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Tão armando pra mim.
E você não pode se defender?
Eu não quero expor a pessoa que tava comigo.
Tá me protegendo ou você tá se protegendo, pai?
[Burgos] Dr. Último,
vamos fazer uma composição.
Tráfico e bicho não se misturam.
[Burgos] Você não conhece esses caras.
Eles não brincam.
[Wilbert] Bagdá e Salvador tão com dinheiro.
Tá geral nervosão, achando que vai ser atacado.
Vou mandar mais armas praí.
A gente não quer guerra, mas temos que estar prontos.
Hoje à tarde, chega um carregamento de arma.
[Bagdá] Chegando as peça,
a gente cai pra cima da ponte.
Se abrir a porteira, seu moço, a gente toma tudinho.
Eu quero propor um pacto:
eu vou trazer a sua neta de volta pra senhora.
Agora, a senhora vai me dar o Evandro.
- [trêmula] Meu filho? - Tá tudo bem aí?
Não, não tá tudo bem, Evandro.
Tão armando uma guerra, e eu tô no meio de tudo com a Maria.
Quero que tire ela daqui.
Preciso que a senhora confie em mim.
[música de tensão]
[homem] O que eu faço com isso?
Sou o herdeiro dessa conta.
Se o pai morrer,
não vou herdar tudo que é dele?
[Afonso] Quando meu dinheiro sair, eu vou ter que vazar.
O que você precisa pra começar outra vida?
[música de tensão]
Qual é a cadeira, Afonso?
[Afonso] Aquela ali.
Vou pegar só mais um pouquinho.
Demora não, pô.
Aí, sim! [ri]
[tilintar de metal]
[música de tensão]
Caralho!
[música de tensão termina]
[música sombria]
[Wilbert] Caralho! Fodeu.
- [som de explosão] - [zumbido]
Caralho, moleque!
- [zumbido continua] - Caraca!
- [Wilbert grita de dor] - Que foi? Caralho, porra!
Caralho, moleque!
[Wilbert] Porra!
Caralho, moleque! Caralho!
- [Wilbert] Ai, ai! - [Nuninho] Tu queria... Porra é essa?
- Ai, caralho! - [Nuninho] Porra é essa?
[Wilbert] Faz um torniquete, caralho! Ai!
Aqui pra tu!
- Tá muito sujo, pega um pano limpo. - [Nuninho] Tá bom!
[Wilbert] Não quero morrer, não!
[gritando] Ai, caralho! Vai!
- Caralho, Baiacu! Vem aqui, caralho! - [Nuninho] Me ajuda aqui!
Vamos pro posto! [grita]
- [Nuninho] Me ajuda aqui! - Ai!
- Ai, caralho! - Ai, desculpa!
Desculpa é o caralho! Aperta mais!
- [homem] Que foi? - Colocaram na cadeira!
Tira essa porra! [grita fino]
[Nuninho] Chama o doutor lá do posto!
Segura, porra! Calma, chefe! A gente vai te ajudar.
Vai, caralho! Volta!
[Wilbert grita de dor]
[Wilbert] Ai, meu pé, porra!
Ai, ai, ai, caralho!
Ai, ai, ai, caralho! Acha o meu pé!
Ai, ai! Salva a Berenice!
Salva a Berenice!
[Wilbert continua a gritar de dor]
- Ai, caralho! [arfeja] - [gritos ao longe]
[música-tema]
[celular toca]
Chefe, qual é, chefe! O Wil, cara!
Os IDI jogaram uma bomba aqui! Explodiu tudo!
Certeza que foi o IDI?
Porra, chefe! É guerra, mano!
Cadê o Wilbert, moleque?
O Wilbert acabou de ir pro posto.
Presta atenção.
Enquanto o Wilbert não tiver aí, você é o frente do morro.
Você tá entendendo?
Eu tô indo pro Brasil daqui a pouco.
Moleque, não surta!
- Caralho! - [Evandro] Tá chegando armamento novo. Tá?
Põe geral de bico, mas não é pra atacar.
Só se os caras invadirem.
Tá entendendo, Nuninho?
Sim, senhor. [ofegante]
[Evandro] Moleque,
se você surtar, quem vai tomar conta de você sou eu, entendeu?
O Dendê tá na tua mão, porra.
Pode deixar, chefe. Já é!
É nós. Fé em Deus, chefe. Já é, pode deixar.
