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- Art Subs - 14 anos fazendo Arte para você!
Legenda - willian_as -
Atraquem e desembarquem.
- É para mim? - Cerveja?
Então não é. Mas deixe aí.
Obrigado, muita gentileza.
Muito obrigado.
Viu a sombrinha rosa?
Não faz sentido colocá-las.
Temos algum problema?
Não, vou verificar por ali.
- Boa noite, senhor. Tudo. - Tudo bem?
- Sr. De Roller. Que prazer vê-lo. - Almirante.
O prazer é meu.
Um raro prazer tê-lo conosco aqui.
Vejo que já tem um drinque.
O senhor já soube que...
algumas garotas presentes aqui
tiveram a sorte de visitar...
- um de seus submarinos. - Mesmo?
"Seus" submarinos...
- Eu não sabia. - Ao que parece.
Sabe bem que a felicidade não tem limites.
Que bom que está tão despreocupado, Almirante.
- Excelente. - Tento ficar assim.
Como deveria. Não importa o quê.
Ele chegará logo?
Sim. Daqui uns cinco minutos.
Ele acabou de sair.
- Tem certeza? - Tenho.
Este seu negócio não está indo bem.
Está, sim.
MARINHA NACIONAL
Olá.
- Viu este traje? - Excelente.
Algumas conchas aqui...
Parece ótimo.
- Quer experimentar? - Talvez outra hora.
- Só por diversão. - Bom, tudo bem.
- Assim? - Conhece le mana?
- Claro! - Bem, este com certeza tem.
Fantástico, hein?
Não, isso não.
Que tal o colar?
Não, obrigado. Mas é lindo.
Uma dançarina taitiana, talvez?
É, talvez.
Muito bonito, mesmo.
Muito bem feito.
Ponha você.
Assim que fica.
Magnífico.
- Fica melhor em você. - Em mim?
- Sim. - Ficou bom em você também.
Vou ter que entrar em forma.
Venha conosco. Vamos colocá-lo em forma.
Não vou mais incomodá-los.
Muito bacana.
Bem, não vou mais incomodá-los.
- Olá. Bem. - Como está?
Quer ver os trajes?
Obrigado, mas não. Tenho que trabalhar.
Eu só gosto de curtir esse ambiente.
Queria que você visse como é o traje de galo.
Certo, certo.
Começaremos o ensaio do...
Vou assistir de longe. Não quero me intrometer.
É tudo muito charmoso. Obrigado.
Obrigado! Até mais!
Há rumores de Fangataufa,
uma ilha perto de Moruroa,
onde foram feitos testes nucleares...
É claro.
...há alguns anos. E daí...
ouvimos dizer que...
Aparentemente, há um projeto...
para reestruturar o CEP,
Centro de Experimentos Nucleares,
e possivelmente retomar
os testes nucleares aqui,
este ano.
Então, queríamos saber qual sua visão disso.
Já tinha conhecimento sobre?
Ouçam.
Devo admitir que estou totalmente surpreso.
Também nos surpreendeu.
"Vovô,
o que o senhor fez para defender minha terra e meu oceano?
Vovô, todos os dias quando me levanto,
eu vou para a escola nesta terra.
Depois da escola, vou nadar no oceano, vovô!
O que o senhor fez para me proteger?"
É claro, é claro.
Evidentemente, devemos estar vigilantes
- e agir... - É por isso que estamos aqui.
...preventivamente
para evitar a retomada dos testes.
Acredito no que está dizendo, mas devo tranquilizá-los.
Conseguem imaginar
os custos que tais testes incorreriam
depois de todas...
as tragédias que causaram?
Contamos com você, Alto Comissário.
Compreendo perfeitamente suas preocupações.
- Se pudesse esclarecer isso... - Eu farei o meu melhor.
Obrigado, Pierre-Olivier.
Me desculpem.
- Bom apetite! - Obrigado.
Gostariam de um café?
Não, obrigado, estamos satisfeitos.
- Me perdoem. - Sem problemas.
A refeição desse prato é da nossa lagoa.
Mas é claro.
Ela permite que você viva, respire, se mova.
Eu esperava ver o Jacques.
Jacques está doente.
- Sei. - Jacques está doente, então...
- Estou representando ele hoje. - Ótimo.
Sou uma espécie de...
representante interino.
Ele está bem?
- Ele está bem. - Algo grave?
Não, nada grave. Um quadro de gripe.
Certo. Então você vai assumir?
Exatamente, eu vou assumir...
e espero vê-lo em reuniões futuras.
Sim. Sem dúvida.
Queríamos discutir outra coisa:
Nosso pessoal não terá permissão para entrar no futuro cassino.
Ficamos um pouco surpresos com essa segregação.
Você sabe como...
as instituições religiosas deste país...
têm um poder enorme
nas tomadas de decisão.
Elas são bastante coercitivas.
No fim das contas, as pessoas precisam se divertir.
Sim, afinal estamos numa ilha.
A coisa mais empolgante para fazer aqui
é andar em círculos.
Portanto, não se surpreenda se os jovens fizerem baderna.
Tenho que admitir, elas me irritam.
Já basta.
Por que elas estão interferindo? Este é um novo século.
Se elas não querem que os paroquianos
tenham acesso...
- Por que não? - Então que seja.
Tudo bem.
Mas é impensável proibir que a população da ilha
se divirta quando quiser.
Pareceria até a Inquisição.
Não estamos na Idade Média.
Embora eu possa lhe dizer em segredo,
não conheço muita gente que ganha em cassinos.
- É o cassino que ganha. - Sempre ganha.
- Mas as pessoas se divertem. - Exatamente.
Francamente, a turma religiosa é uma pedra no sapato.
Não podem encher nosso saco do outro lado do mundo.
Não brinca.
- Se me perdoam pelo linguajar. - Nós concordamos.
- Perdoe-me, senhora. - Sem problema.
É verdade. Estamos fartos delas.
As Testemunhas de Jeová,
cansei delas, de verdade.
Não tivemos a Revolução Francesa à toa.
- Bem, quero dizer nós... - Claro.
Para mim, esses problemas estão resolvidos.
- Sem dúvida. - Bom saber.
Vocês terão meu apoio.
O cassino estará aberto a todos.
E comemoraremos lá o Dia da Bastilha!
- Um feriado nacional. - Fantástico.
Com uma aposta grátis inicial para todos os residentes.
- Só para irritá-los. - É disso que estamos falando.
E depois todos nós iremos ao Morton.
Aqueles que quiserem. Não sei se caberemos todos.
É um pouco apertado, mas é bom.
Marquem em seus calendários.
Isso é sério. É uma promessa.
