Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Merda.
Merda.
BEM-VINDOS A BELMONTE
PORCA
Merda.
Mac?
- Mac? - Olá, Willy.
O que fazes aqui?
Mãe? Vieste.
Muito bem.
Não foi mesmo extraordinário?
Não está demasiado entusiasmado para um ensaio geral?
- O que fazes aqui? - Figura de parva, como os outros.
Ouve, amor
Sabes que eu sou de outro planeta
Amor
Quero estar no teu mundo
Continuo a tropeçar A tropeçar, a tropeçar
Amor
Apesar de a nossa relação ser forte
A vida tem os seus caminhos sábios
Sempre foste o sábio
Não me quererás voltar a ver
Temos de parar o ensaio.
O que se passa?
Parece que encontraram um aluno...
...morto.
Viste a Macarena?
- A Macarena? - Sim.
- Onde está ela? - Ainda agora estava aqui.
TRÊS DIAS ANTES...
- Bom dia, mãe. - Bom dia.
- Olá. - Olá.
- Fui ver a universidade, que fixe. - A sério?
Porque fica aqui ao lado ou pelo currículo?
- Que currículo? - Natalia...
E a minha biblioteca?
Ia montá-la no teu quarto.
Pai, quando eu sair de casa, os livros já não existem.
Muito bem, que bom.
- Ótimo. - É a Iris.
- Vou andando. Adoro-vos. - Até logo.
Bom dia, Javi.
Bom dia, Macarena.
Lava a boca e vai para a aula. Não sou a tua avó.
- É um cigarro. - Claro. Deita-o fora.
Olá.
Bom dia. Como vai isso?
Bom dia, Ana.
Que bom, já não há café.
Eu trago as cápsulas de casa. Está sempre a acabar.
Sabes que te amo, não sabes?
- Não tanto quanto devias. - Olá, Ana.
Olá.
- Olá, Willy, como estás? - Olá, Mac.
- O quê? - Nada. Não disse nada.
Vim preparar o festival de outono.
Não te esqueças do ensaio geral.
Como poderia esquecer? Sabes que adoro flamenco.
Todos acreditam que podem escolher o vosso futuro, certo?
Que conseguem controlar o vosso futuro.
Escolher os namorados, namoradas, parceiros sexuais...
Ou escolher o trabalho que terão, mas...
Tenho de dizer-vos uma coisa. Existe uma força poderosa
que vos condiciona mais do que tudo na vida.
- Sabem o que é? - Não.
- Não, ninguém? - O nosso subconsciente?
Muito mais potente.
Os vossos pais.
Sim. No final do ano, terão de decidir
o vosso futuro. E, como pais, aconselhamos,
sugerimos, pressionamos e chantageamos os nossos filhos.
Porque projetamos neles todas as nossas...
...frustrações, sonhos desfeitos...
Queremos o melhor para eles, porque achamos que sabemos
mais do que eles.
Mas ninguém, nem os vossos pais nem ninguém
sabe como será o mundo daqui a 10 anos.
Nem sabemos como será daqui um minuto.
Assim, façam-me um favor e pensem muito bem sobre isso.
Só têm de dar satisfações a vocês próprios, não se iludam.
Têm de ser vocês mesmos, decidir por vocês mesmos.
A vida é vossa, por isso, força. Força.
Sejam fiéis ao que realmente sentem e não se deixem distrair.
Isto aplica-se a todos, exceto à minha filha Natalia.
Não lhe digam isto.
Eu sei o que é melhor para ela.
Ponham o telemóvel em silêncio, por favor.
Então, mas...
O quê?
- Então? - Macarena!
Mac, isto é muito sério.
Estão a chamar o pessoal todo.
Tens lume?
Lume, toma. Os representantes dos alunos,
até a Associação de Pais.
Querem proteger a escola.
O vídeo saiu do Twitter, mas foi descarregado
e está a ser partilhado freneticamente.
- Em breve, todos o terão visto. - Onde está a Ana?
Quando ela soube, foi buscar os miúdos e saiu.
Mas...
Mac, não te preocupes, vai correr tudo bem.
