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Original subtitles

[homem 1] Ninguém tá a fim de te indiciar,

mas você não tá deixando alternativa, porra!

Tem a de acreditar que tão armando pra mim.

[homem 2] Caralho, granada! Vambora, vambora!

A boca é nossa!

Eu tô prometendo

que vou trazer sua neta de volta pra senhora.

Agora, eu vou cobrar. A senhora vai me dar o Evandro.

[Afonso] A senhora disse que seus filhos enterraram seu Pedro.

Sabe onde tá o corpo dele?

[Morello] A família do Evandro tá no Paraguai.

Um bebê, um menino e uma menina sequestrada.

A hora de pegar o cara é agora.

Porra, Johnny. Preciso ir pra lá.

É mais caro porque quem vende é meu amigo de Botafogo.

- Não, tranquilo. - Vou pegar pra mim também.

[em espanhol] O outro piloto sumiu.

A carga tem que chegar lá. Vamos neste aqui.

[sons de vários carros]

Merda! O desgraçado sabia!

Então a informação do Evandro era falsa, ele não estava no avião.

Foi para chamar atenção.

[em português] Pelo que vi, não sabem que foi você.

[Evandro] Quero entrar pro ramo das armas.

Quando o mar está calmo, as vendas caem.

Nós precisamos da guerra.

Posso criar guerra a hora que eu quiser.

[em espanhol] Saíram. Vou segui-las e te passo.

Ela saiu, Morello.

- [em português] Perdeu, filhota! - Vem cá!

Perdeu!

[música de tensão]

Não, não. Não faz isso, não!

Não faz isso, não.

Se você levantar essa arma, vou ter que atirar.

Faz isso, não, filhota!

Vem. Larga essa arma.

Pensa bem, Geise. Pensa bem.

Vou ter que atirar, e a menina vai ver você morrer.

Não, tia!

[Morello] Larga isso, vai!

Vem cá! Vai, tira a mão da arma.

Eu não posso ser presa.

Dá a bolsa, vai. Me dá aqui.

[Geise ofega]

- Minha família! - Dá aqui!

- Me dá ela. - Minha família, moço.

Tinha que ter pensado antes.

- Agora me dá ela, vou levar pra avó. - Não vou dar ela pra você.

Me dá ela. Me dá ela aqui, porra!

- Não vou dar pra você! - Dá aqui!

- Me dá! - Você matou a mãe dela!

Então me dá o Evandro.

Eu vou pegar ele,

e você sabe disso.

Agora, você não precisa ir junto.

Me dá o endereço de onde ele tá. Vai, fala!

Já falei isso pra você.

Eu nunca vou dar o Evandro.

Nunca.

[música triste]

Tá.

Tá bom, então.

Então me dá ela. Vai.

- Vem aqui, vem! - [Geise] Não!

- Solta! - [Maria] Tá machucando!

- [Geise] Tá machucando! - [Morello] Larga!

- [Geise grita] Para! - Olha só,

eu devia botar você na cadeia. Você é uma sequestradora. Tá?

Então, solta ela. Senão você vai junto.

Vai, solta! Vem!

- Tenho filho pequeno, moço. - Solta.

Solta, vai. Solta ela!

- [grita] Larga ela! - [Geise] Não!

- Tia! - Se mudar de ideia, sabe quem procurar.

Vem!

- Tia! - Com o Evandro, você não tem futuro.

Maria!

Maria!

Te amo!

[grunhe e chora]

[chora e soluça]

[música-tema]

[pássaros cantam]

[em espanhol] Ramírez, marcamos a reunião

pois precisamos saber se o acordo continua de pé.

- [pássaros cantam] - Isso?

[suspira]

Já me comuniquei com o Navarro.

Continua tudo como antes.

Precisamos saber como o DEA nos encontrou.

Já sabíamos que estavam perto.

E eu queria armar uma cilada

para o Navarro.

Como conseguiu essa informação?

Eu tenho amigos, Ramírez.

Amigos que escutam coisas.

