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SOB O SIGNO DO CAPRIC�RNIO 1 - O Segredo de Tristan Bantam
Saia daqui! E n�o volte!
Perd�o... Perd�o... Pe�o perd�o...
A voc� tamb�m... Posso pedir perd�o, se quiser.
O que � que lhe aconteceu? N�o se sente bem?
N�o. Nada bem... Mas j� faz algum tempo.
E, infelizmente, o senhor n�o pode fazer nada por mim.
Mesmo se pudesse... O que � que o faz crer que faria?
A� est� uma bela maneira de me dizer que v� para o inferno.
Vou tentar seguir o seu conselho. Adeus, Comandante.
Ele n�o foi sempre assim, sabia?
O professor J�r�miah Steiner j� foi famoso, no seu tempo.
Professor?
Sim. Escreveu coisas importantes. Coisas que ainda hoje se comenta.
E voc� faz isto para bem dele, ou porque ele n�o paga?
N�o julgue os outros como a voc� mesmo, Corto Maltese.
Tenho muita estima por Steiner.
Respeito as pessoas que t�m sede de conhecimento...
Voc� respeita as pessoas que t�m sede, mas impede-as de beber.
� uma mulher complicada, Java.
Vou dar uma olhada no navio.
Senhor... Senhor!
Desculpe, senhor. Conhece a pens�o da Madame Java?
Sim. Conhe�o.
Ganharia algum tempo se fosse direto ao assunto.
A pens�o de Java � a casa grande, ali ao fundo, com a marquise.
- Obrigado, senhor. - N�o tem de qu�.
Vamos! Pe�a desculpas ou arranco o teu bigode!
Nem pensar!
O que disse? Decidiu morrer hoje, Steiner?
Deixe-o.
E voc�, o que � que voc� quer?
J� est� crescido para maltratar velhinhos, n�o acha?
Ah, sim?
Eu sou mais impiedoso do que voc�, Olhos-de-sapo!
Por que fez aquilo?
Eu n�o sei de nada. Aqui, o s�bio � o senhor.
J� entendi! � um escoteiro frustrado!
� isso. Mas j� estou lamentando a forma como me v�. Boa tarde.
Espere!
Nem sequer agradeci.
Antes tarde do que nunca.
Agora, vou dar uma olhada no meu barco, se n�o se importa...
Voc� tem um barco? Espere! Eu vou contigo!
� curiosa a maneira como voc� olha para as pessoas.
Eu diria que quer ler os pensamentos dos outros.
Porque � que continua em Paramaribo, Steiner?
O que � que v� de bom aqui?
O rum... O rum � bom. E depois... aqui ou noutro lugar...
J� n�o me agrada fazer nada. Eu estou...
Eu estou cansado...
O que � que est� fazendo a� no escuro, Java?
Estava � sua espera.
Quero lhe apresentar uma pessoa. Eu disse que voc� poderia ouv�-lo.
Tristan � filho de Ronald Bantam... que voc� j� conhece, acho eu.
Encontramo-nos h� pouco.
Boa tarde, Comandante.
Tristan precisa de ajuda.
� uma hist�ria complicada.
O meu pai morreu h� tr�s meses,
deixando-me a sua parte na empresa que fundou...
A Financeira Atl�ntica.
O meu tutor, o advogado Milner, de Londres,
convenceu-me a ceder-lhe as minhas a��es.
Como eu n�o entendo nada de finan�as,
teria-o feito de bom grado se...
Se...?
Est�o acontecendo coisas estranhas comigo...
Isso n�o me espanta nada. O seu pai era um homem estranho.
Eu... eu tenho sonhos... Eu vejo coisas, e... eu ou�o vozes.
H� vozes mais fortes do que outras.
A mais forte � a de Ogun Ferraille.
Desaconselhou-me formalmente a vender a minha parte.
E orden... ordenou-me que viesse para aqui, a Paramaribo.
Ogun Ferraille?
Conhece esse senhor?
Ogun Ferraille n�o � um senhor. � um deus vudu.
Um dos mais poderosos. � bom tentar saber.
Mas o seu tutor n�o se enganou. Isso pode ser perigoso.
Desculpe.
Esta pessoa quer falar contigo, Tristan. Diz que � importante.
Comigo? Mas... Eu n�o conhe�o ningu�m aqui.
Ogun Ferraille enviou esta mensagem,
durante o grande vudu...
Ogun Ferraille! Eu... � imposs�vel!
O que me dizia � verdade, Tristan. Foi chamado.
O texto diz: "Ser�s transformado em energia.
A tua segunda vida come�a agora." E est� assinado: "Boca Dourada".
A Boca Dourada � um grande diabo.
Ela fala com o pensamento, e os irm�os de Paramaribo a escutam.
� pr�tico... evidentemente...
Esperem! Estou sentindo um perigo aproximando-se!
Vem de longe... de Londres... Ele...
O perigo est� aqui!
Sinto muito, Tristan. Aquela bala era para mim.
N�o! A voz de Boca Dourada diz que o perigo era para Tristan.
Ela diz tamb�m: "Venha depressa!"
Voc� tamb�m, tamb�m foi chamado, Corto Maltese.
E n�o � a primeira vez.
- Ainda est� vivo? - N�o por muito tempo.
� incrivelmente r�pida com esse punhal.
O que queria que fizesse?
Acabou-se, Olhos-de-sapo.
Lamento, mas as coisas s�o assim.
Diga-me uma coisa... Veio por mim, ou pelo rapaz?
Queria muito saber, n�o �?
Queria. Mas se n�o quiser me dizer, n�o me importo.
Quer um cigarro?
O rapaz est� morto?
N�o. Est� apenas ferido.
J� n�o vou precisar do dinheiro que me pagaram para mat�-lo.
D� ao velhote de h� pouco. N�o tinha nada contra ele.
S� queria ser seu amigo... ...mas ele... ele n�o queria.
Quem te deu este dinheiro?
Voc� � esperto. Adivinhe.
Nunca chegaremos a saber.
Ele est� morto, mas eu sei.
Este cretino trabalhava para o advogado de Kerster.
Corto! Ei! Corto Maltese!
O seu navio est� ardendo!
Deixem-me passar!
Pare! Voc� j� n�o pode fazer na...
Steiner! Steineeer!
Corto! Corto! Aqui!
Est� bem?
Estou bem. Mas o professor est� meio asfixiado.
Eu o vi... O cara que incendiou o barco.
Era o outro... Eu tentei impedi-lo, mas...
Qual outro?
O amigo do Olhos-de-sapo... Eu tentei impedi-lo, mas...
Sinto muito...
N�o se preocupe, Steiner.
N�o sei como � que come�aram,
mas conseguiram me meter em assuntos que n�o me interessam.
- E agora? - Agora, � diferente.
- Tristan! - Quem est� a�? Quem falou?
Sou eu, Tristan. A tua sombra. Aqui, as sombras podem falar.
Isto � para loucos!
Antes de ser a tua sombra, era a do teu pai... e a de Ogun Feraille.
Venho de muito longe... N�o fujas, Tristan.
- Socorro!! - N�o fujas!
- Como � que est� o ferimento? - Qual ferimento?
