All language subtitles for Secrets of Great British Castles s01e05

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Original subtitles

Para mim, um grande castelo brit�nico � uma fortaleza, um pal�cio, um lar.

E um s�mbolo de poder, majestade e temor.

Durante cerca de mil anos,

os castelos moldaram a afamada paisagem da Gr�-Bretanha.

Estes magn�ficos edif�cios foram o lar de alguns dos maiores her�is

e vil�es da nossa hist�ria nacional.

Muitos deles ainda est�o de p� nos dias de hoje,

fervilhando com hist�rias incr�veis de batalhas,

trai��o, intriga e at� homic�dios.

Juntem-se a mim, Dan Jones,

� medida que descubro os segredos por tr�s de seis grandes castelos brit�nicos.

Desta vez, estou em Stirling.

Durante s�culos, este castelo dividiu as na��es hostis

da Inglaterra e da Esc�cia.

No entanto, acabou por ser a chave da sua uni�o

para criar a Gr�-Bretanha como a conhecemos hoje.

A Ponte Forth Rail � uma das vistas mais famosas da Esc�cia.

� grande, vermelha e demora muito tempo a pintar.

Por�m, � mais do que t�o-s� uma obra bonita de engenharia.

Esta ponte liga ou separa

as Terras Altas da Esc�cia do resto do reino.

Na Idade M�dia, o estu�rio do Forth era conhecido como o Mar da Esc�cia.

ESC�CIA

Era largo e inacess�vel,

e a terra do outro lado era conhecida como a Esc�cia ultramarina,

a Esc�cia al�m-mar.

Controlar a passagem deste rio

era a chave para controlar toda a Esc�cia.

Dan Jones Historiador

E se se pretendia ir al�m do mar, era preciso atravessar o rio.

Contudo, na Idade M�dia, n�o dava para apanhar o comboio.

Era preciso caminhar ou cavalgar 48 km ao longo das margens do rio,

at� chegar a este lugar.

CIDADE DE STIRLING

A cidade de Stirling era conhecida como porta de entrada para as Terras Altas

e percebe-se porqu�.

Durante s�culos, o primeiro ponto a montante

onde se podia atravessar o Rio Forth era aqui em Stirling.

A velha ponte medieval ficava a meia d�zia de passos,

mas era t�o estreita que s� dois homens a podiam atravessar em simult�neo.

Era imposs�vel controlar a Esc�cia sem controlar a Ponte de Stirling.

Algo de t�o grande import�ncia

precisava de ser protegido.

Segundo a lenda, dos Romanos ao Rei Artur,

todos constru�ram o primeiro castelo de Stirling.

N�o � dif�cil perceber porqu�.

Situa-se no alto de um despenhadeiro vulc�nico

e est� rodeado de tr�s lados por �ngremes penhascos.

E pontifica sobre a passagem do rio.

Na verdade, o primeiro homem a fortific�-lo

foi o rei escoc�s Alexandre I, no s�culo XII.

Rapidamente se tornou um pal�cio real de elei��o

e, nos 600 anos seguintes, cada gera��o fez novos muros, torre�es e edif�cios.

Stirling foi constru�do para ser inexpugn�vel.

Nos finais do s�culo XIII, foi testado pela primeira vez.

Em 1286, o rei Alexandre III morreu sem deixar um herdeiro.

A coroa da Esc�cia passou a ser disputada.

Catorze homens reclamaram o trono.

Assim, os escoceses convidaram o seu vizinho,

Eduardo I de Inglaterra, para mediar.

Foi uma m� escolha.

Em lugar de tentar ajudar,

Eduardo invadiu a Esc�cia e tentou conquist�-la.

A guerra que iniciou durou quase um s�culo e colheu dezenas de milhares de vidas.

Uma das suas batalhas mais famosas foi travada mesmo abaixo do castelo,

que estava ent�o em m�os inglesas.

Foi a Batalha da Ponte de Stirling.

Em 1296, Eduardo I desistiu da media��o

e decidiu passar � conquista total.