[música de tensão]
[pássaros cantam]
Neguinho.
Neguinho!
Amor, preciso ir. Tô atrasado.
- Só uma coisa que eu tava pensando. - Hã.
Isso da assinatura do seu Pedro ser do Dr. Burgos.
Se a polícia descobre que ele morreu, babou, né?
- Como assim, Geise? - Assim, como tira o dinheiro de um morto?
E, assim, se o seu Pedro morreu,
o dinheiro vira herança
do filho dele, né? O Afonso.
Eu sei, mas nunca vão achar o corpo do seu Pedro.
Acho melhor tu ligar pro Dr. Burgos.
Tá, Geise. Eu vou ligar.
- Tenho que arrumar as coisas. - Tá.
[grita] Tira a bola de perto do teu irmão!
[grita de dor]
Doutor!
- [gritos continuam] - Puta que o pariu!
- O que aconteceu? - [Wilbert grita]
- Perdi o pé! Tô sem pé. Não tá vendo? - Caralho.
Foi granada, doutor. Doutor!
Vai operar, mas tem que estancar... Tá perdendo muito sangue.
Então pega sangue no banco.
Tá. Qual é teu tipo sanguíneo?
Tanto faz, cara. Pega qualquer um.
Patrão, achei teu pé!
E a Berenice?
Tá aqui, tá salva.
Me dá, me dá!
[grita de dor]
[gerente suspira]
A transferência foi feita.
O resto tá tudo aí.
[som de zíper abrindo]
[música de tensão]
[zíper fechando]
Assim que eu sair daqui, você vai sumir.
Arruma tuas coisas e some pra sempre.
Entendeu?
Disfarça.
[música de tensão aumenta]
Tá esperando o quê?
- Vamos! - Tá.
[música de tensão termina]
Você entendeu tudo direitinho? Tem certeza?
Tenho!
Só negocia isso ao vivo. Tá? Por isso que tô te pedindo isso.
Tá bom. Tô até melhor no espanhol.
- Ótimo, ótimo. - Tá?
Tô contigo.
Ó,
quando acabar essa merda toda, a gente vai embora daqui.
[música de tensão]
Vamos recomeçar longe dessa maluquice.
Tu promete pra mim?
[Evandro] Prometo.
Que foi, Evandro?
Geise, eu vou voltar. Tá?
- Mas... Geise! - Para.
- Para, Evandro! - Se acontecer alguma coisa,
você sabe como agir. Tá bom?
Tá bom.
Eu vou voltar.
Tu tem que voltar.
[Evandro] Pode deixar.
[música de tensão continua]
[estalidos]
Fica estudando, tenho que ir.
- Tá bom? Beijo. - Tá.
- Tem um negócio errado aqui. - [Evandro] Depois me fala.
- Tô sempre certa. - [Evandro] Tá bom.
- Boa viagem! - [Evandro] Beijo.
[som de passos]
[música de tensão termina]
Bom dia, meus senhores. Gostaria de pedir a todos que estejam em poder um de celular
que coloquem nessa caixa, por favor.
Todo mundo bota aí.
[pancadas]
Muito bem. Vamos colocar um troia no Dendê.
Nosso alvo tá chegando lá no recinto, nós vamos ter um grampo no local.
Uma vez confirmada a presença dele,
o que nós vamos fazer? Vamos invadir.
Só que a gente precisa de uma distração. O que vamos fazer?
Vamos aproveitar um carregamento de armas que tá chegando,
pra poder chamar atenção e mobilizar nossa equipe pro resgate. Tá?
- Então... - Quer que resgate vocês no final?
[Morello] Exatamente. Uma parte da equipe
vai pra apreensão das armas, certo? E isso não vai ter muita resistência, não.
Só que nós vamos chegar pesado. Por quê?
Porque depois, vai ter que entrar.
Então vamos posicionar as viaturas aqui.
Uma aqui. Uma aqui.
E uma aqui, ó.
Agora, não vamos fechar todas as entradas.
Porque tem que ter um caminho pro vagabundo entrar.
E o troia?
Isso já tá armado.
Josias, Tenório, Cadu e Lopes.
Vocês vão receber as informações do troia na hora da missão.
E, por fim, meus senhores, ninguém,
ninguém vai sair da PF até a hora da operação.
Estamos entendidos?
