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Original subtitles

Optamos por ir � Lua.

Optamos por ir � Lua.

Optamos por ir � Lua nesta d�cada, e por fazer outras coisas,

n�o por serem f�ceis, mas por serem dif�ceis.

- Olha para aquilo. - � lindo.

Deve ser um dos momentos de maior orgulho da minha vida. Garanto-vos.

A grande aventura da ida � Lua pode n�o voltar a acontecer no nosso tempo.

Os voos tripulados ao espa�o continuar�o

e ainda h� aventuras a viver na �rbita da Terra.

J� foram enviados rob�s a outros mundos -

aos vales de Marte, �s nuvens e luas de J�piter.

E h� uma marca de aventura a considerar

num tal modo de longa dist�ncia com participa��o humana.

Mas a satisfa��o e o s�bito vazio de uma aventura terminada,

s�o conceitos humanos intang�veis.

E pode dizer-se que a humanidade n�o pode testemunhar um evento

a menos que um homem tenha vivido a aventura em primeira m�o.

N�o necessariamente em primeiro lugar, mas em primeira m�o.

N�o � certamente necess�rio ser o Neil Armstrong

para ter vivido a grande aventura de uma viagem da Terra � Lua.

Parte Sete

N�o H� Mais Nada

Eh, Beano, d� a volta e mostra-me l� esse sorriso!

Chamo-me Al Bean.

Sou eu, junto do Oceano de Tempestades a 21 de Novembro de 69.

U.S.S. Hornet 24 de Novembro de 1969

L� estou eu outra vez, cinco dias essenciais depois, na nave de resgate

onde arranjaram um recinto de quarentena para mim e mais dois -

Pete Conrad, o meu comandante,

e para Dick Gordon, o nosso piloto do m�dulo de comando.

Eram veteranos do Gemini e pessoas impec�veis.

Toda a gente sabia que eles iriam � Lua, excepto eu.

Era o meu primeiro voo espacial.

Ficaria conhecido como o quarto homem a ter posto o p� em solo lunar.

O Pete e o Dick queriam ser os primeiros a alunar, mas eu...

bem, eu teria de contentar-me em ficar em 93�.

Engra�ado, Beano. �s um homem morto!

O Presidente dos Estados Unidos falou comigo ao telefone.

Bom dia, Sr. Presidente.

Comigo, Al Bean. O �ltimo tipo do grupo de astronautas a voar.

Encaramos a profiss�o seriamente.

O Comandante-em-chefe promoveu-nos a capit�es da Marinha.

Muito obrigado, senhor. Obrigado. Sim, senhor.

Parab�ns, Capit�o Bean. Capit�o Gordon.

- Capit�o Conrad. Capit�o Bean. - Capit�o Conrad.

As pessoas tratavam-me com cuidado, n�o fosse ter vindo com doen�as.

Cuidado para n�o perfurar o c�rebro dele.

Muito engra�ado, Dick. �s muito engra�adinho...

N�o aconteceu, mas uma das c�maras atingiu-me durante a queda no mar.

A culpa foi toda minha.

Eu deveria t�-la removido e p�-la debaixo do assento, dizia a lista.

Acho que estava t�o feliz por os p�ra-quedas terem aberto que disse:

"Vou deix�-la ali, no suporte da janela."

Ora, foi uma atitude est�pida.

Se me tivesse atingido no centro da testa, podia ter-me matado.

O que teria sido uma situa��o realmente triste.

- Beano, d�-lhe com os trav�es. - � o que estou a fazer.

Al.

- Que foi? - Est�s bem, Al?

Sim. Sim, acho que sim. Estou �ptimo.

Que foi? Foste derrubado?

Como?

Na verdade, tinha sido, mas s� percebi mais tarde.

Bolas, em toda a viagem n�o tive muita sorte com as c�maras.

Bom, eu explico isso depois.

Mesmo assim, com galo ou sem ele, estava vivo. E os meus amigos tamb�m.

Conseguimos e conseguimos bem.

Deixa-me desinfectar-te isso.

Talvez n�o f�ssemos dignificados para sermos her�is. N�o importava.

Fomos a segunda miss�o a alunar, o derradeiro anti cl�max da Hist�ria.

De algum modo, eu encaixo-me.

De facto, voar com o Pete e com o Dick foi o melhor da miss�o, para mim.

Form�vamos uma equipa a s�rio.

Em determinada altura, eu at� salvei o dia, mais ou menos.

14 de Novembro de 1969

CMP, STC. Verificar painel dois do programa DSKY.

N�o sabia o que esperar. Era um completo novato.

Fizemos in�meros lan�amentos simulados e fiz o mesmo que em todos.

