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- Art Subs - 12 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - JuLima -
Eu estava muito apaixonada.
Eu tinha s� 18 anos, o que sabia da vida?
Fizemos uma turn� fant�stica,
parecia que eu estava num carrossel infinito, mas...
Bem, a vida � feita de escolhas...
SEREMOS JOVENS E BELOS
Para uma noite anest�sica
Ao estilo Nouvelle Vague
Suor e m�sica muito alta
Mescalina e DOM
Me vestirei de rainha punk
E voc� de Alain Delon
Tic tac, tic tac Faz o rel�gio
Tic tac, tic tac H� um LP rodando
Tic tac, tic tac Estamos no come�o do show
Vamos, vamos
Vamos, vamos, vamos
Sim, querido,
Seremos jovens e belos
Voc� e eu tamb�m
Com a consci�ncia Dentro de um microchip
Sim, querido,
A vida � eterna Dentro de um elixir
E a realidade
� apenas um filme
Podemos viver aqui tamb�m
Eternos como her�is
N�s jamais morreremos
Jamais
Sem tempo e sem idade
Sint�ticos pela metade
Daqui at� a eternidade
Sim, querido,
Para sempre jovens e belos
Voc� e eu tamb�m
Com a consci�ncia Dentro de um microchip
Sim, querido,
A vida � eterna Dentro de um elixir
E a realidade � apenas um filme
E a realidade � apenas um filme
Nos reencontraremos Vinte anos atr�s
L� vem ele, ele vem vindo. Bruno! Bruno!
- Bruno! Bruno! - Bruno! Bruno!
- Fa�a um pedido. - Assopre.
- Bruno! Bruno! Bruno! - Bruno! Bruno! Bruno!
- Chega, pare... - Venham. Quem quer um peda�o?
Bruno.
O restante do aluguel.
- Obrigado. - Ou�a, estou com problemas.
N�o consigo arcar com as despesas.
Agora esfriou e ningu�m sai de casa,
voc� sabe como funciona.
N�o posso mais lhes dar tr�s noites semanais.
Como �?
S� enquanto as coisas v�o mal, depois ser� como antes.
- E o que faremos? - Tocar�o �s quartas-feiras.
E dobrarei seus turnos atr�s do balc�o.
- N�o deixarei voc�s na rua. - Voc� falar� para ela?
- Claro. - N�o! Eu falo. Vai ser um caos.
Tchau. Nos vemos amanh�. Me d� um beijo.
- Tchau, Giorgio. - Tchau, Lady.
V� para casa tamb�m.
Aqui estamos
Um passo depois do outro E agora
As folhas cantam
- Precisa usar o banheiro? - Pode ficar, relaxa.
Desculpa, � que ontem peguei no sono.
- Eu n�o estava muito bem. - Minha m�e ainda est� dormindo?
Como assim sua m�e?
Bom dia, amor.
- A gente se v�. - Tchau.
- Tchau. - Tchau.
- Eu o espantei? - N�o. Por qu�?
Quando ele percebeu que sou seu filho.
- Ainda que fosse... - Por que n�o contou?
Nem sei o nome dele,
por que contaria isso?
Est� um nojo aqui dentro, m�e. D� uma limpada de vez em quando.
Voc� vai estar aqui depois do almo�o?
Precisamos conversar.
Vem c�. N�o farei nada.
N�o, c�cegas, n�o!
Chega, chega. Pare.
Preciso ir.
- Voc� pagou a conta de luz? - Paguei.
Tem certeza?
Isa, posso te pedir para n�o fazer isso?
O chefe me d� bronca quando v� as marcas.
As pessoas n�o sorriem o bastante, precisamos lembr�-las.
Voc� por exemplo, � feliz?
S�o 9h da manh� e acordei h� quatro horas.
D� para ser feliz?
� que falta m�sica na sua vida, Mario.
D� aqui. Vou colocar perto do caixa.
Oi. Voc� gostaria de virar uma estrela?
Estrela de verdade, com roupas bonitas, joias
e carros convers�veis.
- Aqueles sem o teto. - Sim!
Ent�o voc� precisa virar pianista.
Aqui est� o telefone, fale para sua m�e ligar, certo?
N�o esque�a.
Tchau.
Desculpa. Est� fechado.
- Bruno? - Isso.
Arianna, prazer.
Giorgio mandou falar com voc� sobre a instala��o.
- Por qu�? - Minha banda tocar� �s sextas.
Como assim "�s sextas"?
- Algum problema? - N�o.
- Beleza. - � que ele n�o me disse.
Ali�s...
Este � o mixer, tem dez canais, voc�s s�o em quantos?
Teclado, bateria, guitarra e voz.
- Voc�s trar�o os instrumentos? - Claro.
E acho que o mixer tamb�m porque este...
