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Original subtitles

17 DE JUNHO DE 1972 3:53

Saint?

Saint John? Acorde, Saint.

Posso confiar em você?

- O que houve? - Posso confiar em você?

Responda!

Pode confiar em mim, pai.

Estraguei tudo.

Estraguei tudo de vez.

- A mãe está bem? - Escute.

No México eu te disse que trabalhava para o Departamento de Estado.

- Sim. - Eu era chefe do posto da CIA no México.

- O quê? - Eu sou espião.

Uma missão acabou de ir para o saco.

Era ultrassecreta, para a Casa Branca. E meu pessoal foi preso.

Por que não nos contou?

Preciso da sua ajuda.

A coisa pode ficar feia para mim a qualquer momento.

Preciso que faça o que eu disser sem questionar.

Eu posso confiar em você?

É claro, pai.

Bom garoto.

Pegue limpa-vidros e luvas.

Está bem.

Como foi no trabalho?

Comme ci, comme ça.

Tem a possibilidade de eu ser preso.

Espere, o quê?

Fique tranquila, volte a dormir. As crianças já vão acordar.

Ouça, onde estão aqueles sabonetinhos que eu trouxe do Watergate?

Podem ser usados como prova.

Rápido.

Certo.

Abaixe-se para pensarem que estamos trocando o pneu.

Beleza.

Obrigado.

Certo.

Limpe dos lados, embaixo... Tem que limpar tudo.

- Sim, pai. - Tudinho, sem impressões.

Esfregue. Isso, limpe tudo.

- Até a máquina de escrever? - Quanto menos souber, melhor.

Beleza. Pegue tudo, rápido.

Nunca conte a ninguém que fez isso, senão estaremos ferrados.

Meu filhão!

Meu garoto.

A chave do hotel.

- Os detalhes contam. - Não limpamos a chave!

OS ENCANADORES DA CASA BRANCA

PROVA

Vire para a direita.

Vire para a direita.

Vire para a direita.

Vire para a direita.

- Você fala a nossa língua? - Falo.

Vire para a direita.

De nada.

Quatro!

Que porcaria!

Sr. Kleindienst?

Olá?

PROCURADOR-GERAL INTERINO

Estou atrás da árvore à sua direita.

Me chamo Gordon Liddy.

Sou conselheiro-chefe do Comitê de Reeleição do Presidente.

O que faz no meu campo de golfe?

Cinco homens foram presos ontem à noite no comitê democrata.

Estavam em uma operação clandestina de coleta de informações.

Ouvi falar. O McGovern está afundando.

Tem que ser muito idiota para invadir o comitê democrata.

Eles trabalham para mim.

Essa não.

Um deles, o Jim McCord, é chefe de segurança do nosso comitê.

Merda. O Mitchell sabe?

Não aceitei esse cargo para ficar limpando as cagadas dele.

Sim.

Na verdade, o Sr. Mitchell tem um pedido.

Se conseguir que soltem o McCord agora mesmo,

- podemos... - Com base em quê?

Ficaram malucos?

Fazem ideia do que isso pode significar para o presidente?

Senhor, se o mundo souber que o chefe de segurança do comitê foi preso,

imagine o que isso pode significar para o presidente?

- Meu Deus. - Ele está com identidade falsa,

mas como já foi agente do FBI, tem as digitais registradas.

É só questão de tempo até descobrirem quem ele é e onde trabalha.

O que pensaram que estavam fazendo lá?

Salvando o país do comunismo, senhor.

O tempo está passando.

Eu calculo que temos 48 horas até que descubram quem ele é.

Apostaria minha reputação nisso.

Sua vez.

Muito interessante.

- Nome? - Vai à merda.

- Endereço? - Quero falar com o meu advogado.

- Número de telefone? - Eu quero falar com o meu advogado.

Certo, vamos começar de novo. Nome?

Olhe, Sr. Martin, estou tentando te ajudar.

Fale seu nome verdadeiro

ou a fiança vai ser de 100 mil, no mínimo.

Só na presença do meu advogado.

Jim?

Jimmy?

- Você conhece ele? - Conheço.

É o Jim McCord, segurança do John Mitchell.

- Não, não sou mais. - Sério?

- E aí, Ted? - Oi.

Jim McCord. Valeu, Ted.

É, valeu, Ted.

Pode soletrar seu sobrenome para mim?

Sim. A-D-V-O-G-A-D-O.

O omelete francês perfeito é o baveuse.

Certo, onde está a cebolinha?

Tem laranja, picles, sopa de ostras, azeitona, mas cebolinha não.