Enviou 6.000 homens para este lado do rio,

pois � espera do outro lado, no topo daquele monte,

estava um homem chamado William Wallace,

que a hist�ria, ou o cinema, recordou como Braveheart.

Wallace era um pequeno fidalgo desconhecido.

Por�m, sabia como lutar na Esc�cia e ganhar.

Usava t�ticas inteligentes e tirava partido da geografia local.

Nada mais indicado, pois no dia 11 de setembro de 1297,

o futuro de toda a Esc�cia dependia de Wallace

e de uma pequena for�a de homens leais que defendia a Ponte de Stirling.

Os ingleses eram um ex�rcito organizado com centenas de tropas montadas.

Os escoceses eram sobretudo infantaria.

Mas na manh� da batalha houve tr�s problemas.

Em primeiro lugar, a ponte era t�o estreita

que os ingleses s� a podiam cruzar dois a dois.

Em segundo lugar, a ponte situava-se numa faixa de terra estreita,

que formava uma ferradura sobre o rio,

e em terceiro lugar, William Wallace antecipou-se a atacar.

Havia quase 6.000 soldados ingleses,

mas s� alguns tinham cruzado a ponte quando Wallace atacou.

O ex�rcito ingl�s estava agora dividido entre as duas pontas da ponte.

Os escoceses abateram-se sobre a cavalaria que a cruzou

e come�aram a fustig�-los com as suas lan�as.

Depois, as coisas pioraram para os ingleses.

A terra sobre a qual marcharam era mole e lamacenta,

pelo que nada indicada para cavalos e cavaleiros pesadamente armados.

Os escoceses capturaram a testa de ponte

e dizimaram os ingleses, encurralados atr�s das suas linhas.

Os que tinham ficado do lado ingl�s, enfiaram a viola no saco e fugiram.

Um dos l�deres ingleses, Hugh de Cressingham, foi esfolado.

A sua pele foi dividida como um trof�u

e, supostamente, William Wallace usou alguma dela

para fazer um cinto para a sua espada.

Para os ingleses, foi uma desgra�a completa.

Perderam metade do seu ex�rcito

frente a uma for�a desorganizada de camponeses e amadores.

Abandonaram o castelo a Wallace.

Eduardo I fora humilhado

e iria vingar-se de forma terr�vel.

Passou anos a perseguir Wallace,

conseguindo traz�-lo at� Londres para ser enforcado, arrastado e esquartejado.

Entretanto, a guerra arrastava-se.

Em 1303, Eduardo lan�ou outra campanha militar

em dire��o ao cora��o da Esc�cia.

Desta vez, os escoceses ocupavam Stirling.

O rei ingl�s n�o queria apenas afast�-los de l�,

queria ensinar-lhes uma li��o que jamais pudessem esquecer.

Eduardo sabia que conquistar este castelo

era demasiado importante para delegar nos seus lacaios.

Ent�o, decidiu vir ele mesmo.

E decidiu trazer com ele

a maior e mais temida arma do mundo medieval.

No in�cio do s�culo XIV,

o Castelo de Stirling, a fortaleza mais robusta da Esc�cia,

estava prestes a defrontar a mais p�rfida m�quina militar

da hist�ria medieval.

O cerco come�ou no dia 21 de abril de 1304.

Dentro do castelo, estava William Oliphant e meia d�zia de homens,

mas no exterior

estava todo o poderio do ex�rcito de Eduardo I.

Os ingleses tinham 17 m�quinas de guerra,

incluindo uma maior do que qualquer outra alguma vez vista at� ent�o.

O castelo estava prestes a ser acometido.

Mas n�o eram s� t�ticas de choque e pavor,

tamb�m era um divertimento p�blico.

Era um evento com espetadores. Foram constru�das bancadas para eles.

Os aposentos da rainha tinham uma janela particularmente larga,

para que pudesse assistir aos acontecimentos.

E as m�quinas de guerra tinham alcunhas particulares,

como Lincoln, o Vig�rio, Segrave e Kingston,

mas a maior atra��o de todas era o War Wolf.

O War Wolf era a maior catapulta, ou trabuco,

alguma vez concebido.

