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[aplausos]
[Evandro] Você matou meu irmão, filha da puta!
[grunhe]
Você já fez a sua vingança. Acabou!
[Evandro] Você vai sumir.
Refazer a sua vida. Só não dá pinta com esse dinheiro.
[Evandro] Perdeu! Levanta, levanta!
Entra, entra.
Esse cara é esperto.
- Ele vai ser grande. - [Evandro] Queria uma rota do pó de vocês.
Uma rota direta, sem intermediários, como preferimos.
[Andreia] Ele acha que o Morello pegou a mãe dele.
Ele vai com tudo pra cima do Morello.
[tiro]
[tiros]
[música triste]
A gente ainda tá em perigo, pai?
Agora, ele é que tá.
[homem na TV] Evandro Rocha Ferreira,
conhecido como "Evandro do Dendê", é detido na fronteira com a Bolívia.
[homem] Abre logo essa porra aí! Abre aí, cara!
- [tiro] - Eita! Caralho!
Como tá o Wilbert?
[Burgos] Teve alta, foi transferido pro Nordeste.
[voz embargada] Ele colocou o Charles dentro dos pneus.
Jogou gasolina e tacou fogo.
Eu procurei a polícia pra tentar salvar sua alma, meu filho.
Não me chama de "meu filho"!
O Evandro tá preso. Você já ganhou essa briga. Esquece essa merda!
Não vou ter ganho nada se não enfiar uma bala na cabeça dele.
Quem são esses caras?
Vai com eles.
- Morello... - Sai daqui! Fora da minha casa!
Eu que pedi pra Andreia vim com eles.
Você precisa de ajuda!
[em espanhol] Se vamos voltar a negociar com o Comando,
que seja com o Evandro na frente, e livre.
[em português] Não pode garantir tá do meu lado quando teu filho nascer.
[grita de dor]
[Evandro] Posso, sim.
Acredita em mim. Eu vou tá lá.
[ofegante]
Essa é a... minha filha.
Maria.
- Cadê? - Vai devagar nessa aqui, hein, galera.
- [Morello] Pode desovar. - Não vai fazer isso comigo?
[chorando] Pai, não!
Pai, não deixa!
[música de tensão]
Geise, fala.
A tua mãe lembrou de tudo.
[murmúrio]
[Arlete] Aquilo que você fez ontem
- foi um assassinato. - Fiz pela senhora.
[indignada] Por mim?
Vocês não têm a menor condição de criar as crianças.
Você não vai tirar meus filho de mim.
[Evandro] Tirou da escola pra passear?
Você não pode me afastar dos meus netos.
Você que tá te afastando deles.
[falas indistintas]
Esse polícia é muito louco, Evandro. Ele é muito sinistro.
- Pro chão, caralho! - [policiais] Perdeu!
[Andreia] Morello achou o laboratório, mas eu achei a rota.
Não quero o Morello no meio dessa operação.
Ele tá levando isso tudo muito pro lado pessoal.
Sabe por que tô sempre evitando ficar com você?
Porque tenho certeza que você vai me decepcionar.
[em espanhol] Aqui começa o processo de produção da pasta base.
[Evandro em português] Quanto é o quilo?
[em espanhol] Muito menos do que paga aos Urquiza.
[em espanhol] Você não pode entrar aqui e sair invadindo laboratórios.
Entrando em áreas que não lhe dizem respeito.
[em português] Tudo indica que Evandro matou os Urquizas.
Parece que os corpos ainda estão na casa dele.
[Geise feliz] Dona Arlete!
- Oi, Geise. Tudo bom? - Bienvenida!
[em espanhol] Eu lhe darei o endereço do Evandro na Bolívia.
[Andreia em português] Vamos à Bolívia. Precisamos do apoio dos leopardos.
- Você matou o Julinho! Assassino! Cretino! - [Morello] Que isso? Calma.
- Não sou mais sua filha! - Inês, vem cá!
[homem] Bora lá.
A gente faz uma festinha, nós três.
[gravação] Por favor, não deixe recado. Não escuto.
[chorando] Pai, por favor, me tira daqui. Olha, me desculpa, por favor.
A polícia tá na sua porta. Pelo que sei, quem tá no comando é a delegada Andreia.
Ela é legalista, não vai entrar sem mandado. Tão esperando.
[Andreia] Tá maluco? O que tá fazendo com o Gomes?
Ele vendeu todo mundo, o filha da puta. Tá no grampo.
Caralho! Qual foi? Que isso?
É o que fazemos com estuprador no Dendê.
- [tiro] - [geme]
Vem comigo, te levo pra casa.
Aonde tá indo, Morello?
