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UMA ESP�CIE DE FAM�LIA
-Com licen�a. -O que...?
-Pode ir, Coca. -Sim.
-Como vai, Costas? -O que est� fazendo aqui, doutora?
Voc� poderia ser mais gentil. Eu rodei 800 quil�metros sem parar.
Veio sozinha?
Quero ver a Marcela.
N�o tinham mudado de ideia?
N�o. Tivemos alguns problemas, mas aqui estou.
Posso v�-la?
-Tudo bem. Venha. -Obrigada.
-Pensamos que n�o viria. -Eu sei. Sinto muito.
Por aqui.
-Entre. -Obrigada.
N�o demore muito.
Ol�.
O que est� fazendo aqui?
-Vim te ver. -Voc� brinca com as pessoas, doutora.
Isso n�o � verdade. Eu disse que viria, e aqui estou.
Marcela, eu vim.
Qual � o problema?
Meus outros filhos nasceram sem problemas.
Este tamb�m nascer�.
Eu estarei aqui, te acompanharei...
Voc� diz isso, mas depois vai embora.
Eu n�o vou embora.
N�o vou embora.
-Jura? -Juro.
N�o vou sair daqui.
Posso?
Sim.
Posso pedir uma coisa, doutora?
Quero um pouco de chocolate.
-Certo. -Vendem na loja da esquina.
Na loja da esquina.
-Como vai, Marcelita? -Bem.
Doutora, por favor, saia. Ela precisa descansar.
Certo.
At� logo.
Quarto 34. Fica no segundo andar, � esquerda.
O caf� da manh� � servido das 7h �s 10h.
-Certo. Obrigada. -Algo mais?
-N�o. -Certo.
A identidade!
-O qu�? -A identidade.
-Obrigada. -De nada.
Aqui est�o os chocolates.
O troco.
-Obrigada, boa noite. -Obrigada.
Mude para soro fisiol�gico.
-A sala de opera��es est� pronta. -Certo. Me ajude.
Claro.
Marcela?
Calma.
Eu vou te ajudar.
-Falta pouco. -O que est� fazendo aqui, doutora?
-Pegue isto, Burgos. -Calma.
Devagar.
-Aonde vai? -Calma.
N�o se preocupe. Falta pouco. Devagar.
Esperem, eu vou com voc�s.
-Relaxe. -Calma.
-Relaxe. Vamos. -Estou com medo.
Meu Deus, que dor!
Meu Deus, que dor!
N�o se preocupe.
Que dor!
Marcela, voc� comeu os chocolates que eu trouxe?
-Que chocolates? -Os que eu comprei. Comeu?
-Voc� comeu aquilo? -Sim.
O qu�? Comeu tudo?
-Tudo. -Deveria estar em jejum.
Por favor, afaste-se agora.
-Saia. -Voc� n�o...
-N�o avisaram sobre o jejum? -Saia. Queremos fazer nosso trabalho.
-Me ajude! -Por favor, peguem isso. Vamos.
-Rita! Leve-a � sala de parto. -Sim, doutora.
Eu j� vou.
Vamos.
Eu n�o sabia. Desculpa.
-Tudo bem. N�o se preocupe. -N�o sei o que me deu.
Doutora.
Respire.
-Respire. -Vamos fazer um parto normal.
-Normal? N�o ser� cesariana? -As contra��es est�o frequentes.
Vamos fazer um parto normal.
-Tem certeza? -� mais seguro.
-Vamos. Respire, Marcela. -Vamos.
Vai dar tudo certo. Ficar� tudo bem.
-R�pido. -Eu quero entrar, por favor.
Por favor. Prometo manter a calma.
Tudo bem, v� se trocar. As roupas est�o ali.
Obrigada.
Fique calma, querida. Tire isso.
Devagar.
Respire.
Quero ver a sua for�a. Seja forte.
-Est� vindo. Seja forte. -Calma.
Est� vindo. �timo.
Est� vindo.
Est� quase no fim. Voc� consegue.
Vamos, querida. Respire.
Respire. Est� vindo. Muito bem.
Vamos, Marcela. Est� vindo.
-Vamos, Marcela. -Empurre. Seja forte.
-Est� tudo bem. -Respire.