N�o foi nada.
Agora, ele trava uma batalha de natureza diferente.
E est� muito sozinho.
Bom dia. Queria falar com o senhor Kerster.
O Mestre Kerster est� muito ocupado.
Diga-me o que o trouxe aqui, e seja breve, eu lhe pe�o.
Bem... Recomecemos. Bom dia. Eu queria falar com...
N�o foi muito simp�tico o que o senhor fez...
Eu n�o sou um cara muito simp�tico.
Bem... Quer falar com o Mestre Kerster.
Eu sou o Mestre Kerster. O que � que posso fazer por voc�?
Ontem a noite, um marujo atirou num rapaz.
Falhou o tiro, e foi ele que acabou morrendo.
Esse marujo era um amigo seu.
O que � que o leva a pensar que sou amigo dessa gente?
O dinheiro. O dinheiro que lhe deu para matar o rapaz.
Ele tinha-o no bolso.
Apaixonante. Nunca pensou em escrever romances de aventuras?
Cretino! Assassino! O que � que quer afinal?
N�o tenho nenhuma prova contra voc�!
Estava amea�ando-o. Eu pensei que era necess�rio que... Era nosso s�cio.
Agora, vai me dizer tudo o que sabe.
Se a sua hist�ria me agradar, fico com o dinheiro que ele te deu
para atear fogo no meu navio, e te deixo partir.
Eu n�o fui pago para destruir o teu barco.
Fiz para me vingar da rixa desta tarde.
� verdade que Kerster pagou ao Olhos-de-sapo para matar o garoto...
Mas h� algu�m por detr�s dele... Algu�m mais importante.
Se � algu�m importante, deve ter nome.
Mas eu n�o sei o seu nome!
Kerster tem os neg�cios dele... Ningu�m se mete nisso!
Muito bem. Ent�o, vamos at� a pol�cia.
Milner. Ele � que queria o rapaz morto.
Milner?
� um senhor de Londres. Um homem de neg�cios.
J� disse tudo o que sabia, Corto Maltese. Juro.
Eu acredito, eu acredito... Vamos! Agora... vamos a pol�cia!
� um mentiroso!
Claro que sou um mentiroso! Ande!
O meu pai tamb�m deixou algumas cartas...
Mas, para ser franco, tudo isto continua me parecendo obscuro.
Mandei analisar todos os documentos em Londres.
As pessoas pareciam se interessar,
mas depois... As coisas complicaram-se.
Pediram-me dinheiro... Muito dinheiro.
Estes s�mbolos s�o estranhos...
J� vi inscri��es deste tipo num monolito, numa ilha do Pac�fico Sul.
O meu pai achou estes nas profundezas do Brasil, na regi�o do Alto Xingu...
Nos seus apontamentos, tamb�m fala de um reino misterioso...
...que chamam de Mu.
Mu... O continente perdido...
- N�o. � muito cedo. - Desculpe?
Para beber. � muito cedo.
Eu pensei que, para voc�, nunca fosse muito cedo.
Os documentos do pai do Tristan s�o interessantes.
Muitas pessoas j� procuraram o reino misterioso, e...
O Alto Xingu, � uma pista... original...
Confesso que gostaria de ver onde isto vai nos levar.
Mesmo se tivesse que deixar Paramaribo? O rum?
E a discreta afei��o da Madame Java?
Se est� interessado, Sr. Steiner,
teria todo o prazer em mostrar-lhe o resto dos documentos.
Estou contente por v�-lo de p�, Tristan.
Acabo de comprar o iate da Madame Java.
Vou at� Itapu�, a casa da Boca Dourada.
Isso � uma longa jornada.
Sem d�vida... E, para ser franco, agora que j� o conhe�o,
essa proeza parece-me imposs�vel sem a sua colabora��o.
Escute, Tristan. Eu n�o preciso ser elogiado para fazer algo.
Se aceito, � porque isso me conv�m.
A mim tamb�m me conv�m.
Tome. Envie isto ao Dr. Milner.
Foi a feiticeira de ontem a noite que me deu...
Garantiu-me que � um grande diabo
e que quem o receber morre imediatamente.
Eu, eu n�o acredito nessas coisas... mas n�o custa experimentar.
Vou fazer como diz, Corto.
Mas n�o toco nesse horror com as m�os.
� desagrad�vel... Mas acho que � melhor saber.
N�o entendo. O Dr. Milner era o melhor amigo do pa... do meu pai.
Bem... parece-me que n�o � amigo seu.
Eu estou pensando... nessa pessoa que vamos visitar.
A Boca Dourada?
Segundo a mulher que me curou, ela ter� 200 anos.
� mesmo... extravagante!
- O teu pai nunca falou dela? - N�o.
E devo confessar que tenho alguma dificuldade em compreender...
O que pode ele ter feito com esta esp�cie de...
De feiticeiros...
Ent�o... O que � que est� acontecendo?
Avancem! N�o me digam que t�m medo de uma pobre velha?
Ah, mas... este lindo marinheiro... Deve ser o Senhor Corto Maltese!
Corto Maltese... O filho da garota de Gibraltar...
Sabia que Ingres pintou o retrato dela?
Ah sim... sim...
Ela era famosa, a cigana de Gibraltar...
E depois, um dia, partiu para Malta, com um marujo da Cornualha.
� incr�vel...
Tenho a impress�o de folhear o �lbum de fam�lia com uma tia velha.
Uma tia bem velha, convenhamos...
Quer que te fale do teu bisav�?
O que combateu em Queimada, no norte do Brasil?
Ele tamb�m era meu conhecido.
Queimada?! Mas isso foi h� 200 anos...
Est� mesmo bem conservada, Boca Dourada...
Sabe por qu�? Porque estou rodeada de pessoas felizes.
Olhe, isso at� fez sorrir o Tristan.
� muito parecido com a tua irm�, meu rapaz.
Com a... minha irm�? Mas, eu n�o sabia...
O mundo abre-se para ti, Tristan Bantam...
Est� menos s� do que pensava. Tem uma irm�...
Ah sim sim... e novos amigos...
Mas tamb�m tem um inimigo poderoso...
Uma irm�?! Ela... Ela est� aqui?
Aqui? Ah sim sim... Aqui e em todo o lado.
Somos muito amigas. A Morgana e eu.
Morgana...
Venha comigo, Corto Maltese.
Asseguro-lhe desde j�, Corto Maltese...
...que o que vou pedir � inspirado por s�os princ�pios morais.
Fique sabendo, minha querida Boca Dourada,
que eu n�o acredito em princ�pios.
Sim... Sim...
Eles mudam com as circunst�ncias, como a pele dos camale�es.
Procuremos algo mais est�vel, nesse caso.
Mil libras esterlinas em ouro. Isso serve?
Mil libras? Ah sim sim... � muito.
Mas voc�... voc� tamb�m vai me pedir muito, n�o �?
Talvez. Sabe, tenho um amigo no Sert�o...
Daqueles a quem chamam "cangaceiros".
Tomou a lideran�a de uma revolta contra um latifundi�rio...
...o Coronel Gon�alves...
...que contratou mercen�rios para eliminar os camponeses rebeldes.