Foi constru�do fora das paredes do castelo

e mobilizou 50 carpinteiros, levando pelo menos tr�s meses a ser conclu�do.

Em julho de 1304, o War Wolf estava pronto.

Era realmente um monstro.

No cerne do combate, esta seria uma vis�o aterradora.

Sinceramente, n�o consigo imaginar como deve ter sido.

Estar sob cerco, a ficar sem comida,

e, de repente, todas estas carro�as come�am a chegar

e come�am montar em frente ao castelo

Dr. Stuart Prior Arque�logo

-as grandes m�quinas de guerra. -Sim.

E saber que, dentro de dois ou tr�s dias,

o castelo iria ser fustigado incessantemente

por enormes bolas de pedra voando sobre os ares.

Deve ter sido aterrador.

Ent�o e o que se projeta, quer dizer, pedras, fogo?

O que sai daqui?

Ora bem, carca�as de animais, carca�as de animais doentes,

os restos mortais do inimigo...

Gente que sai do castelo � apanhada em surtidas

e decepada, sendo as cabe�as atiradas por cima da muralha,

muito frequentemente com bilhetes agarrados.

A outra coisa era o Fogo Grego,

que ningu�m sabe bem o que era, pois perdemos a receita,

resina de pinheiro, nafta, salitre.

Essencialmente, era algo que n�o parava de arder,

pelo que era, provavelmente, algo � base de petr�leo ou de alcatr�o,

que era pegajoso, flutuava

e se colava a tudo e n�o parava de arder.

Uma esp�cie de napalm medieval.

Sim, exatamente isso. � isso, exatamente,

colava-se a tudo e n�o parava de arder.

Uma vez que h� um inc�ndio num castelo,

� uma combina��o letal.

Quando a guarni��o viu esta besta a ser montada,

fez o que qualquer pessoa no seu perfeito ju�zo faria:

rendeu-se.

Mas Eduardo n�o estava para isso.

Ele tinha constru�do o seu brinquedo e queria us�-lo,

pelo que ordenou que ficassem no castelo at� que estivesse pronto para disparar.

O pessoal vai sair e assumir os freios.

Se precisarem de abrandar...

-Est� bem. -Falem com este pessoal aqui

e eles diminuir�o um pouco a press�o nos freios,

a m�quina abrandar� e voc�s ficam bem.

-Lembrem-se de andar depressa. -N�o parar de andar.

Continuem a andar e vai correr tudo bem.

-Altamente, estiloso. -Fixe.

Pessoal, est�o prontos?

Prontos!

"Reboladores", est�o prontos?

Pront�ssimos!

C� vamos.

� uma sensa��o estranha.

Os trabucos usam contrapesos enormes

para rodar um bra�o arremessador contendo um proj�til.

O processo de disparo requer muita gente para fazer de contrapeso.

Uma m�quina deste tamanho requer muita m�o de obra.

Fogo!

J� falta pouco?

-J� l� cheg�mos? -N�o, estamos a meio.

Ora bolas.

-Tudo bem? -Agora sei como se sentem os h�msteres.

J� estamos perto?

A chegar l�.

Preparar carga!

Est� viva.

-Fomos n�s que a fizemos. -Sim.

Quando se larga a caixa, ativa-se o bra�o e l� vai o proj�til.

Bem, pessoalmente devo ficar satisfeito em ver este a partir.

Carregar!

Fogo!

Fogo, de novo!

Meu Deus.

Um s� tiro do War Wolf

destruiu completamente o port�o do castelo.

Stirling estava de novo em m�os inglesas.

Mas a vit�ria durou pouco.

Tr�s anos depois, Eduardo morreu.

O seu desgra�ado filho, Eduardo II, tornou-se rei de Inglaterra.

E os escoceses voltaram � carga.

Reconquistaram quase todos os castelos.

S� Roxburgh, Edimburgo, Berwick e Stirling resistiram.

E se o lograram, devem-no a um dos mais famosos reis de toda a sua hist�ria,

Robert the Bruce.

Bruce era um soldado forte e astuto.

