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Original subtitles

Está pulando muito alto!

Meg, o que está vendo?

Passa por cima.

Quer o quê?

Oi, tudo bem?

Desculpe, é meu telefone. Já volto.

Venha!

Quer pegar alguma coisa embaixo d'água?

Posso passar aí mais tarde?

Não posso demorar, só vou pegar o manuscrito e sair.

Só posso ficar um pouquinho. Não posso demorar.

Tenho um encontro, ao menos, acho que é um encontro.

Não!

Por que acha que eu faria isso?

Já demonstrei algum interesse em voltar com ele?

Você faz essas coisas, não eu. Está projetando a si mesma.

Preciso voltar para a sala. Está bem. Tchau.

Está bem.

Uma amiga acabou de chegar. Preciso desligar.

Eles vão me ligar, certo?

Então não posso fazer nada.

Preciso mesmo desligar.

Está bem. Até amanhã.

- Quem era? - Minha supervisora.

Parecia alguém de telemarketing.

Quem dera ela trabalhasse com telemarketing.

- Onde está o manuscrito? - Verdade.

Onde está?

- Pensei que tivesse achado. - E achei. Hoje de manhã.

- Como perdeu se acabou de achar? - Espera.

- Tinha uma coisa em cima. - Obrigada.

Então foi até a página 25?

Eu te disse que não tinha terminado.

Sim, mas...

Está bem. Obrigada.

- Se devolver, posso terminar. - Está bem.

Vou sair para fumar. Me acompanha?

Claro.

A locatária não me deixa fumar aqui.

Não vou julgá-la.

Tentei uma vez, e ela apareceu na mesma hora.

As pessoas têm superpoderes para detectar cheiro de cigarro.

Se eu serrasse um corpo, não me encheriam tanto.

Seus antigos locatários jamais vão se livrar daquele fedor.

Teriam que demolir o prédio.

- Alguns cigarros eram seus, lembra? - Lembro.

O que sua supervisora queria?

Nada.

Um dos casos que cuido, uma menina, desapareceu com toda a família.

Nas visitas, viram-na em outra região.

Outra assistente vai pegar o caso, e preciso fazer a transferência.

Era tão urgente para ela te ligar em casa?

Não, soubemos disso há alguns dias.

Ela deve ser muito sozinha e fica ligando para as pessoas.

Uma graça de criança. Mas a família é dureza.

Espero que a nova assistente seja boa.

E esse seu encontro?

Não sei se é bem um encontro. Lembra do David Marshall?

- Claro que sim. Vai sair com ele? - Vou.

Que bizarro! Onde viu ele?

Ele dá carona para uma auxiliar da escola.

Ele é escritor e leitor da Electric Literature.

Eu falei do meu texto, e ele quis jantar para conversarmos sobre isso.

Então, é um encontro se ele estiver fingindo interesse,

mas não é se ele foi sincero.

Ninguém pega ninguém se for sincero o tempo todo.

Eu queria muito comer um doce.

Não está interessada nele?

Não sei. Não o conheço bem.

Conhece o suficiente. A ajudante é namorada dele?

Ele me chamou para jantar na frente dela. Então acho que não.

Ele é bem gato.

Está melhor agora.

Sério?

É, deve ter emagrecido.

Estava de terno, mas com a gravata afrouxada.

Ele pareceu nervoso?

Não. Tranquilo feito um pepino.

Claro que está tranquilo.

Acho que ele só quer transar.

Sempre se sente ofendida quando um cara quer transar com você.

Considere isso um elogio.

Mas, quase sempre, eles literalmente nos ofendem.

Não se usa "literalmente ofender".

É um modo de dizer.

Então não diga. Está destruindo uma palavra ótima.

Quer ir comigo?

- Aonde? - Comer um doce.

Onde?

Na lanchonete. No Rogers.

Eu te acompanho até lá.

A Jo te mandou um "oi".

- Jo Mitchel? - Isso.

- Ainda são amigas? - Somos.

Como ela está?

Está ótima.

O que ela tem feito?

É assistente social.

Sério?

Trabalha com adolescentes em alguma agência estatal.

Legal vocês ainda terem contato.

Vocês sempre formaram uma dupla estranha.

É mesmo? Por quê?

Você sabe. A Jo é meio difícil de lidar.

Pode ser.

Afiada é a palavra. Ela faz comentários angustiantes.

Fez isso com você?

Comigo, não.

Você gosta do seu trabalho?

Não sei. É bem difícil e um pouco cansativo.

A Jennifer está sempre exausta. O trabalho está infernal.

É uma bela descrição.

Acho que eu não devia te contar que ela odeia esse trabalho.

Fica tranquilo. Eu sei que qualquer pessoa odiaria aquele trabalho.

Todos odeiam?

Basicamente todos.

O trabalho de professor-auxiliar é pesado e paga muito mal.

É raro achar uma vaga integral nessa área,

então as pessoas recorrem ao cargo de auxiliar.

Estou fazendo mestrado em meio-período, quase terminando,

e espero que isso aumente minhas opções.

Então se dedicam aos estudos enquanto enfrentam esses empregos difíceis.

Isso.

E, no seu caso, ainda escreve.

Ainda bem que os verões existem.

Gostei da sua história.

Obrigada.

Esperava algo diferente.

Diferente como?

É bem sóbria. Sem muita enrolação. Gosto disso.

Por que o personagem principal é um homem?

É baseada na história que um cara me contou.

Uma história real?

Mais ou menos. Teve mesmo um esquilo que ficou doente,

mas o cara da vida real não cuidou dele como o personagem.

- A garotinha é real? - Não, eu inventei.

E você? Não é um escritor sóbrio?

Eu fui um menino travesso.

Queria sempre chamar atenção, e acabava recebendo.

Agora só quero me comunicar. Mas não é tão fácil.

Você ainda não leu nada meu?

Não leia ainda. Me dê uns dez anos.

Obrigada pelo jantar. Foi bom te ver de novo.

Gostei de te ver.

Vamos nos ver de novo.

Claro, vou adorar.

- Obrigada por tudo. Boa noite. - Boa noite.

Alô?

É esse número mesmo, Mara. Aqui é o Josh, sou...

Também ouvi falar muito de você.

É, eu atendi porque ela está dormindo e eu não queria acordá-la.

Ela foi demitida hoje de manhã.

Ela foi pega de surpresa. Eu também, claro.

Ela ficou muito chateada, então não quis acordá-la.

Prefiro deixá-la dormir.

