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Airton, para de mexer nas coisas do Charles.
Não, pode quebrar.
Isso pode quebrar.
[Arlete] Juninho,
eu preciso ir, mas você vai ficar bem. Me promete.
[Inês] O Afonso apareceu pra me salvar, ele é um cara direito.
Ele mora no Dendê, lá é perigoso.
Tu vai remontar o esquema todo do ouro branco.
Vai continuar tudo igualzinho como era, tá me entendendo?
Amanhã tu volta pra fronteira.
Essa porra não tá à minha altura.
Quem dita a sua altura aqui sou eu.
- Caralho, granada, vambora! - [todos] Vambora!
A rua aqui é nossa!
É para continuar atrás dela.
[em espanhol] Se a família está na Bolívia, Evandro também.
[em português] Posso elevar seu produto pra outro nível.
- Estados Unidos. Eu tenho as rotas. - [em espanhol] O tempo está correndo.
[em português] Vai avaliar suas condições psicológicas
pra continuar o trabalho.
[Burgos] Quero contêiner fechado.
Não era esse o seu esquema? Cadê o seu contato?
[homem] Meu contato é meu chefe, e ele arrumou o próprio fornecedor.
- Que porra é essa, Beth? - [gritos]
Não é o que tá pensando.
[Badgá ri]
[em espanhol] É dois desse e dois de todos.
- [música de tensão] - [chiado]
[fim da música de tensão]
[música de ação]
- [homem 1] Manda bomba! - [homem 2] Bora!
[zunido de explosão]
[música suave]
[Geise] Mó casão.
Ei!
[Evandro] Eita!
- Tudo bem, moleque? Tá bem? - Tô bem.
[música-tema]
Tu tá lendo o diário da Beth?
Tu é muito otário mesmo, Salvador.
Isso aqui é a agenda da Beth. Só gente da nata, só magnata.
Milionário. Nego colecionador de obra de arte.
Tem até endereço de correspondência!
Ah, é? E tu quer fazer o quê? Quer promover
a porra do funeral da Beth, Salvador? Qual é, meu irmão?
Quero fazer umas visitinhas nos apartamentos dos bacana.
A gente ligava, fingia que é da companhia elétrica,
pedia um dia pra ir lá pra verificar a rede.
Diz que tá tendo gato na região, porque rico
gosta de gastar, mas não gosta de perder.
Como a Light não entra na casa de ninguém,
a gente perguntava: "Qual o melhor dia pra ir, porque vocês podem ficar sem luz".
- Dia de não ter ninguém em casa. - [Bagdá] Tá de sacanagem, né?
Porra, tu vai ficar invadindo casa de bacana cheia de segurança?
Vai acabar rodando nessa porra, caralho.
[suspiro] Você...
é um otário satisfeito da Silva, Bagdá.
Isso é dinheiro fácil, Bagdá.
É dinheiro gordo, porra!
Presta atenção, Salvador. A gente tem que focar.
Focar pra fazer produto bom. Pegar produto bom!
E fazer dinheiro forte.
[falando baixo] Salvador, porra. Eu tô cheirando pó do Comando.
Eu não tô cheirando pó que a gente vende. Isso é muito grave, porra!
Eu também tô cheirando essa merda.
Melhor o gosto que o desgosto.
Vende essa merda aí que tem mesmo e deixa eu fazer esse dinheiro, porra!
Um dinheiro fácil desse, meu irmão.
[cheirando]
Você precisa voltar pra faculdade.
Vai ficar sem fazer nada?
Eu não tô sem fazer nada. Tô me cuidando.
[Morello] Estudar vai te ajudar.
Devo ter até perdido o semestre já.
Olha, deixa eu te dizer uma coi...
[suspira]
Vai ser bom pra você, Inês. É importante.
[telefone chamando]
- Alô, Hermes? - [Hermes] Fala, chefe.
Arruma tuas coisas. Quero você aqui na Bolívia.
Você vem amanhã à noite. Vou te mandar um transporte aí.
Tá ok. Já é. É nóis. É o bicho.
[Evandro] Valeu.
