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A maioria dos filmes foram dirigidos por homens.
A maioria dos ditos cl�ssicos foram dirigidos por homens.
Mas h� 13 d�cadas, em todos os seis continentes onde se fazem filmes,
milhares de mulheres tamb�m t�m dirigido filmes.
Alguns dos melhores.
Que filmes elas fizeram?
Que t�cnicas usaram?
O que podemos aprender sobre cinema com elas?
Vamos revisitar os filmes atrav�s dos olhos das diretoras.
Vamos fazer um novo road movie pelo cinema.
MULHERES FAZEM CINEMA
UM NOVO FILME DE ESTRADA ATRAV�S DO CINEMA.
Como o cinema filmou os corpos?
CAP�TULO 18 - CORPOS
A imagem de um corpo n�o � t�o cinematogr�fica
quanto um close-up ou um corte.
A escultura e a pintura geralmente se concentram nos corpos tamb�m.
Mas desde os tempos do cinema mudo,
os corpos fascinam os cineastas.
O movimento do corpo de Charlie Chaplin,
a quietude de Garbo,
a curvatura de Marilyn Monroe,
a caminhada de John Wayne.
Uma Canta, a Outra N�o, filme de Agn�s Varda,
� perfeito para come�armos a analisar os corpos nos filmes.
Uma das duas personagens principais, Pomme, est� no Ir�.
Ela observa as mulheres cobertas.
Varda as filma por tr�s. Quase nenhuma pele � vista.
Os corpos velados fazem Pomme pensar...
Sinto-me estranha com meu corpo desde que cheguei.
Por causa do Darius, � claro,
e por estar longe de tudo, voc� se sente diferente.
Entre mulheres com v�u, sinto-me mais nua que a pr�pria nudez.
Sinto-me pr�xima do meu corpo.
Quanto mais a pele fica oculta, mais ela pensa sobre a pele.
A aus�ncia chama a aten��o.
Voc� recebeu uma bolsa e mesmo assim n�o quer ir...
O curta malaio de Yasmin Ahmad parece brincar com a ideia de Varda.
Um jovem discute com sua m�e.
Um quadro visualmente comprimido.
De repente, um chamado fora da imagem.
Ol�!
Ainda n�o acabei de falar.
E uma loja.
O que voc� quer?
Ela ri do chap�u rid�culo
ou por ele estar seminu?
Em que posso ajud�-la?
Voc� tem pilhas tamanho A?
Sim...
Por que ele d� isso a ela?
Para zombar dela?
Ela est� t�o coberta.
Ele est� t�o descoberto.
Ele est� descontra�do, e at� mesmo desafiador,
em rela��o a sua nudez.
Choque cultural da Mal�sia, choque de g�nero,
choque de vestimentas.
S� tenho 15 sem... N�o � suficiente.
Por que essa conversinha com a garota malaia?
J� vou!
O rapaz teve o luxo de poder tirar a camiseta,
a confian�a para tir�-la.
Laure, a garota de Tomboy que finge ser um menino,
quer tirar a sua.
Ela quer a liberdade que rapazes t�m e garotas n�o.
Ela n�o quer ser for�ada a se cobrir, a ser feminina.
E ent�o ela tira.
Estamos pr�ximos de Laure e todo o resto est� desfocado.
De repente um cuspe.
Mais coisa de garoto que isso imposs�vel.
A religi�o � o principal paradigma no filme malaio.
G�nero � a quest�o em Tomboy.
Andrea Arnold nos mostra uma situa��o semelhante,
mas desta vez a classe est� em primeiro plano.
Uma cozinha de classe oper�ria.
Mia, de 15 anos, quer ser dan�arina.
Ela v� corpos sexualizados em algum glamoroso, americano,
negro e ensolarado lugar.
Andrea Arnold a filma de baixo pra cima.
Na TV, h� um iate, um estilo de vida inacess�vel,
mas de repente...
N�o se preocupe comigo, continue, eu estava gostando.
Sob a luz do sol, h� um corpo igual ao do v�deo.
-Est� fazendo ovos? -N�o.
Ela agora olha para os corpos na TV
ou para o do rapaz que acabou de entrar?
Estou fazendo ch�.
Tudo bem.
� como se estiv�ssemos na loja da Mal�sia.