O meu amigo precisa de armas. E de dinheiro.
Voc�, Corto Maltese, subir� o rio S�o Francisco,
e vai entregar-lhe o que ele precisa.
E o Tristan?
Ah, o Tristan... Deve ficar aqui.
Ah sim sim... � o mais prudente...
Mas no fundo... � imprudente estar vivo, n�o �? O Tristan ir� contigo.
Mil libras... � uma boa soma. Talvez boa demais. Ah sim sim...
� muito desconfiado, Corto Maltese. � esse o seu defeito.
Mas � honesto, e para mim isso j� basta.
H� muito que as mulheres teriam sido a minha desgra�a.
Ah sim sim... Mas est� sempre com um p� atr�s, n�o �?
Eu tento, Boca Dourada... Eu tento...
Bem, uma vez que estamos de acordo,
embarcaremos a mercadoria amanh� de manh�.
Acha que posso contar contigo, Tristan Bantam?
Comigo? Mas... Eu nem sei o que quer de mim.
Mas viu o que te mostrei, n�o foi?
Sim. Eu vi.
Teve medo?
Sim, tive medo, mas... Tamb�m tenho vontade de saber.
E saber�. Ah sim sim... Quando estiver pronto.
Mas, agora, ir� com Corto Maltese.
Ser� os meus olhos e a minha voz.
SOB O SIGNO DE CAPRIC�RNIO 2 - Samba com Tiro Certeiro
Segundo o seu amigo, J�r�miah Steiner, da Universidade de Praga,
sempre l�cido, mesmo quando o �lcool lhe turva os pensamentos,
Corto ficou durante dois anos, 1916 e 1917,
nas Cara�bas e na Am�rica do Norte.
"Ficou" n�o � bem a palavra. Deixou de se deslocar, parece...
Para ele, as aventuras mais excitantes
s�o as que misturam mulheres e a realidade.
Quero lhe apresentar uma pessoa.
Tristan � filho de Ronald Bantam.
� uma hist�ria complicada.
O Tristan precisa de ajuda.
...est�o acontecendo coisas estranhas comigo.
Eu... eu tenho sonhos... ...e ou�o vozes.
A mais forte � a de Ogun Ferraille.
Ordenou-me que viesse para c�, Paramaribo.
Ogun Ferraille n�o � um senhor. � um deus vudu.
Em todo o caso, foi no Sert�o que Corto conheceu Boca Dourada...
A Boca Dourada � um grande diabo.
Ela fala com o pensamento, e os irm�os de Paramaribo a escutam.
Eu estou pensando... nessa pessoa que vamos visitar.
A Boca Dourada?
Segundo a mulher que me curou, ela ter� 200 anos.
Venha comigo, Corto Maltese.
Tenho um amigo no Sert�o...
Tomou a lideran�a de uma revolta contra um latifundi�rio...
...o Coronel Gon�alves...
O meu amigo precisa de armas. E de dinheiro.
Voc�, Corto Maltese, vai entregar o que ele precisa.
Voc� � mesmo ing�nuo! Como pode acreditar
que o Coronel Gon�alves pode reinar sobre toda a regi�o
sem o apoio do seu governo?
Eu n�o acredito em nada.
A Boca Dourada e o Gon�alves t�m l� os seus interesses,
e eu tenho os meus. � tudo.
Posso n�o passar de um velho b�bedo,
mas ainda n�o percebi porque � que voc� se meteu nesta hist�ria.
N�o me diga que foi pelo dinheiro?!
E pelo que haveria de ser?
Voc� me desaponta, Corto. Julgava voc� acima dessas coisas...
Escute, Steiner, trouxe voc� comigo porque � um sujeito simp�tico.
Mas se est� aqui para me dar li��es de moral, � melhor desembarcar.
N�o sou suficientemente s�rio para dar conselhos,
e s�rio demais para receb�-los.
Encontrei!
Mas... � imposs�vel!
Por que � que � imposs�vel? N�o � s� um...
Tamb�m � aqueles que j� viveram...
...e aqueles que viver�o as outras vidas...
Mas ent�o... voc�? Quem � voc�?
Eu sou voc� mesmo...
Um reflexo de voc� mesmo, projetado para o passado...
...ou para o futuro... Entendeu?
Nada de nada.
Est� no reino de Mu, Tristan. Ou no que resta dele... Olhe, Tristan!
Eis Quetzalcoatl!
Quelza... qu�?
Apresse-se, Tristan!
Em breve, Mu desaparecer� num mar de fogo. Apresse-se!
Quetlaz... N�o consigo dizer!
Bom dia, Sr. Maltese. Bom dia, Sr. Steiner.
Bom dia, Sr. Bantam.
Estava morrendo de calor na cabina.
� a canhoneira do Coronel.
O que aquele barco faz no S�o Francisco, Capit�o?
Vamos saber em breve.
Fomos enviados pelo Gabinete de Explora��o do Trabalho Ind�gena.
O Professor Steiner deve examinar as instala��es do Coronel Gon�alves.
N�o estou sabendo de nada.
O Senhor Gon�alves n�o est� aqui.
Est� em Nice ou em Monte-Carlo. E depois...
Um b�bado e um capit�o de brinco na orelha...
Isto me parece um truque.
Ah, come�amos bem! N�o acredita em mim?
No entanto, n�o � mais cr�vel do que eu, como capit�o.
- Quem atirou? - Veio dali.
Voc� tamb�m, marujo.
Ent�o, estrangeiro? N�o entendeu o que eu disse?
Sim, entendi. Mas quero falar com o seu chefe.
O chefe deles? Estes miser�veis j� n�o t�m chefe.
Eu pr�prio me encarreguei de abat�-lo.
Tristan! N�o...
O que foi, Tiro Certeiro?
N�o est� feliz por ver os teus amigos?
Bom dia, Boca Dourada. Como � que est�?
Eu, estou bem. Ah sim sim...
Mas, conte-me... O que aconteceu ao Sebastian?
Mataram-no. Mataram o Redentor.
Como � que isso aconteceu?
O Coronel tinha capturado sua mulher e filho.
O Sebastian rendeu-se para que eles fossem libertados.
Mas voc� conhece o Coronel... Ele mandou mat�-los.
� pena... Ah sim sim... Sinto muito.
Ele os matou... aos tr�s.
Escute, Tiro Certeiro. J� fiz o que tinha a fazer.
As armas e o dinheiro que Boca Dourada enviou est�o no barco.
Eu ficarei com as armas. Mas n�o preciso do dinheiro...
Sem o Redentor, a luta deixou de ter sentido...
Ele era o �nico que podia denunciar os crimes do Coronel.
O �nico? Um chefe que se entrega para resolver problemas familiares
n�o me parece assim t�o competente...
Pare! N�o fale mal do Redentor ou matarei voc�.
Foi corajoso ao atac�-los. Por que o fez?
Para matar o capit�o Oliveira, e vingar a morte do Redentor.
Bem... Matou o assassino... Mas e o verdadeiro respons�vel?
Esse Coronel que oprime toda a regi�o...
Ele vai continuar a aterrorizar todo o povo com os seus pistoleiros?