Entendido, STC. Ligar bateria principal de Liga��o B/C.

Verifiquei a consola,

para ter pronta a minha parte do m�dulo de comando, Yankee Clipper.

Este lan�amento vai ser molhado.

N�o era um problema para a Marinha. Sabemos como �.

A chuva era uma ma�ada, mas n�o era uma preocupa��o.

Apollo 12, tudo em ordem para o lan�amento.

- Certo, STC. Ir para lan�amento. - Passe os 25...

Eu e os meus amigos est�vamos prontos para a aventura de uma vida.

- Al Bean, vais � Lua. - Podem vir todos, se quiserem.

Treze, doze, onze,

dez, nove.

Iniciada a sequ�ncia de igni��o.

Motores ligados. Quatro, tr�s,

dois, um, zero.

Nos primeiros momentos depois da descolagem, vibr�vamos muito.

O rel�gio est� a andar.

Depois, come�amos a andar.

- Retirar a torre. - Certo. Retirar a torre.

Tenho um programa arfagem e rolamento e esta querida anda mesmo.

Rolamento completo.

- Marca um bravo. - Entendido.

- Esta coisa mexe-se, n�o mexe? - Querida!

T�nhamos tido mais de meio minuto de lan�amento sem crises

e foi quando o caos se instalou.

- O que foi aquilo? - Acabo de perder um monte de coisas.

Um grupo de buses desligou-se.

O que temos aqui? Bus 1 A/C, toda as c�lulas de combust�vel.

Certo, Houston... perdemos a plataforma, malta.

N�o sei o que aconteceu. Est� tudo desligado.

Tr�s luzes de combust�vel, a luz do Bus A/C, uma c�lula desligada.

Sobrecarga 1 e 2 do bus A/C bus A e B principais desligados.

Erro electr�nico grave.

- Tenho A/C. - Tens A/C? Talvez seja o indicador.

- O que tens no bus principal? - 24 volts. � baixo.

H� um curto-circuito, mas n�o acredito que isto esteja certo.

- Controlo, EECOM. - Diga, EECOM.

H� uma falha num bus de c�lula de combust�vel. Foram desligados.

Por isso estamos a receber ru�do.

Podem tentar SCE para o auxiliar?

Gerry Griffin nunca tinha ouvido falar de tal comando.

Estou certo de que a maioria das pessoas do Controlo n�o conhecia.

Diz-lhes.

Apollo 12, Houston.

Tenta SCE para auxiliar. Escuto.

FCE para auxiliar? Que raio � isso?

Nem sei se o Pete sabia o que era, mas uma pessoa sabia.

Eu sei o que �.

SCE para auxiliar.

Estamos com boa telemetria outra vez. Reinicializa as c�lulas de combust�vel.

- Reinicializar c�lulas. - Diagn�stico.

A esperar pelo diagn�stico.

Um momento.

Certo, Houston. O GDC est� bom.

Temos um bom S-II, malta.

Entendido. Est� tudo em ordem.

Pobre Gerry Griffin. Era a primeira miss�o dele como director de voo,

e ele tinha uma lista de avarias como nunca tinha existido.

Certo, agora vamos resolver os nossos problemas aqui.

N�o sei o que aconteceu. Se calhar, fomos atingidos por rel�mpagos.

Foi isso que aconteceu.

Antes da nossa primeira etapa ter terminado,

observadores em terra relataram depois que n�o foi s� um rel�mpago,

mas dois que atingiram os exaustores de rastos de condensa��o

foram at� � rampa e atingiram a torre.

Deram-nos uma simula��o e peras, malta.

Acho que temos de adaptar isto para ficar � prova de qualquer tempo.

O Al p�s os buses em linha outra vez e n�s reparamos a plataforma em �rbita.

Assim, eu tinha dado uma ajuda numa crise.

� claro que o tipo do EECOM, o John Aaron... bom, devemos-lhe muito.

Mas, para mim, o verdadeiro her�i foi o Pete Conrad.

Ele manteve sempre a m�o no man�pulo para abortar.

Mas manteve a calma e n�o chegou a us�-lo.

Chegado � �rbita da Terra, soube que um voo espacial era o m�ximo.

Eh, Pete.

Olha para isto.

S�o fogueiras, ali em baixo.

- � qualquer coisa, n�o �? - Sim, sim.

Lindo.

L� em baixo, reuniam � volta da descoberta mais primitiva do homem.

E aqui, n�s os tr�s est�vamos

a andar a 250 mil milhas para o espa�o numa chama.

Caramba, aquele c�u est� negro.

Est�, sim.

Que tal estamos, Dickie? Acabaste de realinhar a plataforma?

- J� acabei. - Espantoso.