A vida f�sica dela ser� como na TV
ou apenas fazendo um ch�?
-Foi um elogio. -O que voc� entende disso?
Jovem e oper�ria,
o corpo � a melhor coisa que Mia possui.
Varda, Ahmad, Sciamma e Arnold
est�o questionando se os corpos s�o disruptivos ou n�o.
A nudez vem antes da religi�o, do g�nero e da classe?
O not�vel filme iraniano de Marva Nabili, de 1977,
The Sealed Soil, novamente.
Estamos no Ir� pr�-Revolu��o.
Nas cidades, as mulheres ainda usavam minissaias
e os cinemas passavam filmes sexualizados.
Mas aqui no campo, as coisas s�o tradicionais.
Nossa personagem principal apara e sente a chuva.
E ent�o, ela tira o v�u.
Ficamos rigorosamente atr�s dela, im�veis.
� como um quadro de Manet.
Agora seu cabelo est� solto.
Ela sente a chuva, o vento...
Suas roupas deixam de ser uma pris�o.
E ent�o acontece. Ela fica seminua.
E se abra�a, pelo frio ou outra coisa qualquer?
Ela chegou a ficar seminua fora de casa alguma vez?
Lemos os movimentos nas suas costas, na sua cabe�a.
Isto foi, com essa simplicidade, o melhor momento de sua vida?
Seu vilarejo mais tarde chamar� um exorcista
para livr�-la do que, seja l� o que for, a fez agir assim.
O belo filme de Marva Nabili
nunca entrou em cartaz no Ir�.
Corpos aprisionados,
corpos proibidos
e ent�o temos isto...
Noite Decisiva, de Pirjo Honkasalo, novamente.
Dois caras invadiram uma refinaria de petr�leo
e nadaram por ali.
Eles est�o se secando agora, assistindo o p�r do sol.
Os corpos contrastantes, org�nicos, �geis.
Um deles se pendura, o que enfatiza a agilidade.
O que vemos?
Estruturas de ferro como num quadro de Fernand Leger.
Na Finl�ndia, o que os impede de tirar a roupa?
Quase nada.
O que esta cena simboliza?
Quase nada.
Por isso, quando os opressores religiosos s�o eliminados,
as conven��es de g�nero s�o suprimidas
e as inibi��es deixadas de lado,
e antes de irmos pro sexo no pr�ximo cap�tulo,
aonde isso nos leva?
Em Bom Trabalho, Claire Denis �s vezes sugere
que os corpos s�o pura materialidade.
Um corpo � algo com o qual voc� pode colidir,
como uma parede em que voc� bate e que interrompe sua in�rcia.
H� algo a mais nessa cena, al�m dos abra�os atirados,
o choque de pele com pele
faz parecer que est�o presos num la�o,
descobrindo e esquecendo que corpos s�o apenas coisas.
� s� isso mesmo? Uma onda contra uma rocha?
Leni Riefenstahl viu algo ariano
e at� mesmo nazista nesses atletas numa sauna,
mas sua c�mera mal consegue mentir.
� palp�vel o prazer de se tocar nos bra�os
e nos m�sculos doloridos.
O calor...
O alongamento...
A sensa��o da �gua escorrendo...
� compar�vel a essa cena bem diferente de Mustang.
As garotas est�o sofrendo.
Seus corpos preenchem a tela.
O consolo do toque.
O suave ro�ar do bra�o.
O conforto de outro ser humano.
O quadro est� completo.
Elas tomaram conta dele.
Cobrindo, revelando,
tabus religiosos e de g�nero e os consolos do toque.
Acima disso tudo, grandes diretoras filmaram corpos
de formas cinematogr�ficas not�veis.
Vamos nos concentrar em �m�os�.
Vejam esta cena de Maya Deren em Ritual in Transfigured Time,
Um grupo de pessoas e ent�o a imagem congela.
O que notamos? As m�os delas.
Seis m�os.
Se desvelando...
E volta para as m�os.
Depois outra cena que parece enfatizar o movimento de m�os
e ent�o outro congelamento.
Depois a m�o dele,
a dela...
Estendidas.
Depois, esta m�o acenando.
Uma m�o que alerta.
N�o h� planos fechados,
apenas m�os como um bando de gaivotas,
como um sem�foro,
uma p�gina num dos cadernos de desenho de Leonardo.
