All language subtitles for Little.Coincidences.S03E09.720p.AMZN.WEB-DL.DDP5.1.H.264-NTb

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Original subtitles

Com a colaboraçao de

Perder um pai dói muito.

Mas dói mais ainda perdê-lo enquanto...

jogava paintball com ele.

Por isso, eu...

Desculpe, a morte me afeta muito.

Eu também. Gostava do Joaquim.

Que Joaquim? O Joaquim sou eu.

Ah, você não ser o morto?

Que morto, não me amole, o morto é o outro!

Para mim todos os ocidentais são iguais.

Pelo menos pude brincar com ele.

Fico com essa recordação.

Com essa e com a da cabeça torta

depois de bater na pedra, que provocou

a rotação de vértebra que causou sua morte.

Obrigado.

Meu pai e eu dividíamos muitas coisas.

Até demais. Se aprendi algo com meu pai,

é que é melhor não dividir certas coisas com os filhos.

Nem com os amigos.

Embora não sejam mais.

Não sei o que falar do meu pai.

Não é uma frase feita,

realmente não sei o que contar.

Meu irmão e eu não o conhecíamos.

Tinha mais informação no perfil dele no Tinder.

Aproveito a ocasião para pedir

que parem de dar match e de marcar encontros com ele,

porque, por razões óbvias, não poderá comparecer.

Meu pai abandonou a mim e a meu irmão

e a minha mãe quando eu tinha cinco anos.

Acredito que essa é a coisa mais importante que aprendi com ele:

que não quero perder meu filho.

Não quero deixar de vê-lo crescer.

Não quero que venha a meu enterro em 40 ou 50 anos

e diga que não me conhecia e que não me perdoa.

A propósito,

suponho que não consiga me ouvir, mas saiba que não perdoo você.

Obrigado.

Jesus não pode ser o pai do Josemi.

Sem brincadeira, como esses três vão ser irmãos?

Não se parecem em nada.

Não é como Diego, Josemi e eu, que somos iguaizinhos.

Ou como minha irmã e eu, que somos como duas gotas d'água.

PEQUENAS COINCIDÊNCIAS

Criado por Javier Veiga

Quê?

É normal afetar-se pelo que houve com seu pai.

-Também estou assim. -Mas seu pai está vivo.

Sim, mas deve lembrar que quase o perdi.

Sim, mas deve lembrar que quase doei um rim para ele.

Sim, mas deve lembrar que foi meu irmão quem doou.

Sim, mas deve lembrar que agora é meu irmão.

Que culpa tenho eu de que fôssemos incompatíveis?

Você e meu pai ou nós dois?

-Javi! -Como vai, Marta?

-Como vai?

-Olá, amigo. -Olá.

Não lembram dos nossos nomes?

Hã...

Se serve de consolo, nunca soubemos quais eram.

Não tem desculpa, somos Marta e Javi.

Sério que se chamam Marta e Javi?

Sim, até colocamos o nome do bebê inspirado em vocês.

O nome dele é Cristóbal?

Não!

Álex. Não é o máximo?

Álex, de Alexandra, é uma menina.

A propósito, onde está o Álex de vocês?

Não me digam que ganhei a aposta que fiz com Javi?

-Que aposta fez com você? -Não, não com ele, comigo.

Apostou que ia acabar com o Javi. Eu apostei no Álex.

Não é nada pessoal. Ele parecia mais pai,

mais responsável, melhor pessoa.

Ainda bem que não era pessoal.

Sabia que ia ficar com o Javi. Vocês têm mais química.

-Sim, mas eu sigo com o Álex. -Por enquanto.

A Marta sempre diz que sabe que no final ficaremos juntos.

-Não disse isso. -Não, quem diz é a outra Marta.

O Cristóbal está melhor com o pai dele,

não com o Álex. -Papai.

Me chamou de papai? Me chamou de papai.

Não era para você, foi bem na hora que disse...

Quê? O pai dele sou eu, não o Álex.

Papai.

Ei.

Javi.

Javi, papai.

-Eu, papai, não Álex. -Papai.

Ótimo, fiquei sem pai e agora fico sem filho.