Isso dar-lhes-� tema de escrita. Aposto que as esposas desmaiaram

e que aconteceu quando te ouviram falar numas 18 luzes.

Sempre que fecho os olhos, s� vejo aquelas luzes todas.

- Que forma de come�ar. - Um baptismo terr�vel para o Al Bean.

N�o faz mal. N�o me importo.

Claro que nem todos estavam a pensar qu�o deliciado estava o Al Bean.

Em Houston, sem n�s sabermos,

preocupava-os o facto de o raio poder ter danificado o sistema pirot�cnico

que abriria os p�ra-quedas.

Se formos � lista TEI, testamos tudo o que precisam para regressar,

excepto um item importante - abertura de p�ra-quedas.

Mas se os interruptores barom�tricos e temporizadores tivessem falhado,

a equipa poderia abrir os p�ra-quedas manualmente.

Mas se os ignidores j� tivessem sido disparados,

depois de irem, carregar no bot�o de abertura do principal n�o d�.

- Podemos verificar os ignidores? - S� em inspec��o visual do exterior.

Muito bem, malta. Digo qualquer coisa.

Finalmente, decidiram que se tivessem,

estar�amos t�o mortos agora como dali a dez dias,

portanto, melhor seria mandarem-nos para a Lua.

Vamos l�!

- Querida? - Sim.

Bolas! Queria evacuar. N�o tenho tend�ncia, mas sei o que suceder�.

Vai ser a primeira cagadela na superf�cie lunar.

- Certo, Al, � a tua vez. - Desculpa?

N�o quero fazer intervalos na Lua.

Vai l� e tenta fazer coc�.

De que est�s a rir-te? Vais a seguir.

N�o sabia que, enquanto comandante, tinhas esse poder.

Ele acha que pode controlar-nos as entranhas.

Em viagens de fam�lia, a tua m�e n�o dizia para ires antes de sa�rem?

Estas s�o as f�rias mais longas que voc�s v�o ter

e, neste ve�culo, a m�e sou eu.

Quero que trabalhem nisso. A s�rio!

Certo, Pete.

- Estou a falar a s�rio. - Verei o que posso fazer.

Felizmente, nesta altura, t�nhamos tempo para decidir tais assuntos

e estou certo de que est�o mortinhos por saber como foi.

BOLETIM ESPECIAL NTC

Uma vez mais, fala-vos Emmett Seaborn.

Para os que estiveram connosco toda a noite, vai ser um presente.

N�o, eles n�o transmitiram o meu tr�nsito intestinal em volta do mundo.

De facto, n�o transmitiram grande coisa.

Aqui � que o meu azar com as c�maras se revela.

A c�mara a cores a bordo da Apollo 12 � um progresso substancial

em rela��o � que Armstrong e Aldrin tinham no Mar da Tranquilidade.

Conrad e Bean est�o a preparar-se

Ena. Olha para aquilo.

Estava encarregado de instalar a c�mara de TV no trip�

para que o mundo, ou as pessoas que ficaram acordadas a ver

nos pudessem ver na Lua.

Coisa que teria corrido lindamente se eu, por acaso, n�o tivesse feito algo

que n�o deveria ter feito.

Durante os meses de forma��o nunca tivemos uma c�mara a s�rio.

De facto, t�nhamos um bloco de madeira.

Este procedimento tem de terminar em quatro minutos.

Sabia onde devia p�-la e onde estaria o Sol no c�u.

E algu�m me deve ter dito para manter a lente � sombra ou assim.

N�o apontes para o Sol. Foca para infinito.

Mas temos de digerir tanta coisa para andar na Lua, que me esqueci.

Temos uma imagem brilhante na TV. Podes mov�-la ou acabar com ela?

Certo, vou acabar.

N�o d� mais, Houston. Que tal vos parece?

Est� igual, Al. Porque n�o tentas mudar de cena?

- Como assim? - Continua igual, Al.

H� uma imagem brilhante no topo e escura uns 80% no fundo.

Est� a ficar melhor, Al. Que mudan�a fizeste?

Bati-lhe no topo com o martelo. Achei que n�o se perdia nada.

- Conserto expedito. - Sim. Bati-lhe com o martelo.

A isso chamo per�cia artesanal. Deixa-me tentar outra vez.

Continuamos a n�o ter boa imagem, continuas um pouco atrasado.

Avan�a e tentamos voltar depois, se tivermos tempo.

Ou�am, Houston, vou rod�-la para ficar de costas para o Sol. Talvez ajude.

Depois de tudo feito, nada aconteceu.

� dif�cil arranjar um t�cnico de TV para ir a casa nos EUA

e, � claro, imposs�vel na Lua.

O cinesc�pio estava queimado irremediavelmente.

