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Original subtitles

DOIS ANOS DEPOIS

Vamos, vamos, vamos.

Já devia de estar aberta!

Dez minutos.

Alguma coisa?

Ainda não.

Não vejo nada ali em baixo.

Eu disse para continuarmos!

Cuidado, vai-se fechar!

Ei, sai daí!

Não, não!

Abram-me, abram-me!

Ei!

Não, foda-se!

Vai-se afundar! Desamarra isso!

Ei!

Abram-me!

Não, não, não! Abram!

Abram-me isso já!

Não, não!

Não, não!

Ei! Abram-me isso!

Abram! Abram esta merda!

Não, não, não!

OPERAÇÃO MARÉ NEGRA

PENITENCIÁRIA (GALIZA)

UM VIGUÊS, VENCEDOR DO CAMPEONATO DE ESPANHA DE BOXE AMADOR

Nando, temos um problema.

Trazem menos para todos.

Menos? Quanto?

O Anxo disse que perderam bastante carga.

É o que é. E bem podes agradecer.

Vem menos, mas recebemos mais.

Sim, claro. Vem menos para aqui.

Mas lá fora, não recebem nem menos um euro, de certeza.

Diz ao Anxo que aqui recebemos a mesma coisa,

eles que se desenrasquem lá fora.

Não me lixes com contas.

Dizes-lhe tu para se desenrascarem e para não te lixarem com as contas.

Apareceu um motor de popa explodido em Fofa, Nigrán.

Temos que revistar a carga.

Acabou-se.

Calma, vamos ter paciência.

Fogo, Dani, não estás a ver?

Não, não vejo.

Não vejo, e se digo que temos que verificar a carga...

Verifica o que quiseres, mas acabou-se.

E não me digas para ter calma porque a única coisa que encontrámos

nos últimos três anos foi o cabrão do Nando...

e tivemos muita sorte! Dani...

Eu não vou continuar. Isto acabou-se!

Ortiz...

Ortiz, espera!

Dani, não temos nada. Eles ganharam!

RIO AMAZONAS

Escuta bem. Fomos nós que fomos aí buscar isso

e não vamos assumir mais responsabilidades por causa da tua maldita logística.

Um desastre, o envio semanal. É isso?

O vosso cálculo para afundar a carga foi um desastre, João.

Eu não afundo as cargas, Valdés.

Os teus homens é que não fazem bem o trabalho deles.

Não nos vamos responsabilizar pelos fardos perdidos, ficas já a saber.

Isto não me compensa, João!

Ainda por cima, o teu sistema é uma merda que não nos ajuda.

Eu prometo-te que não vamos falhar.

Mas vocês também têm de prometer que vão fazer bem o vosso trabalho.

E não me venhas com desculpas esfarrapadas.

Se isto não funcionar, acabou-se o negócio.

Não vamos parar, não te preocupes.

Que bom ouvir isso.

Além disso, a maior parte da mercadoria já chegou aí, não já?

Correto, mas volto a dizer que não me responsabilizo pelas perdas.

Posso-te dar um conselho, meu amigo?

Procura alguém que saiba fazer o serviço.

Isso está feito.

OK.

Filho da puta!

Patrão, encontramos a puta.

Que puta?

A cabra que nos vendeu.

Muito bom.

Às putas!

- Compensa ou não? - Compensa e ponto final.

As pessoas falam, pai.

Não é a primeira vez que a porcaria dos submarinos do João vão ao fundo

com a carga. Perdemos pessoal, fardos e guita.

Se calhar é porque não estás a encontrar as pessoas adequadas.

E quando forem adequados, o que é que vais fazer com eles?

Vais vendê-los, como fizeste com o Nando?

Agora lavas as mãos como Pilatos?

Senhores, prestem atenção ao prazo de validade das caixas.

Se não, estou lixado.

As caixas antigas em cima. As novas em baixo.

É fácil, não é complicado.

Nando...

Tens de tirar as latas de tomate todas daqui.

Não pode ficar nenhuma no armazém.

Valeu. Beleza, então.

Merda.

Vá... Calha-nos menos mas recebemos na mesma.

Despacha-te, Nando!

Foda-se, outra vez!

Tudo bem?

Tudo bem.

Quem não está bem é o teu amigo. Vai lá ver.

Quem? O Héctor?

Qualquer dia mete veneno de ratos.

E depois, somos menos um. Ficas avisado.

Ei...

Atenção, não é heroína.

Alto aí, cabrão.

Aqui não se fazem esses negócios.

Porquê?

Está escrito nalgum lado que não posso?

