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Com um pesco�o suave como um cordeiro,
Ainda seco como um galho n�o partido,
Ele joga sua cabe�a para tr�s E n�o canta algo triste.
Voc� a tem o tempo todo na sua cabe�a.
E espera que quando escreva
talvez n�o ter� que suportar
ou que n�o te doer� tanto,
mas d�i.
E n�o sei o que te leva a fazer.
Eu j� aprendi, com a idade,
que n�o posso deixar
de fazer m�sica.
� como quando decide parar
porque odeia a vida e e todos com quem voc� trabalha,
e odeia a si mesmo,
e n�o consegue parar,
porque isso tampouco funciona.
Eu acho que � pouco sensato falar sobre
o que � ou o que significa uma can��o.
Como as pessoas gostam de fazer,
at� querem saber se te mataram no ato.
N�o importa o que significava quando escreveu
ou o que representa para voc� ou para eles.
� diferente para cada pessoa uma vez.
Poderia fazer uma sobre estar no pa�s dos mil �culos
e ainda assim ter o par asqueroso de �culos que odeia,
que n�o vai quebrar, porque � isso o que voc� merece.
N�o pode comprar um dos bonitos,
porque se quebrariam.
Os �culos de sol que voc� gosta, se quebram.
Se voc� gosta, se quebram.
Se eu tivesse um par como os do John Cale
e o odiasse, nunca se quebrariam.
Veja.
Viu? Est�o inteiros.
Vivo em Cabbagetown.
Lar dos karts e das crian�as que v�o pra pris�o muito cedo,
Cujos pais tomam Dilaudid e drogas inalantes.
Fazem os karts na minha casa
para que as crian�as aterrorizem a vizinhan�a.
Ent�o se voc� ouvir o ru�do dos motores
vou te dizer o que �
para que n�o pense que eu soltei um peido.
Cabbagetown era uma comunidade de Atlanta,
um bairro de trabalhadores, um povoado industrial.
Eram pobres e a f�brica e foi,
mas sempre foram muito independentes
do resto da cidade.
Eram muito pobres e isso deu lugar as drogas e a prostitui��o,
e as coisas maravilhosas que gostamos,
as coisas boas da vida,
a endogamia e cheirar cola em sacolas de p�o.
Se queria prostitutos baratos,
deveria vir aqui, se tivesse carro.
Mas eu n�o tinha carro e nunca tinha vindo.
Logo comecei a vir e a tocar com a Opal Foxx Quartet.
Tudo nasceu em Wylie Street, logo depois de sair do t�nel Krog.
E o t�nel Krog sempre havia sido minha rua favorita.
Eu adoro o som: �Krog�.
�s vezes algu�m ia e quebrava todas as luzes.
N�o sei exatamente o motivo.
� um restaurante de comida afro-caribenha fant�stico.
Em 711 de Wylie St., hist�rico.
ali come�ou o Opal Foxx Quartet,
Rock-a-teens, Dirt, Seersucker.
Esse parque
se chama como uma mulher que nunca me lembro.
Parque Esther Peachy LeFevre.
Na outra noite uma crian�a se matou aqui.
Um m�s depois que ele furou as rodas de toda a vizinhan�a.
A� em frente temos a f�brica e as chamin�s.
Aqui � Gaskill Street e esta pequena se��o
� o que Robert Hayes sempre chamava de �a merda�.
Todos est�vamos em Cabbagetown,
mas aqui essa parte � �a merda�.
Eu adoro que a pol�cia v� aos shows.
Na minha primeira atua��o de todas,
musicalmente falando,
veio a pol�cia,
e foi absolutamente genial.
Era um show do Easturn Stars no 688
e foi por uma errada no Creativ Loafing,
essa foi a �nica raz�o pela qual tocamos.
E quando �amos l� pela sexta m�sica,
todos j� estavam muito irritados.
Nos tiraram o som e decidimos seguir sem som.
Est�vamos eu e quatro l�sbicas jovens e irritadas.
Veio a manager,
e pode que talvez estiv�ssemos destruindo o lugar um pouco.
Mas as 20 pessoas que estavam ali queriam nos ver.
E Sheila, a manager,
subiu
e tirou os instrumentos das nossas m�os.
