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Filad�lfia, 1946
- E ent�o, Weinkoop, onde ela est�? - No vag�o, senhor.
- Recobrou a consci�ncia? - N�o, ainda n�o.
- Este � o m�dico da companhia. - Siga-me, doutor.
5 minutos depois de deixar Porto Johnson, foi ao banheiro.
- Deve ter tomado um litro. - O telegrama disse que caiu.
Caiu do assento como um saco de farinha.
- E ent�o? - Est� completamente b�bada.
Meu relat�rio pode dizer mais alguma coisa, mas � isso.
- Deve ir ao hospital. - Qualquer coisa para sair da propriedade da companhia.
Vamos, doutor.
Leve-a ao hospital Jefferson. V� com ela.
Assegure-se que fique tudo bem. N�o assumiremos responsabilidades.
S� faremos isto em aten��o ao marido.
Ponha-a num quarto privado com outro nome.
Mantenha-na l� at� Sam Eaton lev�-la para casa.
Muito bem, sr. Jones.
H� mais num corredor de trem, do que em outros lugares.
- Procurando esc�ndalo, Frolick, como sempre? - Como sempre, D.D.
N�o encontrar� nada aqui. Por ora, est� tudo na Market Street.
- N�o h� ningu�m no trem? - N�o, s� a tripula��o.
Pergunto-me se...
N�o. Martha Eaton, n�o.
At� mais.
Aqui � D.D.Jones. Quero uma liga��o para Porto Johnson.
Para o sr. Samuel Eaton.
Isso. "Eaton Iron and Steel."
Estar� em casa para o jantar, sr. Eaton... caso algu�m pergunte?
Se se refere � sra. Eaton...
diga, Nellie, ou cale-se para sempre.
Bem, com o sr. Alfred regressando hoje da guerra...
Tem certeza que � hoje? Talvez saiba mesmo a que horas chega, ou como vir�.
N�o h� raz�o para um criado n�o saber mais que a pr�pria fam�lia.
Aqueles ovos estavam cozidos demais, outra vez, Nellie.
Quando digo no ponto, � no ponto, mesmo.
Posso estar em casa, e posso n�o estar.
E, agora, me vou. Adeus, Nellie.
Adeus, senhor.
Al�. Resid�ncia dos Eaton.
Sinto muito, mas acaba de sair.
Deve encontr�-lo na f�brica... dentro de dez minutos.
Passe bem. Adeus.
A sra. Eaton saiu muito cedo esta manh�, George.
Sim, senhor.
Filad�lfia, outra vez?
- N�o vi que trem pegou, senhor. - N�o disse nada?
Est�vamos muito ocupados falando de seu filho que volta a salvo do ex�rcito...
para nos preocuparmos com assuntos sem import�ncia.
Em outras palavras, o paradeiro da sra. Eaton � pouco importante...
Tudo o que tem a ver com a sra. Eaton � importante, ao menos, para mim.
Est� tentando me dizer alguma coisa, George?
Bem, senhor, prometi algo a mim mesmo no dia em que seu filho partiu.
"George Fry", eu disse, "o dia que Alfred retornar da guerra...
dir� algumas coisas que necessitam ser ditas".
Levou tempo para voltar, n�o?
Sabia que voltaria. Rezei por ele.
Rezou? N�o � mais religioso que eu.
Se Billy tivesse ido para a guerra, em vez de Alfred, talvez tivesse aprendido a rezar, sr. Eaton.
Foi isso que prometeu dizer?
Um pai pode sentir a morte de seu filho de 13 anos sem ignorar o outro.
N�o me passe serm�es, George!
Talvez seja melhor tirar o dia de folga.
Aceito o dia de folga, senhor,
mas, depois, n�o quero voltar a trabalhar para o senhor.
N�o, tamb�m acho que n�o.
Terei seu cheque pronto amanh� de manh�.
Sim, senhor.
Pode parar em frente daquele bar e sair do carro.
� onde vai acabar mesmo, tenho certeza.
� Samuel Eaton, presidente da "Earon Iron and Steel..."
que depois de 20 anos de crueldade com seu filho Alfred...
acaba de ser despedido.
Despedido por seu pr�prio motorista!
Bebamos a isso.
E � Alfred Eaton...
que nunca fez nada de mal em sua vida...
exceto n�o ter sido o filho que morreu de meningite quando garoto.
E, agora, espero que o perdoem por ter sobrevivido � guerra.
Sabe onde fica North Hill Road?
- Um passageiro para fora da cidade. - Bom!
- N�o me ajuda com as malas? - Quem est� pedindo?
- Quanto lhe devo? - 3 d�lares.
Sim? E quem est� pedindo?
Eu pedi. 3 d�lares.
- Espere aqui enquanto telefono. - Telefonar para quem?
Para a companhia de t�xi. Quero saber quando aumentaram as tarifas.
- 2 d�lares. - Aqui h� 1 d�lar.
Agora desapare�a daqui antes que o tire do carro e d� cabo de seu nariz.
Grande homem!
Sr. Alfred!
- Chega, Nellie, por Deus! - N�o posso evitar.
Est�o muito bem. Vamos, uma voltinha, Josephine.
N�o o farei.
N�o � preciso. Vejo que est� mais gorda.
- N�o � verdade. - N�o p�s a cinta!
Cale-se, por Deus!
- Trouxe-lhes presentes de Londres. - N�o precisava gastar conosco.
- Alegra-nos que esteja de volta. - Aposto que a voc� tamb�m.
N�o disse a ningu�m que horas chegaria.
N�o queria dar a ningu�m a chance de me evitar.
N�o est�vamos realmente preparadas para sua chegada com o senhor e a senhora fora.
- Fora? - Esta noite s� tenho costeletas de cordeiro...
mas fiz torta de ma��.
Aonde foram?
A senhora saiu esta manh�, mas n�o sei para onde.
O senhor telefonou de tarde. Parecia longe.
Disse:"N�o esperem por mim para jantar." Esper�vamos a srta. Trimingham mais cedo.
- Senhorita Trimingham? - Vamos, Josephine. Ajude-me com as malas.
Encontrar� seu quarto exatamente como o deixou, sr. Alfred.
Nellie, quem � a srta. Trimingham?
� a enfermeira de sua m�e.
Enfermeira?
Por causa da bebida, sr. Alfred.
Oh, meu Alfred!
M�e, est� bem?
Oh, perdoe-me! Que horr�vel!
Estou t�o excitada e desastrada!
Mas, voltou para casa!
Sim, m�e.
Oh, oh, querido, n�o. N�o me olhe.
N�o queria que me visse assim.
Estou muito cansada e n�o me sinto bem.
N�o podemos deixar tudo para amanh�, quando estiver melhor?
Faremos de conta que n�o houve esta noite e que vir� para casa amanh�.
E nos cumprimentaremos como se deve.
Claro, m�e.
A� vem seu pai. D�-lhe um desconto.
N�o est� em seu melhor momento.
Estou aqui, Sam...
e olha quem est� comigo.
- Meu filho finalmente em casa. - Ol�, pai.
Ol�, pai? S� isso depois de todo esse tempo?
- N�o. H� um pouco mais. - Sim, acho que deve haver.
- O que houve? - Ela apenas trope�ou e caiu.
N�o est� magn�fico?
Sim. Entremos em casa.
Sam, decidimos que...
n�o nos cumprimentaremos esta noite.
Estamos todos muito cansados.
Amanh� estaremos todos melhor.
Que tal a guerra?
Bem, eu acho. Ganhamos.
Oh, j� conheceu meu filho? Alfred, esta � a srta. Trimingham.
- Como est�? - Bem-vindo.
Vamos subir.
Oh... len��is frescos e descanso celestial.
Boa noite, Alfred.
Durma at� a hora que quiser,
e lembre-se, s� chegar� amanh�.
Esta noite nunca existiu.
A casa parece �tima.
Sim. Sua m�e deu uns toques aqui e ali.
Engordou um pouco.
Vida boa na marinha.
Suponho que esteja com sono.
Levantei-me �s 5:45 esta manh�.
N�o � uma boa hora para falarmos, n�o �?
N�o, acho que n�o.
Acho que subirei tamb�m, se estiver tudo bem pra voc�.
- Pai? - Sim?
Nada. Boa noite.
Boa noite.
Ela n�o precisa mais de voc�.
Bem, sr. Alfred, como se sente de volta ao lar...
com seu pai e sua m�e?
As coisas n�o mudaram, Nellie. At� pioraram.
Temos gasosas, sodas, ta�as, mas nada de �lcool.
Seu pai os guarda � chave.
Boa noite, sr. Alfred.
Vai me dizer!
N�o, Sam, esta noite, n�o. Por favor.
Em que outro lugar se encontrou com ele?
Em nenhum outro lugar. S� em sua casa.
Est� mentindo. Encontrou-o num quarto de hotel.
Est� bem, mas s� uma vez.
Esteve com ele e comigo na mesma noite?
Sim! Sim!
Acha que � melhor que as prostitutas da Rua River?
N�o estou orgulhosa de mim.
"N�o est� orgulhosa", ela diz.
- Como pode olhar para seu filho? - N�o posso.
Se o ego�sta do seu pai estivesse vivo para ver isso!
Seu filho!
Seu pai!
Seus her�is!
N�o tenho her�is, s� pessoas que amo.
- Voc� era meu her�i. - Cale-se!
Voc� me levou a isso. Virou-me as costas, como fez � Alfred.
Necessitava de amor, onde pudesse encontr�-lo.
Amor?
� uma porca!
N�o suporto sua presen�a.
Sr. Eaton.
Ele se chama Charles Frolick.
- � um homem cruel e terr�vel. - H� quanto tempo vem acontecendo?
Cerca de um ano.
Ela tenta n�o v�-lo, mas ele n�o a deixa.
N�o consegue evitar.
Frolick?
N�mero 22, Rua Walnut, Filad�lfia.
- Sim? O que houve? - � Charles Frolick?
Sim. Que horas s�o essas? Quem �?
Charlie!
O que acha que est� fazendo aqui?
Chamo-me Alfred Eaton. Alfred Eaton, entendeu?
Se se aproximar da minha m�e outra vez eu o mato.
Charlie, que ideia foi esta de...
- Alfred j� desceu? - Est� tomando o caf�.
A� est�, rapaz.
- Cuidado com os ovos, Nellie. - Sim, sr. Eaton.
Como se sentiu dormindo em sua pr�pria cama?
Sua m�e queria comprar um colch�o, mas lhe disse que n�o seria sua casa.
- Dormi muito bem. Obrigado. - Eu, n�o.
J� n�o � f�cil como antes.
Ainda assim, acho que estou bem para um homem de 57 anos...
considerando tudo o que trabalhei durante a guerra.
Ao que parece, terei oportunidade de descansar.
