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Original subtitles

O OBJETIVO DE UMA DISCUSS�O

N�O DEVE SER A VIT�RIA, MAS O PROGRESSO

JOSEPH JOUBERT

CONTRA: REPUTA��O

Abu?

Junis.

Voc� est� a�?

Junis?

Merda.

Venha, Abu, vou te levar para a vov�.

Vov�!

Divirta-se!

Mas eu prefiro nos poupar, a todos, o t�dio

que reina nas palestras de direito alem�o.

� melhor olharmos para as grandes alega��es hist�ricas.

Vamos nos dedicar �s grandes obras de orat�ria.

Cuja eloqu�ncia � o oposto do que despejam no Facebook

todos os dias.

Diga-me, senhorita.

Sim, voc� mesma. Voc� �...?

Do primeiro ano.

Entende o que estou dizendo?

Seu nome, por favor.

Naima Hamid.

E seu primeiro nome?

Naima.

Meu nome � Naima. Meu sobrenome � Hamid.

� interessante notar o quanto voc� reage

com agressividade a um pequeno mal-entendido.

A julgar por isso

e a sua falta de pontualidade,

Suspeito que n�o tratar� essa faculdade com respeito.

Voc� est� muito atrasada

Desculpe.

Isso � uma ordem?

Estou me perdoando.

N�o pode se perdoar, s� pedir perd�o. N�o sabia?

Est� falando s�rio?

N�o.

Tudo o que digo � trivial.

S� estou cinco minutos atrasada.

Mas no meu c�rculo cultural, a pontualidade ainda significa algo.

O que foi que voc� disse?

Vejam s�!

O complexo de persegui��o est� de volta.

T�pico. Vamos continuar.

T�pico de qu�?

Algumas pol�micas e isso come�a. N�o sei, o que voc� acha?

T�pico de qu�?

- T�pico de velhos homens brancos. - Isso � racismo.

Voc�s est�o se antecipando.

Quis dizer t�pico de alunos do primeiro semestre.

Se eu tivesse dito

"T�pico de estudantes de origem imigrante

que escondem suas anota��es em suas burkas.

Que ficam aqui por tr�s meses e depois caem fora.

Porque os professores s�o todos uns racistas."

S� assim voc�s poderiam me acusar de racismo.

Mas neste caso, suas acusa��es s�o pura cal�nia.

Olhem s�, n�o pretendo dedicar toda minha aula a voc�.

Aqui h� alunos que gostam muito de estudar.

Eu, por exemplo.

Fa�a a gentileza de se sentar.

Chegue para l�.

� para hoje.

�timo.

Est�vamos falando do Direito Romano.

Eu dizia a voc�s que o direito alem�o

tem evolu�do constantemente.

At� pouco tempo as pessoas n�o podiam dar aos filhos

o nome que quisessem.

Hoje em dia, podem dar nomes como Desesperado, Pepsi-Carola

Chocominty, Don-Armani-Karl-Heinz,

e at� Samira.

Tudo � poss�vel.

Idiota.

Identificamos diferentes fases de desenvolvimento.

Senhoras e senhores, se ainda n�o o viram,

vejam agora, pois ele � uma lenda viva.

E ele est� aqui em pessoa, ent�o deve ser importante.

Vamos das as boas-vindas ao Reitor da Universidade,

Professor Alexander Lamprecht.

Brinde-nos com seu bar�tono l�rico, caro Presidente.

Sim, claro. Como talvez voc�s n�o saibam,

todos os anos realizamos um concurso de debates

entre universit�rios.

H� apenas vinte anos

foi ridicularizado como um fen�meno angloamericano

Mas desde ent�o, ganhou grande fama,

at� mesmo aqui na Alemanha

Por isso eu gostaria que demonstrassem seu entusiasmo.

Porque todos voc�s ter�o a grande oportunidade

de se apresentarem

diante de uma audi�ncia de juristas experientes.

Al�m disso, debater � a melhor defesa contra a estupidez

Portanto, aproveitem a oportunidade

de nos mostrar do que s�o capazes,

especialmente porque a competi��o final deste ano

ser� realizada em nosso audit�rio pela primeira vez.

Ent�o nos ajudem

a conquistar essa vit�ria em casa.

Obrigada por me abandonar.

Adoro poder confiar em voc�.

- Oi, m�e. - Que bom que chegou.

E como foi na vov�?

- Bom. - Bom? Est� tudo bem?

Dia de merda.

Junis me deu um bolo e eu me atrasei.

De novo?

Vai ficar tudo bem.

N�o. N�o importa.

Vou ligar para eles.

Para qu�, Naima?

Schneider and Pr�hl. Thiem falando.

- Em que posso ajudar? - Ol�.

Meu nome � Naima Hamid. Recebi a carta

com a rejei��o para um est�gio, hoje.

Sim. Lamento.

Sim. Obrigada.

Entretanto, acho tolice que a sua carta

seja id�ntica �s de outros escrit�rios.

Veja: "Lamentamos informar

que decidimos selecionar outro candidato

que se encaixa melhor em nosso perfil".

Conhe�o nossas cartas de rejei��o.

Mas n�o � sua. Esta � exatamente a quest�o.

Gostaria de saber o que posso fazer para me encaixar melhor

ao seu perfil.

Pode passar para a senhora Schneider?

Foi ela quem assinou a carta.

A senhora Schneider

N�o est� dispon�vel para tais discuss�es.

Ela cuida de outros assuntos. Sinto muito.

Entendo. Sim, bom dia.

Tenha um bom dia.

Droga!

Se eu tivesse dito

"T�pico de estudantes de origem imigrante

que escondem suas anota��es em suas burkas.

Sem falar na parte sobre a Sharia.

Devo incorporar o "N�s podemos" em todas as frases?

Todos pensam que voc� est� concorrendo ao AfD.

Porque n�o fazem ideia.

Voc� n�o os ajuda a te entender.

Prefere cavar sua pr�pria cova.

N�o segue o plano de aula, humilha os estudantes,

contraria outros docentes.

Pare de sorrir!

Dessa vez � s�rio.

Tenho 15 reclama��es abertas pela bobagem que disse na primeira aula.

H� tr�s p�ginas no Facebook

e uma peti��o online pedindo a sua suspens�o.

Ningu�m liga.

J� tem 300.000 cliques.

Em bem poucas horas.

- Isso � muito, hoje em dia? - Richard.

Sempre � muito.

N�o s�o apenas os alunos.

O que voc� quer dizer?

A junta disciplinar. Voc� foi convocado.

- Ah, por favor. - Depois de uma audi�ncia,

eles decidir�o se voc� poder� continuar dando aulas aqui.

� claro que voc� pode contestar.

N�o. Voc� colocou todos contra.

Estudantes, colegas, a junta administrativa.

H� uma tempestade de merda se formando contra voc�.

- Tempestade de merda? - Sim, mas a boa not�cia � que

a audi�ncia � daqui a v�rias semanas. Ainda temos tempo.

Para come�ar, voc� vai evitar coment�rios politicamente incorretos.

Estamos entendidos?

E quanto aos coment�rios racistas...

Naima Hamid.

A garota que voc� atacou.

O que tem ela?

Voc� a preparar� para o concurso de debates.

- Esque�a. - N�o.

Ela vai duas rodadas, no m�ximo. Ser� suficiente

para desencorajar a junta disciplinar.