Nunca comemos sopa de ostras.

Tem tudo, até suco de tomate, só não tem essa maldita cebolinha!

- Tudo bem. - Sou um idiota.

Relaxa, não precisa de cebolinha.

Certo, faremos sem cebolinha mesmo.

Beleza.

Lembra do meu professor da outra escola?

- Aquele que... - Sim, eu lembro.

Falei para a mamãe sobre ele e no outro dia ele desapareceu.

A sua mãe me contou o que aconteceu

e naquela noite eu botei duas ou três armas no carro,

sua mãe ficou com medo, ligou para a escola para avisar

e o tarado desapareceu na noite.

- Iria matá-lo? - Matar quem?

O que faz aqui? Por que já não está pronta?

É sábado, eu só saio às 15h.

Sábado. Claro, é sábado.

Eu vou te fazer um omelete.

Casa dos Hunt.

- Mas sem cebolinha. - Howard Hunt, por favor.

Já vai. É para você.

É o Howard Hunt.

É o Bob Woodward, do The Washington Post.

Sim, pode falar.

Estou tentando entender como seu nome estava em um envelope

encontrado com um dos homens presos no Watergate.

Meu Deus.

Pode se manifestar?

Como o caso ainda está sob investigação não vou comentar.

Era engano.

Pediram para falar com você.

Eu vou ficar na minha sala o dia todo.

Não atenda! E se alguém aparecer aqui, eu não estou.

Boa noite. Uma história de mistério em Washington.

Cinco pessoas foram presas e acusadas de invadir a sede

do Comitê Nacional Democrata no meio da noite.

Entre as cinco pessoas presas no Watergate, estava este homem,

James W. McCord, um ex-funcionário da CIA

que agora possui uma empresa de segurança.

Adivinhe o que mais ele é?

Consultor do comitê de campanha de reeleição

do Presidente Richard Nixon.

- Gordon? - Bom dia, Jeb.

- O que manda? - Gordon, esse negócio vai estourar.

O FBI está me ligando. Por que está triturando grana?

A polícia achou dinheiro com número de série sequencial com os caras,

então podem rastrear ele até o banco e até nós.

Era para aqueles cubanos imbecis usarem só para suborno.

Está triturando sabonete?

Você já usou sua cota diária de perguntas idiotas, espertalhão.

E agora ainda é 9:17 da manhã.

Você é o conselheiro-chefe. Tenho que saber como agir.

- Caia fora! - Caia fora!

Meu conselho para você é que contrate um advogado.

Então para que estamos pagando você, caramba?

Jeb...

quero que saiba de uma coisa.

Esse redemoinho de merda em que estamos agora

é tudo culpa sua.

- Vou ligar para um advogado. - Agora me entendeu, dummkopf.

Meu Deus.

Sr. Hunt? Somos do FBI.

Sr. Hunt?

Voltamos depois.

Hoje cedo Ron Ziegler, secretário de imprensa da Casa Branca,

disse isso sobre a invasão do Watergate.

Minha observação de ontem

sobre uma tentativa de roubo de quinta categoria

se refere ao fato de que eu não vou comentar

toda vez que tentarem invadir algum lugar

e vou rejeitar todas as tentativas de questionamento

para injetar esse assunto na Casa Branca.

CINCO PESSOAS SÃO PRESAS TENTANDO COLOCAR ESCUTAS NA SEDE DEMOCRATA

- Obrigada. - De nada.

- Quero fazer uma ligação internacional. - Mãe?

Oi, querida, é cedo. Volte a dormir, está bem? Sim, aguardo.

Está sendo seguido?

Com certeza, mas despistei eles.

Excelente.

Belo abrigo antiaéreo.

Valeu, já veio com a casa. Rápido.

Ouviu aquele tal Ziegler? Disse que foi um roubo de quinta.

É por aqui.

O FBI me fez uma visitinha hoje.

O que disse a eles?

Eu nem abri a porta. Estou na defensiva, agindo normal.

Não atendam o telefone!

Deve ser a Dorothy, mas não tenho cabeça pra falar com ela.

Que bom, porque seu telefone já está grampeado.

Desgraçados. Não deviam grampear meu telefone,

sou eu que devia grampear os deles.

É o meu "métier". Toma.

Quanto dinheiro ainda temos?

Nada.

Triturei tudo.

Você triturou a nossa grana?

Eles ligariam a grana ao nosso comitê. O que você queria?

Que escondesse, enterrasse, lavasse... mas nunca triture dinheiro!

Droga! É tudo culpa do McCord.

