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Zulu
Pai.
Quero que ele morra!
Quero-o morto!
- Tenha a coca ou não! - Pai.
- Que se lixe! - É uma armadilha, por favor!
Ouve-me!
Estou?
Muro.
Estás a ver?
Neste negócio, a família não importa nada.
Daqui a dois dias estou em Lisboa.
A Julia vai-me pagar...
Não me falhes.
Fomos nós.
Nós traímo-lo primeiro.
Foda-se!
Vasco!
Deixo isso aqui atrás.
- Sabes o trajeto? - Ainda não.
- Como assim? Onde é que vais? - Não te preocupes, vai indo, eu aviso-te.
Foda-se.
Foda-se.
OPERAÇÃO MARÉ NEGRA
Ei!
Dani.
Dani!
- Ei, que merda é essa? - Ei!
Ei, tranquilo.
- O que é que ele está aqui a fazer? - Calma, foda-se!
Dani, diz-lhe!
- Calma! - Isto não foi o que combinamos.
Tu, guarda a arma!
Essa mão!
- Larga a porra da arma! - O quê?
O quê?
Guarda a arma, Ortiz. Guarda a arma.
OK?
Agora diz-me o que é que te passou pela cabeça.
Que merda é que andas a fazer?
Não saíste da prisão para andar a fazer transportes, entendes?
Queres o Valdés?
Queres ou não queres?
Vá, diz.
Já o tenho.
Tenho a carga dele.
O esconderijo dele.
Vão até ao ponto de encontro...
...e vão ter o Valdés.
Atenção, há movimento. Fiquem atentos.
Todos com atenção!
Recebido, atentos e em posição.
Atenção, outro carro.
Repito: outro carro.
Vai para as obras.
Grupo dois, cubram o segundo carro.
É o Valdés, já está cá fora.
Então?
Queres que eu acredite que vieste sozinho?
Vai, dá-lhe o dinheiro, caralho.
Vai, anda.
O dinheiro.
Anda, anda.
Filho da puta.
Aprendi contigo.
Avança um pouco, caralho.
Quieto!
Devagar. Larga a arma!
Larga a arma!
Vamos para fora! Saímos todos! Já!
Alto! Quieto!
Quieto!
Alto, Polícia!
Solta a arma! Solta a arma!
Larga a arma!
Polícia!
Larga a arma!
Larga a arma e vai para o chão!
Com a Gema não.
Acabou, Nando.
Ainda não, Dani.
Falta a Gema.
Quem não caça com cão, caça com gato.
O que é que tens dela?
Ainda não tenho nada.
- Mas... - O nosso acordo era o Valdés.
Não, o acordo era acabar com tudo o que o Valdés representa.
Era esse o acordo.
E qual é a tua proposta?
A Gema não é parva,
mas ela vai-me ouvir.
E o que é que lhe vais dizer?
A verdade:
que vocês vão revistar a casa dela, porque vocês vão fazer isso.
É contra o pai dela, não é contra ela.
Tem mais alguém em casa?
Revistem todas as divisões. Não deixem passar nada.
Computadores, discos externos, pens, CD's...
Não deixem passar nada. Quero a casa de pernas para o ar.
E então?
Diz ao Muro que assim dá gosto.
Espero-vos no porto.
Neste momento, senhor Valdés,
só posso dizer que restam poucos amigos lá fora.
- Os submarinos que recebia... - Não há provas disso...
O meu cliente é um empresário.
O seu cliente está detido, advogada.
Foi detido num encontro isolado com uma quantidade de dinheiro
que, no máximo, vai ter de justificar às Finanças.
Quanto ao barco, independentemente do que tinha lá dentro,
não há provas nenhumas relacionadas com o meu cliente.
No entanto, gostava de saber o que é que a Guarda Civil
faz a colaborar com um fugitivo.
Fugitivo que você representa, certo?
Isso não responde à minha pergunta.
Advogada, aqui quem faz as perguntas sou eu.
De acordo?
Não perca tempo a fazer perguntas que vão ficar sem resposta.
Senhor Valdés...
...peço-lhe que colabore e que nos diga os nomes
dos seus distribuidores no Brasil.
Se o fizer, posso melhorar a sua pena.
- Mais alguma pergunta? - Que colabore?
É o mais inteligente.
