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Original subtitles

- Você fuma, cheira... - Eu vendo.

Pena, porque isso aqui é incrível.

Isso aqui é ouro branco.

Por que voltou pro Paraguai?

[em espanhol] Sou paraguaia. Luto por meu país.

- [em português] Pai! - [Gilmar] Tá forte, hein, chica?

- Que negócio é esse de "chica"? - Escolta pela América do Sul, meu amor.

Vamos usar essa porra pra expandir.

Ninguém que sabe do esquema pode sair de mão vazia.

O Hermes dá a saída da Bolívia.

A rota tá na mão dele.

[Navarro em espanhol] Um bom negócio exige um olhar estratégico.

E você tem isso.

[Bebeto em português] Fiquei sabendo que a senhora andou

filmando o movimento. É isso mesmo?

Você acha que isso vai ajudar a botar esse homem na cadeia?

A polícia só entra quando sai no jornal.

[mulher] "Nós vamos te matar, seu preto!"

[Afonso] Oi, sou eu.

Eu e seu pai, a gente precisa se conhecer direito.

[Arlete] Sabe quem matou seu filho?

[voz distorcida] Evandro do Dendê!

Da última vez, entraram arregaçando.

Vai ficar aqui, encarar?

Acha que vai pegar o Evandro entrando pela porta da frente?

[Evandro] Vão invadir o Dendê.

Eu não quero nem saber.

Ou a Maria vai com a gente,

ou eu subo o Dendê agora

e eu fico aqui mesmo.

Vê se tem alguma coisa na mesa, por favor?

Inês, vou dar uma saidinha. Aproveito e dou uma carona pro garoto.

[música de tensão]

[assustado] Que isso, porra?

- [Afonso] Que é isso? - Psiu, fala baixo.

Me conta, o que você sabe do Evandro?

Quem é Evandro?

Tenho uma gravação com o vagabundo que sabe dele com essa tatuagem!

Calma aí! Um monte de gente tem essa tatuagem.

Pra cima de mim, não, moleque! Você tá com a minha filha!

Senão te estouro aqui mesmo.

[ofegante]

Foi você que caguetou o Evandro pra Federal, que eu sei.

[ofegante]

Parece que a memória voltou, né?

Vem dentro, garotinho. Vamo pra frente.

[ofegante]

- Eu não gosto dessa vida. - Olha pra frente, caralho!

[ofegante]

A gente odeia a mesma pessoa.

Foi só por isso que eu vim aqui.

Baixa essa arma.

E, se quiser conversar,

eu tô do seu lado.

[música-tema]

Ih, ali, mané!

Ó o patrão, só nos livros!

Não tinha nada pra fazer na cadeia,

peguei o gosto pra passar o tempo.

[MC] Rodei o Dendê todo pra achar essa porra.

Tem uma mulher que grava o jornal pro marido ver quando chega. É mole? [ri]

Escuta... o que vai acontecer com a dona Arlete?

Tá ligado que ela tá meio piroquinha das ideia, né?

Eu sei.

Na tia Arlete ninguém encosta.

Ela não tá bem.

Vacilão é quem fica batendo palma pra maluco dançar.

Então pega a visão.

Vou chamar a tropa, nós vê a fita

e descobre quem abriu o bico.

Já é?

[joga isqueiro]

Tô torcendo pra tu não achar nada.

Ordem é ordem.

Não foi o que o Bebeto mandou?

É, foi.

Mas tá errado.

[motor de carro]

Não para aqui.

- A gente tá na boca do Dendê. - Cala a boca!

[música de tensão]

Já cumpriu?

Por 33, 35 e 288.

Sou foragido.

Você é muito é abusado, moleque!

Qual seu nome?

Afonso Nascimento.

Vulgo Tabuada.

Quem é o parceiro de vocês?

Um negro, de bigode, barrigudo.

Acho que é o segurança do Evandro.

[Afonso suspira]

Quem é ele?

O Gilmar.

Entrou pro tráfico depois de assaltar carro-forte.

[ri de desdém]

Faz tempo, já.

Teve troca de tiro, deu até na TV.

Era da equipe de segurança, depois foi pro tráfico.

Quero o nome completo.

Não tenho. Mas é Gilmar.

Trabalhou na empresa de segurança. Tu não é policial?

Moleque!

Se me virem com você, tô fodido.

Isso não é problema meu!

Onde tá o Evandro?

- Paraguai. - Quero o endereço.

Não tenho.

O Evandro não trabalha assim.

Ele ia passar o endereço pra quê?

Pro Comando saber onde ele tá?

O Evandro joga sozinho.

Ninguém sabe das paradas dele. Dá as ordens, a galera cumpre.

[Afonso] Ai!

Como você sabia o endereço da Bolívia?

[sufocado] O piloto, ele que passou.

