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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
Devias ter dado ouvidos à tua linda colega.
- Sabes que o artista gráfico está morto? - Porque pensas que estás aqui?
Nós não o matámos.
Foi um suicídio. Enforcou-se.
Encenar um suicídio é fácil.
Ele morreu antes de chegarmos.
Tens a certeza?
A autópsia confirmou-o.
- Não foi interrogado? - Não.
Ele tinha algo a esconder?
Nem tudo é tão complicado quanto imaginas.
Às vezes, as respostas certas são as mais simples.
O teu polaco está a melhorar.
Já distingo as tuas ameaças da tua conversa de merda.
Este hotel.
O que queres, afinal?
Até cães maltratados sabem quando devem parar de ladrar.
Quem é a Ofelia? Sabes quem é, certo?
Este caso vale a tua vida?
Podia perguntar-te o mesmo.
Gosto de ti. Não quero que te magoes.
Então, não me magoes.
Não sou o único vilão no mundo.
Quero isso de volta.
Mais uma pergunta.
Para de ladrar.
O que prometeste à Julia?
Devias ter-lhe dado ouvidos.
O que lhe prometeste?
O que fazes aqui?
O que aconteceu?
O que esperavas?
Mostra-me. Vá.
Ele não tinha de bater-te.
Mostrou o que significo para ele.
Só o informei da reunião.
Que tu podias...
ter novas informações.
E prometeu-te o quê?
Tirar-me daqui.
Pela Malásia, até ao Vietname. E depois, para a Austrália.
É mais fácil fugir por leste do que pelo oeste.
E vai arranjar-me um passaporte.
Não sabia que andavas tão desesperada.
Sabias, sim.
Que mais lhe vendeste?
Também não és um santo.
Talvez não. Mas alguma vez te tramei?
Nós só...
Só trocámos informação.
Sobre...
Sobre este suicídio.
Acreditas mesmo que ele vai tirar-te daqui?
Porque mentiria ele?
És demasiado preciosa.
Vai manter-te cá para ter mais influência.
Anatol...
Eu oriento-me. Já sou uma menina crescida.
Que gosta de se meter em sarilhos.
E estou a olhar para eles.
O estudante deu-te alguma coisa?
Disse algo em concreto?
Deixa as chaves!
Não apareceu no noticiário.
Nem vai aparecer.
Não antes de inventarem uma história qualquer.
Vão demorar algum tempo a descobrir que foi gás.
E? Vingámo-nos.
Ótimo.
- Mac! Effy! - Sim?
O Comité Central terminou a reunião de emergência.
E então?
O Comandante Trojan foi nomeado o novo Ministro da Segurança Nacional.
- O Trojan? Tens a certeza? - Sim.
Já avisaram as unidades regionais de comando.
Então, ele sabia. Sabia que não devia entrar no avião.
- Pode haver um milhão de razões. - Não, ele sabia.
Se for verdade, devemos eliminar as nossas ligações.
- Com todas as fontes. - Nem pensar.
Maciek, ele tem razão.
Demorámos anos a recrutá-los e treiná-los, não podemos acabar com tudo.
Confias malgum deles?
Então, somos só nós!
E voltamos a atirar pedras e a pintar grafitis.
É melhor do que ser executada.
- Estamos preparados para... - Não!
- Não, se não for por nada. - Enviámos um miúdo para a morte!
E agora queres recuar?
Não vamos recuar.
- Olá. - Olá, Comandante.
Inspetor.
Então, sempre é verdade?
O último a sair, e o primeiro a chegar.
Hoje não, pelos vistos. O que se passa?
Fala-me da Brigada Ligeira.
Não sabemos muito. Não são a oposição democrática,
essa foi eliminada.
Não sabemos se têm um manifesto.
Há quem diga que são radicais como o IRA, a ETA ou o Sendero Luminoso, do Peru.
- Terroristas. - Ou soldados da liberdade.
Depende do ponto de vista.
São anticomunistas, nacionalistas, anarquistas,
cristãos militantes ou tudo isso ao mesmo tempo.
O Serviço de Segurança considera-os uma enorme ameaça para a segurança nacional.
Existe um líder?
Não sabemos quem é.
Usam a imagem de Emilia Plater,
a heroína do Levante de Novembro contra o Império Russo.
Lembro-me disso nas lições de História.