Uma melhora na minha pena?
Olhe... eu não vou ser o seu cão antidroga.
Esqueça isso. Para isso, já tem o Nando.
Ladra bem,
ensinou-o bem.
OK, já sabem as consequências desta decisão.
Já sabes de que lado é que o Nando está.
Assassino mafioso!
Está do lado errado, Coira.
Do lado errado?
Sabia que a justiça é representada por uma venda nos olhos,
uma balança numa mão e uma espada na outra?
Sabe que temos um dos melhores sistemas judiciais da Europa?
Deveria estar agradecida. Aqui não há privilégios.
Não há privilégios, Andrade?
O que é que vão fazer com o Nando?
Não me fale de justiça nem de lados errados,
quando a única coisa que faz é dizer vigarices para abrir telejornais.
Magistrada.
Vamos dar cabo de ti!
Estás morto!
Mama-me!
Bem-vindo a casa!
Bem-vindo, Valdés.
O que é que foi?
Sabes quem é que está na 101 da preventiva?
Têm cinco minutos, OK?
Fecha por fora.
O que é que se está a passar, caralho?
Ultimamente só levamos no cu. É pena que não gostemos.
Que merda é esta?
Não sabem ou não querem saber?
Chama-se Nando.
Por isso, podem guardar o vosso orgulho, porque estamos todos no mesmo barco.
No mesmo barco, Valdés?
No mesmo barco, Merino.
Quando vocês foram presos gostaram bem de ser substituídos, não foi?
Se isto continuou até agora, foi por causa de mim e dos meus.
Dos teus, claro...
E o teu sobrinho?
Pira-se daqui e tu tens a lata
de lhe entregar um descarregamento, caralho?
Queres-me explicar ou vamos esperar que dê nas notícias?
Diz-me lá uma coisa, Valdés...
O que é que tu fazias no nosso lugar?
Diz lá.
Tem cuidado.
Abre.
- Alto! - Calma.
- Alto! - Calma.
Só quero falar com ela. Posso?
E se te atirar ao Douro, o que é que acontece?
Não sou um chibo, Gema.
Não me mintas, filho da puta!
Não estou contra ti, foda-se!
Estou contra o teu pai.
E sim, vendi-o.
Vendi-o.
E fiz os possíveis e os impossíveis para que isto funcionasse de vez!
Acabaram-se as ordens, o menosprezo.
Esse é o teu pai.
Ou não é?
Agora somos só nós os dois.
Fora daqui.
Fora!
Como é que sei que não me vais vender?
Continuas aqui, certo?
Estiveste toda a vida nesta prisão!
Conheço-te, Gema.
Tanto como tu a mim.
Por causa do teu escabeche...
...mataste-nos a todos. A todos!
E se não foi essa amiguita da Polícia, foi o João,
que me deu 48 horas para lhe entregar a mercadoria
que tu deste à bófia!
- Ouve-me. - Não me toques.
Porque é que fizeste isto?
Porquê?
Porque tenho uma coisa que vai mudar tudo para sempre.
- Tu não tens nada. - Tenho.
E pode ser nosso.
Teu e meu, 50/50.
Está na hora de mudar as regras.
Merda.
E agora?
E agora, o que é que lhe digo?
Olá, João. Sou o Nando.
Nando!
Já tiraste o teu tio e a tua prima do teu caminho?
Onde é que está a cocaína?
Não há mais, João. Não há nada.
Desculpa, meu.
Ou me explicas exatamente o que é que está a acontecer
ou rebento-te!
Fentanil.
Tenho um contentor à espera em Lisboa.
Só temos de ir buscá-lo e metê-lo no sítio.
É isso, Gema.
Vamos ganhar tanta guita que nos vão deixar de melgar, finalmente.
Queres?
Não vale de muito ter o grande chefe como vizinho,
e menos ainda quando a Colômbia e a Galiza estão secas.
A questão é: quanto tempo é que vocês vão aguentar isto?
Porque se o vizinho da 101 decide começar a falar
para se salvar disto...
com essa juíza que gosta tanto da televisão!
Na minha terra, quem varre a própria casa é digno de respeito.
E o que é que nós ganhávamos se começássemos a varrer?
Limpar não é fácil.
É certo. Mas olhem...
...o dinheiro é o menos, quando as coisas se fazem bem.