[música de tensão]
[Evandro] Bora, bora. Tá bom.
[barulho das caixas]
[barulho de motor]
[música de tensão termina]
[Burgos] Você não sabe onde ele tá?
Ele é gerente da conta do meu cliente.
Sinto muito, senhor, mas seu cliente não tem mais conta aqui.
Como assim?
Essa conta foi encerrada hoje. Seu cliente não é mais nosso cliente.
Deve ter algum engano.
Não tem engano, senhor.
Com o falecimento do senhor Pedro,
a conta foi liberada pro filho dele,
que não quis mais trabalhar conosco.
O senhor não sabia da morte dele?
[música de tensão]
[som de papel]
- Ei, Bagdá! - [Bagdá] Hum?
- Tira uma dúvida aqui. - [Bagdá] Hum?
É dois ou três pra carregar as peça?
É três. Tu é burro, porra?
Qual é, Bagdá?
Tem que voltar pra escola e fazer um curso de tabuada.
- Não é possível! - Quer me esculachar?
- Só me perdi nas contas. - [homem] Chefia!
Aí, chefia. Não sabe o que aconteceu.
O frente do Dendê perdeu o pé.
- O Wilbert? - [homem] É!
Explodiram o pé dele, e acham que foi a gente.
[todos gargalham]
Aí, Bagdá! Virou Saci!
[gargalham ainda mais]
Devia ter sido a gente mesmo, porra!
[Salvador gargalha]
A ideia tinha que ter sido do Ota.
- Fala aí! - [ambos gargalham]
Cara, tem certeza disso?
Vamos fazer a apreensão das armas.
Depois a gente faz uma operação maior e mais bem planejada, e aí entra no morro.
Se a gente entrar no morro sem um troia, o plano não funciona.
Esse plano é perigoso demais.
Não é perigoso. É cirúrgico.
Por isso que você vai tá no pé do morro com o rádio, caso dê merda.
Se der merda, acha que a gente chega a tempo?
Você tá maluco, Morello!
[ri com desdém]
Porra, Santana, bora trabalhar, vai!
Mostrar serviço.
[som de isqueiro]
[Burgos] Hum.
Obrigado.
Dr. Último,
a oferta do meu cliente é a seguinte:
nós vamos pegar todo o território da Bolívia e do Paraguai
e dividir em três partes.
O senhor fica com uma parte como preposto dos seus clientes,
eu fico com outra parte
como representante do meu cliente,
e nós vamos conseguir um boliviano e um paraguaio
pra dividir o outro pedaço.
Eu achei que nós íamos tratar de Ilha do Governador.
[Burgos] Hum...
Estou lhe oferecendo a globalização.
Meu cliente oferece a exploração em sociedade
na Bolívia e no Paraguai
de 10 mil maquininhas de caça-níqueis.
Bolívia, Paraguai,
depois expande pra América Latina inteira.
Tá. Eu vou levar sua proposta pros meus clientes.
Mas eles vão querer um valor fechado
e a comunicação restrita a você.
Claro.
Perfeitamente. Hum...
[suspira]
Temos um acordo, por enquanto?
Vamos torcer pra que sim.
Volta daqui umas duas horas.
Certo.
[buzinas ao longe]
[suspira]
Não vamos pra rodoviária em cima da hora, tá?
Melhor não dar bobeira por lá, né?
[música triste]
Doutora.
[música de tensão]
[Santana] É isso aí, gente. Preparem.
Cinco minutos, equipe.
[música de tensão continua]
Que ela tava fazendo aqui? Veio falar o que contigo?
Ela terminou tua avaliação.
E aí?
O parecer dela vai ser levado em conta na sua audiência com o Ministério Público.
Você lembra que é hoje, né?
Tô sabendo. Só vou passar em casa, antes das 16h, tô no fórum.
E é bom arrumar um álibi.
- Sua carreira depende disso. - Eu não tenho álibi.
Tava sozinho.
Onde tava a Inês?
Eu não sei.
Você podia falar com ela.
Qual é, chefe! Tá maluco? Não vou pedir isso pra ela.
[suspira e estala a língua]
[celular toca]
- Alô? - Inês?
[Inês] Quem quer falar?
Oi, Inês. Aqui é o Cassiano.
Você falou com seu pai?
Inês, ele precisa se defender. Se não arranjar um álibi, vai ser preso.
