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Como sempre.
Perfeito.
Está tudo bem?
Não sei, diz-me tu.
Querem prová-la.
Sem problema.
Quero saber a verdade.
Quais são as cartas que eu tenho?
Vamos começar pela advogada da família que fica sem o seu principal cliente.
A advogada ligou a uma pessoa, há umas horas.
Sabes quem é que foi?
Ligou à Gema.
Duvido que tenha sido para lhe dar os sentimentos.
Um telefonema que chegou após um tiroteio
contra a inspetora que trata do caso do Nando
e que chegou para dar problemas.
Ela é a mesma que prendeu o Valdés com a tua mercadoria,
e que conta com uma juíza, a juíza Andrade,
que emitiu um mandado de prisão para a Gema,
da qual já sabe que agora anda com o Nando.
Aposto o meu pescoço, e não o vou perder, João,
mas este gajo anda a tramar alguma coisa.
Se quiseres o Nando...
...vai buscá-la.
Porquê?
Porque é a advogada dele.
E se a Coira falou com a Gema, e se a Gema está com o Nando,
dois por um.
Estas são as tuas cartas, João.
É o que está aí.
A decisão é tua.
OPERAÇÃO MARÉ NEGRA
Então?
Diz, Gema.
A história mudou, pelo que vejo, não? O que é que aconteceu?
Exato.
Como o tempo, os negócios também mudam.
Como o tempo?
Sim, claro.
Quero ver o fentanil.
- Quantos quilos? - Cheio.
Cheio?
Coisa séria...
- De onde é que isto saiu? - De mim.
- Porquê? - De ti?
O que é que foi?
Foi que és muito estranho.
E foi que tens de ser muito grande para isso vir de ti.
De onde é que isto vem?
De mim.
Tu sozinho?
Carregaste a mercadoria toda e vieste sozinho até aqui?
Olha para ele, com dois colhões.
Olha uma coisa.
Estás a ponto de ficar sem carga.
Quero ver é se a podes voltar a colocar sozinho.
Vá, Nando...
...fala.
Vem do México...
...via Lisboa.
A origem é de confiança.
Se gostam, tudo bem.
E se não gostam, fora daqui.
México?
E Lisboa?
Este parece-te mexicano?
E que vem de um cartel?
Também não és o tipo de gajo que vende fentanil.
Estou à espera.
Tira isso para fora.
Galgo!
Anda, vamos comer!
Vamos ver se a comida de hoje tem estrelas Michelin.
Foda-se!
Então, Galguito?
No Diosdado, na Milagrosa às 23:00.
- Vocês sobem a carga e nós tiramo-la. - Feito.
O que é isso de Diosdado e Milagrosa?
Explicas-me?
Já está metida, Nando.
Era o que queríamos, não era?
A quem?
- A quanto? - Merda.
O comprador chama-se Diosdado.
Ele é a Europa, foi sempre assim.
A entrega vai-se fazer na Milagrosa, num bar da estação.
Satisfeito?
Depois, cada um vai à sua vida.
Cada um vai à sua vida.
Olha aí...
Vou-te dar um conselho.
Não seja tão digna.
Não é preciso.
Ele é só um cliente.
Não sei... nada...
- Não sei... - Está a entender o que digo?
- Não sei de nada. - Entende o que digo?
Não sei nada.
Não sei nada.
Família...
...amigos, prostitutas...
Ele precisa de descansar, precisa de comer, foder...
Ou será que ele desapareceu?
É isso.
De repente, ele tornou-se mágico.
Eh?
Ele é mágico, fez magia... desapareceu!
Fala!
Acho que há outra pessoa.
Acho que há outra pessoa.
A achar não vamos a lado nenhum, Coira.
Na casa dela só vai estar o pessoal dela,
mas duvido que ela volte depois do registo.
Mas não é nada mal pensado que passem por lá.
Tu é que sabes. O que é que vais fazer?
Não, o que é que vamos fazer.
Eu sei o que tenho de fazer. De ti depende
se queres que os cães mordam ou só ladrem.