Todos, neste neg�cio.
Grandes contratos sendo cancelados h� meses.
Agora os tontos dos trabalhadores far�o greve. Que fa�am!
S� haver� ar na barriga de seus filhos quando retornarem.
E os pagar� exatamente o que quiser...
por que se importa?
Importo-me porque me oponho a qualquer um que fa�a greve contra mim.
Saber� como me sinto quando participar do neg�cio comigo.
Suponho que pensar� em se assentar por um tempo.
- N�o, exatamente. - Talvez viajar um pouco.
Ver o pa�s antes de se instalar aqui.
Temos que pensar no melhor clube da Filad�lfia para algu�m como voc�.
Duvido que me junte a um clube...
mas, se o fizer, provavelmente ser� em Nova York.
Nova York? Por qu�?
Porque espero passar muito tempo por l�.
- Pensei que viajaria. - N�o, voc� disse isso. Eu, n�o.
Meu lugar ser� Nova York.
- Diabos, claro que n�o! - Diabos, claro que sim!
Acho que n�o me apetece mais tomar o caf�-da-manh�.
Avise, na cozinha, que n�o ficarei.
Quer ouvir meus planos?
N�o tenho nenhuma pressa. Vejo que n�o far� o que eu desejava.
J� o disse sem discutir comigo.
- Adoraria discutir contigo. - N�o quer discutir nada.
Quer me dizer para ir ao inferno com a f�brica.
Para isso veio para casa. Quis faz�-lo toda a sua vida.
O que quis, toda a minha vida, era ser seu amigo.
� o que quer? Ser meu amigo?
N�o tive um �nico amigo nos �ltimos dez anos.
Eu tamb�m queria isso.
Primeiro deve mostrar que � homem para merecer minha amizade.
O emprego na f�brica seria seu pois a f�brica seria sua.
- A amizade seria a consequ�ncia. - Consequ�ncia de qu�?
De ser seu garoto de recados, o filho do patr�o, seu lacaio?
Nunca me perguntou o que queria fazer, o que eu queria ser.
Agora quer que trabalhe contigo. Para qu�? Para lhe agradar.
Incapacita-me para sempre! Acha que n�o consigo nada sozinho.
N�o � suficientemente grande para caminhar em minha sombra...
e nunca o ser�.
Tantos gritos t�o cedo, e com os criados presentes.
Suponho que n�o sejamos uma familia muito digna e respeit�vel, n�o �?
Deve lhe dar tempo.
Para qu�? Nunca mudar�.
Talvez se acostume ao seu modo de ser.
N�o creio que eu tenha muito tempo, e ele, tampouco.
H� muita tristeza e do�ura em voc�, Alfred.
Mas pode ser muito cruel e frio, �s vezes.
O bom e am�vel Alfred.
Disse algo horr�vel?
- Desculpe-me. - N�o tem que se desculpar.
Sim, eu disse.
O que h� comigo? Costumava ser am�vel.
E nem sequer me lembro o que me fez mudar.
N�o seja t�o dura consigo.
Sei muito mais do que julga.
- Continua sendo minha m�e. - O que sabe?
Tudo.
Oh, Deus!
Abrace-me, Alfred.
- Ainda gosta um pouco de mim? - Te amo, mam�e.
Mesmo eu sendo como sou?
- Vai nos deixar, n�o �? - Sim.
Para onde vai?
Talvez fique com Lex Porter, em Nova York, por um tempo.
Suponho que ver� os Thornton.
Fritz Thornton dar� uma festa para Lex esta noite em South Hampton.
Os Porter e os Thornton s�o como uma segunda fam�lia para voc�.
Mas, lembre-se, n�o s�o.
N�o volte muito independente.
N�o corte os la�os com os do seu pr�prio sangue.
Todos podem desiludi-lo se pegos em momento errado.
Isso inclui voc�, Alfred.
Sei que n�o sou o que acha que uma m�e deve ser...
e sinto muito se lhe envergonho.
- N�o tenho justificativas. - N�o � por isso que vou.
Notei isso a noite passada...
no primeiro momento em que me viu.
O que sou?
Uma b�bada sem esperan�a?
Preferem essa ao inv�s da outra, a esposa infiel.
"Uma porca", ele me chamou.
A bebida serve para encobrir muitas coisas.
Adeus, m�e.
"Isso n�o aconteceria se ela n�o bebesse."
"Martha Eaton n�o faria tais coisas..."
"se n�o gostasse tanto de gim e whisky."
Bem, n�o fazem ideia.
N�o fazem a menor ideia.
- Concede-me esta dan�a? - Claro.
- Perdoe-me um momento. - Claro.
Obrigado.
Procurava por mim?
Sim, se se chamar Lex Porter.
Meu nome � Clemmie Shreve, mas mudo-o se parar de me olhar.
E a que dist�ncia me permite olhar?
� desavergonhado.
Gosto de voc�!
- Sam? - N�o, Alfred.
- Tentar� me fisgar? - Acredita em namoros longos, n�o?
- N�o h� tempo. Tenho quase 19. - O qu�? Anos ou namorados?
Maldoso!
Vamos, dancemos bem colados.
Estou muito duro. Melhor beber algo primeiro.
Est� tudo acabado entre n�s?
Estas coisas n�o duram para sempre.
Gar�om, onde posso encontrar o sr. Porter?
Entrou no escrit�rio faz uns minutos, senhor.
Desculpe-me!
Espere um minuto!
- Alfred, quando chegou? - H� alguns minutos.
Entre. Acompanhe-nos.
Alfred Eaton, Sage Rimmington.
- Lamento. - Eu, tamb�m.
Este � o pirata com quem estive em Princeton e na marinha...
e quem sabe o que nos espera, hein, camarada?
Querido, se me desculpar...
acho que podemos adotar algo mais confort�vel, hein?
Como meu esposo.
Tchau, meu doce.
- Gostei dela. - � muito inventiva!
- Como foi, meu velho? - O qu�?
Votar para casa.
- Genial. - Sim, para mim, tamb�m.
Parei de me preocupar, entretanto.
Boa bebida, mulheres m�s... sempre funciona.
Como v�o as coisas no departamento financeiro?
Nosso projeto. Conseguiu o dinheiro?
Seu velho, hein?
Falarei, de novo, com o tio Fritz.
O convencerei a p�r os $500 mil.
N�o quero isso.
Sei que n�o quer, mas temos outra op��o?
N�o quero soar como um ingrato...
mas teremos que esperar at� que eu consiga minha parte.
N�o entrarei num neg�cio...
arrastando o peso de ser o parente pobre.
Entendo, mas, simplesmente, n�o significa tanto para mim.
Para mim, sim.
Rapaz, passou um per�odo brutal em casa, n�o foi?
A primeira coisa a fazer � tir�-lo de l�.
- J� tratei disso. - Verdade?
Quais seus planos?
N�o sei. Estava pensando naquele apartamento...
em Gramercy Park.
Ah, agora eu gostei!
Verei o que acontece por um tempo.
Fa�a como quiser, mas tenho uma ideia melhor
Comecemos agora mesmo.
Veja isto.
200 virgens maravilhosas de Long Island, m�sica de Markel...
baldes de champanhe e eu sou o convidado de honra.
Diga-me, como poderia perder?
A menos que me embebede e leve as garotas l� para cima.
- Conheci uma chamada Clemmie. - Ah, Clemmie Shreve!
A estou reservando para momentos de urg�ncia.
Al� est� o tio Fritz.
- Olhe quem est� aqui! - Alfred, fico feliz em v�-lo!
Esta festa n�o estaria completa sem voc�, meu jovem.
Champanhe para tr�s. Est�o lhe tratando bem?
N�o tenho queixas.
Espero que fique um bom tempo conosco.
Talvez lhe tome a palavra.
Esperei este momento...
os tr�s juntos...como esperei a vit�ria.
Deus o aben�oe.
- Quis come�ar pelo melhor. - Ah, sim?
Bem perto do �pice.
Obrigada pelo elogio. Quem � voc�?
Alfred Eaton, mas n�o significa nada para voc�. Como se chama?
- Mary St. John. - Um nome lindo e respeit�vel.
Claro que � respeit�vel! � algo tolo de se dizer.
Sou o primeiro a cham�-la de respeit�vel?
� a primeira pessoa a levantar a quest�o.
Nesse caso gostei de ter dito respeit�vel em vez do oposto.
Se est� tentando me irritar, conseguiu.
N�o, � falta de costume. Faz tempo que n�o dan�o.
Por que n�o confere essa honra a algu�m l� de dentro?
N�o sei. Gosto da vista deste terra�o...
e, depois de avist�-la, gostei ainda mais.
Toca-me profundamente.
Mas n�o nos lugares corretos.
- Isso foi razoavelmente desagrad�vel. - Sim, e muito f�cil.
- Gostaria de entrar e chorar? - N�o, mas n�o me importaria se desaparecesse ao p�r-do-sol.
A� vem o buldogue para resgat�-la. Como se chama?
- Jim Roper. - O sombrio Jim Roper?
N�o, o Dr. Roper. � um psiquiatra.
Oh, desculpe! Espero que melhore em breve.
Boa noite, sr. Eaton.
Boa noite, srta. St. John. � toda sua, doutor.
Eu sei.
N�o entendo estas garotas.
Ouvi que eram amig�veis durante a guerra. O que acha?
Diga-me voc�. Quem � essa Mary St. John?
Seu pai trabalha para DuPont S. A., em Wilmington.
De linhagem distinta. Pelos dois lados.
Gar�om! Pode esquec�-la.
Por qu�?
Quer um?
Est� secretamente comprometida com o tipo com quem est�.
O Dr. Jim Roper. N�o creio que seja suficientemente rico para ela...
mas, se n�o for ele, ser� algum outro.
E se n�o pensa em se casar com ela, esque�a de outra coisa.
Est� se guardando.
Quer apostar?
Acorde, amigo. N�o tem os requisitos necess�rios.
Existem outros tipos de requisitos.
Ali em frente ver� a famosa mans�o Whitney.
E, � direita, a propriedade de James Duncan MacHardie.
Nota a fuma�a que sai da chamin�?
Provavelmente o sr. MacHardie est� queimando dinheiro.
Pare de se esconder atr�s dos bin�culos.
- N�o estou me escondendo. - Sempre coloca algo entre n�s.
Como Jim Roper ou Sage Rimmington ou a rede de uma quadra de t�nis.
Do que tem medo?
- Voltemos � praia, sim? - Percebe o que quero dizer?
N�o sei por que, ao falar comigo, p�e-se sarc�stico...
e acabamos brigando.
Se n�o me aprova, deixe-me em paz.
N�o morrerei de tristeza.
� a primeira vez que estamos sozinhos.
- Quanto tempo ficar� aqui? - Um m�s, talvez.