Se você não convencer ele a fazer alguma coisa agora,
- vai... - Eu sou o álibi dele.
[Juninho] Tem certeza que não quer descer com a gente?
Aqui tá perigoso.
Não, aqui é minha casa, Juninho.
Se quer que eu frequente sua igreja nova, já falei que vou pensar.
Mas sair do Dendê, jamais.
Mas leva a Maria com você, por favor.
[Cassiano] Tá certo.
Eu te espero, então.
[música triste]
Que foi?
Nada.
[porta range]
Cadê o Morello?
Foi pra missão, ué!
Filho da puta!
[bate porta com força]
[música de tensão]
[buzina]
É que eu mandei vir os bancos novos.
[motor de caminhão]
Vai ficar bonito.
A senhora não quer que eu te ajude?
Não, não. Eu prefiro que você vá logo com ela.
Meu amor, você vai com o Juninho, mas a vovó vai já, já, tá?
Daqui a pouco a gente se vê.
Te amo, meu amor.
Pode me ligar pro que precisar, tá?
Tá bom.
[suspira]
[Juninho] Fica na paz do Senhor.
Você também. Amém.
- Obrigada, Juninho. - De nada.
Bora, Maria?
[cão late]
[suspira]
[porta de metal abrindo]
[música de ação]
[sussurra] Bora, bora. Vem, vem.
[música de ação continua]
[porta range]
[música de ação aumenta]
[pancada]
[porta de metal fechando]
[música de ação termina]
[Morello suspira]
Chegou a hora.
[Arlete suspira]
Deus está conosco, esteja com vocês também.
Pode confiar em mim. Vou cumprir a minha promessa. Pela minha filha, tá?
E pela minha neta?
E o Evandro?
Nada ainda.
- [bipe] - Olha só, o Evandro ainda não chegou.
- Tá? Então toca o circo. - [chiado]
Preciso que a senhora coloque essa escuta na sua casa. Tá?
Pra gente te monitorar.
Tem que colocar num lugar seguro. Bem escondido, tá bom? Depois,
tem que ligar esse botão aqui.
[pancadas ao fundo]
Tá vendo?
Não pode esquecer de ligar.
- Entendeu, dona Arlete? - Entendi.
[suspira]
[sons metálicos]
[Morello] É só aguardar.
[música de tensão]
Isso.
[porta range]
[porta batendo]
Dr. Último.
[respira fundo]
Chegaram a um veredito.
Diga, meu amigo.
[clique de isqueiro]
Negócio fechado.
[suspira aliviado]
O senhor não sabe com que leveza na alma
eu recebo essa notícia.
Burgos.
Contrate um belo contador.
Contravenção é bastante intolerante com erros em operações matemáticas.
Com certeza.
Passar bem.
[suspira]
[funga]
[suspira]
[música de tensão]
[funga]
[música de tensão continua]
[tábua de passar range]
[suspiro de choro]
[sirene]
Perdeu, mermão! Desce do caminhão. Rápido!
Mão na cabeça, porra!
[porta bate]
Mão na cabeça!
Encosta aí no carro!
Documento?
Edvaldo.
Sempre gosto de perguntar...
você sabe perder?
Pelo visto, sabe, né? Abre ali atrás.
Abre essa merda!
[caçamba range]
Ah!
Pode levar.
Leva pro carro.
[homem] Como assim?
- O Afonso? - É isso, porra! Tu não escutou?
A ordem é ir atrás do Afonso e pegar esse rato. Ordem do Evandro!
Se ele aparecer por aqui, não é pra matar. Nós precisa dele vivo.
E tu vai lá ver como tá o Wil!
Nuninho, já tem gente lá.
- [pancada] - Mandei ir atrás do cara. Não escutou?
[sussurra frustrado] Tá joia.
[clique de isqueiro]
[Radinho] Ei, Nuninho! Nuninho!
- Qual foi? Passa a visão. - [Radinho] Nuninho!
Fodeu! A Federal tá no pé do morro.
- Caralho! Eles invadiram? - Calma, só tão lá embaixo.
Mas pegaram o caminhão de lixo com as armas.
Caralho! Então, pega a visão:
pede pra ir um bloco pra porta do morro.
Se eles invadir,
mete bala. Mete bala nesses arrombados.
Já é. Atenção, contenção,
sai da ponte, vai pro pé do morro agora!