N�o posso garantir que nada acontecer�.

Mas � uma oportunidade. Voc� deveria aproveitar.

N�o tem outro grupo de estudantes marginalizados que eu possa ajudar?

Um chin�s diligente, por exemplo.

Ou talvez um russo com grande disciplina militar.

Um italiano do regime antigo. Pelo menos falam r�pido.

Richard.

- Quem sabe se... - Naima.

Se ela quiser entrar, ou se tiver talento.

Ela j� se inscreveu.

Isso n�o quer dizer que tenha talento.

Por isso ela tem a voc�.

Ela n�o passar� da primeira rodada.

Isso seria p�ssimo para voc�.

Por que se inscreveu em uma competi��o de debates?

Por que voc� se tornou professor?

Por que se inscreveu em uma competi��o de debates?

- Por que eu quero ganhar. - Por qu�?

Porque creio que serei melhor advogada se souber argumentar e debater bem.

Muito bem.

Por qu�?

Quero prepar�-la.

O qu�?

Sim, para o concurso.

Quero ajud�-la.

Bem.

Eu n�o quero sua ajuda. Ent�o, obrigada.

Compreendo.

Voc� ainda est� brava comigo por minha pequena ap�fase.

� quando algu�m age como se n�o dissesse o que est� dizendo de fato.

E eu nem vou mencionar o cheiro.

Entende? Digo que n�o vou falar, mas falo.

A ret�rica � uma forma de arte que eu gostaria de ensin�-la a dominar.

Eu falo muito r�pido?

Adeus.

Claro que � muito mais f�cil continuar em sua zona de conforto,

continuar como v�tima por toda a vida.

Se n�o quer ter as armas

para sua liberdade pessoal e profissional,

ent�o merece fracassar em todos os problemas

e obst�culos que se coloquem em seu caminho.

Sem contar o obst�culo

de entrar no mercado de trabalho alem�o como uma imigrante.

Viu s�? Outra ap�fase.

- J� acabou? - N�o.

Amanh� �s oito em ponto na sala de confer�ncias quatro.

V� se foder.

Voc� tamb�m.

Vamos votar. Eu acredito que ela est� mentindo.

- O qu�? - Olha a cara dela.

Como � que �?

Ela n�o teria matado Jami.

- Viu? - Est� maluco?

Ela matou o lobisomem para se salvar.

� t�tica, estrat�gia. Isso se chama canibalismo.

Certo, certo.

Naima, nos d� um motivo para voc� n�o ser o lobisomem.

Qual a probabilidade

de eu ser o lobisomem por tr�s rodadas seguidas?

- Pode acontecer! - � estatisticamente improv�vel.

Voc�s n�o percebem que ele est� tentando distra�-los?

A melhor defesa � o ataque.

Mas percebo sua distra��o.

Minha suspeita continua. � Mo.

O que ela est� dizendo?

J� disse, ela est� falando merda. Qual a probabilidade...

Cara, ela est� certa. Voc� est� agindo de forma suspeita.

Voc� est� morto!

Voc� est� fora. N�o pode falar nada.

Ah, vamos.

Mas ele tem raz�o. � suspeito.

A forma como voc� se agita.

Sem contar que voc�s �rabes sempre tem um segredinho.

�rabes?

� verdade. Olhem como ele age.

Eu digo que � Mo. Quem concorda?

Voc� est� fora.

Por unanimidade, meu querido.

- Mostra sua carta. - Querem ver a minha carta?

Olhem, olhem. Aqui est� minha carta.

Seus cabe�as ocas. Ela os enganou, eu disse mil vezes.

S�rio, voc�s juntos tem um QI de -80.

- Merda! - V�, mostre sua carta!

- Mostra, Naima. - Vamos l�.

- Est�o vendo? - Caralho.

-Bom dia, Alemanha.

Aqui est�.

- Voc� � um p�ssimo perdedor. - Sim.

- Posso fazer uma pergunta? - Claro.

Se voc� tivesse a chance de participar de algo

que realmente te ajudaria a avan�ar...

Sim?

E se voc� quisesse muito...

Voc� poderia ser treinado por um dos melhores professores.

Voc� vai entrar para o Germany's Next Top Model?

N�o.

Mas imagine que esse professor tamb�m � um grande cretino.

Ainda assim, voc� faria?

S�rio que n�o � o Top Model?

N�o.

Se fosse mesmo me ajudar a ir mais longe, eu faria.

Por qu�? Algu�m te humilhou?

N�o, est� tudo bem.

Logo vou ter meu passaporte alem�o

Vou fazer uma festa da batata. Voc� vai?

Claro. Que bom que voc� conseguiu.

Mo, o alem�o.

N�o vejo a hora de usar sand�lias com meias.

E tirar f�rias em Mallorca.

Espero que possamos fazer uma festa da batata algum dia.

Claro, continue firme.

Voc� conhece os crit�rios. Eles n�o podem ignor�-los.

Obrigada.

Eu adoraria ir � sua festa.

Espero ansiosamente.

Eu tamb�m.

Intensamente.

Eu tamb�m. Intensamente.

Boa noite.

Intensamente?

J� podemos come�ar.

Quando foi a �ltima vez que voc� debateu?

- Na verdade, nunca. - Errado.

Se eu a conhe�o bem, deve ter sido h� menos de duas horas.

Em nossa sociedade, o debate � onipresente.

Desde as reformas fiscais at� cortar a grama.

Com seus pais, irm�os, amigos.

A habilidade mais importante da sua vida

� convencer os outros.

Debater � um esporte, talvez o mais sofisticado

que voc� j� conheceu. Dif�cil como o boxe,

t�tico como o bilhar, anal�tico como o xadrez.

Mas tamb�m � uma forma de arte.

A arte de falar, a ret�rica.

Paraconvencer as pessoas voc� deve dominar a dial�tica.

Uma linha de pensamentos

que envolve o oponente em contradi��es

com o �nico objetivo

de convencer o p�blico de sua postura.

Apenas isso importa. A persuas�o.

Ganhar o caso. A verdade � secund�ria.

Sim?

- Gostaria de fazer uma obje��o a isso. - Por qu�?

Porque a verdade nunca � secund�ria.

Isso demonstraria que os mentirosos deliberados tem raz�o.

Celebrariam-se as not�cias falsas.

Isso � outra coisa.

Mas voc� logo notar� que a verdade tem a ver

com a perspectiva.

O que � verdade e certo para uma pessoa

n�o o � para outra.

Debater � analisar temas a partir de dois ou mais �ngulos.

E se voc� � a favor de algo, no debate voc� pode

ter seus olhos abertos para o oposto

e vice versa, pois atrav�s do discurso

podemos debater um tema controverso

e chegar a novos conhecimentos.

Arist�teles, C�cero, Schopenhauer.

Todos dialogaram com a ret�rica em suas obras.

Aprenderemos sobre eles nas pr�ximas semanas.

Schopenhauer, por exemplo.

Ele escreveu um texto bem interessante:

Dial�tica Er�stica.

Ele nos d� estrat�gias para alcan�ar isso: sempre ter raz�o.

Voc� � contra ou a favor da pena de morte?

Obviamente, contra.

Interessante, pela sua origem.

Engra�adinho.

Suponhamos que eu assuma a posi��o

de que a pena de morte deve ser reintroduzida.

E voc� ser� minha oponente.

