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FILME PREMIADO NO FESTIVAL DE LOCARNO, SUÍÇA, 2022,
COM O LEOPARDO DE OURO NA CATEGORIA CINEASTI DEL PRESENTE
Não te ouço!
És má e malvada…
És maiorzinha e devias ter juízo. Ela é pequenina!
Cabra feia e má.
Odeio-te.
O que é que disseste?
Šarlota, volta aqui!
Espera!
Šarlota!
Tamara, pára de me seguir! Deixa-me em paz!
Espera por mim!
Deixa-me em paz, Tamara!
Argumento
Um filme de
SEREIA DA NOITE
PRIMEIRO CAPÍTULO: A CHEGADA
Olá?
Olá! Está alguém?
Precisamos de fazer uma fogueira
para nos protegermos do espírito da bruxa.
Idiota! O que estás a fazer?!
O que foi? Querias fazer uma fogueira!
Espera aí. Segura nisto.
Vimos-te a caminhar por aqui. Queremos fazer-te uma pergunta.
O que foi?
Então, qual é o teu nome?
Šarlota.
Šarlota quê?
Vihárová.
Não se brinca com isso.
Mas não estou a brincar.
- Ela é um fantasma. - Claro que sim, Adam!
Se não estás a brincar, prova-o!
- Jura! - Não te aproximes demasiado.
Tem cuidado.
- Vai buscar. - Vai tu.
Cara Šarlota Viharová, foi notificada para, a 27 de Março,
assistir ao processo de herança de Alžbeta Vihárová,
aberto em de Andrej Miazga, na câmara municipal de Zmokovce.
- Então?! - Então?!
Larga isso!
- Só vou... - Larga o machado!
- Pára! - Larga isso!
Não!
Mas que merda, Mira?!
Achei que tivesses medo da cabana da bruxa.
Que raio fazes tu aqui?
Mira, tem cuidado. Ela diz que é a Šarlota Vihárová.
Importam-se que eu passe a noite aqui?
Não sei.
A Otlya fez cair uma árvore em cima da última pessoa que ficou aqui.
E onde é que está a Otlya?
Ninguém sabe.
- O que foi? - Está ali qualquer coisa!
- Ouvi um barulho estranho! - A sério?
- Olá! - Atenção!
- Olá! - Vamos sair daqui.
- Mira, onde é que estás? - Vamos, Helena!
- Mira! - Ela que se lixe! Vamos!
Não podemos deixá-la aqui! Mira!
- Não funciona de maneira nenhuma. - Olá.
- Olá. - Olá.
Vim por causa do processo de herança da minha mãe.
- E quem é a menina? - Šarlota Vihárová.
Estás a ouvir isto?
Tem a sua identificação?
Aqui tem. E esta foi a carta que recebi do presidente da câmara.
- É a data de hoje. - Como é que é possível?
Dê-me um segundo, por favor.
Certo, guarde a carta.
O presidente não está na cidade.
Ele estará após a Páscoa, no horário de expediente.
- Por favor, volte nessa altura. - Mas a carta tem a data de hoje.
Ele não estando, não podemos ajudá-la. Agora só na próxima semana.
Pois. E ele está onde?
- Desculpe. Adeus. - Adeus.
- Achas que é mesmo ela? - Não pode ser!
…oferece uma gama completa de trabalhos em pedra,
incluindo a instalação da sepultura,
revestimento e tapume de sepulturas mais antigas usando pedra natural,
urnas memoriais, vasos
e a melhor selecção de outros produtos pelo preço mais baixo na região.
Olá.
Olá.
Anna.
Anna Škutová?
Céus! Lembras-te de mim?
Vivia na periferia da aldeia, certo?
És tu.
Desculpa, mas não acredito.
Como sobreviveste? Procuramos-te por toda a parte.
Fugi para a cidade.
Valha-me Deus!
Por que não voltaste antes?