Mandei a informação direto pra você. Pra que a agressividade?

Porque já deve ter comido a minha filha. Filho da puta!

[arfa] Me deixa sair, cara! Vão me ver aqui com você.

Quero que se foda, mermão! Ou me fala tudo que quero saber,

ou não vou sair daqui nunca, rapaz!

Sei o bairro. Ouvi uma conversa com o Burgos.

Quero o nome.

Las Carmelitas. É o que eu sei.

É sério, me solta.

Escuta aqui!

Agora a gente tem um acordo. Tá ouvindo?

Você vai me dar tudo que descobrir.

Senão o Evandro vai ficar sabendo da nossa relação. Tá?

Só posso cumprir minha parte se eu tiver vivo.

Se não cumprir, é que você tá morto!

Agora, vai!

Só mais uma coisa:

fica longe da minha filha.

Tá ouvindo?

[porta batendo]

[música animada]

[em espanhol] Entra.

[Neves] Evandro!

- [Evandro em português] Neves! - Espero que tenha feito boa viagem.

Obrigado pela hospitalidade, viu?

Sua família já se instalou?

- Que é que foi isso? - Isto?

[faz muxoxo] Não vale a pena.

Senta.

- [Airton] Mãe, vamos escolher os quartos. - [Geise] Tá bem.

Nossa!

É uma bela casa. Hum?

[Geise] É!

[bebê choraminga]

O pessoal da segurança são todos brasileiros.

Gente de total confiança.

Aqui no Paraguai, nós não vamos usar os locais.

Tá, mas eu não quero eles à vista.

- [Airton] A gente já escolheu! - [Geise] É?

[Airton] Vamos pro quarto da mãe, Maria?

[Burgos pigarreia]

- É grande, né? - [Burgos] É.

Muitas salas, muito lugar pras crianças.

[Airton] Olha essa varanda! Tem piscina?

[Burgos] Né?

Muito chique! [ri]

E tem piscina, Dr. Burgos?

Não, piscina não tem, mas tem um rio ali atrás.

- Você trouxe roupa de nadar? - Acho que não.

Claro que trouxe, meu amor. Eu trouxe todas as suas roupas.

- Vai ver o rio com o teu irmão. - Vem.

Arrasou! Pode fumar aqui, não.

Tá? Que é isso?

- [Geise] Ê. - [bebê balbucia]

[Geise] Olha esse salão, filho!

[porta rangendo]

[pancada]

[som da muleta]

Inês, eu quero ouvir da sua boca.

Quer namorar traficante? É o que quer da vida? Fala!

É isso que você quer da sua vida?

Não, pai. O Afonso só cuida do dinheiro!

Que dinheiro, Inês?

Que dinheiro? Da onde é o dinheiro? Me responde. Da onde, Inês?

É do tráfico, porra!

O dinheiro é do tráfico, porra!

Quer me fazer de idiota? Vou ter que te trancar?

- O Afonso é inteligente... - "É inteligente!"

- Ele tá esperando uma oportunidade. - Traficante é traficante!

Sem esse papo pra cima de mim!

Traficante não é vítima da sociedade!

Não é nada disso, não! Pouco me importa se ele

fazendo conta ou vendendo na boca!

É traficante e pronto!

Um não vive sem o outro!

[Inês ofegante]

Porra, Inês!

Esses caras morrem antes dos 30 ou ficam apodrecendo na cadeia.

O que você tá fazendo com a sua vida, menina?

Acabou essa palhaçada. Acabou! Pode esquecer! Tá ouvindo?

Vocês são as pessoas que mais tão me ajudando nisso, pai!

Sabia que ele trabalha pro Evandro? Sabia disso? Sabia, Inês?

Sabia que o Evandro quase me matou?

Você ia ficar sem pai e sem mãe! Tá ouvindo?

Sabia que foi o Evandro que matou a sua mãe?

[ofegante]

[Inês] Eu sei.

Eu sei, pai. Mas o Afonso não tinha nada a ver com isso.

- Não, nada a ver! - Não, pai! Acredito nele. Ele não é assim!

Trabalho com vagabundo a minha vida inteira!

A minha vida inteira!

Eles só sabem ser assim.

Só assim.

[Inês toma fôlego]

O Afonso não é vagabundo!

Não é, não. É um cara de família que é foragido.

Vagabundo! É vagabundo, porra!

Além do mais é assassino! É isso que ele é! Acorda!

Você também é um assassino!

E aí?

- [música de tensão] - [Inês ofegante]

[arfa]

[geme]

Eu te odeio!

[música de tensão continua]

Inês!

Filha, vem cá! Inês!

Inês! Porra, volta aqui! Inês!

[barulho de carro acelerando]

Eles iam me matar, Neves. Queria que eu fizesse o quê?

Foi um péssimo negócio pra mim, tive que sair com a família.

