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TUDO TEM QUE PASSAR
Alô? Residência dos Hanssen. Fale depois do bipe.
Oi, Tony, é a mamãe.
O tempo está ótimo em Melbourne. Estamos nos divertindo.
Ontem, fomos ao Parque Nacional,
e vimos dois cangurus e um coala...
Se você pular de um arranha-céu,
sua vida passará diante de você, como um filme.
Se eu pular de um arranha céu,
e assistir minha vida passar,
eu diria que é o filme errado.
Eu não me reconheceria.
Existem 3 milhões de coisas que podem ser definidas
por qualquer pessoa.
Por exemplo... Um rolinho primavera...
é massa frita recheada com broto de feijão e pedaços de frango.
Mas uma definição de mim mesmo? Nesse momento?
Um zumbi.
Não, muito autista.
Se você perguntar a um autista que horas são,
ele irá recitar todos os recordes
estabelecidos nos obstáculos de 1,10 m, à fração de segundo.
Fale depois do bipe.
Tony, é a mamãe de novo. Eu esqueci de...
Mas ele sabe que horas são?
Oi, Tony.
Eu era esse tipo de autista.
E um daqueles bem arrogantes.
Sr. Hanssen.
Tony.
Como estão seus pais?
Já voltaram das férias?
Não. Muito bom.
Vamos ver o que podemos fazer quanto a isso.
Vou começar com algo simples.
Como você cancela uma obrigação?
Como você cancela uma obrigação?
Você tem que entender, professor. Provavelmente são os nervos.
Devo ir buscá-lo?
Não se preocupe em voltar. Sua prova é ainda pior que o dele.
Feliz agora?
Por sua causa, nós dois estamos ferrados.
Você não precisa de mim para isso. Sua prova foi uma merda.
Como você sabe?
Eu leio.
Eu não queria te copiar, não sou tão estúpido.
O que vamos fazer agora?
Fazer? Eu tô saindo.
Ótimo. Pra onde? Que bar?
Você não entende, não é?
Pra mim chega. Olha pra gente.
Terno, pasta, mocassins de couro...
Já estamos nos acostumando. Mas eu não.
Eu, um da brigada de gravatas? Nunca!
Seu pai vai ficar feliz.
Bem, foda-se meu pai. Isso não é da conta dele.
Ele vai ter uma surpresa quando voltar. Mamãe também.
Não estarei lá para estender o tapete vermelho!
Não fique chateado. É só um exame...
Não é essa a questão. Não seja idiota.
Você pode achar essa pergunta absurda...
Do que você vai viver?
Isso não é um problema.
Sabe as três pinturas na sala de estar?
- Os Bervoets? - É.
São guaches.
Goulash, se você quer minha opinião.
Enfim, eu vendi uma.
Você fez o que?
Uma criança pode fazer isso.
Pegue o mais feio dos três, o que certamente vale mais.
Leve para o primeiro bandido que puder encontrar.
Negocie o preço.
Bingo! Uma porrada de dinheiro
em vez de algum objeto inútil.
- Quanto você conseguiu? - 150.000 Francos.
150.000? Um Bervoets vale 10 vezes mais do que isso!
Ah, é mesmo?
Deixa te dizer uma coisa. Nem sequer era autêntico.
Era uma cópia. Uma boa, mas uma cópia.
Esse é o papai. Falsificado da cabeça aos pés.
Mas você ainda tem 150.000 por isso.
O dinheiro deles será meu um dia. O que mais posso fazer?
Esperar ele morrer para então poder herdar?
Isso seria escandaloso e imoral também.
Não, não. Considere isso um empréstimo.
Melhor ainda... economizando.
Para eles. Eles se livram de mim.
Pra que você precisa de tanto dinheiro?
Uma oportunidade de ouro.
Um modelo 89.
Menos de 90.000 kms.
E é realmente uma oportunidade única.
Um rádio toca-fitas,
embutido no painel.
Com dois auto falantes.
E, ei,
isso é único também,
eles não são embutidos.
Do contrário, estragaria o estofamento
e distorceria o som.
Não se deixe ser enganado por amadores.
Nessa belezinha,
você estará sentado em uma discoteca.
Sei lá...
Está bastante enferrujado.
Se eu pisar nisso, meu pé pode ir direto no chão.
Essa é uma boa maneira de frear.
Sim, suponho que seja uma maneira de ver as coisas.
70.000, e esqueça o IPVA.
É pegar ou largar! O que você diz?
Dinheiro!
Bem, muito bem.
Porque é teu.
Para que você precisa de uma van velha?
Um homem deve ser quem ele é,
e eu finalmente vou ser o homem que deveria ser.
Um comerciante.
Um comerciante? Você?
Vai, ri.
Vou começar por baixo. De porta em porta.
Você tem que começar pequeno. Olha o Rockefeller.
Engraxe alguns sapatos, venda umas gravata. E bam!
Em dez anos, um milionário. Não vai demorar tanto.
Neste verão, já estarei enchendo os bolsos.
Se você pode ganhar tanto, porque não estamos todos fazendo isso?
Mas todo mundo está fazendo!
Nosso país depende dos comerciantes.
Mas os outros não têm um esquema. Você tem que saber o que vender.
O que você vai vender?
Sonhos! Castelos na Espanha!
As pessoas não compram o que precisam,
mas o que amam. O amor conquista tudo.
E produtos são como namoradas:
sempre parecem melhor nas fotos do que pessoalmente.
Exemplo: Estou vendendo uma geladeira. Acha que tenho um na minha van?
Não, eu tenho um mostruário.
Colorido, com belas fotos.
Eu mostro isso e exibo a qualidade das minhas geladeiras.
Não tenha medo de exagerar.
O que importa é como falar.
E quando eles mal podem esperar pra comprar,
eu puxo o contrato, eles assinam e bingo!
Eles têm uma geladeira e uma conta, e eu uma comissão.
Simples assim.
Tudo o que você precisa é de um monte de mostruários.
E um veículo para se locomover.
Esta van é perfeita. Até mesmo no nome!
Transito...
Você ainda não viu por dentro.
Eu tenho tudo.
Até mesmo segurança.
Minha Santíssima Trindade pessoal:
um escritório, um showroom, um quarto,
tudo em um.
Finalmente vou agir, ao invés de apodrecer atrás da minha mesa.
Eu quero ver o mundo real, não apenas livros de direito.
Por que você não vem comigo?
Por que ser escravo de um diploma inútil?
Logo as ruas serão pavimentadas com advogados.
Você decide. O que vai ser?
Eu prometi conseguir meu diploma.
Legal. É tua vida. Mas não vem chorar atrás de mim depois.
Você poderia me fazer um favor, Soo?
Se meu pai ligar, você não sabe de nada, tá?
Mas Tony, você tem...
Soo era o único cara doido o bastante pra ser meu amigo.
