All language subtitles for Framed.A.Sicilian.Murder.Mystery.S02E03

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Original subtitles

Então?

O que estão a esconder?

- Agata. Tens de saber... - É verdade.

Temos uma confissão a fazer, Agata.

Mas quero ser eu a contar-te.

Quando te disse que estava feliz

por estar separado da Ester

não era verdade.

Estás a brincar?

Não, mãe. Ele está a dizer a verdade.

Vá lá, Salvo!

Desculpa, mas...

Chega-te para lá.

Mas porque é que a trataste assim ao telemóvel?

Para me defender.

Ainda bem que me disseste. Livraste-te desse peso.

- Certo? - Sim.

Mas estou com uma mágoa enorme, Agata.

Mas esta dor não é nada comparada com a dor que sentimos quando...

morre a nossa mãe.

Por causa de uma doença, um acidente,

uma bala perdida.

Salvo, se pudermos ajudar-te em alguma coisa.

Confesso que ponderei o suicídio.

- Não! - Agora está a mentir.

Tem a pálpebra muito baixa.

E não tem os lábios arqueados.

Pois é, querido.

O Salvo estava a brincar.

Estavas a brincar, não estavas?

Claro. Acreditaste mesmo?

Salvo, devias contar estas coisas à Ester.

Com o tempo, encontrarei a forma certa de lhe dizer.

Mas, por favor, não lhe digas nada.

Não. Eu não lhe digo nada, mas conta-lhe, por favor, Salvo.

Porque a honestidade é a base para a relação entre duas pessoas.

Senão, não têm nada.

- Não é verdade, Vale? - Sim.

Deem-me licença, vou apanhar ar fresco.

Tu ficas aqui.

Eu vou fazer um bom chá para nos acalmarmos.

E qualquer coisa para petiscar. Não como desde manhã.

Foi um dia daqueles.

Claro, o jantar está quase. Ajudas a mãe, meu amor?

Mãe, tu és polícia.

Como é que não percebes que ele está a mentir?

Querido, são assuntos de adultos. És muito novo para perceberes.

Vale. O que estás a fazer?

Afasta-te ou salto.

Não. Vou aproximar-me, mas não saltes.

Estás doido?

Mais vale morto do que mentiroso, Salvo.

Diz à Agata que, se pudesse voltar atrás, não o faria.

- Tu podes voltar atrás! - Mas não tarda salto em frente.

Não, espera.

Espera, estou a chegar.

É para isto que servem os amigos.

Para nos erguerem quando estamos em baixo.

Espera que chegue lá abaixo e logo me ergas.

O que vou fazer sem ti, meu amigo?

Ainda és jovem, Salvo.

Podes encontrar outro amigo.

Podes começar uma nova vida.

Sim, mas as coisas mais bonitas da minha vida

foram feitas contigo.

É para isso que servem os amigos. Eles mudam a nossa vida.

Não saltes.

Deixa-me falar contigo.

- Não, fica aí! - Está bem. Eu fico.

Salvo, não faças isso!

QUE GRANDE EMBRULHADA!

Salvo, não faças isso!

Vai correr tudo bem com a Ester, vais ver.

Não! Vou-me atirar.

Não.

Há uma solução, Salvo. Há sempre.

- Não, vou-me atirar! - Não.

Salvo, como sabes eu e o Valentino também tivemos um momento difícil,

mas agora está tudo bem entre nós,

porque não há mais segredos.

Não!

Tu e o Valentino são uma coisa. Eu e a Ester somos outra.

Não significa que não possa haver uma solução para vocês.

Mas tens de sair daí. Vamos lá para dentro.

Só entro se ele entrar.

Que estás a fazer, aí sentado feito idiota?

- Ajuda-me. - Mas eu ia...

- Ajuda-nos! Mudei de ideias. - Ajuda.

Não fiques aí sentado.

Devagar! Devagar, Salvo.