- [pancada] - Porra!
[homem] Aí, patrão. Os brinquedinho novo. Tudo no óleo.
Tá vendo aí? O nome disso é fartura, mermão.
O nome disso é sucesso. B-U-C-E-T-A. Sucesso.
Aí, partiu. A gente tem que meter o pé agora.
Os federal pegou as armas que tavam indo pro Dendê.
E vazou que o Evandro tá vindo pra cá.
Melhor a gente sair fora.
Vocês ficam pra carregar isso.
- [Bagdá] Vem comigo. - Não descola, não. Bora!
- [bipe] - Tá saindo. Bora! Pega aí!
- Toma, leva. - Deixa tudo.
[motor de ônibus]
Tudo bem?
Quer me falar alguma coisa?
Quem era no telefone?
[porta do ônibus abre]
Vamos?
Tá com a identidade que eu te dei, né?
Dendê tá sem frente com o lance do Wilbert.
Com a Federal no pé deles... [ri]
Eles tão com a bunda na janela!
- Na janela. - É hoje. Na ponte, os pegamos de costas.
É isso, mermão!
- Pra cima deles, porra! - Porra!
[telefone chamando]
[homem 1] Fala!
Eles tão prontos pra começar a operar no Paraguai e na Bolívia.
E o Dendê desandou. É muita máquina.
O negócio é bom.
[homem 1] Fechou o negócio com eles?
- Como o senhor mandou. - [homem 1] E eles? Acreditaram? Ótimo!
Então chegou a hora de dar o próximo passo.
Podemos propor a operação do negócio.
De qualquer forma, vamos precisar de um acordo
pra poder entrar no Paraguai e na Bolívia.
Não prefere uma última reunião?
[homem 1] O único último que eu tolero é o senhor, doutor.
[riso asmático]
Por favor, faça as honras da casa.
E informe ao Lorde.
Obrigado pelas ordens.
- [música de mistério] - [disca e telefone chamando]
[homem 2] Prossiga.
Vamos entrar em guerra.
[suspira]
Eu sei que parece absurdo, mas...
apesar de tudo,
o Morello é um policial.
Um policial de verdade,
desses que não tem muito por aí.
E sei o que eu tô dizendo. Lido com policiais há 30 anos.
Ele tá sendo acusado de um crime que não cometeu.
Essa arma foi claramente plantada
pra que ele fosse acusado da morte do agente Gomes.
E não existem indícios da presença dele no local.
[juiz] Obrigado, delegado.
Eu gostaria de ouvir a opinião da...
Dra. Jennifer.
[música de tensão]
[suspira]
[em espanhol] Pedro!
[Ramírez] Como está, querido?
Bem, e você?
- [Ramírez] Bem. - Bem, bem.
- E você? - Bem.
- Tudo bem. - Tudo bem?
Agora está tudo bem. Estou bem.
E como você está?
- Estou bem. - Certeza?
- Sim, sim. - Sim?
- Minha tia melhorou? - Sim.
Me dá um cigarro.
- [clique de isqueiro] - Hum.
Então...
[suspira]
Obrigado.
- Pelo quê? - Obrigado por vir.
- Claro que eu viria. - Mas quero te agradecer.
- Está bem. - Tá.
Quando me tira daqui?
Bem, estamos bem avançado com a papelada.
Acho que em breve você vai para a Bolívia.
Você vai ficar em prisão domiciliar por um tempo.
Tem que deixar arrefecer o negócio.
- Está bem? - Ok.
Mas logo vai sair daqui.
É só por um tempo.
Escuta, tenho novas informações
sobre o piloto que sumiu no dia do seu voo.
Rastreamos
e, parece que, magicamente,
um policial o interceptou quando na saída de casa pro hangar.
- Foi planejado. Era cilada. - Sim.
Uma cilada.
DEA?
Bom...
Poderia ser, mas localizamos o policial,
e parece, pelo que sabemos, por enquanto,
não está confirmado,
que está ligado ao Evandro.
Calma.
Eu cuido dele.
Pare de fumar.
Vai acabar igual ao seu pai com essa merda.
Tem razão.
Pra cima! Vamos!
- Obrigado. - Vamos!
Não, obrigado.
- Vamos. - Obrigado.
- Sem problema. - Obrigado por vir.
Tudo certo.
[em português] Minha avaliação sobre o agente Vítor Morello
é que ele não se trata de um psicopata.
