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[mulher] Polícia!
- [tiros] - Porra! Porra, Mariana!
Vou ser sincero. Nunca entendi de importação, extradição. Traduz aí.
Porra, Salvador! Ele quer levar cocaína pra Europa.
Beth, eu tô querendo muito apresentar uma pessoa a vocês.
Porque ela está precisando de uma nova logística por terra.
Quero que vocês vão pra Bolívia.
- Tem um avião esperando, caralho! - [homem] Não vou! Tenho família!
- [grunhidos] - [mulher] Tá maluco? O que faz com Gomes?
Ele vendeu todo mundo. Tá no grampo.
Evandro, tu vai embora com o Gilmar, mas a gente fica.
[homem em espanhol] Estão fugindo pela mata.
[em português] Vou te deixar na favela.
- Não quero ir pra casa. - Tá bem.
[mulher] Eu tenho a guarda da Maria, Geise. Ela vem comigo.
[em espanhol] Não podemos culpá-las pelas mortes.
Com elas soltas, fica mais difícil para o grupo.
[homem em português] Nicolás? Evandro que fala.
Agora eu sou seu chefe. Tá entendendo?
Esse Nicolás é um arrombado, Evandro.
Que porra é essa? Cadê Nicolás?
Tá onde? Vou te buscar.
Vou sozinha, tá? Tô indo pra casa.
[suspense]
- Desce do carro. Vai! - Calma, calma.
Pai, o que está acontecendo? Não!
- Desce do carro. Devagar. - [mulher] Desce do carro.
- Desce. - Desligar o carro. Freio de mão.
- Vai nessa. Calma. - [homem] Mão pro alto. Desceu, desce.
Encosta aí, encosta.
- Tá armado? Mexe não. - [Afonso] Não.
- Pai, solta ele, por favor. - Quietinho.
- Pai, solta ele. - Que tá acontecendo?
Esse é o Afonso. Ele me defendeu, me deu proteção. Solta ele, por favor.
Solta, pai. Solta! Solta agora.
Solta!
Obrigada.
Sem você lá, eu podia ter morrido.
- [homem] Vai, Inês. Vai pro carro. - Tá.
Tá tranquilo, Inês.
[música-tema]
[em espanhol] Fogo?
Tem fogo?
Para um homem, digamos, da sua importância...
foi muito fácil te pegar.
Parece que seu amigo Nicolás
teve um problema de comunicação muito sério.
E já não faz parte do negócio.
Baixem as armas.
Baixem as armas!
[em português] Abaixa a arma.
Pode abaixar.
- Quem é você? - [em espanhol] Não importa agora.
- [em português] Tá certo. - [em espanhol] Pare.
Aqui, falo eu.
Você matou os Urquizas?
E pretendia ficar com o negócio deles?
Com Nicolás?
[em português] Matei pra defender minha família.
[em espanhol] Veja só.
[em português] Pra me defender.
Eu não queria isso.
Eles tentaram me matar primeiro.
Tava tudo dando certo.
Negócios lucrativos.
Você faria o quê? Faria a mesma coisa, certo?
Só sou um homem do Comando, e não quer perder o Comando.
[arfa]
[em espanhol] O Comando não é o único cliente no Brasil.
E você vai servir de exemplo.
- Mate-os. - [em português] Calma aí. Ei! Calma.
Posso elevar seu produto pra outro nível.
Olha, tem um mercado novo,
que pode ser seu. Todo seu.
Estados Unidos.
[ri com deboche]
[em espanhol] Não vai chegar aos EUA.
[em português] Consigo os portos brasileiros.
Desde a morte de Pablo,
as rotas dele têm dificuldade pra chegar.
Eu tenho as rotas.
Se você pode receber,
eu posso enviar.
[em espanhol] Por que não disse antes da negociação?
[em português] Não tenho quem receba.
[em espanhol] E é de confiança?
[em português] Olha. Eu sou o Evandro do Dendê.
Você conhece minha história, certo?
Sem o seu produto, eu não sou ninguém.
[em espanhol] Ah, ok.