Um cara legal, mas meio lerdo.
Quem mais eu poderia enganar com meu papo de venda?
Eu usei ele como meu primeiro cliente.
Não vendi uma geladeira pra ele, mas uma estória de araque.
Bem, uma estória...
As pinturas ainda estão lá.
Por que eu venderia uma pintura
quando eu sei a combinação do cofre do meu pai?
Agora, o que vocês acham que eu fiz primeiro,
com minha boca grande e meus grandes planos?
Nada, nada, nada. Esse sou eu, tudo bem.
Eu descansei antes de ficar cansado, porque...
Eu senti que precisa dedicar um tempinho a mim mesmo.
Café? Esquece.
A máquina tá ruim. O termostato está quebrado.
Muito perigoso.
Se isso explodir, posso abrir uma unidade de queimados.
Água, então. Água parada.
Desculpa?
Você sabe. Água parada. Sem se mexer.
Água... parada.
Água que não está se movendo?
Você acha que isso é engraçado?
Porque não é.
Eu não construi esse lugar com minhas próprias mãos
pra ficar parado aqui e ouvir piadas idiotas
sobre água parada.
Anda, vai pedir tua água parada em algum outro lugar.
Tudo bem, desculpa. Me dá outra coisa qualquer.
Uma coca tá bom.
Com ou sem gelo?
- Com. - Baunilha ou chocolate?
Gelo, sorvete... É a mesma coisa, entendeu?
Acho que sim.
Podemos rir um pouco, não podemos?
Claro que podemos.
Escuta,
aquela máquina tá quebrada há muito tempo?
Um ano.
Por quanto tempo ela funcionou?
Quanto tempo funcionou?
Uns 3 anos.
E o termostato já está quebrado?
Os fabricantes querem que suas coisas quebrem logo
aí eles podem vender novas.
Você já pensou em consertá-la?
Você sabe quanto custa?
Quanto eles querem só para dar uma olhada nisso?
Consertar custa o mesmo que comprar uma nova.
E se consertarem, quebra em uma semana.
É uma coincidência incrível,
mas eu vendo cafeteiras.
Eu te disse para conseguir uma banda, não um DJ.
Não disse?
Ainda sem resposta!
Discoteca drive-in só traz problemas. Eu não te falei isso?
Mas não... Uma banda seria muito mais maneiro.
Teu filho é quem quer abrir uma discoteca.
Vá reclamar com ele.
Tudo que tínhamos que fazer era conseguir a música.
O que a família da Natacha acha disso?
Não tô nem aí pro que eles acham, não gosto deles mesmo.
É isso, procure uma briga.
Deixe Luc infeliz no dia mais feliz da vida dele.
O dia mais feliz da vida dele, o caralho!
Ele passa mais tempo bebendo com os amigos do que com a Natacha.
E o que sobra pra gente é a bagunça dele.
Uma discoteca! Poderíamos conseguir uma banda pelo mesmo preço.
Muito tarde pra uma banda agora. Tente conseguir um DJ.
Eu quero uma banda, e quero agora.
Quanto uma máquina dessas custa?
A Gia.
- Gaggia. - Sim, Gaggia.
É difícil dizer...
Nós paramos de fazer esse modelo.
Não tenho mais estoque dessa marca.
Problemas demais.
Parece boa por fora, mas por dentro...
O termostato tá sempre fodido. Você não é...
Não vamos mudar de assunto.
Uma máquina como essa tem capacidade pra 10 litros.
- 2 pulverizadores. - 2 aspersores.
Uma torneira de água quente.
Uma torneira a vapor para aquecer o leite. Quanto custa uma nova?
Dez litros, dois aspersores. Com ou sem IVA?
Os dois.
É difícil dizer.
Depende da qualidade,
tamanho, cor...
Cor?
Gia... Gaggia...
Quanto você pagou três anos atrás?
Não muito. Consegui numa liquidação.
Mas estou farto das vendas. Eu preciso de uma nova. Quanto?
Escuta, senhor.
Infelizmente não tenho o mostruário desse modelo.
Mas vou resolver isso. Vou visitar o revendedor...
Espera aí...
Você não vende só máquina de café?
Não, eu vendo tudo.
Cadeiras de jardim, liquidificadores, sofás de couro, tapetes, geladeiras...
Precisa de uma geladeira?
Quer dizer que você vende de porta em porta?
Então você é um caixeiro viajante?
Isso é ser franco. Mas sim.
Posso ver tua licença?
Não me diga que não tem uma.
Isso é ilegal.
Não me faça chamar a polícia.
Anda, me deixa ver!
Sr. Freddie, estamos com um problemão!
Que foi agora?
Fala você, Antoine. Pra mim chega.
Vou começar do início.
Para entretenimento depois do jantar,
nós contratamos uma discoteca drive-in.
Pessoalmente, eu queria uma banda...
Fala pra ele qual o problema!
O DJ montou tudo, mas alguma coisa saiu errada.
Ele empacotou tudo de novo e deu no pé.
Ele me deixou na mão. No meu tempo...
Enfim, não temos música e a festa começa em uma hora.
O que podemos fazer, sr. Freddie?
Eu falei quando ele veio reservar a noite.
Meu primo toca numa banda.
Nunca tive nenhuma reclamação. Mas ele aqui
queria um DJ. Olha o que aconteceu.
Já tentou as Páginas Amarelas?
Inúteis! Ninguém responde, ou não podem, não querem...
Não poderia me emprestar teu aparelho de som?
Eu pago.
Sem chance. Meus alto-falantes não são fortes o suficiente,
estão presos do lado errado.
Não posso tirá-los.
E então, Antoine? O que fazemos agora?
Me diz o que fazer.
Me diga, senhor.
Fantástico! Que idéia ótima!
Uma discoteca drive-in de verdade.
Já falamos de dinheiro?
Bem... 20.000 Francos.
Ele tem senso de humor também.
Eu gosto de você, garoto. Aqui...
2.000. E essa noite, você é meu convidado. Pegue o que quiser!
Luc, podemos dançar?
Vai embora, eu tô me divertindo.
Um estudante! Você está na idade certa.
Não, estudo não é pra mim. Toda aquela teoria...
Prefiro a vida real...
Eu gosto cada vez mais de você.
Eu também não suporto os CDF's.
Estudar te deixa idiota.
Eu comecei. Mas desisti.
O que teus pais disseram?
Eu entrei pro exército. Eles não puderam fazer nada.
Eu assim. Assim que te vi.
Eu disse pra mim mesmo, esse é um cara com culhões.
Você é um para-quedista!
Eu sabia! eu também.
- Qual é... - Bem, eu fui, eu fui.
Os melhores anos da minha vida.
Uma experiência única.
Você vive no fio da navalha, você sabe o que fazer e você faz!
Seu corpo está treinado como um cavalo de corrida,
ou devo dizer garanhão...