14 de Julho.
Iremos ao cassino celebrar os valores da República.
Depois para o Morton. Maravilha.
Obrigado.
Pode acompanhá-los?
- Tchau, Sr. De Roller. - Tchau.
- Obrigada pelo seu tempo. - Um prazer, senhora.
Fique calmo. Chamaremos a polícia.
- Tudo bem, Tico? - Sim, tudo bem.
- Devo servir? - Se puder.
- Aqui está. - Obrigado.
- Senhor? - Sim.
Há um homem dizendo que é português.
Ele está todo aflito.
Disse que os documentos dele foram roubados.
- No hotel? - Sim.
Que estranho.
E quando foi?
Esta manhã.
Ele falou de um passaporte diplomático.
- Ele estava sozinho ou com alguém? - Sozinho.
Do que se trata tudo isso?
Inacreditável.
- O passaporte dele foi roubado? - Sim.
Ele não viu ninguém desde que chegou, meio estranho.
Esse tipo de coisa nunca acontece aqui.
Alguém esteve no quarto dele?
Ninguém entrou lá.
Ele afirma que foi roubado.
- E ele parecia louco. - Parecia louco?
Louco como? Nervoso? Bravo?
Um pouco, sim.
Ele está pensando direito ou...?
Mais ou menos.
Devemos chamar a segurança?
Normalmente chamaríamos a polícia,
mas ele repetia...
Parece que te conhece.
- Então ele é um diplomata? - Eu não sei ao certo.
Ele prefere não lidar com a polícia.
- Situação bem incomum. - Sim.
Ele deve estar envolvido em algo sombrio.
Você acha?
Bom, veremos.
Muito bem, muito bem.
Você deve se virar.
Faça com a mão assim, ficará melhor.
Eu não entendi.
Quando me vir, faça isso.
Ele vai vir daqui, eu vou te puxar...
Aí o apunhala.
- Assim? - Isso.
Já sabe o que vai fazer nas ilhas?
Você sabe onde eles planejam...
No momento, fui designado para Fakarava.
Estou indo para lá, e em seguida para Takume.
Estes são os locais
- que o exército quer visitar. - Certo.
Acredito que haverá outros atóis também.
Mas estão, inicialmente, ocupando esses dois?
Por agora.
Irei lá semana que vem para instalar os sistemas
de som e iluminação.
Certo. E estará operacional em breve?
Vou embora na próxima semana
e levarei uma semana para instalar tudo.
- Isso é rápido. - Sim, é.
A pista é bem curta.
Quando te contataram?
- Há um mês. - Foi rápido.
Eles fizeram a proposta e estabeleceram condições.
Li o contrato e gostei.
- Eu estava interessado. - Sim, eu entendo.
É sempre bom ter um amigo no exército.
Você sabe, é...
Tenho sorte em te conhecer. Já é um bom começo.
Isso é bom.
O que o assusta no cassino?
Acha que as pessoas vão se divertir lá
e virão menos aqui?
É disso que se trata, não é?
A missa, as pequenas cerimônias...
Essas pequenas diversões.
O pessoal trabalha a semana inteira e no domingo você os entretêm.
Estamos oferecendo uma alternativa.
Deixe-os pelo menos ter a liberdade de decidir.
Sejamos claros.
O que posso dizer é que o cassino irá abrir.
E será tributado como todos os cassinos.
E o dinheiro dos impostos virá para mim.
E esse dinheiro...
usarei para destruir suas capelas se for preciso.
Não vai demorar muito, garanto.
Daria um belo salão de festas.
Poderíamos reformar,
oferecer oficinas de cerâmica,
organizar um bingo.
Os idosos também precisam se divertir.
Seu rebanho diminuiu, não foi?
Você disse algo para acalmá-lo?
Só precisei ouvi-lo desabafar.
Ele estava com raiva a principio?
- Surpreso? - Sim.
Mais surpreso do que com raiva.
Certeza que ele não disse nada que pudesse me ajudar a ajudá-lo?
Não, senhor.
- Não? - Não.
Nada mesmo.
Não pode me dizer mais nada?
Não sei, algo sobre...
Na verdade, não.
Acho que não chega a tanto.
Assim que ele chegar, o avisaremos.
Você está sendo muito misteriosa sobre isso.
Não se preocupe, não é nada grave.
Não estou preocupado, Shannah.
Eu tenho outras maneiras de descobrir.
Eu não duvido disso.
Pode me passar seus dados?
Anote.
- Escrevi errado o seu nome? - Falta um N.
- Que anel lindo. Adorei. - Obrigada.
- Uma bela cor. - Obrigada.
Então, sobrenome e...
- Primeiro nome. - Certo.
Não quer meu endereço?
Por que não?
Você quer me visitar?
Se você quiser, por que não?
Não tem nada mesmo para me dizer?
Um detalhe que lhe ocorreu?
Bem, senhor,
- poderíamos ver isso. - Ótimo.
- Ligarei para você. - Certo.
- Obrigado. - Por nada.
- Esquisito. - Sim.
Morton?
Sr. Ferreira, está se sentindo melhor?
Ele apagou mesmo.
- Ele bebeu demais? - É o que estava me perguntando.
- A garrafa está ali. - De fato.
Está pela metade.
Outra dose de tequila, senhor?
- Uma dosezinha? - Vou pegar uma pra ele.
É rum, o que é pior.
Vamos tomar uma com ele.
Lois, tem copos aí?
Ouça.
Posso chamar a polícia.
Fazer um BO.
Devemos devolver o passaporte dele?
Não, agora não.
Ele é um imprestável. Um inútil.
Não se preocupe.
Ele vai se recuperar.
Daremos oxigênio para ajudá-lo a ficar de pé.
Você perguntou a ele sobre o Almirante?
Sobre o quê?
- Sobre a frota. - Não.
- Não? - Não.
- Não teve tempo? - Não mesmo.
Não chegamos a falar disso.
Ele ficou chateado pelo passaporte?
Sim, estávamos nos perguntando por quê.
Ele só nos servia pra isso.
Ele precisa ir...
ver um médico.
Não podemos ficar aqui o dia todo.
Olhe para ele.
Ouvi dizer que ele vai a bares com o Almirante.
É possível.
- Bem possível. - Eles foram vistos juntos.
Não sei o que ele sabe.
Mas deve saber de algo.
Tem se divertido com o Almirante?
Ele não fala muito comigo,
mas com você ele conversa bastante, né?
Eu soube que vocês dois se dão bem.
Tome um drinque.
Um drinque, vamos.
Vai te fazer bem.
Já está se aprumando.
Tome um gole.
