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Original subtitles

Da bolsa de valores pro Pinéu foi sem escalas, né, meu irmão?

Pra ganhar meu primeiro milhão, eu cheirei outro milhão.

Como assim nenhuma notícia do Jorge? Ele não pode ter sumido!

Que tá fazendo aqui, agente?

Sou seu novo parceiro.

Eu andei conversando com a sua mãe,

e a gente tá querendo abrir uma igreja.

[homem] Nós precisamos fazer três viagens nos próximos tempos.

E eu vou junto, viu?

[gritos de dor]

Ai!

Eu quero saber tudo. Tudo!

[Arlete] Quero os pertences do Charles.

Tinha câmera de filmar, de fotografar, procura, quero tudo.

Tem mais ouro branco no estoque?

Tem sim, patrão.

Pode descarregar geral, vou levar.

Vou precisar de 300 quilos pro Comando também.

[em espanhol] A droga do Comando será liberada quando os 200 chegarem a Miami.

[Evandro em português] Precisa começar, ou vai dar merda com Bebeto.

Vamos por fora do porto.

[Wilbert] E aí, tudo bom?

Foi mal. Não sabia que tu tava acompanhado.

[ofegante]

[homem] Mas é a casa do cara. Acho perigoso.

Não interessa o que você acha. Interessa o que mando fazer.

- Não posso atender ele assim! - [celular tocando]

- [Afonso] Inês! - [sufocando]

Fala alguma coisa!

[nervoso] Atende, atende, porra!

[Afonso] Inês!

- [celular tocando] - Inês!

Caralho!

Inês!

Inês, fala comigo. Inês!

Chama um carro agora.

Manda um carro agora! Porra!

[mulher] O senhor é o responsável?

- [bipes] - Sou.

[respira fundo]

Filha...

Posso falar com o senhor um pouquinho?

Está ciente que foi overdose?

Ela vai precisar ficar mais tempo.

[bipes do monitor]

Ela tá fora de perigo?

Tá.

Ela precisa de ajuda.

Eu sei.

Que você fez, filha da puta?

Olha onde você botou minha filha!

Eu salvei a vida dela.

De novo.

Tá de sacanagem, moleque?

Tô de sacanagem, não.

Ela ligou pra mim.

Não pra você.

- [sons de disparo] - [homem geme]

[risadinha estridente]

- [sons de disparo] - [bipe ininterrupto]

[látex sendo puxado]

[música tensa]

[música-tema]

[ofegante]

- [suspira] - [celular vibra]

- [Morello] Alô? - Cadê você?

[suspira]

Tô resolvendo um assunto particular.

Cassiano tá atrás de você. Que tá havendo?

[solta o ar]

[arfa] Santana... [suspira]

...preciso de uma ajuda.

Olha só! O mundo dá voltas!

Preciso que você acione a Civil.

Minha casa foi assaltada ontem à noite, roubaram tudo.

Inclusive uma das minhas armas.

[grita] Não pula de cabeça!

Deixa o moleque.

Se tu não vai trazer a Maria pra cá,

eu quero voltar pro Brasil.

- Como é que é? - Eu quero voltar!

Perto dela a gente pode proteger.

Proteger de que, Geise?

Evandro! Sabe que tudo que tu faz reflete no Dendê.

Enquanto tua mãe estiver no Dendê, vai estar correndo risco.

- Deu ruim pra tua mãe, deu ruim pra Maria. - Geise,

a gente não vai voltar pro Brasil. Ponto final.

Navarro, eu preciso voltar pro Brasil.

[em espanhol] A carga não chegou a Miami.

[em português] Provei minha lealdade.

[em espanhol] Quem me garante que a carga vem?

[em português] Navarro,

se vamos trabalhar juntos, precisamos de confiança.

[em espanhol] Se vamos trabalhar juntos, preciso de eficiência.

[em português] Preciso tá perto pra isso.

[em espanhol] Até que a carga chegue, não vai a lugar nenhum.

[homem 1 em português] O foco é automático. Aqui você mexe no zoom.

Pra começar a gravar, aperta esse botão. Entendeu?

[homem 2] Alô, som, som! Jesus!

Jesus!