Você conhece gente de todos os lugares,
faz amigos pra vida. Maravilhoso!
Me diga, que armas você usa?
As de sempre, nada sexies.
Se não se importa que eu pergunte, o que você faz?
Você tem razão, não fomos apresentados.
Antoine Verbiest, Tenente da força policial.
Mãos pra cima!
Mãos pra cima!
Está tudo bem, eu estou bem.
É horrível quando cai mal.
Enfim, qual teu nome?
Soo... de Paepe.
De François? Belo nome.
Como amigo, posso te chamar de Soo?
Me chame de Toine.
Então, Soo, eu estava imaginando...
O que você está fazendo aqui,
na cidade, a 55 km do quartel mais próximo?
Passando o fim de semana. Gosto de relaxar às vezes.
Não foi o que quis dizer. Falo aqui, num sábado à noite.
Vamos lá, você devia estar em algum clube sofisticado,
brigando com os garotos ricos
e comendo as namoradas deles na praia depois.
Mas, aqui? Nesse buraco? Sentado aí,
como uma planta num vaso? Eu não entendo.
Minha escapada não é exatamente uma...
É mais uma despedida.
Semana que vem, vou embarcar numa missão especial.
E posso não voltar.
Você pode achar isso estranho, mas eu queria
viajar sozinho, para ver nosso país.
Não posso falar mais, é altamente secreto. Você entende?
Ninguém pode saber. Se a imprensa souber disso...
A merda cai no ventilador.
Claro, claro.
10, 9, 8, 7 de paus. O conjunto completo.
Droga, você é sortudo.
Eu sabia!
Senhoras e senhores, sua atenção por favor.
- Atenção. Silêncio. - Desembucha!
Cavalheiros!
Muito bem... e senhoras!
Acabou a confusão aí atrás?
Não se preocupe, eu cuido disso.
Amigos,
eu gostaria de propor um brinde...
eu gostaria de propor um brinde a um jovem...
Luc, seu pai precisa de você.
...que não tem medo,
e é um exemplo pra todos nós. Daqui a dois dias,
ele partirá em uma missão ultra-secreta,
no coração do Congo,
para ensinar uma lição aqueles negros!
Aqueles negros...
pessoas negra...
precisam ser colocadas em seus lugares.
Amigos,
não podemos fazer muito por nossos bravos soldados.
Mas podemos deixá-los saber
que estamos 100% com eles.
E só há uma maneira de fazer isso, a melhor...
Amigos, o hino nacional.
Não, estou feliz que você ligou.
Mas não é um pouco tarde pra vender de porta em porta?
Isso só vai mostrar que você não sabe de nada.
É como a selva!
Os animais mais idiotas caçam durante o dia.
Mas os mais inteligentes, os melhores, mais ágeis,
caçam a noite. Essa noite, eu vendi...
uma máquina de café expresso de 10 litros, com 2 aspersores.
O aparelho de som mais caro do meu mostruário.
E prepare-se,
uma viagem em grupo ao Congo, incluindo alojamento e alimentação completos.
Impressionante.
Sabe, Tony, eu andei pensando...
sobre tua proposta...
Eu estudei muito esta semana e estou um pouco adiantado...
Eu podia ir com você por uns dias...
Você sabe dos meus pais?
Eles deviam estar em Sydney agora.
Nenhuma novidade de Sydney.
Se eu me juntar a você, posso preparar tuas faturas.
Podemos vender juntos,
um de cada lado da rua.
Se a van for muito pequena, e posso levar minha barraca...
O que você diz?
Isso seria ótimo mesmo, mas...
Não me leve a mal, mas está indo muito bem.
Nem sempre é divertido.
De manhã à noite é trabalho, trabalho, trabalho.
Meu negócio está crescendo e...
Babaca.
Escuta, você...
Chaves! Chaves!
Cuidado, ou eu te corto.
Depressa!
Vamos! Vamos, anda logo.
Não se mexe, entendeu?
Leva ela pra van. Depressa.
Você é surdo? Leva ela pra van.
E não deixe cair ou você vai se arrepender.
Cuidado! Anda, empurra.
É difícil definir a amizade.
Você conversa com um desconhecido num bar,
como se ele fosse um velho conhecido.
Ou você trabalha com um cara e vocês se dão bem imediatamente.
Mas às vezes, você se depara com um verdadeiro filho da puta,
e você pensa:
Voce vai ser morto
e jogado na estrada feito um coelho esmagado.
E esse é o tipo que se torna teu melhor amigo.
Dirija.
E não bata, eu ainda preciso de você.
Nome?
Cuidado!
Eu disse para não bater e você cai em uma vala.
Pare de tremer. Qual o teu nome?
O que importa isso? Você vai me matar mesmo.
Vá em frente. Faz isso!
Me mata! Corta minha garganta, porra!
O que que você tem?
Se eu quisesse te matar, eu já teria feito isso.
Não fique tão chateado.
Você está com medo disso? É só uma chave de fenda.
Vou largar ela. Assim.
Mais relaxado agora? Qual teu nome?
Tony o que?
Tony Hanssen.
Viu? Você pode falar.
Você não devia entrar em pânico tão facilmente.
Eu sou André, mas me chamam de Andrézinho,
porque sou baixo. Entendeu?
O que você faz pra viver? Espere, não me fale.
Um estudante!
Eu posso sentir. O que você estuda?
Leis.
Um advogado. Não é uma escolha ruim.
Só advogados e banqueiros fazem dinheiro.
Tudo mundo que sobra é perdedor.
Qual a tua idade?
Vinte e quatro.
Quantas vezes você bate punheta?
- Ei. - Ei o que?
Quantas vezes num dia?
Não fique com vergonha.
Eu me lembro da primeira vez que toquei uma.
Meu irmão me disse como fazer.
Naquela noite na cama, puxei meu pau como um louco...
Eu não fazia ideia do que aconteceria.
Acertou a parede.
Se eu não tivesse me abaixado, eu perdia um olho.
Quantas vezes num dia?
Qual é, cara...
Ou você tem uma namorada?
O que isso importa pra você?
Você sabe, uma namorada. Uma coisa com peitos que te chupa.
- Não mesmo. - Não mesmo.
- Nada mesmo, então. - Nada mesmo.
Isso não me surpreende. Nunca vi um mais travado.
Mais maçante do que uma planta. Cuidado com a estrada!
Tem um lugar aonde eu preciso ir,
e vou precisar de uma mão.
Depois disso, você estará livre pra ir. Ok?
Eu falei "ok?"
O que é isso?
Sim ou não?
- Não sei. - O que?
Você vai me ajudar ou não?
Sim, sr. André.
Sim, sr. André.
Obrigado, Tony.
Você sabe quem culpar por tudo isso?
O banco, droga!
Eles bagunçam tudo.
Eles fingem que ajudam, mas se sentam em nosso dinheiro,
enquanto otários como nós,
têm que estourar nossas bolas para ganhar dinheiro.
