All language subtitles for Cross Creek (1983) WEBRip Oldies

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Original subtitles

RETRATOS DE UMA REALIDADE

- Minha aut�ntica maturidade, come�ou a manifestar-se em Nova York...

em 1928.

Estava casada com Charles Rawlings,

Jornalista e apaixonado por barcos.

Eu estava empenhada em escrever hist�rias...

que achava que teriam maior probabilidade de serem vendidas.

As hist�rias rom�nticas estavam em moda.

Eu escrevi dezenas delas

Era uma forma de expressar-me.

Desde menina, tinham me colocado o desejo de ser escritora.

- Marjorie?

- Ol�, Charles.

Max, recusou meu romance.

- Max Perkins, n�o � o �nico editor do mundo.

- Eu sei.

- Para mim seu romance me pareceu �timo.

- Talvez fosse muito pretenciosa.

- Vamos dar um passeio de carro?

Uma excurs�o.

- Acho que por muitos dias n�o estarei para excurs�es

Tenho muitas coisas para fazer, Charles.

- S�o t�o importantes?

- N�o acho que devemos discutir isso agora.

- Por que?

- Bom... imagino que voltar�amos a brigar.

- Foi voc� quem comprou esse laranjal.

Como vai comprar algo comprar sem ver?

N�o me consultou.

N�o pensou em mim nem por um momento!

S� o que te importa � voc� e seu desejo de escrever o grande romance americano.

S�rio que me imagina...

morando num vilarejo perdido cultivando laranjas?

Essa � sua vis�o de uma artista?

N�o sou crian�a. Isso � uma aventura absurda.

Bom...

pega sua m�quina de escrever e vai para Cross Creek.

Mas n�o espere que participe dessa loucura.

- Charles!

Voc� � meu marido.

- E te amo, Marjorie.

- N�o mudar� de ideia?

- N�o.

- Depois de morar tantos anos na cidade...

sabia que n�o seria f�cil adaptar-me naquele lugarzinho da Florida.

- Perd�o...

tem algum taxi por aqui?

- Va no hotel.

- Obrigada. - Pergunte por Norton Baskin.

Lembre-se, Norton. Ele te ajudar�.

- Senhor Baskin?

Estou procurando um taxi.

Tenho que ir para Cross Creek, preciso chegar l�.

Me disseram que voc� me arrumaria um taxi.

- Isso n�o � f�cil. Se espera um segundo, eu a levarei.

- N�o.

- Sinto muito pelo seu carro.

Acho que n�o tem conserto

Muito ruim.

Acho que deve ir pensando em comprar outro.

Um carro azul claro Ihe iria bem.

- N�o concordo.

- Bem, se prefere azul escuro...

- N�o, eu n�o preciso de um carro.

- Se voc� diz...

- Gosto de andar. - Oh, mais saud�vel!

- Penso andar muito. - Com esses sapatinhos?

N�o chegaria muito longe com eles.

- Dou um jeito.

- � esquerda, est� a destilaria de Tim.

E l� o lago Orange.

Tem boa pesca. Se n�o Ihe assustam os crocodilos.

� escritora, eh?

O que escreve?

- Estou preparando um romance.

- Cuidado agora.

Est� bem? - Sim, obrigada.

Escreve hist�rias de amor?

- Neste caso, barroca.

- Barroca?

Confesso que n�o sei o que � isso.

- � um estilo liter�rio.

Um romance barroco sempre tem um castelo como cen�rio.

Uma madrasta e uma donzela em apuros.

- Como voc�.

Aqui tem poucos intelectuais com quem falar.

Estar� muito s�.

- Vim trabalhar. N�o conversar.

- Bem... isso � Cross Creek.

- Quantas pessoas moram em Cross Creek?

- Vamos ver...

mais ou menos...

uma d�zia de fam�lias.

Tem que ser um pouco louco para morar no Creek.

E n�o leve a mal.

nisso n�o me meto.

Se um mulher de bem, como voc�...

se enfia num lugar t�o in�spito, isso...

� assunto seu.

A� est�.

Sua casa nova.

� uma aut�ntica ruina.

Acho que agora...

vai querer que a leve de novo � cidade.

- N�o, n�o ser� preciso. Obrigada. - Permita-me.

- Quanto devo?

- Nada.

- � absurdo! Voc� deve me cobrar a viagem.

- N�o � t�o absurdo.

� uma futura cliente.

Quando passar uma noite aqui...

vai querer se mudar para um hotel.

Mas... n�o se preocupe.

Reservarei um quarto.

- N�o precisarei.

- Tenha cuidado.

Pode cair a qualquer momento.

Virei v�-la amanh�.

- N�o me acontecer� nada, senhor Baskin.

- Claro que n�o! Mesmo assim, virei.

- Estarei trabalhando.

- Permita-me que insista.

- Senhor Baskin... - Trarei o resto de sua bagagem.

Foi um prazer conhece-la.

Nos meus planos estava viver das colheitas.

Mas as laranjas... precisam muito tempo de cuidados.

E como tinha pedido o div�rcio...

n�o queria aceitar dinheiro de Charles.

- Ouvi que est� procurando uma menina.

Aceite-me!

Eu preciso esse trabalho.

- Mas... n�o posso pagar muito.

- Umas moedas � melhor que nada.

Tenho que trabalhar.

Preciso de dinheiro!

- N�o acho que vai gostar de morar aqui, t�o longe da cidade.

- Bem, a cidade n�o me interessa.

Veja... sou sozinha.

Nem sequer tenho namorado.

Nenhum homem � minha volta.