O amplificador est� meio ruim, mas n�o � nada grave.
N�o se preocupe, eu trago o meu, j� est� com a pedaleira.
- Voc� � a guitarrista? - Sou. Posso tirar esse piano?
N�o.
Beleza. Ent�o... obrigada, Bruno.
- Nos vemos sexta, �s 19h. - Combinado.
Ol�.
Se eu disser bom dia, me deixar� entrar?
- Voc� me seguiu? - De onde?
Do bar. Eu te vi.
Voc� estava sentado atr�s do vidro me encarando.
N�o, eu n�o te segui.
Aula experimental.
Perd�o, achei que fosse um man�aco que estava me seguindo.
- Tenho cara de man�aco mesmo. - N�o, imagina.
- E onde est� a crian�a? - Como �?
- Onde est� a crian�a? - N�o, a crian�a sou eu.
Quer dizer, era para mim.
N�o, eu... ensino crian�as de verdade,
o m�todo � diferente.
Mas parei de tocar aos sete anos, ainda sou crian�a.
Digo, artisticamente falando eu n�o cresci.
Vamos l�, s� a aula experimental.
Eu imploro.
Est� certo. Entre, pode entrar.
- Por favor. - Obrigado.
- Isabella. - Eu sei. Sou o Umberto.
- Est� bom, Umberto. - E ent�o?
- Continue sendo engenheiro. - Como assim, sou p�ssimo?
Talvez quando crian�a voc� tivesse talento.
Est� certo. Voc� aceita um caf�?
Aceito.
Nos reencontraremos Vinte anos atr�s
Em uma festa dark
Para uma noite anest�sica
Ao estilo Nouvelle Vague
Tic tac, tic tac Faz o rel�gio
Tic tac, tic tac H� um LP rodando
Tic tac, tic tac
Sim, querido, Seremos jovens...
Entendi, voc� � um f�.
Na discoteca de Riccione tocava essa m�sica duas vezes por noite,
ent�o era imposs�vel n�o ouvi-la.
Por que voc� parou de cantar?
N�o parei. Canto quase toda noite no Big Star.
- Voc� conhece? - N�o.
N�o conhece o Big Star? Bem, � um bar muito famoso.
� pequeno, mas todo mundo j� tocou l�.
Toco com meu filho Bruno. Aquele ali!
Achei que fosse seu namorado.
Todo mundo acha isso.
- Meu Deus, seu caf�. - N�o tem problema.
Preciso ir para o escrit�rio, tomarei caf� por l�.
Mas para que me perdoe dessa minha aus�ncia no Big Star,
irei ouvir voc�s, combinado?
Est� certo.
Tenho chances de conseguir outra aula?
Acho que sim. Voc� precisar� de muitas aulas.
Melhor ainda.
Nos reencontraremos Vinte anos atr�s
Precisa de algo?
- Aqui tem m�sica ao vivo, certo? - Certo.
Quero oferecer meu trabalho. Somos uma dupla, guitarra e voz.
- Isabella... - Isso, a vocalista.
Tic tac, tic tac H� um LP rodando
- Sim, querido. - Certo, j� lembrei.
Tamb�m fazemos cover, sempre com guitarra e voz.
Entendi, mas honestamente n�o � o g�nero que tocamos aqui.
Podemos fazer uma noite de teste.
Isabella j� tem um p�blico, n�s tocamos no Big Star...
N�o te farei perder tempo.
Aqui tocam artistas de um certo n�vel.
N�s somos profissionais, minha m�e canta h� vinte anos.
- Como voc� disse que se chama? - Eu n�o disse.
- Bruno, a prop�sito. - Ent�o, Bruno...
N�o me interessa.
Est� bem, Martina voc� �... Voc� � talentosa.
Mas vamos tentar de novo, no tempo certo.
O que voc� acha?
Ou quer fazer coisas de garotas?
- Oi. - Precisamos conversar.
- Ela � a Martina. - Oi, Martina.
- Preciso te dizer uma coisa. - Agora n�o, estou trabalhando.
Vou tomar banho, depois conversaremos.
Est� certo, pode ser.
Quer tomar um ch�?
M�e!
- Voc� pagou a conta? - Assopre.
Voc� pagou ou n�o?
- Certo, eu esqueci. - Caralho, m�e!
Bruno! Por favor, tem crian�a aqui.
M�e, me escute, voc� tinha dinheiro, certo?
S� precisava ir fisicamente pagar conta!
Amanh� eu pago, n�o fa�a drama.
E cad� o dinheiro? N�o est� na estante.
Era para ser surpresa, mas voc� sempre estraga tudo.
Micro-ondas novo. Voc� nem reparou.
Puta mer... S� funciona com energia, m�e!
Ele n�o � m� pessoa,
� s� um pouco hist�rico.