O que me diria?

Que a pena de morte

� desumana e...

Que n�o pode ser revertida.

� irrevers�vel.

Sim, � claro.

Aprenda a falar de forma precisa e seletiva.

O tempo est� correndo.

Voc� tem que ser r�pida, eficiente. Direto ao ponto.

"Voc� quer reinstituir a pena de morte?

Voc� � a favor da morte? Eu sou a favor da vida."

Ponto. Essa � a estrat�gia da homon�mia.

Pegar uma palavra da frase do oponente

e dar um novo significado a ela

que insinue um julgamento que ele n�o pode contradizer.

Nada mal.

Claro que n�o, se n�o eu n�o teria dito.

Mas antes voc� precisa ler. Pode ler?

Leia para amanh� �s oito.

Como vai?

Muita coisa para ler.

Talvez seja uma p�ssima hora,

mas voc� pode cobrir o turno de Junis

se ele n�o chegar a tempo para... Naima...

Eu n�o pediria se n�o fosse importante.

Combinamos que com meus estudos...

Sim, desculpe.

Sei que � um saco, mas o chefe dele...

Disse que se ele faltasse de novo sem um substituto

ele daria o trabalho a outra fam�lia,

Eu n�o posso ir porque trabalho.

Sim.

Obrigada.

- Deixe-me ajud�-lo. - Obrigado.

Espero que tenha gostado do jantar.

- Sim, como sempre. At� mais. - At� mais.

- Khaled Abass. - Sim.

Rota Bockenheim.

N�o dobre o jornal. Na Alemanha n�o dobramos.

Mais uma reclama��o e voc� est� fora.

- Junis Hamid. - Sim.

Hoje o distrito de Gutleut... Junis.

Quem � voc�? Qual seu nome?

Nome?

Qual � o seu nome?

Leia isso em voz alta.

Logos, ethos, pathos.

Ent�o voc� pode ler.

� uma das estrat�gias. A s�tima.

Faz�-los duvidar do seu conhecimento para desestabiliz�-los.

Se voc� sabe ler, ent�o conhece as regras da universidade

que estipulam a vestimenta adequada.

Embora, como voc�, ningu�m a respeite.

Quando voc� vai abandonar esse estilo

sem sentido, cheio de rasgos nas cal�as?

Se n�o usa burka, porque n�o se veste adequadamente?

Sabe de uma coisa? Eu n�o gosto de voc�.

N�o diga "N�o gosto de voc�". N�o tem alcance.

N�o tem impacto.

Melhor dizer

"N�o h� nada agrad�vel em voc�."

Assim parece mais definitivo. Mais como um racioc�nio.

Apela aos sentimentos da audi�ncia,

gera expectativa.

Tem mais impacto, n�o tem?

Fatima.

J� chega. Vou embora.

E vou fazer uma reclama��o.

Espere, por favor. Espere.

Foi...

Uma brincadeira idiota. Sinto muito.

Por que est� fazendo isso?

O qu�?

Por que quer me ajudar? N�o entendo.

- O que voc� acha? - Quero que voc� me diga.

- N�o sabe a resposta? - N�o.

Quero que me responda, ou vou embora.

Sinto muito por t�-la exposto coram publico

e quero saber se voc� � mais do que aparenta

em uma primeira impress�o.

Podemos continuar?

Por favor, Suleika.

Eu deveria desistir. Ele � um maldito racista.

Pare com isso.

M�e, ele me chamou de Fatima.

� um nome bonito.

Me d� um pouco, m�e?

Eu n�o o suporto.

Talvez voc� precise conhec�-lo melhor

antes de poder dizer isso.

N�o posso te contar nada, n�o �?

E voc� n�o aprende nada.

Incr�vel, uma pena. Com essas cal�as rasgadas!

Como voc� a est� criando? Como uma cigana?

M�e, eu adoraria

ter tempo para remendar as cal�as dela ou para lhe tricotar xales.

Ou costurar vestidos de festa para ela.

- Mas eu n�o posso. - Mas o qu�?

Eu tamb�m trabalhei muito.

E jamais te deixei andar por a� suja e desarrumada.

Espere.

Suja e esfarrapada. Por favor!

N�o quer se vestir bem?

At� parece que voc� � lihja.

O qu�? O que � lihja?

O qu�? Oi, o que � isso?

- Mulher barbada. - Mulher barbada.

Haha. Engra�adinhas.

Oi?

Sim.

Sim.

Sim. Obrigada.

Estou indo agora mesmo.

Prenderam o Junis.

Por posse ilegal de arma.

Me pediram para ir busc�-lo.

Voc� � idiota?

Voc� n�o trabalha, n�o ajuda em casa.

E agora amea�a algu�m com uma arma?

- Eu s� queria assust�-lo. - Exatamente.

Tenho certeza de que o cara que processa nosso pedido concordar� com voc�.

Acha que nos tornar�o alem�es se continuar fazendo essas bobagens?

- N�o nos far�o, de qualquer forma. - N�o � isso que importa.

Voc� sabe o que aconteceu com Molly.

Tinha uma entrega.

Mas a senhora se sentiu amea�ada.

Chamou a pol�cia e o prenderam.

O vagabundo.

N�o � essa a quest�o. Assim voc� d� raz�o a quem diz

que todos os estrangeiros s�o criminosos antissociais.

- E isso me deixa furiosa. - Para de falar.

N�o, n�o posso. E sabe por qu�?

Por que eu fa�o o seu trabalho

enquanto voc� amea�a pessoas com suas armas.

Tenho mais o que fazer.

Claro, sua faculdade. Acha que � melhor por isso?

Isso n�o mudar� nada. Sabe como vai terminar?

- N�o, me conte. - Voc� faz tudo por um t�tulo.

Acha que vai ficar tudo bem. Mas ainda que se forme,

vai perceber que seu t�tulo n�o serve para nada.

Porque voc� sempre ter�

a cor da pele errada e o nome errado.

Isso � bobagem.

�? E o que me diz da mam�e?

A mam�e � bioqu�mica.

Ela trabalha como tempor�ria para uma ag�ncia de merda.

Por que voc� se daria melhor?

Seu bilhete?

Sabe por que pedi que viesse aqui?

O que as grandes batalhas hist�ricas t�m em comum?

As duas partes se encontram em um ponto.

� exatamente este o tema de hoje.

Voc� precisa aprender a localizar o campo de batalha.

� o primeiro passo de todos os debates.

A prepara��o, a pesquisa,

a escolha dos temas.

E todo o que v� aqui pode ser de grande ajuda.

N�o existe apenas a Internet. Ent�o, escolha um tema.

Certo.

Digamos

As pessoas ainda devem se casar?

Escolha outro.

Por qu�?

- Pode ser este, mas voc� � contra. - Certo.

Pesquise o tema, encontre argumentos.

Eu a verei na sala de confer�ncias em trinta minutos.

Seja pontual.

Inicialmente algu�m pode pensar que o casamento � algo bom.

Dois amantes que dizem sim e ficar�o juntos para sempre.

Um belo pensamento.

Mas isso n�o tem nada a ver com a realidade.

De fato,

mais de um ter�o dos casamentos terminam em div�rcio.

Se a avia��o civil tivesse essa m�dia de �xito,

ningu�m continuaria voando.

Ent�o por que embarcar no casamento

se est� fadado a cair?