Estamos em c�mara lenta, � claro,
e silenciosos, o que agu�a nossos olhos.
De m�os dan�antes a m�os que curam
e um dos melhores filmes feitos sobre corpos,
o da poeta e diretora iraniana Forough Farrokzhad...
A Casa � Escura.
Estamos no que em 1963 era chamado de �col�nia de leprosos."
Abaixo das m�os desta mulher.
Depois essa ador�vel massagem nas m�os.
P�s.
Mais manipula��o.
Cada tomada, um esbo�o.
Forough agora observa p�s.
Seu corte t�o r�tmico, t�o elaborado.
� isso.
-Doloroso. -Muito doloroso.
M�os dan�antes, m�os que curam e ent�o m�os que trabalham.
O premiado filme da chinesa
de 23 anos Liu Jiayin: Oxhide.
A voz de seu pai.
N�o importa, a vaca sempre � abatida.
Ele trabalha com couro.
Faz bolsas.
M�os fazendo o que m�os fazem: Tocam.
Acariciando o couro do boi.
Uma fam�lia de trabalhadores e, literalmente, trabalho manual.
Mas � como se estiv�ssemos olhando para um palco.
N�o h� corte.
As m�os entram, passeiam e depois saem da cena.
O quadro as amplia.
E as celebra.
Vend�-las barato me faz ter pena da vaca.
Esquece.
Em Visages, Villages,
o artista de rua JR celebra os p�s de Agn�s Varda.
Ele os prende atrav�s do papel para isol�-los visualmente.
Ele est� no comando.
E depois ela nos conta...
Parece um cora��o enrugado,
igual � foto das batatas que fiz, jovens e velhas.
Ter visto em seus p�s um cora��o
e uma velha fotografia que havia tirado.
Eles usam a tecnologia mais simples poss�vel
e fazem com que seus p�s fiquem maiores que a vida...
Muito bonito.
Quem teve a ideia?
Como cinema � maior que a vida.
Eles parecem bem pequenos, � verdade.
Mas tudo bem.
Saindo do foco em m�os e p�s,
e dos corpos individuais,
temos os corpos coletivos se movendo em un�ssono.
Dois exemplos radicalmente opostos disso...
Leni Riefenstahl inicia esta sequ�ncia com algumas mulheres.
E ent�o h� uma fus�o com v�rias outras.
Ela gosta do padr�o, da forma��o.
Do conformismo. E ela n�o para por a�.
Outra fus�o, imagem mais aberta e padronizada. E depois mais uma.
Individualidade e psicologia j� n�o existem mais.
Vemos apenas a submiss�o em massa,
uma radical falta de interioridade.
O corpo como a parte s�lida da constru��o do Estado.
Wanda Jakubowska faz em A �ltima Etapa
algo visualmente parecido, mas a um mundo de dist�ncia.
Come�amos nos p�s e depois subimos at� as cabe�as.
O sofrimento e os uniformes numerados
nos dizem que estamos em Auschwitz.
As mulheres balan�am.
Como ouvimos antes, Jakubowska foi presa em Auschwitz
e agora, um ano ap�s a liberta��o do campo da morte,
faz este surpreendente filme.
Sua c�mera gira para cima e para a direita,
e as mulheres se tornam um mar de cabe�as, de ondas.
Elas se movem em solidariedade,
numa dor conjunta, no lamento.
O oposto da dan�a oficialista de Riefenstahl.
As mulheres de Auschwitz formaram uma imagem poderosa,
mas n�o eram s�mbolos.
Os corpos nos filmes costumam ser explicitamente assim.
A grande diretora da era muda, Lois Weber,
aparece pela segunda vez na nossa hist�ria.
Amantes burgueses.
A mulher vestida de branco virginal, ele ajoelhado ao lado.
Ent�o chega um religioso trazendo uma fantasmag�rica mulher nua.
Ela levanta um espelho.
A imagem deles � desfocada, mas n�o a dela.
E ela v� no seu espelho
a verdade por tr�s da superf�cie burguesa.
Ele na intimidade com outras mulheres.
Fuma,
bebe, aposta e briga.
O espelho mostra esses vislumbres da verdade.
Seu corpo nu simboliza a verdade, desnuda.
