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"RELAÇÃO PERIGOSA"

Foi ótimo, crianças. Ótimo. Latiu bem, Fern.

Quieto agora.

Papai tem que ir trabalhar. Continuem cantando.

Isto é ridículo...

...ainda bem que trouxe seus guarda-chuvas.

Calma, querida, por favor, não vai chover.

- Não, vai nevar. - Não vai chover.

Ótimo, agora vamos cantar outra música do repertório.

Feliz 4 de julho, professor, senhora Thorne.

Olá, Jenny, como vai?

Papai mandou abrir isso, é hora de respirar.

Vinho australiano respira?

Ele vem, não é?

Vem, eu vim antes para ajudar.

- Ele virá acompanhado? - Não, só comigo.

Vamos ver os pássaros.

Não deixem Fern pular na água.

Sabe como acender essa coisa?

Não assim. É elétrico.

Bem na mosca.

Tem um traseiro sensacional, já lhe disse isso?

-Sensacional. - Há anos.

-Na verdade, em A.C. . - A.C. ?

Antes das Crianças.

Mas tem um traseiro sensacional.

Apertável.

Estão atrasados.

É melhor nos apressarmos, vai queimar.

Feliz 4 de julho congelado.

Você é louco, Thorn.

Miriam, está ótimo.

Obrigado, trouxeram o sorvete?

Já está mais frio do que iceberg e ele quer sorvete.

As estações são trocadas no hemisfério sul, sabia?

Não ensinam nada na escola?

Como vai, Miriam?

Churrasco, acho que não.

Feliz 4 de julho ou o que quer que seja.

Vamos mandar os São Bernardos.

Já estou bebendo, obrigado. Vou ficar perto do fogo.

Aproveitem, achei que os australianos eram primitivos.

Mais um estereótipo cultural.

Adoramos nossos confortos.

Deviam adotar Jenny, ela passa mais tempo

com vocês do que comigo.

Ela adora as crianças e vou trabalhar sem culpa.

Eles a adoram.

- Maldição. - Aí vem ela.

Não são nuvens de chuva.

Você não faria isso, faria?

Vamos, crianças.

Não se preocupem, não se preocupem.

É só uma chuva passageira.

- Você é louco. - Henry, não me abandone.

Tio Sam para você.

Ela tem razão, estamos em fase de lua-de-mel...

Suas alunas o acham um Deus. Seus colegas têm ciúmes.

Nós acadêmicos odiamos professores populares.

E você é americano. É verdade.

Ou se estuda em Rhodes ou não se tem credibilidade.

Você tem música de verdade?

A sala está cheia de música. Veja ali...

Stones, Crosby, Stills e Nash, um kit dos anos 60.

- E Debussy. - Debussy, não, Beatles.

É verdade.

Nancy diz que o monstro só some se o pai for lá.

Só o pai.

Tome isto, isto e isto.

Vá para o topo do mundo!

E não volte.

Era um rato imundo...

Muito bem... é hora de dormir.

O que me diz?

Boa noite, queridinha.

- Posso ouvi-lo na escada. - Não pode, não.

Durma.

-Boa noite. - Amo você, papai.

Obrigado, também amo você.

Eu os adoro, mas pensei que nunca iam desistir.

Estão dormindo?

Estão. Pensei que tínhamos um encontro.

E tínhamos, mas... está muito tarde.

Vamos?

Nem posso começar.

Estou atrasado, então você também deve estar.

Estou...

Está na hora.

Vamos correr.

Hoje...

- Amor. - Amor.

Amor: o que é isso? O que é amor?

Algum de vocês...?

É ter sentimentos fortes por alguém.

É o que os pais sentem pelos filhos.

Jennifer?

É querer fazer sexo com alguém.

Mas como estamos falando em filosofia...

É amor platônico?

Amor entre pessoas do mesmo sexo não é sexual?

Aí é que está, aí é que está.

É a ideia errada do platônico.

O amor platônico é apaixonado...

...lindo, compromissado com tudo que é bom e verdadeiro...

...e isso inclui o sexo. Graças a Deus.

Os gregos aproveitavam sua sexualidade...

...eram abertos e não tinham vergonha...

Platão diz...

...que não há certo nem errado no amor.

Não há certo ou errado, depende das circunstâncias.

No "Symposium"...

...é o que devemos estar lendo, certo?

Era uma grande festa com bebidas e diálogo intelectual.

Sei que as duas coisas não parecem combinar hoje em dia.

Mas se gostam de livros eróticos...

...e sei que gostam. Sei que gostam.

Acreditem, vão...

...adorar o "Symposium".

Não mencionei que os gregos também eram atléticos.

Acalmem-se.

Parece doloroso.

São pinturas e estátuas de 3 ou 4 mil anos.

Isso merece uma menção.

Quando somos jovens, só adoramos o corpo lindo...

...e achamos que a beleza do corpo é a beleza do outro...

...e que procuramos a beleza genuína...

...somos tolos em não reconhecer que a beleza de todo corpo...

...de homem e de mulher é única e a mesma.

