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Foda-se.
É sinistro que te sentes sozinho no escuro.
Não te posso condenar às entranhas do Inferno para toda a eternidade.
Amo-te demasiado.
- O quê? - Gary Oldman? Drácula de Bram Stoker?
- Não? - Não.
Tenho de ir pagar a fiança ao Sean, antes de ir trabalhar.
Mas tenho uma reunião com o teu orientador, mais logo.
O que me vai ele dizer sobre ti?
Pode perguntar: "Como está a Alice, depois de ver o pai apanhar no jogo dela?"
A menos que ele nem sequer saiba disso.
Ele pôs-te gelo na cara.
O Malik. Gosto dele.
Ele foi cuidadoso.
Se quiseres jantar, esta noite…
Estou ocupada. É terça-feira de tacos.
Sim. O meu dia gastronómico preferido ligeiramente racista.
Com quem vais comer tacos?
Já percebi.
Sabes, se um dia quiseres jantar, eu estou por aqui.
Estarei aqui,
no meu cantinho.
Até logo.
Adoro-te.
- Tem um bom dia. - Aposto que será fantástico.
- Diz lá. - Nem todos aqui são idiotas de merda.
Linda menina.
- Bom dia, Jimmy. - Olá, meu.
Fiz o que me disseste. Não a pressionei nem nada disso.
Perguntei-lhe casualmente se queria jantar comigo, e sabes?
Ela mandou-me dar uma curva, no fundo.
Podemos ter esta conversa depois de eu beber o meu café?
Não. Ouve, sei que disseste
que devo deixá-la vir ter comigo, mas começo a perder a esperança.
Bem, é compreensível.
Há quase dez minutos que tentas essa abordagem.
Bom sarcasmo, Paul.
Não podes forçar nada. Isolaste-te durante quase um ano.
Disse-te que estaria lá para te apoiar, quando estivesses pronto.
A Alice jantará contigo, quando ela estiver pronta.
Até lá, só tens de esperar.
Funciona assim com as pessoas que amamos.
Disseste que me amavas.
Não. Não disse.
Bem, pareceu-me que disseste.
Não estou pronto para dizer o mesmo…
Que sirenes são essas? Onde estás?
ESQUADRA DE PASADENA
Ouve, Paul, vou ser completamente sincero contigo…
Tens-me apoiado, ultimamente,
portanto, decidi levar-te dónutes.
Então, vim à loja dos dónutes,
mas parece que a loja foi assaltada.
Há vidros partidos e sangue por todo o lado.
Pode ser geleia. Deve ser.
Enfim, parece que não é dia de dónutes para nós, Paul,
mas vemo-nos no trabalho.
Certo. Até logo.
Merda.
Agora, quero um dónute.
Obrigado por vir.
- Bom dia. - Vá-se foder.
Os seus pais não o vieram buscar porquê?
Não lhes liguei.
Conhece algum advogado? Aquele tipo vai processar-me.
Sim, conheço um.
Ele é algum cabrão ou isso?
- Não. Ele é o melhor. - Ótimo.
Mas ando a fugir dele há um ano.
Meu Deus!
Olha.
- O que faço? - Atende.
- Não estou pronto. - Estás.
- Como estou? - Ótimo, mas é só um telefonema.
- Meu Deus! - Atende de uma vez.
Jimmy?
- Estou? - Olá, Brian!
Isso foi normal.
TERAPIA SEM FILTROS
O Paul não pode saber desta merda.
- Credo, estás horrível, Jimmy. - Sim, eu sei.
O Sean está bem?
O Sean está bem, mas o marido da minha paciente ficou mal.
O quê?
- O que te aconteceu? - Caí, meu.
- Como? - Como?
Tenho estes sapatos novos e não têm aderência.
Devia ter comprado uns com aderência.
Os sapatos sem aderência conseguem tramar-nos.
- Então, caíste em cima do olho? - Sim.
Estás muito perto. Certo.
Por causa dos sapatos sem aderência?
Sim. Em cheio.
Foi tipo…
- Parecia um boneco animado, Paul. - De loucos.
E bateu numa mesinha.
Tens alguma mesa das pequeninas, Paul?
- Tenho. - Isso é fixe.
Tens um televisor para veres partidas de ténis com pessoas?
