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Tenta levantar deste lado.
Continuem.
Usa a corda.
Merda.
Baixa deste lado.
Vira-o. Vira-o completamente.
Retirem-no novamente.
Cuidado...
Ponham-no ao lado.
Que se passa?
Temos um problema. O caixão é demasiado grande para a cova.
Por isso, temos de o tirar
e tentar alargar a abertura da cova com um escopro
para tentar fazê-lo entrar.
Bem, se isso ajudar...
Benoït...
Nosso amigo...
Foste grande, não só em tamanho.
E foste forte, não só fisicamente.
Foste muito importante para nós.
Mais do que um colega, um amigo.
Foste...
Diria: foste um gigante.
E muitas vezes um mentor
dentro e fora do trabalho.
Vamos sentir falta disso.
Juro solenemente, em meu nome e em nome dos companheiros,
que a tua mulher e o teu filho podem contar connosco.
A tua família é a nossa família.
Franck, por que não terminas isto em casa?
A TRAVESSIA
Dás-nos uma ajuda?
Florian!
Que se passa?
Pára.
- Entre! - Boa tarde, Giséle.
Boa tarde.
- Ena! - É assim e pronto!
- Vamos a isso. - Sim.
- Cabra! - Dê-me a sua mão.
Sim, mas para quê?
- Para a lavar. - Bem.
Só as mãos. Posso lavar o rabo.
Não consegue fazer melhor?
- Vai demorar muito? - Já terminei.
Não podes trabalhar mais dias, pelo menos durante um mês.
Porquê?
Temos de esperar até a Sylvie ir embora.
Chantal, ligaram das urgências. Faltam-lhes camas, querem enviar-nos três pacientes.
- Que digo? - Quem são?
- Sudaneses. - Não.
- Já disse que tínhamos camas. - Não devias ter dito.
Não os queremos cá. É uma enfermaria geriátrica. Não percebem isso?
Assustou-me!
A Selva, por favor.
O quê?
Quero ir para a Selva.
Não, vou para casa.
Merda!
Está bem? Magoou-se?
Tem de ter mais cuidado e olhar! Eu olhei.
Tenha cuidado. Isso é perigoso.
Venha.
Está frio. Venha.
Venha!
Merda, espero não me ter perdido.
Reconheces isto?
Que se passa com eles?
Vão para Inglaterra.
Assustaram-me.
É aqui.
Obrigado.
De nada.
Merda!
Tu aí!
Pára! Devolve-me isso!
Devolve-me isso!
Mas que raio? É assim que me agradeces?
Por que fizeste isso?
Escumalha!
Que fazes?
Podes fazer isso depois.
Boa noite.
Bom dia.
Tenho umas roupas para deixar.
Acho que é ali à frente.
Bom dia.
Bom dia. Como está?
- Precisa de ajuda? - É roupa do meu marido.
- Zymako. - Béatrice.
- É da instituição de caridade? - Não.
Bom dia.
Tenho mais sacos no carro.
Onde está o alguidar da lavandaria?
- O seu carro está ali? - Sim.
Queres dar-nos uma ajuda?
Não, vim só deixar umas coisas.
Trabalho com idosos. Por isso, negros e árabes, não, obrigado!
És enfermeira?
Não, auxiliar de enfermagem numa enfermaria geriátrica.
- Fantástico. - Obrigado.
Obrigada, nós tratamos disto.
- Vamos os dois fazer isto. - Certo.
- Onde está o seu marido? - Morreu.
- Adeus e obrigada. - Adeus.
Ouviste o que ela disse?
- Grande racista! - A sério?
Inglês? Fala inglês?
Não.
Olá, como estás?
Há muito que não sabia de ti.
Puseram uma fotografia na esquadra.
A sério? Qual?
É bonita.
Está fardado.
Pois, não iriam usar uma fotografia dele a morrer de cirrose no hospital.
Está tudo bem contigo?
Sim.
- A vida...? - Sim.
Trabalho não falta.
Todos os dias, aparecem mais.
Espancam-se uns aos outros.
Um perdeu-se outro dia, no estacionamento do hospital.
- Pediu-me boleia. - A sério?
Eu disse que sim.
Por que fizeste isso?
Não sei.
Que te passou pela cabeça?
Fizeste mesmo isso?
És uma irresponsável! Ele podia ter-te agredido.
- Era um miúdo. - Mesmo assim...
Eles não têm nada a perder. Podem ser perigosos.
Deixei-o lá.
Ele agradeceu-me.
Mais nada.
Todos dias recebemos queixas de roubos e violações.
Não é por acaso que lhe chamam a selva.
São piores que os nossos árabes. Uns verdadeiros selvagens!
Béatrice, tem cuidado.
Não quero que te aconteça nada.
São 30 minutos, no máximo.
Sim, está bem.
- Bom dia. - Espere, desculpe...
Adeus. Bom dia.