Foi uma operação

de alguém da DEA.

Hum.

Por que está pensando que houve outra coisa, hein?

[em português] Ele entrou no avião obrigado?

Isso é muito primário, né?

Não se viaja com a carga sem ser foragido.

[em espanhol] Escuta, brasileiro,

quem está na prisão de merda

é meu primo.

[em português] Escuta uma coisa, gringo.

A gente vive nessa vida correndo risco.

Eu também já fui preso, acontece.

Agora,

eu abri mão da vida de um amigo

pra não perder esse negócio.

Não vem ficar sentimental, porra.

[em espanhol] Senhores, senhores.

A prisão do Navarro foi um golpe duro para todos.

E por isso estamos pagando o que estamos.

E ele vai sair, não é, Ramírez?

- Estamos tentando. - [em português] Bom,

se quiser, posso ajudar a pagar quem precisar ou

apagar quem precisar.

[música animada]

[em espanhol] Essa é sua grande ideia? Atacar o DEA?

[em português] Precisam de autorização pra agir aqui.

Eles escutam alguém, e é ele que interessa.

Só tô pondo a minha galera à disposição.

Nós e nosso dinheiro.

O que não pode são os americanos tirarem o Navarro do Paraguai.

Isso que não pode acontecer.

A gente tem que trabalhar pra isso não acontecer. Certo?

Vamos trabalhar?

Vamos ganhar dinheiro?

[Ramírez] É.

[música animada acaba]

[porta range]

[porta range e bate]

[música de tensão]

[cadeira arrastada]

[som de isqueiro]

[música de tensão continua]

[em espanhol] O que faz aqui? Já falei com seu colega.

Não vou dizer nada até ver meu advogado.

Não, relaxa.

Não vim perguntar nada.

Eu vim conversar.

[música de tensão continua]

[traga cigarro com barulho]

O que houve com seu avião...

foi por causa de uma denúncia.

Uma denúncia anônima.

Feita por alguém que sabia dos seus negócios.

Dos seus planos.

[solta fumaça com barulho]

Divirta-se na prisão.

[porta range e fecha]

[Geise grita] Evandro!

[grito estridente] Evandro!

- Que foi, Geise? - [Geise] Evandro!

[grita] Ele levou ela, ele levou ela! [chora]

O que aconteceu? Calma!

- Que houve? - [soluça] O federal levou a Maria!

- Como é? - Ele falou que ia me levar presa,

que podia dar ela, se eu te entregasse. E eu não ia.

Filho da puta!

Ele levou a Maria... Que tu tá fazendo?

- Esse borra-botas! - Que tá fazendo?

Vou pôr gente atrás dele.

- Não vai ligar! - Vou resolver isso.

Ele tá com a Maria!

Quer botar a menina em risco? Tá maluco, Evandro?

- Filho da puta! - Porra!

[Evandro] Vem cá!

[grita]

Vou resolver, calma.

Calma. [beija]

[em espanhol] O que houve? Tinha a Geise nas mãos, e veio só com a menina?

[em português] Ela fugiu.

[em espanhol] Agora tenho que ir ao Brasil devolver a menina à avó.

Está mentindo pra mim. Ela nunca a abandonaria, você a deixou ir.

É melhor assim.

Melhor que o quê? Para quem?

[em português] Pra todos. [suspira]

[em espanhol] A Geise solta é melhor pra nós.

Pensa, Pilar. O Evandro vai ficar louco.

Virá atrás da menina.

Então poderemos prendê-lo.

Não, não vamos prender ninguém.

Aqui não é parque de diversões, Morello. É uma delegacia.

Se só importa o seu objetivo, me tira dessa.

Não estou aqui pra fazer o mundo girar em torno de você.

Chega! Volte ao Brasil.

Acabou. Não conte mais comigo.

[porta bate com força]

[em português] Pilar!

Pilar!

Pilar!

[porta bate]

Pilar!

[música triste]

- Pra cá? - Aqui em frente.