Fazer o meu trabalho.
[gritando] Me dá a porra dessa chave!
O que tá acontecendo?
Essa velha maluca trancou meus filho.
O Senhor é meu pastor e nada me faltará.
[gritando] "O Senhor" é o caralho!
[Andreia no rádio] O Morello tá entrando.
Mãe, vou arrombar essa merda!
Passa por cima de mim.
[fim da música de tensão]
Dá essa porra dessa chave!
- [Evandro] Abaixa isso! - Não chega perto! Me dá!
[Evandro] Abaixa!
Tô com a guarda da Maria no Brasil e vou conseguir dos outros dois.
Tenho direito de ficar com meus netos!
Quieta, mãe! Abaixa saporra!
- Evandro, meus filhos! - [Evandro] Abaixa!
Geise!
[música de ação]
Pula essa porra, caralho!
[gritando] Os homi tão entrando!
Os homi tão entrando, Evandro!
Você vai morrer! Me dá a chave!
Abaixa essa merda!
Vou te dizer, Evandro...
[gritando] Para de falar!
...aquele que rejeita Deus
- terá as consequências do pecado. - Solta!
- Você e todos que te acompanham! - [grito] Para!
[tiros]
[tiro]
[geme]
[Evandro] Podia ter matado alguém! As crianças tão lá!
[bebê chorando]
[sussurrando] Bora, Johnny, vem!
[tiros]
[tiros continuam]
[fala indistinta]
[tiros]
Caracoles! Puta que pariu, porra!
Tira a Maria de trás da porta, vou entrar!
- Vem, vem. Anda! - [bebê chorando]
- Porra! - [Gilmar] Evandro!
A gente tem que ir agora!
- Temos que meter o pé! - Não saio sem elas.
Porra. Segura essa pica, Gilmar!
Evandro, não dá, cara!
Segura essa merda aí, porra!
Porra.
Vamos todos embora junto comigo agora!
Pegamos a trilha e Gilmar faz a contenção.
[sussurra] Segue aí, bora.
[Andreia no rádio] O que há?
Pega essa porra desse rádio e me responde.
[gritando] Vem! Vambora!
Merda!
Evandro, tu vai embora com o Gilmar agora, mas a gente fica.
- Não começa! - A gente fica!
Eles não têm como fazer nada comigo e com as criança.
- Eu te prometi. - Não interessa o que tu prometeu!
Vai embora, senão eles vão meter uma bala na tua cabeça e vão te botar preso!
- Vai embora! - [tiros]
- Qual é, Evandro? - Calma aí, porra!
O que aconteceu lá fora é meu.
Tá na minha conta isso!
Nem sei o que tá lá fora, Evandro. Vai embora!
[tiros]
[Evandro] Merda! Vambora, porra!
[música de tensão]
[Morello arfando] Caralho!
[chorando] Vergonha do seu mundo.
O Senhor é meu pastor e nada me faltará.
- [acalenta] - [bebê chorando]
Tão na cola. Vem, vem... Porra!
[pancada]
[música de tensão continua]
Abre, abre, abre, abre...
[Evandro] Vamos, Gilmar!
[chorando] Me ajuda!
- Me ajuda! - Cadê ele, porra?
- Eles iam matar a gente! - [Morello] Cadê o Evandro, porra?
Ele não tá aqui! O Evandro não tá aqui!
Acharam que ele tava, mas ele não tava! Eles iam matar a gente,
- mas vocês apareceram! - [Morello] Cadê seu marido?
- Graças a Deus! - Onde tá o seu filho? Pra onde ele foi?
Pra onde, pra cá, é?
[em espanhol] Olhem tudo, a casa inteira!
[em português] Não, não sou bandida! Na frente do meu filho, não!
[gritando] A gente não é bandida!
A gente não é bandida! Não algema, não!
[música de tensão continua]
[Evandro] Vambora!
- Calma aí. Caralho. - [Evandro] Qual foi?
Tá de sacanagem, Gilmar? Porra!
Vambora, cara! Teimoso pra caralho!
[Gilmar] Pô, chapéu bonitão, cara.
Porra...
[homem em espanhol] Eles estão fugindo pelo mato.
[música de tensão continua]
[ofegante]
[música de tensão continua]
[ofegante]
[em português] Caralho.
Tá tudo bem contigo, maluco?
- Vambora, vambora. - [Gilmar] É uma mulher.
[Gilmar ofegante]
- Matar mulher é ruim. - E da PF é pior, né?
Vambora, vambora.
[Morello] Andreia.
[gritando] Andreia!
[ofegante] Ai, meu Deus...
Andreia. Ei.