Especialmente porque junto com essa estat�stica

se demonstrou

que o casamento tem efeitos negativos

graves a longo prazo no corpo e na alma.

Um recente estudo estadounidense

descobriu que rec�m-casados se descuidam

e engordam muito

o que permite o desenvolvimento de outras doen�as como obesidade,

diabetes e insufici�ncia card�aca.

Por isso, a longo prazo,

o casamento levar� � morte.

Ent�o, cuide da sua sa�de. Fique solteiro.

Muito obrigada por sua aten��o.

- Tentou ser engra�adinha? - Sim.

Ent�o deixe isso de lado.

Humor reduz credibilidade e integridade.

Os melhores discursos se fazem sem ele.

Pode imaginar Eu tenho um sonho, de Martin Luther King, feito com humor?

N�o quero deixar o humor. � o meu estilo.

- Seu estilo? - Sim, � meu estilo.

Bem, tanto faz.

Sua apresenta��o foi pass�vel, mas n�o completamente.

Voc� ficou se remexendo, como se estivesse sobre um formigueiro

E sua fraseologia foi...

Como devo dizer?

Inferior.

Inferior.

Sim.

Com discurso inferior, voc� n�o cativar� a audi�ncia.

Nem mesmo os de classe inferior.

Venha comigo.

Para onde?

Agora voc� honrar� o homem que deu nome a essa Universidade.

- Fausto, j� ouviu falar dele? - Sim.

Fausto: A trag�dia, parte um. Leia em voz alta.

O qu�?

N�o posso fazer isso.

O palco � seu!

"Encontro-me qual dantes;

em nada me risquei do rol dos ignorantes

Mestre em artes me chamo; inculco-me Doutor;

Mais forte!

Isso � um absurdo.

A� trago em roda viva um bando de crendeiros,

meus alunos... de nada, e ignaros verdadeiros.

Por acaso voc� fumou muito crack?

Sim, fumei.

O que s� liquidei depois de tanta lida, foi que a humana inci�ncia � lei nunca infringida.

Ela fala como o av�, em O Senhor dos An�is.

Sei mais, sei mais, isso � verdade

do que toda essa r�cua inchada de vaidade:

lentes e bachareis, padres e escrevedores.

J� me n�o fazem mossa escr�pulos, terrores..."

O que voc� est� fazendo � vergonhoso.

Cuidado, fada do bosque.

- Chegou a hora... - Veja como se faz.

-tirar o drag�o de Mordor.

Sei mais, sei mais, isso � verdade

do que toda essa r�cua inchada de vaidade:

lentes e bachareis, padres e escrevedores.

J� me n�o fazem mossa escr�pulos, terrores

de diabos e inferno, atribulados sonhos

e mart�rio sem fim dos �nimos bisonhos

Mas, com te suplantar, fatal credulidade

Ah! nem a de iludir-me e crer-me s�bio.

De maus fa�a bons, torne bons melhores;

Muito bom, eu gosto.

Lucro, sequer, eu pr�prio?

Ambiciono opul�ncia, e vivo pobre, quase � beira da indig�ncia.

Os pr�prios c�es da rua n�o quereriam dar em troco desta a sua.

S� falta recorrer �s artes da magia."

- Oi. - Oi, tudo bem, amigo?

Oi, Mo. Tudo bem?

- Achei que beber�amos mais uma rodada. - Calma, cara,

- S� vou lev�-la para casa. - Est� bem.

N�o precisa fazer isso. � a sua festa.

Desde que me tornei um batata, preciso de um tempo.

A minha foi inofensiva.

Na festa da batata do Milo, tudo era de batata,

batatas fritas, salada de batatas,

batatas gratinadas, batatas em cunha, batatas duquesas.

Batatas duquesas?

Sim, s�rio. Batatas duquesas.

Eu vou indo.

Eu tamb�m.

- Est� bem. - Certo.

Boa noite.

Posso subir para um caf�?

Vamos come�ar em breve. Venha, por favor.

� a senhora Hamid. Sem colete suicida hoje.

E ela � Bogdana, a melhor faxineira desta Universidade.

- Oi. - Oi.

Pedi que ela fosse nossa grande jurada

por um modesto pagamento, claro.

- Grande. - Claro.

Vamos logo, pois a Bogdana � paga por minuto.

O exerc�cio � o seguinte.

N�s tr�s em um bal�o de ar quente

com perigo de cair.

Mas se jogarmos um dos passageiros

os outros dois sobrevivem.

- Por que far�amos isso. - Irrelevante.

O que importa � que cada um apresentar� seus argumentos

� nossa capit�. Bogdana.

Por que n�o devemos ser lan�ados fora.

Certo. Entendido.

Para nivelar a disputa, j� que a vida de um professor

� mais importante que a de uma imigrante

teremos uma nova identidade.

Voc� ser� Dietmar Bohlen.

Dieter.

Isso, Dieter.

N�o quero ser Dieter Bohlen.

Essas s�o as regras. Eu decido.

Ent�o voc� � Bushido.

E o que � Bushido?

Um rapper mis�gino e homof�bico que lhe cai muito bem.

Certo.

Bogdana, quer se sentar? Pode come�ar.

Certo. Eu sou Dieter Bohlen.

Dei muitos sucessos � Alemanha, como

"Brother Louie, how you do-ee, do-ee, do-ee".

Sou muito atraente. E tenho dinheiro.

Muito dinheiro que, obviamente

dividirei com a capit� do bal�o.

Fui jurado em muitos programas

populares da Alemanha.

Se n�o fosse por mim, quem deixaria os piores cantores de lado

e ganharia muito com os bons?

Sem mim, voc�s n�o teriam com quem se irritar

e a vida seria muito entediante.

Al�m disso, � importante ter o conceito de um inimigo, n�o �?

Al�m disso, me falta escrever muitos sucessos

e eu gostaria de faz�-lo

para ado�ar a vida das pessoas com eles.

Minha querida capit� do bal�o, agrade�o muito sua aten��o.

Tenho certeza que perceber� que sou insubstitu�vel.

Acabou?

Sim.

O prop�sito deste debate surpreendente

era mostrar algo muito importante.

Dei muitos sucessos � Alemanha

Percebe que se contorce como se estivesse na corda bamba?

Sou muito atraente. E tenho dinheiro.

De fato. Meu corpo se move e eu nem percebo.

- O que � isso? - Um daqueles sinos dos gatos.

Prenda isso na sua cal�a, por favor.

E agora, mexa-se.

Use sempre.

Para que quando o escute, saiba que deve se mexer menos.

Certo.

Nos vemos amanh� antes da sua primeira competi��o.

Se formos bem, vamos continuar at� Heildelberg

e depois a toda a Rep�blica.

Vai ficar tudo bem, Dieter.

Tr�s chic.

FRANKFURT PR�-SELE��O

Senhoras e senhores, bem-vindos,

� pr�-sele��o para nosso concurso de debates

para todas as universidades da Alemanha.

Vamos come�ar imediatamente. As primeiras a competir s�o

Johanna S�rger e Naima Hamid,

ambas da Faculdade de Direito.

E como voc�s j� foram informados, v�o debater sobre o tema:

"O h�bito faz o monge?

Uma a favor, uma contra, como sempre sorteados nos dados.

Ambas tiveram meia hora para se prepararem e felizmente

conseguiram sair da biblioteca.

Que a melhor estudante ganhe.