Tic, tac. Tic, tac.
Tic, tac. Tic, tac.
Tic, tac. Tic, tac.
Cala-te e anota.
Está num hostel.
Na nacional 540.
Quilómetro 3.
Guarda Civil, em que posso ser útil?
Sim?
Estou?
Estou? Aconteceu alguma coisa?
Estou?
Estou? Guarda Civil, em que posso ajudar?
Diz-me.
Nacional 540. Quilómetro 3.
É o único hostel que há.
Isto é de doidos.
Não, Julita...
Não é de doidos, não são doideiras.
São passos a seguir, acredita em mim.
Já está.
Mais uma... obrigado, Julita!
Nacional 540, quilómetro 3.
FEITO.
É ela.
Arranca.
Acelera, cabrão, que vai fugir!
Tu és a Gema, não é?
Quem é que vocês são?
O meu contentor.
Onde é que está?
O contentor?
Onde está o fentanil?
Que filho da puta...
- Que filho da puta! - Onde está o meu fentanil?
Onde?
É o Nando que o tem.
Nando.
O Muro a dizer-me que és tu...
Agora tu dizes que é o Nando que a tem...
Onde está a minha mercadoria?
Espera, por favor.
Tem ele a mercadoria, juro-te.
Eu posso dar-ta.
A entrega é esta noite.
Por favor.
Sabes uma coisa?
Estou farto disto.
Não...
Não, por favor.
Não, não, não...
Que te fodam.
Onde está a Gema?
A Gema não vem.
Porquê?
Não sei, ligue-lhe.
Combinar um encontro com alguém que não aparece...
...não é um bom começo.
As suas pessoas pediram-me que estivesse aqui.
Eu respondo por mim, não pela Gema.
Mas é com ela que eu faço o negócio.
Engana-se.
Engano-me.
Senta-te.
Vamos ver se eu percebo em que é que me estou a enganar.
Você vem comprar e eu vim vender.
Combinámos aqui para fechar um negócio.
A sua mercadoria está aí fora.
Não há mais nada para saber.
A sério?
Se não a quer comprar, diga-me e pronto.
Fico à espera.
Tu sabes a quem é que estás a vender?
Sabes onde é que te estás a meter?
Na Europa.
E o que é que vai acontecer se a Europa quiser mais?
Quem é que vai responder à oferta deste fentanil
tão puro que trazes aqui?
Eu.
E o que é feito do México?
Se você é a porta da Europa, eu sou a chave do México.
Vale ou não vale?
Não me vale, não.
E explico-te.
Se eu pagar por esse camião, por essa mercadoria...
...México e até os teus colhões...
...são meus.
Meus, Fernando. Estás a perceber?
Porque isto não é apenas uma venda que fica aqui.
Não é uma coisa pontual.
Melhor.
Melhor porquê?
Porque eu estou a pensar em meter todo o fentanil que puder.
A questão é: você pode pagá-lo?
Pode?
Está lá fora, na mala do carro.
Podes voltar com o carro, mas abandona-o o quanto antes.
Este carro não existe.
O telemóvel.
Não o percas.
Porque daqui para a frente, quem te vai chamar Fernando,
sou eu.
Ei, quem anda aí? Nando, és tu?
É ele?
Foda-se! Ei!
Brutal!
Olá, Nando!
Como estás, amigo?
João, deixa-o em paz.
Agora é a minha vez de explicar como é que anda esta história.
Escuta com atenção.
João, solta-o já!
Ou vai ser você, ou ele.
Juro-te pela minha vida que não vais ganhar isto.
Estás-me a ouvir?
Não ameaces, que não podes.
Quero-te aqui agora.
A escolha é tua.
Filho da puta!
De uma maneira ou de outra já está a dar lucro, não há volta a dar.
E qual é a vantagem?
Agora não tem concorrência.
Por falar no rei de Roma.
Estou?
Dani, tens de me ajudar!
Ele está aqui.
Tenho a merda do chefe que move todos os envios!
Nando, calma. De que é que estás a falar?