Lembra-se de mim, levei roupas outro dia?
- Sim, estranhamente sim. - Que quer dizer com "estranhamente"?
Desculpe, tenho de ir buscar produtos não vendidos.
Dão-vos produtos não vendidos?
Choca-a, que se ajudem os negros e os árabes?
- Estou-me nas tintas. - Desculpe, eles estão comigo.
Venham, rapazes. Vamos embora.
- Onde vamos? - A uma cantina gratuita.
Françoise...
- Trouxe isto. - Obrigado.
Antoine, temos de tratar disto.
Olá.
Ele fica esgotado com coisas parvas.
Porque é que ele pôs isto aqui?
- Bom dia. - Bom dia.
- Ingrid. - Béatrice.
És nova aqui, não és?
- É a minha primeira vez. - Está bem.
- Faz a merda da lista. - Não tenho tempo.
- Que se passa? - Bom dia, Monique.
Não sou a Monique. Não sei quem é, eu sou a Béatrice.
Merda, sim... A Monique enviou mensagem a dizer que não podia vir.
- Como assim? - Não pode vir. Sabes como é.
Não venho muitas vezes.
Tenho um carregamento a chegar dentro de uma hora. Que faço?
- Ouve, esqueci-me. - Mas...
- Não te exaltes! - Não. Ouve...
- Só quero que me avisem. - Eu sei.
Só isso. Agora que faço?
Eu posso ajudar. Não demora muito tempo.
- Demora sim. - Eu posso ajudar.
- A sério? - Claro.
Só estou a fazer isto porque tenho bom coração.
- Estou aqui para fotografar. - Não te estou a pedir.
Não é o trabalho de ninguém.
- Eu posso ajudar esta tarde. - E amanhã?
Eu trabalho. Amanhã, não posso.
- Faço noites. - Só cá estás hoje?
Como deitaram abaixo a parte sul,
vieram para aqui 4000 pessoas.
Estão aqui todas juntas, mas não se dão bem.
Nós, os voluntários, tentamos acalmar as coisas.
Tudo bem?
Adoro o voluntariado
e conhecer as pessoas que trabalham aqui
e ganhar a sua confiança e conhecê-los melhor.
Olá.
Bom dia.
Bom dia, senhor agente.
Não queremos que este campo exista,
mas existe, por causa dos políticos.
Não queremos que as pessoas vivam assim.
Eles cobrem os rostos para proteger as famílias no país deles,
caso alguém dos seus países os reconheça.
Com licença.
Ouvimos um carro aproximar-se. De repente, ouviu-se um baque!
Estás a rir-te? Não tem piada.
Parecia um corpo a ser atirado para fora. O carro vai embora.
Eu digo-lhe: "Vai ver". É o trabalho dele.
Ele estava morto de medo.
Consegues acreditar? O medroso!
Foi para isso que te tornaste polícia!
És corajoso com os teus colegas e quando estás fardado.
E com a tua arma!
- Continua. - Está quieta!
Queres lamber? Aposto que queres!
Que bonito.
É meu, se é bonito é meu!
- Eu não o ajudei a escolher. - A sério?
- Obrigada. - Ela escolheu, ele pagou.
- Vocês estragam-me com mimos. - Bem, é uma festa.
Fantástico! Muito bonita.
Obrigada, é muito gira.
- Parabéns. - Obrigada.
É o teu aniversário.
- Acabou, agora sou velha. - É uma nova fase da vida.
Não consigo vestir esta camisola.
- Porquê? - É grosseira!
E é demasiado pequena.
Sim, é verdade.
Então, dá-a.
Não posso. A Dominique ficaria triste.
Não é simpático.
- É um presente. - Posso dá-la, se quiseres.
Dei a roupa do Benoït.
- A quem? - Aos refugiados.
Espera, deste as roupas do Benoït a imigrantes?
Sim, aos migrantes na selva.
- Não podias ter dado a franceses? - Dei a quem precisava.
Estás a brincar?
- Não estou a brincar. - A sério?
Queres dar cabo da tua vida?
- Dar cabo da minha vida? - Sim.
O Benoït deve estar às voltas no túmulo.
- Achas? - Não é o que ele teria querido.
É a minha opinião...
Bem, o Benoït está morto.
Por isso, pode dar as voltas que quiser.
Sabes o que fazem essas pessoas?
- Sim, são migrantes. - Sim.
Não, mas...
Vou dá-la à mulher a dias.
Vai brilhar no escuro!
- Com todas essas estrelas e isso! - Mais baixo.
Ninguém consegue vestir isso.
- Brilha por todos os lados! - Caluda.
Vai ficar-lhe bem.
Uma cantora muito kitsch com o cabelo assim.
Eu sei, eu sei!
- Tem mamas enormes. - A minha mulher!
O nome dele parece-se com "amour".
Lova Moor!
Representa a Igreja Católica.
O Papa!