Por que ele deixou a fita?

Nada de pânico. Vamos sair dessa.

Estou mais tranquilo do que vaca na Índia, amigo.

O cara que triturou dinheiro é quem entrou em pânico.

Deixem tocar!

Você falou com o Dean?

- Precisamos de mais grana. - Posso atender?

- Não atenda o telefone! - Por que está surtando?

- Está precisando de dinheiro? - Eu não, os cubanos.

Eles precisam livrar a gente.

- E eles. - Escute.

Se te pressionarem, só diz que trabalha para mim.

Porque aguento qualquer coisa que eles fizerem.

Eu não trabalho para você, Gordon.

O que vai dizer?

Que trabalha para a Casa Branca?

- É melhor nos livrarem dessa. - Eles vão.

Só temos que ficar de bico calado até a eleição passar.

Aí talvez o Nixon nos perdoe sem pensar duas vezes

e nós saímos dessa.

O Nixon é um homem que valoriza a lealdade.

Ele com certeza valoriza.

Passo pela estante, Dr. No, ou tem um alçapão?

Dois ex-funcionários da Casa Branca com dispositivos eletrônicos de recepção

estavam em um quarto do Watergate Hotel na madrugada de 17 de junho,

quando cinco homens com equipamentos de escuta

foram encontrados na sede democrata aqui no edifício Watergate.

Os homens são G. Gordon Liddy,

na época conselheiro do Comitê de Reeleição do Presidente,

e E. Howard Hunt, ex-consultor da Casa Branca.

- Sra. Hunt, tem um momento? - Sra. Hunt, já viu o seu marido?

- O que sabe sobre a invasão do comitê? - Sra. Dorothy Hunt?

Agente Dwyer e agente McNeill, FBI.

- O que está acontecendo? - Leve o David para dentro.

Isso é propriedade privada. Vamos.

Queríamos falar com seu marido, mas não achamos ele.

Desculpe, estava na Europa, não sei do meu marido.

- Não sei onde está. - Bem, se o vir, peça para nos ligar.

Se eu o vir.

Howard?

"Bonjour", Kev. Como foi o passeio em Paris?

Aliás, não atendam o telefone.

O papai está bem?

- Olha quem chegou! - Papai!

Alguém está a fim de panqueca? Com gotas de chocolate?

- Por que o FBI está aqui? - Querem me fazer umas perguntas,

mas não estou com vontade de conversar.

- É óbvio que ele é espião. - Ele não é espião.

Eu sou.

Não, você trabalha para a Casa Branca.

Pense, Kev. Faz todo o sentido.

As mentiras, a manipulação, os joguinhos mentais...

Meu Deus, e nós acreditando que ele escrevia

uns livros porcaria de espião.

Não são porcaria.

Obrigado, Saint. Foi o melhor elogio que ganhei.

A panqueca com gotas de chocolate vai sair?

Depois. Primeiro quero falar com seu pai.

Sim! Isso é um desastre.

- Tem que falar com esses caras amanhã. - Não.

Diz para falarem com o Haldeman. Não quero me envolver.

- Certo. - Valeu.

- John! - Caramba, Gordon!

É você que está encarregado do controle de danos?

- Você e eu... - Não olhe para mim, olhe só para frente.

Você e eu não podemos conversar, Gordon.

O FBI está na nossa cola.

Estou falando com o Diretor Gray, está tudo sob controle.

- É mesmo? - Sim.

O Felt está conduzindo a investigação.

E o Mark Felt estava na primeira reunião dos encanadores.

- Está brincando? - Eu queria estar.

Me diga que essa reunião não foi na Casa Branca.

Queria poder.

Deixe com o Gray.

Ele vai dar um jeito no Felt e nos colegas dele.

Vocês só têm que ficar de boca fechada.

Você tem que saber de uma coisa.

A invasão do comitê não é o problema.

Nossa infiltração

no consultório do psiquiatra do Dan Ellsberg ano passado

esse é o problema.

A ordem veio de dentro da Casa Branca.

Olhe, você não me disse isso,

porque essa conversa nunca aconteceu.

Como pode isso ficar cada vez pior?

O Ehrlichman aprovou.

E só piora.

O Hunt e eu podemos levar a culpa,

mas queremos ajuda de vocês, ao estilo CIA.

Repúdio público e verba privada.

Espero que entenda o objetivo e a escala disso

e o perigo para o país e para o presidente.

O comitê tem a política de que todo membro tem que cooperar

com as investigações,

então eu vou pedir demissão amanhã.