Tens daqueles antigos, os que parecem uns caixotes e são pesados?
Como os Zenith?
Ouçam, não recebo ninguém em casa. Não é por ser antissocial.
Eu diria que essa é mesmo a definição de antissocial.
Sei que fazem isto para me envergonhar por eu ser uma pessoa reservada,
mas isso só fortalece a minha determinação.
"Pessoa reservada"?
Conheço-te há anos. Nunca fui ao teu apartamento ou casa,
não sei qual é, nunca conheci a tua filha.
- Sim, como é ela? - Ela vive no Connecticut.
É como se estivesse a vê-la.
Sou a favor dos limites.
Estou sempre disponível para os pacientes,
mas não para os meus muito carentes colegas.
- Merda! - Não.
- Está a falar de ti. - És tu.
- Não. - Ele fala de ti.
- Sim. - Lamento por ela.
A minha família é para mim.
A minha casa é a minha fortaleza da solidão.
O teu livro de memórias devia ser Fortaleza da Solidão.
Nunca te direi o nome do meu livro de memórias.
- Hoje está intenso. - Ele está zangado
porque pronunciei mal "memórias"… - Memórias.
- Memórias. - Muitos ficariam irados.
Sim. Este é o meu "vô" e estas as minhas "memórias".
Eu e a minha irmã parecemos adolescentes.
Bebemos muito, saímos até tarde.
Céus! Ontem à noite ligámos a gozar ao diretor da nossa escola antiga.
- Já morreu, não teve muita piada. - Como é que morreu?
Foi assassinado pelo orientador.
Isso é uma surpresa.
Porque se esconde de mim?
Pode mexer na sua câmara? Não vejo a sua cara toda.
Pois.
Que tal? Está melhor?
A cadeira está a mexer, mas não está a mexer na câmara.
Que estranho! A minha cadeira está parada.
Deve ser alguma ilusão de ótica estranha ou talvez seja um filtro.
- Grace, acabou o tempo. - O quê?
Mas queria dizer-lhe que está a ir muito bem, sim?
Falamos para a semana. Adeus.
Então, aquele lugar estava movimentado como nunca, certo?
Pensei que ia passar despercebido,
mas adivinhe quem para tudo e me pergunta como vai o meu dia?
Aposto que sei, Dan.
- O barista. - Sim!
O cabrão do barista.
- Novamente. - Novamente.
Porque não se limita a fazer a merda do meu café?
Claro que sim.
Ou então, pode só responder à pergunta dele.
- Quero dizer… O que acha? - Duas coisas. "Isso" e "que se foda".
Porque tenho de falar com aquele tipo?
Sabe, talvez isso o alegre.
Saber sobre a merda do meu dia pode alegrá-lo, a sério?
É onde vou buscar alegria, Dan.
Quer saber o que eu acho?
Acho que essa fachada do "odeio toda a gente"
levou-o a viver uma vida muito isolada.
Não está cansado de estar sozinho?
Porque digo-lhe uma coisa… Eu estou sozinho, Dan.
Estou mesmo muito sozinho.
É uma treta.
Pois.
É mesmo.
Apetece-lhe um café, Dan? Gostava de beber um café.
- Olá. Como vos posso ajudar? - Stan.
Ele chama-se Dan. Os vossos nomes rimam.
É engraçado, não é?
Eu vou matá-lo.
Dois americanos, por favor.
Claro. Como vai o vosso dia?
O meu dia começou em baixo, mas está a melhorar.
Dan?
O meu dia não estava mau, mas agora está a piorar.
A quem o diz.
Ficámos sem leite de aveia. Estão todos a passar-se.
- O leite de aveia que se foda! - Sim.
Obrigado.
Vou tratar dos cafés.
- Odiei aquilo. - Não acredito.
Merda! Tenho de ir.
A sessão acabou. Divirta-se.
Espere. Disse que ia pagar.
ADMINISTRAÇÃO
Olá. Desculpem o atraso.
Estava com um paciente, mas cheguei.
Começámos sem si.
Não sabia se a Liz ia substituí-lo permanentemente…
- Não. Só daquelas duas vezes. - Três.
Três vezes? Certo.
Se calhar, eu saio. Saio?
Não. Tudo bem. Quantos mais, melhor.