[barulho das pás]

Você tá ficando tão parecido com seu pai.

Um homem bom.

[música triste continua]

[pássaros cantam]

Preciso voltar com essa...

[em espanhol] Preciso voltar com a menina ao Brasil.

[em português] O quanto antes. [em espanhol] Não pode ficar sozinha.

[toca funk]

[em português] Peraí. Calma.

[rouco] Queria dar uma descansada, mano. Tô com a voz fracona.

Descansada?

Tá maluco, Naninho? Essa porra é trabalho.

Foda-se se tu chupou pau sujo no baile. Atende aí.

Qual foi gringo, quer o quê?

De gringo só tenho a cara, meu bróder.

Família americana, nasci lá, mas...

sou carioca, porra! [ri]

Ó o gringo tirando onda. É mole?

Vai querer o quê?

Do branco, do branco. Me dá dois aí.

Valeu.

Bonito esse fuzil, hein?

Foda.

Bonita. É mulher. Julieta.

Igual ao que eu usava no exército americano. Igualzinho.

- Tu serviu ao exército americano? - [homem] Servi.

Desmonto esse brinquedo em 20 segundos.

- [ambos riem] - Para de caô, gringo.

Isso é o quê? É uma aposta?

É.

É. Demorou, mermão.

Desmonta essa porra.

[galhos quebrando]

Já tá chegando, meu filho. Tá perto.

[música de tensão]

[barulho de pás]

[homem gargalha]

Caralho, mermão! O maluco é o Rambo.

Peraí, gringo!

Tá maluco? Tu vai aonde? Vai deixar a Julieta assim?

[Naninho] Monta essa porra logo, mano! Tá doidão?

Monta aí, caralho!

[peças de metal batendo]

[som distante de pancadas]

[Jerusa] É aqui, meu filho.

De vez em quando eu venho, acendo uma vela.

[suspira]

Obrigado.

[sons de pássaros]

[bafeja]

[funga]

[barulho das pás]

[terra sendo arrastada]

[funga]

E o processo de assassinato, hein? Esse cara não tinha que tá preso?

Tinha que tá preso, sim, mas você sabe,

- a justiça tarda. - A justiça tarda, eu não.

Quero a cabeça desse babaca agora.

Evandro. Qualquer atentado contra o Morello,

nesse momento, só vai piorar a situação. Nesse ponto, a gente tá certo.

Tô cansado desse filho da puta atrás de mim.

Ele não me quer? Vai ter, porra!

Olha, já são muitos inimigos.

Teve aquela situação na Bolívia,

aquela delegada e o agente, do DEA,

qualquer coisa que você fizer contra o Morello agora,

é pedir pra Federal inteira sair caçando você.

[Evandro] Burgos!

Eu preciso de paz pra trabalhar.

Esse filho da puta vivo, tá me dando paz?

Hein?

Além de tudo ele pegou a Maria pra me ameaçar.

Sou homem de ser ameaçado, Burgos?

Tá certo. [suspira]

Eu vou procurar alguma coisa que a gente possa usar, uma coisa

na vida dele,

- que possa frear ele. - Frear, o caralho!

Quero matar o filho da puta.

Você já fez isso uma vez. Lembra o que aconteceu?

Acabou que a ex-mulher do cara morreu.

Foda-se! Caguei pra isso.

Quem tem que morrer é ele.

É o seguinte, Burgos:

ache um ponto fraco desse babaca.

Vê onde ele se sente seguro.

Ache uma brecha, que a gente faz o serviço.

Entendeu?

Pode deixar.

Ótimo.

[som de escavação]

[pancada]

[tilintar de metal]

[música triste]

[funga]

[funga]

- [música triste continua] - [funga]

[soluça]

[chora]

[soluça]

[soluça copiosamente]

[grita]

[continua chorando e soluçando]

Filho da puta!

[chora e soluça]

[música triste continua]

[chora e soluça]

[buzina distante]

[funk tocando]

Eu vou querer seis de 50.