Nada a esconder.
Sem vergonha. At� mesmo pura.
Uma ousada revers�o de ideias mais puritanas sobre nudez.
Oito d�cadas depois, o corpo passou a significar outra coisa.
O filme de Mary Harron baseado no livro de Brett Easton Ellis,
Psicopata Americano,
mostra um corpo na era do hiper-capitalismo.
Depois de tirar a m�scara de gelo, uma lo��o pra limpar os poros.
No chuveiro, uso xampu ativado por �gua...
Depois, esfolia��o corporal com am�ndoa e mel.
E no rosto, gel esfoliante.
� a comodifica��o.
Ele quer parecer jovem,
poderoso, sexual, como os corpos nos an�ncios.
Ent�o aplico uma m�scara de menta urdu e deixo por 10 minutos
enquanto preparo o restante da minha rotina.
Se no filme mudo de Weber, um corpo nu mostra a verdade,
aqui, ele esconde a verdade...
Da sua aliena��o, raiva, vazio e desespero.
Em seguida, b�lsamo antirugas pros olhos e um hidratante final.
� uma m�scara, uma armadura.
T�o planejado, t�o desprovido de individualidade
e t�o arrogante quanto seu apartamento.
E embora eu possa esconder meu olhar frio
e voc� possa apertar minha m�o, sentir a carne agarrando a sua
e at� achar que nossos estilos s�o parecidos.
Eu simplesmente n�o estou l�.
O corpo da mulher em Alemanha, M�e P�lida
� mais simb�lico.
Ainda estamos na sombra da Segunda Guerra Mundial.
Ela passou por muitas coisas.
Close no rosto dela.
Metade dele est� paralisado.
Metade dos nervos morreram,
como a Alemanha morreu,
como seu casamento tamb�m morreu.
Metade dela se recusa a encarar o futuro,
que o mundo chama de paz.
O que houve?
Eu...
Eu n�o sei...
De repente ficou assim...
Ainda na Segunda Guerra.
A Heran�a, de M�rta M�sz�ros.
Isabelle Huppert � uma jovem m�e de aluguel judia
esperando um beb� para outro casal.
Close-up.
Sua dor. Seu corpo est� sofrendo.
Corta para a mulher para quem ela est� tendo o beb�.
Em seu elegante quarto do Imp�rio Austro-h�ngaro,
ela se imagina dando � luz.
Corta de volta para o verdadeiro parto.
E para o imagin�rio. O plano mais aberto...
O sofrimento do corpo...
E depois...
A dor da mente.
O som do beb� arrepia a m�e adotiva.
Ela segura a cabe�a. A dor est� aqui em cima.
M�sz�ros est� filmando a divis�o corpo-mente.
Corpos cobertos, a materialidade dos corpos,
m�os no cinema, corpos coletivos, corpos simb�licos.
Finalmente, um corpo imposs�vel.
Uma revela��o chocante num �timo filme sobre corpos.
Uma mulher sem sobrancelhas.
P�lida como um quadro de Balthus.
E ent�o algo parecido com uma ultrassonografia.
Um dos garotos que j� vimos antes neste filme sobrenatural.
� a barriga dele que est� sendo escaneada.
Ele est� gr�vido.
Uma das impossibilidades no mundo controlado e austero
da diretora Hadzihalilovic � que o nascimento foi reinventado.
Os corpos da fic��o cient�fica s�o geralmente redirecionados.
A biologia foi superada.
N�o � de se admirar que um filme, uma obra visual vista no escuro,
foi e � enfeiti�ado pelo sexo.
Como uma das coisas mais atraentes da vida adulta
n�o atrairia as lentes?
Majoritariamente, os homens controlaram as lentes,
o que � percept�vel pelos resultados,
mas como as diretoras filmaram o sexo?
O que podemos aprender com sua forma de transform�-lo em cinema?
CAP�TULO 19 - SEXO
A primeira coisa a se dizer � quantos filmes s�o pr�-sexo,
� beira do sexo, antecipando o sexo.
O filme de estreia da atriz e diretora francesa Diane Kurys,
Diabolo Menthe.
Adolescentes, Paris, 1963.
Antecipando o sexo, imaginando o sexo.
Kurys as filmou bem enquadradas, luz forte,
o brilho da ilumina��o c�mica.
