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-Boa noite. -O que faz aqui? V� para casa dormir.
Viva o chefe!
L� vem o Cavalheiro
Ali est� ele.
Est� chegando.
Romano, traga para mais perto.
Mais. Est� bom.
Federico. Eles chegaram.
Boa noite.
Desculpe-nos, Sr. Fellini.
Sabemos que a entrevista estava marcada para amanh�...
mas um passarinho nos contou que estaria aqui, hoje � noite.
Voc� � o passarinho?
Federico! Sabia que diria isso.
Ele est� certo.
Vamos. For�a! Devagar, meninos.
Me d�. Me d�.
-Ele est� vindo? -Doutor, n�o vai subir conosco?
N�o, confio em voc�s. Eu imagino daqui mesmo.
Quando virem o telhado do est�dio, parem.
-Sim, sim. -O que eu te disse?
O megafone. Eles n�o v�o nos ouvir daqui de cima.
� melhor pegar o megafone.
Romano, venha mais para frente. Acenda os holofotes.
Vire-os para mim.
Romano, levante-os enquanto subimos.
Mire as luzes para os pinheiros.
Fiammetta, Daniela, voc�s n�o podem ficar aqui.
Roberto, v� para sua cabine.
Voc� precisa passar a altura daqueles pinheiros.
Est� vendo o Est�dio 5? Est� vendo o telhado?
Maurizio, responda!
Colocamos as luzes naquele outro guindaste...
para criar um efeito de luz da lua.
Ainda muito baixo.
Temos que ir mais alto para ver o telhado!
Posso perguntar que filme est�o fazendo?
Um filme que come�a com o cl�ssico sonho...
de estar voando.
Voc�s devem ter o mesmo sonho no Jap�o.
Sim, claro.
Tonino, d� o zoom devagar...
como se estivesse planando sobre o est�dio.
Tonino!
A� est� o Est�dio 5! � lindo daqui de cima!
D� para ver o aqueduto romano!
A �rea inteira!
Mas est� tudo tremendo.
Precisamos de mais fuma�a aqui.
O megafone n�o funciona. As pilhas est�o descarregadas...
Este sonho me levava a um lugar escuro...
inquietante mas, ao mesmo tempo, familiar.
Me movia lentamente naquela escurid�o profunda.
Minha m�o tocava uma parede que n�o tinha fim.
Em outros filmes, em um sonho assim, eu voaria para longe...
mas dessa vez, sendo mais velho, mais pesado...
tive dificuldade de sair do ch�o.
Finalmente consegui e comecei a flutuar muito alto.
Mas a vista que me aparecia pelos espa�os entre as nuvens...
o que era?
A universidade? O Hospital Municipal?
Parecia uma pris�o, um abrigo anti-at�mico.
No fim eu reconheci.; era a Cinecitt�.
Talvez tenha tido este sonho...
porque sabia que os encontraria de manh�.
Ali�s, se alguma coisa me atrasar, como o tr�nsito...
comecem mesmo assim.
Entrevistem Maurizio, meu assistente.
Ele sabe muito mais do que eu.
Os instrumentos de trabalho de um assistente de dire��o:
apito...
e megafone.
Hoje em dia, � uma arte em extin��o.
Todos os assistentes viram diretores.
Continuar como assistente � algo her�ico, quase anti-natural.
Um homem que decide permanecer adolescente para sempre...
e recusa-se a crescer, tornar-se adulto.
Portanto, criam-se problemas psicol�gicos.
� uma profiss�o de alto-risco.
-Quando voc� trabalha para Fellini... -Maurizio.
Maurizio, ele est� vindo.
Com licen�a.
Oi, Piero. Est� tudo bem.
Os japoneses querem fazer algumas perguntas.
-Saia, Chiodo! -Ele me chamou!
Ele precisa de mim.
-Teve mais algum sonho? -Quando?
Como est�, tudo bem?
-Por onde andou? -A primeira pergunta �...
O que a Cinecitt� significa para voc�?
� s� um est�dio ou algo mais?
-E se � mais, o que �? -Como, mais? Francamente, eu...
Eu vi voc�! Fique a�, Chiodo.
Ouviu isso?
-Escolho algum desses para o teste? -Espere um pouco.
Achei os ideais agora: Giancorso, Alfredo...
Antoine, e uma surpresa. Aposto que n�o...
-� uma menina. -Mas como soube?
-Como se chama? -Sophie.
-� francesa? -Inglesa.
Tr�s, quatro! Um, dois, pulem, tr�s, quatro!
Cinco, seis, sete!
Gostaria de fazer um teste com voc� vestida de menino.
O senhor fez aquilo para seu filme?
-N�o, deve ser um comercial. -Lindo.
'Use lmperial. E z�s-tr�s! � trabalho mais r�pido.'
Pulem mais! Pulem! Sete, oito!
Um, dois, tr�s, quatro!
Seis, sete, oito!
Olhe, um Rolls-Royce de mentira.
Onde coloco gasolina?
Um, dois, tr�s, j�!
Para mim, � um conforto saber que existe a Cinecitt�.
� uma fortaleza, ou talvez um �libi. Sim, um �libi.
Nadia.
Ela pode falar com mais compet�ncia do que eu.
-Bom dia. -Escute, Nadia...
-estes rep�rteres da TVjaponesa... -Bom dia.
-querem uma entrevista. -Minha?
Apresentem-na como uma vestal da cidade do cinema.
Ela � encarregada dos arquivos onde a Cinecitt�...
preserva sua mem�ria.
Falar� com eles?
Estou ocupada, preciso tomar meu cappuccino.
-J� estou atrasada. -Tomar cappuccino � trabalho?
-Quando come�amos? -Logo, come�amos logo.
Vamos trabalhar como a Nadia, tomando caf�.
Ningu�m reparou em mim. Como estou?
Chiodo tem que ficar com ele.
Voc� n�o o deixa em paz.
Ele precisa de prote��o, cuidado, carinho.
Se ele ficar doente, todos passamos fome.
Tudo � feito do zero, voc� se sente como Deus.
Se voc�s n�o pagarem minha gasolina, n�o venho mais.
Nadia, Nadia, o que est� fazendo?
Nadia, para onde vai?
Tenho que ir. O chefe est� me chamando.
Freiras! Para o set, vamos.
Vire-se e grite.; 'Nadia! Quando vai me convidar parajantar?'
Nadia! Quando vai me convidar parajantar?
Com licen�a, est� indo para a cinemateca?
N�o, estou colhendo chic�ria. Tem chic�ria no Jap�o?
Fellini sempre filma na Cinecitt�. Ainda h� algum dos cen�rios?
N�o, ele os leva para casa, como recorda��o.
E a famosa piscina usada em 'Ben-Hur'?
Acho que ficava bem ali quando filmaram 'Ben Hur'...
'Quo Vadis', a batalha naval de 'Cle�patra'.
Todos estes grandes pr�dios que est�o nos rodeando...
foram constru�dos da noite para o dia.
Logo eles v�o nos espremer.
-lsso � chic�ria. -O que faz com ela?
Ah, frita na manteiga com alho e pimenta � uma del�cia.
Minha av� dizia que o ch� de chic�ria...
Ele disse que � amarga.
� por isso que � boa, � um amargo bem leve.
lgual aos romanos, parecem grosseiros, mas s�o uns amores.
Que tal come�ar a exportar chic�ria para o Jap�o?
Preciso ir, com licen�a.
Muito obrigada. Bom trabalho.
Sr. Fellini, quando foi a primeira vez que veio � Cinecitt�?
H� muito tempo, nos anos 1940. Durante a guerra.
Eu erajornalista e vinha entrevistar uma atriz famosa.