Anda, Salvo.

Sim.

Devagar.

Devagar, Salvo.

Devagar.

Estás bem?

Obrigado.

Fica de olho nele.

- Sim. - Volto já.

Eu fico.

- O que se passa? - Nada, amor.

Ajuda-me a trazer as coisas.

Anda.

Amigo, agora deixa-te de coisas, sim?

Faremos o que o Santo Padre nos pediu e pronto.

Está bem?

- Está bem. - Olha-me nos olhos. Está bem?

Está bem.

Todos para a mesa.

Despachem-se. Tenho fome.

Obrigado.

Fica de olho no Salvo.

Ele parece estar tão frágil.

Tem calma. Eu tomo conta dele. Mas foi um momento de fraqueza.

- Ele não é assim. Não te preocupes. - Fica de olho nele, por favor.

Está bem.

Acho que o Robertino gostou muito de ti.

Sim, notou-se.

Vão divertir-se juntos.

E sei que a tua mãe também vai gostar dele.

Ouve, Agata.

Agora não posso, mas assim que puder digo à minha mãe que venho viver contigo.

Não te preocupes com isso.

Não te sintas obrigado a nada.

Como assim?

Foi ideia minha que eu me mudasse para cá.

Mas podes sempre mudar de ideias.

- Sim. Mas não mudei. - Mas...

O Robertino caiu redondo.

Adormeceu enquanto me contava o terceiro episódio de The Body Language.

- O miúdo é tão engraçado. Parabéns. - Obrigada.

- E é um detetive nato.

- Sim. - Bolas, é fantástico!

Ele podia ajudar nas tuas investigações.

Quem me dera que fosse assim tão simples.

Não sei, olha os suspeitos do assassinato daqueles trabalhadores, por exemplo.

Devem ter alguns.

Nós não sabemos quem são os suspeitos, mas a polícia já sabe, de certeza!

- Vá lá, nada de falar de trabalho. - Claro.

Muda de assunto.

Tiras fotos, mostras ao Robertino e ele diz-te quem é o assassino.

- Ele é tão esperto. - Eu percebo, mas muda de assunto.

Certo.

A casa do Gambino.

Passa-se imensa coisa naquela casa. Primeiro ele, depois os trabalhadores.

- Mas desta vez não estamos envolvidos. - Claro que não.

Sim, este caso é particularmente complicado.

Amanhã vamos fazer o ponto da situação.

Pronto. Ouviste? Amanhã.

O dia de amanhã vai ser horrível.

Tenho de levar o Robertino ao pediatra e nem sei como.

- Não disseste que tinhas uma ama? - Sim.

Mas ela ligou e disse que o carro avariou e tem de o levar ao mecânico.

Pronto. E qual é o problema?

Vamos buscar o Robertino e levamo-lo até ti.

Certo, Salvo?

Sim, claro.

Estamos por perto. Não há problema. Nós tratamos disso.

Fazes isso por mim, Salvo?

Como assim? Nós vamos os dois.

Vamos os dois buscar o Robertino e levá-lo ao teu escritório.

Obrigada, Salvo.

Saúde.

Aos suspeitos.

Nunca pensei que a Agata reagisse tão mal.

Pois, claro. Disseste que tens de pedir à tua mãe para ires viver com ela.

Tu querias o quê?

- Achei que era boa ideia. - Boa ideia...

Amanhã, pegas nas tuas coisas e mudas-te para lá.

Como lhe prometeste.

E assim podes espiá-la.

Eu não seria capaz de a olhar nos olhos.

Mas é estranho chegar a casa

e não ver a minha mãe na poltrona, ainda acordada, à minha espera.

Que pena perdermos essa linda visão.

E onde é que eu durmo?

- Boa noite. - Boa noite.

Salvo.

Queres mesmo dormir aqui?

Sim.

- Boa noite. - Boa noite.

Salvo.