Ouve-me! Eu tenho o João!
O brasileiro que envia a coca!
Nando, estás a falar do quê? Acabou!
Ouve-me, caramba! O João está aqui!
E ele tem a única pessoa que me resta.
Tens que me ajudar!
Ele vai matá-lo e depois vai matar-me a mim.
Estás a ouvir-me, Dani?
Diz alguma coisa!
Dani, caralho!
Nando, ouve-me. Sou a juíza Andrade.
E acabou-se isto de fazeres o que queres, estás a ouvir?
Se quiseres ajuda, entrega-te e analisamos a tua situação.
Uma merda é que vão analisar!
Tenho o filho da puta que começou isto tudo!
Nando, espera.
Espera, diz-me onde estás.
Para o caralho!
Foda-se!
Não vou mandar uma equipa sem saber onde é que nos vamos meter.
E se estiver a dizer a verdade?
Que a diga na esquadra.
Nós queríamos o Valdés, ele entregou-o...
Solta-o para amarrá-lo a seguir, outra vez?
Não permito que ele faça o que quer.
Está a brincar connosco.
Desde que saiu, não parou de morrer gente. Mortos!
Os mortos não interessam.
Não interessam salpicos de sangue. É isso?
Não percebo o que queres.
Eu quero saber se o que ele está a dizer é verdade.
Quero saber se temos o João.
Cesáreo. Ei.
Ei, fala! Fala.
Acorda, olha para mim!
Acorda.
Que pena.
É uma pena...
Tudo muito triste.
Ele parecia ser muito bom homem.
Aliás, esta aqui também.
O que é que tu queres, João?
O quê?
Queres a tua coca?
Não a tenho.
Estou aqui.
Deixa-me levá-lo a um hospital.
Depende de ti, Nando.
Quanto mais cedo negociarmos, mais cedo o levas para o hospital.
Negociar o quê?
Eu pensava que eras inteligente.
Não te apercebeste?
Quem é ele?
Desde que entraste, estes dois puderam acabar contigo.
Adeus.
Mas estás aqui.
Estás a falar à minha frente.
Eu quero o homem que foi capaz de acabar com o Valdés ao meu lado.
E se eu não estiver interessado?
Se não estiveres interessado...
...isso é sinal que tens outro negócio na manga.
E se tens outro negócio,
és concorrência.
E a concorrência não é boa.
Brasil-Galiza, nada muda.
Com a minha inteligência e com os teus colhões...
...o mundo vai ser nosso.
É simples.
Ou saio daqui com um sócio,
ou com menos um bocado de merda no meu caminho.
E podes acreditar...
que vais querer ser meu sócio.
Como está?
Está bem.
Estável.
Ele vai recuperar, não te preocupes.
Mas eu quero saber quem é o João.
Porque é que não acreditaste em mim?
Porque não sei qual é o teu jogo.
Não sei se estás a mentir ou a dizer a verdade, se nos usas...
Usar-vos?
Quem é que usa quem, Dani?
Diz-me.
Não precisavas de ter ficado nas urgências,
podias-te ter vindo embora.
Porque razão é que te entregaste?
Porque quero ser livre.
A tua liberdade não depende de mim.
Quando tudo isto começou disseste que precisavas muito de mim.
O que é que queres mais?
A verdade.
Não.
Não queres a verdade.
Agora queres o João.
Mas não sabes quem é.
Depende de ti.
Até onde queres ir.
Se quiseres acabar o que começaste,
ou se queres continuar a levar porrada.
Esta gente não vai parar, Dani.
Se não for ele,
vai ser outro. Dani.
Eu vou cumprir a pena, mas tu nesta guerra....
...vais chegar sempre tarde.
Como sei que vais cumprir?
Não sabes.
Polícia!
Ninguém mexe!
Mãos no ar!
Vamos!
João Sarmento...
...Paulo Pinheiro, José Santos...
Você entrou com o passaporte português,
por isso não passou diretamente para a Interpol.
E tu és a Dani.
Dani.
Saiu rentável o cargo!