"Voc�s tem que parar. Parem!"
E ent�o esse simp�tico...
policial afro-americano...
subiu e me pegou pelo cotovelo
e me tirou dali, n�o sei o motivo de terem me tirado.
Talvez porque eu era um homem.
Havia perdido um sapato e tinha posto um tutu,
havia tomado cinco Nembutal e tinha mais cinco, um monte.
O Nembutal � como o Seconal.
Estava procurando no bolso, n�o queria que encontrassem.
Ademais, queria tom�-los porque ia ir pra cadeia.
Eu s� pensava: merda, vou pra cadeia com s� um sapato.
Todo mundo vai rir de mim.
Nem sequer pensava no tutu e tudo mais.
Tem uma foto em que eu estou com as m�os no bolso,
com um sapato posto e outro n�o.
Incr�vel.
Todos diziam: n�o pode fazer isso,
em Nova York fazem o tempo todo,
est� cometendo um erro".
Estavam gravando
e tirando fotos minhas com o policial.
Eu comecei a posar
e isso irritou o policial,
que at� ent�o havia sido legal, e disse:
�se tirar mais uma foto, eu quebro a c�mera�.
Foi lindo que o pessoal me apoiou
e que o policial fosse
na tua primeira atua��o em um clube
porque na vida real n�o vem tanto.
Smoke come�ou
na metade do reino da Opal Foxx Quartet.
Fizemos isso para poder escrever can��es originais.
Era muito dif�cil na Opa
escrever can��es originais
porque com 12 pessoas tentando tocar,
tentando fazer algo,
a verdade � que nunca sa�a nada bom.
Come�amos Todd Butler, Benjamin e eu
e um pouco depois entrou Bill.
Quando Todd saiu, decidi que precis�vamos de uma bateria
e colocamos Tim Campion, um dos melhores da cidade,
E Coleman,
eu o vi tocar guitarra
em uma festa, aos 14.
N�o se via como movia as cordas, era incr�vel.
E depois, uns cinco anos mais tarde,
se juntou ao grupo.
Levo mais da metade da minha vida tocando guitarra
e n�o consigo me imaginar sem tocar guitarra
porque nunca fui bom no col�gio.
Assim que provavelmente estaria em alguma institui��o ou seita,
provavelmente em uma seita,
com minhas camisetas novas da Nike
e esperando OVNIS.
A maconha salvou a minha vida.
N�o a considero uma droga,
mas sim algo que te injetam al�m do oxig�nio que salva sua vida.
E o tabaco.
A anfetamina e os barbit�ricos
s�o o �nico que eu gosto.
Nunca pensei no motivo.
Entendo o motivo das pessoas n�o gostarem.
Porque se sup�e que deva dormir todos os dias e ser normal.
E em muitos lhes provoca
danos permanentes e irrevers�veis
e deixam de poder caminhar ou falar bem.
Muitas vezes n�o posso sair de casa porque estou euf�rico
Sempre tenho sido uma esp�cie de doente confinado em casa.
Quando tempo faz que aprendeu a andar bem?
N�o sei, agora tenho dez anos.
Provavelmente desde os seis.
J� andava de bicicleta aos seis?
Caralho, melhor que eu.
Sinto te fazer isso,
mas estou farto e cansado de estar tenso.
N�o h� que mostrar
qualquer nudez, ainda que seja feia.
Mas n�o me importa, eu acho que
um homem tem que fazer o que tem que fazer.
E h� muito que eu tenho e ainda n�o coloquei.
"Acha que o azul safira � a tua cor, mas n�o �".
Sim �.
Me vestia de drag queen e ia na Waffle House dan�ar.
A VVaffle House da avenida 41.
Cantava "Sweet Hitchhiker
de Creedence Clearwater Revival.
E dan��vamos no restaurante.
Drag queens de nove anos
com toalhas na cabe�a a l� Whoopi Goldberg.
Uma vez que voltava da Waffle House
meus av�s me viram
e tiveram que chamar minha m�e e contar a ela, foi engra�ado.
Em outra vez estava no quarto com a camisola da minha m�e.
N�o estava cantando nem dan�ando, s� estava ali de p�,
provavelmente admirando o qu�o lindo estava.