- Tinhas medo dela, não tinhas? - De quem?
Daquela bruxa, a Otyla.
Pára, sua cabra!
A tua mãe e eu tentamos fazê-la confessar
o que te tinha feito a ti e à tua pobre irmã.
Céus! Olha só como tu cresceste.
Tens os olhos dela.
Sabe como é que a cabana da minha mãe se incendiou?
Mãe! Já tenho os pãezinhos.
A Helena contou-me que estavas na cabana da Otyla.
Não podes ficar lá. Jamais me perdoaria. Fica aqui connosco.
Agradeço a oferta.
Šarlota, se precisares de alguma coisa...
- Sabes onde hás-de encontrar-nos. - Obrigada.
DAVID - A CHAMAR
Espera!
- Vem cá! - Espera.
Elo, Maťo!
Larga a galinha e vai ajudar a tua mãe!
- Mas porquê? - Sem resmungar! Vai!
Não!
Passaste-te?
O que estás a fazer?
A bronzear-me.
Devias experimentar.
Faz bem à menstruação.
Sou a Mira.
O Sol pode queimar-te.
Mas a lua é diferente...
É tipo uma carícia.
Não vais despir-te?
Tenho frio.
Tens fome?
Então, ele acha que ainda estás em Bratislava?
Acho que sim.
Acha que estou só amuada.
E estás mesmo?
Quer dizer...
Escrevi-lhe a dizer-lhe que, como não se deu ao trabalho de
voltar para casa depois de eu ter sido operada à hérnia,
mais lhe valia nem se dar ao trabalho de voltar para casa.
Então, qual é o problema? Ele que se lixe.
- O que foi? - Otyla...
Seguras nisto?
Isto era meu. Tinha um ursinho dentro dela.
Mas, ao invés, encontrei isto.
A minha irmã costumava roubar-ma.
- Não sei como veio aqui parar. - É um dente de criança.
E esta velha trança nojenta...
Tens medo de cabelo?
Não sei. Um bocadinho, acho.
Toca-lhe, então.
O que há mais aí?
Talvez ela fosse mesmo bruxa.
SEGUNDO CAPÍTULO: A VILA
Vamos!
Vá, rapazes, despachem-se!
Jesus, não. Odeio este costume.
- Já chega! - Vamos, malta!
Agradeceste ao teu tio?
Estas pistolas de água devem ter sido caras!
- Žofa! - Não era preciso.
Devo-te um ovo de Páscoa.
Se, pelo menos, o teu irmão fosse assim tão atencioso!
- O quê? - Não, eu não…
Pára com isso!
O que te deu?
- Pára com isso! - Não tenho direito a um ovo?
Prometeste que não ias molhar este vestido! Pára!
Tomáš, vamos tomar um copo!
- Olá, vizinhos! - Olá!
Olá.
- Olá, Helena! - Felicidades!
- Não vais apodrecer… - Tomáš!
- Ajuda-nos, por favor… - Que porra é esta?
- Tomáš, pega no balde! - Deixa-me mostrar-te como é!
Obrigado, malta!
Eles vêm aí.
Tranca a porta.
Mira!
Mira, abre a porta!
- Abre a porta! - Abre a porta!
Consigo ver-te por inteiro!
Olha quem está aqui!
Não, não! Não!
- Tomáš, agarra-lhe nas pernas! - Esperem!
- Vem cá! - Parem!
Agarra-a!
Vem cá!
Agarra-a!
Abranda.
Pára com isso, Tomáš!
Larguem-me!
É perigoso, seus idiotas de merda!
- Parem com isso! É perigoso! - E lá vai ela!
Atirem-na também!
Vamos!
Mas tu estás louca? Pontapear uma criança?
Eu devia matar-te!
Lamento, foi sem querer.
O caraças é que foi sem querer!
- Mira, espera. - Deixem-me em paz!
Ai!
- Desculpa. - Tem cuidado, por favor.