Depois voltar� a Wilmington?
Eu morava perto. Em Porto Johnson, Pensilv�nia.
Achei que vivesse em Gramercy Park, com Lex...
e todas as garotas perdidas �s quais pode botar a m�o.
Foi o que me contaram.
- Acho melhor voltarmos. - N�o quer isso.
Sim, eu quero.
Sabia que me beijaria hoje, mas n�o achei que corresponderia.
N�o voltar� a acontecer, ent�o, n�o tente ficar � s�s comigo.
- � o que gostaria. - Pare.
- Por qu�? - Estou comprometida com Jim Roper.
- Vai se casar com ele? - Estou comprometida com ele.
Mas n�o disse que se casar� com ele.
Vai me levar de volta � praia ou terei que nadar?
Nade.
Ol�, Alfred.
Quem �?
S� um amigo, m�e!
Quem �, Mary?
� melhor entrar.
Mam�e, este � Alfred Eaton. Minha m�e.
Como vai?
E meu pai. Papai, Alfred Eaton.
Prazer com conhec�-lo, senhor.
N�o creio t�-lo visto antes. � daqui, sr. Eaton?
N�o de muito longe, senhor. Porto Johnson, Pensilv�nia.
Sim, a f�brica de a�o. Ent�o � um Eaton.
O que acha da greve?
N�o trabalho na f�brica, mas meu pai n�o gostou.
Imagino que n�o.
Sr. Eaton, o que o traz a Wilmington a esta hora?
Estava ca�ando patos, a caminho de Nova Iorque, e passei para ver Mary.
- Como foi a ca�ada? - Obtive um par de penas.
Como vai Jim?
- Jim? - Sim.
- Jim Roper? - Sim.
- Suponho que sejam amigos. - N�o, exatamente.
Oh, bem, n�o � amigo de Jim.
- N�o � um pouco estranho? - N�o, mam�e.
Jim e eu conhecemos Alfred ao mesmo tempo.
- � mais amigo seu do que de Jim. - Sim.
Diga-me, sr. Eaton...
se n�o trabalha na f�brica, o que faz?
Digo, al�m de ca�ar patos no meio da semana.
Tenho planos para um neg�cio muito excitante, mas ainda n�o posso revelar.
Entendo.
Bem, � melhor eu ir.
- Meu marido o acompanha. - N�o, mam�e, eu irei.
Boa noite, senhor.
- Boa noite, sra. St. John. - Tchau, sr. Eaton.
Sua m�e e seu pai parecem distantes.
O que quer dizer com isso?
Sabe o que quero dizer.
Nunca acreditou que me casaria com Jim, n�o �?
Escrevi-lhe uma carta e rompi o compromisso.
Por que n�o me disse?
N�o sei. N�o disse a ningu�m.
Alfred?
Far� algo e ser� algu�m?
- Por voc�? - Sim.
- Assentar-me? - Sim.
Contigo?
Ama-me?
Desejo-o...
mais que tudo neste mundo!
Nunca desejar� mais ningu�m enquanto viver.
� melhor entrar agora.
Pensei que tivesse mais ju�zo.
- Queria me ver. - E voc� tamb�m.
Acontece que gosto de Alfred, mam�e.
Os Eaton n�o s�o nada, nem ningu�m.
A m�e � uma b�bada e o pai um pirata de guerra ruidoso.
Como sabe? N�o os conhece.
Tenho minhas fontes de informa��o.
Se fosse um cavalheiro, se afastaria de voc� antes de come�arem a falar.
Nem seu pai, nem eu, aprovamos, e acabou a discuss�o.
N�o acabou a discuss�o. Rompi meu compromisso com Jim.
N�o acredito!
Pro�bo-a de voltar a v�-lo.
N�o gosto da palavra "proibir". Faz com que eu queira desobedecer.
Nesse caso, falarei com o sr. Eaton.
Alfred ou seu pai?
Referia-me ao jovem, mas me deu uma boa ideia.
N�o o fa�a, pai! � minha vida!
N�o sou obrigado a ouvir esse tipo de conversa...
de Eugene St. John, nem de ningu�m do grupo DuPont.
N�o o ouviu. Desligou o telefone.
- Permanecer� onde pertence. - Talvez eu n�o goste.
� o que o aborrece, n�o �?
Que meu sangue e o de sua m�e corra em suas veias.
Por isso quer se misturar a uma fam�lia que n�o lhe quer.
- N�o estou interessado na fam�lia. - Deixe-me lhe dizer uma coisa.
N�o pode comprar respeitabilidade com uma alian�a de casamento.
�s vezes acaba indo ao encontro daquilo do que foge.
E lembre-se que o avisei.
Se terminou, j� vou.
De volta a esse apartamento e �s coisas question�veis que ouvi?
N�o trabalhou um s� dia desde que saiu da marinha.
Para sua informa��o, farei neg�cios com Lex Porter.
Neg�cios?
- Que tipo de neg�cios? - Aeronaves. Avi�es privados.
Aeronaves?
Vamos projet�-los, constru�-los e vend�-los.
De onde tirar� o dinheiro?
J� est� resolvido.
- A fam�lia de Lex financiar�? - Isso mesmo.
- Em cem por cento? - Sim, em cem por cento.
� um bom modo de se enforcar.
Ia lhe pedir minha parte, mas mudei de ideia.
- Quanto queria que lhe desse? - N�o dar, emprestar. O que importa?
Digo-lhe quanto penso em lhe dar.
Vou lhe dar $500.
Exatamente $500 d�lares a mais do que esperava se tivesse lhe pedido.
- Espere um minuto. - � tarde. J� assinei os pap�is.
H� algo mais.
H� algo que tenho que saber.
Queria lhe perguntar.
Venha ao escrit�rio.
N�o sei como come�ar isso.
Quero dizer, por onde come�ar?
J� ouviu falar de um homem chamado Frolick?
- Ouviu? - Sim.
Em rela��o a qu�?
� melhor colocar a quest�o de outra forma.
Est� bem.
- Conhece-o? - Vi-o uma vez.
- Bateu nele? - Sim.
Gra�as a Deus!
Gra�as a Deus que foi voc�.
Talvez sejam muitas as coisas as quais nunca lhe dei cr�dito...
mas um homem da minha idade n�o pode mudar t�o r�pido.
Poderia dizer que me enganei todos esse anos...
mas isso n�o resolveria nada.
N�o mudaria o que eu sentia por voc�, o que ainda sinto...
apesar do que tenho em minha mente.
Um dia, quando tiver filhos, saber�.
Um deles est� aqui.
Ele brilla. Sua voz � m�sica.
Amava-o como se nunca tivesse vivido no corpo de sua m�e.
Billy era assim para mim, muito antes de morrer.
E quando morreu, ningu�m entendeu o que me aconteceu.
Voc� vivia, estava vivo...
algo que Deus me deu deliberadamente.
Eu n�o queria outro filho, nem ningu�m mais em minha vida.
Nem voc�, nem sua m�e, s� Billy!
Por isso sua m�e se meteu com Frolick.
N�o porque ela seja imoral.
Pois, nem sequer, lhe disse que j� n�o a amava.
Teve que descobrir por si pr�pria.
Suponho que soube antes de mim.
Ainda assim, mesmo sabendo
do mal que isso fez a todos, incluindo a mim mesmo,
eu teria feito de novo.
Era t�o maravilhoso amar Billy!
Sempre em meus pensamentos!
Posso sentir seus bra�os em volta do meu pesco�o neste momento!
N�o v�.
N�o v�? Quem pensa que sou?
N�o foi minha inten��o. Alfred, filho...
- Ol�, Mary. - Entre.
Boa noite.
Boa noite.
Como est� seu pai?
Dif�cil dizer. � sempre o mesmo, s�o, ou doente.
Sim.
Talvez pare�a que os homens n�o mudam, Alfred...
mas a vida � outra coisa.
Considere isto: h� uma semana me opunha firmemente a que se casassem.
Esta noite, n�o s� me reconciliei com a ideia, como a apoio.
Sim! A vida � cheia de ironias imprevis�veis.
Jamais lhe ocorreria que seu pr�prio pai...
fosse o respons�vel por essa mudan�a de atitude.
- Meu pai? Como? - Tendo este lament�vel ataque do cora��o...
que, automaticamente, transformar� sua vida.
De repente, passar�, de um jovem irrespons�vel...
a um ativo chefe de fam�lia e da f�brica "Eaton Iron and Steel".
Isto elimina as obje��es que lhe tinha, como genro.
Sei que n�o tem experi�ncia no neg�cio...
mas esteja certo de que o ajudarei no que puder.
Obrigado, sr. St. John, mas n�o tenho inten��o de continuar o neg�cio do meu pai.
Planejo ser chefe da minha pr�pria fam�lia, quero dizer, Mary e eu.
Boa noite, senhor.
Desiste?
Sim, desisto.
Parab�ns! Lindo dia para a boda!
Ol�, Mary.
N�o perderia isto por nada no mundo.
- N�o v�, Sage. - Acho melhor.
Li todas as suas cartas. Sei exatamente como se sente.
Ele a conhece como eu?
Conhece sua natureza selvagem e maravilhosa?
� melhor ir embora.
- N�o funcionar�. - Por favor, v�.
N�o tem que se casar com ele para conseguir o que quer.
Boa sorte, Mary.
Sim?
Oi! O que foi? Mudou de ideia?
Alfred, voc� me ama?
Se a amo? Claro que sim. Ligou para isso?
Est� bem. Te amo, te amo!
E, a prop�sito, temos um encontro esta noite.
Tenha cuidado. Algu�m pode estar escutando.
Sim.
Tchau.
Entre. Tenho uma grande ideia!
Companhia de M�quinas Voadoras Porter Eaton.
Corpora��o Acrob�tica.
Corpora��o Brandy?
Se tio Fritz me ouvisse falar assim pegaria o dinheiro de volta.
- Confia em mim, n�o? - Claro que sim.
� meu padrinho, n�o �?
Tenho que lhe dizer uma coisa.
Sua m�e acaba de ligar do hospital.
Pediu que n�o dissesse nada a ningu�m, especialmente a voc�.
O que houve?
Seu pai morreu h� poucos minutos.
Sinto muito.
Digo para cancelarem o casamento?
Acho que me odiava tanto...
que nem sequer...
suportou ficar vivo no dia do meu casamento.
Gosto deste avi�ozinho.
� como a mulher ideal.
F�cil de manejar, estabiliza-se sem muito esfor�o.
Amigo, n�o est� me ouvindo.
Sim, estou.
O que h�?
Vi os dois motores novos, hoje, no hangar.
A marinha encomendou 100. Descobrimos e compramos dois.
- Quem descobriu? - Von Elm e eu.
- Por que n�o me consultaram? - Precisamos de motores, n�o?