Na primavera de 1314,

ele enviou o seu irm�o para p�r cerco ao Castelo de Stirling

e expulsar os ingleses.

Em junho, Eduardo II marchou para norte com um ex�rcito, para socorrer o castelo.

Em 22 de junho, Eduardo estava a apenas 24 km de Falkirk

e parecia que nada o iria impedir

de socorrer o Castelo de Stirling.

Apenas uma coisa se lhe deparou no caminho:

Bannockburn.

A Batalha de Bannockburn foi travada com o Castelo de Stirling � vista,

num solo pantanoso perto do Rio Forth.

Foi o combate mais famoso da Guerra da Independ�ncia da Esc�cia,

e � um dos momentos mais celebrados de toda a hist�ria escocesa.

De um lado, um ex�rcito escoc�s de umas 6.000 tropas de infantaria e 500 montadas,

sob o comando de Robert the Bruce.

Do outro, 15.000 tropas de infantaria inglesas e mais de 2.000 tropas a cavalo.

O �nico resultado poss�vel parecia ser uma vit�ria esmagadora dos invasores.

Para suster a cavalaria inglesa, Bruce dividiu as tropas em schiltrons.

Estes eram grupos muito compactos brandindo lan�as

e virtualmente impregn�veis a uma investida a cavalo.

Os ingleses ca�ram na armadilha deles.

Acometeram os schiltrons

e os seus cavaleiros foram perfurados pelas lan�as escocesas.

Incapazes de manter a forma��o, separaram-se e fugiram.

Os ingleses n�o foram s� derrotados, foram esmagados, humilhados.

Os seus cavaleiros foram perfurados pelas lan�as escocesas

e outros foram atropelados mortalmente, literalmente num rio de sangue.

No meio de todo este caos e de toda esta carnificina,

o rei ingl�s Eduardo II virou costas e fugiu.

E quando Robert the Bruce se apoderou do castelo,

fez o que sempre fazia.

Destruiu-o,

para que n�o pudesse tornar a ser �til ao inimigo.

Hoje, Bruce tem uma est�tua ao largo de Stirling,

mas quando acabou com o castelo em 1314,

as suas torres e defesas foram derrubadas e os edif�cios queimados.

Durante mais de 20 anos,

esta majestosa fortaleza foi uma concha inerme.

Mas o grande guardi�o de pedra da Esc�cia voltaria a erguer-se.

E de dentro das suas paredes,

sairia uma das figuras mais perigosas da hist�ria brit�nica.

N�o um guerreiro, mas uma mulher.

O nome dela era Maria, Rainha dos Escoceses.

Nos finais do s�culo XIV, o Castelo de Stirling era uma ru�na.

Havia sobrevivido a ataques de ex�rcitos ingleses,

mas um rei escoc�s, Robert the Bruce, queimara-o inteiramente.

Por�m, o castelo n�o tardou em voltar � vida.

Os seus patronos foram a fam�lia Stuart,

uma linhagem de reis que surgiu para reger a Esc�cia

e toda a Gr�-Bretanha.

JAIME IV - 1488

Hoje, as partes mais antigas do Castelo de Stirling

datam da d�cada de 1380, quando os Stuarts o detiveram pela primeira vez.

A fam�lia reparou e refor�ou os port�es norte e sul.

Constru�ram uma capela real e redesenharam os jardins.

Por�m, se o castelo estava a come�ar a ficar mais bonito,

tinha ainda um lado sombrio.

Estes novos reis da Esc�cia tamb�m usaram Stirling

como local onde tratavam do seu trabalho sujo.

Os primeiros Stuarts eram uma trupe brutal e violenta.

Jaime I mandou executar muitos dos primos fora destas paredes.

Jaime II esfaqueou o Conde de Douglas at� � morte

e atirou o corpo dele de uma daquelas janelas.

E Jaime III era t�o d�bil, pregui�oso e irrespons�vel,

que o seu pr�prio filho foi implicado na sua morte na Batalha de Sauchieburn.

Esse filho era Jaime IV.

