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Frango Com Ameixas

Broto Jeki, flores�a Jeki.

Era uma vez, que n�o havia nada.

Para come�ar, um conto persa.

Broto Jeki, flores�a Jeki.

No outono de 1958

Estava de passagem em Ter�.

Ali se encontra um tal de Nasser Ali, de quem irei falar.

- Talvez este. - Boa escolha.

Irane?

Sim?

N�o se lembra de mim?

Me desculpe.

N�o, eu n�o me lembro.

- Arrancou de novo. - Mas...

- Que som horr�vel. - Te prometi.

- Cala a boca. - Aqui.

Pega. Uma raridade. Troco com voc�.

Vigarista. Devolva meu dinheiro.

Antes disso, fui ao famoso Caf� Naderi.

Quando Nasser Ali se assentou, seu irm�o que era comunista

e era contra os ingleses e americanos. Dizia:

"Esses idiotas t�m tudo"

Um caf� franc�s, por favor.

Pensam que v�o pegar todo nosso petr�leo.

Na verdade pegam nosso sangue.

Estou te chateando?

N�o, n�o.

Meu violino foi arruinado.

Por quem?

Vai adiantar dizer quem?

Mirza vende �timos instrumentos.

Esses vigaristas quiseram me vender qualquer coisa. S�o todos p�ssimos.

Tanto como o pai quanto o filho. Bastardos.

Acabou.

N�o consigo mais tocar.

Espere um pouco. M�s passado estive com um amigo em Rasht.

Voc� sabe quem �?

Olhe essa Stradivarius.

Foi ouvida por Mozart.

Estou indo a Rasht.

Para comprar um violino.

Me escutou?

N�o sou surda,

como a sua m�e.

Deixe os mortos quietos.

Se quiser.

Mas voc� se esquece que eu trabalho.

Quem vai tomar conta dele?

N�o sei. Pergunte a sua m�e.

Voc� sabe que ela n�o est� aqui.

Se quiser ir a Rasht, leve ele.

N�o posso.

Ent�o n�o �

meu problema. Voc� poderia pensar...

- O qu�? Se meu marido trabalhasse,

poderia ficar em casa e olhar meu filho como uma mulher normal.

Voc� � a culpada.

- Sempre sou. - Claro, voc� � a culpada.

- Idiota! - Vadia!

Babaca!

Vou sozinho, escutou?

Diziam que era um macaco.

Mas eu sei que � um cavalo.

Tinha uma mancha na testa.

Galopava e me carregava no lombo.

Sorria e compreendia.

Diziam que era um burro. Mas...

eu sei...

Que me carregava no lombo,

Eu n�o falava heya, e voc�,

e voc�...

Meu amado cavalo, te levo em meu cora��o.

Me sinto bem em seu lombo, nunca direi heya...

Adeus meus amigos.

Vejo voc�s!

Com licen�a, onde posso encontrar M. Houshang?

V� reto e em frente.

Ent�o vire a esquerda,

direita,

e a direita de novo. - Bem. Obrigado.

Merda.

O qu� est� fazendo? Vem

Com licen�a,

tem algu�m aqui?

Senhor Houshang?

Quem pergunta?

Nasser Ali, irm�o de Abdi.

Estava esperando por voc�.

- Bom dia, senhor. - N�o. Sem o "senhor"

Me chame de Houshang.

Seja bem-vindo a minha humilde loja.

O adoro. O amo.

- Isso � amor, amor. - Vende Stradivarius?

Entre outras coisas.

- Cigarro? - N�o, agora n�o.

Eu trabalho com pedras preciosas.

Tire isso.

Olhe aqui.

O maior diamante do mundo.

Fabuloso, n�o �?

Na minha loja tem de tudo.

Remos.

�pio.

Casacos de pele.

Ou...

uma varinha m�gica.

- Aceita uma x�cara de ch�? - N�o, obrigado.

- Quando pegaremos o �nibus. - Quando o pegarmos.

Foi uma longa viagem por conta desse violino.

Estou com sede.