Poderá ser ela?
Onde arranjaste isto?
No meu caso de homicídio. Creio que era a namorada dele.
Este é o trabalho de alguém apaixonado.
Meu Deus, Janów. O que sabes sobre ela?
Chama-se Ofelia. Ajuda-me a encontrá-la.
Precisamos de falar com o Comandante Górski.
Temos de cumprir o protocolo.
Para isso, entregava um relatório ao Serviço de Segurança.
Então, temos mesmo de falar com o Comandante.
Já passava da meia-noite.
Foi passear a cadela, como sempre.
Dizem que ela pode tê-lo puxado.
Não imagino como.
A Milícia sabe quem era o condutor?
Estão à procura dele.
O carro foi abandonado uns quarteirões mais abaixo.
Quando vim visitar-vos...
O Professor deu-me a pasta de um caso que ele julgou.
Qual caso?
Um triplo homicídio.
Posso ver os outros documentos dele?
Estão a levar tudo.
Livros, apontamentos. E os casos, também.
Para o arquivo nacional.
Encontrei isto nos documentos.
É o Piotr.
Eles eram amigos?
Sim.
Estará relacionado com este caso?
Kajetan, o meu marido julgou centenas de casos.
Não me falava deles.
Lamento.
Já sabes?
Fui falar com a mulher dele.
Lamento imenso.
Como está ela?
Está a aguentar-se.
A Milícia sabe de algo?
Encontraram o carro e andam à procura do condutor.
Se não quiseres ir à cerimónia, o meu pai vai entender.
Não, vamos juntos.
O Serviço de Segurança diz que a Brigada Ligeira faz dinheiro
vendendo livros banidos e filmes no mercado negro.
Podes ficar quieto?
O Lukasz Ziólek não só vendia livros ilegais, ilustrava-os.
Desenhava capas.
Mas também trabalhava para o ministério.
Vi muitos panfletos dele no gabinete do Modzelewski.
Foste falar com o Modzelewski? Meu Deus, Anatol!
O perfil dele é restrito.
Alguém o protegia. Quem, e porquê?
Para de andar de um lado para o outro, ou exijo-te isto por escrito.
O Modzelewski não quis ajudar-me.
Não se limitou a recusar.
Deu-me um aviso.
Vê isto.
Já viste algo assim?
Não é um simples esboço para um grafiti.
Essa rapariga existe. Isso é um retrato.
Vai direito ao assunto.
Creio que o Lukasz podia ser um agente infiltrado.
E também era importante para o Tio.
O suficiente para encontrar-me, bater-me e interrogar-me.
Ambos os lados usaram o rapaz.
Daí ter um perfil de Nível Um.
E foi por isso que o Tio ficou aliviado
quando soube que o Ziólek se suicidou.
Temia que ele tivesse falado ao ser interrogado.
Que ligações teria o Tio com a Brigada Ligeira?
Ele não se mete em política e é tudo menos revolucionário.
É um homem de negócios.
Fornece armas a grupos de resistência na Jugoslávia e na Chechénia.
Pode ter começado a vender aqui.
Anatol, não somos uma unidade de segurança nacional.
Só estou a investigar um potencial caso de homicídio.
Eu tenho detetives para isso.
Que reportam secretamente ao Serviço de Segurança.
Qual é a melhor forma de atrair esta tal de Ofelia?
Resolver o mistério da morte do namorado.
Dar-lhe algo. Gerar confiança.
Não somos o inimigo, ao contrário do Partido e do SS.
Desde que tenha sido um homicídio.
Desde que ela acredite que foi um homicídio.
Se pudéssemos contactar a Brigada Ligeira...
Isto não sai desta sala.
Obrigado.
Isto é ficção?
Vem comigo.
Como está o teu vietnamita?
- Sei umas 500 palavras. - Chega.
Vai falar com o tipógrafo, o Hien Sien.
O Lukasz queria tinta preta.
Dizia que as outras tipografias poupavam nela.
Andava sempre a pedir-me tinta preta.
A princípio, odiava-o, mas depois gostava dele.
Tinha orgulho no nosso trabalho.
Fez-me ser melhor.
Não creio que ele acreditasse nestas palavras.
E o senhor, acredita?
Eu imprimo o que me mandam.
Esta visita ainda não é oficial.
Creio que concordo.