Não!

Quero ouro branco.

Tá voraz a menina, hein?

Que é isso?

Agora vem assim, ó.

Mais prático.

Legal! Me dá um desse aí também.

[funk continua tocando]

Toma.

Ó a patricinha! Mordendo a orelha.

[som de discagem]

[música de tensão]

[clique de câmera]

[cliques de câmera]

[música de tensão continua]

[cliques de câmera]

[bate à porta]

[porta range]

Dona Rosana?

Pois não?

Eu vim em nome do seu marido, Gilmar.

[suspira]

- [porta range] - [funga]

[funga ruidosamente]

[funga]

Ô!

Traz uma cerveja, por favor!

[cadeira faz barulho]

[música animada ao fundo]

Oi!

Oi.

Que você tá fazendo, Inês?

Tô me divertindo um pouco.

Por quê? Tá me controlando?

Tá vendendo droga, Inês?

[papagaio grita]

Quê?

Você tá vendendo droga. Tá maluca?

- Não tô vendendo. - Tá maluca?

Afonso, não tô vendendo nada!

Tô pegando pros meus amigos e pra livrar o meu.

E pegar pros amigos é o quê?

Inês, você pegou seis de 50, que eu tô ligado.

Você tá vendendo droga.

[arfa]

Tava com saudade.

[música de tensão]

Quero ficar com você, Afonso.

Quer ficar comigo?

Quero.

[cadeira arrastando]

[música de tensão continua]

Quer ficar comigo? Então larga essa porra.

[suspira]

- Quer ficar comigo? Larga essa merda. - [suspira]

[Wilbert] Porra, patrão!

Os clientes adoraram!

A gente ainda cortou 30% do pessoal da endola.

[Evandro] Boa, moleque. Outro assunto que eu queria ter contigo:

quando você ficou preso em Pernambuco, conheceu um Mazinho,

líder de facção também?

[Wilbert] Não pessoalmente.

O maluco tomava conta de tudo por lá.

- Só que o cara rodou, foi preso. - [Evandro] Tá mandando em tudo ainda.

Você tá cheirando enquanto fala comigo?

Não, patrão! Tô resfriado. Sabe que sou alérgico. [funga]

Hum.

Você tem moral com esses caras pra fazer um serviço pra mim?

De dentro da cadeia ou fora?

[Evandro] Agora, dentro.

[Wilbert] O que tu quer?

Guerra!

[som de chaves e cadeados]

[som de grade de ferro]

[homem] O meu é ali, mermão!

O meu é ali! O meu é ali!

Não, não, não! Aqui, não!

Chama o meu advogado!

Não, não, não! Aqui, não!

Aqui, não!

Aqui não é segurança!

- [tinido] - [gritos indistintos]

Não vou entrar aí, não!

[gritos indistintos]

Aqui, não!

Me ajuda, moral! Me ajuda! [grita]

Morre, desgraçado!

[gritos de dor]

[homem] Vai, filha da puta!

[gritos indistintos]

Já tamos com a chave da ala deles, porra.

- Bora vingar o Mazinho! - [todos gritam]

[homem] Vou te pegar, filha da puta!

[gritos indistintos]

Eles tão invadindo, porra!

Ali, ali. Vai, gente!

Bora, porra! Bora, porra!

[gritos indistintos]

A crise explodiu hoje à tarde,

em um dos presídios de Pernambuco, região Nordeste do país.

Detentos invadiram a ala de uma facção rival

e iniciaram o tumulto.

[celular toca]

- [Wilbert] Aí, Evandro. - Fala.

Se liga aí.

[mulher na TV] Líderes de duas facções foram mortos nos ataques,

e o terror se espalhou por três unidades prisionais do estado.

Os detentos ainda não tentaram diálogo com as forças de segurança,

e o governo teme que essas ações reverberem

para fora das cadeias.

Aumentando a violência entre as facções em todo o estado.

Aí, já começou, hein?

Botamos fogo na parada.

Agora deixa arder, né, parceiro?