Portanto, era o fim da TV a cores a partir do Oceano das Tempestades.

No solo, eles deviam saber o que eu tinha feito de errado,

mas ningu�m queria dizer nada.

De Houston, fala Emmett Seaborn.

S� espero n�o ter desiludido ningu�m.

Que merda aconteceu l� em cima?

Eh, Al. V� l�. Esquece. Vamos.

O que aconteceu foi que eu fiz asneira.

Ningu�m nos veria mais do que isto a andarmos na Lua.

Nem o Dick, que estava preso em �rbita enquanto explor�vamos a superf�cie.

Senti-me mal, mas voar a s�s no Yankee Clipper era mais importante

do que ser o companheiro do comandante na Lua.

Isolar mastro interior. Isolar mastro exterior. Estender apoios. J� est�.

Lembro-me claramente dos �ltimos momentos antes de nos separarmos.

Nunca ter�amos conseguido l� chegar ou regressar se n�o fosse o homem.

Em todo o tempo de forma��o juntos,

Dick Gordon nunca se mostrou ressentido quando me apresentavam

como "o tipo que ia � Lua com Pete Conrad."

Nunca mostrou um tra�o de sarcasmo, nem fez coment�rios ir�nicos.

Estava em linha para um comando dele.

Estava � espera de passear na Lua na Apollo 18.

Infelizmente, nunca chegou a haver uma Apollo 18,

portanto, isto foi o m�ximo a que chegou.

Bem, acho que tenho de fech�-la agora.

Adorava que esta filha de m�e albergasse tr�s pessoas.

Nesse momento, com todos os desafios que t�nhamos pela frente,

eu s� conseguia ter um pensamento...

Espero mesmo voltar a ver-te.

� claro que nunca o disse em voz alta.

Nervoso?

J� agora, como raio � que n�s cheg�mos aqui?

S� espero arranjar s�tio para aterrar e espero que tudo corra bem.

Vais sair-te muito bem.

Vais sair-te lindamente.

N�o a aterres demasiado depressa nem demasiado devagar.

- Obrigado, Al. Muito obrigado. - N�o tens de qu�.

- Estou s� a tentar ajudar. - Obrigado.

- Sabes que estou aqui a apoiar-te. - Sei que est�s. Grande ajuda.

Ao contr�rio de Neil e de Buzz,

a miss�o exigia que n�o aterr�ssemos em qualquer s�tio que parecesse bom.

Tiveram sorte em aterr�-la a umas 3 milhas do s�tio planeado.

Mas t�nhamos um alvo � nossa espera no Oceano das Tempestades h� dois anos...

uma sonda n�o tripulada chamada Surveyor 3.

Se futuras miss�es explorassem a Lua em profundidade,

a Apollo 12 teria demonstrado que � poss�vel uma aterragem precisa.

Treze metros. A descer aos tr�s. Liga o rel�gio.

Doze metros. A descer aos dois. Tudo em ordem.

Dez metros.

Nove metros. A descer aos dois.

Muito combust�vel, muito, querida. Aguenta. Cinco metros.

A descer aos dois. Ele conseguiu.

V� l�. Sete metros.

Luz de contacto.

Merda.

- Profissional! - Boa! Profissional.

Certo, bra�o de motor desligado.

Certo. Tens o teu...

- Luz de comandante desligada? - Sim.

Passo a v�lvula de encerramento Boa alunagem, Pete. Incr�vel.

Espantoso!

Houston, estamos em muito boa forma.

Conseguiram ser muito precisos. A coisa ficou mesmo no meio! Lindo!

� um verdadeiro prazer andar com um aviador de primeira.

� assim mesmo, Pete.

- Olha. N�o � lindo? - � lindo.

� qualquer coisa. Isto � espantoso.

- Inacredit�vel. - Meu Deus!

- Queres perguntar-lhes? - Sim, sim. Est� bem.

Houston, fala Intrepid.

Prossiga, Intrepid.

Onde estamos?

Pelos dados, vectores delta e crateras,

parecia que est�vamos exactamente onde quer�amos estar.

Mas s� quando o Dick sobrevoou a �rea

descobrimos o bom trabalho do Pete ao fazer-nos alunar.

Houston, tenho o Snowman.

E acredito que tenho o LEM no canto nordeste de...

Tenho o Intrepid.

Tenho o Intrepid.

Digo-vos, � a �nica coisa que faz sombra por aqui.

Est� na cratera Surveyor,

a um ter�o do caminho, na cratera Surveyor at� � cabe�a do Snowman.

E tenho o Surveyor.

Tenho o Surveyor.

Entendido, Clipper. Boa vis�o. Muito bem.

Eh, Ed, � quase t�o bom quanto estar l�.