N�o quero te ofender. Mas poderia v�-lo?

Mas � claro, meu amigo.

- Pai, t� com sede. - DC.

Primeiro, um pouco de �pio.

Relaxa!

Sim. Tenho precisado, por conta desse pirralho.

Cantou por toda viagem.

Tenho uma solu��o.

Dissolva em leite.

Quem me ensinou foi minha av�, quando era como ele.

E aqui est�...

a maravilha das maravilhas.

Eu me lembro de quando tocou pela primeira vez.

Nunca antes tinha

escutado algo t�o belo, de verdade.

Me vem no pensamento e vem as l�grimas.

V� como choro? Aqui.

- V�? - Sim, vejo.

� um milagre se eu n�o te vender.

Te dou ele.

Por 1000 tomans.

1000 tomans?

Eu paguei 1049 tomans. 49 � seu.

E porque eu faria isso?

Porque � meu amigo.

Porque � voc�.

S� tenho 700.

700, fechado.

Feito.

O que n�o faria por vencendores!

Temos que comemorar.

As estrelas passaram por minha vida, nada ganhei.

Voc� n�o brilha mais, meu tempo se foi.

Nunca meus ouvidos ouviram

porque nasci e logo depois morri.

Eles voltaram pra casa na pr�xima noite.

Nasser Ali s� queria tocar seu novo violino.

Mas esperou.

Levantou �s 7.

Foi ao barbeiro.

Pronto.

Em casa, colocou sua melhor roupa.

Voc� pensa que tem um encontro com primeiro ministro.

A esposa e a filha sa�ram embora. Mas ele ainda tinha

de governar.

Bom dia, Cyrus.

Tem �pio?

Nenhum violino para ele nunca mais daria prazer,

Nasser Ali decidiu morrer.

Oito dias mais tarde, no dia 22 de Novembro,

foi enterrado ao lado da m�e.

E todos que o amavam estavam l�.

1� Dia.

Nasser Ali tinha decidido morrer.

Ele se perguntou quais eram as possibilidades.

Primeiro, tra�ou um caminho radical.

Ent�o pensou em uma abordagem mais rom�ntica.

E porque nada � mais cl�ssico?

Mas todas possibilidades, eram indolores.

Ele se lembrou que tinha lido que o metodo menos doloroso era...

Tomar son�feros e amarrar um saco pl�stico na cabe�a.

Mas pensou que, para procurar os malditos sacos pl�sticos, seria

inimagin�vel. Al�m do mais, ele era

Nasser Ali Khan, o melhor violinista do seu tempo.

Se fosse chamado de "o cara com a sacola de pl�stico", seria lembrado?

N�o, n�o, n�o.

Queria morrer com dignidade.

Na cama, esperaria pela morte.

- M�e posso balan�ar? - N�o, fa�a seus deveres.

Cyrus?

Nasser Ali?

O que est� fazendo � essa hora na cama?

- Decidi morrer. - E onde est� Cyrus?

- Na vizinha. - De novo?

� pedir muito, que cuide do seu filho?

Voltarei. Vou procurar seu irm�o. Fa�a seus deveres.

Sim, m�e.

Pai?

A� est� voc�, filhinha.

- Est� doente? - N�o.

Papai s� est� cansado.

E como foi seu dia?

- Tirei 6 no ditado. - Bom!

Mam�e n�o gostou.

Ela fala que n�o � suficiente.

Ela diz que tem um aluno, que sempre tira 6.

Sua m�e fala demais.

Ela fala, que se eu quiser ser m�dica,

eu tenho que me esfor�ar muito

e ter iguanas.

Sim, claro.

Posso ir balan�ar agora?

Sim, v�.

Obrigada,pai.

Quem � voc�?

Mas, Nasser Ali, n�o nasceu para ser pai.

Mas ele tentou, o melhor que pode, para tentar ser um

... e meus dentes afiados!

Mas porqu�?

Pai? Posso ter uma mariote?

� pra quem n�o fala.

Tanto faz falar.

Vem, vou te mostrar.

Vem, vou te morder!