[Wilbert] Já liguei pra galera. Estão preocupados.

Ninguém sabe bem o que tá rolando, mas tá todo mundo se mexendo.

[Evandro] Me mantém informado.

[Wilbert] Pode deixar.

- Aí, Evandro. - Fala.

[Wilbert] Essa parada do Hermes.

Ficou geral bolado aqui. O pessoal gostava do baixinho.

O cara era mala, mas era justo.

Essa guerra é por ele também, Wilbert.

Foda, né?

[Evandro] Checa se tão cuidando da mãe do cara.

Precisamos seguir em frente pra não morrer também.

[Wilbert] Fé em Deus.

[música triste]

[música de tensão]

Já tinha comprado os apartamentos. Eu ia fazer surpresa.

Achou que eu não ia descobrir, em alguma hora?

De aceitar uma loucura dessas?

Eu não falei nada porque sabia que você não ia aceitar.

Eu quero o melhor pra nossa família.

E aí? Vai querer ou não vai?

[Rosana] Óbvio que eu aceito.

Tá bom, meu amor. Eu te amo. Tá?

Mas a gente queria você aqui, Gilmar.

Te amo.

- [soluça] - [Evandro] Geise?

- Geise. - Tô aqui.

[soluça]

Que você tá fazendo aqui, amor? Vamos dormir.

Ih!

Que foi?

Que é que a gente vai fazer?

Meu amor...

a gente vai pegar a Maria de volta, viu?

Até quando a gente vai viver isso?

Porque a merda tá na vida que a gente tá levando.

[resmunga]

De quanto tu precisa pra sair dessa vida?

Não é isso, amor.

O que tu tem não é suficiente?

Que tu quer dessa vida?

O melhor pra gente, Geise.

Desde quando isso aqui é o melhor?

Seus filhos ficam pulando de cidade em cidade.

Eles tão crescendo sem amigos.

Eu tô sem amigo, Evandro.

Nem dessa casa sai sabendo se volta.

Meu amor, vamos dormir?

Vamos? Amanhã a gente fala sobre isso.

Vem!

Eu quero ficar aqui! [soluça]

[suspira]

Olha só...

vou pedir pro Burgos te ensinar tudo sobre o nosso dinheiro.

Você vai saber agir, se alguma coisa acontecer.

[funga]

E outra coisa,

tô entrando numa nova parada aí.

Já, já a gente sai da linha de frente.

Tá bom?

Que a solução sempre é dinheiro, né?

Não!

Mas pode ser um problema.

[buzinas]

[porta range]

[suspira de alegria]

Meu amor!

[suspira aliviada]

Tá tudo bem com você? Você tá machucada?

Aconteceu alguma coisa com você?

Não, vó. Tá tudo bem.

[Morello] Senhora, por favor.

Acompanha ela até lá fora.

Que saudade de você!

Aguarda com ela lá fora.

Vovó já vai.

[porta bate]

[Morello] Bom...

cumpri com a minha parte.

[suspira]

Dona Arlete...

[suspira]

...o Evandro nunca vai deixar a senhora criar essa menina em paz.

O Evandro nunca mais vai ver a Maria.

Isso só vai acontecer se ele for preso.

A senhora sabe disso.

[suspira]

Olha,

ele vai vir atrás dela,

e é aí que eu vou pegar ele.

Só que eu preciso de ajuda.

O Evandro é perigoso. O senhor sabe e ainda quer usar minha neta?

Mas na cadeia, não vai poder fazer mal pra vocês.

Agora, solto, ele é um problema.

[música de tensão]

[Bebeto] Falei com os parceiros de cima. Tamo pra perder tudo em Vitória.

Tá pipocando essa parada, preciso que tu me ajude.

A gente não pode perder Vitória, Bebeto.

Tem que parar com as picuinhas do Comando.

Vai chegar no Rio de Janeiro e vai dar merda.

Quem não tá atacando, tá com a gente. Vamos se juntar.