Aqui estamos
Um passo depois do outro E agora
As folhas cantam
Caindo nos vales
Como faremos para ir embora?
Como faremos para ir embora?
O que ela fez agora?
- Bonita. - Ganhei do mo�o do jardim.
Acho que ele est� meio apaixonado.
J� tenho uma planta��o no meu quarto.
- E voc� gosta dele? - Imagina, ele � muito novo.
- Quantos anos ele tem? - Uns cinquenta...
Pague para religarem a energia,
assim as coisas da geladeira n�o estragar�o.
N�o tem perigo, nunca tem nada na geladeira.
Obrigado, v�.
Semana que vem eu devolvo, prometo.
N�o se preocupe, sorte que servem para algo.
E voc� n�o trouxe nada para mim?
Trouxe. Espere...
Aqui est�.
Obrigada.
Voc� avisou que quero v�-la?
Avisei.
E ela?
Ent�o fale de novo.
Acendi velas no seu quarto tamb�m.
J� resolvi tudo.
M�e, me escute.
Devolva, n�o quero dinheiro dela. N�o quero nada dela,
estou dando aulas, logo terei dinheiro.
Voc� j� tinha o dinheiro, mas gastou � toa.
N�o fale assim comigo, sou sua m�e.
Voc� acha que gosto de pedir esmola para a vov�?
Sorte que temos a vov�, n�o � mesmo?
Ainda mais que ela adora se meter,
lembre-se que por ela voc� nem teria nascido.
Essa hist�ria j� deu no saco! J� deu, m�e!
QUER FAZER AS PAZES COMIGO?
Desculpa, a culpa foi minha,
a culpa � sempre minha.
Chega.
Vamos sair?
Vou te levar para jantar fora.
Por conta da vov�.
As praias de Damasco S�o grandes
Cante comigo.
Como baleias brancas � deriva
Vamos, cante!
E deixaremos
Desculpa por agora h� pouco.
- Eu te dei um tapa, n�o dei? - Deu.
M�e?
Preciso contar uma coisa.
Vou pegar a moto.
Ficarei pronta em dois minutos.
- Vou sozinho hoje. - Por qu�?
Farei um turno no bar.
E o show?
N�o vai ter.
Como assim?
A partir de agora teremos s� �s quartas-feiras.
O que quer dizer?
Giorgio n�o consegue pagar as contas e precisa...
- Outra pessoa vai tocar? - � bem poss�vel.
- Por que n�o me contou, porra? - Tive medo que ficasse brava.
Estou furiosa. Se tivesse me contado, eu teria resolvido.
O que voc� teria resolvido? O qu�?
Giorgio j� nos ajudou demais.
Ajudou? Para voc�, nos deixar tocar � ajudar?
� assim que enxerga a situa��o? Como caridade?
"Deixo minha amiga doida e o filho idiota tocarem."
- Chega. - O cretino deveria beijar o ch�o
se ainda toco naquele lixo de barzinho.
N�s n�o atra�mos p�blico, sejamos honestos.
N�o tem mais ningu�m.
- M�e... - Est� certo. Tudo bem.
Pode ir sossegado. Pode ir, amor.
N�s mandamos no sol Queremos amor
Cora��es sangrando Perseguem o que n�o querem
Se eu me apaixonar Se eu perder Deus
N�o haver� nada No meu caminho
Outra guerra que desaparece Atr�s de uma porta gasta
Enquanto subimos no palco
E ca�mos nos cantos Dos velhos abrigos
Apelamos � inoc�ncia Dos cora��es selvagens
Eu estava em mim Quando o deixei entrar
E libertamos nossas almas Da vergonha
Sem olhar para tr�s Porque ouvimos a explos�o
Que nos abalou profundamente
Somos n�s, somos n�s Os novos senhores
Continuamos e corremos Em dire��o ao sol
Somos n�s, somos n�s Os novos senhores
Estamos aqui para queimar O tempo perdido
Perseguindo o trov�o Perseguindo o amor
Ap�s vinte anos, nem teve coragem
de falar na minha cara e mandou meu filho.
- Eu pedi para ele n�o contar. - Por causa dessas musiquinhas.
Voc� n�o liga para ele? Vai nos demitir assim?
Isa, por favor, n�o estou demitindo ningu�m.
- Deixei �s quartas para voc�s. - Pode ficar com elas.
Vamos, Bruno, cortei rela��es com esse senhor.
- Estou trabalhando. - Vamos logo.
Lamento que pense assim.
- Vamos conversar com calma. - Me d� a chave da moto.
- N�o pode dirigir assim. - Me d� a chave!
M�e.
Oi. Sim, deu tudo certo.
S� vou guardar os instrumentos e iremos embora.
- Giorgio, me desculpe. - Pode ir.
Tchau.
Aonde vai?