- É o que os macacos comem. - Bananas!
- Foucault! - Já saiu.
E então?
Um insecto que não vive muito tempo.
- Efémera! - Borboleta!
- Bem... - Já vais, tão cedo?
- Sim. - Vá lá!
Bem, obrigada.
Adeus.
- Que é que te deu? - O quê?
Não sei, parecias querer provocá-los.
Estás diferente, Béa.
Toda a gente nota.
Sei que foi duro com o Benoït.
- "Duro"? - Bem...
- Nós gostávamos dele, mas... - Falas dos espancamentos?
Olha.
Roubei a tua camisola. Adeus!
Espera, vamos falar.
Com licença.
Bom dia.
Que se passa?
- Ele disse: "Não quero beber água". - Ele não quer beber.
Nunca.
Nada?
Não quer que passe nada pelos lábios.
- Nem bebida... - Isso é perigoso.
- É perigoso. - Talvez.
- Assim. - Ao menos, beber.
Pelo menos, beber. Não?
Não, ele não quer beber.
Olha.
Ele diz que fez uma coisa nos lábios.
"Fiz uma coisa aqui, para mim, é definitivo."
Toda uma parte do tempo, é preciso tirar tudo, desmontar tendas.
Levar coisas, cobertores... Para onde podem ir? Não podem partir.
Portanto, continuam aqui.
Não têm tendas, nem cobertores...
Nós ficamos e tentamos ajudar.
Não está mal.
Quem quer?
Queres?
Mamã, onde estão as palhinhas?
- Que procuras? - Palhinhas.
Aqui estão.
Obrigada. Onde estavam?
- Na sala. Guardaste-as lá. - Vens comigo?
Olá.
Olá. A Françoise está à tua procura.
- Conheces a Ingrid, a jornalista? - Sim.
Ela precisa de um lugar para acabar de editar o vídeo.
Poderias recebê-la em tua casa?
Bem...
Talvez, mas é a minha mãe que trata da casa,
tenho de lhe perguntar, mas...
Só para ela poder trabalhar durante o dia.
Sim, mas...
Vês, ela não consegue trabalhar aqui.
- Apenas uns dias... - Está bem.
- Vou perguntar à minha mãe. - Está bem, obrigada.
Até depois.
Olá.
- Olá! - Bom dia.
Onde estão eles?
- Foram-se embora. - Para onde?
Não sei.
Quando partiram?
- Posso deixar isto aqui? - Claro.
- O que é? - É para os iranianos.
Ingrid...
Onde estão os iranianos?
Foram embora. Não sabias?
Há um pedido de extradição. Fica quieta.
Quando partiram?
Espera!
- Desculpa. - Não faz mal.
Estão em Inglaterra?
Não, na verdade, estão...
Talvez vão, mas não directamente.
Que queres dizer?
Bem, eles partiram.
Tu sabias?
Sim.
Seja como for, partiram. Tinham medo de ser "dublinados".
O que é isso?
Tiram-te as impressões digitais num país, e não podes pedir asilo em nenhum outro.
Se o fizerem em França, tens de cá ficar.
- Então, é uma boa notícia? - Sim, eles estão bem.
Está bem.
Na verdade, eles tiveram uma oportunidade.
Então, decidimos...
Bem, quanto menos souberes, melhor.
Estão em contacto com eles?
A Françoise disse-me que procuras um lugar para trabalhar.
- Sim. - Tenho de perguntar à minha mãe.
Claro, obrigada. Vives com a tua mãe? Que simpático!
Não estou a gozar. É porreiro.
Bem, vivo com a minha mãe, e vou perguntar-lhe.
É como no Japão.
Não estou a gozar.
Bom dia.
Sou o Joe. Estive aqui a ajudar...
- Bom dia... à Ingrid. - Não nos conhecemos já?
A tua cara é-me familiar.
Pusemos as coisas aqui.
Queres boleia?
- Até amanhã. - Até amanhã.
Gostaria de dormir aqui em tua casa se isso não te incomodar.
Estou cansada de passar a noite na selva.
É difícil sendo mulher. Estamos em minoria.
- Estou no meu limite. - Claro. Eu é que deveria ter sugerido.
Muito obrigada, és o máximo.
- Vou buscar as minhas coisas. - E aquilo que é?
As minhas coisas de trabalho.
Na selva, não podes deixar as tuas coisas sem vigilância. Tenho tudo no carro.
Mamã, ela dorme cá em casa.
Viva.
Podes ficar com o meu quarto.
Eu durmo na cave.
Vais dormir bem.
É muito simpático. Não ajudo por causa das minhas costas.
Sabes que mais? Vou levar umas coisas para cima.
- Boa noite. - Pensei que não...
- O quê? - Que não irias dizer boa noite.
- Não acordes a minha mãe e o meu filho. - Certo...
...chefe! Boa noite. - Boa noite.
Olá.