Acho que isso n�o � para voc�.

- Se n�o Ihe agrado pode me mandar embora senhorita.

Este piso est� cheio de p�.

A sujeira n�o � nada boa.

Estarei aqui amanh�. Tenho que ir pegar minhas coisas.

- Espera! Eu n�o sei nada de voc�.

N�o sei quem �, nem como se chama.

- Me chamo Geechee.

E n�o precisa saber nada m�s.

- Me chamo Marsh Turner.

- Esta � minha filha Ellie.

- Ol�.

- S� tem isso para dizer?

- Prazer em conhec�-la.

- Sou Marjorie Rawlings.

- Prazer.

Quer�amos saber se passou bem � noite, senhora.

- Sim, muito obrigada. - Algum problema?

- N�o, nenhum.

- As pessoas da cidade ouvem coisas diferente � noite.

Ursos... crocodilos...

- Dormi como uma pedra, obrigada.

- Que desastre!

Precisa de uma m�o de pintura.

- � exatamente o que penso fazer.

- Vai pintar voc� mesma?

- Sim.

- Ora! O teto n�o parece muito seguro.

- Bem...

terei que arrum�-lo tamb�m.

- � uma mulher muito empreendedora.

Se vai arrumar o teto e cai...

quebra uma perna, d� um grito e viremos ajud�-la.

Para isso s�o os vizinhos.

Bom dia, senhora.

Um pouco de salvia e raiz de l�rio, s�o m�os de Santo.

Sinto t�-la assustado.

Era uma cobra...

venenosa.

- Onde ponho minhas coisas, senhorita?

- No quarto que tem detr�s da cozinha.

- � uma pena. Faz muito tempo que est� abandonado.

- Sim, certo. - Mas n�s arrumaremos!

- N�o estou certa de que d� resultado.

Veja, sou escritora e preciso estar s�.

- Ningu�m Ihe incomodar�. N�o se preocupe.

Quando trabalho fica dif�cil concentrar-me...

se tem gente envolta. - Voc� escreve, eu me encarrego da casa.

- Est� bem.

Tentaremos. Ou�a...

tanto faz se caia o telhado.

N�o quero que me incomodem...

a menos que seja um assunto de vida ou morte.

Est� claro? - Sim, senhorita.

Senhorita Rawlings...

quer biscoitos para o caf� ou s� um peda�o de p�o?

- Biscoitos.

O que � isso?

Bom dia. - Ol�.

- � lindo, Ellie.

- Meu pai diz que coloque isso para a urticaria.

- Obrigada.

- Minha m�e organizar� no s�bado a festa da Libra.

Ela gostaria muito que voc� viesse..

- Ser� um prazer.

O que � a festa da Libra?

- Todos trazem uma Libra de algo.

A��car, farinha ou bolo.

Um bolo, estaria bem.

Voc� sabe como fazer? - Sim!

Como se chama?

- Chamo ele de Bandeira.

Pelo seu rabo levantado.

� igual uma bandeira. - � um nome bem apropriado.

- Meu pai, n�o quer que tenha animais.

Bandeira, � muito inteligente.

At�... conhece seu nome.

Gosta dele.

- Teu pai, por que n�o quer que tenha animais?

Temos pouco leite.

Mas eu n�o preciso.

Dou para o Bandeira.

- Vai � escola? - Minha m�e nos ensina a ler.

Eu tenho uma boa pontaria.

- Sente-se muito s�?

- Antes sim. Mas agora tenho o Bandeira.

No s�bado virei busc�-la.

- Est� bem.

- Tem algu�m?

Tem algu�m?

- A senhorita Rawlings, est� trabalhando.

- Oh, oras!

- Quer dar um passeio?

- Agora n�o posso.

- Pensei que gostaria de experimentar um carro.

- Senhor Baskin, agora n�o tenho tempo para brincadeiras.

- Bom, pensei que seria bom ter um carro.

� uma boa caminhada at� a cidade...

e trouxe um bom para que veja.

- N�o posso pagar um carro.

- Este sim pode pag�-lo

Coloque os sapatos e d� uma olhada.

Bom, n�o � o que se diz, um carro de luxo...

de modo que se vem tal como est�, n�o acontece nada.

- Posso aproveitar para limpar? - Sim, obrigada.

- E se quer vestir-se para ir ao campo...

e levar uma boa cesta de lanches, muito melhor.

Por favor, n�o o despreze antes de ver.

- Senhor Baskin... - N�o. Tom, por favor.

- ... agrade�o muito, mas um carro � um luxo para mim.

Se voc� me perdoa...

- N�o senhora. Por enquanto, n�o perdoo voc�.

Compreendo que voc� � nova aqui...

e que est� nervosa e confusa.

E tamb�m � muito cabe�a dura. Eu n�o pretendo te vender um carro.

Estive pensando, e fui claro.

Voc� est� muito s�.

- J� sou grande para cuidar-me.

- Que saiba ou n�o cuidar-se, � assunto seu.

Mas aqui est� isolada. Sem nenhum meio de transporte.

N�o me compete, mas arrumei e trouxe seu carro.

- N�o funciona.

- Agora, sim.

- E...

quanto Ihe devo?

- Trouxe como um presente.

E se a ofende... Sinto muito.

Mas que fique claro, que n�o vim tirar-Ihe nada.

- Norton?

Quer uma xicara de caf�?

Meu Deus!

Parece novo!

- S� precisava era um pouco de carinho.

- Gostaria de pagar-Ihe tudo o que gastou.

- N�o achava que escritores fossem t�o teimosos.

- Trato feito.

