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UMA SÉRIE NETFLIX
BASEADA NUMA HISTÓRIA VERÍDICA
A ENFERMEIRA
Vou ficar atenta à sala dos medicamentos e contar as coisas.
- Tiras fotografias e verificas o lixo. - Seringas, soro...
- Encontrar provas. - Observá-la, mas sem que ela se aperceba.
MORFINA
No quarto 34, Anne Lise Poulsen, 84 anos, tem pneumonia e possível septicemia.
- Está em cuidados paliativos. - Estamos a aliviar a dor dela.
No quarto 31, Maggi Margrethe Rasmussen. Ela caiu em casa e deu entrada esta manhã.
Está algo confusa, mas o companheiro diz ser normal.
Entendido.
O médico internou-a para monitorizar hemorragias cerebrais, mas está estável.
- Perfeito, obrigada. Adeus. - Adeus.
Muito bem. Pernille, tens o grupo de alto risco.
- Pernille? - Sim?
Temos o Henrik no quarto 38. Ele tem epilepsia.
Em casa, por engano, tomou o medicamento errado.
E temos o Viggo Holm Petersen no quarto 35.
Tem 66 anos e é doente oncológico. Os sinais vitais dele estão muito maus.
Em caso de paragem cardíaca, não o reanimem.
- Entendido. - Ótimo. Bom turno.
Obrigada.
Vamos.
Olá.
Olá. Sou a enfermeira Pernille.
Estou no turno da noite.
O Viggo tem cancro da bexiga há uns anos e o sistema imunitário dele não está bom.
Não, mas demos-lhe antibióticos e achamos que a febre vai baixar.
Sim.
- Sente-se melhor, Viggo? - Sim.
Sim. Parece estar melhor.
Não se vão livrar de mim tão cedo.
Acha que... podemos ir para casa?
Sim, podem. Digam-lhe boa noite.
- Obrigada pela sua ajuda. - Não têm de quê.
- Boa noite, querido. - Boa noite.
Boa noite.
Pode ser, mas nunca percebi.
É a série de televisão de que a Trine mais gosta.
Sim, mas a Trine tem gostos estranhos.
Em séries de televisão e em homens.
- Viste até ao fim? - Sim. Mas nunca soubemos porque o fez.
Não, mas devia ter sido outra pessoa.
Continuo a preferir "Midsomer Murders".
Então? O que se passa?
- Ela olha-me de uma forma estranha. - A sério?
Não consigo perceber se ela sabe que estou atenta.
Não deve saber.
Não. Claro que não.
Pernille, se não te sentes confiante, não o fazemos.
- Fica para outra altura. - Não. Vamos fazê-lo agora.
- Tens a certeza? - Tenho. Eu consigo fazer isto.
Está bem.
Não, Marlene. A sério?
Sim. E gosto que cada episódio seja uma história completa.
Certo.
E há tantos episódios. Nunca paras de ver.
Gosto muito disso.
Concordo que é bom a história acabar em cada episódio.
- Precisamente. - Sim.
Também há aquela outra série. A das drogas.
O que se passa?
Eu venho já.
Acho que a Anne Lise, no quarto 34, se está a sentir pior.
O quê?
- Já estiveste lá? - Não. Vou lá com a Marlene.
Mantenho-te informada.
Acho que a Christina deu diazepam a um doente.
- A quem? - Ao Viggo Holm Petersen.
Entrou em paragem cardíaca?
Não, mas o ritmo cardíaco está instável, a saturação de oxigénio está a descer...
Ele está a respirar mal...
- Havia líquido branco no tubo do soro. - Isso é importante.
- Tirei o tubo e escondi-o. - Viste-a a fazê-lo?
- Não. - Viste-a a sair do quarto?
- Não. - Está bem.
Está bem o quê? O que estás a dizer?
Teres o tubo é bom, mas tens de ter provas de que foi ela quem o fez.
Caso contrário, não podemos ir à Polícia.
Pernille? Estás aí?
- Estou. Mas tenho de voltar para o Viggo. - Está bem.
Temos uma morte.
Vou chamar a Marina.
O doente faleceu às 20h30.
Podes tratar de tudo?
Marina, vens ao quarto 34 para veres a Anne Lise?
Sim, vou.
- O que se passa com ela? - A respiração dela está irregular.
Tens de ter provas de que foi ela quem o fez.
A doente faleceu às 20h37.
Tivemos duas mortes. O Viggo e a Anne Lise Poulsen morreram.
Certo.
Não entendo o que ela fez.