Como os gregos antigos diziam:

Um macaco sempre ser� um macaco, mesmo que se vista de p�rpura.

A roupa n�o faz a pessoa e menos ainda o h�bito

faz o monge.

Ainda assim, devemos notar que o mundo est� cheio desses macacos

que querem esconder

o que realmente s�o, ou seja, macacos.

N�o podemos culp�-los por isso. � a vida.

O pobre quer se vestir e se ver como rico.

E paradoxalmente, agora a ep�tome da eleg�ncia

entre os ricos � se vestir como os mendigos.

Usamos botas Valentino desgastadas

e jeans Chanel rasgados.

- Principalmente voc�. - Sim, n�o me excluo.

Felizmente a maioria das pessoas n�o � enganada muito tempo.

Hoje em dia, qualquer garoto pode diferenciar instintivamente

algu�m da classe alta e da classe baixa.

Um cachorro de ra�a e um cachorro vira-lata sarnento.

N�o � verdade, Naima.

Vejam os mu�ulmanos, por exemplo,

que agora cada vez mais se misturam

a n�s, usando a arte do disfarce.

Fazem suas barbas, bebem champanhe,

dormem com putas e ao fazer isso,

se vestem como voc�s e como eu.

Com isso, ocultam os b�rbaros que sempre foram

e sempre ser�o.

- Isso est� indo longe demais. - Voc� acha?

- Sim. - S�rio que

n�o posso expressar livremente a minha opini�o?

- Apegue-se ao tema. - Entendido.

Meu argumento � que esses b�rbaros querem ser

mas nunca ser�o como n�s.

Sustento que o h�bito, por nenhuma raz�o, faz o monge.

Uma minissaia n�o faz algu�m puta, nem o v�u faz um santo.

Obrigada pela aten��o.

Senhorita Hamid, voc� tem a palavra.

Se o h�bito n�o faz o monge,

o que o faria ser um homem de Deus?

Todos nascemos para rezar como santos?

N�o.

Voc�s e eu sabemos.

Que antes devemos vestir o h�bito.

Ent�o o h�bito nos d� o desejo de servir a Deus.

O h�bito cobre o monge

e o faz o que �

e o que quer ser.

A maneira pela qual nos apresentamos ao mundo

reflete o que somos.

Ent�o permitam-me dizer que...

Permitam-me dizer que...

A roupa faz as pessoas.

Porque para se converter em um homem de Deus

voc� deve aceitar o h�bito.

Ent�o o h�bito n�o significa tamb�m que o juiz

ao entrar em audi�ncia

ele se transforma de cidad�o comum em juiz?

- Muito eloquente. - Senhorita S�rger.

Sim.

Mantenha a calma.

Eu podia escutar o sino da �ltima fileira.

Voc� precisa aprender a se controlar.

Mas voc� escutou como ela me insultou.

Sorte sua.

Se ela n�o tivesse sido desclassificada, voc� estaria fora.

N�o leve para o lado pessoal. Nada.

Para ganhar, n�o deve se importar com o que pensam.

Ou esperam de voc�.

Mas quando estou furiosa,

n�o consigo pensar direito.

Mas deve faz�-lo.

Pode me usar como v�lvula de escape para seus insultos depois,

- O qu�? - Sim.

� bem cat�rtico.

Para que mais estou te treinando?

Bem, � isso. N�o vou repetir.

- S�rio? - Sim.

Marionete.

Idiota.

O que disse?

� que voc� disse que...

Voc� pode fazer melhor do que isso.

Maluco.

Quando eu olho para a sua cara,

lembro que ainda tenho que colocar o lixo para fora.

Inspirador.

Se seus pais tivessem ido

caminhar por cinco minutos ao inv�s de ir para a cama,

eu n�o teria que lidar com seus discursos

absurdos e p�ssimas notas.

Quer saber? Enfia no rabo.

Sim, a verdade � a que mais d�i.

Sinceramente,

Voc� � t�o �nico que espero que continue assim

Merda.

Voc� j� tem filhos.

Nunca imaginei.

S�o t�o gordos que precisam de um c�digo postal cada um.

- Obrigado, foi suficiente. - S�o t�o feios que...

Chega.

Terminamos por hoje. Vejo voc� amanh�.

N�o, em teoria... Um debate � como

uma batalha de rap, mas sem m�sica.

A cappela?

Sim, em teoria, a cappela. Mas insultam educadamente.

Educadamente quanto? S�o mais brandos?

Nada brandos. � uma loucura, sem brincadeira.

Por que voc� � t�o frio comigo?

Eu?

Sim.

Acho que agora entendo.

Eu os tra� por estudar.

Eu nunca disse isso.

Mas eu j� entendi.

S� me interesso por livros, debates e professores.

Esque�o as minhas ra�zes. N�o tenho tempo para voc�, n�o �?

- Est� dizendo que... - Que nojo de mim.

Tomo um caf� supervalorizado.

Acabei virando um clich�.

Voc� est� dizendo bobagens.

Eu posso ver. Posso ver nos seus olhos.

Voc� me odeia. N�o me respeita mais, eu te entendo.

N�o te odeio de jeito nenhum.

Se me amasse, � claro que teria dito.

Claro que te amamos.

Os outros ainda sentem carinho por mim, pelo que eu era.

Mas voc�, voc� me conhece bem.

Viu como eu mudei e n�o me ama mais.

- Eu posso sentir. - Esque�a isso.

� claro que te amo. Sempre te amei.

O qu�?

Foi uma estrat�gia.

Anticat�stase.

Usar ironia e eufemismo

para descrever uma situa��o em situa��o diam�trica

com a realidade.

Cara, ela usou uma estrat�gica com voc�.

O seu nascimento foi uma estrat�gia.

- Cai fora! - O telhado n�o � seu.

Melhor se calar.

Olha, � melhor se acalmar.

Bem. Onde est�vamos?

Voc� disse que me ama.

Que nojo! S�o amigos desde os dois anos de idade!

� incesto!

- E a�? - E a�?

Ele te atormenta muito?

- O professor. - Certo. N�o.

Na verdade, n�o � o monstro que todos pintam.

Isso n�o ajuda em nada a acalmar os rumores.

Que rumores?

De que voc�s...

Voc� sabe.

O qu�?

Claro que n�o.

As pessoas se perguntam por que ele a ajuda.

N�o fa�o ideia.

Creio que a verdade � que estava entediado.

Eu o divirto.

Se estou perto ele tem a quem incomodar.

Faz sentido.

Ele deve sentir falta de se soltar no tribunal.

Ele era advogado de defesa?

Sim. Um dos melhores.

Sempre na m�dia. Nunca perdeu.

Por que parou, ent�o?

- O qu�? - � s�rio que voc� n�o sabe?

Ele perdeu a filha h� anos.

N�o voltou a trabalhar como advogado.

Nossa.

O que aconteceu?

Acidente de carro.

Sei que sua esposa sobreviveu, mas a filha n�o.

E a�, j� tem planos para essa noite?

- Sim. - E amanh�?

Amanh� tamb�m.

Bem, ent�o...

At� depois, Naima.

At� logo, Benjamin.

Sab�a que o telefone � a �ltima gera��o do progresso

e est� os tornando zumbis?

Primeiro a roupa e agora o telefone.

Essas mensagens de voz. Selfies...

Cora��ezinhos...