- [bipes] - Como você tá?

Tá com uma carinha melhor.

[Inês suspira]

Filha...

a gente vai precisar conversar pra isso funcionar.

Amanhã você vai ser liberada, a gente vai voltar pra casa,

já arrumei uma pessoa pra preparar a comida,

vai ficar com você.

Ou vai me vigiar?

[ri] Também.

E agora vai ter umas regras, viu?

E sérias. Seu dinheiro vai ser contado.

Comida, passagem, vai ter hora pra chegar, pra sair, ponto, tá?

[Inês respira fundo]

Como você quiser, pai.

Agora só me deixa dormir, vai.

[Morello suspira profundamente]

[clique de câmera]

Que porra é essa?

Acharam nos fundos do hospital.

Falou com o Morello?

Ele tava resolvendo uma questão pessoal.

Não o vejo desde ontem.

Assaltaram a casa dele.

Ele disse que roubaram uma arma.

Qual é, Gilmar?

Tá tudo certo, cumpadi.

Tá tudo no lugar, dei meu jeito.

O que não tá certo...

[gritando] ...é sua cabeça, moleque!

E essa catinga de cachaça, aí, porra?

Se fosse o Evandro chegando aí?

Se fosse um Bebeto?

Sabe o que é um Bebeto?

O que ele representa no Comando?

Se estourar uma guerra, você tá pronto?

Hã? Tá pronto pra ir de frente, irmão?

Gilmar, tá tudo certo, cara. Aí...

relaxa. Sou iluminado, cara.

Tá tudo certo com o morro.

Aqui a gente dá conta do serviço.

A gente se diverte, mas dá conta.

Mesmo sem o ouro branco, tô dando um jeito de pagar o Comando.

Tô te dando esse papo porque eu gosto de tu, mano.

Para com esse caralho, com essa porra dessa fanfarronice.

Parceria

é responsabilidade, porra!

Evandro tá tendo que segurar maior barra na Bolívia. Precisa de nós.

Filha da puta, o pela-saco do Navarro, aquele viado,

falou que só vai liberar o produto

depois que a parada chegar nos Estados Unidos.

Enquanto isso, o Bebeto tá aqui, ó,

de olho na gente. Pra ver se conseguimos pagar um mensal por dia.

Tá foda. Maior pressão, irmão.

Cheiro do caralho de cachaça.

Que foi, meu irmão?

Era uma nove milímetros.

Onde você tava ontem à noite?

Isso não é da sua conta.

Você atirou no joelho do cara, agora ele tá morto.

Era bom você dizer onde tava.

Tá suspeitando de mim, agente?

Não.

Você não seria burro de fazer desse jeito.

[tilintar de chaves]

[música dramática]

Você vai sair, pai?

Vou.

Por quê? Você quer alguma coisa?

Quero conversar com você.

[em inglês] Muito obrigado.

Boa sorte! Nos falamos em breve. Tchau.

- [em português] Chegou. - Eu sei.

[em espanhol] Muito bem, Evandro.

Estou muito orgulhoso de você.

Você mostrou ser um homem de palavra.

Dou muito valor a isso.

Pessoas de palavra. Ótimo.

- [em português] Falei. - [em espanhol] Sim.

[em português] Quem quebrou foram os Urquizas. Vivo da minha palavra.

[em espanhol] Evandro, terá que entender que agi com um pouco de violência,

tive que me precaver, mas não é nada pessoal.

Vamos esquecer isso. Vamos olhar para o futuro, para a frente.

Quer fazer novos investimentos com você.

- Quero que lucremos juntos. Nós dois. - [em português] Sim.

[em espanhol] Com muito dinheiro. Ok?

Evandro...

a carga pode ir para o Comando.

[em português] Ótimo. Vou junto, Hermes fica com você aí.

[em espanhol] Certo.

- Muito bem, Evandro. - Até!

Depois de amanhã é aniversário da Carol.

Quem é Carol?

Minha melhor amiga, pai.

[respira fundo]

Ela vai fazer uma festa.

Não. Não, Inês.

[Morello suspira]

Onde é?

Vai ser numa boate.

[suspira]

Qual?

Baleado na beira de uma estrada.