Certo.
Está bem, está bem. [em português] Tá bom, tá bom.
[em espanhol] É. Sim.
Por que não? Poderia ser um começo.
Pode me chamar de Navarro.
E, para garantir
a rapidez do nosso acordo,
vamos fazer um trato.
Até que você tenha feito a rota,
não vai ver o ouro branco.
[em português] Tá perdendo dinheiro, pela-saco.
[em espanhol] Ele disse que você está enganado.
Seu tempo está correndo.
E o seu também.
[em português] Caralho, Gilmar. Porra!
Que pica, hein?
Achei que você tinha matado o Julinho.
Não acha mais?
Não.
Eu não sou assassino. Sou um policial.
Você voltou a cheirar.
Não.
Foi só uma recaída, pai. Tava com raiva.
[cadeira range]
Você tava cheirando com aquele moleque?
Não, pai. O Afonso apareceu depois.
Depois de quê?
Eu sentei com uns caras.
Tava com medo...
tava com medo de usar sozinha.
O Afonso apareceu pra me salvar. É um cara direito.
Ele mora no Dendê. Lá é perigoso.
Não quero mais que ande com ele.
Ele já sabe que seu pai é policial.
Pai... os caras iam me estuprar.
Se não fosse o Afonso, nem sei se eu estava viva.
[suspira]
[som de elevador]
- [bebê chora] - [acalenta]
Calma, pequeno.
Calma que tá chegando.
Vai ter mamá? Vai, sim, senhor.
Vai ter um banho quentinho? Vai, sim.
Qual o número do quarto?
[garoto] É 215.
- [porta abre] - [mulher sussurra]
Vambora, vambora.
- [bebê chora] - [acalenta] Calma.
Fecha a porta aí.
Põe aquela placa lá,
que eu não tô precisada de mais gente me infernizando.
Vem aqui cuidar do teu irmão,
homem também precisa aprender a cuidar de criança.
[garoto] Que é isso, mãe?
Tá tudo bem.
[música tensa]
[música tensa aumenta]
[padre] Faz bastante tempo, Vítor.
[respira fundo] Eu sei, padre.
[padre] Conte-me seus pecados.
[Vítor Morello] São muitos.
Sou responsável por muitas mortes.
Eu sinto muita culpa.
[padre] Você é policial, Vítor.
[Morello] Eu matei uma mulher, padre.
[padre] Foi premeditado?
[Morello] Não... [arfa]
Foi um acidente.
Mas é que eu... matei um homem.
Eu me equivoquei a respeito dele.
Ele era inocente.
[padre] Sua profissão é proteger.
O que aconteceu com você?
[Morello] Aconteceu muita coisa comigo, padre.
[padre] Você não é responsável por todos.
[Morello] Todo mundo à minha volta morre.
[música tensa continua]
Eu...
Eu tenho ficado mais agressivo, sabe?
Tenho perdido o controle.
Só sobrou minha filha. [suspira]
E eu não sei se eu consigo proteger ela.
[música tensa continua]
Filha,
eu vou aqui e já volto. Espera no carro, tá?
- Tá. - Vai.
[música dramática]
[padre] Vítor.
Eu quero ouvir de você que está sinceramente arrependido.
E que vai procurar ajuda
tanto profissional, quanto espiritual.
[Morello] Espiritual já tô procurando,
senão nem tava aqui.
Eu quero que reze o terço toda noite.
[música instrumental triste]
É o lado selvagem do homem, Vítor.
E ele está tomando seu espírito.
Toma.
Segure esse terço.
[tilintar de contas]
Ele vai ajudar você.
Eu te abençoo em nome do Pai,
do Filho e do Espírito Santo.
Amém.
[música instrumental triste]
[som de ondas contra a restinga]
Cadê esse puto, Salvador?
E eu que vou saber, porra?
O combinado era terem chegado há um tempão.
Trazer um caminhão baú, pegar as bagulhadas, deixar o ouro branco.
Os caras não respondem, meu irmão.
Deu merda isso aí, hein.
