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Boa noite, senhoras e senhores.
Antes de come�ar, gostar�amos de vos lembrar
que o espet�culo que v�o ver
n�o � para card�acos.
Os Twisted Sister foram acusados de usar linguagem
suja, indecente e profana durante os seus espet�culos.
Se n�o deseja, repito, se n�o deseja submeter-se
a si e aos seus a tamanho abuso,
por favor abandone as imedia��es neste momento.
Muito obrigado.
INGLATERRA 1982
Agora?! Certo.
Parecem mulheres, tocam como homens,
e s�o o maior bando de broncos dos Estados Unidos!
S�o os Twisted Sister!
MARK "O ANIMAL" MENDOZA
EDDIE OJEDA
A.J. PERO
JAY JAY FRENCH
DEE SNIDER
DEE SNIDER (DESCULPEM, MENINAS, ELE � CASADO)
3.267 ESPET�CULOS ANTES
CIDADE DE NOVA IORQUE 1972
No ver�o de 1972 eu estava determinado
JAY JAY FRENCH GUITARRISTA, TWISTED SISTER
que o cen�rio de drogas do qual eu fiz parte
enquanto mi�do hippie de Nova Iorque tinha acabado.
E durante o ver�o eu tinha feito a subscri��o da "Fusion Magazine"
e com essa subscri��o recebi um �lbum do Lou Reed,
um �lbum do David Bowie e um �lbum dos Mott the Hoople.
E a capa da "Fusion" tinha o David Bowie.
E eu fiquei... Uau! O que � isto?
Isto n�o s�o os Grateful Dead.
Isto � algo completamente diferente.
Dei uma volta de 180 graus.
Ent�o quando os The Dolls come�aram a tocar no Mercer Arts Center,
foi um mundo novo para mim.
O Bowie e o Lou Reed estavam l�.
E havia uma cena de brilho e glamour.
Estranhamente, sentia-me ligado a isso
s� que eu era m�sico
e essas bandas n�o eram assim t�o musicais para mim.
Na verdade, eram bastante m�s.
Eram terr�veis.
Tinham �timo aspeto. Meu, os The Dolls tinham �timo aspeto.
Eu ia para casa e pensava,
"Aquela banda, eles sabem tocar, v�o fazer uma fortuna.
Mas n�o valem nada."
E eu pensei, "Uau, se eu arranjasse uma banda assim, mas que fosse boa!"
Comecei a sintonizar as antenas,
sabem, a perceber que queria estar numa banda glitter.
E recebi uma chamada de um sujeito
que parecia o Rocky Balboa.
E ele disse, "Ent�o, como vais?
O meu nome � Mel, tu curtes glitter?"
"Tu curtes glitter?" Nunca tinha ouvido aquilo,
"Curtes glitter." Curtes?
Sim, eu gosto de glitter.
"O Bowie, o Lou Reed, os Mott the Hoople."
"Temos uma banda
e vamos vestir-nos como mulheres."
Eu disse, "A s�rio?"
Eu disse, "J� t�m muitas f�s?"
Ele disse, "Sim, vais fartar-te de curtir."
E quando ele veio a minha casa,
a campainha tocou e eu fui espreitar.
E l� estava um sujeito afro-americano.
E eu disse, "Desculpe, quem � voc�?"
E ele disse, "Sou o Mel." E eu, "Ah, est� bem. Tanto faz."
Metemo-nos num carro e fomos at� ao primeiro ensaio em Nova J�rsia.
E naquela noite disseram-me, que se eu quisesse participar,
j� estava garantido.
A banda tinha uma esp�cie de modelo.
Havia o Michael, o cantor, e o Billy, o guitarrista,
que se apresentavam como Mick e Keith.
O Mel era um baterista com influ�ncias jazz,
mas acho que era um bom baterista.
O Kenny, no baixo, era um excelente m�sico
que parecia um pouco deslocado socialmente
mas era um m�sico sensacional.
Ent�o achei que era uma banda que tocava bem.
E �amos ter um excelente aspeto...
�amos parecer os The Dolls,
mas ter um som muito melhor e conseguir um contrato de grava��o.
Estou, Stu? Vais-te passar.
Devias ver este espet�culo.
Os The New York Dolls n�o s�o nada ao p� destes gajos.
KEN NEILL EX-BAIXISTA, TWISTED SISTER
Uma das primeiras coisas que me perguntaram foi se eu me importava
de colocar alguma maquilhagem ou algo desse g�nero.
E eu achei que sim, que podia fazer isso.
Nunca o tinha feito. Agora esta cena era diferente
do que eu estava habituado a tocar.
Eles tocavam como o David Bowie...
como o David quem?
Isto � um bocado estranho Eu n�o disse nada,
porque queria ser uma esp�cie de membro da equipa.
Ent�o eu n�o tinha bem a certeza se gostava
mas quando toc�vamos algumas das m�sicas,
existia muita energia.
E uma coisa era certa,
eu n�o queria ter de arranjar emprego outra vez.
Nos anos 70, em Nova Iorque,
a capital do mundo tinha sido abandonada
pelos adultos, naquela altura,
e tinha sido deixada a quem ainda tinha tomates para viver ali.
Na cidade existia o rap,
que estava a nascer e a desenvolver-se,
e o punk estava a crescer no centro.
E assim que pass�vamos a ponte
ou o t�nel e deix�vamos a cidade...
JOE GERBER CO-MANAGER, TWISTED SISTER
est�vamos na Am�rica, basicamente,
e era um mundo diferente.
A beleza daquela �poca � que n�o havia absolutamente
nada para fazer na noite,
MARK HITT GUITARRISTA, RAT RACE CHOIR
exceto ir ao cinema ou ver uma banda ao vivo.
E normalmente havia mais bandas ao vivo.
E era �timo
porque surgiu tudo em massa.
A moda naquela �poca, meados dos anos 70, na �rea Tri-State
MIKE ROVIELLO EX-AGENTE
come�ou originalmente no condado de Westchester
e algumas partes de Long Island,
e cresceu sem parar.
O que eu entendi
� que era o �nico local no condado
que tinha este tipo de atividade intensa.
E como existem ainda hoje bandas do Top 40,
os donos dos bares procuravam
as bandas que tocavam os �xitos da altura.
N�s toc�vamos Led Zeppelin,
The Who, Jethro Tull,
�ramos terr�veis na altura.
E foi tudo feito corretamente.
Estava tudo em ordem.
Todos queria ver se eles conseguiam tocar AC/DC?
GEORGE PARENTE DONO DO BAR L'AMOUR
Poderiam tocar Led Zeppelin?
E qual seria a qualidade?
Ningu�m queria ouvir temas originais.
E ningu�m tocava originais ao mesmo tempo.
E reparem, assim que engrenarem
e remarem a favor da mar�,
de repente tudo se abre e l� est�vamos n�s.
O primeiro espet�culo no Satellite
foi certamente algo diferente.
Era um lugar enorme
e era mesmo ao lado da base do ex�rcito Fort Dix
e do outro lado da estrada ficava a base A�rea McGuire.
Ent�o t�nhamos a For�a A�rea e o Ex�rcito,
todos no nosso espet�culo.
A maquilhagem que t�nhamos era muito feminina.
Lembro-me de estar muito nervoso.
Porque pensava que eles iam olhar para n�s
e come�ar a atirar-nos coisas.
Mas n�o havia ningu�m no sal�o.
Era uma sala de bowling gigante que leva 3000 pessoas.
Talvez estivessem l� umas 20 pessoas naquela noite.
Ter�a � noite, ningu�m.
Quarta � noite, ningu�m. Quinta � noite, ningu�m.
Come��mos a habituarmo-nos � ideia
de que talvez ningu�m aparecesse e n�s fossemos apenas ensaiar
porque mal conhec�amos as can��es que t�nhamos no set.
T�nhamos de tocar cinco. Mas no fim de semana... bang!
3000 soldados... Meu Deus!
Fiquei, fisicamente, enjoado.
Olhei l� para fora, vi aquelas 3000 pessoas,
olhei para mim vestido com uma coleira de c�o no pesco�o,
e pensei... "Oh, v�o-me matar.
� hoje que vou morrer.
Vir aqui hoje, travestido, vou ser assassinado."
Mas por algum motivo,
os soldados estavam apenas b�bados e queriam entretenimento.
...ENTRETANTO, EM LONG ISLAND
DEE SNYDER VOCALISTA, TWISTED SISTER
Por volta dos 16 anos eu estava a chegar a uma encruzilhada
enquanto mi�do que n�o era popular,
que n�o tinha muitos amigos ou que n�o se encaixava
com uns truques ou algo do g�nero,
eu cheguei a uma altura em que me apercebi
que estava a desvanecer.
Estava a ficar em segundo plano
e a tornar-me uma nulidade.
E lembro-me de me abanar a mim mesmo e dizer,
esta noite n�o vou ficar quieto!
E eu era uma esp�cie de marginal mas eu n�o me importava.
Comecei a formar a minha personalidade.
Sempre cantei em bandas e comecei a destacar-me nisso.
Ent�o as minhas bandas come�aram a tornar-se populares a escola.
Harlequin foi a minha banda p�s-secund�rio...
a minha primeira banda que tocava um pouco em bares.
Mas algures no caminho,
ofereceram-me a oportunidade de me juntar a uma banda residente,
que n�o era, nem de perto, uma banda como os Harlequin.
Chamavam-se Peacock.
Mas eu ia dar a oportunidade a mim mesmo
de ganhar a vida a s�rio.
E achei que ia realmente aperfei�oar o meu of�cio.
Ent�o deixei uma banda muito melhor para me juntar a uma banda mais fraca.
ENTRETANTO, EM NOVA J�RSIA...
As pessoas n�o conseguiam esquecer a nossa apar�ncia.
N�o havia realmente mais ningu�m na altura
que fizesse o que n�s est�vamos a fazer.
Beij�vamo-nos durante o medley do Bowie.
E isso era escandaloso, mas fixe.
E as mi�das gostavam e arranj�mos muitas curtes.
T�nhamos umas coleiras de c�o...
era bastante intensas, desta altura, com pregos.
E arranj�mos uma corrente e acorrent�vamo-nos uns aos outros.
Uma coisa com a qual t�nhamos de ter cuidado era certificar-nos
que os amplificadores estavam bem instalados.
De outra forma, apanhar�amos um choque danado.
Compr�mos uma carrinha muito barata.
E consegu�amos fazer 150 por noite,
seis noites por semana, a trabalhar num bar.
Faz�amos bom dinheiro...
Quero dizer, sem querer parecer o meu pai.
A gasolina era a 29 c�ntimos por gal�o,
e os hot�is a 39 d�lares por noite,
e o aluguer de carrinhas era cerca de 50 d�lares por semana.
Era realmente funcional.
Conseguimos um concerto no Mad Hatter, nos Hamptons,
que � um grande clube noturno em Long Island.
Durante o ver�o de 73, 15 semanas seguidas, vivemos por cima do clube.
Somos 20.
O que achas?
Foi rid�culo. Foi divertido.
Foi uma loucura. Havia mulheres por todo o lado.
Aquele s�tio estava completamente sobrelotado.
Est�vamos a ficar loucos.
O �nico problema era que o Michael ficava b�bado durante a noite
e n�s toc�vamos menos e o Michael come�ava a babar-se.
Era um bocado, diria, engra�ado
BOBBY JORDAN DONO DO CLUBE FINAL EXAM
mas quando olhamos para o palco
e n�o vemos o vocalista,
pensamos... e um dos empregados
nos diz, "Bob, ele est� aqui..."
E eu pergunto, "Onde?"
Ele caiu do palco. Est� ao lado do palco.
Quero dizer, que tipo de...
Mas toda a banda estava b�beda.
O Mel caiu do banco da bateria, uma noite.
Lembro-me que ele bebeu uns nove Rusty Nails.
Ele desmaiou. O Billy caiu.
O Kenny estava sempre b�bedo.
Estava rodeado de alco�lico e eu n�o bebia.
Mas n�s faz�amos m�sica
e obviamente est�vamos a fazer as pessoas felizes.
E a banda tornou-se maior.
E finalmente entr�mos no segundo ver�o...
�ramos a banda residente no OBI East,
que � um clube dez vezes maior que o Hamptons.
Devemos ter sido bons.
Infelizmente, n�o tivemos a capacidade para o manter.
A nossa gest�o n�o entendeu aquilo que n�s eramos.
� como tentar colocar um selim numa bomba at�mica.
Sabemos que a conseguimos aguentar durante algum tempo
antes de rebentar tudo.
E neste caso, com os Twisted, ningu�m o conseguia controlar.
E o �lcool acabou por desmantelar a banda.
Bem, decidimos livrarmo-nos do Michael e do Billy.
Est�vamos a tentar perceber o que fazer a seguir.
Precisamos de um novo vocalista e de um novo guitarrista.
Contactamos um sujeito chamado Keith Angel,
ele trabalhava com um cantor chamado Rick Prince.
E entraram eles os dois.
E foi �timo.
Exceto que na hist�ria dos Twisted Sister,
o Rick Prince esteve l� durante um total de nove meses.
O Rick n�o apareceu num concerto, um dia,
e nunca mais ouvimos falar dele.
Ent�o agora a quest�o era, o que fazer a seguir?
N�o temos cantor.
Estou t�o cansado de depender das pessoas.
E pensei, bem, eu canto.
Porque eu sei que apare�o no concerto.
Mas tenho uma capacidade vocal muito limitada.
Deus criou o Dylan para eu conseguir fazer covers.
Ent�o tornei-me o vocalista
e isso altera o foco das m�sicas.
Agora toc�vamos m�sicas dos Kinks.
M�sicas dos Mott, muito mais Lou Reed,
ent�o eu conseguia cantar.
Agora eramos uma banda de quatro e est�vamos a trabalhar.
Os meus dias no Peacock,
P de picha, C de caralho... voc�s � esquerda
v�m a picha e voc�s � direita v�m o caralho,
era isso que o teclista costumava dizer.
No Peacock tive a oportunidade de desenvolver o meu of�cio
cinco dias por semana, cinco sets por noite.
Mas tamb�m de construir um nome a n�vel local.
Eu sabia que os Twisted Sister eram conhecidos nos clubes locais.
Costumava v�-los nos jornais locais,
e de ouvir falar deles, as pessoas falavam deles.
Mott The Hoople, Lou Reed, sabem, David Bowie,
era a cena deles.
Eu gostava de tudo isso, adorava.
Estava muito interessado em envolver-me com pessoas
que gostassem disso.
A nova vers�o dos Twisted Sister
andou a rastejar durante o ver�o.
Perdemos o grande concerto no OBI, eu sentia que
se n�o fiz�ssemos algo dr�stico,
a banda n�o ia durar.
E o meu agente sugeriu que arranj�ssemos um vocalista.
Ele sugeriu um mi�do chamado Danny Snider,
de uma banda chamada Peacock.
E eu disse ao Mel e ao Keith no vesti�rio
que ia trazer um sujeito que estava muito interessado
em ser o vocalista.
Eu devia ter percebido, pela rea��o deles,
que aquilo n�o ia correr bem.
Ele disseram, "N�o, n�o h� motivo
para termos um vocalista. N�s estamos bem."
Bem, n�s n�o est�vamos bem.
Lembro-me de ele chegar e dizer, "Eu sou o que voc�s precisam,
n�s podemos fazer isto, eu posso levar-vos ao topo."
Eu disse, "Sim, claro, podes ir embora."
E eu disse, "Est� bem." E enquanto eu me afastava,
o Jay Jay, pragmaticamente, sempre muito pragm�tico,
disse, "Sabes, d�-me o teu n�mero, s� para o caso de precisarmos."
Fizemos um concerto no Rock Palace
em Lake Carmel no Fim de Semana do Trabalhador de 1975,
e depois dessa noite em que toc�mos,
o Mel e o Keith levaram a carrinha.
E disseram, basicamente, "Tu e o Kenny que se fodam.
Isto � nosso e voc�s est�o fora."
E est�vamos a enfrentar uma separa��o
ou come�ar tudo de novo.
Em meados de outubro
eu disse, "Kenny, queres tentar outra vez?"
Ele disse, "Sim. Como � que vais arranjar algu�m?"
Eu disse, "Bem, posso ligar ao meu antigo guitarrista do secund�rio,
o Eddie Ojeda."
Sempre estive em bandas residentes,
sempre toquei para ganhar a vida.