Imagens cristalinas que capturam sua deliciosa confus�o
sobre o que ser� o sexo.
Eu dormi com um garoto.
� verdade.
-E o que aconteceu? -Nada.
Fui pra casa dele, quer dizer, dos pais dele...
Fomos pro quarto e ele me beijou na boca.
-Ele p�s a l�ngua? -Claro.
-Que nojo! -� assim que se faz.
Ele pediu pra eu tirar a roupa.
E voc� tirou? Na frente dele?
Sim. E depois me pediu pra deitar nua na cama.
-N�o acredito. -Juro que � verdade!
E depois?
-Como assim depois? -O que aconteceu?
Nada. Ele se deitou ao meu lado e ficou lendo um gibi.
-S� isso? -Sim.
O fim da inoc�ncia leva a um passo adiante.
As meninas fugiram da escola e foram a esta fonte.
Garotos chutaram sua bola de futebol na fonte
e um deles foi busc�-la.
Uma das meninas o v� parcialmente,
mas Hadzihalilovic usa a fonte para tapar sua vis�o.
A cena � como uma premoni��o...
A sexualidade � parcialmente oculta pela fonte da juventude.
E ent�o, a �ltima tomada da diretora Hadzhalilovic...
Linda, sem precedentes.
Alfred Hitchcock disse que uma tomada do alto
� como a corda superior de um violino.
Muito bem, quem � o pr�ximo?
Nunca Fui Santa, de Jamie Babbit. Um campo de cura gay.
Cores de revistas em quadrinhos, composi��es, atitudes.
Uma vis�o do sexo t�o tola e desinformada
quanto � das meninas de Diabolo Menthe.
� divers�o, estamos fazendo amor. N�o h� nada de sujo nisso.
Sexo � bonito quando praticado entre homem e mulher.
Mam�e!
Muito bem, n�o nesta posi��o,
a mulher abre as pernas, como uma flor.
Muito bem, Graham!
Nesse momento, o homem se insere na mulher.
Sim, � isso... Sim, � isso!
-Sra. Brown? -O que foi, Joe?
-E as preliminares? -Preliminares s�o coisa de maricas!
Homens de verdade, enfiam, descarregam e saem.
M�e!
No Senegal, em contraste,
Safi Faye mostra a maturidade do ensino sexual.
Esta mulher est� fazendo sexo com seu marido.
Uma dourada e polida cena.
De repente um grito fora do quadro da adolescente Mossane.
Dibor!
Eu vou gozar! Fique!
V� embora, minha amiga est� vindo.
Ela ainda � uma crian�a.
Voc� est� a�?
� voc�, Mossane?
-Sim. -Entre.
A mulher n�o esconde seu prazer.
Ela descreve seu contexto e sua divers�o.
Meu corpo est� formigando das car�cias suaves e profundas.
-Conte-me sobre isso. -Meu marido Daouda...
Eu vim falar sobre o Fara. S� dele...
Quando Daouda volta do campo,
sofrendo de tanto trabalhar e estou com vontade de amar,
a energia dele renasce.
E quando acaba, meu cora��o dispara
e bate como um tambor.
Novamente o calor e o brilho das imagens.
Vou tomar um banho.
Ponha esse vestido.
E depois isto...
Para!
Inconsciente, divertido.
E aqui uma quinta cena imaginando sexo, antecipando sexo...
Como quase tudo no filme Attenberg,
sua no��o de sexo � surreal.
Bella, � esquerda,
est� contando � sexualmente inexperiente Marina, � direita,
sobre bizarros e irreais cactos sexuais
onde p�nis ficam pendurados.
Uns curvados para a esquerda, outros para a direita...
Alguns com prep�cio, outros sem.
�rvores com espinhos. Espinhosas.
Pela sobriedade da caminhada,
elas parecem estar num funeral.
Uma tomada sem piscar.
Alguns eram pequenos e murchos, mas balan�avam um pouco...
Como se respirassem.
Imagens descritas de sexo e homens
como numa pintura de Salvador Dali.
Divertido, vislumbrado, estereotipado,
ensinado, surreal.
Algumas das formas pelas quais o sexo pode ser antecipado.
E ent�o come�amos a faz�-lo.
Com certa inoc�ncia em Apostando no Amor, de Nancy Savoca.