Mas nós vamos, com certeza.

Ela quer muito ir.

Vejo que a conhece muito bem.

Pode deixar que eu vou levá-la.

Vai ser ótimo enfim te conhecer pessoalmente.

Sabe onde vamos nos encontrar?

Tudo bem, não preciso saber para onde vamos. Ela sabe.

Ótimo.

Até mais tarde. Estou animado. Tchau.

É uma música para beber.

O que está havendo aqui?

Fomos desalojados, cara.

O objetivo é desafiar a lei.

Se arriscar o máximo possível sem ser pego.

Então as possibilidades estão abertas...

Totalmente abertas.

E falam abertamente sobre...

Sabe o que de pior pensa sobre cultura corporativa? Triplique.

É desse jeito. É outro universo.

Sabem que você é um democrata comunista?

O assunto não surgiu. Não tenho conversas profundas ali.

As pessoas com quem converso são, na maioria, indianos terceirizados.

Como é trabalhar em meio a tudo isso? Você não se incomoda?

Acho que já me acostumei.

Trabalho na área de finanças há muito tempo.

Fazemos o nosso trabalho e esperamos que esses caras não acabem com tudo.

Não vou participar de reuniões matinais. Não vai rolar.

Foi por isso que escolhi um emprego com horário flexível.

Quando falaram com você pela última vez?

Nunca falaram comigo sobre nada.

Falaram quando faltou àquele compromisso.

Sim, mas eu fazia meu horário, e nunca se incomodaram.

Se incomodaram por eu não ir às malditas reuniões,

- o que muita gente faz, não só eu. - É péssimo eles não terem te alertado,

mas, no futuro, tenha em mente que,

quando as pessoas dizem que não se importam com atrasos ou faltas,

estão mentindo e se importam sim, independentemente do que digam.

- Já te aconteceu isso. - Não foi por isso.

Com certeza não foi pelas reuniões.

Aquela supervisora e eu vivíamos quebrando o pau por tudo.

Acha que ela pediu sua cabeça?

Ela achava que eu estava lá só para dificultar a vida dela.

Ela é muito estressada,

qualquer novidade ou desafio a deixava maluca.

Tentava organizar reuniões para o grupo comparar anotações,

mas ela preferia individuais, porque estava acostumada.

Tentei organizar um grupo de apoio à equipe do hospital

porque os médicos eram muito insensíveis com as mulheres.

E assim por diante.

Como está o mercado de trabalho?

Bom. Precisam muito de assistentes sociais. Só tenho que...

Tenho que preencher uns papéis.

- Que tipo de papéis? - Sobre formação contínua.

Há um formulário que dá direito a um ano extra se não tiver concluído.

Vai ter que ter aulas antes de voltar a trabalhar?

Não. Tenho que preencher o formulário,

e vou ter aulas enquanto trabalho.

- Então tem que preencher logo. - Sim, eu vou.

- Sabe onde tem? - Não, mas vou pedir a alguém.

Posso te ajudar com isso. Não vá deixar isso pendente.

Não vou.

Faremos isso mais tarde.

Suas mãos estão geladas por causa da cerveja.

Está mais quente?

Está.

É difícil fazer isso com a blusa e o sutiã atrapalhando.

Melhor?

Um pouco.

Quer que eu tire?

- Ela é o amor da minha vida. - Não me importo. Posso tirar.

Não tire nada, Jo.

É um sutiã lindo e caro, mas, para ele, é só um empecilho.

Uma descrição precisa das minhas prioridades.

Tenho gavetas cheias de lingerie de primeira

que vão estragar porque ele não dá a mínima.

O que posso fazer? Não é minha praia.

Nem a minha, na verdade.

Não curto babados.

Se uso lingerie cara, parece que estou atuando.

Qual o problema de atuar?

Sei lá. Não fico à vontade. Me sinto meio boba.

O que você acha de lingerie, Jonathan?

Eu?

Ele curte, tenho certeza. Não é?

Claro. Adoro lingerie.

Vi sua reação quando falei da gaveta de calcinhas.

- Estou quieto aqui, na minha. - Não é vergonha.

- Não é estranho, é? - Não ligue para ela.

Claro que não.

Mas quanta incompatibilidade!

- Que triste! - Incompatibilidade de lingerie.

Estamos com parceiros errados no quesito lingerie.

Nada de trocar. Gosto dessa aqui.

Sabe o nome do departamento que pede o formulário?

Departamento Estadual de Educação, não é?

Não faço ideia.

Certo. Já vi: nysed.gov.

É isso mesmo.

"Renovação de registro".

Tem que mandar um e-mail e pedir o formulário de renovação de registro.

Já fiz isso.

Já fez a requisição?

- Sim. - Do que precisa então?

Preciso preencher outro formulário, porque interrompi o curso.

Certo. Achei.

Pode usar um adendo de renovação de registro.

Isso mesmo.

Pode se inscrever, mas terá que fazer os cursos dos últimos três anos.

Eu sei.

E o desse ano também.

- Sim, eu sei. - Vou te mandar o link desse formulário.

Preencheu o formulário original, da renovação?

Vou fazer isso.

É um formulário online. É o que diz aqui.

Me mandaram em papel.

Pode ir buscar? Vamos preencher agora.

Está bem. Espere. Tenho que encontrá-lo.

Queria que tivesse um espelho de corpo inteiro.

Desculpe. Posso comprar um.

Devia comprar e colocá-lo na porta do banheiro.

Faço uma confissão constrangedora, e você me deixa aqui plantado?

Queria esvaziar a mente para discutir o assunto.

Não precisamos discutir. Só disse isso porque...

Porque eu perguntei, certo?

- Sim. - Então continue. Está tudo bem.

Não sei mais o que dizer.

- Posso te dizer como começou. - Está bem.

Não é bem uma história, mas quando comecei a pensar nisso.

A história é que, certa vez, há alguns anos,

fui ao cinema com duas amigas.

Me sentei entre as duas e acabei segurando a mão de ambas.

Foi muito estranho.

Totalmente diferente de segurar a mão de uma pessoa só.

Fiquei tão atônito que não consegui prestar atenção no filme,

até hoje não me lembro de nada sobre ele.

Começou assim?

Sim. Nunca tinha pensado a respeito antes disso.

Não se trata de assistir a duas mulheres transando.

Quer dizer, eu não as expulsaria da cama, mas é mais sobre mim.

Duas mulheres transando com você?

É. O fato de serem duas ao mesmo tempo.