A Polónia recebeu-nos, quando mais ninguém o fez.
Deram-nos emprego e educação
quando o nosso país não tinha nada para nos dar.
Receberam as nossas crianças como se fossem vossas.
Ensinaram-lhes a vossa língua e a vossa cultura.
Trataram-nos como iguais.
Demonstraram a vossa verdadeira natureza cristã.
E o Lukasz também era um bom cristão.
Era fiel.
Ele não se matou.
Olá.
Olá.
Vim à procura de informação.
A sua identificação.
Passe aqui, por favor.
DESCENDENTES DE VÍTIMAS DO 12 DE MARÇO DE 1983
Como posso ajudá-lo, Sr. Skowron?
O meu professor deu-me esta foto.
Pode ajudar-me a identificar essas pessoas?
É de um casamento.
E este é o meu professor.
O Juiz Zurawski.
Ele deu-lhe esta foto?
Sim.
Disse que era uma recordação e quis que eu ficasse com ela.
- Creio que é uma pedaço de história. - Provavelmente.
Muito bem, vou ver.
Vejo Kazimierz Swietobór, Comandante das Forças Armadas da Polónia.
Ainda era tenente.
Eu conheço-o. Quero dizer, vi-o uma vez.
Este, não conheço.
Também não conheço esta pessoa.
Não conheço, não conheço...
Oskar Modzelewski, Ministro da Segurança Nacional.
Não o era na altura, claro.
Não conheço esta mulher.
Interessante. Este padre parece ser o Wojciech Adamus.
O Cardeal?
E Primaz.
Ainda nem era arcebispo.
Deve ter sido o casamento de alguém importante.
Faz ideia de quem?
Ainda não, mas venha comigo.
Não, por aqui.
Tal como todos os departamentos nacionais, estamos em processo de digitalização.
O sistema será enorme, um arquivo perfeito.
Todo o tipo de informação estará disponível a qualquer momento.
Até as coisas do tempo da formação da Segunda República, mas...
Para ser franca, vou sentir falta da emoção.
De encontrar algo surpreendente entre os documentos.
Venha.
Vinte e sete...
Interessante.
Só iam...
ser arquivados daqui a um ano.
Terá sido alguma prioridade?
Do que estava à procura?
Estava a pensar
que a foto pode ter sido tirada no outono de 1982.
Antes dos atentados?
Sim. E antes do Tratado do Primaz.
O Modzelewski e o Swietobór foram nomeados pouco tempo depois.
E o Zurawski foi para o Supremo Tribunal?
Exatamente.
Esta era a nossa secção sobre esse período.
Claro que o Partido tem o seu arquivo, mas o nosso era o maior. Bem...
O progresso é tudo.
QUARTEL GENERAL DO ESTADO-MAIOR
PARA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA ISLÂMICA DO IRÃO
PARA O LÍDER DAS FORÇAS ARMADAS DA REPÚBLICA POPULAR DA POLÓNIA
Não escolhemos estes atos...
Somos forçados a cometê-los em prol da defesa da nossa nação.
Com o vosso apoio, juro que o faço de consciência tranquila...
e de coração aberto.
Cavalheiros, estamos a escrever uma nova história da Polónia.
Uma história na qual a nação se livra da ditadura de potências estrangeiras
e do terror do SS.
Deus, Honra, Pátria.
Deus, Honra, Pátria!
Iniciem os vossos preparativos.
NOVEMBRO DE 1982
Kajtek, Effy! O jantar está quase pronto.
Desenha-me um dragão.
Olá, crianças.
Wiktor.
- Não é grave. - Chega disto.
Foi só uma altercação, dei de caras com a ZOMO.
Vai para a cozinha.
- Deste de caras com a ZOMO? - Sim.
- Esta batalha não é tua, Wiktor. - Esta batalha é nossa.
- Nossa? - Eles não vão parar milhões.
Milhões? Do que estás a falar? Vocês contam-se pelos dedos...
Como é que ele se chama?
É uma menina.
Um dragão-fêmea? Que giro.
- Mas como se chama? - Effy.
Tens um nome de dragão?
Sim, Kajtek.
Kajtek.
Karolina Lis.
Estás a brincar.
Filha do Ministro da Economia.
Estudante do segundo ano de Direito.
Não há mais dados, o que não admira. É muito protegida.
E ele?