Quando o Jay Jay falou comigo,
sobre reunir uma banda e assim,
fiquei surpreendido por podermos
EDDIE OJEDA GUITARRISTA, TWISTED SISTER
tocar rock 'n' roll naquela altura, numa banda.
Pensei que t�nhamos de tocar
funk ou sei l�...
o funk � fixe mas... na altura t�nhamos de tocar algo dan��vel.
Est�vamos � procura de um baterista
e encontrei o Kevin John Grace e estava a tentar reunir
algum material que t�nhamos.
Tentamos fazer algo a quatro e foi fixe.
Est�vamos a tocar mais Rolling Stones,
mais rock conhecido.
Agora estava mais exposto enquanto cantor.
N�s toc�vamos e eu repreendia o p�blico,
tentava que batessem palmas ao ritmo da m�sica,
picava-os de maneira a obter uma rea��o,
porque n�s n�o prest�vamos,
ou eu achava que n�o, ou n�o tinha confian�a nenhuma
no que faz�amos, e pensei que se n�o conseguisse,
se n�o conseguimos tocar melhor,
ia espanc�-los at� � morte at� baterem palmas.
Foi divertido mas n�o foi... foi uma esp�cie de...
n�s ter�amos sido apenas uma banda de covers.
Ter�amos sido uma banda de covers divertida.
Eu tinha vontade de voltar ao que era,
esquecer a parte de querer superar isso.
Eu j� me tinha sentido como as 2000 pessoas no bar.
Senti o poder de uma banda.
Eu queria isso, meu, queria mesmo.
Sab�amos que t�nhamos de fazer alguma coisa.
Ent�o decidimos, vamos arranjar um cantor.
E ent�o...
Liguei ao Dee outra vez.
Ele convidou-me para ir ao Hunter Mountain.
A banda ia tocar l� durante uma semana.
Pod�amos fazer uma audi��o e se corresse bem,
pod�amos ensaiar e tocar naquele fim de semana.
Ia ser a minha grande audi��o
e a minha oportunidade de ser uma estrela.
Ent�o finalmente demos-lhe uma oportunidade
e ficamos surpreendidos com a qualidade que ele tinha.
E uma das melhores coisas
era que ele n�o bebia!
Depois de fazer a minha audi��o,
o Jay Jay levou-me l� para fora e disse
"Bem, eu tenho nome, e tenho um sistema de PA.
N�o te importas?"
E eu disse, "Sim, tudo bem."
E ele disse, "Bem, vamos ver como corre."
Nunca me disseram oficialmente, "Est�s connosco."
Foi apenas, "Vamos ver como corre."
Ent�o temos estado numa fase de testes durante 35 anos.
N�o sei, ainda estou � espera daquela chamada.
Ent�o come��mos a ensaiar com o Kevin.
E isso era um problema porque o Kevin n�o era muito bom baterista
e sab�amos que esse ia ser o pr�ximo problema.
O Jay Jay tinha um amigo chamado Tony Petrie,
com quem tinha trabalhado anos antes.
O Jay Jay disse, "Este sujeito, o Tony, � bom,
em excelente baterista, e vai ficar."
Ent�o come��mos a ensaiar nas costas do Kevin John Grace.
Estabelecemos um padr�o nos Twisted Sister
de n�o despedir ningu�m at� arranjar outra pessoa
porque n�o pod�amos dar-nos ao luxo de perder datas.
Ent�o ensai�mos com o Tony, prepar�mo-lo bem.
Dissemos ao Kevin que estava tudo acabado.
E agora a banda �ramos eu, o Dee, o Tony, o Kenny e o Eddie,
e essa banda tornou-nos a banda principal
nos bares em Long Island.
Vamos!
Vamos l�, queridas! Voc�s sabem as letras...
Ei, meu!
Lembro-me de o meu pai assistir a um espet�culo.
O meu pai foi muito direito. Ele disse,
"Voc�s foram muito chatos at� ele aparecer."
Ent�o quando o Dee se juntou � banda, ele disse,
"Oh, vamos maquilhar-nos
e voltar �quele visual."
Est�o a ouvir, queridas?
J� esta calor, mas vai ficar ainda mais quente!
Pouco a pouco come��mos a tornar-nos muito escandalosos,
a colocar maquilhagem, a arranjar o cabelo,
sabem, eram as roupas e tudo isso,
e roub�vamos a roupa das nossas m�es e coisas assim.
Na verdade eu s� roubei uma camisa � minha m�e.
N�o � como se tivesse roubado a roupa dela toda.
Quanto � imagem,
eu estava, como disse, a tornar-me mais aventureiro.
Depois conheci a Suzette.
Eu tinha 15 anos e pedi a identifica��o emprestada � minha prima,
SUZETTE SNIDER DESIGNER DE MODA, ESPOSA DO DEE
que era muito mais velha que eu, mas eu tamb�m n�o parecia ter 15 anos.
Ent�o eu esgueirei-me e fui ver a banda das mi�das, os Twisted Sister.
Pensei que ia ser um monte de raparigas, mas n�o eram.
Eram um monte de homens a tentarem parecer mulheres.
Fiquei surpreendida quando um grandalh�o...
porque o Dee tem 1,85 m... e estava a cal�ar
umas botas com uns 20 cm,
com umas cal�as sensuais.
Ele n�o parecia atraente. Ele parecia assustador,
mas no palco era incr�vel.
E o Dee entendeu que o meu sorriso fosse por estar a fazer-me a ele.
E o Dee caminhou lentamente na minha dire��o
e debru�ou-se num dos lados do palco
e deu-me um destes.
E eu senti que estava a ser puxada para um furac�o.
Ela achou que eu parecia rid�culo,
e que se eu ia fazer aquilo, devia melhorar.
Ent�o come�ou a pressionar-me a usar batom.
E eu dizia, "N�o sou nenhum paneleiro."
Era algo bizarro de se dizer.
Eu estava a usar meias de licra e cal�as sensuais quando a conheci,
com botas de pele pelas coxas e luvas.
Sabem... "Sou o Dee, Chupa Aqui" era o que dizia a minha t-shirt.
Para mim era como essa frase.
Vais usar batom?
Eu n�o vou usar batom. E lembro-me de ela ter dito,
"Bem, tenho estes lip gloss."
E aqui em baixo � bem claro.
E do outro lado era um vermelho vivo.
Ela disse, "Coloca apenas um claro."
E eu disse, "Est� bem, claro. Mas tu sabes.
Eu n�o sou gay." Est� bem.
Um lip gloss claro.
E acabei rapidamente com aquele compartimento
e o pr�ximo era um pouco beije.
Ent�o passei para esse.
Bem, eram cerca de doze.
Quando cheguei ao �ltimo,
era t�o vermelho quanto podia ser.
Era vermelho vivo.
N�s pens�mos que seria uma �tima ideia
de ter uma casa da banda.
A ideia era vivermos juntos,
criamos juntos, convivermos.
E alug�mos uma casa num bairro muito agrad�vel,
em Massapequa, Long Island... Old Harbor Greene.
E mud�mo-nos todos para l�.
Trabalh�vamos toda a noite e depois �amos para casa.
�amos dormir. Acord�vamos.
V�amo-nos todos na cozinha, todos os dias.
As nossas vidas eram assim.
Um, dois, tr�s, quatro!
O que aconteceu, ao contr�rio
de aproximar a banda e estreitar la�os,
foi que eu comecei a afastar-me, naquela casa.
Muito poucas vezes queria estar com eles.
Eles eram mais velhos que eu, eram de Manhattan.
Eram do Bronx. Eram dos Twisted Sister.
Eram gajos fixes.
Eu era um mi�do de 21 anos de Long Island,
um bronco, um idiota,
e n�o tinha metade da originalidade
que eles tinham, de maneira nenhuma.
E eu admirava-os muito e eram um modelo para mim.
O Jay Jay era o nosso manager.
O Kevin era o nosso agente.
Est�vamos a fazer reuni�es e a discutir sobre os originais
e est�vamos a falar sobre o "Can't Stand Still,"
o "For A Minute," o "TV Wife," o "Follow Me."
Ele odiava as m�sicas que est�vamos a fazer.
E claro, sendo o Dee como �, n�o foi com rodeios.
Ele n�o come�ou a dizer, "Bem, sabem..."
E simplesmente desabafou
e disse, "Estas m�sicas... Eu n�o gosto destas m�sicas.
N�o s�o certas para a banda. N�o s�o grandes m�sicas.
N�o v�o fazer a diferen�a. Bl�-bl�-bl�..."
E eu estava a protestar
e o Kevin Brenner disse, "Foste tu que as escreveste?"
E eu disse, "Sim."
Escrevi uma com o Harlequin...
em coautoria.
E ele disse, "Tens alguma m�sica para submeter?"
E eu disse, "N�o."
E ele disse, "Bem, ent�o cala-te at� teres."
Falei ao Jay Jay sobre uma ideia para uma m�sica,
e n�o me lembro dela.
Estava muito nervoso ao mostrar-lhe.
O Jay Jay, claro, n�o se apercebeu da import�ncia
do que se passava, para mim.
Quando lhe apresentei a m�sica e lha cantei,
estava t�o nervoso
e t�o desconfort�vel a cant�-la.
O Jay Jay disse,
"Oh, � sobre ti e a Suzette? Que fofo."
Depois voltou-se
e come�ou a falar com outra pessoa.
E isso foi um grande erro.
Dependendo do ponto de vista.
Quero dizer, se olharmos para isso
como uma for�a motivadora para mim,
para provar ao Jay Jay e ao mundo que eu era algu�m,
e o �mpeto que eu tinha de me tornar um escritor man�aco
que simplesmente produzia m�sicas
a um ritmo rid�culo...
se olharmos para isso assim, ent�o foi bom.
Mas foi algo que me afastou muito da banda
e eu entrei no meu pr�prio mundo
e comecei a criar em separado da banda.
O meu �nico prop�sito era destruir o Jay Jay French e as suas m�sicas
e apoderar-me da composi��o.
Eu era man�aco
e maldoso.
E...
consegui.
Para mim, o Dee n�o se encaixava.
Mas l� est�, eu era pragm�tico.
Eu precisava de um cantor, eu n�o sou cantor.
Eu precisava de algu�m assim, e se isso trouxesse bagagem,
estava preparado para a suportar, at� certo ponto.
O "Come Back" e o "Pay The Price,"
foram as primeiras faixas.
Foi a� que eu pensei, "Uau,
este gajo tem algo de especial."
Quando me juntei � banda,
o Jay Jay j� tinha uma harmonia com o p�blico.
Acho que lhe podemos chamar isso.
Uma harmonia em que falava no meio das m�sicas.
Havia alguma m�sicas em que ele pedia
um pouco da participa��o do p�blico ou algo assim.
Foi algo muito presente
na minha mem�ria, e eu ficava de lado.
Termin�vamos uma m�sica e eu afastava-me.
O Jay Jay � que falava. Eu dizia uma palavra ou duas.
Mas a banda era do Jay Jay,
eu simplesmente estava com os Twisted Sister.
Eu era o mi�do e ele era o profissional experiente.
Come�a o ver�o, senhoras e senhores,
com festas de arrasar,
sejam bem-vindos ao ver�o de 77
com uma m�sica chamada "Sweet Jane!"
Eu cantei o "Sweet Jane" e era a minha cena.
E a meio do "Sweet Jane," uma noite,
eu fiz com que o p�blico cantasse o "Sweet Jane,"
parei o espet�culo.
� f�cil ou n�o?
E disse, sabem que mais?
Porque n�o trazemos algumas pessoas ao palco
para cantarem connosco?
Ent�o convid�mos algumas pessoas para o palco para cantar connosco.
E tinha um grande gongo atr�s de n�s, porque no "Gong Show,"
eles batem o gongo se n�s n�o prestarmos.
Ent�o eu mandava algu�m cantar
e se a pessoa n�o prestasse, o meu baterista fazia...
a audi�ncia era basicamente um anfiteatro romano.
Sabem, "N�o presta!" E mand�vamo-los embora.
E se cantassem bem, ped�amos uma salva de palmas.
E isso durou algumas semanas.
Mas eu precisava de mais.
Ent�o disse � empregada do bar,
"Tr�s uns copos e �lcool,
talvez possamos beber e tentar."
O que procuram, um drogado?
Eu quero uma cerveja!
Ent�o mandaram uma garrafa de tequila ou Wild Turkey ou algo do g�nero
e estavam l� umas cinco ou seis pessoas.
E d�vamos-lhes um shot e eles cantavam o "Sweet Jane"
e depois ficavam cada vez mais b�bados e est�pidos,
e as rea��es mais exacerbadas,
e a audi�ncia come�ou a aumentar.
� essa a grande diferen�a entre n�s e as outras bandas.
N�s n�o tocamos m�sica. N�s fazemos merda.
N�s contamos piadas. Embebedamos as pessoas
e pomo-las a cantar o "Sweet Jane!"
E gozamos com elas em palco e mandamo-las embora com um gongo.
E entrava cada vez mais �lcool.
E finalmente, uma noite, depois de cinco ou seis shots,
um gajo vomita no palco...
era um gajo muito gordo, chamavam-lhe Buddha.
E ele vomita num caixote do lixo
e foi uma loucura.
"Buddha, Buddha," e eu pensei,
Uau, meu...
est�o a vomitar e eles adoram.
Isto �... que imagem!
Ent�o vamos fazer o "Espet�culo do Gongo - Beber at� vomitar."
N�o, � o "Espet�culo do Gongo - Sweet Jane at� vomitar."
Certo. Era isso que era.
Sim, e acreditem que n�o, havia uma fila de pessoas
que mal podia esperar para beber at� vomitarem.
Sinto-me completamente fodido!
E � �timo, caralho!
Um gajo virou-se e vomitou.
PETER HACKETT F�, LONG ISLAND
E depois virou-se e disse,
"Bem, estou pronto para outra."
Era nojento...
a menos que gostem de v�mito.
A �ltima noite em que os fizemos beber...
Bem, deixem-me colocar isto desta forma...
Sabem como � quando vemos aquele concurso de comer
cachorros quentes em Coney Island, em que ganha sempre o magricela?
H� sempre um gordo,
mas o japon�s min�sculo � que come os 1000 cachorros quentes?
Bem, o no final t�nhamos o Buddha
e um gajo muito magrinho
e eles beberam.
E a certa altura naquela noite, a empregada disse,
"Acho que j� beberam o suficiente para morrer"...
ou algo do g�nero...
"Acho que j� lhes deram uma dose letal..."
Eu n�o fazia ideia!
Odeio isto. Eu n�o bebo!
Sei l� que quantidade de �lcool � que � letal ou n�o.
Mas nem � preciso dizer,
o vencedor ganhou uma grade de cervejas, o que tem piada.
Ent�o venceu o mi�do magrinho,
e deram-lhe a grade e ele caiu...
N�o se aguentava. Estava t�o fodido!
Se tentarmos hoje,
� um crime... tenho a certeza que acabamos todos presos!
J� n�o levam estas coisas para a brincadeira.
Mas naquela �poca era divers�o pura.
Long Island, s�o demais! Obrigado!
Aconteceram coisas loucas.
E tamb�m aconteceram coisas humilhantes.
Por exemplo, no Mundial,
quando os Yankees jogaram em 77, n�s n�o pudemos...
n�o quiseram que n�s toc�ssemos.
O jogo ia passar na televis�o.
Iam l� estar algumas cadeias de televis�o
e n�s �amos para o palco... "Ei, calem-se!
Estamos a ver o jogo dos Yankees!"
Sa�amos do palco e diz�amos, "Foda-se, sabem que mais?
N�o tocamos mais at� acabar o mundial!"
Ent�o aparec�amos
e simplesmente fic�vamos ali at� o jogo acabar.
E isso, a prop�sito, n�o foi a �nica coisa que aconteceu.
Sabem, somos uma banda de bares,
somos um complemento da noite.
Talvez seja outro motivo pelo qual quer�amos que gostassem de n�s
e pelo qual quer�amos fazer algo de importante.
Porque n�o pens�vamos apenas,
"Oh! Vamos para o bar!
Oh, est� l� uma banda."
Sim, e eles s�o...
eles est�o l� para... para dar m�sica de fundo
enquanto nos drogamos e tentamos foder algu�m."
E n�s pens�vamos, "N�o!
"Somos uma banda! Somos mais do que isso!