[gritando] Wilbert!
Ô, Wilbert!
[Wilbert] Tô aqui.
Evandro quer que eu vá pra Bolívia.
Qual foi? O que houve?
Não sei. Ele não quis me dizer.
Ele quer que eu vá amanhã de noite.
Escuta aqui, ô moleque. Você já voltou fazendo merda.
Eu não autorizei você a pegar aquela boca perto da ponte.
Eu não autorizei você a usar meus homens.
Você tem que aprender a respeitar a porra da ordem.
E outra coisa, meu cumpadi.
Quem manda aqui, ó, nisso aqui tudo, no Dendê...
é o Evandro, cumpadi.
Qual é, Hermes.
Comi o pão que o diabo amassou na cadeia pra proteger o Evandro.
Quase morri pra defender o cara. Várias vezes.
Se tivesse que morrer, era eu que tava lá pra isso.
Certeza que tu vai vir com esse papo pra cima de mim?
Peraí.
Qual é, meu parceiro.
Tu tá com o Dendê porque tu mereceu. Tu é um cara da guerra.
O que é teu
só quem é maior pode tirar.
Aí...
e aqui?
Quem é que vai ser o frente?
[música animada]
[falando alto] Aí, cambada!
O Hermes vai ter que dar uma viajada,
e quem vai ficar de frente no Dendê agora...
- sou eu! [rindo] - [risadas]
- [todos comemoram] - [homem] Fechamos forte, caralho!
[comemoração, risadas]
[Gabriel] Entra, entra...
Vamos, Burgos!
[em espanhol] Não é possível.
Entrou nesse trabalho aí...
Achou o quê?
[em português] Que ele ia fugir sem as crianças?
[em espanhol] Esse cara explodiu dois homens meus.
Eu também perdi gente. Ou esqueceu?
Eles explodiram! Ele fez os caras explodirem!
As famílias enterraram pedaços. Nem corpo eles têm.
Então pode enfiar seu sermão no meio do cu.
[linha cai]
[Gabriel em português] Foram vocês?
Fomos nós o quê?
Porra, meu chefe, o Adalberto. Foi o Evandro que mandou matar?
Não tô entendendo nada do que você tá falando.
Você surge com um negão com cara de mau,
digo que meu chefe tá atrapalhando e ele morre.
Um pouco de coincidência demais, não acha, Burgos?
Por quê? Ele continua atrapalhando?
Você vai nos atrapalhar agora?
[Gabriel] Não, porra.
Claro que não. Tô do seu lado.
Só tem que ver
é quem vai ser o novo chefe agora.
Gabriel, quem você acha que poderia ser o nosso novo chefe?
Tem algum nome pra sugerir?
Eu tenho amigos na política.
Acho que você conhece,
acabou de sair da cadeia.
[música de tensão]
[buzina]
- [homem] Fica calma! Segura ela! - [mulher] Calma é o caralho!
- [mulher] Otário! Me solta, caralho! - [homem] Senta.
[mulher] Me solta! Larga!
- Vou te matar, filho da puta! - [homem] Senta ela.
- Senta ela. - [mulher] Solta!
- Ajuda ela a sentar. - [mulher] Sai!
- Sai, caralho! Me solta! - [homem] Senta ela, por favor.
Todo mundo já passou por isso. Calma. Segura ela.
[mulher] Não vai comigo, ô bosta?
[fim da música de tensão]
Vítor?
Por favor.
Pode sentar.
[mulher suspira]
Tá estranhando o ambiente?
Não. De forma alguma.
Tô só admirando.
É a sua primeira vez numa terapia?
Como foi da outra vez?
[respira fundo]
Dolorosa.
Não espontânea. Assim como essa.
[música de tensão]
[mulher] Nós vamos fazer de tudo pra que seja o mais confortável possível.
O departamento me mandou aqui pra...
você avaliar se eu tenho condição de ser policial.
O departamento manda da porta pra fora, Vítor.
Eu não quero ninguém aqui amarrado numa camisa de força.
Se você aceitar o tratamento
é porque você confiou na profissional.
E se eu levantar e me mandar daqui agora?