Ela fá-los-ia entrar em paragem cardíaca para os salvar.
Para chamar a atenção. Como falámos. Faria sentido. É psicopata.
Não se podia reanimar estes dois. Ela simplesmente matou-os.
Ela está completamente descontrolada. Parece que radicalizou as ações.
Ele não está a respirar bem. Pode examiná-lo imediatamente?
- Marlene, precisas de ajuda? - Eu estou a ir.
Olá. Como se chama?
- Svend Aage. - Svend Aage. Vamos já ter consigo.
- Ali dentro. - Obrigado.
Está aqui alguém?
- Olá, Maggi. - Olá.
O que está aqui a fazer?
O meu namorado, o Erik, trouxe o meu iPad para eu poder jogar paciência. Adoro.
Mas não o encontro.
Certo. Vamos para o seu quarto. Vamos ver se o encontramos.
- Está ali. - Sou tão tola.
- Lamento muito. - Não faz mal.
Tu és muito querida.
Maggi, para a próxima...
- É só puxar este fio. Nós vimos logo. - Certo.
Está bem?
Também tens namorado?
Sim, mais ou menos.
Gosto muito do meu.
Ele ainda pode conduzir.
Aqui tem.
Kit de emergência para o Svend.
E traz o desfibrilhador.
Vamos, vamos. Prepara a adrenalina.
28, 29, 30.
- Sou maqueiro. Eu faço isso. - Certo.
Sem ritmo desfibrilhável. Continuar RCP.
- Então? - Svend Aage Petersen, doente DPOC.
Internado há 15 minutos com dificuldades respiratórias.
Mais alguma coisa?
Chegou em estado crítico. Teve taquicárdias e fibrilhação atrial.
Está em fibrilhação ventricular e sem pulsação.
Verificação de ritmo.
Parar massagem cardíaca. A carregar.
Afastem-se todos. Retirar máscara.
Desfibrilhação.
Continuar RCP.
Temos um miligrama de adrenalina pronto?
Adrenalina.
Então? Adrenalina.
Adrenalina.
- Pronto para intubar. - Um miligrama de adrenalina.
A adrenalina foi injetada.
A carregar.
Afastem-se. Retirar máscara. Desfribilhação.
Continuar RCP.
Ritmo desfibrilhável?
A carregar.
Afastem-se. Retirar oxigénio. Desfribilhação.
- Está em paragem cardíaca há muito tempo? - Dez minutos.
- Há pulsação? - Sem pulsação.
Todos concordamos em parar?
- Sim. Paramos. - Parar reanimação.
O doente faleceu às 23h30.
Foda-se, que turno de loucos. É a terceira morte.
Sim, coitada. Mas sabes que mais?
Alguns turnos são horríveis.
Ficamos a pensar se poderíamos ter feito algo.
Não podias fazer nada. Foste incrível.
Houve uma terceira morte.
Raios partam.
Procurei seringas, mas não encontrei nenhuma.
Está bem.
Preocupa-me que ela saiba o que eu ando a fazer.
Certo.
- Não consigo continuar. Ela vai perceber. - Sim.
Olá, Pernille.
Olá, Pia.
A Marlene já se foi embora. Tinha pressa para ir para casa.
- Ela disse que tiveram um turno louco. - Sim, bem o podes dizer.
Merda.
Olá.
Olá.
A família do Svend Aage vem a caminho.
Ajudas-me a prepará-lo?
Sim, claro.
Sim.
Noite agitada para a Equipa de Sonho.
Estás bem?
Há algum problema?
Não. Não sei o que me aconteceu.
Pode acontecer a todos.
Já fiz mais de 200 alarmes e continuo a sentir-me arrasada.
Ninguém diria.
Certo.
Eu consigo disfarçar bem.
Tenho sempre medo de cometer erros.
Temos um trabalho ingrato, não?
Um erro pode deitar tudo a perder.
Um erro e alguém morre.
Bem... Vou procurar um quarto para dormir uma sesta.
A doente tem fortes dores abdominais e tomou paracetamol há uma hora.
- Mandaram-nos para o quarto 36. - Sim. Tragam-na.
Vamos dar-lhe sedativos, está bem?
Vão já fazer efeito.
Karina, tente descansar.
Acabou de chegar uma nova doente.
Uma jovem.
- Mas eu vou vigiá-la. - Ótimo.
Não a posso deixar matar mais pessoas.
- Olá, Maggi. - Olá.
- Posso arrumar isso? - Sim.