- Sem personalidades, só... - Não sei.

Não colocaria dessa maneira. Não é minha filosofia de vida.

Tudo bem. Só estou pensando alto.

Eu até faria isso por você se encontrássemos um jeito

- não catastrófico. - Por favor, não estou exigindo nada.

Não. Está tudo bem.

Não é tão simples de conseguir do ponto de vista social.

É, nem me fale.

A Jo é a única pessoa que acho que toparia,

mas eu jamais faria uma coisa dessas junto com ela.

É constrangedor com qualquer pessoa.

Pode ser, mas certamente não faria com a Jo.

Sentiria como se eu nem estivesse ali.

- Tinha dito que ela é maluquinha. - E ela é.

Mas faria com que você nem se sentisse ali?

Só de falar, já me causa arrepios.

Certo, vamos buscar em outro lugar.

Isso me faz pensar nas qualificações para a tarefa.

Tem que ser alguém capaz de fazer um papel. De coadjuvante.

Minha amiga Susan tem a personalidade perfeita para isso.

Ela jamais faria algo assim. É muito certinha.

As pessoas menos intimidadoras são as que nem cogitaríamos perguntar.

É muito legal você se esforçar tanto para uma fantasia minha,

mas, sério, não precisa.

Vou continuar pensando.

Obrigado pelo serviço muito além do esperado.

Talvez, mais tarde, vou pensar, "Você disse mesmo que faria isso?".

O que foi?

Oi.

O que foi?

Qual é o problema?

Por que está chorando?

Não entendo por que está tão preocupada. Do que tem medo?

Minha mãe está na cidade. Combinei de vê-la hoje.

É minha mãe.

Eu sei, mas é minha mãe,

e sempre vou vê-la quando ela vem a Nova York.

Ele está bem.

Ele só fala de economia e coisas do tipo, mas ele está bem.

Está bem.

Se precisa mesmo de mim, cancelo o compromisso com ela.

Nos encontramos em algum lugar?

Certo. Assim que sair, vou para aí.

Não posso. Estou dando aula particular.

Te mando mensagem quando estiver chegando.

Está bem. Até daqui a pouco.

Oi.

Olha. Desculpa mesmo, mas...

É...

Desculpa, mas é a Jo. É uma emergência.

Sim.

Se bem a conheço, ela pode até cancelar,

mas algo está errado, ela está muito mal ultimamente.

É. Não sei...

Muito obrigada.

Não ligam de ficar me esperando? Não quero segurar você e o Paul.

Certo.

Obrigada por entender. Então talvez até mais tarde.

Está bem. Tchau.

Desculpe. Compenso esse tempo no final.

Não precisa fazer isso.

Como está?

Não entendo.

- "Vinte e cinco por cento... - Sim, isso entendi.

"de..." O que é esse "de"?

Vezes.

O orçamento. Qual é o orçamento?

Não sei.

Não sabemos o orçamento.

- Então esse é o x. - É o x.

"...é..."

Sim, eu sei.

ESTOU MAL DEMAIS PARA VER QUALQUER PESSOA. TE LIGO DEPOIS.

Droga!

- Oi. - Oi, Josh. A Jo está?

Está dormindo feito pedra.

Eu cancelei algo muito importante

porque ela praticamente implorou para eu vir.

Eu me responsabilizo por ter que acordá-la.

Ela não vai acordar. Ela apagou.

Ela apagou, certo. Que ótimo!

Tem ideia de por que ela está assim ultimamente?

Não tenho ideia do que houve hoje. Falei com ela há duas semanas.

Recebi a mesma ligação que você, mas me pedindo drogas.

Ela estava sozinha? Achei que ela estivesse com você.

Não diria que ela estava exatamente, mas não estava comigo.

Que tipo de droga?

- Oxicodona. - Foi isso que ela tomou?

Sim. E bebeu uísque.

- Acha uma boa ideia dar drogas a ela? - Não poderia detê-la.

Se eu negasse, acha que ela se conformaria?

Não acho que seja problema de drogas.

Mas elas não parecem estar ajudando.

Já vi pessoas com esse tipo de problema. É outra coisa.

Como pode ter certeza? Nem sei mais o que é o quê.

É outra coisa. Ela precisa ir ao médico.

Estou fora. Não consigo mais.

Ela precisa começar a cuidar de si mesma.

Ou não. Não posso mais estar à frente de tudo.

É cíclico, não?

Obrigada! Que ótima ideia!

Não terminei meu último, mas...

Do que estávamos falando?

Você e a Jo. Estão sempre em altos e baixos.

Acho que sim. E sempre acho que a última foi a pior.

Minha visão está comprometida.

Está acompanhando ou precisa de uma tabela?

Ela obviamente tem problemas.

Não pode levá-la ao médico ou ao terapeuta?

- Ela já foi a muitos. - Entra por um ouvido e sai pelo outro.

ESTOU AQUI

Droga.

JÁ DESÇO

Então, namorado novo?

É. Namorado novo.

E já tem algo errado?

Não, nada de errado.

Ele me tira do sério metade do tempo, mas é bonzinho.

Como ele é?

Não sei. Como uma pessoa pode ser?

Parece um cachorrinho. Muito entusiasmado,

mas não é o cara mais prático do mundo.

Caramba! Você sempre atrai esses bonitões.

- Não é verdade. - Com certeza.

Ele está muito bem nessa foto.

- Quer conhecê-lo? - Quando?

Hoje.

Hoje? Não sei. O que vão fazer?

Nada. Sair para algum lugar.

Ele não se importa de ir alguém junto?

Não. Vamos ao DSK, depois pode ir lá para casa.

Não sei. Te falo mais tarde, pode ser?

- Claro. - Posso levar uma pessoa?

Claro. Quem?

O cara com quem estou saindo.

Por que não falou dele antes?

Sei lá. Você não perguntou.

Te devo uma grana.

Aqui tem 280 dólares...

Duzentos...

- e noventa. Tenho cinco aqui. - Está bom.

Espera.

Obrigada.

Obrigada você. Eu disse que te devolveria.

O que o Tim faz?

É ator. E músico.

E para ganhar dinheiro?

Trabalha em uma padaria em Tribeca, e tem outro emprego em Williamsburg.

O que ele toca?

Acho que é jazz. Nunca o ouvi tocar.

Sério? Nunca o viu praticar?

TORTA QUENTINHA

- Você sumiu. - Fui pegar um brownie.

Você me irrita às vezes.

O que foi?