V�, que � uma farsa?

N�o coma isso!

Crian�as, o que devo fazer?

Come! Come!

Quer ir no carrossel?

N�o.

- Quer algod�o doce? - N�o.

Quer brincar ali?

N�o.

O que voc� quer?

Desde que Nasser Ali � muito

interessado em morfopsicologia

e sua filha se parecia com ele,

estava certo de que se dariam bem.

N�o estava errado. Os dois eram inteligentes,

l�cidos, espirituosos

e incrivelmente melanc�licos.

Aos 23, Lili se casou por desejo de sua m�e.

O casamento durou 8 meses.

Lili virou fofoca do nada.

Algum tempo depois, descobriu a paix�o.

Ele era um ator.

Infelizmente, seu amado, morreu quatro anos depois, em um acidente.

Isso nunca atingiu Lili.

Ela supriu sua dor com jogos, �lcool e cigarros.

Ela teve dois infartos.

Quando ela disse que deixaria suas vidas, ela disse...

A vida... Se voc�s apenas soubessem o que penso sobre isso.

O terceiro ataque, a atingiu em cheio.

Isso n�o possivel.

O qu� est� fazendo?

- O pai disse... - O qu�?

2� Dia.

Faranguisse?

Desde quando?

Espere por mim. Estou indo.

Sim, bom.

- Tem algo com meu irm�o. - Algo ruim?

Eu n�o sei.

Ele est� h� dois dias no quarto.

- O Faranguisse disse? - Nada.

Devem ter brigado de novo, e ele deve ter surtado.

Mas o que voc� quer? Ela � est�pida.

Abdi, menos, nem tanto.

Pensa que � f�cil para um homem,

em que no mundo, a m�sica � tudo?

No entanto, � subexposta.

Ela � est�pida e m� como um c�o raivoso. Ela � sofr�vel.

E quem � o culpado? Sua m�e o puniu com o casamento.

Estava claro que, ele n�o amava Faranguisse.

Essa mulher � um Gengis Khan.

Eu concerteza era contra esse casamento.

Ele merece algo melhor.

A MULHER DO RIO.

Os irm�os se consideravam muito diferentes, por toda inf�ncia.

Abdi era consciente e s�rio, Nasser era desfiante e indomado.

Abdi era o orgulho dos pais, Nasser os levavam ao desepero.

- O que voc� fez de novo? - N�o fiz nada, senhor.

Olhe para este idiota. Esta peste.

Repetiu v�rios anos com suas notas baixas. Comporamento inadequado.

Sim, Nasser Ali nada mais �

do que uma janela quebrada. - Eu n�o sou.

Cale a boca!

Abdi.

Venha aqui, meu pequeno.

Olhe pra mim.

Abdi � seu irm�o ca�ula.

Mesma fam�lia, mesma educa��o,

s� que em todos os aspectos

� o melhor.

Eles podem ver,

Joio...

Trigo, trigo.

Joio.

Palmas para Abdi.

Vamos, crian�as.

Pare.

Isso � demais.

Agora...

vaias para Nasser Ali.

Fale!

Nasser Ali?

Sou eu. Abdi.

Posso entrar?

Eu estava por perto e pensei em v�-lo.

Ent�o, agora me viu.

O que h�?

Nada.

Decidi morrer.

Pelo caminho

Eu vi em "Persepolis". Um novo filme que est� em cartaz.

Sabe com quem?

Preste aten��o

E?

Greta Garbo?

N�o!

Sophia Loren?

Se lembra o tanto que estava linda, naquele filme, em N�polis?

Gostaria de ir ao cinema?

N�o. Disse que iria morrer.

Sua esposa me chamou. Est� muito preocupada.

Estava bem claro que n�o estava aqui por acaso.

N�o importa.

O que isso importa?

Estou aqui por voc�. Sou seu irm�o.

Mas voc� ficar na cama e esperar pela morte. Bem, isso � rid�culo.

Est�, deprimido por causa do violino. Mas e sua mulher

e os dois filhos, pelos quais voc� � respos�vel?