Ela saiu do seu quarto,
eu a vi e me meti debaixo dos len��is.
Ela entrou e disse: o que est� vestindo? E eu assim.
JESUS CRISTO TE SALVAR� TAMB�M A TI.
N�o declaro publicamente que sou soropositivo,
porque h� tantos preconceitos,
tanto medo e ignor�ncia,
que eu conto a cada pessoa individualmente,
se falo disso.
Sempre pensei que quando achasse que era soropositivo
pregaria isso aos quatro ventos.
Sempre falei sobre as coisas que incomodam as pessoas.
Acho que s�o importantes.
Mas n�o fiz.
E agora me dou conta
de que decepcionei a mim mesmo
estando t�o calado e sem sair do arm�rio a respeito disso.
J� que n�o me calo com o fato de ser gay,
� uma merda fazer quando se trata de HIV.
N�o se pode fazer isso.
Acho que em algum momento a coisa vai ficar bem feia
e eu n�o quero ser refer�ncia pol�tica,
nem influenciar ningu�m.
O cantor gay com AIDS, j� sabem.
N�o quero ser a voz das pessoas com AIDS.
� como a morte, todos pensamos que levamos bem
mas cada vez que acontece � diferente.
Totalmente diferente,
se acha que se leva bem, mas na verdade n�o.
Outra vezes n�o leva nada bem e logo sim.
Sempre me assombrou.
Mas sempre pensei
que luto mais do faria com outra coisa porque � HIV.
Devo mostrar a todos
que n�o � uma senten�a de morte.
Conhe�o uma porrada de gente que viveu muito tempo.
Muita gente ainda est� viva.
Eu.
Sim, � bonito e dif�cil.
N�o sei qual � a parte bonita
ou onde termina o bonito e come�a o dif�cil.
Agora que penso,
acho que � diferente com cada pessoa.
O que � bonito e dif�cil para mim,
para o p�blico,
ou o resto do grupo.
Mas, o que acontece quando faz m�sica que te coloca l� em cima,
como as drogas, o sexo ou algo que se sup�e que te excite?
Ou como Deus? Porque isso � o que acontece.
Acho que essa � a parte bonita para mim.
Ainda que �s vezes me ponha a mil na frente de todo mundo.
N�o fico de pau duro e todo o resto,
mas � muito divertido.
Porque � t�o f�cil para cinco caras
que n�o andam muito juntos
se unirem e fazer algo bonito,
algo que d� tanto prazer fazer?
Muitas vezes pode parecer que eu enfrento o p�blico,
falando pras pessoas,
fazendo com que se sintam inc�modos.
Mas na verdade
eu olho sem ver, me excito com eles.
Essa � a diferen�a, sim, totalmente.
E � muito dif�cil explicar para que entenda.
Me diga:
Porque � t�o bom ter um orgasmo?
Como �?
� como uma galinha com carne de fais�o.
Temos um dos melhores grupos da hist�ria,
e uma das maiores lendas,
a parte de Elvis.
Eu o vi numa loja quando ia comprar caramelos.
Eu j� passei bem, passem bem voc�s tamb�m.
E deem gorjeta pras camareiras, os barmans e as bailarinas.
Passem bem e se beber, n�o dirijam.
Me chamo Blondie e aqui est� Smoke.
Obrigado pelos caramelos, Blondie.
Somos um grupo. E entre todos escrevemos tudo.
Nunca estive em um grupo onde todos contribuissem assim.
Algu�m come�a a tocar algo e os outros seguem.
�s vezes simplesmente nos deixamos levar.
Bill era o que dizia: "Isso soa estupendo!"
� ele que faz que sempre esteja tudo vivo e animado.
Escrevemos cinco can��es em duas horas e meia.
� espont�neo. Ele tem letras escritas,
mas nunca diz:
"Quero uma m�sica alegre nesse tom".
Sua forma de se comunicar �...
que precisa de um livro de senhas pra descifrar.
Ele escreve suas letras
e quando escuta suas letras
e capta o sentido do que est� tentando falar
coloca essa sentimento na m�sica.
A AIDS � um nojo.
mas fez eu me aproximar de minha m�e.
� �timo poder ver as pequenas coisas positivas com a AIDS.