Não, Willy, não vai. Como é que vai correr bem?
Acompanho-te ao carro?
Não precisas. Toma, obrigado.
- Mac! - Obrigada, Willy.
Meninos, podem parar um momento?
- Ivan, atende o telefone, por favor. - Toma lá!
Já disse para pararem com isso. Já chega.
- Quase. - Ivan, querido, é a mãe outra vez.
Por favor, atende o telefone.
Estou muito preocupada.
- Pontapé! - Parem! Parem já!
Eu disse que já chega.
- Toma lá! - Chega!
- Já chega! - Então?
O que se passa? Não ouviram o que a mãe disse?
Vão os dois para o quarto. Agora.
Nem mais um pio.
Desculpa lá, Rosa.
Hoje não pode ser? Então, cancela a reunião.
Tenta arranjar-me um tempo para a semana.
Pronto, obrigado. Obrigado.
Sim, certo, adeus.
Não atende, não atende o telefone.
Vai estar em maus lençóis quando chegar.
- Saiu-nos a sorte grande com ele. - Não digas isso.
Olá.
- Ivan, o que se passa? Como... - Lamento.
Aonde vais? Aonde vais?
Volta já aqui.
Que merda é que tens na cabeça?
Em que estás a pensar?
Depois de tudo o que nos fizeste passar, sais-te com esta?
- Chega. Dá-me as chaves do carro. - Diego...
Dá-me as chaves do carro.
Dá-me já as chaves do carro.
Nem carro, nem liberdade, nem nada.
De volta à estaca zero. Estás a ouvir?
Se saíres, quero saber onde e com quem.
E esquece o trabalho no clube. Já falei com o Martin.
Acabou-se a brincadeira.
Estás a ouvir?
- Perguntei se estás a ouvir! - Diego...
Sim.
Sim, sim.
Sim. Olha... Merda.
Mas que raio?
O quê? O que foi, Ana? Quer dizer...
Devia dar-lhe os parabéns?
Por amor de Deus.
Aonde vais?
Resolver esta merda.
- Como estás, filho? - Estou bem.
Falaste com a Lucia?
Não.
Sobre o vídeo...
Quando é que foi?
Há duas semanas.
E...
Já tinham dormido juntos...
...antes?
- Não. - Tens a certeza?
Absoluta.
Não entendo, filho.
Porquê a Macarena?
Como é que aconteceu? Foi ela?
Ela seduziu-te?
Ela drogou-te?
Ivan, filho, tens 18 anos.
Ela tem quase mais 30 anos.
Há milhares de raparigas que adorariam...
- Olha a Lucia. - Mãe!
- É um amor e... - Mãe!
Falo contigo para não te passares, mas sem pormenores.
Como não me hei de passar?
É algo privado, não te devo explicações.
Não tenho tanta certeza.
O meu filho e a minha melhor amiga? Não me afeta?
- É algo privado. - Enquanto viveres cá...
A sério, mãe? Já estamos com essa conversa?
- Parece que sim. - Então, acabou. Vou ao clube.
Posso ir para o clube?
- Eu levo-te. - Não.
O pai tirou-te as chaves do carro. Vais a pé?
Depois venho buscar-te.
- Não é preciso. - Eu adoro-te.
Eu sei.
- Desculpe. - Vai à merda.
- Lamento muito. - Estás cega?
- Lamento imenso. - Olha para a minha bicicleta.
Pronto, já pedi desculpa.
Desculpa.
Onde está a Natalia?
Disse-lhe para ir dormir à casa da Iris. Não a queria aqui
quando chegasses a casa.
Podemos falar?
Sim.
Mas hoje não. Não seria justo para nenhum de nós.
Eu iria dizer coisas...
...coisas para te magoar o máximo possível,
mas isso não me faria sentir melhor.
Fiz-te uma mala.
Acho que seria melhor ficares em casa do teu pai.
Ia deixá-la na entrada, mas precisava de beber um copo.
Iremos falar.
Não te preocupes.
- Está bem. - Sim.
Porra.