N�o seja t�o ego�sta.

Ego�sta?

Isso � o que diz?

Voc� acredita em sua mulher, seus filhos e em toda sua fam�lia

quando decidiu, se tornar comunista,

porque eles sofreram, quando voc� esteve na pris�o?

N�o, voc� estava com os Vingadores, her�is da resist�ncia.

Bem feitores. Maus para outros.

Alguem deveria fazer algo.

Se todos fossem iguais a voc�...

O qu�? Voc� acha que tudo seria pior?

No que voc� tem mudado? Se acha bem melhor hoje?

Tamb�m, lembre-se do tempo.

Quando voc� bancou ser her�i, foi a heran�a de fam�lia que te tirou dali.

Ent�o v� dar

seus serm�es em outro lugar.

Me perdoe, Abdi.

Est� bem.

Voc� promete que vai cuidar da minha fam�lia?

Pare com isso.

Pare de falar besteira.

Prometo.

Venha pequenino.

Quando o segundo dia se p�s, Ali Nasser se lembrou

de prazeres esquecidos.

Por uma noite, sua amargura foi sua guia.

Ele estava dormindo tranquilamente.

3� Dia.

No terceiro dia, Nasser Ali estava entediado.

E todo mundo sabe, que pelo jardim do t�dio

est�o as ideias mais absurdas. Entre dois cigarros, ele se perguntou:

Como gostaria de ser lembrado, o que ele deixaria no mundo...

Pensou em S�crates, um fil�sofo g�nio

e a situa��o era, saindo este mundo elegante e corajoso.

Mas S�crates, porqu� o envenenaram?

- N�o nos deixe. - Do que isso importa?

Al�m dessa unidade f�sica, estarei pensando comigo mesmo.

Apenas depois da minha morte, serei imortal.

Nasser Ali, chamou suas crian�as, para dar seu �ltimo ensinamento.

Crian�as!

Crian�as!

Crian�as!

Crian�as, sei que fui ausente.

Agora meu tempo est� chegando.

Devo ir.

Logo iremos nos separar.

� meu dever como pai de voc�s,

deixar uma heran�a, para acompanhar a vida de voc�s

e conduzir voc�s pelos cantos escuros da vida.

E a heran�a,

� a ess�ncia da cria��o.

Porque entendemos a arte e a vida, e a vida...

Do que isso importa?

Al�m dessa unidade f�sica, estarei pensando comigo mesmo.

Apenas depois de minha morte...

Nasser Ali, pense no tanto que voc� � insignificante. Socr�tes se despediu bem.

- Me d� um abra�o. - N�o, voc� fede.

O que esperaria de um filho desse?

Ele era todo

o oposto dele: barulhento, falante, doce.

Para ficar ainda pior, ele respondeu o que queria ser quando fosse adulto.

Quero ser a�ogueiro.

O que seria dele?

N�o era surpresa.

Aos 22, Cyrus depois de tempos dif�ceis na escola, come�ou um curso de Economia.

A alegria durou pouco. A revolu��o estourou.

Um ano depois veio a guerra.

Como os outros, Cyrus estava nos EUA.

Entrou em uma universidade qualquer em Wyoming.

No campus da universidade, conheceu Nancy.

Beijaram. Ela ficou gr�vida, e se casaram.

Oi, voltei!

Oi, papai!

Cyrus, querido, quer uma bebida?

Adivinha, querida?

Papai, olhe minhas unhas.

N�o est�o lindas?

Maravilhosas!

Maravilhosas!

Temos uma surpresa.

Olhe isso tudo.

Legal! - Bem legal.

O que � isso?

O que � filha?

Me est�mago n�o vai bem. Me sinto enjoada.

O que voc� comeu, querida?

Nada. S� algumas pizzas.

N�o. N�o, pizzas!

- Me ajude! - Cyrus,

precisamos chamar a ambul�ncia.

Pra j�.

Querida, est� tudo bem.

Tudo ficar� bem, querida.

- Doutor... - Ela vai ficar bem?