Escondendo o preservativo num ursinho de pel�cia.
River Phoenix � um fuzileiro naval de 18 anos,
indo para Okinawa na manh� seguinte.
Ele se apressa porque n�o quer que ela o veja se despindo.
Lily Taylor � sua namorada.
Ela est� se vestindo antes do sexo!
Um vestido de noite Doris Day.
� 1963. Ela parece t�o jovem.
Corte da cena entre eles.
Um p�ster de Odetta Holmes, ativista dos direitos civis.
O mundo dif�cil, o mundo da guerra, est� l� fora.
Taylor quer ser uma cantora de folk.
Ele a machucou muito no in�cio do filme...
Al�m da ternura, h� uma repara��o aqui.
Voc� est� linda.
-Voc� est� muito linda. -Obrigada.
Carinho e sexo reparador.
Desculpe, a cama � pequena.
E Bob Dylan...
Bem, n�o adianta Se perguntar o porqu�, querida
Se voc� n�o sabe at� agora
Bem, n�o adianta Se perguntar o porqu�, querida
Nunca vai adiantar
Quando seu galo canta
Uma das mais alegres cenas de sexo do cinema
� uma das mais curtas.
Novamente o Sr. Pascal, de Alison De Vere.
O sr. Pascal recorda um antigo amor
e de repente ela est� nua, toda azul. Cortinas.
Uma vagina, um p�nis, flores, �xtase, fim.
E os dois s�o um. Que tal?
Mais longa e mais realista,
esta cena de Docinho da Am�rica, de Andrea Arnold,
� talvez t�o comemorativa quanto a de Sr. Pascal
e t�o doce quanto a de Mossane.
A c�mera est� abaixo do topo da grama.
Nada mais aterrado.
Um momento como esse fica mais honesto...
Espere...
-Voc� se importa? -N�o.
A proximidade da c�mera de Robbie Ryan.
A superficialidade do foco...
A perda de foco e, em seguida, um ajuste desleixado,
mas a desordem contribui para a cena.
� como se eles tivessem colocado o telefone na grama.
D� pra chegar mais perto? Estamos quase no cabelo dele.
Os pontos de luz no rosto dela e nas costas dele...
Impressionismo. Est� muito bom.
-Quer gozar? -Sim, por favor...
Esta cena de sexo em Under the Skin
� t�o apaixonada quanto a de Andrea Arnold,
mas a diretora Carine Adler acrescenta outros elementos.
Ela faz a atriz Samantha Morton descrever o encontro...
Eu queria falar com ele,
eu queria beij�-lo,
e ent�o beijei.
Ent�o temos uma esp�cie de dupla narra��o.
Eu deslizo minha coxa entre as pernas dele,
ele levanta minha saia...
Tudo intercalado com o funeral
e a crema��o da m�e da personagem de Morton.
A jovem est� de luto.
...meu est�mago,
ele pega meu mamilo com a boca e chupa,
morde com for�a.
Ele est� atr�s de mim, abra�ando meus quadris.
A edi��o conecta a paix�o do luto � do sexo.
...sua m�o entre minhas pernas, me separando...
Outro tipo de Impressionismo.
Empurrando at� o fim, profundamente dentro de mim...
Do Impressionismo ao Cubismo.
Outra cena de realiza��o sexual...
1, 2, 3, 4, 5,
6, 7, 8, 9,
10, 11, 12...
Mais demorada... 13,14,
15, 16,
17,
18,
19,
20...
T�o planejada
quanto a cena de Arnold parecia n�o ser nada planejada.
Quietude e depois pequenos movimentos dos dedos ou c�lios.
Varda e suas cenas sexuais de formas, de contrastes
entre partes peludas e sem pelos do corpo.
Uma cena parecida no filme da austr�aca Valie Export,
Invisible Adversaries.
A personagem principal � uma fot�grafa.
Ap�s essa a��o ao vivo, vemos as fotos dela.
Tudo est�tico.
Os corpos dos amantes formam um padr�o.
Uma tempestade como trilha sonora.
R�tmica.
Sexo como uma tempestade cadenciada.
O primeiro filme de fic��o de Donna Deitch, Cora��es Desertos.
Sem m�sica,
close-ups quase t�o compostos quanto os de Varda.