Merda tá essa Baía de Guanabara, fedendo pra caralho.
Puta que o pariu. Ou é tu?
Tá de brincadeira, Salvador?
Isso é hora, pô? Assaltamos a faculdade pra ficar com isso na mão?
[celular tocando]
Alô? Fala, porra!
Que foi?
[grita] Porra!
- Fala. Qual foi? - Mataram os Urquizas.
Tá de sacanagem.
Ô, piloto! Toca pro Royal.
Merda!
[em espanhol] Não há sinal deles. A família já deixou o hotel.
[em português] É para continuar atrás dela.
[em espanhol] Se a família está na Bolívia, Evandro também.
- [em português] Não vai fugir sozinho. - [em espanhol] Dou notícias.
[em português] Isso é complicado.
- Era isso ou chumbo. - Burgos, fala com o Gabriel.
Ele tem a rota dos portos.
Leva o Gilmar. Se a conversa falhar, ele entra em ação.
Só voltei pro Comando pelo ouro branco.
Perdendo um, perco o outro.
E se perder o Comando, perde o neném.
Fico sem rota, sem base. Não pode acontecer.
- Minha mãe e Geise, como tão? - A Geise tá bem, num hotel.
A gente precisa... [suspira]
- ...falar da sua mãe. - Que foi?
- Ela voltou pro Brasil. - Como é que é?
[música animada]
- [bipe] - Dona Arlete chegou.
[cães latindo]
Tia Arlete!
O que a senhora tá fazendo aqui, tia?
Olha só. A senhora não pode ficar aqui.
O Evandro já deixou tudo esquematizado pra senhora.
Tem uma casa no asfalto prontinha, aqui na ilha.
Muito mais seguro que o Dendê. Perto do morro.
Não, obrigada, Wilbert.
Tia Arlete, não me dificulta. Já está tudo esquematizado.
Eu nasci e cresci nessa favela. E é aqui que vou morar e criar minha neta.
A senhora tem pra onde ir, tia?
Avisa pro Evandro que não precisa se preocupar comigo.
Eu me resolvi com as irmãs da igreja, elas me arrumaram um teto.
Passar bem, Wilbert. Tchau.
Vida nova, meu amor. Na graça de Deus.
Mas que perfeição, hein, filho?
Tu não podia esperar a gente almoçar, meu amor?
[arfa] Fica aí, viu?
Vou trocar a fralda do teu irmão rapidinho,
senão mandam a gente embora do hotel.
Tô sentindo nada.
Tá, sim. Tá um horror esse futum.
[animada] Vamo lá, vamo lá!
[Geise] Ah, papá!
[som de discagem]
[som de chamada]
Oi, você ligou pro Fernando Cavalieri. No momento não posso atender. Deixe...
Isso vai pra Brasília. Eles começaram, eles terminem. Senão, aqui já...
Cassiano. Posso falar com você?
Pode, mas fala andando.
Onde é que tá o Cavalieri?
Pediu licença. Teu parceiro não fala contigo?
- Tô sabendo não. Que aconteceu? - Disse que ia cuidar da família.
Aliás, você devia fazer a mesma coisa.
E não vai achando que vai ficar por aí sozinho.
- [em espanhol] Quer alguma coisa? - Morango.
[em português] Entra, irmã.
Não esperava vocês.
Tá fechada há um tempão.
Posso te ajudar a limpar, se quiser.
Não, imagina, amiga.
- Você já fez muito. Deus lhe pague. - Amém.
Meu amor, vai dar uma olhadinha naquela
saída lá de trás. A rua tem entrada na frente e atrás.
Vai lá.
Minha irmã,
não acha perigoso ficar aqui no Dendê?
Seu filho já saiu do Comando, e você teve que fugir.
Quem garante que não vai acontecer de novo?
Amiga, eu não tenho motivo pra fugir.
Eu tô do lado de Deus.
[mulher] Tá certo.
Caraca, garoto. Tu demorou, hein?
Tu não presta mesmo, né?
- Tava gostosão. - Segura o banco.