-Voc� est� se saindo muito bem. -Diminua o soro.
Mais uma vez, e o beb� chega. De novo. Falta pouco.
-Est� quase no fim. -Vamos, Marcela. Empurre!
-Est� vindo. -Vamos, empurre.
-Est� vindo. -Empurre! Est� vindo!
-Est� vindo. -Continue empurrando!
Est� vindo!
Nasceu!
� um menino! Que lindo!
Acabou.
Mam�e, veja o seu beb�.
Quer ver o seu beb�?
Quer?
N�o, tudo bem.
Como ele est�? Tudo bem?
Leve-o.
Ele � lindo, sabia?
� lindo.
Aqui est�.
Nasceu, mam�e.
S�rio?
Voc� est� a�?
-Sim. -Que maravilha!
Foi incr�vel.
Que bom!
-Voc� viu o parto? -Vi.
Que maravilha!
Eles me deixaram entrar...
eu o segurei e...
-Que emo��o! -Ele � lindo.
N�o acredito.
Nem eu.
Quero ver o menino, saber como � o rosto dele!
Tudo bem, vou mandar uma foto.
-Fico muito feliz por voc�, querida. -Obrigada, m�e.
-Mas n�o espalhe ainda. -N�o contarei a ningu�m.
-N�o. -Vou esperar por voc�.
Sim. Quando eu voltar a gente decide, certo?
-Sim, vou esperar. -Certo.
-L� vem ela. -Doutor Costas!
Que surpresa!
-Como vai, Bladia? -Muito bem.
Vim pedir um favor. Preciso da sua ajuda.
-Claro. Entrem. -Obrigada.
Bladia, minha amiga acabou de adotar um rec�m-nascido.
Ela vai precisar de algu�m para cuidar dele,
enquanto resolve a papelada.
-Sei. -E pensei em voc�.
-Estaria interessada? -Claro que sim. Eu adoraria.
-A senhora tem filhos? -Quatro, mas s�o adultos.
E sabe trocar fraldas?
Sim, eu trabalhei 47 anos no ber��rio do hospital.
-Troquei muita fralda! -N�o disse que ela foi enfermeira.
Esqueci, doutora. Confie mais em mim.
Sim. Sinto muito, Bladia. Eu n�o sabia.
N�o se preocupe.
Seria �timo poder contrat�-la.
-Certo. Para mim, ser� um prazer. -Eu pago bem.
Um gato entrou no seu carro.
� meu.
Deixou a� dentro?
Poderia ter sufocado ou morrido.
Eu n�o tinha com quem deixar, por isso trouxe.
E o seu marido?
Est� viajando.
Pensei que estivesse trabalhando.
-� uma viagem a trabalho. -Sei.
-Poderia me ajudar? -Claro.
Vamos ver.
Um especialista!
-Qual � o nome dele? -Gato.
-Sim, o gato. Qual � o nome dele? -Gato.
-O nome dele � Gato. -Sei.
Que nome original!
Se quiser, eu fico com ele at� resolver tudo.
S�rio? Ficaria alguns dias com ele?
-Sim, claro. -Obrigada.
Obrigada, Costas. Vou pegar a caixa de transporte.
Al�?
-Venha comigo, por favor. -Obrigada.
-Entre. -Oi.
Como vai, doutora?
-Muito bem. -�timo.
O doutor Costas me disse que deu tudo certo.
-Sim. Foi perfeito. -Fico feliz.
Obrigada.
-Sente-se, por favor. -Certo.
Este � o Sr. Torres,
um parente da Marcela.
-Muito prazer. -Muito prazer.
O Sr. Torres est� aqui pois quer contar uma coisa.
Voc�s...
foram gentis com a Marcela.
Ela teve tudo de que precisou.
Tudo...
Foi perfeito.
Somos muito gratos.
N�o precisa me agradecer.
Mas surgiu um problema.
A Marcela n�o sabe,
preferimos n�o contar.
Qual � o problema?
O marido dela sofreu um acidente.
-E precisamos de ajuda urgente. -Que tipo de ajuda?
A senhora sabe que a Marcela...
tem outros tr�s filhos para alimentar.
Por conta disso, n�s...
estamos perdidos.