Levante bem devagar.
Onde est� doendo?
Vou te levar para o hospital, certo?
Vou pedir o carro do Giorgio. Merda!
Vou buscar alguma coisa. Sei l�, quer �gua?
Me d� o n�mero da placa.
Arianna, eu estava l�, ela n�o te viu.
- N�o fez de prop�sito. - Ela nem parou.
Eu sei, mas ela acabou de perder o emprego.
- Eu perdi o emprego. - N�o perdeu, n�o est� quebrado.
O m�dico disse que em um m�s estar� curado.
Em um m�s terei que entregar o �lbum em Londres.
Estou trabalhando nele h� dois anos. Dois!
Ligue para eles e diga a verdade, que uma idiota te atropelou.
Me d� o n�mero da placa.
- N�o. - Vou dar queixa de voc�s.
Arianna! Arianna, por favor!
N�o pode dar queixa ou nos deixar� na merda.
Me diga o que devo fazer. Farei qualquer coisa, juro.
Desapare�a!
Podemos conversar com calma, por favor?
Vamos arranjar uma solu��o.
Deve haver algo que eu possa fazer para te ajudar.
N�o fiz de prop�sito, ela surgiu do nada.
Voc� n�o tem ideia da confus�o que causou.
Ela quebrou o pulso.
� a guitarrista da banda.
Lamento que ela tenha se machucado,
mas ela n�o sabe ficar em cima do salto.
Ela queria dar queixa de voc�, sabia?
Acho que ela � um pouquinho exagerada.
Omiss�o de socorro,
dezenas de testemunhas na frente do bar,
voc� dirigindo b�bada.
Agora precisarei tocar para eles por um m�s at� ela sarar.
- De gra�a! - Para quem?
Juro que n�o livrarei mais sua barra.
Duas batidas por acorde.
Recomece.
- Certo. - Espere, me deixe entender.
- N�o d� tempo de entender. - Eu consigo.
Ent�o consiga.
Vou escrever a estrutura para voc�.
Melhorou?
Posso fazer a varia��o no refr�o.
Recomece.
Ali�s, obrigado pelo convite, embora seja incomum.
- Voc� n�o gostou daqui? - Gostei muit�ssimo.
Meu pai sempre me trazia para c�.
Ele dizia: "Vamos tomar sorvete em Veneza".
Mas na verdade era em Comacchio.
Ele sempre foi bom em se contentar com o que tinha.
Meu pai nunca se contentava, eu queria fazer arquitetura,
ele queria que eu fosse engenheiro.
E me disse: "Ou estuda engenharia ou pague seus estudos sozinho".
E assim aguentei um ver�o e depois acabei cedendo.
Voc� n�o gosta do que faz?
Fico de saco cheio todos os dias da minha vida.
Mas com 50 anos n�o podemos mais culpar nossos pais.
- Somos o que somos. - Pois �.
Arquitetos frustrados, p�ssimos maridos,
mas pianistas de um certo n�vel.
Por que est� rindo?
Porque voc� me faz rir.
- Voc� foi um p�ssimo marido? - Muito pior.
Temo que tenha sido um marido como tantos.
- E onde est�o seus filhos? - Em N�poles.
H� dois anos a Marina se mudou,
ofereceram um emprego importante para ela e eu n�o quis...
que ela abrisse m�o.
Embora ela n�o tenha pedido minha opini�o nem permiss�o.
Agora eu descrevo assim,
mas na verdade s� percebi quando vi o caminh�o da mudan�a.
Imagino que voc� tenha sofrido.
Em certos momentos, voc�s mulheres,
t�m a necessidade de retomar a r�dea das pr�prias vidas.
Voc�s mudam o comportamento e a postura.
Tenho tr�s irm�s, entendo de mulheres,
eu as estudo desde que nasci, sou muito bom nisso.
E o que voc� viu em mim ent�o?
- Eu vi... - Vamos ver.
Uma mulher que toma caf� da manh� sozinha,
uma mulher linda.
E lamento pelas mulheres feias que tomam caf� da manh� sozinhas.
Mas que outro cara se preocupe com isso.
E o pai do Bruno? H� quanto tempo voc� n�o o v�?
Desde que o Bruno nasceu.
- Fiz a pergunta errada. - Imagina.
Ele era meu produtor.
Foi ele que escreveu "Tic Tac".
Eu estava muito apaixonada.
Eu tinha s� 18 anos, n�o sabia nada.
Fizemos uma turn� incr�vel,
parecia que eu estava num carrossel infinito, mas...
Como ele p�de abandonar uma mulher como voc�?
N�o �?
Ent�o para o azar dele vamos beber alguma coisa.
Se bem que est� tudo fechado em Comacchio.
- Imagina, a gente faz abrir. - S�rio?
- Sim, claro. - Vamos.