Acha que o pai dele é o Linguiça.

Papai!

-O que foi? -Ai!

Acordou!

Bom.

De qualquer maneira, tinha que ir igual, né?

Não, posso ficar mais. Hummm!

Sim, Nacho, mas daqui a umas horas tenho um voo para Sydney.

-Não era amanhã de tarde? -Sim.

Mas com a diferença de horário...

Se quiser, posso ir, sem problema. Meu pai só acabou de morrer.

Não, não disse para você ir!

Legal, então fico com você. Posso esperar você voltar.

Ótimo.

Não, olha, Nacho, é que...

Sei que o que houve com seu pai afetou você.

Mas esse não é um bom motivo para vir morar comigo.

E se eu disser que o David me expulsou?

Não tenho casa. Este sim é um bom motivo.

E que a gente se ama.

Este é um motivo melhor ainda para morar juntos, né?

É muito simples!

O Jesus era um cara que o Josemi e eu conhecemos num bar.

E no fim era um amante da minha ex

quando ainda não era ex.

Ainda, ele era o namorado da melhor amiga da minha filha.

Que, por sua vez, era a ex do irmão

de um ex-namorado da minha filha, que também é filho do Jesus.

Que quase me deu um rim.

Que fez um filho com minha filha, que também é neto do Jesus.

Ou seja, eram consogros.

Droga, se simplificar...

E ele é o pai do Josemi?

Não sei. Como morreu, não dá para fazer o exame.

Como não?

Podem fazer um exame com o DNA de um dos filhos

para saber se são irmãos do Josemi.

Não brinca!

Com o Javi e o Nacho?

Posso saber se o Josemi é meu...

Ai, ai, ai, muitíssimo obrigado!

Me alegrou a noite. Ai, que...!

Desculpe.

Hã...

Fui longe demais.

-Sabe o que é o pior? -Que não tem aonde ir?

Não!

Também. O pior é que você acha que quero

morar com você por causa do meu pai, depois do que ele me fez.

E do que ele te fez.

Não quero falar sobre isso.

Nunca quer falar de nada. Por isso que meu pai deixou você.

Quê? Eu que o deixei.

Mais respeito, Elisa, acabamos de enterrá-lo.

Ele foi cremado.

-Vou para a casa do David. -Ele expulsou você!

Como vai me expulsar, se acabei de ficar órfão?

-Seria uma pessoa muito ruim. -Nacho, está exagerando!

Só digo que...

o motivo para morarmos juntos não é romântico.

Cada vez que faço algo romântico você diz que sou bobo.

Não, isso não é bem assim.

E então, por que não nos abraçamos,

pegamos uma mantinha e assistimos a "A Força do Destino"

e vemos o final em loop? -Pare, pare.

-Você é muito bobo! -Acabou.

Na próxima vez, você que se esforce pelo gesto romântico.

-Fora, não quero você na cozinha. -Faço o quê?

Vá endireitar as pontas dos garfos.

Chefe, o morto sentou na mesa.

O que é isso de morto?

Ah...

Como vai, Joaquim?

Um prazer recebê-lo, mas está tudo reservado.

Ah, não, vim pedir um favor e já vou embora.

Mas já que estou aqui, posso tomar um martíni.

E se me trouxer umas azeitonas ou uns torresmos...

Preciso da mesa. O que você quer?

-Que cuspa para mim. -O quê?

Não em mim, neste pote.

Preciso do seu DNA para saber se o Jesus era o pai do Josemi.

Joaquim, não vou cuspir.

Não se cospe, não tem torresmo, não é uma taberna do século XIV.

-Guarde isso. -As cinzas do nosso pai.

Quer que a Vigilância Sanitária feche o restaurante?

O David não curtiu ficar com isso na casa dele.

O Paco pode guardar no depósito.

Morto, no depósito?

Acha que é um restaurante chinês?

Paco, não seja racista.

-Mas se ele é chinês. -Não, é coreano.

O Rafa pode guardar.

Não, o Rafa não encosta nas cinzas, ele dormiu com minha ex.

Seu pai também dormiu com sua ex.