Quase.

O Pete tinha conseguido. Com a ajuda do pessoal de terra,

ele tinha provado que a precis�o absoluta era poss�vel na alunagem.

Ele tinha alunado o nosso m�dulo lunar a pouca dist�ncia

do objectivo inicial da miss�o, um pequeno passeio lunar de 200 metros,

tal como ele tinha dito.

Pouco depois, de manh� muito cedo em Houston,

Pete Conrad provou outra coisa.

Ele provou a mim e ao mundo o qu�o eloquente ele pode ser.

Charles "Pete" Conrad, Jr.

Apenas o terceiro ser humano a p�r os p�s na Lua.

Quem poder� esquecer as palavras imortais de Neil Armstrong?

Vejamos as palavras que Conrad escolheu para o momento hist�rico.

Iupiii!

Eh, p�, pode ter sido pequeno para o Neil, mas, para mim, � enorme.

Bem...

Aqui o t�m.

"Iupiii!"

Depois de treinar com ele durante meses,

todos nos habitu�mos � linguagem pouco ortodoxa do Pete.

Seu est�pido filho da...

Esta porcaria est� a come�ar a chatear-me.

Consigo finalmente que o sacana rode e o tipo torna a trancar.

Passo mais tempo a apertar estes malditos parafusos

do que a fazer outra coisa.

Raios partam! Filho da... Sacana. Raios partam isto!

Eh, Beano. Vira-te e d�-me um grande sorriso.

Tive um momento especial para marcar a minha chegada � Lua.

Quando se � escolhido para membro do corpo de astronautas,

usamos um pino especial de prata.

� substitu�do por um de ouro quando fazemos uma miss�o.

Usava o pino de prata h� seis anos.

Ao ser escolhido para a Apollo 12, n�o iria precisar mais dele.

Queria p�-lo num s�tio especial onde ficasse para sempre.

Que melhor s�tio do que o Oceano das tempestades?

Entrei para a NASA no terceiro grupo de 14 astronautas, em 1963.

Dick Gordon, que foi com o Pete na Gemini 11, tamb�m.

Enquanto ele e o grupo lutavam por lugar em voos que aterrariam na Lua,

eu fui destacado para o Programa de Aplica��es da Apollo,

a esta��o espacial que ficou conhecida como Skylab.

O Peter chamava-se "Terra do amanh�".

Ao planear num futuro t�o long�nquo quem sabia se se tornariam realidade?

Enquanto eu estava enfiado num canto remoto qualquer,

parecia que todos os outros eram destacados miss�o ap�s miss�o.

Acho que senti que me tinham esquecido.

Mas estava atento ao que os meus pares estavam a fazer,

todos os tipos a quem me queixava por n�o conseguir voar.

Walt Cunningham entrou na tripula��o da Apollo 7.

Bill Anders, da Apollo 8.

Rusty Schweickart, da Apollo 9.

S� faltava eu.

Mas houve outros do nosso grupo que n�o tiveram tanta sorte.

Ted Freeman ia no T-38 dele a umas centenas de km por hora

quando um ganso partiu o Plexiglas do cockpit - ele morreu.

Charlie Bassett morreu com Elliott See

quando o Elliott embateu num edif�cio na f�brica McDonnell, em St. Louis.

Roger Chaffee fazia parte da tripula��o da Apollo 1,

morreu num inc�ndio com o Gus Grissom e com o Ed White.

E, depois, o CC Williams.

Ele deveria ser o piloto do m�dulo lunar da Apollo 12

com o Pete e com o Dick.

Tinha passado a noite anterior aos exames aos astronautas

a saltar para cima e para baixo e lesionou a coluna

porque havia um limite de 1, 80 metros de altura e o CC tinha um pouco mais.

Era um astronauta fabuloso que impressionava quem o conhecia,

mas morreu quando o T-38 caiu nos p�ntanos de Tallahassee.

Ele tinha voado a 7.500 metros quando os controlos bloquearam

e o avi�o caiu a pique.

Ele n�o teve tempo para ejectar-se.

Nessa altura, eu j� tinha desistido de voar na Apollo.

D�i demasiado pensar no assunto.

Mas acho que algu�m estava a olhar por mim.

Algu�m de nome Pete Conrad.

Al, tens um minuto?

Ol�, Pete. Claro. Em que posso ajudar-te?

Bem, acabo de falar com o Deke.

Agrada-te a ideia de ires � Lua com o Dick e comigo?

Achas que podes afastar-te de toda esta excita��o?

Al?

Est�s bem, Al?

Certo. Vais alinhar.

Fiquei t�o chocado...

Demorei algum tempo a encaixar a ideia.