[mulher] Vou colocar na ficha que você compareceu.
Vítor, isso aqui é uma relação de confiança.
Eu inspiro confiança, doutora?
E eu?
Inspiro?
Eu não confiaria numa mulher lidando com a minha cabeça.
Você quer falar sobre isso?
Se eu puder usar isso aqui, ó...
a gente fala do que você quiser.
Se é assim que você quer...
Você tem gelo?
Eu gosto do Gabriel. Gosto.
Mas chefe de infraestrutura portuária
é um cargo muito importante.
Eu sei.
O Gabriel é um bom garoto, doutor Otávio.
Ele merece muito esse cargo.
Muita gente merece esse cargo, ô, Burgos.
Mas o quanto é que você acha que ele merece?
[desdém]
Entenda que é uma comissão que escolhe,
não sou só eu, não.
[música de tensão continua]
[suspirando]
Senador...
vamos direto ao ponto.
Quanto a gente tem que achar que ele merece esse cargo?
O Gabriel é um zero à esquerda, Burgos.
Quer mesmo me convencer? Então coloca um zero à direita aí nessa sua vontade.
Oba.
O que você tá fazendo aqui, agente?
Cassiano deixou pra mim a notícia?
Que privilégio.
Sou seu novo parceiro.
Não é mesmo.
[porta batendo]
[batidas à porta]
- Surpresa. - [ri]
[Salvador] Então vocês viajam quinta à tarde.
Vamos marcar sexta.
Beleza.
Obrigado.
[música animada]
[música animada continua]
[fala indistinta]
Alô?
Obrigado.
[fim da música animada]
Quero todo mundo prestando atenção em mim.
É pra seguir as rota que fiz. Não tem erro, o serviço é simples.
Invadir, roubar os quadro,
tudo que tiver de obra de arte, rápido!
Colocar dentro da van e meter o pé direto pra cá.
Outra parada importante: é pra roubar
tudo que tiver de obra de arte maluca, entenderam?
- [gritando] Entenderam, porra? - [todos] Sim.
- Bora, caralho! - [homem] Vamos nessa.
Não acredito. Não vou trabalhar com ele.
Tá decidido, Morello.
Aceito qualquer coisa, um novinho. Mas ele, não.
Não vou colocar um novinho trabalhando contigo,
porque ele vai ser conivente com você. Tá decidido.
- [Geise] Amor? - [Evandro] Hum?
A gente prometeu que a gente ia trazer a Maria.
A gente prometeu pra ela e pra Mariana.
Amor, acontece que a gente não tem a guarda dela.
Né? Eu não posso fazer nada.
Evandro, desde quando tu obedece lei?
Duvido que se ela tivesse com aquele marido da Mariana
que tu não ia fazer nada.
Mas ela não tá com o padrasto dela, né?
Não, ela tá com a tua mãe,
- que tu conhece bem. - Para.
[celular tocando]
Ó, vou ter que atender.
- [celular continua tocando] - Vai.
Burgos, isso é impossível, é muito dinheiro.
Tem toda uma operação pela frente, tá maluco?
[Burgos] Não conheço um caminho mais seguro.
Ele vai virar o 01 do porto.
[Evandro] Dá pra confiar nele?
Ele sabe o quanto você pode ser perigoso, né?
Então, paga. Paga porque preciso disso rápido.
Evandro, não vai ser muito rápido.
[Evandro] Ele não quer ser o 01?
Ele que dê os pulos dele.
Se vira.
Ok.
[Wilbert funga]
Wilbert.
Pega leve. Amanhã o Bebeto taí.
[funk toca no rádio]
É ouro branco, né?
[Afonso] É, vai com calma.
Agora...
Agora, me fala mais sobre você.
[gaguejando] Quero muito te conhecer melhor.
Na verdade, eu tenho medo do que vou saber, mas...
Mas eu quero muito saber.
Pode perguntar.
Você tá nessa vida há muito tempo?
Tô.
Você já foi preso?
Já.
Você já tinha matado outros caras sem ser aqueles do bar?
Já.