Hav�amos tomado o bonde azul em frente a uma pens�o de banhos...
chamada 'Casa del Passeggero'.
-Est� pegando a placa? -Sim.
-Uma grande tomada daqui. -Quer tamb�m as janelas?
Al�, Gino? Aqui � Maurizio. O lugar � frustrante.
O pr�dio est� em m� condi��o, mudou de dono.
N�o sei, acho que s�o �rabes. O que fazemos?
Sim, Fellini est� aqui. No dep�sito.
Deixe, ent�o.
Mas que almo�o, que nada. Venha para c� r�pido.
Onde est� o Peter?
A� est�. Atr�s do l'Unit� sempre se acha o Peter.
Esse � o lend�rio Notarianni, amigo e produtor executivo.
J� fez 300 filmes. Come�ou com os irm�os Lumi�re.
At� antes.
Os japoneses me perguntaram como � minha rela��o com os produtores.
Eu disse: 'Total e rec�proca desconfian�a'.
Essas n�o v�o segurar. Est� tudo apodrecendo.
Notarianni.
As l�mpadas t�m que ficar nas torres. Vamos precisar de muitas.
Diga para Millozza. Nunca tem luz suficiente aqui.
Tonino, esses suportes n�o v�o segurar.
Como eu disse, precisamos de torres.
Doutor...
lembra daquela pizzaria grande onde costum�vamos comer?
-Est� ouvindo o eco? -Christian?
Christian, tire algumas fotos da parte interna dos bondes.
Pronto? Tirou?
Tire algumas dali, ao fundo.
O bonde da Cinecitt�. Quantas vezes o peguei!
Tonino, quando voc� veio pela primeira vez na Cinecitt�?
-Em 38. -�, em uma carro�a.
Engra�adinho. Quer ser expulso?
Terzano e eu v�nhamos de bicicleta, lembra dele?
Tonino, tenho 20 anos menos que voc�.
Sei, 20 anos.
Aqui est�o.
Olhe para eles. Parece que estamos diante de velharias?
Quem � aquela com Maurizio?
Maurizio?
Achei esta senhora na esta��o.
Poderia fazer um teste com ela para 'Brunelda'.
Brunelda? Desculpe, senhora, deve ter achado que ele foi um pouco rude.
Quase um seq�estro.
Tire algumas fotos dela.
-Maurizio, Brunelda � loira. -Est�o filmando aqui?
Sim, estamos filmando.
Como se n�o pud�ssemos ir para outro lugar.
Vou escolher este lugar.
Com alguns recursos cenogr�ficos...
podemos reconstruir a 'Casa del Passeggero' aqui.
Venha logo para c�, ande.
Bem aqui onde come�a a rua.
Consertem isso agora!
O toldo est� torto.
Puxem o cabo.
Espere para ver, Sergio.
Logo, logo, voc� vai se sentir em casa.
Com licen�a, devemos seguir cada passo.
Sim, claro. Devo olhar para a c�mera?
Qual personagem voc� faz nesse filme?
Um personagem qualquer. Ningu�m te falou?
Acho que devia ser voc� mesmo.
N�o, aqui dentro n�o. Traduza, por favor.
Est�o trabalhando. Poder� entrevist�-los depois.
Nossa Olga est� cuidando de voc�s? Est�o felizes?
-Como vai isso? -Ele quer saber quem vai ser.
Vou explicar tudo.
Voc� � um jornalista, um jovem rep�rter.
Seu jornal lhe manda entrevistar uma estrela na Cinecitt�.
Desligue isso.
Como conseguem trabalhar com essa barulheira?
O jornalista est� animado. � sua primeira visita � Cinecitt�...
para entrevistar uma mulher com quem sempre sonhou.
-Massimo, preparou aquela espinha? -Sim.
�timo. Quero que ele tenha uma coisinha no nariz.
Ele n�o podia deixar o menino em paz!
-Olga, n�o exagere. -Ele � bonito demais.
-Parece que voc� se importa muito. -Ele � bonito.
N�o � capricho, nem maldade.
Sabe, um rep�rter que vai entrevistar uma bela mulher...
com uma espinha no nariz se sentir� envergonhado, mortificado.
E � assim que quero que o personagem se sinta.
Vai te ajudar a atuar. Foi por isso.
Vamos, vamos.
Ali, pare do lado do outro caminh�o. Pare agora!
Sergio, Antonella, vamos.
Venham comigo, por favor.
Vamos fazer o filme no Brasil?
Alinhem-se, lado a lado. Assim mesmo, obrigado.
Voc�s v�o liderar a prociss�o depois.
Sigam-me. Fellini.
-Fellini, ou�a. -O que foi?
O ator que vinha de N�poles n�o veio.
-Quem n�o veio? -O que ia interpretar o fascista gordo.
O gordo!
E voc� me diz agora, 5 minutos antes de filmar.
E agora?
Cal�, Fabiana, Cal�, Vittorio, aqui est�o.
O que fa�o agora?
Ter que prever tudo n�o � divertido. Concordo com Fellini.
Em um filme, o legal � prever o imprevis�vel...
e se ferrar mesmo assim.
N�o se preocupem. O cara da maquiagem est� conosco.
Pegue essas vasilhas de �gua.
Esperem, deixem-me subir primeiro. Eu sei onde sentam.
Doutor, sua camisa.
Aqui est� o plano: deixe tr�s lugares livres aqui.
As meninas atr�s com os pais. Est�o todos aqui?
Est� faltando o fascista. Est� faltando o fascista!
Federico, n�o consigo andar com essas botas.
Voc� est� perfeito! Ainda bem que aquele ator n�o p�de vir.
-Eu as enchi de algod�o. -Mas que boa id�ia!
-Que vergonha. E a tortura tamb�m. -Vai ser r�pido.
lnacredit�vel. Voc� est� perfeito.
Ele est� careca como os outros.
Aquele � o seu banco, perto dajanela.
Onde eu sento?
Tudo desabotoado, n�o fica bom.
Cad� meu megafone? Obrigado.
Tirem a escada. Os policiais est�o prontos?
-Voc�, pronto para sair. Vamos. -Federico!
Ent�o, vamos!
Droga, eu devia fazer uma liga��o.
Gino, chame o advogado... N�o, chame depois. Vamos.
Tenho orgulho desta linha.
N�s a constru�mos em tempo recorde.
Senhor...
-Voc� � um ator? -N�o.
-� sim, � um ator. -N�o.
-� um ator? -N�o.
Esmeralda, venha aqui. Quer levar uma palmada?
Jovem, � um ator?
-N�o, sou jornalista. -Muito bem.
� uma profiss�o de muita responsabilidade...
-como deve saber. -Sim, claro.
Tamb�m comecei como jornalista.
-E, como voc� bem sabe, ele tamb�m. -Sim.
Essas vozes expressam a mesma alegria daqueles trabalhadores...
que tornaram a terra f�rtil nos tempos de J�lio C�sar.
� n�s!
Viva as belas trabalhadoras da vin�cola!
A n�s!
-Companheiro, com ardor fascista. -Obrigado.
Belo povo dos campos da lt�lia.
Oferecemos o fruto das nossas vin�colas.
Que lindo!
Foram lavadas?
Doce!
Obrigada.
Companheiras, gostaria de me juntar a voc�s...
Deixe-me dar um beijo. E um da minha m�e.
Eu queria me juntar a essa alegre labuta!
Mas o dever me chama.
Viva a lt�lia.
De novo n�o. � de prop�sito!
Eu disse para mant�-lo amarrado.
Onde vou achar o diabo do fazendeiro?
Ande, sim? Quem me d� uma m�o?
Toda manh� � o mesmo desastre.
Companheiras!
lmpressionante, n�o �? Bonito.