� claro que, chegado � Lua, tive pouco tempo para pensar em tais coisas.

Sabia que o custo de estarmos na Lua era de um milh�o de d�lares por minuto.

O Pete e eu fizemos o que pod�amos para fazer valer cada c�ntimo.

N�o �ramos s� astronautas. De repente, �ramos meteorologistas, sism�grafos,

ge�logos, geoqu�micos, tudo e mais alguma coisa.

Pete e Al, fala Houston. Parece que conseguiram, estamos a receber dados.

Houston, nem imaginam o qu�o feliz estou.

Estamos a ouvir os teus passos pesados no sism�metro.

� bestial.

Os nossos chefes n�o nos viam, mas sabiam que trabalh�vamos depressa.

Caramba, est�s sujo. Isto � p� a s�rio.

Lembras-te destas experi�ncias na forma��o? Era preciso ter luvas.

Diz-lhes que � preciso manter as liga��es e as experi�ncias sem p�.

O Dr. Wilson pede-vos

para tentarem manter as liga��es e as experi�ncias livres de p�.

Entendido.

Com p� ou sem ele, tudo funcionou bem.

Enquanto fal�vamos e r�amos, o pobre Dick tentava trabalhar.

Certo, Clipper. N�o entendeste todo o PAD. � afirmativo?

Para falar comigo, saca o retransmissor para o Pete e o Al n�o te cortem.

� imposs�vel ouvir alguma coisa com esses tipos a palrarem.

Havia tantas coisas que t�nhamos de nos lembrar de fazer na Lua

que precis�vamos de um lembrete que estivesse sempre � m�o.

Ambos t�nhamos feito uma lista de verifica��o para levarmos nas mangas.

Mas a lista de voo foi feita pela equipa de terra antes do lan�amento

e posta nos nossos fatos sem a vermos at� estarmos na Lua.

Gra�as ao Dave Scott e ao resto da nossa equipa de substitui��o

tivemos de fazer alguma leitura extra.

Beano! Beano!

V� a tua lista de verifica��es.

Beano!

Aqui � que me sinto bem!

Com um alargamento de 30 minutos da nossa EVA,

consegui enfiar o tubo da amostra do n�cleo na terra e sac�-lo.

O Pete e eu conseguimos o primeiro carregamento de pedras da Lua.

Sac�mos o mais poss�vel o p� e comecei a subir as escadas.

Assim, o primeiro dos meus dois passeios lunares de 4 horas acabara.

� imposs�vel apreciar devidamente uma coisa na altura em que acontece.

Julgo que tinha flashes do g�nero: "Como � que cheguei � Lua?"

Ponham-se no meu lugar: tinha a cabe�a t�o cheia de lista de verifica��es

que s� podia, sinceramente, olhar para os dados do painel

do qual a nossa vida depende,

sentindo-me mal por ter perdido a c�mara de televis�o.

N�o foi o motivo pelo qual fomos � Lua,

sei que somos todos humanos e que todos falhamos,

mas senti-me muito mal.

Como � h�bito, pare�o mais sens�vel do que os meus colegas.

O Pete e o Dick t�m personalidades mais t�picas de astronauta -

inquebrant�veis, confiantes, divertidos.

Quanto a mim, bom, um em tr�s n�o � mau.

Divertimo-nos juntos.

Fomos os mais pr�ximos de todas as outras tripula��es que voaram.

O Pete at� nos arranjou Corvettes iguais para as posi��es que t�nhamos:

CDR comandante,

CMP para o piloto do m�dulo de comando

e LMP para mim, o piloto do m�dulo lunar.

Eles foram ent�o e continuam a ser os meus melhores amigos.

Pens�mos: "Se vamos ter tanto trabalho a ir � Lua, � bom que seja divertido."

Provavelmente, eu teria tomado um sopor�fero, mas n�o era de homem.

Finalmente, pude p�r o trabalho de lado,

permitir-me um momento de sossego, um momento de calma.

Finalmente, consegui dormir.

Isto n�o soa bem.

N�o, est� �ptimo.

N�o h� luzes de aviso.

- Press�o de cabina em ordem. - � a bomba de arrefecimento.

Regulador de h�lio nominal. N�o � o disco de queima.

Al, � a bom de arrefecimento. Est� tudo bem.

Bomba de arrefecimento?

Sim. Acho que tens raz�o.

Tenho.

Certo.

Volto a dormir.

- Mas Al, j� que est�s acordado... - Diz.

- Estou acordado h� algum tempo. - Sim? Porque n�o disseste?

Este disco do pesco�o magoa-me. O sacana d� cabo de mim.

Eles fizeram a minha bota demasiado apertada e faz press�o de lado.

Acho que � preciso voltar a apert�-la.