Olha esse seu trabalho de escola.

Você não só escrevia lindamente, o que eu já sabia,

mas dá para perceber que você ia além do trivial

e que tinha toda uma filosofia sobre terapia familiar não-sei-do-quê.

Terapia familiar estrutural.

Eu daria um dente para ter esse poder de... atacar as coisas.

Acho você genial com crianças.

Eu sei. Sou boa com crianças.

De novo a questão do apoio de amiga?

Não preciso de apoio.

Desculpa se te deixei brava.

Vou sair para fumar.

- Te falei que vou parar? - Não.

Tim vai trazer um remédio de um amigo.

Enfim, já volto.

E então?

Ela é um pouco distraída, não?

Vai nessa!

Sim, é. Deu para notar?

Sim, claro.

Do modo como fala dela, esperava alguém diferente.

Diferente como?

Sei lá, uma garota mais glamourosa.

- Não acha ela atraente? - De jeito nenhum.

Quer dizer, ela é bonita, mas parece ser encrenca.

Ela com certeza é encrenca, mas os caras gostam dela.

Não faz meu tipo.

É engraçado. Eu a conheço há muito tempo e a vejo de um jeito diferente.

Lá embaixo fica o estoque -

acredite ou não, temos uma sala com suprimentos básicos.

- Quer dizer que têm coisas tipo... - Cadernos, lápis, papéis, canetas.

Tinha que comprar tantas dessas coisas com meu dinheiro na outra escola.

Muita coisa não é perfeita por aqui, mas somos muito sortudos.

Temos orçamento e os administradores se importam com o ensino.

Mencionaram o dinheiro do material, mas na outra escola também.

- Trabalhou na PS261 antes daqui? - Sim, como auxiliar.

Esse é meu primeiro emprego integral.

Que ótimo! Parabéns.

Obrigada! Trabalhei na PS29, depois dois anos na PS261.

Trabalhou na PS29? Fui auxiliar lá de 2012 a 2013!

- Não nos encontramos por um ano. - Mas fico feliz de ter saído.

Meu Deus. Mas as crianças eram umas fofuras.

Mas a Helen Anderson...

- Ela reclamou de você? - De todo mundo!

- Era quase uma honra. - Mesmo gostando, ela reclamou.

Ela gritou com você na frente das crianças?

Com a professora, o tempo todo, mas não comigo.

Mara? É o Tim, amigo da Jo.

Olha, está acontecendo algo muito sério.

Desculpe incomodar, mas só tinha você para ligar.

Uma faca? Meu Deus? Ela está bem?

Não sei. Não fiquei para ver.

Ela estava louca o bastante para usá-la.

Eu...

Não, não vou voltar lá.

De jeito nenhum. Não vou voltar.

Chamou a polícia?

Está bem.

Eu vou lá.

Desculpe, de verdade. Não posso fazer nada por ela.

Está bem.

Não sei. Não sei onde...

Estou indo na direção oposta. Nem sei para onde.

Certo. Está bem. Tchau.

Oi, sou eu. Aconteceu uma loucura na casa da Jo,

então acho que vou para lá.

Me ligue quando ouvir o recado.

O que está fazendo aqui?

Tim me ligou.

Ele te ligou? Meu Deus!

E veio até aqui?

O que aconteceu?

Nada.

Ele estava apavorado. Disse que apontou uma faca para ele.

Não fiz isso. Nem estava perto dele.

Se ele acha que aquilo é apontar uma faca, tem muito o que aprender.

Também disse que apontou para a sua garganta.

Era teatro.

Às vezes, ele me irrita tanto.

- Onde ele está? - Não sei.

Parece que foi para o mais longe daqui possível.

Ele que se dane então.

Quer sorvete?

Quero.

Pobre garota. Que noite!

Não tem problema deixá-la sozinha?

Não sei. Ela parecia bem.

E não sei no que eu podia ajudar.

O que acha que há de errado com ela?

Não faço ideia.

Ela diz que jamais faria nada contra si mesma, por mais triste que esteja.

É como um princípio na nossa amizade.

Mas não quero mais falar disso, está bem?

Por mim, tudo bem.

- Quero te mostrar uma coisa. - O quê?

- Sem calcinha. - É.

- Era isso o que queria mostrar? - Sim.

Bem...

Vem um pouco mais para frente.

Não, espera.

Pronto. Por aqui, por favor.

Oi! Tudo bem?

Oi, Sr. Mitchel. Estou bem.

É bom te ver.

Sente-se. Quer chá?

Claro, obrigada.

Acho que Jo está dormindo. Quer que eu veja se ela já acordou?

Não, pode deixá-la dormir.

Ela está melhor?

Ela está bem.

Já quer ir para a casa dela.

Mas ela ainda está dormindo muito.

Dormiu a noite toda e a maior parte do dia.

Parece a Jo de sempre.

Sim, ela gosta de dormir!

Os médicos disseram para ela ficar por duas semanas.

Mas ela já está falando em ir embora.

Ela comentou sobre o que aconteceu?

Não falou mais nada desde o hospital. E eu não quis perguntar.

Aquele garoto com quem ela estava não parece ter sido boa influência.

Mas ele não aparecia há algumas semanas.

Não sei. Pelo que ela disse, ele deu a ela as drogas.

Quando vocês estiveram juntas?

Segunda passada. Fomos ao cinema.

É mesmo? Não perderam o contato em todos esses anos, não é?

Não. Estamos sempre em contato.

O que achou dela na segunda?

Ela parecia bem.

Entra!

Ouvi vocês lá embaixo.

É. Foi uma boa conversa.

Contou a ela alguma coisa sobre todo o drama com o Tim?

Que bom. Quanto menos ela souber, melhor.

Nossa.

Está tudo diferente.

É quarto de hóspedes desde que fui para a faculdade.

É estranho ver esse quarto de novo.

Acha estranho? Estou enlouquecendo aqui.

Sua mãe te incomoda?

Nada além do normal.

Eu só quero ir embora, é isso.

Mas disseram para eu ficar mais uns dias.

Preço alto por um errinho idiota.

Como está se sentindo?

- Fora o fato de querer ir embora. - Estou bem.

- Mas claro que voltei para o Lexapro. - Te obrigaram?

Basicamente.

Talvez seja melhor.

Que seja.

Vamos ver se vou ter vida sexual de novo.

Não tem mais nada para mim nessa cidade.

Como se tivessem me apagado da história desse lugar.

Isso é um privilégio.