És enfermeira. Por que é que não os tiras tu mesma?
Não sei.
É nojento fazer-se isso a nós próprios, acho.
Não faço ideia de quem me enviou aquela carta.
Qual carta?
A da herança da minha mãe.
Eu não me preocuparia com isso.
Ninguém vai contar-te nada.
As pessoas não falam das coisas por estas bandas.
Como vieste aqui parar?
Queria um voltar ao Leste, o sítio de onde eu sou.
Mas os imóveis eram muito mais baratos aqui
porque a casa está assombrada, certo?
Isto aqui é perfeito para mim. A floresta é tudo o que eu preciso.
A que te referes?
Às ervas.
Posso vendê-las a 150 euros o quilo.
Dá muito trabalho, mas faz-se.
- Pronto. - Obrigada.
Credo!
- O que foi? - É o Juro.
"És tipo um Porsche 930 Turbo ao redor de Škoda."
Que paspalho.
Namoras com ele?
Não, andamos só a dar uns amassos. Quer dizer, não é só com ele.
- Com quem mais? - Com quem eu quiser.
- Fica com este pijama. - Obrigada.
Nem sabes a sorte que tens.
Quando estou apaixonada, só consigo ter sexo com essa pessoa.
Felizmente, nunca me aconteceu.
Nem sequer com uma mulher?
O que estás a sugerir?
Não, espera!
Isso é para as hemorróidas.
Este é que é o cicatrizante mágico.
- São quinze euros. - Toma lá.
Abre a porta.
Hoje não.
Espera.
Dá-me a tua mão. Eu puxo-te para cima.
O que foi?
- Foi aqui que aconteceu. - O quê?
Foi aqui que vi a Tamara pela última vez.
Eu estava a fugir de casa.
E ela veio atrás de mim, como sempre.
Espera por mim!
Deixa-me em paz, Tamara!
… e, então, disse: "Esta é a caverna de Grgolica!"
Estás bem?
- Onde é que vais? - Vou voltar para a cabana.
Vá, vamos voltar lá para dentro. Calma, está tudo bem.
Respira.
Respira e olha para mim.
Olha para mim. Continua a olhar para mim.
Vamos respirar juntas, sim?
Inspira… Deita-te.
Respira comigo.
Vamos respirar juntas, sim?
Ele dizia-me sempre para me acalmar, mas isso só piorava as coisas.
Eu era totalmente incapaz de me controlar.
O que queres realmente?
O quê?
O que queres da vida?
Não sei.
Uma família, acho eu.
Então, queres ter filhos? Um, dois?
Um, por enquanto.
Depois, logo se vê.
Aí é que verei como é.
Não tenho a certeza de se eu daria uma boa mãe.
Sabes, a minha mãe...
Não importa. Só não quero ser como ela.
- Talvez seja uma estupidez. - O quê?
Talvez ter filhos seja uma estupidez.
Quando as pessoas vêem crianças, costumam sentir qualquer coisa.
Mas, quando eu vejo uma, não sinto nada.
- Sei lá. É estranho. - O que tem isso de estranho?
Eu, enquanto mulher, deveria sentir qualquer coisa.
Então, enquanto mulher, tu deverias querer ter filhos?
Não.
Não sei.
- É o que toda a gente diz. - Toda a gente que se foda!
- Mas eu... - E tu, queres ter filhos?
- Não. - Então, não tenhas.
Eu não o queria.
O quê?
O bebé.
Foi por isso que aconteceu.
Como eu não o queria, ele morreu dentro de mim.
Eu matei-o, sabias?
Não. Na verdade, não sabia.
Céus, Mira. Sofri um aborto espontâneo.
Estou a ver.
Então, não era uma hérnia.
Não parecia estar grávida.
Mas lá aconteceu e…
Tentamos durante dois anos.
E quando engravidei...
... tudo estava bem.
Ele estava a crescer.
