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Para mim, um grande castelo brit�nico � uma fortaleza, um pal�cio, uma casa.
E um s�mbolo de poder, majestade e medo.
Durante quase 1.000 anos,
os castelos moldaram a famosa paisagem da Gr�-Bretanha.
Estes edif�cios grandiosos foram a casa
de alguns dos maiores her�is e vil�es da nossa hist�ria nacional.
E muitos deles ainda est�o orgulhosamente firmes,
a rebentar de incr�veis hist�rias de guerra,
trai��o, intriga e at� assassinato.
Juntem-se a mim, Dan Jones,
enquanto revelo os segredos por detr�s de seis castelos brit�nicos.
Desta vez, estou no sudeste de Inglaterra para explorar a hist�ria
do maior castelo defensivo da Gr�-Bretanha.
Esta fortaleza imponente nas fal�sias brancas de Dover,
resistiu a todos os inimigos,
desde a Idade M�dia at� � Guerra Fria.
THE WHITE HORSE O PUB MAIS ANTIGO DE DOOVER
O pub The White Horse, enfiado nas ruas traseiras de Dover,
est� repleto de nomes de pessoas que aqui pararam para um caneco.
N�o que o senhorio se pare�a importar.
Anne Cleveland De Inglaterra a Fran�a
A DOR � TEMPOR�RIA A GL�RIA � ETERNA
Este pub encoraja grafite, mas apenas de algumas pessoas.
Mas se conseguir descobrir o que liga todos estes rabiscos nas paredes,
Dan Jones Historiador
ent�o compreender� a chave para Dover e para o seu castelo.
Essa chave est� a curta dist�ncia.
O Estreito de Dover.
Ou, como normalmente � chamado, o Canal Ingl�s.
Todas estas pessoas s�o nadadoras do canal bem sucedidas.
E sabiam o mesmo que os romanos sabiam, que os sax�es sabiam,
que os franceses medievais sabiam, que Napole�o e Hitler sabiam.
Que a forma mais r�pida de atravessar o Canal para Inglaterra
era atrav�s de Dover.
INGLATERRA FRAN�A
De Dover, s�o apenas 34 quil�metros para Fran�a.
Dover - 34 KM - CALAIS
Se for r�pido, pode nad�-lo em cerca de dez horas.
� ainda mais r�pido de barco, e � por isso que � perigoso.
Se toda a Inglaterra for um castelo, Dover � o port�o principal.
A palavra brit�nica antiga para �gua era "dubra", ou Dover.
Este era o limite do reino,
passado o qual estava o resto do mundo conhecido.
Ent�o, qualquer invas�o, qualquer ataque, tinha de vir por Dover.
Dover era a chave da Inglaterra,
e � por isso que tinha de ser protegida por um dos maiores castelos na GB.
Tem torres, portarias, e uma muralha com 1,6 quil�metros.
E, no meio de tudo isso,
est� o formid�vel p�tio interior e o maci�o forte de pedra.
Na sua altura, esta fortaleza gigante manteve a GB em seguran�a,
dos franceses medievais, do Imperador Napole�o e de Adolf Hitler.
Mas a hist�ria do castelo de Dover come�a muito antes de tudo isso.
A import�ncia estrat�gica de Dover come�ou com os romanos.
No s�culo I AC,
foi aqui que J�lio C�sar e as suas legi�es atracaram na GB.
E, aqui, nas alturas orientais de Dover, os romanos constru�ram uma estrutura
que ainda sobrevive, passados quase 2.000 anos.
Chama-se Pharos,
um farol desenhado para guiar as gal�s romanas at� � margem.
Quando Guilherme, o Conquistador, invadiu Inglaterra e saqueou o forte sax�o,
percebeu rapidamente a import�ncia de Dover,
e ordenou a sua reconstru��o o mais r�pido poss�vel.
O cr�dito pela fortaleza de pedra massiva que se pode ver aqui hoje
tem de ir para o trisneto de Guilherme, Henrique II.
Henrique II governou Inglaterra durante mais de 30 anos, no final do s�c. XII.
E assentou muitas das bases para o pa�s como ele � hoje.
Henrique II construiu o que ainda � a pe�a central do castelo de Dover.
Uma grande parede interior com 14 torres defensivas,
protegendo um dos fortes medievais mais impressionantes alguma vez constru�do,
A Grande Torre.
No seu tempo, Henrique II era o maior entre os reis da Europa medieval
e adorava construir castelos como afirma��o da sua autoridade real.
Mas o castelo de Dover
tem de ser o s�mbolo m�ximo da supremacia e do poder real.