Vamos fazer um belo jantar quando eu voltar.

Claro.

- Oi! Deve ser a Mara. - Oi. Sim!

- Sou o Conor. - Muito prazer!

Entra.

Jo está se arrumando. Quer me dar isso?

Sim, obrigada.

Com licença. Tenho que olhar o peixe.

- Quer se sentar? A Jo já vem. - Está bem.

Quer beber alguma coisa?

Sim.

O vinho que você trouxe?

- O que está bebendo? - Uísque.

- Posso te acompanhar? - Claro.

- Podemos beber o vinho no jantar. - Com certeza.

- Sabia o que eu ia preparar? - Um passarinho me contou.

- Oi. - Oi.

- Eu devia ter me arrumado melhor. - Está ótima.

Amarra para mim?

Está tirando de mim a melhor parte.

Mulheres são mais rápidas.

Venha. Vamos deixar o mestre trabalhar.

Jo, pode pegar uísque para ela?

- Vou de cerveja. Toma comigo? - Está bem.

Por que o Adam não veio?

Ele viajou. Achei que ia voltar a tempo, mas não rolou.

Pare onde ele foi?

Ele trabalha em outro estado. Não te falei?

- Não! Onde? - Boise.

Em Idaho?

Nossa! E você está bem?

Estou.

Não terminamos, mas ele recebeu uma oferta de emprego irrecusável.

Caramba!

- Sabe o que é PeopleSoft? - Não.

Um tipo específico de programação.

É um software muito conhecido e usado pelas empresas para recursos humanos.

A maioria de vagas na área dele vem de fora de Nova York.

Ele fica quatro dias em Boise e três aqui.

Durante quanto tempo?

Seis meses. Talvez um pouco mais.

- É um trajeto e tanto, mas... - Onde fica?

Glen Oaks, no Queens.

Tenho que pegar o metrô e um ônibus, o que é um saco.

Mas depois não saio. A clientela é ótima e o trabalho é leve.

- Tem chegado na hora? - Não ligam muito para isso.

Estão felizes de terem alguém. A vaga estava aberta há 5 meses.

A que horas tem que chegar?

Tenho flexibilidade. A não ser que tenha algum compromisso.

Esperemos que tenham a mesma ideia de flexibilidade.

- Quando começou? - Na segunda.

- Há dois dias? - Sim.

Desculpem.

- Com licença. Preciso atender. - Claro.

Oi, Cory. Tudo bem?

Não, não há razão para ela precisar de mais tempo.

Quanto mais demorar, menos...

Ele é uma graça.

Claro que ela sabe disso.

Ele é legal.

Gosto que ele seja mais velho.

Caras da nossa idade me cansam, são tão confusos.

Faça o que quiser, mas...

Mas você sempre escolhe esse tipo cansativo.

Escolho? Enfim, gostei dele.

Ele é maravilhoso na cama.

Cansativo no bom sentido.

Mas te ama o bastante para te deixar fumar em casa?

Não.

Não. De jeito nenhum!

Me coloca para fora se eu acender qualquer coisa!

Ele não faria isso.

- Ele não gosta de cigarro. - Mas gosta de você.

Nem tanto.

Desculpem. Eu tinha que atender.

- Ele nunca usou nada. - Sério?

Não diria que nunca usei nada, mas nunca usei drogas.

- Nem maconha? - Nada. Ele não usou nada.

Nem maconha.

- Sabe o que isso diz sobre você, não é? - O quê?

Que você é mais careta do que parece.

Acho que tem razão. Mas como pareço?

- Mas você bebe. - Sim, claro.

Você não fuma.

Não, mas já experimentei cigarro. E charuto.

Não é um perfil completamente careta. Está mais para...

- Não me acho careta. - Ninguém acha que é...

...um perfil consciente, alguém que obedece a regras.

Tem algum policial na sua família?

Não. Na verdade, meu pai era criminoso.

O quê?

Estou brincando.

Ele tinha uma loja de hardware, e minha mãe era professora.

Que pena! Daria um perfil psicanalítico perfeito da sua personalidade.

Mas conhecíamos uns policiais, se ajudar.

Pode ajudar se tiverem agido como figuras paternas.

Não, sem chance.

Você é irlandesa, cresceu em Boston e conhece policiais.

Mas parece ter sido um bom garoto.

Fui, sim.

E me amarrei a uma garota que fuma cactos.

- Não amarrou nada ainda. - "Que fuma cactos"?

Claro que não. É que ele gosta de falar isso.

- Não me disse nada sobre cactos. - Consegui umas mudas.

Está plantando?

O John, que trabalhava na Monte Sinai, me deu.

Vamos ver no que dá.

Dá muito trabalho e sou muito preguiçosa.

Mas o John adora.

Tenho muito o que conversar com esse John se o conhecer.

Ele é ciumento.

Não tem com que se preocupar. Pergunte para ela.

É verdade. Ela é monogâmica.

Pode dizer também o quanto sou responsável no uso de substâncias?

O quê?

Eu não disse nada.

Quer arroz também?

Quero. Obrigada.

Vou sair para fumar.

Já estou de saída. Eu te acompanho.

Vou sair. Te encontro lá fora.

Ela não consegue esperar.

Não é o que ela mais gosta de fazer.

- Com você também? - Com qualquer um.

Não é nada com você.

Muito obrigado por vir.

Eu que agradeço. Foi muito divertido.

Agradeço tudo o que você tem feito pela Jo.

Não tem de quê. Não tenho feito muita coisa.

Espero que ela possa contar com você.

Claro. Não vou a lugar algum.

- Boa noite. - Boa noite.

Cadê você?

Estou aqui. E você?

Esqueço que ouvíamos isso quando dirigíamos...

Desculpa.

É, meu primo...

Preciso ir.

Tudo bem. Te vejo segunda.

Espera, não. Também tenho que ir.

Preciso mesmo ir embora, você...

- Você quer...? - Claro.

Me liga.

Tchau.

Alô, preciso de um carro para o aeroporto amanhã de manhã.

Kingsland Avenue, 177.

O voo sai às 6h55, então preciso chegar por volta das 6h.

Está bem.

Obrigado. Quanto é?

Certo, já te retorno. Está bem.

- Falou com o George? - Não.

Ele sabe que você está na cidade.

Ligo para ele quando voltar.

Acho que vou comer também.

Ela não vem.

Falei com ela há algumas horas.

Sinto muito você ter que passar por isso.

Tudo bem. Eu tinha que comer de qualquer maneira.