Muito bom. Um pouco, isso aí.
Isso aí, muito bem. Isso.
Outro gole. Mais um.
Isso, muito bem.
É bom?
Lembra de ontem à noite?
Outro gole vai te fazer bem.
Vamos lá, o último.
Pronto, muito bem.
Seu amigo, o Almirante, acabou de chegar!
Você estava com ele ontem à noite?
Veja, aqui está ele.
Cumprimente seu amigo.
- Dê um "oi". - Olá, Ferreira!
Fale com seu amigo, o Almirante.
Isso.
O que quer dizer a ele?
Lembra do que disse a ele ontem?
Tome um drinque. Vai te fazer bem.
- Está chapado. - Ele está bem?
- Então... - Está?
- Parece melhor. - Ele está voltando a si.
A enfermeira está a caminho.
- Certo. - Ela logo chegará.
Liguei para ela há dez minutos.
Ela estará aqui em alguns minutos.
Que bom.
- Pode trazer uma garrafa de água? - Sim.
Bem gelada.
Fará bem a ele.
- Água? - Sim, apenas água para ele.
Sr. Ferreira, beba um pouco de água.
Beba um pouco de água, vai te fazer muito bem.
Você está desidratado.
Devagar, sem pressa.
Eu o ouvi gritando.
- Não. Ele só ficou assustado. - Não?
Ele não está pensando direito.
Ele está confuso.
Acho que ele tem um problema com bebida.
- Entendi. - Nenhum de nós pode fazer nada.
Ele deve estar muito desidratado.
- Sei. - Eles vão levá-lo...
para o hospital, pior caso.
Mas com um bom descanso, ele ficará bem.
Ele já está melhor.
Morton...
- já estava falando com ele. - Ótimo.
Morton, você permanecerá ao lado dele,
enquanto esperamos a enfermeira.
Você pode voltar agora...
Para os meus dançarinos?
- Exato. - Qualquer coisa, me liguem.
Sem problemas.
Cuidamos disso. Obrigado pela ajuda.
Mantenha-a afastada para que eu possa conversar.
Os funcionários podiam vestir mais roupa, né?
Ouça,
é por isso que o Morton é conhecido.
É o que deixa outras boates com inveja.
Vocês merecem algo melhor, não?
Não sei o que dizer, é...
Uma boate.
É Morton quem toma a iniciativa e decide.
E todos admiram o Morton por aqui?
Bem, digamos apenas...
que fica lotado todo fim de semana.
Enxergo isso como uma forma de admiração.
Você veio para encontrar inspiração?
Não, vim a convite do Sr. De Roller.
É uma forma de promover meus livros.
E conversar sobre meu trabalho.
O que é bom.
- E talvez a inspiração... - Virá.
Virá ou se manifestará mais à frente.
Não sei, mas...
E você escreve sobre o quê, em geral?
Escrevo sobre minha vida ou coisas imaginárias.
- Legal. - Então varia.
Um escritor deve realmente
- se arriscar em tudo. - Concordo.
Até com poesia ou teatro.
Incrível.
Você tem publicado muito?
Bastante.
O arquivo solicitado.
Mas isso não poderia esperar até de manhã?
Onde devo assinar?
É verdade.
Eu nem era nascida.
Está vendo a secretária do Sr. De Roller?
- Aquela vadia. - Quem é ela?
Mareva. Bem ali.
Por que você diz isso?
Porque ela é esquisita.
Ouvi dizer...
que ele vai se livrar dela.
Sério? Por quê?
Ao que parece, ela trabalha para outras pessoas.
E ele...
ele descobriu.
Ela não parece saber.
Para quem ela está trabalhando?
Pessoas que você não gostaria de conhecer, eu acho.
Entendo.
Ouvi dizer que ele vai se livrar dela.
Eu adoraria ocupar o lugar dela.
- Mesmo? - Sim. Seria interessante.
- Deve ser ótimo trabalhar com ele. - Sim.
Acho que eu iria aproveitar muito.
Ótimo, podemos começar.
À sua saúde, acima de tudo.
- Saúde. - Eu me recuperei completamente.
- Lois. - Ao Lois.
- Manuya. - Manuya.
Ele também é seu amigo?
Lois... trabalha com o proprietário da boate.
Apresentaram-me um hotel
na semana passada, que foi construído
sobre um antigo morai,
um cemitério sagrado.
Isso geralmente não é bom. O hotel ainda está abandonado.
Claro.
E então?
Estão procurando um investidor, alguém com dinheiro.
É claro.
- Para reconstruí-lo. - Você está interessado?
- Você trabalha... - Eu não trabalho.
- Ah, você não trabalha. - Não.
Esse seria um grande investimento.
Você herdou uma grana...
enorme.
- Nunca se está só nesses projetos. - Claro que não.
Sabe bem, pessoas com dinheiro ajudam umas às outras.
Você deve conhecer muitas pessoas interessadas
que vão apoiá-lo nesta ideia.
Você será uma delas?
Serei alguém com quem você pode contar se precisar de ajuda.
Acredito que é fundamental
que este hotel renasça das cinzas.
Deixar as coisas apodrecerem nunca é bom.
Eu tento ser proativo.
Depois de conseguir um projeto, você deve evitar ficar atolado.
Você é um homem de ação.
Eu gosto de atuar. De fato.
Por isso mesmo, se eu puder ajudar
no pouco tempo que estarei na ilha, conte comigo.
Você irá embora logo?
Não, mas você sabe, minha missão...
Você está bem, Shannah?
- Estou. - Desculpe, não notei você aí.
- Tudo bem? - Tudo.
- Você está encantadora. - Obrigada.
Shannah, este é Olivier.
- Prazer. - Um amigo de Cyrus.
Não me lembro do que falávamos.
- Estou feliz que tenha vindo hoje. - Eu também.
Morton que te convidou?
Não preciso que ele convide para vir.
Eu me convido.
Não preciso de ninguém.
Talvez eu utilize meu privilégio com muita frequência.
Só me certifico de que está tudo bem.
As pessoas me conhecem.
Elas sabem
que me preocupo muito com todos.
Estou muito orgulhoso.
Já demonstraram que confiam em mim.
O que é bom.
Você trata muito bem a população local.
E daí eles retribuem.
Você sabe, é tudo uma questão de confiança.
É isso.
O que fará mais tarde, De Roller?
Como assim? Mais tarde quando?
Mais tarde esta noite.
- Não sei. Aonde o vento... - Sei.
Irei para onde o vento me levar.
O vento que dirá.
Exato, o que o vento disser.
Mas confesso que estou um pouco cansado esta noite.
Ele chegou.