E quem obtém os lucros, sem levantar um dedo?
- O banco? - O banco, caralho!
O banco! Quem, Tony?
O banco, caralho!
Empréstimos, juros, processos judiciais...
Foi assim que eles pegaram meu pai.
A única coisa boa que aqueles desgraçados fizeram
foi ajudar meu pai a sair da miséria.
Ataque do coração. Bam... As luzes apagam.
Tchau, pai...
Depois do funeral, os oficiais de justiça chegaram,
um depois do outro. Todos os nossos móveis. Vendidos.
Minha mãe, furiosa, chorando.
Acabei na fábrica. Um trabalho após o outro.
E aí eu conheci a Rita.
Minha Rita.
Eu a vi...
Ela me viu.
Você bateu nela?
Não, cara. Amor...
Ela tem metade do meu tamanho, mas nós não ligamos.
Ela disse "Assim é mais fácil,
eu não tenho que me ajoelhar pra te chupar."
Um dia, já estávamos casados há 5 meses,
e eu trabalhando numa fábrica de produtos químicos.
Eu não me sentia bem, aí fui pra casa.
Eu entrei e ouvi um barulho no banheiro.
Eu abri a porta. Adivinha quem estava no banheiro?
Tua Rita?
Com um cara que está com um pau duro daqui até Tóquio.
Eu falei, "Ei, o que está acontecendo aqui?"
A Rita ficou branca.
O cara engole em seco, e adivinha o que ele me diz?
Não podemos nos lavar, senhor?
Ele disse isso? Não podemos nos lavar...
Nos lavar. Eu juro.
É engraçado agora, mas não achei muito na época.
Nem eles acharam.
O cara pula e se esquiva de mim,
a Rita me segura por trás.
Aí eu bati nela algumas vezes.
Sabe o que aquela puta fez?
Foi embora.
Pra um abrigo feminino.
Eu sei que não devia ter batido nela.
Fiquei com raiva de mim mesmo depois.
Eu era louco por ela.
E ainda sou.
Mas o que você faz quando está realmente louco?
Estou prestes a atirar um tijolo em uma das janelas do abrigo,
quando os policiais aparecem. "O que você está fazendo?"
"Resgatando minha garota desses idiotas."
E atirei o tijolo pela janela.
Debaixo do nariz dos porcos.
Uma hora depois, na delegacia, estou pelado,
espancado. Eles me revistam e o que encontram?
Outro tijolo?
Três gramas de haxixe no meu bolso. Três gramas!
Ah... Você é traficante...
Você podia ter dito que era pra uso próprio.
Foda-se. Eu era traficante.
Seis meses depois, eu saio louco feito um pitbull.
Ah, o Andrézinho é um traficante! Vou mostrar a eles o que é um traficante.
Haxixe, speed, coca, LSD,
ecstasy, poppers, cogumelos. Tudo.
Não faço isso por dinheiro, mas por diversão.
E vingança.
Eu mesmo não uso muito.
Nada mais patético que um traficante chapado.
É, é como um padeiro quem come o próprio pão.
Maneira de falar.
Vire a direita, aqui.
Maneira de falar. Eles me pegaram numa boate com 2 kg de coca comigo.
2 kg de coca? 2 anos dentro.
Eu saí e disse,
"Andrézinho, agora acabou. Daqui pra frente você vai cuidar da tua vida."
E abri uma loja.
Vamos, adivinhe.
Estive na cadeia duas vezes por tráfico.
Que tipo de loja eu abri quando saí?
Não diga nada.
Uma tabacaria?
Uma revendedora?
Uma loja de armas?
Uma floricultura. Você estava quase lá.
Você consegue me ver numa floricultura?
Pessoas que compram flores? Os velhos... Esses nem ousam me olhar.
Honestamente, você compraria flores de mim?
Eu não sou o tipo que compra flores.
Mas se precisasse, você compraria de mim?
Não todo dia.
Viu? É o que eu falo.
Ir à falência é uma coisa.
Isso te destrói.
Não são as flores. Não agüento mais elas nem pintadas.
Prefiro arrumar merda em um vaso do que flores.
É estou cheio dos vasos também.
Mas a falência, isso é...
À direita, aqui.
Têm três coisas na minha vida com que não pude lidar.
Minha mãe morrendo enquanto estou na cadeia.
Rita me deixando, sem me dar uma segunda chance.
E aquela maldita floricultura indo à falência.
Tudo por causa do banco.
Você falou!
Mas eu mostrei pra eles, aqueles filhos da puta.
Comprei uma arma com meus últimos centavos, e roubei o banco.
Nem me incomodei em colocar uma meia na cabeça.
Foi fantástico, Tony.
Você devia estar lá.
Eles estavam se cagando.
Sim sr. André. Não, sr. André...
Eles me deram tudo.
Enfiaram numa daquelas bolsas esportivas que você ganha de graça.
Quanto foi?
Eu nunca saberei. Alguns milhões.
Eu saí do banco com a bolsa, vou até o ponto do bonde 4.
Não tinha pensado num carro. Não se pode planejar tudo.
Se pelo menos o número 4 tivesse chegado na hora!
Mas com todo o tráfego...
Engarrafamentos, acidentes...
Eu fiquei parado lá esperando, com uma bolsa cheia de milhões.
E a polícia chegou antes do bonde chegar.
Aí está!
Quatro anos na cadeia por perder o bonde.
Quatro anos a mais.
Eu bati minha cabeça na parede,
literalmente bati com minha cabeça na parede.
Pegue o cara mais forte que você conhece,
o desgraçado mais duro e insensível.
Prenda-o por um ano, e chega uma hora
em que ele se encontra de joelhos, choramingando feito um cachorro castrado.
Eu saí da prisão e jurei
no túmulo da minha mãe, que nunca mais voltaria pra lá.
Nunca. Prefiro morrer.
Agora, eu não gosto de forçar as pessosas a me ajudarem.
Eu sei o que é receber ordens.
Mas eu não tenho escolha.
Vem comigo.
Os porcos acabaram de pegar um amigo meu com 10 kg de coca.
Eu não tenho nada com isso, mas os policiais virão aqui.
Provavelmente amanhã.
E quando eles chegarem, eu vou pegar pelo menos 10 anos.
Isso deve ser uma doença.
Sei lá.
Isso não é normal... Começou depois da minha sentença de 4 anos.
Eu tinha uma pedra no peito, e não conseguia respirar.
Então eu roubei uma bicicleta e fugi.
Mas a pedra continua voltando.
Então eu tenho que roubar. Joias, TV's, tapetes...
O pior é que, eu não faço nada com isso.
Só fica aqui.
Como você transporta tudo isso se você só tem uma motocicleta?
Na minha moto...
Isso tem que ir.
Tem que desaparecer.
Vai vender isso?