Suas costas vão doer de novo.

Seria mais fácil sentar direito se levantasse o computador.

Vou sentar direito.

Quem é?

Sou eu.

Desculpa, de verdade. Íamos jantar juntas.

Você está bem?

- Oi. - Oi.

- Desculpa mesmo pelo jantar. - Tudo bem.

Posso entrar?

Eu estava pronta para sair, mas peguei no sono.

Esperaram muito tempo?

Esperamos, mas depois, comemos.

Eu já volto. Jo, até mais.

Aonde vai? Precisamos conversar.

Acho que não vai dar, pelo jeito.

Amanhã não vai dar tempo.

Vamos conversar. Boa noite.

O que está acontecendo?

Estamos com alguns problemas.

Meu Deus.

Desculpe. Não sei se devia ter vindo, mas precisava muito de companhia.

Jo...

Eu não sabia sobre vocês. Sinto muito.

Sério mesmo, se soubesse, não teria vindo.

Saberia se ligasse antes de aparecer às 0h30.

Certo, vou embora.

- Agora já foi. - Desculpa.

Sinto muito se atrapalhei.

Sei que sente. Mas é sempre assim.

- Me deixa pedir desculpa! - Jo, que diferença faz?

É sempre a mesma coisa. Algo acontece, e as pessoas

- a sua volta se lascam. - Para! Preciso de apoio!

Eu sei. Mas você precisa toda hora. Fica difícil.

Aconteceu alguma coisa?

A agência não retorna minhas ligações.

Tem certeza?

- Não é outra coisa? - Tenho certeza.

É porque dei muita mancada.

Quando foi a última vez que ligou?

Não importa! Mesmo que retornem, não importa!

- Como assim... - Não importa porque eu estrago tudo!

Mesmo que me liguem ou eu consiga um emprego,

vou fazer merda de novo!

É você quem sempre diz isso para mim! Para eu declarar incapacidade.

Está pensando em fazer isso?

Já faz um tempo que está nesse ciclo.

Eu sei! Eu sei que não sirvo para nada!

Para de falar isso.

Falo o que quiser. Se não gostar, me manda embora.

Para incapacidade, teria que enfrentar muitos médicos.

E não aguento mais eles.

São tão arrogantes e estão sempre errados.

Estão errados toda maldita vez.

Sei que tenho que organizar os remédios. Sei que não posso continuar assim.

Talvez eu encontre...

Talvez encontre um médico que realmente me deixe...

Que me escute quando eu disser...

Você sabe que dá trabalho aos médicos.

Que peninha deles. São tão delicados.

Você fica presa nessa agonia e todo mundo perde.

Como assim, "agonia"? O que quer que eu faça?

Não sei. Eles te receitam algo e você abandona.

- Alguém tem que ser responsável. - Eu quero que alguém seja responsável.

Adoraria ter isso. É tudo o que eu quero.

Mas eles são...

Você diz...

Você tenta falar, e eles...

E logo no começo da conversa, eles desviam o olhar, e já era.

Não adiantou falar nada, eles já tiraram conclusões.

Vejo os olhares desviarem desde os meus quatorze anos.

Quatorze? Quando nos conhecemos.

Eu sei que foi.

- Por que disse "quatorze"? - Não sei por quê! Eu não...

Eu não fui sempre assim. Minha vida não foi sempre tão difícil.

Eu era boa em várias coisas, na escola...

Por que estou te falando isso? Você sabe.

Você perdeu um mês de aula uma vez.

Quando eu tinha quatorze anos.

- O que aconteceu? - Nada.

Não aconteceu nada!

Não teve uma coisa específica. Não sei o que aconteceu.

- Foi seu pai, na época. Lembra? - Não.

Você ficou arrasada. Aquilo acabou com você.

Não. Por que aquilo acabaria comigo? Ele sempre foi um merda.

Não é nenhuma novidade.

Droga!

Podem ser milhares de coisas. Mas não é nada!

Ou é tudo, o que dá na mesma.

Havia... Isso foi...

Foi quando começamos a beber e a usar drogas, mas eu parei!

Eu parei um milhão de vezes!

Se ficar sóbria fizesse alguma diferença, eu saberia disso.

Então começaram a me dar remédios.

Mas eu parei com eles um milhão de vezes também.

Era só a puberdade? Não é possível...

O que é isso? Não dá para fazer nada a respeito.

A única coisa...

A única coisa que sempre penso...

O que é?

Minha gata.

- Que gata? - A que morreu!

Cindy?

Não sei por que ela teve que morrer.

- Todo mundo tem que morrer. - Eu não ligo para todo mundo.

Desculpa. Não quis ofender.

Tudo bem. Não ofendeu.

- Pareço uma louca. - Não.

Queria que as pessoas esquecessem minha excentricidade e ansiedade

e me vissem como sou.

Sua excentricidade e ansiedade não são parte de você?

Não, não são.

Quer ouvir algo pesado?

O quê?

Estou grávida.

Meu Deus!

Quanto tempo?

Um mês e meio, mais ou menos. Ainda na possibilidade de perder...

Tudo bem você beber essa cerveja?

Meu Deus. Queria ter como saber.

Acho que não tem problema.

É uma notícia boa?

É.

UM MENU FICOU NA TELA

POR UM TEMPO

ENTÃO

FOI SUBSTITUÍDO POR UM LOGO...

Olha quem é, Lorelei!

Oi.

Oi, Lorelei!

- Estava dormindo? - Não, está lendo os livros dela.

Está lendo todos os seus livros?

Acho que ela tem síndrome de Stendhal.

Pobre Lorelei!

- E a comida dela? - Espere, vou buscar.

Quando ela comeu?

Há algumas horas. Logo vai estar com fome.

- Aonde vão? - Visitar meu pai.

Como ele está?

Um pouco fraco.

O médico solicitou fisioterapia, mas não acho que ele vá fazer.

Mas está animado para ver a Lorelei.

Como anda o trabalho?

Muito cansativo. Estou fora de forma.

É uma maratona por dia.

E os brinquedos dela?

Coloquei a tábua de desenho e as baleias no carrinho.

Certo, acho que é isso. Está bem, Lorelei!

Trago ela de volta antes das 18h.

Tudo bem. Não tem problema se atrasar um pouco.

Está bem. Lorelei, quer levantar?

Como estão as coisas com a Clarissa? Já fiz o pagamento dela.

Ela me disse. Impressionante como você só fala em dinheiro.