"Somo mais do que m�sica de fundo
par se drogarem e foderem! Somos algu�m!"
Esta noite, temos uma mensagem para voc�s,
senhoras e senhores. Toda a gente leu?
Diz, "O Disco � Uma Merda," ouviram?
Agora todos,
quero que contem at� tr�s para lerem o sinal.
Est�o prontos?
Um, dois, tr�s... O Disco � Uma Merda!
Turma, mais uma vez!
Quando est�s em palco a fazer a tua cena
estamos a tentar passar quatro horas por noite, sabem?
� muito para fazer, muita m�sica para tocar
e procuramos outras coisas
para esticar a cena.
E o "Disco Sucks" teve uma grande resposta do p�blico
e tornou-se algo importante para n�s.
O Dee ou eu dissemos algo do g�nero "Disco sucks."
Algu�m gritou alguma coisa.
Talvez algu�m tivesse gritado,
"Sim! O Disco n�o presta!"
Talvez. E n�s dissemos, "Sim, o disco n�o presta..."
N�o sei. Mas as rea��es a essa frase foram fant�sticas!
Foi como acender um fogo,
e de repente olhamos uns para os outros e pens�mos - Bingo!
Disco sucks!
Disco sucks!
Disco sucks!
Ele iam at� � loja de discos
e compravam um monte de singles disco.
E espalhavam-nos pelo palco.
E depois o Dee arranjava uma grande marreta
e toda a gente contava at� tr�s...
"Disco sucks!" e ele pegava na marreta
e partia aquela merda dos singles de disco todos.
Disco sucks!
Disco sucks!
E isso j� fazia parte da cena do bar,
uma marreta.
Est�o a ver, amplificador, guitarras, marreta.
Isso � a cena mais metal poss�vel, certo?
Well, I hate disco music
'Cause disco music really sucks
Well, I hate disco music
'Cause disco really sucks
Toda a gente agitava os bra�os no ar
porque acreditavam que aqueles gajos iam salvar o rock 'n' roll
MIKE CORCIONE F�, QUEENS
e fazer desaparecer o disco, sabem?
Era uma verdadeira batalha!
Havia gente do disco e gente do rock.
E ningu�m se entendia.
N�o era uma quest�o racial,
porque tanto quanto sei,
n�o havia afro-americanos
em nenhuns desses clubes a ver nenhuma dessas bandas.
Foi... para mim parecia
um clich� de Brooklyn e do John Travolta
contra gajos de cal�as de ganga, t-shirts e t�nis.
E n�s explor�mos a quest�o social.
Meu, se explor�mos.
Mais alto!
I hate disco music...
Porqu�?
'Cause disco really sucks!
Eu disse, os Village People e o Barry White,
que apanhem um foguet�o para a lua e saiam da minha vista!
'Cause I hate disco music
'Cause disco really sucks, oh yeah...
Decidimos levar o Barry White a julgamento
e consider�mo-lo culpado de destruir a m�sica popular americana.
Eles tinham esta grande manequim vestido com um smoking,
com uma peruca comprida e encaracolada
traziam-no e diziam,
"o Barry White n�o pode estar c� esta noite
por isso vamos ter de enforc�-lo em manequim."
Penduravam-no e bateram-lhe como uma pi�ata.
Com um grande bast�o.
E o p�blico enlouquecia e dizia "Matem-no!"
At� cantavam, sabem...
E sa�amos do palco a pensar,
"Sim, correu bastante bem." Sabem?
Bem, deixa-me dizer-vos uma coisa.
Fizemos isso durante algum tempo
at� o fazermos uma vez numa �rea rural
em Nova Iorque... Lake Carmel, no Rock Palace.
E fizemos o nosso enforcamento do Barry White
e o publico ficou louco, adorou.
Acho que at� descemos o corpo e come��mos a desmembr�-lo.
N�s faz�amos aquilo com afinco.
E depois do espet�culo o dono do bar disse-nos,
"N�o sei quanto ao Barry White,
mas se enforcarem um preto nesta cidade,
est�o bem na minha agenda."
E eu pensei, "O qu�?"
Ele disse, "Enforca um preto. N�o pode correr mal!"
Eu pensei, "Puta merda!"
Sabem... Long Island,
n�o quer�amos ossos partido, era algo...
t�o distante nas nossas mentes.
A certo n�vel, consigo rir-me disso porque era t�o absurdo.
Por outro lado, fico enjoado com isso
e com o facto de pensar que podia ter feito parte de algo
que pudesse ter incitado esse tipo de resposta em algu�m,
o facto de transmitir essa energia negativa em algu�m,
isso deixa-me realmente doente.
Ent�o par�mos imediatamente com aquilo e seguimos em frente.
E o nosso ant�doto para isso
foi construir uma cadeira el�trica e fritar a Andrea True.
Dev�amos estar juntos h� cerca de dois meses,
e eu vesti uma t-shirt que o Dee adorou.
Ele s� me dizia
como eu estava bonita e como gostava da t-shirt,
e onde a tinha comprado, e como eu estava fant�stica.
Ent�o cerca de duas semanas depois eu decidi
que ia v�-lo
e ia vestir a t-shirt que ele tanto gostava.
E nunca me vou esquecer de encostar naquele bar.
E o Dee estava no palco,
e estava a usar a mesma t-shirt que eu!
Fiquei aterrorizada!
A pior coisa que podemos imaginar
� ir a algum lado e haver algu�m a usar a mesma roupa que n�s.
Mas o nosso namorado?
Ent�o eu disse, "Chega! Vou come�ar a fazer-lhe roupas."
E esta situa��o
n�o vai voltar a repetir-se
porque o meu namorado n�o pode
vestir a mesma roupa que eu!"
A Suzette fazia-me merdas, roupas.
Eu vestia tudo o que ela fazia,
e fazia-me fatos rid�culos.
Os rapazes ficavam envergonhados.
O Eddie dizia, "Como podes vestir isso em palco?
Tens o pirilau pendurado."
Era como a Suzette o tinha feito, eu vestia-o.
Desde cedo,
as pessoas come�aram a chamar-me Twisted Sister,
porque eu � que me vestia de forma diferente, o resto da banda n�o.
E eu sabia que isso n�o ca�a bem na banda.
O Jay Jay veio ter comigo e confrontou-me
e perguntou-me se eu podia come�ar
a fazer a roupa de todos os outros da banda.
E eu disse, sem d�vida.
E toda a banda come�ou a alinhar, um a um.
E lentamente comecei a ensinar a todos na banda
como se maquilharem, e comecei a arranjar
o cabelo deles, as roupas deles.
Os Twisted Sister foram pensados para emocionar o p�blico.
Sabem, as outras bandas concentravam-se na m�sica.
Bem, n�s tamb�m t�nhamos m�sica.
Mas o que n�s faz�amos estava al�m da m�sica, sabem?
Bem, a moda glam tomou conta do guarda roupa
e depois da maquilhagem e se fossemos para o palco,
ou qualquer outra apresenta��o que fossemos fazer...
faz�amos qualquer coisa
para chamar a aten��o para n�s.
Conseguimos.
Ent�o quando outras bandas tentavam fazer-nos frente,
quando entramos e temos um bast�o,
e o outro gajo tem um bast�o e uma pistola e uma faca,
n�s vamos perder.
Ent�o, o que quer que fizessem,
n�s tent�vamos entender como superar isso.
N�o sei o valor que temos como banda em termos musicais,
porque somos uma banda de predadores.
O que significa, colocamos o peixe na �gua,
damos um alvo ao peixe,
e dizemos que este peixe deve matar aquele peixe,
e este peixe vai l� e mata aquele peixe.
E n�o me interessa se isso parece insens�vel,
n�o me interessa como...
se isso parece infantil, porque esta banda � assim.
Somos muito predadores.
E nos bares, era matar ou morrer.
Os Zebra tinham fama de ser uma banda de arrasar de Nova Orle�es,
que eram simplesmente matadores de drag�es.
Lembro-me do primeiro dia em que vi os Twisted.
RANDY JACKSON GUITARRISTA/VOCALISTA, ZEBRA
J� tinha ouvido falar deles mas n�o os tinha conhecido.
E estava � espera que entrassem uns sujeitos malucos,
sabem, e eles apareceram com cal�as de ganga
e roupa normal.
Se calhar um pouco de cabedal.
Mas estavam vestido normalmente.
E eu disse, "Bem, isto n�o � nada de especial."
Lembro-me que naquela noite a banda aumentou mesmo as apostas
toda a gente se vestiu e colocou maquilhagem.
Nessa noite est�vamos no nosso camarim
e vejo o Dee a sair do camarim.
E n�o sei o que ele tinha vestido,
mas para mim parecia um roup�o feminino cor-de-rosa.
Pobres Zebra,
eles eram apenas uma banda progressiva de Nova Orle�es,
com cal�as de ganga e t-shirts, uma banda muito talentosa,
mas n�s �amos preparados para matar.
E destru�mo-los completamente.
Foi uma loucura,
quero dizer, aqueles sulistas levaram uma boa dose.
As pessoas vinham ao espet�culo para me ver e ao Dee, � dupla,
a gozar com algu�m e isso estava a fazer duas coisas...
n�o apenas gozar com uma pessoa ou uma banda,
isso criava a atmosfera de que n�s �ramos os reis.
Este � o nosso mundo, n�s somos os donos do mundo.
Somos a banda n�mero um do mundo.
Ent�o prepar�mo-nos para eliminar os Rat Race Choirs e os Good Rats,
e os Zebras e qualquer um que se atravessasse no nosso caminho.
Sabem, digam-nos uma banda que seja mais popular que n�s,
e n�s vamos l� vamos ter come eles,
e vamos com�-los.
O Dee deve ter acordado todas as manh�s com o desejo
de rebentar comigo ou de me fazer comer merda
ou de provar que era muita bom... tudo bem.
Levantava-me todas as manh�s a pensar
como � que ia fazer mais dinheiro ao arruinar
esta banda ou aquela banda... tudo bem.
Todos t�nhamos os nossos mini alvos.
Os Sister eram definitivamente aquele tipo de banda
em que temos de estar preparados para arrasar...
DAVE GILLESPIE F�, NOVA J�RSIA
...quando falamos com certas pessoas
sobre bandas e m�sicas,
porque com eles n�o havia meio termo.
As pessoas gostavam deles ou odiavam-nos.
Levei algumas pessoas comigo para v�-los.
MICHAEL WIESE F�, NOVA J�RSIA
E basicamente foram uma ou duas vezes
e aquilo n�o era para elas.
Alguns dos meus amigos gostavam da banda.
Alguns dos meus amigos n�o gostavam da banda.
Alguns dos meus amigos odiavam mesmo a banda.
Uma dos meus amigos achava que eu estava realmente
DONNA BOCCUZZI F�, CONNECTICUT
a perder o ju�zo,
literalmente a perder o tino, pelo facto
de eu ir v�-los tr�s ou quatro noites seguidas e ele...
um dia envolvemo-nos numa grande discuss�o � frente da minha casa.
Envolvemo-nos mesmo numa luta.
Eu bati-lhe mesmo.
As pessoas questionavam se eu era gay ou algo do g�nero.
Andas a seguir um grupo de gajos que se maquilham e vestem como mulheres?
Basicamente eu disse, foda-se... vai v�-los e julga-os por ti mesmo.
Estava muito empenhado naquilo que estava a fazer.
Ningu�m partilhava essa paix�o...
comigo, por isso...
N�o pedi a ningu�m que o fizesse.
O que eu estava a tentar dizer-lhes � que n�o sabiam o que perdiam.
De fevereiro de 76 a agosto de 78 n�o tivemos descanso.
Durante cinco ou seis dias por semana,
todas as semanas, toc�mos em todos os espet�culos.
Come��mos a tocar num local chamado Speaks,
que acho que levava mais de 2000 pessoas.
E ficavam apertadinhos,
tipo sardinha enlatada,
e havia pessoas l� fora � espera para ver a banda.
Era muito entusiasmante.
Durante este tempo,
o meu alcoolismo piorou.
Acordava �s 2 horas da tarde.
Mas �s 4 da tarde j� come�ava a beber.
Muitas vezes era pouco,
o que chamam beber uns copos.
...e noutra parte de Long Island
MARK "O ANIMAL" MENDOZA BAIXISTA, TWISTED SISTER
Quando sai do liceu
tocava em clubes noturnos, em bandas.
Faz�amos covers na altura.
Um dia um baterista chamado Fred Enoch disse-me,
"tenho uma audi��o com uma banda
que anda pelo mundo a fazer �lbuns e tudo."
"Sim, e depois?"
E ele disse, "Chamam-se The Dictators."
Quem?
"The Dictators."
Nunca tinha ouvido falar deles.
Ele deu-me o �lbum e eu olhei para a capa
e fiquei aterrorizado.
N�o podia acreditar que algu�m aceitaria um gajo,
para cantor, que n�o sabe cantar.
Eram mais efeitos especiais.
Mas na altura eu n�o sabia nada de punk rock.
Nem sabia que isso existia na cidade,
nunca tinha ido a Nova Iorque,
para saber o que se passava na cena musical de l�.
Para encurtar a hist�ria,
passei dois anos e meio nos The Dictators e fartei-me.
Deixei a banda.
E tinha-me tornado amigo dos Twisted Sister.
Eles disseram que iam fazer uma grande tourn�e de ver�o.
Iam estar muito ocupados e precisavam de ajuda.
Eu disse, "Bem, sa� duma banda e estou sem trabalho.
Eu ajudo-vos. Porque n�o?"
O ver�o de 78 foi o nosso grande...
o nosso primeiro grande ver�o de afirma��o,
de que �ramos uma banda merecedora de reconhecimento.
�ramos residentes no Speaks.
�ramos residentes no Hamptons.
Era muito importante.
Publicamos um grande calend�rio no jornal,
chamamos-lhe Tourn�e de ver�o de 78.
Conseguimos marc�-la com muita anteced�ncia.
E o objetivo era
tocar em Calderone,
no teatro em Hempstead, no Halloween.
Eu trabalhei num teatro em Long Island chamado Calderone Concert Hall.
MARK PUMA MANAGER, TWISTED SISTER
Foi um dos espa�os em que trabalhamos.
Eu conheci a banda.
Tivemos de falar sobre o palco, as luzes, o som.
Eles nunca tinham tocado num palco de teatro.
Na altura trabalhei de perto com o Jay Jay
nos preparativos.
O Jay Jay queria aproveitar para fazer uma demonstra��o
e tentar trazer pessoas da discogr�fica.
A ideia do Calderone era uma afirma��o.
Ia ser m�sica original e n�s �amos
mostrar que consegu�amos esgotar o teatro.
N�o t�nhamos nenhum contrato. Isto era importante.
T�nhamos uma enorme linha de amplificadores para declarar
que os Twisted Sister deviam ser reconhecidos,
como os Black Sabbath e todos os outros,
porque traz�amos a artilharia.
Quer�amos ter a sala a rebentar pelas costuras,
e a prop�sito, a maior parte foi ligada.
O espet�culo esgotou.
Naquela noite atu�mos
e foi uma experi�ncia reveladora.
Lembro-me de sair do palco
sem f�lego e exausto de literalmente correr.
Aquelas dores que temos quando corremos.
E n�o conseguia perceber.
Nunca tinha tido essa experi�ncia antes.
E acab�mos por estar em palco durante mais de duas horas e meia,
o que foi uma loucura!
Mas n�o t�nhamos conceito.
Apenas coloc�mos todas as m�sicas que sab�amos
numa folha de papel e toc�mo-las.
Na altura, tinha tocado com os Aerosmith em Madison Square Garden
com os Black Sabbath, os KISS... muitas bandas de excel�ncia.
E o que eu vi acontecer naquele palco, com aquele p�blico,
foi algo que vi apenas umas cinco vezes na vida.
Quando o espet�culo no Calderone terminou,
o telefone tocou no dia seguinte.
Era o Kenny.
E ele disse, est�s sentado?
E eu disse...
"Porqu�?" Eu pensei que ele ia dizer-me
que ele ia casar com a namorada Carol.
E ele disse,
"Bem, venho dizer-te que tenho de abandonar a banda."
E eu disse, "O que � que est�s a dizer?"
E finalmente decidi entrar
num programa de recupera��o.
E comecei a recuperar o ju�zo e...
fiquei s�brio.
Tamb�m � como um programa espiritual.