Os meus amigos do crime estavam lá?

Não!

Alguém estava preocupado comigo?

Não.

Foi então que eu percebi que estava sozinho.

Mas então me dei conta

que eu estava com as palavras de Deus.

- [todos] Glória a Deus! Aleluia! - [aplausos]

As palavras que aquela senhora,

dona Arlete,

- me ensinou. - [todos] Amém!

Aleluia! Glória!

E foi então que eu entendi que o pastor estava certo.

Eu tinha que voltar!

E eu voltei pra ficar!

[todos] Glória a Deus! Aleluia!

Portanto, podem espalhar por aí:

o pastor Juninho está recebendo quem quiser entrar.

Se você for do Comando

e não quiser deixar sua arma do lado de fora, vem com ela!

Se você tem um vício

e não consegue abandonar,

a gente te ajuda a se livrar.

- [todos aplaudem] - [palavras indistintas]

- Alô? - [Cassiano] Saiu o resultado da balística.

A arma era sua, né, Morello?

Foi roubada.

Na noite anterior? E você só deu queixa do furto depois do crime?

Não sou obrigado a dar queixa correndo.

- Foi você, Morello? - Não, mas bem que gostaria.

[Cassiano] Dá um jeito nessa merda.

O Ministério Público vai querer falar contigo

antes de você ser indiciado.

E vê se não faz mais merda.

- Onde é que você tá? - Tô indo praí.

Paz do Senhor, irmã.

Parece que eles gostaram, né?

É, quem gostou mesmo foram os traficantes, né?

Podem fazer o que quiser.

Entrar armado, drogado...

Qual a mensagem que você acha que vai passar?

Foi assim que me salvou.

O enfrentamento só vai afastar esses meninos.

[Arlete suspira]

Algumas almas não têm salvação, meu filho.

Eu sou mãe de bandido.

Eu sei do que tô falando.

Será que não foi esse enfrentamento,

essa dureza, que afastou o Evandro de Deus e levou ele pro caminho de lá?

Vamos, Maria.

[Burgos] Espera lá embaixo. Vou subir pra ver as fitas.

Já é!

[música animada]

- [homem] Aí! - Tem certeza que é ele?

É.

É esse cara? Foi essa foto que você me passou.

É.

A foto é essa mesma.

- Então... - Tem certeza?

Dá uma olhada aí.

Vê aí. Vê! Não é ele?

É o cara. Filho da puta!

Tô falando. O cara tá aí toda hora, cara.

Parabéns! Dívida muito bem paga.

[homem] Obrigado. É isso aí.

Olha só!

Ó a maconha!

- Tá servidona. Volte sempre. - Valeu, cara.

Ei, cara!

- É o mais novo. - Playboy, o papo aqui é grana.

Tira, tira da mesa, porra!

- Rala, rala, porra! - [conversa indistinta]

Ligou ali!

Ô, dona Arlete!

Dona Arlete! O que a senhora tá fazendo?

Não interessa. Sai da frente!

A senhora não pode fazer isso, dona Arlete!

E quem vai me impedir? Você?

Esconde essa porra aí, cara!

[som de filme fotográfico]

E aí, tudo bem, dona? [ri]

Ai, que saudade que eu tava!

Tá com saudade, filho?

Geise?

- É a Geise! - Mulher!

- Já tá homem! - [animadas]

[Geise] E aí, meninas?

A loura ficou morena, gente!

- Ó lá! Ó lá! - A loura ficou morena!

Olha essa pinta!

- Pera aí. Airton? - Aqui!

- Ai, tá enorme! - Grande, né?

Que lindo!

Tá enorme.

E aí? É teu?

Olha aqui, é o Evandrinho.

Posso pegar um pouquinho?

Claro. A gente carrega nove meses e fica a cara do pai. Olha.

Ora, que é isso?

[imita voz de bebê] Que fofura, minha gente!

Vem cá, gente. E minha sogra?

Tá por aí.

A igreja nova dela é onde?

Lá no Valão do Prejuízo.

Airton, fica aí com as meninas e o Evandrinho,

vou resolver um negócio. Tá?

- Tá. Pode ser. - Pode, meninas?

Claro, claro.