Mas ela é ótima. Não sei o que eu faria sem ela.

Que bom. Estava preocupado com isso.

Não, ela é ótima. Muito obrigada.

Vamos, Lorelei?

Vamos embora, mamãe. Pode desenhar no carrinho.

Quer desenhar no carrinho? Eu sei. Vamos levar isso.

Os rosas e os azuis? E os roxos?

Vai ter um trabalho de limpeza divertido, Adam.

Segure, por favor. Vamos levantar.

Não vou te machucar. Nunca.

Eu levo ela.

Ele quer morar sozinho?

Não, ele quer que eu more com ele. Não quer outro colega de quarto.

Só quer um apartamento maior.

Tem uma coisa no seu cabelo...

Ele trabalha na cidade?

No centro do Brooklyn.

Vai ser um trajeto maior, mas ele não se incomoda.

Não quero mudar para lá.

Já acho que moramos longe demais.

Mas não quero deixá-lo.

Ele sabe disso?

Acho que sim.

Nunca falamos a respeito. Ele tem namorada.

Eu tenho namorada. É uma droga.

Uma namorada ciumenta.

Mas a Lu tem ciúmes de todo mundo, indiscriminadamente.

Ela não percebe as coisas de que realmente deveria ter ciúmes.

Parece exaustivo.

É mesmo. Mas ela tem muitas coisas boas.

Acho que devia deixá-lo ir e achar outra pessoa para dividir o apê.

É tão difícil achar alguém, mesmo sem sentimentalismo.

Eu sei! Nunca tive um colega de quarto que desse certo.

Passei por três em um apartamento.

Só queria transar loucamente com ele uma vez e tirá-lo da cabeça.

Não acho que as coisas funcionem assim.

Não acha?

Acho que uma bela e longa...

- "Transa" é o que quer dizer. - Já falei em transar!

Não sei mais o que fazer!

- Meu Deus. - Caramba!

O que foi?

Minha amiga Jo.

Oi.

Onde esteve?

Não sei. Onde você não estava.

Este é o Thomas.

- Muito prazer. - Prazer. Esta é a Leah.

- Olá. - Você é a professora, não é?

Sim, sou professora.

Muito prazer. Ela fala muito bem de você.

Como está a bebê?

Está ótima! Tem quase dois anos já.

Puxa! Que incrível!

- Precisa conhecê-la. - Sim, por favor!

- Vou te ligar hoje, está bem? - Claro.

Vou dormir muito cedo.

- Te ligo depois que a Lorelei dormir. - Está bem.

- Tchau. - Tchau.

Foi um prazer.

Essa é sua amiga desde o fundamental?

É.

Meu Deus. Não esperava que fosse tão simpática.

Desculpe pelo atraso.

Pode me emprestar uma grana?

Claro. Quanto?

Uns duzentos.

Tenho que tirar no banco.

Tem caixa aqui. Me lembra de pegar antes de irmos?

Pode deixar.

- Não estou te devendo, né? - Não. Já me pagou.

É o que pensei. E te devolvo logo.

Estou para receber do meu irmão, em duas semanas.

- Seu irmão? - É.

Meus pais compraram umas propriedades e vão nos dar o dinheiro.

Meu irmão está cuidando da parte legal e dividindo o dinheiro.

A coisa está se arrastando, mas deve terminar na semana que vem.

Está bem de grana?

Estou bem. Não estou precisando de muito.

O Thomas e eu dividimos o apartamento com Arthur e Jason,

então o custo é bem baixo. Acredite ou não, é da igreja.

O irmão do Jason faz restaurações para igrejas.

Vou conseguir outra agência.

A recrutadora que está me ajudando está de férias,

mas ela vai me recolocar quando voltar, a demanda está alta.

Falei que não trabalho de manhã, e ela aceitou.

Como conheceu o Thomas?

Pela internet, mas não em site de relacionamentos.

Numa wiki que ele administra. O que achou dele?

Não sei. Acho que ele não gostou de mim.

Ele é assim mesmo. Não liga.

Ele vai gostar quando te conhecer.

O que ele faz?

Ele é muito inteligente. É DJ.

É até famoso, mas não tem trabalhado muito com isso.

Está trabalhando em um projeto de design incrível.

Ele, o Jason, o irmão do Jason e outro cara

estão construindo um modelo tridimensional da pirâmide de Gizé.

Estão nisso há anos e estão quase terminando.

- A pirâmide de Gizé? - É uma coisa espiritual.

Não entendo muito a filosofia para ser sincera,

mas aparentemente pirâmides são fontes de energia espiritual.

Se estiver disponível, pergunte ao Thomas.

Ele sabe tudo a respeito disso.

Acho que nunca te ouvi falar em "espiritual".

Não entendo metade das coisas que eles falam,

mas fico ali, ouvindo e concordando.

Mas ele é muito inteligente. Muito mais do que eu.

Duvido.

Como está o Adam?

Nós terminamos.

Poxa. Sinto muito.

Já não vínhamos bem há um tempo.

E como você está?

Sei lá.

Acho que não sirvo para ter um relacionamento.

Parece a depressão falando.

Não acho que esteja deprimida.

Olha só.

A bebê.

Quando devo ir ver a Lorelei?

Olha.

Meu Deus, eu e a Cindy!

- Onde achou isso? - No álbum.

Não me lembrava dessa foto.

Não. É para você.

Sério? Não quer ficar com ela?

Eu escaneei.

Obrigada.

Que horas posso ir hoje?

Não, espera. Hoje não posso.

- Amanhã também não. - Que tal numa terça ou quarta?

Pode ser nessa terça ou na quarta.

Para a Lorelei é melhor por volta das 17h, 18h.

Está bem. Te aviso.

- Tchau. - Tchau.

Desculpe, Johanna.

Tenho que pegar a Lorelei. Ela está doente.

O que ela tem?

Não deve ser sério. Desculpe não estar na reunião.

- Claro, pode ir. - Obrigada.

- Abana, abana, abana. - Ainda posso comer?

Claro. Espera que vou encolher.

Devo encolher alguma coisa para o Cavalinho?

O Cavalinho quer algo?

- Que cavalinho? - Este. Ele quer algo pequeno?

Se ele disser "Bbbbbb!", quer dizer "não".

Se ele disser "Eeeeee!", quer dizer "sim".

Certo. Quer uma maçã pequenininha?

Se ele disser "não", não dê mais nada a ele.

- Ele não está com fome. - Está bem.

Quer feno?