- Bom, agora que fizemos neg�cio juntos...

quero pedir-Ihe um favor.

- Por que n�o me leva � cidade de carro?

- A festa me permitiu ausentar-me do trabalho

Tinha vontade de voltar a ver Ellie.

Estava a ponto de tornar-se em uma mulher.

E apegada ao seu cervo...

como se fosse o �ltimo de seus brinquedos infantis.

- M�e, a senhorita Rawlings.

- Fico contente que tenha vindo.

Os outros convidados chegar�o um pouco mais tarde.

- Isso � para voc�.

- Obrigada, muito gentil.

Por favor, sente-se.

Evitar� que os mosquitos incomodem.

Tem cheiro de tempestade.

Os meninos estavam colhendo amoras.

Tinha um grande matagal.

Porem os porcos de meu marido comeram...

e n�o sobrou nada.

Eu gosto de colher amoras.

Floyd...

toca algo para a senhorita Rawlings.

Mary?

Floyd, fala com os animais.

Eles vem cumpriment�-lo todas as manhas.

Mary dan�ou? - N�o mam�e.

Mary.

- Espero que os convidados n�o nos deixem sentados.

Ellie? Preston?

Veja o que preparamos. - Sim mam�e.

- Obrigada.

- � muito bonito e me ama.

- A mim tamb�m. - Olha, quer mais.

- Como vai tudo?

- Muito bem papai. - Ol�, papai!

- Ol�, senhorita Rawlings!

Trouxe uma boa pe�a, n�o?

Porque n�o prende, detr�s da casa?

- � muito pequeno, papai.

E se Ihe ataca um gato mont�s?

- O bolo est� �timo.

- Anda.

- Te guardei um peda�o.

- Obedece.

- Deixa que fique s�... por uma noite.

- Teria que ficar no bosque, voc� sabe.

- Sim, senhor.

- Mas como � um dia especial, pode deix�-lo aqui.

- Obrigado, papai!

- Estamos passando muito bem.

Os outros n�o vir�o por causa da tempestade.

Foi uma conversa deliciosa, n�o?

- Sim.

- Mandarei Mary com alguns vizinhos.

- Acompanharei a senhora � casa.

- Uma festa maravilhosa, obrigada.

- Foi um prazer.

- Adeus.

- Lembre, com a pontinha da manga.

E costure de forma que n�o se veja a costura.

- Veio de visita.

A um dos bailes locais. N�o podia tirar os olhos dela.

Deveria deix�-la em paz.

- Lhe mandar� roupa para remendar. Vestidos velhos.

- A verdade � que...

n�o tenho muito... - � uma boa mulher, n�o a leve em conta.

Ela n�o aceita a realidade.

Vive em um mundo muito particular.

Cross Creek, � muito duro para as mulheres m�s...

- Eu n�o tenho medo da realidade.

- Bem, isso est� muito bem!

E espero que v� em frente.

Aqui, n�s nos arrumamos como podemos.

Quem gosta disso...

fica at� morrer. Os que n�o, v�o embora.

- Se perdeu?

- Estamos no Rio Speak.

- Mas eu moro em Cross Creek.

- Calma. Vou lev�-la l�, senhora.

Quero que conhe�a algu�m.

Aqui tem muitos crocodilos.

N�o queria perde-la.

Nem sequer teme os crocodilos, n�o �?

Alguma vez te morderam?

- N�o recentemente.

- V� com cuidado.

N�o quero ter que pesc�-la.

Este � o jovem Paul. O chamamos de Pat�n.

A senhora, est� procurando um bom trabalhador.

- Poderia come�ar na segunda.

- Bom, neste momento n�o posso pagar... - Vale a pena, � muito bom.

Assim ter� mais tempo para escrever.

Uma boa por��o, Pat�n.

- Est� bem. - Fant�stico!

� um bom rapaz.

N�o quer provar um pouco?

- Obrigada. - � sua sa�de.

- Como voc� sabe que sou escritora?

- Em Cross Creek n�o s� me rodeiam os gatos monteses.

- Acho que eu n�o apito nada na hora de empregar pessoas.

- Assim s�o as coisas por aqui, senhora.

Vamos.

- Quero escrever ao menos oito horas di�rias.

Por isso resolvi empregar a teu amigo Paul.

- Os ianques, sempre tem a �ltima palavra, eh?

Bom, se fica levo voc� a ca�ar crocodilos.

- Penso ficar, senhor Turner.

- Senhora!

Essa cama pode Ihe parecer horr�vel.

Mas se quiser... � sua.

� linda, Marsh.

Est� no celeiro a mais de 50 anos.

Gosta?

Eu achoo...

que as coisas devem ser usadas...

e bem usadas.

Voc� � a dona de um pr�spero laranjal...

e acho que a merece.

Esperei muitos anos a pessoa indicada.

esses espinafres est�o doentes.

Mate os bichos.

Voc� ficar� aqui e mostrar� como se faz, n�o � Ellie, pequena?

O que voc� acha? De quem � esse carro t�o bonito?

- Norton me...

O senhor Baskin me trouxe.

� meu, ele arrumou. - N�o se preocupe, senhora.

N�o tem que dar-me explica��es.

Ora, ora.

Pintou a casa. Plantou espinafres...

Comprou uma mula...

e arrumou o carro.

Est� criando ra�zes.

Acho que a levaremos para ca�ar crocodilos, logo.

- Obrigada.

- Come�aremos com algo f�cil. Um urso, por exemplo.

- Um urso?

- J� sabemos, � sua.