Tinha vinte e uma semanas e trezentas gramas.
E depois deu para o torto.
Nem sequer consegui isso.
Nem sequer fui capaz de manter um bebé vivo.
Eu fodo tudo.
Não foi à toa que ele me deixou.
Que cretino.
Abandonou-te depois de um aborto espontâneo?
Tu não entendes.
Eu é que fiz merda, não ele.
Menti a mim mesma.
- Šarlota… - Menti-lhe a ele.
Matei o meu bebé!
- E matei a minha irmã! - Šarlota!
Desculpa, eu não...
TERCEIRO CAPÍTULO: A CRIANÇA SELVAGEM
Não te assusta ficar aqui sozinha?
- Assusta. - Então, por que não vais embora?
Não sobra nada para herdar. Está tudo queimado.
Quem incendiou a cabana da minha mãe? A Otyla?
Não invoques o nome dela. Podes despertá-la.
Pelo menos, ela sempre poderá contar-me o que aconteceu.
Ela amaldiçoou este sítio. Foi isso o que aconteceu.
- Por que amaldiçoaria a própria cabana? - Porque…
Porque foi aqui que lhe tiraram a menina.
Qual menina?
Não era bem uma menina.
Era selvagem, mordia em toda a gente e nem sequer conseguia falar.
Chegas-me isso, por favor?
Helena!
É só uma cobra.
Então, não te importavas se eu te esmagasse a cabeça?
És só um humano...
Acaba isso.
Acaba o que começaste!
As cobras não têm alma.
Helena, espera!
O que aconteceu à criança?
- Helena! - Qual criança?
Ela disse que a Otyla teve uma menina selvagem.
Ai, por favor!
- Bom dia. - E então?
Sempre ficas lá em casa? Não quererás viver como os ciganos!
Louvado seja o Senhor.
Este é o Fero. Lembras-te dele, Šarlota?
Bom dia.
A Šarlota era diferente.
Pois claro que era! Ela é uma mulher agora!
Helena…
- Podes falar-me mais dessa criança? - Não.
Estás zangada comigo?
Não.
Helena!
- Espera! Onde vais? - Não é da tua conta.
Preciso de saber. Pode ter sido a minha irmã.
Mas girará tudo à tua volta?!
Espera!
A Mira é minha amiga.
O quê?
E, desde que apareceste aqui, ela odeia-me.
Isso é um disparate.
É verdade.
Espera.
Helena!
Nunca lhe contaste?
Claro que não.
Não te atrevas a dizer-lhe.
- Prefiro arriscar a rejeição... - Cala-te!
Pára de falar nisso.
- A Mira também pode gostar de mulheres. - Cala-te!
Seria por causa da criança?
- O quê? Qual criança? - A selvagem.
O que lhe aconteceu? Poderá ter sido a Tamara?
Sei lá!
Levaram-na para algum sítio. Eu nunca a vi.
Procurei-te por toda a parte!
A Anna está a passar-se por teres trazido a Helena para longe.
- Mira! - Credo.
Certo, levanta-te. Vamos.
Valha-me Deus! O que lhe fizeste?
Helena!
Afasta-te dela!
Deixa-me ajudar-te.
Vamos, Helena.
Credo!
Mira, deitas o olho à cabra?
- Vem daí! - Meninos, para dentro!
És aquela bruxa?
Pára.
Nunca vi uma bruxa que não soubesse afiar uma foice.
- Não sou nenhuma bruxa. - Claro que és.
Caso contrário, por que me trarias tu aqui?
Aguenta.
Posso?
Claro.
Da outra forma.
Segura aqui.
Não. Quase.
Até ao fim.
Do outro lado.
Agora, sim.
Óptimo.
É isso.
Olá.
Então, pensaste melhor sobre ficares aqui?
Não, mas não se rale comigo.
Lamento se isto a incomoda,
mas preciso de saber onde está a criança selvagem.