LOL. YOLO.

O que quer dizer YOLO?

"S� se vive uma vez", em ingl�s.

� uma perspectiva.

Talvez voc� devesse se deixar levar

pelo tempo.

E se o tempo estiver errado?

E essas redes sociais ac�falas

onde legi�es de lun�ticos descarregam suas bobagens,

j� que na vida real n�o t�m nenhum prop�sito nem meta.

S�o pessoas t�o vazias que nunca conseguem se superar.

Creio que isso � viver em democracia.

Sim, tudo tem seu lado obscuro.

Preciso me distrair. Se n�o, ficaria muito ansiosa.

N�o se coloque tanta press�o.

Voc� n�o vai chegar � final, de qualquer forma.

S�rio?

A concorr�ncia � muito forte

e a experi�ncia demonstra que ser� mais dif�cil a cada rodada.

Certo. Obrigada.

N�o agrade�a.

HEIDELBERG RODADA PRELIMINAR

Com o que est� entretida?

Est� tudo bem?

Estou muito preocupada.

Sinto que quanto mais me preparo, mais tenho medo e n�o consigo evitar.

Esperava n�o ter que fazer isso,

mas tenho uma arma secreta

que sempre me ajudou em grandes julgamentos.

E qual �?

N�o sei se devo...

Compartilhar essa arma, que � super secreta.

Claro que sim.

Por favor

Dan�ar.

O qu�? Como assim?

Dan�ar.

Voc� dan�ava antes de entrar no tribunal?

Pelo menos uma vez.

N�o ria. Com isto, voc� pode dominar o mundo.

Por favor, n�o conte a ningu�m.

Venha comigo.

Vamos sacudir todo esse nervosismo.

Desculpe. Gostar�amos de come�ar

quando terminarem o ensaio geral.

Depois de escutar Laura Jost, da Universidade de T�bingen

com o tema: O Isl� � uma religi�o perigosa?

Escutaremos Naima Hamid, da Universidade de Frankfurt.

Ela se opor�;

Boa tarde, senhoras e senhores.

As-salamu alaikum.

Vamos come�ar com uma confiss�o.

O ataque ao Charlie Hebdo.

O 11 de setembro.

O ataque ao mercado de Berlim.

Foram minha culpa.

Por tudo isso, como mu�ulmana, me declaro culpada diante de voc�s.

Ent�o � melhor que a prendamos agora mesmo.

Podem fazer isso, mas me deixem terminar o discurso antes.

J� adianto que voc� tamb�m terminar� na pris�o.

O Isl� n�o deve ser considerado mais perigoso que outra religi�o.

O que �, me parece, uma declara��o muito valente.

Aqui na Europa, apenas no s�culo vinte

seis milh�es de judeus foram assassinados por crist�os.

Mas se est� � a linha de racioc�nio, se juntar as pessoas

da mesma religi�o

Ent�o todos t�m sangue de seus ancestrais nas m�os.

� um fato que na Europa

h� muitos crimes

cometidos em nome do cristianismo

A ca�a �s bruxas, as cruzadas,

O assassinato de protestantes depois da reforma

Esqueceram disso?

Voc�s acusam o Isl� por passagens como essa:

"Seus filhos ser�o despeda�ados diante deles;

Suas casas ser�o saqueadas e suas mulheres violadas."

N�o � assim, senhorita Jost?

Est� na B�blia.

Isa�as 13:16.

E talvez isso os surpreenda,

mas eu continuo crendo que o cristianismo est� fundamentado

na bondade, respeito e principalmente no altru�smo.

Um mandamento da Tor�.

Ainda que essa passagem esteja na B�blia

cada religi�o, cada ideologia,

cada livro pode ser mal interpretado

ou usado para seus prop�sitos.

Al Qaeda, Boko Haram, Estado Isl�mico, todos,

todos invocam o Cor�o.

Mas...

s�o mesmo mu�ulmanos?

O que eles fazem...

� mesmo motivado pela religi�o?

Pelos olhos

da comunidade isl�mica e seus eruditos,

n�o � o caso.

E outra coisa que n�o podemos esquecer:

estamos falando de uma religi�o mundial

a que pertencem 1,8 bilh�es de pessoas.

Voc�s acreditam que 1,8 bilh�es de pessoas concordam

com uma religi�o de viol�ncia?

Ou s�o, talvez...

simplesmente...

mu�ulmanos pac�ficos,

que crescem espiritualmente atrav�s da religi�o?

Que s�o ajudados, acompanhados e consolados

por ela em sua vida cotidiana?

Voc�s acham mesmo que o Isl� � o Mal?

Ou que s�o indiv�duos que abra�am...

o Isl� com seu �dio contra a sociedade

pela qual se sentem oprimidos e ignorados.

Permitam-me resumir.

O Isl� de maneira alguma glorifica a viol�ncia,

nem � uma religi�o perigosa.

As-salamu alaikum. Que a paz seja com voc�s.

- Aqui est�. - Obrigado.

Acha mesmo que � bobeira?

O qu�?

Que um adulto fa�a isso.

N�o, n�o acho.

Mas voc� � engra�ado.

Eu conheci por causa da minha filha. Ela amava.

Voc� sabe, n�o �?

Minha esposa e eu...

brigamos.

Por minha culpa.

Na raiva, ela acordou a nossa filha

e a colocou no carro para ir para a casa da m�e dela.

Quando liguei para me desculpar, um param�dico atendeu.

Sinto muito.

Eu era um idiota antes disso, tamb�m.

Quando eu era crian�a, pensava que se fosse advogada,

ningu�m me faria uma injusti�a.

Me pareceu tranquilizador.

Quem dera seu irm�o aprendesse alguma coisa com voc�.

Acho que ele precisa de um bom exemplo �rabe.

Isso n�o � desculpa. Outros conseguiram.

Talvez voc� possa ser exemplo para ele.

Eu?

- Eu s� sou um taxista. - E da�?

Voc� � respons�vel e � um excelente taxista.

Acho melhor voc� ir.

Por qu�?

- Porque minha m�e logo vai chegar. - Ah, sua m�e...

Ela � legal. Ela gosta de mim, vou ficar.

- Vai embora. - N�o.

- Vai embora. - N�o.

- Vai embora. - N�o, Naima, vamos.

Vai embora.

Naima, me diga... Na verdade eu queria dizer algo.

Quer sair para jantar comigo?

Se quiser.

Nada de kebab.

Eu e voc� em um bom restaurante.

Se voc� quiser ir, claro.

Se quiser.

Claro, por isso estou perguntando.

O qu�?

- Nada. - Est� dando uma de sabichona de novo.

N�o, n�o.

Nunca faria isso.

N�o quer dizer mais nada?

Tudo bem, senhora professora. Eu entendo.

Mo!

Mo!

Claro que quero ir jantar com voc�.

Viu? Usei uma estrat�gia.

Escute.

�s vezes me expresso mal.

Mas sempre digo o que eu penso.

Tenho medo de que seu novo mundo fique entre n�s.

Que chegue um riquinho metido.

Que te convide gramatricalmente correto.

Gramaticalmente.

Tudo certo?

Se os m�dicos dizem que n�o � t�o ruim,

ent�o ele melhorar� logo.

Sim, ele vai.

Mas n�s n�o.

Estou aqui, n�o fiquei com ele e n�o o substitu� no trabalho.

� complicado.