Ei, Andreia.
Andreia!
[música triste]
[ofegante] Andreia...
[chora]
[grita]
[fim da música triste]
[música-tema]
[música triste]
[Inês chorando]
Cuidado aí pra não tropeçar.
Não tem ninguém atrás da gente?
Não, tá tudo bem. Calma. Fica tranquila.
Não vai vir ninguém. Foram eles que vacilaram.
Pode vir comigo.
Certeza que ninguém vem atrás da gente por causa deles?
Olha só, fica tranquila, tá?
- Qual o teu nome? - [soluçando] Inês.
Inês. Eu sou o Afonso. Tá tudo bem. Tô aqui com você, tá?
- Vou te pôr num táxi lá embaixo... - [chorando] Não, não.
Eu não quero ir pra casa.
Tá bem. Tá bem, tá? Tô com você.
- Fica calma. Respira. - [chorando ofegante]
Vamos. Respira.
- [chorando, ofegante] Obrigada. - Imagina.
- Se não fosse você, eu podia tá... [chora] - Tá tudo bem, Tá tudo bem.
- Respira. - [chorando e soluçando]
[engasga e tosse]
[grito distante do Morello]
[ofegante]
[em espanhol] Vamos.
[música de tensão]
Tem certeza de que é aqui?
Claro, é a única saída possível A casa está cercada.
[em português] Gilmar, tá maluco? Vambora!
Bora, vai, vai, vai.
[Inês soluçando] Tô passando bem mal.
Calma. Respira.
- Acho que exagerei. - Eu sei, calma. Tá tudo bem.
Tá? Já vai passar. Calma.
- É que eu cheirei. - Eu sei, eu sei.
- Calma. - [chorando]
Tá tudo bem.
Vou te levar pra minha casa. Você tá segura.
Não precisa ter medo, tá bom?
- A gente já tá chegando, tá? - [trêmula] Tá.
Vambora, bora.
[Evandro] Ô, ô! Sou eu, Evandro. Sou eu.
[em espanhol] Abaixa!
Gracias. Gracias. [em português] Graças a Deus.
Graças a Deus porra nenhuma. Graças ao Burgos. E o resto do pessoal?
- Elas ficaram, tão limpas. - Bora, vem.
[Gilmar] Caralho.
Vem, vem.
[Gilmar] Tem água aí, doutor?
Tem água, tem a porra toda.
Sanduíche de salaminho... Vamos embora, tenho uma OAB pra defender hoje.
[em espanhol] Polícia!
- [em português] Caralho! - Shh!
[sussurra] Cala a boca.
[em espanhol] Vargas!
Tudo bem, Galván?
- Tudo bem? - Como vai?
- Tudo bem, e você? - Tudo bem.
Viemos lá de baixo.
Por aqui não passaram.
Não.
Claro, dois homens com fuzis não passariam despercebidos, né?
Não. [ri]
Só se entraram no carro de vocês sem vocês perceberem.
- O táxi mais seguro da Bolívia. - O que quer dizer com isso?
- [Evandro em português] Calma aí. - [Burgos choraminga]
[Evandro sussurra] Fica quieto, Burgos!
[em espanhol] Preciso usar o rádio.
- Vem comigo? - Não vai dar, desculpa.
O nosso rádio está quebrado.
Uma pena.
Olha, se tiver algum problema comigo,
Resolva comigo, por favor.
Não me falte com respeito na frente dos meus homens.
Com licença.
[música de tensão]
Vargas, viemos até aqui para ajudá-lo,
não para ser tratados como lixo.
[homem] O que está fazendo?
Se alguém está fazendo merda aqui é você,
que entrou na casa sem um mandado e agora está sendo babaca.
Concorda?
[Vargas] Certo.
[homem] Vamos!
[suspiros de alívio]
[homem] Esse Vargas é um idiota.
[em português] Caralho, vambora. Vamos varar dessa porra!
[em inglês] John Carter, DEA.
[em espanhol] Os corpos, onde estão?
- Arturo? - Não, é esse aqui.
[música de tensão continua]
[clique fotográfico]
[clique fotográfico]
[digitando]
[telefone chamando]
[em inglês] Consegui as contas.
Perdemos o Frank.
[Inês ofegante]
[em português] Fica comigo?
Fico.
[música suave]
[ofegante]
[pássaros cantando]
[em espanhol] Pare aí. Não está aqui. Já procuramos na casa toda.
[música triste]
[suspira]
[bipes]
[suspira]
[música de tensão]
[em português] Alguém limpou isso aqui?
- [em espanhol] Alguém limpou isto aqui? - Não, ninguém.