Credo, já chega.
Šarlota, não sei de nada.
O que estás a fazer?
- Pousa isso. - O que aconteceu?
Por que é que a cabana da minha mãe foi incendiada?
Porque ela viu a cabra daquela cigana a entrar na floresta!
Quem?
A tua mãe viu-a.
Durante a lua cheia, com o conventículo inteiro nu, a dançar perto do fogo.
- E sabe-se lá mais o quê! - Devolve-me o ganso! Pode ser?
Onde está essa criança? É a Tamara?
Não vou dizer-te nada!
- Eu trato disso. - Desaparece!
A bruxa matou a Tamara depois de teres fugido dela.
Eu fugi da minha mãe. Ela batia-me.
Que pecado!
A tua mãe esperou demais.
Mas nosso Senhor fê-la pagar.
Esperou pelo quê?
Pelo baptismo.
As bruxas só vão atrás de crianças não-baptizadas.
Sacrificam-nas e banham-se no seu sangue,
para que fiquem jovens para sempre.
Mas, se levarem uma criança baptizada, criam-na como se fosse sua.
Foi por isso que a bruxa veio até aqui, acomodou-se e esperou.
Esperou pelo quê?
Por outra criança não-baptizada.
Então, está a dizer-me que a Tamara foi morta por bruxas?
Acredites ou não, toda a gente sabe que o a Tamara não lhe chegava.
Também teve de livrar-se da pobrezinha da tua mãe.
Porquê? Foram vizinhas durante anos.
Para que ela pudesse criar a criança selvagem!
Coisa que ela não podia fazer com a tua mãe por perto!
Pelo menos, diga-me onde está a criança selvagem.
Preciso de ter certeza de que não é a Tamara.
Já me chega disto.
Isto tem de acabar.
O que queres de nós, afinal?
Acredita, tentei proteger-te.
Mas tu não quiseste ouvir.
Descobrimos onde aquelas bruxas costumavam encontrar-se.
- O que é isto? - Ela pegou no ganso.
Sai daqui!
Mira, não! Ela é bruxa!
- Larga-me! - Por favor, não!
- Helena, larga-a! Vai para casa! - Fica aqui.
QUARTO CAPÍTULO: OTYLA
Otyla?
Olá.
Afinal, a Helena tinha razão.
Bom dia, bruxa.
Calma.
Pronto.
Não era o tamanho do Fero.
Que filho da puta. Qual é o problema dele contigo?
- O que é isso? - Língua de ovelha.
- Eu arranco o cabelo. - Tu o quê?
É um distúrbio. É tipo roer as unhas.
Só que eu arranco o cabelo.
E isto é salgueiro.
É para a dor. É uma receita da minha avó e funciona mesmo.
Por que ficaste tão chateada?
Já sabias que a tua irmã estava morta, não?
Antes…
Sei lá. Foi há tanto tempo.
E agora parece que está a acontecer tudo novamente.
Agora mesmo.
Mas, mesmo que ela estivesse viva,
tu irias continuar a odiá-la, por isso, não vejo qual é o problema.
Pois, não vês.
Claro que não vês.
E, assim sendo, por que não fechas a matraca?
Pronto, eu calo-me.
Podes descarregar em mim, caso isso faça com que te sintas melhor.
Sabes o que faz com que me sinta melhor?
- Isto. - Pára com isso.
- Pára ou vou-me embora. - Vai, então.
Vai!
- Šarlota. - Desaparece!
Certo.
Mira?
Mira.
- O que lhe fizeste? - Nada!
Como assim?
Já viste o que eles fazem às galinhas e aos gansos.
- Devias ter chamado o veterinário! - Cala-te, senão também levas!
- Quem lhe fez isto? - Eu não fiz nada!
Quem lhe fez isto?
- Eu não fiz nada! - Mas que raio?
Estou a ver. Crianças e mulheres, certo?
És cá um homem!