Mas a magnific�ncia e a escala do castelo de Dover que vemos hoje
existe devido � vergonha e � culpa de Henrique.
O castelo de Dover era uma fortaleza,
mas tamb�m era um pal�cio no qual n�o se olhava a custos.
Dentro havia duas suites palacianas,
adequadas para alojar convidados importantes, bem como o pr�prio rei.
Mas, no segundo piso,
um corredor estreito leva para longe dos impressionantes sal�es.
No final dele, h� um quarto de significado especial para o rei.
Um local de reflex�o e de lamento.
Esta capela em que estou sentado foi constru�da pelo pr�prio Henrique II.
Foi constru�da para venerar um santo.
Mas n�o era um santo comum.
Era um homem cuja morte Henrique II tinha causado pessoalmente,
da forma mais brutal poss�vel.
Chamava-se Thomas Becket.
Becket foi outrora o melhor amigo de Henrique.
Era o seu bra�o direito e o seu conselheiro mais pr�ximo.
Mas quando Henrique elevou Becket a Arcebispo da Cantu�ria,
a amizade deles terminou de forma espetacular.
Henrique queria que Becket o ajudasse a impor a lei real na Igreja inglesa.
Quando Becket recusou, os dois tornaram-se inimigos amargos.
Em fins de dezembro de 1170,
quatro cavaleiros de Henrique cavalgaram at� � Cantu�ria com intuito assassino.
�men.
Encontraram Becket desarmado, na sua catedral.
Mataram-no perto do altar e esmagaram os seus miolos contra o ch�o.
Foi uma atrocidade que chocou a Europa do s�culo XII.
Dois anos mais tarde, Becket era santo, mas Henrique era uma figura odiada.
Para restaurar a sua reputa��o danificada,
o rei cumpriu um ato de penit�ncia extraordin�rio.
Henrique apareceu na Cantu�ria, descal�o e vestido com farrapos.
Em seguida, ordenou que os 80 monges da catedral
o espancassem tr�s vezes cada, com uma haste de madeira.
Depois, o rei passou a noite sozinho, no t�mulo de Becket, a rezar por perd�o.
Desde a�, o santu�rio de Becket tornou-se no destino tur�stico n� 1 da Europa,
visitado por peregrinos vindos de todos os continentes.
Ent�o, de certo modo, esta capela,
e o castelo todo, foi fundado pela culpa de Henrique II.
Entre os muitos visitantes do t�mulo, estavam os grandes nomes da Europa
e, em 1179, Henrique soube
que um dos maiores de todos o vinha visitar.
Lu�s VII, rei de Fran�a,
que vinha ao t�mulo de Becket para rezar pelo seu filho muito doente.
O rei de Fran�a estava a caminho.
Esta foi a primeira visita de estado da hist�ria inglesa,
e Henrique teve de se preparar para a ocasi�o.
Nunca nenhum rei franc�s tinha pisado em solo ingl�s.
Mas Henrique tinha um problema.
Nesta altura, Dover estava longe de ser um local apropriado para receber realeza.
Isto era um pouco embara�oso.
Henrique teve de se encontrar com o rei franc�s na praia,
antes de cavalgar com ele at� � Cantu�ria.
E, talvez por causa dessa humilha��o, dentro de poucos meses,
Henrique come�ou a enviar dinheiro para o desenvolvimento do castelo de Dover.
Nos �ltimos dez anos do seu reinado, Henrique gastou mais com Dover
do que com qualquer outro castelo ingl�s.
F�-lo para garantir que o seu legado nunca seria assombrado
pelo assassinato de Thomas Becket.
O castelo de Dover recordaria a todos os peregrinos que passassem
a riqueza e a autoridade de um grande rei.
Mas Henrique tamb�m garantiu que Dover seria uma excelente fortaleza militar,
e ainda bem que o fez.
O castelo de Dover era a maior
fortaleza inglesa, e a estrategicamente mais importante, da Idade M�dia.
O rei Henrique II, que fundou o castelo, nunca o veria testado em guerra.
Mas o seu filho veria.
No virar do s�culo XII,
estas paredes enfrentariam o seu primeiro grande desafio,
sob o comando do governante mais odiado de Inglaterra.
HENRIQUE II 1154
Um monarca com uma das piores reputa��es de toda a hist�ria.
JO�O 1199
O infame rei Jo�o.
Todos conhecem o rei Jo�o do Robin dos Bosques.
Mas, na verdade, o seu papel na hist�ria brit�nica � muito mais importante.
Ele quase destruiu o castelo de Dover e o reino inteiro.