Ele é capaz de elaborar as emoções,
ele não é capaz de controlá-las.
Não tenho condições de concluir nada sobre a culpa dele no delito.
Mas não excluo a possibilidade de ele ter matado
um colega de trabalho se, em algum momento,
esse colega entrou em conflito
com o que ele considera que é ético.
[juiz] E a testemunha?
A tal que seria o álibi dele.
A Sra. Inês Morello.
[música triste]
[motor de ônibus]
[sirenes]
- [bipe] - Alguma movimentação aí? E a visão?
[homem] Tá tudo certo aqui. Tudo tranquilo.
Já é, mano! Atividade aí.
Olho vivo. Olho vivo aí, hein?
Aqui tá muito quieto.
O bagulho vai ficar doido, mano.
Seja o que Deus quiser. O bagulho ficou doido. Fé em Deus.
[expira]
Então vamos lá. Repassando, tá?
A gente vai aguardar aqui, até ter certeza que o vagabundo tá na casa dela.
O Evandro já tá chegando.
Nossa missão, meus senhores, é uma só:
eliminar o alvo.
A gente aciona o Santana, ele entra com a PF e resgata a gente.
Entendido?
[celular vibra]
Oi, Inês. Filha, eu não tô podendo falar agora, tá bom?
[barulho de chuva]
[chorando] Pai,
tô ligando pra me despedir.
Como é que é?
[música triste]
Tô indo embora.
Inês, me escuta. Calma...
Tô indo embora com o Afonso, pai.
Eu não vou mais ficar presa.
[soluça]
Pode ser que eu me arrependa, que dê errado,
mas é o que eu preciso.
Um dia, a gente se vê.
Mas não me procura.
Porque não vai adiantar. [soluça]
[Morello] Inês, escuta, presta atenção...
[chora copiosamente]
- [ligação encerrada] - Minha filha, eu...
[ofegante]
[discando]
[telefone chamando]
- [telefone toca] - [Inês soluça]
[respiração entrecortada]
[música triste continua]
Droga! [ofegante]
[música triste continua]
[música triste intensifica]
[música triste termina]
- Cheguei no baile e pá... - Tu nem dança nada, cara.
Tá maluco? Eu sou o que mais dança aqui desse morro.
Porra, que faz lenta assim...
[música de tensão]
[tiro silencioso]
[som de baque]
- [Salvador] Vai, vai, vai! - [Bagdá] Bora, bora, mermão!
- [homem 1] É o IDI, porra! - [homem 2] Vambora!
[música de tensão continua]
Olha, seu merda. Não morre ainda não,
que você ainda tem coisa pra me dar.
Você vai me dar teu chefe.
[grita] Os alemão tão entrando!
[som de explosão de fogos]
Caralho!
Caralho, os alemão! Bora, porra!
- [homem 1] Bora! - [Nuninho] Pé nas costas!
Atividade! Bora, porra!
Que porra é essa? Ouviu alguma coisa?
Não, tô ouvindo nada.
[bipe]
Santana, cês entraram no Dendê?
Tá maluco? Não dei a ordem ainda, caralho!
Não, Morello, a gente não entrou. A gente tá no pé do Dendê.
A gente não entrou.
Caralho!
[homem 1] Os pela-saco do Comando tão lá em cima, chefe.
[homem 2] Vamo entrar aqui, porra!
Caralho, porra! Caralho!
- [homem 3] Vai morrer, caralho! - [tiros]
[homem 4] Filho da puta!
- [gritos indistintos] - [homem 5] Vai tomar no cu, hein?
- Seu cu! - Toma, seu arrombado!
Vem, vem, vem!
- [gritos indistintos] - Vambora, caralho! Avança, porra!
[gritos indistintos]
[Salvador] Bando de arrombado!
Vambora, porra! Vambora, avança!
Comando, porra!
[Salvador] Mete balas neles!
- Toma, filha da puta! - Porra!
[gritos indistintos]
Uma hora, você vai morrer! Vamos socar o terror nessas porra!
- [tiros] - Bora, mermão!
- Vai, vai, vai! - [homem 6] Lá no fundo!
- Porra! - [tiros continuam]
Bora, bando de verme!
[gritos indistintos]
Caralho! Bora recuar!
[gritos indistintos]
- Toma, arrombado! - [assovio]
Vencer nessa porra!