- É um prazer estar aqui. - Grande nódoa negra.
Obviamente, o dia de ontem foi intenso.
Concordo.
Obrigado por me segurar a cabeça, já agora.
Eu estava a dizer à Liz que a Alice saiu da equipa de debate.
Ela achou que não tinha tempo, por causa do futebol e isso,
e eu… Diz tu.
Eu? Claro.
Bem, concordo com a Liz.
Ela está muito concentrada no desporto do futebol.
O professor de Inglês dela, o Sr. Alto, diz-me que ela já não é tão sociável.
O Sr. Alto parece-me um bufo.
Também não gosto dele.
É o meu marido.
- Céus! - Ele é fantástico.
- Parabéns. - Mas ela deve andar distraída
por ele ser tão bem-parecido. - Sim, é isso.
A Alice já começou a ver universidades?
Não. Perguntei-lhe se ela queria ir para uma universidade grande ou pequena…
- Desculpa. Fala tu. - Sim.
Eu e a mãe levámo-la à costa leste, há um ano,
e ela apaixonou-se por algumas escolas de artes liberais.
Williams, Amherst, Vassar.
Jimmy, tens tudo controlado.
- Vou deixar-te a tratar disto. - Certo.
- Ainda bem que vieste. - Obrigado.
Ainda bem que te vais embora.
Sabe se a Alice planeia fazer algum curso avançado, para o ano?
- Liz! - Voltei.
- Obrigado. - Sim?
Cursos avançados?
Bem, ela adora ciências, e pensei em Física com a Professora Amend.
- Sim, exato. Adoro isso. - Sim.
- Podíamos talvez reunir-nos… - Uma reunião.
… e pensamos em como falar com os treinadores.
- Sim. - Ela faz o futebol
e avança para o debate… - Avança para o debate.
- … quando acabar a época. - Certo.
- Podemos ver isso depois. - Sim, vemos isso depois.
Foi tão humilhante. Eu entendo. Mesmo.
A Liz tem sido incrível com a Alice.
Ao mesmo tempo, a Alice é minha filha.
Qualquer pessoa que nos ajude a criar os filhos com amor e respeito
merece a nossa gratidão.
É verdade, mas alguém tem de dizer a essa senhora branca
que ela tem de recuar um pouco.
Devo realçar que também sou branco.
És tão branco.
Certo. Tu também, Paul.
Não, não sou. Sou uma raposa prateada.
- É verdade. - Obrigado.
Conheci a Liz com a Tia, antes de o filho dela ir para a faculdade.
- Ela é muito protetora. - Não é?
Muito. Tens de lhe dizer que ela não é a mãe.
Tu és a mãe.
- Sou a mãe. - Com convicção.
- És a mãe! - Sou a mãe.
- És a mãe. - És a mãe.
- Sou a mãe. - És a mãe.
Sou a mãe, caralho!
Sim. Agora, vai-te a ela.
Obrigado! Sou a mãe!
- És a mãe. - Vai-te a ela.
Achas que ele lhe vai dizer?
Não.
O meu cliente tem um malar fraturado e está emocionalmente afetado.
Não vamos perder tempo. Se não retirarem a acusação de agressão…
Porque caralho faria isso?
Porque eu tenho 30 testemunhas
que o viram avançar contra um psicoterapeuta respeitado
e atacá-lo cruelmente numa agressão não provocada.
O que o meu cliente fez foi travar a morte do psicoterapeuta dele.
Não há aqui qualquer crime.
E se quiserem falar de danos,
o dito psicoterapeuta pode testemunhar
que, devido ao violento ataque do seu cliente,
sofre agora com dores de cabeça.
Dói-me a cabeça e não me concentro.
E eu… Bem, estou quase a borrar as calças.
Céus!
O que… A reunião já começou?
Sim. Sim, amigo. É isto.
Está tudo bem. Estás bem.
Trágico.
Continuem a andar.
Sim! Caramba! Foi incrível.
Adoro ameaçar rufias.
- Ele era um rufia, certo? - Certo.
Destruímo-los.
O que te disse? Corre tudo a meu favor.
Ele diz muito aquilo.
É o meu lema. Corre tudo a meu favor.
Bem, arrasou com aquele sacana. Faz isso muitas vezes?