Começando pela beleza terrena, o amante procura a verdadeira.

Até que enfim...

...conhece a essência...

...da beleza.

Esta era a escada do amor de Platão.

É uma subida agradável, mas demorada.

Tentem não ficar presos ao primeiro degrau.

São 8h15min, Jennifer.

O café está na mesa.

Bom dia.

- Não tem aulas? - Só de história da arte.

E desde quando começou a matar aulas?

Posso pegar as anotações de Terry ou de alguém.

A propósito, vou chegar tarde hoje.

Hoje? Temos ingressos para Don Giovanni.

- Você não me disse. - Reservei há um mês...

-...e você adora Mozart. - Não, você adora.

-Ache outra companhia. - O que é tão importante...

...que não pode cancelar?

Posso cancelar, mas não quero.

Vamos ver Justin tocar.

- Mas você odeia jazz. - Não, você odeia.

Não fique acordado me esperando.

- O que acha dele? - Uma graça.

Pena que é casado.

Se ele não se importa, por que você se importa?

- Acha que ele é infiel? - Aposto que sim.

Senhoras e senhores, o professor Justin Thorne!

- É um filme estúpido. - Um filme estúpido?

Os Thornes não conseguiram ninguém, e eu preciso da grana.

Que tal eu ir depois que as crianças dormirem?

Seremos eu, você e Jack Daniels.

-Que tal? - Tenho que escrever um ensaio.

Estou começando a ficar nervoso.

Vá embora, Terry.

Vejo você mais tarde.

Que tal eu ir agora com você, assim vocês já se arrumam?

Quer ganhar mais alguns dólares?

Não cobrarei. Desse modo, economizo o táxi.

Entre.

Adoro este carro!

É uma indulgência injustificada.

Custou uma fortuna... Sabe de uma coisa?

Num dia como este, com uma linda garota do lado...

...valeu a pena.

Nada de TV.

Sempre têm pesadelos.

Divirtam-se.

- Deixe que eu dirijo. - No meu carro, dirijo eu.

- Posso dirigir um pouco. - Não fique tão nervoso.

Toda mulher que trabalha se maquia dirigindo.

Se chegasse mais cedo em casa...

...teríamos tido tempo para nos arrumar.

- Jennifer falou da mãe? - Um pouco.

Ken nunca fala, nem sei como ela morreu.

Ela morreu em um acidente de carro, há dez anos.

- Devia estar se maquiando. - Não seja mórbido.

Ela disse que o pai dirigia e que até hoje se culpa.

Gentilmente o príncipe beijou sua mão e a levantou.

"Minha bela", disse ele ao pegá-la em seus braços.

Os olhos da Bela brilharam de felicidade...

...e ela o beijou...

...afagando o cabelo que estava no lugar da juba da Fera.

Mais um e vou ficar tonto.

Estou surpresa por Paul Chanworth ter vindo.

Está sendo inteligente almejando a Vice-Diretoria.

Bob está sendo repreendido pela nota que deu à Mary.

Não é a primeira a transar para conseguir nota.

Está falando por experiência própria?

Não! Justin abaixou minha nota. Não foi, querido?

- Fui totalmente imparcial. - Ele me deu nota "B".

Mas só na escola, no resto dei "A".

Vocês dois são demais.

Mas ter uma aluna apaixonada é um dos "ossos" do ofício.

Ou no seu caso, um dos benefícios.

Não sou santo, mas me diga quem é.

Já faz algum tempo e não tenho tido tentações...

...desde que a conheci.

Enfim em casa.

- Droga, eu esqueci... - O quê?

Temos que levar Jennifer para casa.

-Vamos chamar um táxi? - Não, eu a levo.

Espere acordada.

- Deixe que eu faço isso. - Obrigado.

Importa-se se eu pegar um?

- Não sabia que você fumava. - Só às vezes.

Não vamos contar à Laura, está bem?

- Esconde muitos segredos dela? - De maneira nenhuma.

Aposto que sim, todos temos segredos.

-Há quanto tempo é casado? - Faremos 10 anos em dezembro.

É muito tempo para ficar com uma mulher só. Não é chato?

A vida com duas crianças nunca fica chata.

Não foi o que eu quis dizer. Vocês fazem muito "aquilo"?

- Fazemos. Fazemos. - Deve ser difícil ser fiel.

Com tantas mocinhas prestando atenção em você.

Desesperadas para serem notadas. Deve ser tentador.

-Todas gostamos de você. - Verdade?

Na verdade...

-...devo estar no primeiro degrau. - O quê?

Estou presa no primeiro degrau. Da escada do amor de Platão.

Se eu sinto amor, não devo fazer algo a respeito?

Está confundindo amor com desejo.

- E qual a diferença? - É igual a cozinhar.

O amor é um bolo e o desejo é só um ingrediente.

- Mas é o mais saboroso. - Um pouco saboroso demais.

- Muito pode enjoar. - Platão, certo?

Não, Betty Crocker.

Você está bem?

- Não devia ter rido de mim. - Desculpa.