Vambora, cumpade!
Vambora, seu cuzão. Vamos comigo, arrombado!
[música de tensão]
[motor de carro]
[Bebeto] Os homens tão no esquema onde você pediu.
Pega esses filhos da puta.
Beleza, Bebeto!
Obrigadão mais uma vez aí, tá?
Vamos provar que não se brinca com o Comando.
Vamos sair mais forte dessa. Fé em Deus. Valeu, abraço.
Caralho, Evandro. Que tá pegando, mermão?
É guerra, parceiro.
E essa tá nas minhas costas.
[carro acelera]
Qual foi, Gilmar?
Vamos combinar um bagulho? A gente não pode morrer, não.
- Morrer é pensar, mermão. - [Evandro ri]
Pra guerra, parceiro.
- O rádio tá funcionando? - [motorista] Tá, sim.
Dá aqui.
[bipe]
Qual é, Nuninho? É o Evandro.
- [bipe] - Os IDI invadiram, Evandro.
Eles tão entrando pela ponte pesadão, mano.
Nuninho, o bagulho é o seguinte:
a ordem é recuar, tá?
Sai geral da contenção!
- Atrai eles pra dentro do novo cais. - Vambora!
Eu sei o que tô fazendo, Gilmar. Tranquilo.
[música de ação]
- [bipe] - Ei, rapaziada. Ordem pra recuar!
Cata o que der, o que não der, deixa.
Vamos recuar, caralho.
Bora! Fé em Deus, caralho! Bora!
[homem] É IDI, porra!
[Morello] Shh, fica quieto, porra!
Onde é que é, moleque?
Segura essa porra aqui pra mim. Bora.
[música de perigo]
[sussurro indistinto]
[porta range]
[em espanhol] Senhor, chegaram.
Que entrem.
[som de passos]
Entra.
[som de passos firmes]
[porta bate]
Boa noite.
[respira fundo]
[em português] Geise.
- Que surpresa. - [Geise] Hum.
- [Neves] Eu esperava seu marido. - Ah!
- O senhor habla português. - [Neves] É.
Infelizmente, ele teve uma emergência, mas não quis cancelar essa reunião.
Os compromissos pessoais dele não podem
interferir nos negócios.
Falar comigo é falar com ele.
[música animada]
Vamos precisar de mais armas.
Só grosso calibre.
O senhor consegue uma .50?
[riso suspirado]
[motor de barco]
- [bipe] - Nuninho, a ordem é recuar.
Recua e leva os IDI pra dentro.
Eu tenho um plano, pô.
Que é isso?
Os caras já tão dominando tudo. Cadê você, cara?
Tô entrando.
[música de ação]
- [bipe] - E aí, rapaziada?
É pra continuar recuando, porra.
Recua, recua, recua.
Vamos, vamos, vamos, vamos!
[motor de barco]
[música de ação continua]
[bipe]
[Evandro] Chegamos no Royal. Tamo entrando por trás deles.
- Onde é, moleque? - É aquela.
Olha lá! Ó, se tiver mentindo, vai morrer!
Bora, bora, bora!
Shh!
Qual é, Bagdá? Chegar na maciota, hein?
[música de ação]
- [Salvador] Vai, vai, vai! - Nossa base, hein, Salvador?
Shh!
[sussurra] Silêncio, porra!
[música de ação continua]
Nossa base.
- [estrondo] - Perdeu, porra! Perdeu, cumpade!
[homem] Bora, vê se ele tá no quarto.
Cadê o teu filho, vagabunda?
Vou perguntar mais uma vez.
Cadê o teu filho, porra?
[cão late]
Veio fazer o que aqui?
Veio me matar?
Ah, fodeu!
O IDI invadiu a casa. A gente vai ter que entrar.
Vem, bora, vem!
Peraí, peraí! Com todo respeito, Morello,
isso vai dar merda, cara.
Deixa os vagabundos se matarem.
[sussurra] Caralho!
Não, porra, não! A gente tá aqui pra uma missão, caralho!
Se a gente perder ela, acabou o plano. Não faz sentido.
Nossa hora é agora. Vamos cair pra dentro.
Vamos pegar esse filha da puta. Bora! Vamos entrar, porra! Bora, bora!