Para descobrir como, vou at� � Catedral de Salisbury, em Wiltshire,
a 259 quil�metros a oeste de Dover.
Aqui, na magn�fica Sala do Cap�tulo, est� um manuscrito extraordin�rio,
um documento que ressoou atrav�s da hist�ria.
O seu nome � Magna Carta.
Esta � uma das quatro c�pias sobreviventes da Magna Carta,
o tratado escrito em 1215, h� 800 anos,
que ainda � um dos documentos mais famosos de toda a hist�ria ocidental.
E hoje pensamos na Magna Carta como base do Estado de Direito,
justi�a, direitos humanos, liberdades inglesas e at� da Constitui��o americana.
Mas, na verdade, em 1215,
foi um tratado de paz entre o rei Jo�o e os bar�es rebeldes.
Jo�o era um rei cruel e vingativo.
Imp�s impostos terr�veis para financiar campanhas militares sem sucesso.
Alienou os seus s�bditos, pilhou a Igreja
e declarou guerra aos seus bar�es, quando finalmente se viraram contra ele.
A Magna Carta foi uma tentativa desesperada para chamar o rei � raz�o.
H� cerca de 4.000 palavras na Magna Carta,
e normalmente dividimo-las em 63 cl�usulas.
Se lerem a sua maioria atualmente, n�o parece muito relevante.
S�o coisas sobre impostos, represas de pesca e bailiados,
e todas as coisas basicamente esquecidas na Inglaterra atual.
O mais importante era a cl�usula 61, mesmo no fundo,
a que agora chamamos a cl�usula de seguran�a.
O que ela dizia era que se o rei Jo�o quebrasse alguma regra da Magna Carta,
um conselho de 25 bar�es estaria legalmente apto para lhe declarar guerra.
E, em 1215, foi exatamente isso que aconteceu.
Jo�o apelou ao Papa, afirmando que, ao restringir os direitos do rei,
a Magna Carta era um ataque � autoridade da pr�pria igreja.
O Papa concordou.
Os bar�es rebeldes foram excomungados e Inglaterra irrompeu em guerra civil.
Os bar�es sabiam que nunca poderiam fazer a paz com o rei Jo�o,
por isso convidaram o pr�ncipe Lu�s de Fran�a a invadir a Inglaterra
e tirar-lhe o trono.
Convidar um pr�ncipe franc�s para ser rei de Inglaterra pode parecer trai��o,
mas, na verdade, os ingleses estavam habituados a isso.
Na verdade, tinha acontecido tr�s vezes
em 150 anos, desde a conquista normanda.
Um bar�o franc�s tinha atravessado o mar, chegado � costa sul, assumido a coroa
e constru�do castelos maci�os para impor o seu poder,
tal como o de Dover.
Dentro de semanas, Lu�s e os bar�es rebeldes
tinham o controlo da Cantu�ria, de Rochester, de Winchester e de Londres.
Inglaterra estava a cair perante ele,
mas o que ele precisava mesmo era do centro de comunica��es crucial
entre Inglaterra e Fran�a, o castelo de Dover.
O destino do rei Jo�o e do seu reino estava agora nas m�os de Dover.
Lu�s fez imediatamente um cerco.
Colocou as for�as numa colina a norte do castelo
ACAMPAMENTO FRANC�S - QUART�IS DE CONNAUGHT - COLINA DE EDIMBURGO
e massacrou as muralhas com catapultas.
Mas estas defesas aguentaram-se firmes.
Ent�o, Lu�s mudou a sua estrat�gia,
explorando aquilo que tinha tornado Dover famosa.
As fal�sias de calc�rio branco debaixo das suas funda��es.
Em vez de ir por cima das muralhas, os franceses iriam por baixo.
Por baixo das muralhas do castelo de Dover,
os engenheiros franceses come�aram a fazer um t�nel atrav�s da rocha,
tentando enfraquecer as suas funda��es,
uma t�cnica de cerco conhecida como solapar.
Solapar, do que estamos a falar?
Bem, como podem ver aqui, o calc�rio � a rocha,
por isso t�m de escavar por ela,
debaixo das funda��es do castelo, para tentar faz�-las colapsar.
Se as muralhas e o port�o ca�rem,
Paul Pattison Historiador
ficamos com uma inclina��o de cascalho
que os atacantes franceses podem trepar para entrar no resto do castelo.
E como os paramos?
Um dos m�todos que se usa � escavar os pr�prios t�neis.
E este t�nel de que estamos pr�ximos pode bem ser um desses.
Como seria isso?
Haveria luta corpo-a-corpo nos t�neis?