Devias ver o estado do teu quarto.
Que queres dizer?
A porta estava meio aberta.
E não é tudo.
- Bom dia. - Olá.
- Osman. - Béatrice, a mãe de Florian.
Está tudo bem?
Desculpa, deveria ter avisado.
Ele só veio tomar duche.
A família inteira dele morreu.
Pensei que lhe faria bem ver televisão com o Florian.
Fez-lhe bem.
- Está bem. - Obrigada.
Vou buscar umas coisas ao meu quarto.
Florian, põe a mesa.
- Osman? - Não, obrigado, não bebo.
- Ingrid? - Não, obrigada.
À frente dele, não.
Têm facas de peixe?
Não têm facas de peixe?
Não.
Não interessa. Era só para mostrar ao Osman.
Em França, há facas para o peixe.
Permitem separar o filete das espinhas.
Adorava ver-te experimentar!
Ele está acostumado a comer com as mãos.
Adorava ver-te usar uma faca de peixe!
- Bem... - Eu também não uso.
Não podes comer com as mãos.
Todos temos coisas a aprender
das culturas uns dos outros.
Graças à selva, sei fazer de tudo.
Que modéstia.
Em termos de comida.
O resto...
Quando chegaste, Osman?
- A França? - Sim.
Há muito tempo. Já passaram três anos.
Vieste directamente para aqui?
Parti do Sudão e cheguei à Líbia.
Apanhei um barco...
Da Líbia para a Itália...
- Foram quatro dias. - E fizeste isso sozinho?
Não. Éramos 150 pessoas.
Não, mas deixaste a tua família?
Sim, está no Sudão.
Conta o que aconteceu na gare.
Cheguei à gare.
Mas não saí, porque estava debaixo de terra.
Conta bem, como me contaste.
Foi a primeira vez que vi comboios subterrâneos.
No país dele, nunca viu comboios subterrâneos.
Não sabia onde estava.
- Sabes... - Sim, ele pode dormir cá.
Podes dormir cá, Osman. Era o que querias perguntar, não?
Ele pode usar o colchão suplente que está no quarto do Florian.
Ela está aqui para trabalhar, não para tratar isto como um hotel.
Trouxe a roupa suja
e deixou-a na cozinha.
O Florian não faz isso.
Estão a abusar de ti.
Bom dia, filho. Hora de levantar.
Puta!
Que grande puta!
- Ela é uma puta! - Que se passa?
Anda a dormir com ele! Que nojo!
Repugnante!
Como sou ingénua!
Que puta!
Esta noite ela vai para a rua!
Foi embora.
De vez?
Não percebi.
- Para onde? - Não sei.
E as porcarias dela?
Merda! Queria gritar com ela.
- Olá. - Olá. Que fazes aqui?
- Estás com boa cara. - Sim. Que aconteceu?
Um migrante caiu de um camião. Ficou sem cabeça.
Pois, é horrível.
As coisas estão duras para nós.
Para vocês? A sério?
Nada. Não quero ter esta discussão contigo.
- O quê? - Nada.
Parece que estás a falar de um cão.
Bem, que posso dizer? É verdade.
Calma. Eu não o matei.
- Posso ir? - Sim.
Adeus.
Joe! Joe!
Tudo bem? É horrível.
- Eles contaram-te? - Sim.
Conhece-lo?
- Não o conseguimos ver. - Béatrice, avança.
Saia do caminho, senhor.
- Bom dia. - Sou a Béatrice.
- Sou a Sonia. - Vim ver o Joe.
Não, odeio isso!
Não, pára. Não gosto disso.
- Não a molhes. Dá-me isso. - É um disparate, mas incomoda-me.
Não é disparate.
A Béatrice é uma amiga. Não a ataques.
- Podes levá-lo? - Sim, tomo conta dele.
Obrigada.
Que se passa?
- Lembras-te dos lábios cosidos? - Sim.
Há um problema.
Tentámos ajudar dois, o Mokhtar e o Dara.
E eles foram roubados.
- Como assim? - Tínhamos um plano.
Bem, foi ideia da Ingrid. Eles foram para Bilbao.
Porquê Bilbao?
Um passador de pessoas.
A Ingrid pô-los em contacto, mas eles foram roubados.
- O quê? - Desculpa.
Sim, bem...
Não a podemos culpar.
- Podemos sim! - Ela tenta, mas é uma incapaz.
Fui buscá-los a um parque de estacionamento.
- Tinham sido presos. - A sério?
Prometi tentar ajudá-los.
- Como? - É agora ou nunca.
Chegou o momento de avançar.
Que queres dizer?
Quero mesmo ajudá-los a ir para Inglaterra.
É uma boa ideia.
Como vais fazer isso?
Num camião, acho eu.
É bom tê-los cá, mas com as crianças e o bebé a caminho,
a Sonia, e o meu trabalho... - Eles estão aqui?