- Pega isso que ele golfa muito. - Segura aqui.

A nossa, não. É a outra.

Então tá, meninas.

- Até já. - Vamos entrando.

Deixa eu ficar com esse neném!

Que coisa mais fofa!

Vou te falar, chefe,

isso aqui é o melhor pior lugar do mundo.

Maneiro.

Saudade daqui.

Que você queria mostrar?

Vai se amarrar! Chega aí.

- Tudo bom? Beleza? - Beleza.

Tudo bem?

Que porra é essa?

É a maquininha da grana!

Conheci essas belezinhas com um amigo meu na Baixada.

Bota o dinheiro aqui, ó...

Ó, lá!

É tipo aposta, tipo loteria. Tá ligado?

Aí, ó! Ganhei!

Dá até pra ganhar um dinheirinho.

Sortudo mesmo é o dono da máquina. Ganha sempre.

No caso, o Comando, né?

Quer dizer, nós.

Pô, cabeça de empresário. Tô gostando de ver.

Aprendi com quem sabe, né, chefe?

Tive que me virar sem o ouro branco.

Foi foda, né?

- E aí, posso continuar? - Claro, a ideia é boa.

- É só seguir, moleque. - Valeu!

Bora, bora, bora!

[tilintar do gelo]

O seu parecer pode se tornar irrelevante.

Por quê?

Tão armando pra mim.

Então, tão te acusando de algo que você não fez?

E você não pode se defender?

Não posso usar o meu álibi.

Por quê?

Porque não quero expor quem tava comigo.

Então essa pessoa é importante pra você?

É.

E você não quer expor ela porque gosta dessa pessoa?

Isso.

Você acha que o problema é expor a pessoa?

Ou o problema é se expor?

- Tchau, pastor. Paz de Cristo. Até amanhã. - [Maria] Tchau.

Tchau, bom trabalho. Vamos, meu amor?

Meu amor,

fica ali. A vovó já vem.

[suspira]

Oi, dona Arlete.

Geise.

Olha, Arlete,

aquele dia foi muito confuso.

Um monte de coisa acontecendo.

Eu quero...

Eu quero te pedir desculpa.

A gente tá na casa do Senhor,

se você veio pedir perdão,

não sou eu quem vai negar.

Você sabe que...

fica aqui na minha cabeça martelando

que as coisas não tinham que ter acontecido assim.

O Airton sente tanta falta da Maria.

A Maria sente falta dele também.

A gente tá aqui de volta.

Pra ficar perto da Maria.

[suspira]

Lá em casa tem até um quartinho separado pra ela.

A gente vai ficar aqui.

Deixa a Maria vir morar com a gente?

Fiz uma promessa pra Mariana quando ela morreu.

De cuidar da Maria.

Ver as crianças longe assim é de cortar meu coração.

Ver a nossa família separada.

A Maria tá muito bem comigo.

A gente vai ficar aqui perto.

Eu, Evandro, Airton.

Evandrinho.

Você vai pode ver ela sempre. A senhora.

Todas as vezes que eu tentei confiar no Evandro,

eu perdi tudo.

Eu não tenho mais fôlego pra ver a vida tirar um membro da minha família.

Eu pedi uma nova chance.

Acreditei...

e Deus me deu.

É minha missão cuidar da Maria.

Ele botou na minha mão

a chance de escrever um capítulo bonito na vida dessa criança.

E não vou deixar o Evandro estragar isso.

O Evandro é um criminoso.

Vocês não têm nenhuma condição

de cuidar de criança.

Eu criei o Airton sozinha.

E eu crio o Evandrinho com todo amor do mundo.

Mas a Maria não é sua filha.

Nem do Evandro.

Vocês não podem tirar ela de mim.

Se o Evandro é um monstro,

a senhora que criou esse monstro, dona Arlete.

Que que é que vai garantir

que a senhora não vai fazer o mesmo com a Maria?

Repetindo a mesma história.

Hein?

[música dramática]

[suspira]

[música animada]

Tu vem aqui todo dia

- só pra ficar olhando? - É.

[ri com desdém]

[som de pancadas]

Porra, Bagdá! Crack?