Jaime � tido na hist�ria da Esc�cia como o primeiro rei renascentista.

Era piedoso, culto, educado, criativo

e falava pelo menos oito l�nguas.

Foi o primeiro Stuart mais interessado em arte e em estudar

do que em tratar de assassinar os seus parentes.

Ainda assim, tinha algumas companhias peculiares.

Sob o seu reinado,

o Castelo de Stirling alojou alguns dos mais extraordin�rios

e exc�ntricos personagens da Europa.

O reinado de Jaime pode ter come�ado com rebeli�es e intrigas,

mas em breve floresceu, quando trouxe

o melhor do Renascimento europeu para a Esc�cia.

Erigiu o Great Hall aqui em Stirling,

cheio de artistas, poetas, compositores,

cientistas, m�dicos, diplomatas,

amantes

e, melhor que tudo, o seu alquimista pessoal.

O objetivo do alquimista era simples,

descobrir o m�tico quinto elemento, ou quintess�ncia,

e transformar qualquer metal em ouro.

O alquimista de Jaime era um homem chamado John Damian,

que veio da Europa para a Esc�cia alegando ser m�dico.

Os registos descrevem-no como o sanguessuga franc�s,

porque ele usava sanguessugas para sangrar as pessoas numa esp�cie de cirurgias.

O problema � que n�o tinha muito jeito.

De acordo com os registos:

"Na arte das sanguessugas, ele era um homicida."

Ent�o, ele reinventou-se como alquimista

e persuadiu Jaime a patrocinar-lhe os fornos aqui no Castelo de Stirling.

E, claramente, a alquimia n�o ficava barata.

Os livros de contas reais da �poca d�o-nos uma ideia impressionante

do funcionamento do laborat�rio de Damian.

Come�aremos pelas roupas dele.

Usa uma bata de damasco forrada com pele de ovelha,

meias vermelhas, cal�as de veludo, uma capa e um chap�u.

Por outras palavras, parecia um feiticeiro.

Com uma lista de ingredientes not�vel:

Ouro-pigmento

carv�o e madeira para os seus fornos, estanho, prata, sal.

Aqua vitae, um composto qu�mico escoc�s mais conhecido como u�sque,

e, obviamente, moedas de ouro, para dar in�cio � po��o.

Manuscritos da �poca afirmam que ele precisava de uma quantidade de vinho bom,

que seria destilado diversas vezes nas fornalhas.

Ent�o, basicamente, ele est� a produzir �lcool muito forte e puro,

que remontaria a primavera da vida

e colocaria o rei e John Damian num estado

de elevad�ssima glorifica��o.

Os registos tamb�m mostram Damian a ganhar dinheiro ao rei a jogar cartas e dados.

Estimo que era uma esp�cie de vigarista.

Mas tamb�m era um entertainer.

Damian mantinha a corte entretida

com as suas grandes e p�blicas experi�ncias cient�ficas.

A mais famosa e a mais rid�cula de todas elas

foi literalmente lan�ada das muralhas do castelo.

Segundo a est�ria, e friso a "est�ria", em setembro de 1507

ele anunciou � corte de Jaime IV

que iria voar do Castelo de Stirling at� Fran�a.

-At� Fran�a? -At� Fran�a.

-� um grande voo. -� uma boa dist�ncia.

Mas ele estava preparado.

Mandou fazer asas, feitas com penas, um featherim, como se dizia na Esc�cia.

Claro que, quando saltou, n�o seguiu em diante,

seguiu para baixo.

Mas teve sorte, pois aterrou numa midden e teve uma aterragem suave.

O que � uma midden?

Uma midden, mais uma bela palavra escocesa.

Uma midden �, essencialmente, uma estrumeira,

todos os efluentes do castelo, todo o desperd�cio da cozinha,

� tudo atirado das muralhas para a midden, a estrumeira.

E foi a� que se diz que John Damian aterrou.

-Suave, pelo menos. -Uma aterragem suave poupou-lhe a vida.

Embora agradasse a Jaime IV fazer as vontades a homens como Damian,

ele tamb�m fez do Castelo de Stirling um bom uso pol�tico.