A gente tem que dar apoio agora. E focar em quem tá atacando a gente.

Depois a gente resolve quem fica com a boca.

É isso aí. Meu pensamento é o mermo. Entendeu?

Se tiver qualquer rixa, a gente resolve depois.

Agora é firmar posição, vencer os inimigos.

Que tu tá precisando pra começar a negociar as peças pra nós?

Os contatos já tenho e as rotas tão traçadas pro ouro branco.

Só preciso da ordem do Comando.

Então já tá dada.

Traz os ferro.

Fechado. Valeu! Fé em Deus.

[bate telefone]

[Neves ri]

Tu é um filho da puta mesmo, né?

Vamos ajudar os amigos e os inimigos do Comando.

Você não tava querendo guerra? Tô te dando.

Filha, taí?

[som de discagem]

[celular toca]

[suspira]

[pancada]

[celular vibra]

Fala!

Onde?

[música de tensão]

- Peraí, porra! - Onde tá minha filha?

- Cadê minha filha? - Peraí!

Ela tá bem, tá na minha casa.

Na sua casa? Tá louco, porra?

- Na sua casa! - Ela tava vendendo pó!

[música de tensão continua]

Solta!

[música de tensão aumenta]

[ofegante]

Tava comprando do morro do Comando, e eu descobri.

Ela precisa de ajuda.

[ofegante]

Você acha que ela vai ter ajuda no Dendê, caralho?

Na casa do policial, não tá funcionando.

Ela tá na minha casa, tá sem cheirar.

Vamos deixar ela passar uns dias lá.

Quando ela desintoxicar, levo pra casa.

Tô cuidando dela. Pode confiar em mim.

[ri]

Você não tem opção também, né?

Vai fazer o quê?

Invadir o Dendê pra pegar ela?

[música de tensão continua]

Com licença.

[titubeia]

[ofegante]

Vou só selecionar os envios, pra entender onde o Comando tem que ganhar

e onde tem que perder. Sacou?

Tua missão é só me entregar o que eu pedi. Eu transporto.

De quanto a gente tá falando?

Tá pra dar uma merda de Pernambuco e tá descendo o Espírito Santo.

Daqui a pouco, se espalha. Vai ter que aumentar o estoque, parceiro.

Você já sabe como vamos levar tudo isso pra lá?

Já.

[música animada]

As partes que não configuram contrabando

vão pelos correios, normal.

E, as ilegais,

a gente vai disfarçar em outras mercadorias.

[música animada continua]

No Brasil, é mole.

É só ir recebendo, separando, juntando, remontando e pronto.

É só despachar pra onde quiser.

[música animada continua]

[gargalha]

[sirene]

Aí, chefe.

Ele vai toda semana nesse endereço.

[aspira ruidosamente]

[homem] Fui na portaria, olhei.

Eu descobri que é bagulho de psiquiatra.

[Wilbert] Sabia que era maluco, mermão.

Tem que tomar cuidado com maluco.

Ó só, manda uns três caras pra pegar ele.

Não, manda quatro logo pra pegar.

Coisa fácil pra gente, chefe.

[Wilbert] Cuidado, hein? Esse filho da puta é esperto.

É. Diz que o cara é bom.

Policial bom é policial morto.

[buzina]

[porta range]

Morello! Fecha a porta.

- Que foi? - Más notícias.

Você me dando más notícias, essa é boa.

O Ministério Público avançou na investigação do Gomes,

e a promotoria tá indo pesada com a tua arma. Sua audiência tá marcada.

Tô muito feliz. Obrigado.

[Bagdá] Atenção, hein?

Já tá geral sabendo das merdas que tão rolando nos presídios.

Logo saporra vai estourar aqui. Tá ligado?

O Comando tá aqui do lado, no Dendê.

O IDI não pode esperar

uma bomba dessas estourar no nosso colo.

A gente tem que tomar uma atitude, porra!

Até porque, se o Comando já era rival,

agora é inimigo mortal.