- E então? - Mete-te na tua vida!
Espera até teres filhos!
- Quem fez aquilo à cabra? - Foi a Mira! Ela é bruxa!
Esta pergunta vale cem euros.
Mas, caso não responda, estará a jogar pelo dinheiro dele.
As categorias são as seguintes: ficção eslovaca, canções folclóricas…
Nunca viste uma cona?
Não te metas comigo, cabra.
Eu? Nunca na vida. Provavelmente, dar-me-ia vómitos.
O que apenas te excitaria, tal como bater em mulheres e crianças.
És um falhado.
Ai!
Não!
O que estás a fazer?
Estou a vir-me.
Que merda estás a fazer?
Somos marido e mulher, não somos?
Vem cá, Jožo!
Vem cá, parceiro.
Vem cá. Lindo menino.
Senta!
Senta! Deita! Fantástico!
Salta!
Beta? Beta!
Beta!
Encontrei a Tamara, Beta!
QUINTO CAPÍTULO: SANTOS POPULARES
Para lá dos Tatras Os trovões soma alto
Para lá dos Tatras Os trovões soma alto
Vamos detê-los, irmãos
Já que desaparecerão
Os Eslovacos ganharão vida
Vamos detê-los, irmãos
Já que desaparecerão
Os Eslovacos ganharão vida
- Saúde! - Saúde!
- Não acredito que a pinaste! - Claro! E na casa dela!
- Olha! - Por falar no diabo!
Mira, deixas-me pinar-te também?
Vá lá, vou lamber-te toda!
4,80€, por favor.
- Uma perguntinha para ti... - Aqui tem cinco.
Fique com o troco.
- Não sejas tímida! - Mostra-nos essa coninha!
- Vem cá! - Mostra-nos o teu tesouro!
Onde te meteste, puta?
Tem uns mamilos que dão para pendurar um casaco!
E está rapadinha?
- Pai! Vem connosco! - Não me chateies.
Aquilo é uma selva lá!
Estou a conversar.
Pai, eles não nos deixam andar no jipe!
Saiam daqui.
Saiam daqui ou levam já! Não vêem que estou a conversar?!
Olhem só para vocês!
- Um brinde, minhas amigas. - Felicidades!
À vossa.
O que é isso?
É a minha poção do amor.
Helena, espera!
Vamos dançar.
- Com isto? - Sim.
Vamos.
Vamos!
- Vai ser divertido! - Bem…
- Não sei. - Vamos!
Vem cá.
- Vamos dançar! - A sério?
Sim, vamos! Vamos!
Elo!
Maťo!
Tomáš, onde estão os meninos?
Elo!
Maťo! Onde estão?
Não os encontro.
Mas que merda?
Estás à espera de quê se te pões para aí a dançar que nem uma puta?
Sua cabra, quando é que vais deixar-nos em paz?
Ele apalpou-me e eu defendi-me.
Acho que todas vocês estão habituadas a isso.
Somos gente decente. Ao contrário de ti.
Claro.
Esposas decentes e tementes a Deus e espancadores de crianças.
O que foi?
Vai em paz. Ámen.
Mataste a cabra da Žofa!
- E amaldiçoaste o ganso! - Elo!
E sabe-se lá mais o quê, sua cabra careca!
Maťo!
Ela que se foda.
Parece um abridor de latas.
- Onde? - Ali.
Onde?
Mira, o que meteste nos shots?
Bem, é a minha PP.
- O teu o quê? - Pinga da Precisão.
Problemas Pessoais.
Pingue-Pongue.
Peitos no Prato.
Estás a ver?
Sim.
Nem sequer sabes para onde é que estou a apontar!
Quem for apanhado, tem de fodê-lo!
Vamos!
Espera!
Espera por mim!
O que se passa?
O que foi?
O que aconteceu?
SEXTO CAPÍTULO: A IRMÃ
Tamara.
Vais empurrar-me do penhasco?