A mais inteligente jogada de Jaime ter� sido

garantir uma alian�a com Inglaterra ao casar com Margarida Tudor,

filha de Henrique VII e irm� de Henrique VIII.

Ele veio para norte em 1503, com propriedades,

um grande dote e a promessa de paz eterna.

Mas o que ningu�m poderia saber � que, em tr�s gera��es,

este casamento poria um rei Stuart escoc�s no trono de Inglaterra.

Margarida deu � luz pelo menos um dos seus seis filhos no Castelo de Stirling.

E, em 1513,

depois de Jaime IV morrer a combater os ingleses na Batalha de Flodden,

o filho de 17 meses de Margarida foi coroado como rei Jaime V na capela real.

Quando Jaime V cresceu, continuou a desenvolver o castelo

de uma forma algo invulgar.

� esquerda do port�o

e formando o lado sul do Inner Close, fica o Pal�cio Real.

� um dos edif�cios arquitetonicamente mais impressionantes de toda a Esc�cia.

Na verdade, n�o destoaria em Versalhes.

E h� uma raz�o para isso.

A segunda esposa de Jaime V era Maria de Guise,

uma francesa que havia recusado ser a quarta esposa de Henrique VIII,

dizendo: "Posso ser larga de formas, mas o meu pesco�o � pequeno."

Juntamente com Jaime, Maria criou este Pal�cio Real.

� um s�mbolo da cultura francesa no meio da Esc�cia.

Mesmo hoje em dia, � um dos melhores edif�cios renascentistas na Gr�-Bretanha.

Por dentro, o pal�cio est� dividido em dois opulentos apartamentos,

com as suas pr�prias alcovas e salas de entrada,

uma para o rei e a outra para a rainha.

Mais not�vel ainda, por�m, � o teto da C�mara do Rei,

decorada com retratos gravados em carvalho e conhecidos como as Stirling Heads.

Retratam figuras m�ticas, imperadores de antanho e reis escoceses.

Destes, como os Stuarts iriam demonstrar, n�o havia falta.

Os reis escoceses tinham o mau h�bito de morrer jovens

e de deixar crian�as como herdeiros.

Jaime IV tinha 15 anos quando herdou a coroa.

Jaime V tinha apenas 16 meses.

Quando Jaime V morreu,

deixou uma filha com seis dias como sua herdeira,

uma mi�da que cresceria para, um dia, ser a conhecida Maria, Rainha dos Escoceses.

JAIME IV - 1488-1513

MARIA, RAINHA DOS ESCOCESES 1542-1567

Desde o minuto em que nasceu,

Maria foi uma das figuras mais divisivas de toda a hist�ria brit�nica.

Ela era talentosa, atraente, inteligente

e estava condenada.

A hist�ria de vida dela � uma das maiores trag�dias rom�nticas da hist�ria.

E come�ou no Castelo de Stirling.

Maria foi coroada aqui em Stirling quando tinha apenas nove meses,

mas em Inglaterra Henrique VIII j� a tinha debaixo de olho,

planeando cas�-la com o seu filho

e criar assim uma uni�o din�stica entre os dois pa�ses.

A m�e de Maria, Maria de Guise,

era visceralmente contr�ria a um casamento ingl�s para a filha.

Ela sabia que tal daria cabo de uma alian�a de 300 anos

entre a Esc�cia e a sua Fran�a natal.

Mas trancar a princesa em castelos como o de Stirling,

de modo a n�o poder ser apanhada e levada para Inglaterra,

s� serviu para irritar Henrique VIII.

Ele ordenou uma s�rie de raides militares brutais � Esc�cia

para os for�ar a abrir m�o da princesa.

Tal ficou conhecido como o Rough Wooing.

Para sua seguran�a, Maria foi acompanhada at� Fran�a quando tinha cinco anos.

N�o voltaria durante 13 anos.

Ent�o, tanto Henrique VIII como o filho estavam mortos.

E Maria tinha casado com o rei de Fran�a.

Todavia, em agosto de 1561, ela voltou � sua terra natal.