- Fui deselegante, desculpa. - Não sou criança...

...e tenho sentimentos fortes por você.

Não sei se é amor ou desejo.

Mas se quiser, pode ter a mim.

Por que demorou tanto?

Pneu furado.

Que pena.

Justin! O de sempre?

Este lugar é demais.

Vejo que seu fã-clube está aqui.

Inclusive a deliciosa Jennifer Carter.

Se ela gostasse de mim, eu... ficaria muito tentado.

Você percebeu?

Vocês dois são assunto de uma especulação sem fim.

Sou o primeiro a lhe dizer que não há nada.

-Nada fora de controle. - Claro, claro.

-Mas está tentado, certo? - Claro, sou homem.

Só que sou casado, e ela é filha de Ken e minha aluna.

- Droga! - Por que relutar?

Todos acham que estão tendo um caso. Faça jus à fofoca.

- Esse é o seu conselho? - Do fundo do coração.

- O que eu faria sem você? - Para que servem os amigos?

Não, Terry, pare, por favor.

- Por que está sendo idiota? - Em não transar com você?

Está transando com Thorne, não está?

Temos uma relação muito especial.

Ele está me ensinando sobre a vida, e você não entenderia.

Você ainda é um menino.

Devia fazer como ele. Abriria sua cabeça.

Saia.

Não seja ridículo, leve-me para casa.

Saia!

É sério! Telefone ali e peça para ele levar você para casa!

Imbecil!

Droga!

E aquele que, em qualquer idade...

...na juventude e na maturidade saiu vitorioso e puro...

...será designado governante e guardião dos estados...

...e será honrado na vida e na morte.

Mas aquele que falhar será rejeitado.

Mais chá.

Os governantes devem ter estudo, mérito e virtude.

-Quer um pouco? - Não, continue, está indo bem.

E se falharem no estudo ou na virtude, não governarão.

-Onde está Laura hoje? - Trabalhando lá em cima.

Qual o significado para nós?

Nossos líderes não têm estudo nem virtude...

...mas deveriam ter.

-Você é virtuoso? - Menos aos domingos.

Talvez Laura queria chá. Vou fazer um pouco.

Deve estar dormindo agora. Você não está se concentrando.

Entendo.

É como os governantes educam os filhos...

...juntos, não os pais.

E eles os amam igualmente.

-Posso ver as crianças? - Já devem estar dormindo.

Só por um minuto, não vou acordá-los, por favor.

Ela é tão linda...

-...você a ama? - Claro.

Não, digo amar mesmo...

...mimando-a, pondo-a acima de tudo?

Na maior parte do tempo.

Acha que poderia me amar do modo como a ama?

A comunidade dos governantes ama uns aos outros livremente.

Lembre-se, um amante deve mostrar seu amor...

...não a uma parte do que ele ama. Mas ao todo.

É você, Justin?

Está tudo bem.

-Ela queria ver as crianças. -Sério? Não acorde as crianças.

Ah, droga!

Mexa comigo.

Mexa comigo, por favor.

Isso não tem graça, quero que você se vista agora mesmo.

Quero que faça amor comigo.

-Faça amor comigo agora. - Papai.

- O que foi? - Estou com sede.

Vou pegar água. Vá subindo.

Chame um táxi.

Falo com você amanhã.

- Posso sentar aqui? - Está vazio.

Ainda está brava comigo?

-Eu ia ligar para você e me desculpar. - Tudo bem, eu entendo.

- Entende? - Claro.

Ótimo.

-Então está tudo bem? - Claro.

- Quer ir ao cinema? - Pode ser.

- Que tal hoje? - Talvez.

Ele é um atleta do amor, como os antigos do Olimpo...

...platônico e apaixonado. Hoje ele me queria tanto...

...sempre me possui com intensidade poética...

...arremessando até eu não aguentar mais...

...e gritar pedindo que pare.

Sinto falta do seu sorriso e de almoçar com você.

Quero vê-la na minha sala agora.

Não posso, tenho aula.

- Então, quando? - Às 17 horas?

- Não, às 19h30min. - Por mim, tudo bem.

Outra aula particular?

Talvez! Talvez ele tenha outras coisas em mente.

-Vamos ao cinema outro dia. - Esqueça.

Podia tentar bater.

Vai sair de novo?

Tenho vida própria...

...não preciso dar satisfação de tudo o que faço a você.

- E a que horas voltará? - Cedo.

- Vai se encontrar com alguém? - Vou.

Terry? Ou tem mais alguém na sua vida atualmente?

Se quer saber, Justin pediu para me ver depois da aula.

Ele pediu? E onde vão se encontrar? Na sala dele?

-Ou em algum hotel sujo? - Isso é particular, me devolva!

Quantas vezes já se encontrou com ele?

Não é da sua conta.

Quantas vezes?

- Diga, quantas vezes? - Ele me forçou.

Disse que vai me reprovar se eu recusar.

Não me bata, por favor. Eu amo você, papai.

Não me bata.

Por favor.