[funk toca no rádio]
Quero perguntar também.
E você?
Tá nessa vida há muito tempo?
Algum.
Já foi presa?
Já.
Viu alguém morrer, antes daquele menino?
Já.
[locutor no rádio] Best Beats 90. Para ouvir e namorar.
[música romântica tocando no rádio]
Você...
Você é desse planeta?
Não.
Com certeza, não.
E você diria "não"?
Pra quê?
[música romântica no rádio continua]
Não.
Ainda é não?
Eu digo: "Não diria não."
Não tô entendendo mais nada.
[música romântica continua]
[fim da música romântica]
[música de tensão]
Caralho, ó o carro do cara.
[música de tensão continua]
Vamos entrar?
Cadê o Hermes?
[Burgos] Tá indo encontrar o Evandro. Wilbert que é o frente agora.
[Bebeto] Tô sabendo da merda da Bolívia.
O chefe de vocês tá sumido desde então.
[Burgos] Ele teve que se esconder, mas...
tá tudo sob controle.
Tô precisando de mais produto, porra.
É que teve uma troca de comando lá.
Mas tão providenciando.
[respira fundo]
[resmunga] Burgos, Burgos...
Você sabe por que eu deixei ele voltar, né, cara?
[música de tensão]
Não faz eu me arrepender do que eu fiz, cara.
Wilbert,
vocês têm mais ouro branco lá no estoque?
Tem, sim, patrão.
Então pode descarregar geral que vou levar.
[gritando] Bora, porra! Tá esperando o quê?
[fim da música de tensão]
[celular chamando]
[homem] Mas é a casa do cara. Acho perigoso.
Não interessa o que você acha. Interessa o que mando fazer.
[homem] Já é então.
Quero o Burgos aqui com o Hermes amanhã.
[homem] Mas o Hermes já tá indo praí.
- Hã? - [homem] Ele já tava na pista.
Segura o voo do Hermes, então!
[homem] Caralho! Tá bom.
- Faz o que tô te falando. - [homem] Calma, patrão. Já é.
[irritado] Merda.
Calma.
Por que não aproveita tudo isso pra irmos embora?
A gente some pelo mundo.
Não dá, amor.
Vou ter que reorganizar tudo aqui.
Não posso perder tudo que conquistei, entendeu?
Não dá pra ir embora.
Entende?
Hum?
A gente precisa de um lugar seguro e fixo pra nossa família.
- O Airton tem que estudar. - Sim.
- As crianças têm que estudar. - Eu sei, Geise.
Tudo vai se resolver.
Tá bom? Confia em mim. Tá?
Tá.
Que lugar é esse?
Tenho que ver umas coisas aqui.
Que coisas?
Umas coisas, mermão.
Porra, Morello.
Eu quero tá aqui tanto você quer que eu esteja.
Então deixa de merda e divide as coisas comigo.
Assim a gente faz alguma coisa louvável
e arruma um passaporte pra longe um do outro.
O fax com o endereço do Evandro veio daqui.
Preciso saber quem é que fodeu o cara.
[Morello] Tem fax aí?
[homem] Se for local, um real.
[Morello] Essa câmera aí, funciona?
Então vem comigo. Quero ver tudo que tem aí atrás. Bora.
Oi. Dona Arlete está?
[gritando] Ô, vó! Vem cá!
[feliz] Juninho, meu Deus!
Vem cá, sobe!
Então, me conta.
Então, passei todo esse tempo estudando, né?
Eu tinha que dar um propósito à vida que Ele me retornou.
- Que bom, meu filho. - É.
Agora eu sou pastor.
[emocionada] Ai, Juninho.
E a minha missão é salvar essas almas que estão perdidas no Dendê.
Eu quero abrir uma igreja aqui.
[Juninho ri]
Olha, ainda não tenho nada.
Não tenho espaço, não tenho dinheiro,
mas eu tenho certeza
que nós vamos conseguir.
"Nós"?
Eu quero a senhora comigo.
- Ai, meu Deus. - [Juninho ri]
Você não sabe como isso vai me fazer bem. Vem cá.
Vamos sentar aqui.