-Estou rodeado de safados. -Você também dormiu com minha ex.

Não vamos revirar o passado.

Isso mesmo, pensem no futuro. Me deem uma amostra de DNA

pro teste de paternidade do Josemi.

Se der negativo, não precisam dividir a herança com ele.

Não brinca! O que faço, mijo aqui?

Não tem que mijar, só precisa da saliva.

Vá ao banheiro, cuspa aqui, assim ele some de uma vez.

Ei, ei, pegue. Cuspa você também.

Não acho que aquele ali seja filho do Jesus.

Bela Adormecida!

Tem visita.

David, estou ocupado. Pode dizer a ela que vá embora?

Não, Nacho, não sou seu menino de recados.

Já chega que seja seu senhorio.

Nacho, vim fazer as pazes.

Estilo gesto romântico.

-David, pode...? -Ok, Nacho.

-A Elisa disse... -Para ela sim, e para mim não?

-Por favor, Nacho, não seja imbecil.

Uma mulher assim não aparece na sua casa todos os dias.

No seu caso menos ainda, já que não tem casa.

Por isso mesmo isto é muito humilhante.

Sou um motorista de Uber de 40 anos, órfão e divorciado.

Minha ex-mulher tem um caso com meu melhor amigo.

E minha namorada, que dormiu com meu pai morto,

não tem um gesto romântico comigo.

Por isso estou como sem-teto no sofá de um argentino.

Quando foi embora?

Chegou até a parte em que a acusava de necrofilia.

Por isso, Marta, acho que deveria deixar o Álex.

O que acha?

Ruim. Papai, está de luto, mas não pode usar isso de desculpa

para que a mamãe deixe do Álex. É um golpe baixo.

Não, é um golpe baixo o seu irmão chamar o Álex de papai.

Ele passa mais tempo comigo. Ele me lê um conto todas as noites.

Verdade, e agora o levou para passear no parque.

O Linguiça está tomando o seu lugar.

Ao parque?

Vamos sentar ali?

Hã... Nesse banco?

Não sei.

Tá.

Não, melhor não.

-Não gostou do banco? -Não.

O banco está ok, normal, é um banco.

Mas tem outros bancos, né?

Sim, sim, sim, claro.

Falei porque esse é bonito.

Que chato, não quero este banco, Javi, já chega!

Hã...

-Vamos para outro? -Me chamou de Javi.

Sim, mas era pior quando chamava de Linguiça.

Sim, mas é a terceira vez esta semana.

Mas já é sábado.

A média diária não é alta.

Enfim, se preferir mudar de...

Sim, prefiro mudar de assunto.

Não quero falar do Javi porque ele já não é nada meu.

Queria dizer, se prefere que

a gente mude de banco, este aqui está bom.

Ei!

-Como vai, Marta? -Como vai, Javi?

Vai chamar todo mundo de Javi?

Não, o nome dele é Javi mesmo!

A mulher dele se chama Marta e o filho se chama Álex.

Marta, essa história não cola.

Juro que é verdade!

Javi.

Outra vez? Meu nome é Álex.

Sim, sim, mas o Javi está vindo.

Como assim que histórias contamos?

-Que histórias contam? -Posso ver sua caquinha?

Quer ver minha caquinha?

É o título da história.

"Posso ver sua caquinha?". Um coelhinho sai pelo bosque

olhando as fraldas dos outros animais e encontra cocô.

E o coelhinho aprende que pode fazer cocô no penico.

Ah, que lindo.

E algo menos escatológico não tinha, né?

Seu filho adora. Cada vez que o coelhinho

encontra cocô, o Cristóbal se mija.

O Cristóbal se mija, normal. É uma merda de história.

Não é uma história de merda e é educativa.

Sim, mas cadê "Chapeuzinho Vermelho" ou "Os Três Porquinhos?

Os psicólogos não recomendam.

Acha normal, falar de lobos antes de a criança dormir?

Talvez se cague de medo. Melhor que o coelhinho se cague.

Álex está tentando fazer o melhor para o Cristóbal.

Estou aqui para isso, o pai dele, não Álex.

Papai.

Vou para a sombra com o Cristóbal.