- O que � que eu posso fazer? - Tomar o lugar do Redentor.
Eu?
Mas eu sou um bandido! Quem � que me iria seguir?
As pessoas t�m tanto medo de mim como do Coronel!
Tiro Certeiro! O que � que fazemos aos prisioneiros?
Fuzile-os!
Experimente pensar com a cabe�a, e n�o com as suas pistolas.
Pense no que faria o Redentor, e fa�a como ele.
Depois, fa�a com que todo mundo pense que o Redentor ressuscitou,
e que ainda luta contra o Coronel.
E, pouco a pouco, ver�... que o povo te seguir�.
O Redentor sabia falar ao povo. Ele explicava as coisas.
Eu, eu sou um homem de a��o.
J� est� argumentando. � bom sinal!
E n�o se preocupe: Os pol�ticos e os fala-manso em breve estar�o aqui.
Bem...
Tiro Certeiro, o Redentor, poupa as suas vidas.
Ei, Tiro Certeiro!
Uma vez que n�o me matou, tenho de te dizer uma coisa...
O Oliveira mentiu. O Coronel...
Ele est� na propriedade dele, em Queimada,
mais a norte do S�o Francisco.
O que deu em voc�? Eu disse a verdade!
Se for uma armadilha, juro que te mato com mil torturas.
Em frente! Vamos combater o drag�o do mal!
Bravo, Corto! Acaba de fabricar um novo chefe pol�tico.
O que est� dizendo a�? Tiro Certeiro j� era um chefe...
Eu me limito a merecer as minhas libras esterlinas.
� o sujeito mais rom�ntico que eu conhe�o!
Consigo ver voc�, no Outono,
sentado sozinho num banco de jardim vendo o cair das folhas...
Na semana que vem, parto para a Bahia.
Tenho de me encontrar com o nosso s�cio de Londres.
Pode partir descansado, Coronel.
O Redentor est� morto, e a revolta n�o sobreviver�.
O governo j� n�o tem qualquer raz�o para meter o nariz nos nossos assuntos.
Ofere�a, mesmo assim, uma recompensa...
Mil escudos pela cabe�a de Tiro Certeiro...
Quando ele estiver morto, mais ningu�m ter� a ousadia de se mexer.
Pode me dar os mil escudos.
Eu trouxe pessoalmente a minha cabe�a.
Tiro Certeiro! � o Tiro Certeiro!
O Tiro Certeiro atacou o Coronel!
�s armas!
A canhoneira! � o Capit�o Oliveira!
Est� por tua conta, estrangeiro!
Se n�o voltar dentro de uma hora... caiam fora daqui.
Eu depois encontro-me com voc�s l� em baixo.
Mas...
Vamos ser massacrados!
Talvez estejam precisando de p�lvora, rapazes!
Tiro Certeiro!
Ei! Tiro Certeiro! Acabou-se.
E ent�o? � surdo ou qu�?
Sinto muito, meus amigos... Cheguei tarde demais.
Perderam o seu novo chefe.
Sim... Ganharam. Provisoriamente.
Daqui a pouco tempo, ir� chegar um outro Coronel.
E esse tratar� de fazer respeitar a sua lei.
Sem d�vida... Mas agora...
para cada coronel, haver� cem Tiros Certeiros.
Aprendemos a li��o, estrangeiro.
Como se chama, rapaz?
Corisco de S�o Jorge.
Tome o chap�u de Tiro Certeiro, Corisco de S�o Jorge.
E continua a luta contra o drag�o do mal.
Obrigado, estrangeiro. N�o te esquecerei.
Adeus, Tiro Certeiro...
Pelo menos, conseguimos provar que um her�i desconhecido,
com amigos desconhecidos, pode ter direito a um funeral luminoso.
Fez um bom trabalho no Sert�o.
O Corisco de S�o Jorge continuou a luta contra os escravagistas.
Ah sim sim... Com bastante sucesso...
� o que dizem, sim, sim...
Ah, Corto Maltese...
Por que � que faz quest�o de fingir
que n�o est� interessado em tudo o que se passa � sua volta?
A sua m�e, a garota de Gibraltar,
tinha uma personalidade mais aberta...
Tome suas mil libras... Mais uma gratifica��o,
como pagamento pela ajuda que deu a Tiro Certeiro.
N�o quero. Tamb�m sou culpado pela morte dele.
Envie o dinheiro ao povo.
� mesmo orgulhoso! Quer fazer um gesto bonito,
mas amanh� lamentar� n�o ter aceitado este dinheiro.
Provavelmente. Amanh�, chorarei.
Mas, hoje, faremos como eu quero.
O que � voc� tem, Corto Maltese?
O qu�? Voc�, que entra sem ser convidada no pensamento dos outros...
Voc� n�o sabe?
Est� fazendo um jogo perigoso com o Tristan.
O mais importante � fazer andar a nossa Financeira Atl�ntica.
� ela que nos permite continuar a nossa luta... e a do meu povo.
Est� usando aquele rapaz.
O que vai fazer quando j� n�o precisar dele?
O Tristan � branco. N�o faz parte do meu povo.
Voc� tamb�m, voc� tamb�m � branco, mas est� mais pr�ximo de mim...
Estamos prontos, Corto.
O Sr. Steiner est� � nossa espera no molhe.
Perfeito... J� vou.
Voc� fica. Esta senhora tem coisas para te explicar...
...ainda que voc� n�o compreenda.
O que est� acontecendo? O que � que ele tem?
Ou�a, Tristan... Seu pai lhe deixou a��es na Financeira Atl�ntica...
Acontece que essa empresa faz parte de uma associa��o mais vasta...
Uma associa��o na qual eu tenho... Ah sim sim... interesses...
E voc� sabe como eu me preocupo com o meu povo.
Se eu tivesse deixado voc� vender as suas a��es,
teria introduzido um escorpi�o em minha casa.
N�o queria fazer entrar um escorpi�o em minha casa,
n�o �, Tristan Bantam? - Pelos deuses, n�o, Senhora! Mas...
Ah sim... Isso � maior que voc�... Voc� tem uma outra miss�o.
Siga as passadas do seu pai...
Ronald Bantam era apenas um homem,
mas n�s t�nhamos muito afeto por ele... Ah sim sim...
A sua morte entristeceu-nos a todos.
Ent�o, tenho de saber uma coisa agora...
Quando estiver, como ele, na Porta...
Vai recuar, Tristan?
N�o entendo, Boca Dourada...
Sinto uma grande responsabilidade sobre os ombros, mas...
� terr�vel. Ah sim sim...
Mas eu n�o entendo.
E � t�o simples! Voc� n�o deve recuar... Deve ultrapassar a Porta.
E, depois, fa�a por n�o regressar com as m�os vazias.
Vai at� a Bahia, Tristan.
Sua irm� est� � sua espera, na casa do seu pai.
Morgana...
Sim. E o seu inimigo tamb�m estar� l�.
� l� que ser� jogado o final da partida.
Cada um com o seu plano, como deve ser.
E a senhora... A senhora estar� comigo?
N�o. Desta vez, n�o.
Mas Corto Maltese estar�. Acho que arranjou um amigo, Tristan.
Continua...