[em português] Mas e o sangue?
[em espanhol] Onde está o sangue? Acharam balas, tiros?
- Algum buraco? - Só este aqui.
Alguma marca de asfixia?
- Facada, nada? - Nada.
[em português] Toma a água.
Vocês tão com celular?
Me dá aí.
Se foi o piloto mesmo que deu o serviço,
com certeza ele entregou o número de vocês. Joga essa porra fora.
[Burgos geme]
Tamo livre dessa merda!
Vai fumar aqui dentro?
Todo mundo aqui. Vai fumar aqui dentro?
Porra, que mania!
[homem] Jorge, meu amigo, se eu fosse bonito que nem você,
eu não precisava nem ser rico.
[em espanhol] É, se eu fosse rico como você, não precisava ser bonito.
[homem em português] Precisamos fazer três viagens aí nos próximos tempos.
E eu vou junto, viu?
[em espanhol] Não, não posso ser visto por aí.
[homem em português] É. Digamos que a gente também não é muito popular.
Mas a sorte é que eu tenho amigos cegos por todos os lados.
Se não, meu querido, eu acho que eu não comia nem a minha vizinha. [ri]
Por que você acha que o meu avião é preto, hein?
[em espanhol] Está bem. Combinado.
[Gilmar em português] Quem é Jorge?
[Evandro] É o piloto. Presta atenção.
Nunca fui com a cara desse cara.
[Evandro] Foi ele. Tenho certeza. Se ele fugiu, é porque foi ele.
[Burgos] Bom,
ele tem negócio com os Urquizas.
Com a gente também. A gente tem que falar com o Afonso.
[Burgos] Hum...
- Tenho uns celulares novos. - Não. Celular, não.
Os dois estavam muito juntos. Tem que perguntar olhando no olho.
Agora sim, hein, Burgos! Agora sim, hein, meu irmão!
Porra!
Acha que ficamos aqui quanto tempo?
Não sei, Evandro, mas...
você já viu o tamanho do Gilmar?
[Evandro resmunga] Ai, caralho.
Eu já disse que ele não tava lá.
Eles invadiram a casa e trancaram meus filho no quarto.
[música de tensão]
Cadê ele?
Ele se perdeu.
Eu só vim buscar a minha neta que ainda tem salvação.
Eu não sei onde ele tá.
E o tiro?
Foi pra mim.
Ela atirou na minha direção.
[Geise] Pra abrir a porta da onde meus filho tavam trancado.
Tava defendendo minha família.
Tava defendendo a sua família do Evandro?
Mas é aqui o lugar certo pra você fazer isso.
Minha família é minha neta.
Eu não tenho como te ajudar.
Oito homens aparecem mortos aqui no seu jardim.
Junto com uma pilha de pneus pra serem queimados.
Isso é o Evandro.
Mas daí eu chego perto,
e nenhum deles têm um buraco de bala sequer.
Isso não é o Evandro.
E daí eu me pergunto:
quem foi?
O que o senhor tá insinuando?
Porque não vi corpo nenhum.
[Morello] Não tô insinuando nada.
Eu tô afirmando.
Então, pela sua neta, minha senhora...
pela sua neta.
Onde tá o seu filho?
Eu não tenho mais filho.
[Morello] Me responde uma coisa:
um jantar de negócio onde acaba todo mundo que é sócio do seu marido morto...
mas, por acaso, me diz...
é um evento, é um jantar bem-sucedido?
Eu não envenenei ninguém.
[ri] Peraí.
Alguém aqui falou em veneno?
Ninguém aqui falou em veneno.
Só a senhora.
[nervosa] Aí, olha aqui, o senhor tá me induzinu.
O senhor tá me induzinu!
[música de tensão]
[emocionada] Meu Zeca morreu.
E morreu por causa do Evandro.
E desse, eu não sei mais nada.
Sabe qual é a sua sorte?
É que a gente não encontrou nenhuma digital nessa embalagem.
Porque alguma coisa me diz
que você tocou nela.
Eu não toquei em nada.
Então, o senhor quer me prender, me prende.
O senhor não tem nada? Vou embora que tenho criança pequena pra cuidar.
Eu sei que ele tava na mão de vocês.
E fugiu de novo.
[gritando] Quem foi, caralho? Fala! Quem foi, porra!
[gritando] Cadê? Cadê o Evandro, caralho! Me fala, porra!
[firme] Eu tenho a guarda da minha neta.
Eu só quero levar ela daqui.
[gritando] Eu exijo ir embora com a minha neta!
[fim da música de tensão]
[em espanhol] Não podemos culpá-las pelos assassinatos,
mas havia armas de fogo na casa, armas ilegais.