Depois me passa seu irmão.
Vamos lá!
Cuidado aí, meu filho. Cuidado.
Bora, bora.
Bora, Airton. Bora.
- [em espanhol] Está saindo. - [Geise em português] Bora.
[porta rangendo]
Vambora. Me ajuda aqui.
Põe o cinto no teu irmão.
E limpa esse rosto, pelo amor de Deus.
[motor ligando]
- [bipe] - [em espanhol] Vargas, está ouvindo?
- [bipe] - Estou.
Está saindo pelos fundos.
- [bipe] - Chego já nos fundos.
Caralho! Esses são foda mesmo, hein?
A diferença! Segura aí.
[sussurra] Falei pro Evandro que botar uma anta pra me supervisionar não dá.
O cara não sabe nem fazer conta de padaria, pô!
[sussurra] Puta que o pariu! Mas assim...
como é que tu explica esse erro de contabilidade, hein?
Tá achando o quê?
Que o Caneta tá roubando do Comando?
[sussurra] Claro que não. É pura incapacidade. É só olhar pra ele.
O cara tem que ser demitido.
[sussurra] Não é tu que decide isso. Né, meu bróder?
Vamos fazer o seguinte?
Refaz esse cálculo aí, que eu volto pra buscar.
É nóis. Valeu, Caneta.
Qual foi?
[risada de escárnio]
Que porra de cabelo é esse, Afonso?
- Tá querendo virar playboy? - [homem] Chapadão.
[riso esganiçado] Qual é?
Tá dando diferença na contabilidade aí?
Se pega no que é teu, Wilbert. Porra!
Qual foi, Hermes?
Só tô querendo dar um confere aí.
Estudei na cadeia. Se quiser, posso dar uma ajuda.
Tá todo mundo querendo virar chefe nessa porra.
E tu, neguinho? Tá achando que tu é quem,
pra poder sumir esse tempo todo e chegar aqui cheio de marra?
Que é isso, irmão?
Falei nada.
Mas eu ouvi bem o que tão dizendo por aí, hein?
Boato eu não controlo, meu bróder. Só o que faço é trabalhar.
Então trabalha, neguinho. Trabalha.
Amanhã tu volta pra fronteira.
Contenção da ponte. Já é?
Qual é, Hermes?
Contenção da ponte não tá à minha altura.
[riso sarcástico] Qual é, Wilbert?
Quem dita tua altura aqui sou eu, neguinho.
E, ó!
Trabalha direitinho, tá bom?
Qual é, Afonso?
- Afonso? - [Afonso] Qual foi?
Volto em meia hora pra pegar a contabilidade. Já é?
[Afonso] Já é.
[Hermes assovia]
[recomeça a assoviar]
[bipe de monitoramento]
O que tá fazendo aqui, filho da puta?
Sai daqui, sai!
Sai daqui. Alguém me ajuda! [arfa]
Alguém me ajuda aqui!
[arfando] Sai daqui, cara. Olha o que você me fez.
Eu te fiz? É, eu?
[grita] Ai, ai!
[continua gritando]
Presta atenção. O grampo já deu tudo. Tá?
Quem te pagou, onde, quanto. Tudo. Tá bom?
[arfa e choraminga]
- Eu tava na merda, Morello. Pô! - Na merda, é?
Você tava na merda? Agora que você tá na merda.
Agora que tá. Sabe por quê?
Porque te pegamos no grampo.
Acho que é melhor falar. Desembucha.
Foi você que entregou a operação do helicóptero? Fala!
[arfa e choraminga]
- [grunhe] - [grita]
[grita] Ai, ai!
Presta atenção.
- Fala. Fala, porra! - [grunhe]
Eu quero saber. Sabe por quê? Um policial morreu,
eu culpei meu informante...
Essas duas mortes vão ficar na sua cota.
- Ouviu? Fala! - [arfando]
[arfa e grita de dor]
[geme]
[som de motor de carro]
Filho, é essa praça aqui, ó.
Vamos ver o papai, filhinho? Vamos? Vamos, sim!