O importante aqui é que uma pessoa pode cair,
mas os que estão do outro lado do oceano não têm porque cair também.
E acho que os vossos amigos americanos vão gostar muito disso.
E eu não vou ficar mal visto, não me vão ver como o parvinho.
O Valdés está aqui dentro.
O Nando está lá fora.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac.
Espera, eu conheço este gajo.
Trabalha com o Pájaro.
Mario Montes.
Montes!
Quantos quilos é que supostamente há nesse contentor de Lisboa?
Olha, sinceramente, nem sei.
Quando o formos guardar é que vamos saber.
Guardar?
Onde é que tu queres guardar isso?
Vou precisar das naves, Gema.
Não podemos andar às voltas com a carga na Galiza.
Isto já não é tirar e guardar, Nando.
Com que então, agora queres que guarde eu, com as minhas naves?
Que merda é esta?
Pensava que estávamos de acordo.
Neste negócio, entender é indiferente. Neste negócio o que importa é falar.
Por isso fala, e esclarece-me bem as coisas.
Preciso, pelo menos, de uma nave, até poder tirá-lo de Espanha.
Se o vais tirar de Espanha é porque pensaste num trajeto.
E se já tens um trajeto, é porque tens compradores.
Quem são eles?
O trajeto é o mesmo de sempre.
É o vosso.
Roterdão.
Não me lixes, Nando.
Roterdão?
Eu meto a mercadoria.
E tu, Europa.
Olá!
Tinha que ser ministro... dos que roubam bem.
Se não, não tinha esta suite só para si.
Ai, não, espere.
Ministro ou banqueiro?
Vá...
Vá, diga lá.
Não seja tonto, tire essa cara, parece que está a cheirar merda.
Afinal, vai passar aqui um tempinho neste hotel de cinco estrelas.
Com spa, ginásio,
tudo incluído, 24/7, massagens, com tudo, não é?
Melhor que na sua casa!
Vocês não são nada parecidos.
Quero dizer...
...não são nada parecidos, você e o seu sobrinho.
O Nando.
Você sabe porque é que está aqui isolado?
Sozinho?
Porque esta...
...é a sala que precede a morte.
Por isso, desfrute deste momento.
E pode pedir ao seu Deus...
...porque não falta muito para começar a criar raízes
debaixo da terra.
Bem-vindo!
Por favor!
Por favor, necessito de um médico!
Um médico!
Por favor!
Necessito de um médico!
Um médico!
Um médico!
São esses dois?
Não faço ideia.
Estás a gozar, Nando? Como assim?
Não estou a gozar, o sítio é este. Se são eles ou não, não sei.
- Nando? - O próprio.
E ela quem é?
Já te pagaram?
Se já te pagaram, não tens nada a ver com quem venho.
Percebeste?
Ou queres que te faça um desenho?
Deixem aqui o carro e sigam-nos.
- Está tudo aqui. - A puta que os pariu.
Como os Panama Papers, caralho.
Exactamente, está tudo escrito.
Temos vigiado as tuas contas e temos ordem de busca
para ver se guardas o dinheiro em casa.
para ver se guardas o dinheiro em casa. Se não encontrarmos nada, com tudo o que aqui temos,
Se não encontrarmos nada, com tudo o que aqui temos,
é suficiente para te metermos um tempinho na prisão.
É este.
Dentro de meia hora tens a juíza dentro.
Aqui dentro, diante de ti. Por isso, tu é que decides.
Eu só os informava para onde não podiam ir.
Eu nunca estive nos descarregamentos.
Eu...
...só posso contar o que sei.
Um médico!
Aqui vem o Papão!
- Passavam-me as coordenadas num... - Como é que é?
Num papel do Euromilhões.
- Eu dava essa informação ao piloto e... - Que piloto?
- Eu pagava-lhe. - Que piloto?
Ena!
Quem é que te pagava?
Quem?
Quem?
Gema.
Eu só falava com ela, com mais ninguém.
Já não precisamos do Nando.
Cumprimentos do teu sobrinho.
Para onde é que querem que se leve isto?
Apanharam o Montes.
- Aconteceu alguma coisa? - Nada.
A quem é que roubaste o fentanil, Nando?
A ninguém.
O contentor...
...é de quem?
De quem é?
É do Santiago Santaella.