- Ótimo. Durma bem. - Obrigada.
Acorda. A Maggi piorou.
- Maggi, como está? - Sinto-me tonta.
Ritmo cardíaco irregular. Venham tirar sangue.
Sim, sou eu outra vez. Dores no peito e coração acelerado. Têm de vir aqui.
Não, agora! É urgente!
Sim, obrigada.
Está com dores?
Não. Só me sinto muito tonta.
Aquela Marina é tão incompetente. Já lhe liguei mil vezes. É inacreditável.
Obrigada. Até que enfim.
Como estava ela esta noite?
Falei com ela há uma hora e meia e ela estava bem.
- O que tomou ela? - Um sedativo.
Ritmo cardíaco instável. Tem de ir para a Cardiologia.
Agora não podemos...
Organizem-se! Ela está muito mal.
Não? Temos de descobrir o que se passa.
- Acho que não é o coração. - Percebe-se bem que é!
Vou ver a ficha dela.
Já te disse o que diz a ficha dela! Oito vezes! Ao telefone!
Marina, isto é inacreditável.
... transfere-a para a Cardiologia.
Já se sente melhor?
- Sim. - Ótimo. Ainda bem.
- Onde está a Christina? - Ela saiu com a Marina.
Ainda devem estar a discutir. Ninguém sabe o que aconteceu à Maggi.
- Quem está agora com a Maggi? - Ninguém.
Parece que o alarme foi desligado.
ALARME DESLIGADO
Talvez a maquineta esteja avariada.
Precisas de ajuda?
Não. Não é preciso.
Vim só resolver uma coisa.
Certo.
Bem...
Está bem.
Estive agora no quarto 38, não é preciso ir lá.
- O que se passa? - Traz o desfibrilhador e o saco.
Traz o saco!
Maggi Rasmussen. Está aqui para observação de possível coágulo.
Certo.
Fibrilhação auricular passou a arritmia.
Saturação a 60 e TA a 10/6. Agora está em paragem respiratória.
Ótimo. Obrigado.
Vamos!
Verificação de ritmo. Afastem-se.
O coração está a bater.
O alarme foi ativado porquê?
Ela não está em paragem cardíaca.
Temos a ficha dela?
Tenho aqui a ficha dela.
Vejam as imagens.
Sim. Afsane. Vês esta sombra?
Sim.
Parece que teve uma hemorragia cerebral que causou a morte cerebral.
- Morte cerebral? - Precisamente.
- Nesse caso, não há nada... - Não há nada que possamos fazer.
Vamos pô-la em cuidados paliativos e informar a família da morte cerebral.
- Podemos ir. - Eu levo o desfibrilhador.
Obrigado.
Posso voltar a ver as imagens?
FLUMAZENIL HAMELN 0,1 MG/ML
Concordamos que o antídoto para o diazepam é o flumazenil?
Sim.
- Está bem. - Porquê?
- Eu vi-a a fazê-lo. - Como assim?
- Vi a Christina a injetar a Maggi. - O quê?
Ela entrou em pânico quando entrei e ativou o alarme antes do tempo.
Certo.
Dizem que está em morte cerebral, mas não faz sentido.
Ela podia ter ficado assim se tivesse tomado diazepam?
O que te leva a dizer isso?
Não está na ficha dela.
- Ela tomou diazepam? - Eu não lho dei.
- O que procuras? - Estou a ver umas tomografias antigas.
Ela teve um coágulo sanguíneo há uns meses e fizeram uma TAC.
Estou a compará-las para ter a certeza de que tudo está bem.
Não pode ser.
É a mesma sombra.
Já a tinha naquela altura. É uma lesão antiga.
Dá-lhe oxigénio.
- Liga todas as máquinas. - Sim.
Quero antídoto para o diazepam. Traz flumazenil.
É para já.
- Uso a máscara? - Sim, por favor.
- O flumazenil está pronto? - Sim.
- Ótimo. - Ela respira. Reforço o oxigénio.
- Obrigado. - Toma.
Afsane, administra a injeção.
Mas deram-lhe diazepam?
Faz isso.
Estou com muita sede.
Posso beber alguma coisa?
Sim, claro que pode.
- Maggi? - Sim.
- Sabes onde está? - Sei. Estou no hospital.
Sim, está. Consegue respirar fundo?
Ótimo. Parece estar tudo bem.
Consegue empurrar as minhas mãos?
Muito bem.
A doente está estável.
Bom trabalho.
Obrigada.
Salvaste-a.
Impressionante.