Sim. Mas n�o gosto que passem por cima de mim.
Estamos sobrevoando seu feliz lar com sua feliz esposa.
O m�nimo que pode fazer � honrar a ocasi�o botando um sorriso nessa sua cara azeda.
Com quem se casou? Com um homem ou um mosquito?
Um homem muito homem, Sage.
Um homem delicioso e todo homem, da cabe�a aos p�s.
- A que se deve esse "a-ha"? - Faz mais de um ano que se casou.
Se est� para dizer: "Por que n�o h� filhos?", n�o o fa�a. Sou eu.
Eu? Falar de filhos? Sabe que odeio os pequenos fedorentos.
Choca-me totalmente!
Por qu�? Por que digo o que sente secretamente?
Oh, pare!
� injusto...
que lhe conte tudo sobre Steve e eu...
quando estamos � s�s...
e n�o me conta nada do que acontece entre voc� e seu magn�fico esposo.
At� tenta me enganar.
Seu problema � que n�o passa de uma curiosa frustrada.
Est� errada.
De mulher para mulher, como �?
� divertido.
Mas gostaria que voltasse para casa, para seus bra�os, com mais frequencia, n�o?
Precisamente, o que fazem, um grupo de homens patri�ticos...
com uma h�lice de avi�o at� �s 4:00 da manh�?
Acho que n�o gostaria de um homem que n�o buscasse o sucesso.
Certamente.
Qu�o sucesso faz quando apaga a luz?
� imposs�vel! Sabia?
Se o trabalho � a amante de um homem s� h� uma resposta:
outro homem.
- Not�cias de Jim Roper? - Claro que n�o.
Um cora��o sofredor n�o deveria arruinar as oportunidades da vida.
N�o quero parecer chata, mas n�o estou interessada nisso.
- O que h�? - N�o sei.
- Suba-o! - Estou tentando!
"Corpora��o Aeron�utica".
O que houve?
Felizmente, acordou a tempo.
- Parece que � o novo estabilizador. - Que novo estabilizador?
Estamos tentando uma vers�o modificada do antigo.
O que h� de errado com a vers�o antiga?
Nada, mas sempre h� jeito de melhorar.
Espere um minuto.
N�o protesto por ningu�m ter me dito o que estava acontecendo.
Tenho uma quest�o maior.
Voc� e Von Elm devem pensar que estamos dirigindo um laborat�rio.
Estamos desenhando avi�es, melhorando-os, modificando-os.
Estamos fazendo tudo, menos vendendo avi�es.
Ou fazemos neg�cio, ou n�o. Acho que temos um bom avi�o.
Congelemos o projeto, comecemos a fabric�-los e vamos vender.
Se n�o veem do mesmo modo, ent�o devemos falar seriamente.
Em seu escrit�rio ou no meu?
Quando Sage come�a a falar assim, fico louca!
N�o quero ganhar mais, s� quero sair.
Sinto-me corar.
Odeio que ela pense que sou... como se diz? Uma garota quente?
Lex � rico, n�o liga para os neg�cios.
Entrei nisso para fazer dinheiro, agora, n�o em 5 anos.
S� conseguia pensar numa coisa.
Em quanto o desejava.
Se ele e Von Elm jogar�o com o dinheiro de Fritz Thornton...
ter�o que faz�-lo sem mim.
Quando formos l�, no domingo, vou lhes dizer, ou me d�o algum controle ou saio.
Querido?
Fala demais!
- Tchau, Mary, Jim. - Encontramo-nos em casa.
Podemos entrar um minuto, sr. Thornton?
- Est� com frio? - N�o. Gostaria de lhe falar.
Tem certeza que n�o quer vigiar Mary?
Por qu�? Ela patina bem.
N�o me refiro exatamente a isso.
Era minha garota, certo?
Obviamente, n�o. N�o falaria mal de algu�m que gosta.
Fez com que eu ficasse fora de mim. Achou que seria um cavalheiro?
Se queria fazer com que me sentisse mal, conseguiu.
Jim, n�o!
Agora, quando possuo uma garota, fa�o de conta que � voc�.
Disse uma obscenidade.
Tive uma d�zia de garotas desde que me deixou...
mas todas t�m sido voc�.
Isso lhe acontecer�.
Numa noite, na cama, ele se transformar� em mim.
Est� com raiva, Alfred, ou apenas pensando?
O qu�? N�o, n�o estou com raiva.
Esperava que apoiasse � Lex e Von Elm.
Reconhe�o que seria f�cil fazer dinheiro agora...
mas n�o seria nada comparado ao que se pode ganhar em 5 ou 10 anos...
se pudermos suportar a coceira dos lucros r�pidos.
Bem, suponho que eu deva tomar uma decis�o, n�o, sr. Thornton?
Sim, acho que sim.
Mas hoje n�o. O homem de neg�cios deve descan�ar no s�timo dia.
Se n�o foi nada, por que fugiu dele?
N�o estava fugindo! Meus dedos estavam congelando.
Quer uma esposa com os dedos congelados?
Do que falaram?
- Ele ainda me ama. - Obrigado.
N�o acreditaria se lhe dissesse que fal�vamos do tempo.
Beijou-a?
Aposto que tentou.
N�o s� isso. Levantou-me em seus bra�os...
e cruzamos o deserto em seu corcel branco!
N�o brinque com isso.
Est� se comportando como um tolo. Gosto e sempre gostarei dele.
N�o pode esperar que eu deixe de gostar dos meus amigos,
assim como n�o pretendo que deixe de gostar de suas amigas.
Eu disse: "gostar". N�o falemos mais disso.
Fico feliz.
Sandy!
Alfred, pare o carro. Olhe!
Socorro!
Sandy caiu no lago!
Sr. MacHardie...
Sandy caiu.
N�o me ouviu.
D�-me aqui.
- Saia daqui. Quem � voc�? - Sou seu av�.
Chame o m�dico, os bombeiros. R�pido.
Est� bem.
N�o pode levar a mal quererem lhe agradecer.
Preferia que me mandassem algumas flores.
Resgatou o neto de James Duncan MacHardie, apenas o maior...
e mais famoso banqueiro da Am�rica.
Teremos mais que a casa cheia de flores e uma noite cheia de gratid�o.
Aposto que sim.
Primeiro averiguar� se somos suficientemente respeit�veis.
- Outra vez essa palavra. - E depois...
ver� se minha aur�ola � suficientemente brilhante...
para ser digno de um de seus escrit�rios na 25 da Wall Street.
O velho forte da integridade banc�ria.
Deve reconhecer que � o momento perfeito...
j� que planeja abandonar Lex sem outro emprego � vista.
Como sabe que aceitarei o trabalho?
Porque o conhe�o, querido. � muito astuto.
E n�o � homem de recha�ar a oportunidade de sua vida, querido...
n�o importa o quanto proteste, querido!
As lojas n�o fecham cedo em Wall Street?
Adoro a ideia de que passe mais tempo comigo.
� tudo o que significa para voc�?
O que tem de mal uma garota se preocupar com suas necessidades?
Que bom que vieram! Sou Jean Duffy, filha do sr. MacHardie...
e a muito agradecida m�e de Sandy.
Este � meu esposo, Creighton.
- Quer�amos agradec�-lo. - E agradecemos.
Quer�amos que Sandy conhecesse o cavalheiro que lhe salvou a vida.
Oh, Sandy, querido!
Esta � a sra. Eaton.
- E o sr. Eaton que j� conhece. - Alegra-me ver que est� seco.
Muito obrigado por me pescar da lagoa.
Foi um prazer.
E?
Ah, sim! Menos mal que seja pequeno...
ou me atiraria de volta � �gua.
- Agora v�, filho. - Boa noite, Sandy.
Agora estamos prontos para o cocktail. Creighton, nos guia com a sra. Eaton?
Foi muito gentil com ele.
Apresento-lhes os outros convidados.
A sra. Ripley. Lady Sevringham.
A sra. Pearson. Lorde Sevringham.
- Meu pai o conhece, claro. - Prazer v�-lo novamente.
E o sr. Thornton.
O sr. e a sra. Eaton. Creio que � tudo.
N�o esperava v�-lo aqui.
Pode ser uma ocasi�o especial.
Cuidado com Creighton Duffy.
� membro da MacHardie e Cia., mas s� porque � seu genro.
N�o gosta de competi��o.
Sr. Eaton, h� uma Portland em Oreg�n, e uma Portland em Maine.
Quando se tem um novo pa�s e a oportunidade de come�ar do zero...
com novos nomes, para qu� 2 Portlands?
H� algo pior.
- J� ouviu falar da Calif�rnia? - Claro. Tenho um amigo l�.
- E j� ouviu falar de Indiana? - Sim, creio que sim.
- Indiana. - E Pensilv�nia?
Filad�lfia est� na Pensilv�nia.
Sim, mas temos uma Calif�rnia na Pensilv�nia...
e uma Indiana na Pensilv�nia.
N�o me surpreende. H� um lugar em Nova York chamado Campos de Polo...
onde s� se joga beisebol e futebol.
Nunca vi um elefante em Piccadilly Circus, j� viu?
Cavalheiros, creio que chegou a hora do brandy e cigarros.
Creighton, pode se fazer de anfitri�o enquanto falo com o sr. Eaton?
- Gosto como maneja. - Foi um golpe de sorte.
N�o me referia ao taco de billar.
Informei-me a seu respeito, sr. Eaton.
Os resultados foram bem satisfat�rios.
Fico lisonjeado.
N�o � meu h�bito...
oferecer cargos na J.D. MacHardie e Cia...
a homens que se qualificam mais como banhistas.
Faz sentido.
Ent�o, como um homem sensato, n�o deve aceitar qualquer coisa...
a menos que esteja absolutamente certo do que quer.
- Um homem pode estar t�o certo? - Acho que sim.
Fale-me de suas metas.
Quero viver num mundo com gente importante e ganhar muito dinheiro.
O qu�o importante?
Como voc�, senhor. Certamente muito mais importante que meu pai.
Eu tamb�m sempre quis me sobressair ao meu pai.
Isso me ajudou a conseguir o que queria mesmo n�o o atingindo em cerca de 30 milh�es.
N�o tenciono ficar abaixo disso.
E, de prefer�ncia, sem seus companheiros atuais?
Existe uma coisa chamada informa��o...
- ...sr. Eaton. - E voc� a tem.
Quanto tempo levaria para resolver seus assuntos?
Dois meses.
- Unamo-nos �s damas? - Como quiser.
"J.D. MacHardie e Companhia"
Tem raz�o, Mary, desculpe-me.
Pedi desculpas.
Por que n�o vai indo e nos encontramos l�?
Sim. O qu�?
Agora mesmo. Absolutamente.
- Disse quando voltar�? - A tempo do Natal, espero.