E se o presidente quiser,

é só me dizer onde eu devo ficar.

Você contrata o atirador e eu levo bala.

Estou pronto para morrer por este presidente. Você está?

Vá para casa, Gordon. Durma um pouco.

Me diga a hora e o lugar.

Mas que seja um tiro certeiro na cabeça.

É claro, Gordon.

Trouxe a Torre Eiffel na mala?

Foi um voo longo, que tal eu preparar umas panquecas bem fofinhas?

- O que está acontecendo, Howard? - Tem ovos, tem bacon, tem...

O que você fez?

Não foi culpa minha.

Fiz de tudo para convencê-los a não entrar lá de novo,

mas o Gordon não parava de insistir

e aquele idiota do McCord deixou a fita...

Nossas vidas, Howard.

Nossa casa, nossos filhos... não era o combinado.

Vai ficar tudo bem. Tenho um plano.

Tire esse avental ridículo, não consigo nem te olhar.

Certo. Vamos levar nossos filhos para a Flórida

e dizer que vamos visitar a Disney,

mas na verdade vamos para Miami.

Tem uma pista de pouso abandonada perto de Opa-locka que usamos em 61...

- E depois? - Depois pedimos para o Somoza mandar

um avião da Guarda Nacional da Nicarágua...

- E depois? - Depois eu faço o que eu sei:

trabalho com a Inteligência da Nicarágua

me entendo com a CIA...

Que nem no México, você amou o México.

Prestou atenção, Howard? Você percebe como isso é loucura?

- Precisa de um advogado. Nós precisamos. - Não!

O Somoza me deve uma.

Você sabe o que fizemos lá.

Aqueles filhos da mãe corrompidos me devem uma.

Me devem uma!

Se a nossa salvação depender do senso de justiça de um ditador barato

estamos muito ferrados, Howard!

Ligarei para o advogado.

Obrigada.

Querida, traga uns cafés e aqueles cookies bons da Stella d’Oro.

- Sabe quais. Obrigado. - Sim.

Então, como eu dizia,

de uma contravenção isso virou vários crimes.

Se não achar um jeito de provar

que os próprios democratas se grampearam...

ADVOGADO DE DEFESA

Nós temos problemas, Howard.

Quero que entenda uma coisa. Nunca trabalhei em solo norte-americano.

Quando alguma coisa dá errado lá fora, eles te mandam de volta, te protegem.

Então qual é o seu objetivo?

Eu não sei.

Não ser preso?

O Liddy vai falar hoje com o Fred LaRue, advogado do presidente.

Quer dizer o capanga do presidente?

Acho que vão discutir o perdão do presidente.

O Presidente não vai esquecer de nós.

Não sou de apostar, mas as chances de um perdão são de uma em mil.

Que tipo de acordo ele pode conseguir?

Dot, por favor, eu sou o cliente.

Que tipo de acordo posso conseguir?

A cada dia que passa, fica mais complicado.

Se agir agora, acho que consigo que não seja preso.

Eu não vou citar nomes.

Vou ser bem claro: eu não vou citar nomes.

Nenhum nome vai ser citado.

Bom, sem citar nomes, não vou poder fazer muita coisa.

E agora, Howard?

Vai para a cadeia? Esse é o plano?

- Claro que não, mas... - Não, não vou aceitar uma coisa dessas.

Acredito que esteja em contato com os advogados da Casa Branca.

- Espere, senhora... - Mande um recado do Howard.

Diga que a lealdade é uma via de mão dupla.

Sei como funciona esse jogo

esses políticos falsos e covardes precisam ouvir isso.

Dot, por favor, você não pode...

Estava no último trem que saiu de Xangai em 1949

com uma calibre 25 amarrada na coxa, vestida de camponesa.

Se formos para o buraco, não vamos sozinhos.

Diga a eles. Entendido?

Sim, senhora.

Vamos, Howard.

Tenho que ir.

É o número 2.500.

2.117, é mais para frente, continue.

Por que não te recebeu no escritório?

O LaRue não pode ser visto comigo, ninguém pode.

Vou pegar o elevador de serviço para subir lá.

O Howard acha uma boa ideia?

Acha, se a Dorothy não o convenceu do contrário.

Nunca pergunto sobre seu trabalho. Só estou dirigindo porque você pediu.

Está tudo sob controle.

Vamos culpar a CIA pela invasão.

E eles vão negar.

Ninguém vai acreditar, pois são um bando de farejadores de calcinhas de araque

e o Dean vai dizer para o FBI parar de investigar

pois isso compromete a Inteligência Nacional.