Nunca. Sou advogado de patrimónios.
Aquela foi a maior emoção da minha vida.
Sou o Atticus Finch. A Julianna Margulies. A Elle Woods!
Devíamos fazer alguma coisa.
Vamos a uma discoteca? São duas da tarde.
- Comemos um gelado? - Pode crer!
Rapazes, não posso.
- Nunca recusa gelado. - Eu sei, mas tenho de ir trabalhar.
- Mas, Brian, foi mesmo incrível. - Obrigado.
Espera. Esta noite, jogamos pickleball.
Tu vais. Às 20 horas. No sítio do costume. Aparece.
- Não posso. - Vá lá. Como nos velhos tempos.
Eu sei.
Vocês não são melhores amigos ou isso?
O que fez?
Não sei.
E que merda é o pickleball?
É o desporto que mais cresce nos EUA. Acompanhe.
Talvez para os brancos.
Olá. Queres sair comigo, esta noite? Não recuses já.
Porquê? O que se passa?
"Copos Debaixo da Ponte."
Vá lá! Vai toda a gente.
O Mark tem White Claws e se uma de nós fingir que quer ir para a cama com ele,
ele guarda-nos uma de cereja preta.
E podemos beber muito. Tipo, eu quero vomitar.
Pois, não.
Juro que vai ser divertido e vamos dançar, vamos mexer-nos,
e depois podemos tirar fotos muito desfocadas
e ponho uma legenda: "Fotos más com amigas boas."
Não é bom?
Estou a convencer-te um bocadinho? Por favor.
- Adeus. - Vai ser… Adeus, vemo-nos lá.
A Summer é tão burra.
Quer que eu vá a uma coisa chamada "Copos Debaixo da Ponte".
O que é isso?
Uma coisa onde vão beber copos debaixo da ponte.
Bem, então o nome é adequado.
Agem todos de forma tão imatura.
Bem, eles são imaturos. São adolescentes.
Não passaram por aquilo que tu passaste.
Então, têm sorte.
Por agora.
Ninguém passa pela vida sem sofrer.
Nem tu, nem eu, o Sr. Mãos Trémulas.
Mas depois ficas com uma escolha.
Vais deixar o sofrimento afogar-te
ou vais enfrentá-lo e regressar à superfície?
Tenho saudades dela
e ninguém entende.
Conheço alguém que entende.
É alto e liga-me demasiadas vezes.
Belo cesto.
Agora, ele quer jantar comigo.
O idiota!
Não posso, de repente, fingir que está tudo bem entre nós.
Já ouviste falar do "finge até conseguires"?
Faz o papel de filha dele durante… Dá-lhe uma hora.
Uma hora?
A psicoterapia é uma treta.
Isto não é psicoterapia.
São apenas conversas cuja existência o teu pai não pode nunca saber.
Porque não?
Porque ele vai fazer disto um bicho de sete cabeças.
E vai querer abraçar-me ou algo assim.
Sim, pois vai.
Então, o que achas?
Um jantar.
Vai buscar umas sandes àquele sítio do frango de Nashville.
Depois, podes passar pela ponte
para criticar uns adolescentes idiotas.
A Summer só quer ir para sermos as celebridades.
Porquê?
Meu, o jogo de futebol.
O paciente doido do pai começou aquela briga,
e agora as pessoas só querem falar disso.
Outra vez?
Olhou para o relógio
e agora tem de suster a respiração até passar de minuto.
Certo.
Ouça, sei que sente uma compulsão…
O minuto mudou.
Sei que sente que essa compulsão vai ajudar a impedir
as coisas más, mas chama-se a isso "pensamento mágico".
- Bem, gosto de magia. - Eu também.
Ouça, o mundo é um lugar imprevisível.
Mas prometo-lhe que o meu gabinete é um lugar muito seguro.
- Estás a gozar comigo, caralho? - Olá.
Pediste-me para tirar o teu amigo da cadeia.
Algo que eu faço, por milagre, já agora.
Desculpe interromper, mas é complicado.
E depois, viras-me as costas?
Como te atreves, caralho?
Não queria dizer asneiras.
Mas tenho as emoções à flor da pele. Eu pago a sessão.