Somos os pais, nos fale algo!

Tudo foi bem.

Ah, meu Deus!

� um menino.

Que menino?

4 quilos. Ele � lindo.

Um beb�?

Um beb�?

Sim, um beb�.

Como � poss�vel que sua sobrinha n�o soubesse que estava gr�vida?

Um beb� de 4 quilos � 1 em 200. Localizado na carne. N�o � f�cil

Ele tamb�m se chama "Nasser" como nome do meio.

"Jimmy Nasser". Imagine isso antes.

Ainda bem que meu pai est� morto, ou certamente teria um derrame.

Ou dois.

4� Dia.

Na noite do 4� dia, Faranguisse ficou pensativa.

Na esperan�a de reconcialia��o, decidiu cozinhar, frango com ameixas.

O prato favorito de Nasser Ali, era a entrada direta para seu cora��o

que ela podia ter.

Ficava feliz quando via seu marido durante as refei��es.

�s vezes at� se falavam.

Este � o mehlor fango com ameixas que j� comi.

Contrariando as apar�ncias, Nasser ainda amava Faranguisse.

Dificilmente algu�m sabe que ela teve um amor de inf�ncia.

Enquanto ele perambulava pelo mundo, ela esperava seu retorno.

Ela estudou muito e quase aceitou pedidos de casamento que recebeu, poucos.

Mat�matica Todos Os N�veis.

- Nasser Ali voltou. - Nasser Ali?

Nasser Ali voltou.

A espera foi longa, mas antes de ser uma solteirona.

Nasser Ali voltou para o Ter�.

Nasser Ali voltou.

Naquele tempo ela tinha 30 e tinha 41.

Bom dia, Faranguisse.

Bom dia

Voc� conhece aquela Faranguisse, professora de mat�matica.

A acho admir�vel. Este pa�s precisa de pessoas como voc�.

Mulher moderna.

Nasser, coma o pastel.

Faranguisse que fez.

Como est�o deliciosos. Parecem bons, n�o?

Sim, sim deliciosos.

Foram melhores este ano, Faranguisse?

- Sim, foi a melhor da turma. - N�o, n�o, a segunda melhor.

- Agora voc� � professora? - Sim.

Fant�stico. Uma pessoa respeit�vel e inteligente.

- � o que todos dizem. - Bem sa�davel.

Vou pegar melancia.

Nasser Ali, poderia me ajudar?

Mas, m�e, eu amo essa mulher.

Essa mulher, como voc� diz, bem penso que.

Ela � bonita, boa, educada...

- E solteira. - O que est� fazendo aqui?

Deixei a mulher falar o que quisesse.

Escute, meu garoto.

Voc� tem 41. Viajou pelo mundo.

Voc� n�o quer ser um solteir�o.

Voc� n�o me ouve. Eu n�o a amo.

E por uma boa raz�o.

Isso n�o � ruim.

Case-se de uma vez. O amor vem depois.

Se casaram.

Mas o amor nunca veio.

Nasser Ali?

Sou eu.

Te falei que ia cozinhar frango com ameixas.

� seu prato preferido.

Deve estar com fome.

N�o comeu nada por tr�s dias.

- Quer vin...? - N�o, estou sem fome.

Vou deixar ali. Se mudar de ideia.

Voc� n�o entende.

N�o sinto mais o gosto.

A alegria, a mudan�a.

E que voc� � a culpada.

A �nica coisa que voc� deveria fazer,

� seu filho ser um doutor. Nem isso consegue.

Pelo amor de Deus! Estou cansada de fazer tudo!

Eu lavo, passo, cozinho e continuo trabalhando bem.

Voc� precisa ser um homem para prover a fam�lia.

Voc� se casou com um m�sico, como qualquer outra.

Voc� sabe que sou um artista.

Artistas. Sim, bom!

Nem sua vaga no conservat�rio conseguiu manter.

Como voc� pode ser t�o piedosa,

professorazinha de merda.

Nunca te perdoarei

Nunca te perdoarei

Desculpe querido.