Certo.

Agora que est�vamos acordados, comecei a pensar na EVA seguinte -

a segunda e �ltima parte.

Plane�vamos tirar uma foto hist�rica com um temporizador levado � socapa.

- Despacha-te, Beano. - Vamos.

- V� l�. Senta-te. Senta-te. - J� o preparaste?

Todas as fotos da Apollo 11 eram do Buzz tiradas pelo Neil,

um astronauta talvez com o outro reflectido no seu visor.

Tivemos a ideia de instalar o temporizador na c�mara

e apanhar o Pete e eu na fotografia

e n�o dizer a ningu�m at� a fotografia ser revelada.

- Era uma grande ideia. - Homem el�ctrico.

O truque era ter o momento certo para faz�-lo sem Houston perceber.

Quando cheg�mos � Surveyor,

o Pete e eu t�nhamos menos de uma hora no Oceano das Tempestades.

A primeira prioridade era tirar essa fotografia secreta.

Tinha treinado para sacar o temporizador e n�o tivera problemas.

Conseguia fazer tudo em alguns segundos.

O resultado teria sido magn�fico...

se eu tivesse conseguido encontrar o maldito.

Esta agora!

- Est� a�, n�o est�? - Vou ver mais uma vez.

Espera. O que tens aqui no teu saco?

- � uma revista de cinema. - Vou tentar deste lado.

Sabia que estava a perder tempo precioso.

Se n�o aparecesse depressa, seria criminoso continuar a procurar.

Portanto...

Estou farto.

- Esquece. - Est� bem, fazemos o seguinte...

Que tal saltarmos at� ali e sacarmos o que viemos buscar?

Em 1967, a c�mara de TV da Surveyor tinha transmitido

as primeiras imagens em televis�o a partir da superf�cie lunar.

Agora, pretend�amos levar a c�mara para casa,

para se estudar os efeitos a longo prazo de m�quinas na Lua.

Apanh�-la significaria que cumpr�ramos todos os objectivos da miss�o.

J� c� canta.

Apanhei-a. Eh, Al. Tenho uma coisa para ti.

Depois de mais de tr�s horas de trabalho �rduo na Lua,

provavelmente n�o era a pessoa mais imaginativa do mundo.

Se tivesse as minhas capacidades,

teria sido a altura para tirarmos a foto com o temporizador.

Pod�amos ter dado um aperto de m�o no fim da EVA, diante da Intrepid.

Teria sido uma excelente fotografia, mas n�o pensei nisso.

Havia uma �ltima coisa a fazer.

Ningu�m tinha esquecido o motivo por que tive o privil�gio de ir.

Conseguimos, CC.

Deix�mos as asas do CC na superf�cie lunar.

Ele � o motivo por que h� 4 estrelas no emblema da miss�o e n�o tr�s.

Ent�o, estava terminada.

O nosso passeio na Lua estava oficialmente terminado.

Tinha passado um total de 7 horas e 45 minutos a passear na Lua.

Na vida de uma pessoa, � apenas um pestanejo.

Mas o que os meus olhos viram no Oceano das Tempestades ainda...

me enche de um sentido de encantamento dif�cil de descrever.

Que belo passeio!

Ascens�o em ordem. A bandeira tamb�m.

A ascens�o do Neil e do Buzz tinha feito cair a bandeira deles.

Puderam mandar um homem � Lua,

mas n�o pensaram p�r a bandeira longe do foguet�o para n�o ser destru�da.

- Verificar alcance e taxa de alcance. - Certo.

Intrepid, Houston. Est�o a dez segundos de LOS.

Retomaremos o contacto a 142:21:31 atrav�s da esta��o de rastreio.

Entendido, entendido, Houston. Vemo-nos do outro lado.

Que dizes, Al?

Queres tirar um momento para pilotar este ve�culo?

Apesar de ter o posto de piloto do m�dulo lunar,

a �nica forma de chegar a pilotar o LEM seria numa emerg�ncia.

- Podes crer. - Podes crer.

Algumas pessoas desejariam que o comandante pilotasse sempre.

Alguns comandantes fariam isso mesmo.

- Qual a sensa��o? - Muito boa.

- Ena. � melhor do que o simulador. - Muito melhor.

Sim. Ena, � mesmo fant�stico. Inacredit�vel. Caramba.

N�o sei se algu�m em Houston teria criticado o Pete,

mas est�vamos no lado mais remoto da Lua

e eles n�o tinham maneira de saber.

Portanto, por uns momentos na Apollo 12

o piloto do m�dulo lunar pilotou realmente o m�dulo lunar.

Gra�as ao meu bom amigo Pete Conrad.

- Viva, malta! - Ol�, Dick.