Alguém atirou e a arma sumiu,
com isso podemos segurá-las por um tempo.
O juiz...
[em português] Solta elas.
[em espanhol] Solte-as.
[em português] Elas são mais úteis soltas.
[em espanhol] Com elas soltas, dificultamos pro Evandro.
[em espanhol] Soltá-las?
Soltá-las?
[Geise em português] ♪ Fecha os olhinhos ♪
♪ Pra você dormir ♪
♪ Ninguém vai te pegar ♪
♪ Porque a mamãe tá aqui ♪
♪ Fecha os olhinhos ♪
♪ Pra escurecer ♪
♪ Ninguém vai te pegar ♪
♪ Até você crescer ♪
[cantarolando]
♪ Fecha os olhinhos ♪
♪ Até você crescer ♪
♪ Ninguém vai te pegar ♪
♪ Porque a mamãe tá aqui ♪
[música de tensão]
[bipes]
[bipe]
[digitando]
[telefone chamando]
[gravação] Bem-vindo à sua caixa postal. Você tem...
[bipe]
[Inês chorando] Pai? Pai, pai. Fiz uma besteira, pai.
Pai, eu tô no Dendê. Uns caras muito estranhos.
O cara rasgou minha camisa, pai.
Por favor, me tira daqui. Olha, me desculpa, por favor.
[digitando]
[telefone chamando]
[gravação] Este telefone encontra-se desligado ou fora da área de cobertura.
[fim da música de tensão]
Porra, Evandro, eu tô bolado com a maldição da sua mãe.
Maldição por quê? Ela é crente.
Não ouviu o que ela disse?
"Você e os que andam com você."
- Só vivo na sua cola! - Pelo amor de Deus!
Cheio de coisa pra resolver. Esquece essa merda.
A gente tinha que pegar um avião e ralar peito.
Boa! E quer ir por onde?
Pela pista dos Urquizas ou Aeroporto Internacional de Santa Cruz?
Hein?
Não dá, né?
Tem que falar com o Nicolás.
Sem ele, a gente tá em risco.
Esse Nicolás deve tá bolado.
Ele é maior chupa-rola dos caras.
[Evandro] É por ele ou por terra.
Caminho liberado, e a polícia no nosso buço.
Sem botar minha família em risco.
Não dá pra ter o caminho liberado. Os caras pagam a polícia de cima a baixo.
[Evandro] Dá teu jeito.
[suspira] Evandro, a gente tá na Bolívia.
Eu não sei nem se é seguro pra mim andar sozinho assim por aqui...
Bom, tenho que agilizar.
A sua mãe e a Geise ainda tão na delegacia.
[suspira]
- Posso levar o Gilmar? - Claro que não.
- Pega! Toma! - Hum.
[música animada]
[ri] Tu viu ele pegando na arma?
[fim da música animada]
[cachorro latindo distante]
Oi.
Nossa.
Se quiser dormir mais uma semana aí, pode ficar à vontade.
[ri] Você deixa?
Te acordei pra saber se não quer avisar que você tá aqui.
Seu pai, sua mãe. Sei lá.
Irado suas tranças.
- Dói pra fazer? - Que isso, garota?
Não pode mexer nas tranças assim, não.
- [Inês] Ué, por quê? - Não.
Você tem há muito tempo?
Peraí, que você vai entender.
[música suave]
[Inês ri] Deixa eu ver.
Acha que iam me respeitar com esse cabelo aí?
Você era a cara do Pedrinho do Sítio.
É, sem a trança, né?
É. Mas eu gosto das tranças.
[música suave continua]
Você...
não quer mesmo avisar que tá aqui?
Toma.
[bipes]
Merda.
[bipes]
Tem carregador?
Não, mas pode ligar daqui.
Não. Melhor não.
Você consegue um carregador pra mim?
Posso tentar.
Aguenta aí.
- [bipe] - Qual é, Radinho? Tá por aí?
[Radinho] Fala, chefe.
- [bipe] - Se liga.
Consegue um carregador de celular?
Já é. Arruma lá embaixo em dois palito.
- [bipe] - Já é.
- [bipe] - Radinho, se liga.
[Radinho] Fala, chefe.
Precisa ter pressa não, valeu?
Só que é pra trazer.
[Radinho] Valeu.
Mas, qual é, chefe. Fala tu. Qual é o aparelho?
- [bipe] - Do moderno, igual ao do Piolho.
[Radinho] Beleza, beleza.
Vai chegar aí já, já, tá?
[suspira]
[celular tocando]
[celular tocando]
[irritada] Porra, Morello!
Onde é que você tava?