Certo. Ele está sem fome.

Lorelei, quer que eu encolha algo para você?

Tudo bem.

Já está na hora de dormir mesmo.

Cavalinho, está pronto para dormir?

Eu sei. Lorelei, está pronta para dormir?

Está? Qual historinha quer ouvir?

Sobre a Jo.

A das garotas pegando no meu pé? Está bem.

Me mudei para uma cidade onde só conhecia minha mãe,

não conhecia mais ninguém na cidade toda.

Nenhum Aidan, nenhum Gavin...

Conhecia seu pai, pelo menos?

Bem, meu pai morava em outra cidade.

Então só conhecia minha mãe.

Tive que ir para uma escola onde não conhecia ninguém.

Tinha amigos na antiga escola desde o jardim, mas tive que mudar.

Quando fui para a escola nova, achei que as pessoas gostariam de mim,

mas só a professora gostou.

Tinha umas garotas,

uma delas era muito bonita e outra, muito magra...

Elas eram tão malvadas comigo. Faziam eu me sentir tão mal.

Eu ia para a escola, elas me viam e me faziam chorar.

Eu não gostava de ir.

Mas tinha que ir, porque precisava estudar.

Um dia, no refeitório, todos estavam sentados com seus amigos,

dividindo sanduíches e sobremesas,

e eu estava na minha mesa, sozinha, sem amigos.

Os outros viam as garotas me maltratarem, então não queriam falar comigo.

Achavam que havia algo de errado comigo.

Eu tinha que comer sozinha.

Então as garotas malvadas se aproximaram e pegaram minha mochila.

Tiraram as coisas de dentro e começaram a usar.

Usaram meus lápis, meus papéis.

Então pegaram meu lanche e zombaram do que eu havia levado para comer.

Eu fiquei muito triste. Mas Jo estava lá.

Jo era a garota mais alta da escola e era muito legal.

Ela não me conhecia! Podia ser malvada comigo também.

Mas ela viu as garotas me importunando, foi muito corajosa e se aproximou

e disse: "Deixem ela em paz. Parem de pegar no pé dela".

Elas responderam: "O que você tem com isso?"

E começaram a discutir com ela.

Tinha uma garota sentada... Jo se abaixou,

e puxou a cadeira tão rápido que a garota caiu no chão,

e o barulho foi tão alto que todos se viraram para olhar.

Os professores chegaram.

Sabe como ela caiu? Me mostra.

Imita ela caindo.

- Assim? - Sim.

- Ai! - Ai! Isso mesmo. Então ela chorou.

Assim. A Jo se encrencou bastante.

Mas depois se tornou minha melhor amiga porque me defendeu.

E vivíamos juntas.

As outras garotas ficaram com medo da Jo, porque às vezes...

Ela era má, às vezes. Dizia coisas cruéis se não gostasse de alguém.

Mas, comigo, era sempre legal.

Depois disso, ninguém mais pegou no meu pé.

História legal!

Oi! Meu Deus!

Eu sei, tenho você nos contatos. Tudo bem?

Aconteceu alguma coisa?

Não!

Como foi isso? Você sabe?

Sempre achei que podia acontecer, mas...

Não. Já faz mais de um ano, eu acho.

E ainda mais tempo desde que nós...

Não sei. Foi ficando cada vez mais difícil.

Como você está? Está bem?

Vocês ainda se falavam? Como você...?

Foi muito gentil.

Obrigada por pensar em mim.

Meu Deus!

É melhor eu ligar para os pais dela.

É...

Obrigada por me ligar.

Vai haver...?

Sim.

Sim! Sim, claro. Até lá.

Muito obrigada por me ligar.

Tchau. Até breve.

Quando entrarmos no velório,

você e eu vamos estar de vestido preto,

e vai ter uma pessoa morta na sala. Vamos poder olhar para ela.

Você também vai poder olhar.

Até para adultos, é estranho olhar uma pessoa morta.

E todos pensaremos a mesma coisa:

que estamos com uma pessoa morta na sala.

Por quê? É...

Sabe, é para...

É para que a gente se lembre de que somos importantes,

e que as pessoas são importantes.

É importante quando morremos.

Esta é a Mara, amiga da Jo. Esta é minha irmã, Rose.

- Meus sentimentos. - Obrigada.

- Meus pêsames. - Obrigado.

- Oi! - Oi!

- Essa é sua filha? - Sim, a Lorelei.

- Oi, Lorelei. - Oi!

Posso ajudar? Precisam de alguma coisa?

- Não, obrigada. - Eu ligo para vocês.

Obrigada.

Oi, Jack.

Não te vejo desde o Banco Imobiliário.

Já me viu, sim. Várias vezes.

Sabe que eu ganhei aquela partida.

Ainda insiste nisso? Está bem, você ganhou.

Meu Deus, sinto muito se o jogo marcou sua vida.

- Maquiaram ela. - Por quê?

Para ela ficar mais bonita.

Esta é a Lorelei.

- Oi, Lorelei. - Oi.

- Muito prazer em conhecê-la. - O prazer é meu.

Como você está? O que tem feito?

Nada demais. Trabalhando bastante.

E viajo bastante.

Minha namorada e eu voltamos ontem de San Francisco.

Que legal! Nunca fui para San Francisco.

É uma bela cidade.

Oi.

Essa é a filha da Mara. Lembra da Mara?

A amiga de escola da Jo?

Eu a conheci?

Você a viu muitas vezes. Elas viviam juntas.

Venha, eu te apresento a ela.

Não. Prefiro conhecê-la em um momento mais feliz.

Não vai haver outro momento, feliz ou não.

Não. Não quero ser intrometido.

Faça como quiser.

Sua mãe ainda mora aqui?

Não. Ela se mudou faz tempo. Mora no estado de Washington.

Onde em Washington?

Em Bainbridge Island, na Puget Sound.

Acho que meu ex-chefe mora lá.

- Meu pai tinha uma casa lá... - Com licença.

Querida, o que foi? Não vai acontecer nada.

É a Jo. A Jo da historinha.

É, eu já te falei.

Ela morreu.

Eu sei, eu sei que ela morreu!

Desculpa, eu tentei fazer tudo, mas não pude salvá-la.

Não pude fazer nada! Sinto muito!

- Aqui está. - Muito obrigada.

- Quer mais alguma coisa? - Não, obrigada.

Desculpe por ter dado show.

- Posso comer pretzels? - Pode.

Onde está sua mochila?

- Ali. - Obrigada!

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