Ent�o comecei a pensar
que talvez haja algo mais.
Ent�o tive alguns amigos meus
que estiveram no programa, da mesma faixa et�ria que eu e tudo,
que se tornaram crentes.
O Kenny, como muito
ex-alco�licos, renasceu.
E depois de v�rios meses,
senti que tinha uma vida dupla.
Porque tinha uma cena de uma lado,
com os meus novos amigos Crist�os, e depois tinha a banda.
E comecei a pensar seriamente
que talvez fosse altura de seguir em frente.
E lembro-me de uma noite no Zaffy's,
o Kenny trouxe The Dais, a igreja dele,
vieram cerca de meia d�zia de pessoas,
viram a banda,
e ele queria o veredito deles sobre estar nos Twisted Sister,
que era um conflito com o fato de ser Crist�o.
E eles disseram que
Satan�s falou atrav�s das minhas m�sicas e pela boca do Jay Jay.
E sim, era um conflito direto
e que ele devia sair da banda.
E lembrem-se, n�s ainda est�vamos a subir...
est�vamos a subir a montanha.
Espera um minuto!
Est�s a deixar a banda e est�s a dizer-me
que est�s a dizer-me porque eles te disseram
que o Diabo fala atrav�s de mim e do Dee? Deixa-me esclarecer isto.
Eu e o Dee n�o bebemos. Eu e o Dee n�o fumamos.
Eu e o Dee n�o consumimos qualquer tipo de drogas.
O alco�lico �s tu,
mas o Diabo fala atrav�s de mim e do Dee.
� isso que est�s a dizer?
Eu quero entender bem isto.
"Bem, eu sei que parece estranho..."
Sim! Claro que parece estranho, Kenny!
N�o me fodas.
N�o fa�o ideia do que est�s a falar.
Sou um artista. Eu vou para ali e fa�o um espet�culo.
Fa�o um espet�culo... tanto faz.
Ent�o tentei convenc�-lo.
E estou a fazer alguns progressos para o fazer ficar.
Um dia, no Speaks, o meu baterista, o Tony, entra,
e tem uma banda no bra�o e eu digo, "O que � isso?"
E ele diz, "� a minha nova tatuagem."
E eu pergunto, "O que �?"
e ele vira-a para mim e � uma esp�cie de dem�nio.
E eu penso, "�timo, n�o podia ser mais clich�?"
E ele diz, "Sabes, foi o Mike Bruno que a fez.
Mike, porque n�o mostras a tua tatuagem � banda?"
E o Bruno tira a t-shirt e tem um dem�nio nas costas inteiras.
E eu olho para o Kenny e penso, "Ganhaste.
Acho que temos mesmo adora��o ao Diabo."
Tudo bem. Sabem?
Era do g�nero, ia dizer o qu�?
Mesmo antes do Dia de A��o de Gra�as,
t�nhamos feito um espet�culo de s�bado � noite em algum lugar
e est�vamos todos em casa. E o telefone toca em minha casa,
estava eu prestes a adormecer.
S�o 8 ou 9 da manh�, numa manh� de domingo.
E eu acordo e � o Jay Jay French.
E ele diz-me, "Ainda andas � procura de banda?"
E eu disse, "Sim, claro."
Disse, "Sabes, � divertido trabalhar com voc�s
mas eu preferia ser m�sico."
E ele diz, "Bem, tenho uma banda para ti."
Eu disse, "Est� bem, quem s�o?" E ele diz, "Os Twisted Sister."
E eu disse, "Bem, n�o brinques comigo assim."
E ele diz, "N�o, estou a falar a s�rio.
O Kenny saiu e precisamos de um baixista. Queres entrar?"
E eu disse, "Sim, eu aceito," assim.
Ele disse, "Est� bem, falamos depois." E pronto. Desligou.
O Mark era como eu.
Temos idades parecidas. Ele � um ano mais novo que eu.
Somos ambos dos sub�rbios de Long Island.
Viv�amos apenas a algumas quarteir�es um do outro.
Crescemos no mesmo ambiente de sub�rbio.
Musicalmente, est�vamos ligados �s mesmas coisas.
Finalmente, havia algu�m na banda
que era o meu parceiro no crime.
Tenho de admitir, quando o Mark entrou,
isso completou a metamorfose do Dee.
O que o Kenny n�o conseguia fazer era aquilo que o Mark fazia.
A m�sica do Dee era pesada mas o Kenny estava a requint�-la.
O Mark estava a amarr�-la a um 747
e a lan��-la pelo terminal.
Eu estava a gerir a banda
desde que atu�mos em 75.
E descobri que a rotina di�ria
de tocar e fazer a gest�o era quase imposs�vel.
Ele n�o andava a dormir e estava t�o exausto
que quase teve uma depress�o.
Ent�o eu disse, "Queres que eu te encontre um manager?"
E ele disse, "Isso seria �timo."
Comecei a contactar pessoas
e a falar-lhes sobre a banda,
pessoas que eu achava que tinham capacidade de gest�o.
E um a um eles foram dizendo, "N�o."
E o Jay disse-me um dia, "Bem, porque n�o o fazes tu?"
Eu respondi, "Bem, eu n�o sou gerente. Sou promotor."
E disse, "Bem, fizeste mais por n�s do que qualquer outra pessoa.
Aceitamos, se quiseres."
Ent�o pensei sobre isso e entr�mos no neg�cio da gest�o.
Nunca toc�mos em Manhattan...
por v�rios motivos.
Os clubes de Manhattan eram pequenos e n�o pagavam.
Pensavam que estavam a fazer um favor �s bandas
em deix�-las l� tocar.
E pens�mos...
fomos demasiado bons para eles.
Sabem, n�o vamos apostar para nada.
Se olharem para o mapa, somos o qu�?
Estamos a 32 km do CBGBs?
Talvez estejamos a uns 1800 km?
N�o havia nenhuma cruz.
Ocasionalmente, os nossos f�s passeavam pela cidade
e voltavam com not�cias de l�.
Tipo, "Sim, estivemos no Mudd Club,"
ou "Vimos uma banda na outra noite
e vimos os Ramones," ou o que seja.
Eu dizia, "Sim, quantas pessoas � que enfiaram ali?"
Estou a conhec�-los na espera da gest�o,
eu sa�a para ver os espet�culos e apercebia-me
que Long Island eram compromissos esgotados,
2.000 pessoas, 500 pessoas na fila, que n�o podem esperar mais.
O mesmo em Nova J�rsia, o mesmo em Westchester.
Eles controlavam completamente os sub�rbios.
E eu achei que n�o iam
dedicar muito tempo a isso.
Ent�o a minha estrat�gia que eu inventei foi tirar-nos
de cena durante um per�odo de alguns meses
e depois fazer apenas um espet�culo em Manhattan.
O primeiro local na Cidade de Nova Iorque foi o The Palladium.
E acho que estavam 3000 ou 2500,
era maior que o Calderone.
E estava mesmo no centro da ind�stria de m�sicos.
Ent�o liguei ao Ron Delsner, um bom amigo, mas competi��o,
E eu disse, "Tenho uma banda
que estou a gerir e gostava que fizessem o The Palladium."
E ele disse, "Quem s�o eles?"
E ele disse, "Os Twisted Sister."
E ele disse, "Que data queres?"
O espet�culo ia sair na ter�a feira.
E ele ligou-me na tarde de Ter�a
e disse, "T�m patroc�nios no espet�culo?"
Ei disse, "N�o, Ronnie, o espet�culo � teu.
N�o vou divulgar o espet�culo, porqu�?"
Ele disse, "J� vendemos 1100 lugares.
Come�ou a vender ao meio-dia de hoje
E no dia seguinte t�nhamos o an�ncio do "Village Voice"
e os profissionais da ind�stria, que conheciam as cenas fixes,
estavam a rir-se porque...
"V� bem, na semana seguinte vai dizer "cancelado"."
E na quinta j� estava esgotado.
E na semana seguinte disse, "Esgotado."
O livro The Palladium, esgotou o The Palladium,
no cora��o de Nova Iorque e foi basicamente...
O facto dos Twisted Sister esgotarem o The Palladium
sem terem nenhum contrato
isso estava bem presente na mente de toda a gente,
aqueles gajos eram estrelas de rock!
Tocar no The Palladium era suposto ser o �ltimo passo
na estrada para o estrelato.
O passo seguinte era um �lbum editado,
uma tourn�e mundial, dom�nio mundial.
Tinha de ser perfeito.
Eu tinha de ter raz�o.
O placo, as luzes, o novo guarda-roupa,
ensaios em instala��es onde pod�amos fazer todas as luzes,
todo o som, todo o placo.
Tivemos de alugar a maior sala do SIR.
At� alug�mos o The Palladium
para o ensaio final antes do espet�culo.
Isto vai ser decisivo. V�m todas as discogr�ficas
e temos sinopses no jornal... aquilo ia ser em grande.
E depois durante o ensaio, o ensaio final,
no The Palladium... aconteceu uma cat�strofe.
Estava l� em baixo a tentar preparar-me
e nem me lembro bem.
Acho que desmaiei.
Estavam � minha procura e eu estava l� me baixo,
sabem, tive uma crise epil�tica.
A seguir s� me apercebi de estar numa ambul�ncia.
Meu, senti-me...
como se fosse atirado de um canh�o e depois atirado
para uma jaula de gorilas e l� dentro tinha montes de primatas
para me derrotar.
O espet�culo foi adiado.
Porque n�o conseguia faz�-lo?
Meu, fazes-me planos, damos o nosso melhor
e foi devastador.
Quero dizer, foi absolutamente devastador.
Fui dar uma volta... como � que ia sair desta?
Como � que vamos fazer isto?
Era a nossa grande oportunidade.
Ou�am, fazemos o que fazemos.
Levantamo-nos, sacudimos o p�,
vestimos as meias de licra e voltamos para o palco.
Ningu�m queria que isso terminasse.
DJ FINGERS, WBAB-FM F�, LONG ISLAND
Est�vamos todos orgulhosos.
A banda estava grata.
Estavam eletrificados. Estavam exaustos.
E tivemos o espet�culo de uma vida.
Remarc�mos com as discogr�ficas,
aquelas que vinham, basicamente n�o apareceram.
Em vez de estarmos com o departamento A&R,
o p�blico estava repleto das suas secret�rias
e das suas assistentes.
No espa�o de um m�s, as pessoas olhavam para n�s
com grandes pilhas de Marshalls
e as roupas e o palco,
e diziam que est�vamos fora de moda.
Perdemos a nossa estreia.
A �nica pessoa que se mostrou interessada
foi da Epic Records... o Lennie Pizzi,
o cabe�a do Epic Records.
Agora o Lennie, novamente,
mandou a sua secret�ria ou a sua assistente,
e tinha de ver isso com os seus pr�prios olhos.
Agora podemos oferecer viagens de limusine para quartos lotados.
Mas n�o, isto tinha de ser na Cidade de Nova Iorque,
na sua hora de almo�o, numa segunda feira.
L� estava ele, o l�der da Epic Records quer ver o mesmo espet�culo
que acab�ramos de fazer no The Palladium.
Concordamos.
Isso fez-me doente porque sabem que na segunda feira estamos exaustos.
Segunda quer dizer que temos de chegar no domingo e preparar o espet�culo.
Ele vai chegar ao meio dia ou 1 da tarde, na sua hora de almo�o.
� humilhante. Mas concord�mos.
Ent�o o que fizemos?
Alug�mos a SIR... alug�mos todo o equipamento,
o som, as luzes, o placo, tudo...
e dizemos o espet�culo para o Lennie Pizzi �s...
eram 11 da manh�?
Na...
era de madrugada para os Twisted Sister.
E ele entrou.
E pelo que entendemos,
eles iam pagar-nos as despesas
Ele pagava-nos o espet�culo.
Acho que por volta das 12:00 ou 1:00, o Lenny chegou,
a porta abriu-se no SIR, s� havia uma cadeira.
Ele senta-se na cadeira.
Tocamos o espet�culo do Palladium.
Quando acab�mos o espet�culo, ele n�o estava l�.
Ele disse ao gerente que t�nhamos outro encontro.
Nunca mais tivemos not�cias deles.
Eles nunca pagaram pelo espet�culo.
Saiu-nos ainda mais dinheiro do bolso.
N�o assin�mos contrato e descarril�mos.
Como f� e n�o algu�m de dentro,
ou algu�m que trabalhava na banda ou com a banda,
n�o sab�amos disto.
N�o sab�amos que �ramos um falhan�o, por assim dizer.
Porque, sabem,
a pr�xima noite em que iam estar no Hammerheads
ou Detroit, a tocar novamente.
Judas Priest!
Hell Bent For Leather!
Podemos ultrapassar isso?
Mais ou menos. Tocamos cinco noites por semana.
Lambemos as feridas, sim.
Ultrapassamos isso, sim.
Temos um luxo que a maior parte das bandas n�o tem,
mas ainda era um pontap� no plexo solar.
Eu vi... que estava a ir a algum lugar.
E o meu grande obst�culo foram esses clubes merda.
Eu odiava-os.
Eles eram um mal necess�rio. Eram quentes.
Eram apertados. Os palcos eram pequenos.
Eles n�o me permitiam fazer o que eu precisava de fazer.
N�o me tratavam como uma estrela.
A quest�o era...
eu ganhava muito com aqueles clubes
e abusava verbalmente dos clubes.
E se havia algo de errado e algo de nojento,
eu dizia a toda a gente o quanto odiava esses clubes.
O Dee passava-se nos sound checks,
e expulsava as pessoas dos clubes durante os sound checks.
E eu tinha de l� ir e falar
com os empregados e acalm�-los.
Ele arranjava discuss�es com os donos dos clubes.
Talvez tivesse de o calar.
E ele era um magricela
com 20 kg de cabelo e vamos vender isto do palco?
Espera at� sair do palco, amigo.
Eu estava sempre a ter problemas
com os comportamentos rid�culos do Dee.
At� sempre, filhos da m�e!
Mas todos fizeram merdas est�pidas.
A equipa fez coisas est�pidas.
E o gerente que teve de fazer as chamadas,
de alugar a carrinha, alugar o material de ilumina��o.
Vou dizer uma coisa sobre isso,
porque eu fiz isso todos os dias,
porque eu n�o dormi,
porque tinha de acordar de manh�
e falar com a empresa de transporte, com a empresa de ilumina��o,
lidar com as quest�es da equipa,
lidar com as quest�es da banda,
lidar com as quest�es dos agentes,
lidar com os agentes e os donos dos clubes,
nunca poderia tornar-me uma estrela de rock.
Roubaram-me o estrelato.
E eu disse, "Agora arranja um road manager
que trate destes gajos, eu n�o vou estar aqui.
N�o quero as chamadas �s 3 da manh�,
quando algu�m n�o vos quer pagar ou algo do g�nero."
Por isso trouxe o Joe.
Ent�o agora t�nhamos o Mark Puma e t�nhamos o Joe Gerber.
Ent�o t�nhamos um sistema de apoio.
E estava tudo estragado quando eu cheguei porque
tudo o que ele fez foi dar-me o n�mero de telefone do Kevin Brenner,
o agente...
um saco de recibos,
umas p�ginas de folhas soltas de datas futuras,
e disse, "Boa sorte."
E foi isso.
E tive de perceber isso por mim mesma.
Que foi metade do... ou do terror ou da divers�o.
Mas sabem, o medo � um grande motivador.
C� vamos n�s, queridas!
A lamber as feridas passamos por Abril, Maio, Junho.
Contudo, ouvimos que havia um formato de concerto
no Adventureland Amusement Park.
E eles iam ter as maiores bandas de Long Island
a tocar todas as ter�as � noite durante um m�s.
Alug�mos um avi�o e vo�mos sobre Jones Beach
no fim de semana do 4 de Julho a dizer,
"Concerto Gratuito dos Twisted Sister, Adventureland."
Na semana antes, os Zebra tiveram cerca de 6000 pessoas,
o promotor acha que apareceram 6 ou 7000 pessoas.
Acho que n�s tamb�m tivemos.
Liguei a alguns dos meus amigos e disse, "Vamos, espet�culo gratuito.
Como pode dar errado?
Temos cervejas, entra no carro, vamos para l�."
N�o consegu�amos entender de onde vinha todo aquele tr�nsito.
LAURI NAGLIERI/SALLY AVELLINO F�S, LONG ISLAND
Nunca esper�mos milhares de pessoas.