A gente pode retomar o trabalho do pastor Celestino.
- Exatamente isso que eu tinha pensado. - Ai...
[suspira]
Mas você acha que o Evandro não pode
criar problema com isso?
[música de tensão]
Eu não respondo ao Evandro, Juninho.
Eu faço da minha vida o que eu quiser.
Obrigada, Senhor!
[homem] Esse vídeo não dá pra ver quase nada.
Tá ruim igual ao diabo.
Agradeço a sua ajuda, mas tô com pressa.
Deixa que eu mexo nisso, tá? Valeu.
O senhor deve entender melhor que eu.
[Santana] Ó. Olha lá o cara com o fax.
[Morello] Que porra é essa?
[Santana] É muito malandro. Virou a câmera.
[Morello] Pelo menos tem uma tatuagem.
[fim da música de tensão]
Vocês não entenderam porra nenhuma.
[irritado] Vocês me trouxeram um calendário, porra!
A gente trouxe a porra toda que tava lá.
Pegamo tudo, pô.
Tu acha que essa merda vale alguma coisa? Olha o tamanho dessa porra, Carcaça!
Qual é, Salvador. É escultura.
Escultura é o meu pau duro, caralho!
Dois pau, uma cabeça e uma maçã, porra!
Aí, ó. Um cara chamado Basquiat. Quem é a porra de Basquiat?
Toca fogo nessa porra!
Vou ficar com essa merda aqui que é maior.
Talvez dê um dinheiro melhor nisso.
Impressionante. Quando tu quer que o negócio dê certo,
você tem que ir lá e fazer.
Cumpadi, vai lá e faz!
No próximo assalto, vou com vocês. Pra ensinar vocês a roubar, porra!
Não vão ficar me olhando, não! Vão tomar no olho do cu, seus arrombados!
Aí, vamos levar essas pinturas.
Isso aqui vou dar pra minha mãe.
[música suave]
Esse eu faço questão de receber aqui na porta.
- Compadre Evandro, meu patrão! - E aí, meu parceiro?
[Hermes] E aí, irmão, como vão as coisas?
- Tudo certo. - Tudo certo?
Melhor agora. E aí? Aí, ó...
- Casarão, hein, Evandro? - É.
- Vai ficar aqui comigo. - Que isso. Sério?
- Tá maluco? - Que maravilha, hein?
- Tem piscininha aqui? - E num tem? Tu vai ver.
E aí? Bom trabalho.
- Pode entrar. - [Hermes] Licença, chefe.
[Morello] Filha?
Oi.
- Tá tudo bem? - Tá.
Tava onde?
Tava na faculdade, pai.
E aí?
Parece que dá pra aproveitar alguma coisa do semestre.
E não levou o celular por quê?
Segunda vez que você esquece essa semana.
Que saco, pai. Eu só fui e voltei.
É cafona esse negócio de celular, sabe? Parece prisão.
Vou precisar do porto de entrega e da quantidade.
[música de tensão]
[em espanhol] Miami. Duzentos quilos.
[em português] Vamos ter que achar o navio certo.
Vou precisar de 300 quilos pro Comando também.
[em espanhol] Ok.
Precisarei de uma garantia.
Qual vai ser?
- [em português] Eu. - [Navarro em espanhol] Não.
Não.
Sua palavra não tem validade.
Quero o valor da carga.
[em português] Aí eu não tenho.
[em espanhol] Certo.
Então vou ter que fazer vigilância
na sua casa.
[em português] Como é?
[em espanhol] Se a droga não chegar a Miami,
os meus homens vão estar na sua casa
com você.
Com a sua família, entende?
Ah. A droga do Comando
será liberada quando os 200 chegarem em Miami.
[fim da música de tensão]
[em português] Obrigada, Rosa. Deus lhe pague, amiga. Tchau.
Ai, Juninho. Consegui várias doações de alimentos.
Glória a Deus.
Olha, também já falei com a igreja, eles toparam
doar algumas coisas pra gente reativar a nossa igreja aqui no Dendê, ó.