É mais simples que... caramba!

O que foi, Gordon?

O apartamento do advogado do presidente é no Watergate, perfeito.

- Quer voltar? - Não, vamos continuar.

- Pegue a esquerda aqui. - Entendido.

- O pisca. Dê o pisca. - Desculpe.

Lembre-se que o forno ficou ligado.

- Falamos da frente da casa dos Hunt. - O advogado dos Hunt acabou de chegar.

Bom dia.

Bom dia.

Falei com o promotor. Ele disse que está disposto a discutir...

Eu não vou citar nomes!

- Sim, eu sei! - Disse que não vou citar nomes.

Não dá para ouvir nada, Howard.

Tem escutas na casa.

Tudo que dissermos está protegido pelo sigilo profissional.

- O quê? - Enquanto ele estiver aqui,

- não podem usar como prova. - Eu...

Eu sei.

Ouviu isso, idiota?

Não vou citar nomes.

Eu vim trazer uma notícia boa para vocês.

Um anjo da guarda de vocês me mandou 25 mil dólares em espécie.

Viu? Eles têm medo de mim.

- Quando podemos pegar? - Vocês não.

Meus honorários estão pagos por enquanto então pode ficar sossegado.

Mas depois da chegada do dinheiro, recebi uma ligação de um Sr. Rivers

que disse que queria conversar.

Certo, preciso de um telefone seguro.

Pode trazer uns cookies para o nosso convidado?

Ele não quer falar com você.

Ele disse: “quero falar com a esposa do escritor.”

- Comigo? - Com ela?

- Preciso de um telefone seguro. - Claro.

Bom, Howard, você não tinha falado em trazer uns cookies?

Estão no armário, querido.

- Com gotas de chocolate? - Sim.

Com gotas de chocolate, Howard.

Sim, querida.

Aqui é o Howard Hunt.

- Em que posso... - Passe pra sua esposa e espere no carro.

É para você.

- Sr. Rivers? - Sim.

Valorizamos a lealdade do seu marido ao país.

Mandarei mais instruções pelo Bittman, fique atenta.

E os outros? Os cubanos e o Gordon Liddy?

Vamos tratar dos cubanos. O Liddy que se vire sozinho.

Preste atenção, Sr. Rivers, 25 mil dólares não dá nem para o cheiro.

Isso é uma migalha.

Entendo. Tenha paciência.

Meu marido e eu estamos sem paciência e sem dinheiro.

Passe o recado, Sr. Rivers. Bom dia.

Me pediram para dizer que eles valorizam sua lealdade.

Que gratificante.

Mas não vão ajudar o Gordon.

Filhos das putas.

Nós temos que ajudar ele.

Como? Com nosso dinheiro?

Ele é meu parceiro.

Não me diga! Eu sei.

E se ele souber que somos nós que estamos ajudando, não aceitará.

Uma coisa por vez. Como vamos repassar essa grana?

O Gordon e eu estamos sendo investigados.

Acho que posso fazer isso.

Estendendo a mão Para encontrar uma maneira

Para fazer de amanhã Um dia mais brilhante

Tornando os sonhos realidade

Mais do que nunca Nixon agora para você e para mim

Nixon agora

Ele fez a diferença Ele nos mostrou como

Nixon agora Mais do que nunca, Nixon agora

Ouçam, Estados Unidos Nixon agora

GALLUP E HARRIS APONTAM GRANDE VANTAGEM PARA NIXON

Última chamada para o voo 121317.

Obrigada.

AMENDOIM

- Fran. - Oi, Dorothy.

Não quer entrar para... obrigada!

JEFFERSON DINER APROVEITE A VIDA

Não entendi. O que estamos fazendo aqui?

Pela milésima vez, é um maldito passeio em família.

Pare de mexer no rádio! Olhe, são monumentos.

- Vá para trás. - Me dá um sorvete agora?

Claro, vamos lá.

- O que pegou lá no telefone? - Nada.

Estão usando um passeio em família para encobrir uma espionagem?

De jeito nenhum. Vamos, Howard.

- É mentira! - Lisa, já chega!

Certo, o que vai fazer, Sr. CIA?

Me mandar de volta para o manicômio?

Essa família está vivendo em um mundo de mentiras!

Eu disse que chega!

Só tinha isso.

Que merda.

Pagando o Bittman, só vai sobrar 5 mil dólares.

Não esquece dos Liddy.

Sr. Hunt, entenda que as quadras de tênis

são para quem tem a mensalidade em dia.