O que est� fazendo na Calif�rnia?
Isso foi ano passado. Est� no Colorado.
O que faz no Colorado?
Comprando uma mina de cobre para o sr. MacHardie.
Assegure-se de que lhe compre uma tamb�m.
Como v�o as coisas em Baton Rouge, Luisiana?
� Luisiana, n�o �?
Alfred, tem que falar mais alto, n�o o ou�o!
Por que n�o vem mais para perto, como Nova York?
Fica no estado de Nova York, lembra?
N�o estou! S� bebi uma ta�a de champanhe.
As pessoas de sempre. Sage e Steve. Nancy e Parker Wells.
Ningu�m mais que conhe�a, eu acho.
Sim, querido, irei.
Sim, voc�, tamb�m. Tchau.
Diga-lhe que nos reuniremos quando for conveniente.
Sr. Eaton, o sr. MacHardie deseja almo�ar com o senhor �s 12:00.
Tenho outro compromisso.
Faltam tr�s minutos para as 12:00, senhor.
- Est� bem. - Obrigado, senhor.
Ligue para a sra. Eaton em casa. Se n�o estiver, ligue no restaurante.
Estar� l�, passando-se por um de nossos vendedores de a��es.
Olhos abertos, ouvidos agu�ados.
Descubra o que puder sobre um homem chamado Ralph W. Benziger.
Se alguma vez fizermos neg�cios nessa �rea...
talvez queiramos que esse homem assuma o controle...
desde que tenha as m�os limpas.
� o que deve averiguar: se � honesto, que tipo de homem �.
Gostaria de saber se o sr. Duffy me recomendou para esta viagem a Mountain City.
Talvez sinta que o sr. Duffy lhe recomende para investiga��es...
para mant�-lo afastado da base da empresa durante meses.
Talvez tenha isso em mente, talvez, n�o. N�o me interessa.
Interessam-me os resultados.
T�m sido enormemente lucrativos...
e, em grande parte, meu jovem, devido aos seus astutos informes.
Obrigado, senhor.
Que n�o saia dessas paredes...
mas o �nico m�rito do meu genro durante esse tempo...
foi lhe recomendar para esse trabalho.
- Quanto tempo ficarei fora? - Cerca de dois meses.
- Posso levar minha esposa? - Prefiro que n�o.
Sugiro que parta sexta-feira, � noite.
Sexta-feira � noite?
Acabamos de nos mudar para o apartamento de Nova York. Temos convidados no domingo.
Todos os meus sacrif�cios pela firma...
t�m sido amplamente recompensados.
N�o quero sobremesa.
Boa sorte e bom dia.
Boa noite, Mary.
Obrigada, Steve.
Bom dia.
Por que n�o nos encontrou? N�o viu meu bilhete?
Cheguei tarde. Tive que terminar o informe sobre Dunham.
Suponho que eu deva saber o que � esse informe sobre Dunham.
� s� uma das coisas triviais...
que a ajuda a pagar suas despesas no "Harper Bazaar".
Obrigada.
Onde usou esse modelito at� as 2:00 da manh�?
Fui ver a "Mona Lisa".
Pode abrir o z�per, por favor?
Pensei que Sage n�o gostasse mais desse lugar.
Sage n�o foi.
Ficou em casa por causa de uma dor de dente ou algo assim.
- S� voc� e o marido dela? - Os dois sozinhos.
N�o consegue algo melhor?
Poderia, mas, desafortunadamente, ele tinha outro encontro...
- ...com o informe sobre Dingham. - Dunham.
Ah, desculpe-me! Dunham.
Disse-me que era t�o importante que me deixou s� com um sandu�che...
enquanto almo�ava com MacHardie.
Estava me designando para uma nova tarefa.
Nas regi�es de carv�o da Pensilv�nia.
Podia lhe contar os detalhes, mas, obviamente, n�o est� interessada.
Tenho de partir sexta-feira � noite.
- E a festa de domingo? - Eu sei. Lamento.
Quanto tempo acha que ficar� desta vez?
Dois meses.
E, claro, estou pro�bida de ir contigo, ou mesmo visit�-lo, porque...
N�o �, exatamente, pro�bida, mas...
O problema com esta companhia � que � dirigida por velhos.
Espero que se d� conta do que est�o nos fazendo.
O que quer que eu fa�a? Me demita?
- Desta vez, n�o ficarei sentada. - N�o tem que ficar.
- Irei ao teatro se me convidarem. - Ent�o, v�.
E se for com algu�m que n�o conhece? Um homem?
N�o quero que saia com homens que n�o conhe�o.
E se for com algu�m que conhece, mas n�o gosta?
- Por exemplo? - Jim Roper.
Por que pensou nele?
Porque vir� � festa de domingo.
Como aconteceu isso?
Vi-o na Quinta Avenida e o convidei.
Fico feliz de n�o estar aqui.
Melhor assim, se essa � sua atitude.
Sim, � minha atitude!
Digo-lhe outra coisa. N�o sair� com Jim Roper. � definitivo!
- Definitivo? - Sim! Definitivo.
N�o teria tanta certeza.
V� para a Pensilv�ncia brincar com seus mineiros de carv�o...
mas n�o fique t�o seguro!
Nada daquela liga��o para Nova York?
- Entre! - Aqui est�, senhor.
Continue tentando, sim?
- Est�o celebrando a partida. - Jogam no domingo?
Claro. Mountain City bateu os Steamrollers por 28 a zero.
Era um jogador de Providence. Conhe�o-o.
N�o. Desculpe-me.
Jogou muito sujo. Devia ter sido expulso da partida.
Eu fui.
N�o, n�o foi, mas devia ter sido.
� atraente.
Junte-se a n�s.
Temos cervejas.
- Estou treinando. - Para qu�?
Aposto que � casado.
Est� absolutamente certa.
- Minha esposa deu uma festa hoje. - � mesmo?
Sabe quem estava l�? Nem eu.
Por que n�o ficamos aqui, ent�o?
Aposto que n�o vai se arrepender.
Pois quando gosto de um tipo...
- Odeio ter que dizer n�o. - N�o diga, ent�o.
Mas tem que sair.
- Acabo de entrar! - Sim, e acaba de sair.
Sorte para voc�, Buckley!
- Al�? - Al�.
Tenho ligado a noite toda.
N�o havia ningu�m aqui. Fomos todos jantar no Michel depois da festa.
Quem foi?
- Peggy e Bill, Sage e Steve, Jim Roper e eu. - Quem a deixou em casa?
- Quanto tempo ficou? - Cerca de meia hora.
Voltar� a v�-lo?
N�o sei...ah, sim. Estar�, sexta-feira, no jantar de Peggy e Bill.
Sem d�vida, a levar� para casa.
Possivelmente. N�o sei.
Sabe o que est� fazendo, n�o sabe?
Sim. Estou lhe mostrando que n�o tenho inten��o de ficar trancada em casa...
enquanto fica livre, como um p�ssaro, pelo santo nome de sua carreira.
Ou�a, n�o quero mais esse tipo no nosso apartamento.
Diga-lhe, ou quando eu voltar, digo, eu mesmo!
E se eu o fizer, ser� dif�cil explicar a seus pacientes sua cabe�a partida.
Est� bem, lhe direi. Isso � tudo?
� tudo.
N�o pode vir mais aqui.
As pessoas pensam que esta zona n�o � fria...
mas a temperatura chega a 7, 8, 9 graus abaixo de zero.
Alegra-me ter vindo me ver, hoje, sr. Eaton.
N�o sou sempre t�o falastr�o.
Talvez porque n�o encontre muita gente disposta a ouvir, como voc�.
� um prazer, sr. Benziger. Falo s�rio.
� muito simp�tico de sua parte.
Faz com que me sinta mal por n�o ter a��es no mercado, agora.
Sei como � para jovens como voc� desbravarem novos territ�rios.
Temos dias bons e maus. Hoje � um dia bom.
As pessoas do local me disseram que andou fazendo perguntas sobre mim.
Sim, senhor. Algumas.
Se ouviu algo ruim, prossivelmente seja verdade.
Veio sozinho?
� uma cidade muito solit�ria.
- Minha esposa est� em Nova York. - Cuidando das crian�as?
N�o temos filhos.
Desculpe-me.
Sim? Pode passar.
Ol�, Natalie.
Vejamos...
dentro de...15 minutos.
Sim, estarei.
Espere um segundo. Est� sozinho. Por que n�o janta conosco?
H� carne. Garanto que n�o comer� um bife t�o bom no hotel.
Se � um convite, est� vendido.
Bom!
Diga � mam�e que levarei um convidado para jantar.
J� vou. Tchau.
Quieto, Rocco, est� tudo bem.
�s vezes � muito barulhento.
Minha mulher e minha filha ficam sozinhas grande parte da noite.
- Ol�, papai. - Ol�, Nat.
- Natalie, este � o sr. Eaton. - Como vai?
Queira entrar.
Papai, parece lixa de caixa de f�sforos.
- N�o sei por que. Barbeei-me �s 5 da manh�. - D�-me seu chap�u e sobretudo.
Geralmente, os colocamos debaixo da escada, mas teremos estantes.
Ouviu isso, papai?
Ouvi. J� sei. Ainda n�o as terminei.
Isto tem inten��o de ser uma sala, mas � meu escrit�rio.
Subirei para buscar a m�e. Des�o num minuto.
Nunca tinha visto uma mina antes de segunda-feira. Esta � de voc�s?
Sim, � a n�mero 4.
Papai queria cham�-la de Natalie por minha causa, mas lhe foi negado.
Esta � a 1�. � a mais antiga. Mas a 4 � nosso orgulho e alegria.
Quando a constru�ram era a mais potente do mundo.
Este � meu c�modo preferido de toda a casa.
Vinha aqui fazer meu dever de casa.
- Especialmente aritm�tica. - Por que diz isso?
- Seu pai poderia ajud�-la. - N�o. Eu era muito boa em aritm�tica.
Mas ele me ajudava com os outros.
Ele estar� aqui num segundo e lhe servir� uma bebida.
N�o tenho pressa.
- Diga-me uma coisa. - Sim?
Como se sente algu�m como voc�, florescendo numa cidade de carv�o?
Quer mesmo saber?
Eu amo este lugar.
As montanhas ficam lindas, cobertas de louros e neve.
As pessoas, tamb�m. Os mineiros.
Os velhos, n�o os novos. Visitei muitas casas.
Eles n�o t�m muito tempo e t�m pouco a mostrar do �rduo trabalho de suas vidas.
Mesmo assim, t�m muita dignidade e sabedoria...
alma e orgulho.
Mam�e, este � o sr. Eaton.
- Boa noite. Foi agrad�vel ter vindo. - Foram am�veis em me receber.