Ó. Já consegui aqui som, microfone, banco. [ri]
Esses alimentos aqui, eu queria circular
ao redor do Dendê distribuindo pros moradores de rua.
Tem tanto drogado lá também.
Não, eu acho importante. E também tem os meninos do movimento.
O que tem eles?
O trabalho que mais faço questão de continuar.
É. É importante mesmo.
Mas não vai ser fácil, tá?
Tá tudo mudado, vão querer entrar armados na igreja.
Pois que entrem.
Arma na igreja, Juninho? Onde que você tá com a cabeça?
A gente precisa salvar essas pessoas como dá pra salvar.
Não foi assim que a senhora me salvou?
Eu proibi você de entrar armado.
O primeiro passo é eles entrarem.
Ouvirem a palavra.
Esses meninos, esses traficantes...
[incisiva] Deus não gosta de traficante!
[Evandro] Preciso começar logo, ou vai dar merda com o Bebeto.
Mas o Gabriel não tá pronto.
Vamos por fora do porto.
Como assim?
O caminhão sai daqui normal, que nem antes.
Fronteira adentro, carga grande.
No Brasil, a gente troca o caminhão pra não entrar com placa suspeita.
Entenderam?
Vemos com o Gabriel os navios que vão ancorar no Rio,
pega a ficha de tripulantes e chega junto com a tripulação.
[homem em inglês] Olá. Boa noite.
[Evandro em português] Precisamos de dois que trabalhem no convés à noite.
Fechou os caras, a carga sai daqui.
[som de fita lacrando caixas]
O Hermes segue com ela até a fronteira.
Desarmado, né? Como sempre.
E, ó, não é pra cruzar com o caminhão que o Navarro viu.
Tem que ser um só nosso.
Quando sair daqui, trocamos pro caminhão grande.
Enquanto a carga viaja, vou ficar com minha família.
[Geise] Obrigada. Gracias.
Ai, ai. Vamos comer?
Quer que eu te sirva ou você se serve?
[Evandro] Chegando no Rio, embarca tudo num cais na Ilha do Governador.
É importante colocar tudo em vários sacos.
Só não pode ser muito pesado, senão dá ruim.
É pra usar a traineira de sempre.
[Gilmar] Vambora, vambora. Rápido.
Quero vazando essa porra ainda hoje. Bora.
[Evandro] E aí, cumpadi... [riso]
...é só ir pra pescaria.
Estamos aqui. [em inglês] Aqui.
[em português] Aí!
Os caras vão jogar a corda. Se liga, hein, porra!
[homem] Tá na moral, chefe.
[fim da música de tensão]
[sirenes longe]
Oi, bom dia. Será que tem grampo?
[música de suspense]
[fim da música de suspense]
- Seu pai sabe que você tá aqui? - [ri]
Ele acha que eu tô na faculdade.
Acho que você devia mesmo ir à faculdade.
Você quer que eu vá embora?
Não, né, gatinha. Você sabe que não é isso que tô falando.
Já perdi o semestre mesmo. Prefiro vir pra cá.
Também prefiro que você venha pra cá.
[Wilbert] Qual é, Afonso?
- Taí? - [Afonso] Qual foi?
Qual é, qual é...
- [Afonso] Qual foi? - [Wilbert] Mermão, foi mal. Desculpa aí.
E aí, tudo bom?
Foi mal, irmão. Não sabia que tu tava aí acompanhado. Desculpa aí.
[música de tensão]
[ofegante]
Tu tá de férias e não avisou pra ninguém?
[Afonso voz distorcida] Pô, foi mal.
[Wilbert] Tem que contar.
A Marina não sabe fazer conta, não. O cara tá esculachando...
[vozes distorcidas]
[música de tensão continua]
[ofegante]
[Wilbert] Maluco, mó berradão.
Vou chegar lá, então.
Quando terminar aí, tu volta que o trabalho tá voltando.
[Afonso] Já é. Valeu.
Valeu, princesa. Boa tarde aí, hein?
- Isso aí, meu irmão. - [Afonso] Qual foi? [ri]
Tudo bem?