Não, não. Tudo isso tem que ir.
Espera, espera...
Meu amigo,
eu não sou um estudante.
Eu sou um comerciante,
e até mesmo um muito bom. Mesmo que seja eu dizendo isso.
Vou levar todas as suas coisas
por um bom preço.
Eu prometo que venderei tudo em dois dias.
Vendas porta a porta de bens roubados!
Exatamente.
Você tá louco.
Eu só quero ajudar.
Ajudar! Se você se foder, estamos os dois fodidos!
Não, minha ideia é melhor.
Espera um minuto.
Continua.
Legal, não é?
Relógios de ouro...
são minha fraqueza.
Escuta isso:
você mal pode ouvir o tique-taque.
Você acabou de dispensar 40 deles.
Aqui. Pra você.
Pega antes que eu mude de ideia.
Anda, moleque.
É muito cedo para ir pra cama.
Vamos visitar alguém que não está em casa.
Nesse caso, eu sei exatamente aonde ir.
Sobe atrás. Isso não é pra qualquer um.
Geralmente, é só pra garotas bonitas
de mini-saia, sem calcinha, o vento ventilando a periquita.
Uma moto assim vibra muito.
Algumas garotas ficam tão molhadas, que até escorregam.
Você secou isso, espero.
Essas pessoas não estão desempregadas
E você conhece eles?
Amigos dos meus pais.
A família De Paepe.
Bando de otários.
O pai é um promotor famoso.
Muito rico
e sem gosto nenhum.
Sabe o que mais me excita nisso?
- Encontrar dinheiro? - Não!
Você e teu dinheiro...
Dinheiro não é o importante.
Não, você invade
alguma coisa que as pessoas querem manter em segredo.
E deixa uma trilha para trás.
Como essa cozinha, por exemplo.
Se eu pudesse, eu cagaria dentro da torradeira,
e pelo resto da vida deles
as torradas teriam gosto de merda.
Eu sei que isso não é justo,
mas eu acho que é belo...
Quase poético, até.
Saúde.
Você acha que eles têm algum pornô?
Não me surpreenderia, aqueles canalhas.
Alfândega e impostos!
Nada a declarar?
Nada a declarar.
Vamos ver o que tem aqui.
Meu Deus, olha só isso...
Olha só.
Jesus, que otário!
Está lavado e ainda dá para sentir o cheiro do mar.
Dá pra ouvir as ondas.
Outro...
Vamos fuçar um pouco mais...
Caralho, olha isso.
Cacete.
Promotor famoso, você disse?
Imagina ele te processando.
Quanto mais dinheiro têm, mais podres eles são.
Vem dar uma olhada, Tony.
O que temos aqui?
Caralho.
Olha isso, cara. Porra...
Isso é pra bater claras em neve!
Olha só. Meu...
É, pensei nisso.
Isso é cocaína?
O que você acha? Açúcar de confeiteiro?
Claro, o que mais seria?
Merda, tem açúcar bom também.
Vamos nos divertir.
Eles têm filhos?
Um filho, da minha idade. O nome dele é Soo, eu acho.
Vamos dar uma olhada no quarto dele. Isso é sempre divertido.
Soo é o típico garoto rico arrogante.
Um estudante, aposto.
Coitado. Estudante de direito, claro.
Estudei com aquele otário um tempo. Um verdadeiro idiota.
E pensar que pessoas assim serão poderosas algum dia. Me faz vomitar.
Banqueiros, advogados, juízes.
Babacas embrulhados para presente, é o que eles são.
Devíamos fazer com eles o que fazem com a gente, aqueles filhos da puta.
Calma, Tony, calma.
Não somos criminosos. Só nos divertimos.
Olha isso, olha isso...
Caralho, eu devia ter imaginado...
Ele é viado. Que família!
Eu sabia. O modo como ele balança o rabo.
Incrível. Todos aqueles malditos hipócritas,
moleques de merda desmunhecando...
Se tem uma coisa que me dá nojo,
são esses viados escrotos.
Ei, o que você tem?
Deixa eles em paz. Uma foda é uma foda. Deixa pra lá.
Você não é viado, é?
Claro que sou. Eu tava na prisão, querido, e toda a prisão em mim.
Isso é sério?
Pare com isso.
Vamos lá.
Estou um pouco nervoso.
Cuidado. Droga.
Não assopra. Você tem que cheirar.
Chupar?
Não, chupar não, cheirar.
Vou te mostrar.
Um pro papai.
Um pra mamãe.
E um pros filhinhos.
Cheira ao invés de soprar.
Não me faz rir...
Parece um aspirador.
Um bar, com muitos frequentadores,
uma pista de dança,
e um aparelho de som fodido.
- Ei, ainda tá me escutando? - Com certeza.
O bar já está fazendo bons negócios, mas poderia ser ainda melhor.
Umas mudancinhas, aqui e ali...
Sirvo umas comidinhas...
E um nome novo...
"A Vaca Que Ri".
O que você acha?
A Vaca Que Ri?
Perto da estação de trem?
Isso vai cair muito bem.
Só tem que ser mais criativo que os outros.
Ei,
você precisa de um sócio?
Um sócio?
E ter que cuidar de outra pessoa? Você está louco.
As coisas estão indo bem entre nós.
Entre nós?
Bem,
você e eu,
poderíamos tocar um bar juntos.
Você?
Eu tenho uns trocados,
e também sou muito criativo.
Qual é, Tony, é sério,
não consigo te ver tocando um bar.
Eu consigo.
Você tem que aprender a não ser...
tão impulsivo.
Olha só, eu digo a palavra bar, e imediatamente você deseja abrir um.
- Não é verdade. - É.
Você devia pensar antes de agir. Vamos, pensa.
O que você quer ser, mais tarde,
quando crescer? Advogado?
Não, eu te disse, quero começar um negócio.
Uma floricultura, por exemplo.
Você só diz isso porque eu tive uma.
Não é verdade.
Eu sempre quis ter minha própria floricultura.
Sério?
Você tem um nome?
Tony.
Pra floricultura.
"Os Dois Gregos".
Qual é, isso não é nome de floricultura!
Não, você tem razão.
Parece um salão de massagens.
"O Cachorro Azul"?
Você nunca vai conseguir se não levar a sério desde o início.
Eu sempre digo, desde que a base seja boa...
Se você faliu
é porque sua base era uma merda.
O que você entende de floricultura?
Mais do que você pensa.
De volta ao básico...
Me diz quais as bases de uma floricultura.
A base de uma floricultura? O solo.
O solo... seu mané. Flores!
Flores são o básico de uma loja de flores!
E se você tiver o suficiente, você não vai se ferrar.
Você não tinha o bastante?
Não, eu tinha demais.
Flores demais não é bom também.
Em vez disso, você devia ter mais solo.
Você não teria falido.
- Solo... - Bases.