Está?

Não está.

Mas estou eu a dizer.

E por respeito ao Nando, é melhor que te ponhas daqui para fora.

Não te quero ver aqui.

Quem é que faltou?

Quem é que tu achas?

Merda de orgulho.

Orgulho ou não, ele que venha. Fico já a dizer.

E o que é que ganhamos com isso?

Comer.

Temos de comer, Nando.

Não me lixes, Boza.

Agora fazemos serviço ao domicílio.

Já trago o pão. Ainda por cima, tenho de andar atrás desse gajo?

O teu tio é que traz o pão. Não és tu.

Patas é que não têm.

Merda de orgulho.

Anda com o Muro.

Enquanto for só o boxe...

E desde quando é que um traficante de Sinaloa precisa de saber boxe?

O Nando sabe que se nos mentir, está lixado.

Não é o Nando que me preocupa.

O Sinaloa.

O Sinaloa, Merino.

Estás a ver que horas são, Nando?

Muito mau serviço, meu.

Fazem o que querem de ti e vais ser despedido.

Se o nosso querido Angelito estivesse de corpo presente

já te tinha preparado o funeral.

Vou ter que falar com o chefe.

Angelito, o que é que vamos fazer com este merda?

Estava cheio de razão, o nosso querido Angelito.

Descanse em paz.

Foi isso que te ensinaram? A mandar a mercadoria para o lixo?

Pensava que eras mais homem.

Tu e o teu amigo só me dão desgostos.

Até parece que sou outro filho da puta.

A tua parte, Samu. Anda lá.

Ei! Larga-me!

Larga-me!

Parem! Calma!

Isso é respeito, Nando.

E não o que tu és... Um vil negociante de merda.

Vai-te embora, não deixes os avozinhos à tua espera.

Sai daqui.

Cona!

Isso, conta, conta.

Não vales nada.

Falta aqui guito.

Falta guito?

Eu cobrei o que o teu amigo de merda me estava a dever.

Nós fiamos, mas não somos uma ONG.

Se quiseres o resto, vais à casa de banho,

porque o teu amigo está a vender o cu para pagar o resto que me deve.

Vai lá. Pira-te.

Pira-te.

Ei, tira-me as mãos de cima!

Cona!

Pira-te daqui!

- Escumalha! - Merdas!

Héctor!

Merda!

Héctor!

Ei, olha para mim!

Anda, vamos!

Anda cá.

Aqui...

Anda cá.

Héctor.

Vai-te embora.

Héctor, tens que parar com isto. Se não, vais acabar morto.

Continuo assim porque não deixo de pensar nisso.

Não deixo de pensar nisso porque estou aqui.

Por ti.

Estou sozinho...

Sozinho. Não tenho mais ninguém, Nando.

Já não.

Vai-te embora.

Vai-te embora.

Vai-te embora, Nando.

Vai-te embora.

Então, como estás?

Com o trabalho na prisão e com as aulas de boxe,

a pena é reduzida.

Além disso, também estou a ajudar com os presos novos.

Por isso, quando a sentença sair, tudo isto conta.

Vão ter de me indemnizar e tudo. Vais ver que até me vão pedir desculpa.

Deixa-te de desculpas.

Faz o que tens de fazer, com juízo e com cabeça.

A cabeça está no sítio, avô.

E tu, como estás?

Como um leão, não vês?

Olha...

A tua advogada... Sabes mais sobre a sentença?

- Quando é que vai sair? - Em breve.

Já falta pouco para me teres em casa e para aturares os meus problemas.

Deixa-te disso.

Se houver mais problemas, dou-te um sopapo que te viro

e meto-te num convento com roupa de padre.

Acho que não sirvo para padre, avô.

Espera.

Deixa isso comigo.

Mostro-lhes a tua foto da primeira comunhão

com a roupa de marinheiro e de certeza que os convenço.

Oh não, avô. Queima já isso.

Tinhas uma carinha de menino bem comportado...

Ainda a tenho, não?

A mesma cara.

Sim, mas ter não é ser.

Vou sair daqui, avô.

Dou-te a minha palavra.

Vai correr tudo bem.

Novidades?

Como estás?

Melhor agora.

O que é que se passa lá fora?

Não faço ideia.

Perderam a carga.

Imagina... pode ter sido qualquer coisa.

Que merda!

Como é que está o teu avô? Veio fazer-te uma visita?

O meu avô está bem.

Diz que está forte, mas eu não acredito.

O importante é que te veio ver. É isso que importa.

Em que é que estás a pensar?