SOB O SIGNO DO CAPRIC�RNIO 3 - Encontro na Bahia
Chamo-me Morgana Dias dos Santos Bantam.
O que � que o Corto veio fazer aqui?
Esquecer a guerra na Europa?
Penso que a resposta est� nas cartas.
Para ele, as aventuras mais excitantes
s�o as que misturam mulheres e a realidade.
Primeiro, foi a Paramaribo. O que � que o levou at� l�...?
O que disse? Decidiu morrer hoje, Steiner?
Ele n�o foi sempre assim, sabia?
O professor J�r�miah Steiner j� foi famoso, tempos atr�s.
O meu pai morreu, deixando-me a sua parte na Financeira Atl�ntica.
O meu tutor, o advogado Milner, convenceu-me a ceder-lhe as a��es.
...eu ou�o vozes. A mais forte � a de Ogun Ferraille.
Desaconselhou-me formalmente a vender a minha parte.
Ogun Ferraille enviou-te esta mensagem, durante o grande vudu...
O perigo est� aqui!
Este cretino trabalhava para o advogado de Kerster.
Eu sou o Mestre Kerster.
Mas h� algu�m por detr�s dele...
Milner. Ele � que queria o rapaz morto.
Vou at� Itapo�, a casa da Boca Dourada.
A Boca Dourada � um grande diabo.
Ela fala com o pensamento, e os irm�os de Paramaribo a escutam.
Uma irm�?! Ela... Ela est� aqui?
Somos muito amigas. A Morgana e eu.
V� � Bahia, Tristan.
A sua irm� est� � sua espera na casa do seu pai.
E o seu inimigo tamb�m estar� l�.
Vamos parar um pouco para apanhar frutos
e desentorpecer um pouco as pernas.
Onde � que estamos exatamente?
Perto de Saint-Laurent du Maroni, na Guiana francesa.
Socooorro!!
Voc�s do barco! Socooorro!
Peguem as espingardas! Cubram-me!
N�o atire, marujo!
N�o atire!
Os �ndios t�m raz�o... O Frou-Frou ficou completamente louco...
Matou duas garotas da tribo.
E voc�? Quem � voc�?
Chamo-me Cayenne... Sou um evadido da pris�o.
Est�vamos � espera de dois amigos holandeses
que nos iam levar a Paramaribo. Mas h� um problema. Espera...
S�o pessoas corajosas.
N�o fazem mal a ningu�m, se n�o forem provocados,
como fez o Frou-Frou.
Eu tentei defend�-lo, mas os anci�os da tribo condenaram-no � morte.
Eles nos ajudam... Escondem-nos.
D�o-nos de comer, e n�o nos pedem nada em troca.
O chefe diz que um de voc�s deve saber.
Tristan Bantam.
Eu?! Mas o que � que...
No fogo, leio as mensagens daqueles que viveram antes da nossa lua.
J� houve duas luas, antes da nossa.
Elas foram comidas pela terra.
Voc� est� ligado � segunda lua.
O local que procura tem quatro portas, Tristan.
Voc� passar� a quarta...
Ele est� falando de Mu!
O mais incr�vel � que ele disse tudo na nossa l�ngua.
N�o sejam t�o cr�dulos... � um malandro.
Ele deve ter estudado numa escola de mission�rios.
Nada disso. � um nativo das Cara�bas.
Eu o ouvi falar russo e �rabe com dois companheiros de cela.
Quando ele l� no fogo, acontecem coisas estranhas.
De acordo, Cayenne. � um rapaz engra�ado.
A quarta Porta est� no labirinto das perguntas e das respostas.
No sil�ncio das l�nguas. � a porta mais f�cil.
Mesmo que voc� n�o acredite, Corto Maltese.
Como � que sabe quem eu sou?
N�o sei, mas consigo ver...
Vejo uma ilha, muito longe daqui... ...um Monge falso...
E na palma da sua m�o a linha da sorte que conseguiu fazer
com a l�mina de barbear do seu pai, porque n�o tinha uma linha.
Tamb�m poderia falar de um comboio cheio de ouro...
E do ventre obscuro de uma montanha onde dorme o tesouro de um...
Pronto. J� chega...
Se me contar tudo, o futuro deixar� de me interessar.
Est� bem, Corto Maltese. O fogo disse o que tinha a dizer.
Ele est� dizendo para que vigie o Tristan. Para o bem dele.
O que � que pensa fazer, Cayenne? Esperar pelos seus amigos holandeses?
J� n�o s�o meus amigos. Como eu j� tinha dito, houve um problema.
Agora, gostaria de estrangul�-los.
Mas, para isso, era preciso estar em Paramaribo.
N�s vamos at� a Bahia. Eu posso lev�-lo...
...se prometer n�o estrangular ningu�m.
Era preciso ser louco! E eu n�o sou. Por vezes, lamento n�o ser...
Talvez a minha vida tivesse sido mais f�cil.
Mais f�cil... e mais curta.
Adeus, amigos. Muito obrigado.
S� h� uma forma de fugir de Cayenne,
e � dirigir-se a algu�m da Associa��o.
Isso custa caro, mas eles se encarregam de tudo;
e as pessoas de quem eles se encarregam nunca mais t�m problemas.
E, contudo, houve um problema...
Quando fizemos aquilo, �ramos cinco.
Os holandeses esperavam por n�s, como previsto...
Um indiv�duo grande, com olhos de sapo e um outro...
Um moreno, com um gancho.
Levaram o nosso dinheiro, e mataram tr�s dos nossos.
Eu consegui escapar, com o Frou-Frou.
O Olhos-de-sapo est� morto, Cayenne... e o Gancho est� na pris�o.
Isso � uma m� not�cia.
Eles trabalhavam para um advogado de Paramaribo, Kerster.
Kerster...
Sinto muito, meu velho, mas o Kerster tamb�m j� est� morto.
Mas temos grandes chances de encontrar na Bahia
um dos chefes dessa Associa��o. Um Milner...
Fala-se desse Milner, Corto.
Eu detesto matar pessoas que n�o conhe�o.
Ele pagou ao Olhos-de-sapo para eliminar o Tristan.
Est� � espera de meter a m�o nas a��es
que ele e a irm� t�m numa companhia.
E, aparentemente, tamb�m resgata pessoas da pris�o.
Bem, Tristan... Parece que estamos os dois no mesmo barco.
� incr�vel!
Tenho a impress�o de que fazemos todos parte do mesmo clube.
Um clube liter�rio, diria eu...
Vejam... Deve ser aqui... A casa de Morgana...
Eu diria que est�o � sua espera.
Tristan!
Que belo rapaz!
� t�o p�lido!
Anda! Entre! - Mas?
A minha irm� �... negra?!
N�o seja idiota. � uma linda mo�a.
Santa m�e de Deus! S�o parecidos como duas gotas de �gua!
Bem-vindo a minha casa, Tristan.
Morgana!
Desculpe... Eu... eu...
N�o pe�a desculpa, Tristan.
� muito importante para n�s que esteja aqui.
O nosso pai vive em voc�...
Ogun Ferraille estar� em breve entre n�s.