Tentei mandar um cheque e a pessoa não pôs no correio.

A pessoa não pôs os cheques no correio por seis meses seguidos?

Tá me constrangendo na frente de todos.

Desculpe, senhor, mas é o meu trabalho.

Não é justo, Don.

Não é justo.

Como está a sopa, Jim?

Sofrível.

Parece suco de tomate quente. Ou ketchup.

Os pagamentos acabaram, desculpe.

Isso não me admira.

O dinheiro é a coisa mais incriminadora.

Não acredito que o Mitchell abandonou você.

- Ele parecia tão... - Leal?

Ele fez os encanadores te contratarem depois que...

Depois que a Martha me demitiu? Sim.

Mas não foi por lealdade.

Foi por medo do que eu sei da família dele.

É isso que move essas pessoas:

medo e poder.

E pior: o medo de perder o poder.

A eleição já está chegando.

Precisa entender uma coisa, Dorothy.

As pessoas para quem trabalhamos...

têm uma causa justa, mas a alma deles é...

- podre. - E por que se envolveu?

Igual ao Howard, é o trabalho.

Isso não é um trabalho para ele.

Essa guerra contra a esquerda...

é uma religião.

Certo.

Valeu pela sopa.

O caso das escutas está agora na justiça,

mas o Sr. Nixon e seus agentes políticos fizeram o que nenhum democrata poderia.

Por meio de táticas evasivas e de protelação,

eles transformaram este caso de espionagem política

em uma questão grave nesta importante campanha presidencial.

Está pronto para a audiência?

Tem como alguém se preparar para uma audiência?

É verdade.

Nossa, me demitiram da Mullen essa semana.

Covardes.

O filho do meu chefe trabalha no comitê democrata

e o McCord grampeou o telefone dele.

Não tem graça.

Qual é?

O jantar está na mesa!

Olhe só!

Quem quer uma comidinha gostosa?

Vamos fazer um brinde a dias melhores.

A dias melhores.

Prost!

Agora é só esperar o Nixon ser reeleito. Cruzem os dedos.

Mesmo se ele for...

- O que está querendo dizer, Dot? - Ela não está querendo dizer nada.

Só quis dizer que mesmo que o Nixon vença,

não é certo que vocês serão perdoados, não é, Howard?

Vamos, querido. Fale da sua ideia.

- Teremos tempo pra isso depois. - Fale logo, querido.

É o seguinte.

Não importa o que digamos, ou não digamos,

essa história virá à tona.

Então por que não contamos a nossa versão

e aproveitamos para fazer um pé de meia?

Fale dos valores.

Meu agente acha que haverá várias ofertas

e estamos falando de meio milhão de dólares, talvez mais.

O quê?

Tanto assim por um livro?

Sem dúvida nenhuma,

não.

O quê? Só vai dizer "não"?

E como vamos viver?

Pagar advogados, as escolas, comprar comida?

Eu voltei a dar aula.

A Franny sabe multiplicar dinheiro como ninguém.

- Não precisamos. - Não precisam?

Essa historinha toda de lealdade não garante nada

além de que sua reputação será destruída por gente que tem muito menos a perder.

- Mas não precisam. - Gordon, seremos ridicularizados

como ladrões de quinta categoria para sempre

ou, com a minha máquina de escrever,

podemos recuperar nossa honra, não é?

Claro!

Nos contrataram para vencer uma maldita eleição

e proteger o país dos vermelhos.

Por favor me diga como que escrever um livro contando tudo

vai ajudar nisso?

Gordon, pense nisso.

Não vamos envolver o presidente, só contar a nossa versão.

As pessoas têm que entender

que não somos um par de seios incompetentes,

somos patriotas agindo puramente pelo interesse do país.

- Um livro? - Um livro.

Igual àquele livro que você deu àquela aeromoça

na volta de Los Angeles?

Eu não lembro de nenhuma aeromoça.

Mas ela lembra bem de você, Sr. Hamilton.

Na verdade, ela viu sua foto no jornal e ligou para o FBI.

Parece que ela recebeu uma cópia do seu último livro fracassado

com um bilhete em papel timbrado da Casa Branca.

Juro pelos nossos filhos, Dorothy,

que não tenho lembrança nenhuma dessa pessoa.

Talvez seja alguma admiradora do meu trabalho.

Para quem acabou esquecendo,

minha lealdade não está à venda

e eu não sou do tipo que fala.

Não!

Não precisa fazer isso.

Devia ter vergonha de si mesmo.

Pelo amor de Deus, Gordon!

Sabe de onde estava vindo todo aquele dinheiro?

