas.
Por isso, sa�.
N�o, obrigado!
A 40 km da quinta de Sonny Nguyen,
Nathan Boggs opta por uma via diferente.
Trata aves de mercado com cuidados a pequena escala.
Usa a mesma esp�cie,
criada para crescer t�o depressa que n�o vive muito.
Mas a qualidade dessa vida � muito melhorada.
Ainda temos o frango...
... que � gordo e suculento como gostamos.
Mas � muito melhor porque o deixamos viver como uma ave.
Toda a estrutura � um avi�rio. Mant�m-nos quentes e saud�veis.
Protegidos dos elementos, n�o desenvolveram o sistema imunit�rio.
As penas para os proteger ainda n�o cresceram.
Os animais regulam as temperaturas
aproximando-se ou afastando-se das l�mpadas de aquecimento.
Um avi�rio assim d� �s aves a capacidade de correr,
desenvolver m�sculos firmes, ossos fortes
e ser crian�as, francamente.
Aos 17 dias,
as aves t�m penas de adulto a substituir a penugem de pinto.
Mal sentimos que t�m essa prote��o
e que podem ser felizes e saud�veis,
pomo-los a fazer o que os frangos melhor fazem:
correr, esgravatar, bicar, essas coisas divertidas.
E prosperaram num ambiente com mudan�as normais de temperatura.
� um modelo caro.
Os frangos de Nathan custam tr�s vezes o pre�o normal
nos supermercados.
Mas o tratamento implac�vel de aves e criadores na ind�stria
deixa Nathan feliz por optar pela sua via.
N�o tentamos alimentar toda a Charleston com a nossa quinta.
Seria insustent�vel.
Sinto que faz mais sentido voltar �s nossas ra�zes
com muitas e pequenas quintas familiares.
J� h� mais de mil quintas assim pelos EUA.
E os criadores comerciais est�o a ver.
Em 2016, a Perdue anunciou
que os seus frangos seriam criados e abatidos mais humanamente.
Mas as mudan�as s�o lentas,
n�o chegam para mudar a forma como a maioria das aves � criada.
Ainda n�o.
E a ind�stria continuar� a prosperar.
A zona do frango dos EUA aumentou a produ��o
em quase um milh�o e 300 mil toneladas nos �ltimos dois anos.
A grande produ��o ainda domina.
Algu�m criar� frangos.
� o que as pessoas querem.
Podemos produzir comida mais barata
e comida de boa qualidade para as pessoas.
O frango ter� sucesso, acreditem.
Apesar do tumulto que afetou a empresa-m�e,
a Pilgrim's Pride ajudou a aumentar o consumo de frango.
O frango � barato e nutritivo.
E isso significa que a Pilgrim's Pride continuar� a crescer.
Desde 2015, o ano da matan�a dos frangos,
a empresa abateu mais aves do que nunca,
enquanto as v�timas desses crimes ainda est�o a recuperar.
N�o quero...
... ser prejudicado.
CRIADOR
E tento esquecer.
James Lowery foi acusado em abril de 2015.
Mas a audi�ncia preliminar n�o correu como era esperado.
Era um caso circunstancial.
N�o t�nhamos impress�es digitais, v�deos,
n�o t�nhamos o depoimento de algu�m
a dizer que viu uma certa pessoa a cometer o crime.
O juiz deliberou que faltava causa prov�vel para crer
que a pessoa acusada tinha, de facto, cometido o crime.
N�o foi estabelecida uma causa prov�vel nessa audi�ncia.
Vamos perante o juiz e apresentamos o motivo,
a nossa prova, o que temos.
Ele diz que � o suficiente e emite um mandado de captura.
Duas semanas depois, arquiva o caso por falta de provas.
Era a mesma prova.
O processo contra James Lowery desintegrou-se,
com ju�zes de duas comarcas a arquivar o processo.
Devido a estes contratempos no tribunal,
n�o lev�mos o processo ao Grande J�ri.
Procuramos outras provas circunstanciais,
bem como provas diretas.
Algu�m pode ter visto ou ouvido algo,
pode ter informa��es que nem imagina serem relevantes.
Sei que o procurador � um homem ocupado.
N�o tem s� este processo.
Mas acabar� por ir a tribunal, algures,
perante o Grande J�ri, e eles decidir�o.
Mudei-me para este pa�s porque acredito na justi�a.
At� agora, ele � um homem livre.
E n�o quero... N�o sei quando a justi�a se far�.
Espero que seja feita um dia.
Chegue ou n�o esse dia,
Sonny Nguyen e outros criadores de frangos
continuar�o a criar aves,
300 mil de cada vez.
Legendas: Raquel Santos
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