- Não te disse? - Não, não percebi...
Estão aqui.
Vou chamá-los.
Mokhtar, Dara...
Venham cá. Vou apresentar-vos à Béatrice.
O Dara, o Mokhtar...
- Olá. - A Béatrice...
- Acho que já se conhecem. - Sim.
- Já nos conhecemos. - Sim.
Sentem-se.
Que querem beber?
Qualquer coisa. Leite.
Leite. E tu?
- Cerveja? - Certo.
Leite e cerveja.
Saúde.
Podias acolhê-los dois dias durante algum tempo?
Enquanto procuro um camião.
- Se não puderes, não há problema. - Em minha casa?
Sim.
- Sim. - Sim o quê? Não podes?
- Sim, posso. - Muito bem.
Mas pergunta primeiro à tua mãe.
Não, está tudo bem. Tudo bem.
Telefono-te amanhã para nos organizarmos, está bem?
Adeus.
- Então? - Não. Eu disse não.
- Deixa-me explicar. - Não é preciso. Eu disse não.
Isto está a ficar impossível.
Há limites para a generosidade.
Não tragas esses refugiados para casa.
- Não é como com a Ingrid. - Eu disse não.
- Foi divertido, mas já chega. - "Divertido"?!
Esclareçamos já isto: não é uma "diversão".
Os iranianos ficam aqui, porque a casa é minha!
E na minha casa, quem decide sou eu!
Claro que decides!
E eu posso decidir ir embora.
E então que farias? Não te aguentavas uma semana sem mim!
Tu é que não aguentavas uma semana, mamã. Estás em minha casa.
Só estou aqui por causa do Florian.
Sim, eu sei.
"Diz-lhes que são bem-vindos."
Vá, dá-lhes uma ajuda.
Aqui está. Este é o meu quarto, vão dormir aqui.
Onde vai dormir, se este é o seu quarto?
Pergunta onde vais dormir.
- Em baixo. - Na cave.
Não vai dormir na cave.
- O quê? - Na cave.
Não é uma cave! Tem janelas para o quintal. Fico lá bem!
- Não, fique com o seu quarto. - Não, eu decido.
Vocês dormem aqui.
Pronto, está decidido.
Tome. Jardim.
- Que é isto? - Um garfo.
Sim, obrigado, Béatrice. Eu sei que é um garfo.
Queria saber se está lavado. O meu desapareceu.
Garfos roubados...
- É o terceiro! - O quinto!
Ele está a contar!
- É uma loucura. - Desejos de grávida!
Bem, eu tenho desculpa!
Béatrice, estás resplandecente.
- Obrigada. - Como é que te manténs assim?
- Fiz mal em perguntar? - O quê?
Não sei se podemos perguntar a uma mulher...
É um elogio. Acho que tu estás...
Bem, obrigada.
Muito desejável.
Não sejas chato.
- Tens 54, amigo. - Bem, é o meu género.
Sempre tive homens mais velhos.
- Que idade tens? - Quarenta e quatro.
E isso já é elegante? Perguntar-lhe a idade?
- Não me importo. - Não pareces nada.
Também menti. Tenho 45!
- Nunca tiveste namorados da tua idade? - Não.
- Ou mais jovens? - Não, nunca.
Vês?
E 46 é inaceitável?
É um pouco jovem!
Então, vês, tenho uma hipótese.
Não, ninguém tem hipóteses comigo.
Como sabes?
Não quero ter ninguém. Já passei por isso, está feito.
Só queria dizer que a Béatrice está fantástica.
- Não és nada subtil. - Bem, vou buscar uma salsicha.
Uma bela salsicha!
Que faço?
"Posso fazer uma pergunta?"
Sim.
"É verdade que só gostas de homens mais velhos?"
"O pai do Florian era 20 anos mais velho que eu."
Só um?
O quê?
Só um homem?
Vou deitar-me.
Então...
Boa noite.
Sim, boa noite.
Até amanhã.
"Não consigo dormir, Mokhtar."
Vamos. Esperem aqui.
Olá!
Ainda estão no pequeno-almoço?
Desculpa, não pensei que se levantassem tão tarde.
- Tudo bem? - Tudo bem.
Passa-se alguma coisa?
Vim só buscar as minhas coisas.
Fica aqui, trazemos-te as tuas coisas. Florian!
Porquê?
Porque me chateaste.
Sou simpática, mas não parva.
Vá lá, Florian. Ajuda-o, Osman.
Não percebo. Que aconteceu?
O rapaz na tua cama...
Então, é isso! Percebo!
Bem...
Então, permites-te julgas-me
porque me deste guarida uma noite? - Uma noite?
Bem, está bem, algumas noites.
- E julgas-me? - Não, não te julgo,
mas também não confio em ti.
E não sou a única.
Não acredito!
- Olá, Florian. - Olá.
Obrigada.
Eu levo isso, também.