A dois francos o quilo. Eu teria feito uma fortuna.
Me diz, aonde você conseguiria teu solo?
- Tóquio? - Não, Tóquio não.
O melhor solo está em Kalmthout.
Não é solo para vasos. Não é nem mesmo a terra.
- Então o que é? - Areia.
Nada cresce lá. Até uma batata morreria lá em uma semana.
Uma batata morta? Uma batata falecida, como se costuma dizer.
Isso mesmo. O solo...
Tudo cresce
em Kalmthout, não é?
Nada cresce lá.
A urze cresce em Kalmthout.
Vai encher sua loja com urze?
Um monte.
Tem que se especializar em alguma coisa não é?
Urze floresce uma vez por ano e só dura um mês.
Mas nesse mês vou vender tanto que vou me garantir pro resto do ano.
Você está mijando?
O que você acha?
Eu acho que tá.
E acho que você tá certo.
Ei, André. Dê uma boa olhada e adivinhe.
O que é isso?
De novo?
Vou te dar uma dica.
Ainda podemos nos lavar, certo?
Eu vou te pegar!
Oi Tony, é a mamãe.
Como o meu Tony está indo? tudo bem?
Está um ótimo tempo aqui em Sydney,
mas a comida é nojenta...
Aqui?
...uma ligação internacional custa um braço e uma perna.
Olá, senhora. Somos os ladrões.
Os ladrões, os assaltantes.
Os ladrões.
Mas não vou me estender muito, temos que carregar nosso caminhão.
Vou te passar pro meu parceiro.
Não, não, dor de cabeça...
É teu, Tony. Vou passar pra ele. Vai, Tony.
Desculpa, ele não quer.
Ele tá bêbado, e cheirou demais.
Aliás, sua coca é excelente.
Diz pra ela que sou viado.
Mais uma coisa. Seu filho é bicha. É, é bicha.
Ele me chupou a noite toda. Até engoliu.
Tua mãe não é bolinho, se você quiser saber.
Que horas são?
Quinze pras oito.
Merda, eu devia estar no meu bar.
Tenho que assinar o contrato.
Vou pegar tua van.
É o teu avô?
Minha avó.
Esse é o endereço do bar.
Aparece se curtir.
Um presente pra estrada. Pega.
Aparece, tá?
Mesmo com amigos, chega um momento...
que um vai pra direita, o outro, pra esquerda.
Nós trocamos endereços e números de telefone,
mas sabemos que nunca entraremos em contato.
A outra pessoa sabe disso também,
e ele sabe que sabemos, etc...
Mas é um sinal de verdadeira amizade se ambos fingem
que nada está acontecendo.
Tchau, se cuide, vejo você em breve.
Por que?
Com todas as minhas habilidades,
por que não vendi nada ainda, porra?
Caralho.
Eu me distraí.
Eu nunca vou aprender.
É tudo culpa do André.
Ele era muito divertido, mas ainda é um perdedor.
O que eu estava fazendo com ele?
Se você não pode tocar uma floricultura, você é um perdedor.
E se não tomar cuidado,
vou acabar como ele.
Até posso ver a cara do Soo.
"'Viu, eu estava certo.
Você devia ter me escutado!'"
Como tudo mundo pode ser tão chato?
Senhoras...
Eu preciso de um novo público-alvo.
Mais crédulo,
mais indefeso,
mais frágil.
E devo melhorar minha aparência. Olhem para mim.
Uma camiseta não inspira confiança.
E esses folhetos... Eu cometi um erro.
Tomem. Peguem, leiam,
e me liguem se precisarem de alguma coisa.
Eu devia vender vento.
Vento, entenderam? Vento...
Eu devia começar tudo de novo.
Vender algo que não exista.
E há um produto que realmente se encaixa no projeto...
Seguro? Pra que?
Deixa eu explicar pra você.
Vamos começar com o seguro familiar.
Vamos supor que eu te faça uma visita e quebre um cinzeiro chique.
Eu não tenho cinzeiros sofisticados. Só os baratos.
Vamos fingir que é um cinzeiro chique e eu quebro.
Se eu tiver um seguro familiar,
a seguradora te ressarcirá.
Por que? Foi você quem quebrou.
Isso é verdade, mas...
é por isso que estou segurado.
Eu pago a eles um prêmio primeiro,
para que eles possam reembolsar o cinzeiro.
Então você tem que pagar pra eles antes deles te pagarem?
Pode muito bem pagar pelo cinzeiro você mesmo!
Não, não, porque o prêmio custa menos
que o cinzeiro.
E se você não quebrar nenhum cinzeiro, você ainda ganha dinheiro?
Não, você não ganha nada.
Isso é absurdo.
Com que frequência você quebra os cinzeiros de outras pessoas?
Não me lembro de alguma vez ter quebrado um cinzeiro,
muito menos um de luxo.
Vamos esquecer o cinzeiro.
O que você realmente precisa é de um seguro de vida.
Você paga um prêmio pra seguradora,
e quando você morrer, seus beneficiários recebem dinheiro.
O que? Isso é exatamente o que eu não quero!
Meu filho recebendo milhões? Que horror!
Ricardo não me visita há duas semanas.
Ele me rouba descaradamente sempre que pode,
aquele filho da puta!
Eu deserdaria aquele merdinha,
se isso não fosse ilegal.
E você sugere que ele ganhe dinheiro
além de sua herança?
Seu seguro é uma ofensa.
Você devia se envergonhar!
Não... Naturalmente, a empresa não reembolsa sempre.
Imaginemos que após a morte,
observa-se que,
ao assinar o contrato,
a pessoa em questão...
estava em estado terminal...
Como eu?
Nesse caso a empresa não tem que pagar nada.
E o valor que você pagou por prêmios
não pode ser reclamado por seus beneficiários.
Então o que eu pagar pelo teu seguro
nunca irá pro Ricardo?
Sim, e graças a sua idade razoavelmente avançada,
me desculpe,
certamente será um prêmio alto.
Você vende cigarros?
Não, mais posso socar tua cara de graça.
Babaca.
Bom. E como você planeja pagar por isso, Elza?
Eu só aceito dinheiro.
Dinheiro. Dinheiro vivo.
Desculpa, eu não tenho nada.
Ricardo não me dá nada.
Ele até pega minha pensão.
Mas eu tenho coisa muito melhor!
Biscoitos?
As jóias da família.
Ricardo ainda não pegou. Ele sabe que não posso ir a lugar nenhum com elas.
Quando eu morrer, elas vão pra ele, aquele desgraçado.
Por favor... Posso pagar meu seguro com isso?
Temos que elaborar um contrato a parte.
Você vende minhas jóias,
e paga o seguro com o dinheiro.
O que você acha?
15.000 Francos... A caixa toda?
Muito bem.
Estou muito feliz.
Mas você deve me fazer um favor.
Só um.