Ni�gara, Ni�gara. Vou lhe dizer, meu jovem...
a lt�lia n�o tem nada a invejar de ningu�m.
-Nem cachoeiras. -� mesmo.
Senhores, olhem. �ndios.
Uma ra�a valente, mas trai�oeira.
N�o sei por que n�o exterminam essas tribos.
Talvez estejam guardando algumas esp�cimes para os filmes.
-Conhece a Abiss�nia? -N�o.
Terra extraordin�ria, o nosso imp�rio. Quer ir para l�?
De qualquer forma, como h� elefantes...
devemos estar chegando � Cinecitt�.
N�o posso jurar que a viagem � Cinecitt�...
tenha sido exatamente assim.
Talvez tenha tido at� mais aventuras, mais emo��o, n�o lembro.
Chegamos.
Me chamo Antonella. Talvez fa�amos esta viagem juntos novamente.
-Deixe-me apresentar meu noivo. -Muito prazer.
Hoje � um dia muito importante para mim.
Vou fazer um teste, estou assustada.
Quem sabe o que vai acontecer? Me deseje sorte.
-Sim, claro. Sorte! -At� logo.
Ent�o, a bela mo�a loira que me acompanhou desapareceu da minha vida.
-Tchau! Boa sorte! -Tchau!
Ah, ia esquecendo, o fascista gordo que estava conosco...
estava sendo esperado por uma grande limusine.
E eu lembro que segui os elefantes quando...
entrei pela primeira vez na Cinecitt�.
-Bom dia. -Um momento.
-Tenho que fazer uma entrevista. -Uma entrevista? Seu nome...
-Meu editor ligou. Rubini. -Rubini.
Vou conferir.
Veja se temos Rubini.
-Sim, est� aqui. -V� em frente.
Obrigado.
O que preciso fazer? Empurrar? Vamos.
Comecem o cortejo!
A noiva!
Muito bem, as p�talas. As p�talas.
Mais, mais! Mais alto!
Mantenham dist�ncia!
Mantenham dist�ncia!
V� parando, voc�. Vamos.
-O que � isso? Quem � esse menino? -O que est� fazendo?
Abaixe. Abaixe! Mais!
Como um redemoinho. O ventilador!
-Pare! -Corta!
-De volta para o lugar. -Outro take.
Diga a ele que n�o pode correr.
Cad� a noiva? Aprontem a noiva!
M�sica! M�sica!
No ritmo.
'Rolf'. Grite, 'Rolf'.
Rolf! Rolf!
Parem.
Parem!
-Parem! -Me ajudem a descer.
Cuidado, doutor.
-Ajudem-no. -Devagar.
Ele n�o precisa de ajuda, � �gil como um grilo.
Estou segurando, n�o se preocupe.
-Os sapatos. -Pegue os sapatos, r�pido.
-Pegue logo. -Vai.
Talvez haja confete preso nas lentes.
Vamos ver na proje��o.
-Quer que eu revele? -Revele todas.
Gostaria de �gua mineral, cerveja?
Uma p�ra.
-S� tem uma ma��. -Mas como?
Tem p�ssego.
Um belo p�ssego suculento?
-Uma p�ra. -Uma ameixa?
Uma p�ra.
Uma p�ra! Uma p�ra!
Uma p�ra. Ele quer uma p�ra.
Doutor, como estive? Tudo bem? Est� satisfeito?
A l�grima no meu olho, deu para ver?
Nada mal. Cad� o noivo?
Fique quieta, que chatice.
-Sabe como �, ele � um pouco nervoso. -Panaca!
Voc� est� correndo para o amor, para a felicidade.
-O caminho � por aqui. -Sim.
Siga-me. Venha, venha.
-Venha, n�o se preocupe. -Est� correndo para o amor.
Voc� estava maravilhosa.
Quer o endere�o do meu m�dico?
-Quem � esse? -Nunca vi.
Sorria, sorria.
Sorria, sorria... Helga!
Venham, abracem-se.
N�o, mais entusiasmo! Me observem.
Helga! Rolf!
Helga!
Rolf!
Cena 42, �ltima tomada!
Joguem as p�talas. A��o!
Parem. Almo�o!
Parem!
Ei, Nico, quer que eu te leve um prato tamb�m?
Vou ali perto da fonte.
Obrigada, traga aqui, onde tem sol.
Obrigada.
Pericle, pode me trazer um desses? Branco!
Garoto, pegue um lanche para a senhora.
-Que senhora? -A senhora Katia.
Sim, claro. Agora mesmo.
Voc� est� sempre atrasado. Devia estar aqui �s 12h30, n�o 12h34.
-Obrigada, voc� � t�o gentil. -Aqui est�.
Katia Venis?
-Sim, est� melhor hoje. Vai trabalhar. -Eu preciso v�-la.
-Estou aqui para a entrevista. -Ela sabe?
-Sim, estava marcada para as 12h. -Venha que te mostro o caminho.
Brigou com a mulher hoje?
Posso te fazer algumas perguntas tamb�m? O que ela vai almo�ar?
Ela nunca abre. Eu pego para minha cunhada.
-Trabalha com ela? -Cuido do guarda-roupa.
-Voc� n�o fazia outra coisa? -Ela me mandou embora...
depois me chamou de novo.
Ela � legal mas, com ele, ela age como se fosse uma imperatriz.
E ele, mesmo com toda aquela emp�fia, acaba fazendo a vontade dela.
-Por favor, eu n�o disse nada. -Pode deixar.
Est�o trabalhando em uma superprodu��o.
Posso entrar?
Ei, Cesare.
O qu�?
Por que n�o vai se ferrar?
Para essa espinha, tente p�o embebido em leite.
-Vai sumir em uma noite. -Obrigado.
-Cesare, estava pensando. -O qu�?
Por que n�o vai se ferrar?
Menino, precisamos ir.
Ei, Cesare. Sabe com quem me encontrei?
-O Caquinha. Me disse uma coisinha. -O qu�?
Me disse para voc� ir se...
Acabei de tomar uma cerveja, estou me sentindo mal.
Ent�o sabe o que ela me disse? 'E da�...?'
'E o qu�?', eu falei. Que falta de educa��o.
Tenho algumas frutas para voc�.
-Tem tangerina? -N�o.
Me d� outra coisa.
Vai pegar os ovos? Tamb�m vou.
H� um campon�s que est� apaixonado por ela.
Ele sempre lhe manda ovos. Ela os come crus.
Ainda est� quente. Aqui est� o ovo.
-Obrigada. -Gosto tanto dela...
Ouviu isso?
Pois �.
Traga-a algum dia.
-Quem �? -Sou eu, trouxe o almo�o.
Venha.
-Chiodo, o filme se passa nos anos 40. -Eu me encaixo?
-N�o. -E quando?
Quando chegar nos anos 80.
-E quando � isso? -N�o sei.
Mandamos uma c�pia para a Villa M�dici?
-Esses s�o os meninos do Conservat�rio. -Ah, �timo, obrigado.
-J� leram 'Amerika', do Kafka? -N�o.
Se for tudo bem, ter�o que ler.
V�o com o Maurizio. At� logo.
Obrigado. Boa sorte.
Por aqui, vou medir voc�s.
Ent�o, vimos nosso jovem jornalista entrar no trailer.
E l�, sozinho...
espera para encontrar-se com a estrela...
que tanto lhe perturba. Rubini, est� me ouvindo?
-Sim, estou ouvindo. -Como v�o as coisas?
Est� tudo bem, mas n�o estou sozinho aqui.
-E o que faz a indiana? -Aquela � outra.
Essa diz: 'Quando o 'lingam' for rodado at� o fim...
diremos que a manteiga foi batida.'