PORCA
O meu coração está tão feliz O meu coração está tão feliz
Cheio de alegria
O meu coração está tão feliz
Desde o momento em que entraste Na minha vida
Dou graças à vida e peço a Deus
Para que nunca me faltes
Gostava que soubesses
Que nunca amei assim
A minha vida começou
No dia em que te conheci.
PAPÁ, MAMÃ, ADORO-VOS
TENTEI...
MAS NUNCA SEREI O FILHO QUE QUEREM QUE SEJA.
JURO QUE É A ÚLTIMA VEZ QUE VOS DESILUDO
Filho da puta.
Cabrão, mentiroso, sacana.
- Como pudeste fazer-me isto? - Ouve.
- Não me toques! - Não lhe toques!
Estive sempre ao teu lado, apoiei-te quando mais ninguém te apoiou.
- É assim que lhe agradeces? - Então? Podes dar-nos um minuto?
Eu vou para ali.
- Como foste capaz? - Luci, nunca quis magoar-te.
Sempre te defendi, sempre.
Perante os meus pais, os meus amigos.
Dizia que, apesar de tudo, eras boa pessoa.
Mas foda-se, Ivan.
- Como posso perdoar algo assim? - Não perdoas.
O que queres dizer com isso?
Não queres que te perdoe?
Queres que te deixe?
Ivan...
Estás apaixonado...
...pela Macarena?
- Porra, Ivan. Diz-me a verdade. - Desculpa.
Luci...
Espera.
Porra, desculpa, certo?
Lucia.
Estás bem? Lucia?
Macarena.
Olá.
O que fazes aqui?
- Quero falar com o Sergio. - Não me digas.
- Estás com bom ar. - A sério?
Já tu estás horrível.
Por incrível que pareça, não estou a gostar disto.
Tens razão, parece incrível.
Gostaria mais se o miúdo não fosse tão bom.
Estás enfiada na merda até ao pescoço!
Deixo-vos a sós.
Não podias ir a um bar e foder com um estranho?
Tinha de ser o namorado da tua sobrinha, da minha filha?
Não foi algo planeado.
Sim, percebi pelo vídeo.
No armazém do clube, certo?
Raios, devias estar excitada.
Vim aqui para me ajudares, não para isto.
Mac, escuta.
Estamos em Belmonte.
Serás expulsa da escola, do clube,
de todas as associações estúpidas a que pertences.
Vão crucificar-te, disso não há dúvida.
Eu sei, mas...
Quero tirar o vídeo da Internet. É possível?
- Já toda a gente o viu. - Sim, mas preferia
que a minha filha não me visse a foder sempre que vai à Internet.
Claro. Queres?
Não.
Vamos lá ver... O pai do Ivan esteve cá esta manhã.
É um dos principais clientes da firma.
E agora mesmo, estamos todos a tentar tirar o vídeo da Internet.
Vamos apresentar queixa, para ver quem o gravou e essas coisas, mas...
Há algo que te devia tranquilizar.
Ai sim?
O quê?
Fizeste uma cagada tão grande, que pior não pode ficar.
És um idiota.
Sim?
Sergio!
- A Lucia? - Lá dentro.
A enfermeira pediu-me para sair. Vão parar a medicação.
Ela está bem, um pouco alterada, mas...
O médico diz que ela está bem.
Certo, obrigado, Oscar.
Olá, Sergio.
- Olha, eu juro... - Não digas nada, não digas nada.
- Ouve... - Não, ouve tu.
Eu não tenho nada contra ti.
Na verdade, eu admiro-te. Fodeste a tua professora, bravo.
Desfruta do sucesso, sai com os amigos,
conta-lhes tudo e exagera, se quiseres.
Mas aproxima-te da minha filha
e escondo-te dois quilos de coca nos bolsos
e, com o teu cadastro, nunca mais sais da cadeia.
Compreendes?
Pronto então.
Temos acordo?
Como estás?
Estou bem.
Acho eu.
Lamento que tenhas de passar por isto.
Esquece.
Para o ano, estou na faculdade.
Quem quer ter namorado na faculdade?
Ouve...
- Agora mesmo... - Truz, truz. Posso?
Olá, amor, como estás?
Trouxe os teus queques preferidos.