É jogo rápido, parceiro.
Parou, minha família entra, e partiu.
Vai, vai, vai. Acelera, porra!
[música tensa]
[Geise] Tá tudo bem, filho?
Ó lá. São eles. Ó lá!
Olha ali. Ali, ali! Olha ela ali, ó!
- [buzina] - É a polícia!
- É a polícia! - O que você tá fazendo?
- Porra! É a polícia! - [Geise] Para!
- O que você tá fazendo? - [bebê chora]
Meu irmão, vá devagar, mas não pare.
- Polícia! Polícia! - [buzina]
Jogou a parada errada.
Puta que pariu! Que porra é essa? Vai!
- [garoto] Polícia! - Para!
Que que você tá fazendo, filho? Calma.
- [bebê chora] - Calma, fala com tua mamãe.
- Que é que foi? - É aquele cara ali! [ofegante]
- Que cara? Tá bom. Não. - É aquele carro.
Tá tudo bem. Vamos embora, então. Acalma o teu irmão, pelo amor de Deus!
- Calma. - [bebê chora]
[em espanhol] O que foi?
Não sei.
[em português] Filhos da puta!
- Merda! - Que foi? Cadê todo mundo?
Os vermes sabiam da ação.
Caralho!
A Federal tá operando na Bolívia, agora?
Essa porra é coisa do Morello. Não dá mais pra conviver.
- Calma, não faz besteira. - Quem fez foi ele.
Quem vai atrás dele sou eu. Chega de fugir nessa merda.
Evandro, o cara tá com o DEA.
Vocês mataram um agente dos caras. Mataram uma delegada.
Quem matou foi o Gilmar. Fica tranquilo, dou meu jeito.
Preciso pedir pro Navarro reunir minha família.
O Navarro só vai te ajudar quando você entregar o prometido.
[Evandro] Sei.
Vocês dois voltam pro Brasil.
Chegando lá, manda o Afonso tirar tudo do banco.
O que tá investido, pega empréstimo. Preciso resolver isso dos EUA.
Essa porra vai dar merda, Beth.
Vamos embora, vamos sumir e nunca mais ver esse cara.
Fica tranquilo, baby. Conheço Adalberto há muito tempo.
É meu amigo. Deixa que eu falo com ele.
- A gente negocia. - [suspira]
Tô com um pressentimento ruim pra caralho.
Esse cara aí, não sei, não.
Você tá com ciúmes, é?
Hum?
- [geme] - [Salvador suspira fundo]
Melhorou o pressentimento?
- [Salvador suspira e ri] - [ri]
Você vai ficar em casa, né?
Hum. [respira fundo]
Tá.
Eu levo comida. Tá, beijo, filha.
[música instrumental triste]
Eu falhei com ela.
Todos nós.
Não é mais um conselho de amigo. Agora são ordens do seu chefe.
Vai avaliar suas condições psicológicas pra continuar o trabalho.
Não vou me responsabilizar por você.
Eu não vou fazer isso, Cassiano.
Olha sua mão, Morello.
[solta o ar]
[Beth] Adalberto, querido.
Que saudade, quanto tempo!
Cadê a droga?
Então...
a gente teve um probleminha com nossos fornecedores.
Probleminha, não. Na verdade, eles morreram.
Mas a gente tem a solução. A gente trouxe os químicos.
O material usado pra fazer a cocaína.
E dá pra vender por muito dinheiro.
- Tu não tá tirando onda com a minha cara? - Que porra é essa?
Calma, meu irmão. Que é isso?
Vamos conversar direito.
Assim, não vai resolver nada.
Eu tenho meus contatos, cumpadi.
Eu corro atrás do ouro branco, te devolvo.
Morto, eu não vou resolver é nada. [arfa]
Tu vai voltar lá e vai me trazer esse pó.
Ou tu vai trazer em dinheiro toda a grana que eu gastei no porto
pra montar essa porra dessa operação.
O meu pessoal não vai ficar na mão, meu irmão.
Enquanto isso, tua mulherzinha fica aqui comigo,
rezando pra tu voltar logo.