Por que estamos aqui parados? Vamos beber algo.
- Nada para mim, querido. - Nem para mim, papai.
O que vai ser, sr. Eaton?
- Whisky puro para mim. - Est� bem.
Apenas uma bebida agora. N�o queremos que arruine nosso bife.
Bem-vindo � nossa cidade. Bem-vindo ao nosso lar.
E a tudo o que h� de maravilhoso nele.
C�us, n�o fazia ideia!
Posso terminar isto amanh�.
Vem dormir, querida?
- Boa noite, sr. Eaton. - Boa noite, e muito obrigado.
Adoramos sua visita.
� melhor eu dizer "boa noite" tamb�m.
Nat, pode fazer companhia ao sr. Eaton um minuto?
Mam�e tem um problema de cora��o. Nunca se deita depois das 10.
O que faz no seu tempo livre?
Ou tamb�m tem problema de cora��o?
N�o. N�o tenho nenhum problema de cora��o.
Fa�o caridade, me ocupo do jardim, vou ao cinema, o usual.
Iria ao cinema comigo uma hora?
- N�o. - Por que sou casado?
� uma boa raz�o, n�o �? Pelo menos, em Mountain City.
Ent�o iria ao cinema comigo na Filad�lfia?
Provavelmente tem uma boa esposa.
Suponho que esteja com raiva por t�-la convidado.
- N�o, considero um elogio. - Espero que sim.
� a primeira mulher que convido para sair desde que me casei.
- Obrigada. - H� outra coisa...
Realmente, n�o quero encorajar essa conversa.
- Mam�e est� bem? - Sim.
Tinha v�rias coisas a lhe dizer. N�o a verei pela manh�.
Acho que vou embora.
Natalie tem convidados para jantar, no s�bado.
Seria �timo se viesse tamb�m.
O sr. Eaton n�o vai se divertir. Somos apenas n�s, do clube de bridge.
Deixarei para outra ocasi�o.
- Acho que seria melhor. - Esperamos que venha novamente.
- Boa noite, sr. Eaton. - Boa noite, senhor.
"Conheci-o hoje. � noite jantei em sua casa.
Benziger me pareceu c�lido, virtuoso, honesto e trabalhador.
Sua fam�lia �..."
- Estava pensando em voc� - O que pensava?
Fico contente que tenha feito o apropriado.
Dizer n�o...
e me mandar para a fria noite solit�ria.
N�o diga isso.
Salvou-me de cometer um grande erro.
Talvez n�o tenha sido voc� que cometeu um erro.
O que quer dizer?
N�o sei. N�o estou segura. Voc� est�?
H� um "cine drive" fora da cidade.
- A �ltima sess�o � �s 9:30h. - Sim?
- Amanh� � noite? - Amanh� � noite.
Na �ltima fila de carros. Um Plymouth amarelo convers�vel...
Ligeiramente coberto de p� de carv�o.
Provavelmente estejamos cometendo um grande erro.
Voc� sabe, n�o?
Sim.
Eu sei. Boa noite.
Devemos ser as �nicas pessoas que est�o vendo o filme.
Sabe de uma coisa? Nem sei seu primeiro nome.
Na verdade, � David. David Alfred Eaton.
Eu gostava de David e meu pai, Alfred, ent�o ficou Alfred.
- Posso cham�-lo de David? - Como quiser.
Acredita em amor � primeira vista?
Tamb�m, n�o.
Creio em confus�o.
Um homem caminha pelo deserto toda sua vida procurando �gua...
e s� encontra areia.
N�o sabia que estava perdido no deserto.
Eu tamb�m n�o sabia, at� esta noite.
Entrei numa casa onde havia calor...
e n�o vinha de radiadores.
Vi seu pai, sua m�e e voc�.
Sente-se s� e est� longe de casa.
N�o. Numa noite, toda minha vida pareceu mudar.
Sei que soa rid�culo...
mas fez com que sentisse que me enganei por toda a vida.
� divertido.
O filme n�o parece t�o ruim sem som.
Prefere que eu me cale.
Gostaria que fizesse muito mais que isso.
Agora eu � que me perdi no deserto.
Acho que todos estamos procurando.
At� sua esposa?
N�o dormi bem, ontem � noite, depois que lhe deixei.
E, agora, muitas coisas me parecem mais claras.
N�o sei se ainda est� apaixonado por sua esposa...
Mas sei que seu casamento n�o expirou.
Sei que se pararmos agora...
jamais machucaremos algu�m, exceto a n�s mesmos.
Quero lhe dizer adeus, mas n�o por carta...
ent�o vou lhe ver mais uma vez.
- Tudo bem? - Tudo bem.
Nossos carros est�o estacionados muito perto.
Ningu�m usa essa estrada.
Ningu�m conhece este lugar exceto...
as lebres, os esquilos...
Os ratos do campo, p�ssaros, borboletas...
e as folhas que caem.
- Qual desses � voc�? - N�o sei.
Um esquilo, talvez...
ou, talvez, s� uma covarde.
Guardei sua carta.
- Dou-me conta de uma coisa agora. - O qu�?
Era o modo apropriado de dizer adeus. O �nico modo.
- Natalie? - Sim?
Olhe para mim.
Sabe de uma coisa?
Ainda que nunca mais voltemos a nos ver...
algo de muito bom aconteceu.
Pois, saber�, pelo resto de sua vida...
que s� de v�-la...
somente o som de sua voz...
criou um sentimento em mim que � t�o forte...
que n�o posso cur�-lo com uma conversa amig�vel...
ou com o sil�ncio.
E eu...
sempre me lembrarei...
de um triste, solit�rio...
e jovem caixeiro viajante...
que passou pela minha vida por um breve instante.
E eu amei sua tristeza...
sua solid�o...
e sua busca.
Por favor, n�o.
Tornarei mais f�cil. Vou logo.
Voltarei para Nova York esta noite.
Em tr�s semanas aqui ganhei mais do que me havia proposto.
Mais do que pretendia.
- Vamos nos escrever? - O que acha?
N�o. Claro que n�o.
Bem-vindo de volta.
- Pedi para dois. - �timo.
Ainda n�o estudei seu relat�rio, mas dei uma olhada r�pida.
Sua minuciosidade me convenceu de que n�o teria nenhuma raz�o...
para ficar descontente contigo por ter voltado t�o r�pido.
Fez tudo o que esperava de voc�.
Alegra-me que estejamos de acordo sobre Benziger. Bom homem.
Contudo, n�o queria falar disso.
N�o queremos ser perturbados.
Vou direito ao ponto. J� viu sua esposa?
Ou veio direto para c� de Mountain City?
Mary? N�o. Cheguei � noite. Ela estava em Long Island.
N�o havia voltado quando sa� esta manh�. Por qu�?
Posso presumir que esteja consciente dos problemas em sua casa?
Poderia ser mais espec�fico?
Bem, veja...
nosso sr. Hasbrouck, que, como sabe, lhe tem a mais alta considera��o,
vive em Westport, Connecticut.
Inteirou-se de que sua esposa estava na casa de uns vizinhos...
uns tais de sr. e sra. Joseph Cash.
Cash? N�o os conhe�o.
N�o, voc� n�o, mas o Dr. James Roper, sim.
E foi l� que passou o �ltimo fim de semana com sua mulher...
depois da partida de futebol entre Princeton e Yale.
Tem minha palavra, ou melhor, a palavra do sr. Hasbrouck...
de que estes anfitri�es, em particular...
costumam ter a casa cheia de convidados nos finais de semana...
com a atra��o de que n�o se sabe quem dorme em que quarto.
N�o est� tirando conclus�es precipitadas?
Garanto-lhe que o sr. Hasbrouck se assegurou...
que a aventura de sua mulher era um segredo evidente, antes de terem convidado...
- Eugene St. John para almo�ar. - Eugene St. John?
Sua conversa foi muito informal.
St. John concordou em n�o fazer nada agora, mas prometeu falar com a filha...
se, e quando, voc� decidisse que fosse necess�rio ou aconselh�vel.
E � neste p� que est�o as coisas.
N�o � neste p� que est�o as coisas, no que me diz respeito.
N�o � assunto desta companhia o que minha esposa faz!
Surpreende-me que St. John n�o tenha mandado Hasbrouck ao diabo.
Provavelmente concluiu que o que � bom para o seu futuro � bom para o futuro da filha.
Se houver algo que ele, eu, ou algu�m possa fazer...
para salvar seu casamento ele estar� de acordo.
E se eu n�o quiser salvar meu casamento?
Ent�o todos falhamos. Voc� falhou, Eaton.
O div�rcio � uma coisa abomin�vel. Viola a boa ordem.
N�o � poss�vel que a infidelidade seja a raz�o para um div�rcio?
N�o h� nenhuma raz�o para o div�rcio.
Se quiser minha teologia pessoal, a infidelidade � um pecado menor.
Eu faria qualquer coisa para evitar um div�rcio.
At� tolerar a infidelidade?
Considero sua palavra "tolerar" desrespeitosa. N�o tolero nada disso.
O problema da infidelidade � entre esposo, esposa e Deus.
O problema do div�rcio concerne a toda a civiliza��o.
O que � o casamento? Uma troca de votos, um contrato.
� um dever para comigo e para qualquer um que trabalhe para mim...
exigir que cumpram com todos os seus contratos.
Quando chegou aqui, viu que sempre cumprimos com nossa palavra...
mesmo quando isso significa aceitar uma perda.
Esta � a primeira oportunidade de testar a si pr�prio.
E se eu n�o quiser esse teste?
Voc� trabalhou duro e bem, Eaton.
Fez um bom e esfor�ado trabalho conosco.
N�o pode se permitir jogar tudo fora.
Com todo respeito, senhor, posso fazer o que quiser.
E eu lhe digo, com todo respeito, n�o pode fazer nada disso!
N�o era para lhe dizer isto.
N�o queria que influenciasse sua decis�o.
Gosto de voc�, Eaton. N�o quero perd�-lo.
E s� voc� e eu saberemos que mencionei por antecipa��o.
Mencionou o qu�?
A sua promo��o ao topo.
A sociedade.
Discuti com a dire��o...
e � s� uma quest�o de tempo...
e muito menos do que possa supor.
Fique onde est�, filho.
Tem muito em que pensar, mas n�o pense tudo agora.
Teve um mal per�odo.
Est� de volta!
- Foi boa a viagem? - Sim.
Voltou para ficar ou � s� uma visita?
De vez.
Acabou mais cedo do que esperava?
Mais cedo do que voc� esperava tamb�m.
Agora que voltei, tem que come�ar a se portar bem.
Disse: "come�ar"?
Sei tudo sobre voc�, Roper e os Cash.
Podia citar todos que estavam l� e me divorciar agora mesmo.
Mas n�o o far� porque o sr. MacHardie n�o gostaria disso.