Voc� sabe o quanto eu te amo. Nasser me fale que

voc� tamb�m me ama.

Nasser Ali.

O violino n�o pode acabar com tudo.

O que voc� est� falando sobre o violino?!

Nunca te amei. Nunca, confundiu na sua

cabecinha limpa. Nunca!

Voc� � um monstro.

Te odeio.

Voltando a inf�ncia de Nasser.

Desde cedo se interessava por m�sica.

Aos 21, sua m�e o enviou a Shiraz.

L� estudou violino com um dos maiores mestres de seu tempo, Ara Mozafar.

Algumas vezes desapontou seu mestre,

era quando ele esbo�ava uma face magoada.

Pela t�cnica, n�o tenho o que reclamar. � otima.

Mas a sua m�sica � absolutamente doentia.

Campe�o...

A t�cnica talvez seja �nica coisa que o domina.

A t�cnica n�o � poss�vel. � sobre arte.

Pela arte, entendemos a vida.

O instrumento � apenas um meio de revel�-la.

Seus dedos se mexendo.

E o som sai.

Mas � vazio.

� vago.

N�o h� nada!

A vida � um sopro.

A vida � um suspiro.

E voc� deve pegar este suspiro.

Pai, preciso de um vestido novo.

Irane, na semana passada voc� comprou um.

Era diferente.

Preciso de um vestido para noite, para o anivers�rio de Malak.

O que as pessoas ir�o pensar?

Bem...

Obrigada, pai. Obrigada.

At� de noite.

�timo, senhor.

Boa escolha. Qualidade su��a.

Disco de ouro, de incr�vel precis�o mec�nica

som cristalino.

E tudo isso por miserentos 100 tomans.

Sim, sim, maravilhoso.

Boa compra. Vou peg�-lo pra j�.

O destino de Nasser mudou.

Ele queria ver de novo a linda Irane.

- N�o! - S� estou vindo at� aqui

para te dizer que estou indo.

Senhora? Irane?

Nos conhecemos?

Sim.

N�o. Estava na loja.

Seu pai te viu e quis perguntar...

Quis me perguntar...?

5� Dia.

Ao amanhecer do quinto dia, Nasser Ali, sentiu se aproximar da morte

Logo ele seria visitado por todos que j� tinham ido antes dele.

Ele se lembrou de sua m�e e nos seus ultimos dias de vida.

Nasser Ali?

� voc�?

Ah, n�o.

- Aqui estou, est� bem m�e? - N�o estou.

Estou brava, bem brava mesmo.

- Mas... - Continue, garotinho esperto

Voc� pensa que s� em voc� de novo.

Mas sim.

Estou sofrendo muito.

Minha hora chegou, meu garotinho.

E o que est� fazendo?

Voc� reza e reza.

- Suas ora��es n�o me deixam morrer. - Mas, m�e...

Eu sei que me ama.

E que me ama, me querendo que eu fique aqui.

Mas te falo de novo. A vida se torna insustent�vel.

N�o chore mais para o Senhor. Pare com isso.

Me entende?

Me acenda um cigarro.

Eu n�o sei, em seu estado...

No meu estado...

S� posso me confortar com um cigarro.

Voc� sabe,

que eu sempre digo,

fumar nutre a alma.

Ainda o vejo.

Quem?

Azrael.

- O anjo da morte. - Sim � claro.

- Nasser Ali... - Sim, m�e?

V� at� o jardim.

Toque pra mim.

Sua m�sica � t�o linda.

O funeral dela foi algo surreal.

Bem depois do enterro, uma densa camada de fuma�a se formou por cima da cova.

Todos tinham uma explica��o.

Aquilo era todos os cigarros que havia fumado.

Tr�s carteira ao dia. Pense nisso.

Claro. Foi o que ela fez.

Ah ali. Eu sou um top�grafo. O solo � calcaroso.

Isso gera condensa��o.

Ah sim, claro.

Que idiotas.

Essa fuma�a s� prova que a alma existe.

Sua m�e era t�o densa

e poderosa

que ela

se mostra diante dos nossos olhos. - Com toda certeza.