É o Héctor, Walder.

É o Héctor.

Não sei...

Não sei o que fazer.

Nando, não tens de fazer nada.

O Héctor não é a tua responsabilidade.

Eu acho que é.

Ele não tinha de estar aqui.

Eu não diria isso.

Nando, a vida é só uma.

Os teus dias aqui são responsabilidade tua.

Estamos juntos.

Já falta pouco.

Hoje tu não escapas da morte.

Mas vais poder escolher.

Pode ser uma morte bem lenta e dolorosa.

- Para quem trabalhas? - Para ninguém.

- Para quem trabalhas?

- Para os americanos...

Para a DEA.

Para a DEA...

O que é que lhes disseste?

Eu não lhes contei nada!

Só falei daquele espanhol...

Nando.

Sim.

Nando... o que é que lhes disseste?

Depois fomos embora.

Foram embora?

Olha para mim.

Eu vou encontrar a tua amiga puta

e vou arrancar as tripas dela.

Não.

Matem-na bem lentamente.

Não, por favor! Não!

Socorro!

Arriscaste com os velhos e com o teu tio!

A Galiza está mais do que morta. Vai para o México.

És um pau mandado do teu tio, cabrão!

Mexe-te!

Vá, levanta-te!

Já vou, cabrão.

Depois não me venhas com merdas de que não consegues cumprir.

Não quero saber. Eu já paguei, OK?

OK, Nandito.

OK, OK.

Mas a partir do momento em que estás aqui, tens de ver mais à frente.

E tu, vês o quê?

Guita, man!

Muita guita!

Onde é que vais?

Agora que estávamos a aquecer...

Isso é quando eu me pirar. Antes disso não.

Aqui sabe-se tudo. E enquanto eu estiver aqui...

Merino, Boza e o teu tio.

A santa trindade da bendita Virgem da Cocaína, cabrão!

O que é que aconteceu?

Entra ou não?

Estas coisas andam devagarinho.

Devagar, devagarinho.

A carga não vai sair de Lisboa, meu.

Sim, mas o Sinaloa pode fazer com que saia.

Cada semana, três, para ser rotativo. Conta: doze.

E pagamos bem. Para que se saiba.

Qual é o problema? "Não", "Não", porquê?

O que é que importa o que vocês pagam? Os rapazes estão a arriscar muito.

As pessoas falam.

Eles que falem! Eles que falem, foda-se!

O dobro por cada transporte.

Continua a ser complicado?

Vamos fazer o que podemos.

Faz mais.

Faz mais.

Quem é que te disse que podias pagar mais?

O meu pai?

Vai-te embora.

Vai-te embora!

O Tribunal Provincial de Pontevedra finalizou a sua decisão

para a investigação do submarino de drogas,

com sentenças de onze anos de prisão para os três tripulantes.

Por sua vez, os três detidos são condenados a multas

de 300 milhões de euros.

Dos quatro envolvidos, apenas um deles recebe uma sentença

de menos de sete anos por colaboração em terra.

A história dos factos comprovados está de acordo com a acusação

do Ministério Público.

Reconstrui cronologicamente as 72 horas...

...com sentenças de onze anos de prisão para os três tripulantes.

Dos três detidos, dois são condenados a multas de 300 milhões de euros.

Dos quatro envolvidos, apenas um deles recebe uma sentença

de menos de sete anos por colaboração em terra.

A história dos factos comprovados está de acordo com a acusação...

Bom dia!

Bom dia!

Não sei se sabem...

Vocês têm cara de boas pessoas e sei que não se deixariam corromper,

mas a prisão é uma das principais vias de entrada de substâncias ilegais

com as quais poderiam ganhar, e muito, agora que têm os salários congelados.

As mulheres.

Concretamente, com certas cavidades que se forem bem lubrificadas,

poderiam servir de serviço mensageiro,

ao qual não há acesso, pelo direito à privacidade.

E as visitas masculinas, Coira? Não contam?

Querido, não subestimes a vossa capacidade de assimilação

quando a necessidade impera.

Está limpa. Podes entrar.

- Bom dia! - Bom dia!

Nando, não vos apanharam no submarino, mas ao Walder e ao Angelito sim!

Eles estavam a sair da água.

E passado quatro dias, apanharam-te com um fato de mergulho vestido!

Além disso, a inspetora já te tinha visto antes nos Açores.

E se ainda por cima temos em conta o que ele disse de ti e do colombiano...

Esquece! Não sei do que estavas à espera.

Se a inspetora me viu, é a palavra dela contra a minha.