Acha-se muito esperta, n�o? Mas n�o tanto quanto pensa.
Alardeia publicamente seu caso. N�o gosto de mulher que faz pouco de mim.
E eu n�o gosto de ter um marido que n�o � um marido.
- O que pensa que est� fazendo? - O que lhe parece?
O que espera que eu fa�a? Que entre para um convento?
E voc�? Aposto que vai atr�s de outra mulher, se � que j� n�o o fez.
- � melhor ter cuidado. Melhor explicar todos os minutos de sua vida. - Ou far� o qu�?
Vou coloc�-lo onde tem medo de terminar:
nos jornais, na p�gina 1, 2 ou 3. Escolha.
Acha que n�o sei por que est� fazendo isso?
N�o � o nosso casamento que est� tentando manter!
� seu sonho doentio de ter $5 milh�es antes dos 40...
ser o grande homem, maior que seu pai!
Sr. Eaton, pode ir direto para a Sala dos S�cios, por favor?
Sr. Duffy, por favor, direito � Sala de S�cios.
Creighton, entre.
Alfred, entre e sente-se.
Temos estudado a proposta da Corpora��o Aeron�utica Nassau...
e estamos tomando em considera��o...
seu pedido para que subscrevamos a��es comuns...
para financiar a extens�o da sua planta.
A Nassau quer, obviamente, se expandir, porque espera firmar um grande contrato...
a fim de fabricar seu novo avi�o E1-FX para a Marinha.
Conv�m investigarmos um pouco esse E-1-FX...
para vermos o qu�o bom ele �...
antes de acordarmos que a MacHardie e Cia se envolva.
Senhor, o interesse da Marinha dos Estados Unidos nos avi�es...
n�o � respaldo suficiente para n�s?
Normalmente deveria ser, mas neste caso...
meu sexto sentido me diz que, pelo menos, devemos efetuar...
uma investiga��o de rotina no E1-FX antes de subscrevermos o risco.
Particularmente tendo em nossa equipe um homem t�o bem qualificado para faz�-lo.
Alfred n�o s� � um amigo pessoal de Alexander Porter...
como tamb�m esteve associado � companhia...
antes que se destacassem no campo de fabrica��o de aeronaves.
Alguns acreditam que minha sa�da da Nassau marcou sua ascen��o.
N�o estar�amos colocando o sr. Eaton numa posi��o embara�osa...
pedindo-lhe que exer�a um julgamento imparcial...
sobre algo que concerne ao seu amigo �ntimo, o sr. Porter?
E quem recomendaria para a tarefa, Creighton?
Bem, uma vez eu trouxe este neg�cio � aten��o da empresa...
e estou familiarizado com todas as suas ramifica��es...
Tenho total confian�a no julgamento e lealdade do sr. Eaton.
Alfred, quanto tempo levaria para faz�-lo?
Por uma feliz coincid�ncia...
minha esposa e eu jantaremos com Porter, num baile de caridade, no s�bado.
N�o h� nenhuma regra que diga que um homem n�o pode se aproveitar de seu anfitri�o, h�?
Gostaria de dizer o que se passa com a Nassau, mas por que engan�-lo?
Sou apenas o titular, se me perdoa a express�o.
Gra�as ao dinheiro do tio Fritz, recebo os dividendos, os lucros e o cr�dito.
- Caf�, senhor? - Sim, obrigado.
Harry Von Elm � o verdadeiro c�rebro. Ele lhe dar� os fatos.
- Pode organizar isso? - Farei com que tenha acesso ao local.
- Posso lhe fazer uma pergunta banal? - A resposta tamb�m ser� banal.
Est� obtendo algo do seu sucesso, al�m de mais sucesso?
Por que n�o diz o que quer dizer?
- Falemos de Mary. - N�o h� nada o que falar.
As coisas est�o melhores?
N�o est�o pior. Nunca foram melhores.
N�o estou interessada, obrigada.
- N�o sou bastante bom para voc�? - Que modo de dizer!
N�o seria a primeira mulher insatisfeita que eu faria feliz.
Prefiro voltar para minha mesa.
Ele nem mesmo percebe que est� viva, que perfume usa ou o qu�o atraente �.
N�o � segredo. Todos sabem, e voc�, tamb�m.
- Solte-me. - N�o atue. Sei tudo sobre voc�.
Sabe?
Leve-me para casa, por favor?
Por qu�? Pensei que estivesse se divertindo.
- Boa noite. Foi encantador. - Boa noite, princesa.
- Foi um �timo anfitri�o. - Mas, banal?
- O meu carro, por favor. - Sim, senhor.
- Ol�, Natalie. - Ol�.
Bom v�-la de novo.
Minha esposa, Mary. Natalie Benziger.
- Como vai, sra. Eaton. - Ol�, srta. Benziger.
- O que a traz a Nova York? - Uma viagem �s compras.
- Est� no hotel com sua m�e? - N�o, com uma amiga, Caroline English.
- Como est� seu pai? - Muito bem, obrigada.
De onde se conhecem? Filad�lfia?
N�o. Tentei vender a��es ao pai de Natalie, em Mountain City.
Na Pensilv�nia. Lembra-se?
Sim, lembro-me.
Boa noite, sra. Eaton. Prazer em conhec�-la.
Boa noite, Natalie.
Bem, e como ela o chama?
A srta. Benziger.
A mim, chama-me sra. Eaton...
voc� a trata como Natalie, mas ela n�o o chama de nada.
Trata-o por sr. Eaton ou Alfred?
Na verdade, sou Calvin Coolidge, mas ela n�o sabe.
� ador�vel.
Voc� me conhece. Gosto de homens.
Disseram-me.
Sendo ela t�o ador�vel, � dif�cil odi�-la.
- Teve sorte. - Verdade?
Sim. Ela tem algo que eu n�o tenho. Bondade.
Mas tenho algo que ela n�o tem.
A mim?
N�o. Honestidade e coragem.
Ela n�o tem coragem.
- O que est� fazendo? - N�o se preocupe. N�o estou ligando para sua namorada.
Dr. Roper, por favor.
Ol�, Jim?
Lembra de mim?
Exatamente.
Porque n�o jantamos qualquer dia?
Amanh�, � noite?
Sim, verdade?
Est� bem. Encontramo-nos em sua casa.
Maravilhoso!
Alguma obje��o?
N�o tenho fatos, nem provas, ent�o � tudo o que posso fazer.
- S� posso fazer isso, por ora. - Dessa maneira?
Sim, desta maneira!
Falou com os encarregados, desenhistas, mec�nicos, rela��es p�blicas...
Todos, menos o piloto de prova.
Tenho certeza que lhe disseram o que sabem. Foi-lhes ordenado que cooperassem.
Aposto que sim. Todos ser�o muito �teis.
O E-1-FX � o melhor avi�o que jamais se viu. Talvez, voe.
- O que quer que eu diga? - N�o quero que diga nada, Vun Elm.
Mas antes de voltar e informar o fracasso da miss�o...
dou-lhe uma hora para o piloto, misteriosamente ocupado, apare�a.
- E se n�o o encontrar? - Ent�o, est� no neg�cio errado.
E n�o pense que isso n�o constar� do meu relat�rio.
Espere.
Mande Kelly at� aqui.
Se n�o o conhecesse t�o bem, concluiria...
que veio at� aqui com uma s�rie de preconceitos contra n�s.
Deixou esta companhia quando n�o valia nada achando que nunca seria nada.
Agrada-me saber que algu�m como voc� me conhe�a t�o bem.
Entre.
- Chamou-me, senhor? - Sim.
- Este � Jerry Kelly, nosso piloto de testes. - Prazer.
- Sente-se, Kelly. - O sr. Kelly e eu faremos uma caminhada.
O que quer dizer com caminhada?
Voc� sabe, � quando se p�e um p� � frente do outro, alternadamente.
Tanto tempo que perdemos!
O recompensarei.
Esperava que dissesse isso.
Sempre que estou com voc�, assim, sinto-me estranha.
Sou um homem estranho.
Verdade?
E voc�, uma mulher estranha.
Em que sentido?
Ainda n�o descobriu?
Bem, deixarei que descubra.
Voc� me ama?
Se a amo?
Querida, adoro-a.
Mas acredito no amor tanto quanto voc�.
Acredito que me deseja e eu desejo a voc�.
� isso que a traz aqui...
e � o que nos mant�m unidos.
Ent�o suponho que n�o faz sentido...
falarmos de casamento e nem sequer pensarmos.
Olhe, � melhor n�o falarmos mais de amor nem de devo��o eterna.
Deseje-me! Por favor, deseje-me!
A primeira coisa real ao fim de um longo ano!
- Tinha que v�-la de novo. - Foi por isso que vim a Nova Iorque.
Fico feliz que tenha vindo.
Tenho me perguntado sobre tantas coisas!
� mesmo?
Sim.
Sua esposa � mais bonita do que imaginei.
Ainda est� com ela, n�o?
Vivemos debaixo do mesmo teto.
Isso � tudo.
David, h� algum lugar onde possamos ir?
Ent�o, � isso.
Podia ter me divorciado dela por isso, mas n�o o fiz...
porque teria prejudicado minha carreira.
E que Deus me ajude...
mas minha carreira parece mais importante do que jamais pensei.
Tirei-a da minha cabe�a...
e me enterrei no trabalho mais ainda.
Mas acho que nunca funcionou realmente.
Porque sempre que pensava em voc� era...com amor.
E naquela noite...
quando a vi, foi como se tivesse sido pela primeira vez...
e senti o verdadeiro perigo para n�s dois.
Quem dera eu tivesse tido coragem de n�o lhe telefonar.
Ent�o, tenha cuidado, Natalie. N�o tenho nada para lhe oferecer...
exceto uma dor profunda, terna e carinhosa e n�o quero mago�-la.
Entende o que estou tentando dizer?
Sim, entendo.
Se tivesse algum ju�zo, levantaria da mesa e nunca mais me veria.
Quer que eu v� embora?
N�o consigo ficar mais um minuto contigo apenas falando.
H� algum lugar onde possamos ir?
Um hotel?
N�o iria gostar disso.
N�o...nem voc�.
Mas trate disso, querido, por favor.
Muito, muito ocupado!
Como vai a investiga��o sobre a Nassau?
- N�o quer esperar pelo meu informe? - S� se for obrigado.
N�o se preocupe. Ter� toda a hist�ria amanh�.
Ouvi que falou com seu piloto de testes, um tal de Kelly.
Correto.
Salvou a vida do meu filho uma vez.
Quem sabe? Talvez queira fazer o mesmo pelo pai algum dia.
Creighton, se patinar sobre o gelo fino, molhar� os p�s.
N�o estava patinando sobre o gelo fino, ontem � noite...
namorando, em p�blico, uma jovem mulher, nada parecida com a sua?