Este � o Comandante Corto Maltese... e o Professor Steiner,
que me ajudou a decifrar os documentos que o meu...
que o nosso pai nos deixou.
A Menina Bantam sempre foi um mist�rio para mim.
Um interessante mist�rio.
Pronto. Aqui, ficar� bem instalado.
O meu quarto � aqui mesmo, ao lado.
Esses s�o os documentos que o pai me confiou antes de regressar a Londres.
Mu...
Se souber procurar... decerto vai encontrar o que procura.
Ele escreveu que, durante v�rias noites, sentiu presen�as � sua volta.
Eu tamb�m senti... coisas... e tive sonhos estranhos...
At� logo, meu querido Tristan.
N�o entendo. Passei uma semana com cada arcano.
Tempo e boa vontade n�o s�o o suficiente para ler Tarot, Morgana.
� preciso ter dons naturais.
Durante as tr�s �ltimas semanas,
o escorpi�o apareceu sete vezes no jogo dos Tr�s Diabos.
E, com ele, o Caranguejo e os G�meos.
Pode me explicar o que � que esses tr�s signos fazem sempre juntos?
Voc� � G�meos, mas o seu irm�o � Aqu�rio.
Voc�s n�o t�m nada a ver um com o outro.
Ent�o... h� outros G�meos?
Coragem, minha filha. Por vezes, os G�meos podem estar juntos...
Sobretudo se for por pouco tempo.
Sabia que o inimigo do seu pai chegou a Bahia?
Est� na Barra. Foi a Boca Dourada que me disse.
A Financeira Atl�ntica est� a tornando a vida dele dif�cil.
Ele deve ter decidido cortar o mal pela raiz.
Ent�o vamos ter com ele!
Vamos acabar com isto de uma vez por todas!
Morgana...
As minhas li��es e as da Boca Dourada n�o serviram para nada?
O destino deve seguir o seu curso natural.
Uma pulseira de flores pode ser t�o dif�cil de quebrar como uma de a�o.
Quem est� vigiando-o?
Os capoeiristas de Cham� Cham�, e depois...
Olha! Parece que ele se decidiu...
Quetzacoatl!
O seu pai procurou o nosso mundo durante muito tempo...
Esteve perto, com a ajuda da magia.
Mas olhe...
Pai!
Mataram-no antes que ele passasse a Porta.
O meu pai foi... assassinado?
Sim, e o seu assassino � agora o teu inimigo.
Est� aqui para continuar a obra do teu pai.
Eu vou te dar os meios para permanecer em contato
com o nosso mundo. Assim, poderemos reviver em ti.
Tezcatlipoca! Irm�o!
Foste escolhido para manter o contacto
entre a nossa dimens�o e a do futuro.
Acompanhe Tristan Bantam na sua viagem de regresso.
Irm�o Serpente de Plumas...
Para regressar ao seu mundo,
Tristan Bantam tem de ser sacrificado.
N�o! N���ooo!
Eu n�o quero morrer! Eu n�o posso...
Oh, meu Deus!
E ent�o, Tristan? Continua com os pesadelos?
Vim para a Bahia para ver esta irm� de chocolate
cuja exist�ncia voc� ignorava.
John Milner! Pro�bo voc� de falar assim da minha irm�.
Ah, Tristan, Tristan...
Contratou um assassino para me matar...
Matou o meu pai...
Voc� � um traidor, e um assassino!
� uma maneira de ver as coisas.
A verdade � que sou um homem de neg�cios.
Se tivesse sido menos curioso,
teria deixado que eu administrasse a sua heran�a.
Mas, agora que j� sabe de tudo,
sou obrigado a eliminar voc�, voc� e sua irm�.
Mas... por qu�? Voc� era amigo do meu pai.
A amizade s� existe at� ao momento em que chega ao fim.
Eu sou um homem com v�cios caros.
Sempre precisei de muito dinheiro.
Esta bofetada n�o chega para mostrar o desprezo que sinto por voc�.
Mas, se o Corto Maltese estivesse aqui, ele...
Corto Maltese? O indiv�duo que me enviou um boneco cheio de alfinetes...
Sabia que os escrit�rios e a casa de Londres se incendiaram
depois que recebi aquele boneco?
Gostaria de encontra-lo vivo, esse seu amigo.
Est� satisfeito?
De onde � que voc� saiu? Deixei homens l� em baixo.
Como � que conseguiu entrar?
N�o tive de entrar. J� estava aqui dentro.
� imposs�vel! Revistamos isto tudo!
Onde � que estava escondido?
� um rapaz curioso. Essa � uma pergunta muto indiscreta.
Poupe-me dos seus sarcasmos, seu her�i de meia-tigela!
Eu n�o quero ser um her�i... J� me basta ser um corta-cabe�as.
Tem dinheiro para me dar?
- Tenho... - �timo.
Tristan! Vai avisar o Cayenne que o nosso amigo j� chegou.
Maravilha! Entrega-se aos v�cios sem sequer nos convidar.
Isso n�o � nada simp�tico!
Eu tentei impedir o advogado, Corto. Mas os capangas dele...
Fecharam-me aqui com as mulheres!
N�o entendo. O que me espanta mais
� estas duas feiticeiras rom�nticas terem se deixado surpreender...
Ou eu muito me engano
ou as suas capacidades videntes est�o fora de forma...
As cartas da Boca Dourada dizem que n�o devemos contrariar o destino.
Segundo as cartas, � o valete de espadas,
signo dos G�meos interferentes,
que deve eliminar o rei de ouros...
Ah, se as cartas da Boca Dourada o dizem...
Enquanto esperamos pelo valete de espadas, podemos jogar uma partida.
Creio que gosta de jogar cartas, Sr. Advogado...
Nada. Muito menos consigo.
Azar, porque o resultado da partida te interessa. Muito mesmo.
Se ganhar, darei papel e tinta para redija a sua confiss�o
e deixo que parta em liberdade.
Se perder, enfio voc� numa caixa de a�o e atiro ao oceano.
Ah, j� ia me esquecendo... Eu sou um trapaceiro.
Previno-o de antem�o para n�o haver reclama��es depois.
N�o haver� reclama��es, Corto Maltese.
Voc� perdeu... Eu tenho um flush de ouros.
Inacredit�vel! E, no entanto, fui eu que ganhei.
Com cinco ases!
O que � que est� tentando dizer?
S� h� quatro ases num baralho de cartas!
Em toda a minha vida de jogador, nunca vi uma partida destas.
Cheguei cedo demais, Corto Maltese?
Pelo contr�rio! Chegou na hora H.
Veja! Acabei de ganhar a vida do advogado Milner.
Pare com isso! Eu... ...eu tenho dinheiro... Posso...
Olhe para ele, Cayenne...
Esta tarde, lembrei-me dos seus amigos mortos por causa dele,
e gosto de ser generoso...
Sim, estou com vontade de deix�-lo aos seus cuidados.
Que presente magn�fico, Corto.
Acabarei com ele no dia do meu anivers�rio, 18 de Junho.
18 de Junho! Mas ent�o... � voc� o G�meo interferente!
O valete de espadas que deve eliminar o rei de ouros!
Menina... N�o entendo nada do que est� dizendo.