Osman...
Cuidado com ela, não é boa para ti.
Não digas isso, não sabes.
Não acredito.
Ele é maior.
- Adeus. - Adeus.
Pensei que me ias atirar isso.
Adeus!
Queres um chá antes de dormir?
Não sei.
"Estão todos a dormir."
"Mudaste de ideias?"
"O quê?"
"A minha idade."
"Não, e não vou mudar nunca."
Posso pedir-te uma coisa?
Sim.
Fecha os olhos.
Incrível.
Outra vez.
É possível?
Vou deitar-me.
Ficamos assim?
Sim.
Certo.
Está tudo bem.
Prefiro.
Então...
Boa noite.
Sim.
Mokhtar!
Eu... lá em baixo...
Espera até...
...até o Dara adormecer.
E tu?
"Quando foi a última vez?"
Há dois anos.
E tu? Quando?
"Há uns meses, uma rapariga na Selva."
"Uma migrante?"
"Uma médica inglesa."
A sério? Isso acontece?
"Claro, ela era muito bonita, elegante e ganha muito dinheiro."
E tu gostas?
- De dinheiro? - Sim, talvez.
Um pouco.
Sem mais nem menos?
"Sim, não conseguia fazer com uma migrante que cheira a miséria"
"e não me excita."
Percebes o que estás a dizer?
"Queres que seja hipócrita? A verdade é mais bela."
- Isso preocupa-a? - Já não.
- Acabou. - Não recuperou o apetite?
Não.
Fora a comida, nada mais nos resta.
Aqui não é má.
- Não é má? - Não, não é.
Há pessoas muito rígidas!
Autoritárias.
Pretensiosas.
Dissemos ao responsável, mas que podemos fazer?
Há idiotas em todo o lado.
Meu Deus!
Não! A merda do retrovisor!
Nem sequer posso entrar no carro.
Há merda por todo o lado.
Ouve...
Vamos... Filhos da puta!
Vamos.
Não, não!
Merda!
Esqueceste alguma coisa?
Adoro os teus olhos.
São belos.
Não é que sejam belos.
Consigo ver a tua bondade.
Há uma expressão que diz...
...que os olhos são o espelho da alma.
"Os olhos são o espelho da alma."
É estranho!
O quê?
Se é um espelho...
...não vês a minha alma.
Vemos o nosso próprio reflexo no espelho.
Vês-te a ti, nos meus olhos.
Na verdade.
É a tua bondade.
Não.
Eu não sou bondosa.
De nada. Bom dia!
Está quente.
- Tudo bem, Issa? - Sim, e tu?
- Toma. - Obrigado.
Olá.
Isso é pouco.
Adeus.
Não sou muçulmano.
- Converti-me ao catolicismo. - Certo.
O Dara não.
É diferente para mim, mas respeito a escolha dele.
Faz parte da história do Irão.
O Estado obriga as pessoas...
...a seguir as regras muçulmanas.
Foi uma das muitas razões por que parti.
O quê? Não percebi.
O estado obrigou-o a ser muçulmano. É uma das razões por que fugiu.
Eu sei.
Olá.
Estou a incomodar?
De todo. Estamos a fazer um churrasco.
- Queres comer? - Não, obrigado.
A esquadra recebeu uma chamada anónima sobre ti.
Normalmente não ligamos, mas como és tu...
Soube que tens refugiados em casa.
Não.
Espero que não seja verdade.
Sabes dos riscos?
Trinta mil euros e 5 anos de prisão.
Sério?
E é arriscado para ti e para o Florian.
Se te acontecesse alguma coisa?
As pessoas diriam: "Bem, ela estava a pedi-las".
E teriam razão.
E...
- As pessoas falam. - Sim, eu sei.
Não queres mesmo comer?
Não tenho fome.
E tenho consulta no dentista.
Obrigada por me avisares.
Vou pensar duas vezes antes de abrigar refugiados.
Adeus.
- Quem quer uma salsicha? - Sim, por favor.
Quem era?
Um amigo.
Porque não o convidaste?
Sim, convidei. Ele não pôde ficar.
- Que disseste? - Como assim?
De que falaram?
- Que jogo estás a fazer? - Que se passa contigo?
Isto é um interrogatório?
- Sabíamos do teu marido. - Sim?
- E? - Aquele tipo é anti-migrantes.
Que insinuas? Vá lá!
Diz em voz alta o que estás a pensar.
Ele faz parte de um grupo anti-migrantes. Era amigo do meu marido.
Um velho amigo. E?
De que lado estás?
Acabaste?
Ouve, não gosto do teu tom.
Estás em minha casa, a comer a minha comida.
Se não gostas, podes ir. O mesmo para vocês.
Se não gostarem de quem sou ou de onde venho,
ninguém vos obriga a ficar!
A porta está ali! Entendido?
Poupa-me as tuas ameaças e as tuas insinuações.