Embora a pastelaria insista em chamar-lhes "muffins" ou assim.
Tudo serve para nos cobrarem o dobro do preço.
Foste tu que lhe ligaste?
Só para que soubesse, mas disse-lhe para não vir.
Mas já que sou a mãe dela, achei que tinha de vir.
Dizes-lhe que estou bem e para ir embora?
Não faças isso, obrigada.
Tenho muitos defeitos, mas não sou surda.
Sim.
Desculpa, não tomei o pequeno-almoço e cheiravam tão bem. Adoro-te.
Já volto, querida. Chega aqui.
Eu avisei-te, porra! Está nervosa com tudo isto.
Eu sei, eu sei.
Pronto.
Falaste com a tua irmã?
- Sim. Ela foi ao escritório. - A sério?
E como está ela?
Bem, tendo em conta a merda em que está metida.
- Contou-te como aconteceu? - Não.
- Não e não vou perguntar. - Claro.
Também não é da nossa conta, suponho?
Supões bem.
Porra, mas não consigo acreditar.
A bomba rebentou.
Sim, é uma loucura.
Tu sabias?
- Como havia de saber? - Podia ter-te dito algo...
- Não, não sabia nada. - Só pergunto porque podes ter
- mais informações. - Maite!
- Ela não me disse nada. - Pronto, acalma-te.
Devo ir ver a Maca antes do trabalho.
Está em casa do meu pai.
- O Nestor pô-la fora de casa. - Obviamente.
Nem imagino o que o Nestor deve estar a sentir.
Na verdade, imagino. Também me puseram os cornos quando era nova.
A sério? Achas que é a altura certa para falar disso?
O quê? Foi um comentário, mais nada!
Não ias embora?
Sim.
Pronto.
- E... - Ela está bem, não te preocupes.
- Qualquer coisa... - Eu aviso.
A Macarena não voltará a dar aulas.
Como somos amigos, queríamos contar-vos.
A associação de pais já emitiu um comunicado com a posição dos pais.
Um gesto de apoio.
Sim, por isso gostaríamos...
...que também a apoiassem.
- Agora? - Bem, sim.
Não sei, talvez seja melhor
publicá-lo hoje mesmo no site da escola.
Mas se vai causar-vos algum tipo de...
Não, de todo.
Parece-me bem, não?
- Sim. - O que diz o comunicado?
- Ela vai lê-lo. - Sim, então...
"Hoje, 14 de outubro, às 8h24,
foi publicado, nas redes sociais, o vídeo de um aluno..."
Evitou colocar o nome do Ivan, porque não... para...
Certo?
Talvez seja melhor deixar isto para outra altura.
- Sim. - Trouxemos um bolo do Arturo.
Chocolate e noz.
É ótimo com...
Que bom.
Vamos buscar os pratos?
Porra.
Como pôde fazer algo assim?
Ela conhece-o desde criança.
Também não entendo. Pensava que era uma montagem.
- Também eu. - Estava convicta. Quando o vi...
Viste tudo?
- Mais ou menos, quer dizer... - Sim ou não?
É tipo...
É muito mau?
- Ainda não o viste? - Não, não.
Só os primeiros segundos.
- Bem, é o normal. - De normal não tem nada.
Sim, eu sei. No início é mais, sabes...
Mas depois há assim... Depois a coisa acontece...
Bem, não te vou contar. Aconteceu e ponto final.
Mas foi ela que começou, certo?
- Foi ela! - Bem, não sei.
- O que queres que diga? - Não, não quero saber.
Isso não se faz com o filho de uma amiga.
A Macarena que eu achava conhecer nunca o faria.
Concordo totalmente.
Risquei-lhe o carro todo.
O quê?
Segui-a até casa, mas ela entrou antes de eu poder...
Mas o carro dela estava ali.
- Pronto. Sim, sim. Sabes que mais? - E...
Mereceu essa do carro.
É saudável desabafar, não é?
Escrevi a palavra "Porca".
- Sabes que mais? Olha. - O quê?
Toma dois destes de seis em seis horas.
A mim, salvaram-me a vida.