Concentra-te naquilo que eu digo, foda-se! Não me apanharam a sair com eles.

São onze anos, foda-se!

Onze!

Esquece, Nando, não vale a pena.

Podemos tentar, mas tens de meter na cabeça

que te tens de portar bem e tens de estudar no secundário.

Porque nove anos... Nem nove, nem dez, nem merda nenhuma!

A única coisa que fiz foi sobreviver!

É o que estou a fazer aqui todos os dias.

Por isso, mexe-te e tenta!

Porque sei coisas, Coira. Demasiadas.

Saber demasiado não interessa, Nando.

O que é que interessa?

Saber o que é preciso e dizer o quanto baste.

É isso que interessa, Nando.

O que é isto?

Um presente do passado, para a DEA.

Não vais gostar.

As duas infiltradas que se conseguiram meter ali.

A DEA vai deixar de jogar.

Tem problemas em casa.

Não lhes interessa a droga que entra na Europa.

É-lhes completamente indiferente.

Neste momento, eles vão concentrar-se numa substância que lhes é mais forte:

o fentanil.

Ortiz... sem ti, sem Espanha e sem os Estados Unidos...

Dani, o que é que precisas?

Não há mais forma de tentar. O que é que queres mais?

Sabes o que é que eu quero?

Gente que não desista.

É o que quero.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA. GALIZA.

Olá, desculpe.

- Bom dia. - Bom dia!

Já sabe o que aconteceu no Brasil?

E?

Isto fica assim? Ou... o que é que vai fazer?

A pergunta não é essa. É o que é que me vais oferecer.

Porque sei que te deixaram sozinha.

Sim, é verdade, não tenho nada.

Mas a Galiza continua a ser a porta de entrada da Europa.

Eu sei.

Percebes bem espanhol?

Sim, entendo bem.

Perfeito.

Eu também percebo português.

Sabes porque é que não tens nada?

Porque vocês pensam que o narcotráfico é uma coisa circunstancial.

Uma porta que se pode derrubar e fechar totalmente.

Isto é uma luta endémica.

E vocês estão há dois anos a trabalhar de fora,

e nunca de dentro.

Estás a perceber?

Por isso é que toda a gente desiste disto, como a tua colega Carmo.

O problema está aí: vocês não têm ninguém dentro.

Pensa bem.

Onde andas?

Para treinar assim, mais vale estar quieto.

Anda lá! Dá-lhe!

Onde é que tens a cabeça, cabrão?

Onde é que andas?

Não sou quem devia estar aqui.

Olha, como todos. Quem pode dizer isso sou eu.

Pergunta isso a quem quiseres e todos te vão dizer o mesmo.

Olha, meu...

...não é um sermão...

Mas, por muitos anos que te tenham metido em cima,

não tens de continuar à sombra do Merino,

do Boza e do teu tio.

Dizes que trabalhas para ti mas isso não é verdade.

Continuas a ganhar dinheiro da coca, e isso é o passado.

Como o Merino, como o Boza, como o teu tio.

Tu vales mais do que eles todos.

Essa pena é longa...

...mas também é tempo para mudar o rumo

aqui em Espanha e em toda a Europa, meu.

São onze anos, Muro.

Onze anos, foda-se.

Olha, meu.

Fentanil.

O contentor.

Está a rebentar, meu amigo.

Tem calma com essa pena.

Já que vais ficar por aqui por um tempo,

vamos tornar esta prisão, não num supermercado,

mas na porta de entrada e vemos como corre.

É isso, meu.

Porque é que não ligas à tua prima?

Precisavas de uma boa queca com ela para acalmares o leão

que está dentro de ti.

Fazia-te falta.

E o Merino, o Boza, o Colombia e toda a gente?

Diz-me.

Se vêm, vão acabar por perceber.

Eles que venham. Não achas?

Quem não caça com cão, caça com gato.

Estás enganado, eu não sou assim.

Não sou nenhum assassino.

Que assassino?

Não vês as notícias?

Nem todos os golpes de Estado têm sangue.

Agora quem os faz são os cabrões de gravata, bem vestidos,

a cheirar bem e bem comportados.

Pensa nisso.

Bom dia!

Olá.

Por favor.

O juiz não vai aceitar isto.

Como é que sabe disso? Você é juiz?

Não. Então, limite-se a fazer o seu trabalho.

Eu também faço o meu.

Quero a versão duplicada, carimbada e certificada, por favor.

Obrigada.

Advogada.

Senhoria.

- Bom dia. - Bom dia.

Acabei de receber um caso de segunda instância.