Agora, vai. Desbunda, vai, porra!
- Tá tudo certo? - Acho que sim.
É, é isso. Tudo certo. Tira tudo.
Como tira tudo? Você disse que eram movimentações.
Sim, de tirar.
Tudo.
Vou precisar de um empréstimo.
Não vão autorizar uma retirada dessa quantidade.
Tu não é gerente desse banco?
Dá teu jeito, eu preciso trabalhar.
Bora.
[som de teclado de computador]
[inaudível]
[Geise] Tá. Não interessa.
Tem que comer porque a mãe tá mandando.
Tá bom, tá. Um beijo, tchau.
Que porra é essa, Salvador?
Sequestraram a Beth. Tô precisando de dinheiro.
Foi a polícia, é?
- Não, foi o filho da puta do Adalberto. - [ri]
Vem cá! Tu vai pagar? Tá maluco, porra!
Eu gosto da Beth, Bagdá.
- Gosto muito. - [Bagdá suspira]
- Rala. Vai pra ponte. - [homem] Bora, rapeize.
Bora.
Você tá de sacanagem, porra?
A gente é IDI, porra! Ninguém mexe com a gente, caralho!
Tirei uma passagem filha da puta.
Sem contar que o arrombado do Adalberto nos botou em roubada.
O barco do Tião tá cheirando a acetona até hoje.
[Salvador suspira]
Tá de sacanagem? A gente vai passar esses merda.
E a Beth, Bagdá?
- E a Beth? - E a Beth?
[ri]
A Beth vai ficar com tesão.
A gente vai chegar é pesadão, porra!
A Beth vai ficar mesmo cheia de tesão.
[ambos riem]
Tá de sacanagem, porra! É IDI, caralho!
O que ela gosta é de transar com o ferro na boca.
Vou te ensinar essa.
[gargalha] Obrigado.
[em espanhol] Gosto de couro.
Olha. [em português] Quero!
[em espanhol] Dois desse...
É... dois desse...
Bolsa... e dois de todos.
- Obrigada. - De nada.
Ah, e, por favor, este. Por favor!
[em português] Conhecia ninguém.
Tive que fazer amizade com os paraíbas do zero.
Uns cara cheio de bola com carioca, né?
E o preconceito do caralho de sempre.
- Porra! - Porra mesmo.
Tive que ter jogo de cintura pra conquistar os caras.
Pô, mas tu é foda, né?
Tem que chegar, chegando.
Porra! Papo reto?
- Não dá pro Hermes. [ri] - Qual é?
Deixa o tampinha. O cara só tá precisando transar.
[gargalha]
Papo reto. [ri]
[cão late]
Aí, mas o bagulho lá é foda, meu irmão.
Tá uma zona do caralho.
As cadeia são tudo nova ainda.
As facção se estabelecendo.
Não tem nada, não tem esquema formado. Porra nenhuma.
Selvageria do caralho.
Todo dia algum filho da puta acorda morto.
Qual é, Romário? Passa o beck aí, meu irmão.
Porra! Tá com cola na mão?
Caralho!
Qual é a desse dog aí, MC?
Esse aí é o mascote do IDI, pô.
Porra, os caras foram muito otários mesmo
de perder a porra da ponte pra esses idiotas. Puta que pariu.
Mas tu sabe de quem foi a culpa, né?
Aí!
Seu Roberto ainda tem a loja de pesca no asfalto?
Loja de pesca?
[música intrigante]
Como assim nenhuma notícia do Jorge?
Ele não pode ter sumido.
Amigo, eu preciso achar esse cara.
Olha só, você tá me devendo uma.
Você podia tá preso agora.
Calor do caralho também.
Vambora, pô. Tá maior sol.
[Burgos] Tá foda!
[música intrigante continua]
Bem-vindo ao Brasil.
- Obrigado. - [homem] Vem comigo.
[mulher] Mas quando você começa a beber perfume
porque não tem mais dinheiro pro álcool e pra cocaína,
aí, com certeza, a coisa já saiu de controle.