Não sinto a mesma coisa por você...

O tipo de sentimento que tem por mim...

Será melhor para nós se você mudar de classe.

É difícil para mim, pois é a minha melhor aluna.

E sei que a Laura e as crianças sentirão saudades.

Isso tem que acabar.

Miserável. Miserável.

Miserável!

Pare!

Não sou criança. Não sou criança. Sou uma mulher.

Eu sei o que estou fazendo.

Jenny, por favor, pare. Pare, por favor.

Eu sei o que estou fazendo, sou uma mulher.

Pare, Becker.

Você está bem?

Minha filha, Jennifer, ela está bem? Posso vê-la?

Claro, ela está dormindo, dei-lhe um sedativo.

- Ela disse o que houve? - Não disse nada com coerência.

Nem sabia o próprio nome, um dos internos que a reconheceu.

Os ferimentos não são graves.

Estou preocupada é com o trauma emocional.

Está tudo bem, princesa, está tudo bem.

Papai está aqui e ninguém vai machucar você.

Ele não me ama... papai!

Está tudo bem. Vai dar tudo certo.

- Uma garota espancada. - Acho que foi estupro.

Por que isso sempre acontece às duas da manhã?

Sinto muito.

É melhor que seja importante.

Você disse que não, não queria, mas ele não parou.

Ele estuprou você?

Foi isso? Alguém a forçou?

Não sei.

Não lembro.

Isso não vai dar certo.

Não vou deixar isto impune... tem sido muito frequente.

Esta garota foi estuprada...

-...mesmo que não admita. - Ela nem se lembra!

Certo. Não consegue.

Teremos que descobrir com quem ela esteve.

E Justin, o professor Thorne...

...quis me ver depois da sua última aula.

E depois, eu e Terry íamos ao cinema.

Chegou a encontrar este professor Thorne?

Não lembro...

...acho que sim...

-...havia alguém, um homem. - Diga o que vier à sua mente...

...mesmo que não faça sentido.

Havia muito barulho...

...como explosões...

...e eu estava gritando.

Mais nada.

Isso é tudo o que eu lembro até...

...ver papai aqui no hospital.

Lembra-se de ter encontrado seu namorado?

Pode ser que sim... como vou saber?

Não consigo lembrar, eu... não consigo mesmo.

- É o diário da sua filha? - Sim, o encontrei há uns dois dias...

...estava aberto nesta página.

Sabe a quem ela se referia?

É óbvio, Justin Thorne.

Senhora Thorne?

Somos da Polícia. Queremos falar com o seu marido.

- A senhorita Carter compareceu? - Sim. Aceitam?

Por que quis vê-la?

Havia algumas coisas que precisavam ser ditas.

Importa-se de nos dizer que tipo de coisas?

Importo-me, sim, eram de natureza confidencial.

Se me disserem qual o problema, posso ajudá-los.

Ao sair da sua sala, ela estava agindo normalmente?

- Jennifer está com problemas? - Responda, professor...

...estava agindo normalmente ao sair da sua sala?

Estava um pouco aborrecida, mas...

...pelo que vi, estava dentro da normalidade.

Por que ela estava aborrecida?

Algumas das coisas que foram ditas a aborreceram.

- Coisas pessoais? - Algumas sim...

...outras relativas aos estudos.

Deviam perguntar a ela, e se ela concordar, eu conto tudo.

A que horas ela saiu da sua sala?

- Por volta das 20 horas. - Ela disse aonda ia?

-Ia se encontrar com alguém? - Ela não disse.

Foi a última vez em que a viu? Ela não foi ao clube?

Não.

-Mais alguma coisa? - Acho que não.

Obrigado pelo café.

Tem um arranhão feio no seu rosto, o que houve?

Foi no jardim.

- Que azar. - Essas coisas acontecem.

- Conversaremos novamente. - Estarei aqui.

Jardim?

Vamos nos arrumar.

Não tinha o direito de ler o meu diário.

O que descreve aqui é crime. Exceto se você o tiver encorajado.

-E quisesse sexo com ele. - Ele a forçou?

Forçou, querida? Não tenha medo.

- Forçou. Forçou, sim. - Miserável.

Eu não queria, ele me forçou.

-Eu não queria! - Boa menina.

Está fazendo a coisa certa, Jenny.

Você está com problemas?

Aqueles detetives voltaram, querem que você vá à delegacia.

- Disseram o motivo? - Não.

Tem algo que você não está me contando.

-Conte para mim. - Quando eles querem me ver?

Conte para mim!

Exame de sangue?

Se não o fizer, será uma prova.

- E se eu me recusar? - É direito seu.

-Deve ajudar sua defesa. - Defesa? Do que sou acusado?

Não dissemos isso...

...há dois outros incidentes de que gostaríamos de saber.

Não acredito, não acredito.

Ela diz que foi forçada duas vezes a ter relações com você.

Não é verdade.

Uma vez em seu carro, na noite do dia 12...

...quando a levou em casa.

Depois, durante uma aula particular em sua casa.

- O que está acontecendo? - Fará o exame?