Ótimo, obrigado.
Então...
você usa drogas?
- Uso. - Entendo.
- E você? - De vez em quando.
Mas...
não é tão bom assim.
É um pouco parecido com café.
Não exatamente. Não tem os mesmos efeitos.
Pelo menos não em mim.
Obviamente, nunca quando estou no mar,
como você pode imaginar.
- É diferente quando estou em terra. - Sim.
Então você quer se sentir como se estivesse de volta ao mar.
- Certo? - Você entendeu bem.
Digamos que me deixa mais equilibrado.
Não vou mentir. Acho difícil estar em terra.
- Muito. - Se sente melhor no mar.
Melhor no mar, sim.
Me tranquiliza. Há uma grande solidariedade
entre pessoas,
entre seres humanos, entre homens.
Em terra...
eu me sinto inseguro.
É simples assim.
Os polinésios, assim como outros povos,
poderia citar vários agora que também acabaram exterminados.
Os genocídios criaram...
O genocídio indiano criou...
- Grandes civilizações. - Grandes civilizações.
Foi o bem nascido do mal, como dizem alguns cínicos.
A coisa mais terrível que já ouvi
foi alguém explicando
que mesmo que a fissão nuclear tivesse criado
doenças, câncer de tireoide,
doenças congênitas e outros horrores,
perdurando por gerações,
o programa nuclear também nos deu dinheiro para tratá-los.
Quando você ouve esse tipo de coisa...
Acho que não entenderam nada do que eu disse.
É um novo garçom?
Eu nunca o vi.
Uma ovelha perdida. Ele é bonito.
É um dever
importante e cívico estar aqui
em apoio a um espírito tão livre como o da Sra. Attia.
Por vários anos, ela travou uma guerra implacável...
contra o obscurantismo,
o politicamente correto, o puritanismo,
os moralistas,
os idiotas úteis.
O espírito iluminado dela me lembra os do século 18.
Um espírito imensamente cultivado.
Que me lembra os libertinos, entre outros.
Tanto pela coragem intelectual dela,
quanto pelo cuidado que ela tem em realizar seus prazeres.
Eu também escrevo,
mas não tenho pretensão de ser escritor.
Eu escrevo, vocês sabem disso, sempre me veem...
com um caderno.
Permite-me organizar as minhas ideias,
clarear as coisas,
ser mais preciso com meus projetos e colocar as coisas em perspectiva.
Isso foi uma pequena anedota.
Perdão, obviamente estou falando de mim mesmo.
Eu divago!
Eu divago.
Mas sei reconhecer escritores de verdade.
Aqueles que podem criar uma espécie de língua estrangeira,
que provocam confusão
em vez de dar explicações simples.
Romane é uma dessas.
Alguém poderia pensar que ela era uma burguesa parisiense...
cuja obra é atormentada pela própria introspecção.
Mas não.
Ela consegue mostrar de dentro pra fora
o lado sujo, obsceno, ideológico desse meio.
Um espírito livre, iluminado como eu disse.
Como não gostar?
De fato.
- Bravo, Romane. - Obrigado.
Matahi, você apresentou o Almirante à Romane?
Não me atrevi. Estava à espera que os apresentasse, Comissário.
Bem, então, se me permite...
Almirante! Posso apresentá-lo à Romane Attia?
- Com prazer. - Por favor.
- Devo me levantar ou não? - Não precisa.
- Senhora. Encantado. - Sr. Almirante, é um prazer.
Podem apresentar-se.
- Olá, senhora. - Olá.
Espero que tenhamos a chance de conversar.
Eu também espero.
E que terei o prazer de ler sua próxima obra.
- Por favor, leia. - É altamente recomendada.
O Sr. De Roller acaba de elogiá-la muito,
então imagino que corresponderá às nossas expectativas.
- Fiquei aqui. - Bom trabalho.
Agir é agir.
Eu acredito nas virtudes da ação.
É preciso mandar sinais claros.
Fortes.
Notórios.
Notórios.
Quando eles virem o que estamos dispostos
a fazer pelo nosso próprio povo,
sim, o nosso,
eles ainda serão capazes de duvidar
como nossos inimigos serão tratados?
Você anunciará tudo isso publicamente?
Você e seu governo terão coragem?
- É claro. - Precisam ter culhões.
Não só fazer tudo às escondidas.
Culhões!
Claro que vamos anunciar.
Estão preparados para as repercussões?
Iremos anunciar com grande alarde!
Manteremos firme!
Eu manterei!
Então, diga-me,
o que você faria com todos os inimigos?
- Meu amigo... - O que faria com os terroristas?
O que faria com os vários tipos...
de terrorismo?
Você tem inimigos, meu amigo?
O álcool o está deixando paranoico?
Todos nós temos inimigos, todos nós.
Na Polinésia, não temos inimigos.
Aqui perto: Filipinas.
Indonésia.
Essa é a extensão das ameaças.
Veja.
Eu vou tentar...
Aqui.
Estou de pé.
Vê?
Não muito bem.
Eu estou de pé.
- Com dificuldade. - Não.
Sim.
Cuidado, Almirante. Tudo bem?
Irei com cuidado...
Está tudo bem, vá com calma. Me dê isto.
O Almirante é resistente.
- O canudo. - Um pouco, sim.
Muito bem, Almirante.
Podemos conversar um pouco?
Almirante?
Para onde vamos?
Podemos prolongar a noite, se quiser.
Vamos lá, então.
- Vamos ao Paradise, senhor? - Não.
Isso é assustador.
Há muitos destroços também.
- Meu Deus! - Olhe isso!
Incrível!
Segure firme, Sr. De Roller.
Cadê o nosso campeão?
- O jovem? - Sim.
Não vai demorar.
A equipe de reboque dele está levando alguém para as ondas.
Depois será a vez dele.
- Posso andar de jet ski? - Com certeza.
Thierry!
Cuide dele.
Este é o Alto Comissário.
Sr. Comissário, Heirarii Williams, um dos grandes surfistas.
- Olá. - Olá, senhor.
Este é o nosso jovem prodígio.
Eu ouvi muito sobre você.
Se eu puder ajudá-lo de alguma maneira,
só me avisar.
Claro. Eu ligo se precisar de você.
Pode ligar.
Será um prazer.
É uma competição.
- Eu compito em outra esfera. - Você está na competição?
Eu compito na política.
- Lá vem. - É das boas!
Temos um Comissário substituto?
- Extraordinário. - Pura adrenalina, hein?
Sim. Sensacional. Transformador.
Não acontece muita coisa no meu trabalho.
Bem, este é o meu escritório e está sempre tentando me matar.
É bom sair do escritório.