Poderia ser mais espec�fico? Acho que n�o estou entendendo.
Conte para ela, senhor.
Por dez mil d�lares, podemos chegar a um acordo.
Como?
Sabe o que est� me pedindo?
N�o � muito dinheiro para a senhora, doutora.
Seria um gesto lindo ajudar quem gerou o seu filho.
Um gesto lindo?
Bem...
N�o quero que o nascimento do meu filho envolva dinheiro.
-N�o vim aqui para comprar... -Ajudar n�o � comprar nada, doutora.
-Est�o me extorquindo? O que � isso? -� um caso excepcional.
� um problema... A fam�lia est� pedindo
porque precisa. O que poder�amos fazer?
-O que poder�amos fazer? -Imprevistos acontecem, doutora.
Acontecem. A vida � assim.
O qu�?
-Bem... -N�o vim aqui comprar nada.
Doutora.
Doutora, quem est� procurando?
Senhora!
Onde est� a Marcela?
-Onde est� a Marcela? -Ali, doutora.
Venha aqui.
-Voc� sabia? -O que houve, doutora?
-Voc� sabia? -Acalme-se.
-Sabe o que est�o me pedindo? -Doutora.
-Voc� sabia? -Eu n�o sabia.
-Doutora, os beb�s est�o dormindo. -Eu quero a verdade.
-N�o me encoste! -Por favor.
-N�o me encoste! -Acalme-se.
-Marcela, voc� sabia? -O que houve?
-Acalme-se. -Voc� est� envolvida. Ele est� bem?
-O beb� est� bem? -Acalme-se, doutora.
-Acalme-se. -N�o me encoste!
-N�o me encoste! -A pol�cia poderia vir.
-A pol�cia poderia vir. -N�o...
-Marcela... -N�o cause problemas. Vamos.
-Acalme-se. -Ningu�m encosta no beb�.
-Acalme-se! -Ou�a!
-Vou te denunciar! -Acalme-se!
-Acalme-se, doutora. Por favor! -Pare, por favor.
Isto n�o � lugar para dar um espet�culo.
Acalme-se! Tudo bem?
Veja, os beb�s s�o produzidos em massa por aqui.
-Acalme-se. -Vamos. Chega.
Chega.
Quando se acalmar, poder� ir embora.
Quer esse beb� ou n�o? Acalme-se.
-Est� calma? -Me solte, por favor.
-Acalme-se, certo? -Por favor. Pare.
Me solte. Estou bem.
-Um calmante, por favor. -Sim.
Acalme-se. N�o se comporte assim.
Quero meu beb�.
-Descanse, n�o fique nervosa. -Voc�s n�o podem tirar o beb� de mim.
Por favor, n�o fa�am isso comigo.
Eu n�o aguentaria. Por favor.
Me ajude. Esse beb� � meu.
Eu vi os olhinhos dele. Por favor.
Vi o rostinho dele quando nasceu. Por favor.
Esse beb� � meu.
J� passou.
Obrigada, Burgos. Pode ir embora.
Tome um calmante, tudo bem?
Eu sou a m�e dele.
Sou a m�e dele.
Acalme-se, doutora. Certo?
Precisa falar com o Sr. Torres. Ele � uma boa pessoa
e vai ajudar. Entendido?
Mas se acalme.
Est� se sentindo melhor?
-Descansou, doutora? -Sim.
Sinto muito por tudo. O Sr. Torres n�o se explicou bem.
Tudo bem. Eu tamb�m devo desculpas.
O marido da Marcela sofreu um acidente no Brasil.
O que aconteceu?
Ele atropelou uma mulher com o caminh�o. Est� preso.
-J� contaram para a Marcela? -Sim.
Sinto muito.
O beb� ser� seu, doutora. � o desejo da Marcela.
Mas a situa��o mudou.
A situa��o mudou?
Eu entendo,
e sinto muito por voc�s, mas n�o tenho nada a ver com isso.
Pense nisso como uma contribui��o � fam�lia biol�gica, doutora.
-Isso n�o era parte do plano. -Eu sei.
-Vim pegar o meu filho. -Seu marido tamb�m vir�?
-Meu marido? Isso � relevante? -Ele precisa estar aqui, doutora.