Cinco a oito km em ambas as dire��es.
Carros abandonados na berma das estradas.
Est�vamos t�o atr�s
que as pessoas estavam no topo dos pr�dios para ver o espet�culo.
Era uma selva.
T�nhamos um trailer, para entrar logo.
E eu pensei, "Como � que estar� aquilo?"
E o Joe estava p�lido.
Ele disse, "Olha pela janela."
E eu olhei e era um oceano de pessoas!
N�o eram 7.000, 10.000, 12.000, nem 15.000,
mas 22.000 pessoas que apareceram.
23.000 pessoas, segundo as estimativas policiais.
� nossa espera.
O p�blico mais jovem para o qual alguma vez t�nhamos tocado...
Havia um pr�dio de escrit�rios de dois andares,
do outro lado do parque de estacionamento do edif�cio.
Os mi�dos estavam l� pendurados, o que era perigoso,
porque n�o tinham nenhum prote��o contra quedas.
Descobrimos mais tarde
que tamb�m havia uma antena ridiculamente cara
que tinham dobrado em forma de "T" e de "S."
Lev�mos a cena anti disco at� ao ponto
e que os mi�dos corriam para o Republic Airport,
e pintavam "Disco Sucks" nas laterais dos avi�es.
Quase que cri�mos uma revolta
e por causa dos estragos feitos pelos nos f�s,
fomos banidos de todos os espet�culos ao ar livre em Long Island
a partir desse dia.
Ups!
Tu at� te levantaste de manh�.
Comeste.
Muitas vezes no ver�o,
�amos � praia,
volt�vamos, com�amos, �amos jogar,
provavelmente fic�vamos acordados toda a noite
e �amos para casa, adormec�amos, acord�vamos.
Era esta rotina constante de cinco e sete noites por semana
e era uma festa constante.
Porque conhec�amos as pessoas.
N�o sab�amos se �amos para casa ou n�o,
acab�vamos por ficar em casa de algu�m
e �amos para o pr�ximo concerto.
Era muito como...
o "Groundhog Day."
Os clubes eram diferentes mas os dias tornaram-se iguais,
era uma repeti��o que durava dias e dias,
semanas e semanas, meses e meses, anos e anos.
Era chegar ao clube �s 3 da tarde,
fazer o sound check,
ficar por ali at� �s 10 da noite, fazer o espet�culo,
voltar a casa �s 6 da manh�,
acordar a 1 da tarde, tomar um duche
e repetir tudo outra vez.
Semana ap�s semana,
a tocar as mesma m�sicas, tr�s e quatro sets por noite.
�s ter�as, quartas,
quintas, sextas, s�bados.
Eu contava as m�sicas no set... cinco, quatro...
At� cair para o lado �s 6 da manha de s�bado.
No domingo dormia-se o dia todo.
As nossas rela��es
com as namoradas devam errado porque n�s n�o t�nhamos energia.
Um dia ou dois de folga e est�vamos de volta.
Fiz isso durante anos!
�s vezes voltava para casa � noite e pensava,
"Meu, isto nunca vai acabar."
Como se fosse um pesadelo.
Eu rastejava para o banho todas as manh�s!
Rastejava para fora da cama, n�o conseguia falar.
E depois voltava a rastejar para o banho.
E depois simplesmente ca�a para dentro da banheira,
um gajo de 20 e poucos anos num banheira
para relaxar o corpo e conseguir fazer tudo de novo!
Na altura fizemos um espet�culo
para o qual fomos contactados...
porque � essa a disciplina que temos enquanto banda profissional.
Toc�mos at� n�o aguentarmos mais.
Ca�mos no palco, at� n�o restar mais nada.
Mas!
Soube muito bem. Tem piada, porque soube muito bem quando acabou.
Eu sempre adorei a sensa��o de deixar o p�blico arrasado.
O desejo incr�vel de provar ao p�blico que paga
que �ramos a melhor banda ao vivo a que alguma vez poderiam assistir.
E que vamos dar tudo de n�s
e no processo, voc�s tamb�m, toda a energia para vos convencer.
Acho que � como qualquer atleta,
um corredor ou qualquer pessoa de excel�ncia, sabem?
N�o podemos sair vitoriosos a menos que o queiramos, certo?
Se fosse f�cil, qualquer um o faria.
Este � o nosso single!
"I'll Never Grow Up Now!"
Aparece uma rapariga durante o sound check e diz-me,
"A minha m�e disse-me
que o Eddie Kramer vem ver-vos."
E eu disse, "O Eddie Kramer..."
O Eddie Kramer... Tipo, s� conhe�o um Eddie Kramer,
� um produtor e engenheiro muito famoso,
para o Hendrix, para os Zeppelin e para os Rolling Stones.
Esse Eddie Kramer?
Quais eram as hip�teses?
Disse a toda a gente que o Eddie Kramer ia aparecer.
Sim, claro, o Eddie Kramer vem a Detroit.
Sim, claro.
Bem, eis que, naquela noite chovia,
estavam umas 100 pessoas na sala.
O Eddie Kramer entra.
Ele v� a banda, adora-a e diz, "Vamos assinar contrato."
Ent�o foi a nossa pr�xima cena.
Vamos assinar com o Eddie Kramer,
vamos fazer m�sicas, vamos para o est�dio,
vamos fazer a demo.
N�o tivemos um grande or�amento,
t�nhamos de gravar rapidamente coisas
como "I'll Never Grow Up" e "Under The Blade,"
e "Shoot 'Em Down."
Est�vamos com o Eddie Kramer. Era muito importante.
Meu, o Eddie Kramer...
Uau, que enorme, certo?
� um amigo, e ainda hoje o �,
mas n�o nos arranjou um contrato.
N�o conseguia arranjar-me contrato.
Cheg�mos � conclus�o de que,
se n�o conseguimos assinar com ningu�m,
vamos ao menos fazer os nossos pr�prios discos
e coloc�-los na Twisted Sister Records.
E ao menos us�-los para an�ncios de r�dio,
e vender alguns... alguma coisa... d�-los...
s� para dizer que fizemos um �lbum.
Precis�vamos de ouvir o nosso nome e a palavra "�lbum".
A raz�o pela qual lan�amos singles
foi manter toda a frente animada em rela��o � banda
para mostrar �s discogr�ficas
que pod�amos sair.
Porque os nossos singles
Est�vamos surpreendidos com a quantidade que consegu�amos vender.
E eu acho que isso n�o perturbava as discogr�ficas.
Acho que n�o as perturbava de todo.
Em cima de tudo isso,
Acho que come��mos a sofrer um decr�scimo
nos nossos seguidores em alguns dos clubes.
N�s est�vamos a esfor�armo-nos em outras �reas,
a trabalhar no duro em �reas perif�ricas
para construir novos mercados,
e deixamos alguns dos nossos mercados habituais abrandar.
Precis�vamos de alguma coisa que nos transportasse ao pr�ximo ver�o.
E o Dee disse, "Bem, tenho uma nova m�sica
chamada 'Bad Boys Of Rock 'n' Roll' e vamos...
talvez possamos ter os Bad Boys Ver�o de 1980."
Este � o nosso novo single,
vai sair no dia 4 de Julho...
chama-se "Bad Boys Of Rock 'n' Roll!"
O Dee lan�ou o desafio e disse,
"Vamos focar-nos em novas roupas, um novo set, tudo novo."
E podemos focarmos no pr�ximo assalto aos bares.
Eu sinto que o "Bad Boys" foi realmente
a solidifica��o do meu controlo criativo.
Basicamente, deram-me carta branca
e a banda aceitou todas as minhas ideias
e parecia gostar dela e apoi�-la.
Ent�o tivemos de nos adaptar � situa��o.
Fomos para um est�dio em White Plains chamado Minot
e grav�mos o single "Bad Boys",
e no fim de semana do Memorial Day atingimos o marco,
publicamos o an�ncio nos jornais, Twisted Sister Bad Boys 1980.
Novo set de palco, novas roupas,
novas m�sicas, nova promo��o e... bang!
Acho que o "Bad Boys" foi uma tentativa
para dar a toda a gente algo fresco,
algo que motive toda a gente, incluindo a banda.
Foi ai que nos tornamos uma discogr�fica,
uma empresa de merchandising. a Twisted Incorporated.
Tudo se juntou,
porque n�o podemos depender de toda a gente,
e realmente reconstruirmo-nos.
E foi a� que come��mos a distribuir posters...
A aparecer agora!
Discos nas lojas, an�ncios na r�dio,
tudo o que se podia esperar de uma banda nacional.
Iam tocar numa quinta feira e estavam a fazer neg�cio,
e a tocar em Staten Island numa sexta feira
e a fazer neg�cios,
e Queens ou Jersey num s�bado e a fazer neg�cios.
Acho que eles tocaram, se n�o me engano,
de quarta a domingo.
E todas as noites era a mesma coisa,
eles faziam neg�cios.
Vejam isto que vamos tocar convosco...
"Rock 'n Roll Saviors!"
Fechar para os Hammerheads em Levittown
foi na verdade o in�cio
do per�odo de rock destrutivo dos Twisted Sister.
Aparecemos no clube e dissemos-lhes que
ia acabar naquela noite... terminado, feito.
Eles v�o para outro local
e que o dono do clube e o senhorio se odeiam.
E os donos dos clubes disseram-nos
para dizer aos nossos f�s que podem fazer o que quiserem.
Eles odeiam o senhorio.
N�o se importam, destruam a sala.
Levem tudo. Ent�o os f�s come�am a falar.
E o que levam eles?
Levam urin�is, sanitas.
Tiram os tampos das sanitas. Tiram o alarme de inc�ndios.
Tiram tudo para fora...
Est�o fisicamente a destruir o clube.
Lembro-me da casa de banho ser... as paredes serem niveladas,
sair e ver apenas �gua e uma ta�a,
os lavat�rios tinham desaparecido.
Ouvi dizer que arrancaram a orelha a algu�m,
foi um pandem�nio!
E a �nica coisa que restava, �s 4 da manh�,
era o sistema de ar condicionado.
�s 3:55, algu�m chega l� acima
e puxa completamente o teto falso.
O sistema de ar condicionado desconjunta-se todo.
A canaliza��o rompe-se.
A sala fica cheia de �gua.
N�s gritamos, "Saiam!"
Eu s� sei que eles pararam de tocar,
e eu voltei-me
e o teto do clube estava praticamente todo no ch�o.
O que � que eu parti?
Eu estava a tocar em palco, n�o podia partir nada.
Eu bem queria.
Durante a tourn�e Bad Boys, tivemos a oportunidade de fechar,
ou rebatizar, o 2001 Disco.
O que foi muito significativo, muito simb�lico,
estar num clube noturno
onde o John Travolta fez a sua lend�ria dan�a
no "Saturday Night Fever."
O dono do clube disse, "Tragam os vossos f�s
e exorcizem o disco desta sala,
transformem isto num clube de rock."
Elmo, liga todas as luzes!
O sinal foi o que foi usado originalmente
quando fizeram os posters para o "Saturday Night Fever!"
Vamos saud�-lo, senhoras e senhores!
� altura de expulsar o antigo e trazer o novo!
Porque temos algo a dizer sobre isso!
Filho da puta doentio!
� isso que n�s somos!
Que se foda o "Saturday Night Fever!"
Agora quero que cantem comigo assim!
A destrui��o do clube
originou uma chamada de um dono de um clube que disse
"Estou a sair do contrato.
N�o me interessa, podem mandar os vossos f�s destruir a sala."
E ele trouxe os an�ncios... 'Emmett's RIP (Descansa em Paz)."
O que somos n�s? Os destru�do... n�s entramos,
"Muito bem, esta � a �ltima noite, levem o que quiserem!"
Os f�s desmantelam a sala.
2000 Disco?
Destruam a sala.
A F�brica de Sabonetes em Jersey...
que era a �ltima.
Algu�m quer ouvir-nos a tocar m�sica?
Para mim era uma imagem de marca,
era divertido, envolvia as pessoas, definitivamente.
Mas eu sabia que n�o era o tipo de coisa
que ia tornar os Twisted Sister mundialmente famosos.
Precisava de ser mais sobre a banda, sobre a m�sica.
Precisava de incorporar essas ideias e focar-se nelas.
Os Filhos da Puta Doentios dos Amigos dos Twisted Sister
desenvolveram-se oficialmente durante a �poca Bad Boys,
com cart�es de membro e uma carta de boas vindas.
Os nossos amigos sabem que nos referimos aos nossos amigos
como Filhos da Puta Doentios, sabem?
Isso � porque somos uns filhos da puta doentios.
Ent�o o que fizemos foi iniciar uma organiza��o
ao contr�rio de lhe chamar o Clube de F�s dos Twisted Sister,
por isso parece bastante maricas, est�o a ver?
Sou f� dos Twisted Sister!
Isso s�o tretas.
Chamamos-lhes os Filhos da Puta dos Amigos dos Twisted Sister!
Levei muito ressentimento das pessoas,
do g�nero, "Gostas deles?"
Mas acho que a banda voltou isso a favor dela, sabem?
�s um de n�s. �s escumalha.
�s um motoqueiro. �s divertido. �s um de n�s!
E isso juntava as pessoas.
Eu tinha um �dio por todo o tipo de pessoas
que me olhavam com desd�m.
Lidei com elas toda a vida.
E descobri que havia mais pessoas como eu no mundo
do que pessoas fixes.
A cena SMF � uma quest�o
de reunir todas estas pessoas e juntarem-se...
e criar algo "fixe" onde nada existia.
Se querem bater palmas e gritar, fa�am-no!
Se quiserem saltar para cima e para baixo e perder a cabe�a,
percam a cabe�a!
Porque n�o importa!
N�o importa o que as outras pessoas pensam
que a �nica coisa que importa
� o que elas pensam!
E se gostam daquilo que s�o, � s� isso que importa!
As pessoas bonitas.
As pessoas bonitas,
e as pessoas fixes, e as pessoas unidas,
s�o a minoria.
A maioria de n�s somos apenas desconhecidos.
E fomos feitos para sentir menos do que qualquer pessoa...
n�o no mundo dos Twisted Sister.
Eu sentava-me em casa e pensava,
est� bem, eu saia com os meus amigos para um bar
numa �rea pr�xima e v�amos outra banda,
ou viaj�vamos para mais longe para ir ver os Sister,
sabem, no Emmett, em Jamesburgh.
E para mim foi uma decis�o f�cil.
Chuva, neve, granizo, nevoeiro, n�o interessa.
N�s vamos! Metemo-nos no carro.
Temos erva. Temos cerveja. Temos dinheiro para entrar.
Vamos para Detroit!
Tivemos carros avariados. Tivemos de deixar l� carros
e tivemos de pilhar sete pessoas
num Firebird para chegar a casa.
E ainda valeu a pena a viagem.
Digamos que eu ia mais ou menos tr�s noites por semana.
Talvez quatro.
Lembro-me de uma grande parte do p�blico
ser de Farmingdale, Long Island.
E Farmingdale, Long Island
fica ainda a tr�s horas e meia de viagem do Final Exam.
Eu n�o iria a Farmingdale.
Talvez para ver o Sinatra, mas s� por isso.
E para um mi�do de J�rsia havia sempre a regra dos dois rios.
JIM STEEN F�, NOVA J�RSIA
Atravessava-se um rio para Manhattan,
mas atravessar dois rios para Long Island,
isso significa que era muito longe.
E n�s �amos l�, levar martelada,
sabem, depois do espet�culo,
e entr�vamos no carro e desmai�vamos,
e de manha acord�vamos e �amos para casa.
Muitas vezes deixavam-me no trabalho.
Lavava a cara, trabalhava oito horas,
dormia duas horas e fazia tudo de novo.
Est�s a rir mas era isso que faz�amos.
Se gostam do que estamos a fazer,
mostrem-nos que gostam do que estamos a fazer, filhos da puta!
Ou se n�o quiserem fazer isso,
podem virar-se, levantar a peida
e sa�rem daqui,
e ir a outro lado onde vos apreciem mais,
porque n�s estamo-nos a foder para voc�s!
Eu comecei a tornar-me no sujeito zangado, era a minha cena em palco.
O Jay Jay era o contador de hist�rias,
aquele tipo relaxado, sabem.
Mas eu era aquele que me zangava com o p�blico,
que gritava com o p�blico,
e que dividia o p�blico.