[música de ação]
[som de passos]
[cão late]
[música de ação continua]
[rajada de tiros]
[música de ação acelera]
- [bipe] - Gilmar, já cheguei. Mete bala.
[estampidos]
[Gilmar grita]
Caralho, Gilmar. Porra!
- [rajada de tiros] - Filha da puta!
- [bipe] - [Gilmar] Tá liberado, patrão.
Rapaziada do Gilmar, é pra entrar, se tiver alguém vivo, passe.
Minha tropa, vambora comigo.
[música de tensão]
Parou!
Vamos por aqui, não. Vamos pelos fundos. Vem, pelos fundos, vem.
[música de tensão continua]
[cão late]
[som de tiros]
[som de tiros]
- Vê se tem gente aí. Tem? - [homem] Negativo.
[gemidos abafados]
[gemidos aumentam]
Vocês são da polícia?
Polícia é a puta que o pariu.
Aqui é o Comando, porra!
- [mulher geme] - Aí, libera todo mundo.
Menos esse arrombado aqui, ó.
Esse filha da puta, aqui. Deixa ele aqui.
Rápido!
[música de tensão]
[sussurra] Vem aqui, vem.
[música de tensão aumenta]
Caralho, porra!
Tá cheio de vagabundo, caralho.
[ofegante]
[música de tensão continua]
[rajada de tiros]
[Evandro] Calma! Calma, calma.
[funk em versão tensa]
Bora!
Vem, vamos dar a volta. Vem!
Bora, bora!
É o seguinte: ganha essa laje, pega uma posição boa de tiro. Vai!
Assim que ele ganhar a laje, a gente vai cair pra dentro.
Caralho, Morello! Tem uma dúzia de homem lá.
Vai dar pra entrar assim, não.
Vamos esperar mais uma oportunidade, pô!
[Morello arfa]
Vamos pegar uma posição melhor. Vem!
[música de suspense]
Como tá a situação aí, Jararaca?
- [bipe] - [Jararaca] O Comando tá recuando, chefe.
Podemos invadir tudo e tomar a porra toda.
- [bipe] - Avança, Jararaca.
Avança nessa porra. Faz teu nome.
Se liga, Bagdá. A mãe do cara tá aqui, é pra cá que ele vem.
Avança nessa porra, toma a favela toda.
Toma essa porra toda.
- É isso! É os irmão, porra! - Bora, bora, bora!
Você fica comigo, você vai nessa, Pereba.
Vocês dois, lá fora!
Bora, porra!
- [bipe] - [homem] Os jogadores tão saindo, Morello.
[música de tensão]
Aí, aí.
Ali na frente é a casa da minha mãe.
A gente vai lá, vai pegar as duas.
Tá ela e a criança, você vai descer com elas. Beleza?
Vou continuar na guerra.
[homem] Entendi, chefe.
Vai!
[música de tensão continua]
[ofegante]
- [bipe] - Tá vendo o de verde?
[homem] Positivo, Morello. Tô com ele.
Tá! Pode pegar.
[música de tensão aumenta]
[tiro silencioso]
Ah, porra! Filha da puta, caralho!
Porra, caralho!
- [rosna] - [rajada de tiros]
[sussurra] Vai, pô!
[tiros]
Porra!
Vem aqui atrás. Vem, vem, vem!
- [tiros] - [gritos indistintos]
[música de tensão]
- [gritos indistintos] - [homem] Vai, vai, vai!
- [tiros] - [gritos indistintos]
Senta o dedo, porra! Senta o dedo!
[música de tensão continua]
Senta a puta que o pariu!
[sussurra] Vem, vem, vem!
Eita, caralho! Porra!
Bora, bora! Cobre, cobre!
Põe pra fora!
[música de tensão aumenta]
- Chega pra trás! - [Arlete] Filho!
Cala a boca! Fala porra nenhuma!
Mãe, cadê minha sobrinha?
Cala a boca, porra! Chega pra trás!
- Sai, sai! - [Salvador] Vou matar ela!
- Chega pra trás. - [pancada]
Chega pra trás você também!
Afasta, afasta! Desce!
Vai morrer, filha da puta!
- Tira a mão dela! - Sai daqui!
Quer ver ela morrer?
- [Evandro]Larga! - [Morello ofega]
Tira a mão dela!
Quer ver ela morrer, babaca?
- Solta ela agora! - Caralho!
[música de tensão]
[ofegante]
[música de encerramento]
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