É o namorado, Kajetan Skowron.
Os pais dele morreram no 12 de Março. Ele tinha cinco anos.
Foi criado pela avó comunista.
Escolas do Estado, bolsas de estudo...
Praticamente tudo o que o Estado podia dar-lhe.
Incluindo uma princesa do Partido como namorada.
Meu Deus, Effy. Mantiveste isto em segredo?
Esperava não precisar dele.
Porquê? Quem é ele para ti?
Bem, costumava ser tudo para mim.
Se o alcançarmos, teremos acesso a ela.
E depois, ao núcleo.
Este tipo é um produto do Estado. Completamente doutrinado.
Porque não conhece mais nada. Perdeu a casa e os pais.
Alguém os levou e o Estado tomou conta dele.
A nação inteira.
A minha avó tem na parede uma foto dele no funeral. Pensa bem.
A quem será ele leal?
Bem, vamos mostrar-lhe a Polónia real. Consegues encontrá-lo?
- Se estiver ativo. - Vamos.
Bom.
Aqui. Acabou de enviar-lhe uma mensagem.
Sabes onde é?
Mais alto, Kajtek! Não tenhas medo.
Sobe!
Devias proibi-lo, ele anda a arriscar a vossa vida.
- Só o Kajtus importa. - O meu marido também importa.
Queres sacrificar o futuro do menino?
O Wiktor pensa que é uma guerra.
- Eu passei pela guerra a sério. - Pois.
- Não sabes o que é. - Pois.
Desde que haja paz, não importa quem está no poder.
O Wiktor diz que este é o momento certo. O momento...
Assim, arruínas a vida do Kajtek. Não o permitirei.
Ele também é do meu sangue.
E do sangue do teu pai.
- Tenho o direito de defendê-lo. - Sim.
Obrigada.
Kajtek, vamos.
Não vás.
- A Effy pode vir? - Hoje, não.
Adeus, Effy.
Hoje em dia estragam os miúdos com mimos.
Os meus pais livraram-se logo de mim.
Tive de orientar-me.
Certo.
Ótimo.
Ainda tens a cicatriz?
O quê?
Por caíres do escorrega.
Cair do escorrega?
Partiste a clavícula, fartaste-te de gritar.
Eu arrastei-te para casa.
Com um agente da Milícia.
Quando a tua mãe te viu nos braços dele...
quase perdeu o juízo.
Pensou que tinhas sido baleado.
Effy.
Olá, Kajtek.
Curaste-te depressa. Querias voltar para a rua.
Nem acredito que te lembras disso.
Escuta, amanhã vou a uma festa. Se quiseres, podes vir comigo.
Está bem.
Para contar-te mais coisas.
Está bem.
Boa.
- Adeus. - Adeus.
Espero aqui por ti.
Quem era a rapariga?
Qual rapariga?
Vi-vos pela janela.
É uma amiga da faculdade.
Pois.
És muito parecido com o teu avô.
Estou orgulhosa de ti.
É tudo graças a si.
Numa caça ao homem a nível nacional...
Também deste uma ajuda.
... procurado por atropelar um homem
e abandonar o local do acidente.
Ótimo.
A vítima era um juiz reformado do Supremo Tribunal,
e professor de longa data na Universidade de Varsóvia,
o Professor Janusz Zurawski.
O suspeito, Piotr Wybraniec, residente de Resóvia,
foi detido ao tentar atravessar...
Meu Deus.
... a fronteira com a Alemanha Oriental, em Swinoujscie.
O aluno dele. Tenho uma foto com os dois.
Qual foto?
Da pasta do Professor.
Será que a Milícia sabe?
O que te deu ele, ao certo?
Kajetan, diz-me.
- Não importa. - O que queres dizer?
A Milícia deve estar a par.
É tudo?
Sim.
Então, vieste sozinha?
Onde está o comité de boas-vindas com os capangas do Tio?
Venho em paz.
As minhas agentes encontraram o clube. A palavra-passe é "oculte seus desejos".
- Onde? - Número cinco, sob a ponte.
- Pertence ao Tio? - Sim.
Do que andas à procura?
O rapaz tinha mais do que uma vida.
Uma delas estava ligada ao clube.
Só isso?
Talvez encontre um amigo dele lá.
Vou contigo.
Dás muito nas vistas, todos te conhecem.
Então leva o Suchoparski.