Eu não a estuprei e nem a forcei...

Se isso não os satisfaz, quero meu advogado aqui.

- Você se recusa a cooperar. - Quero meu advogado aqui!

Como queira. Está com a folha de acusação?

Pensei que estivesse com você.

- Então, estão me acusando? - Essa é a ideia.

Não vão ler meus direitos?

Ótimo!

Posso defendê-lo, mas sugiro alguém mais experiente.

Sugiro David Guilderman, vence casos impossíveis.

Não que esse seja o seu caso, é claro.

Falo com você depois.

Transou com ela?

Não a estuprei.

Não foi isso que eu perguntei. Você transou com ela?

Sim...

Miserável!

Miserável!

Foi uma vez na minha sala, não sei como aconteceu.

Sinto muito por magoar você.

Sente muito... Já é alguma coisa...

Você transa com uma aluna, trai sua família, minha confiança...

E sente muito?! O que eu devo dizer?

"Tudo bem, querido, o que vai querer para o jantar"?

Não pensei que ia querer se agarrar à juventude assim.

Pensei que nosso casamento fosse mais do que isso. Mentiroso!

Não há nada que eu possa dizer que não a magoe.

Não posso explicar o que houve, não posso.

Nada do que ela está me acusando é verdade.

Preciso que acredite nisso.

Eu amo você e espero que possa me perdoar.

Não posso, não posso.

É o único advogado que faz tudo ao contrário.

Vou apresentá-lo e deixá-los a sós.

Isso não é nada formal, será como um teste.

Espere aí...

-Ele é bom? - O melhor.

É um prazer conhecê-lo, por favor, sente-se.

Andy, pode trazer um café para nós?

- Gosta do café como? - Puro.

Quer um pouco de brandy para adoçar?

Acho que não.

Muito sensato. Também nunca tomo.

Era uma vez um professor chamado Thorne...

...conhecido por seus tentáculos.

Que lançou em muitas, inclusive na jovem Jenny.

Agora, ele deseja nunca ter nascido.

Mas que preço da fama, hein?

Já ouvi isso antes, minha filha perguntou o que era.

Desculpe, deve ser muito difícil para a sua família.

Sem dúvida.

Isto pode surpreendê-lo...

...mas na universidade, eu não era bonitão.

- Jura? - Difícil de acreditar.

Nunca tive muito sucesso com as garotas...

...mas os professores tinham. Ficavam com as mais inteligentes...

...e mais bonitas. Eu até pensei em lecionar.

Alguma vez uma aluna se apaixonou por você?

-Algumas vezes. -Algumas vezes...

-Deve ser tentador. - Às vezes.

E essa Jennifer Carter? Bonita, inteligente, sexy.

Não vão culpá-lo se ela levantou a saia para você...

...principalmente os homens do júri, quando a virem.

Eu não a estuprei.

Não me importa se você estuprou ou não...

...sempre considero meus clientes culpados...

...assim nunca me surpreendo com o que a acusação me apresentar.

De qualquer modo, não cabe a nós provar sua inocência.

Eles é que devem provar que você é culpado.

Vamos direto ao ponto. Você sabe a versão da acusação.

E qual é a sua?

Bom dia.

É bom ter vocês tão atentos para variar.

Hoje continuaremos com os gregos.

THORNER PROFESSOR E PERVERTIDO

A SEGUIR, SHOW NO TRIBUNAL

Será difícil enfrentar essas situações...

...nessas instituições rolam muitas fofocas, você sabe disso.

Seria melhor que você tirasse férias.

Férias? Não posso fazer isso.

-Eu estaria assumindo a culpa. - Justin...

Estou numa posição difícil.

Kenneth Carter quer que você seja despedido por má conduta.

E quais as chances de isso acontecer?

Ele é o Reitor dos alunos, tem muita influência.

O que houve com "inocente até que provem o contrário"?

Ele não tem meu apoio.

Posso detê-lo, mas você terá que se afastar...

-...pelo menos temporariamente. - Por quanto tempo?

- Até que tudo acabe. - E faço o quê?!

Sou professor.

É o que eu amo fazer. Não quero publicar livros...

...e nem dar consultorias, como meus colegas.

Não vou desistir.

Não podem demiti-lo, você tem estabilidade.

O que não importa se eu for condenado.

Ken mal pode esperar.

-Ele tem sido incansável. - Tentou falar com ele?

Ele não vai ouvir.

Não pode culpá-lo. O que eu devo dizer?

Que a filha dele é neurótica, que vive de fantasia?

Não foi só fantasia.

É isso o que me assusta.

Não poderemos dar um jeito nisso.

Que confusão.

Sinto vontade de ir embora com as crianças.

Isso é tão terrível assim?

Não...

Nunca mais vou conseguir confiar nele.

Boa noite.

Papai, você vai ser preso?

Durma, por favor.

Não quero que prendam você.

Também não quero, mas ainda não precisamos nos preocupar.

Aqui o procedimento é diferente ao dos Estados Unidos.