Porque voltou Maria a casa?

Em 1560, o seu marido morrera

e ela tinha sido afastada da pol�tica francesa.

Por�m, mais importante foi que, dois anos antes,

a prima de Maria, Isabel, tornara-se rainha de Inglaterra.

Esta era a grande oportunidade de Maria.

Em virtude de sua av�, Margarida, ela tinha sangue Tudor nas veias.

Ela tinha sido rainha de Fran�a.

Ela ainda era rainha dos Escoceses.

Ora tamb�m queria ser a herdeira leg�tima da coroa de Inglaterra, de Isabel.

Maria era ambiciosa

e tinha in�meros apoiantes.

Para muitos cat�licos ingleses,

Isabel era a filha bastarda, her�tica e protestante de Ana Bolena.

E Maria era a leg�tima rainha de Inglaterra.

Aos 18 anos, Maria voltava assim a Stirling, � Esc�cia e ao seu destino.

Isabel n�o ficou propriamente entusiasmada.

Ela recusou reconhecer Maria ou quem quer que fosse como herdeiro leg�timo.

E em breve, Maria tinha os seus pr�prios problemas na Esc�cia.

Em 1565, Maria casou com o seu primo, Henry Stuart, Lorde Darnley.

Ele era um alco�lico violento e desordeiro

que mandou esfaquear a secret�ria privada de Maria, at� � morte, � frente desta.

Mas Darnley tamb�m engravidou Maria.

A dinastia Stuart continuaria por mais uma gera��o.

Quando Maria teve a crian�a, era um rapaz, um herdeiro.

Obviamente, chamaram-lhe Jaime e fizeram-no batizar aqui em Stirling.

Houve festejos, fogueiras e fogo de artif�cio por toda a Esc�cia,

mas tamb�m houve problemas.

A madrinha da crian�a era Isabel I de Inglaterra,

mas os seus representantes permaneceram fora da capela

como protesto face � cerim�nia cat�lica.

Como adulto, o filho de Maria iria unir toda a Gr�-Bretanha sob o seu dom�nio.

Mas este beb� Stuart teve o pior in�cio de vida poss�vel.

Ambos os seus pais morreriam cedo.

Um na pris�o, o outro assassinado.

Jaime VI da Esc�cia cresceu na sumptuosa envolvente do Castelo de Stirling.

Mas ele tinha dois grandes problemas: os seus pais.

O seu pai, Lorde Darnley, recusara-se a ir ao crisma do seu filho Jaime

na capela real de Stirling, em dezembro de 1566.

Pouco depois, contraiu s�filis e deixou o castelo.

Partiu para uma casa nas redondezas de Edimburgo.

Semanas depois, estava morto.

A casa onde estava foi mandada pelos ares com p�lvora

e o corpo nu de Darnley foi encontrado no jardim,

tendo esta cena deprimente sido retratada nesta obra contempor�nea.

Embora n�o houvesse sinais de viol�ncia no cad�ver de Darnley,

todos os dedos apontavam para homens da corte da rainha.

Os principais suspeitos eram do c�rculo de lordes leais a Maria,

incluindo o Conde de Bothwell, que se dizia ser seu amante.

Bothwell foi ilibado, mas passados tr�s meses Maria casava com ele.

Cartazes na rua retratavam Maria como uma sereia, s�mbolo de uma prostituta.

Ela foi for�ada a abdicar,

deixando o seu filho de um ano como rei Jaime VI da Esc�cia.

Pouco mais de uma semana depois de Maria, Rainha dos Escoceses, abdicar,

Jaime foi coroado rei na igreja paroquial de Stirling.

Tinha 13 meses de idade.

No ano seguinte, Maria foi para a Esc�cia, acossada pelos seus inimigos pol�ticos.

Rumou a sul e entregou-se � miseric�rdia de sua prima,

Isabel I de Inglaterra.

Mas em lugar de ajudar Maria a regressar ao trono da Esc�cia,

Isabel p�-la na pris�o.

Ela permaneceu l� cerca de 20 anos,

at� ser decapitada por conspirar contra a rainha de Inglaterra, em 1587.