Comecei a tomá-los na pré-adolescência dos miúdos
e são uma maravilha.
Olha e...
já falaste com ela?
Não.
Não sei bem como lidar com isto. Somos as três amigas, Ana.
Faz o que quiseres.
Mas não me voltes a falar dela.
- Tu é que perguntaste. - Não me dês ouvidos.
Pronto, não te digo mais nada.
- Perfeito. - Está bem.
Já a viste quando está bêbeda.
Não namorisca com ninguém
e teve de o fazer com o meu filho.
Como te consegues sentir atraída por um miúdo que viste nascer?
Que dormiu em tua casa centenas de vezes.
E, no clube, onde bebemos centenas de copos?
Ali.
No armazém, naquela pocilga!
No meio das caixas.
Vais e...
Por favor.
Como podes chegar a isso? Tens de estar...
Não consigo compreender.
Queres dizer que...
Que não compreendo.
- Em que pensas? - Em nada.
- O quê? Diz-me! - Nada.
- O quê? O quê? - Não é nada. É uma tolice.
Pronto, ouve...
- O quê? - Quando o Ivan foi apanhado
a vender droga na escola... - Sim.
...e levaste-o para o centro educativo...
A Macarena...
...foi visitá-lo.
O quê?
- Foi vê-lo várias vezes. - O quê?
Para lhe dar aulas.
A Mac pediu-me para não dizer. Pensou que o Diego não deixasse...
Na altura, achei que fazia sentido.
Estavam a ser tão radicais que...
Mas isso foi há três anos.
Ouve-me, Ani.
Eu não estou a dizer que... Talvez esteja enganada.
Têm de ir embora. Têm de ir embora agora.
Temos de parar o ensaio.
Porquê? O que se passa?
Parece que um aluno foi encontrado morto.
Macarena? Macarena!
- Disseram quem é? - Não, não disseram nada.
Tenho de ir, Arturo, volto já.
Não pode ser. Não pode ser.
Alfonso?
Alfonso, veja quem aqui está.
É a sua filha.
Venha sentar-se.
Aqui.
O que fez à sua manta? Sente-se.
- Tome. - Olá, pai.
Vai passar cá a noite? Para preparar o quarto.
Não te preocupes, eu faço isso.
- Está bem, senhora. - Obrigada, Edita.
Uns cadernos,
são uns cadernos daqueles banais.
Davam-lhe no centro para que escrevessem um diário,
mas não sei onde ele os guardou.
Ana!
- Ana! - Sim, são esses. São esses.
O que é isto?
Que raio é isto?
Meu Deus, querida.
O que se passa?
Meu Deus.
Que filha da puta.
Que filha da grande puta.
Filha da puta. Eu...
- Olá. - Juro que a mato.
Que raio fazem no meu quarto?
Ouve, filho.
- Os meus cadernos. - Explica-me isto.
Então! Mas que raio?
Dormiste com ela há três anos?
Larga-me. Dá-me o caderno.
- Só queremos ajudar. - Como te atreves? Como se atrevem?
Deixa-o ir.
Não, não...
Temos de ir à polícia.
- Temos de ir à polícia. - Sim, vamos.
Fizeste merda? Sim. Muita? Sem dúvida.
E sozinha? Igualmente.
- Mesmo assim, podia ter sido pior. - Ai sim?
O Ivan podia ser menor. Se fosse há uns meses,
ficavas com merda até ao pescoço.
Acho que esse argumento não acalma ninguém,
mas ainda bem que o vês assim.
Lembras-te quando o teu irmão me traiu com a das mamas bicudas?
Como poderia esquecer?
É de mim, ou não é normal ter mamilos sempre tão duros?
No outro dia, até se viam na camisola de lã.
Ela é do piorio.
- Não, Maite, não vás por aí. - Desculpa.
Desculpa, mas odeio-a mesmo.
Sim, eu também. Todos a odiamos.
Espero que morra.
Enfim, quando isso aconteceu, pensei que era o fim.
Certo? Mas perdoei o teu irmão.
E tudo piorou, por algum motivo.
Piorou, porque talvez não devias ter batido à Sofia no dia do casamento.