Vai recorrer à sentença de Fernando Barreira.

Ficou admirada?

Sim.

Vou recorrer porque penso que o caso não se tratou como é devido.

Sabe que não há maneira de mudar esse caso.

Não o vejo da mesma maneira.

Penso que ele foi mais julgado nos jornais e na televisão

do que nesta sala.

Quer recusar ao juiz em primeira instância?

Acho que não vai ajudar muito.

Mas esse juiz gosta muito de ir caçar...

...e Barreira não é um troféu para pendurar na parede dele.

Aqui não vamos caçar, advogada. Aqui fazemos justiça.

Claro.

Vocês são funcionários e fazem o vosso trabalho.

E eu sou advogada e recebo muito dinheiro

por fazer o meu melhor.

Ou seja, o seu trabalho é ser uma marioneta ao dispor do seu patrão.

Explique ao seu cliente que a situação dele é muito complicada.

Ele que vá assumindo isto e pensando no que lhe convém

a partir de agora.

OK?

Aqui tem.

Obrigada.

Bom dia.

Adeus.

Tu acreditas?

Neste momento não tenho outra hipótese, avô.

Podes sempre mudar de advogada.

E começar tudo outra vez?

Não.

- Ela tem contactos, sabe... - Como?

Como os contactos do teu tio e da tua prima?

Eles é que sabem, porque estão livres!

Mas tu...

Olha onde é que tu estás, Nando!

Se entrei aqui, também vou poder sair.

Mas quando, Nando?

Merda!

Muro, comunicações.

Então, Santi?

Como estás?

Envelheceste e um rato comeu-te a língua?

Nem uma palavrinha, depois de tantos quilómetros?

Olha que isto está no cu de Judas.

- A família já sabe que... - Esquece.

Não sou o teu pombo correio.

A única coisa que me vais dizer é o número do contentor

e onde é que ele está.

É muito feio roubar a quem te deu de comer.

Só queremos o que é nosso.

E se não quiseres fazer isto de boamente...

...temos que fazê-lo de outra forma.

E olha...

...não te interessa essa parte, Santi.

Olha que me interessa.

Interessa-me, cabrão.

E sabes porquê?

Porque eu não roubei ninguém, nem enganei ninguém.

Mas as minhas pessoas viraram-me as costas quando aqui cheguei

e agora vocês têm a pouca vergonha de me vir pedir essas informações?

Quando fui eu que a trouxe até aqui e vocês só tinham olhos para os gringos?

Isto é Europa, foda-se!

O México pode ser todo vosso, mas aqui dentro mando eu, caralho!

Por isso, podes já sair por essa porta e dizer aos que te trouxeram cá,

os que me venderam e os que te pagaram, não foi?

Ninguém...

...vai tocar no contentor do caralho, pelo menos, enquanto eu for vivo.

Por isso...

Qual é o próximo passo, Carlitos Miranda?

Cuida-te, Santi.

Vai com Deus, cabrão.

Nando!

O que é que foi?

O Héctor.

Quem foi?

Menos um.

Quem foi? Quem foi?

Filho da puta, estás morto!

Filho da puta, estás morto!

Para!

Solta-me, foda-se!

Estás enganado, imbecil!

Quem o matou foram as dívidas dele, não fui eu.

O que é que se passa aqui? Menos colhões e mais cabeça.

Foi ele!

Foi ele que se desfez dele. Vocês não veem isso?

Soltem-me!

A única coisa que eu vejo aqui é que nenhum agarrado merece uma guerra.

Então, calma. Foda-se!

Vai!

Vai!

Obedece aos mais velhos, que sabem um pouco mais.

Vá, acalma-te. Anda.

Já imaginaste se tento e me calha?

Já te calha todas as semanas, não é?

Já tens os homens?

Preocupa-te com o piloto, ele que voe longe.

"OÃÇPO E OÃN EM-RADNUFA"

Que fique bem esclarecido.

Nenhum dos meus homens tocou no teu amigo.

Espero que a morte de um agarrado não nos foda o "business".

Sejamos inteligentes.

Eu não quero saber do que tu pensas, eu não vou perder dinheiro.

Percebeste?

TODAS AS PERSONAGENS, SITUAÇÕES E FACTOS CONTADOS NESTA SÉRIE,

INCLUSIVE OS QUE ESTÃO BASEADOS EM PESSOAS REAIS, SÃO FICTÍCIOS.

ESTA PRODUÇÃO NÃO TERIA SIDO POSSÍVEL SEM A COLABORAÇÃO DA GUARDA CIVIL.

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