- Marsh Turner e sua fam�lia...

n�o pareciam a nenhum de meus antigos amigos.

Me sentia fascinada por eles.

Por sua casa rustica e por seus filhos.

Me preguntava se como eles...

eu encontraria paz neste lugar.

Paul, cuidava de meu laranjal...

e Geechee cuidava da casa.

Az vezes, ao longe...

no P�ntano ouvia o ru�do dos ciprestes.

Aprendi que o laranjal requeria muitos cuidados...

e que sobre tudo, devia estar salvo de uma geada inesperada.

Agora, podia concentrar-me no meu trabalho.

Mas cada palavra, era uma luta.

as frases, os par�grafos... uma tortura.

J� estava aqui h� algum tempo, e meu romance n�o estava nem sequer na metade.

O dinheiro estava acabando.

- Malditos porcos!

Fora, fora!

Saiam daqui, porcos!

- Boa tarde, senhora.

- Porcos, porcos! S�o uns porcos!

- Senhor Turner, seus porcos comem minhas flores.

- Sim, vejo que est�o te incomodando.

Se voltem a incomodar, senhora...

fique com eles.

- Est� contente comigo?

- Sim.

- Confia em mim?

- Sim.

- Tenho que te dizer uma coisa.

Te enganei.

Estas cartas s�o de meu namorado.

Leia.

"Minha doce Geechee".

- � muito carinhoso.

- "Tenho que sair daqui, n�o aguento mais.

Se me conseguisse um emprego, me soltariam. "

- Est� preso na cadeia.

Voc� poderia tir�-lo.

Escreva-Ihes uma carta, e diga que tem um trabalho para ele.

- Mas aqui diz, 20 anos por homic�dio.

- Ele n�o fez nada.

O outro o estava esperando.

Atacou Leroy, e come�ou a bater.

Leroy � muito forte. Deu um soco e o derrubou

Voc�, precisa outro homem para que te ajudem.

- Geechee...

n�o acho que o dinheiro d� para tanto.

- O dinheiro, n�o importa.

Escreva uma carta ao Diretor da pris�o.

Ele vai levar em conta.

Voc� � importante.

- Est� bem, mas n�o espere muito.

- Este � meu primo Tim.

Ele e sua mulher vieram ajudar.

- Obrigada.

Se querem, podem ficar na cabana, do outro lado do laranjal.

Quanto tempo aguentar� o laranjal sem agua?

- Bom, as folhas est�o secando.

- E isso � muito grave, Paul?

- Tanto que pode perder sua colheita.

- N�o teria nenhuma gra�a que o laranjal morresse.

- Senhora, n�s sozinhos n�o podemos com toda esta terra.

- Deixe que os ajude.

- Uma mulher n�o deveria fazer este trabalho. N�o est� certo.

- Sei muito bem o que deve ou n�o deve fazer uma mulher.

E n�o sou uma crian�a.

O que foi?

Tim?

Fez um bom trabalho.

Obrigado.

Senhora, minha mulher precisa da bomba de agua uma vez por dia.

N�o pediria se n�o fosse pela crian�a que esperamos.

- Use quando queira.

E se precisar de algo mais... - S� precisamos agua.

N�o pediremos nada mais.

Morou o tempo todo no bosque...

e as pessoas Ihe assustam um pouco.

- Tim diz que nos permite.

- Claro! Quantas vezes como queira.

Por que n�o senta e descansa um pouco?

Pesa muito.

Obrigada, senhora.

- Querido Max...

Finalmente terminei meu romance.

sobre uma governanta inglesa...

e suas desventuras em velho castelo.

Acho que � a melhor historia que escrevi.

Assim que a envio...

com a esperan�a de que seja publicada.

Em Cross Creek...

n�o tenho tempo para me aborrecer.

Estou tentando tirar da cadeia o namorado da Geechee.

O problema da agua est� quase solucionado.

Ellie se preocupa com o laranjal como se fosse seu.

Ela e seu cervo, me servem de ajuda e est�mulo diante de minha sorte.

Se existe isso que definem como "memoria instintiva"...

a depend�ncia da terra e da agua...

jaz mais profundamente em n�s...

que o v�nculo que nos une aos homens.

Viemos da Terra antes que de nossas m�es.

Uma vez criados...

podemos viver sem nossos pais.

Sem nenhum outro parente.

Sem amigos.

inclusive, sem o amor dos seres humanos.

Mas n�o podemos viver sema terra.

Sem seu contato.

Algo seca no cora��o do ser humano, quando se afasta dela.

E se ocupa t�o somente dos assuntos dos outros.

- Pronto.

Senhorita Rawlings?

Est� bem?

- Est� melhor que bem.

- ora, ora, ora.

- Este � meu mort�fero bolo de nozes venenosas.

- Ora, ora.

Nunca na minha vida comi t�o bem.

- Um pouco mais de caf�? - N�o posso recusar nada.

Delicioso!

- Receita pr�pria.

- Velas, flores...

e uma comida deliciosa.

Devo ter feito um bom trabalho no carro.

Espero que ainda n�o tenha quebrado.

- Est� muito bom.

Para meu primeiro convidado.

- Ainda tem muito bolo.

E se comemos de manh�?

N�o parece uma boa ideia, Marjorie?

A donzela continua perdida no bosque?

Sabe o que eu faria?

Lhe daria uma lua cheia

Uma como a que tem esta noite.

E um senhor rico e bonito.

inclusive poderia parecer-se comigo.

Ele te daria um lar.

E seriam felizes.

- � poeta? - Sim senhor.

Contigo...

acho que sou de tudo.