- M�e, o que est� fazendo? - Estou compondo.
- Para qu�? - O novo �lbum.
H� anos voc� repete:
"Temos que voltar � ativa, precisamos de novas m�sicas".
Voc� estava certo, eu concordo.
Sei que precisamos economizar e j� pensei em tudo.
Estou dando mais aulas, tenho novos compromissos.
Voc� tamb�m poderia dar aulas de guitarra.
Sei que voc� n�o ama crian�as, mas eu tamb�m n�o.
Entendi, mas estou escrevendo.
Toque mais baixo, certo? Obrigado.
Somos gotas d'�gua
Em um mar tempestuoso
Como duas vozes que cantam
Melodias desafinadas
Procurando a chave
Para tocar em harmonia
Em tantos lugares
Em tantos rostos
Nos perdemos
Oi.
Estude estes tamb�m.
Pode me tirar uma d�vida?
Como voc� foi parar na Blu Records?
Voc� pode me tirar uma d�vida?
Quem mandou pegar minha guitarra?
E esse � o meu banquinho.
N�o conhe�o eles.
- N�o conhece os Skills? - N�o.
Isso � ruim, muito ruim.
Coloque.
Estude a �ltima m�sica do disco tamb�m.
- Bom dia. - Oi.
Oi.
- N�o � verdade... - Por favor, comporte-se. Vai.
- N�s acreditamos... - N�s acreditamos...
que a �nica coisa que vale a pena fazer.
Que a �nica coisa que vale a pena fazer �...
Beba, beba logo!
Rock and roll!
Ningu�m vai nos expulsar.
Quer uma carona?
Lembre-se que essa � a moto com a qual sua m�e me atropelou.
N�o vou subir nisso.
Mas n�o foi culpa dela,
da moto, quero dizer.
O que est� fazendo?
Prometi te levar para casa e vou cumprir.
Beleza.
Como ainda estou me recuperando...
Claro, porque andar vai cansar seu pulso.
Vai logo.
Pare com isso.
Quanto tempo voc�s ficar�o em Londres?
N�o sei.
Depois da grava��o faremos uma pequena turn�
para apresentar o disco.
Quando voltarem n�s nos falaremos?
Eu gosto de ficar com voc�s, quero que sejamos amigos.
Pode ir.
- S�rio? - Sim, vai.
Prontinho, cheguei.
S�o vinte euros.
Tchau.
Esse � o �ltimo, voc� j� bebeu demais.
- Voc� n�o tem aula amanh�? - Lady.
O que foi?
Se quer lucrar com os jovens, n�o deve hesitar em embebed�-los.
Acho que se chama...
Meu Deus, como se chama? Ah, karma.
- Bem-vinda de volta, Lady. - Estou procurando o Bruno.
Ele n�o est�, s� vem de dia. Aconteceu alguma coisa?
N�o, nada. N�o sei onde ele est�.
Deve estar ensaiando com a Arianna.
- Voc� sabe que eles tocam juntos? - Sim, claro. A banda.
Claro que sei.
Ele poderia ao menos atender o telefone.
Devem estar ensaiando para sexta. � o show na Torre.
Voc� sabe que horas vai ser?
Eles est�o no programa, ser� no hor�rio habitual, �s 22h.
E voc�? Vir� cantar quarta-feira?
N�o quero mais ser um peso para voc�.
O Bruno tem raz�o, voc� j� nos fez muitos favores.
E aquilo que voc� fez para mim h� vinte anos?
Eu teria fechado o bar se voc� n�o tivesse vindo cantar.
Se ainda estou neste mar de n�voa � culpa sua, Lady.
Sua e do Bruno.
- Voc�s s�o a minha fam�lia. - Vem c�.
N�o vamos brigar mais, por favor.
Vou para casa, Giorgio.
Quero voc� naquele palco quarta-feira.
Oi, estou atrapalhando?
Ol�.
Voc�s t�m uma rela��o dif�cil com as portas.
- A prop�sito, eu sou Umberto. - Me desculpe por aquilo, senhor.
N�o precisa me chamar de senhor.
Bom dia.
- Bom dia. Como voc� est�? - Estou bem.
- Umberto � meu novo aluno. - � mesmo?
E o que exatamente voc� ensina a ele?
- � melhor eu ir. - N�o v�, por favor.
Eu preciso ir.
O pessoal do escrit�rio deve achar que sumi.
Coloque a culpa em mim.
Depois eu te ligo, pode ser?
Bruno.
- Tchau. - Tchau.
Posso saber o que voc� tem?
Acordei t�o feliz hoje.
- Por que, o que eu fiz? - Voc� o espantou.
Geralmente voc� consegue fazer isso sozinha.
Talvez dessa vez eu n�o quisesse.
- Novidades? - Como assim?