Jaime VI n�o teve o melhor in�cio de vida.

Afinal, o pai dele tinha sido assassinado,

a m�e dele tinha sido apodada de meretriz e for�ada a abdicar.

Na verdade, toda a sua hist�ria de fam�lia foram trai��es, punhaladas e homic�dios.

D� que pensar, que hip�teses tinha este pobre mi�do?

A educa��o que Jaime recebeu em Stirling

era um assunto de extrema import�ncia pol�tica.

As suas posi��es quanto a temas como a reforma religiosa

iriam moldar o futuro da Esc�cia.

Ao contr�rio da sua m�e cat�lica,

Jaime foi criado como membro da Igreja Protestante da Esc�cia.

Ele foi educado por tutores nomeados pelo Conselho Privado.

Estes haviam inclu�do o respeitado professor humanista, George Buchanan.

Esta � a sala de aula onde Jaime VI

teve as suas li��es com o seu tutor George Buchanan.

Jaime era muito bom aluno. Aprendeu Hist�ria, Ret�rica,

Matem�tica, L�nguas e Estrat�gia Militar.

O que � mais, Buchanan tentou ensinar a Jaime

os seus deveres e responsabilidades como monarca constitucional.

E tamb�m n�o tinha medo de fazer o jovem rei aprender � for�a.

A educa��o de Jaime VI iria marc�-lo.

Este foi o rei que comissionou a King James Bible

e escreveu os seus pr�prios tratados sobre a realeza.

Mas foi a sua linhagem que verdadeiramente mudou a sua vida.

Isabel I passara grande parte do seu reinado

a tentar manter a prima, Maria, Rainha dos Escoceses,

afastada do seu trono.

Por�m, quando Isabel morreu em 1603, s� havia um herdeiro:

o filho de Maria, Jaime VI da Esc�cia,

que ent�o se tornava Jaime I de Inglaterra e tamb�m da Irlanda.

Ele deixou Stirling e s� voltou � Esc�cia uma vez na sua vida.

Quando Jaime partiu para a Inglaterra para assumir a sua nova coroa,

levou a sua fam�lia com ele.

O uso de Stirling como resid�ncia real diminuiu.

J� n�o era um pal�cio florescente, cheio do fumo de alquimistas

ou das vozes de jovens pr�ncipes na sala de aula.

Cento e cinquenta anos depois, Stirling estava uma l�stima.

O grande poeta escoc�s, Robbie Burns, veio a Stirling em 1787.

E viu o terr�vel estado no qual estava o castelo, com o telhado do pal�cio ca�do.

Burns costumava ter uma caneta com ponta de diamante,

que usava para gravar mensagens e versos sobre vidro.

Enquanto esteve aqui, gravou um poema na janela

que dizia: "Aqui em tempos reinaram os Stuarts triunfantes

"E as leis da Esc�cia foram ordenadas,

"Mas agora

"destelhado,

"eis o pal�cio deles,

"O seu cetro levado por outras m�os."

Mas tal n�o caiu muito bem junto da comunidade local,

pelo que, mais tarde, Burns voltou e esmagou a vidra�a.

Se Burns voltasse c� hoje, talvez ficasse agradavelmente surpreendido.

N�o s� Stirling tem um telhado,

como foi completamente restaurado � gl�ria da sua era dourada sob os Stuarts.

Novecentos anos depois da sua funda��o,

o Castelo de Stirling continua a ser um monumento �nico

para a hist�ria dos dois reinos que tanto dividiu como juntou.

Com nomes como William Wallace, Maria, Rainha dos Escoceses e Robert the Bruce,

Stirling �, decerto, um castelo muito escoc�s,

mas tamb�m � um castelo muito brit�nico.

Este � o pal�cio que educou Jaime VI,

o primeiro homem a reclamar as coroas de Inglaterra, Esc�cia e Irlanda.

E, melhor do que tudo, � um castelo vivo, n�o uma ru�na.

T�o s�lido e indestrut�vel como a rocha escarpada onde se eleva.

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