Pensei que gostaria disso.

Como v�o as coisas?

- N�o muito bem.

N�o h� tela nas janelas.

Os mosquitos nos comem vivos.

E a comida sempre est� cheia de lenha.

- Por que n�o me falaram nada at� agora?

N�o tinha nem ideia de... - N�o se preocupe.

Nos arrumamos.

- � um menino muito bonito.

- O outro n�o chegou � primavera.

Este talvez tenha sorte.

e ele sobreviva

Tim, o que acha se sua mulher me ajudasse em casa?

Poderia cuidar da roupa.

Uma mulher branca, n�o pede a outra que seja sua empregada.

Ou qualquer coisa assim

Iremos embora daqui.

- N�o quis te ofender.

S� estava tentando ajudar.

- Boa tarde, senhorita Rawlings.

- Obrigada.

- "Querida Marjorie...,

Desejo que saiba que me desagrada tanto como a voc�..

ter que devolver-te o manuscrito.

Marjorie...,

seu estilo, � tecnicamente perfeito.

Porem,

continua sendo uma imita��o de outros autores.

Porem suas cartas sobre a vida em Cross Creek...

est�o cheias de emo��o e as leio com entusiasmo.

S�o fragmentos da pr�pria vida.

que n�o falam, de fatos triviais.

Mas de emotivos humanos...

e dos segredos do cora��o.

Essa menina que adora o seu cervo.

O casal jovem, que prefere morar no bosque...

em vez de adaptar-se a civiliza��o.

Escreve essas hist�rias.

e n�o esses romances barrocos,

sobre seres e situa��es que n�o conhece. "

- Boa tarde.

- Boa tarde.

- Haver� tempestade.

Sempre admirei as mulheres que n�o s�o curiosas.

Todas as que conhe�o abririam sua correspond�ncia no ato da entrega.

Em vez disso...

- N�o tenho por que ser curiosa.

Esta � para Geechee. E essa de um romance recusado.

N�o quero falar disso.

- Para mim parece que � um bom romance.

- Para mim parece que � um bom romance.

Duvido.

Os bons romances se publicam.

- Marjorie, eu n�o entendo muito de romances.

Mas estou certo que voc� � o tipo de mulher...

que faz bem qualquer coisa que se proponha.

Teve problemas desde que chegou a Cross Creek.

Talvez precise de mais tempo para se adaptar.

- Obrigada.

- Vai ver como consegue.

- O que est� fazendo?

S�o os porcos do senhor Turner.

- Vou mat�-los, vou mat�-los. - Volte aqui.

- Vou mat�-los.

- Levante-se.

Vamos.

Est� molhada.

Vamos, entre em casa.

- E minha espingarda?

Onde est� minha espingarda? - Vamos, vamos.

Vai ficar doente, vamos.

Venha.

- Acho que acertei um.

- Entre em casa!

A senhorita n�o est� em casa.

- Diga que quero falar com ela.

- Agora est� ocupada, n�o podem v�-la. - Vai avis�-la.

- N�o podem entrar. - Podemos sim.

- N�o podem entrar. - Podemos sim.

- Geechee?

Quem �?

� o senhor Turner, e vem com esse patife do Norton.

- Deixe-os entrar.

- N�o senhora, n�o est� certo que entrem aqui.

- Pode entrar, senhor Turner.

- Bom dia. - Bom dia.

- Sirva-nos uma xicara de caf�, Geechee.

- Ontem � noite teve tempestade, senhora.

- Ontem � noite teve tempestade, senhora.

Percebeu?

- O que deseja, senhor Turner?

- Atiraram no meu porco.

Isso � grave.

Quero saber quem foi.

- Eu matei esse porco.

Me incomodava.

Atirei nele.

- Esse porco era meu, senhora.

- N�o, era meu.

Voc� me ofereceu. Disse que se voltassem a me incomodar seriam meus.

Voc� me ofereceu. Desse que se voltassem a me incomodar seriam meus.

- Que tipo de mulher � capaz de atirar num porco em plena noite? � cruel.

- Foi um bom tiro?

- N�o senhora, n�o foi. Eu mesmo tive que mat�-lo.

- Turner abaixe a voz, por favor.

Gosta?

- Obrigado.

- N�o escrever� nada se ficar conversando a manha toda.

- Obrigado senhora. - De nada senhor Turner.

- Obrigado senhora. - De nada senhor Turner.

Eu pagarei pelo seu porco.

Mas me incomodava.

Era como um mascote.

Podia ter pego ele com as m�os.

- Mas n�o teria o prazer de atirar nele.

- Marjorie...

N�o quero incomod�-la. Estive por a�, e falei com seus empregados.

Norton, ele me assegurou que n�o � do tipo de mulher que faria uma coisa assim.

- Sinto decepcion�-lo.

Aparento ser boazinha, eu sei.

Mas de repente sem saber porque...

pego uma espingarda e saio dando tiros no primeiro que me incomoda.

Me assusta que um dia seja uma pessoa.

Acho que minha divida ter� que esperar, at� que tenha dinheiro.

Acho que minha divida ter� que esperar at� que tenha dinheiro.

Estou sem um centavo.

Recusaram meu romance.

- Marjorie, agora lembro que era seu porco

Adeus, senhora.

- Adeus.

Senhor Turner?

Tem que me devolver.

- O que?

- Traga-me o porco e prepararei uma boa ceia.

N�o Ihe agrada?

- Seria uma pena desperdi�ar as costelas.

- Ter� seu porco antes que anoite�a.

com todas as suas costelas, n�o se preocupe.