N�o acredite em mim.

- Se voc� pensa. - Sim

Voc� pensa que eu sou doido.

- Mas sei muito sobre voc�. - S�rio?

Nasceu em 10 de Mar�o de 1908.

Correto.

Ela perdeu o pai em um segundo.

Aos 21, voc� foi a Shiraz, estudar m�sica.

�, Shiraz.

E l�...

voc� partiu seu cora��o.

Voc� pensa o tempo inteiro nisso.

Certo?

V� agora.

Voc� duvida.

O cora��o dela estava t�o partido que se fossilizou.

N�o deixe mais o ar da vida entrar em voc�.

� um erro.

Voc� abandonou sua vida.

E n�o tem nada pior do que um homem que faz isso.

Nada!

Voc� sabe o Hafez diz:

"Eu n�o acerto a roda do destino

eu destruo isso, se isso n�o girar conforme eu quiser."

Foi bom que voc� parou de rezar pra sua m�e.

A hora dela chegou.

Nasser Ali suspeitou.

Que por cinco dias clamava pela morte. Mas ela n�o o achava.

Ele se perguntou se algu�m rezava por ele.

Sim, Nasser Ali. Algu�m rezava.

6� Dia.

Pelo sexto dia eu estive procurando, Azrael, o anjo da morte.

finalmente me encontrei com Nasser Ali.

Bom dia, Nasser Ali. Finalmente acordou.

Est� tudo bem

Voc� venceu. Eu desisto.

Meus filhos, me perdoem. Faranguisse tamb�m! Senhor!

Pe�o piedade!

Vamos, Azrael! Termine isso! Fa�a o que tiver de fazer.

Estou pronto.

Voc� n�o deveria ficar magoado. Ou do contr�rio voc� se machuca ainda mais.

Sente, bom homem. Aproveite.

Cigarro?

Eu estou aqui? � muito longe, certo?

N�o, n�o ainda. Eu digo, n�o est� longe.

Como est� agora?

O que faz aqui?

Quis te conhecer.

Me chamou por uma semana. Ent�o eu o ignorei.

Pensei que, quem te v�, morre imediatamente.

Desde de quando? N�o, isso s� vale para morte naturais.

Para suicidios

� diferente.

Interessante.

N�o h� dificuldade e regra f�cil. S�o excess�es.

�s vezes eu encontro pessoas que podem ser.

Aleatoriamente.

Eu tenho um tempo de contar uma hist�ria pra voc�.

Muito tempo atr�s. Eu estive com senhor Ashour do Taj Mahal, na �ndia

para lev�-lo.

Um dia antes eu tinha o encontrado em mercado em Jerusal�m.

- Quanto custa os tomates? - 100 dinares.

- Muito. - 50 dinares.

- 20. - 30.

- 2 dinares. - Sr. Ashour! O que faz aqui?

Ele ficou com tanto medo, que ele foi gritando

at� o Pal�cio do Rei Salom�o, e fugiu.

Mas n�o tem como escapar.

- Salom�o? - Sim?

Ah, Salom�o, Salom�o.

Sim?

Ah, meu rei!

O que posso fazer por voc�?

Encontrei Azrael. Ele olhou pra mim. Ele vai me pegar.

Vou morrer. Tenho que deixar Jerusal�m. R�pido.

Mas Sr. Ashour, pra onde vai?

N�o se escapa do anjo da morte.

N�o vou por ai, vou mais longe que puder. Para �ndia!

Se � o que quer.

Ent�o Salom�o, mandou vir um vento, para que Ashour pudesse ir

para o Taj Mahal, na �ndia.

Aqui est� voc�, bem a tempo.

Caro Azrael, quero te peguntar s� uma coisa e ent�o me leve.

- Prometa. - T�, senhor, pergunte.

Se vai me levar hoje, porqu� me olhou t�o bravo l� em Jerusal�m?

Engano seu. N�o estava bravo.

Hoje eu te levo aqui na �ndia,

e ontem apenas estava vendo quem voc� era, no mercado.