Deixa-te estar calado!
- Que tens? - Nada.
Preciso que me assines isto.
É tarde. Não devias estar na cama?
Tenho trabalhos para acabar.
Certo, boa noite. E bate antes de entrares.
- Boa noite. - Adeus.
Sim?
Tenho uma coisa para te dizer, mas não sei como.
Bem...
O Mokhtar e eu...
O Mokhtar e tu o quê?
O Mokhtar e eu...
Estás a gozar comigo?!
- Estás a gozar comigo! - Não.
- Cala-te. Sai! - Sou a tua mãe...
- Sai. - Não vim pedir a tua opinião.
Sai do meu quarto!
Estás a gozar comigo!
Vais fazer como aquela puta!
A sério?
Pára de dar sermões.
Quem pensas que és com os teus refugiados?
Foda-se!
És uma porcaria! Aturamos as tuas merdas!
Para poderes dar uma queca como uma miúda estúpida!
Metes pena, és patética! És uma criança!
Sai! Chega!
Pára!
- Que se passa? - Nada.
Tivemos uma discussão.
O Mokhtar e eu estamos juntos. Até amanhã.
Estou?
Sim.
Está bem.
Quando?
Dois dias.
Abranda um pouco.
À esquerda. Olha.
É fácil passar o portão.
É uma dádiva de Deus. Não há ninguém por perto.
- Não há câmaras? - Não.
Normalmente há. Aqui não.
Vês?
Gostaria de te dizer que tudo o que me deste desde o primeiro momento
é precioso para mim. Tu és preciosa, Béa.
És bela.
És o meu ser humano preferido. Para sempre.
Que se passa?
Falas como se te estivesses a despedir,
como se nunca mais nos voltássemos a ver.
Como se me estivesses a deixar.
Só quero fazer-te feliz.
Não consigo.
Desculpa.
Não consegues...?
Não consegues...?
Não consegues...?
Mokhtar...
Esta poderá ser a última vez.
Vais para Inglaterra.
- Talvez me esqueças. - Pára.
- Talvez seja a última vez. Não consegues. - Pára.
Não, não paro porque te vais embora,
e eu não compreendo porquê.
Tenho de ir para Inglaterra.
É a minha vida.
É o meu caminho.
É o meu projecto.
É o meu projecto há muito tempo.
Não tem a ver contigo...
...quando digo que vou para Inglaterra.
Não percebo porque partes.
Como podes amar-me e ir embora?
Como podes amar-me...
...e fazer-me essa pergunta?
Eu não sou mentiroso.
Podemos desfrutar um do outro, e isso é bom.
Você quer ter a certeza de que o amor é puro,
mas eu não sei se o amor é puro.
Mas a química entre nós também vem das nossas diferenças.
Os opostos atraem-se, não é?
Se tem dúvidas sobre mim, isso não nos permitirá avançar.
Mas não é a primeira vez que alguém duvida de mim.
No meu país, tentaram matar-me porque eu era diferente.
Que dizes?
De que estás a falar?
Não percebo.
Não me compreendes.
Sim.
Béatrice...
Amo-te.
Disseste o meu nome completo.
Sim.
Porque te amo por completo.
Então, porque não nos casamos?
Responde-me.
Não me quero casar para ter os papéis.
Para poder ficar.
Se alguma vez nos casarmos...
...é porque seremos livres.
Joe... Que é isso?
O quê?
- Venham! - Vão todos?
- São sudaneses. - Não me interessa!
- Mas é muito perigoso... - Eu informei-os.
Venham!
Mustafa.
Mohamed.
Mokhtar, Dara.
Béatrice.
- Olá. - Pronto. Vamos.
Podem levar os vossos sacos.
Boa sorte. Adeus.
- Boa sorte. - Obrigado.
Como está, Sr Bouvier? Dormiu bem?
- Eu não dormi, pois não? - Não dormiu?
Não sei. Não me lembro.
- Estou a perder a memória. - Está?
- Por isso estou aqui. - Eu sei.
Parece que vai nevar.
- Nevar? - Sim, nevar. Talvez neve.
Ou caia granizo.
Bem!
- Vou tirar o sabonete... - Os radiadores não estão muito quentes.
"Fomos presos!!"
- David, podes terminar, por favor? - Sim.
Obrigada.
"Merda!"
"Vão libertar-vos."
"É o procedimento. Não te preocupes!"
Dublinem-me!
Dublinem-me!
- Dublinem-me, por favor. - Mokhtar!
Dublinem-me!
Nasci em Teerão!
- Nasci em Teerão. - Sim, eu sei.
- Sou o Mokhtar Mossaïd. - Eu sei, Mokhtar.
Dublinem-me. Eu nasci em Teerão.
Eu sei, Mokhtar.
- Chamo-me Mokhtar Mossaïd. - Pára.
Dublinem-me, por favor!
Chamo-me Mokhtar Mossaïd.