Se descobrirmos um t�nel franc�s a vir na nossa dire��o e conseguirmos entrar,
sim, haveria uma luta
e teria sido muito sujo, porque teria sido no escuro.
Tiveram sucesso em solapar uma das torres da portaria,
deitaram-na abaixo,
e chegaram a entrar no p�tio exterior do castelo.
Passaram por cima delas. Por cima das defesas.
No entanto, a for�a da resist�ncia inglesa no interior
for�ou-os a voltar pela fenda que tinham feito.
E os ingleses refor�aram-na com madeira, rochas e outras medidas tempor�rias.
E os franceses n�o conseguiam entrar. Perderam o �mpeto.
A 14 de outubro de 1216, frustrado com tr�s longos meses de cerco,
Lu�s negociou tr�guas.
Quatro dias depois, tendo contra�do disenteria,
o rei Jo�o morreu.
A �nica fraqueza do castelo de Dover tinha sido exposta.
Os engenheiros do castelo repararam o port�o norte debilitado,
mas tamb�m expandiram os t�neis subterr�neos.
Quando terminassem,
as defesas de Dover teriam sido expandidas muito para l� da muralha.
T�NEIS MEDIEVAIS DOVER
Dover foi alargado e refortificado por v�rios reis ingleses.
Mas passariam 600 anos
at� o castelo e os seus t�neis voltarem a ver a��o.
JO�O 1199
No final do s�c. XVIII, a GB estava em guerra com Fran�a.
NAPOLE�O 1804
Por toda a Europa,
Napole�o Bonaparte tinha esmagado os seus inimigos.
E o seu olho estava fixo em Dover.
Em 1803,
Napole�o tinha reunido um ex�rcito de 130.000 homens e 2.000 barca�as
em Bolonha, no norte de Fran�a.
Uma for�a enorme apenas a 97 quil�metros do castelo de Dover,
dedicada a um objetivo, a invas�o de Inglaterra.
A invas�o francesa era esperada quase de hora a hora
e, mais uma vez, o castelo de Dover estava no cora��o da hist�ria.
O trajeto de invas�o mais �bvio: Dover.
Os franceses iriam precisar de um porto onde reabastecer os ex�rcitos: Dover.
Os ingleses precisavam de se preparar com for�a e engenho,
e encontraram-nas num engenheiro militar chamado William Twiss.
Twiss dedicou-se a transformar o castelo de Dover numa fortaleza moderna.
Acrescentou cinco postos de armas � muralha exterior
e uma plataforma de canh�o elevada enorme no port�o norte.
Tamb�m refor�ou o telhado da Grande Torre
com arcos de tijolos para aguentar com artilharia pesada.
Mas foi debaixo do ch�o que Twiss mostrou engenho a s�rio,
porque o castelo de Dover tinha um problema.
Havia tropas, mas n�o havia onde as p�r.
Durantes as Guerras Napole�nicas, esper�vamos uma invas�o a qualquer hora.
O castelo j� estava cheio de tropas. N�o havia mais espa�o acima do ch�o,
por isso uma personagem teve a ideia de construir espa�o subterr�neo.
Isto � como escavar uma cave por baixo de casa para ter mais espa�o.
Como � que isto foi escavado?
Foi escavado � m�o, com picaretas, p�s e carrinhos de m�o.
Trabalho duro.
Podemos ver que a parede parece...
A minha m�o est� verde. � h�mida e musgosa.
� h�mida e fria mas,
para os soldados de in�cios do s�culo XIX,
que estavam habituados a condi��es muito dif�ceis em campo,
provavelmente n�o era muito mau.
E tudo isto foi muito engenhoso.
Isto � apenas uma parte debaixo do castelo de uma rede muito mais vasta
DOVER T�NEIS DA CASAMATA
de fortifica��es para todo o pa�s.
Defender o sudeste de Inglaterra era um dos aspetos mais importante
das Guerras Napole�nicas, no que nos dizia respeito.
Mesmo agora, enquanto Dover reluzia com o poder do ex�rcito ingl�s,
permanecia uma fraqueza.
As pr�prias fal�sias brancas.
Se Napole�o conseguisse desembarcar um ex�rcito na costa,
como � que os ingleses desceriam as suas tropas ao seu encontro?
S�o apenas cerca de 90 metros do topo das fal�sias at� � praia,
mas para descer homens a cavalo s�o cerca de 2,5 quil�metros.
E at� para descer homens a p�,
� ainda 1,6 quil�metros ao longo de caminhos estreitos e sinuosos.