Temos direito de perman�ncia,

mas s� se conseguirmos pagar moradia

na comunidade com nossos recursos,

e s�o 1.530 euros por m�s para quatro pessoas.

- S�rio? - Sim.

Nos �ltimos quatro anos

consegui ajudar a juntar o dinheiro.

Pensei que poderia fazer algo por mim.

� justo.

Mas se n�o juntarmos o dinheiro

temos que sair da Alemanha.

S�rio? Eu n�o sabia.

� um absurdo.

Todos nascemos aqui e meu irm�ozinho nem sabe falar �rabe.

N�o poderia ir � escola no Marrocos.

Poderia trabalhar em um escrit�rio.

Os trabalhos de meio per�odo pagam bem.

N�o consegui est�gios.

Em quais se inscreveu?

C.K.P, M�ller and Lichter, Tauber-Ziegler-Brand.

Todos os escrit�rios de Frankfurt.

Schneider y Pr�hl tamb�m?

Claro.

Duas vezes.

Sabe que muitos deles

acompanham essa competi��o de perto?

Obrigada, mas isso n�o me serve agora.

O que est� acontecendo no momento � o pior pesadelo da minha m�e.

Senhoras e senhores, passo a palavra para Naima Hamid.

Senhora Presidente.

Honor�vel j�ri. Juro dizer a verdade

somente a verdade, nada al�m da verdade.

Embora minta um pouco.

Mas a minha verdade talvez n�o seja a sua.

LEIPZIG OITAVAS DE FINAL

Mas toda a verdade deve ser falada?

Voc�s teriam coragem de dizer a uma crian�a na noite de Natal

que Papai Noel n�o existe?

Teriam coragem de dizer a uma pessoa em seu leito de morte:

o para�so n�o existe?

BERLIN QUARTAS DE FINAL

Desde 20 de maio de 2016

As normas de produtos

de tabaco da Uni�o Europeia exigem

a inclus�o de imagens impactantes nos pacotes.

At� agora n�o se demonstrou

que essas pequenas fotos de pulm�es de fumantes

tenham afetado aos consumidores.

O consumo de carne demonstrou

ser parte da cultura coletiva de supress�o.

Uma raz�o para isso foi que os an�ncios normalmente

d�o uma ideia errada sobre a pecu�ria.

O consumidor � enganado com fotos

de pastos verdes e porquinhos felizes.

O que deve acabar. Por isso, sou a favor

de que os produtos pecu�rios venham marcados

com imagens impactantes

para ilustrar o sofrimento dos animais.

E surtir� efeito.

COLONIA SEMIFINAIS

Senhorita Hamid,

Os pais devem obter licen�a parental.

Nessa �poca, n�o � comum

passar por treinamento

antes de assumir a responsabilidade por uma atividade?

Precisamos de licen�a

para dirigir um carro ou uma moto.

Ou na Baixa Sax�nia, para ter um cachorro.

Agora eu pergunto...

Se para ter

um carro ou um cachorro, se exige uma licen�a

- Vem comer? - Em um instante.

Os pais n�o deveriam ter uma licen�a para pais

e fazer cursos para o cuidado adequado

que devem dar aos seus filhos?

Vejam, � o professor.

Doutora Sandra Schneider.

N�o pode ser. H� quanto tempo n�o nos vemos.

- Tinha que ser em Col�nia. - Sim.

Estamos liquidando uma empresa de DBV.

DBV? Que bom!

N�o � pouco para a senhora, doutora?

Professor, para quem

n�o d� aulas na universidade, como o senhor,

temos que baixar os padr�es, �s vezes.

Vejo que n�o mudou nada, Sandra.

Mas voc� sim.

� uma jovem impressionante

e me parece que seria boa para n�s.

Certamente. Mas nem sempre essa foi sua opini�o.

Perdi alguma coisa?

A senhorita Hamid j� se inscreveu em seu escrit�rio.

- J�? - Duas vezes.

S� queria um est�gio, pesquisar um pouco,

assistir. Mas foi rejeitada.

Seu departamento de recrutamento j� foi melhor.

Minha av� sempre disse para eu pensar que � uma p�.

Pegue o p�o, corte um peda�o e use como p�.

Uma p�.

Usar como p�.

- � bom. - Sim?

Sabe o que � um absurdo?

Quando consegue falar bem

se esquece como � f�cil dizer as coisas simples.

Um segundo. Sinto muito.

Emoticons e cora��es?

Quem � o sortudo?

O nome dele � Mo.

Mo?

Mohammed.

Como o profeta?

Sim.

Mas � um pr�ncipe.

N�o sabe ainda. Mas �.

Tem um cora��o de ouro e n�o tem medo de nada.

Quando estou com ele tamb�m n�o tenho medo.

�s vezes me faz rir tanto que tenho que gritar.

O que ele faz.

� taxista.

O qu�?

Nada.

Voc� n�o acha que um pr�ncipe possa dirigir um t�xi?

Sim, se voc� diz.

Sou t�o convincente que voc� admite que eu tenho raz�o?

Voc� �.

Se n�o, n�o teria chegado � final.

Beba.

- Bebo. - Sim.

Senhoras e senhores

Gostaria de pedir a todos que aplaudam

Naima Hamid,

que nos representar� amanh� aqui em Frankfurt.

Como todos sabem, falar n�o � a praia dela.

Por isso, permitam-me dizer algumas palavras.

Naima.

Gostaria de agradecer por levar a nossa universidade

at� este lugar. At� a final.

Para mim, como admirador deste concurso,

� um pequeno sonho realizado.

Obrigado tamb�m a voc�, meu querido Richard.

Porque at� o melhor aluno precisa de um professor.

De um mentor.

E creio que voc� cumpriu perfeitamente esse papel.

Obrigado por isso.

Acredite em voc� e n�o ter� com que se preocupar.

Estamos entendidos? Nada a deter�.

Fique bem. At� logo.

Obrigada.

Voc� me enganou com a sua hist�ria.

Que hist�ria?

Esquece. Todos sabemos como funciona.

Como funciona o qu�?

- Seu acordo. - Que acordo?

Vai ficar repetindo o que eu falo?

A junta disciplinar,

e voc� agradecendo diante de todos.

� uma coincid�ncia?

Agora voc� � a estrela da universidade.

E ele continuar� sendo racista.

Parab�ns.

Bem feito.

� verdade?

� verdade?

JURADO

Senhoras e senhores, bem-vindos

ao concurso de debate alem�o aqui em Frankfurt.

Ei.

O que faz aqui?

Est� tudo bem com Junis?

Pode me dar um abra�o?

Anime-se. Olhe para mim.

Mo, ele me usou para n�o perder o emprego.

E da�? Voc� tamb�m.

Voc� tamb�m o usou.

Ele n�o te ensinou nada?

N�o te fez melhorar?

Al�m disso, voc� n�o fez por ele.

Fez por voc�.

Pela sua m�e, pelo seu irm�o.

E um pouco por mim.

Sinto dizer isso, mas...

Est� cometendo um erro.

Suba. Venha.

Vamos!

Damos as boas vindas � parte a favor,

do Clube de Debate M�nster,

Regine Prona.

Mas o que seria de um debate sem a oposi��o?

� algu�m da casa que vai ser a oponente.

Damos as boas vindas a Naima Hamid, de Frankfurt.