Ficará em custódia desde o início do julgamento...

...e não terá contato com ninguém, só comigo, é claro...

...exceto durante os intervalos.

- E onde ficarei? - No banco dos réus.

Legado da justiça britânica. Com toda sua força...

...e absurdos.

Sofreremos críticas severas.

Algumas coisas são similares.

Os "urubus" da imprensa. Não cubra o rosto, eles adoram isso.

Seu cliente vai ganhar o caso?

A ação mesmo só será daqui a alguns dias...

...mas o que dirão de você não será agradável.

Bom dia. Nós nos vemos lá dentro.

Esvazie os bolsos.

Cigarros. Carteira.

Caneta. Fique atrás da linha.

Chaves.

- Pautas de saxofone. - Pautas de saxofone.

Isqueiro.

Dois dólares e cinquenta em moedas.

A acusação provará que o réu é obcecado pelo sexo.

Um homem que acredita no amor livre...

...que encoraja promiscuidade entre seus alunos.

Um homem sem limites, que despreza princípios morais...

...que uniram famílias durante séculos.

Provaremos que este homem sem moral usou sua posição...

...para forçar sua aluna a ter relações com ele duas vezes.

E quando ela se recusou na terceira vez...

...ele a estuprou brutalmente.

Tem escoriações no rosto, nas coxas e na vagina.

E isso a fez suspeitar de que foi estuprada?

Isso e o fato de não conseguir se lembrar de nada.

Ela não teve concussão...

...e seus outros ferimentos não foram tão sérios...

...o que mostra que teve um choque emocional grande.

-Depois, eu a examinei mais. - E o que descobriu?

Material debaixo de suas unhas que pareciam pele.

Enviei junto com o sêmem para ser examinado.

Disse que os ferimentos não foram tão sérios?

Correto.

Então os ferimentos das coxas e da área genital...

...podiam ter sido causados por uma relação normal?

Depende do que considera normal.

O que eu considero? Não vamos entrar nesse mérito.

Não parece, mas é possível.

Então é possível ser jovem e ter energia...

...e ter se machucado durante uma relação com o namorado...

...e que o ferimento no rosto tenha ocorrido antes ou durante.

É possível.

Ou seja, havia insuficientes danos na área genital...

...para afirmar que a senhorita Carter foi estuprada.

- Só na área genital, mas... - Sem mais perguntas.

A pele combinava com o DNA da amostra de esperma.

- E o que deduziu? - Que eram da mesma pessoa.

Vi que o acusado tinha um arranhão no rosto.

Disse que foi quando trabalhava no jardim.

Quase não a vi.

Ela estava estranha e falava sempre no professor Thorne.

- Confrontou-a com suas suspeitas? - Sim.

E o que ela disse?

Não negou, mas também não quis falar do assunto.

- Por qual motivo? - Para me fazer ciúmes.

Mas, pensando bem...

...parecia assustada.

Graças a Deus que há o Programa de Imigração.

É o melhor Souvlaki que achará fora da Grécia.

Coma, vamos, não estamos indo tão mal assim.

Sério?

Sei como Sócrates se sentiu exposto no banco dos réus.

- Foi feito para isso. - E funciona.

Por acaso, isto não é cicuta?

Anime-se...

...a acusação só provou que ela esteve na sua sala...

...e que teve relações com você.

Os ferimentos na vagina não provam que foi estuprada.

E as provas do DNA e de grupo sanguíneo?

Não negamos que ela teve relações e que o arranhou.

O que eles provaram?

Nada que não tenhamos uma explicação.

O que temos a nosso favor...

...é que ela não se lembra de nada que aconteceu na sua sala.

Mas é só isso. Algo aconteceu a ela que...

...fez com que bloqueasse sua memória, algo traumático.

Não foi o que fizemos.

O que acha que aconteceu?

Não sei. Não sou Perry Mason.

Talvez tenha brigado com o namorado, mas não importa.

Espero que tenha razão.

No fim, será a sua palavra contra a dela...

...e mesmo com o feminismo, os júris acreditam no homem.

Senhor Curtis, agora será chamada a senhorita Carter.

- Sim, Meritíssima. - Esvaziem o tribunal.

Esvaziem o tribunal.

Jennifer Carter.

No diário, você conta sobre duas vezes em que teve relações com Thorne.

Pode descrever os eventos que levaram ao primeiro encontro?

Eu tomava conta das crianças quando foram a uma festa.

Ele me levou para casa.

Começou a falar sobre...

...amor, sexo. Estava tarde e acho que ele tinha bebido.

Ele se inclinou sobre mim e me beijou.

Sei que é embaraçoso, mas posso ler o seu diário?

- Acho que sim. - Obrigado.

Você escreveu...

"Ele me beijou com paixão, com tanta paixão que...

...não pude deter seus dedos experientes em mim..."

Foi o que escreveu?

Sim...

E o que descreveu aqui foi o que de fato aconteceu?

Isso é um "sim"?

Sim...

Em algum momento encorajou os avanços dele?

Quando ele me beijou, eu não me importei.