Um.
Dois.
Três.
Quatro.
Estás louca? Por que faria eu isso?
Tens de odiar-me.
Por que não me contaste?
Tinha medo.
De que…
Não sei. De que voltasses a fugir.
Desculpa.
Porra!
- Devo chamar a polícia? - Não, espera.
O computador está por aqui.
O dinheiro…
- Acho que foi aquele sacana. - Quem?
O Tomás.
Despe-te, vou pôr a máquina a lavar. Há roupa seca ali.
CARA ŠARLOTA VIHÁROVÁ, FOI CONVOCADA PARA A ATRIBUIÇÃO DE HERANÇA...
Dá-me o teu vestido.
Certo, fui eu quem te enviou a carta.
- Lamento por isso. - Não faz mal.
ORFANATO SEČOVCE
Quanto tempo demoraste a encontrar-me?
Vinte anos.
Depois de teres fugido, morei com a Otyla durante uns tempos.
Espera. Com a Otyla?
- É que eu… - Por que não voltaste para casa?
Bem…
Depois da queda, ao acordar em casa da Otyla...
Não tenhas medo.
Está tudo bem.
Eu fui a nossa casa.
A mãe estava lá pendurada.
Toca nisto. Sente como a pele está seca.
Žofa!
Žofa, vai buscar a Anna!
Encontramos a Helena na parte de baixo do penhasco!
- Onde estão o Elo e o Maťo? - Não os encontramos.
- Como assim?! Olha que o chove! - Não há sinal deles.
Procuramos por toda a parte.
- Helena! - Tira-a da chuva!
- Mira, chama uma ambulância! - Certo.
Olá? É da polícia?
Fala Žofa Smahová. Já liguei anteriormente.
Sim, por causa das crianças desaparecidas.
Ainda não apareceram.
O meu marido acabou de voltar, mas não os encontrou.
Aguenta-te.
Credo! O que aconteceu?
- Leva-a para dentro! - Não podemos mexer-lhe.
- Não lhe toques! - Sou enfermeira certificada!
Não podes tocar-lhe!
Ela vai sangrar até à morte!
Ajuda-me, por favor!
Ela não deve tocar-lhe. Ela é má!
Ela vai morrer! Helena!
Žofa, traz-me sal abençoado!
Já lhe disse! Estavam a brincar na fogueira antes de desaparecerem.
Larguem-me!
Não pode estar a falar a sério.
- Ainda nem saíram da esquadra? - Foda-se, não acredito!
- O sal! - Cala-te!
Não tenho sal!
A ambulância chega daqui a um minuto.
Helena!
Não lhe toques!
Tomáš!
Afasta-te dela!
Desaparece! Afasta-te, sua cabra! E tu também!
Afastem-se ou mato-vos!
Vamos, para trás!
Para trás, porra!
Saiam daqui!
Aquelas cabras mataram-na!
Mira!
Onde estão os meus filhos?
SÉTIMO CAPÍTULO: BRUXAS
Maťo!
Elo!
Rapazes!
- Maťo! - Só estamos a perder tempo.
Elas têm-nos.
Viste do que elas são capazes.
- Maťo! - A polícia não vai ajudar.
Ligaste-lhes duas vezes e eles estão-se a cagar.
Maťo!
- Desde quando esses ajudam alguém? - Elo!
Žofa!
- Vamos, Žofa. - Maťo!
Žofa!
- Certo, vamos ver na cabana. - Adam, Juro, venham cá!
O Rado não atende.
Mira.
Temos de ir.
- Levantem-se! Saiam da cama! - Vem cá, Jožka.
Para o canto! Rápido!
Mira, vem cá!
Agarra-a!
Baixa-te!
- Sai de cima dela! - Cala-te!
Eles não estão aqui.
O que estás a fazer? Prometeste que não ias magoá-las!
- Estão à procura de quê? - Deixa-te de coisas. Sabemos que os têm.