[suspira] Eles estavam com medo de você.

Eu deveria ter medo de você?

Seu Neves, tô na sua casa, né?

Quem deveria ter medo seria eu.

Você sempre foi muito correto comigo.

Temos tido uma amizade muito lucrativa, né?

[Evandro] Sim.

E aqui eu posso estreitar ainda mais a nossa amizade.

Hum. Mas você é visado.

Faz muito barulho.

Mas faz parte do negócio, né?

- Do seu. - [Evandro ri]

[Evandro] Pode ficar tranquilo, Neves.

Vou ser bem discreto aqui.

Volta lá, mano! Volta, porra!

- Volta lá, Nuninho! - Calma, porra!

[fita VHS rodando]

[mulher fala na TV]

[homem] Porra!

Eu acho que é a dona Andressa.

A mãe do Ameba.

Para de falar merda! A mulher tá nem no Rio.

Presta atenção, porra!

Presta atenção, o bagulho é tenso. Pode vacilar, não, porra!

Já pegamos duas: a mãe do Ceará

e a mãe do Joanete. O bagulho é nós acabar com essa porra!

[Arlete] Lembra do último dia

- Ó! - ...dos seus filhos no Dendê?

Tá parecendo a mãe do Rafael.

Que Rafael?

- Rafael tricolor? - É. A mãe dele.

Aquela que fica com aquele bagulho no pescoço, de coceira.

Essa porra é tique nervoso.

Ficou assim depois que nós passou o filho dela.

Dá um play lá, Nuninho. Dá o play pra gente ver.

- [mulher fala na tv com voz distorcida] - [fita VHS rebobinando]

[Arlete] Lembra do último dia dos seus filhos no Dendê?

- Tô falando pra tu! - Caralho, viado!

- É ela mesmo! - [homem] Tô falando!

Mandada filha da puta!

[mulher com voz distorcida]

[telefone chama]

[locutor] O Campeonato começa com atacantes inspirados.

Em 12 jogos foram 35 gols, média de 2,9...

[telefone toca]

- [em espanhol] Alô? - [em português] Evandro tá aí

e sei o bairro. Então, anota.

[em espanhol] Morello.

[em português] Tava com saudade?

[em espanhol] Sabe que horas são? Eu tava dormindo.

[em português] Escuta. [em espanhol] Sei o bairro:

Las Carmelitas.

[em espanhol] Las Carmelitas? Certo. Amanhã eu te ligo.

[em português] Se ele mora aí...

[em espanhol] ...na capital, é porque tem proteção.

- Ou alguma coisa... - [sem linha]

[mulher em português] Em decorrência da reportagem exibida na tarde de hoje,

que contou com depoimentos de diversas mães

que perderam os filhos para o tráfico, a Polícia Federal deflagrou

uma operação relâmpago no Morro do Dendê.

Foi uma operação pequena e direta, e a polícia não entrou em confronto.

Estavam buscando Evandro do Dendê

que está foragido, mas não encontraram

resistência e nem o traficante.

Evandro foi condenado pela morte de Charles Trévoux,

jornalista francês que foi queimado vivo.

O traficante fugiu da cadeia em uma internação no hospital do exército.

[Evandro] Cuidado, que a responsabilidade tá toda em cima de você aí.

- Tá? - [Hermes] Já tá tudo anotado, chefe.

Tá tudo anotado. Pode ficar tranquilo que vou seguir com teu planejamento.

Não vai ter erro.

Olho aberto, vamos fazer o serviço direito, hein?

[Hermes] É isso. Não vai ter erro.

Tá ótimo. Vou desligar aqui, valeu.

O meu irmão viu,

correu, correu, correu...

Começou a bater, bater na porta...

Começou a bater, bater na porta...

[música de tensão]

[barulho de passos]

[música de tensão continua]

A gente sabe que foi a senhora, tia.

Era meu filho.

- Eu tinha que... - Bora, tia.

[homem] Disciplina.

- Bora, tia. - Pelo amor de Deus...

- [música de tensão continua] - [cão late]

[buzinas]

[Inês] A gente vai dar um jeito. Dá pra...

Não dá, Inês.

- Como assim? - Não dá, Inês.

Não dá pra gente continuar com isso.

[suspira]

Sai do Dendê, então!

[ofegante]

Afonso, pra que ficar nessa vida? Você é inteligente pra caralho!

Não tenho um trabalho comum que posso pedir demissão e pronto.

[som de motor de moto]

Meus compromissos no Dendê custam minha vida.

[ofegante]

[Afonso] Já custou a do meu pai.

- Ei. - [Inês suspira]

[música triste]

[música triste aumenta]

[Inês suspira]

Desculpa.

[música triste continua]

[Inês suspira]

Desculpa.

[Inês suspira]

O Evandro não vai me liberar nunca, Inês.