Qualquer coisa. Como est� a mo�a?
O pulso ainda d�i um pouco, mas ela est� melhor. Obrigado.
Voc� chegou tarde ontem. Eu te liguei.
Eu vi. O ensaio acabou tarde.
A prop�sito, ela � muito bonita.
O que voc� vai fazer hoje � noite?
Vou ensaiar mais. E voc�?
Vou sair com o Umberto.
Outro Deus perdido Eu ouvi o diabo cair
Quero chover E acordar o oceano
Quero suas nuvens escuras Seguirei seus erros
At� o fim
At� o fim
Escrevi essa m�sica para voc�.
Venha para Londres comigo. Quer dizer, conosco.
As estrelas s�o nossas N�s as ensinamos o que � guerra
Perdemos a inoc�ncia E carregamos as cicatrizes
Isso � um sim?
Elas caem aqui E se fragmentam na ampulheta
O passado escorrega na pele Como fotografia
E isso muda o seu cora��o
A f�nix sorri Enquanto queima
As sombras dan�am Como diabos para ela
Das trevas as flores crescem Como fotografias
E isso muda o seu cora��o
Voc� pinta as paredes que iluminam Seus l�bios e beija o passado
E isso muda o seu cora��o
Outro Deus perdido Eu ouvi o diabo cair
Quero chover E acordar o oceano
Quero suas nuvens escuras Seguirei seus erros
At� o fim, at� o fim
At� em casa
N�o achei que voc� viesse hoje.
Eu n�o sabia que voc� ia tocar hoje.
- Eu te disse, n�o? - N�o, n�o disse.
- Oi, Bruno. - Oi.
Oi. Sou a Isabella, m�e do Bruno.
- Lembra de mim? - Lembro. Ol�.
Me desculpe por aquele dia, n�o sei como aconteceu.
Eu estava muito confusa. Ele � o Umberto, meu namorado.
- Arianna. - Prazer.
Posso te convidar para jantar em casa?
Pode ser amanh�? Para conversarmos um pouco.
- E para que me perdoe. - M�e, voc� n�o cozinha.
N�o precisa, obrigada. De verdade.
� importante para mim. De verdade.
- Aceita um pouco de vinho? - N�o, obrigada. N�o bebo...
Est� bom assim, obrigada.
Voc� � linda.
Com esses olhos grandes, esses l�bios carnudos.
- Obrigada. - H� quanto tempo est�o juntos?
- M�e... - Somos s� amigos.
� mesmo? E para voc� tudo bem?
Est� certo, n�o precisa responder.
N�o quero te envergonhar, n�o � da minha conta.
- As batatas est�o bem cozidas? - Est�o boas.
Eu teria assado mais, mas est�o gostosas.
Fale isso para o pessoal da rotisserie.
- Voc� subestima sua m�e. - N�o a subestimo, eu a conhe�o.
Obviamente n�o o bastante.
- Ent�o est�o preparando um disco? - Estamos.
- E voc� escreve as m�sicas? - Quase todas.
Na verdade, uma foi escrita pelo tecladista
e outra pelo Bruno.
� mesmo?
Voc� escreveu uma m�sica?
Veja s� que sorte. E voc� queria dar queixa de mim.
Voc� vai coloc�-lo nos agradecimentos, espero.
Eu irei para Londres com eles.
- Como �? - Irei para Londres com eles.
Londres � linda, estive l� h� um ano.
Precisamos visit�-la um fim de semana desses.
Por que escolheram Londres?
Vamos mixar o disco, � algo importante.
A Blu Records vai nos produzir.
- Muito bem! - Muito bem mesmo.
De verdade, n�o � f�cil ser l�der de um grupo,
para uma mulher ent�o...
E por que levar�o o Bruno? Agora voc� j� pode tocar.
� algum tipo de viagem de recompensa?
Agora o Bruno faz parte da banda.
Essa sim � uma grande not�cia.
- Temos que comemorar. - � isso a�!
Aos jovens! Ao Bruno e a Arianna que realizem os pr�prios sonhos.
E a n�s.
- E quando viajar�o? - Semana que vem.
Que bom viajar, eu adoro viajar.
Lembro quando toquei em Monte Carlo.
Sabe a descida de Monte Carlo? Voc� j� esteve l�?
- N�o. - Voc� deve ir. � um lugar lindo.
Essa descida � cheia de curvas, luzes e arranha-c�us.
� cheia de gente, cheia de vida.
Enfim, parecia o come�o...
de algo...
Deixa pra l�.
A vida � feita de escolhas.
- Voc� quer ser musicista? - Quero.
Ent�o vou te dar um conselho,
mantenha as pernas fechadas.
A av� dele tinha raz�o nisso.
Minha m�e tamb�m me teve com 20 anos.
- O que ela faz agora? - � advogada.