Isso faz um mal pra saúde, Bagdá.

- Ah, é? Cocaína que faz bem, né? - Isso mata rato.

A gente perde a clientela.

- Tem um primo meu... - Saporra vicia mais rápido do que mata.

Filha da puta vende a mãe por ele.

São Paulo tá fazendo uma grana forte com isso.

Até o nome disso é sinistro. Porra, Bagdá!

Vamos fazer o seguinte, Salvador:

tu não se mete nos meus bagulho,

eu não me meto nos teus.

Porra, sem o ouro branco, aqui não vai, irmão.

Sei não, hein, Bagdá. [ri]

Meu dinheiro que tá sustentando essa porra, cumpadi.

Hoje mesmo eu recebi um pagamento.

[gargalham]

Tamo junto, irmão!

Aí, deixa a porta do avião aberta também?

Caladas as duas piranhas.

Ei, amigo!

Pelo amor de Deus, eu tenho dinheiro.

Não é nada pessoal, careca.

Cara, eu tenho dinheiro pra caralho. Tenho muita coisa. Entende?

Eu tenho dólar. O quanto quiser. Pra caralho.

É mesmo? Por incrível que pareça, eu também tenho.

Eu tenho muito dinheiro. Mais que a porra do PIB da Nicarágua.

E onde é que fica a Nicarágua?

Hoje é dia de sorte de alguém.

[mulher geme]

Andreia Castelo Branco.

É a senhora?

É ou não é? É você?

Chegou seu dia, lindona.

- [bate palmas] - Tá libertada.

Vai!

Igual canguru mermo. Vai!

Isso.

- Aí, meu amigo. - [geme]

Não tenho notícia muito boa pra te dar, não.

Acho que a tua mulher não gosta muito de tu.

Ela tá negociando mixaria com a gente.

O dinheiro que ela quer dar não paga nem a gasolina de buscar.

Pra ela, você não é ninguém.

Antes de você ainda vem o zero.

Desculpa, eu me compadeço com a sua dor.

Eu já sofri por amor também.

[homem balbucia]

[Salvador] Já.

Aceita que dói menos.

Aí, Gilmar!

Porra! Até que enfim, cu rachado!

Valeu, mano.

Radinho, me faz mais um favor.

Traz o Super Trunfo pra mim.

- Que porra é Super Trunfo? - Carteado, caralho!

Vocês não sabem de nada, hein?

E aí?

Pegaram o piloto.

- Caralho! Quem pegou? - O cara tá morto.

Assassinado na frente de uma boate.

Achei que você ia gostar de saber.

[barulho de digitação]

Quatro bilhões e meio.

É o dinheiro que você vai ter que me dar.

Como assim?

É o PIB da Nicarágua.

Vou te dar um papo, careca.

Não curto essa parada de sequestro.

Ter que ficar tomando conta de barbado velho.

Eu tô morrendo de fome.

Minha parada é ação. Mas fica tranquilo, vai passar rápido.

Vai passar?

Você tem muita sorte,

porque tem vagabundo lá fora que nem sabe o que é PIB.

Não, não, por favor.

Eu tô com fome, quero água, por favor!

Relaxa aí, careca!

[homem geme]

[som gutural]

Eu quero água!

- Qual é a tua aí, Gilmar? - Entra aí.

[suspira]

[Morello] Esse homem aí. Um pouco mais.

Bota aí!

É o segurança do Evandro.

Mais...

Volta, volta, volta.

Aí!

Caralho!

O Jorge e o Pedro Carlos Dias.

Que Pedro Carlos?

PC Dias.

- Que trabalhava com o ex-presidente. - É ele?

É. Volta aqui.

Aí. Para!

- Ó. - [som da fita rodando]

Caralho! É ele mesmo!

[sussurra] Caralho!

Puta que pariu!

- É o PC Dias esse cara. - Quem?

PC Dias, o político que roubou todo mundo.

Sorte a dele que eu não reconheci.

Sorte a nossa, né?

Já que ele roubou todo mundo, vamos roubar dele e pegar pra gente.

Beleza?

O Jorge transportava carga pro tráfico e pros políticos.

É, mas ele fez alguma merda.