Então é isso, Afonso?

Vai acabar assim?

[Inês suspira]

[música triste continua]

[estalo de beijo]

- [música triste aumenta] - [buzinas]

[música triste acaba]

[mulheres choramingam]

[mulheres] Para!

[homem] É pra fazer, chefe?

[mulheres choram e clamam]

[homem] É pra fazer, chefe?

[mulheres choram]

Mermão, se liga. Liga pro cara.

- Liga pro cara. - [mulher ofegante]

Peraí, peraí, peraí!

Pra resolver essa porra!

[mulheres choram]

[som de discagem]

[celular chamando]

Evandro?

- Ele era um cara gente boa. - [pancada]

Mas aí teve o assalto, ele foi levado...

- Pois é. - ...depois soltaram.

O patrão desconfiou, aí já viu, né?

[som de papel]

Tá tudo bem com ele?

Por enquanto, sim.

Tá aqui, ó.

Gilmar dos Santos.

Tá. Obrigado, viu?

[funk tocando]

É mermo, Evandro? E o que eu devia fazer? Fala pra mim.

Agora quero te ouvir.

Porra, Bebeto! É sério isso?

Vai matar senhoras que não têm nada a ver com o tráfico?

E tu nasceu ontem, Evandro?

Não sabe que a regra do Comando é essa? X-9 morre.

É simples assim. Elas falaram demais. Entendeu?

Sabe o que é isso? Vou acabar com a festa aqui.

Senão todo mundo acha que pode falar o que quer.

[Evandro] Elas já não são ricas.

São mãe de família.

Pensa como se fosse a sua.

Não, pensa se fosse a sua.

Ela que merecia tá lá.

Numa vala, porra!

Ela que começou essa merda toda.

Já fui lá convencer a velha,

avisar. Tô poupando ela por tua causa.

Pensa o quê?

Se tu tiver uma ideia melhor, me fala, que eu posso passar ela

no lugar das outras. É o que tu quer?

Vai ela no lugar das outras?

Bebeto, valeu.

Te fode, Evandro.

[funk tocando]

Merda, merda!

[música de tensão]

[frustrado] Merda!

[música de tensão aumenta]

[estala a língua]

[som de discagem]

[celular vibra]

Qual é, chefe? Conseguiu falar com o cara?

Não me manda fazer isso, por Deus.

Dá um dinheiro pra família delas.

[mulher chora]

Foi mal, irmão.

[mulher chora]

[mulheres choram]

- Desculpa, tia. - [mulher] Pelo amor de Deus.

Não!

[som de tiro]

Arlete!

- Arlete! - Que é, gente?

O que aconteceu?

Tão levando todo mundo, Nossa Senhora. Tão levando elas todas, Arlete.

Calma, Rita. Quem tá levando quem pra onde?

As mães que você entrevistou que saiu no jornal.

O movimento tá levando elas todas.

[Arlete] Pra onde, criatura?

Lá pro alto. Pro paredão!

[som apressado passos]

[telefone toca]

- Alô? - [Morello] Alô.

Por favor, eu gostaria de falar com o Gilmar.

Ele não tá. Quem deseja?

É que eu sou da Fortcargas.

É que ele ficou de assinar uns documentos de quando trabalhava aqui.

Não, não, nada de mais. É só sobre o desligamento dele.

[música de tensão]

Peraí, ele...

ele saiu da empresa, é isso?

Sim, sim. Ele saiu há muito tempo.

A senhora não sabia?

[música de tensão continua]

Ele vai entrar em contato, viu, moço?

Ele tem viajado muito esses últimos tempos.

Mas essa semana, tá no Rio.

Então tá bom, muito obrigado. Vou ficar aguardando, tá?

Ele ainda tá no Brasil.

E ela vai querer satisfação.

Por aqui, vão matar elas!

Olha aqui! São os traficantes que trabalham pro Evandro.

Estão levando as mães que apareceram no jornal pro paredão. Querem matar elas!

[tiro]

- [som de queda] - [cães latem]

Pelo amor de Deus, o que vocês estão fazendo? [arfa]

Pelo amor de Deus, para com isso!

Para com isso! Solta ela!

Pelo amor de Deus, solta ela!

Arlete, eles vão me matar! Pelo amor de Deus...

Meu Deus do Céu, misericórdia, Senhor!

- Que porra é essa? - Nossa Senhora, meu Senhor!

Desliga essa porra! Tá maluca?

[Arlete] Olha o que você fez, Wilbert!

- [Wilbert] Peraí! Abaixa! - [homem] Abaixa.

Peraí, peraí, tia Arlete!

Isso é ordem do Comando. Sai daqui.

- Podia ser sua mãe, Wilbert. - Qual foi, tia?

Você não tem coração, não?

- Qual foi, tia? - Tá maluco, Sinsintoma?