Provavelmente est� com medo do palco. Vamos dar a ela mais uns minutos.

Sinto muito, Naima.

N�o importa o que pense de mim.

Gostaria de dizer algo. N�o precisa dessa competi��o.

Voc� � incrivelmente boa e de uma forma ou de outra

vai encontrar seu caminho.

Fico feliz que tenha vindo.

N�o vim por voc�.

�?

A mam�e disse que voc� perdeu a final.

Se veio me dar um serm�o por n�o ter me apresentado,

nem comece.

Vim dizer que vi os v�deos das suas competi��es.

E acho que voc� � boa.

Voc� viu?

Sim, voc� os destruiu.

Estou orgulhoso de voc�, irm�.

Obrigada.

A lei administrativa � a lei

do Poder Executivo para a administra��o.

O governo em particular,

regula a rela��o entre o Estado e seus cidad�os,

mas tamb�m o funcionamento das v�rias

institui��es administrativas e as suas rela��es entre si.

Assim como a prote��o jur�dica do cidad�o

contra os atos do Poder Executivo.

Portanto, � diferente do direito privado.

Bem, com isso me despe�o.

Por favor, lembrem-se de ler os comunicados no sagu�o

para os grupos de estudos. Tchau.

- Oi? - Oi.

Aqui � a senhora Thiem, do escrit�rio de advogados de Schneider y Pr�hl.

- Senhorita Hamid? - Sim?

Posso transferir para a doutora Schneider?

Senhorita Hamid?

Al�?

Al�?

- Sim, claro. - Um momento.

"Trocamos beijos apaixonados

em muitas noites maravilhosas.

Embriagamos almas famintas com gemidos.

Nos amamos at� nos cansar. E ainda que nos am�ssemos,

nunca saiu de nossos l�bios

uma palavra de ternura."

Escutaram a beleza desses versos?

Muito mais emocionantes e pervertidos

que seu YouPorn, n�o �?

F�lix D�rmann por causa destes versos no final do s�culo 19

por ter se atrevido a insultar a moral p�blica.

Sim, naquela �poca as palavras tinham poder.

Tanto que sua poesia foi banida.

Hoje n�o se v� algo do tipo.

O que te indigna � a discrimina��o na porta da boate.

Ou que a sua sopa de cenoura de 16 euros est� morna.

E com isso, os deixo ir almo�ar.

Ah, claro.

Alguns de voc�s ter�o notado

que esta tarde n�o teremos aula.

Porque tenho uma reuni�o imoortante.

Ent�o, se eu n�o voltar a v�-los, me despe�o de voc�s.

Aproveitem sua vida privilegiada

e seus trabalhos bem pagos, agora que ser�o advogados.

Bom apetite.

Estudantes de origem imigrante que escondem suas anota��es

em suas burkas que ficam aqui por tr�s meses...

Essa � a quinta prova,

um v�deo online de outubro do ano passado.

Sim, entre.

Boa tarde.

O que deseja?

Por favor, saia.

Esta n�o � uma audi�ncia p�blica.

N�o posso fazer isso.

Voc�s est�o aqui hoje para discutir

um assunto que diz respeito a mim, mais do que a qualquer um.

Est�o falando sobre trapacear com burkas

e "Pepsi-Carola", "Samira" e eu, n�o �?

Est�o aqui

pelas obscenidades

e abusos em sala de aula do professor Richard Pohl.

Creio que eu deveria participar.

Sim. Por favor.

Obrigada.

Vim confirmar que diante de voc�s

est� sentada uma das pessoas mais repugnantes que eu conheci.

Obrigado, Senhorita Hamid.

- Mas n�o creio que... - Deixem-na.

Deixem que fale. Quero que a escutem.

O professor Pohl � um c�nico.

No sentido mais triste da palavra.

N�o acredita em nada.

Odeia sua �poca e a sociedade que a acompanha.

N�o respeita nada nem ningu�m. E isso n�o mudar� no futuro.

Claro, ele confiou em mim.

Pero o fez por suas pr�prias ambi��es.

N�o teve vergonha de fazer acordos pelas minhas costas

para poder ser beneficiado.

Sim. Continue, por favor.

Quando eu penso em Richard Pohl

Penso em um homem que n�o tem nada al�m de palavras.

Muitas palavras.

Palavras que o deixam insens�vel.

E suas diatribes e pausas e suas grosserias,

suas Pepsi-Carolas e Samiras n�o devem ser perdoadas.

Coloquem-no no cepo.

Queimem sua est�tua.

Para que os estudantes dancem sobre suas cinzas ardentes.

Embora tenha demonstrado compreens�o e generosidade para comigo,

que eu nunca esperei de um professor.

N�o importa que seja a encarna��o da paix�o

e dedica��o,

ou que fa�a que as vidas sejam melhores.

Ele oferece a perspectiva de que tudo � poss�vel com ele.

Ou poderia ser.

Que essa garota �rabe de Frankfurt,

h� algumas semanas

p�de representar a universidade na final do debate nacional.

Vou me lembrar do professor de doutrina.

De um palestrante inabal�vel

que se coloca na trincheira por uma causa,

um problem�tico, um pessimista confiante.

Um s�rdido com cora��o.

Um homem de contradi��es

que me fez sentir necessidade de dar tudo

que me deu as ferramentas para faz�-lo,

que me fez ser firme.

Um homem cujas palavras me ensinaram

Que eu posso conseguir tudo o que quiser.

Um homem que me mostrou

que eu n�o preciso me esconder.

Mas que devo confiar em meu pr�prio caminho.

Sim.

Tudo isso eu aprendi com o doutor Richard Pohl.

Eu, Naima Hamid, residente de Frankfurt am Main,

nascida em 29 de maio de 1996,

filha de Lial Hamid e Bouziane Hamid.

Obrigada por me escutarem.

Naima!

Naima!

Quando... Quando consegue falar bem,

voc� se esquece como dizer as coisas simples.

� por isso que s� direi...

Obrigado.

Voc� acredita no que disse ali dentro?

Algu�m me disse que a verdade � secund�ria.

Sabe,

no come�o eu s� estava fazendo aquilo para

Como posso dizer?

Salvar minha pele.

Pensei que passaria uma ou duas rodadas ou que desistiria

depois de um tempo, mas...

Comecei a gostar de voc�.

Estava fascinado com cada �xito e avan�o seu.

O qu�?

Voc� se dirigiu a mim de modo informal.

Certo.

Voc�, estorvo evolutivo.

Obrigada, cara de alm�ndega.

Nada mal.

Mas eu n�o te insultei.

S� te descrevi.

Touch�.

Mas, honestamente, voc� � t�o velho

que quando era crian�a o arco-�ris era branco e preto.

Voc� � boa em tudo, mas n�o serve para nada.

Sim.

Mas n�o preciso me esconder quando recolhem o lixo.

Para onde vai?

Para l�.

Posso te acompanhar?

Se eu n�o tiver que recitar Goethe outra vez.

Entendido.

Quer ouvir um insulto da minha cultura?

Sempre estou disposto a me cultivar.

N�o me diga. O que significa?

Vou peidar na barba do seu pai.

- Espero que tenha inventado isso. - N�o.

Essa � uma das piores formas de insultar algu�m.

Tamb�m tenho uma.

Qual �?

Vou peidar na barba da sua m�e.

BOA SORTE EM SEU PRIMEIRO CASO

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