Quando você vai pro meio de uma praça
e aceita entrar em qualquer carro
e pagar um boquete num estranho pra cheirar por um trocado,
aí é o fundo do poço.
[aplausos]
Bom, a gente...
deixa esses minutos finais
priorizando as pessoas que estão chegando agora,
pra elas poderem falar das próprias experiências.
Alguém?
Tudo bem. A gente fica pra semana que vem.
Tá bom? Tá feito.
E aí? Trouxe nada contigo, não? Sei lá, uma lembrança?
Gabriel, Gabriel. Taí.
Show!
Caralho!
Fala logo, cara! Pô!
Tá complicado.
E pela roleta russa é perigoso demais.
[Burgos] Olha só,
eu não quero correr risco. Tem muita coisa em jogo.
Eu quero contêiner fechado.
Quero acesso depois que passar pela alfândega,
polícia, a porra toda.
Não era esse o seu esquema? Cadê o seu contato?
Meu contato é meu chefe, e ele arrumou o próprio fornecedor.
Ah... Que ótimo.
Tá vendo aquele negão ali?
Tô.
Eu trouxe ele comigo pro caso da nossa conversa
não ser muito efetiva.
Ele é baixinho, mas tem uma...
Porra, Burgos, tá me ameaçando?
Eu? Não.
Ele.
Eu não posso fazer nada.
Por que você não me deixa falar com seu chefe?
- Eu e ele podemos ser muito persuasivos. - Calma.
Deixa eu tentar desenrolar. Mas vai sair caro.
- Caro quanto? - Se rolar, caro, caro. [enfático]
Mas não posso garantir. Enquanto ele mandar, ele decide.
[cão latindo]
Você cortou o cabelo! [ri]
Depois que conheci seu pai...
Fiquei com saudade.
E aí? Pra onde a gente vai?
Quer ir lá pra casa?
Não, melhor não.
Fica tarde, meu pai tá bem em cima.
A gente pode ficar aqui perto?
A gente pode ficar onde você quiser.
- Perdeu, perdeu. Solta a arma. - Que é isso, Salvador?
Vambora, perdeu, porra! Perdeu.
Baixa, caralho!
[homem] Anda com essa porra!
[gemidos]
- Que porra é essa, Beth? - [gritos]
- [Bagdá ri] - Não é o que tá pensando.
Pensando é o caralho. Tô vendo essa putaria. Para de rir, Bagdá.
Ele me obrigou.
- Eu não... - [Salvador] O caralho!
Porra, Beth! Filha da... Para de rir, Bagdá.
Sua filha da puta!
[arfando] Eu confiava em você, Beth!
Olha, mulher não vale porra nenhuma.
- Ai! - [Bagdá] Não vale porra... [ri]
Beth. Você tem o nome da minha mãe, porra!
Perdoa. Por favor, Salvador.
- Mata essa porra logo, Salvador! - [grita]
[geme de dor]
Transar com esse merda, tudo certo.
Tudo certo. Agora, querer me roubar, não.
- Me roubar, não. Sua vaca. - [Beth grita]
Vou sentir muita falta de Copacabana.
- Qual é? Beth é o nome da tua mãe. [ri] - Vá tomar no cu, arrombado!
Porra, Beth! [gargalha]
Você não tem medo de sair na rua, sendo do movimento?
- Como assim? - Sei lá.
Tomar um bote da polícia ou algo assim.
Bote da polícia? [ri]
Sou branco, Inês. Tenho cara de arquiteto.
Já viu a polícia mexer com cara branco de óculos?
Mas você não é só um cara branco de óculos, né?
Olha...
se não mexerem comigo, pior que sou mesmo, sabia?
Não faço mal pra ninguém.
Meu negócio é dinheiro.
Eu gosto de dinheiro e sei ganhar.
Você é rico, Afonso?
Ainda não, mas a caminho.
[buzina de navio]
Oi. Você sabe do Adalberto?
Você não soube?
Não, o quê?
Mataram o Adalberto ontem.