Por exemplo, h� anos que ela vem tr�s meses para a Fl�rida.
E nunca havia sentido sua falta.
Mas dessa vez,
acostumado a t�-la por perto, sim.
Ela acredita de verdade em mim.
N�o pensa que eu devo ser um drogadinho,
ou um selvagem,
que n�o me importo com nada, n�o me banho e bla, bla, bla.
Mas
sabe que eu sou assim.
Certeza que
como todas as m�es de gays,
j� se culpou.
Passam mal.
"Mam�e, acho que sou gay,
por isso � que n�o nos damos bem".
"Pois se vier pra casa, vai ter que agir como um homem".
"Passei quatro anos aprendendo
a agir como uma garota".
Antes do Opal Foxx Quartet estava em um grupo de punk rock
dos poucos j� tiveram nessa cidade, Freedom Puff.
Esses s�o Debbie e Benjam�n tratando de parecer s�brios.
Baita esfor�o est� fazendo!
Na casa da minha av� no natal.
Me lembro at� desse su�ter, cara.
Fingia ser Claudine Longet
e ter matado meu noivo, instrutor de esqui.
E meu esposo Andy Williams dizia:
"Mais de 1 km".
Pedi uns d�lares pra algu�m
para poder fazermos essa foto.
Este estilo de vida do mundo de showbiz, rock n' roll,
ou como queira cham�-lo
pois nunca entrou nos meus planos
formar parte dele.
Eu nunca cantei numa missa como Aretha.
N�o escutava m�sica, nunca escutava r�dio.
Nos mudamos pra uma granja
sem eletricidade nem g�s em Waco, Georgia.
Casualmente escutei "Horses".
N�o conhecia a ningu�m mais que escutasse Patti Smith.
Ent�o soube
que a m�sica podia ser diferente.
Nunca antes havia sentido isso. Nunca.
Sempre gostei de mim mesmo, exceto durante um ano e meio.
Me surpreendem as pessoas que n�o gostam de si mesmas.
Um amigo preferia ser h�tero porque a vida seria mais f�cil.
Me destro�ava ouvi-lo dizer isso
Porque seria uma carga
ir pela vida desejando ser outra coisa porque resultaria mais f�cil.
Imagine agora em todos pessoas que fariam isso.
As mulheres, os negros.
Deus, espero que n�o.
N�o vejo o que h� de bom na vida real.
J� vi a vida real umas mil vezes.
E 999 dessas mil vezes s�o uma merda.
Parece que ser propenso
a tomar drogas
e �lcool
� normal pra mim.
Parece que n�o ser normal � algo de outro mundo.
Mas tamb�m � muito pouco normal
viver na realidade desse mundo real.
20 d�lares por dia pra varrer
enormes quantidade de vidros quebrados.
Em 1978 os vidros quebrados eram algo totalmente diferente.
Amy Ray canta sobre os vidros quebrados
mas ela n�o tem nem ideia.
Vidros quebrados s�o o CBGB (Clube de Punk Rock) em 1978.
Caralho, havia milhares de peda�os de vidro,
era incr�vel.
Para limp�-los com uma vassoura grande
os varria at� o banheiro
e ent�o pegava com um esfreg�o
um esfreg�o super sujo...
Era o lugar mais asqueroso que vi na minha vida.
Tinha 18 anos, era 1978.
Deixei o cara
com quem vivia na Ge�rgia.
Me havia dito que quando era jovem e vinha pra Nova York
todas as pessoas o seguiam pela rua para foder com ele.
Mas n�o estavam ali quando fui.
Por sorte nunca atravessei...
Como se diz quando voc� transa um monte?
N�o sabem.
Uma etapa prom�scua.
Voltei pra Atlanta
e fui drag queen por dois anos.
A verdade � que sempre fui uma drag queen
mas me montaram
para que pudesse ser diante de todos
porque fazia parecer melhores as outras drag queens.
Como se diz quando esquece o que est� fazendo
ou onde est�?
Ilus�o? N�o.
Dem�ncia.
Dem�ncia, sim.
Prazer te conhecer.
Prazer te conhecer.
Come�o a permitir me ver desde outra perspectiva.
Est� bem, mas s� fiz uma vez.