E, se n�o se importar, tenho de ir antes da madrugada...
Tem certeza de que se arranja sozinho, com esse a�?
N�o tem ningu�m.
Escute! O vento diz que � para o Tristan.
O cr�nio de Tezcatlipoca!
Ser� que... ...que ainda estou sonhando?
N�o, Tristan. Acabou de acordar.
Tome.
Tome! Foi para voc� que ele veio.
O que tinha de ser feito, foi.
Entre o mundo que o teu pai construiu
e aquele que ele queria proteger h� agora uma ponte.
A partilha est� feita, meus meninos.
Boca Dourada! Eu devo tudo a voc�!
O que � est� dizendo, Morgana?
Estou t�o contente de v�-los.
O encontro com o seu irm�o deve ter sido maravilhoso...
E correu tudo bem, j� vi.
Bom dia, Senhora...
O Corto Maltese salvou a Financeira Atl�ntica...
Gra�as a ele, o Senhor Steiner recome�ou a escrever...
e o Tristan est� enfim como devia ser.
Sim, � o que todo mundo me diz...
Mas � estranho... Por que eu continuo a ser o mesmo de sempre?
Isso prova que voc� se tornou s�bio, Tristan Bantam.
Bom dia, Corto Maltese.
Bom dia, Boca Dourada. Bom dia e adeus.
Aqui, encontraria tudo o que procura, Corto Maltese.
Mas � cego como uma toupeira...
� bem poss�vel, Boca Dourada. Mas cabe a mim perceber isso.
Ah, sim sim... Mas aqui tem uma casa.
N�o regresse velho demais. O que procura n�o existe.
E como � que voc� sabe?
Sei por experi�ncia pr�pria. Adeus, olhos castanhos.
J� estou com saudades suas, Tristan.
Nunca te esquecerei.
Eu tamb�m n�o... Nunca.
Tome, Professor. Este amuleto vai trazer-lhe felicidade.
� o signo de Salom�o!
A primeira vez que apareceu foi em Jerusal�m, no s�culo quinze.
� emocionante encontr�-lo aqui.
Emocionante e misterioso...
Continua...
SOB O SIGNO DO CAPRIC�RNIO 4- E Voltamos a Falar dos Cavalheiros da Fortuna
Diga-me, Steiner... Nunca te falei dos quatros ases em osso de baleia?
Dos quatro ases em osso...?
De baleia, sim. Juntos, d�o a solu��o para encontrar...
Deixe-me adivinhar... Um tesouro, n�o �?
Um tesouro?!
E como � que soube disso?
Da forma mais natural do mundo!
Antes de ontem, estava no caf� com a m�mia de Cle�patra, e...
J� vi! Est� brincando conosco!
O qu�?! Voc�s falam todos com esp�ritos.
Eu tamb�m tenho esse direito, n�o?!
� um dos meus antepassados... Um cavaleiro da fortuna.
Chamavam-lhe Barracuda-toca-a-todos.
J� ouvi falar nele.
Ambiguit� de Poincy. Lamento t�-lo feito esperar.
De que � que me queria falar?
Dos quatro ases em osso de baleia.
Os quatro ases... Essa � uma hist�ria para marujos velhos e b�bados.
� n�o � o que n�s todos somos? Marujos velhos e b�bados?
Esta carta d� a posi��o da ilha.
Foi um contrabandista quem me deu, em Xangai.
Antes mesmo de morrer.
A �ltima vez que ouvi falar disso,
o �s de paus estava em S�o Petersburgo.
Agora que j� viu a minha carta, gostaria de ver a sua.
� o �s de ouros. Desde a morte de Barracuda, nunca mais saiu da fam�lia.
Dez passos para a esquerda... � tudo? N�o � grande coisa...
Precisamos do �s de copas para sabermos mais.
O �s de copas...
Vi-o uma vez, numa ilha do Pac�fico Sul... nas m�os de um velho amigo.
Um monge, de quem nunca mais tive not�cias...
Um monge? Curioso... Em todo o caso, deve t�-la descartado.
Porque, agora, o �s de copas est� aqui, em Paramaribo,
nas m�os de algu�m que representa tudo o que � profano.
Aqui? Como � que sabe?
Da mesma forma que soube que eu tinha o �s de paus, meu caro.
Voc�s do barco! Eu sou Ambiguit� de Poincy,
e este senhor � o comandante Corto Maltese.
Quer�amos falar com o capit�o. Podemos subir a bordo?
Claro, Srta. Poincy. O Capit�o est� a bordo.
Ent�o? Vem comigo ou mudou de id�ia?
� impressionante! Tenho voc� sempre na minha cola.
Deve ser o meu destino. Eu podia mat�-lo agora...
Ou deixar uma pequena recorda��o...
Cortar seu nariz, por exemplo... Ou arrancar seus olhos...
Tem medo, n�o �? Infelizmente, salvou minha vida.
N�o foi das melhores coisas que fiz at� hoje.
Mas, para mim, isso conta. Eu n�o me costumo esquecer.
- A minha faca. - � bem louca, esta sua amiga...
N�o comece, Corto. Ela tem um �s,
e isso d� a ela o direito de participar na ca�a.
N�o se esque�a de que prometeu respeitar as regras da A.C.
Da A.C.? Mas o que � isso?
A Alegre Confraria, cretino! Ainda n�o aprendeu?
Sim, sim, sim... Est� bem... N�o se irrite. J� entendi.
Quando � que param com as brincadeiras? Parecem dois namorados.
Fala demais! N�o entendeu nada.
H� dois meses, em Cayman-Brac,
todos os cavaleiros da fortuna assinaram um tratado.
Como voc� n�o estava l�, assinei no seu lugar.
Ent�o? O que � que me diz? Somos s�cios?
O �s de paus indica a posi��o da ilha.
O �s de ouros indica somente "dez passos para a esquerda",
e o �s de copas...
"A partir da �rvore morta, conseguem ver os destro�os."
Acham que conseguimos descobrir o tesouro sem o �s de espadas?
Para ser franco, at� pod�amos passar sem o seu �s de paus, Ambiguit�.
Dez passos para a esquerda... Para a esquerda de qu�?
N�o quebre a cabe�a com isso! Eu posso andar at� dez mil passos...
agora que sei onde est�o os destro�os.
Na verdade, a minha carta � a mais importante.
Claro que �. A minha n�o conta. S� d� a posi��o da ilha.
Ah, Corto, meu amigo!
Sabe o que vamos fazer com todo esse ouro espanhol?
Vamos montar uma bela companhia de navega��o!
S� voc� e eu! Como nos bons e velhos tempos!
Esperem a�, senhores! Eu tamb�m fa�o parte da sua companhia.
E voc�, cale-se! Detesto que entrem nos meus sonhos sem serem convidados.
E agora? J� est� acordado?
Ela � louca! A minha cara!
Ele n�o devia ser muito bonito, mesmo sem esta luneta cravada no cr�nio.
O que � que est� vendo?
A �rvore morta.
Mas dez passos � esquerda da �rvore � em pleno oceano.
� uma pena n�o termos o �s de espadas.
Ele me faz lembrar algu�m... J� viram as ma��s do rosto?