Adoro bater manteiga.
Bom dia. Ser� que acontece...
'Quando o lingam...'
Ah, voc� n�o estava aqui. Perdeu a li��o.
No 'Kama Sutra', nosso amigo aqui � chamado de 'lingam'.
-E como se chama a outra coisa? -'Yoni'.
Muito bem.
Quando o 'lingam', introduzido na 'yoni' come�a a se mexer...
dentro e fora sem interrup��o e sem sair...
Ent�o?
O que teremos?
-'O fr�mito do p�ssaro.' -O que t�nhamos?
-'O fr�mito do p�ssaro.' -� uma bela imagem.
Quem �? Quem voc�s deixaram entrar?
Senhora, � o jornalista.
E na frente de um desconhecido... Desculpe.
Na frente de um jornalista, falam essas sujeiras.
-Mas � um livro sagrado. -Erotismo por um plano religioso.
Gelada em um minuto, fervendo no outro. N�o podem consertar?
� uma tortura.
Eu falei para a produ��o, mas eles fingem que n�o entendem.
Ouvi uma hist�ria sobre voc�...
Bem, espalhe. 'CineMagazine', leio sempre.
J� mandei duas poesias, mas voc�s nunca publicaram.
Bom dia, senhora.
N�o est� morrendo de calor? Meu ovo.
Um alfinete.
Quer provar? � a minha refei��o.
Eu n�o acredito em entrevistas.
Veja Greta Garbo, ela d� entrevistas?
Gracinha.
Mas temos que ajudar um iniciante, n�o �?
Ou, como se diz, uma m�o lava a outra.
S� tenho uma condi��o: que minha secret�ria esteja presente.
Claro.
Elaj� me ouviu tanto falar com voc�s, jornalistas...
que se eu n�o conseguir pensar em uma boa resposta...
ela se lembra e me diz.
� s� um menino, nosso jornalista.
Pensei em come�ar a mat�ria...
dizendo que quando a senhora estava no chuveiro...
sua silhueta no vapor parecia a V�nus de Tiepolo.
-Conhece Tiepolo? -N�o d� para conhecer todo mundo.
� verdade.
Acredita em sonhos? Tive um na noite passada...
que tenho vergonha de contar.
A senhora disse que n�o gosta de entrevistas, eu entendo.
Porque eu mesmo fico desconfort�vel fazendo essas perguntas.
Mas tem uma que quero perguntar.
Como algu�m pode ser t�o bonita?
Acredite, fico fascinado.
Bonita? Nem todos dizem isso. Um cr�tico disse que eu parecia um homem.
� o que ele quis ver.
Minha av�, sim, era bonita!
N�o tenho aqui uma fotografia. Mas era quase o meu retrato.
Mas, para uma atriz, o importante n�o � a beleza, o talento...
quando se tem a sorte de ter ambas as coisas.
-Passe-me o almo�o. -Oh. Escute...
como descobriu sua voca��o?
Quando pensou em ser atriz pela primeira vez?
Desde pequena, todos me diziam que eu era uma gra�a...
que eu parecia um anjinho.
Nas prociss�es, ela sempre era o querubim.
-lmagino. -Mas sem voca��o, n�o adianta.
lmagino quantos n�o gostariam de estar aqui agora.
-Acha mesmo? -� um privil�gio.
Jovem, � preciso que voc� entenda uma coisa...
o segredo todo est� nos olhos.
Uma mulher pode ter a maior 'yoni', perd�o, de todas...
mas se os olhos n�o estiverem maquiados, adeus!
Escreva isso.
Quando se faz um 'close' em uma atriz...
Feche os olhos.
Quando... Feche os olhos.
Quando, ent�o, se faz o 'close'...
Abra os olhos.
Voc� deve se sentir sugado por eles. Escreva isso.
E escreva que estou aqui desde �s 5h da manh�.
-� uma vida de sacrificios, ent�o? -A arte merece.
Com licen�a, posso fazer uma �ltima pergunta?
Quando n�o est� atuando, o que faz?
Uma atriz sempre vive os seus pap�is.
-� uma pris�o. -E nunca se sai dela?
Depende...
Depende do 'lingam' que aparecer!
-Est� chegando o vestido. -Ah, o vestido da Maharani!
-E ent�o? -Vamos ter que nos apressar.
-T�nhamos mais meia hora, n�o? -Todos devem sair.
A senhora deve se vestir. Todos l� fora.
Voc� tamb�m, jovem. Para fora.
Antes, preste aten��o: a senhora l� todas...
as entrevistas antes de serem publicadas.
Por favor, escreva apenas aquilo que eu disse.
Palavra por palavra.
SlL�NClO
Para cima!
SlL�NClO
Jovem. Ei, voc�. Jovem!
Eu?
Venha aqui.
Esse ladr�o me disse que voc� � um rep�rter.
-� verdade? -Sim.
Deu uma boa olhada?
Sabe o quanto est� me custando esse circo?
Daria para construir quatro im�veis.
S� o aluguel renderia uma fortuna.
Mas fazer filmes � muito mais divertido.
Mas j� cortamos 50% do or�amento.
Jovem, seja sincero...
j� viu uma cara de ladr�o igual � desse produtor?
-N�o me diga uma coisa dessas. -Mas eu te admiro.
Um ladr�o com cara de ladr�o, no fundo, � uma pessoa honesta.
Esse cara me mata de rir.
Olha a cara de idiota que ele tem.
O diretor diz que ele � burro.
Acho que ele � bom.
Seu merda!
Quem voc� acha que �?
Nos deixou esperando por tr�s horas!
Ou�am esse caipira ignorante.
Me d� esse espelho, n�o estou me vendo.
Voc� e seu amigo rico de merda.
-Ele est� falando de mim. -N�o, n�o � de voc�, chefe.
Ouviu quanta 'merda' ele nos atirou?
Para todo mundo, at� para voc�, que n�o � daqui.
Pobre lt�lia. Uma vida dura.
Mas aqui em Roma, todo mundo � uma merda.
� incr�vel.
Somos mais educados em Mil�o.
A cintura! A cintura! Agora, segurem o vestido!
Veja...
n�o pode escrever sobre esses alvoro�os, certo?
Sabemos que � o temperamento art�stico.
Mas esse foi longe demais.
-Bom apetite, Pierrone! -Est� servido?
N�o, mas tome uma bebida � minha sa�de.
Vista legal, n�o �?
Ser� que � assim na �ndia?
Ele acha que � um maraj�, mas vem de Campobasso.
Mas quando canta, chega a dar arrepios.
Sorriam!
A cintura! No ritmo.
Coloque a saladeira na cabe�a dela!
Lembra das suas falas, querida?
Sei suas falas idiotas.
Mas o que ele n�o sabe � que...
n�o vai mais brincar de Deus.
Uma palavra minha e ele j� sai de si.
Sabe por que ele grita tanto?
-Est� apaixonado. -lsso � vontade dele.
Mas como n�o percebeu? Perdidamente.
Que nojo, aquele an�o afeminado.
Louco por voc�, como todos.
Muito bem, odalisca, comece a cantar. Cante!
Agora deixe esses dois imbecis beijarem sua m�o.
E diga a fala ao maraj�. O maraj� sabe o que fazer?
Doutor, est� me ofendendo.
Quieto!
Giuca, Martignoni! V� at� onde est� a Maharani.
Minha celeste Mara.
Belo gesto! Belos aristocratas!
E esses oficiais! � um insulto! Vergonha!
Quanto mais ele grita, menos trabalha.
Amanh�, ainda estaremos aqui.
Tragam as dan�arinas. Harmoniosas!
-Katia, � com voc�. -Soltem os bra�os. Abaixem os ombros.