E o garoto é brilhante.
Vou tentar ajudá-lo. Ele tem uma boa atitude.
Fique de olho nele. Você não irá se decepcionar.
Certo, vamos lá.
Olha que onda.
- Não se preocupe, atravessaremos. - São incríveis.
Que onda!
Não vejo nada parecido há anos.
Entrem.
De Roller, um amigo da causa.
- Fiquem à vontade. - Olá.
Olá.
Que casa encantadora.
Trarei as bebidas.
Não sabia que você morava em um lugar tão bonito.
- Há muita coisa que não sabe. - É uma bela casa.
Uma bela faré.
Uma bela casa de palha.
Esperava ver o Jacques.
Jacques se foi, esqueça o Jacques.
Eu sou seu interlocutor agora.
- É isso. - Certo.
Sangue jovem e fresco. Estamos de acordo?
Me agrada.
O primeiro comício nas ruas é em poucos dias.
Não tenha medo.
Estamos meio que organizando o movimento.
Queríamos ver com você qual será a resposta.
Se é controlável ou não.
Mas você está ciente
que são apenas rumores.
Eu não tenho nenhuma informação concreta.
Não tenho nenhum fato concreto.
Ouça. Não importa o que você pensa
ou quais informações você tem acesso.
Os primeiros comícios serão nesta semana. Certo?
Não ficaremos esperando por uma confirmação.
Não. Vamos agir.
Não repetiremos o ano de 95,
ou os anos 70, quando os deixamos prosseguir.
Se ficarmos parados, teremos testes nucleares em nossa casa.
Chega disso. Certo?
Você não está aqui para nos dar sua opinião.
Não nos interessa.
Está bem? Estamos aqui para pedir que aja...
como queremos:
profilaticamente.
Haverá mortes, talvez. Feridos.
Estamos cientes disso.
Mas estamos pedindo que você diminua o tom da reação.
Nesse caso,
seu empregador ficará satisfeito com você,
por ter feito bem o seu trabalho.
E não menos, a população
não será lançada contra você.
Então pode jogar dos dois lados.
Temos de ser espertos, mas é possível.
Teremos as nossas fotos e é isso que nos interessa:
burburinho, fake news.
É isso que importa hoje em dia.
Simples assim.
Esse é o problema dos jovens.
- Não seja condescendente, amigo. - não fui condescendente.
Não o trato como semelhante.
Você nasceu ontem. Tem muito a aprender.
E quer me explicar as coisas?
Acha mesmo que não sei o que está acontecendo aqui?
Ou quem são seus amigos?
Acha que eu vim aqui sem saber de nada?
Meu amigo, preciso lembrá-lo de que esta não é a sua casa?
Pare de dizer "meu amigo". Não somos tão próximos.
Deixe disso. Eu não sou seu amigo.
"Meu amigo, meu amigo..."
Está falando com um representante do Estado.
Certo? Não entro em falcatruas.
Eu tento cuidar das pessoas o melhor que posso.
- Mesmo? - Você está surpreso?
Bem, o povo tem algo a dizer.
Agora mesmo.
Me dê um pouco mais de tempo,
e garanto que quando chegar a hora,
agirei junto com você de forma adequada.
Acho que não nos entendemos.
Não vim pedir sua permissão.
Eu vim avisá-lo
que iremos agir nos próximos dias.
Estamos aqui apenas para ajudá-lo, meu amigo. Precisa entender.
- Bom. - Você fala muito.
- Eu falo pouco. - E não sabe de nada.
- E ajo bem. - É?
Matahi,
venha aqui.
Eu te conheço há muito tempo.
Quero que entenda.
Só tem uma coisa que me preocupa, só uma.
É que um cara como você
seria incapaz de organizar algo assim sozinho.
Então o que eu imagino
é que um interesse,
certamente superior aos meus empregadores,
deve ter te contatado.
Talvez a Rússia ou a China, ou mesmo
o seu amigo americano.
Isso me preocupa.
Porque se essas pessoas
contataram alguém como você a esta altura,
talvez eu devesse abandonar minha carreira,
porque não faz sentido.
Você está tentando me dar aulas de geoestratégia?
Na corrida da tecnologia nuclear? Acha que não sei disso?
Você acha que eu não sei...
que a China, a Rússia e os EUA
não têm nenhum interesse na realização desses testes?
Então, eis o que eu quero que você entenda:
Eu te ouvi,
você me ouviu.
Eu não estou contra você.
Eu sei quem você é, você sabe quem eu sou.
Eu não estou contra você, nem contra as pessoas daqui.
Sabe, ao contrário do que você pensa,
não é a vaidade que nos move,
como é com seu povo, seu governo.
Temos convicções,
temos certezas.
O sistema é diferente, a forma de atuação é diferente.
- Pode rir, vá. - Não estou rindo.
Eu só acho que você é ingênuo.
Ouça,
acho que você é um covarde.
Pense no que eu te disse.
Agora é com você.
Não tenho mais nada a dizer.
Eu o contatarei em breve.
Não iremos longe com ele.
Aqui é bom.
- Parabéns, está ótimo. - Estamos mudando um pouco.
Não é agressivo.
Falta de agressividade nos rostos. Uma ferocidade.
- Combatividade. - Sim.
Você pode ver as galinhas sorrindo...
Falta agressividade.
- Não é aguerrido o suficiente? - Sim. É até a morte.
A violência tem que estar lá.
Portanto, a crítica é uma leve falta de violência.
Nós mudaremos isso.
É uma questão de interpretação.
Sabe que briga de galo é impiedosa.
- Vamos revisar. - Ótimo.
Eu tenho uma ideia. Faremos o seguinte: Você mata...
As galinhas estão sorrindo. Não é assim.
Não é violento o suficiente.
- Você sentiu isso, também? - Sim.
Existem galos grandes e pequenos?
- E pintos. - Sim, pintos também.
Aí está, a matança.
E as galinhas acabam com ele.
Deixe o sangue correr.
Agora!
Adorei como terminou, muito bom, bravo!
Soberbo! Tem suor, tem sangue!
Assim que se faz.
- Tem mortes, é pesado. - Como foi?
É poderoso, é bárbaro.
- Você gostou? - Muitíssimo.
- Isso é o que você queria? - Sim, faltava a violência.
O feeling já temos.
Bravo! Os músicos foram ótimos.
Genial, genial.
Agora dá pra ver em seus rostos.
Deram tudo de si. Fantástico.
Todos deram o seu melhor.
Veremos mesmo os galos morrerem?
É lindo ver tamanha violência. Sem restrições.
Sem emoções, sem hesitação: você vai para matar.