Bem podia ser um dos teus antepassados, Ambiguit�.
Tem raz�o... Se calhar, � o Barracuda-toca-a-todos.
Quem � que te p�s neste estado, avozinho? Vamos! Diga-me...
Quem � este louco?
N�o me toque, mulher!
Deixe-me! Deixe-me... Ou corto voc� em peda�os!
� isso... Corte-me em peda�os, e nunca mais ver� o barco de coral.
O barco de coral? O que quer dizer?
Deixe-o, Rasputim. N�o passa de um pobre louco.
Louco? Eu?! Bando de imbecis! Sigam-me e ver�o.
Vejam!
Vejam o qu�?
Agora, temos de esperar...
Esperar?
Eu vou mat�-lo. Para passar o tempo.
Pare, Rasputim.
Olh... olhem!
� o barco de coral...
Claro! Aquela sali�ncia vertical... � a base do mastro grande.
Ent�o... s�o os destro�os!
Exatamente. Dormia debaixo de dois s�culos de coral...
A dez passos da �rvore morta.
Agora j� sabem porque � que n�o posso... baixar a guarda...
Mas devo confessar que... ...j� estou cansado.
Terrivelmente cansado...
Chega de conversa! O meu ouro est� ali em baixo!
Vamos r�pido antes que a mar� suba.
O nosso ouro, Rasputim. O nosso ouro.
Mas, diga-me, como � que espera ir busc�-lo?
Vai raspar o coral com as unhas?
Precisamos de dinamite.
H� dinamite no barco. V�o busc�-la, voc�s dois.
E voc�, o que � que est� fazendo?
Ent�o... n�o v�? Vou matar este imbecil.
Mas por qu�? J� sabemos que voc� � um bruto.
J� n�o tem mais nada a provar a ningu�m.
Detesto esperar. Tenho de arranjar qualquer coisa para fazer.
Continue procurando. Tenho certeza de que vai descobrir algo melhor.
J� encontrei.
Eu j� esperava por isto. E o que fez da A.C.?
A A.C.? O que � isso?
A Alegre Confraria... J� esqueceu?
Pare! Estou por minha conta.
Aqui est� a dinamite. � verdade... Sabe us�-la?
Alguma vez j� te falei de Romana, Rasputim?
Quem � essa?
Uma cigana. Ela tirava as cartas, em Barcelona.
Disse-me que, quando eu morresse,
todos os que estivessem � minha volta tamb�m morreriam comigo.
Pode ter se enganado...
Talvez... Mas o rastilho � curto demais.
- O que � que...? - Ele acendeu!
Voc� � louco!
- N�o h� nada l� dentro. - O que � que est� dizendo?
� imposs�vel! Tem de estar l� dentro!
Mas onde est� aquele ouro? Onde est� ele?!
Voc�s o destru�ram! O navio mais belo do mundo...!
Destru�ram-no!
Mas ele est� acordado?
Nunca encontrar�o o ouro!
Est� escondido, e eu sou o �nico que sabe onde ele est�!
E n�o direi nada a voc�s! Nunca!
Ent�o voc� n�o serve mesmo para nada!
Eles dispararam em mim! Eles dispararam em mim!
O que est� fazendo? Espere pela segunda rajada!
Pare, cretino!
O que � que foi? Voc� tamb�m quer morrer?
Pense um pouco! Se o matar, nunca encontraremos o ouro!
A Ambiguit� tem raz�o, Rasputim.
Ainda est� vivo, voc�?
� melhor prend�-lo sem lhe fazer mal.
Mas por que � que � sempre t�o complicado?!
Nunca conseguir�o me apanhar! Nunca! Nunca!
Venham! � isso! Venham!
Venham! Eu estou aqui em cima!
J� estou com pena de s� poder mat�-lo uma vez!
Os tr�s arcanjos da guerra est�o comigo!
Pare, mulher malvada! Eu n�o falo com mulheres!
Sobretudo quando s�o t�o feias como voc�!
N�o conseguir� nada, sua feiosa! Ningu�m conseguir� nada!
V�o todos morrer! Todos!
O fogo do c�u cai sobre v�s!
Fa�a alguma coisa! N�o consigo me mexer!
Ei! Voc� a�!
O que est� acontecendo l� em cima?
N�o fique se mexendo.
- V� com cuidado com essa faca... - Pronto... Olhe...
Tire daqui esta porcaria, e ajude-me a levantar
para que possa finalmente ir � procura do meu... do nosso ouro.
A� tem o seu ouro! Estava escondido nos canh�es do forte.
Aquele selvagem deu os disparos de canh�o mais caros da Hist�ria.
Pegue a sua parte.
O que �... N�o? N�o � poss�vel?!
Corto! N�o � verdade! Inventou isto s� para me roubar?! Corto!
Aquele louco...
...me chamou...
...de feiosa...
Eu sou... mesmo...
...mesmo... assim t�o feia?
Ela est� morta?
Est�.
Uma mulher t�o bela... Que patifaria!
O que � que faremos?
Ainda temos as tr�s cartas em osso de baleia.
E ent�o?
O que � que nos impede de as vend�-las num leil�o, e de relan�ar a ca�ada?
Isso n�o seria honesto com os nossos colegas.
Os nossos colegas? Mas eles fariam a mesma coisa. O que � que acha?
Imagina como ir�amos nos divertir � valer
vendo aquela gente toda lutando por uma coisa que nem sequer existe.
Isso j� me agrada mais. Hoje, voc� est� muito bem disposto.
Vai embora?
Eu achava que �ramos s�cios...
Est� brincando comigo?! Prefero ser s�cio de um escorpi�o!
Um destes dias, vou mat�-lo, Corto Maltese.
� isso! E uma destas noites sou eu quem vou matar voc�.
O senhor � o Capit�o Maltese?
Propriet�rio de um barco ancorado no cais Molesse?
- Sou. Por qu�? - Siga-nos, por favor.
Um jovem estava com ele... um ingl�s... Para onde ele foi?
O rapaz partiu para a Inglaterra, e o velho come�ou a se embebedar.
A multa � de vinte libras...
Assine aqui.
Lamento n�o ter podido me despedir de Tristan.
Eu tamb�m lamento... Quando ele partiu, senti-me... sozinho.
Ent�o, pus-me a beber.
N�o vejo nada de mal nisso.
J� � crescido para beber o que quiser, n�o �?
Esta carta chegou do Brasil, com outras cartas para o Tristan. � para voc�.
"Precioso amigo, encontrei esta carta numa arca.
�Acho que faz parte de um jogo importante. Envio para voc� com amor,
"na esperan�a de que ela tenha para voc� alguma utilidade,
"e que possa servir para que me perdoe,
"se fiz alguma coisa que n�o o agradou."
� da Boca Dourada.
Mas �... o �s de Espadas!
Sim. Olhe...
Nos canh�es? Mas, ent�o, era verdade?
Se esta carta tivesse chegado um pouco antes,
muitas coisas teriam sido diferentes...
Mas os sonhos continuam a ser sonhos, e voc� j� sonha demais.
Vamos beber umas cervejas bem frescas.
N�o pode beber sempre sozinho, n�o �?
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