-Ele est� viajando, n�o pode vir. -Vamos conversar de homem para homem.
Torres, melhor parar por aqui.
A doutora precisa de um tempo para pensar.
-O pai precisa vir. -E vir�. Vamos falar com ele.
Ele vir� o mais r�pido poss�vel. N�o se preocupe, Torres.
Se o marido n�o vier, n�o tem acordo, doutor.
-N�o vai dizer nada? -Bem...
A decis�o � sua, certo?
-Voc� precisa vir. -N�o. Eu j� te disse que n�o vou.
-J� decidimos isso. -� importante.
N�o tenho mais nada a ver com isso. E voc� sabe.
-Se n�o vier, eles n�o me entregam. -O qu�? Por que n�o?
Pode me explicar?
-Me ajude, por favor. -Espere!
Por que n�o te dariam? O que eles querem? Pode me dizer?
-Eles pediram dinheiro. -Dinheiro?
Eu avisei. Por que est�o pedindo dinheiro agora?
N�o sei. Apareceu um parente.
-Surgiu um problema. -S�rio? Isso � terr�vel.
N�o, me escute. Eles est�o se aproveitando de voc�.
N�o v� que � uma m�fia? O que eles te disseram?
N�o sei. O marido da Marcela
-sofreu um acidente... -S�rio? Esperaram o nascimento,
com voc� sozinha e vulner�vel. Suma da�.
N�o v� que isso � um jogo? � um jogo, Malena!
Sim, talvez. � poss�vel. Eu n�o sei.
-Mas dever�amos enxergar isso como... -O qu�?
Como o qu�?
-Uma contribui��o � fam�lia. -Ou�a uma coisa.
Voc� sabe disso. Eles est�o pedindo agora e v�o pedir para sempre.
Voc� sabe muito bem disso. Acabe com essa hist�ria
e suma da�, agora!
N�o vou embora sem o beb�, entendido?
Chega, Malena! Por favor! N�o se submeta a isso de novo!
Me ajude, por favor!
-Me ajude. -Isso � uma loucura.
N�o estou pedindo que assuma o caso.
N�o precisa fazer mais nada, basta me ajudar nisso.
Mas... Isso � loucura. Voc� sabe.
Eles est�o se aproveitando de voc�. Ser� que n�o enxerga?
Eles querem dez mil d�lares.
Eu te devolvo, juro.
Pode ficar com o meu carro. Voc� quer?
-Eu te dou o meu carro. -N�o quero! N�o preciso!
-Por que n�o? O carro � bom. -Est� falando de um carro.
Olhe o que est� falando! O que est� dizendo?
Por favor!
Acho que vou morrer se isso tamb�m der errado.
N�o diga isso. Por favor, est� me ouvindo?
-Por favor, eu imploro. -Malena.
-Sozinha eu n�o volto. -Male.
Male...
-Quer segur�-lo? -N�o, obrigada.
A Marcela o pegou no colo?
N�o... Ela n�o quer se envolver.
-Ela est� certa. -Sim.
Acho que sim.
N�o estou bem.
-O que houve? -N�o sou assim...
Venha aqui. Veja o que tenho.
Venha aqui, Gato. Vamos, querido.
Parece... que ele n�o quer. Fique.
Fique um pouco mais. Ele vai sair logo.
Est� muito elegante, doutor.
Obrigado.
Vou ao casamento da filha de um tio.
Vai ser um casamento enorme.
-Quer vir? -N�o, obrigada.
A��car?
Vai ser em um s�tio bem bonito, aqui perto.
-Muito bonito. -N�o, vou voltar a Buenos Aires.
Falou com o seu marido?
Falei. Ele acha que dar dinheiro n�o � uma boa ideia.
Ainda que seja para ajudar a fam�lia.
E voc�, o que pretende fazer?
N�o sei.
Acho que me precipitei. N�o sabia no que me metia.
Nunca pensei que seria t�o complicado.
Essas decis�es s�o assim, doutora. N�o existe outra maneira.
Sentimos nas entranhas, no cora��o.
A cabe�a n�o se envolve. N�o seja dura consigo mesma.
Vou mostrar uma coisa.
Todas essas crian�as...
foram adotadas.
Essas s�o as fam�lias adotivas.