Se ele estiver caído, mate-o.
De uma só vez, esmague-o!
- Bem-vindo a bordo, senhor. - Obrigado.
- Acomode-se. - Muito obrigado.
Olá, senhoras. Bem-vindas a bordo.
Não bata a cabeça como todo mundo.
- Seria uma pena começar assim. - É claro.
Veja como é sublime!
Você nunca se acostuma!
Cada vez que eu voo,
me sinto da mesma forma!
Olha que linda nossa ilha.
A diversidade de cores,
as gradações de azul.
É divino.
- O berço de Deus. - De Jesus.
É ótimo para a alma.
Limpa a mente, você pode pensar com mais clareza.
Eu preciso dar um passo atrás.
Sabe, as pessoas vivem com paixão.
Tudo gira em torno da paixão.
Então, naturalmente, vem as emoções.
Mas muita emoção mata a racionalidade.
Você não pode raciocinar...
se é muito emotivo. É impossível.
Precisa desencarnar-se inteiramente.
Com distância suficiente, você pode...
tomar decisões que beneficiem a muitos.
E não... se deixar levar emocionalmente.
Infelizmente, isso não é bom por si só.
Já estou quebrando essa regra.
Estou contando com você.
- Aterrissamos em 20 minutos. - Perdão?
- 20 minutos. - Tudo bem.
Creio que vai achá-los muito agradáveis.
Para este tipo de trabalho,
eles são muito eficientes.
Além de serem grandes amigos meus.
- Obrigado, Comandante. - Por nada.
- E então, Shannah, gostou? - Sim.
- Nossa "pequena" viagem? - Foi legal.
Vamos.
Muito bem.
- Obrigado. - Por nada.
- Obrigado, Comandante. - O prazer é meu.
- Até logo. - Até.
Divirtam-se.
- Meu amigo. - E aí?
Fez uma boa viagem?
Passou voando. Como você está?
Bom te ver.
- Igualmente. - Quanto tempo.
- Como você está? - Ótimo.
Fico feliz. Olá.
- Sinta-se em casa. - Obrigado.
- Então, tudo bem? - Sim.
Tudo tranquilo.
- Yarana. - Yarana.
Minha colega, Mareva.
E Shannah,
que veio apenas observar.
Estou feliz que as coisas estão indo bem.
Tudo está indo muito bem.
Temos feito um bom trabalho há meses.
Então não sou realmente necessário aqui, sou?
Não precisam do meu apoio.
- Um pouco seria bom. - Ah, sim?
O que vale é vermos a ilha e passarmos algum tempo juntos.
Estou muito feliz.
Ele é nosso atual e futuro prefeito.
Certeza que ganhará.
Bem, eu sou o candidato mais forte.
Trabalhei bem aqui com minha equipe, e aí está.
O que dizem as pesquisas?
No momento, estamos com 72%,
mas espero chegar a 80-99%.
Vai parecer uma república das bananas.
Dirão que essas eleições são fraudadas.
- Isso é apenas inveja. - Só os invejosos dirão isso?
Mas deixe seus oponentes ganharem pelo menos alguns votos.
Eu tenho oponentes, mas...
Estou brincando, claro.
Você sabe como fazer as coisas aqui.
Ele foi a primeira pessoa que conheci nesta ilha.
Ele me acolheu de braços abertos e me recebeu em casa.
Foi extremamente generoso.
Isso é o que eu chamo de uma amizade inestimável.
Vai ficar alguns dias?
Vou embora hoje mesmo, infelizmente.
Podemos almoçar mas já iremos às 5.
Tenho muitos assuntos pra resolver,
e há algumas situações preocupantes.
- Como assim? - Como posso dizer?
Existem rumores.
Rumores que inicialmente desconsiderei.
- No começo, pensei... - Que tipo de rumores?
Escutem.
Eu me recuso a aceitar.
Parece uma loucura tão grande,
mas fala-se em retomar os testes nucleares.
Inicialmente, eram só algumas pessoas...
que ouviram outras pessoas comentando sobre.
Eu não acredito.
- Não. Isso não é nada bom. - Não.
Por que eles não vão para o deserto ou...
Talvez eu seja paranoico, mas às vezes penso
que é um grande esquema para me enfraquecer.
Por outro lado, não sou tão importante.
Que decisões eu tomo? Nenhuma.
Eu apenas represento o Estado.
Os testes seriam aéreos ou...
Não faço ideia. Eu tenho um amigo
que foi contatado para...
para preparar e instalar a iluminação em várias ilhas.
Portanto, há movimentação.
E é recente.
Isso me preocupa porque meio que corrobora...
- o fato de que... - Não se preocupe.
Vamos falar com os pescadores
e montaremos equipes por todas áreas.
- Nossa equipe investigará. - Há claramente movimentação.
Fuzileiros navais apareceram na ilha...
do nada.
Eles parecem que não veem a luz do dia há algum tempo.
Vocês sabem, quando eles estão um pouco pálidos...
- Significa que é sério. - Sim, sim.
Verificaremos.
Já sobrevoamos
e demos uma boa olhada.
Mas não encontramos nada.
E eu não tenho tempo.
Não é meu trabalho.
E não tenho muita confiança na hierarquia.
Isso é frustrante.
A princípio, pensei que eram apenas rumores.
Apenas algum esqueleto saindo do armário...
brandido como uma ameaça. Mas passa a ser...
preocupante.
Parece que eles estão tentando me deixar de lado.
Há algum tempo, comecei a perceber
que o ministro é um babaca e o presidente também.
Sempre foram.
Falou bem.
Estou falando o que penso.
Em todo caso, é preciso esclarecer.
Discretamente, mas...
Ouça, eu sei que o sobrecarreguei,
mas as coisas ficam difíceis quando não pode confiar nos amigos.
Estou feliz por estar aqui com todos vocês.
Você escolheu as pessoas certas
- para conversar. - Eu sei.
Da próxima vez, venha usando um pareo.
- Perfeito. - Seria melhor.
Vou largar o terno.
Sim, livre-se dessa roupa.
Deixe-a no avião e saia em um pareo.
Esses são os momentos que eu amo.
E eu sinto falta deles. Há semanas,
tenho sido espremido como um limão.
As pessoas estão sempre me pedindo ajuda.
Eu sinto a tensão.
Quando você vê um sujeito como o Matahi
que de repente pensa que é um senhor da guerra.
Há algo de errado com este mundo.
Eu não o levo a sério.
O que me preocupa é quem está por trás disso tudo.
- Não quer cantar pra nós, Shannah? - Vamos.
- Eu não sei cantar. - Sabe, sim.