Deveria ter mais cuidado.
Espere um minuto. Sejamos mais realistas.
Voc� e eu, talvez, queiramos fazer um grande favor m�tuo.
Pode me fazer um favor agora, saindo do meu caminho.
Sabe tanto quanto eu que MacHardie tem no��es muito estritas...
sobre comportamentos impr�prios e esc�ndalos.
Como o modo como tentou manobrar o projeto da Nassau em seu benef�cio?
Tenho provas.
E planejo apresent�-las � dire��o, na reuni�o de amanh�.
N�o faria isso. Se o fizer, cair� junto comigo...
voc� e seu brinquedo.
- Porque n�o se atira no lago? - N�o, essa � sua especialidade.
Foi como conseguiu entrar nesta companhia pela primeira vez.
Senhor...estaria interessado numa assinatura da Enciclop�dia Brit�nica?
Entre por aqui, jovem dama, e discutiremos o assunto.
Oh, querido, agarre-me.
N�o deixe que eu escape.
Quase que n�o vim. Voltei duas vezes.
Bem, n�o temos que ficar aqui.
Podemos ir caminhar, jantar, ir ao cinema...
Champanhe?
Venha aqui.
Olhe.
Encantador.
Lembrarei desta noite para sempre...
e um dia, quando nos separarmos...
irei para Espanha, e viverei com minhas mem�rias...
logo que note que est� farto de mim.
Ser� muito velha para viajar quando isso acontecer.
Te amo.
Jamais pensei que pudesse amar tanto a algu�m.
E eu te amo, David.
Uma mensagem do sr. Duffy.
- Fora! - Tire mais da mo�a.
- Tenho o bastante. - Vamos embora.
Vamos!
Por que sinto...
uma esp�cie de morte?
Do qu�?
N�o sei.
Estava pensando em como se sentiriam seu pai e sua m�e...
se virem uma dessas fotos.
N�o estava pensando nisso, nem quero que pense.
N�o posso evitar pensar nisso para sempre.
A menos que eu fa�a o jogo de Duffy, amanh�,
a mostrar�o despida, em p�blico, difamada em todos os jornais.
N�o me importa. Tem que acreditar.
Sabia o que fazia e tenho que aceitar as consequ�ncias.
N�o deixarei que fa�am isso.
N�o por mim.
Se deixar que esse homem o chantageie, ser� para proteger sua carreira.
Tudo aquilo por que tem trabalhado, n�o por mim.
Est� vendo? Esta � a morte que sinto.
Sempre haver� essa incerteza em voc�, n�o �?
Por que fez isso? Por quem?
Acho que n�o poderia viver com isso.
Podemos acabar com essa conversa? Est� dizendo coisas definitivas.
Talvez tenha que diz�-las.
Talvez nunca tenha havido futuro para n�s...
e isso levou seu amigo, o sr. Duffy, a nos acordar desse sonho.
Sabe o que est� fazendo, n�o?
Est� me mandando de volta para Mary, e a voc�, para Mountain City. � o que quer?
Se � isso, por que n�o diz?
Porque no momento em que disser...
sentirei que minha vida acabou.
Est� me for�ando a dizer, ent�o.
Suponho que sim.
Est� bem. Se � o que quer.
Adeus, Natalie.
Algo errado?
Algo que queira desabafar? O m�nimo que posso fazer � escutar.
Sabe de uma coisa, Alfred?
Poder�amos ter uma rela��o agrad�vel se relaxasse um pouco.
Que tipo de rela��o?
A que quiser, e quando quiser, pateta.
Claro, sei que n�o h� amor entre n�s, mas...
se parasse de fazer o papel do marido ofendido...
poder�amos ter a mesma rela��o que muitos amigos casados t�m.
Via-o me olhar, ent�o percebia que me desejava...
e eu, certamente, o desejava tamb�m.
Ent�o, dava meia volta, e ia para seu quarto dormir.
E eu sempre pensava: "Que tonto!"
"Que desperd�cio!"
- N�o seria melhor se fossemos amigos? - Cale-se!
Parece um anci�o esta noite.
O que h�? Sua namorada est� lhe causando problemas?
N�o quero falar sobre isso.
Espero que n�o a engane dizendo-lhe que vai se divorciar.
Conhecendo as mulheres, estou certa de que tinha esperan�as.
E agora est� com raiva porque n�o o far�. Sabia que n�o teria coragem.
Estou enganada? Sua namorada exige matrim�nio?
Mary, por favor.
Se a fizer se sentir melhor...
diga-lhe que n�o � s� seu chefe que se interp�e entre voc�s.
Diga-lhe que sua esposa gosta de seu acordo conjugal e n�o mudar� isso.
Por que, n�o? D�-me status, seguran�a, e uma maravilhosa sensa��o de liberdade.
Por que est� me encarando?
Quando penso na infelicidade que trouxemos um ao outro...
os anos perdidos, as trai��es, a humilha��o...
n�o a culpo por isso.
Fiz tanto quanto voc� para destruir o que havia entre n�s.
Mas agora acabou.
J� n�o podemos recuperar. Est� morto.
Est� bem.
N�o precisamos disso.
Na realidade, talvez seja mais interessante assim.
Vou para a cama, Alfred.
N�o sou t�o ruim. Lembra-se?
Sr. Eaton? Assine aqui, por favor.
"S� lhe pe�o sua amizade na reuni�o de amanh�. Creighton."
Antes de ouvirmos o relat�rio do sr. Eaton...
sobre a situa��o da Corpora��o Aeron�utica Nassau...
tenho algumas palavras muito felizes para dizer.
Est� bem, Henry.
Perdoem-me por romper com uma de nossas tradi��es mais tediosas...
se hoje decorarei esta ins�pida, mas prof�cua sala...
com a presen�a de uma jovem atraente.
Cavalheiros, a sra. Alfred Eaton.
Por ali, Mary.
A srta. Eaton era conhecedora do nosso pequeno segredo h� v�rios dias...
e a julgar pela cara de surpresa de seu esposo...
guardou-o melhor do que a maioria das mulheres seriam capazes de fazer.
Alfred, quero dizer algo que n�o � segredo.
� a grande estima que esta companhia tem por voc�.
Falo, n�o s� por mim, mas tamb�m por todos os meus s�cios.
Dedicou-se ao seu trabalho com uma devo��o que pode servir...
de exemplo a todos os jovens que aspiram ao sucesso.
Sacrificou seu pr�prio prazer e divertimento por n�s.
Viajou por todo o pa�s por n�s.
Trabalhou em seu escrit�rio at� �s 3:00 ou 4:00 da manh�.
E v�rias vezes executou encargos dif�ceis...
com mais aud�cia e corajem do que t�nhamos direito de esperar.
N�o s� isso...e isto � especialmente importante...
estamos orgulhosos de seu desempenho...
no aspecto privado de sua vida tamb�m.
Sei que sabe a que me refiro.
Tem se conduzido...
com sabedoria, maturidade, bom gosto,
e um fino senso de responsabilidade em sua posi��o laboral.
Em poucos minutos, creio que ver� por que valeu a pena.
Chegou o momento de ser espec�fico.
Dado que estamos todos reunidos aqui, hoje,
achei que seria a ocasi�o apropriada para lhe dizer...
antes que lesse no Wall Street Journal...
que � o primeiro homem com menos de 40 anos...
a se tornar s�cio da MacHardie e Companhia.
Parab�ns!
Agora, meu jovem...
aqui est�.
Sr. MacHardie, cavalheiros...
sinto-me profundamente honrado e lisonjeado...
por sua generosa concess�o de sociedade.
Pois este � o dia para o qual sempre trabalhei...
com cada fibra do meu ser.
Porque como todo homem americano bem criado...
sempre me dei conta disso...
de que nada � mais importante na vida...
do que obter riqueza e alta posi��o.
E posso dizer, honestamente, que nunca deixei que nada me desviasse...
do meu objetivo.
Nunca deixei que as responsabilidades pessoais o obstru�ssem.
Se algo amea�ava interferir nos assuntos da companhia...
sempre soube que havia uma s� escolha...
e invariavelmente tomei esse caminho.
Pois, realmente aprendi, cavalheiros...
como o disse t�o bem o sr. MacHardie...
que se requer sabedoria...
maturidade, bom gosto...
e um grande senso de responsabilidade para com sua posi��o...
se algu�m quer progredir neste mundo.
Alguns homens veem as coisas em pequena escala, cavalheiros.
Se se encontram casados com uma mulher...
que lhes tenha sido infiel...
dissolvem o matrim�nio como se n�o tivessem qualquer responsabilidade...
para com a empresa para a qual trabalham.
E se encontram felicidade genu�na com outra mulher...
a adotam como se n�o tivessem...
nenhuma considera��o por seus colegas de trabalho.
Estes homens n�o t�m �xito, cavalheiros.
N�o se tornam s�cios da MacHardie e Companhia.
Fracassam abjetamente.
Tomam seu lugar junto a milh�es...
de med�ocres que valorizam...
uma casa cheia de filhos...
um grupo de amigos, �lbuns de fotos repletos de mem�rias triviais...
sobre as verdadeiras considera��es importantes deste mundo.
Com a devida mod�stia, cavalheiros...
sinto que ganhei a posi��o que me deram hoje.
Ningu�m aqui a merece mais do que eu.
- Um segundo. - N�o terminei ainda.
Meu primeiro ato como s�cio ser� entregar meu informe...
sobre a situa��o da Corpora��o Aeron�utica Nassau.
E depois de o terem lido, sem d�vida, meu amigo, o sr. Duffy...
querer� entregar outro informe acerca de outro tema:
"o s�cio mais novo e com menos tempo de vida nesta companhia."
Agora, cavalheiros, me desculpem.
Tenho outros assuntos menos importantes do que me ocupar.
Lamento.
- Eu sei. Veio me parabenizar. - Est� parecendo um louco!
Foi t�o atenciosa noite passada...
falando-me da "rela��o maravilhosa que poder�amos ter"...
mas n�o mencionou nada sobre a sociedade porque, talvez...
eu tivesse notado que teria a ver com seu novo...
um pouco doentio, interesse em nosso casamento.
Alfred. Alfred, quero lhe falar!
Qualquer tipo de comunica��o entre n�s ser� pelas vias legais.
Em frente, volte para ela. N�o lhe far� nada bem.
Se ela for louca o bastante para me querer ainda, nada me impedir� de passar a vida com ela.
Vou det�-lo. Jamais lhe darei o div�rcio.
Ah, n�o? Espere at� ver uma cole��o de fotos...
que nosso amigo Creighton Duffy entregar� para consumo p�blico.
N�o poder� mostrar a cara nesta cidade se n�o me der o div�rcio.
Que tal acha disso?
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