- O qu�? - Advogada.
Bem... � diferente, n�o?
Rumos diferentes.
Quando voc� esteve em Monte Carlo, m�e?
O qu�?
Voc� adora acreditar que teria sido uma grande cantora.
Que teria gravado v�rios �lbuns, feito turn�s.
Monte Carlo... Quando diabos voc� esteve l�, m�e?
Voc� mentiu a vida toda para si mesma.
- N�o � mentira, � verdade. - N�o!
A verdade � que voc� n�o tinha mais nada a dizer.
A verdade � que voc� � uma p�ssima cantora.
- Bruno... - Nem o Giorgio te quer mais.
Ele te segue h� vinte anos, por isso te deixou �s quartas.
- N�o � verdade. - Voc� n�o notou? Me desculpe.
Umberto, saiba que ela n�o nota o mal que faz �s pessoas,
mas n�o � culpa dela, � que ela n�o consegue.
Bruno, acalme-se.
Est� se sentindo valente agora?
Londres, a banda, sua m�sica,
todo destemido na frente da sua namorada.
Perd�o, a mo�a que voc� queria que fosse sua namorada.
Assine o contrato antes de se sentir homem de verdade.
- V� se ferrar. - Chega.
E leve a Arianna para casa, por favor.
Quem diabos � voc�? O que quer?
- Bruno. - Eu n�o deveria ter te trazido.
Sou um idiota! Um imbecil!
Pare.
Vem c�.
Me desculpe.
Me deixe quieta.
V� embora, por favor.
Rumo �s fronteiras do deserto
Segu�amos rastros na areia
Como pesquisadores antigos Envoltos em suas miragens
Em suas miragens
Sem mais estrelas Para perseguir
Nossos olhos Se encontrar�o aqui
O destino escolheu o lugar E o caminho
E o tempo e os seus des�gnios S�o obscuros
E t�o certos
Se as praias de Damasco S�o grandes
Como baleias brancas � deriva
N�s n�ufragos,
Deitados �s margens Do rio Barada
Renasceremos
Renasceremos
Se as noites de Damasco S�o eternas
Como velas acesas at� o c�u
Gastaremos todo nosso amor �s margens daquele rio
Para n�o morrer
Deixaremos para tr�s Todas as lembran�as
Em busca de um objetivo
Como a chuva lava o dia Um feiti�o de �gua e terra
Agora � fogo
Apenas um caminho � nossa frente
De sinais, s�mbolos E segredos
Tudo parou no tempo
Umberto, correto?
Giorgio.
Ent�o quer dizer que voc� gosta dos dois.
Esta � uma noite estranha,
geralmente o bar enche.
Assim fica mais intimista.
N�o � f�cil ficar com a Isa. � melhor voc� se preparar.
Est� falando por experi�ncia?
Sou amigo, empregador e senhorio dela h� vinte anos,
algumas coisinhas eu sei. Mesmo sem outras experi�ncias.
O que voc� est� fazendo?
Adiantando seu trabalho.
Deixe a�.
O que voc� quer?
Me leve para a casa da sua av�.
Sozinha eu n�o consigo.
Vamos.
- Devagar com esse licor. - Mas � gostoso.
- O mo�o do jardim que deu? - Sim, foi ele.
- A vov� tem um namorado. - Que exagerado.
� o jardineiro. Voc� gosta um pouco dele.
Imagina, ele � s� um homem gentil.
Voc� mesma disse que ele te deu uma floresta de l�rios.
Ele sabe que gosto de flores.
E o que mais poderia me dar se � um jardineiro?
Eu vou me casar.
- Vou me casar com o Umberto. - Quem � ele?
� um engenheiro.
Decidimos ontem � noite, nos casaremos na primavera.
Faz tempo que se conhecem?
Duas ou tr�s semanas, no m�ximo.
M�e, voc� vai gostar dele, ele � muito simp�tico e divertido.
N�o vejo a hora que voc�s se conhe�am.
Pensei em fazer a recep��o aqui.
Isa, mas n�o acha que � muito cedo?
Quer dizer, d� mais tempo para voc�s se conhecerem.
M�e, eu sei bem o que est� pensando:
"L� vem a Isabella com mais uma das suas,
agora ela quer se casar."
N�o, s� estou perguntando se voc� pensou bem.
Claro que pensei bem.
�timo. Ent�o, parab�ns!
E voc�, amor, quando vai viajar?
- Depois de amanh�. - Est� tudo pronto?
Precisa de alguma coisa?
Que entusiasmo, porra!
Meu Deus, me desculpem.
Desculpem se pensei...
que finalmente daria uma boa not�cia a voc�s.
S� estou perguntando por que tanta pressa. S� isso.
Porque ele me faz feliz, porque gosto dele.