Uma senhora que está morrendo de câncer,
deseja ver sua aldeia uma última vez.
Normalmente eu teria recusado, mas...
Para uma caixa de jóias, rapidamente nos encontramos na aldeia.
Eu tinha certeza que tinha conseguido o negócio do século.
Eu quase me senti culpado.
Eu disse "quase".
Mas se na época me pedissem para definir a vida...
A vida é uma selva.
Eu nunca me senti tão bem.
Graças a você.
Você é realmente um garoto excepcional.
Tão cortês, tão gentil.
Teus pais devem ter muito orgulho de você.
Estou certa?
Teus pais não são orgulhosos de ter um filho como você?
Posso usar o telefone?
Eu pareço um orelhão? Cai fora!
Esse não era o acordo.
Não podemos mudar isso?
Pegue todas, menos as que estou usando.
Isso vai me fazer muito feliz.
Um acordo é um acordo. Se começarmos a...
E eu que pensei que você era um bom menino. Você tem um coração de pedra.
Você não é melhor que o Ricardo!
Me dá elas.
Vem pegar. Tente, sua ratazana...
Me dá as jóias!
- O que é isso? - Ricardo está aqui!
Ele ficará furioso.
Ele não pode descobrir. Fale pra ele que eu morri.
Se ele descobrir o que fizemos, ele te mata.
Volte amanhã. Fale pra ele que eu morri.
E quanto a mim?
O que está acontecendo?
Sr. Ricardo?
Eu tenho...
uma notícia dolorosa pra você.
Sua mãe morreu está tarde.
Meus pêsames.
Graças a Deus.
Antes tarde.
Ela sofreu?
Não, não mesmo.
Que pena.
Gostaria que ela tivesse tido um fim longo e agonizante.
Ela arruinou toda a minha vida.
Gritando, berrando,
ameaçando com ataques cardíacos até que conseguisse o que queria.
Manipulando, jogando as pessoas umas contra as outras...
Uma puta tirânica.
Mas ela ainda é sua mãe.
Então você vem, todas as noites.
Quanto mais você se preocupa, mais críticas recebe.
Um inferno, senhor, um inferno!
Que bom que acabou.
Mas quem é você?
Nunca te vi antes.
Cadê teu jaleco branco? E teu colega?
Você está enganado. Eu sou...
o consultor de seguros da sua mãe.
Pouco antes de sua morte, ela me pediu para esclarecer alguns detalhes.
Esclarecer?
Esclarecer o que?
Minha mãe estava louca, senil,
declarada legalmente incapaz dois anos atrás!
É mesmo?
Ela me vendeu as jóias ela!
As jóias dela?
Sim, as jóias dela.
Dê uma olhada.
Quinze...
Quinze mil Francos!
15.000 Francos por um monte de bijuterias!
Essa é minha mãe...
Você não deu nenhum dinheiro pra ela, eu espero.
Eu comprei essas jóias legalmente, ouviu?
Elas são minhas, entendeu?
Essas jóias são minhas!
Ah, é assim?
Sim, é assim.
Você vem aconselhar minha mãe moribunda
e aproveita a oportunidade.
Mas felizmente, o senhor é um completo idiota
e se deixa levar por uma velha maluca.
Pego em sua própria armadilha!
Eu tenho uma cópia!
Seu fracassado. Como pode se rebaixar tanto?
Eu vou te processar!
É? Vai em frente.
Vai em frente! Espero que você vença,
aí você vai ter que pagar 15.000 F por essa merda. Idiota!
Eu preciso preparar o enterro.
Se você ainda estiver aqui quando eu voltar, vai ter mais um corpo pra enterrar.
E leve as jóias como lembrança.
Ouviu o que teu filho pensa de você,
sua vaca velha!
Maldita hipócrita!
Desperdicei a porra de um dia todo na tua aldeia!
E eu até te paguei mexilhões e batatas fritas!
Impostora!
Não vai me passar pra trás duas vezes, entendeu? Duas vezes não!
Acorda! Vamos, acorda!
Fale alguma coisa.
Pelo menos me dê a chance
de discutir com você pela última vez,
sua puta!
Fale alguma coisa...
Merda. Agora isso.
Ora, ora, ora... Quem temos aqui?
Soo de Paepe.
Ainda não foi para o Congo, Soo?
E você estava com tanta pressa!
Se há uma coisa que eu não suporto,
são as pessoas que quebram suas promessas, que fogem,
que me roubam, que me fazem de idiota...
Então é melhor começar a rezar, garoto,
para que não encontremos nenhuma razão pra te prender.
Viu isso? Estava no painel.
Parece que você não rezou o suficiente.
E ele não é Soo de Paepe, mas Tony Hanssen.
Esse é o endereço do promotor.
Ele é teu pai?
Leon Hanssen é teu pai?
O filho do promotor preso com drogas.
Não é o seu dia, não é, Tony?
O que o papai vai dizer?
O que você acha?
Que seus superiores estão acima de qualquer suspeita?
Pobres idiotas, vocês dois.
Meu pai...
consome mais que eu. E coisas mais pesadas.
Vai lá, me prende.
Um promotor não dá a mínima para caras como você, Toine.
Você vai ver.
Uma ligação do meu velho e amanhã estou livre.
E ele pode ligar pros teus chefes.
Pode dizer adeus a qualquer promoção.
Vai.
Me prende.
Por que espera?
O que aconteceu com tua boca grande?
Aqui.
Você vai precisar disso.
Porque você está certo,
não vamos te prender.
Vamos te ensinar uma lição do nosso jeito.
Controle-se! Você já tem um processo em andamento.
Cuidado!
Eu não tenho nada a ver com isso.
Sai daqui, seu covarde!
Vamos resolver isso entre nós, como para-quedistas.
Os de verdade.
O que o papai vai dizer agora?
Cuidado...
Você viu alguma coisa?
Soo, estava escuro.
Não sei nem se foram 3 ou 4. Foi muito rápido.
Eles me empurraram,
e antes que eu percebesse, já tinham roubado meu dinheiro.
Tony, não sei como dizer isso...
mas eu não acredito numa palavra disso.
Legal, me chamando de mentiroso.
Teus pais ligaram.
Eles ligam todo dia.
O que eles te fizeram?
A casa deles está destruída e você desaparecido.
Teu pai tá pronto pra matar alguém.
Tua mãe ligou ontem e chorou meia hora.
Estou no meio das minhas provas, tenho mais o que fazer.
Você não fala nada.
Aí aparece à meia noite,
coberto de sangue e com uma estória ridícula.
Estou cheio disso.
Você está me usando.
Abra os olhos!
Teu plano falhou, você está perdido.
Ou não estaria aqui me fazendo parecer a Madre Teresa.
Soo...
Eu fui atacado, estou todo arrebentado.
Aí eu penso que tenho um bom amigo. Ele vai me ajudar.
E o que eu recebo? Um sermão.