De nós.

Não era da Casa Branca nem do comitê, era dos nossos bolsos, dos Hunt.

Você sabia disso?

Posso mostrar os registros de cada centavo.

Sabe com quanto a Casa Branca e seu amado Führer Nixon

ajudaram você e os seus cinco filhos?

Zero. Nada, nadinha.

- E nós estamos quebrados. - Dot, não precisa falar...

Sem um centavo. Eles têm que saber, Howard.

Estamos protegendo gente que não presta.

Vamos parar com essa baboseira de lealdade.

Nós fomos os únicos nessa história que ajudamos vocês.

A comida estava uma delícia, Fran.

Boa noite, Gordon.

Eu sinto muito.

Sente, Francis. É hora do jantar.

Nunca peça desculpas. Vão achar que somos fracos.

Certo.

TRIBUNAL FEDERAL

19 DE SETEMBRO DE 1972

Silêncio!

Audiência preliminar a ser marcada dentro de dez dias úteis, obrigado.

As acusações são...

Um: conspiração. Dois: roubo. E três: espionagem.

Alguma consideração sobre a fiança?

- Não, Meritíssimo. - Não.

Fiança fixada em 10 mil dólares.

Gordon?

Gordon?

Pague os 10 por cento e pode ir.

Foi duro conseguir.

Não saia da cidade.

Vale para você também.

Não vou a lugar nenhum.

Minha agente de fiança é a minha mãe. Pague ele, mãe.

- Gordon, podemos conversar? - Vamos.

- Sr. Liddy, quer fazer algum comentário? - Tem alguma coisa a declarar, Sr. Liddy?

Como vocês estão hoje?

Gostaria de fazer mais alguma declaração?

Sr. Hunt, como se sente ao ser chamado de ladrão de quinta categoria?

- O que o senhor tem a dizer? - Algum comentário? Não vai falar nada?

Qual parte de “sem comentários” vocês não entenderam? Vão embora!

Mande outro recado para a Casa Branca.

Quero que os lembre do que eu tenho no meu cofre sobre o Fielding.

E se não me arrumarem mais dinheiro, eu vou fazer tudo vir a público.

Eu sei coisas do passado e do presente do presidente

e de um evento em Dallas que podem acabar com esse país.

Eu vou dar o recado.

Mãe, estamos encrencados?

Você?

Não, por que estaria encrencado?

E o pai?

Eu não sei.

Eu sinto muito.

É tudo culpa minha. Vocês estão pagando pelos meus erros.

- Não. - Eu devia ter batido o pé.

- Eu sei bem e agora... - Não é culpa sua.

Voltei de Paris querendo largá-lo.

Já tentei várias vezes, mas teve o acidente

e achei que a Lisa não ia aguentar o divórcio. Como sou burra.

Mãe, tudo bem.

- Você manteve a família unida. - Olhe para nós.

Sei como o pai consegue iludir.

O que está querendo dizer?

- Nada. - Como assim? Do que está falando?

- Fizemos umas coisas juntos. - Que coisas?

Eu... você sabe.

Nada, só ajudei ele...

a limpar uns equipamentos...

microfones e gravadores.

E foi na manhã antes das prisões.

Meu Deus.

- Ele te mandou destruir provas? - Não sei.

A máquina de escrever também.

Eu só joguei tudo dentro do rio.

Obrigada por ter me contado.

Sabe, na verdade é meio estranho.

Nós temos nos dado melhor de lá para cá.

O seu pai adora ser legal quando é tarde demais.

Vamos.

Ande.

Vamos.

Mande darem cenouras frescas.

- Ele sabe quando são frescas. - Sim, Sra. Hunt.

Fique tranquila. Terão uma ótima casa nova.

Falando da central da eleição da CBS News em Nova York,

o correspondente Walter Cronkite.

Podemos dizer agora, com base em uma zona de Dakota do Sul,

que o Senador McGovern não venceu em seu estado natal.

Isso sim me dá esperanças.

A parcial dos votos já computados é de 55 a 45 por cento.

Todos os testes e sofrimentos que passei valeram a pena.

- Já conheceu o presidente, pai? - Não, filho.

Mas o presidente uma vez deu nota dez para um memorando meu.

Que memorando?

Bom, eu sugeri que ele tirasse o J. Edgar Hoover da chefia do FBI.

Achava que o Hoover era influenciável e tinha uma lealdade questionável.

O presidente disse que foi o melhor memorando que ele já leu.

Nem me fala.

Foi um memorando e tanto.

Meu Deus do céu!