Twiss percebeu que tinha de haver um caminho mais r�pido e melhor.
O que Twiss desenhou foi um trajeto expresso
desde o quartel � base da fal�sia.
Chamava-se Grand Shaft.
Uma escadaria gigante,
com 9 metros de largura e 55 metros de profundidade,
com tr�s lances de escadas.
Foi um dos projetos de constru��o mais brilhantes da �poca.
O Grand Shaft
Meu Deus, parece uma pris�o futur�stica.
� incr�vel.
Precisavam de um trajeto para mover soldados rapidamente,
desde o local do quartel at� � frente de mar,
se Napole�o tivesse invadido.
Seriam caminhos de calc�rio,
Mandy Whal Sociedade de Preserva��o Western Heights
muito escorregadios quando estivessem molhados.
Ent�o, o que fizeram foi construir ostensivamente um po�o
e colocar l� tr�s lances de escadas,
o que significava que as tropas podiam mover-se rapidamente do quartel acima
at� � frente de mar.
Ao ter tr�s lances de escadas, pode mover-se tropas tr�s vezes mais r�pido.
Tr�s vezes mais r�pido.
Pode dar-nos uma ideia geral de quanto tempo levaria
para levar 1.000 homens do topo � base?
Uma altura fizeram um exerc�cio que era levar todas as tropas
do Grand Shaft e do castelo de Dover at� � pra�a do mercado.
E demoraram 12 minutos e meio.
Doze minutos para mil homens?
Doze minutos e meio. Sim.
� quase como �gua a descer pelo ralo.
� muito parecido com isso, sim.
� muito, muito simples, o que � parte do engenho.
Apesar de completamente preparadas
as defesas de Dover nunca foram testadas.
Bloqueado pela Marinha Real,
incapaz de controlar o Canal Ingl�s tempo suficiente para atravessar o ex�rcito,
Napole�o foi for�ado a cancelar a invas�o.
Em 1805, a amea�a tinha passado,
mas o medo permanecia.
No in�cio do s�culo XIX, havia medo real de que Napole�o fizesse um t�nel
desde Fran�a at� Dover, para uma invas�o.
E isso n�o � t�o louco como parece porque, mais tarde no s�culo,
nos anos 1880, foi escavado um t�nel de teste mais de 1,6 km debaixo do mar,
antes de ser cancelado com base na seguran�a nacional.
Isto � um artigo de um dos jornais de Londres, em 1882,
a discutir o t�nel proposto,
que ia ser escavado debaixo do Canal.
E at� h� uma entrevista com um homem chamado Sir Garnet Wolseley.
Ele achava que um t�nel seria "uma fonte consider�vel de perigo nacional."
"Durante a noite, uma for�a pequena podia ser desembarcada em Dover," disse.
"E ningu�m podia suspeitar que vinham,
"at� eles baterem � porta da fortaleza."
Durante os pr�ximos 130 anos, o castelo de Dover n�o foi desafiado.
Os seus t�neis foram abandonados e esquecidos.
Mas a amea�a da invas�o ia regressar.
Mais uma vez, viria de Fran�a,
NAPOLE�O 1804
mas n�o dos franceses.
2� GUERRA MUNDIAL - 1939 INVAS�O ALEM� DA POL�NIA - 1939
Durante nove s�culos,
as muralhas do castelo de Dover tinham-se adaptado �s agita��es da guerra civil
e � amea�a da invas�o estrangeira.
Mas, no in�cio da Segunda Guerra Mundial,
a prote��o da sua grande muralha estender-se-ia para l� da Inglaterra,
atrav�s do Canal, at� Fran�a.
Em maio de 1940, o ex�rcito brit�nico enfrentava a destrui��o quase certa
nas praias de Dunkirk.
Aqui, na costa do norte de Fran�a,
400.000 tropas aliadas
estavam agora cercadas por um ex�rcito alem�o com o dobro do tamanho.
E as for�as de Hitler estavam a cercar para matar.
O Primeiro-Ministro Winston Churchill precisava de uma miss�o de salvamento,
e o homem que escolheu para a formular foi o Vice-Almirante Bertram Ramsay.
A sede de Ramsay precisava ser o mais perto poss�vel de Dunkirk.
Ele escolheu o castelo de Dover.
Por baixo das fal�sias brancas, a rede de t�neis com 100 anos,
constru�da nas Guerras Napole�nicas, ainda era segredo para o mundo exterior.
Agora seria transformada no centro de comando militar de Ramsay.