Tempo real, luz natural, suavidade.
Ela est� tremendo.
Ela est� se divorciando do marido
e esta � sua primeira vez com uma mulher.
O microfone capta a respira��o delas.
Greta Garbo ligou para a atriz Helen Shaver
para dizer o quanto admirava sua performance.
A pr�pria Shaver tornou-se diretora.
Ap�s 4 cenas de bom sexo,
vejamos o complexo, mas bom sexo.
Cenas de filmes com indecis�o, controle e masoquismo.
O Futuro, da escritora e diretora Miranda July.
Ela foi at� a casa de um homem de meia idade.
Ela foge dele.
Ent�o temos esta �tima tomada de seus p�s se alongando.
O movimento para cima nos diz mais.
Ela est� excitada,
mas n�o exatamente pelo avan�o antiquado dele.
A confian�a de sua postura...
E ela permite que ele fa�a isso.
Espere...
Corta para um objeto.
Ela quer se sentir um objeto?
Uma dissocia��o.
Uma experi�ncia fora do corpo ou isso estava no corpo?
Ela quer que seja impessoal, destacado.
Uma segunda cena sobre a complexidade do sexo.
O filme argentino XXY, de Lucia Puenzo,
que vimos pela primeira vez no cap�tulo 12.
Adolescentes.
Ele tenta p�r a m�o dentro da cal�a dela, mas ela impede.
M�o segura, plano fechado como em Docinho da Am�rica,
mas com uma luz mais azul.
Ent�o ela o vira de bru�os.
Corte para o rosto dele, sem saber o que acontece.
Ent�o ela o penetra.
Ela � hermafrodita.
Mal vemos seus rostos.
Ent�o o pai dela os v�.
Depois, estamos numa floresta e aquela luz azul novamente.
O rapaz est� fugindo do que aconteceu.
Chocado. Incerto.
E ent�o isso...
Excitado e chorando ao mesmo tempo.
Um corpo extenuado.
Maren Ade tamb�m tem interesse nas atra��es de controle.
N�o, meu lanche � mais importante. Vou s� te observar.
In�s est� cansada de fingir,
de ser consultora de neg�cios, de fachadas.
Um quarto comum de hotel,
o tipo de quarto em que passa muito tempo.
Relaxada, toma uma ta�a de vinho.
Ela o p�e pra fazer o trabalho.
Quero que acerte um dos petits fours.
Vou comer depois.
Est� falando s�rio?
Ela gosta dele, mas quer quebrar a rotina.
Ele est� de joelhos. Ela gosta desse poder.
Ele tamb�m.
Ela cria um roteiro. Ela � a diretora, ele o ator.
Qual deles?
Voc� escolhe.
Verde...
Voc� � muito idiota...
Em A Prisioneira,
Chantal Akerman leva isso mais al�m.
Ela fala sobre controle. A c�mera n�o se move.
O homem, Simon, quase n�o se move.
Chegamos a perceber que sua namorada,
por quem ele � obcecado, est� atr�s do vidro?
Talvez n�o.
Fico com medo �s vezes de estar fedida.
Pelo contr�rio,
quando voc� transpira levemente,
-aquela umidade... -Voc� gosta?
�s vezes me sinto com um mau cheiro
que at� eu fico irritada e quero fechar as pernas.
S�o os melhores momentos.
Sua vagina � t�o linda quando est� �mida...
O oposto do esplendor da m�o na grama em Docinho da Am�rica.
� uma cena de sexo sem toque, filtrada pela linguagem,
pela confiss�o.
E eu olhei pra voc�...
E eu...
Separei suas pernas lentamente...
Ele diria essas coisas cara a cara?
E observei sua bela vagina.
Voc� se importa?
N�o...
Fa�a como quiser.
� como uma liga��o telef�nica.
E respirei nela, quente e suave.
S�rio?
Sim, minha Ariene.
N�o fosse minha alergia e todo o p�len que voc� tem,
pediria que nunca mais se lavasse.
-Jamais? -Com menos frequ�ncia.
E ent�o isto...
Um deus ex machina.
� como se ela estivesse na tela de um filme
ou na tela do desejo dele.
Expectativa, prazer, controle, dire��o, submiss�o.
Todos os personagens que vimos curtiram suas cenas de sexo.