Se preferir que eu vá embora, então fale.
Ok, tudo bem.
Ou você vai, e não quero te ver de novo.
Nunca mais.
Ou adimite que está perdido, e ligamos pros teus pais agora.
Ou amanhã de manhã.
Você não tem escapatória. Desiste.
Ei, cara,
o que você sabe?
Ladrão!
Desgraçado! Viado escroto!
Me soltem, seus filhos da puta, ou eu mato vocês!
Se a polícia te pega, você vai pra cadeia.
Eu não posso evitar, acredite em mim!
Está bem, está bem. Merda.
Pegue tudo, caralho!
Que bom amigo você é!
Seu merda! Nunca mais quero ver tua cara feia de novo!
Ouviu, Seppe? Nunca mais!
Olha quem está aqui! Tony Hanssen,
nosso advogado...
Eu estava por perto e pensei...
Vamos ver se o André tem um emprego pra mim.
Talvez você possa ajudá-los a carregar o caminhão.
O que aconteceu?
Não dá pra ver?
Eles amam tanto o meu bar que estão levando os móveis com eles.
Eu perdi tudo.
Você tá com tua van?
- Está ali. - Ótimo.
- Me leva. - Pra onde?
Pro idiota que me vendeu isso cheio de dívidas.
Eu vou mostrar pra ele.
Não seria melhor esperar?
Pra que, se posso bater nele agora?
E se ele não estiver em casa? Ele pode ter ouvido o que aconteceu.
Se eu fosse ele, não ficaria em casa.
Vamos até a loja do pai dele.
Vamos arrebentar tudo.
O que que ele tem a ver com isso?
Ele gerou o Judas! Portanto, é tudo culpa dele. Vamos.
Tchau.
Você voltaria para a prisão por isso?
Alguém tem que pagar por isso ou eu enlouqueço.
Então, encontre alguém que realmente seja culpado.
Droga!
Eles me pegaram da mesma maneira que fizeram com minha floricultura.
E eu devo sentir pena deles!
O banco! É isso, claro.
Quanto você tem com você?
- 2.000. - Só isso?
Não dá pra uma arma.
Uma arma.
Como podemos roubar um banco?
Nós? Roubar um banco?
- Você sugeriu isso. - Eu não sugeri roubar um banco!
Você sugeriu. Uma ideia brilhante. Esperamos até a hora de fechar,
eu entro, você espera na van.
Eu saio, você dirige, e nõs atravessamos a fronteira.
Fantástico! Vamos nessa.
Não, não vamos.
- Sim, nós vamos. - Não.
É fácil pra você.
Caras como você sempre são pra trás.
Nunca querem se arriscar de verdade.
Eu não tenho tanta sorte.
E como amigo, estou te pedindo pra me ajudar.
O que é isso? Um sim ou um não?
Sob uma condição.
Ninguém se fere.
Que se dane. Olha isso...
Isso tava na tua van o tempo todo?
É um sinalizador.
Isso não serve.
Eu já disse, ninguém se fere.
Pra assustá-los, se precisar.
Eu não posso acreditar nisso.
Eu serei condenado.
É só o que precisamos.
Não me olhe assim.
Que horas são?
Treze pras cinco.
Existem coisas na vida que ninguém pode definir.
Um ovo é fácil. Sai da bunda de uma galinha.
Se ele quebrar, você pode fazer uma omelete.
Se não, sai outra galinha.
Mas como você define o tempo?
Que horas são?
Dez pras cinco.
E amizade... Como você define isso?
Você vê um amigo depois de dois meses, e você não tem nada a dizer.
Você vê outro depois de 5 anos
e você começa de onde parou.
Mas como se pode definir isso?
Eu não faço ideia.
Ei, o que você vai fazer com toda essa grana?
Depositar no banco.
E se você quiser ficar completamente louco,
tente uma definição dupla.
Os efeitos do tempo na amizade,
ou o que a amizade faz com o tempo.
Não se deve pensar muito sobre isso.
É o suficiente para perder a cabeça.
Que horas são agora?
Dez pras cinco.
O que? Dez pras cinco?
Foi o que você disse antes.
Seu desgraçado, você me sacaneou!
Calma, André. Se acalma.
Se acalma você, Judas!
Traidor!
Me devolve esse relógio!
O que você fez com ele, seu babaca?
Rolexes verdadeiros nunca param.
Talvez seja falso.
Está dizendo que não consigo roubar um Rolex de verdade?
Que eu te dou presentes ruins?
Dez pras cinco!
Dez pras cinco...
Talvez isso seja um sinal
de que agora não é o momento de roubar um banco.
Falando em sinais...
É o momento de roubarmos um banco.
Por favor...
Pode me dizer que horas são, senhor?
Faço o que eu digo ou eu te mato.
Entra, eu vou te seguir.
Está claro?
Olha o que eu encontrei. Vai chamar a polícia!
André, não!
Caralho... Essa é a última vez que roubo um banco.
Entra, seu bunda mole!
Vamos, André!
Caralho.
Posso dar outra tragada?
Vai sair por todos os buracos.
Merda de banco!
Eu quero sair de férias.
Já estamos na beira da água.
Você já pescou?
Não.
É relaxante.
E agradável.
Isso dói.
Posso dar outra tragada?
Não está muito bem enrolado, Tony.
É a minha primeira vez, André.
Fale alguma coisa.
Vamos, diga alguma coisa.
Ainda podemos nos lavar, não, senhor?
Sim.
Honras de primeira classe...
Honras da 2ª classe superior...
O que você está fazendo aqui?
Eu teria ido à sua casa, mas você disse...
Esqueça o que eu disse.
Eu estava com raiva, cansado, nervoso.
Não, não, você estava certo. Eu menti. Meu plano saiu pela culatra.
Eu me fodi.
Por isso estou aqui.
Eu vim me despedir.
Que besteira é essa?
Não desista.
Tá, você perdeu um ano. E 150.000 Francos.
E arruinou a mobília dos seus pais. E daí?
Você pode recomeçar. Se eu consegui o diploma, você também pode.
Vou para o exterior.
Pra sempre.
Exterior, é?
Você nunca vai mudar, Tony.
Você nunca vai mudar também, Soo.
Sabe, você nem me perguntou como eu me sinto.
Como você se sente?
Formado.
Parabéns.
Às vezes você é um verdadeiro babaca...
Eu senti tua falta.
Não vai, eu tenho muito pra te contar.
Venha comigo, se tem muito a dizer.
Acabei de receber meu diploma. Posso começar um estágio,
graças ao teu pai. Ele não é má pessoa.
- Se cuida. - Precisa de alguma coisa? Dinheiro?
Dinheiro, dinheiro... Cale a boca um pouco.
Não estrague tudo. Soo...
Você é o único que sentirei falta. Mas vou sentir sua falta.
aaLegenda: RAINBOWPOWER
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