Porque esse cara aqui, ó,

é o segurança do Evandro.

Ele foi atrás dele.

Agora estão com o Pedro Carlos e vivo.

Se quisessem, tinham matado ali mesmo,

junto com o piloto.

Esse cara vale ouro.

Isso aí é um peixe gordo.

[música instigante]

Qual é, mané! Entoca os bagulho, que a tia tá vindo.

Entoca!

[cão latindo]

[criança grita]

[suspira]

Foi. Monta aí.

[toca funk]

[bafeja]

Valeu, pai.

Vai dar tudo certo.

Vamos ver, hein?

Esse filha da puta que congelou as contas do povo.

Não. Não foi ele.

Como assim?

Porra, o cara era tesoureiro da campanha, quem congelou foi a ministra.

Por que ele falou da carta?

Tem mais de 4 bilhões.

Foi porque ele ficou com o dinheiro da campanha.

E dinheiro de campanha é tudo em dinheiro.

Tá querendo que dizer que esse puto tem mais dinheiro em dinheiro?

Com certeza. Que nem a gente.

Ou dinheiro fora ou vivo.

Tá certo. Dinheiro fora é mais difícil de pegar.

É.

Vou indo que eu tenho compromisso. Já é?

- Valeu! - [Gilmar] Valeu.

Gilmar, para de comer isso, que faz mal.

Não quero. Para de comer que faz mal.

Tô com fome!

[toca funk abafado]

- Tá limpa. - Valeu, hein, Cadu.

Ela é tranquila, mas tá pisando na bola.

- E, olha, nem uma gota de cerveja. - Beleza.

Fica tranquilo, aviso tudo depois.

- Dá mole pra ela não. É esperta. Valeu. - Deixa comigo.

- Valeu. Falou. - Falou.

[suspira]

Pensei em várias formas de te matar.

Vocês fizeram merda pra caralho.

Minha vontade é vingar quem teve o dinheiro na poupança travado.

Não, por favor. Eu posso explicar, se me permitir.

Na verdade, eu não tive nada a ver com isso.

Eu só trabalhei na campanha eleitoral. [choraminga]

Cala sua boca, seu nojento filho da puta.

[suspira]

Você quem colocou aquele cara lá.

Sua sorte foi que recebi uma carta

e fiquei sabendo de coisas sobre a Nicarágua.

Você tem essa grana?

Tenho, dinheiro eu tenho. Muito dinheiro.

É claro que não tenho todo o PIB da Nicarágua.

Mas eu tenho muito. Posso mandar trazer...

Mandar trazer, o caralho!

Vamos juntos pegar essa porra!

- Entendeu? - Sim, senhor.

Vou agilizar isso, hein?

A única coisa que eu fui condenado

foi por eu ter criado contas que eu denominei

como contas de campanha

para receber doações de campanha.

E a doação, ela é espontânea.

O Evandro vai atrás do dinheiro do cara.

Se a escala era: Alagoas, Rio de Janeiro, Montevidéu,

- o dinheiro deve tá aqui. - [PC Dias] Boto minha mão no fogo por mim.

Me passa outra fita aí.

Complicado isso, Inês.

A gente vive em realidades muito diferentes.

Acho melhor ficar longe de você.

Pra quê?

Não precisa ficar longe de mim.

Teu pai é policial.

Não gosta de mim.

Você também...

[estala a língua]

Eu, o quê, Afonso? Fala.

Você é perigosa, Inês.

Perigosa, Afonso?

[suspira]

Trabalho com isso há muito tempo.

Já vi muita gente que cheira.

Empresário, traficante,

pai de família, mãe de família,

adolescente, pobre, rico, todo tipo de gente.

Tem gente que sabe lidar e tem gente que não sabe.

Quando não sabe a gente saca de longe pelo jeito que a pessoa olha.

Essa gente, Inês,

vende até o filho por causa dessa merda.

- Você acha que sou esse tipo de gente? - Não.

Eu tenho certeza.

Olha pra mim.

Ei, olha pra mim.

Você não pode usar essa merda.

Só tô falando isso porque tô gostando de você.

Tá?

[música romântica]

Quero cuidar de você.

[PC Dias] As investigações vão provar minha inocência.