Eu tinha uma queda por ele e fiquei lisonjeada.

Quando ele começou a me tocar, fiquei assustada.

-Pedi que parasse. - E ele parou?

Não...

"Abriu minha blusa e beijou meus seios."

- Foi isso o que aconteceu? - Sim.

- Não estava usando sutiã? - Não...

Está usando um hoje, não está?

Isto é um tribunal.

Então veio vestida apropriadamente?

Por que se vestiu de modo provocante naquela ocasião?

Pretendia seduzir o professor Thorne, como fez no carro?

Não, ele me forçou a fazer amor.

Ele a forçou a fazer striptease em sua casa?

- Não, ele tirou a minha roupa! - Ofereceu-se a ele, não foi?

Não é verdade.

E ele lhe pediu para parar e se vestir!

Não admite a verdade quando a ouve?

Senhor Guilderman!

Não perturbe a testemunha com esse tom melodramático.

Peçamos um intervalo para que a senhorita Carter se recomponha.

Estou quase terminando.

Pode continuar, mas de modo gentil.

- É filha única, certo? - Sou.

Também sou filho único...

...e por isso sempre fui mais imaginativo, não concorda?

Costumava brincar com amigos imaginários?

- Às vezes. - Imagino.

Depois da morte da sua mãe, não tinha com quem conversar...

...além do seu pai, é claro...

...e foi por isso que escreveu um diário. Escreve muito bem.

Parece uma boa ficção romântica.

E é isso mesmo, não é?

É um diário. Escrevo sobre muitas coisas.

Algumas são pensamentos...

-...ou sentimentos. - E suas fantasias?

Todos fantasiamos, escrevia fantasias no diário também?

Às vezes.

Acho que grande parte do diário trata-se de fantasias sexuais...

...de uma jovem criativa, mas confusa, não é?

Não sei.

NA OCASIÃO, A ESPOSA ESTAVA NO ANDAR DE CIMA

Não podem escrever sobre outra coisa?

Você sabe que não é verdade.

Ainda pareço uma idiota. Como acha que eu me sinto?

Sinto muito. Quantas vezes tenho que dizer isso?

Nancy, termine de almoçar.

Quer dar um tempo?

Sua moral é de um rato de esgoto...

-...vá embora, seu Ianque... - Assistam à TV, crianças.

...de nos infectar. Espero que vá preso e seja estuprado.

Justin, pelo amor de Deus.

Onde estão as chaves? Onde estão as chaves?

- Dê o fora daqui. - Ken, precisamos conversar.

Não quero conversar com você e nem vê-lo...

...só na prisão, onde espero que fique por muito tempo.

Apenas ouça.

Não fiz nada do que Jenny disse. Não a estuprei.

Está dizendo que minha filha está mentindo?

Se ela acredita no que disse, então precisa de tratamento.

Juro que nada disso é verdade, mas não posso provar.

Que pena.

Posso falar com ela?

Somos amigos há muito tempo.

Amigos? É inacreditável.

Você destruiu nossa amizade quando estuprou minha filha.

E agora quer que eu o ajude a sair do buraco que cavou.

Ela está acabando comigo.

- Dançarei no seu caixão. - Preciso falar com ela.

Ouça, Jennifer. Isso já foi longe demais.

Está prejudicando a mim, a todos. À Laura e às crianças...

...e a você mesma. Precisa parar com isso.

Fique longe da minha filha.

Jennifer, posso entrar?

Querida, temos que conversar.

Vou arrombar a porta se não souber que você está bem.

Vá embora.

Abra a porta, não posso falar com você assim.

Não quero conversar.

Não pode dar ouvidos a ele.

Se acreditar nele, ficará mais confusa.

Ele está tentando magoar você, mas não vou permitir.

Confie em mim, querida, vai dar tudo certo. Você vai ver.

Senhor Landers, conte sobre o que conversaram naquela manhã.

Ele disse que Jennifer tinha tentado seduzi-lo em casa...

...durante uma aula particular.

Quis se afastar dela e parar com as aulas particulares.

- Antes do suposto estupro? - Foi.

Ela gritava, jogava livros destruindo o escritório.

Foi neste momento que arranhou meu rosto.

-Eu tentava detê-la. - De que maneira?

Eu a agarrei pelos pulsos e...

...pus meu peso em cima dela, na escrivaninha.

Como um lutador faria.

- E aí, o que houve? - Ela parou de lutar.

Disse uma coisa.

Disse que era mulher e que sabia o que estava fazendo.

-E me beijou. - Tentou pará-la?

- Não... - Por que não, professor?

Por que não a deteve?

Não tenho uma resposta satisfatória para isso.

Estava excitado e...

...sem possibilidade de me conter. Sei o que isso parece...

...mas foi o que aconteceu.

É um momento em que custo a acreditar, imagine...

...tentar justificar para vocês.

Não devia ter acontecido.

E queria que nunca tivesse acontecido.

Mas aconteceu.

A senhorita Carter lhe pediu que parasse?