Vamos, gorduchinho.

Marta, isso não é bom para ele.

Não pode ter dois pais.

-Josemi tinha dois pais. -E olhe no que deu.

O Cris só tem um pai. O que quer que eu faça?

Que largue o Álex. Que o Cristóbal largue o Álex.

Que o Álex pare de agir como se fosse o papai.

Está bem, vou dizer para o Álex que não seja carinhoso com o Cris,

que não conte histórias, que não o abrace

que não troque as fraldas e não dê comida quando eu não puder.

Obrigado.

Estava sendo irônica.

Não acho engraçado. Não o suporto.

Não suporto que conte histórias de cocô.

E não quero que chame meu filho de gorduchinho.

Ligue para o Conselho Tutelar e denuncie por bullying.

Não descarto fazer isso, mas vou levar o livrinho.

-Me dê essa merda aí. -Quê?

Isso aí, o negócio do cocô, vou jogar no lixo.

Vamos ver.

Mas...

Que merda é essa?

A sacola das fraldas sujas, o negócio do cocô.

Tenho medo de ver o que tem dentro.

Deveria dar no mesmo para você. Que diferença faz?

A única coisa que importa é o que tem aqui.

O coração está no outro lado.

Eu sei, por isso mesmo.

Todos temos dois de cada:

dois olhos, duas orelhas, dois pulmões, duas mãos.

Mas um só coração.

Por isso deixaram este espaço vazio,

é onde se colocam as pessoas que se ama.

Então o coração não serve para nada?

Para bombear sangue. Acha pouco?

Mas este coração é o que você tem que trabalhar.

Tem que cuidar dele, Senti-lo.

Coloque a mão, sinta.

Falava do seu peito.

Ah!

-Desculpe, me confundi! -Caramba, Joaquim!

Ontem, um beijo, hoje pega no meu peito.

Estou impaciente para saber como serei surpreendida amanhã.

Todo mundo quieto!

-Trouxe os testes de paternidade. -Já foram.

-Quem é o senhor? -É meu pai.

Hã...

Disse que sou seu pai?

Renunciei à herança.

Percebi algo

que há tempos me dizia e eu não enxergava.

-Que você é gay? -Quê?

Não, que tanto faz quem seja meu pai biológico

o que importa é o pai que sempre esteve presente.

Meu pai.

Também aprendi uma coisa.

Todos têm dois olhos, dois pulmões,

dois rins, eu só tenho um, mas você tem dois.

Tenho um, doei o outro para você.

Quieto, não me confunda!

O que quero dizer

é que tanto faz o que diga este envelope.

Porque te carrego aqui dentro.

Josemi.

O coração não fica do outro lado?

O que importa onde fica o coração?

Se abracem, isso foi muito lindo.

Olá, olá.

-O que é isso? -As cinzas do meu pai.

E as trouxe para o parque?

Vim da leitura do testamento e as recebi de herança.

-Não ia deixar lá. -Vamos deixar aqui.

Pode brincar com o vovô.

Não coloque aí, Marta!

Tá, tá, desculpa. Que chatos.

Pegue.

É um presente para o Cris.

"Peter Pan"?

Sim, com certeza vai gostar mais.

-Com certeza, é sobre o pai dele. -Que engraçada.

Você é mais a Wendy, a moleca que amadurece e se torna mulher.

-Isso é ruim? -Não sei.

Achava que era mais a Sininho.

Falava das histórias românticas,

imaginava você na Terra do Nunca.

Para ser a Sininho, precisaria dos pós mágicos.

E estou muito ocupada limpando o cocô de um dos meninos perdidos.

Se não tem pós mágicos, não é culpa do Peter Pan,

é culpa do Capitão Gancho, isto é, do Capitão Linguiça.

Muito bem, fique você na Terra do Nunca,

uma expressão que define o futuro da nossa relação.

Marta, é que você fala como se a vida fosse limpar cocô.

Acho que podemos ser pais sem renunciar à vida de antes.

Talvez não tenha limpado cocô o suficiente.

Vamos dividir essa merda. Por que não podemos fazer juntos?