Deixei vários recados.
Falei que ia ficar um tempo fora de área. Alguma notícia?
[mulher] Procuro desde ontem.
Eu tô sem dormir.
Ela não tá em lugar nenhum.
Delegacia,
IML,
hospital, nada.
[suspira]
Você voltou na minha casa?
Três vezes. Eu acabei de sair de lá.
Deixei a chave onde tava.
Ficou sem opção aqui. Não tem nenhuma amiga?
Ela me mandou uma mensagem.
[em espanhol] Senhoras, estão liberadas.
- [em português] Ai, graças. - [em espanhol] A perícia acabou.
[em português] Já tava na hora.
Vambora, molecada. Vamos.
Vamos, Maria. Pega a mochila.
Pega aqui.
- Para, Arlete. Para! - Licença.
A gente não vai voltar pra aquela casa com você, Geise.
- A Maria vem comigo. - Arlete, eu tô cansada.
As criança tão cansada.
Entendeu? A senhora para com isso, que eu vou embora com todo mundo.
[música de tensão]
Eu tenho a guarda da Maria, Geise. Legalmente.
Eu tenho direito sobre ela. E vou levar ela daqui.
[fim da música de tensão]
Quer uma manteiga?
[Inês] Quero não.
Vai comer puro?
Eu não tô com fome.
- [assobio] - [batida à porta]
Tu tá passando nego do movimento agora? Tá ficando maluco?
- Fala baixo. A mina tá aqui. - [Hermes] Que mina?
Os caras iam estuprar ela ontem no bar.
Querendo conferir, pergunta pro dono.
Fiz o que eu tinha que fazer.
É a lei do morro, tu sabe disso.
Já é.
Qual foi?
Tu tá sabendo do Jorge, do piloto?
- Não. - Não?
Não, ele tirou o dinheiro dele que tava investido no Comando...
Calma aí. Como assim?
E você não ia avisar nada, Afonso?
Calma, Hermes.
Isso foi ontem à noite.
Ele falou que ia encontrar com o Evandro. Já falou com o Evandro?
Achei estranho a retirada, mas o dinheiro é dele.
[nervoso] Fala, porra!
Tá tudo bem com o Evandro?
Tá. Tá tudo bem com o Evandro, sim.
Consegui falar com ele. Ele falou que vai entrar em contato.
Mas, por hora, é pra segurar tudo.
- Já é. - Já é?
E me avisa se souber alguma coisa do Jorge, do piloto lá.
Me avisa também, por favor.
[nervoso] Por quê? Por quê?
Como assim, "por quê"?
[música de tensão]
Ele faz parte do esquema de lavagem.
Se deu merda com ele, preciso arrumar outro esquema.
Qual foi, Hermes?
Acha que tenho algo com o gringo?
Tô achando nada não, meu cumpade.
Só tô te passando uma visão, entendeu? Papo reto.
Se ele aparecer aqui,
se encontrar você, finge que tá tudo normal e avisa.
- Já é? - Já é.
Então já é.
Bora. Bora, parceiro.
[em espanhol] A senhora será encaminhada à embaixada do Brasil com sua neta.
De lá, será trasladada ao Brasil.
Um carro nosso vai levá-la.
Acompanhe-me, por favor.
[em português] Obrigada.
Airton,
não esquece da gente não, meu amor.
A Maria é sua prima.
E, pra mim, você é um neto, viu?
Dá um abraço na vovó, dá?
- Vamos com a vovó. - [Geise chorando]
[chorando] Você falou que ia ficar comigo.
[Geise chorando] Eu sei, meu amor.
Mas agora você tem que ir, tá bom?
A vovó vai cuidar de você.
[chorando] Eu não quero ir.
Vamos, vai dar tudo certo.
- Não quero ir. - [Arlete] Vamos morar no Brasil.
[chorando alto]
[chorando] Venha...
[música triste]
[bebê chorando]
[Geise acalenta]
Vargas, agora é contigo, tá? Elas tão saindo.
Fica de olho nelas.
E apara essa barba aí, pra não dar tanta pinta.
Aí, Evandro.
É perigoso levar as criança, irmão.
Mas prometi pra Geise, né?
Perigoso é não cumprir.
É.
Os Urquizas é que o digam [ri]
[Evandro] É sério. Minha família.
Evandro,
como a gente fica nessa parada?
Se a gente perder o ouro branco?
Não vamos perder nada.
O Nicolás vai fechar conosco.
Ele é safado, hein?
Não vai com a nossa cara.
Mas precisa de nós. Burgos vai marcar um encontro.
É meu?
É seu, pode pegar aí.