[fim da música de suspense]
[buzina e gritos]
Porra, Juninho. Só não vai ficar trazendo só vovozinha pra cá, né?
Sério. Tem que fazer um negócio de Juventude com Cristo,
Encontro de Adolescentes, entendeu?
Tá cheio de gostosa aí precisando da salvação.
E você vai me ajudar, né?
Porra, eu sou a salvação, meu irmão!
Tu sabe quantidade de mulher que vem aqui na favela atrás de uma luz.
Dá pra ver que a nossa ideia de igreja é bem diferente, né?
Porra, mano, isso é verdade. Isso é verdade.
A minha igreja ia ser muito mais animada.
Porra, se eu fosse o pastor,
eu ia selecionar as irmãs tipo Banheira do Gugu.
Ia botar todo mundo pelado pra brincar, quem ganhar, entra.
- E outra coisa, meu irmão. - Aham.
Essas meninas da igreja,
elas ficam sufocadas, entendeu, com esse negócio da palavra.
Elas ficam loucas pra dar, mano.
Tu sabe que as meninas querem dar. Tu sabe.
- E eu tô aqui. - Ó...
É aqui.
Tá pra alugar.
Porra, Juninho, aqui?
Aqui não dá. É muito perto da boca!
É, eu sei. Mas é um pedido da dona Arlete.
E, ó... do lado da casa nova dela.
Porra.
[nervoso] Vou ter que falar com o Evandro. Caralho.
Qual é, gordinho. Me dá esse telefone aí.
[resmungando] Não consigo resolver porra nenhuma também.
[sons de digitação]
[celular tocando]
- Fala. - Qual é, patrão?
Tô com uma questão aqui pra resolver com você.
[hesitante] Uma questão de... igreja.
- Tenho cara de crente por acaso agora? - [Wilbert ri]
Você não, né? Mas a dona Arlete tem.
O que tem ela?
Peraí que vou te botar pra falar com um malandro aqui.
Fala com o Evandro.
Fala, Evandro! É o Juninho.
[surpreso] Juninho? Juninho, Juninho?
Caralho, moleque, como você tá?
Eu tô bem.
Tô de volta. Virei pastor.
Eu andei conversando com a sua mãe,
e a gente tá querendo abrir uma igreja.
Igreja aqui no Dendê.
E eu queria saber de você se por você, tudo bem?
Ela faz o que quer da vida dela.
Mas confio em você. Pode fazer o que quiser.
[música suave]
Obrigado, Evandro. Fica com Deus.
[Evandro] Juninho?
- Oi? - Como é que ela tá, a minha mãe?
[Juninho] Tá empolgada.
Tá certo. Se cuida, hein, moleque?
Cuida dela também pra mim.
Fica com Deus, Evandro.
[fim da música suave]
Pô, foi fácil, hein?
[pancada forte na porta]
[Salvador sussurrando] Carcaça!
Trabalha embaixo. Vou trabalhar lá em cima.
Vai, vai, vai.
[Carcaça] Atividade, Salvador.
[música de tensão]
[fim da música de tensão]
- [Carcaça] Ô, nem tenta correr. - Não, não.
- O que tá fazendo aqui? - Não, por favor.
- O que faz aqui? - Pelo amor de Deus.
- Hein? - [gemido de dor]
[conversas indistintas]
[Salvador gritando] Que porra é essa? Carcaça, caralho!
O que tá acontecendo aqui, porra?
Porra, Salvador, o filho da puta tá em casa.
Vamos ter que passar ele.
Isso vai dar a maior merda, caralho!
Vou dar um tiro nesse filho da puta, o condomínio vai ouvir!
[desesperado] Pelo amor de Deus, não!
Pelo amor de Deus o que, rapá?
Vem cá, tu não tava viajando, cumpadi?
Tu não tava viajando, porra? Filho da puta!
- [gemido de dor] - [Carcaça] Ué, Salvador.
Se tiver mais alguém em casa? Esse puto, ó...
Tem mais alguém em casa?
[homem desesperado] Não, não tem ninguém, não.
Não guardamos nada em casa.