Este � o Tom�s.
Hoje, ele tem uma fam�lia que o ama e cuida dele.
-Eles? -Sim.
Juan Carlos e Mar�a.
T�o pequenininho.
Acha que s� fa�o isso por dinheiro?
Vejo crian�as morrerem no hospital.
Doutora, a maior trag�dia de todas � a pobreza.
Aqui, l�, em qualquer lugar.
Fale com o seu marido.
Insista.
Tente de novo.
Eu cuido do gato.
Oi!
-Oi. -Oi.
O Sr. Ferreira est�?
-Ele n�o est�. Qual � o assunto? -Dizem que ele compra carros usados?
N�o sei.
E conhece algu�m que estaria interessado?
-N�o. -N�o?
Ele j� tem um carro.
Est� vendendo aquele carro?
� um bom carro.
-Quanto custa? -Dez mil d�lares.
Nossa!
Oi!
Meu pneu furou.
-Algu�m poderia me ajudar? -Sim.
Obrigada.
N�o sei onde estou. Acho que � perto da sua casa,
mas vou passar a algu�m que sabe.
Espere um pouco. Estou chegando.
N�o! Envie algu�m. N�o quero dar trabalho, Costas.
Querida, eu liguei, mas n�o te encontrava.
Falei com o seu marido.
-E o que disse a ele? -Foi uma conversa longa.
Mas acho que o convenci. Ele disse estar a caminho.
-S�rio? -Sim.
-E est� com o dinheiro? -Ele disse que sim.
Estou muito feliz, doutora.
Vou te buscar. Espere por mim.
Certo. Eu espero. Obrigada, Costas. Vou passar para a Mar�a.
-Sim, eu quero falar com ela. -Mar�a.
Poderia dizer a ele onde estamos?
Obrigada.
Al�?
Al�, Mar�a. Como vai? Onde est�o, exatamente?
-Sabe o posto de gasolina? -Sim.
Continue � direita at� chegar � serraria do Mario.
-Do Mario Ledesma? -Exato. Em dire��o a Torta Quemada.
-Vou te pegar. -Vou brincar com voc�.
Vou brincar com o vov�.
Oi.
O que est� fazendo?
Voc� n�o se mexia.
Sinto muito.
Eu imaginei o pior.
Eu te assustei?
Procure a Rita. Eu disse que voc� apareceria.
E o Torres?
O Torres e a Rita trabalham para a mesma pessoa.
-Pern�a. -N�o se meta em confus�o, certo?
Se quiser sair daqui com o beb�, fa�a tudo o que a Rita pedir.
Mais para tr�s.
Um pouco mais.
Pronto!
-Como vai, doutora? -Bem, obrigada.
Entre.
O Costas me disse que seu marido est� a caminho.
Sim.
Que bom. Voc�s decidiram ajudar a fam�lia da Marcela.
Sim. � isso.
Parab�ns!
O beb� ser� registrado como filho do seu marido e da Marcela.
Como o fruto de um relacionamento extraconjugal que ele reconheceu.
Daqui a dois anos, apresentem-se � justi�a de Buenos Aires.
Far�o o registro no nome dos dois,
pelo tempo que passaram cuidando dele,
protegendo-o.
Entendido?
� por isso que o meu marido precisava vir?
Sem ele, n�o podemos fazer a papelada.
E, sem a papelada, o risco � grande.
-N�o tem outro jeito? -Voc� quer o beb�?
-Sim, claro. -Ent�o, por que tantas d�vidas?
D�vidas?
N�o quero que o nascimento do meu filho envolva uma mentira.
N�o � uma mentira. Ele � o seu filho.
� s� a papelada que precisamos preencher e apresentar ao tribunal.
Voc� ter� um lindo beb�.
Se n�o o levar, caso se recuse,
temos v�rios casais esperando a vez deles.
Eu tenho outras op��es.
Entende?
-Tchau. Obrigada. -Tchau.
Voc� chegou.
Sim, cheguei.
Tem uma coisa que n�o te contei.
O qu�?
O qu�?
N�o sei como...
Pode falar.
Aparentemente, o beb� ter� apenas o seu sobrenome.
N�o tem outro jeito.
N�o sei.
L� vem ela.