- Achas que vou resolver tudo com a Agata? - Sim.

- Boa noite. - Boa noite.

- Salvo. - Boa noite, bolas!

Boa noite.

Caramba! Nunca mais.

Nunca me canso de te ouvir,

minha bolachinha.

Eu amo-te, minha bolachinha.

Mas...

tenho uma confissão a fazer.

Hoje, menti-te.

Uma vez, traí-te com o Alfonso.

Mas não era amor. Eu estava confusa.

Apesar de ele ser muito bonito,

eu só te amo a ti.

Maldito Alfonso!

Então, ele era o misterioso Biscoitinho.

Todos cometemos erros.

Eu perdoo-te.

O que importa é que estamos aqui agora.

Ele perdoa-a?

Mas...

Salvo.

Sabes porque vives aqui?

Porque estás sozinho.

Sozinho!

Sozinho!

Nós fazemos-te companhia, já que estás sozinho.

Sozinho!

Meu Deus, que pesadelo.

Espera!

Olá, amigo. Vim para te ajudar.

Temos de castigar a estúpida da tua ex-mulher.

Olha no que ela te transformou. Ridículo! Eu vou tratar disso.

Olá, Salvo.

É bom voltar a ver-te.

Namaste.

Tens erva?

Salvo!

O que estás a fazer no corredor?

Estamos todos lá dentro. "Ajunta-te" a nós.

Anda!

Porra! Caramba...

Olá, Salvo.

És um sortudo por nos teres a todos a fazer-te companhia.

Quem são? O que querem?

Como assim? Sou eu.

Que estás a fazer?

Limpei as casas de banho e as janelas, lavei a roupa

e agora estou a aspirar.

Se Vossa Majestade tiver dormido que chegue,

levante-se para eu afofar as almofadas.

E disse-me que está a sofrer imenso.

A sério?

Também me disse que evita estar sozinho porque tem medo que se suicide.

Isto é maravilhoso!

Mas eu sei que também cometi erros.

Tal como a namorada do inspetor Jackson.

E, tal como ela, agora percebo que amar alguém

é amar tudo o que a outra pessoa também ama.

Certo.

Ouve, apesar destas coisas todas,

vocês têm de se ver.

Eu organizo o encontro.

Tenho medo que ele me trate mal como naquela chamada.

Exato. Ao telemóvel é fácil esconder os sentimentos.

Mas assim que ele te vir vai ser outra história.

Vais ter com ele e dizes que queres falar sobre a separação.

Vais ver que confessa tudo, como fez comigo.

- E se não resultar? - Vai resultar.

Traz qualquer coisa que lembra o vosso amor.

Um objeto, uma música...

A vossa música.

Que tal prendas que o Salvo te deu?

- Três. - Três o quê?

Na relação toda, só me deu três prendas.

Não é altura para confrontos.

Está bem.

Vou voltar ao trabalho.

Sim. Também tenho de ir.

Ao menos não tens estes problemas com o Valentino.

O que foi?

Foi ele que sugeriu que vivêssemos juntos.

- Certo. - Pois, mas...

Não sei.

Tem sempre o telemóvel desligado, recusa chamadas...

A vinda do Robertino pode tê-lo assustado.

Ou talvez já não me ame.

De que estás a falar?

O meu irmão sempre te amou.

Ouve, sê dura com ele. Assusta-o para ver se ele percebe a ideia.

Eu não faço joguinhos no amor. Nunca.

Mas queres que eu faça.

- Sim, mas para vocês é diferente. - Claro.

- Anda. - Apanhaste-me.

Obrigado, Sr. Giuseppe! Sempre gentil. Minha senhora!

Avance! Vamos!

Vamos!

Senhor!

Vai ficar muito tempo?

Não sei onde está o Santo Padre!

Não sei, juro!

Mais uma vez, a nossa Sicília dá-nos a doçura de um sorriso deslumbrante

e a amargura de uma cárie.