Que turno, não?
Um turno destes não se esquece.
Bem...
Vou ao sarau de ginástica da Nanna.
Os meus pais também vêm ver.
Mal posso esperar.
Muito bem...
Adeus.
Sei que tiveram uma noite de loucos.
Eu tinha razão.
- O quê? - Eu tinha razão.
Eu vi-a a fazê-lo.
Olá.
Está bem.
SØREN RAVN-NIELSEN A LIGAR
Polícia de Vordingborg, fala Søren Ravn.
Olá. Chamo-me Pernille. Sou enfermeira no Hospital Nykøbing Falster.
Em que a posso ajudar?
Penso que a minha colega matou três doentes esta noite.
POLÍCIA
... estava terminal. Estava em cuidados paliativos...
Também guardei um saco que encontrei...
Christina Aistrup Hansen?
Sim?
São 15h34. A senhora está detida.
Desculpe?
É acusada das mortes de Viggo Holm Petersen,
Svend Aage Petersen e Anne Lise Poulsen.
E tentativa de homicídio de Maggi Margrethe Rasmussen.
Não precisa de falar. É interrogada depois.
Isto deve ser um engano.
Pode ter um advogado consigo no interrogatório.
Não sei a que se refere.
Eu não fiz nada.
Acompanhe o meu colega.
A população de Nykøbing Falster está em choque com uma alegada enfermeira...
Há mortes duvidosas no hospital Nykøbing Falster.
É um caso brutal e sensacionalista.
De acordo com a Polícia, uma enfermeira de 30 anos matou...
A denúncia foi feita por uma colega após o turno da noite...
O caso já causou preocupação...
Na cidade, só se fala da enfermeira...
Após um dia dramático...
A testemunha-chave é outra enfermeira...
E é uma acusação extremamente grave...
O caso chocou o pessoal e a direção do hospital.
O maior crime na história recente da saúde dinamarquesa.
... A Enfermeira da Morte de Nykøbing Falster.
Tira um dia de folga.
O julgamento começa. Falster estará na boca do mundo.
A preocupação fica-te bem.
- Ninguém espera que vás... - Eu estou bem.
Sim, mas...
Se alguém não gostar que eu ainda esteja no departamento,
se não quiserem fazer turnos comigo ou falar comigo, problema deles.
Só quero fazer o meu trabalho.
Conheço mulas menos teimosas do que tu.
Encontrei. Caiu para debaixo da cama.
- Caiu? - Claro.
Mão para dentro. Isso.
- Foi de loucos. - Ele era uma brasa.
Olá.
ENFERMEIRA - URGÊNCIA 3 PERNILLE KURZMANN
- Olá, Pernille. - Olá.
Recolhes uma amostra de sangue do senhor que entrou?
- Claro. - Está no quarto 38.
Ótimo.
Olá.
Isso é ótimo. Vai fazer o nono ano lá?
- Vai para o décimo. - Tão inteligente.
Metem isto aqui porquê?
Certo.
Olá.
Vim tirar uma amostra de sangue.
- Vai sentir uma pequena picada. - Vou sobreviver, não?
Já está.
Chama-se Pernille?
Sim.
Gostaria de lhe agradecer.
Não tem de quê.
BASEADA NO TESTEMUNHO DE PERNILLE, CHRISTINA AISTRUP HANSEN FOI CONDENADA
A PRISÃO PERPÉTUA PELOS HOMICÍDIOS DE VIGGO HOLM PETERSEN,
ANA LISE POULSEN E ARNE HERSKOV.
E PELA TENTATIVA DE HOMICÍDIO DE MAGGI MARGRETHE RASMUSSEN.
NÃO SE DESCARTOU QUE AS VÍTIMAS TIVESSEM MORRIDO DE OUTRAS CAUSAS.
A SENTENÇA FOI REDUZIDA A QUATRO TENTATIVAS DE HOMICÍDIO.
O SENTENÇA FINAL FOI 12 ANOS DE PRISÃO.
MAGGI MARGRETHE RASMUSSEN CONTINUA BEM.
TAL COMO O IRMÃO DE ARNE, KENNY HERSKOV.
TODOS OS ENFERMEIROS DO SU NA ALTURA MUDARAM DE EMPREGO.
EXCETO UMA.
PERNILLE KURZMANN AINDA É ENFERMEIRA NO HOSPITAL NYKØBING FALSTER.
ATUALMENTE CHAMA-SE PERNILLE KURZMANN LUNDÉN.
Legendas: Rita Menezes
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