-Bem-vindo, doutor. -Ol�.
Ol�.
-Estou com o dinheiro do Torres. -Aqui, n�o.
A m�e biol�gica deve levar o beb� para fora do hospital.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis,
sete, oito, nove, dez...
Um, dois, tr�s, quatro...
Oi.
-Oi. -Oi.
Marce.
-Oi, Torres. -Oi.
-Oi, Marcela. -Oi.
Esse � o meu marido.
-Muito prazer. -Oi.
Oi, querido.
-Posso? -Sim.
Oi.
Que lindo.
Oi, beb�.
Vamos?
Doutora, por favor, entregue o beb� para que a Marcela saia com ele.
Tome, Marcela.
-Segure. -N�o quero.
-Por favor, Marcela. -Marcela, leve o beb� para fora.
� uma precau��o.
-N�o quero. -Por favor.
-N�o temos escolha. -Por favor.
-N�o se preocupe. -Acalme-se.
-Com calma, segure-o. -Estou calma, mas n�o quero.
-Por favor. -N�o quero.
Por favor, leve-o. Precisamos fazer dessa maneira.
-Leve-o. -Segure.
-Isso n�o � poss�vel. -Ela n�o pode lev�-lo?
-Ela n�o pode lev�-lo. -Pode.
-N�o posso. -Pode, sim.
-O que houve? -N�o quero.
O que houve? Pode segurar.
-Por favor. -N�o quero.
-Marcela, por favor. -Marcela, leve-o.
-Bladia, por favor. -Quer que eu fale com ela?
-N�o, eu falo. -Quero ficar sozinha.
Vou falar com ela.
Qual � o problema?
Estou falando com voc�!
-Estou falando com voc�! -N�o me encoste!
-Leve o beb�, por favor. -N�o quero.
-Que hist�ria � essa? -Isso � injusto, doutora.
Injusto? Como assim?
Quem tem dinheiro, tem tudo.
-N�s nunca temos nada. -Tudo?
-Voc� acha que eu tenho... -N�o me encoste!
Acha que eu tenho tudo, Marcela?
Est� falando comigo?
-N�o grite! -Tudo?
-Sim, eu grito. -N�o grite.
N�o posso toc�-lo!
-N�o quero segur�-lo. -Quem sou eu?
Eu vim roubar o seu beb�? O que houve com voc�?
Acha que eu n�o presto?
Eu n�o disse isso.
-Ent�o, v� peg�-lo! -N�o quero!
N�o quero! Entende?
Pare de gritar. Chega!
-Acalme-se. -N�o quero.
Me solte!
N�o posso segur�-lo. Isso � muito injusto.
-N�o quero. -Acalme-se.
-Pare. N�o me encoste! -Acalme-se. Voc� tem que fazer isso.
Voc� tem que fazer, ent�o se acalme.
Chega.
-Sinto muito. -Tudo bem. N�o se preocupe.
Acalme-se.
Por favor.
-Sinto muito. -Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Por favor, me perdoe. Isso � muito dif�cil para mim.
Me perdoe.
Eu juro...
Eu juro que entendo o quanto � dif�cil.
Ponha-se no meu lugar. N�o posso tom�-lo nos bra�os.
N�o temos escolha.
N�o posso. Sinto muito.
Por favor, Marcela.
Por favor.
-Tchau. -Tchau.
Pr�ximo!
Tchau.
Eu trouxe o Gato.
Desejo o melhor para voc�s. Boa sorte.
Obrigada por tudo, Costas.
-Por que o Gato est� aqui? -N�o tinha com quem deixar.
Essas bolsas...
-Oi. -Oi, como vai?
-Como vai? -Muito bem, obrigada.
-O que desejam? -Viemos registrar um nascimento.
-Certo. -Toda a documenta��o est� aqui.
Vou checar.
Certo.
-Sim. -Est� tudo certo.
Voc�s s�o casados?
-N�o. -N�o.
Certo. Um minuto, vou anotar tudo
e registrar no computador.
Certo.
-Aqui? -Sim.
-Tchau. -Tchau.
Promete que vai cuidar dele?
Da melhor maneira poss�vel.
Vou cuidar muito bem dele, juro.
Seja feliz.