Morello?
Conseguimos bloquear as contas deles.
Agoras temos que agir para eles não conseguirem
se reorganizar de novo.
Olha, Johnny, tudo isso é muito bacana, muito bom.
Parabéns pra vocês. Mas, na verdade,
queria te pedir um favor pessoal.
O quê?
Preciso de um voo pro Brasil o mais rápido possível.
Você pode ir com o avião que transportará o corpo da Andreia.
[música triste]
[fim da música triste]
[funk toca]
♪ O moleque tá de volta ♪
[acelerando]
[funk continua]
[Wilbert rindo e gritando]
[rindo]
Vamos nessa!
[Wilbert rindo]
[gritando] Tô de volta, porra!
[comemora]
Tô montado nessa porra!
Qual foi?
- Qual foi, tá mandado? - [Wilbert] Qual é?
Passa essa merda!
Sabe quem tá de volta?
- Sou eu! [ri] - [MC] Caralho! Não é ele, não. [ri]
[rindo] Qual foi, meu mano? Como tu tá, porra?
- [Wilbert] Como tu tá? - Caralho!
Tava com saudade, MC, porra!
Seja bem-vindo, caralho!
Calma aí. Deixa eu só ajeitar meu cabelo aqui...
[MC] Com a mesma vaidade de sempre.
- Não esculacha meu black. - [MC] Tu é foda.
[ambos riem]
Vamos tomar cerveja!
[Wilbert] Vamos tomar cerveja, tá ligado?
[fim do funk]
Ó o cheirinho!
[animado] Ah, meu irmão, que saudade de uma criminalidade, na moral, MC.
Qual é, Coxinha!
Tô de volta, tô de volta, negão!
[rindo]
E aí, Deco? [rindo]
E aí, rapaziada?
- Tô de volta! Tô de volta, porra! [riso] - [comemoração, aplausos]
Caralho, meu irmão!
Porra, esse barracão tá um brinco.
Dá até pra comer gente aqui dentro, MC.
[ri] Porra, tô feliz que tu voltou.
Porra, eu que tô feliz de tá de volta.
- China quebrou o outro barracão. - Tudo bem?
[MC] Aí, nós teve que mudar pra cá.
E tu, como é que tá?
Porra, aquelas coisas, né?
Baile tá visadão, perseguição rolando solto.
Fiquei meio que sem trabalho.
Acabei vindo parar aqui.
Porra.
Essa porra é trabalho, MC.
Trabalhamos mais que muito vagabundo de terno.
Pior que é verdade.
Qual é, tá dormindo, negão? [rindo]
Aí, mas...
ficou um brinco mesmo.
O baixinho gosta de tudo limpo, tudo organizadinho.
[sussurrando] Aí,
cadê elas?
[ri] Tu quer ver elas, né?
- Chega aí, vou te mostrar. - [Wilbert] Tô ansioso.
Bota aqui, bota aqui...
- Aí, caralho. - [MC] Ó elas aí.
Não aguentava mais. Preso naquela merda de lugar.
[funk toca]
[Wilbert ri]
Minhas filhas... Ah...
Ah, que saudade.
Ó o cheirinho.
O pai ficou fora uma temporada, mas já tô de volta, tá?
Já tô de volta. [suspira]
Berenice, Berenice...
nós éramos tão jovens...
Julieta... [ofegante]
...nós éramos valentes...
Qual foi? Ninguém meteu a mão, né?
[MC] Tá maluco? Tá do jeito que tu deixou aí.
- Tava guardado. - Papo reto?
[MC] Claro. Só tem que passar um pano. Tava guardado.
Vamos sair, que quero dar um tiro e um teco.
- [MC ri] - Vambora, vambora, MC!
- Bravo! - [Wilbert gargalha]
Não quero nem saber, seu Burgo. Quero ir embora dessa casa.
O ar chega a tá pesado aqui dentro.
[Burgos] Ô, Geise...
o Evandro também tá superaflito.
[pigarro] Ele disse que só sai da Bolívia com vocês.
Mas temos que fazer isso
com total segurança. Temos que pensar num jeito. A polícia tá em cima.
Pode ser que demore um pouco.
Eu não fico
nem mais dez minutos nessa casa com meus filho.
O senhor vai me dizer pra onde eu vou
e arrumar um jeito de eu chegar no meu marido, entendeu?
Nós vamos agilizar.
Obrigada.
Airton, vamos lá arrumar as coisas.
[ríspida] Não deixa acordar.
Vamos, filho, vamos lá.
[bebê balbucia]
[mulher] Acha que ela tá com alguém? Uma amiga?
[Morello] Não sei.