- Se liga, Sinsintoma! - Baixa essa porra aí!

- Me dá essa câmera! - [chorando] Não vou dar!

Foi a senhora com essa câmera que fez isso!

[chorando] Não vou dar! Solta!

[Wilbert] Porra!

Me dá essa câmera agora!

[chorando] Pela vida dela, Wilbert.

Pelo amor de Deus, Wilbert!

[chora e soluça]

Matar a mãe dos outros, Wilbert? Pelo amor de Deus...

- [música triste] - [Arlete chora]

Pela vida dela!

[chora e soluça]

Solta ela!

[chora e soluça]

- Some! - [Arlete chora]

Passa nem em casa pra pegar tuas coisas. Vai!

[música triste continua]

Puta que pariu, Gilmar! Caralho! Que merda a gente tá fazendo?

A gente é o caralho! Você, tu!

Você não quer ser frente? Não quer ser dono de morro?

Acha que favela é só baile funk?

Se liga, porra! Se liga, irmão!

O bagulho é doido.

Recolhe direitinho as velhas, vai.

[música triste termina]

[funga]

[porta range]

Inês! Quero falar com você.

Tenho nada pra falar com você.

Não queria que eu terminasse com o Afonso? Pronto.

A gente terminou.

Agora vê se me esquece.

[som de passos]

Bom, os caminhões estão sendo carregados.

Vai sair um a cada uma hora e meia.

- [em espanhol] Qual o caminho? - [em português] Não.

Não funciona assim. Ninguém vai saber o caminho, até a hora de sair.

Ninguém sabe aonde o outro vai.

E cada caminhão vai ser deixado num lugar diferente.

Sou eu quem vou dar a rota

e o local da entrega. Mais ninguém.

Entendido, senhores? Entendido?

[em espanhol] Ouviram o Hermes?

Fora! [estala os dedos] Andem!

[música de tensão]

[som de passos]

Bom trabalho!

Gosto de ver você assim.

[Hermes em português] Vamo encher o caminhão.

Dois aí nesse caminhão. Dois.

Dois naquele ali.

Ó lá, esse parquinho! Ninguém quer ir, não?

- Pode ir? - Pode?

Pode! Vá lá!

Ó, não fica muito perto, não.

E finge que tá fazendo alguma coisa.

Senão, chama a atenção do povo aí.

Você entendeu, né?

Então, tá. Vai lá! Obrigada. Gracias.

Obrigada mermo. [ri]

Ó, não pode sair da praça. Vou deixar vocês aqui com a Dolores, tá?

Vou ali comprar uns negócios pra casa na galeria,

depois eu volto pra gente ir pra casa.

- [em espanhol] Obrigada. - De nada.

[em português] Tia!

Oi, meu amor?

Aqueles caras ali são traficantes?

Não, filha. Como assim?

Eles usam armas igual traficantes.

[Geise] Mas é pra nossa segurança, minha filha.

Entendeu? Não é pra ficar preocupada. É o trabalho deles. Tem que ter.

E tá tudo bem. Tá?

Você nem vê eles, né? Você vê? Você olha. Não dá pra ver. Que nem anjo da guarda.

O anjo a gente sabe que ele tá lá, mas a gente não vê.

- Né? - [Maria] Minha vó disse

que quem tem fé, não precisa usar arma.

Mas quem tem fé também precisa se defender.

E tem gente que precisa se defender um pouco mais que as outras pessoas. Tá?

Papai do Céu, às vezes,

tá muito, muito ocupado.

E não consegue olhar todo mundo.

É mentira!

Maria!

[música de tensão]

Ó, eu já volto, hein? Vou deixar Dolores no comando.

Não é você que tá no comando, ouviu, Airton?

[música de tensão continua]

[em espanhol] Obrigada, até logo.

[pássaros cantam]

[tilintar de gelo]

[em espanhol] Chefe!

Tem um carro chegando!

Atenção, Ramirez.

[som de motor]

[som de pássaros]

[porta abre]

[porta bate]

Um presente do Sr. Navarro pelos serviços prestados.

Tchau.

[música de tensão]

[música de tensão aumenta]

[música de tensão continua]

[barulho de fecho]

[em português] Puta que pariu, homem.

[ri]

[Geise respira assustada]

[Airton] Trouxe algo pra mim?

- Hein? - Hã?

- Trouxe uma coisa pra mim? - [em espanhol] Está tudo bem?

[em português] É paranoia, tá?

Tá tudo bem, né?

- Você viu alguma coisa? - [em espanhol] Não, tudo calmo.

- Tudo. - [em português] Tá bem.

Vamos pra casa, Dolores? Vamos pra casa, gente.

Vamos pra casa. Vamos pra casa agora. Vem.

- Vem, Maria, vem. Vem tu. - [Airton] Deixa eu brincar mais um pouco.