Igualava-me ao Jay Jay enquanto pregador.
Ele metia as pessoas a chorar e a gritar.
Tinha o poder da orat�ria.
Era como um pastor.
O Dee n�o aprecia muito um orador.
O Dee era como um diabo.
Sabem... se n�o o fizessem, ele matava-vos.
Ele embirrava com as pessoas que ficavam ali paradas.
"Oh, n�o vou envolver-me com os Twisted Sister. Sou demasiado fixe."
E foi isso.
O Dee punha os olhos nessas pessoas
e n�s volt�mos as luzes para eles e eles foram desfeitos.
Se fossemos aquele sujeito que estava ali parado.
- Ele apanhou-vos. - Sim.
- Apanhou-te mesmo. - Fomos muito diligentes
por estarmos a fazer loucuras a toda a hora.
Ent�o o Dee n�o nos apanhou a bocejar nem a ter ju�zo uma vez que fosse.
Quando olhava para n�s, l� est�vamos n�s...
"Sim, voc�s a� atr�s!
Quero ver-vos a bater palmas!"
E se n�o respondessem favoravelmente,
ent�o o Dee convidava o resto do p�blico
a demov�-los, ao voltarem-se
e enfrentarem o sujeito ao fundo da sala,
e ao contar at� tr�s gritarem,
"Desaparece, caralho!"
"Desaparece! Desa..." E depois fic�vamos...
O som era arrasador.
"Desaparece daqui! Desapa..."
Essas pessoas literalmente... v�amo-las come�arem a afastar-se para um canto,
porque agora toda a gente estava a olhar para elas
e a banda estava a gozar com elas.
Quero dizer, depois de tr�s ou quatro minutos, estavam esmagados.
� melhor sa�res do caminho.
Vais levar porrada!
Boa!
Estava a incentivar as pessoas a reagir para amea��-lo.
Mas eles tinham medo,
n�o s� de mim mas das pessoas � volta deles.
Que se n�o respondessem,
aquele p�blico intenso podia voltar-se contra eles.
Um momento do g�nero "Um Dia De Holocausto."
Ent�o as pessoas no p�blico
pensavam que eu tinha 100% de participa��o,
os seus cora��es n�o estavam realmente ali.
Estavam apenas assustados.
ENTRETANTO NO BOX OFFICE
T�nhamos o Mad Hatter no Stonybrook.
T�nhamos o Hammerheads no Levittown.
T�nhamos o Gemini no Yorktown Heights.
Depois o n�vel seguinte era o Speaks.
O Speaks era o pico porque levava 2000 pessoas.
E come��vamos a fazer isso.
Quando o novo Hammerheads abriu, a hierarquia das salas
era a seguinte... Long Island Hammerheads II,
3.300 pessoas.
Glen Island Casino, 3.300 pessoas.
E por muito que a F�brica de Sabonetes pudesse levar
2.500 em v�rios pisos,
o grandalh�o era o Fountain Casino.
5.000 pessoas.
Se consegu�ssemos tocar nessas salas,
�ramos as maiores bandas.
Em 1981 t�nhamos finalmente atingido o nosso objetivo,
e n�s n�o s� tocamos em todas elas,
est�vamos a afastar toda a gente.
�ramos os n�mero um no Fountain.
�ramos o n�mero um no Glen Island.
�ramos o n�mero um no Hammerheads.
E onde � que isso nos deixava?
Se n�o sa�ssemos, �amos morrer.
As bandas neste mercado espec�fico estavam a fazer tanto dinheiro
que era muito dif�cil para elas tentarem sair dali
e ir para a Calif�rnia, ou para LA.
N�o fazia sentido... elas iam para LA.
Provavelmente teriam de pagar para tocar.
Quando neste mercado eles podiam fazer tr�s,
cinco, sete mil d�lares por noite.
Os Twisted faziam dez mil, em alguns s�tios.
Era uma loucura!
Podia-se fazer tanto dinheiro... em alguns casos... neste circuito,
que muitas pessoas viam o sucesso neste mercado
como um fim nele mesmo.
Eu teria de o chamar de "la�o de veludo,"
onde, sabem,
seria muito confort�vel mas ter�amos de ficar no fim.
Pod�amos facilmente ficar numa situa��o
onde isto nunca iria terminar, sabem?
Quero dizer, quem � que teria se sentado numa mesa
e dito, e se a idade legal para beber mudar?
Porque para mim, foi isso que aconteceu.
Isso arrasou tudo. Quando a idade legal para beber mudou,
ent�o os mi�dos mais jovens que podiam curtir a cena,
eles j� n�o iam aos clubes.
Eu sei que o pessoal da faixa et�ria dos 18 aos 21,
nem consigo imaginar
que nestes tr�s anos n�o possam ir a um clube noturno,
n�o possam ir a um bar, n�o possam ir a uma loja de bebidas.
Nasci e fui criado em Brooklyn,
como eu disse, eu tinha sempre 18 anos.
E aos 18, isso significa que come��vamos a beber aos 16.
Ent�o a cena rock come�ou a morrer um pouco. Come�ou a desvanecer.
E os clubes n�o podiam pagar �s bandas
como o s Twisted Sister, os Zebra ou os Rat Race,
mas eles precisavam dessas bandas.
Porque n�o conseguiam sobreviver sem elas.
N�s sent�vamo-nos e agend�vamos por seis meses.
E n�s diz�amos, deem-nos os Twisted
a cada seis semanas porque precisamos de pagar a renda.
Por isso sab�amos que os Twisted estavam l�,
t�nhamos uma noite cheia, as registadoras tocavam,
e n�s pag�vamos a renda com isso.
O dinheiro que fizemos
foi colocado em instrumentos, em material,
em publicidade.
E a parte da publicidade
n�o podemos descurar, porque a parte da publicidade
foi o que deu ao mundo a ideia
que os Twisted Sister estavam em todo o lado.
Est�vamos na capital mundial dos media, Nova Iorque,
e n�o t�nhamos um contrato discogr�fico.
Mas pod�amos comprar tempo na r�dio.
Tempo de antena, o que era realmente, naquela altura,
muito importante na ind�stria da m�sica...
tempo em FM... estava al�m das nossas capacidades.
Ent�o tent�mos criar �xitos para preencher os buracos.
Ent�o o que fizemos?
Come��mos a comprar tempo de antena com os clubes.
Compr�vamos spots de 30, 40, 50... ou de um minuto no fim de semana.
Ent�o o que recebes pelos teus 30 d�lares por minuto?
Podemos escrever um spot muito engra�ado,
ou podemos pegar na nossa pr�pria m�sica e toc�-la
durante o minute e simplesmente identific�-la
no final do an�ncio
com os Twisted Sister a tocar no Speaks,
e parece que a m�sica dos Twisted Sister est� na r�dio.
Ent�o muitas pessoas pensavam que as nossas m�sicas
estavam a tocar na r�dio quando na verdade era apenas
um chorrilho de an�ncios.
E toda a gente ouvia esses an�ncios.
Quando os Twisted tocariam
"Bad Boys of Rock 'n' Roll"... ou o que quer que fosse,
as m�sicas que tocavam... as pessoas ficavam loucas
porque era uma m�sica cover que estavam a ouvir na r�dio.
E ouviram-na mesmo na r�dio!
�ramos os mi�dos do cartaz do espet�culo.
E as pessoas diziam todo o tipo de coisas
sobre n�s com base nos circuitos em que toc�vamos,
sem nunca nos terem visto.
Era dif�cil arranjar um contrato.
Sabem, as editoras que quer�amos n�o estavam muito interessadas.
As editoras que propuseram alguma coisa
eram aquelas que... com quem assin�vamos,
d�vamos um aperto de m�o e tudo mais.
E depois nunca mais ouv�amos falar deles.
Agora est�vamos de olho nas independentes.
Lembro-me do contrato com a Handshake. Quando recebemos os contratos,
basicamente eram de escravid�o.
Literalmente, o sujeito queria tudo
por uma esp�cie de sal�rio de mis�ria.
E n�s t�nhamos de dizer, "n�o."
Havia coisas a flutuar.
Mas os contratos com a Hansa e a Handshake n�o funcionaram.
Mas o contrato com a empresa alem�, a X, funcionou.
O sujeito adorava a nossa cena e n�s negoci�mos
o contrato todo com ele.
O contrato todo. E na primavera de 81,
ele veio de LA. para Nova Iorque e voltou para a Alemanha.
E encontramo-nos com ele no aeroporto
e entregamos-lhe os papeis.
E demos-lhe os novos demos.
Ele deu-nos os contratos finais.
E pens�vamos que era o acordo.
E depois recebo uma chamada no dia seguinte.
O meu advogado diz, "Est�s sentado?"
"Sim, porqu�?" Ele disse, "Bem, o produtor morreu
no voo para a Alemanha. Teve um ataque card�aco."
Acabou-se o acordo. Bang.
Toda a gente diz como � dif�cil arranjar um contrato.
Sempre foi dif�cil arranjar um contrato.
Sempre houve algum motivo...
sempre houve algo de errado com a economia.
O mundo � assim.
Quero dizer, vamos desistir?
N�o. N�o vamos desistir.
Vamos continuar at� acontecer.
Ou morrer a tentar.
Os Twisted Sister lan�am o single "I'll Never Grow Up".
Inicialmente, o Joe Gerber
vendia-os na carrinha,
a lojas locais na �rea Tri-State,
onde tocavam, onde vendiam, nos concertos.
E eu trabalhava no Important Record Distributors.
E eu pensei que era um boa ideia,
porque eu adorava tanto a banda que tentei que o distribuidor
os vendesse fora da �rea metropolitana de Nova Iorque.
Era um single sonante...
porqu� preocuparmo-nos? Ningu�m se importava.
Ent�o, trabalhar numa distribuidora de discos
que lidava com importa��o, n�o eram apenas os discos,
eram os pap�is da "New Musical Express,"
"Sounds," "Melody Maker," que eram todos pap�is musicais semanais.
O "Sounds" eram todos mais direcionados para o hard rock.
Ent�o enviei os singles para a revista "Sounds",
escrevi uma carta � m�o, "Esta � a maior
e melhor banda de Nova Iorque.
As pr�ximas superestrelas..." sempre que eu escrevia.
E para mais, tr�s ou quatro semanas depois,
os Twisted Sister estavam no top.
Uau! Isto � �timo!
Na semana seguinte, est�o novamente no top.
De repente, na distribuidora,
n�o est�vamos a vender singles para os americanos,
est�vamos a exportar singles...
come��mos a export�-los para a Europa, para a Inglaterra!
Porque havia uma grande procura.
O que t�nhamos no "Sounds,"
t�nhamos as listas pessoais dos escritores,
GARRY BUSHELL JORNALISTA, REVISTA SOUNDS
e todas as semanas escolh�amos tr�s m�sicas que ouv�amos.
E podem ser m�sicas
que realmente foram publicadas.
Para mim, foi uma demo.
�s vezes at� met�amos uma faixa que ouv�amos ao vivo.
N�o foi cientifico. Foi muito popular.
Sentimos que era a nossa maneira
de comunicar diretamente com os leitores.
E l� havia muito leitores, sabem?
A "Sounds", na altura, estava pr�xima de um quarto de um milh�o de vendas,
por isso a leitura devia ser quatro vezes maior.
Ent�o mesmo que um em dez tenha visto a playlist,
ainda s�o pessoas suficientes para fazer algo acontecer.
Recebemos uma chamada a dizer que a revista "Sounds" em Inglaterra,
tinha esta playlist,
e um dos escritores colocou "Under The Blade"
como a sua m�sica n�mero um na sua playlist.
Num jornal a s�rio,
num jornal de m�sica que n�o � de Long Island!
Nem � um jornal americano!
� um jornal ingl�s!
Eles n�o nos conhecem. Eles n�o sabem nada sobre n�s.
Nada.
E contactamos a "Sounds",
e eles enviam um escritor, o Garry Bushell.
Ent�o eu tinha descido a um buraco
em Westchester... no estado de Westchester.
E foi fant�stico!
Ver os Twisted Sister e o seu p�blico,
naquilo que chamamos uma taverna,
um antigo clube.
E eles eram pessoas selvagens...
o p�blico... eles gostavam mesmo.
Os Twisted Sister, tinham a apar�ncia glamorosa
e porque eram t�o grandes e importantes
que pareciam drag queens.
N�o eram meninos bonitos, de todo.
Era como se os irm�os feios dos Cinderella se encontrassem.
Era chocante!
E ele escreve uma hist�ria inacredit�vel
chamada "Marreta Sister."
E sabem, falar sobre querer desenterrar este iceberg...
isso � publicado em 81,
n�o posso acreditar, o que podia acontecer?
A pr�xima coisa que ouvimos � que a discogr�fica Secret Records...
uma editora punk... ia assinar com a banda.
O nosso manager diz-nos que vem ter connosco
para nos ver no Mid-Hudson Civic Center.
Vamos ser cabe�as de cartaz e sabem que mais?
N�s somos c�nicos assim.
O avi�o do gajo vai despenhar-se.
Mas mesmo que aterre,
vai morrer num acidente de carro a caminho do concerto.
Mas mesmo que chegue l�, o PA vai cair-lhe na cabe�a.
Mas mesmo que sejamos �timos,
vai morrer na viagem de volta para o aeroporto.
Mas mesmo que sobreviva,
vai morrer quando o avi�o se despenhar no oceano,
quando a bomba da IRA rebentar.
Levei a minha namorada,
e t�nhamos estado numa festa na noite antes e n�o t�nhamos dormido.
MARTIN HOOKER FUNDADOR, SECRET RECORDS
E apanh�mos uma piela e n�o dormimos.
E cheg�mos l� e est�vamos uma merda.
E o Mark foi buscar-nos e...
com toda a melhor vontade do mundo,
o Mark pode falar a n�vel Ol�mpico.
E ele n�o parou de buzinar at� ao Poughkeepsie.
E o Poughkeepsie...
Eu nunca tinha ou falar no Poughkeepsie,
e fica no meio do nada
e havia muita neve.
Era alucinante, eu estava t�o cansado.
E cheg�mos l� e o espa�o era enorme.
Eu estava � espera de um clube pequeno.
Era um grande sal�o.
E chag�mos l� e estavam l� alguns milhares de pessoas.
E eu pensei, "Isto � uma loucura!"
Isto � uma banda que nem tem um contrato,
como � que est�o a fazer isto?
E a rea��o dos mi�dos foi espetacular.
Quero dizer, eles estavam a enlouquecer.
Ent�o olhei para a minha namorada e ela estava a adorar.
E eu pensei, "Podemos fazer alguma coisa com isto.
Isto � brilhante."
No final do espet�culo, fui aos bastidores para ver a banda
e est�vamos sentados � volta da mesa.
E eles tinham mais dinheiro na mesa
do que eu alguma vez vi na vida.
Em dinheiro, pilhas dele da venda de merchandising.
E todo o merchandising tinha chegado num grande cami�o
e ele estava a sair dali completamente vazio,
acho que tinha um poster rasgado no fundo.
E eu fiquei a olhar e pensei,
"Merda! Nunca vou conseguir pagar esta banda!"
E um deles voltou-se e disse,
"Meu, tens de assinar connosco. Somos muito baratos!"
Ent�o ele aparece. Ele adorou a banda. Ele disse que a banda
quer assinar connosco. N�s n�o reagimos, de todo.
N�s fic�mos, do g�nero, est� bem.
Acho que o Martin Hooker,
era o nome dele, ele disse,
"Eu disse que queria assinar com a banda."
E o Mark Puma disse,
"Sim, acho que eles ouviram isso algumas vezes antes.
N�o te preocupes, ele v�o animar-se
quando estiverem no avi�o."
Vamos, querida!
� hora da desbunda!
Infelizmente, tivemos alguns problemas
com o nosso baterista Tony Petrie, e...
ele deixou a banda.
Pediram-lhe para deixar a banda, por outras palavras.
Houve muitas coisas que levaram a isso, relacionadas com viol�ncia,
um comportamento agressivo e violento, sabem.
Foi dif�cil para todos.
Pass�mos por uma s�rie de bateristas.
Tivemos o Joey Brighton
e depois o Ritchie Teeter temporariamente
at� encontrarmos algu�m.
Todos os que tent�mos eram competentes,
bons m�sicos, s� que... por algum motivo, n�o estava a funcionar.
E depois tent�mos o A.J. Pero,
eu soube imediatamente.