- Rimou, cuidado, hein? - [Bagdá ri]

Não é pra ter invasão ainda.

[enfático] Ainda!

Se morador quiser atravessar pra cá, é pra ser esculachado.

Se vagabundo de outra facção vier, é pra matar.

Passar o cerol fininha. Faixa de Gaza nessa porra! Entenderam?

[todos] Entendemos.

É pra espalhar essa porra por aí.

Pra esculachar, isso aí. Agora vamos comemorar!

Pode soltar a batida, que nós vamos comemorar

uma nova história do IDI, hein? É isso aí, rapaziada!

- [homem 1] É IDI, porra! - É os irmãos do irmãos!

[homem 2] E aí?

[Badgá] Aí, surpresinha pra tu.

Tô com contato direto com o papagaio que vende as armas.

Vou fazer compra grande.

Demorô, Badgá!

Compra tudo de arma que tiver, que só assim,

o Comando tem menos arma pra comprar.

- Tá chegando nossa hora. - Nessa porra!

- [Salvador gargalha] - É o IDI, caralho!

- [som de pássaros] - [Neves suspira]

Estava falando com um comprador.

Lá da sua área.

Eles vão começar a pedir.

Foram mais duas rebeliões em dois presídios.

Tá começando a descer o país.

Daqui a pouco, chega em São Paulo e no Rio.

Exato!

Eu preciso que essa carga vá logo.

Pode deixar.

[som de pássaros]

Tá tudo bem?

Tá. Por quê?

Tá meio longe, né?

Parada de família.

Tava falando com quem lá da área?

Seus amigos do IDI querem fazer negócio comigo.

Morro do Parque Royal?

Uhum.

- Salvador e Bagdá. - Puta que pariu!

Algum problema?

A minha mãe mora no Dendê.

A minha sobrinha mora no Dendê, meus amigos tão lá.

É uma favela colada na outra. Pode dar merda.

Evandro, pra mim eles são clientes.

Você tem um problema com isso?

Foi você que quis criar essa guerra, né?

Pode deixar, que vou resolver.

[música de tensão]

[música triste]

[funga]

[som de buzina ao longe]

[música triste continua]

[funga]

O filho da puta matou meu pai.

Quem, Afonso?

[respira fundo e funga]

O Evandro.

[música triste]

Ele matou a minha mãe.

Como assim?

Lembra que eu falei que mataram ela na minha frente?

Foi o Wilbert, Afonso.

[suspira]

A mando do Evandro.

Ele queria matar o meu pai.

[respira fundo]

Por isso ele é obcecado pelo Evandro.

[música de tensão]

[som de papéis]

- [Burgos] Eu nem sei por onde começar. - Vamos de trás pra frente.

Me conta dessa conta laranja do seu Pedro.

Laranja... [ri]

Esses aqui são os documentos.

Esse aqui é o número da conta.

Por aí que a gente monta o lucro do Evandro.

E como é que tu fez ela?

Bom, nós abrimos a conta em nome do seu Pedro.

Seu Pedro faleceu, mas, infelizmente,

o corpo nunca apareceu.

Aí com a ajuda do filho dele, o Afonso, a gente...

abriu essa conta como se ele ainda tivesse vivo.

E como é que eu mexo nessa conta?

[suspira]

Nós fizemos documentos novos.

É...

Eu mesmo fiz a assinatura do...

Eu sou o Pedro. [ri]

A conta é do Evandro, mas quem assina sou eu.

Então só tu tem acesso a essa conta?

Só.

Agora, o que eu faço com isso?

Vai fazer o certo, ué!

Eu sou o herdeiro dessa conta.

Afonso, a gente sabe que essa conta não era do seu pai.

Como manda a lei. Né, doutor?

Essa conta agora é minha.

A gente vai morrer!

Pode ser.

Só que antes disso,

você vai tirar toda a grana dessa conta,

com discrição, sem chamar atenção,

só que é pra tirar tudo.

Pode ficar tranquilo, que vai ter sua parcela pra sumir.