- O miúdo? - Sim.
Ainda não está preparado. Se for lá, pode não voltar.
Tu voltaste.
Ao fim de 15 anos.
Julia, não te preocupes.
Sou um homem diferente.
Se precisares dum sítio para voltar...
Afeganistão?
Chechénia.
Ouvi histórias dessa guerra.
Onde?
Não estiveste lá.
Porquê?
O que ganhas com isto?
Não perguntes o motivo a um traidor.
Ele nunca dirá a verdade.
Isto não é traição.
Só será se perdermos.
Os políticos sabem meter-nos na guerra, mas não tirar-nos dela.
Acendem uma fogueira e perdem o controlo.
Prefiro impedir que acendam a próxima.
Devo-o a alguém.
E tu?
Acredito que o melhor para o país ainda está para vir.
Desde que fujamos à maldição do passado.
Mas, para isso, homens velhos têm de morrer.
Ou um em particular.
Poucas pessoas estão dispostas a incendiar o mundo.
Devo saber o que contém?
O mundo em chamas.
Oculte seus desejos.
A sua bênção.
Boa noite.
Boa noite.
Ministro, apresento-lhe o Kajetan Skowron.
Estudante de Direito e amigo da minha família.
Kajetan, este é Mikolaj Trojan.
- O novo Ministro da Segurança Nacional. - Prazer.
Novo?
O Ministro Modzelewski faleceu ontem num desastre de avião.
O que aconteceu?
Parece que a tripulação e os passageiros perderam os sentidos
com o piloto automático ligado.
O avião caiu numa floresta a leste de Moscovo.
Morreram 12 pessoas, incluindo o filho do Ministro.
Uma avaria. O avião foi despressurizado.
O Kajetan forma-se este ano.
Espero que, um dia, venha a ser político.
Que bom. Outro advogado.
Vamos sentar-nos.
- Vemo-nos depois da cerimónia. - Está bem.
Está a brincar com o fogo.
Ele está a colaborar?
Sim.
Sim?
Até agora.
Quando os americanos chegarem, logo vemos.
É bom voltar a ver-te.
Oculte seus desejos.
Está com sorte?
Não.
Prefiro jogar com dados.
Não é preciso pensar para ganhar.
Também gosta de arriscar?
Nem sempre.
Posso pagar-lhe uma bebida?
Mais um, por favor.
E dois shots, querida.
O da esquerda é meu.
Nasceu nas chamas da glória
A nossa grande Pátria
Outrora dividida Agora unida
Louvado seja o Partido
Que o grito entre as pedras Seja silenciado
Que a chama Se torne o Sol da manhã
O seu sacrifício salvou-nos
E a Polónia finalmente uniu-se
Há 20 anos, numa manhã de primavera,
o destino e a história voltaram a pôr-nos à prova.
Homens e mulheres dirigiam-se para o trabalho,
crianças dirigiam-se para a escola.
Deus chamou-os para o maior sacrifício.
Aqui está!
É tudo nosso!
Aposta tudo no galo, depressa!
- Tudo? - Tudo.
Está bem!
Oculte seus desejos.
Vamos?
Eles não fizeram esta escolha.
Não foi deles a decisão de dar a vida pela nação.
Foram escolhidos...
pelo destino.
O sacrifício deles mudou-nos enquanto povo.
O sacrifício deles mudou-nos enquanto nação.
E graças a esse sacrifício temos três simples verdades sempre presentes.
Cada pecado tem um correspondente ato de graça.
O que tens?
E cada ato de violência é equiparado por um ato de salvação.
Adeus.
Espera.
E todos os atos de destruição serão seguidos...
por redenção.
Na hora mais negra
escolhemos a piedade e a salvação
que nos levou à redenção.
Não esqueçamos que, em tempos,
a nossa nação desapareceu dos mapas.
Vais-te embora?
Acho que sim.
Que pena.
A nossa cultura e a nossa herança estavam a ser erradicadas!
Apreciemos
o que conseguimos alcançar.
Perante um futuro incerto.
Que consigamos tirar força
do passado,
sem que este nos constrinja.
Lembremo-nos que nos espera um novo dia, um novo amanhã.
Deus abençoe a nossa gloriosa nação.
E Deus proteja as almas
de quem deu a vida
por nós.
Ámen.
Legendas: João Chaves
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