Foi encontrado num valão com um tiro no peito.
Caralho...
[celular chamando]
E aí? Conseguiu fazer o esquema?
Olha, Evandro...
infelizmente, tenho que te dizer que a situação tá muito difícil.
Por quê? Não aceitaram?
[Burgos] Na verdade, nem chegamos nesse ponto.
Mas estamos tentando.
Agiliza essa porra, Burgos. É pra ontem.
Claro.
[celular toca]
Alô?
Porra, vocês mataram o cara!
Que é isso, Gabriel?
Que coisa feia de dizer no meu telefone.
Nós não matamos ninguém.
Então? Vamos conversar?
Tá bom, mas sem o negão.
Ok.
[Arlete] ♪ Oh, Senhor ♪
♪ Deus de amor ♪
♪ Que venceu ♪
♪ A morte ♪
♪ Tanta fé ♪
♪ Tenho em ti ♪
♪ Me faz ♪
Que tá olhando, meu amor?
Ih, ficou muda! O gato comeu sua língua, foi?
Você gosta de sorvete, Maria?
- Gosto. - Tem um ótimo lá embaixo.
Vamos tomar, então?
Vovó já faxinou demais por hoje. Vamos passear com a vovó.
Vem, minha linda. [beijo]
[tocando funk]
Vai, MC. Puxa, puxa, puxa.
Boa.
Vem cá. vem. Vem cá.
Vem com o papai, vem.
Vem como papai Wilbert.
Vem, vem.
[beijo estalado]
Boa, cachorrinho!
Vem comer um torresminho aqui no cafofo, vem.
[funk acaba]
[música animada]
[som de elevador]
[som gutural]
[homem em espanhol] Está com as malas.
Precisamos de reforços. Repito. Precisamos de reforços.
Eles vão se encontrar.
[em português] Vai lá, Radinho.
Avisa os vacilão que o pulguento tá no nosso Comando.
Vai, vai, vai.
Aí! Mandaram avisar que o cachorro é nosso.
Recado do chefe.
Vem, vem, vem.
Ô filha da puta teleguiado!
Devolve a porra do cachorro, caralho!
Chora não, negão. Chora não.
Bota a cara aí, ô.
Quer perturbar uma onça, é?
O gueto é nosso, hein?
Devolve o cachorro, cuzão do caralho!
[ri alto]
Vem buscar o cachorro!
[homem] Atividade, caralho!
[em espanhol] Está saindo da rota.
Avisando a todos. Estamos no Posto Mendoza.
Repito. Posto Mendoza, mais à frente.
[chiado]
[música tensa]
O Evandro pode estar aqui.
Não se afobe. Baixa a arma.
Merda.
Atenção. Repito. Atenção. Está saindo.
[sirenes]
[em português] Olha só!
Chega! Se não liberar a pista, vou passar o cachorro!
Tu é um comédia mesmo, né, neguinho?
Vai matar o cachorro de graça, seu babaca?
- Solte o cachorro, bunda de leite! - Atividade.
Tá bom, tá bom.
Pra não falar que eu sou otário, vou liberar o canino.
Vai lá. Libera o canino. Vai.
[homem] Solta aí. Solta aí. Vai, vai. Desde. Vai.
[funk tocando]
Caralho, granada! Vambora!
- Vambora. - Vambora.
[gritaria]
Vem, vem, vem.
[homem] Tá nervoso, hein?
Corre, cambada! Corre, corre!
- Chora, cambada, que tô de volta, porra! - [homens riem]
Olha, galera! Caralho, olha isso!
[risada debochada]
A boca é nossa, porra!
A boca é nossa!
- Aí! - Caralho!
Chega aí.
Vem cá. Eu sou teu fã.
Nego é muito otário. [ri]
[porta de carro bate]
[homem em espanhol] Desliga. Desliga essa merda.
Vamos, vamos.
[música tensa]
[motor de carro velho]
[bipes]
[bipes continuam]
[música emocionante]
[bipes]
[porta batendo]
[música tensa]
[música tensa aumenta]
[música de encerramento]
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