- Me ajudar� como churrasco?

- Sim, claro.

- A senhorita tem que trabalhar. V� embora.

- Marjorie, gostaria muito de ler o que escrever hoje.

- O que escrever hoje ou qualquer outro dia n�o te interessa..

E agora, por que n�o vai embora?

- � o que vou fazer.

- Norton?

Sinto muito.

- Tem muito car�cter, Marjorie.

Matar porcos e falar desse modo. - Eu sei.

Matar porcos e falar desse modo. - Eu sei.

Tenho muito medo.

N�o � f�cil imaginar...

- Estou escrevendo um romance sobre Tim e sua mulher.

Se chama "A escada de Jacob".

� um tema, que me interessa muito.

N�o se parecer� a nenhum outro romance, ser� realmente meu.

Entende, Norton?

Se recusam, terei que aceitar a ideia de que n�o sirvo para isso.

- N�o acha que exagera, Marjorie?

- N�o acha que exagera, Marjorie?

- Bom.

Este � meu Cross.

Esta gente �...

� mais real, que todos meus lixos nobres.

Se n�o sei..

expressar meus sentimentos, � que realmente n�o sou escritora.

- Claro que saber� express�-lo, Marjorie.

- Claro que saber� express�-lo, Marjorie.

- Outra vez segurando minha m�o, Norton.

- Sim.

- Acho que est� pensando em ficar para jantar.

- � uma advinha.

- Tenha a bondade, cavalheiro?

O cervo cresceu e Ellie tamb�m.

A terra que trabalh�vamos respondia a nossos cuidados.

O laranjal estava fant�stico.

Obrigada, Paul.

- Leroy!

Olhe, olhe quem chegou.

Leroy!

- Parecia que nada poderia dar errado.

Geechee, tinha seu Leroy em casa...

e eu escrevia de 10 a 12 horas di�rias

Mas � medida que passava o tempo...

me dava conta que Leroy, n�o fazia nada para ajudar-me no laranjal.

Ele estava contente de tirar um cochilo confortavelmente sob os cuidados de Geechee. Sob os cuidados de Geechee.

Quanto a mim...

Meu divorcio era uma realidade...

e tinha bem adiantada "A escada de Jacob".

Era t�o honesto e real de tudo o que havia escrito antes.

Mas n�o me atrevia a mandar para Max.

N�o podia suportar outro fracasso.

N�o com "A escada de Jacob".

- Deixa isso Leroy.

Esse whisky � da senhorita Marjorie.

N�o me ouviu?

- Sim, claro.

- Prefere marmelada ou mel?

Pergunto se prefere marmelada ou mel com as panquecas.

- Geechee!

Quero falar a s�s com Leroy.

Temos problemas.

Paul precisa que ajude no laranjal.

- Amanha cortarei um pouco de lenha.

Isso de trabalhar no laranjal n�o � comigo.

- Leroy, ter� que ir embora.

Acho que Geechee vai querer ir contigo e isso eu sinto realmente.

Mas assim, n�o podemos continuar.

- Eu vou.

Tenho que ir com Leroy, senhorita.

Bom, pois ent�o eu vou.

Quero perguntar uma coisa.

- Sim.

- Est� contente com meu trabalho, senhorita?

- Claro que sim!

Ent�o por que deixa que eu v� sem fazer nada?

- Acho que quer ir.

- E se fosse assim?

Que tipo de pessoas deixaria a outra, fazer algo que soubesse que era ruim?

- Geechee?

N�o h� quem te entenda N�o tenho nenhum direito de te segurar.

Teria se eu fosse importante.

Sabe o que Leroy vai fazer comigo?

Se aproveitar� de mim enquanto vai ao bar...

beber com meu salario como fazia antes.

Eu vivo bem aqui.

Estou muito melhor em Cross Creek que... - Eu n�o quero que v�.

Pensava que j� sabia.

- Como quer que eu saiba?

� f�cil conseguir algu�m que limpe e cozinhe.

- Para mim voc� � uma amiga.

Diz que me ama e deixava eu ir embora.

- N�o � f�cil deixar algu�m com quem conviveu.

Depois a solid�o � muito mais saud�vel. - Eu sei muito de solid�o.

Viver com Leroy � estar s�.

E continuar� sendo assim.

Voc� � uma mulher.

E tamb�m vive s� mas n�o deixa que se aproveitem.

Notei muito isso

E gostaria de ser assim.

Voc�, me ensinou muito.

N�o vou entrar no trem com Leroy! N�o mesmo!

Nunca se portou bem comigo.

Marjorie, nunca ningu�m fez o que voc� fez por mim.

Deu-me um pagamento decente.

Passeios de carro.

N�o, continuaremos assim.

Estamos muito bem.

- Fico contente que fique, Geechee.

- Agora que somos amigas direi uma coisa que n�o sabe.

- O que �?

Pensando, pode ser que seja bom.

Mas na vida tem muito o que aprender.

Muito, eu acho.

- Isso voc� pensa, eh?

N�o pode deixar ir embora pessoas que voc� gosta.

Quase me perde.

E perder� o senhor Norton.

- N�o quero falar disso.

- N�o sei porque fico com voc�! � uma resmungona!

E pensa muito!

- Papai, olha!

- Algu�m roubou o c�o de ca�a. Espero que devolvam logo!

Fez todos os porcos pularem a cerca e os pequenos pelo buraco.

Oh, problemas, problemas, problemas! Sempre os tive.

Parece como se os problemas quisessem me seguir at� o tumulo.

Acabou!

- Ok!

- Obrigada por vir.