Tenho o mal costume
de me castigar se as coisas v�o mal
porque acho que n�o v�o suficientemente mal.
N�o digo que seja bom
nem ruim, simplesmente �.
Provavelmente
uma grande parte da m�sica
surgiu assim.
Tive que fazer
muitos show, tipo performances
que as pessoas odiavam
antes de chegar algo que os outros gostassem,
exceto talvez dois ou tr�s.
N�o tentava chegar a nenhum lugar onde gostava do que fazia.
Me pergunto que aconteceria se eu mudasse.
Se n�o fizesse que as pessoas me gostassem.
Conseguiria mais desse jeito
ou as pessoas obteriam menos?
N�o sei.
Na realidade n�o sei como funciona
Ainda n�o sei o que querem dizer com "acorde" ou "nota"
ou por que motivo todos do grupo
tocam no mesmo tom.
Se todos tivessem o mesmo tom, seriam da mesma cor
e sabemos que n�o � assim.
Ent�o ficam fora de tom.
Se n�o encontramos o tom, desentonaremos.
Eu assumirei a culpa, direi a todos que fui eu.
Ok, muito obrigado. Dirija com cuidado.
Se n�o tiverem cuidado, sair�o nas not�cias.
Smoke teve que parar por um tempo, e isso me fodeu.
Foi pela minha sa�de,
os garotos n�o suportavam me ver morrer.
E eu odiava
que tivessem que me ver assim.
E agora acho que todos vemos que h� algo mais.
Fomos a banda de abertura da Patti Smith h� uns meses.
Ouviu o que o Brian disse?
N�o acreditava que viveria o suficiente para voltar a ir
a um show t�o bom, t�o divertido.
Por algum motivo sempre soube
que Patti acabaria vendo Smoke.
Simplesmente sabia.
E umas semanas depois
chamou a Ge�rgia e disse:
"Escutamos seus CD'S".
E citou tr�s can��es.
Era do caralho:
Patti Smith escutava meu CD em casa.
Ningu�m pode se comparar a ela
com esse grau de respeito e hero�smo.
E me afetou,
me afetou muit�ssimo.
Eu disse:
"A verdade � que voc� me influenciou tamb�m".
"Escrevi essa can��o depois de ter ver,
fiz toda a m�sica".
� a primeira m�sica que escrevi inteira.
A bateria, o baixo...
Havia escrito toda a m�sica
e disse que nunca havia feito isso antes.
O que eu podia dizer? O que eu podia pensar?
Que estava fazendo algo muito bom
pra que me acontecesse isso.
Ainda que nunca escute a can��o,
ainda que tudo fosse um sonho.
Foi um sonho incr�vel.
Prepararam o ocidente para para as filosofias orientais.
Gracas a subcultura e a os hippies dos �ltimos 25 anos
este pa�s est� preparado para os verdadeiros ensinamentos.
Em vez de te vaiarem ou que te tirem do palco,
o p�blico pode
lhe disparar, lhe apedrejar...
N�o � uma reminisc�ncia do Imp�rio Romano?
N�o � uma reminisc�ncia de soltar os tigres no Coliseu?
Meu teve que comer suas botas para sobreviver.
Teve que com�-las para se salvar na primeira Guerra Mundial.
Haver�o problemas com as seitas de OVNIS e o suicido massivo.
Poderia ir de um extremo da Am�rica ao outro, na �ndia � igual.
Na �ndia h� extremismos do budismo t�o radicais
que para chamar a aten��o do professor
se colocam na frente do tempo e cortam o bra�o.
Voc� fumas sete G por dia e bebe um bule de caf� a cada tr�s.
Lamento, sou cr�nico, nunca neguei.
N�o creio que deva entrar nisso,
n�o � meu forte.
Sabia que tem um filho da puta pirado por causa do Vietn�
perto de voc� e se atira outra garrafa ele vai te arrancar as extremidades?
Perguntando por Cabbagetown?
Sim, havia que sair dali.
Logo at� teremos um shopping ou algo assim.
N�o queria viver ali
porque eu tava de saco cheio, ponto.
N�o tenho carro. Estava desesperado e preso.
Para poder ser livre queria me livrar da cidade.
E minha m�e queria que vivesse
em condi��es higi�nicas.