Houve reciprocidade,
coopera��o, criatividade.
Bateman estraga isso.
Panor�mica para o espelho pra que ele se admire.
Ele est� com duas mulheres, mas elas s�o ignoradas.
Ele ajeita o cabelo.
Est� transando consigo mesmo.
Est� fascinado por seu eu sexual, sua beleza.
Isso n�o � sexo, � a imagem do sexo.
Catherine Breillat, que tem alguns dos filmes
mais sexualmente francos a serem distribu�dos,
fez esta cena em Para Minha Irm�,
na qual a irm� mais nova � pragm�tica quanto � escolha
que a mais velha est� prestes a fazer.
A garota mais velha fez sexo anal com um rapaz
e ele acabou de lhe dar um anel de noivado,
ent�o ela acha que eles j� podem fazer sexo vaginal.
A av� deixou pra ele.
Acho que vou me entregar a ele esta noite.
Voc� usa umas express�es bem bizarras.
Se ele usar camisinha, deixo ir at� o final.
Poupe-me os detalhes, por favor.
N�o faz ideia de como estou com medo.
Mas tenho que passar por isso um dia,
ent�o � melhor que seja com algu�m que eu amo.
Simples tomadas em �ngulo reverso.
O que voc� acha? O que me aconselha?
A sensatez da mais jovem.
Em todo caso, entre o que j� fizeram e isso
n�o h� diferen�a moral, na minha opini�o.
H� uma diferen�a imensa.
Prefiro que minha primeira vez seja com quem eu n�o ame.
Porque depois
voc� descobre que ele n�o te ama ou que voc� n�o o ama
e se sente uma idiota.
Voc� vai saber quando estiver amando.
Duvido muito.
De qualquer forma, n�o me importo.
Desde que n�o me acorde, pode fazer a noite toda.
Sem diferen�a moral
e ela n�o quer estar apaixonada por seu primeiro homem.
No filme de estreia de Marielle Heller,
O Di�rio de Uma Adolescente,
a menina � mais experiente que a irm� mais nova de Breillat...
Ela dormiu com o namorado da m�e.
Mas ela tamb�m est� tomando decis�es
e � t�o cautelosa quanto a garota de Breillat.
A t�cnica de narra��o de Heller
nos d� acesso �gil aos pensamentos de Minnie.
Em cada detalhe, ela parecia a rameira em que se tornaria,
as al�as do suti� aparecendo,
as cal�as justas e confort�veis na virilha,
quase um cavalo visto por tr�s.
Mas a anima��o nos leva al�m,
at� a forma como ela se v� e imagina sexo e poder.
Ela se chama de rameira, mas, em sua mente,
ela � muito maior que o novo rapaz que beijou.
O que foi?
� que...
Foi... Intenso.
� que fazer sexo com voc�, Minnie...
Me assusta um pouco.
Al�m da inicia��o.
Acima do sexo, de certa forma.
Quero dizer...
Nunca fiquei com algu�m que transa assim.
Oh, n�o!
A garota de Breillat e Minnie s�o prudentes quanto ao sexo,
mas no filme de estreia de Katrin Gebbe,
Nada de Mau Pode Acontecer,
o personagem principal v� o sexo como demon�aco.
Cabelo louro encaracolado de um antigo quadro religioso.
Na camiseta, �Jesus � uma aberra��o�.
E de repente, isto...
A trilha sonora distorce.
Ele n�o sabe para onde olhar.
Paralisado.
Droga!
Tore, o que faz aqui?
Em p�nico, imagens recorrentes.
Anormais se casam primeiro.
Deveria ser amor verdadeiro.
Voc� nem sabe o que � isso, nunca teve uma namorada.
O amor de Jesus � mais importante.
�timo.
Ele tamb�m te abra�a?
As garotas n�o gostam de voc�, ent�o nunca � tentado, certo?
Hip�crita.
Por fim, algo que � o oposto disso.
O criativo document�rio de Heddy Honigmann
sobre os brasileiros e sua rela��o com a poesia er�tica
de Carlos Drummond de Andrade.
Um an�ncio de microondas na TV
que termina com uma divertida observa��o...
Cortamos para a atriz, filmada em close-up,
luz natural e ela l� um poema de Drummond.
Hesitante, mas desembara�ada.
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