Porque somos dois egoístas que só olhamos para nosso umbigo.

Agora o Cristóbal é o protagonista.

Como vai ser o protagonista? Nem sequer sabe falar.

Seria uma merda de protagonista.

Ele é o filho dos protagonistas,

é um bom personagem, mas não é o protagonista.

Eu quero é ver você o tempo todo na tela.

Por isso me apaixonei por você. Mas agora é hora de criar.

Isso não significa abrir mão. Mas não somos um bom time

porque somos dois egocêntricos. Se essa conversa durasse

mais cinco minutos, esqueceríamos de que está ali.

Quem?

Como assim quem? O Cristóbal. Viu só o que estava dizendo?

Sim, mas ele não está ali, está ali.

Viu só o que estava dizendo?

Pode soltar o carrinho? Estão olhando para a gente.

Não, não tenho problema com isso porque somos um bom time.

Ok, não soltamos. O que fazemos?

Se quiser, fazemos outro filho, assim cada um leva um carrinho.

Como os casais idiotas.

Quando o namoro vai mal, se casam.

E quando o casamento não funciona, fazem um filho para consertar.

E quando vão se divorciar, fazem o segundo.

Não somos casados, e não o fizemos para consertar nada.

Temos direito a uma idiotice.

-Javi. -Papai.

Disse papai?

Disse papai quando disse Javi.

Disse papai.

-Disse pa... -Este não é o Cristóbal.

Tem certeza? Não seja idiota, é uma menina.

Sim, sim, sim, sim!

Sim, toma, toma, toma!

Eu disse! Toma!

Eu sabia, eu sabia!

Eu disse!

Talvez não tenha dito, mas eu sabia.

Sim.

O que faz aí em cima?

Foi o que me sobrou de herança.

Jesus fez questão de que ficasse para mim.

Mas não acha que isso é o de menos?

Bem, não sei...

É estranho.

Desculpe, foi bobagem.

Eu sabia que Jesus não era seu pai.

Como ia saber, se as datas encaixavam.

E até tenho a pinta dos Rubirosa na bunda.

Que pinta que nada, essa marca eu que fiz!

-O quê? -Sim.

Tinha vergonha de contar para você.

Quando você tinha dois anos, na praia de Benalmádena,

não vi você e apaguei o cigarro

na sua bunda pensando que era areia.

Não percebi que estava lá.

Nunca percebe que estou aqui.

Comecei o dia com dois pais e terminei sem nenhum.

Vamos.

-Estávamos aqui e o carrinho... -Desculpe, desculpe!

-São eles! -Eles!

Os carrinhos são iguais e nos confundimos.

A bebê está bem, dormindo.

Tudo bem, Cris? Tudo bem, meu amor?

Tudo bem?

Deram algo para ela, prenda eles, estão loucos!

-O quê? -Estão obcecados com a gente.

Fizemos o pré-natal juntos e agora nos perseguem.

Acho que sequestraram o bebê também! São poligâmicos.

-Isso é verdade? -Bem, tenho um namorado, mas...

O sequestro. Que o bebê não é de vocês.

Claro que é nosso!

Não mesmo. Reviste o carrinho, tem um pote com droga.

Que droga? É o meu pai.

A droga é do seu pai?

Que droga? Não, são as cinzas do meu pai.

Por que leva aí? Bom, por que...

Morreu há alguns dias e acabaram de me entregar.

Foi ele que o matou!

O que está dizendo, sua doida? Claro que não.

Foi um acidente, estávamos jogando paintball.

Ia nos apresentar seu filho,

seu irmão, meu irm... Nosso irmão.

-Seu irmão ou dela? -Dos dois.

É que o pai dele teve um caso com minha mãe.

Viu só? São uns degenerados!

Isso é muito estranho. Documentos e a Certidão do bebê.

Ninguém sai por aí com a Certidão.

-Como vou saber que é seu filho? -Bom...

Posso provar.

Álex.

Papai.

Álex é você ou o bebê?

Álex é o meu namorado.

-Pronto, para a delegacia. -Não, espere.

Venha aqui, por favor, chegue mais perto.

Olhe.