Jesus! Tinham de trazer metade da Lua convosco?

N�o v�o sujar a minha nave limpinha.

Dispam-se e limpem-se antes de entrarem aqui.

Estou a falar a s�rio. V�o.

Ele tem raz�o. Est�s nojento.

Bem-vindos a casa, rapazes.

Querem alguma coisa para beber? �gua? Uma bebida qualquer?

- Beano. - Ora viva, Dick.

Cuidado para n�o fazer saltar trav�es com alguma coisa pendurada.

Atitude, m�nimo poss�vel.

Quando desp�amos os fatos, t�nhamos de nos amarrar e de sair do m. lunar.

- SCS controlo da nave. - Muito bem.

Estamos prontos para sair do LEM daqui a um minuto.

Sabes, se...

se n�o apanharmos a escotilha quando explodirmos o LEM

e um dia algu�m nos encontrasse a flutuar aqui, desta maneira,

poderiam ficar muito confusos.

Pelo menos, sa�mos deste mundo da mesma forma que entr�mos.

Bem, voc�s os dois.

N�o vieste ao mundo com esse fato?

- Credo, espero que n�o. - Pelo menos, pela tua m�e.

Depois de fotografias da �rbita lunar,

sacando fotografias est�reo de poss�veis locais para as Apollo 13 e 14 alunarem,

e quando todo o equipamento estava arrumado e verificado no plano de voo,

prepar�mo-nos para a explos�o que nos levaria a casa.

HRB avan�ado, verificado.

Muito bem. Estamos s� � espera do DSKY.

Sabes, sinto-me como aquela can��o,

"Is That All There Is?"

Al Bean...

estava a pensar exactamente o mesmo.

N�o � que n�o tenha sido espantoso.

O facto de a experi�ncia n�o ter sido sentida como um objectivo.

Foi real e eu tinha-a vivido.

Cair pelo c�u depois de uma viagem � Lua

� uma experi�ncia igualmente surreal a ter chegado � Lua

ou a ter andado na sua superf�cie.

� apenas mais um passo, mais um acontecimento planeado,

que surge devido � ci�ncia, � imagina��o e ao esfor�o.

Podemos ler todos os manuais,

todos os procedimentos e listas de verifica��o,

todos os gr�ficos e mapas que mostram como � poss�vel fazer o que fizemos,

ir aonde n�s fomos.

Podemos at� ficar impressionados por algo t�o complicado ter sido tentado.

T�o impressionados que nem perceber�amos que os tr�s que foram

e levaram a cabo todos os desafios inerentes eram, na ess�ncia,

n�o muito diferentes de n�s pr�prios.

- Ena, o duche sabe mesmo bem. - A primeira vez que n�o sabe

� quando sabemos que estamos oficialmente em casa, vindos da Lua.

Deviam deixar-nos sair daqui. N�o tenho doen�as.

Eu tamb�m n�o. S� quero comer comida de �ndio e beber umas cervejas.

E tu, Al? J� voltaste da Lua?

Sim, j� voltei.

J� voltei da Lua.

- De que est�o a rir? - Sim. Onde est� a piada?

Acho que nunca me esquecerei

quando todas as coisas estavam a acender...

e o CAPCOM disse SCE para auxiliar.

N�o sabia que raio queria aquilo dizer e voc�s ficaram caladinhos.

Ou�o a voz do Al duas oitavas acima a dizer: "Sei o que �."

O melhor registo do que foi ter ido � Lua e ter voltado

n�o est� na prova tang�vel da iniciativa.

N�o s�o as coisas que lev�mos connosco e trouxemos de volta.

E n�o teriam sido as imagens de TV que n�o conseguimos,

coisa de que me culpei durante metade da miss�o.

� a consci�ncia individual e a vis�o

dos seres humanos que fizeram a viagem.

Pessoas como Dick Gordon, Pete Conrad e at� eu.

Ena, esse Sol � brilhante.

Sabe bem.

- Vamos. - Pois.

O que resta do passeio no Oceano das Tempestades s�o mem�rias.

Quase como se fosse uma viagem ao mar ou um passeio no campo.

Misturam-se num constante fluxo de pensamentos e imagens,

como todas as recorda��es.

As coisas mais preciosas que trouxe comigo foram as mesmas com que parti:

os meus dois melhores amigos.

Percebi que, quando se parte numa iniciativa, em qualquer viagem,

quer seja dar a volta � cidade ou ir e voltar � Lua,

o que importa � que partilhemos a experi�ncia com quem amamos.

Isso � o que torna a vida especial.

Porque, em �ltima an�lise, n�o h� mais nada.

N�o h�, realmente, mais nada.

Ripadas e sincronizadas por: PT-Subs Rips

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