DOVER SISTEMA DE T�NEIS OPERA��O D�NAMO
ABORDAGENS AO ESTREITO DE DOVER
Foi tomada a decis�o de evacuar Dunkirk o mais r�pido poss�vel,
e o aposentado Vice-Almirante Ramsay foi posto no comando de uma tarefa imposs�vel.
Chamaram-lhe Opera��o D�namo,
e a primeira reuni�o de planeamento aconteceu nestas salas,
muito abaixo do castelo de Dover, a 20 de maio de 1940.
A opera��o de Ramsay,
batizada com o nome da sala do d�namo que dava energia ao sistema de t�neis,
foi planeada apenas em seis dias.
Imediatamente, requisitou uma frota de contratorpedeiros e transportadores
para uma miss�o aparentemente imposs�vel.
No labirinto de t�neis, havia salas de opera��es para o Ex�rcito,
a Marinha e a For�a A�rea.
Aqui foram feitos planos para oferecer a maior cobertura poss�vel para a evacua��o.
Ramsay e a sua equipa viviam 24 horas por dia nestes t�neis.
Deve ter sido incrivelmente intenso e claustrof�bico.
As �ltimas not�cias de Dunkirk.
E mesmo com relat�rios de informa��o a chegar do exterior,
ainda n�o tinham forma real de saber o que estava a acontecer
�s for�as Aliadas, reunidas nas praias de Dunkirk.
Sargento, informe todos os atiradores para estarem a postos.
Quase meio milh�o de vidas estavam em risco.
Mesmo na melhor das hip�teses,
Ramsay esperava salvar 30.000 a 40.000.
Para al�m das for�as alem�s,
os navios iriam enfrentar as �guas rasas trai�oeiras da costa francesa
e um Canal Ingl�s repleto de minas.
Do seu bunker muito abaixo do castelo de Dover,
Ramsay deu ordem para come�ar a Opera��o D�namo.
Assim, uma frota de 35 contratorpedeiros e transportadores partiu para Dunkirk,
a 76 quil�metros dali.
Dunkirk, Nordeste da Fran�a
Uma vez l�, iriam atracar no mar
e usar lanchas de desembarque para transportar os soldados.
Estas dunas, na verdade a praia toda,
estavam repletas de homens sob o bombardeamento alem�o,
mas o porto interior estava fora de servi�o,
por isso os navios maiores n�o podiam aproximar-se da praia para o salvamento.
Para al�m disso, o caminho mais r�pido de volta a Dover era muito perigoso,
porque o mar estava minado
e havia fogo constante das posi��es alem�s ao longo da costa.
� quase imposs�vel imaginar o caos, medo e p�nico daquele primeiro dia,
a menos que estiv�ssemos l�.
Vic Viner, de 97 anos, estava na tripula��o de uma embarca��o
que levava soldados da praia para o contratorpedeiro HMS Esk,
ancorado mais longe, no mar.
-No primeiro dia, levaram 7.000. -Certo.
Quando olh�mos e vimos que and�vamos a transpirar sangue...
-Andavam a transpirar sangue? -Sim.
O meu colega ao meu lado disse:
"Vic, as tuas m�os est�o cobertas de sangue."
Respondi: "Tamb�m as tuas."
Ent�o, arrega��mos as mangas e era at� ao fundo.
Enquanto tudo isto acontecia, a Luftwaffe fazia a sua parte.
Vic Viner Veterano da Segunda Guerra Mundial
Muitos foram mortos no bombardeamento,
depois houve um bom n�mero que entrou a p� pelo mar para ir para casa.
-V�o... -"Vou voltar para Inglaterra,"
e l� iam eles.
Consigo lembrar-me vivamente de dois sargentos grandes, a chorar,
-porque estavam fartos. -A s�rio?
E, no entanto, quando lhes diz�amos alguma coisa,
e os faz�amos olhar para cima,
a disciplina deles voltava.
Ap�s tr�s dias, cerca de 70.000 homens tinham sido salvos,
mas ainda estavam centenas de milhares encalhados na praia.
Mas, de volta aos t�neis do castelo de Dover,
a segunda parte do plano de Ramsay estava prestes a acontecer.
Ao longo de toda a costa sudeste e do estu�rio do Tamisa,
o Almirante tinha lan�ado um pedido de emerg�ncia a donos de barcos pequenos.
J� tinha reunido 700 deles em Ramsgate,
de tudo, desde lanchas, iates privados e balsas.
A 28 de maio, partiram para Dunkirk.
Qual era a ideia por tr�s dos navios pequenos?