Na mensagem ela só disse que tava aqui no Dendê.
Foi mal a demora aí pelo carregador.
Não é todo mundo que tem celular na favela.
Muito menos desse tipo aí.
Tranquilo, Afonso.
[bipe]
Caralho, fodeu.
[música de tensão]
[digitando]
[celular chamando]
[celular tocando]
Inês, onde você tá? Você tá bem?
Tá tudo bem. Pai, tá tudo bem, tá?
Você tá bem mesmo?
[Inês] Tô bem mesmo.
Escuta filha, se tiver alguém com você, fala assim: "Eu tô ótima."
[firme] Pai, tá tudo bem.
Eu vim pra casa de uma amiga, tá?
Foi só isso.
Onde você tá? Vou te buscar.
Não. Não. Eu vou sozinha.
Tá? Eu tô indo pra casa.
Foi só um mal-entendido, tá? Tá tudo bem.
Não, filha, não. Vou te buscar. Escuta...
Pai, eu tô indo pra casa, tá?
Então tá bom. Então vai direto pra casa, tá?
- Qualquer coisa, liga. - [mulher suspira aliviada]
[suspirando] Aí, eu vou te levar pra casa.
Não precisa ligar o carro.
Vamos ficar aqui mesmo.
Ué, mas ela não vai pra casa?
Ela vai. Mas eu não quero esperar ela lá.
Aí, meus cumpade. Parabéns pela competência aí, valeu?
Tudo certinho aí?
Tá tranquilo mesmo?
[feliz] Ih, Caralho! Qual é, meu cumpade Wilbert? Porra!
- Caralho, meu irmão! - Onde tu tava?
Matando as saudades da favela, dando tiros no poste,
- tiros na mente. - "Tiros na mente." Tu é foda.
Olha só, tu chega devagar aqui. Não chega aterrorizando não,
porque tu tá ligado que o frente agora aqui é o sargento, né?
Tá maluco? Sou fechamento, Hermes.
Claro que é, meu cumpade. É nóis, chega aí, ó.
Dá tua relaxada da tua forma, entendeu?
Depois sobe pra gente trocar uma ideia porque o movimento tá pegando fogo.
- Sim, senhor! - Que porra é essa, Wilbert?
[rindo] Ó o cara! Eu te falo que esse cara é um filho da puta!
É nóis, Wilbert. Vambora, vambora.
Que saudade, meu irmão.
Que saudade. Na moral.
[MC] Pô, se liga.
Papo reto? Sem neurose?
Pra mim, mano, tu que tinha que ser o frente do Dendê.
Esse Hermes aí é o maior pela-saco do caralho.
O cara não fuma, não cheira, não trepa.
Não confio em gente assim, não.
Porra. Então tu confia em mim pra caralho, né?
Porra, claro.
Tu me traz confiança, porra.
Obrigada por tudo, tá?
Imagina.
[cachorro latindo distante]
Não, peraí. Você não vai sozinha. Vou te levar.
[Inês] Já quer conhecer meu pai?
[ri] Acho que não é um bom dia.
Te deixo perto. Não preciso encontrá-lo.
Mas eu vou te levar.
E...
[música suave]
Eu...
eu quero muito te ver logo.
[música suave continua]
A minha vida tá tão complicada.
Não sei se você vai curtir muito, não.
Por enquanto, eu tô curtindo.
[ambos dão risadinha]
Vamos?
[fim da música suave]
[música de tensão]
[fim da música de tensão]
[Evandro] O Nicolás é a única chance de ter ouro branco.
A gente precisa tentar.
Esse Nicolás é um arrombado, Evandro.
Não confio nesse cara, meu irmão.
Ele sabe que, sem a gente, ele tá fodido.
Não sei, não, cumpade. Não sei, não.
[desliga o carro]
[cachorro latindo distante]
Vambora, Gilmar.
[porta fecha]
Atividade aí.
[porta fecha]
[música de tensão]
[em espanhol] Que prazer...
- [em português] Fica aí! - [Gilmar] Qual foi?
[Evandro] Quem é você?
Cadê o Nicolás?
[em espanhol] Então você é o famoso Evandro?
E acha que pode chegar aqui e matar nossos homens
sem consequências?
[fim da música de tensão]
[Morello suspira]
[Morello suspira]
[som metálico]
[música de tensão]
É pra hoje?
Vai demorar? Tô com pressa.
- Vai demorar? - [homem] Já vou liberar pra você.
[música de ação]
[Afonso] Puta que pariu.
[Morello] Parado aí, vagabundo!
[Inês] Pai, que isso? Não!
[fim da música de ação]
[música de encerramento]
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