Chamam-lhe Muro.
Está há dois meses parado em Lisboa
e ele estava atrás de mim há algum tempo para levá-lo para a Galiza.
A parte dele sai da minha, não te preocupes.
OK?
O dinheiro não me preocupa.
Preocupa-me o México.
E tu também.
Eu vou com tudo.
Também me podias dizer a quem é que o vais vender.
A quem me apetecer.
Ai, sim?
São os meus trajetos...
...os meus clientes...
...as minhas regras.
OK.
Vendo a merda do teu fentanil e acabou-se.
Cada um segue a sua vida.
Não tenho a certeza se a vamos podemos apanhar.
Podemos pedir uma cariação ao Montes.
Sim, mas mesmo assim temos de acusá-la de alguma coisa.
É a palavra dele contra a dela.
Para isso temos a Andrade.
O quê?
Não sei se a Andrade faz isto por convicção ou por pura imagem.
Por ambas.
Obrigado.
Por?
Por tudo, por...
...porque chegaste longe com isto tudo.
E porque conseguiste...
...conseguiste que voltasse a pensar que tudo isto vale a pena.
Mais alguma coisa?
Ortiz...
Ortiz.
Ortiz!
Ai, foda-se!
Ortiz!
Vou parar isto, Dani.
Perdemos o controlo.
Eu ouvi uma mota...
...a sair.
O quê? Não te entendo.
Tu não vais parar nada.
Estou?
Como?
Desde quando um enforcamento sem marcas no pescoço?
Também é forense?
Não.
Mas vou pedir uma autópsia.
Acho que não, porque precisava da autorização da família.
E?
Emiti um mandado de prisão contra Gema Valdés.
Também a vais defender?
Não o faças.
Recomendo-te.
Porquê?
Sabes que dispararam a dois polícias que detiveram o teu cliente, não sabes?
Um deles morreu, aqui, na Galiza.
- O que é que isso tem...? - Espanha não é a América Latina.
Mas está a ficar parecida por causa das pessoas que andas a defender.
O contentor já não está em Lisboa, o Nando levou-o ontem.
E pelos vistos, não ia sozinho.
Ia com uma rapariga muito gira, pelo que me disse o tipo.
Gema?
Que filho da puta.
Preciso que me faças um favorzinho.
Ei!
Aí não, escreve aí.
Quero que me organizes um encontro com este tipo.
Não sei quem é que te vai atender, mas diz-lhes que o Santaella quer vê-los.
Aqui, que deem um passeio.
Para verem que não estou a esconder nada.
O quê?
Tenho as minhas dúvidas, cheira-me a esturro.
Julita, não te preocupes, eles são os bons.
Os bons?
Diz-me, Coira.
Tenho muito más notícias.
O teu pai morreu. Encontraram-no na cela, enforcado.
E mais?
Houve um tiroteio contra a polícia que andava a controlar isto.
Sabes alguma coisa?
Porque é que haveria de saber?
Abre os olhos, Gema.
A juíza Andrade fez um pedido de expedição de mandado
de busca e apreensão.
O que é que aconteceu?
O que é que aconteceu?
O que é que aconteceu? Conta-me.
Se não está em Lisboa...
...onde é que está?
- O nosso contentor... - Nosso?
Não me ouviste, cabrão?
Não gozes comigo.
Vais-me propor 50/50 ou quê?
Não, meu, não.
Vou-te falar da Gema Valdés.
Ouviste falar dela?
Deverias, porque é ela que tem o nosso fentanil.
Não acredito.
Não acredito que te roubaram a carga.
Não és tão parvo para perder uma carga tão importante.
Que se lixem, meu.
Acredita no que quiseres, mas não estaria nada mal pensado
que o cartel de Sinaloa viesse fazer uma visitinha à Galiza.
O que é que perdes com isso?
Qual é que era o nome dela?
AFUNDAR-ME NÃO É OPÇÃO
TODAS AS PERSONAGENS, SITUAÇÕES E FACTOS CONTADOS NESTA SÉRIE,
INCLUSIVE OS QUE ESTÃO BASEADOS EM PESSOAS REAIS, SÃO FICTÍCIOS.
ESTA PRODUÇÃO NÃO TERIA SIDO POSSÍVEL SEM A COLABORAÇÃO DA GUARDA CIVIL.
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