Não a ti. Não te vou pagar. A si, sem dúvida. Depois dá-me a conta.
Tu vais jogar pickleball.
Brian.
Disse-te que esta noite não posso.
Estás a rejeitar passar tempo com o teu melhor amigo
para ficares sentado no escuro com uísque numa caneca do Pai Natal.
Isso é tão triste, meu. É tão… triste.
Acho que és muito grosseiro e eu mereço melhor. E a senhora também.
Mais uma vez, muitas desculpas. Bom dia.
Respire, Wally.
- Vai morrer. - Vamos todos morrer.
- O que estás a fazer? - A polir as minhas pedras.
Descobri um restaurante fixe
onde podemos jogar cornhole enquanto comemos as entradas.
- Queres ir lá hoje? - Não quero ir nunca.
Seja como for, é terça-feira de tacos e a Alice vem jantar.
Certo. A miúda que não é nossa filha. Estou convidado?
Sim, mas não apareças.
- Fica bem com as pedras. - Obrigada.
Peço desculpa! Liz?
Olá.
Olá.
- Gaby, certo? - Sim.
Não te via desde que a Tia…
- Bem, como estás? - Estou bem.
Vim cá para deixar uma nova tabela de basquetebol para o Jimmy e a Alice.
Ele quer voltar a jogar com ela.
- Fixe. - Muito fixe.
- Gosto de te ver. - A ti também.
Meu Deus! Já agora,
o Jimmy tem-me dito que tens sido fantástica com a Alice.
É um prazer ajudar. Ela é uma miúda incrível.
Ela é a melhor.
- Sou madrinha dela, sabias? - Não sabia.
Sim, é fixe. Adoro.
Então, o Jimmy tem-se esforçado.
Ele quer voltar a estar presente para ela,
o que é fantástico, certo? - Claro.
- É o que todos queremos, certo? - Claro que sim.
Sim. Então,
talvez todos possamos recuar um pouco e deixá-los um com o outro.
Tipo, quanto mais presentes estivermos, menos o Jimmy pode estar.
Onde está a tabela nova que lhes compraste?
Está na entrada para a garagem.
Mostra-ma.
Tens uns problemas sérios de desconfiança.
Mostra-me a tabela.
Não me batas as palmas.
Não gosto… Para. Não me batas as palmas. Sou demasiado crescida para isso. Liz.
Vou perder a… Vou perder a calma. Para!
Não quero discutir contigo, está bem?
Tens sido espetacular,
e aposto que a Alice está ansiosa pela merda da terça-feira de tacos, certo?
E pode ser a psicoterapeuta em mim a falar, mas talvez,
como todos os teus rapazes já saíram de casa, queiras preencher o vazio.
Mas talvez precises de começar a preenchê-lo com outras atividades.
Pronto.
Estou aqui só a tentar polir as minhas pedras.
- Quem diabo és tu? - Tento ser uma amiga.
Pensei que eras a madrinha. Onde tens estado?
Tenho as minhas cenas para tratar.
Que pena! Deve ser tão difícil porque nenhum de nós tem cenas.
E não estou demasiado envolvida.
Então, não te importas se a Alice se afastar?
Sei o que pensas de mim.
Sabes…
Uma vez, ouvi-te falar de mim com a Tia,
e tu disseste: "Ela é mesmo uma mãe."
- Tu és mãe. - Não o disseste como um elogio.
- Sabes que fizeste merda, certo? - Sim.
Porque me mentiste?
A verdade era tão má.
Isto é inaceitável na minha clínica.
Sabes quem é, neste momento, a pessoa mais importante na tua vida?
- Tu. - Não, idiota.
- A tua filha. - Pois, era o que eu queria dizer.
- Estou logo a seguir. - Certo.
Não deixes a tua vida profissional entrar na tua vida pessoal.
O percurso da Alice já vai ser difícil e ela vai-te fugir se não tiveres cuidado.
Falo por experiência.
- Eu entendo. - Não arrisques o bem-estar dela. Sim?
- Não chega acenares. Promete. - Está bem.
Cristo!
Diz a palavra.
- Prometo. - Prometo.
- Isto é teu? - Não.
- Tramado. - Obrigado, Paul.
Obrigado por seres meu amigo. Certo.
Vá lá. Outra vez?