- Uma canção do coral? - Um madrigal?
- Você é do coral. - Não, eu era.
Ela só conhece músicas obscenas.
Veem como ela está ficando vermelha?
Se eu cantasse, choveria.
Eu também.
Os caranguejos viriam rastejando.
"Ei, esse cara sabe mesmo cantar."
É, seja reeleito e então você pode cantar.
Ele é um artista agora.
Devemos chamar um carro para nos buscar?
Agora poderei ir com o coração leve.
Não temos preocupações aqui.
Que prazer!
Muito bem, meus amigos.
Um abraço e nos vemos em breve.
Meu amigo.
Tudo bem.
Até breve.
Mareva, você vai ficar aqui
para ajudá-los com o resto da campanha.
Você verá que ela é altamente qualificada
e extremamente leal.
Meu amigo.
- Até mais. - Boa viagem.
Nos vemos em três dias.
Ou talvez três meses.
- Certo. - Isso aí.
- Adeus. - Boa viagem.
Fomos pontuais, Comandante!
Você primeiro, Shannah.
- Senhora. - Obrigada.
Cuidado com a cabeça.
- Tenham um bom voo. - Obrigado.
ACESSO PROIBIDO
O que elas estão fazendo?
Mesmo esquema todos os dias.
A mesma coisa todos os dias.
Desde quando?
Pois bem...
Esta deve ser a sexta ou sétima viagem em dez dias.
Muitas viagens.
- Você as conhece? - Sim, conheço as garotas.
Uma delas sempre está lá.
As outras variam a cada dia.
Não podem ir muito longe em um barquinho assim.
Você sabe dos rumores, né?
Dizem que as garotas...
Me pergunto o que estão esperando.
Dizem que as garotas vão para um submarino.
Um submarino?
Não me diga!
Um submarino...
- Estilo James Bond. - É o que dizem.
Elas vão ver os caras.
Elas vão encontrar os fuzileiros,
mas eu diria que em uma fragata.
Uma pequena fragata militar.
Você diz que as garotas vão a um barco.
Mas isso seria fácil de detectar.
E se as luzes estiverem apagadas?
Barcos da Marinha podem escapar da detecção.
Assim não veremos nada.
Elas sabem para onde estão indo.
Devemos interrogá-las, interrogar o...
- Capitão. - Sim, um dos dois capitães.
Se você chama isso de capitão.
Ele tá mais pra cafetão.
Sim, parece mais um cafetão.
Ele verifica o telefone e pronto, lá se vão.
Quando está escuro assim,
o barco chega com as luzes apagadas.
Acho difícil ser um submarino.
Nas águas territoriais daqui.
Estamos na França.
Esta é a casa deles.
Sim, mas as pessoas saberiam
se um submarino estivesse aqui.
Mas sabem, já sabem disso.
- Como você sabe? - Porque aí está.
Estou certo disso.
Tem reforços.
Quem são os grandões?
- Você já os viu antes? - Não, nunca.
Eu não trouxe meus binóculos.
Merda.
- O que ele disse? - Quem?
Ferreira.
Sobre o quê?
Ele falou sobre os documentos, ou o Almirante...?
Não.
Ele acabou de chegar.
Ele não quer sair da ilha?
Não sei.
Então você está cuidando dele?
- Está cuidando dele? - Estou.
Ele veio tomar um drinque.
Quero saber quanto tempo ele vai ficar.
Não faço ideia.
Não tenho essa informação.
Vocês são bons amigos agora?
Até agora, sim.
Graças a Shannah que encontramos seus documentos.
Eu lembro.
Sem ela,
não teríamos encontrado.
Não é fácil esquecer os olhos dela.
Quase tão bela quanto ter meu passaporte de volta.
Após resolver um problema,
você não precisa de explicações.
Eu sei que você é amigo do Almirante.
Ele também poderia ter te ajudado.
Eu não sei se há...
uma razão para nós três trabalharmos juntos.
Mas você sabe melhor do que eu. Acabei de chegar.
Não seja tão modesto.
É verdade que é incomum.
Mas eu...
Sobretudo porque nada mais desapareceu.
Exatamente.
O que você pode fazer com um passaporte nesta ilha?
Muito bem, ouça.
Tudo voltou ao normal.
Avise-me se eu puder fazer algo por você.
Terei o maior prazer em ajudar se eu puder.
Eu não esquecerei disso.
Você está em boas mãos.
Shannah...
é maravilhosa.
Muito obrigado. Eu conto com você.
Até mais.
- Você o conhece? - Sim.
Do hotel.
Um pouco, ou...
Sim.
Ficamos amigos aos poucos.
Ele cuidou bem de você.
Pode ser. Mas ele cuida melhor de você.
- Não. - Não?
Serão todos enganados.
Sem dúvida.
Eles não sabem: quando te virem, serei eu.
Quando você entrar em uma sala, serei eu.
Quando você for conversar, serei eu.
De que maneira?
Você será meus olhos,
meu braço direito.
Shannah, a Alta Comissária!
Eu tomarei o seu lugar.
Exatamente.
Sim?
Mas ninguém pode saber.
Você ficará nas sombras.
Eu vou embora
e todos vão se alegrar e pensar que tenho uma vida ruim,
que deixei tudo para trás.
Tudo menos você.
Obrigada.
Você me dá tanto, Shannah.
Mais do que possa imaginar.
Isso é bom.
Quando menos esperarem, você atacará.
E vai ser forte.
Você é o predador.
Eles são a caça,
minhas presas.
Você os comerá vivos.
Você é uma fera carnívora.
Uma tigresa.
Uma leoa.
Uma leoa...
- Você gosta disso? - Sim.
Muitíssimo.
- Que horas o português foi? - De 15h.
Ele disse alguma coisa?
Não.
- O que você fez com ele? - Aqui?
Nós tomamos uma bebida.
Você o cansou?
Na verdade, não.
Ele está dando voltas.
Você acha que é um círculo ou uma espiral?
Uma espiral descendente.
Algo obscuro está controlando as emoções dele.
Vamos assegurar que é para baixo.
Até o...
- O inferno escuro. - Sim.
Posso tomar um pouco de sol?
Parece que ele já está de saída.
Está quase vazia.
Vou dar uma olhada.
Ontem mesmo,
um rapaz me contou como a avó dele...
teve, um após o outro,
câncer de tireoide, câncer de mama, e câncer de garganta.
Dois.
Dois de câncer de mama.
Ela estava em remissão
e daí detectaram um novo tumor.
Ela teve os dois seios retirados.
Eles não têm dinheiro para a reconstrução da mama.
Sério?
Eles têm muita dificuldade
para tratar esse tipo de doença na Polinésia.