O que aconteceu foi que, quando Ramsay chamou a Marinha
para ir evacuar as tropas de Dunkirk,
perceberam que n�o conseguiam chegar �s praias
e o problema com navios maiores
Simon Palmer Associa��o de Navios Pequenos de Dunkirk
� que tinham uma profundidade de 3, 4, 6 metros.
E n�o podiam chegar �s praias, as tropas n�o conseguiam sair,
por isso o que precisavam era de barcos mais pequenos para irem � praia,
recolherem as tropas da praia e transport�-las at� aos navios maiores.
Faziam muitas viagens curtas de um lado para o outro,
cheios de tropas a serem fisicamente retirados das praias.
Era exatamente isso.
E sabemos algo sobre este barco em particular, certo?
Sabemos quantas pessoas estavam nele?
Sim, invulgarmente, n�o sabemos muito sobre a maioria dos barcos.
Sabemos que o New Britannic recolheu at� 3.000 tropas,
que � um n�mero de tropas espantoso
e, assim, muitos jovens devem muito a esta velha embarca��o.
O iate maior levava entre 180 e 200 a bordo,
e depois levava-os at� aos navios, aos navios maiores,
os contratorpedeiros e os cargueiros, que estavam � espera.
Durante o dia 30 de maio,
salv�mos 68.000.
-Isso � incr�vel. -E, no dia seguinte,
pouco menos de 68.000.
Deve ter sido uma imagem do inferno.
Exatamente. Sim.
� muito dif�cil...
� muito dif�cil agora...
Tento muito explicar como me senti.
Mas agora � t�o pac�fico, que � muito dif�cil.
Mas...
Mas � pac�fico devido ao que aconteceu,
-todos esses anos atr�s. -Exatamente, sim.
Sinto-me muito humilde por saber que fui parte disso.
A 4 de junho, o �ltimo contratorpedeiro partiu do porto de Dunkirk, para Dover,
com os �ltimos homens que foram evacuados.
O Vice-Almirante Bertram Ramsay esperava salvar no m�ximo 45.000 vidas.
No final, a sua Opera��o D�namo
salvou 338.226 pessoas.
Senhor, temos de ter muito cuidado
para n�o atribuir a esta liberta��o
os atributos de uma vit�ria.
Discurso de Winston Churchill � C�mara dos Comuns - 4 de junho de 1940
As guerras n�o s�o ganhas com evacua��es.
Mas houve uma vit�ria nesta liberta��o que devia ser reconhecida.
Em termos puramente militares, Dunkirk era humilhante,
mas o seu sucesso salvou o n�cleo de um ex�rcito profissional
e, mais importante do que isso,
o que aconteceu entre Dunkirk e Dover
ajudou a criar um orgulho, aquele esp�rito de Dunkirk,
e isso provavelmente mudou o curso da guerra.
Defenderemos a nossa ilha, custe o que custar.
Lutaremos nas praias,
lutaremos nas zonas de aterragem,
lutaremos nos campos e nas ruas.
Lutaremos nas colinas.
Nunca nos renderemos.
No final de 1940, o castelo estava na linha da frente das defesas brit�nicas.
Enquanto os alem�es escavavam ao longo da costa francesa,
o Almirante Ramsay sabia que os t�neis secretos do castelo de Dover
eram cruciais para o esfor�o de guerra.
Ent�o dedicou-se a expandi-los.
DOVER T�NEIS DA 2� GUERRA MUNDIAL
Por cima dos velhos t�neis napole�nicos, um novo piso anexo foi esculpido,
VICE-ALMIRANTE - DOVER DEFESAS FIXAS - DOVER
com alojamentos subterr�neos,
casas de banho, hospitais e salas de opera��es.
Daqui, operadores de r�dio transmitiam comandos militares falsos
e outras informa��es erradas, para confundir os alem�es.
O trabalho feito aqui seria crucial a preparar o desembarque na Normandia.
Dover foi usado como ponto de partida falso para o Dia D.
Ent�o, no porto, estavam centenas de lanchas de desembarque falsas,
MOVIMENTOS DOS NAVIOS CHEGADAS - PARTIDAS
C�DIGO PORTE - AMEIXA
e milhares de ordens falsas e comunica��es
foram enviadas desta sala de repeti��es.
Mesmo quando era a fingir, Dover estava no cora��o da guerra.
N�O MENCIONAR ESTA SALA DE OPERA��ES NO EXTERIOR.
CONVERSA DESCUIDADA CUSTA VIDAS.
De novo, Dover tinha tido um papel vital na defesa do reino.
Gra�as a Bertram Ramsay,
Em mem�ria de SIR BERTRAM RAMSAY
tinha salvo n�o s� o ex�rcito brit�nico, mas a pr�pria Gr�-Bretanha.