Tchau.
Est� tudo bem.
Oi, meu beb�. Coloque-o aqui para ver...
Vamos?
Male?
Male! Uma blitz.
Acorde, uma blitz.
Acorde.
-Passe os documentos do Pedro. -Os documentos?
Aqui.
Ou�a.
Deixe que eu falo.
-Est� bem. -Certo.
O que vamos dizer, se perguntarem?
Que voc� teve esse filho com outra mulher...
mas eu te perdoei.
Concordei em criarmos juntos, e vamos
para nossa casa em Buenos Aires.
-E a m�e? -N�o est� aqui.
Eu sei, mas onde est�? � um rec�m-nascido.
Ela est� no hospital, se recuperando, depois nos encontrar�.
Isso � muito esquisito. N�o faz nenhum sentido.
Esquisito? Funcionou no cart�rio,
tem que funcionar aqui.
E a certid�o de nascimento diz que voc� � o pai biol�gico.
N�o percebeu que estava tudo combinado?
Eles v�o lev�-lo embora.
N�o. Pare! Vamos pensar.
Temos que fazer alguma coisa.
-Eu tenho 900 pesos. Quanto voc�... -N�o.
-Por qu�? -Nada de suborno.
N�o somos os primeiros nem os �ltimos a passar
com um beb�. Isso acontece todos os dias.
-N�o vou pagar mais nem um centavo. -Quanto...
Ficou claro? De jeito nenhum.
Ent�o, eu vou escond�-lo.
O qu�? Voc� est� ficando louca.
-Estou falando s�rio. -Caso o vejam, v�o nos perguntar.
-Como pretende escond�-lo? -Est� tudo certo.
Vou cobri-lo com isto.
-Ele est� dormindo. -Vai se sufocar.
-N�o! -Voc� � louca. N�o resta d�vida.
Isso � loucura.
-Me d� o Gato. -N�o. Pare.
-N�o, mas... -O Gato, por favor.
Por que me meti nisto?
N�o acredito.
Venha aqui. Para a frente.
-Poderia agir normalmente? -Sinto muito.
Olhe para mim.
N�o ofere�a dinheiro a eles.
Certo.
Tem cigarro?
-N�o. -N�o.
Merda!
V�o em frente.
Sigam, por favor.
Sigam.
Parem, por favor.
Boa noite.
-Boa noite. -Ol�.
Para onde v�o?
Buenos Aires.
-Identidade, documento... -Sim.
e seguro do carro.
O seguro est� a�.
Aqui est�o...
os documentos.
-E o seguro. -De onde est�o vindo?
Est�vamos em 25 de Mayo.
-Motivo da viagem? -Meu primo se casou.
Uma janela est� quebrada.
-Sim... -Foi um acidente.
Podemos ir? Estamos com pressa.
Eu trabalho amanh� em Buenos Aires.
-O gato est� nervoso. -Ele n�o gosta de ficar preso.
-E quem gosta? -Aqui.
-Claro, � um presente. -Ent�o...
-Muito obrigada. -Muito obrigado.
Saiam do carro.
-O qu�? -Saiam do carro. Benitez!
O que houve?
Escutei um beb�.
-Saiam do carro. -Sim, mas...
N�o.
Saiam do carro. M�os no cap�.
Aqui est�o os documentos dele.
-Saiam do carro. -Sim.
O nome do beb� est� aqui e...
O nome do beb�?
-Fora do carro. -Entregou a papelada?
-Sim, est� com ele. -M�os no cap�!
M�os no cap�!
-� filho biol�gico dele... -M�os no cap�, por favor!
-N�o vou repetir. -Certo. Tudo bem!
-Ele est� bem. -M�os no cap�!
-Ele est� bem. -Estavam escondendo o beb�.
-O beb� est� bem. -M�os no cap�, por favor!
Sigam, por favor.
V�o em frente.
Sigam.
Eu sabia que isto terminaria mal.
-Eu sabia. -Ent�o, por que veio?
-Fiquei com medo. -Medo?
Medo? Do qu�?
-De que voc� fizesse uma loucura. -Uma loucura como esta?
Eu vim te ajudar. Entende?
-Me ajudar? -Sim.
� assim que voc� me ajuda?