Após o homicídio dos dois trabalhadores,

mais três homicídios aconteceram em poucas horas.

Estarão estas mortes relacionadas?

Uma pessoa diria que sim.

Santo Padre, tenho más notícias.

Mataram o Assobio, o Lata do Lixo e o Cadeirão.

- Foram os mexicanos? - Sim.

Não temos muito tempo.

Estamos à espera de mais desenvolvimentos.

Assim se despede o vosso Sergione. Passo a palavra ao estúdio.

Estamos em frente à esquadra,

onde os desenvolvimentos que outros têm procurado em vão

finalmente chegaram.

Vamos recuar um pouco e falar do homicídio dos trabalhadores.

A senhora conhecia-os, certo?

Claro.

Digamos que costumávamos sair.

Sempre que eles podiam, claro.

Quando não estavam com as mulheres.

Conheci-os em sites de encontros

e eles participavam muitas vezes em... encontros de grupo.

Os dois trabalhadores não eram os maridos fiéis que julgávamos.

Agora, a questão é a seguinte:

as mortes que aconteceram pela cidade farão parte de um hexágono amoroso

cheio de traições, rituais, orgias e sangue?

Assim se despede o vosso Bellomo. Passo a palavra ao estúdio.

Boa.

Percebeu-se que eu não os conhecia?

Não, ninguém percebeu.

Genial.

Isto não é jornalismo. Devias ter vergonha.

Uma testemunha falsa a arruinar a reputação das vítimas.

- Não tens vergonha? - E tu fazes jornalismo?

Este sempre foi o meu lugar. Estas vítimas são minhas.

Onde estavas tu quando só morriam gatinhos? Onde?

- Pira-te. Vai procurar o desenvolvimento. - O quê?

- Vai procurá-lo. - Estás a gozar comigo?

- Vai lá. - Devias ter vergonha!

É a típica guerra da máfia.

Ou foram todos mortos pelo Santo Padre. Os trabalhadores e as novas vítimas.

Acho que os trabalhadores eram uns idiotas que invadiram a casa e viram o assassino.

E ele matou-os.

Desculpem o atraso.

Temos as imagens das câmaras perto da casa do Gambino.

Do banco, da joalharia e dos escritórios.

Uma delas...

... apanhou um homem vestido de preto com um saco.

Mas, como veem, ele foi muito cuidadoso e fez tudo para nunca mostrar a cara.

Também já temos o relatório balístico.

Aqui está.

Indica que a arma é ilegal.

Não encontrámos cartuchos nem impressões digitais no local do crime.

Cavalheiros, na minha opinião,

ele é um profissional que sabe bem o que está a fazer.

Então...

não temos nada.

A única certeza, neste momento,

é que nenhuma das pessoas que estiveram naquela casa é suspeita.

PRINCIPAIS SUSPEITOS

Eu não os tirava já.

Todos têm um álibi sólido. Estamos a perder tempo.

Pronto, vamos fazer uma pausa. Voltamos daqui a meia hora.

Obrigado.

- Isto é muito estúpido. - Não te preocupes.

Tenta prestar atenção aos pormenores.

Os pormenores são importantes.

Olá?

Não está cá ninguém.

Pois é.

Bom, não sei.

As canetas estão todas na mesa.

E as pastas estão abertas. Devem estar a fazer uma pausa.

- Sim, certo. Talvez. - Talvez.

Eles são os assassinos!

Como é que não percebi antes?

Serão mesmo eles, Salvo?

Não me parece, Salvo.

Em The Body Language, nunca vi assassinos com aquela cara.

Temos de abandonar esta pista.

O inspetor Jackson começa sempre com os suspeitos mais improváveis.

Cá estás tu.

Meu amor, cá estás tu. Olá.

- Obrigada mais uma vez, Salvo. - De nada.

Salvo? Quer dizer... Trouxemos o Robertino juntos.