Por isso que as pessoas estão nervosas.
Você poderia chamar isso de paranoia,
mas não está mais pra senso comum?
Tenha cuidado, as pessoas estão um pouco nervosas.
Quando veem um uniforme como o seu,
elas não ficam muito felizes.
Eu mesmo levanto...
muitas questões, então você...
Sabendo que...
algumas garotas são regularmente vistas...
a bordo de uma de suas máquinas mortais...
As pessoas ficam surpresas e fazem perguntas.
As garotas vão lá à noite e voltam em péssimo estado.
Você deveria...
dizer a seus homens para maneirarem.
Eles pegam pesado.
Sem ver mulheres,
depois de tanto tempo no mar...
Acabam...
meio malucos, né?
Eu também me pergunto.
Se houvesse um acidente, eles jogariam as garotas ao mar.
Vamos esquecer as garotas.
O que me preocupa, é que pode provocar
um grande transtorno
se confirmarem-se os rumores
da possibilidade dos testes recomeçarem.
Não estou atualizado sobre isso.
Por isso, eu...
gostaria de poder dizer algo a eles,
mas não tenho muito a dizer.
E como eu disse antes,
interesses hostis contra nosso país
estão cada vez mais presentes na ilha
e se manifestam de forma bastante grosseira.
Eles não são tão agradáveis.
São mais ameaçadores.
Acho que os irritaria se retomássemos os testes.
Você foi ameaçado?
Tente se animar. Vai ficar tudo bem.
Seja mais leve.
Tenha uma boa noite, Almirante.
Eu te dou minha palavra...
Vai tudo ficar bem.
Idiota.
Foi uma boa noite?
Vamos para sua casa.
- Você sai e eu levo o carro. - Sim, senhor.
Vamos lá.
Não sobrou nada.
A política é como uma boate.
Eles chamam este lugar de Paraíso, mas são uns idiotas.
É uma festa com o diabo.
Estão todos juntos,
com luzes brilhando em seus rostos.
Com flashes no escuro.
Está piscando,
eles perderam o rumo.
Perdem o equilíbrio,
a memória.
Perdem tudo, o bom senso.
Eles chegam lá e nunca mais saem.
Não há mais dia, não há mais noite.
Não há mais tempo.
A política é isso.
Pessoas na escuridão que nem se olham mais.
Totalmente alheios à realidade.
Eles iniciam lá...
Tudo começa na escola.
Uma espécie de sociedade secreta.
Vários clubes privados, bebendo a noite toda.
Servidos com champanhe e comida.
Eram tratados como mestres.
Eles perderam a noção do tempo.
Essas pessoas vão
contar a todos o que viram.
Esses tolos. Esses ignorantes.
Ignorantes.
Eles pensam que são os mestres,
mas se enganam.
Eles acham que controlam tudo.
Não controlam nada.
Nem eu controlo nada.
É apenas uma ilusão.
Eles vivem em uma ilusão.
Eu vou entrar naquela boate,
acender as luzes,
desligar a música,
e olhar, um por um, seus rostos derrotados,
inchados de álcool,
consumidos pela exaustão,
com os corpos murchados e pele flácida.
Como uma matilha de cães se dilacerando.
Ouça.
Aí.
Eles também sentem o perigo.
Eles sabem que se aproxima.
Eles sabem que explodirá em breve.
São mais espertos do que seus donos.
Ouça.
A política hoje é isso.
Não resta nada.
Não há mais homens, não estão à altura.
Parecem crianças.
Se borram pensando em explosões nucleares,
mas não enxergam os perigos reais.
Não entendem nada.
Não sabem o que os espera.
Vamos comprar de volta cada lote de terra.
Não serão testes. Eles vão jogar a bomba.
Você verá. As ondas atômicas propagarão
por todo o mundinho deles.
Nós estaremos longe.
Sim, teremos ido embora.
Teremos deixado a favela deles.
E antes de eu partir,
vou voltar ao lixão deles...
e queimá-lo.
Vou fritar todos até torrarem.
Vou queimar todos eles.
Nada sobreviverá.
Nada mesmo.
Eles podem se esconder no submarino.
Acabarão apodrecendo lá dentro, o túmulo deles.
Quando a bomba for lançada, nada restará.
Quando eles reaparecem após semanas...
pegarão a escada enferrujada e abrirão a escotilha no oceano.
O que você acha que vai sobrar?
Parecerão um bando de babacas.
Vão comer uns aos outros para sobreviver.
Enquanto estarei longe, bem longe.
Não os verei envelhecer, atrofiados,
com seus filhos deformados,
mulheres doentes...
De Roller, está pronto.
Seu barco.
Excelente. Agora?
Quando você quiser. Ele vai com você?
Vai.
Confia nele?
Sim. Olhe para ele.
Dormindo como um bebê.
Encontro vocês no cais.
Está pronto?
Ótimo.
- E aí? - Nada.
- Está me irritando. Não. - Não ouviu nada?
Nenhuma luz, sem som de motor, nada de garotas.
Eu também não.
Não sei a hora, mas não estamos atrasados.
São quase 6h.
Quase 6.
Não queremos ser vistos...
quando o sol nascer.
Mais 15 minutos e depois nos encontramos na praia.
- Você irá para o leste. - Sim.
Desligue o motor de vez em quando para ouvir...
- Eu desliguei, mas... - Eu também.
Estamos nisso há quatro horas.
- No vemos em 20 minutos? - 20 minutos, isso.
- Está bem? - Sim.
- Você está bem? - Sim, sim, estou bem.
Estou bem.
Muito bem.
Eu não ouvi.
Senhores, escutem.
Partimos hoje para as ilhas.
Não vamos voltar.
Abandonem tudo que os mantém aqui.
Buscaremos os últimos engenheiros
que são indispensáveis para o cumprimento da nossa missão.
Tudo foi preparado.
O primeiro disparo será ao amanhecer.
O primeiro em 20 anos.
20 anos que estivemos esperando
para elevar nosso status ao de uma grande potência.
Faremos com que eles temam o pior.
Vocês devem ter coragem
para o que estão prestes a fazer.
Sim! Coragem!
E coração!
E isso vocês têm!
Vocês temem seu próprio público,
mas não se preocupem.
Para onde estamos indo, ninguém os reconhecerá.
Porque ninguém sabe da nossa missão.
Há 20 anos, cometemos o erro de acreditar
que eles entenderiam o que é um sacrifício.
Só os que deveriam nos temer verão do que somos capazes!
Um dia, talvez,
outros reconhecerão o feito de vocês.
E nesse dia, o mundo terá mudado!
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