Sabia que esse edif�cio era de prote��o oficial,
mais barato.
Sempre quis viver aqui,
porque a parte de cima parece uma torta de anivers�rio.
Por causa da decora��o,
isso � o que h� na parte de cima.
Em algumas colocam: "Tomar tr�s, tr�s vezes por dia",
ou "Tomar uma, duas vezes por dia".
Quer dizer, n�o pode tomar duas
e que seja uma, duas vezes por dia.
E n�o pode tomar nove
em vez de tr�s, tr�s vezes por dia.
Isso � um caralho,
por isso tive que deixar de sair tanto.
QUANDO ERA PEQUENO E ESTAVA POR PERTO
LHE COBRIA COM MANTAS PARA PROTEG�-LO DO FRIO,
AGORA QUE � GRANDE,
JUNTO AS M�OS E LHE CUBRO COM MINHAS ORA��ES. MAM�E.
O mais surpreendente
foi a mudan�a que tive que dar.
A escolha que tive que fazer.
Ou seja, frear meu estilo de vida para poder ficar bem.
N�o tenho medo da morte, mas n�o estou preparado.
E sobretudo, n�o estou preparado pra me levantar doente todo dia.
Ou 28 ou 29 dias por m�s.
Decidi deixar de sair tanto
para tomar os rem�dios e viver
foi uma grande decis�o para mim.
Muitos acreditam que seu v�cio em drogas
freia seus avan�os,
mas eu nunca pensei assim.
Agora s� preciso
administrar meu dinheiro
para comprar sexo a cada 3 meses,
e sair de casa,
na qual estou me prendendo um pouco.
Fazer um plano, sair de casa e ent�o levar o plano a cabo.
� importante ser capaz de sair dessa casa.
Vai ser bom, n�o estou totalmente cego.
S� um pouco.
ROBERT DICKERSON "BENJAMIN"
MORREU EM CASA, ENQUANTO DORMIA (28/1/1960 - 29/1/1999)
Na luz cor de palha Na luz que se altera rapidamente
em uma vida rapidamente enfraquecendo.
Voc� viu a morte cantando? Voc� viu a morte cantando?
Com um pesco�o suave como um cordeiro
Ainda seco como um galho n�o partido,
Ele joga sua cabe�a para tr�s e ele n�o canta algo triste
Voc� viu a morte cantando? Voc� viu a morte cantando?
Voc� viu a morte cantando? Na luz cor de palha?
Ele canta um abra�o negro E opalas brancos nadam
Em uma bolsa de couro infantil Voc� viu a morte nadando?
Voc� viu a morte nadando?
Com a garganta suave como um cordeiro
Ainda seco como um galho n�o partido
Ele joga sua cabe�a para tr�s E n�o canta algo triste.
Voc� viu a morte cantando? Voc� viu a morte cantando?
Voc� viu a morte cantando? Na luz cor de palha
Ele canta sobre a juventude furiosa e o inc�ndio de Atlanta
e esses tempos virais com essas fitas coloridas ondulantes
e os cachos cor de palha d�o voltas.
O v�o prazer uma m�e.
Ai do sol, ai do amanhecer,
ai da juventude, outro carro f�nebre se aproxima.
Voc� viu a morte cantando? Voc� viu a morte cantando?
Voc� viu a morte cantando? Na luz cor de palha?
Nunca havia ouvido a m�sica do Smoke.
N�o saio muito,
estava cansada.
Fomos a um pequeno local chamado The Cooler.
E v�-los no palco,
ver o Benjam�n sob a luz dourada,
com a sua gabardina, encurvado, com um cigarro.
Com seu pequeno grupo e uma m�sica t�o valente
e essa paciente e compulsiva energia distensionada
e contra�da que colocava nas m�sicas
Pensei que meu cansa�o n�o era nada
comparado com o dele.
E ainda assim
apresentava seu trabalho
com uma dignidade
e com uma energia t�o divertida
e t�o profundamente triste
que eu fiquei entusiasmada.
Muito obrigado.
�LTIMO CONCERTO DE BENJAMIN. CLERMONT LOUNGE. ATLANTA.
ATLANTA. V�SPERA DO ANO DE 1998.
Tradu��o: Benjamin Sachs & Double Snow
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