- Ellie, te trouxe um bolo.

- Obrigada. Papai, me trouxe um bolo.

- Tinha um palpite, de que traria um bolo de anivers�rio.

Mas esperava que fosse um bolo de whisky.

- � um bolo de chocolate.

- Ent�o, beberemos de minha bebida caseira.

Quer um trago, Marjorie?

Um dedinho para a senhorita Rawlings.

J� sei que tem que se guardar para seus livros. Marjorie, j� sei.

N�o se preocupe, preparei um suave licor de amoras.

- Sim. Isso ser� muito bom, obrigada.

- Muito bem, �timo.

�timo.

Quero propor um brinde para minha querida filha Ellie, por seus 14 anos.

Para voc�, querida.

- Feliz anivers�rio, Ellie! - Feliz anivers�rio!

- Papai?

Posso dar um pouquinho para o Bandeira?

- � seu anivers�rio, querida. Pode dar.

- Floyd, toca algo para n�s!

- Um dia �timo para comemorar um anivers�rio.

- Obrigada.

Bandeira?

Bandeira?

Bandeira?

Venha aqui! Bandeira!

Volte! Bandeira, venha aqui!

Bandeira?

Volte!

Bandeira!

Ajudem-me!

- Meu marido � um cavalheiro. Se faz algo errado...

corrigir�.

- Voc� queria um mascote, e eu n�o tive vontade suficiente para te negar.

Fizemos muito mal ao Bandeira.

N�o � uma pessoa.

Entenda.

Sua casa � o bosque. J� � tarde, filha.

Agora j� n�o poder� sobreviver

- Prometo que n�o voltar� a escapar. - Prende!

N�o pode t�-lo sempre fechado.

- Passearei com ele quando termine meu trabalho.

Viu? Agora se comporta bem.

N�o queria fazer mal.

- Marjorie.

Por favor papai, n�o me separes dele.

- Temo que n�o tenha outra solu��o.

- Marsh!

- Se o curral fosse mais forte...

- Acabaria quebrando. Ou pularia.

- Marsh, por favor. - Tentemos.

- J� veremos.

N�o estou prometendo nada. Nada!

- Sim, senhor!

- Que conste.

- Vamos, Ellie.

Agora tudo ficar� bem.

- Aqui ningu�m pode se permitir ser brando.

A vida � muito dura.

Ellie � algo especial para mm, voc� sabe.

Sempre foi.

Todas as noites me espera acordada.

Amo muito ela.

Se Ihe acontece algo n�o saberia o que fazer.

Essa � a verdade. Ela � o mais importante.

Parece absurdo mas � a verdade.

- Entendo Marsh. - Ah, sim?

Ent�o, por que se empenha...

em agravar o problema?

- Adora esse animal. - Mas terei que mat�-lo.

- Por que? - Olhe, � quase um adulto.

N�o s� destruir� minhas colheitas. Tamb�m arruinar� as suas.

Acabar� com todas as colheitas de Cross Creek.

- N�o, se o curral � forte.

- E se n�o for, Marjorie?

- S�o os �ltimos dias de sua inf�ncia, Marsh.

Esse curral, ser� forte.

- Isso espero.

Que seja mais forte que eu.

- Estivemos em xeque.

Rez�vamos para que o cercado fosse muito forte.

Passaram os dias...

e o cervo de Ellie continuava dentro do curral.

"A escada de Jacob" estava terminada.

Mas tinha medo de que Max Perkins a lesse...

at� que n�o estivesse perfeita.

- Marjorie!

� uma hist�ria linda.

Claro que Max, gostar�.

Seria bom que me trouxesse uma maleta.

Passo aqui tanto tempo que...

- Procura outro pretexto.

- Marjorie.

Marjorie?

Estou tentando me declarar.

- N�o tenho inten��o de casar-me.

- Como contigo.

Durmo contigo. Compartilho os altos e baixos de seus romances.

Se isso � n�o estar casado. Diga-me o que �?

- N�o tenho tempo para essas coisas.

- Tem tempo para Paul.

Para Ellie, para Geechee...

- Isso � diferente, s�o amigos.

Voc� pediria mais e eu n�o poderia dar.

- � uma desculpa bem idiota.

- N�o acha bom como estamos?

- N�o.

- Ter� que se conformar.

- Marjorie, est� t�o embriagada escrevendo e vivendo a vida dos outros...

que esquece a sua.

Mas n�o pode esconder teus sentimentos.

- N�o estou apaixonada por voc�.

- N�o vou acreditar nisso.

Deliberadamente me afastava de Norton.

Porque achava que n�o podia ser esposa e escritora ao mesmo tempo.

Minha experi�ncia com Charles demonstrou.

Decidi afastar-me...

usar meu trabalho como pretexto.

Max!

Max Perkins!

- Oh, deveria ter me avisado!

- Algo para estimular �s Musas.

- Obrigada.

- Baskin, teve a gentileza de me trazer at� aqui.

Me aconselhou que viesse em seguida.

- N�o � de admirar.

- Talvez seja inoportuno?

- N�o! S� me surpreendeu ver-te.

- Ontem mesmo me encontrei com Ernest.

Me disse que talvez passasse para te cumprimentar.

- Preferia telefonar mas n�o tem telefone.

L� tem uma garrafa come�ada, Marjorie.

- Max bebe sempre o melhor.

- Bah! Come�aremos com esta. E acabaremos com as outras.

Faz tempo que n�o me escreve, Marjorie.

- N�o tinha nada interessante para dizer.

Vou pegar uns copos.

Que frieza!