Salvo, quase me esquecia.

A Ester pediu-me para te dizer

que gostava que te encontrasses com ela no café Cupido ao meio-dia.

Assuntos legais, não percebi.

- Não, eu... - Vá lá! É óbvio que mal podes esperar.

Vamos, meu amor.

Anda.

Vocês não vêm?

- Sim, claro. - Claro.

Aqueles dois são os principais suspeitos.

Claro que isto seria um trabalho perfeito para o Primo Sale.

Mas, infelizmente, está preso.

O ombro está bem.

Mas tem de controlar a sua diabetes.

- Anda a tomar os comprimidos? - Sim. Agora, por favor, saia.

Vou-me embora, mas tem de cumprir a dieta que prescrevi.

- Já o mandei sair. - Sim, eu vou.

- Tenho um torneio de ténis de mesa. - Certo.

Não se preocupe com os comprimidos. Eu convenço-o.

- Ele está em risco. - Sim, eu sei.

Temos de nos manter em contacto.

Tonino, ouve.

Gostava muito de conversar com estes dois suspeitos.

Preciso da ajuda de alguém em quem eles confiem.

Já percebi.

Já percebi.

Isto não vai acabar bem. Rapto dá 30 anos de prisão.

Ouviste? São 30 anos de prisão.

Se temos de o fazer, vamos fazê-lo.

ELETRODOMÉSTICOS

Anda. Finge que estás sereno e confiante.

Não acredito!

Olha quem está aqui!

Mas quem diria!

- Bom dia! - Bom dia.

É tão bom ver-vos. Estávamos só de passagem, juro!

Sim, é... Porque é que tens de jurar?

Estás a mentir ou quê, irmão?

Irmãos!

"Que Deus, de quem vem a esperança, vos encha de alegria e paz na fé."

Romanos, 15:13.

Está a chover?

Socorro!

Anda, anda!

Anda!

Lá para dentro!

Não!

Socorro!

Entra!

Entra. Mete as pernas lá dentro!

Um, dois, três.

Vai!

CAFÉ

- Já sabe o que quer? - Sim.

Um chá verde, por favor.

PARA O SR. ADVOGADO GIOVANNI CALVARUSO PRIVADO E CONFIDENCIAL

ESCRITÓRIO DE ADVOGADOS

PARA O SANTO PADRE

VOLTO JÁ

... perdoamos a quem nos tem ofendido.

E não nos deixeis cair em tentação,

mas livrai-nos do mal. Ámen.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor esteja convosco.

Bendita sois vós entre as mulheres,

bendito o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores.

Hola, Coisa Inútil.

Há muito tempo que andamos à tua procura.

Gostaria de ter o prazer de falar com o teu chefe.

Sabem que sempre paguei as minhas dívidas.

Houve um pequeno contratempo.

Tens 48 horas para me dar o dinheiro.

Depois de amanhã, ao meio-dia,

terás o teu dinheiro.

Tens até às 11h55.

Até às cinco para o meio-dia.

Que picuinhas.

NÚMERO DESCONHECIDO

- Estou? - Santo Padre.

É um prazer falar consigo.

Dadas as circunstâncias, tornámo-nos sócios.

O senhor tem o computador do Gambino e eu preciso dele.

E eu tenho os tokens de que precisa. Tem 48 horas.

Nem um minuto a mais nem a menos.

Sai.

Irmãos, não forcem a mão de Deus.

- Anda. Mexe-te! - Silêncio! Calem-se.

- Mexe-te. - Não!

Anda.

Mas que...

Anda.

Também vos apanharam?

Sim, juro.

Para que é que tens de jurar?

Irmão!

Estes dois não têm nada a ver com os homicídios.

São inúteis.

Arrependam-se, irmãos,

porque o reino dos céus está próximo.

Mateus 4:17.

O reino dos céus

é um sítio que temos de merecer.