[cliques de câmera]

[música de tensão]

[carro ligando]

[em espanhol] Saia!

Saia!

Sai, caralho! Eu sou da polícia!

[música de tensão continua]

[som de fax]

[puxa papel]

[Morello] Santana!

- Que foi? - Dá uma olhada aqui.

Porra!

[som de discagem]

[chamando]

[em espanhol] Sabia que ia gostar.

O dia está muito bom. Me fala, encontrou a casa?

Não, pude segui-los.

Trancaram meu carro.

Acho que eram os seguranças dela.

Não, por favor. Não vá sozinha.

Precisa de uma equipe.

O que foi?

O que aconteceu, Morello?

Desculpe.

Não se coloque em perigo, por favor.

Já perdemos a Andrea.

Vargas também perdeu dois homens.

Que se foda.

[em português] Evandro tava lá?

[em espanhol] Não, mas a família estava. Ele também deve estar aqui.

Desculpe, só consegui as fotos.

[em português] Vão ser mais importantes do que imagina.

Manda por correio também. Eu te mantenho informada.

Se cuida, hein?

Oi, é o agente Santana, da Polícia Federal.

Queria reportar uma prova de sequestro.

[música animada]

[em espanhol] Caminhão 1 e 2, rota 3.

[música animada continua]

Caminhão 3, rota 5.

Hermes, Hermes. Caminhão 3!

[som de motor]

[em português] Pelo sul.

[em espanhol] Pelo sul. Escute o que eu digo.

Certo.

[Wilbert em português] E aí?

Porra, tô até aqui agora. E aí?

Preciso me organizar aqui também. Saporra tá vindo de onde?

Se... Sepetiba?

Alô? Não tô te ouvindo.

Pendotiba.

Porra, tá com um peru na boca, Fininho? Não tô te ouvindo, caralho! Fala devagar.

Libera aí.

[carros em velocidade]

[música de suspense]

[celular toca]

- Já chegou tudo. - [Evandro] E no porto?

- [bipe] - Aqui já foi.

[ri] Valeu!

Já tá viajando, já, chefe.

- [Evandro] Tô orgulhoso de tu. - [ri]

Opa!

[música de suspense acaba]

[samba toca ao fundo]

Amigo, um cafezinho.

Vê a conta, por favor.

[Afonso] Tá tudo aí.

Data, hora e local de onde o carregamento vai passar.

Como é que tá a perna?

[arfa] Eu tenho que beber muito pra comemorar.

Nossa! Meu Deus, que trabalheira!

[suspira]

Brinda comigo?

Não.

Porra, Evandro! Que é isso, cara?

Estamos falando dos Estados Unidos, bicho!

Maior mercado do mundo.

E não é aquele esquema provisório, não.

Já foram duas remessas. A rota é sólida.

Tô pensando aqui, Burgos.

A gente sabe que o esquema tá dando certo.

Não acha que tá na hora de exigir um aumento na nossa participação?

[trovão]

[Morello] Jogo geral aí, hein?

[bipe]

Não vai deixar passar nenhum caminhão sem revista. Copia?

- [bipe] - [homem] Copia.

- Tá bom. - [bipe]

[celular vibra]

- Navarro? - [em espanhol] Evandro.

- Algum problema? - [em português] Problema nenhum.

Quero te convidar pra uma reunião, comemorar, fazer o balanço dos negócios.

Falar sobre os próximos passos.

[em espanhol] Ok. Você vem à Bolívia?

[em português] Vou.

[trovão]

[motor de carro]

[música de tensão]

Encosta!

[homem] Ih, caralho!

Papai!

[música de tensão continua]

[rádio toca]

Chefia, deu merda!

O primeiro carro foi grampeado aqui na BR.

[Hermes] Mas como assim, porra?

Aê, para aí!

Desliga o carro, vai!

Quem tá no comando aí, mermão?

A Federal, cumpade.

Desce devagar!

Vai lá! Abre o baú!

[música de tensão]

Abre o baú.

Que eu faço agora?

Vamos lá, respira.

[policial] Rápido, porra!

[Morello] Vai, mermão!

Leva ele aí.

Qual é, meu cumpade?

[homem] Fala, chefe.

Olha só, manda o caminhão retornar

e pegar a primeira saída da BR.

[Morello geme] Caralho!

Você aí! Dá uma ajuda aí!

O caminhão vindo, mando ele retornar.

Beleza.

[pancada]

[música de tensão]

Aí! Aí, Santana, caralho!

[música animada]

Retorna, pô!

[som de motor]

[porta bate e carro arranca]

[música animada]

Algema o motorista e bota no carro.

Essa quantidade não bate.

Tem mais vindo aí.

Tem coisa pra caralho ainda.

- [bebê choraminga] - [Geise] Shh.