Entre na �gua.
Diga sua fala.
Me curvo � gl�ria do maraj�...
esplendor de Dergalesh.
Por favor, aceite com gentileza...
a minha leal e ardente devo��o.
E agora, a bela Katia sobe no palanque...
-e entra, curvando-se. -Mas v�o ver meu traseiro.
N�o ser� a primeira vez!
Com passo de tigresa, devagar...
suave e rebolando.
Rebola! Mexe esse quadril!
Para que subir a escada de outro jeito?
Qual � o problema? O que foi agora?
Vai ver o que aquela maldita quer.
O que est� acontecendo?
-Minha nossa, isso... -Ela n�o est� se sentindo bem!
Precisa ir para a cama mais cedo!
-Est� acabando com a maquiagem. -Chamem o maquiador.
Aurelio, v� dar uma olhada.
Agora, vamos tentar a sauda��o dos elefantes.
Quando eu disser 'trombas', levantem-nas.
Pronto? Trombas!
Um, dois.
O que aconteceu com a tromba?
Eu sabia! Eu sabia. Des�am-me.
Para baixo! Quero descer!
Pronto. Est�o satisfeitos?
Que bando de idiotas voc�s s�o!
E a culpa � sua! E da sua produ��o vagabunda!
Saiam da frente! Uma vergonha!
Doutor, o megafone.
Voc� tinha me prometido elefantes de verdade.
O circo est� na Sic�lia. Sabe quanto pediram?
-Pague! -Diga para ele.
Ou volte a empilhar tijolos! Sua verdadeira voca��o!
Pare, ou mando te prenderem.
Criminoso!
Desgra�ado. Est� cometendo um erro.
Est� cometendo um erro.
Assinei um contrato com voc�. Esse foi o meu erro!
Para mim, chega! Todo mundo para fora!
-O que est� fazendo? -Vai me machucar, doutor.
Desisto. N�o filmo mais.
N�o, � voc� que est� acabado. Vou acabar contigo!
-Calma. Tome um cafezinho. -Dane-se o caf�!
Juro que ele nunca mais vai trabalhar.
Nunca, nunca, nunca!
Que se dane!
Seria uma sorte, nunca mais trabalhar com gente como voc�!
Voc�s est�o destruindo o cinema! Vou para a Alemanha!
Devia ir para o manic�mio.
N�o falo mais com voc�.
-Com licen�a. -O qu�?
Aprecio o temperamento, mas se esqueceu de uma coisa.
O qu�?
Voc� devia destruir o primeiro elefante...
-� mesmo. -E n�o o terceiro.
-Vamos refazer. -Vamos ter que refazer.
Eu me confundi.
Era esse elefante que devia ter destru�do.
A id�ia era que ele ca�sse bem de frente para a c�mera.
Onde estavam escondidos? Bom dia.
Queremos saber uma coisa a respeito dos seus filmes.
-Pode perguntar. -Onde acha essas caras estranhas?
Mas o que est� fotografando?
Precisa de um rosto como o meu?
-Ele que se dane. N�o me importo. -E sua m�e?
Minha m�e? Nunca o suportou.
Senhorita. Com licen�a.
-Podemos tirar uma fotografia? -Por qu�?
Tem um rosto muito bonito. Me chamou a aten��o.
Gostaria de ter a experi�ncia ins�lita de fazer um filme?
Por curiosidade...
sou Maurizio Mein, assistente de Fellini.
Precisamos de rostos para os personagens de 'Amerika', de Kafka.
Para transformar em um filme. Acho uma grande id�ia, n�o �?
Est� vendo o Elvis? Parece que tem dor de dente.
Quem ganha Sampdoria contra Atalanta? Tamb�m acho.
Vamos, meninas, entrem. Sigam-me.
Por aqui.
-Sabia que eles n�o pagam pelos testes? -N�o?
Pelos testes, n�o.
-Eu acordo �s 5h da manh� para qu�? -Respirar o ar puro?
Al�. � o Maurizio. Estou chegando com uma, duas...
tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito mulheres. V�o para o figurino.
Meninas, para l�! Figurino!
V�o em frente, vou ver a cenografia.
Todas por ali.
J� estive aqui antes, mas n�o aconteceu nada.
-Para onde vou? Para l�? -Trabalhei em uma f�brica...
de batatas fritas, como degustadora. Provava uma aqui...
uma ali, engordei 40 quilos.
-Senhor Donati. -Estou ocupado.
-Fino como seda. -Senhora...
por favor, entre.
R�pido. �s onze, preciso renovar a carteira.
O papel � para uma loira. Mas vemos isso depois.
'Levanto a cortina?'
Repita a fala, Stefano, e levante-se.
Massimo, v� para o outro lado.
-Tonino. Tonino! -O qu�?
Tonino!
-Est�o filmando? -Claro!
Brunelda come, dorme e faz amor.
Sim, entendi, � uma devoradora de homens.
-O que foi? -Com licen�a.
Aqui diz que a Brunelda toma banho.
Mostrou tudo ao entrar na banheira ou depois?
N�o, n�o fa�o cenas de nudez.
Com todo respeito pelo Sr. Fellini, n�o fa�o cenas de nudez.
E n�o porque n�o poderia.
� um bom papel, � bonito mas...
Maurizio Mein est� aqui? Bom dia.
Sabe quanto custa umajanela? Desenhe quatro.
O pre�o n�o muda tanto de quatro para oito.
Uma express�o assustadora...
agressiva e feroz, mas tamb�m doce.
Tem que ser animalesca, bestial.
lsso, e o nariz tremendo. � b�sico.
Resolve tudo.
Al�?
Sim, estou ouvindo. Est�dio 2, cenografia...
-Para mim? -Que comunicado?
Gino, � melhor voc� ver isso.
Vou passar para o organizador geral.
Al�? Quem est� falando?
Quem �?
Como, n�o tem import�ncia? Quem est� falando?
Desligou.
Com licen�a, pessoal. Podem sair um pouco?
Esqueci que tinha um compromisso aqui, �s dez.
Para fora, por favor. Voc�s dois tamb�m. Obrigado.
-Os contadores est�o vindo. -Exatamente o que precisamos.
Saiam. Obrigado. Antonello, leve-os para o bar.
-Por nossa conta. -Um milagre.
Pausa de 15 minutos.
N�o diga para ningu�m, entendeu?
-Entendido. -Quero ver.
O rosto dessa mulher aparecer� em todo lugar.
Recebemos uma liga��o terr�vel. Sou eu, Maurizio.
Colocaram uma bomba no Est�dio 2. Toque o alarme.
Gino diz que n�o, mas eu n�o concordo.
Avise a dire��o. Telefone...
-Comece a ligar... -Maurizio, vamos para o bar.
Um ch� de camomila vai te fazer bem.
-Como n�o? -Vamos l�.
-Vamos deixar fechado. -Sim, feche.
Sabe, eu acho que o certo...
-Mas quanto tempo vai demorar? -A delegacia � aqui perto.
Gino, n�o concordo com isso...
Dev�amos avisar a dire��o do est�dio.
-� um boato idiota. -E se n�o for?
Levem essas pessoas para longe. Ningu�m aqui.
Quem atendeu a liga��o?
-Senhor Gino Milozza. -Sou eu.
Est�vamos trabalhando.
Este � o Est�dio 2? Tirei todo mundo de l�.
lsolem a �rea! Todos para tr�s.
Ei, voc�.
Veja as pessoas que est�o no bar.
Voc� atendeu a liga��o aqui?
Sim, no est�dio dos cen�grafos.
Por favor, feche a porta.
A voz falava italiano?
Foi o Sr. Gino que atendeu o telefonema, n�o eu.