Olhei para o Dee e ele olhou para mim e dissemos, "Oh, sim!"
Toda a gente!
Na bateria, A.J. Pero!
Era como o elemento que faltava.
A.J. PERO BATERISTA, TWISTED SISTER
Era o que eles precisavam. Eu era o poder.
Eu era a carga extra, sabem?
Carrega e boom!
Assinamos o acordo.
Fazemos o concerto de despedida na �rea de Nova Iorque em Junho.
Durante seis anos trabalh�mos,
toc�mos, esfor��mo-nos,
a tocar para todos os filhos da puta doentios de Long Island,
Nova Iorque, Nova J�rsia, Connecticut!
A esfor�armo-nos para conseguir um contrato discogr�fico
para nos tornarmos aquilo que sonh�vamos...
os maiores, os mais pesados,
a melhor banda de rock and roll de sempre!
E agora tinha chegado a altura.
Era a nossa �ltima performance antes de partirmos na sexta � noite
e voar para Inglaterra para gravar o nosso primeiro �lbum.
E foram voc�s que tornaram isso poss�vel, � isso mesmo!
GRAVA��ES NO REINO UNIDO
Fazer o "Under The Blade" para o Secret Records em Inglaterra.
Grav�mos numa quinta no sul de Inglaterra
numa pequena cidade chamada Battle.
Fic�mos num hotel do s�c. XVII
que era assombrado e grav�mos a maior parte do �lbum num celeiro.
Nossos defletores para manter o som eram fardos de feno.
Est� bem? Havia galinhas a correr por ali.
Dizem que quando eu toquei o meu baixo para esse �lbum,
as galinhas chocaram mais ovos e as vacas
deram mais leite do que nunca.
Foi muito divertido simplesmente afastarmo-nos.
�s vezes quando estamos longe e a gravar,
s� estamos ali para fazer isso.
E n�o h� distra��es...
nem podemos receber um telefonema de casa.
"Olha, a torneira partiu-se, pode vir c� e..."
Arranjem-se!
Sabem... desenrasquem-se. Tipo, "Oh, o teu irm�o bateu-me!"
Sabem, � tipo...
"N�o posso, estou na Inglaterra."
Os Motorhead eram cabe�as de cartaz de um festival em Gales,
o Wrexham Festival.
E l� est�vamos n�s, "Dos EUA, os Twisted Sister."
Era o nosso primeiro concerto a este de Hamptons.
E �amos atuar talvez por volta do meio dia?
Al�m disso, as bandas maquilhadas estavam completamente fora de moda.
N�o havia apenas resist�ncia, havia �dio contra as bandas glam.
E l� estavam os Twisted Sister... cheios de maquilhagem.
Os KISS j� tinham tirado a maquilhagem, lembrem-se, naquela altura.
Isto �... ningu�m... n�o �ramos os Motley Crue.
Eram os Twisted Sister a segurar a tocha do glitter rock...
a atuar antes dos Motorhead, uma das bandas mais desagrad�veis
e feias do mundo,
a piada era que prefer�amos ter
sexo com os gajos do p�blico do que com as mi�das...
eram mais bonitos.
E isso n�o significa que sejam bonitos.
E s�o dur�es.
E s�o zangados.
E n�s n�o t�nhamos a certeza
e como aquilo podia correr, de repente.
A banda estava horrorizada e...
ao ponto de ter havido uma discuss�o
sobre tirarmos a maquilhagem e as roupas.
Os rapazes queriam vestir roupas normais.
E eu disse, "Eu n�o vou fazer isso.
Vestimos estas roupas e maquilhagem
h� sete anos, seis anos e meio?"
Eu disse, "Conseguimos... Eu lutei por isto, n�s temos...
tenho medo como todos temos, mas n�o vou...
n�o vim at� t�o longe para recuar agora."
Eu sempre brinquei sobre o Lemmy conhecer o cheiro das fezes humanas.
Enquanto ele passava � porta dos nossos vesti�rios,
cheirava-lhe a pessoas a cagarem as cal�as.
E ele entrou e disse, "Eu levo-vos l�."
Ningu�m sabia quem �ramos.
De repente, est�vamos em palco
e foi como "A Noite dos Mortos-Vivos."
Quero dizer, as pessoas que estavam sentadas levantaram-se, espreitaram,
e estavam a caminhar na nossa dire��o como...
juro que podia ver
as garrafas das pessoas serem atiradas assim,
e estavam prontos a come�ar a atirar coisas,
e o Lemmy saiu e disse...
Vou traduzir, porque voc�s n�o entendem o Lemmy,
mas "Estes s�o uns amigos meus,
ou�am-nos. S�o da Am�rica, ou�am a cena deles."
E isso deu-nos espa�o suficiente
para sair e fazer o que fizemos.
E arras�mos.
Todos ficaram surpreendidos.
Foi uma das maiores ova��es...
da minha vida.
Depois de sairmos do palco,
volt�mos para o camarim,
que era um arm�rio,
e dez minutos depois de descermos do palco,
algu�m disse, "Ou�am."
E n�s ouv�amos a multid�o
ainda a cantar, "Twisted... Sister...
Twisted... Sister... Twisted..."
NA ATLANTIC RECORDS
Eu desisti da ideia de querer ser uma estrela rock
quando ouvi pela primeira vez um �lbum dos Van Halen,
e decidi que queria estar do outro lado da secret�ria.
JASON FLOM EX-CEO, ATLANTIC RECORDS
Ent�o percebi que precisava de encontrar uma banda.
Ent�o descobri os Zebra atrav�s de uma not�vel cadeia
de sincronicidades e todos os tipos de outras coisas.
E o Randy Jackson, que era cantor nos Zebra,
diz-me assim um dia,
"Flom, tens de ver os Twisted Sister."
Ele diz, "Eles s�o a melhor banda de m�sica ao vivo do mundo.
N�o podemos tocar-lhes, ningu�m pode."
Ent�o eu disse, "Bem, �timo, eu quero v�-los."
Ele disse, "Bem, vamos abrir para eles na quarta feira
no Mid-Hudson Civic Center, em Poughkeepsie."
O Mid-Hudson Civic Center leva 3.000 pessoas.
Eu pensei, primeiro, que era estranho os Zebra abrirem
quando os Zebra assinaram e Twisted Sister n�o,
e em segundo lugar, � um lugar enorme.
Ent�o fui at� l� na quarta feira.
Os Zebra tocaram, levaram um aplauso educado.
E quando os Twisted Sister entraram em palco,
as 3.000 pessoas estavam em alvoro�o.
E o Dee levanta-se no palco e diz,
"Muito bem, seus filhos da puta de Nova Iorque!"
E diz, "Acab�mos de chegar de Inglaterra
e estamos completamente fartos de ouvir aqueles lamechas
a dizerem-nos que somos bons!"
E diz, "E voc�s, filhos da puta de Nova Iorque, o que dizem?"
E os 3000 mi�dos dizem, "Twisted Fucking Sister!"
E eu pensei, � isso. J� est�. N�o quero saber.
� isso. Isto � uma religi�o.
E era.
E eles tocaram e eu estava louco,
mal podia esperar para chegar ao escrit�rio no dia seguinte
e dizer a toda a gente o que tinha visto.
A rea��o foi, "Tu precisas de dormir."
E dormi, mas...
"A banda � uma anedota
e toda a gente na ind�stria os conhece.
S�o uns idiotas.
Eles vestem-se como mulheres e isso n�o � nada
com que tu te queiras envolver."
E eu pensei que devia v�-los novamente naquela noite
no Fountain Casino em Nova J�rsia,
que ficava quase duas horas na outra dire��o.
Ent�o sem dormir e bastante fodido,
fui parar ao Fountain Casino.
E era a mesma coisa.
E eu disse, isto n�o pode ser mais real!
Os mi�dos deram-me o mapa.
Eu adorei,
adorei a m�sica deles, mas n�o me interessa se adorei,
porque eu via o entusiasmo dos mi�dos.
E eu disse, isto tem mercado. Isto funciona.
N�o h� d�vida sobre isso.
Ent�o voltei ao escrit�rio
para encontrar a mesma resposta.
E t�pida seria uma palavra muito simp�tica.
A resposta foi, "Sai j� daqui!
N�o vamos assinar isto. � uma merda!"
...E DE VOLTA AO REINO UNIDO
Ent�o fazia parte da ideia
mete-los em frente do maior n�mero de pessoas poss�veis.
Conseguimos inseri-los no Reading Festival,
que era o grande concerto para bandas rock nessa altura,
quero dizer, tinha umas 70 ou 80.000 pessoas de uma vez.
Boa noite!
Bem vindos ao nosso espet�culo!
O Reading Festival lend�rio para os f�s de peles.
As pessoas atiravam coisas �s bandas.
Esta chama-se, "Shoot 'Em Down!"
Havia 40000 pessoas em Reading.
Havia 10000 pessoas que gostavam de n�s
e 30000 pessoas que n�o gostavam.
Ent�o todas as bandas que aturaram
tinham 10000 que gostavam e 30000 que n�o gostavam.
E todos tinham fruta.
Eram p�ssegos e peras,
ma�as e bananas, e Kotex e garrafas de mijo!
E n�o eram garrafas pequenas, eram enormes!
E apenas tamp�o suficiente,
e foi para tr�s, bateu em alguma coisa e bang!
Eram ondas de coisas a chegar. E o Dee disse,
"Uau. Parem!"
Foi at� � frente e disse...
Est�o aqui uns covardes a atirarem-nos coisas.
Maricas.
Estava furioso por estarem a atirar-nos coisas.
Fiquei louco. Estava a falar a s�rio e disse...
As pessoas que quiserem atirar coisas aos Twisted Sister,
depois do espet�culo, encontramo-nos l� atr�s, com todos,
n�o me interessa... e depois podem dizer que n�o nos gramam na cara!
Podem tentar mandar-me alguma coisa � cara!
Mas n�o sejam covardes.
N�o atirem coisas e acertem nas pessoas
que est�o aqui � frente, est� bem?
Des�am!
Estamos prontos! Voc�s est�o prontos?
E isso mudou tudo completamente.
Depois disso, ningu�m atirou nada, as pessoas aplaudiam.
E eles acabaram por dar um grande espet�culo.
Eu fui at� ao lado do palco
para ver se algu�m... s� para ver se algu�m queria lutar comigo.
Fui l� e n�o havia ningu�m.
S� os f�s, "Estamos contigo, Dee!"
Estavam todos prontos para uma porrada, mas ningu�m...
ningu�m foi... ningu�m aceitou o desafio.
Ganh�mos naquele dia.
Ent�o est�vamos sentados, a maravilhar-nos
com a quantidade de coisas que atiraram � banda.
Nunca t�nhamos passado por isso.
T�nhamos um tipo escoc�s enorme que trabalhava para n�s e disse,
n�o acredito que mandaram esta merda!
E dissemos... o Dee disse o qu�?
N�o acredito que atiraram esta merda!
"Merda?"
Ele diz, "Merda! Algu�m atirou merda para o palco!"
Por muito �dio que tivesse,
conseguia pegar em merda humana e atir�-la?
E depois, foram busc�-la onde?
Algu�m a fez? � deles?
�... voc�s guardam isso para depois?
Compram isso no... h� alguma banca de merda,
ou uma lojinha de merda?
Pode-me dar um pouco de merda para atirar � banda?
Quentinha, por favor, com uma pitada de picante.
Estava s� a tentar imaginar... como � que...
como � que aquilo chegou at� ao placo.
Mas sim, algu�m atirou merda humana � banda.
E isso... � preciso odiar mesmo a banda para fazer isso.
...E AGORA DE VOLTA AOS ESTADOS UNIDOS
Quando volt�mos, foi um regresso triunfante,
e toc�mos durante alguns meses,
quando era suposto voltarmos
e lan�ar o �lbum l� e fazer uma mini tourn�e.
Plane�mos traze-los para fazer outra tourn�e
e ficarem atarefados com muitas datas
e terem uma audi�ncia massiva mas...
T�nhamos acabado de fazer um acordo com a Virgin
e a distribui��o ia ser �tima.
Tivemos um grande avan�o.
Havia muito dinheiro no banco pronto para isso tudo.
Basicamente, viemos para casa, e fizemos mais publicidade.
Twisted Sister Grande Tourn�e da Europa.
Muito obrigado. Adeus, Nova Iorque.
Tem sido �timo, bl�-bl�-bl�.
E dizemos, "Adeus, Long Island. Adeus, Nova J�rsia.
Obrigado por 10 anos fant�sticos.
Vamos ver o feiticeiro.
Vamos sair daqui.
Obrigado. Boa noite."
E era isso!
Vamos embora!
Vamos para Inglaterra.
E quando somos atirados para a imensid�o azul,
digam-nos o que pensam do rock and roll.
Agora preparem-se!
Est�o preparados?
Est�o preparados?
Quando lan�amos o �lbum,
foi direito para o top nacional.
Foi para o top 75 na primeira semana.
E fazer isso assim, logo de in�cio, n�o era f�cil.
Particularmente para um �lbum de metal, naquela altura.
Preparem-se para ir para a Europa, setembro de 82.
E o meu advogado liga-me.
"Est�s sentado?"
"Sim."
"A Secret Records faliu."
"Est�s a brincar."
"N�o. O �lbum saiu
e a discogr�fica faliu no dia seguinte."
Desapareceu da noite para o dia.
O meu s�cio desapareceu com o dinheiro,
e com ele foi a empresa.
E eu fiquei
com menos do que nada, e a banda sem tourn�e.
Ent�o n�o pod�amos tocar
porque agora dissemos a toda a gente que est�vamos em tourn�e.
Ent�o n�o podemos tocar.
E n�o toc�mos. Escondemo-nos em casa durante dois meses.
Foi um longo e frio inverno.
...ENTRETANTO NA ATLANTIC
Por volta da 50� vez,
disseram-me para me calar com os Twisted Sister.
Fui chamado ao escrit�rio do presidente
da Atlantic Records, o Doug Morris.
Disseram-me que se eu voltasse a mencionar
o nome dos Twisted Sister outra vez,
ia ser despedido.
E isso era um problema.
E a solu��o que eu encontrei foi...
um dia, vi um sujeito chamado Phil Carson no escrit�rio.
Eu n�o o conhecia mas sabia que ele era algu�m importante.
E ele era de Inglaterra, da nossa empresa inglesa.
Pensei que talvez me ajudasse.
Ent�o abordei-o num corredor.
E tinha comido uma cassete.
E tinha uma s�rie de peda�os de papel escritos � m�o,
porque eu n�o sabia escrever � m�quina.
E eu disse, "Phil, voc� n�o me conhece mas tem de me ajudar.
Isto � a resposta.
Tem de assinar com estes gajos."
E ele d�-me um envelope de Manila
e eu meto-o na mala.
PHIL CARSON EX-VICE PRESIDENTE, ATLANTIC - EUROPA
E l� fui eu para a minha cadeira de primeira classe,
beber o meu champanhe de primeira classe.
E depois do voo partir eu pensei.
"Oh, vou ouvi esta cassete do Jason."
E primeiro, li a carta manuscrita do Jason para mim,
e deviam ser umas 12 p�ginas de papel estenogr�fico
com uma letra muito pequena.
E eu olhei para aquilo e disse logo que n�o ia ler tudo.
E depois pego na foto da banda que ele me deu.
E era um grupo de homens vestido com roupas de mulher!
Meu Deus, sabem?
Ent�o coloco tudo num daqueles sacos de v�mito dos avi�es
e nunca ouvi a cassete, deitei-a fora.
...DE VOLTA � �REA TRI-STATE
N�o havia mais para onde ir.
Nesta altura, depois de o levar t�o longe durante 10 anos,
tinha chegado ao fim.
T�nhamos esgotado o mercado americano.
Cri�mos uma onda de loucura no Reino Unido
e est�vamos prestes a n�o conseguir manter a pedalada
e a arruinar a nossa reputa��o por l�.
Est�vamos prestes a arruinar a nossa reputa��o em dois continentes.
E est�vamos a stressar e a pensar,
"O que vamos fazer? O que raio vamos fazer?"
E o nosso manager disse, "Sabem que mais?
J� fizeram o trabalho de fundo na Inglaterra.
Tiveram um acordo com a Secret que n�o funcionou.
Talvez consigamos alguma coisa em Inglaterra."