- [bebê choraminga] - Não quer dormir.

- Não quer dormir, - Ô, moleque!

- [Geise] Não quer. - Geise.

- Preciso te entregar uma coisa. - O quê?

O Burgos mandou entregar.

O que é isso?

Ô, molecão!

Precisa ler tudo isso?

Não, pode passar, você vai entender.

Ei. Tá querendo ficar acordado com o pai?

Quem tirou isso aqui?

São os meus filhos! Eles não têm o direito de tirar foto dos meus filhos!

Geise.

Essa aí é você,

os seus filhos e a Maria.

Que não é sua filha.

Eles vão te acusar de sequestro.

Para, Evandro.

Mas eu não sequestrei ela, Evandro.

- Tô protegendo ela de uma louca! - [Evandro] Geise!

Vai ficar tudo bem. Tá?

O Burgos vai te defender quando isso sair oficialmente.

Aqui no Paraguai a gente tá bem. A gente tem o Neves.

O negócio com o Navarro tá indo bem, mas no Brasil, vai ser foragida.

[Geise ofegante]

Me dá ele.

Como assim?

[ofegante]

Vem cá, filho. Vem cá. Vem aqui.

- Caralho, tô fodida, Evandro! - Tá fodida, não.

- Puta que pariu, tô fodida, cara! - [chora]

Vou resolver isso. Tá?

- [celular vibra] - [bebê geme]

- Alô? - [Hermes] Fala, chefe! Já resolvi tudo.

Mas tem ficar ciente: caiu um dos caminhões.

Falei com os motoristas e eles estão desviando o caminho. Tá tudo certo.

Nenhum informe de caminhão carregado, Morello.

Podemos encerrar a operação por hoje?

- [bipe] - Tá ok.

Quero saber por que eu tô algemado.

Quero falar com o meu advogado! Eu tenho direito.

Você não pode me deixar aqui sozinho!

[homem] Cadê meu advogado? [geme]

Tá aqui seu advogado, porra! Fala com ele!

Fala com ele, caralho!

Fala com ele!

- Morello? - Tá com pena? Sai fora!

Vai, fala! Eu quero... Cadê?

Cadê o provimento? Cadê o carro?

Cadê os outros caminhões? Fala!

[homem grita]

Me fala, porra!

[homem geme]

[Santana] Senta!

[homem geme]

- Vou te perguntar agora. - [geme]

Se você não responder, saio dessa sala e deixo você com ele.

[homem ofegante]

Cadê os outros caminhões?

A gente sabe que tinha mais.

[ofegante]

[gritando] Fala!

- Tinha, tem! - Tem? Então, cadê?

Dá o esquema todo!

O esquema é setorizado.

A gente não sabe um do outro.

Eles devem ter desviado quando vocês me pararam.

Tinha um carro na frente tomando conta.

[ofegante]

- Sou inocente, doutor. - [Santana] Inocente?

[homem] É!

- Então, eu... dividi os caminhões. - [em espanhol] Sim.

[em português] Saindo das vias principais.

[em espanhol] E como os avisou? Cortou a comunicação.

[em português] Bom, aí é...

- segredo, né? - Ah...

[em espanhol] Está bem. [ri] Tudo certo.

[em português] Obrigado, Navarro.

- E obrigado pelo uísque. Muito bom, hein? - Hum.

São só reuniões, volto logo.

Tu vai pra onde, Evandro?

Bolívia.

- Toma cuidado, Evandro. - Pode deixar.

Venha.

- Te amo. - Também.

Beijo. Hum.

- [Geise] Satisfação, Dr. Burgos. - Satisfação.

[Burgos suspira]

Foi ele?

- Foi o Morello. - Esse puto não tinha que tá fora?

[suspira] Sabe como é a justiça.

- Mas ele vai ser indiciado. - É bom.

Senão vou ter que fazer à moda antiga.

[música de suspense]

[porta range]

[portão range]

[sirene ao longe]

[música de suspense]

- Evandro! - Navarro.

[em espanhol] Desculpe, estava cuidando de outras coisas. Ah, sim.

Que dor de cabeça. Estou de ressaca de ontem.

Hermes quase me mata.

- Ele é bom de copo. - Sim.

Muito bom.

- Quer um cigarro? - Não.

E meu isqueiro?

Você também quase me mata.

No mau sentido.

[em português] Que bom que salvamos a carga.

[em espanhol] Você salvou. Eu vou receber o dinheiro.

De qualquer modo.

[em português] Que bom que deu tudo certo. Isso é bom pra gente.

[em espanhol] É verdade. É bom pra gente.

[em português] Tava pensando que a gente tá dando passos largos, né?

A tendência é aumentar a carga a cada remessa.

Pensei da gente conversar sobre novos valores.

Segundo você, o risco maior é o meu.