Isso me surpreendeu.

Me perguntei quanto tempo duraria a viagem em um dia.

Entendo.

E ele morreu?

Bem, a hora dele tinha chegado.

- E quando eu vou? - Eu n�o sei.

N�o decidi.

Azrael?

� meio tarde para voltar atr�s?

N�o � "meio tarde", meu caro.

� muito tarde.

Ah, voc�,

4 e 7, combina��o aleat�ria.

Voc�, seja 4 ou 7, eles te p�e em febre, beba.

Eu provavelmene te falaria e te daria muito mais do que merece,

esta � uma viagem sem volta. Quem vai, vai para sempre.

� ruim, Nasser Ali.

Voc� s� tem essa vida.

Ele n�o est� bem. O que voc� vai fazer?

7� Dia.

Tudo ficar� bem. N�o se preocupe.

Nasser Ali!

Ele tem febre.

E?

Neste estado, a vacina � apenas uma medida paliativa.

Pode fazer mais alguma coisa?

Se algu�m decide morrer...

- Voc� acha que papai morre? - Sim.

Nasser Ali?

� tudo minha culpa.

Me perdoe.

Mo�a...

Irane?

N�s nos conhecemos?

8� Dia.

N�o. Estava na loja, vi seu pai

e ele quis te perguntar...

Quis me perguntar...

Que seja, eu vou com voc�.

Eu digo, se voc� for eu tenho que ir com voc�.

Sim.

Provarei todo meu amor.

Voc� pode voltar pro seu mundo...

Irane,

quer se casar comigo?

Mas � claro, meu querido.

� o meu maior desejo.

Amanh�, vou falar com seu pai.

Nasser Ali, estou t�o feliz.

Este � o dia mais feliz da minha vida.

Pai...

Irane, nos deixe a s�s.

- Mas, pai... - Por favor, v�.

Como ousa a vir at� mim e pedir a m�o da minha filha?

- Mas, senhor... - Eu n�o nasci ontem.

Eu sei que isso � uma paix�o. Isso passa r�pido.

A realidade � bem diferente.

M�sicos n�o ganham bem.

Como vai manter minha filha?

Vou trabalhar e ganhar dinheiro.

Como? Que tipo de trabalho?

E em quanto tempo vai ganhar t�o bem?

- Eu a amo. - Ent�o me prove isso,

sumindo da vida dela.

N�o interfira no futuro dela.

Mas voc� � jovem.

Com o tempo a esquecer�.

E ela tamb�m o esquecer�.

Se eu te prometer isso,

ent�o eu nunca esquecerei sua filha.

Como voc� pode fazer isso comigo?

Eu amo ele.

Voc� est� a�!

Voc� veio.

Vim dizer adeus

e ver voc� pela �ltima vez.

N�o fa�a isso ficar mais dificil pra mim.

N�o posso fazer isso com ele.

Isso o mataria.

Agora, voc� � um grande m�sico.

Finalmente

voc� acertou em pegar o suspiro.

O pai dela n�o quer que eu me case com ela.

Nunca mais os vi.

Que tolo.

Venha, venha comigo.

Esse violino era do meu mestre. Ele o deu para mim.

Agora � seu.

Sabe, garoto,

um que voc� perde, que seja cada nota que tocar.

Ela � seu sopro e seu suspiro.

Esse amor � precioso, porqu� � eterno.

E eu sei do que eu falo.

V� agora.

N�o tenho mais nada que te ensinar.

Desde ent�o, Nasser Ali viajou o mundo por 20 anos.

E como seu mestre disse,

Irane estava l� onde quer que tocasse, em cada nota e acorde.

Irane?

Sim?

Voc� se lembra de mim?

Desculpe. N�o...

n�o me lembro.

- Vov�! Podemos ir? - Sim.

- Estou cansado. - J� vamos, querido.

Com licen�a. Devo estar enganado.

Como quiser, senhor.

Adeus.

Nasser Ali.

Meu amor!

Irane...

Thanks To: Zen.

Tradu��o: Ana C.

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