Eu sei porque já lá estive.

Não, irmão.

Quando chegamos ao Céu,

não podemos voltar para a Terra.

O que queres dizer?

Estás a dizer que tive alucinações?

Como se atrevem, seus teólogos de merda?

- Vão! - Para aquele quarto.

- Depressa. - Mexe-te!

É a Ester. Eu devia ter ido ter com ela ao café,

mas não apareci e ela deve ter vindo à minha procura.

Vai falar com ela.

Cuidado com o que dizes.

E lembra-te de que a minha filha te traiu.

Por isso, não a podes perdoar.

Senão, vou ter de voltar a ver este cretino em minha casa.

Sra. Antonietta, por favor.

Olá, Ester.

Olá, Salvo.

Olá.

Desculpa, não te queria incomodar.

Não! Não é incómodo nenhum. Vá lá.

Também não vou ficar muito tempo. Nem desliguei o rádio.

Lembras-te?

Claro. "Canzoni Stonate".

Que coincidência.

Boa, é a nossa música.

- Não nos vemos há muito tempo. - É verdade.

Posso entrar?

A questão é que não estava à tua espera.

Isto está muito desarrumado.

Vieste cá de repente e...

Não tens de te justificar.

- Tens o direito de ter companhia. - Não! Nada disso.

Como assim? Não é nada disso.

Esperei por ti no café, mas tu não apareceste.

E decidi passar por cá.

Não pude ir porque tive um problema.

- Conto-te depois. - Está bem. Não te preocupes.

Pronto e então?

Nada. Queria dizer-te que os advogados estão a tratar das questões legais.

Mas eu queria devolver, pessoalmente, as prendas que me deste ao longo dos anos.

O colar que me deste no nosso aniversário.

No ano passado.

Há dois anos.

E este isqueiro que é uma réplica da arma do inspetor Jackson.

É fantástico.

Isto é ótimo.

Tão difícil de encontrar.

Por fim,

o porta-chaves com o crachá da polícia

que deram ao inspetor Jackson no seu primeiro dia de trabalho.

Não! The Look of the Killer.

- Sim! - Não!

É uma obra-prima.

É uma pena, porque há detalhes em The Look of the Killer

que só percebe quem viu The Touch of the Killer.

Percebes?

Quem diz que eu não vi?

Não! Também estás a ver?

Vá lá! Maravilhoso.

- Devorei-a! - Isso é maravilhoso.

Devo-te um pedido de desculpas

por me ter queixado sempre que a querias ver.

Mas eu não percebia a beleza, o enredo, a...

Silêncio.

Achei que estavas sozinho.

Sim, e estou mesmo sozinho.

Não sei o que... foi aquele barulho.

Tens direito a refazer a tua vida.

Adeus, Salvo.

Espera, Ester!

Chega, chega, chega!

Não aguento mais isto!

Ele não é o único...

Ele não é o único inútil.

Vocês são todos uma cambada de inúteis!

Santo Padre. Olhe a diabetes!

O único que me pode ajudar é o Primo Sale. Mas ele está preso.

Tonino, sabes que mais? Estou mesmo farto.

Matem-nos a todos.

Matam quem?

De joelhos.

- Não! - De joelhos.

De joelhos. Tu também.

Tu!

Meu querido filho.

Lembra-te que eu te amei mais do que aquela desavergonhada da Agata.

Chega!

Chega!

Bolas! A cada cinco minutos estão a apontar-nos armas à cabeça!

Nem em The Touch of the Killer abusaram tanto deste cliché.

Numa série, antes de matar alguém,

o assassino pensa se haverá consequências.

Mas na série italiana não!

Se dependesse de vocês, as temporadas só tinham um episódio.

A Netflix ia à falência.

Além disso, Santo Padre, não me pode matar.

Eu sou o único que sabe como tirar o Primo Sale da prisão.

Legendas: Rita Castanheira

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