[em espanhol] Novos valores...

Para pagar mais aos seus homens?

Que são bons, muito bons.

- [em português] Dos valores, pensei... - [em espanhol] Não.

Eu vou pensar nos valores.

E depois vemos se meus valores

coincidem com os seus.

O que acha?

- [em português] Tá bom. - [em espanhol] Ok. [funga]

E já que estamos negociando e falando dessas propostas,

eu queria fazer uma pergunta...

Quanto vale o Hermes?

Tenho interesse.

Estou encantado com o trabalho dele.

- E ele está feliz aqui. - [em português] Ele não tá à venda.

[em espanhol] Vou pensar num valor para isso e falamos de tudo junto.

[em português] Navarro, o Hermes...

é um soldado de execução.

Não é o cara das ideias.

[em espanhol] Ele nunca teve espaço. Você nunca deu.

Espaço para ele brilhar.

Hum?

Tenho que ir.

Hum. Depois continuamos, certo?

Foi um prazer.

[música de tensão]

Onde coloquei o isqueiro? Você tem aí?

Matem esse desgraçado.

E a família dele no Paraguai.

[bebê balbucia]

- [som de motor de carro] - [música de tensão]

[em português] Airton, Maria!

Shh. Vem aqui.

Maria, vem. Vem cá. Entra aqui, vem.

Entra aqui, vem, Maria.

- [bebê chora] - [Geise acalenta]

Olha, agora vamos brincar de pique-esconde. Embaixo da pia.

Tá? Vem aqui, Airton.

Tranca, tranca!

[música de tensão continua]

- [pneu canta] - [em espanhol] Vamos! Ele está fugindo!

Vamos!

[música de tensão aumenta]

[pneu canta]

[em português] Bora, irmão! Merda!

[música de tensão continua]

[som de discagem]

[motor de carro]

[celular toca]

- Fala, amor! - Evandro.

Tem uns homens aqui.

Uns homens que eu nunca vi na vida.

- Merda! - Tem uns carros, tão cheios de armas.

Sabe onde tão as armas, não sabe?

[Geise ofegante] Eu sei onde tá.

Pega! Tá bom, meu amor?

Tá bom. [chora]

Vou pegar isso aí.

Vou resolver essa porra.

Tá bom, tá bom. Pode deixar, tchau.

Tchau, tchau.

[ofegante]

Vai, cumpade, vai!

[pneu canta]

Aqui, vira aqui. Vira aqui!

[carro acelera]

[carro freia]

[em espanhol] Para cá, para cá.

[Geise em português] Abre, Airton!

[ofegante] Ai...

Vai, entra! Entra!

Para ali.

Para aí.

[pneu canta]

[som de coronhada]

Babaca!

[música de tensão continua]

Hermes!

Hermes, porra!

- Que houve? - E os seguranças?

- De folga. - [Evandro] Fecha essa merda.

- Que tá acontecendo? - Fecha!

- Calma! O que tá acontecendo, chefe? - Porra!

Que tá acontecendo, o que tá pegando? Tu não tinha reunião com o Navarro?

Lá era tudo, menos reunião, Hermes.

- O cara queria me matar, mermão. - Não, não, não.

Ele é gente boa. Gosta do nosso trabalho.

Nosso trabalho, não. De você.

Tive que sair correndo de lá, ele tentou me matar.

Quer me matar pra te pôr no meu lugar.

Olha só, Evandro, eu só vim aqui pra poder te ajudar.

Eu só vim pra isso, mas volto. Pra resolver isso, eu volto.

- Não tem como voltar. - Como não?

É claro que tem. A treta não comigo?

A treta é contigo, mas não tem como voltar. Ele quer você na liderança.

Ah, isso é mole, pô!

É só eu não querer também.

Aí seriam dois mortos, parceiro.

[Hermes] Hã?

[suspira]

- [bebê balbucia] - [Geise acalenta]

Acho que papai tá chegando. Vamos contar. Fecha o olho. Vamos contar.

- Conta. - [Maria] Um,

- Conta, Airton, conta. - ...dois,

- três... - [Geise] Três...

- ...quatro... - ...quatro...

- ...cinco... - ...cinco...

- ...seis... - ...seis...

- ...sete... - ...sete...

[Maria] ...oito,

- nove... - ...nove...

Que é isso?

Os caras do Navarro tão vindo me pegar.

Então vamos fugir, Evandro. Tem um carro ali atrás. Vamos meter o pé.

Não dá, meu parceiro.

Então, sei lá. Vamos cair pra dentro.

Vamos cair pra dentro, honrar nosso nome. Se for pra morrer,

a gente leva os filhos da puta junto.

Não dá, porra! Não dá! Desculpa.

Eles tão com a minha família, Hermes.

- [bebê balbucia] - [inaudível]

[música triste]

[música de encerramento]

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