Eu vim te ajudar.
Fiquei com medo de que ficasse louca.
-Eu n�o te forcei. -O que eu tenho a ver
com essa maluquice sua? Veja onde estamos!
Veja aonde isso nos trouxe!
Voc� me culpa pela morte do nosso filho.
O qu�?
N�o. Ele nasceu morto.
Eu nunca disse que a culpa foi sua. Tivemos azar, nada mais.
Voc� me culpa.
N�o.
Eu n�o te culpo.
� voc� quem n�o consegue se perdoar.
Estou cansada de tanto azar! N�o aguento mais!
Male, meu pai est� a caminho.
Ele vai nos tirar desta.
Voc� vai ver.
Coma.
Conversamos com o doutor Estevez e a Srta. Pern�a.
Parece que voc�s foram impulsivos,
sem perceber o crime que cometiam.
Al�m disso, me contaram a trag�dia que viveram recentemente,
e eu n�o tenho inten��o de aumentar a dor que sentiram.
Se fizemos algo errado, n�o foi a nossa inten��o.
-Pedimos desculpas. -Ou�am o doutor.
-Prossiga, doutor. Por favor. -Certo.
Seus clientes n�o ser�o acusados.
Por�m, de hoje em diante, est�o expressamente proibidos
de dar in�cio a processos de ado��o nesta jurisdi��o.
-Entendido. -Obrigado.
Muito obrigada.
Obrigado.
Onde est� o Pedro?
Foi levado a um lar.
Sinto muito, Malena.
Tchau.
-Tchau, querida. -Tchau. Obrigada.
Tchau.
Espere, Miriam.
O tribunal me enviou para ver as crian�as.
-O tribunal? -Sim.
Que estranho. Quem enviou?
O juiz.
-O juiz R�podas? -Sim, o juiz R�podas.
Eles n�o me disseram nada.
N�o sei nada sobre isso. Vou perguntar a eles.
Vou fazer uma liga��o.
-Espere aqui. -Certo. Obrigada.
Oi.
Oi.
Poderia vir aqui? Quero fazer uma pergunta.
Sim.
Oi.
-Ele est� aqui h� muito tempo? -N�o, chegou ontem.
Ontem?
-Posso segur�-lo um pouco? -Sim, claro.
Como vai?
-Est� aqui h� tempos? -Sim.
Muito tempo?
-Qual � o seu nome? -Bel�n.
Bel�n?
Bel�n.
N�o posso te levar embora.
Eu adoraria.
Mas eles n�o deixam.
Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Acalme-se.
Acalme-se. Est� tudo bem.
Acalme-se.
N�o chore, querido. Vai ficar tudo bem.
Vamos ficar bem. Voc� vai ver.
Vamos ficar bem.
N�o.
Est� tudo bem. J� passou.
J� passou.
Isso.
Assim.
Oi.
Assim.
Assim.
Venha aqui.
Venha aqui.
O que est� fazendo aqui?
Podemos conversar?
N�o tenho nada a dizer, doutora.
Posso entrar, por favor?
Preciso falar com voc�, Marcela.
-V� embora. -Galinha.
Galinha.
-Por favor. -V� embora, doutora.
V� embora.
Eu quero entrar.
-Galinha. -Por favor.
-N�o me ouviu? -Preciso falar com voc�.
-Preciso falar com voc�. -J� pedi que v� embora.
Por favor, Marcela.
Oi.
Oi.
Fiquem com a vov�. A mam�e volta em cinco minutos.
Fiquem com a vov�.
-Para l�. -Venham aqui.
Com a vov�. Eu volto j�.
N�o fui capaz de deix�-lo por l�.
-N�o fui capaz de deix�-lo sozinho. -N�o sei. Encontre outra maneira.
-� melhor ele ficar com voc�. -N�o, � muito complicado.
-Voc� vai cuidar bem dele. -Fizemos um acordo, doutora.
E parece �bvio que voc�...
n�o me ajudou.
-Veja como eu vivo. -Sinto muito.
-N�o sei. -Por favor.
Por que est� fazendo tudo isso?
Por qu�?
� melhor ele ficar com voc�.
� melhor ele ficar com voc�.
Subrip: Pix Sincronia by DanDee
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