Nunca lhe bati.
- Aquilo não foi bater, não foi. - Puxaste-lhe o cabelo.
Bater é dar um pontapé, um murro.
- Tiraste-lhe as extensões. - Agora és a minha biógrafa?
O que quero dizer, se me deixares falar...
Desculpa, continua.
É que todos fazemos merda, todos nós.
Como especialista no assunto, digo-te que não vai ser fácil, mas, no final,
tudo volta ao normal.
Não sei...
Acho que eu e o Nestor não superamos isto.
Não.
E tens mesmo a certeza de que queres superar?
Como assim?
De todos os gajos fodíveis,
escolheste um aluno teu
e filho de uma das tuas melhores amigas.
Certo, o miúdo é jeitoso, mas que caos.
Sim, mas não esperava que toda a Belmonte soubesse.
Mas sabias ao que ias e aceitaste os riscos.
- Sim. - De uma assentada,
arruinaste o teu casamento, o trabalho, as amizades, tudo.
Estás mesmo a animar-me. Muito obrigada.
- Sinto-me muito melhor. - O que quero dizer é...
Não digo... Não digo que o tenhas feito de propósito,
como no Ligações Perigosas, conheces o filme?
- Sim. - Ou como no Gossip. Não.
É mais Miss Detective.
Não, ela estava infiltrada, não funciona.
O que quero dizer é...
Talvez não saibas, mas, talvez,
talvez quisesses que tudo isto acontecesse.
- A sério? - A sério.
Só assim é que faz sentido. Pensa nisso.
Quer dizer, eu...
- Bem, não andava. - Não.
Mas daí a arruinar a minha vida toda, é um pouco...
Se pensares assim, correu tudo bem, parabéns.
Não sei, não me parece que tudo tenha corrido bem.
- Maite... - É do trabalho, tenho de ir.
Está bem.
- Tu ficas bem? - Sim.
- De certeza? - Sim.
Inspetora, estão à sua espera.
- Troca-me isto, não funciona. - Claro.
Olá.
Meu Deus...
Ouve...
- Chega, Maite... - Sim.
Maite, já chega.
O que pensas fazer?
Vamos abrir uma investigação, mas temos de ter cuidado.
- Claro. - Cuidado?
Isto não constitui uma prova, pode ser só uma fantasia, não? Vamos lá.
Já leram isto?
Não o conseguimos pousar, não é?
Ficamos viciados, como um romance, demasiado perfeito para ser verdade.
Claro que é, Maite. Claro que é verdade.
- Claro. - Ou não.
A Macarena ia visitá-lo todas as semanas.
Durante o tempo que esteve lá e às escondidas.
Tens de a prender.
Diego, não há provas.
Como assim, não há provas?
Como assim, não há provas? Porra!
Diego, por favor.
Diego, a menos que o Ivan confirme que é verdade, não posso...
Achas que não sei o que se passa?
Achas que sou idiota?
Eu sabia. O que é que te disse? Sabia que ias tentar protegê-la.
E ainda para mais tu.
Se Ivan fosse uma rapariga e ela um quarentão porco,
seria diferente. Mas não, é mulher. Então tudo é relativo, não é?
Mas não! Isto não é uma história tarada
sobre um aluno e a sua professora, não, o meu filho era menor
e ela anda a abusar dele há três anos.
Ou fazes o teu trabalho
ou trato eu disso, mas juro que haverá justiça.
Estás muito enganado, não estou a protegê-la.
Só peço que falem com o Ivan porque é vosso filho. Conseguem?
Olha, olha...
Não me dês sermões.
- Porque és a pior mãe do mundo. - Sim, claro.
A tua filha nem te pode ver.
Faz a merda do teu trabalho. O que foi?
- Tens razão. - Vamos, Ana.
- Maite... - Mas...
O Ivan é um miúdo, está a proteger a Macarena.
- Deve ser Síndrome de Estocolmo. - Ana!
- Devemos poder fazer algo. - Fala com o teu filho.
Mas ele não quer! Não quer!
Ana, anda. A imprensa fará o seu trabalho!
Até há uma hashtag "Dale a tu cuerpo alegría Macarena".