Estou a falar do Nando.
Podes-lhe agradecer, quando saíres.
E não vamos perder tempo.
Liga já para o meu advogado,
porque sei bem porque estou preso.
Acabou-se.
Não te esqueças porque é que saíste,
porque se o esqueceres...
eu vou estar cá fora à tua espera.
Entendeste?
Entendi tudo.
Obrigado.
Como estás, Julia? Tudo bem?
Acho que não vens almoçar, pois não?
O que é que foi? Tinhas saudades minhas?
- O que é que queres, Nando? - O número do Carlitos Miranda.
Sinaloa.
O que está aqui dentro é para ti.
Pelo teu trabalho de agora.
- E isto? - É para o Muro.
Tranquila, que já me ajudaste.
- Olá, Muro. - Nandito...
primeiro, explica-me o que é o número da nota.
Não é um número.
Essa nota é a única que vai sair de mim.
Não me lixes.
O que estás a dizer?
Que eu estou dentro e eu estou fora.
E que as grades estorvam.
Nando, não me lixes.
Uma coisa que aprendi foi que...
...quem não caça com cão, caça com gato.
Filho da puta...
Dom Carlos.
Como está?
Com que então, és tu o famoso Nando.
Aqui a fama sobra.
Aqui dentro está a sua parte, menos a minha comissão pela venda.
De que venda?
O que o Muro trouxe já tem comprador.
E agora querem mais.
O que é que te faz pensar que podes chegar aqui
e comprar-me?
E sair por aquela porta com um negócio fechado,
e não com um problema pela frente?
Não o estou a comprar, Dom Carlos.
Mas o que me faz pensar que vamos sair daqui felizes,
é muito simples.
México.
Lisboa.
E Galiza.
Quem é que pensas que és?
O que você e as suas pessoas procuram.
A chave da Europa.
Quer abrir essa porta ou não?
Não depende de mim.
Há mais gente por cima.
Somos uma família grande.
Mas faz...
...com que essa porta não se feche nem um bocadinho.
O CONSUMO DE FENTANIL EM ESPANHA É CADA VEZ MAIS ELEVADO.
Boa tarde, senhores.
Falem-me das rotas da Europa...
...e eu falo-vos do Sinaloa.
Eu até consigo tolerar um mentiroso, Muro.
Mas um tramposo, não.
Um tramposo não consigo engolir.
Estamos todos para o mesmo.
O Nando enganou-nos.
E bem!
Entra e fecha a porta.
VITÓRIA POR KO
Daqui para a frente vais fazer tudo o que eu te disser.
Vais agradecer ao teu amigo Nando.
Porque vais solicitar um encontro...
...com a juíza Andrade.
E vais-lhe dizer tudo o que eu e tu sabemos, cabrão.
Porque ou falas...
...ou essa mulher e os filhos,
os três, que tens em Jacaré,
desaparecem.
Entendes?
Porra!
Vocês cometeram um erro grande ao afastarem o Nando.
Acham que acabaram com toda a droga.
Mas vocês não acabaram com tudo.
Têm de ficar de olhos postos no porto de Lisboa.
Fentanil puro. E vem direto do México.
Fentanil?
Sim.
Tens a certeza?
Sim.
Quilos e mais quilos de droga sintética.
Vocês achavam que ele era um zé-ninguém.
Agora, ele é o senhor da droga. Ele controla tudo.
Está a ganhar muito dinheiro.
Mais do que nunca na história da Galiza.
Este barco já trouxe fentanil e vai trazer outra vez.
Faça o que eu lhe digo.
Porque isto é só o começo.
O início de tudo.
TODAS AS PERSONAGENS, SITUAÇÕES E FACTOS CONTADOS NESTA SÉRIE,
INCLUSIVE OS QUE ESTÃO BASEADOS EM PESSOAS REAIS, SÃO FICTÍCIOS.
ESTA PRODUÇÃO NÃO TERIA SIDO POSSÍVEL SEM A COLABORAÇÃO DA GUARDA CIVIL.
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