Viu só a pinta na bundinha? O pai dele tem uma igual.

Mayday, mayday, perdemos os dois motores!

Perdemos altura. Pegue os controles.

Mas será...

Não. Nacho!

Nacho, onde está você?

Não se preocupe, desta vez tenho dois paraquedas.

Não são para nós.

São para eles.

Não!

Não, Nacho!

Nacho!

Ah!

Nacho, Nacho!

Chegou a...

Ai, não sei.

Vou para meu quarto, não quero ficar de leva e traz.

Agora quer voltar porque herdei uma parte da fazenda.

E por que segue morando aqui?

Fica na Serra de Gredos, lá não posso trabalhar com Uber!

Nacho, a fazenda não me importa.

O que me importa é você.

Merecemos um final como em "A Força do Destino ".

Agora você está ficando boba?

No fundo, sou uma boba.

Adoro estar com você, como nos olhamos, como rimos juntos.

Como fazemos sexo.

Mas sei que tem um desejo que não posso satisfazer.

Mas já fizemos tudo o que dá.

Não falo disso, bobo.

Nacho, não vou querer ter filhos.

-E sei que para você... -Também não quero filhos.

Fiz vasectomia depois de ter o Nachinho.

O quê? Por que não me disse antes?

Estou tomando pílula.

Faz meses que disse para parar de tomar.

Pensei que era para eu engravidar.

Cheira a outra desculpinha porque tem medo de ficar a sério comigo.

Acha que tenho medo?

Nacho... Pare, Elisa, não brinque comigo.

Faz por impulso e se arrepende depois.

Parece suficiente esta amostra de que pensei?

Nacho, quer ser meu copiloto?

Quer casar comigo?

Sim, diga que sim, por favor te peço, diga que sim!

Claro que quero. Como não vou querer?

Sim, sim, finalmente!

Finalmente, finalmente! Finalmente sai da minha casa!

Não, não, não!

Não, esse é meu quarto!

Pessoal, não, não, não!

Isso aqui a gente não precisa

contar para o Cristóbal quando for mais velho.

O que não quer contar,

que quase o esquecemos no parque ou que acabamos

na delegacia depois de mostrar a bunda a um policial?

Que seus pais quase se separaram.

Javi, esqueça isso.

Olha só.

Não acha que o que houve hoje é a prova definitiva

de que não somos um bom time?

Acho que somos um bom time, mas estamos no esporte errado.

Isso não significa nada, é só uma frase que soa bem.

Antes gostava de quando eu dizia frases que soavam bem.

-Javi... -Papai.

Disse papai.

Disse papai?

Disse papai.

Disse papai, né?

Disse papai.

Esse é o melhor final para o dia de hoje.

Vou entrando antes de que a gente estrague tudo.

Vai.

É...

Case-se comigo.

Quê?

Estou falando sério.

Nos últimos dias, pediu para deixar o Álex,

ter outro filho, ameaçou ir ao Conselho Tutelar

e agora me pede para casar com você.

O que vai pedir amanhã, que a gente se suicide juntos?

Então, me diga que sim, porque o suicídio é um trabalhão.

Teve mil oportunidades para me pedir em casamento.

E teria dito que sim mil vezes.

Está pedindo agora, para que eu diga não,

e você se sinta bem porque é minha culpa se não estamos juntos?

-Não, Marta, não é isso. -Sim.

Isso seria insistir no erro.

Pode até ser, mas prefiro insistir, não quero ir.

Estraguei tudo um milhão de vezes, mas amando você.

Faço tudo amando você.

Tudo o que fiz mal fiz amando você. Sempre.

Olha, não sei. Talvez sim.

Talvez suas mancadas tenham sido por amor.

Mas isso é por medo.

Não sei se é medo de me perder, ou perder o Cristóbal

ou ficar sozinho, como seu pai, mas isso não é amor.

Javi.

Acho que é melhor a gente não se ver por um tempo.

Vamos organizar para que siga vendo o Cristóbal.

Mas preciso de um tempo sem te ver.

Acho que é o melhor para os três.

Você e eu não sabemos ser três.

Isso também não significa nada.

É só uma frase que soa mal.

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