De alguma forma, a discogr�fica, antes de falir,
conseguiu arranjar-nos uma participa��o
num programa de televis�o chamado "The Tube."
N�o me lembro de ter havido nenhuma grande discuss�o
al�m de ser uma oportunidade �nica,
e esperamos que isso gere algum interesse e nos incentive
a arranjar um novo acordo ou algo do g�nero, entendem?
N�o t�nhamos mais nada.
Est�vamos presos l�. T�nhamos de ir para l�.
� realmente... a �nica coisa que faz sentido.
Mas como � que o fazemos?
Precisamos de dinheiro.
Pedimos ajuda a amigos e fam�lia, tanto quanto podemos,
e recebemos uma quantia, mas n�o � nem perto de suficiente.
Ent�o o Jay Jay e eu vamos... acho que foram...
a tr�s clubes com os quais t�nhamos boas rela��es.
Gajos dur�es.
Alguns dos quais eram pessoas a quem eu acho que emprestei dinheiro antes.
Mas n�o nestes termos.
Tipo, "Ouve, n�s devolvemos-te o dinheiro
se tudo correr bem. De outra forma s� podemos...
tocamos algumas noites de gra�a."
Sabem, �ramos amigos deles.
Sabem, durante algum tempo
lidamos com algu�m durante alguns anos...
somos amigos deles.
Eles pedem-nos para lhes emprestarmos dinheiro,
para os suportar e ajudar.
Fomos para l� no que parecia uma carro�a.
Nem era de treinador.
Havia a primeira classe,
a classe dos neg�cios, o treinador, e depois onde colocavam os c�es.
� onde est�vamos.
...E DE VOLTA AO REINO UNIDO
Na semana antes do Natal chegamos finalmente a Inglaterra
para fazer o "The Tube" na televis�o brit�nica.
Bem, ol� e boa noite ao "The Tube."
Esta noite vamos assistir a algumas bandas
que nos garantiram fazer os vossos ouvidos sangrar.
�ramos n�s, os Tigers of Pantang, e o Iggy Pop.
O �nico problema � que era televis�o em direto.
Como se n�o tiv�ssemos nada com que nos preocuparmos.
S� temos 20 minutos para transmitir a nossa mensagem,
e por falar em transmitir a nossa mensagem,
a prop�sito, n�o podemos dizer palavr�es.
Ent�o l� se vai metade do vocabul�rio do Dee.
Pela porta fora.
Qual � o grande problema?
� s� o programa mais importante que temos
ou que alguma vez existir� na vida da banda.
Eles parecem mulheres, tocam como homens,
e s�o o maior grupo de criadores de problemas
a sair dos Estados Unidos!
S�o os Twisted Sister!
Boa noite!
Bem vindos ao programa!
Estive no est�dio o dia todo
e tinha concertos a serem negociados na Am�rica.
E eu estava a fazer as minhas chamadas
e o Phil Carson da Atlantic Records estava l�.
E ele estava no outro escrit�rio a fazer a mesma coisa.
Ent�o perguntei o que ele estava a fazer e ele disse,
"Bem, eu sou manager de um grupo chamado Twisted Sister,"
de quem eu nunca tinha ouvido falar.
E vi todas aquelas pessoas a andarem para tr�s e para a frente,
que eram muito altas, e eu pensei,
"Quem raio s�o eles?"
E depois percebi, claro, que eram os Twisted Sister.
O que, na verdade, n�o os valorizou para mim
e eu levava o meu rock 'n' roll muito a s�rio.
O Mark disse-me que eles tinham muitos seguidores na Am�rica
e se eu ia v�-los.
Boa noite!
Bem vindos ao "The Tube" no Canal 4!
N�s somos os Twisted Sister!
Eu fui l� e assisti a um bocado do set.
E pensei, "Bem, n�o s�o assim t�o maus."
Quero ver as vossas m�os...
No est�dio
estavam alguns f�s de heavy metal
que eram muito reativos e muito recetivos � banda.
Mas a maioria da sala n�o estava a responder.
E t�nhamos tr�s m�sicas.
E eu tinha de chegar ao p�blico.
J� t�nhamos agarrado a sec��o da frente.
Mas acho que a sec��o de tr�s,
e parte das bancadas deviam estar em Quaaludes ou assim,
porque estavam l� tipo, "Uh..."
Mais uma vez, os Twisted Sister sempre tiveram a atitude
de n�o jogar limpo.
Acho que isso n�o chega.
E acho que o problema � que precisamos de ajuda.
Temos de trazer a artilharia, entendem?
E ligamos ao Lemmy, que agora � nosso amigo
e pedimos-lhe se podia vir tocar connosco.
E ele e o Brian Robinson estavam a caminho.
Boa! � o Robbo!
O Lemmy e o Robbo dos Motorhead!
Podemos ouvir?
Vamos l�, vamos ouvir!
Pronto, vamos, v� l�!
Bem, tudo bem!
Vamos, vamos ouvir agora!
O p�blico n�o estava a reagir muito bem.
As pessoas n�o estavam a reagir,
e se o p�blico, na sala,
a levar com todos os efeitos dos Twisted Sister
n�o estava a responder, o que � que as pessoas
sentadas nas suas cadeiras em casa...
qual seria a sua rea��o?
Temos os Twisted Sister vindos da Am�rica.
Temos os Motorhead.
Mas ainda parece um problema.
Ainda n�o estamos a chegar ao p�blico.
E foi a� que eu disse para n�o fazer jogo limpo.
Podemos fazer alguma coisa em que falamos com o p�blico
e comunicamos o que sentimos.
Mas acho que voc�s querem outra coisa
antes de nos darem aquilo que queremos.
Acho que est�o um bocado pendurados, voc�s,
acho que temos aqui pessoas
que n�o aceitam os Twisted Sister, pela sua apar�ncia.
� esse o problema, n�o �?
E voc�s n�o nos ouvem,
n�o nos prestam aten��o, pois n�o?
N�o, n�o prestam aten��o.
Porque temos maquilhagem, parece que � esse o problema.
Ent�o temos de tirar a maquilhagem, n�o �?
Falei com o roadie
e disse, "Leva o meu desmaquilhante e uma toalha,
e mete isso ao lado do palco, para se eu te pedir."
N�o falei com a banda sobre isto, n�o o discutimos.
S� que, na minha cabe�a, tinha uma ideia.
D�-me essa cena.
Qual � o problema, meu? Tenho muita maquilhagem, meu?
N�o me levas a s�rio?
N�o sou maluco o suficiente para ti?
Bem, agora n�o tenho maquilhagem,
o que vais fazer agora?
Agora t�m de nos ouvir, est� bem?
N�o me dececionem,
fiz uma coisa para voc�s. � Natal!
Deem aos Twisted Sister o que eles querem!
E o p�blico enlouqueceu!
Aah!
PARA A SEMANA NO ESPECIAL DE NATAL DO THE TUBE
Vamos!
Obrigado!
Robbo Robinson!
- E Lemmy! - Twisted Sister... muito bem!
Eles arrasaram o p�blico e foi um espet�culo de tirar o f�lego!
Ent�o voltei-me para o Mark. E disse, "Est� bem, eu assino com eles."
E ele olhou para mim e disse, "Na Atlantic?"
E eu disse, "Bem, � l� que eu trabalho, sabes.
Vou assinar com eles na Atlantic."
Ele n�o disse mais nada.
E depois disse, "Bem, vem conhecer a banda."
Eu disse, "Nem pensar."
Quem � que os quer conhecer? "Eu disse que assino com eles."
Ele disse, "Eles nunca v�o acreditar em mim!"
E ele diz, "Atlantic Records."
E eu penso, "H� milhares de discogr�ficas!
A �nica discogr�fica com quota do presidente da empresa de grava��o,
'A pr�xima pessoa que mencionar esta banda!'"
Eu n�o queria dizer nada porque... mas eu...
Ele saiu.
"Estamos fodidos, n�o v�o assinar connosco!"
E no diz seguinte, o Phil Carson aparece e diz,
"Rapazes, vou assinar convosco pela Atlantic Records,
mas tenho de vos contar sobre uma conversa muito interessante que tive.
Sabem aquele senhor chamado Doug Morris?"
"Sim."
Eu liguei-lhe na ter�a feira a seguir
a ter visto os Twisted Sister e disse,
"Oh, tenho uma banda nova, acabei de assinar com eles.
� a primeira vez que assino com uma banda americana
mas por acaso eles est�o c� e s�o muito bons."
E o Doug Morris disse, "Como � que se chamam?"
Eu disse, "Twisted Sister."
Nessa altura o Doug disse, "Est�s a brincar comigo?
Eles n�o prestam!
N�o os quero na discogr�fica. Eles n�o prestam!"
E o Phil diz... "Claro, n�o prestam,
mas v�o vender muitos discos!"
Grav�mos o "You Can't Stop Rock 'n' Roll."
T�nhamos um �lbum de �xito no Reino Unido, uma tourn�e esgotada,
estivemos no Top Of The Pops... tr�s vezes.
Correu otimamente. Volt�mos aos Estados Unidos.
Claro, a Atlantic Records dos Estados Unidos...
n�o nos apoiava em nada.
...AGORA DE VOLTA AOS ESTADOS UNIDOS
O �lbum saiu e como podem imaginar
n�o foi uma grande prioridade para a discogr�fica.
O staff nem trabalhava nisso.
Eu � que trabalhava nisso.
Ligava para as esta��es de r�dio.
Fazia todo o tipo de coisas que n�o me era permitido fazer.
Mas se n�o era uma prioridade para a empresa, � dif�cil.
Estava a ser dif�cil sairmos
e mostrarmo-nos ao mundo mas, sabem,
ningu�m queria ir em tourn�e connosco.
Ent�o fomos em tourn�e a abrir para os Krokus e os Blackfoot.
Vinte e nove minutos.
E n�o t�nhamos or�amento.
Alug�mos uma Winnebago e conduzimos 56 horas.
Cinquenta e seis horas at� Salt Lake City
e a Winnebago avariou.
E o Mark meteu-se debaixo dela e arranjou-a,
como fazia em Long Island, certo?
Tudo para tocar durante 29 minutos.
Mas est�vamos muito empenhados em tocar esses 29 minutos.
Quero dizer, era isso que n�s faz�amos, certo?
A todas as cidades onde �amos, t�nhamos de causar boa impress�o.
Em todas as cidades vendemos �lbuns.
Em todas as cidades onde fomos, o representante local da Atlantic
ligava na segunda feira seguinte e dizia,
"Puta merda, acabo de ver o futuro do rock 'n' roll.
Eles chamam-se Twisted Sister."
E na sede, o Doug Morris e a empresa,
tinham de ouvir o raio da palavra "Twisted"
repetidamente.
Um dia foi chamado ao escrit�rio do presidente
na Atlantic Records, o Doug Morris,
e ele disse, "Sabes que mais?
Esta cena... Esta cena � boa."
E v�o fazer um novo �lbum com os Twisted.
V�o puxar todos os cordelinhos
e fazer os poss�veis,
investir algum dinheiro e fazer isso acontecer.
O Doug Morris, l�der da Atlantic Records,
o nosso n�mesis...
que deve ter odiado ter-me a mim, este monte de merda,
escumalha, o Dee Snider no seu escrit�rio...
a dizer-lhe o que iam fazer.
E estou a falar com ele sobre as diferentes jogadas
que eles queriam fazer.
Tinha uma s�rie de ideias sobre como limpar os Twisted Sister.
E eu estava a contrapor tudo.
Sabem, os nossos f�s.
E finalmente o Doug fartou-se!
E ele disse, "Quantos f�s achas que voc�s t�m?"
Ent�o fa�o as contas e penso, vendemos 150 mil �lbuns,
e no estrangeiro, onde quer que fosse,
inventei o n�mero 100 mil... 150 mil... 200 mil.
E ele disse, "O que queres?
Esses mesmos 200 mil f�s ou os outros 800 mil f�s
que um �lbum de platina te vai dar?"
E l� estava este mi�do punk de 20 e poucos anos
na Atlantic Records a olhar para o presidente,
um sujeito muito importante.
E eu cedi.
Eu disse, "Eu quero esse �lbum de platina."
Ele disse, "Bem, ent�o cala-te. O que tens de fazer � isto."
� claro que, em retrospetiva, eu percebo
que a resposta correta era, "Eu quero ambos."
H� maneira de conseguir os dois.
Mas eu fui realmente atingido com essa afirma��o.
Sabem, nunca pensei em termos de milh�es.
Mas ali estava um sujeito, uma discogr�fica,
e era a �nica maneira como pensavam.
Pensavam em termos de 500 mil, um milh�o,
dois milh�es...
Acab�mos de vender tr�s milh�es e meio de discos do "Stay Hungry" nos EUA.
Era t�o fixe.
Fiquei maravilhado com os sentimentos dos f�s
quando finalmente nos lan��mos e nos torn�mos grandes,
devem ter sentido que se fez justi�a.
Os Donnas do mundo sentiram que se fez justi�a
pelas intermin�veis viagens cinco dias por semana
dos apoiantes dos Twisted Sister?
Sabem, quando estamos t�o pr�ximos de uma banda,
tipo literalmente a metro e meio de uma banda, ficamos um pouco
com uma situa��o de perten�a em rela��o a eles, n�o �?
E temos a sensa��o de que vai funcionar.
Ent�o ficamos muito, muito contentes por eles quando
eles obt�m o sucesso que merecem,
e s�o reconhecidos,
mundialmente, pelo que faziam no nosso pequeno clube.
Mas, ao mesmo tempo, isso partiu-me o cora��o
porque eu ia perd�-los.
E OS TWISTED SISTER TORNARAM-SE UMA IC�NICA
BANDA DE EST�DIO DOS ANOS 80 E OS QUERIDOS DOS PRIM�RDIOS DA MTV.
MAS O ANO DE 1987 VIU O SEU ESTRELATO DESVANECER COM A QUEDA DE VENDAS
E CONFLITOS PESSOAIS.
ABANDONADOS PELA DISCOGR�FICA, OS TWISTED ACABARAM.
REUNINDO-SE EM 2001, REGRESSAM �S SUAS RA�ZES
DE BANDA AO VIVO, AGORA ENCABE�ANDO FESTIVAIS
EM TODO O MUNDO
MAS ISSO � HIST�RIA PARA OUTRO FILME.
Boa noite a todos!
N�s somos os... Twisted...
Fodidos...
Sister!
Uau! O que s�o os Twisted Sister?
Bem, � simples!
N�s gostamos de nos divertir!
S� isso!
N�s gostamos de nos divertir!
Gostamos de esquecer o trabalho. Gostamos de esquecer a escola.
Gostamos de esquecer os problemas em casa.
Gostamos de esquecer tudo
exceto a divers�o.
E divertimo-nos � grande.
Estamos em festa sete dias por semana!
N�s s�o dizemos, "Gra�as a Deus que � sexta!"
E n�o temos a Febre de S�bado � Noite!
Quando somos Twisted Sister, somos do rock 'n' roll,
temos liberdade sete dias por semana!
Certo?
E s� falta mais um ingrediente!
Vemos que h� diferentes n�veis
das pessoas se envolverem durante a noite.
Bem, podem ficar a� a observar.
Podem ficar a� a observar e a movimentar os bra�os.
Podem ficar a� a observar e a movimentar os bra�os
e a saltar para cima e para baixo.
Ou podem ficar a� a observar, a saltar para cima e para baixo
e a gritar at� n�o poderem mais.
Ou podem levantar-se, movimentar os bra�os,
gritar at� n�o poderem mais e depois cantar connosco.
Muito bem, queridas!
Temos o vosso n�mero!
Na guitarra e na voz, Jay Jay French! Digam...
O Jay Jay n�o cresce.
O Jay Jay n�o cresce.
O Jay Jay n�o cresce.
No baixo, Mark "O Animal" Mendoza!
O Mark n�o cresce.
O Mark n�o cresce.
O Mark n�o cresce.
Na guitarra e na voz, Eddie Ojeda!
O Eddie n�o cresce.
O Eddie n�o cresce.
O Eddie n�o cresce.
Na bateria, A.J. Pero!
O A.J. n�o cresce.
O A.J. n�o cresce.
O A.J. n�o cresce.
Na voz principal, Dee Snider!
O Dee n�o cresce.
Preferia vomitar.
O Dee n�o cresce.
Nunca vamos crescer.
Nunca vamos crescer!
N�s vamos voltar.
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