Não existem laranjas...

Tô indo embora, Morello.

Se é por falta de adeus...

[PC Dias] Nunca paguei despesas de nenhuma sorte

de nenhum funcionário da família do presidente.

E aí, tudo certo?

Não, foi tudo bem.

Só tomou refrigerante, só fumou um cigarro.

Tá bom, obrigado.

Agora, Morello, teve uma coisa, um garoto que parecia educado,

ele acompanhou ela até o táxi,

ela tá em casa agora sozinha.

Morello?

Alô, Morello?

[música instigante]

[homem] A tecnologia já ultrapassou o ser humano.

Ainda não entendemos isso e vamos demorar pra entender.

Aonde a gente for vai ter uma câmera.

No ônibus, no elevador, no shopping.

Vai ter bancos de dados das nossas vidas.

Robôs que vão saber qual é a sua comida preferida,

que música que você gosta...

seus vícios.

A gente vai ser controlado, mermão. É.

Deus é um computador.

Ele sabe de tudo. Vai ver.

Escreve o que eu digo. Daqui a uns anos, você vai ver.

[tosse]

E aí, meu chapa?

Morello!

Esse é um filha da puta esperto, cara.

- Trabalhou com ele? - Muito.

Era uma loucura. Muita grana.

Muita grana.

Era carateca sétimo dan.

[gargalha]

Preciso de detalhes, entendeu?

Telefone, endereço, qualquer coisa.

Ih, mermão. Você sabe que a coisa aqui

tá meia fundida. Hum.

Tinha uns apartamentos.

Apartamentos?

Era muita grana. Muito dinheiro.

É dinheiro de campanha.

Tudo cash.

[risada estridente]

Olha!

- Aí, sim! - [Wilbert] Caralho!

Depois a gente que é bandido. Aí!

Ajuda ele lá. Vai, vai.

Agora!

[Wilbert] Coisa pra caralho!

Não pensei que eu ia cansar de carregar dinheiro. Na moral.

Qual o número?

É 43, aqui, a primeira à esquerda.

É logo ali na frente, o terceiro prédio.

[música de suspense]

Era aqui, eu falei que era.

Era aqui, era aqui.

Estamos no caminho certo.

Tem outro apartamento?

Tem. Dinheiro pra caralho, cara. Vem.

- Vamos, vem cara. - [homem] Dinheiro...

[rindo] É muita grana!

- Caralho! - Qual é! Pega logo!

Evandro, fodeu. Morello.

Fodeu, o Morello tá aqui.

[batidas à porta]

Evandro! Evandro, caralho! Tá na escuta?

[estática]

Caralho!

Evandro! Evandro, tá me ouvindo, porra?

- Oi, fala. - [Afonso] Morello tá subindo no prédio.

- Sai daí! - Quem?

O Morello tá aqui, porra!

- Caralho! Ele tá sozinho, não? - [Afonso] Não.

Esse cara parece carrapato.

Como ele me encontrou?

Vem cá, vem cá.

Aí, ó!

Abre a porta e fica ali. Quando ele entrar, mete bala. Vambora.

- Caralho! - Vamo, ajuda aí!

[música tensa]

[Evandro] Vambora!

[falas indistintas]

[Evandro] Bora, todo mundo!

- Morreu, o caralho... - [falas indistintas]

Aí, não, careca.

- Não, foi engano... - Volta, porra!

Tu tá de sacanagem?

- Tá de sacanagem? - Ia ao banheiro.

Desculpa, é o caralho, rapá!

- Tá maluco? Vambora, vambora! - Fica de guarda.

Vambora, que já foi. Rápido!

Carrega lá pelos fundos!

[gritaria indistinta]

Vai pelos fundos. Vai!

Foi quase!

Sai dessa merda dessa porta!

- Cadê ele? - Não sei, eu juro!

Não atira!

- [batidas] - [homem] Tá trancada a porta!

- Tá trancada! - Vai!

Morello!

[Wilbert] Vem, vem, vem. Psiu!

Vem!

[música tensa]

Vem, filha da puta!

Vem, desgraçado. Vem, arrombado!

É hoje que eu te mato!

[música de encerramento]

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