- Dublinem-me! - Pára!
Chamo-me Mokhtar Mossaïd.
- Desculpa, Florian. - Dublinem-me!
Por favor!
Nasci em Teerão.
Dublinem-me!
Chamo-me Mokhtar...
Ainda há uma solução.
Qual?
Um barco.
Encontramos um lugar calmo.
De barco... sim.
Não concordo.
Porquê?
Porque se ir de camião é perigoso,
ir de barco é muito perigoso.
Pode-se morrer.
Os camiões já não funcionam. Um barco é a única solução.
Talvez, mas...
Por mim, tudo bem.
Não tenho nada a perder.
Viver é conviver com a possibilidade de morrer.
Que disse ele?
Basicamente, disse que não tem nada a perder.
Que simpático.
Espera.
Amo-te.
Amo tudo o que és.
Mas...
Já não estou habituada a compromissos.
Por isso, a ideia de te perder...
Destroça-me.
Mas...
Quero que sejas livre.
E...
Não me deves nada.
Vá... vai.
Não gosto da ideia.
Vai resultar. Não te preocupes.
Têm de deixar as águas territoriais francesas o mais rápido possível.
Se forem parados, estarão em Inglaterra.
São "dublinados" lá.
Está bem?
Vamos dizer-lhes.
E vamos tentar arranjar um barco.
Quanto custa?
Procurei na net.
Entre 1000 to 2000 euros.
- Tens esse dinheiro? - Não!
- E tu? - Não!
Tenho de te perguntar uma coisa. Disseste...
Que se eu, se o Florian e eu precisássemos, poderia pedir-te...
A verdade é que...
Preciso de dinheiro.
É uma quantia grande.
- Sim? - Dois mil euros.
Para quê?
Para o telhado. Caiu um ramo.
Não podes activar o seguro?
É complicado.
Complicado...
Se não podes ou não queres, eu compreendo.
Não disse isso. Apenas estou surpreendido.
Fizeste alguma asneira?
Podes dizer-me, seja o que for. Se estás com problemas...
Sou polícia, mas sou teu amigo.
Deves dinheiro a alguém?
Não.
Foi estupidez vir aqui. Desculpa.
Béatrice... Precisas é de um amigo.
Alguém que cuide de ti.
É verdade que...
As coisas aconteceram muito rápido,
está tudo a mudar...
Muito rápido... eu não...
Não aguento.
Não consigo manter o equilíbrio.
Mas...
Preciso de 2000 euros para algo de que não quero falar.
Por isso, não vale a pena vir aqui para te pedir.
Esquece.
A caridade começa em casa.
Se passasses menos tempo com os refugiados...
Que dizes?
Não sei.
Obrigada.
Primeiro, põe-se a corrente na bola...
Assim, fica atrelado ao carro.
Vê? Agora está preso.
Agora está seguro.
Quando conduzir, levante a roda.
- Está bem? - Muito bem.
Adeus. Obrigada.
- Adeus, minha senhora. - Adeus.
Obrigada.
"Praia não vigiada Não nadar com agitação marítima."
Onde estamos?
Consegue-se ouvir. Está perto.
Esperem!
Temos de o carregar sobre as rochas.
Depois usas isto para as pedras, está bem?
Vai! Vai!
Vai, vai embora.
Béatrice, vamos. Já partiram.
É perigoso ficar aqui.
Estás aqui.
Correu bem?
Sim.
Sim.
"Cem migrantes desaparecidos após naufrágio de barco."
Deixa o computador.
"Canal da Mancha: 30 migrantes resgatados, incluindo 11 crianças."
É normal ainda não teres notícias.
"Travessia do Canal Iranianos."
"Alertas."
"Todas as regiões."
- Vou preparar-te... - Pára!
Não tenho fome.
Isso não vai mudar nada. Não podes morrer de fome.
Não é normal...
Não é normal.
- Ainda nada? - Não.
Devias dormir um pouco.
Não podes continuar assim.
Acho que se dormir, ele morre.
Tenho de manter os olhos abertos.
"Migrantes iranianos resgatados no Canal da Mancha."
Mamã!
Florian!
Eles estão vivos!
- O quê? - Eles estão vivos!
O barco estava a fundar-se. Eles pediram ajuda.
Demoraram muito tempo a encontrá-los.
Disseram que passadores lhes arranjaram a travessia.
Acalma-te. Eles vão ligar.
Meu querido...
Não me consigo acalmar.
Mas é natural.
A 27 de Junho de 2017,
Béatrice Huret foi considerada culpada de "auxiliar um cidadão estrangeiro ilegal".
O tribunal decidiu não aplicar a pena.
Béatrice visita regularmente Mokhtar em Inglaterra.
Mokhtar está a fazer os possíveis
para que um dia, o sonho de viverem juntos onde decidirem possa ser uma realidade.
Tradução RUI ELIAS
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