Ela indicou de algum modo que queria que parasse?

Alguma vez tentou coagi-la a ter relações com o senhor?

- De maneira nenhuma. - Alguma vez bateu nela?

Poderia olhar para o júri, por favor?

Sob juramento, na noite de 20 de julho...

-...estuprou Jennifer Carter? - Não, não a estuprei.

Você sabe disso.

Disse ao Detetive Coote que o arranhão foi no jardim.

- Sim. - Mas depois mudou sua versão...

...ao saber que as amostras da pele combinavam com a sua.

Isso é correto?

Quando percebi que eu era suspeito no caso...

...contei à polícia o que houve.

Mas então mentiu para a polícia?

Quando foram à minha casa na primeira vez, achei que não era importante.

Mentiu para a polícia!

Sempre mente quando lhe é conveniente?

- Objeção, Meritíssima. - Aceita.

Disse que nunca teve um caso depois que se casou. Certo?

Sim.

- E que nunca se envolveu com alunas. - Eu não disse isso.

Então já se envolveu sexualmente com uma aluna?

Minha esposa foi minha aluna.

Sua esposa... Qual delas?

Sua esposa atual, Laura, ou sua primeira esposa?

Laura.

Laura não era sua esposa quando passaram a morar juntos.

Objeção, não vejo que relevância isso tem.

É relevante. A fidelidade do professor foi prova.

É verdade. Era sua prova.

Continue, senhor Curtis.

Quando começou a morar com Laura...

...era casado com Jacinda Carreras, não era?

Era.

Muito progressista, mulher tolerante pelo que se sabe.

É um modo de descrevê-la.

Deve ter sido, assim como sua atual esposa também é...

...pois ambas moraram juntas com você debaixo do mesmo teto, não é?

Tinham quartos separados ou dormiam todos na mesma cama?

Objeção.

E planejou a mesma coisa para Jennifer Carter!

Ordem!

Não vou mais tolerar alterações desta ordem.

Percebe que perdemos? Por que não me contou?

Achei que não fosse relevante.

Morou com duas mulheres, uma era sua aluna, e não é relevante?

Meu primeiro casamento foi para obter cidadania americana.

- Vamos voltar lá e explicar. - Não posso fazer isso.

Isso é crime e o consulado americano acompanha o caso.

Se não fizer isso, será preso, entende?

Não podemos arriscar.

A vida de uma mulher está em jogo aqui.

E daí?

Ouviu falar dos "Los Desaparecidos"?

Lembre-me.

Eram dissidentes políticos que desapareceram.

Jacinda estava em Berkley, e toda sua família desapareceu.

Se descobrirem, ela será presa e deportada.

E daí? É a sua pele que está em jogo aqui.

Não posso fazer isso.

-Não posso. - Então, estamos ferrados.

Chegaram a um veredito?

- Sim, Meritíssima. - Que o réu olhe para o júri.

Como consideram o réu?

Consideramos o réu culpado das acusações.

Ordem!

Não se preocupe, apelaremos.

Presumo que queira apelar do veredito.

Claro, Meritíssima.

O tribunal está em recesso até fixarmos uma data.

O acusado ficará detido até que o tribunal se reúna...

-...para dar a sentença. - Todos de pé.

Posso ajudar você, Jenni. Não tenha medo de contar a verdade.

Seu marido é estuprador, teve o que mereceu.

Jennifer, por favor.

Tive muito orgulho de você hoje.

Vamos esquecer todas essas coisas desagradáveis...

...e tudo será como antes.

Talvez devêssemos viajar, não gostaria?

Talvez para a Itália. Milão, La Scala.

Só eu e você, vamos esquecer os outros.

Eles não nos entendem.

Nunca poderiam.

Você está bem?

Não disse nada desde a audiência.

Seque-se, e depois eu subo para pôr você na cama.

Abra a porta, por favor.

Só quero lhe dizer boa noite. Abraçar você.

Deixe-me em paz.

-Não quero fazer isto. - Eu entendo, querida.

Só está confusa por causa deste julgamento idiota.

Não estou confusa. Foi você, não ele.

Fez isso comigo e me fez acreditar que foi ele.

Ele estava tirando você de mim. Eu não suportaria perdê-la.

Eu amo você.

Você não me ama.

Eu disse que não queria mais, mas você me forçou.

Forçou e me machucou, isso não é amor.

Não quis machucar você, eu tinha bebido...

...nunca machucaria meu bebê, meu amor.

Não me toque! Chega!

Você não está falando sério.

Estou, sim. Estou, sim.

Está tudo bem. Venha com o papai.

Você está bêbado, deixe-me em paz.

Solte-me.

- Aonde pensa que vai? - Vou contar a verdade.

Que verdade?

Que somos amantes?

É isso que quer contar?

E que gostava do que fazíamos juntos, todos esses anos?

O que vão pensar de você?

Pare com esta bobagem. E venha com o papai.

Venha com o papai, venha com o papai.

Fique longe de mim!

Eu atendo, mamãe.

Ajude-me. Por favor, me ajude.

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