Bertram Ramsay morreu num desastre de avi�o, em janeiro de 1945,
por isso nunca viu o fim da Segunda Guerra Mundial,
nem celebrou a vit�ria que ajudou a realizar.
Mas o que fez e o papel do castelo de Dover na defesa da GB
ainda � recordado hoje.
Quatro, tr�s, dois, um, zero.
Mas, em breve, o mundo cairia na sombra de um novo tipo de guerra.
E se alguma vez tivesse acontecido o pior,
o castelo de Dover teria sido o melhor s�tio para se esconder.
Durante quase 900 anos,
o castelo de Dover tem sido a fortaleza estrategicamente mais importante da GB.
Em todo esse tempo, permaneceu firme, face � invas�o.
AN�NCIO DAS TR�S POT�NCIAS HOJE: MAS A GB SABIA ONTEM
DIA-V - ACABOU TUDO
Em maio de 1945, a guerra na Europa terminou,
com a rendi��o incondicional da Alemanha �s for�as Aliadas.
Em agosto, duas bombas at�micas acabaram com a guerra no Jap�o,
e introduziram uma nova era sinistra.
Os t�neis por baixo do castelo de Dover,
antigo centro nervoso das opera��es militares secretas,
teriam em breve um novo papel a desempenhar.
Uma das principais vantagens dos t�neis era o seu segredo
e, ap�s a guerra, isto veio a ser �til.
O n�vel inferior, N�vel D, tinha o nome de c�digo de DUMPY,
e era para ser usado como centro de comando regional,
na eventualidade da eclos�o de uma guerra nuclear.
A maioria da informa��o sobre estes t�neis
ainda � protegida pela Lei dos Segredos Oficiais.
E n�o deixam o p�blico vir c� baixo muitas vezes.
� medida que a Guerra Fria se intensificou,
o governo brit�nico come�ou a planear a possibilidade de um ataque nuclear.
A GB seria dividida em 12 locais de governo regional.
Em 1968, o N�vel D por baixo do castelo de Dover tornou-se num deles.
DOVER N�VEL DUMPY - ABRIGOS AT�MICOS
Quarenta e seis metros abaixo da superf�cie,
sete corredores e mais de 30 salas foram modificados
para fornecer abrigo a 300 oficiais do governo e militares,
na eventualidade de um ataque nuclear.
Aqui, bem dentro das fal�sias brancas,
simula��es apocal�pticas e treino de defesa civil
foram levados a cabo durante os anos 60 e 70.
Se se encontrassem aqui durante a Guerra Fria,
ent�o o pior provavelmente tinha acontecido.
Seriam arrancados da cama a meio da noite,
trazidos para este bunker
para ajudar a manter o que restasse do sudeste de Inglaterra.
Completamente guarnecido e equipado com sistemas de filtragem e ventila��o,
as condi��es eram espartanas e bastante claustrof�bicas,
mas pr�ticas, em caso de ataque nuclear.
Os habitantes do N�vel D teriam ficado isolados,
mas capazes de transmitir para o mundo exterior,
se ele ainda existisse.
GRAM PARA L.S. PARA CONTROLO DE EST�DIO
Este � o est�dio da R�dio BBC, e tinham instru��es para,
na eventualidade de um holocausto nuclear, tocarem m�sica ligeira e animada
para manter as pessoas positivas.
Havia apenas um problema.
Nos anos 70, percebeu-se que, apesar do calc�rio que rodeava o bunker
ser suficiente para manter Napole�o e Hitler de fora,
tamb�m era perme�vel,
o que significava que qualquer chuva radioativa de um desastre nuclear
se infiltraria na rocha e chegaria ao bunker.
Felizmente, o castelo de Dover nunca teve de defender ningu�m de um ataque nuclear.
Nos �ltimos 60 anos de paz,
permaneceu um monumento
� reputa��o de 2.000 anos de Dover, como porta de entrada da Gr�-Bretanha.
Em todo esse tempo,
Dover contribuiu mais para a defesa da Gr�-Bretanha
do que qualquer outro castelo.
De farol romano e forte sax�o,
ao maior e mais formid�vel castelo da Idade M�dia,
de pal�cio real e quartel subterr�neo,
e uma das bases militares mais engenhosas do s�culo XIX,
o castelo de Dover estendeu a sua defesa
muito para l� destas muralhas medievais,
desde as fal�sias brancas �s praias da Normandia.
Hoje, a Chave da Inglaterra permanece um testemunho
da determina��o, resili�ncia e coragem brit�nicas.
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