-Algum sotaque estrangeiro? -ltaliano.
Ouviu o barulho de moedas?
Acha que ligaram de um telefone p�blico?
Acho que n�o.
� a primeira vez que recebe uma liga��o amea�adora?
N�o, acontece muito, especialmente com o Gino.
Mas nunca falam de bombas.
Algu�m pode me levar para o escrit�rio principal?
-Eu o acompanho. -Obrigado.
Antonio, veja o corredor e o andar de cima.
Vistoriaram tudo, mas n�o acharam nada.
Fiquei um pouco desapontado.
Continuamos trabalhando nos escrit�rios da produ��o.
Ent�o 40 anos de teatro n�o contam?
Rostos, claro, eles s�o necess�rios.
Mas acha que a experi�ncia de 40 anos no palco...
n�o serve para nada? � um dem�rito?
Profissionalismo virou um erro?
O diretor pode ter talento, mas os atores...
atores de verdade, s�o eles que fazem um filme.
Entendo, mas estamos procurando tipos espec�ficos.
Ah, llaria, � a terceira vez que ela vem.
Fellini queria v�-la de novo. N�o podemos nos virar sem...
-Deixe-me trabalhar, sim? -Temos que ver o chefe.
N�o me deixa v�-lo porque sabe que ele me quer por perto.
'Chiodo, fique perto de mim.
Posso precisar de caf�, um copo de �gua, cigarro.'
-Ele n�o fuma. -Tanto faz.
Coitado. Foi abandonado por todos.
Ceccacci, d� para tirar o Chiodo daqui?
Por que n�o passei no teste? � o meu sotaque?
Voc� disse que minha personagem � estrangeira.
Senhora, isso acontece nos filmes.
Fellini achou que o papel era melhor para outra pessoa.
Eles at� renovaram meu visto por causa desse papel.
Que bom, voc� pode ficar em Roma, a melhor cidade do mundo...
achamos alguma coisa para voc�.
Al�?
De todos os filmes do Sr. Fellini, nunca trabalhei em nenhum.
Eu tamb�m n�o.
Apesar de estar em evolu��o constante como ator.
Uma vez, ele me chamou para interpretar um cad�ver.
Maurizio, este rapaz ador�vel � ator de teatro.
Devo mostr�-lo para o Fellini?
Conservat�rio, biblioteca, Vaticano, Embaixada da Pol�nia, da Hungria...
estive em todas.
Se n�o achei o que ele quer, � porque n�o sei o que ele quer.
-Com licen�a, o diretor est� aqui? -Por que entrou?
Vim porque dizem que sou 'felliniana'.
E da�?
E da� que sempre tive uma tend�ncia natural.
Quando era pequena, nos funerais, chorava mais que todo mundo.
At� agora, posso chorar a qualquer momento.
Posso chorar agora mesmo.
Quer ver l�grimas?
Estamos procurando certos tipos de personagem agora.
Tamb�m tenho um irm�o. Ele � melhor que todos esses.
-Ele tamb�m chorava nos funerais? -N�o.
Ele se vestia de mulher e nos fazia rir tanto!
Nossa fam�lia � toda especial, pode escolher.
-Voltamos. -Trouxe as fotos e os endere�os?
Est�o com ele. Eu mesmo que tirei.
O qu�?
Que raio � isso? Deve ter 200 pessoas aqui.
Foi um grande casamento. As pessoas vieram at� de Ancona.
Ele est� com o tio. O que est� acenando.
Esta n�o serve, tome.
-Foi uma bela festa. -Acredito.
-E voc�? -Eu?
Queriam pessoas gordas, ent�o eu vim.
Precisamos de mulheres gordas, n�o...
Bem, achem algo para mim.
Estou aqui, nos encontramos, agora � com voc�s.
E n�s com isso?
Fazer algo... lnfelizmente...
Trouxe ele tamb�m.
Al�.
� um dia terr�vel para liga��es.
-A senhora � atriz? -N�o, � vi�va.
Faz tr�s anos.
-Desculpem, mas n�o vejo o que... -Concordaram, e agora?
Desta forma, criamos a atmosfera de uma rua americana.
-Mesmo assim, vai custar uma fortuna. -E voc�s querem filmar no crep�sculo.
� parte do efeito.
Perd�o, Gino.
Que tal um belo dia nublado, e que se dane o crep�sculo?
E que se danem os custos de constru��o tamb�m?
lsso d�i ainda mais.
Nem Hollywood tem roupas assim. E posso reproduzi-las.
-�timo, Danillo. -Fi�is, mas com imagina��o.
Quer saber? Vamos usar amplia��es em tamanho natural.
Vamos escolher algumas das pequenas tamb�m.
Precisamos saber se aquela senhora conseguiu o papel...
para fazer um cronograma.
Ela est� esperando h� uma semana. Precisamos sair daqui.
-Quem �? -Sou eu, Fellini.
-O qu�? -Nada, estamos fotografando todos.
Eu estou aqui.
Mas para qu�? Saia daqui, Chiodo!
-O que disse? -Para sair, anda.
-A prop�sito, vi Marcello. -Diga.
-Ele est� filmando aqui. -Est� bem.
-Vai passar por aqui assim que puder. -O que � isso?
O que est� acontecendo?
Ol�, rapazes!
Os pepinos de sempre? Problemas financeiros?
Pior ainda, problemas sexuais? N�o tenham medo.
Mandrake est� aqui.
Ele mexe sua vareta, e sua vara fica ereta.
-Viva! -Vamos l� ver!
-N�o � perigoso? -Marcello, tenho que dizer uma coisa.
-Espere um pouco. -Mais tarde, mais tarde.
-A gente se v� l� embaixo. -Vejo voc�s l� embaixo.
Esfrega, esfrega, tira a sujeira
-Voc� est� �timo assim. -Obrigado.
Um comercial.
-Eles pararam de me perguntar... -Conhece o Sergio?
O jovem Fellini? Eu n�o podia ter feito esse papel?
Desculpe. � uma das suas namoradas?
-Uma delas. -Qual?
Ele toca sax muito bem.
Tenho uma id�ia para o final, depois digo.
Que sorte te encontrar. Queria pedir...
Venha comigo um minuto.
Voc� realmente toca isso?
-Um m�sico? -Mais ou menos.
Gino, estou saindo. Marcello vai comigo.
Podem ir.
Tchau, Antonella. Depois me lembre, est� bem?
Para que � esta �rvore?
Uma pequena homenagem floral.
Marcello, por favor, o cigarro.
N�o me lembrava disso.
Limpa, limpa, limpa tudo
Limpa, limpa, limpa tudo
N�o consigo respirar. Abra ajanela.
Se n�o fumo, n�o respiro.
Sr. Mastroianni, Hideo diz que faz o senhor parar de fumar...
em 15 minutos.
Levei 40 anos para chegar a tr�s ma�os por dia...
e voc�s querem estragar tudo em 15 minutos.
Toshiro Mifune, o ator, fumava muito.
Hideo tocou seu nariz e ele parou.
Agora foge quando algu�m fuma.
Voc� tamb�m fica hist�rico se eu fumo, como o Maestro?
N�o, mas n�o gosto de fumar...
nem de beber.
Mas voc� gosta de mulheres, pelo menos?
-Sim, muito, mas... -Mas o qu�?
Sinceramente, o que mais gosto � de me masturbar.
Ah, grande solu��o.
� um exerc�cio de concentra��o que estimula a imagina��o...
e mesmo, eu diria, desenvolve um poss�vel talento de romancista.
Minhas experi�ncias, por exemplo...
eram como romances.
Sempre tinha novos personagens, que apresentavam outros.
'Permita apresentar minha irm�, est� � minha prima...'