Estás a dançar?
Estás todo convencido?
Graham, dás-nos um instante?
- Está bem. - Obrigado.
O que se passa?
Não podes ficar aqui, Sean.
- Então? A sério? - Avisámos-te.
Dissemos que à próxima, saías.
- Não é bom para o Graham. - Mas não andei à luta num bar.
Passaste a noite preso.
Precisas de dinheiro, filho?
- Não, não preciso de nada. - Posso dar-te dinheiro.
Não preciso de nada.
- Hola guapa, qué tal? - Hola, Liz. Vou falar inglês.
Felizmente! É que na secundária fui idiota e tive Francês.
- Entra. - Estava a pensar que, hoje,
sou capaz de jantar com o meu pai. Pode ser?
Certo. Isso é ótimo.
- Deves mesmo fazer isso. - Não tiveste muito trabalho, espero.
Não. Vai ter com o teu pai. Manda beijinhos.
Obrigada por seres tão fixe.
Merda.
Foda-se.
Cabrão de merda.
- Olá. - Olá.
- Aonde vais? - Aonde achas?
Vou à discoteca.
Vou apanhar uma piela.
Não, vou jogar pickleball com o Brian.
- São sandes de frango? - Sim. Não importa.
Compraste-as para nós? Queres jantar comigo?
Porque, espera, se quiseres,
digo-te já que cancelo o pickleball num instante.
Não, já te disse que tenho planos. São para mim e para a Liz.
Certo, pois. Claro que são.
Sem problemas. Por um instante, fiquei animado.
Do tipo: "Sim, sandes de frango com a Alice."
- Vai. Diverte-te. - Obrigado. Se tens a certeza.
Meu Deus! Certeza absoluta. Até logo.
Adeus.
Há tantos copos debaixo desta ponte! Vem, por favor!
Sim.
Só convidaste mais dois tipos.
- Sabias que eu viria? - Corre tudo a meu favor.
- Odeio quando dizes isso. - Eu sei.
Vamos a isto. Estás comigo. Vamos.
Entra.
Nem acredito que ele inventou um jogo idiota para se afastar de mim.
Que diabo é o pickleball?
É o desporto de maior crescimento nos EUA. Só isso.
Não importa. Nem acredito que ele me rejeitou.
Disseste-lhe que estavas ali para jantar com ele?
Achei que era bastante óbvio. Eu estava ali e tinha jantar.
… três manobras por duas.
Sim!
Quem são?
Para de olhar em volta e vê o jogo.
Já foste casado?
- O que foi? Eu só quero… Está bem. - Não.
É tua. Boa!
Apanha, idiota.
Boa.
É minha! Bri! Dá-me cobertura.
É outra vez minha. É minha, Brian!
Sim!
- Merda. Estás bem? - Sim, estou bem.
Alguma vez vamos falar a sério?
Esta noite, não. Vamos servir.
Certo.
Se não consegues ser sincero, o que estamos a fazer?
Foda-se.
Ignoraste-me durante um ano. Quero saber porquê.
Não sei, Brian.
Sabes, sim. Diz-me.
Não importa.
- Podemos não fazer isto? - Diz-me.
Estavas a afogar-te!
Estava a tentar salvar-te e tu cortaste completamente comigo.
Eu era o teu melhor amigo.
- Sou um verdadeiro raio de luz. - Sim.
- Sou um Zoloft humano. - Sim, eu sei!
E não me deixavas sentir miserável, Brian.
Eu precisava de bater no fundo e tu não me deixavas.
Não percebeste os sentimentos.
Não te quero fazer sentir mal, mas não é divertido estar com alguém
que diz "corre tudo a meu favor", quando a minha mulher morreu.
Entendes?
Ela morreu, Brian.
Nunca disse que corre tudo a teu favor.
Meu Deus!
Eu… É a minha cena.
Desculpa.
Desculpa.
Tenho de ir.
Não faz mal.
- Adoro-te. - Sim, também te adoro.
- Até daqui a um ano. - Vai-te foder.
Mas que merda?
Olá, Alice. Está tudo bem.
Este é o Sean. Ele precisa de um sítio onde ficar.
- Sean, é a minha filha Alice. - Olá, Alice.
Legendas: Cláudia Nobre
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