- Sua �ltima carta n�o caiu muito bem.

- Oh, n�o! Mais barroquismos, n�o.

O que � desta vez, Marjorie?

Outra governanta que v� para Gales, acabada e cheia de temores?

- Ficou claro que n�o gosta de meus romances barrocos Max.

- Exato.

- Nunca compreendi porque se incomodou...

em dedicar seu tempo numa escritora sem talento.

- Eu sempre confio em algu�m que escreve com tanto desespero...

como para vir morar aqui. - Veja Max Perkins, � um covarde.

Nunca se atreveu a me dizer a verdade.

- Bem, devo admitir...

que n�o falei tudo.

Voc� pode ficar terr�vel, Marjorie.

- Deixou que acreditasse ter talento.

- Pode ser que seja uma das escritoras com mais talento que trabalham para mim.

E aqui tenho a prova do que digo.

Tuas cartas.

Esperava sempre com impaci�ncia.

N�o porque sentisse falta de tua companhia.

Mas porque quando descreves o que te rodeia...

aparece a grande escritora que h� em voc�.

- Temia algo disso.

- Obrigada.

- Marjorie, gostar�.

� muito boa.

- Voc� nem sequer terminou de ler.

- N�o me deu tempo.

- Uhm, delicioso!

- Marjorie, se d� muito bem na cozinha.

- Sente-se.

- Obrigado.

- Acho que...

te dei muito cedo. N�o estava pronta para que a lesse.

- Marjorie...

� muito boa e vou public�-la.

700 d�lares, parece justo?

- Sim.

Sim senhor Perkins. Me parece muito justo.

- Marjorie?

Bandeira. Bandeira escapou.

Bandeira escapou. Ajudem-me.

- Volte para casa, Marjorie. - Marsh.

- V�. - Sinto-me respons�vel por isso.

- N�o, � Ellie quem h� de sentir-se respons�vel, n�o voc�,

Filha...

fizemos um trato.

E agora tem que cumpri-lo.

Por favor, ou�am-me.

N�o podemos morrer de fome por amor a um animal.

Mate-o!

- N�o me obrigue a faz�-lo, n�o posso.

- Mate-o!

- Papai, por favor!

N�o!

Por favor, deixe-o!

Prometo que fecharei o curral.

Tentaremos, sem armas.

Vigiarei todo o dia, papai.

Por favor, ou�a-me. Por favor.

Por favor!

Fale com ele, explica para ele.

- Ellie! - Por favor!

- N�o posso det�-lo.

Odeia o Bandeira, n�o o quer!

� meu cervo! N�o est� certo...

Papai, n�o!

- Volte para casa!

Volte para casa agora mesmo!

- Te odeio! - Estou mandando!

Te odeio, te odeio! N�o � bom!

Sempre te odiarei!

Te odeio!

Te odeio, te odeio!

N�o � bom, n�o!

Te odeio!

- � Marsh! - � Marsh!

- Marsh? - Marsh!

- Ellie?

Ellie!

Ellie!

Ellie?

Ellie!

- Voltar� para casa.

- J� n�o me importa.

N�o voltarei a ser o mesmo.

- Marsh? Sou eu, o Xerife.

- Como vai Jake?

- Joga essa espingarda.

- Quer?

Tome.

O xerife disparou...

Marsh, caiu.

e esse foi o final, da felicidade de Cross Creek.

Eu sou a �nica pessoa que sabe...

que compreende, que quando Marsh Turner falou com o Xerife...

n�o o amea�ou.

Estou certa, que entregou a espingarda ao Xerife.

Do mesmo modo que me ofereceu...

seus porcos

- Ellie.

- Voc� n�o � daqui.

Gostaria de n�o tivesse vindo para Cross Creek!

Todos est�o mortos.

Por que n�o leva suas historias e nos deixa em paz?

Cross Creek, n�o a quer.

- Eu amava Cross Creek.

Amava meu laranjal.

E de repente...

n�o eram nada.

- Poderemos com ela.

Trabalhamos muito e n�o permitirei que nos prejudique uma geada.

N�o se preocupe.

- Vamos l�.

Geechee, diga o que temos que fazer.

Vigiem as fogueiras. Que n�o se apaguem.

- Bom, demorei em vir.

Os amigos n�o deveriam se aborrecer.

- A pequena Mary nos seguia a todas partes caminhando pelo barro.

De repente...

j� estava l�. E a pobre n�o tinha sapatos.

Tinha perdido.

- Quer uma xicara de caf�?

- Sim, seria bom. Obrigado.

- Queria agradecer sua ajuda, Norton.

- Passava aqui perto e entrei para olhar.

- �s cinco da manh�?

- Bem, eu gosto de madrugar.

Me disseram que tem problemas.

- Ah, sim?

- E que sentiu minha falta.

- Posso me arrumar sozinha.

- Eu vi.

Ou�a, gostaria que...

nos casassem?

Sou irresist�vel! - N�o cante vit�ria ainda.

- Ent�o... N�o sentiu saudades?

- Nada, senhor Baskin. Nem um pouco.

J� fazia parte de Cross Creek.

Era mais que uma escritora.

Era uma esposa.

Uma amiga.

Parte da terra.

De quem era Cross Creek?

A terra se empresta.

N�o se compra.

Se usa.

N�o se possui.

E responde ao amor e aos cuidados...

Oferecendo suas flores e seus frutos.

Cross Creek, pertence ao vento.

� chuva.

Ao sol e as esta��es.

Ao milagre das sementes.

E sobre tudo...

Ao tempo.

Traduzido e legendado por Alexandre Neto

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