Eu posso falar com a minha mulher. Ela entrega o dinheiro.
- Quanto é que vocês querem? - [rindo] Aí, Salvador.
É a mulher dele que banca tudo. Se liga.
Peraí. É a tua mulher que tem dinheiro, é isso?
[atordoado] O quê?
[Salvador] Tá surdo?
- [gritando] É tua mulher que tem dinheiro? - [assustado] É.
Dá mó trabalho roubar essa porra.
Arrumar comprador, se arriscar, tá ligado, titio?
Pelo amor de Deus.
Esse otário me deu uma boa ideia.
Vambora, caralho. Vambora, porra!
Que porra é essa, tia?
- Quero os pertences do Charles. - Quem?
O fotógrafo que o Comando mandou matar. Pergunta pra quem sabe.
- Quero as coisas dele. - Não posso dar nada pra ninguém.
Vou ligar pro Evandro pra ele te dar essa ordem. É isso que você quer?
Ele era fotógrafo. Tinha câmera de filmar, fotografar. Procura, quero tudo.
- O que a senhora quer com isso? - Aí já não te interessa.
Qual o problema de falar? O que vai fazer com essa câmera,
vai filmar nós, é isso?
Igual o francês?
Vai X-novar nós pra polícia, dona Arlete?
É "Radinho" que eles te chamam?
Acho que eu vou falar de você pro Evandro.
Porque você não é nada aqui no morro, né? É só mais um.
E acabou de entrar pro tráfico, não é isso?
Eu quero a câmera de fotografar e de filmar. Agora.
[murmurando, gemendo]
Fala com a tua mulher.
- Vai, porra, fala! - [murmurando]
[assustado] Mas falar o quê?
- Fala! - [grito de dor] Falar o quê?
Fala que isso aqui é um sequestro, porra.
[música de tensão continua]
[fim da música de tensão]
Tá tudo bem aí?
[Inês] Tá.
Tá tudo bem.
- O que foi? - O que foi...
Tá mordendo a orelha aí.
O quê?
Vamos guardar o resto pra amanhã? O que acha?
Você não precisa cuidar de mim.
Eu sei me cuidar sozinha, tá?
[música de tensão]
[com raiva] Merda!
[chorosa] Eu preciso parar de pensar um pouco.
- Do que tá falando, Inês? - De tudo!
Do meu pai, que é um lunático.
Da minha mãe, que morreu na minha frente. De mim,
que tô nessa merda e não consigo ficar sem.
Enfim... Não quero falar sobre isso.
Foi você que falou.
Olha pra mim. Olha pra mim! O que tá acontecendo?
[chorando] A minha mãe morreu na minha frente.
Por causa das merdas do meu pai. Na minha frente.
E quem matou foi...
[ofegante]
- Desculpa. - Ei, calma.
Não. Não, Inês, me dá isso... Inês!
Quando acabar, acabou.
Não faz isso... Inês.
[suspiro]
[gritando] Inês? Inês!
[gritando] Inês? Inês!
[chorando]
[música de suspense continua]
[celular tocando]
- [batidas à porta] - [Afonso] Inês, telefone.
- [celular chamando] - [nervoso] Inês, atende. Atende, porra.
[celular continua tocando]
- Não posso falar com ele assim. - Ei.
É melhor atender. Ele deve tá preocupado. Eu tô preocupado com você.
Não posso atender ele assim!
- Ei. Inês! - [celular continua tocando]
Inês, chega.
Chega. Para com isso.
Eu já vou!
[Afonso] Me deixa entrar.
[celular chamando]
- [Afonso] Inês, abre a porta. - [batidas à porta]
[celular chamando]
- Inês. - [celular tocando]
[sufocando]
[nervoso] Inês, o que tá acontecendo?
[música de tensão continua]
- Não tô me sentindo bem. - [Afonso] Inês, abre a porta!
- Inês! - [Inês sufocando]
[nervoso] Fala alguma coisa! Inês, fala alguma coisa! Inês!
- [celular chamando] - [nervoso] Atende! Atende, porra!
- [batidas à porta] - [música de tensão]
[música de encerramento]
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