Para onde estamos indo?
Estamos quase chegando. Vamos voltar logo.
Pietro, tem certeza de que � a estrada certa?
Doutor, tamb�m estou confuso, n�o moro por aqui.
Pergunte a esse padre.
Com licen�a, padre. Villa Pandora?
-Est�o na estrada errada. -Para onde devemos ir?
-Aquele � o Mastroianni? -�.
Por aqui. Eu guio voc�s.
Estamos chegando.
Aqui est�. Adeus!
O chefe est� aqui.
Federico, n�o disse a ela que v�nhamos?
Ela disse que n�o est� esperando ningu�m.
Mas � claro que avisaram, a produ��o ligou para ela.
Animais dos infernos, escute.
-Marcello est� se sentindo mal? -Disse a ela que sou eu?
Deixe-me tentar.
Vou soltar os c�es e chamar a pol�cia.
Anita, ol�, aqui � o Federico.
-Trouxe uns amigos, pode abrir? -O que est� acontecendo?
Federico? O que est� fazendo aqui? Mentiroso!
Disse que viria me ver no natal de 81.
Agora n�o abro, querido.
Anita, abra o port�o. Tenho uma surpresa para voc�.
Tenho que voltar para a Cinecitt�, est�o me esperando.
Dois minutos, Marcello, quero ver Anita. Devia ter dito.
-Anita Ekberg? -�.
N�o a vejo desde 'La Dolce Vita'. H� 26 anos!
Cuidado com os cachorros, s�o bravos.
Fiquem no carro, vou abrir.
Segurem-se. Ela vai abrir o port�o.
Disse para ficar no carro.
Mas s�o le�es.
Tente sair.
Venham.
Pandora, Tonga, venham aqui. Venham, entrem na casa.
L� est� ela.
Estou emocionado.
Mas para que ela precisa de cachorros? � estupenda como um gladiador.
Federico, � verdade, ent�o. � voc�!
Que apari��o triunfal!
-E esse cachorro? -N�o se preocupe, estou aqui.
Minha bela, como est�? Me d� um abra�o.
-Quem � esse? -Sergio Rubini, um jovem ator.
Desde que tem 12 anos, tem um sonho recorrente...
de que est� abra�ando Anita Ekberg.
-Ent�o me abrace! -Anita, obrigado.
-Sergio, est� bom. -Obrigado.
-Quem mais est� a� dentro? -Adivinhe.
N�o! Mas que bela surpresa!
-Outro mentiroso. -Esse sim.
Marcello. Est� t�o bonito vestido de Mandrake!
Continue beijando, posso? Obrigado.
Um momento. Onde est�o as cicatrizes?
Que cicatrizes?
Ent�o mentiram para mim.
Disseram que voc� tinha feito pelo menos tr�s pl�sticas.
Ainda n�o. Est� cedo. Talvez quando eu tiver uns 80 anos.
J� est� quase l�, meu bem.
Podem abra�ar de novo?
-Mastroianni, por favor, de novo. -Amigos...
ofere�o um bom vinho e castanhas tostadas.
O que � melhor?
-Vamos? -Sim, sim.
-A senhora nos convida, vamos. -Estou muito feliz...
-Gosta da minha casa de campo? -Dever�amos vir todo fim de semana.
Quando o tempo est� bom, d� para ver todo o mar.
Todos falamos em morar no campo, mas...
-Posso usar o telefone? -Entrem, por favor.
Ele disse que, no Jap�o, n�o existem mulheres assim.
-Sentem-se onde quiserem. -Ah, a lareira est� acesa.
-Mas n�o sujem o ch�o. -Fiquem � vontade.
Que bom, Giovanna, passe as castanhas.
Giovanna � uma grande amiga, sabe?
Marcello, venha aqui.
Voc� tamb�m tem que trabalhar. Abra umas garrafas.
-� ainda muito bonita. -O qu�?
-Ela ainda est� bonita. -Bonita...
-Ela � m�tica. -Essas est�o bem torradas.
Ah, castanhas. Ainda fazem farinha de castanhas?
Sonhei com voc�, Mastroianni.
-Sou da sua cidade. -Onde nasceu?
Ferentino.
Mas esse vinho � leve, � quase pedi�trico.
Como, onde estou? J� disse, no hospital.
No hospital... Mas como mente tanto?
Abra as garrafas em vez disso, v�.
Est� linda como sempre.
Sr. Mastroianni, Hideo diz que o senhor precisa...
experimentar sua massagem contra o fumo.
S�o os n�o-fumantes que causam problemas.
Ser�jovem de novo para suas f�s japonesas.
O que o m�gico est� dizendo?
Se funcionar, lhe meto um processo.
Vai fazer a fuma�a sair dos seus ouvidos.
J� estou sentindo a crise de abstin�ncia.
Tem algum problema para ficar de p�?
Quando Hideo tirar as m�os do seu est�mago, diga...
Mais alto.
Quando soltar seu nariz, diga...
-Com uma mulher assim, voc� tem que... -O qu�?
Nada.
Acho que mere�o um pr�mio agora.
-Mas, Sr. Mastroianni... -J� disse para ele.
Hideo, desculpe desapont�-lo.
Mas me sentiria pior se voc� tivesse conseguido.
Agora, amigos, se me permitem, gostaria de apresentar uma m�gica...
em honra de nossa querida anfitri�.
Varinha m�gica de Mandrake...
leve-nos de volta no tempo...
para aqueles dias lindos.
M�sica.
Quem � voc�? Uma deusa?
A m�e, o mar profundo, a casa?
� Eva, a primeira mulher que existiu na Terra?
H� muitas perguntas que gostaria de fazer, Anita.
Por exemplo...
voc� tem grappa?
Mas v� se ferrar, Marcelino.
N�o me fa�a rir, meu bigode vai cair.
Vou pegar um pouco. Tamb�m preciso de uma bebida.
Traga o palanque para a frente.
Firme, n�o deixem tremer.
Digo quando parar. Mais um pouquinho...
Aqui estamos, no Est�dio 14.
Vamos filmar uma das seq��ncias mais importantes.
Com licen�a.
O teste para... lsso, os personagens de 'Amerika' do Kafka.
-Para fazer um teste? -lsso.
Vou mostrar o que significa fazer um teste...
como escolher um rosto...
o que � ser fotog�nico, qual � o segredo...
por que umas pessoas s�o fotog�nicas e outras, n�o.
Danilo! Onde est� Danilo?
Ponha o gramofone nesta mesa.
Coloque onde ele diz.
Danilo, pode vir aqui um minuto? Danilo!
Estou aqui, Federico.
Agora, voc�... Gire aquele espelho at� pegar luz.
Assim.
-Vamos, conserte isso. -Me deixe em paz.
Miranda, fique de olho nela. Federico, e os figurinos?
J� vi, � claro. S�o lindos.
Um, dois, um, dois, tr�s!
Que bom, Sergio. Bravo! Todo mundo dan�ando o Charleston.
Maria Teresa, todo mundo. No ritmo.
Voc� tamb�m, Nello. Dance puxando a banheira.
A� est�. Bom, continuem tocando.
-Devia ter usado Ekberg. -Ele n�o a pediu.
Traga-os para c�, perto da maquiagem.
Continuem dan�ando, sorrindo.
Coloque o pompom no cabelo.
Ent�o, o pr�prio filme te leva para outra dire��o.
Algumas cenas, alguns personagens...
n�o pertencem mais � hist�ria.
Ele disse que faria o teste para essa Brunelda.
N�o me pare�o com ela?
Procuramos uma d�zia de meninos para o Karl.
Fomos a escolas, academias, institutos religiosos...
ao Conservat�rio.