O senador está chegando ao púlpito.

O discurso do Senador McGovern esta noite

será o mais efetivo de toda a campanha.

Efetivo nada, seu idiota.

Para quem você votou?

Não é da sua conta.

O presidente tem que ganhar para perdoar nosso pai.

- Perdoar como? - Não é nada.

E 496 votos de colégios eleitorais

em comparação com os dois estados de McGovern,

resultando em 17...

Viu? Tudo isso para nada.

Qual é, Dot?

A operação do Watergate...

Foi para nada.

Do que você está falando? Isso...

É uma vitória para os Estados Unidos.

Para a democracia, liberdade, lei e ordem

e estamos do lado vencedor.

- Agora o Nixon pode fazer o... - Meu Deus, Howard, acorde.

O Nixon não vai fazer nada, porque agora ele não precisa mais fazer.

O nosso mundo foi por água abaixo, assim como sua máquina de escrever.

- Querida, é sério, o Nixon... - O Nixon que se foda!

Sua mãe não quis dizer isso.

Parece que quis sim.

8 DE DEZEMBRO DE 1972

Dinheiro fresco é um sinal animador.

- Mostra que se importam. - Claro.

Está nervosa com a viagem?

É só uma passadinha em Chicago...

Quando eu voltar, pegarei o David e irei embora.

Quero o divórcio.

- Olhe, sei que cometi erros... - Me poupe, Howard.

Dorothy, por favor.

Escute, eu nunca te contei uma coisa.

Quando saímos pela primeira vez,

meu chefe me chamou na sala dele e me mostrou um arquivo.

O seu arquivo.

Estavam com medo que seu ódio visceral ao racismo

fizesse o comunismo recrutar você.

Idiotas.

Me deram duas opções: deixar você

ou cortar laços com todos meus amigos que fossem racistas.

Quer que eu mude de ideia por isso?

Eram muitas pessoas.

Você sempre esteve em primeiro lugar para mim, Dot.

- Sempre. - E agora seu parceiro é nazista.

Ex-parceiro.

Só por isso já devia perceber o estado que está o nosso casamento.

Olhe, você também não é nenhuma santinha.

Aquela época no Uruguai com seu gigolô italiano, o Quagliotti.

Sim, eu achei as cartas.

Bem apimentadas.

Enquanto você percorria a América Latina,

queria que eu ficasse feliz em casa trocando fraldas

e tricotando a bandeira americana?

Eu jamais seria capaz de pegar nenhum dos nossos filhos

para ser meu cúmplice na destruição de provas.

O quê?

O Saint me contou da máquina de escrever e do resto.

Você envolveu toda a sua família.

- Eu sinto muito... - Eu tenho um voo agora.

Deixe que eu levo a sua mala.

Cavalheirismo é a última coisa que quero de você agora.

Dorothy, por favor.

Não pode terminar assim.

Só por causa de um maldito pedaço de fita?

Howard!

Nosso casamento terminou há 11 anos, em uma praia de Cuba.

Tentei manter a família unida, esperando que você melhorasse,

mas eu cansei.

Terminou.

BEM-VINDO AO AEROPORTO NACIONAL DE WASHINGTON

Sra. Hunt, Michelle Clark.

Obrigada por aceitar conversar.

Sim, é claro.

- Seu marido sabe que estamos falando? - Champagne?

Obrigada.

Obrigada.

Não preciso de permissão.

Torre de Chicago, United 553, 16km ao sul, preparando para pousar.

Mantive registros dos fundos recebidos e dos desembolsos.

Senhoras e senhores, pousaremos em poucos minutos.

Por favor, apaguem os cigarros e coloquem os bancos na vertical.

Tudo isso leva à Casa Branca, ao Salão Oval.

- Por que decidiu falar? - Faço isso pelos meus filhos.

Todos precisam saber que eles são filhos de um patriota condecorado,

não de um ladrão atrapalhado de quinta categoria.

Certo.

Comissários de bordo, preparar para o pouso.

Tudo feito por fora.

Ouviu os boatos sobre seu marido com relação ao John Kennedy?

Ouvi.

Ele foi questionado pelo assassinato pela Comissão Warren.

E ele disse para a Comissão Warren

que em 22 de novembro de 1963 ele estava em casa comigo,

fazendo o jantar.

E ele estava?

Na verdade, o Howard estava...

Quem quer panquecas?

David?

Lisa?

Saint John? Venham!

Este programa é uma dramatização inspirada em fatos reais.

Dorothy Hunt morreu em um misterioso acidente aéreo.

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