Porque gosto dele e ele me faz feliz. S� isso.
Pode ficar sossegada que dessa vez n�o tem
nenhum problema para resolver, ou melhor, para eliminar.
N�o � um casamento for�ado. Se � o que est� pensando.
Bruno, pode nos deixar a s�s um pouco?
Cuidado com o que vai dizer, ele n�o merece.
Agora vai bancar a av� amorosa?
Tome vergonha na cara.
Bruno te adora s� porque n�o viveu o inferno que eu vivi.
- Voc� era uma crian�a, Isa. - Voc� nos deixou sozinhos.
- Voc� foi embora. - Sua lembran�a � equivocada.
Voc� achou que ficando com o beb� tamb�m ficaria com o pai dele,
mas eu tinha certeza que seria o contr�rio.
Sairemos daqui depois de amanh�.
Carregaremos os instrumentos e iremos ao aeroporto.
Tudo bem para voc�?
Pode me dar sua identidade? Farei o check in online.
- Bruno, o que foi? - Nada.
� sua m�e.
Ela vai se casar.
Com o Umberto.
Umberto � legal, gostei dele. Ele me parece simp�tico.
At� ontem minha m�e transava com os garotos do Big Star.
Ela deve ter tomado ju�zo.
Voc� n�o a conhece e o Umberto tamb�m n�o.
- Ela s� quer me machucar. - Fala s�rio, voc�s s� brigaram.
� porque estou aqui com voc�, porque vamos viajar.
Ela sempre faz isso para estragar tudo.
Ela vai se casar, Bruno.
Acho que ela simplesmente est� refazendo a vida.
Com quem ela vai casar? Com quem? Com o Umberto.
Quem diabos � esse Umberto? Ela acabou de conhec�-lo.
Voc� preferia os garotos do Big Star?
N�o.
Ent�o pare de bancar o moleque ciumento.
Por que diz essas merdas? N�o estou com ci�mes.
Claro que est� e � perturbador.
Voc� e sua m�e t�m uma rela��o que � meio...
- Voc� n�o sabe de nada. - E nem quero saber.
Deixe as merdas dos seus problemas fora daqui.
N�s estamos partindo, Bruno.
N�o posso.
O qu�?
Eu n�o posso ir, Ary.
Voc� pode me ferrar, pode se ferrar,
pode ferrar com a sua vida que eu n�o ligo!
Sinto muito.
V� se foder!
Parab�ns, quarentona.
Quarenta e tr�s, s�o quarenta e tr�s.
Por que voc� n�o quer cantar mais?
Voc� mesmo disse que sou uma p�ssima cantora.
Eu n�o penso isso,
s�o coisas que dizemos na hora da raiva.
N�o, voc� tinha raz�o,
n�o quero insistir mais, cansei.
E eu?
- O que farei? - Voc� tem a sua banda.
Sinto a sua falta.
- Vamos sair. - N�o.
- Vamos comemorar. - Vou ao cinema com Umberto.
- Deixe para depois. - N�o.
- M�e, m�e... - Voc� viaja amanh� cedo.
- N�o ligo. - Precisa arrumar suas coisas.
Olhe para mim, m�e.
S� eu e voc�, s� uma hora,
como antigamente.
A� est�o eles.
- Lady, parab�ns! - Sa�de!
Quero parar de fumar.
Para depois fumar outro, como dizia Iggy Pop.
Eu e Iggy Pop s� temos uma coisa em comum.
As cal�as de couro.
Que n�o morremos aos 27 anos.
Para mim ainda d� tempo.
N�o fale isso nem de brincadeira.
Vamos beber.
Mais um, mais um.
Voc� o ama?
Meu Deus.
Sei l�.
N�o vou mais viajar, m�e.
J� avisei a Arianna. Ficarei aqui com voc�.
O que est� dizendo? O que voc� est�...
O que est� dizendo?
- O que est� dizendo? - Vamos dan�ar.
Saia daqui!
V� embora, vai!
Vai logo...
Somos gotas d'�gua
Em um mar tempestuoso
Como duas vozes que cantam Melodias desafinadas
Procurando a chave Para tocar em harmonia
Em tantos lugares Em tantos rostos
Nos perdemos
Somos como passageiros Em uma cidade
Cheia de c�us
Apenas um deles nos dar� A nossa identidade
Procurando em tantos lugares Procurando em tantos rostos
Nos perdemos
Nos perdemos
Nos perdemos
OBRIGADA
NOS REENCONTRAREMOS VINTE ANOS ATR�S
Ver� dois passageiros
Voarem no mesmo c�u
Uma vis�o que afugenta As nuvens
Em tantos lugares
Em tantos rostos
Nos perdemos
Nos perdemos
Nos perdemos
Nos perdemos
Oi, Isa.
SEREMOS JOVENS E BELOS
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