Fellini queria um rosto delicado, espiritual, mas cheio de vida.
Porque o protagonista do 'Amerika' � s� um garoto.
Gostaria que voc� fizesse os mesmos gestos.
Quando eu disser: 'Levantem-se', voc�s dois se levantam.
Levantem-se, venham aqui.
O mesmo gesto, juntos. Ajeitem o pompom...
passem a m�o nos cabelos. Sorriam, olhem para a c�mera.
Nadia, chame o Maurizio. Nadia, chame-o.
-Maurizio, vire-se para a Nadia. -Maurizio!
O que foi?
-Venha aqui. -O que foi?
Venha aqui.
O que devo fazer?
Te chamaram, apenas espere. Te dir�o.
A fada madrinha da Cinecitt� n�o tem uma fantasia?
-Quando vai ser a prova? -Fada? Que fada?
A madrinha, vestal... lsso que eu sou.
-Lillo, um momento. -Volte aqui.
-Nadia est� um pouco desapontada. -Fui idiota de confiar em voc�.
Tem raz�o, mas aceite meu conselho.
-Seja paciente, espere. -Vai, vai!
-Voc�s s�o um bando de palha�os. -O que � isso?
Fellini, com quem quer come�ar?
N�o sei. Com a mo�a que estava chorando mais cedo.
Diga-a para sentar.
Bom dia, senhora. Conhece a personagem?
-J� me contou. -Uma ex-cantora, grande...
infantil, gulosa, reclamona e que sempre se faz de v�tima.
Que calor.
-Teste para o personagem de Brunelda. -D�em um leque para ela tamb�m.
Tragam os dois Delamarche. Os dois.
Olhem para ela. Cumprimentem-na.
Isso. Essejovem, como se chama? Digam-me o nome.
-Cruciani. -Cruciani, coma suas sardinhas.
E voc�... Como se chama o primeiro Delamarche?
Carniti, sorria para a dama. Para as outras tamb�m...
que est�o esperando.
Agora alise o bigode. Isso, olhe para a c�mera.
Passe a m�o no cabelo e olhe para a c�mera. Sorrindo.
Com um olhar sedutor. Um pouco canalha.
Eu sei que � horr�vel...
mas seu personagem adora sardinhas.
Isso, bom. Senhora, deixe que te levem para a banheira.
O 'coiso' tamb�m. Como se chama? Carniti!
Voc� tamb�m, Carniti. Os dois, ajudem-na.
Como se fosse uma boneca enorme, na banheira.
Voc�, continue comendo sardinhas. Diga sua fala.
Coloque o �leo na palma da m�o. Lamba os dedos.
Voc� sente muito prazer quando come sardinhas.
� louco por sardinha. Pegue outra. Muito bem.
-A� est� a Roberta. Passou o medo? -Sim, obrigada.
Eu digo suas falas, n�o se preocupe. Sorria.
Olhe bem para a frente, assim.
Voc�s dois, continuem acariciando.
Voc�, Cruciani, lamba os l�bios...
como um c�o guloso.
Invejosa, arrogante.
Com licen�a, podemos ficar aqui?
Afastem-se com essa luz.
Fellini, os japoneses podem ficar?
Senhor Fellini, mais uma pergunta.
Vai filmar 'Amerika' de Kafka na Am�rica?
Agora, voc�s a�, abram o port�o.
Empurre a cadeira de rodas.
Acene com a m�o, senhora. Voc�s dois, cada um em um lado do palco.
Saiam. Qual � o problema? Vamos.
-O menino n�o conseguiu. -�timo, v�o l� e ajudem-no.
J� terminaram com isso?
Venham mais perto com a cadeira de rodas.
E agora, o que est�o fazendo?
Continuamos os testes. Karl na estrada americana...
empurrando Brunelda em sua cadeira de rodas at� o bordel.
Bordel? Onde est� o bordel?
Como posso saber?
A atmosfera est� boa. � exatamente esta luz que eu queria.
Voc� disse que no final eu ficaria em um cemit�rio de atores mortos.
E eu, como vestal...
projetando os filmes das grandes atrizes do passado.
-N�o vai mais ter isso? -N�o, Nadia.
-Era legal. -Era legal, mas dava azar.
L� vai seu cemit�rio.
Maurizio, esse aqui se parece com voc�.
Achei que era voc�.
Romano, apague as luzes antes que tudo exploda.
A� vem �gua!
Algu�m l� em cima gosta de n�s. Podemos ir para casa.
-Tonino, o que fazemos? -Espero um pouco, talvez passe.
Cortem a luz!
-Doutor, liberamos todo mundo? -Esperem, n�o corram!
Maurizio, chame todo mundo. Fa�a-os voltar.
Aten��o! Estamos filmando!
De volta para seus lugares.
-Adriano, venha c�. -Venha com a gente.
Vamos andar, por favor.
Todo mundo, por aqui!
Tragam para c�.
Virem...
Onde est�o os bancos? Tragam os bancos.
Aqui, abaixem.
Todo mundo dentro.
Vamos. Maria Teresa, entre.
Tonino, venha aqui. N�o banque o her�i!
Voc� fica de fora. V�o tomar um banho.
Onde est� minha cadeira? Quem pegou minha cadeira?
O modelo foi desenhado pelo meu cunhado.
-Est� bem, me devolva. -N�o, n�o...
Agora, todos juntos. Preparem-se, vamos.
Roberta! Roberta!
-Roberta, o que � isso? -N�o sei, me escolheram.
Est� ficando tarde.
Aquela vez que cozinhei para voc�... Como ficou o macarr�o?
Quando voc� cozinhou para mim?
Quando for na minha casa, eu te fa�o uma verdadeira carbonara.
-V� l�, voc� vai ver. -H� tr�s anos que voc� promete.
Venha para minha casa.
Caf�?
-� o amanhecer. -V�o atacar agora.
Est�o vindo. S�o eles.
-Pegue, est� carregada. -Nunca nos renderemos.
Nunca v�o nos pegar.
Parem! Bom, parem.
Foi bom?
Sim, �timo. Muito bom. Obrigado.
-Terminamos! -S� isso, como foi?
N�o sei, n�o me pergunte. Ele disse para parar.
-E amanh�? -Acabou o filme, j� disse.
-Feliz Natal! -Sim, feliz Natal.
Al�, Gino, est� me ouvindo?
-Feliz Natal! -Obrigada. Tudo de bom.
Obrigado, Tchau!
Obrigado, boas festas. Foi bom trabalhar com voc�.
-Tchau, Tonino! -Boas festas!
-Aqui, feliz Natal. -Obrigado, senhorita, feliz Natal.
Ei, pessoal.
Algu�m empurra aqui? O carro atolou.
Algu�m empurra?
Vai l� ver isso.
Estou indo, queridinha do tio.
-Empurra. -Estou empurrando.
-Coloque no ponto morto. -J� est� no ponto morto.
Vamos sair?
-Tchau! -Esta � minha.
Tchau, se cuida! Feliz Natal.
-Feliz Natal! -Tchau, meu amigo.
Obrigado!
Al�, Gino? � o Maurizio. C�mbio.
Fechamos essa cena tamb�m. Podemos ir para casa.
Vamos para casa, ent�o.
-Tchau, Gino. -Tudo de bom. Tchau!
Para voc� tamb�m.
O filme deve terminar aqui.
Na verdade, j� terminou.
Ou�o as palavras de um antigo produtor...
'Mas como vai terminar assim? Sem um fio de esperan�a...
sem um raio de sol? Me d� ao menos um raio de sol.'
Ele implorava, ao final de cada filme.
Um raio de sol?
Bem, vamos tentar.
Primeiro take.
ENTREVlSTA
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