A gente precisa fugir, e o senhor também.

É esse dinheiro que vai resolver isso.

- Pra quando? - O mais rápido possível.

[grunhe]

[música de tensão]

Vai dar tudo certo.

Que foi?

Você precisa voltar pra casa.

[Geise] Meu amor,

o que impede o Burgos de ir embora com esse dinheiro?

Ele sabe que se for embora com o dinheiro, morre.

É porque ele tem medo de você. Mas e se você não tiver aqui?

Aí ele tem que ter medo de você. Né?

Ele sabe tudo que eu fiz.

Que você fez?

Você não fez nada.

Sério?

Relaxa, amor.

Hum?

[suspira]

[portão range]

Que foi?

Preciso falar com você.

Você tá em perigo.

[aspira ruidosamente]

[Bagdá] Tá na hora da gente retomar nosso lado da ponte.

Pra que essa porra agora, meu?

Pra quê? Porque senão fica mais fácil dos caras invadirem.

[Bagdá] Com a ponte no meio, é melhor pra se defender.

A gente tá se armando, eles também devem tá.

As armas ainda nem chegaram.

A gente vai tomar só essa boca.

Os caras tão de bobeira, Salvador.

Tomaram essa boca faz tempo. Acham que já era.

A gente vai chegar de surpresinha, porra.

De surpresa, eu gosto mais.

[ambos riem]

[aspira ruidosamente]

Ó! Eu vou na frente, hein?

- Eu vou na frente! - É isso, porra!

- Vambora, Cacá! - [Salvador] Os filhos da puta!

[Morello] Essa foto tava na minha carteira há uns 10 anos.

Acho que eu...

eu não olhava de verdade pra ela

há uns dez anos.

Aí, recentemente,

eu peguei e tirei,

resolvi olhar.

Parecia que eu nunca tinha...

visto ela.

Você lembra dessa época?

[suspira] Ah!

Mais ou menos. Eu...

tava bem na polícia.

Tava sendo elogiado, tinha sido promovido,

trabalhava pra caralho...

Você acha que a Inês sentiu muito a sua falta?

[Morello] Acho que sim, né?

Mas, fazer o quê? É o meu trabalho.

Mas essa relação mudou?

Ela mora comigo.

Mas ela também não teve escolha, porque...

ela não tem mais a mãe.

Agora sou só eu.

[mulher] E antes?

Foi sua escolha?

[música de tensão]

[suspira]

[cão late]

- [música de tensão] - [cães latem]

[música de tensão aumenta]

[sussurra] Tem dois na sua mão.

Senta o dedo nesses filha da puta!

[troca de tiros]

Vai morrer, filha da puta!

Vai, vai, vai.

Caralho, filho da puta!

- Salvador! - Onde tá ele, porra?

- [tiros] - [gritos indistintos]

- [homem 1 grita] Caralho! - [homem 2] Vai, porra!

Puta que pariu! Acertaram minha bunda!

Porra! Bota o pé na estrada, porra!

[homem 3] Fodeu, patrão! Os IDI tão invadindo o forte!

Mataram o Marreco e acertaram o Tubarão lá na ponte.

- [bipe] - Caralho! Pegou onde? Atravessou?

[homem 3] Pegou na bunda, mas tá...

Porra, tá sangrando pra caralho!

[homem 4] Comando, porra!

Avisa que a gente tomou de volta o que é nosso!

Puto é o caralho!

[grita] Tomamos o que é nosso!

Avisa que a gente não toma golpe! Filho da puta!

- Caralho, Bagdá! Puta que... - É isso aí, porra!

- [homem 5] Manda essa porra! - Caralho!

Perdemos a boca do Royal. Mantemos a ponte.

Caralho! Perderam a boca, e o cara tomou tiro na bunda!

Puta que pariu!

[música de tensão]

[sussurra] Santana, cadê você?

[música de tensão continua]

[estalido]

[música de tensão aumenta]

[pneu canta]

[carro acelera]

[música de encerramento]

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