Sim, também há uns memes engraçados.
Não são engraçados.
Isto é a pior coisa que já me aconteceu.
Podes apoiar-me mais, por favor?
Estou do teu lado. Nunca gostei do Ivan.
É o primeiro na minha lista "Columbine" há anos.
Da tua quê?
Comecei-a aos nove anos.
Uma lista das primeiras pessoas que abateria
se, hipoteticamente, perdesse o juízo
e começasse a matar pessoas na escola.
O que foi?
Não digo que o farei, mas...
Nunca sabes quando podes perder a cabeça.
Certo? Acontece às melhores famílias.
Se fosse eu, gostaria de ter, pelo menos, algum critério.
A loucura não tem de estar em desacordo com a ordem.
Bem, ainda bem que acabamos o secundário este ano.
Não te preocupes, gosto demasiado de ti.
És o meu amor, deixava-te sair pelas traseiras.
- Obrigada. - De nada, mulher.
Nunca mais quero ver o Ivan, é e sempre será um idiota.
Graças a ele, a minha mãe perdeu tudo.
Está a cagar-se para nós.
Todos escondemos algo, só que normalmente não se descobre.
Podes parar de justificar o que ele fez?
Não justifico nada. Só digo que...
Se soubessem que o meu irmão se masturba com fotos da Lucia
ou que a minha mãe rouba comprimidos ao médico...
Não é a mesma coisa.
Bem...
Bem o quê?
Queres um cigarro?
Se a tua mãe te apanha, chama a polícia.
Está tudo controlado.
Trouxe-vos uma sanduíche.
Estamos a mudar de roupa. Deixa-a aí fora.
Pronto, pronto.
É a Macarena.
É a tua mãe.
- Olá. - Olá.
A Natalia está? O Nestor disse-me que estava aqui.
- Sim, está aqui. - Está bem.
Podes pedir-lhe para vir cá fora, por favor?
Ela não quer falar contigo.
- E pode ser ela a dizer-me? - Ela disse-me.
Ela está zangada, só precisa de tempo, talvez...
...devesses dar-lhe espaço. - Não, não.
O que estão a fazer?
Merda, é a tua mãe.
Cala-te, pai.
O que foi? Quem está aqui?
Não se podem calar?
- Não faças isto, Yolanda. - O quê?
Dizer-me o que fazer com a minha filha.
- Quero o melhor para ambas. - Diz-lhe para sair, ou vou entrar.
Sou madrinha dela, pediu-me ajuda.
Fui eu que te fiz madrinha dela.
Sim, e agradeço-te a confiança.
Vais deixar-me entrar ou temos de lutar?
A sério que vamos chegar a isso?
Vá lá, somos amigas, só estou a tentar...
Yolanda, deixa-me entrar ou arranco-te a cabeça.
Sim, é assim que estou.
Pronto.
Obrigada.
Natalia, espera um pouco.
Que caralho.
Natalia? Natalia, por favor, abre.
Natalia, sou tua mãe, não quero falar através de um vidro.
Podes abrir, por favor?
Natalia?
Merda.
Natalia, sinto muito.
Se mudares de ideias e quiseres... Se quiseres conversar,
ouvir-me, berrar comigo ou, sei lá, se quiseres...
O que tu quiseres.
Vou estar à tua espera, está bem?
Adoro-te.
Vou cuidar bem dela.
Sim, eu sei. Obrigada.
O que é isto?
Mas que raio?
Uma declaração para a Rádio 6.
As informações mais recentes são verdadeiras?
Por favor, não...
Andas a ter relações sexuais com o Ivan há três anos?
- O quê? - Então, é verdade.
De acordo com os diários de Ivan, começou em 2018,
quando ele era menor e, como professora dele, sabias disso.
Macarena?
Não queres dizer nada, Macarena?
Algo terás de dizer. É verdade? Estavam apaixonados?
Segue-me.
- O que estás a fazer? - E tu?
Não pode ser.
Estou?
Mas.
Mas que caralho?
O que é isto?
Merda.
Legendas: Adriana Veleda Iyuno-SDI Group
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.