Temos o quê?
Afinal, é verdade.
Não queria acreditar.
O que é aquilo? Um ultra-som?
Sou mãe deles. Sabes como estou assustada?
Não sei do que estás a falar. Devolve-me isso.
Vocês têm o Elo e o Maťo.
- Diz-nos o que lhes fizeram. - Calma.
Então, isso é o quê?
Estás grávida?
Não.
Como não podes ter filhos, ficaste-me com os meus.
Isso é uma loucura, Žofa. Não tenho os teus filhos.
Despe-te.
Anda lá, porra!
Continua!
- Onde é que eles estão? - Não sei.
- O que foi? Queres ajudá-la? - Não sabemos nada deles!
Mas fugiram porque lhes bate, seu monte de merda!
Onde estão os meus filhos?
Onde estão eles, puta de merda? Onde é que estão?
Pára com isso! Temos de ir procurá-los!
Vem, Jožo!
- Tu ficas aqui com elas. - Não vou ficar sozinha com elas!
- Alguém tem de vigiá-las. - Eu vou contigo.
Žofa, só tu podes fazê-las confessar.
Se eles estiverem na floresta, juro que irei encontrá-los.
Adam, vamos.
Veste-te.
Estás a ouvir-me?
Posso tirar-lhe a mordaça?
Está a falar a sério?
Žofa, sei que estás arreliada por causa dos teus filhos.
- Mas isto é muito marado. - Calma.
Achas mesmo que somos bruxas malvadas?
Mexe-te.
Para a mesa. Rápido!
Que super-herói!
A apontar uma arma a duas miúdas amarradas!
Já estás com tesão?
O quê?
Vê se te calas!
Não fiques envergonhado. Há muitos impotentes...
Cala-te!
A veia que tens na testa parece que vai estourar.
Que nome ias dar-lhe?
Ele estava morto ao nascer?
O que queres?
Deve ter sido horrível.
Deve ser horrível viver com um espancador de mulheres.
O que sabes tu?
Eu sei como é quando não se pode deixar alguém.
Mas eu não quero deixar ninguém.
Deus uniu-nos para o melhor e para o pior.
Certo.
Ao fim e ao cabo, os homens são todos iguais.
Ouve...
Se me disseres onde estão os meus filhos...
Deixo-te ir.
O Tomáš não te encontrará aqui. Prometo-te.
Vou ao WC, vigia-as.
Porra!
O que vês?
- Onde? - Ali, no chão!
Relva.
Elo!
Maťo!
Porra!
- Para! - Ai!
Juro, não!
Para!
Levanta-te! Rápido!
Credo, Žofa!
Porra!
Espera!
- Vou ajudar-te. - Não me toques!
- Vá, vem daí. - Pára!
Lamento imenso. Porra.
Vou buscar ajuda! Espera.
Elo!
Maťo!
Tomáš!
O que aconteceu? O que é que elas te fizeram?
Tomáš, volta aqui! Onde vais?
Ela está bem?
O Juro foi buscar ajuda. Desamarra-me. Eu posso ajudar.
Não devias ter feito aquilo.
- Aquilo o quê? - Tomáš!
O que estás a fazer?
Temos de ajudar a Žofa. Desamarra-me!
Tomáš!
Não, não podes fazer isso!
Tomáš, não!
Tomáš!
Onde vais?
Tomáš!
Tomáš! Ajuda-me! Socorro!
Porra! Porra! Não, não!
Ajuda!
Ajuda!
- Mira! - Espera!
Ela não está a respirar.
Mira!
- Levanta-te. - Mira!
Mira, respira!
Mira, por favor, respira!
Mira!
Vamos!
Mira!
Olha, volta para a fila!
A MONIKA POTOKÁROVÁ
Realização
Argumento
Fotografia
Música
Edição
Produção
TRADUÇÃO E LEGENDAGEM darkdevil
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